Mostrando postagens com marcador República Democrática do Congo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador República Democrática do Congo. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

Hoje na História do Mundo: 9 de Dezembro

VARÍOLA ERRADICADA

    Em 1979, uma comissão internacional de cientistas declara que a varíola, uma doença com 30% de risco de vida, está erradicada. Agora, corre o risco de voltar por causa da insanidade e irracionalidade do movimento antivacinas.

A varíola é uma praga para a humanidade há milênios. O faraó Ramsés V, do Egito, teria morrido de varíola em 1145 antes de Cristo. 

O conquistador espanhol Hernán Cortez toma Tenochtitlán, a capital do Império Asteca, em 13 de agosto de 1521, em meio a uma epidemia de varíola que atingiu sobretudo os índios, que acreditam que o deus dos espanhóis é superior ao deles, que não os protege.

O vírus atual, que seria de 1580, é combatido na China no século 16 com a inoculação de pequenas quantidades para causar casos leves capazes de gerar imunidade, um precursos das vacinas.

No fim do século 18, quando a vacina é uma das principais causas de mortes na Europa, o cientista inglês Edward Jenner, cria a vacina em 1796. Muitos países europeus tornam a vacinação obrigatória e a varíola declina nos séculos 19 e 20.

A partir de 1967, a Organização Mundial da Saúde (OMS) faz campanha para atacar os últimos focos da doença. O último caso é diagnosticado em 1977 na Somália. A erradicação da varíola, graças à vacina, é um dos grandes triunfos da medicina.

PRIMEIRA INTIFADA

    Em 1987, jovens palestinos começam na Faixa de Gaza a Primeira Intifada (revolta das pedradas) contra a ocupação de territórios árabes por Israel depois de um acidente de um caminhão israelense que bate numa caminhonete em que morrem quatro palestinos.

Quando Israel manda forças especiais para conter a violência, a revolta se propaga para a Cisjordânia. Os dois territórios estão sob ocupação israelense desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967.

Para fortalecer o movimento pela criação de uma pátria para o povo palestino, o rei Hussein, da Jordânia, abre mão da reivindicação de soberania sobre a Cisjordânia em julho de 1988.

Em 15 de novembro de 1988, no exílio na Tunísia, o líder da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Yasser Arafat, declara a independência da Palestina, denuncia o terrorismo e reconhece o Estado de Israel, tentando criar condições para negociações de paz.

As negociações começam na Conferência de Madri, em 30 e 31 de outubro de 1991, depois que Israel evita responder aos ataques do Iraque de Saddam Hussein durante a Guerra do Golfo, em 1991. Ganham impulsa com as negociações secretas de Oslo, na Noruega, em 1993.

Em 13 de setembro de 1993, Arafat e o primeiro-ministro israelense, Yitzhak Rabin, apertam as mãos e assinam uma declaração de princípios nos jardins da Casa Branca. No ano seguinte, é criada a Autoridade Nacional Palestina. Arafat volta à Cisjordânia. Os palestinos assumem o controle sobre a Faixa de Gaza e a cidade histórica de Jericó.

O assassinato de Rabin por um extremista israelense, em 4 de novembro de 1995, em Telavive, desanda o processo da paz. A paz entre israelenses e palestinos é um sonho distante até hoje.

WALESA PRESIDENTE

    Em 1990, o líder operário Lech Walesa, fundador do sindicato livre Solidariedade, se torna o primeiro presidente eleito diretamente da história da Polônia.

Walesa, nascido em 1943, era eletricista no Estaleiro Lenin, em Gdansk, de onde é demitido em 1976 como agitador. Em agosto de 1980, lidera uma greve que leva ao reconhecimento do sindicato pelo regime comunista polonês. 

Um golpe liderado pelo general Jociech Jaruzelski, em 13 de dezembro de 1981, recoloca o Solidariedade na ilegalidade. Em 1983, Walesa ganha o Prêmio Nobel da Paz.

Com a abertura polícia promovida a partir de 1985 pelo líder do Partido Comunista da União Soviética, Mikhail Gorbachev, o Solidariedade volta a ser legalizado em abril de 1989 e obtém uma ampla vitória nas primeiras eleições parlamentares livres no Bloco Soviético, em 4 e 18 de junho de 1989. Tadeusz Mazowiech, aliado de Walesa, se torna primeiro-ministro e inicia as reformas liberalizantes para superar o regime comunista.

Na Presidência, Walesa se mostra menos hábil do que como líder sindical. Em 1995, perde a eleição presidencial para o ex-comunista Alexander Kwasniesk, da Aliança da Esquerda Democrática.

CHARLES E DIANA SE SEPARAM

    Em 1992, o primeiro-ministro britânico, John Major, anuncia a separação dos príncipes de Gales, Charles e Diana, depois de anos de uma guerrinha particular do casal travada através da imprensa sensacionalista do Reino Unido.

É o fim de um casamento de sonho, transmitido ao vivo da Catedral de São Paulo, em Londres, em 29 de julho de 1981, para 1 bilhão de telespectadores de 79 países. Diana precisa fazer teste de virgindade para casar. O primeiro filho, o príncipe William, nasce em 1982, e o segundo, o príncipe Harry, em 1984.

O casal real se divorcia em agosto de 1996. Lady Di morre em acidente de automóvel como uma cinderela cuja carruagem se esborracha em Paris, a cidade romântica por excelência, quando fugia dos fotógrafos com o namorado egípcio, Dodi al-Fayed, em 31 de agosto de 1997. A tragédia da princesa do povo causa uma grande comoção no Reino Unido e obriga a família real a reconhecer sua importância para a monarquia.

EUA INTERVÊM NA SOMÁLIA

    Em 1992, por ordem do presidente George Herbert Walker Bush (1989-93), derrotado por Bill Clinton um mês antes, os fuzileiros navais dos Estados Unidos chegam a Mogadíscio, na Somália, numa missão para levar garantir a ação humanitária das Nações Unidas ao país assolado pela fome, que está em estado de anarquia desde a queda do ditador Mohamed Siad Barre, em janeiro 1991.

A Somália cai em guerra civil. Em pouco menos de dois anos, 50 mil pessoas morrem na guerra e outras 300 mil de fome. Os EUA intervêm com a Operação Restaurar a Esperança na expectativa de acabar com o flagelo da fome. 

A ajuda humanitária das Nações Unidas recomeça, mas as forças norte-americanas não conseguem controlar a ação dos senhores da guerra que disputam o poder na Somália. A violência continua e um ataque à missão da ONU mata 24 soldados do Paquistão.

Em reação, a ONU ordena a captura do general Mohamed Farah Aidid, o senhor da guerra que controla a região de Mogadíscio, a capital somaliana. Mas as forças dos EUA, já no governo Bill Clinton (1993-2001) estão lá para proteger a ajuda humanitária. Não têm equipamento para grandes ações ofensivas.

Durante uma tentativa de prender Aidid, em 3 de outubro de 1993, os rebeldes somalianos derrubam dois helicópteros de combate Falcão Negro e matam 18 soldados. Alguns são arrastados pelas ruas de Mogadíscio, numa humilhação para os EUA, que se retiram da Somália. A Batalha de Mogadíscio é encenada no filme Falcão Negro em Perigo.

Esta humilhação leva ao que Clinton considera o maior erro de política externa de seu governo. Os EUA não intervêm em Ruanda para impedir o genocídio da minoria tútsi. De 7 de abril a 15 de julho de 1994, cerca de 800 mil pessoas morrem neste pequeno país do Centro da África, no último genocídio do trágico século 20.

A maioria hutu, inclusive a milícia Interahamwe, responsável pelo genocídio, foge para o Zaire, onde entra em choque com os baniamulengue, da mesmo etnia dos tútsis, desestabilizando o país vizinho. 

Isto leva o guerrilheiro Laurent Kabila, que lutara com Ernesto Che Guevara, que o considerava bêbado e mulherengo, incapaz de liderar uma revolução, a deixar seu refúgio, marchar até Kinshasa, derrubar o ditador Joseph Mobutu, em 1997, e mudar o nome do país para República Democrática do Congo.

A queda de Mobutu deflagra a Primeira Grande Guerra Mundial Africana (1997-2002), travada por nove países e pelo menos 25 grupos armados irregulares, com um total de mortes estimado em 5,4 milhões, em combate, de fome e de doenças. É o maior conflito armado do mundo depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

RÚSSIA DOPADA

    Em 2016, a Agência Mundial Antidoping (WADA) acusa a Rússia de dopagem sistemática de mais de mil atletas numa "conspiração institucional" para fraudar competições esportivas internacionais, inclusive as olimpíadas.

 Um segundo relatório da WADA implica o Ministério dos Esportes e o Serviço Federal de Segurança (FSB) da Rússia, sucessor da temida polícia política soviética (KGB), do qual o ditador Vladimir Putin foi diretor-geral antes de se tornar primeiro-ministro e presidente.

A Rússia é suspensa de competições internacionais por quatro anos em 2019, pena depois reduzida para dois anos. Na Olimpíada de Tóquio, os atletas russos competem seu seus uniformes, sem bandeira e sem hino nacional.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Partido pede a presidente do Congo fim da aliança com ex-ditador

A cúpula da governista União pela Democracia e o Progresso Social (UDPS) está pressionando o presidente da República Democrática do Congo, Felix Tshisekedi, a romper com a Frente Comum para o Congo (FCC), do ex-ditador Joseph Kabila, informou ontem a revista Jeune Afrique.

Os desentendimentos dentro do UDPS ameaçam a frágil aliança por causa das divergências políticas. Uma divisão do partido reduz as chances de reeleição de Tshisekedi. Na quarta-feira, o secretário-geral da UDPS, Augustin Kabuya, organizou uma "matinê política" convocando ativistas para pressionar o presidente: "Não podemos sacrificar o povo em nome de uma aliança política."

As oposições a Igreja Católica denunciaram fraude na eleição presidencial de 30 de dezembro de 2018. Ao perceber que seu candidato não tinha chances de vitória, Kabila fez aliança com Tshisekedi e armou a fraude para manter seu grupo no poder e evitar investigações sobre a corrupção generalizada.

terça-feira, 26 de novembro de 2019

Violência no Congo suspende ações de ajuda humanitária contra ebola

A violência de uma guerra civil sem fim levou grupos de ajuda humanitária a suspender a luta contra a epidemia do vírus ebola na República Democrática do Congo, no Centro da África. Uma nova explosão de violência na cidade de Beni obrigou as agências a paralisar temporariamente o trabalho, noticiou hoje a agência Associated Press (AP).

A paralisação das atividades das equipes de emergência aumenta o risco de que a doença se espalhe pela República Democrática do Congo e países vizinhos. A violência de grupos armados irregulares também perturba os transportes e as comunicações na região, que faz fronteira com Uganda e Ruanda. As diversas milícias devem aproveitar a situação caótica para realizar novos ataques.

A epidemia mais recente de ebola começou em agosto de 2018. Desde então, mais de duas mil e cem pessoas morreram. É a segunda pior epidemia até hoje, atrás apenas da epidemia que atingiu a África Ocidental de 2013 a 2016, matando 11 mil 323 pessoas, a grande maioria na Guiné, na Libéria e em Serra Leoa. Estes três países são pobres, mas estavam em paz, ao contrário do Congo. Meu comentário:

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Tanzânia deveria ter notificado suspeita de ebola, critica OMS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) manifestou preocupação porque a Tanzânia não deu aviso sobre a morte em Dar es Salam de um médico com sintomas semelhantes aos de infecção pelo vírus ebola. O governo tanzaniano declarou que exames afastaram a possibilidade de ser um caso de ebola, mas não mostrou os resultados à agência do sistema Nações Unidas.

O caso repete o padrão de falta de transparência nas relações da Tanzânia com os países vizinhos e as organizações internacionais. Se tentar esconder a incidência de ebola, prejudica os esforços internacionais para conter a propagação do vírus.

De 2013 a 2016, uma epidemia de ebola matou 11.323, principalmente na Guiné, na Libéria e em Serra Leoa. A Nigéria conseguiu controlar a doença com poucas mortes. Houve alguns casos no Mali e no Senegal.

A epidemia de ebola de Kivu começou em 1º de agosto de 2018. Já matou 2.119 pessoas, quatro em Uganda e as outras na República Democrática do Congo, um país com vários grupos armados irregulares e sem uma infraestrutura nacional de transportes e comunicações, o que complica o combate ao vírus.

Desde que chegou ao poder, em 2015, o presidente John Magufuli não aceita críticas reais ou imaginárias criadas por seu grupo palaciano. Ele reduziu as liberdades públicas, censurou e fechou empresas de comunicação. Tais políticas prejudicaram as relações com os países ocidentais e possíveis investidores estrangeiros.

quarta-feira, 17 de julho de 2019

OMS declara emergência por epidemia de ebola no Congo

A Organização Mundial da Saúde, órgão das Nações Unidas, considerou hoje a epidemia de ebola na República Democrática do Congo uma "emergência de saúde pública de preocupação internacional", noticiou a Agência France Presse (AFP). 

A decisão foi tomada dois dias depois que o vírus chegou a Goma, a primeira grande cidade atingida,  que fica na fronteira com Ruanda e é um entroncamento importante da África Central.

A declaração permite à OMS alocar recursos e fundos adicionais para evitar uma propagação ainda maior da doença transmitida pelos líquidos e secreções do corpo, causa uma febre hemorrágica e pode levar à morte.

Mais de 1,6 mil pessoas morreram nesta que é a segunda pior epidemia de ebola registrada até hoje. A maior começou na Guiné, um país da África Ocidental, em dezembro de 2013, logo atingiu também a Libéria e Serra Leoa, e foi considerada sob controle em dezembro de 2015 depois de contaminar quase 27 mil pessoas e matar pouco mais de 11 mil.

A epidemia atual surgiu no Congo em agosto de 2018 no Nordeste do Congo, onde o país faz fronteira com Ruanda e Uganda. O Congo ainda não se recuperou da chamada Primeira Guerra Mundial Africana (1997-2002), em que se estima que cinco milhões de pessoas morreram em combate, de fome ou por doenças provocadas pelo conflito.

Por causa de problemas logísticos e de ataques de milícias locais contra médicos e agentes de saúde, o desafio de conter a epidemia de ebola no Congo será maior do que na África Ocidental.

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Epidemia de ebola no Congo se alastra para Uganda

A avó e um irmão de uma criança de cinco anos morta pelo vírus ebola em Uganda foram contaminados pela doença, confirmando a propagação da epidemia que começou na República Democrática do Congo, noticiou hoje a televisão pública britânica BBC.

Os conflitos no Congo, que causaram ataques contra clínicas e equipes de combate à doença, impediram o controle da epidemia até agora, ao contrário do que aconteceu na Nigéria no surto epidêmico anterior na África, que deixou milhares de mortos na Guiné, na Libéria e em Serra Leoa.

Aquela epidemia começou na Guiné em dezembro de 2013 e só foi declarada extinta pela Organização Mundial da Saúde em janeiro de 2016, depois de contaminar 26.683 pessoas e matar 11.022.

O primeiro caso no Congo foi registrado em 24 de agosto de 2014. O surto atual, na região central da África, não tem relação com o anterior, ocorrido na África Ocidental, e já é o segundo maior da história, com 1.931 casos e 1.263 mortes confirmadas.

A região atingida em Uganda é remota, mas perto há áreas densamente povoadas. Se forem afetadas, a epidemia se alastra e vai exigir mais tempo e mais recursos para ser controlada.

segunda-feira, 29 de abril de 2019

Líder da oposição volta ao Congo pedindo campanha para afastar Tshisekedi

O principal candidato derrotado na eleição presidencial da República Democrática do Congo, Martin Fayulu, supostamente vítima de uma fraude maciça, voltou ontem a Kinshasa e prometeu liderar uma onda de manifestações de protesto para derrubar o presidente Félix Tshisekedi.

"Eu disse a vocês que vocês são mais fortes do que as armas. Os amigos sudaneses e argelinos não recorreram às armas", declarou Fayulu, referindo-se às rebeliões populares na Argélia e no Sudão. "Nós precisamos nos entender para dizer a Félix Tshisekedi que renuncie. Ele precisa sair."

Também ontem, os seis líderes da coalizão Lamuka, que apoiou Fayulu na eleição presidencial de dezembro de 2018, decidiram transformá-la numa aliança permanente. Eles acusam o ex-presidente Joseph Kabila de continuar mandando no país por força de um acordo com Tshisekedi para apoiar sua eleição em troca de garantias de impunidade.

Quando o mesmo grupo se reuniu na Suíça antes da eleição para firmar o pacto oposicionista, Tshisekedi estava junto. Depois, retirou sua assinatura.

A decisão de criar uma aliança permanente mostra a unidade das oposições e a incapacidade de Tshisekedi de ampliar o apoio a seu governo, que vai continuar dependendo do grupo leal a Kabila para se manter no cargo.

sexta-feira, 19 de abril de 2019

Estado Islâmico reivindica ataque na República Democrática do Congo

Com o fim do califado no Oriente Médio, o Estado Islâmico tenta expandir suas atividades para outras regiões da Terra, inclusive no Centro da África. Ontem, a Amaq, agência oficial de propaganda da organização terrorista, reivindicou a responsabilidade por uma ação na província de Kivu do Norte, na República Democrática do Congo.

Pelo relato da Amaq, militantes da Província do Estado Islâmico na África Central atacaram soldados do Exército do Congo, matando três e ferindo outros cinco, na localidade de Kamango. Militantes islamitas atacam a região há muitos anos, mas foi a primeira vez que a agência do Estado Islâmico assumiu a responsabilidade por uma ação armada no Congo.

As Forças Democráticas Aliadas (ADF, do inglês), um grupo jihadista da vizinha Uganda, são mais ativas na região e têm adotado palavras de ordem e bandeiras do Estado Islâmico.

Ao perder os territórios que havia conquistado na Síria e no Iraque, uma área do tamanho do Reino Unido, o Estado Islâmico regrediu, voltando a ser apenas um grupo terrorista clandestino, sem uma base territorial. Os atentados de 13 de novembro de 2015 em Paris foram um sinal de que o projeto original do califado estava destinado ao fracasso.

A expansão internacional é a tentativa de conter o declínio. A própria Amaq admite que a série de ataques em outros países, inclusive no Congo, faz parte da Campanha de Vingança pela Abençoada Província do Levante.

Desde 1996, as ADF lideram uma revolta na fronteira entre o Congo e Uganda com o objetivo de impor a lei islâmica e sucesso limitado a algumas vilas remotas perdidas em meio à floresta tropical africana. A aliança com o Estado Islâmico não aumentou sua capacidade militar.

domingo, 20 de janeiro de 2019

Tribunal Constitucional do Congo confirma eleição de Tshisekedi

Apesar dos apelos da União Africana para uma recontagem dos votos, o Tribunal Constitucional da República Democrática do Congo confirmou hoje a vitória de Félix Tshisekedi na eleição presidencial de 30 de dezembro. O oposicionista Martin Fayulu se declarou vencedor.

Filho de um ex-líder da oposição, Tshisekedi, de 55 anos, sucede ao presidente Joseph Kabila, que está no poder desde a morte do pai, Laurent Kabila, assassinado em 2001 durante a guerra civil congolesa. A suspeita é que o atual presidente tenha feito um acordo com o eleito para frustrar a eleição da Fayulu.

Uma apuração paralela feita pela Igreja Católica, com fiscais nas seções eleitorais, deu a vitória a Fayulu com cerca de 60% dos votos. Pela contagem oficial da Comissão Eleitoral Nacional Independente (CENI), Tshisekedi venceu com 38,5% dos votos contra 34,8% para Fayulu e 23% para Emmanuel Ramazani Shadary, o candidato governista.

A decisão dos nove juízes não surpreendeu. Eles são considerados aliados de Kabila, que estaria preocupado em manter seus negócios e evitar investigações sobre seu governo.

"Eu me considero o único presidente legítimo da RDC", afirmou Fayulu, acusado Tshisekedi de "total cumplicidade" com um "golpe eleitoral".

Seria a primeira transição pacífica e democrática neste grande país do centro da África desde a independência da Bélgica, em 30 de junho de 1960, com uma história marcada por guerras civis brutais.

A UA suspendeu o envio de uma missão ao Congo, mas a África do Sul reconheceu a decisão da Justiça e apelou "a todas as partes para que respeitem a decisão do Tribunal Constitucional".

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Martin Fayulu contesta resultado da eleição presidencial no Congo

O candidato oposicionista Martin Fayulu declarou hoje ter vencido a eleição presidencial de 30 de dezembro de 2018 na República Democrática do Congo, contestando o resultado oficial divulgado pela Comissão Eleitoral Nacional Independente (CENI), que deu a vitória ao também oposicionista Félix Tshisekedi. Há forte suspeita de um acordo entre Tshisekedi e o presidente Joseph Kabila para fraudar a eleição.

Por uma contagem paralela feita pela Igreja Católica, Fayulu foi o vencedor com 60% dos votos. Ele convocou seus eleitores a rejeitar o resultado oficial e prometeu recorrer amanhã ao Tribunal Constitucional.

A eleição presidencial deveria ter sido realizada no fim de 2016, quando terminou o segundo mandato de Kabila. Foi adiada por dois anos sob a alegação de falta de segurança e de estrutura. A fraude pode deflagrar uma nova onda de violência, em vez da primeira transição pacífica e democrática desde a independência do antigo Congo Belga, em 1960.

A França, a Bélgica e o Vaticano fizeram um apelo às autoridades congolesas para que reconhecem o verdadeiro resultado das urnas.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Oposicionista Félix Tshisekedi vence eleição presidencial no Congo

Félix Antoine Tshisekedi Tshilombo, líder da União para a Democracia e o Progresso Social (UPDS), o maior e mais antigo partido de oposição da República Democrática do Congo, venceu a eleição presidencial de 30 de dezembro, noticiou hoje o canal de televisão France 24 citando anúncio oficial da Comissão Eleitoral Nacional Independente (CENI).

Pelos dados da CENI, Tshisekedi recebeu -pouco mais de 7 milhões de votos ( 38,57%) contra 6,4 milhões (34,83%) para outro oposicionista, Martin Fayulu, e 4,4 milhões (23,84%) para o governista Emmanual Ramazani Sharady. Uma apuração paralela da conferência episcopal da Igreja Católica deu a vitória a Fayulu, abrindo a possibilidade de uma contestação e de violência nas ruas.

O resultado alimenta a suspeita de um acordo espúrio entre Tshisekedi e o presidente Joseph Kabila.

Se a vitória de Tshisekedi for confirmada e não houver uma reação violenta, será a primeira transição pacífica de governo desde que o Congo se tornou independente da Bélgica, em 1960, sob a liderança de Patrice Lumumba.

Aliado da União Soviética em plena Guerra Fria, Lumumba foi preso e assassinado no início de 1961 numa conspiração articulada pela CIA (Agência Central de Inteligência), o serviço de espionagem dos Estados Unidos, que levou ao poder Joseph Mobutu, ex-sargento do exército colonial belga, na Primeira Guerra Civil Congolesa (1960-64).

O presidente eleito nasceu em 13 de junho de 1963 em Kinshasa, a capital do antigo Congo Belga. É filho de Étienne Tshisekedi, que foi três vezes primeiro-ministro do ditador Joseph Mobutu, em 1991, 1992-93 e 1997, quando o país se chamava Zaire, mas também foi um dos poucos políticos a desafiar Mobutu.

A eleição presidencial foi realizada com dois anos de atraso. O mandato do presidente Joseph Kabila terminava em dezembro de 2016.

A expectativa dos analistas internacionais era de uma grande fraude eleitoral para eleger o candidato governista Sharady, especialmente depois do adiamento da divulgação dos resultados oficiais, inicialmente prevista para domingo. Com a surpreendente vitória de Tshisekedi, a suspeita permanece.

Joseph Kabila ocupava o cargo desde 2001, quando sucedeu ao pai, o guerrilheiro Laurent Kabila, que lutou ao lado do revolucionário argentino Ernesto Che Guevara nos anos 1960s e resistiu, refugiado nas Montanhas da Lua, até derrubar Mobutu, em 1997.

A queda de Kabila deflagrou uma guerra civil conhecida como Primeira Guerra Mundial Africana (1997-2003), com a participação de seis exércitos nacionais (República Democrática do Congo, República do Congo, Angola, Chade, Ruanda e Zimbábue) e centenas de grupos irregulares. Mais de 5,4 milhões de pessoas morreram em combate, de fome e de doenças causadas pela guerra.

Riquíssimo em minerais, o Congo tem as maiores reservas mundiais de cobalto, 3,5 milhões de toneladas, quase três vezes mais do que a Austrália, que vem em segundo lugar. Este elemento químico é fundamental para a fabricação de baterias recarregáveis, que serão cada vez mais importante quanto mais carros elétricos entrarem em circulação.

domingo, 6 de janeiro de 2019

Congo adia anúncio do resultado da eleição presidencial

As autoridades da República Democrática do Congo, o ex-Zaire e ex-Congo Belga, atrasaram a divulgação do resultado da eleição presidencial de 30 de dezembro de 2018, prevista para hoje. O diretor da comissão eleitoral alegou ter recebido menos da metade dos sufrágios. O anúncio oficial deve sair durante a semana.

O atraso e as inúmeras denúncias de irregularidades e manipulações do governista Partido Popular pela Reconstrução e a Democracia (PPRD) indicam uma tentativa de fraude eleitoral do grupo dominante. Isso pode deflagrar uma onda de violência, a exemplo do que aconteceu nas eleições de 2006 e 2011, e manchar a legitimidade do presidente eleito.

A Comissão Eleitoral Nacional Independente (CENI) declarou domingo à noite que escrutinou 53% dos votos, mas não poderia divulgar resultados provisórios e reclamou de "ameaças" de diplomatas de países ocidentais, noticiou o boletim de notícias Jeune Afrique.

A poderosa conferência episcopal da Igreja Católica, o chefe da missão da União Africana, a União Europeia e o Departamento de Estado americano pressionaram a CENI a apresentar resultados de acordo com a "verdade das urnas" e a "vontade do povo congolês". A coalizão governista Frente Comum pelo Congo (FCC), majoritária na Assembleia Nacional, denunciou a "atitude partidária" da Igreja.

O presidente Joseph Kabila está entregando o cargo depois de 17 anos no poder. Herdou a chefia do país do pai, Laurent Kabila, morto durante a guerra civil congolesa, também chamada de Primeira Guerra Mundial Africana por causa do envolvimento de vários exércitos nacionais e da mortes estimadas em 5,4 milhões, em combates, por doenças ou fome

Seu pai derrubara em 1997 o ditador Joseph Mobutu, no poder desde os anos 1960s, quando o líder histórico da independência do Congo Belga, Patrice Lumumba, foi assassinado em outra guerra civil brutal.

Joseph Kabila deveria ter deixado o cargo há dois, mas adiou a eleição presidencial prevista para 27 de novembro de 2016, alegando falta de dinheiro e de condições logísticas para realizar o pleito, primeiro por um ano e depois por dois anos.

Esta eleição deveria ter sido realizada em 23 de dezembro. Foi adiada por mais uma semana depois do incêndio de 8 mil urnas eletrônicas no escritório central da CENI, em Kinshasa, a capital deste grande país do centro da África.

O candidato oficial é Emmanuel Ramazani Shadary. Os principais candidatos da oposição são Félix Tshisekedi, da União pela Democracia e o Progresso Social (UDPS), e o deputado Martin Fayulu, da Dinâmica da Oposição Política Congolesa (DO). Este último recebeu o apoio de líderes oposicionistas como o ex-vice-presidente Jean-Pierre Bemba e o ex-governador da província de Katanga Moïse Katumbi.

Se a fraude for contestada na Justiça, será uma luta contra o domínio do presidente sobre as instituições do Congo.

Uma onda de violência pode levar a sanções das potências da Europa e da América do Norte ao Congo. Será uma oportunidade para a China aumentar sua presença no país, que detém as maiores reservas mundiais de cobalto.

Em Washington, o presidente Donald Trump anunciou o envio 80 militares dos Estados Unidos ao Gabão para uma possível intervenção no Congo se houver violência política.

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Oposição lidera pesquisa na República Democrática do Congo

O principal candidato da oposição à Presidência da República Democrática do Congo, Felix Tshisekedi, abriu uma boa vantagem sobre seus adversários na disputa da eleição presidencial de 23 de dezembro de 2018, anunciou hoje a Rádio France International Afrique (RFI Afrique).

Como o presidente Joseph Kabila está proibido de concorrer a um terceiro mandato pela Constituição, a eleição foi adiada por dois anos. Com seu candidato, Emmanuel Ramazani Shadary, mal nas pesquisas, a expectativa é uma grande fraude eleitoral promovida por Kabila e aliados para manter o poder.

Os dois políticos mais populares do antigo Congo Belga, Moise Katumbi e Pierre Bemba, estão proibidos de concorrer. Felix Antoine Tshisekedi Tshilombo, filho do ex-primeiro-ministro Étienne Tshisekedi, líder da União pela Democracia e o Progresso Social (UDPS), é o favorito com 36% das preferências do eleitorado.

Em segundo lugar, vem Vital Kamerhe, com 17%. O ex-ministro do Interior Ramazani Shadary está em terceiro, com 16%, seguido por Martin Fayulu e Freddy Matungulu.

A pesquisa foi realizada pelo Birô de Estudos, Pesquisas e Consultoria Internacional (BERCI) do Grupo de Estudos sobre o Congo da Universidade de Nova York. De 29 de setembro a 15 de outubro, ouviu 1.179 pessoas maiores de 18 anos nas 26 províncias do Congo.

Cerca de 76% dos entrevistados disseram ter uma "boa opinião" da oposição e 70% gostariam de ver uma candidatura única de oposição. Só 18% aprovam o presidente Kabila. Em junho, eram 21%. Mais da metade, 57%, desaprovam a candidatura de oposição.

Joseph Kabila é filho do guerrilheiro Laurent Kabila, que derrubou em 1997 o ditador sanguinário Joseph Mobutu, dando início a uma guerra civil conhecida como Primeira Guerra Mundial Africana.

Até 2002, estima-se que 5,4 milhões de pessoas morreram em combate, de fome e epidemias causadas pelo conflito. Joseph está no poder desde que o pai foi assassinado, em janeiro de 2001.

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Luta contra a violência sexual dá Prêmio Nobel da Paz de 2018

A ativista iraquiana dos direitos humanos Nadia Murad, uma mulher do povo yazidi que foi escrava sexual da organização terrorista Estado Islâmico, e o médico Denis Mukwege, que tratou mais de 30 mil mulheres vítimas de estupro na República Democrática do Congo, ganharam hoje o Prêmio Nobel da Paz de 2018 por sua luta contra a violência sexual como arma de guerra.

"Ao dar maior visibilidade à violência sexual em tempo de guerra", eles contribuíram para que "os criminosos sejam responsabilizados por seus atos", declarou hoje de manhã em Oslo o comitê norueguês do Nobel, responsável pelo prêmio da paz.

Nadia Murad sobreviveu ao império do terror do Estado Islâmico do Iraque e do Levante, uma campanha de assassinatos em massa, sequestros, estupros e escravização do povo yazidi considerada genocida. Ela está trabalhando com a advogada Amal Clooney, mulher do ator George Clooney, para levar os líderes do Estado Islâmico à Justiça.

Os EUA entraram na guerra contra o Estado Islâmico em 5 de agosto de 2014, dois meses depois da queda de Mossul, no Iraque, quando os jihadistas cercavam o Monte Sinjar, onde a população yazidi tentava resistir à ofensiva terrorista.

Ela foi levada para Mossul e entregue a um miliciano do Estado Islâmico e virou sua escrava sexual. Três meses depois ela conseguiu fugir daquele inferno.

"O Estado Islâmico não apenas matou nossas mulheres e meninas, nos tomou como despojos de guerra, como uma mercadoria a ser comercializada", declarou Nadia ao Conselho de Segurança das Nações Unidas em 2015. "O objetivo deles era eliminar todos os yazidis.

Aos 23 anos, em 2016, Nadia foi nomeada embaixadora da boa vontade pela ONU.

O uso da violência sexual como arma é uma das características das guerras assimétricas do mundo pós-Guerra Fria, que geralmente envolvem exércitos regulares e grupos irregulares.

É a conquista do último território, da intimidade, do ventre e da alma do inimigo. Seu impacto psicológico é tremendo, sobretudo para as mulheres, condenadas a gerar os filhos da violência do inimigo.

Nas guerras civis que destruíram a Iugoslávia, o estupro foi uma arma de guerra. Mas em nenhum lugar foi utilizado em tão larga escala como na guerra civil na República Democrática do Congo, que começa com o genocídio na vizinha Ruanda, de abril a junho de 1994, e a fuga em massa de ruandeses para o país vizinho.

Com o apoio do novo governo de Ruanda, os rebeldes do antigo Zaire, liderada por Laurent Kabila, marcharam até Kinshasa e derrubaram, em 1997, o ditador Joseph Mobutu. O colapso de uma ditadura sanguinária de três décadas deflagrou a Primeira Grande Guerra Mundial africana, disputada por seis exércitos regulares e dezenas de grupos irregulares.

Até julho de 2003, estima-se que 5,4 milhões de pessoas tenham morrido em combate, de fome e de doenças causadas pela guerra civil congolesa. Hoje, ao meio-dia, o ginecologista Denis Mukwege foi ovacionado no hospital onde trabalha, na cidade de Bukuvu.

"É uma arma de guerra usada em grande escala, mas o mundo não vê", declarou o Dr. Mukwege em entrevista como ganhador do Nobel da Paz.

O prêmio tem um sentido especial porque o próprio Nobel enfrenta uma crise resultante de abusos sexuais. Neste ano, não será entregue o Nobel de Literatura por causa de um escândalo sexual que levou à dissolução do comitê encarregado.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Ebola ameaça a República Democrática do Congo

O governo corrupto e ilegítimo da República Democrática do Congo luta para conter um surto de ebola. A doença hemorrágica, que pode levar à morte, chegou a uma grande cidade, Mbandaka, um porto com 1,2 milhão de habitantes, depois de matar várias pessoas em Bikoro, uma comunidade rural situada a 150 quilômetros de distância.

A Organização Mundial da Saúde pode declarar uma "emergência de saúde internacional" para facilitar o acesso de ajuda externa. Seus agentes identificaram 432 pessoas que tiveram contato com doentes. Até agora, foram diagnosticados 14 casos no país.

"Agora, estamos rastreando mais de 4 mil contatos dos pacientes, que se espalham por toda a região do Noroeste do Congo. Tiveram de ser seguidos e a única maneira de chegar onde estão é de motocicleta", declarou Peter Salama, porta-voz da OMS.

Na maior epidemia do vírus ebola, cerca de 11,3 mil pessoas morreram na Guiné, na Libéria e em Serra Leoa entre 2014 e 2016. Uma vacina ainda não aprovada totalmente foi usada com sucesso. Milhares de doses foram enviadas com urgência a Kinshasa. Desde 1978, houve oito surtos de ebola no Congo, com 811 mortes.

"Estamos entrando numa nova fase do surto de ebola, que agora atinge três regiões, inclusive uma em zona urbana", declarou o ministro da Saúde congolês, Ilunga Kalenga.

A RDC é um grande país de 2,3 milhões de quilômetros quadrados e 79 milhões de habitantes situado no coração da África, riquíssimo em recursos naturais, mas ao mesmo tempo pobre e miserável, com uma renda média de apenas US$ 476 por ano (177ª do mundo), e uma história trágica.

Já foi chamado de Congo Belga, Congo Oriental, Congo-Kinshasa, simplesmente Congo, ou Zaire, nome adotado pelo ditador Joseph Mobutu em 1971 e abandonado depois de sua queda, em 1997.

O país foi colonizado brutalmente por uma empresa privada a mando do rei Leopoldo II, da Bélgica, com métodos hoje considerados violações inaceitáveis dos direitos humanos beirando o genocídio. Essa história está contada no livro No Coração das Trevas, de Joseph Conrad. Em 1908, sob pressão do Império Britânico, a Bélgica assumiu a administração colonial.

Depois da independência, em 1960, a Bélgica apoiou uma rebelião secessionista na província de Katanga. Sem sucesso ao apelar aos Estados Unidos e às Nações Unidas para evitar a divisão do Congo, o primeiro-ministro Patrice Lumumba pediu ajuda à União Soviética. Assim, dividiu o Exército e ficou contra os EUA e a Bélgica.

Lumumba ficou apenas 12 semanas no poder. Um golpe militar liderado por Mobutu levou ao assassinato de Lumumba, em 17 de janeiro de 1961, numa conspiração organizada pela CIA (Agência Central de Inteligência), o serviço de espionagem dos EUA.

A guerra civil durou até 1964 e terminou com o poder absoluto de Mobutu, aliado dos EUA, da Europa Ocidental e da China na luta contra a influência da União Soviética na África durante a Guerra Fria.

O genocídio de 800 mil pessoas em Ruanda e a fuga da milícia assassina hutu Interahamwe para o Leste da RDC, em 1994, desestabilizou a região. Os baniamulengues do Congo são da mesma etnia dos tútsis e entraram em choque com os hutus.

Esse conflito levou Laurent Kabila sair do seu esconderijo nas Montanhas da Lua, onde estava desde que sua revolta, em que lutou Ernesto Che Guevara, fracassou, e marchar com o Exército de Ruanda até Kinshasa para derrubar Mobutu, em 1997.

A queda do ditador corrupto, com fortuna estimada entre US$ 4 bilhões e US$ 6 bilhões, deflagrou a chamada Primeira Guerra Mundial Africana, em que lutaram nove exércitos nacionais e 25 grupos armados irregulares.

Entre 1996 e 2008, estima-se que 5,4 milhões de pessoas morreram em combate, de fome ou de doenças causadas pela guerra civil congolesa. A ONU mantém no país sua maior missão de paz, com 17 mil soldados. Mas o país não tem estradas e infraestrutura que o una. As regiões são relativamente isoladas umas das outras.

Para agravar a situação, o presidente Joseph Kabila, que substituiu o pai, assassinado em 2001, não convocou até hoje as eleições presidencial e parlamentares previstas para 2016, sob a pretexto de que a comissão nacional eleitoral não poderia organizar o pleito antes de um novo censo da população.

Na prática, isso significou a prorrogação indefinida do que deveria ser o último mandato de Kabila, que perdeu toda legitimidade.

Quando o surto anterior de ebola chegou à Nigéria, o país mais populoso da África, a infraestrutura estatal e o sistema de saúde foram capazes de evitar uma epidemia. O teste será muito mais difícil para o Congo. A OMS espera que as lições da Guiné, da Libéria e de Serra Leoa ajudem a evitar mais uma tragédia congolesa.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Ataque a base da ONU no Congo mata 14 soldados da força de paz

Pelo menos 14 soldados da maior missão de paz das Nações Unidas foram mortos e 53 saíram feridos de um ataque contra sua base na província de Kivu do Norte, na República Democrática do Congo, revelou hoje a ONU. Foi o pior massacre de soldados da ONU desde a morte de 23 capacetes azuis na Batalha de Mogadíscio, na Somália, em 1993, retratada no filme Falcão Negro em Perigo.

Com armas pesadas e granadas de foguetes, os rebeldes atacaram o quartel. A batalha durou três horas. Um blindado de transporte de tropas foi destruído. A maioria dos mortos era da Tanzânia, noticiou a televisão pública britânica BBC.

"Este é o pior ataque a forças de paz da ONU na história recente", lamentou o ex-primeiro-ministro português (1995-2002) António Guterres, secretário-geral da organização internacional. Ele descreveu a ação rebelde como "crime de guerra" e cobrou a punição dos responsáveis pelas autoridades do Congo.

A Missão da Organização das Nações Unidas para a Estabilização da República Democrática do Congo (Monusco) é a maior e mais cara operação de paz em andamento no mundo, com 19 mil soldados. Tem um mandato para realizar ações ofensivas contra grupos armados. Isso tornou os capacetes azuis em alvos frequentes dos rebeldes.

O principal suspeito é o grupo chamado Forças Democráticas Aliadas (FDA), considerado terrorista pela vizinha Uganda. As FDA, criadas em 1995, teriam entre 1.200 a 1.500 homens em armas refugiam-se nas montanhas entre o Norte da RDC e Uganda.

Diante da ofensiva do Exército do Congo e a Monusco, em 2013, o grupo se dispersou. Depois de sérias violações do direito internacional, em 2014, as FDA foram incluídas na lista de alvos de sanções da ONU. Seu líder e fundador, Jamil Mukulu, preso em Dar es Salam, a capital da Tanzânia, em 2015, e extraditado para Uganda.

A RDC era o antigo Congo Belga, rebatizado como Zaire pelo ditador Joseph Mobutu. Sua queda deflagrou uma guerra civil que ficou conhecida como a Primeira Guerra Mundial Africana. De 1997 a 2002, nove exércitos nacionais e centenas de grupos irregulares disputaram o território e as riquezas da RDC, o segundo maior país da África desde a divisão do Sudão, em 2011.

Mais de 5 milhões de pessoas morreram em combate, de fome ou doenças causadas pela guerra civil congolesa.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Kabila consuma golpe e manda atirar na multidão no Congo

Depois de adiar as eleições para 2018 sob o argumento de falta de dinheiro e de registro eleitoral, o presidente da República Democrática do Congo, Joseph Kabila, anunciou às 23 horas de 19 de dezembro, data do fim do mandato, a formação de um novo governo, deflagrando uma onda de protestos. As forças de segurança atacaram as multidões matando pelo menos 26 pessoas, noticiou o jornal inglês The Guardian.

Dez mortes aconteceram em Lubumbashi, no Sudeste do antigo Congo Belga, onde outras 31 pessoas saíram feridas. Em Goma, no Leste do país, pelo menos 20 ativistas foram presos. No país inteiro, pelo menos 275 pessoas foram presas e 116 continuam detidas. A oposição denuncia 600 prisões.

Joseph Kabila chegou ao poder em 2001, substituindo o pai, Laurent Kabila, que foi assassinado. Foi eleito em 2006 e reeleito em 2011. Na segunda-feira, terminou seu segundo mandato e a Constituição o impede de concorrer a nova reeleição, mas o presidente não parece disposto a entregar o poder.

O ditador ignorou uma tentativa de mediação conduzida pela Igreja Católica e se antecipou ao nomear ontem um novo primeiro-ministro, Samy Badibanga, um ex-opsocionista, e um governo com 67 ministros em vez dos 47 do governo anterior para tentar atrair adversários políticos para seu lado.

Riquíssimo em recursos naturais, o Congo tem uma história trágica. Foi colonizado numa ação genocida conduzida pelo rei Leopoldo II, da Bélgica, o que levou o escritor polaco-britânico Joseph Conrad a escrever o livro No Coração das Trevas.

Quando o país se tornou independente, a esquerda liderada pelo primeiro-ministro Patrice Lumumba venceu as eleições provocando uma guerra civil fomentada pelas potências ocidentais. Lumumba foi derrubado em três meses e assassinado em janeiro de 1961, num golpe liderado por Joseph-Desiré Mobutu, um ex-sargento do Exército colonial belga que se aliou ao Ocidente na Guerra Fria.

Em 1965, depois de um segundo golpe de Estado, Mobutu foi oficialmente nomeado presidente e mudou o nome do país para Zaire, que governou com mão de ferro durante 32 anos, acumulando uma fortuna pessoal estimada entre US$ 4 bilhões e US$ 6 bilhões.

Com o genocídio de 800 mil pessoas na vizinha Ruanda em 1994, centenas de milhares de pessoas da etnia tútsi se refugiaram no Leste do Zaire, desestabilizando o país.

Uma nova guerra civil congolesa começou em 1996, quando Laurent Kabila deixou as Montanhas da Lua, onde estava refugiado desde o fracasso da revolução dos anos 1960s, em que o guerrilheiro argentino Ernesto Che Guevara lutou ao lado dele, descrevendo-o como "bêbado, mulherengo e incapaz de liderar uma revolução".

Mobutu Sese Seko Kuku Ngbendu Wa Za Banga, traduzido como o guerreiro que não conhece derrota por causa de sua resistência e sua vontade inflexível e é todo poderoso, deixando uma trilha de fogo por onde passa de conquista, caiu em 16 de maio de 1997, mas a guerra civil estava apenas começando.

A Primeira Guerra Mundial Africana envolveu nove exércitos nacionais e centenas de grupos irregulares, muitos ainda em atividade. De 1997 a 2002, estima-se que 5,4 milhões pessoas tenham sido mortas em combate, de fome ou doenças. O estupro como arma de guerra tornou-se endêmico.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Eleição presidencial no Congo deve ser adiada para dezembro de 2018

Em mais um golpe do presidente Joseph Kabila para se perpetuar no poder, o presidente da comissão eleitoral da República Democrática do Congo declarou no fim de semana que espera que a próxima eleição presidencial, prevista para novembro deste ano, seja adiada para dezembro de 2018, noticiou a agência Reuters.

O anúncio pode deflagrar mais uma onda de violência política depois de morte de cerca de 50 pessoas em protestos e choques com as forças de segurança na capital do antigo Congo Belga, Kinshasa.

Kabila se recusa a deixar o poder, mas nega qualquer manobra, atribuindo o adiamento a problemas logísticos e orçamentários. Uma negociação multipartidária com participação da sociedade tenta chegar a um acordo sobre a data da eleição, mas a maioria da oposição boicota o diálogo que considera um pretexto para Kabila continuar no poder.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Dezenas de pessoas morrem em protestos no Congo

Dezenas de civis foram mortos em dois de choques com as forças de segurança durante protestos contra o ditador Joseph Kabila na República Democrática do Congo, noticiou a agência Reuters citando dados da organização não governamental Human Rights Watch.

O Ministério da Informação admite 17 mortes, enquanto as oposições falam em mais de 50 pessoas. Imagens divulgadas na Internet mostraram a polícia atirando nos manifestantes e corpos estendidos no chão.

As manifestações protestam contra o adiamento das eleições previstas para novembro por suposta falta de dinheiro e um sistema de alistamento de eleitores. O segundo mandato de Joseph Kabila termina no fim deste ano, mas o Supremo Tribunal o autorizou a ficar no poder enquanto não houver uma eleição presidencial.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Protesto contra presidente do Congo tem dois mortos

A polícia da República Democrática do Congo entrou em choque hoje na capital, Kinshasa, e na cidade de Goma, no Leste do país, onde a polícia usou gás lacrimogênio, uma policial apedrejada e um manifestante morreram. 

Os manifestantes protestavam contra a intenção do presidente Joseph Kabila de continuar no poder depois do fim de seu segundo mandato, em dezembro de 2016, noticiou a televisão pública britânica BBC

Kabila apela para todos os meios para ficar no cargo. Tenta aprovar uma reforma constitucional para acabar com os limites à reeleição presidencial. Neste mês, obteve uma decisão favorável do Supremo Tribunal do Congo para continuar governando se não houver eleições.

Para colaborar com suas intenções, a Comissão Nacional Eleitoral divulgou estudo sobre os problemas logísticos e orçamentários para organizar as eleições previstas para novembro de 2016.

Joseph Kabila herdou o poder de seu pai, Laurent Kabila, um veterano guerrilheiro que lutou ao lado de Ernesto Che Guevara no Congo nos anos 1960s.

Em 1997, depois de ficar 30 anos refugiado nas Montanhas da Lua, no Centro da África, Laurent Kabila marchou sobre Kinshasa e derrubou o ditador Joseph Mobutu, envolvido no assassinato em 1961 do líder da independência do Congo, Patrice Lumumba, um dos grandes heróis da luta anticolonialista no continente.

Mobutu estava no poder desde 1965 e tinha mudado o nome do país para Zaire. Kabila restaurou o antigo nome acrescentando a expressão "república democrática", usada pelos regimes comunistas durante a Guerra Fria.