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terça-feira, 7 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 7 de Abril

NASCE BILLIE HOLIDAY

    Em 1915, Eleanora Fagan Gough, mais conhecida pelo nome artístico Billie Holiday, uma das maiores cantoras de jazz e blues da história, nasce na Filadélfia.

Negra e pobre, abandonada pelos pais que eram adolescentes quando ela nasceu, violentada por um vizinho aos 10 anos e aos 14 pelo dono de um prostíbulo onde lava o chão para sobreviver, agredida física e psicologicamente num asilo para meninas abusadas sexualmente, moradora de rua e prostituta, tem uma vida trágica. 

Aos 15 anos, engravida sem saber de quem e a mãe, com quem volta a viver, a obriga a fazer um aborto aos três meses de gestação. Deprimida, recorre a drogas e álcool e faz várias tentativa de suicídio.

Em 1930, procura emprego como dançarina no Harlem, o bairro negro de Nova York, mas não agrada ao público. Com pena dela, o pianista pergunta se sabe cantar. Ela diz que não, mas que é seu sonho. Aplaudida de pé, consegue um emprego nos fins de semana. Para complementar a renda, continua se prostituindo.

Billie Holiday nunca recebe educação formal como música. Autodidata, aprende ouvindo Louis Armstrong e Bessie Smith. Depois de três anos cantando no Harlem, chama a atenção do crítico musical John Hammond, que a leva a uma gravadora.

Seu primeiro disco, com a banda de Benny Goodman, é um sucesso. Ela compra um apartamento e abandona a vida de garota de programa. Passa a cantar nas melhoras casas noturnas de Nova York. Sua voz levemente rouca e sensual expressa uma profunda emoção.

Nos anos 1940, apesar do sucesso, a depressão que a atormenta desde a infância a conduz ao vício de cigarros, álcool, maconha e heroína, que injeta na veia. Seus relacionamentos amorosos fracassam e terminam com violência e abuso. Ela cogita abandonar a carreira para não ter a vida exposta.

Em 1947, é presa com uma quantidade de heroína que caracteriza tráfico, mas fica poucos dias na cadeia, paga fiança e é solta.

Três anos antes de morrer, em 1956, ela publica uma autobiografia, Lady Sings the Blues, que vira filme com Diana Ross no papel principal. Billie Holiday morre aos 44 anos em Nova York em 17 de julho de 1959 de edema pulmonar, cirrose hepática e insuficiência cardíaca.

CERVEJA LIBERADA

    Em 1933, oito meses antes do fim da Lei Seca, a cerveja de baixo teor alcoólico é liberada nos Estados Unidos. A data vira Dia Nacional da Cerveja.

O movimento contra as bebidas alcoólicas começa no início do século 19 e ganha força no fim do século 19. A Emenda nº 18 é aprovada em dezembro de 1917 e ratificada por três quartos dos estados, como exige a Constituição dos EUA, em janeiro de 1919.

Nove meses depois, a Lei Volstead regulamenta sua aplicação, inclusive a criação de uma unidade especial do Departamento do Tesouro para fiscalizar sua aplicação. A Lei Seca entra em vigor em 17 de janeiro de 1920. A proibição não funciona e cria um mercado negro em que prospera o crime organizado.

Em 1933, a 21ª Emenda acaba com a proibição a partir de 5 de dezembro de 1933.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE

    Em 1948, a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma agência das Nações Unidas, é instalada em Genebra, na Suíça, onde fica a segunda maior sede da ONU.

A OMS herda funções específicas de controle de epidemias, medidas de quarentena e padronização de medicamentos do Escritório Internacional de Saúde Pública, instalado em 1907 em Paris, e da Organização de Saúde da Liga das Nações, precursora da ONU, instalada em 1923. Mas tem um mandato maior para promover "o padrão de saúde mais alto possível para todos os povos".

A definição de saúde inclui o aspecto positivo. É "um estado de bem-estar físico, mental e social completo, e não apenas a ausência de doenças e enfermidades".

A Assembleia Mundial da Saúde reúne anualmente delegações dos 194 países-membros para traçar as políticas de saúde a serem implementadas pelo Secretariado sob a liderança de um diretor-geral nomeado pelo comitê executivo. Abaixo dele, há um subdiretor-geral e diretores-gerais adjuntos para cada área de atuação.

As prioridades da OMS são:

  1. Auxiliar os países a progredir rumo à cobertura universal de saúde.
  2. Ajudar os países a ter capacidade de aderir às Regulamentações de Saúde Internacional.
  3. Aumentar o acesso a produtos médicos essenciais e de alta qualidade
  4. Abordar o papel dos fatores sociais, econômicos e ambientais na saúde pública.
  5. Coordenar as respostas a doenças não transmissíveis.
  6. Promover a saúde pública e o bem-estar de acordo com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável estabelecidos pela Assembleia Geral da ONU.

GENOCÍDIO EM RUANDA

    Em 1994, no dia seguinte à morte do presidente Juvenal Habyarimana num avião abatido pela Frente Patriótica de Ruanda (FPR), o Exército dominado pela maioria hutu e milícias aliadas, em fuga, iniciam um genocídio em que 800 mil tútsis, tuás e hutus moderados são mortos até 15 de julho. 

O genocídio é cometido principalmente com facões pelas milícias. A principal é Interahamwe (os que lutam juntos). Quem queria uma morte mais rápida e menos dolorosa tinha de pagar a bala.

Os hutus fogem para o Leste do Zaire, onde entram em conflito com os baniamulengues, que são etnicamente tútsis. Começa uma guerra civil que leva o guerrilheiro Laurent Kabila, que lutara no Congo nos anos 1960 com Ernesto Che Guevara, que o chamou de bêbado e mulherengo, "incapaz de fazer uma revolução", a sair de seu refúgio nas Montanhas da Lua, no coração da África, marchar até Kinshasa e derrubar, em 1997, o ditador Joseph Mobutu, que estava no poder desde aquela época.

No poder, Kabila muda o nome do país para República Democrática do Congo. A revolta contra Mobutu deflagra a Primeira Guerra Mundial Africana (1997-2002) com o envolvimento de nove exércitos interessados em pilhar as riquezas minerias do Congo e centenas de grupos armados irregulares. É o conflito armado mais violento depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45). Cerca de 5 milhões de pessoas morrem em combate e de fome e doenças causadas pela guerra.

ODISSEIA EM MARTE

    Em 2001, os Estados Unidos lançam a nave espacial Odisseia em Marte, que entra na órbita do Planeta Vermelho em outubro e envia fotos e dados à Terra.

A sonda sai da Estação da Força Aérea de Cabo Canaveral, na Flórida, a bordo de um foguete Delta II. Seus principais objetivos são usar espectômetros e imagens térmicas para detectar a presença de água e gelo, estudar a geologia e a radiação em Marte. Atua também como uma estação de satélite que envia à Terra as imagens e mensagens de outros instrumentos de exploração espacial.

O custo do projeto é avaliado em US$ 297 milhões. O nome da nave é uma homenagem ao filme 2001: Uma Odisseia Espacial, de Stanley Kubrick, com base no livro do mesmo nome escrito por Arthur Clarke.

A missão descobre grande quantidade de hidrogênio e gelo em Marte, indicando que o planeta tem muito mais água do que se pensava. Também detecta a presença de ferro, potássio, silício e tório. Mapeia, vulcões, derramamentos de lava, desfiladeiros e crateras abertas por impacto. A radiação elevada exige que os astronautas que um dia cheguem lá usem trajes protetores.

O presidente Donald Trump anunciou a intenção de enviar uma missão tripulada a morte. O bilionário Elon Musk, o homem mais rico do mundo, assessor de Trump, sonha em criar colônias no planeta.

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segunda-feira, 7 de abril de 2025

Hoje na História do Mundo: 7 de Abril

NASCE BILLIE HOLIDAY

    Em 1915, Eleanora Fagan Gough, mais conhecida pelo nome artístico Billie Holiday, uma das maiores cantoras de jazz e blues da história, nasce na Filadélfia.

Negra e pobre, abandonada pelos pais que eram adolescentes quando ela nasceu, violentada por um vizinho aos 10 anos e aos 14 pelo dono de um prostíbulo onde lava o chão para sobreviver, agredida física e psicologicamente num asilo para meninas abusadas sexualmente, moradora de rua e prostituta, tem uma vida trágica. 

Aos 15 anos, engravida sem saber de quem e a mãe, com quem volta a viver, a obriga a fazer um aborto aos três meses de gestação. Deprimida, recorre a drogas e álcool e faz várias tentativa de suicídio.

Em 1930, procura emprego como dançarina no Harlem, o bairro negro de Nova York, mas não agrada ao público. Com pena dela, o pianista pergunta se sabe cantar. Ela diz que não, mas que é seu sonho. Aplaudida de pé, consegue um emprego nos fins de semana. Para complementar a renda, continua se prostituindo.

Billie Holiday nunca recebe educação formal como música. Autodidata, aprende ouvindo Louis Armstrong e Bessie Smith. Depois de três anos cantando no Harlem, chama a atenção do crítico musical John Hammond, que a leva a uma gravadora.

Seu primeiro disco, com a banda de Benny Goodman, é um sucesso. Ela compra um apartamento e abandona a vida de garota de programa. Passa a cantar nas melhoras casas noturnas de Nova York. Sua voz levemente rouca e sensual expressa uma profunda emoção.

Nos anos 1940, apesar do sucesso, a depressão que a atormentava desde a infância a conduz ao vício de cigarros, álcool, maconha e heroína, que injeta na veia. Seus relacionamentos amorosos fracassam e terminam com violência e abuso. Ela cogita abandonar a carreira para não ter a vida exposta.

Em 1947, é presa com uma quantidade de heroína que caracteriza tráfico, mas fica poucos dias na cadeia, paga fiança e é solta.

Três anos antes de morrer, em 1956, ela publica uma autobiografia, Lady Sings the Blues, que vira filme com Diana Ross no papel principal. Billie Holiday morre aos 44 anos em Nova York em 17 de julho de 1959 de edema pulmonar, cirrose hepática e insuficiência cardíaca.

CERVEJA LIBERADA

    Em 1933, oito meses antes do fim da Lei Seca, a cerveja de baixo teor alcoólico é liberada nos Estados Unidos. A data vira Dia Nacional da Cerveja.

O movimento contra as bebidas alcoólicas começa no início do século 19 e ganha força no fim do século 19. A Emenda nº 18 é aprovada em dezembro de 1917 e ratificada por três quartos dos estados, como exige a Constituição dos EUA, em janeiro de 1919.

Nove meses depois, a Lei Volstead regulamenta sua aplicação, inclusive a criação de uma unidade especial do Departamento do Tesouro para fiscalizar sua aplicação. A Lei Seca entra em vigor em 17 de janeiro de 1920. A proibição não funciona e cria um mercado negro em que prospera o crime organizado.

Em 1933, a 21ª Emenda acaba com a proibição a partir de 5 de dezembro de 1933.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE

    Em 1948, a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma agência das Nações Unidas, é instalada em Genebra, na Suíça, onde fica a segunda maior sede da ONU.

A OMS herda funções específicas de controle de epidemias, medidas de quarentena e padronização de medicamentos do Escritório Internacional de Saúde Pública, instalado em 1907 em Paris, e da Organização de Saúde da Liga das Nações, precursora da ONU, instalada em 1923. Mas tem um mandato maior para promover "o padrão de saúde mais alto possível para todos os povos".

A definição de saúde inclui o aspecto positivo. É "um estado de bem-estar físico, mental e social completo, e não apenas a ausência de doenças e enfermidades".

A Assembleia Mundial da Saúde reúne anualmente delegações dos 194 países-membros para traçar as políticas de saúde a serem implementadas pelo Secretariado sob a liderança de um diretor-geral nomeado pelo comitê executivo. Abaixo dele, há um subdiretor-geral e diretores-gerais adjuntos para cada área de atuação.

As prioridades da OMS são:

  1. Auxiliar os países a progredir rumo à cobertura universal de saúde.
  2. Ajudar os países a ter capacidade de aderir às Regulamentações de Saúde Internacional.
  3. Aumentar o acesso a produtos médicos essenciais e de alta qualidade
  4. Abordar o papel dos fatores sociais, econômicos e ambientais na saúde pública.
  5. Coordenar as respostas a doenças não transmissíveis.
  6. Promover a saúde pública e o bem-estar de acordo com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável estabelecidos pela Assembleia Geral da ONU.

GENOCÍDIO EM RUANDA

    Em 1994, no dia seguinte à morte do presidente Juvenal Habyarimana num avião abatido pela Frente Patriótica de Ruanda (FPR), o Exército dominado pela maioria hutu e milícias aliadas, em fuga, iniciam um genocídio em que 800 mil tútsis, tuás e hutus moderados são mortos até 15 de julho. 

O genocídio é cometido principalmente com facões pelas milícias. A principal é Interahamwe (os que lutam juntos). Quem queria uma morte mais rápida e menos dolorosa tinha de pagar a bala.

Os hutus fogem para o Leste do Zaire, onde entram em conflito com os baniamulengues, que são etnicamente tútsis. Começa uma guerra civil que leva o guerrilheiro Laurent Kabila, que lutara no Congo nos anos 1960 com Ernesto Che Guevara, que o chamou de bêbado e mulherengo, "incapaz de fazer uma revolução", a sair de seu refúgio nas Montanhas da Lua, no coração da África, marchar até Kinshasa e derrubar, em 1997, o ditador Joseph Mobutu, que estava no poder desde aquela época.

No poder, Kabila muda o nome do país para República Democrática do Congo. A revolta contra Mobutu deflagra a Primeira Guerra Mundial Africana (1997-2002) com o envolvimento de nove exércitos interessados em pilhar as riquezas minerias do Congo e centenas de grupos armados irregulares. É o conflito armado mais violento depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45). Cerca de 5 milhões de pessoas morrem em combate e de fome e doenças causadas pela guerra.

ODISSEIA EM MARTE

    Em 2001, os Estados Unidos lançam a nave espacial Odisseia em Marte, que entra na órbita do Planeta Vermelho em outubro e envia fotos e dados à Terra.

A sonda sai da Estação da Força Aérea de Cabo Canaveral, na Flórida, a bordo de um foguete Delta II. Seus principais objetivos são usar espectômetros e imagens térmicas para detectar a presença de água e gelo, estudar a geologia e a radiação em Marte. Atua também como uma estação de satélite que envia à Terra as imagens e mensagens de outros instrumentos de exploração espacial.

O custo do projeto é avaliado em US$ 297 milhões. O nome da nave é uma homenagem ao filme 2001: Uma Odisseia Espacial, de Stanley Kubrick, com base no livro do mesmo nome escrito por Arthur Clarke.

A missão descobre grande quantidade de hidrogênio e gelo em Marte, indicando que o planeta tem muito mais água do que se pensava. Também detecta a presença de ferro, potássio, silício e tório. Mapeia, vulcões, derramamentos de lava, desfiladeiros e crateras abertas por impacto. A radiação elevada exige que os astronautas que um dia cheguem lá usem trajes protetores.

O presidente Donald Trump anunciou a intenção de enviar uma missão tripulada a morte. O bilionário Elon Musk, o homem mais rico do mundo, assessor de Trump, sonha em criar colônias no planeta.

domingo, 7 de abril de 2024

Hoje na História do Mundo: 7 de Abril

NASCE BILLIE HOLIDAY

    Em 1915, Eleanora Fagan Gough, mais conhecida pelo nome artístico Billie Holiday, uma das maiores cantoras de jazz e blues da história, nasce na Filadélfia.

Negra e pobre, abandonada pelos pais que eram adolescentes quando ela nasceu, violentada por um vizinho aos 10 anos e aos 14 pelo dono de um prostíbulo onde lava o chão para sobreviver, agredida física e psicologicamente num asilo para meninas abusadas sexualmente, moradora de rua e prostituta, tem uma vida trágica. 

Aos 15 anos, engravida sem saber de quem e a mãe, com quem volta a viver, a obriga a fazer um aborto aos três meses de gestação. Deprimida, recorre a drogas e álcool e faz várias tentativa de suicídio.

Em 1930, procura emprego como dançarina no Harlem, o bairro negro de Nova York, mas não agrada ao público. Com pena dela, o pianista pergunta se sabe cantar. Ela diz que não, mas que é seu sonho. Aplaudida de pé, consegue um emprego nos fins de semana. Para complementar a renda, continua se prostituindo.

Billie Holiday nunca recebe educação formal como música. Autodidata, aprende ouvindo Louis Armstrong e Bessie Smith. Depois de três anos cantando no Harlem, chama a atenção do crítico musical John Hammond, que a leva a uma gravadora.

Seu primeiro disco, com a banda de Benny Goodman, é um sucesso. Ela compra um apartamento e abandona a vida de garota de programa. Passa a cantar nas melhoras casas noturnas de Nova York. Sua voz levemente rouca e sensual expressa uma profunda emoção.

Nos anos 1940, apesar do sucesso, a depressão que a atormentava desde a infância a conduz ao vício de cigarros, álcool, maconha e heroína, que injeta na veia. Seus relacionamentos amorosos fracassam e terminam com violência e abuso. Ela cogita abandonar a carreira para não ter a vida exposta.

Em 1947, é presa com uma quantidade de heroína que caracteriza tráfico, mas fica poucos dias na cadeia, paga fiança e é solta.

Três anos antes de morrer, em 1956, ela publica uma autobiografia, Lady Sings the Blues, que vira filme com Diana Ross no papel principal. Billie Holiday morre aos 44 anos em Nova York em 17 de julho de 1959 de edema pulmonar, cirrose hepática e insuficiência cardíaca.

CERVEJA LIBERADA

    Em 1933, oito meses antes do fim da Lei Seca, a cerveja de baixo teor alcoólico é liberada nos Estados Unidos. A data vira Dia Nacional da Cerveja.

O movimento contra as bebidas alcoólicas começa no início do século 19 e ganha força no fim do século 19. A Emenda nº 18 é aprovada em dezembro de 1917 e ratificada por três quartos dos estados, como exige a Constituição dos EUA, em janeiro de 1919.

Nove meses depois, a Lei Volstead regulamenta sua aplicação, inclusive a criação de uma unidade especial do Departamento do Tesouro para fiscalizar sua aplicação. A Lei Seca entra em vigor em 17 de janeiro de 1920. A proibição não funciona e cria um mercado negro em que prospera o crime organizado.

Em 1933, a 21ª Emenda acaba com a proibição a partir de 5 de dezembro de 1933.

GENOCÍDIO EM RUANDA

    Em 1994, no dia seguinte à morte do presidente Juvenal Habyarimana num avião abatido pela Frente Patriótica de Ruanda (FPR), o Exército dominado pela maioria hutu e milícias aliadas, em fuga, iniciam um genocídio em que 800 mil tútsis, tuás e hutus moderados são mortos até 15 de julho. 

O genocídio é cometido principalmente com facões pelas milícias. A principal é Interahamwe (os que lutam juntos). Quem queria uma morte mais rápida e menos dolorosa tinha de pagar a bala.

Os hutus fogem para o Leste do Zaire, onde entram em conflito com os baniamulengues, que são etnicamente tútsis. Começa uma guerra civil que leva o guerrilheiro Laurent Kabila, que lutara no Congo nos anos 1960 com Ernesto Che Guevara, que o chamou de bêbado e mulherengo, "incapaz de fazer uma revolução", a sair de seu refúgio nas Montanhas da Lua, no coração da África, marchar até Kinshasa e derrubar, em 1997, o ditador Joseph Mobutu, que estava no poder desde aquela época.

No poder, Kabila muda o nome do país para República Democrática do Congo.

sexta-feira, 7 de abril de 2023

Hoje na História do Mundo: 7 de Abril

  GENOCÍDIO EM RUANDA

    Em 1994, no dia seguinte à morte do presidente Juvenal Habyarimana num avião abatido pela Frente Patriótica de Ruanda (FPR), o Exército dominado pela maioria hutu e milícias aliadas, em fuga, iniciam um genocídio em que 800 mil tútsis, tuás e hutus moderados são mortos até 15 de julho. 

O genocídio é cometido principalmente com facões pelas milícias. A principal é Interahamwe (os que lutam juntos). Quem queria uma morte mais rápida e menos dolorosa tinha de pagar a bala.

Os hutus fogem para o Leste do Zaire, onde entram em conflito com os baniamulengues, que são etnicamente tútsis. Começa uma guerra civil que leva o guerrilheiro Laurent Kabila, que lutaram com Ernesto Che Guevara no Congo nos anos 1960, sai de seu refúgio nas Montanhas da Lua, no coração da África, marcha até Kinshasa e derruba, em 1997, o ditador Joseph Mobutu, que estava no poder desde aquela época.

No poder, Kabila muda o nome do país para República Democrática do Congo.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

Hoje na História do Mundo: 9 de Dezembro

VARÍOLA ERRADICADA

    Em 1979, uma comissão internacional de cientistas declara que a varíola, uma doença com 30% de risco de vida, está erradicada. Agora, corre o risco de voltar por causa da insanidade e irracionalidade do movimento antivacinas.

A varíola é uma praga para a humanidade há milênios. O faraó Ramsés V, do Egito, teria morrido de varíola em 1145 antes de Cristo. 

O conquistador espanhol Hernán Cortez toma Tenochtitlán, a capital do Império Asteca, em 13 de agosto de 1521, em meio a uma epidemia de varíola que atingiu sobretudo os índios, que acreditam que o deus dos espanhóis é superior ao deles, que não os protege.

O vírus atual, que seria de 1580, é combatido na China no século 16 com a inoculação de pequenas quantidades para causar casos leves capazes de gerar imunidade, um precursos das vacinas.

No fim do século 18, quando a vacina é uma das principais causas de mortes na Europa, o cientista inglês Edward Jenner, cria a vacina em 1796. Muitos países europeus tornam a vacinação obrigatória e a varíola declina nos séculos 19 e 20.

A partir de 1967, a Organização Mundial da Saúde (OMS) faz campanha para atacar os últimos focos da doença. O último caso é diagnosticado em 1977 na Somália. A erradicação da varíola, graças à vacina, é um dos grandes triunfos da medicina.

PRIMEIRA INTIFADA

    Em 1987, jovens palestinos começam na Faixa de Gaza a Primeira Intifada (revolta das pedradas) contra a ocupação de territórios árabes por Israel depois de um acidente de um caminhão israelense que bate numa caminhonete em que morrem quatro palestinos.

Quando Israel manda forças especiais para conter a violência, a revolta se propaga para a Cisjordânia. Os dois territórios estão sob ocupação israelense desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967.

Para fortalecer o movimento pela criação de uma pátria para o povo palestino, o rei Hussein, da Jordânia, abre mão da reivindicação de soberania sobre a Cisjordânia em julho de 1988.

Em 15 de novembro de 1988, no exílio na Tunísia, o líder da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Yasser Arafat, declara a independência da Palestina, denuncia o terrorismo e reconhece o Estado de Israel, tentando criar condições para negociações de paz.

As negociações começam na Conferência de Madri, em 30 e 31 de outubro de 1991, depois que Israel evita responder aos ataques do Iraque de Saddam Hussein durante a Guerra do Golfo, em 1991. Ganham impulsa com as negociações secretas de Oslo, na Noruega, em 1993.

Em 13 de setembro de 1993, Arafat e o primeiro-ministro israelense, Yitzhak Rabin, apertam as mãos e assinam uma declaração de princípios nos jardins da Casa Branca. No ano seguinte, é criada a Autoridade Nacional Palestina. Arafat volta à Cisjordânia. Os palestinos assumem o controle sobre a Faixa de Gaza e a cidade histórica de Jericó.

O assassinato de Rabin por um extremista israelense, em 4 de novembro de 1995, em Telavive, desanda o processo da paz. A paz entre israelenses e palestinos é um sonho distante até hoje.

WALESA PRESIDENTE

    Em 1990, o líder operário Lech Walesa, fundador do sindicato livre Solidariedade, se torna o primeiro presidente eleito diretamente da história da Polônia.

Walesa, nascido em 1943, era eletricista no Estaleiro Lenin, em Gdansk, de onde é demitido em 1976 como agitador. Em agosto de 1980, lidera uma greve que leva ao reconhecimento do sindicato pelo regime comunista polonês. 

Um golpe liderado pelo general Jociech Jaruzelski, em 13 de dezembro de 1981, recoloca o Solidariedade na ilegalidade. Em 1983, Walesa ganha o Prêmio Nobel da Paz.

Com a abertura polícia promovida a partir de 1985 pelo líder do Partido Comunista da União Soviética, Mikhail Gorbachev, o Solidariedade volta a ser legalizado em abril de 1989 e obtém uma ampla vitória nas primeiras eleições parlamentares livres no Bloco Soviético, em 4 e 18 de junho de 1989. Tadeusz Mazowiech, aliado de Walesa, se torna primeiro-ministro e inicia as reformas liberalizantes para superar o regime comunista.

Na Presidência, Walesa se mostra menos hábil do que como líder sindical. Em 1995, perde a eleição presidencial para o ex-comunista Alexander Kwasniesk, da Aliança da Esquerda Democrática.

CHARLES E DIANA SE SEPARAM

    Em 1992, o primeiro-ministro britânico, John Major, anuncia a separação dos príncipes de Gales, Charles e Diana, depois de anos de uma guerrinha particular do casal travada através da imprensa sensacionalista do Reino Unido.

É o fim de um casamento de sonho, transmitido ao vivo da Catedral de São Paulo, em Londres, em 29 de julho de 1981, para 1 bilhão de telespectadores de 79 países. Diana precisa fazer teste de virgindade para casar. O primeiro filho, o príncipe William, nasce em 1982, e o segundo, o príncipe Harry, em 1984.

O casal real se divorcia em agosto de 1996. Lady Di morre em acidente de automóvel como uma cinderela cuja carruagem se esborracha em Paris, a cidade romântica por excelência, quando fugia dos fotógrafos com o namorado egípcio, Dodi al-Fayed, em 31 de agosto de 1997. A tragédia da princesa do povo causa uma grande comoção no Reino Unido e obriga a família real a reconhecer sua importância para a monarquia.

EUA INTERVÊM NA SOMÁLIA

    Em 1992, por ordem do presidente George Herbert Walker Bush (1989-93), derrotado por Bill Clinton um mês antes, os fuzileiros navais dos Estados Unidos chegam a Mogadíscio, na Somália, numa missão para levar garantir a ação humanitária das Nações Unidas ao país assolado pela fome, que está em estado de anarquia desde a queda do ditador Mohamed Siad Barre, em janeiro 1991.

A Somália cai em guerra civil. Em pouco menos de dois anos, 50 mil pessoas morrem na guerra e outras 300 mil de fome. Os EUA intervêm com a Operação Restaurar a Esperança na expectativa de acabar com o flagelo da fome. 

A ajuda humanitária das Nações Unidas recomeça, mas as forças norte-americanas não conseguem controlar a ação dos senhores da guerra que disputam o poder na Somália. A violência continua e um ataque à missão da ONU mata 24 soldados do Paquistão.

Em reação, a ONU ordena a captura do general Mohamed Farah Aidid, o senhor da guerra que controla a região de Mogadíscio, a capital somaliana. Mas as forças dos EUA, já no governo Bill Clinton (1993-2001) estão lá para proteger a ajuda humanitária. Não têm equipamento para grandes ações ofensivas.

Durante uma tentativa de prender Aidid, em 3 de outubro de 1993, os rebeldes somalianos derrubam dois helicópteros de combate Falcão Negro e matam 18 soldados. Alguns são arrastados pelas ruas de Mogadíscio, numa humilhação para os EUA, que se retiram da Somália. A Batalha de Mogadíscio é encenada no filme Falcão Negro em Perigo.

Esta humilhação leva ao que Clinton considera o maior erro de política externa de seu governo. Os EUA não intervêm em Ruanda para impedir o genocídio da minoria tútsi. De 7 de abril a 15 de julho de 1994, cerca de 800 mil pessoas morrem neste pequeno país do Centro da África, no último genocídio do trágico século 20.

A maioria hutu, inclusive a milícia Interahamwe, responsável pelo genocídio, foge para o Zaire, onde entra em choque com os baniamulengue, da mesmo etnia dos tútsis, desestabilizando o país vizinho. 

Isto leva o guerrilheiro Laurent Kabila, que lutara com Ernesto Che Guevara, que o considerava bêbado e mulherengo, incapaz de liderar uma revolução, a deixar seu refúgio, marchar até Kinshasa, derrubar o ditador Joseph Mobutu, em 1997, e mudar o nome do país para República Democrática do Congo.

A queda de Mobutu deflagra a Primeira Grande Guerra Mundial Africana (1997-2002), travada por nove países e pelo menos 25 grupos armados irregulares, com um total de mortes estimado em 5,4 milhões, em combate, de fome e de doenças. É o maior conflito armado do mundo depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

RÚSSIA DOPADA

    Em 2016, a Agência Mundial Antidoping (WADA) acusa a Rússia de dopagem sistemática de mais de mil atletas numa "conspiração institucional" para fraudar competições esportivas internacionais, inclusive as olimpíadas.

 Um segundo relatório da WADA implica o Ministério dos Esportes e o Serviço Federal de Segurança (FSB) da Rússia, sucessor da temida polícia política soviética (KGB), do qual o ditador Vladimir Putin foi diretor-geral antes de se tornar primeiro-ministro e presidente.

A Rússia é suspensa de competições internacionais por quatro anos em 2019, pena depois reduzida para dois anos. Na Olimpíada de Tóquio, os atletas russos competem seu seus uniformes, sem bandeira e sem hino nacional.

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

Etiópia foi o país que mais cresceu nos anos 2010

Segundo país mais populoso da África, com 112 milhões de habitantes, atingido por uma fome em massa nos anos 1980, a Etiópia foi o país que mais cresceu na década. Desde 2009, o produto interno bruto etíope aumentou 146,7%, enquanto a renda por pessoa subiu 149%, noticiou o jornal inglês Financial Times.

A Etiópia é um dos países que dobrou sua produção e renda nesses dez anos, ao lado de gigantes como a China e a Índia e pequenos países. Em segundo lugar no ranking do crescimento ficou o Turcomenistão, seguido de Nauru, Mongólia, China, Laos, Índia, Ruanda, Gana e Camboja.

Sob guerras civis, a produção da Líbia caiu 71% e a do Iêmen 36%. Na Síria e na Venezuela, a situação é tão dramática que o Fundo Monetário Internacional (FMI) parou de coletar dados. A queda no PIB da Venezuela é estimada em pelo menos 50%.

A renda média também caiu na Grécia, na Guiné Equatorial, na República Centro-Africana, no Sudão, no Timor Leste e em Trinidad-Tobago.

Todos os países vencedores "têm ligações com a China ou adotaram o modelo de desenvolvimento chinês", observa Charles Robertson, economista do banco de investimentos Renaissance Capital, um fundo de investimento especializado em mercados emergentes.

É um modelo de desenvolvimento baseado em governos autoritários e grandes investimentos estatais em infraestrutura como estradas, aeroportos, geração e transmissão de energia, e na indústria manufatureira.

Com investimentos públicos de 40% do PIB, a Etiópia explorou o potencial hidrelétrico dos rios Nilo Azul e Omo. Também usa as barragens para irrigação e aumento da produção agrícola.

O primeiro-ministro Abiy Ahmed, ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 2019, está fazendo reformas liberais e privatizações para atrair capital estrangeiros que enfrentam forte resistência interna.

Também na África, Gana, a antiga Costa do Ouro, descobriu o ouro negro em 2007, com o campo de petróleo Jubileu, mas o excesso de gastos públicos elevou a dívida interna para 60% do PIB, o que já começa a travar a economia.

Ruanda, onde um genocídio matou 800 mil pessoas em 1994, adotou um modelo de crescimento autoritário favorável ao capital estrangeiro comparável ao de Cingapura.

"Eles usaram cada dólar para construir um centro de conferências, hotéis, um bom aeroporto e boas estradas", comentou Robertson. Também melhoram o ambiente de negócios, cortando as taxas de juros e a burocracia.

Há suspeitas sobre as estatísticas de países como Ruanda e o Turcomenistão. Esta antiga república soviética teve um salto de 130% no PIB. Só ficou atrás da Etiópia, o que se atribui à exploração de jazidas de gás natural importado pela China com sua demanda crescente por energia.

O Camboja e o Laos ampliaram a produção industrial, seguindo o exemplo do vizinho Vietnã, e se beneficiam do aumento do turismo.

Bangladesh progrediu com o desenvolvimento da indústria têxtil com o mesmo modelo de crescimento com base num Estado autoritário e investimento público. O problema seria o excesso de endividamento, mas o país tem um bom nível de poupança.

Para Bangladesh, o desafio é ir além da indústria têxtil, que não tem o poder de mercado de setores de maior valor agregado, especialmente de alta tecnologia. Talvez possa avançar com o desenvolvimento da Índia no setor.

Apesar de ter duplicado o PIB, a Índia poderia ter crescido mais, adverte George Sterne, diretor de pesquisa macroeconômica global da Oxford Economics: "A Índia tem problemas bancários e institucionais, mas tem um nível de educação decente. O setor de centros de atendimento telefônico e os invisíveis vão bem, mas há um enorme potencial que só está meio-realizado."

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Ruanda expulsa mais de 1,3 mil burundeses

O governo de Ruanda, no Centro da África, expulsou mais de 1,3 mil cidadãos do vizinho Burúndi na semana passada, revelaram hoje funcionários burundeses citados pela agência Reuters.

Desde que o presidente Pierre Nkurunziza decidiu concorrer a um terceiro mandato, em abril de 2015, centenas de pessoas foram mortas e milhares fugiram do país. Muitos se refugiaram em Uganda, que tem uma composição étnica semelhante, com uma maioria do povo hutu e uma minoria tútsi.

Na semana passada, o governo ruandês mandou os burundeses irem para campos de refugiados ou voltarem para o Burúndi.

Com o aumento da violência, os países vizinhos, especialmente Ruanda, temem o extravasamento do conflito através das fronteiras. Em 1994, quando a Frente Patriótica Ruandesa (FPR) derrubou o governo da maioria hutu, os hutus em fuga cometeram um genocídio, massacrando 800 mil pessoas.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Congo prende comandante rebelde de Ruanda

Um alto comandante da milícia Forças Democráticas pela Libertação de Ruanda (FDLR), ligada aos responsáveis pelo genocídio de 1994, general Leopol Mujyambere, foi preso ontem na cidde de Goma, na República Democrática do Congo, anunciou hoje o ministro das Comunicações congolês, Lambert Mende Omalanga, citado pela agência de notícias Bloomberg.

O ministro declarou que o general rebelde está sendo interrogado e que não há decisão sobre a extradição para Ruanda. As FDLR foram formadas por refugiados que saíram de Ruanda quando a Frente Patriótica Ruandesa, dominada pela minoria étnica tútsi, derrubou o governo da maioria hutu.

Em resposta, o governo deposto de Ruanda, um país do centro da África, promoveu um genocídio de tútsis e hutus moderados com o apoio da milícia Interahamwe. Pelo menos 800 mil pessoas foram mortas de abril e junho de 1994, com omissão da sociedade internacional.

O ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton considera não intervir para evitar o genocídio de Ruanda o maior erro de seu governo.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Ataque mata cinco pessoas na capital do Burúndi

Cinco pessoas foram mortas ontem num ataque com tiros e granada em Bujumbura, a capital do Burúndi, no Centro da África, um dos principais focos da oposição ao presidente Pierre Nkurunziza, noticiou hoje a agência Reuters.

Os confrontos entre as forças de segurança e os oposicionistas se intensificaram desde a reeleição de Nkurunziza em julho do ano passado. Ele mudou a Constituição para concorrer a um terceiro mandato.

Nos últimos 12 meses, a violência política no Burúndi causou a morte de cerca de 400 pessoas. Outras 260 mil fugiram do país, marcado pelo conflito étnico entre hutus e túsis, o mesmo que provocou o genocídio dos tútsis na vizinha Ruanda em 1994.

Nkurunziza, um hutu, está no poder desde o fim da guerra civil, em 2005, mas sua insistência em permanecer no cargo ameaça romper a trégua dos últimos dez anos.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Mais de 40 mil pessoas fogem do Burúndi

Mais de 40 mil pessoas fugiram do Burúndi, um pequeno país da Região dos Grandes Lagos do Centro da África vizinho e semelhante a Ruanda, depois de duas semanas de protestos com 12 mortes contra manobras do presidente Pierre Nkurunziza para se reeleger. 

Hoje o presidente prometeu que, se for reeleito em junho de 2015, será seu último mandato, informa o jornal digital americano The Huffington Post.

É a pior crise política no país desde o fim 12 anos atrás da guerra civil entre a maioria hutu e o Exército dominado pela minoria tútsi, num conflito ao que levou ao genocídio de 800 mil pessoas em 1994 em Ruanda.

A fuga em massa preocupa a República Democrática do Congo, a Tanzânia e especialmente Ruanda pelo impacto que pode ter no conflito interno ruandês.

"Todas as luzes estão piscando no Burúndi. Todos os alarmas estão tocando. Então, onde está o corpo de bombeiros", advertiu em Genebra, na Suíça, o presidente do Conselho de Refugiados da Noruega, Jan Egeland, pedindo uma ação internacional para acalmar a situação.

A Constituição do Burúndi limita o exercício da presidência a dois mandatos. Em 25 de abril de 2015, Nkurunziza, ex-comandante de um grupo rebelde hutu, anunciou a intenção de concorrer a um terceiro mandato.

Sob pressão do governo, o Tribunal Constitucional decidiu ontem autorizar Nkurunziza a disputar mais uma eleição alegando que o primeiro mandato não conta porque em 2005 ele foi eleito indiretamente pelo Congresso.

Seu principal desafiante, Audifax Ndabitoreye, foi preso num hotel da capital, Bujumbura, onde havia uma reunião de ministros de países da África Oriental para discutir a crise, sob a acusação de participar de uma insurreição: "Sou uma vítima porque estou protestanto claramente contra um terceiro mandato para Nkurunziza que é ilegal e inconstitucional."

Centenas de manifestantes foram presos. O governo os acusa de insurreição, promete soltar os menores de 18 anos e uma anistia caso cessem os protestos. O Ministério do Exterior do Reino Unido denunciou pressões sobre o supremo tribunal para autorizar mais uma reeleição do presidente. Um ministro do tribunal fugiu do país nos últimos dias.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

República Democrática do Congo ataca milícia genocida de Ruanda

As Forças Armadas da República Democrática do Congo lançaram sua primeira ofensiva contra o grupo rebelde Forças Democráticas pela Libertação de Ruanda, formado inicialmente pela milícia da etnia hutu responsável pelo genocídio de pelo menos 800 mil pessoas em Ruanda, em 1994, noticiou hoje o sítio World Bulletin.

O combate foi realizado perto da cidade de Uvira, na província de Kivu do Sul, junto à fronteira com o Burúndi. Mais de 5,4 milhões de pessoas foram mortas na guerra civil do Congo, de fome e de doenças causadas pelo conflito desde o genocídio em Ruanda.

A fuga dos hutus provocou um conflito com os baniamulengue do Congo, que têm a mesmo origem étnica dos tútsis, as maiores vítimas do genocídio em Ruanda. Isso levou o conflito para o grande país vizinho.

O líder rebelde Laurent Cabila, refugiado nas Montanhas da Lua desde que sua revolução apoiada pessoalmente por Che Guevara fracassara, nos anos 1960s, marchou rumo à capital, Kinshasa, e derrubar o ditador Joseph Mobutu, em 1997, na chamada Primeira Grande Guerra Mundial Africana.

Nove exércitos nacionais e centenas de grupos irregulares travaram então uma violenta guerra. O país não foi totalmente pacificado até hoje. Com o ataque à milícia hutu, o Exército também estabelecer seu controle sobre todo o Congo, um país riquíssimo em recursos naturais que tem sido um campo de batalha praticamente desde a independência.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

França é excluída do aniversário do genocídio de Ruanda

Ruanda, um pequeno país do Centro da África, lembra hoje o início do genocídio de pelo menos 800 mil pessoas em 100 dias, em 1994. A França, acusada de acobertar os massacres cometidos por milícias da maioria étnica hutu, foi excluída das rememorações pelo presidente Paul Kagame.

Na época, diante da omissão das Nações Unidas por veto dos Estados Unidos, traumatizados pelo fracasso da intervenção militar contra a fome na Somália, a França lançou a Operação Turquesa. Como era aliada do governo hutu deposto pela Frente Patriótica de Ruanda, foi acusada de proteger a fuga dos genocidas.

Cerca de 150 mil são suspeitas de terem cometido crimes no último genocídio do trágico século 20.

Ao participar de solenidas em Kigali, o ex-primeiro-ministro britânico, Tony Blair, observou um renascimento do orgulho nacional pela reconstrução do país.

quarta-feira, 12 de março de 2014

França pede prisão perpétua por genocídio em Ruanda

No primeiro processo na França sobre o genocídio de 1994 em Ruanda, o procurador-geral Bruno Sturlese pediu prisão perpétua para o capitão Pascal Simbikangwa, responsabilizando-o diretamente e não apenas por cumplicidade, informou há pouco o jornal francês Le Monde.

O réu nega as acusações.

Congo e ONU atacam rebeldes hutus de Ruanda

O Exército da República Popular do Congo e as forças de paz das Nações Unidas atacaram os rebeldes hutus das Forças Democráticas para Libertação de Ruanda (FDLR), baseadas no Leste do Congo.

As FDLR foram formadas pela milícia Interahamwe, responsável pelo genocídio de pelo menos 800 mil tútsis e hutus moderados em Ruanda em 1994.

Desde aquela época, são uma fonte de instabilidade no Leste do Congo. Foram responsáveis pelo início do conflito que levou à queda do ditador Joseph Mobutu, em 1997, e à chamada Primeira Guerra Mundial Africana, em que mais de 5 milhões de pessoas morreram em combates e massacres, de fome e doenças.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Mídia ajuda mas pode atrapalhar processos de paz*


A visão liberal normalmente pressupõe que o papel dos meios de comunicação de massa é sempre positivo ao alimentar o debate político em sociedades democráticas. Um dos pontos que vou defender aqui é que a mídia ajuda ao criar consensos, mas pode atrapalhar, especialmente nas negociações de paz em conflitos armados, quando pode cristalizar posições rivais em termos inconciliáveis.

O economista e filósofo indiano Amartya Sen, ganhador do Prêmio Nobel de Economia em 2008, afirma que não há fome em massa em democracias. Nenhum governo democrático resiste à imagem de uma criança morta diante do seio murcho de uma mãe esquálida. Este é o poder da imagem, uma força positiva.

DEMOCRACIAS NÃO LIBERAIS
Mas uma das consequências da onda de democratização pós-Guerra Fria foi o surgimento de democracias não liberais em países sem experiência democrática como os antigos países comunistas, por exemplo, os que formavam a Iugoslávia ou surgiram da dissolução da União Soviética, ou mais recentemente no arco andino da América do Sul e no grande Oriente Médio.

Os meios de comunicação controlados pelo poder central foram decisivos para manutenção do poder por antigos hierarcas do regime comunista e pela ascensão de burocratas convertidos em olicargas pelas privatizações escandalosas da era Boris Yeltsin. Boris Berezovski foi um exemplo.

Sob Putin, a Rússia regrediu para um regime mais autoritário. Acabaram as eleições diretas para governador, aumentou o controle sobre a mídia e agora Putin quer se livrar das ONGs, tenta sufocar a sociedade civil emergente.

Em Ruanda e na Bósnia, a mídia foi decisiva para demonizar e desumanizar o inimigo, e assim justificar massacres. Outro dia recebi um comentário em nome de Siria Latinoamerica no meu blogue festejando a vitória das forças de Bachar Assad na Batalha de Kussair. Prometia “exterminar os ratos” até a vitória final.

INTERVENÇÕES HUMANITÁRIAS
No plano global, o mundo pós-Guerra levou a ONU a organizar várias operações de paz e a realizar intervenções para impor a paz. Surgiu uma discussão sobre o direito de intervenção por razões humanitárias, inicialmente chamado de direito de ingerência, hoje substituído pelo conceito de “responsabilidade de proteger”, mais correto politicamente.

Uma questão central que se coloca aqui está num ensaio de Peter Viggo JAKOBSEN, da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, Interesse Nacional, Humanitarismo ou a CNN: o que deflagra das operações de imposição da paz depois da Guerra Fria?, publicado na revista Journal of Peace Research, do Instituto de Pesquisas sobre a Paz Internacional de Oslo (PRIO), na Noruega.

O autor observa que só houve uma operação de imposição da paz autorizada entre 1945 e 1990, a Guerra da Coreia (1950-53), e analisa as intervenções no Kuwait, na Somália, em Ruanda, no Haiti na primeira metade dos anos 90 com base em cinco critérios.

No momento em que os EUA relutam em intervir na Síria, por receio do governo Barack Obama de entrar numa guerra sem solução logo depois de sair do Iraque e enquanto tenta se retirar do Afeganistão, esse debate volta a ser importante.

CRITÉRIOS DE ANÁLISE
A primeira questão é a legitimidade e o apoio internacional. A aprovação pelo Conselho de Segurança da ONU indica um alto grau de consenso que foi possível obter na Líbia, mas se revelou impossível quanto à Síria.

A segunda questão é obter apoio doméstico, mais difícil no Ocidente pós-Guerra Fria por causa da ausência de ameaças reais à segurança nacional, o que mudou um pouco depois do 11 de setembro, mas numa escala muito menor.

Isso remete à terceira questão: o papel da mídia. O chamado Fator CNN tem um peso importante. A televisão mostra imagens de atrocidades, os jornalistas fazem reportagens dramáticas sobre as tragédias, comentaristas criticam o governo por tolerar violações de direitos humanos protegidos pelo direito internacional e a opinião pública pressiona.

Hoje não é só a CNN. Al Jazira, por exemplo, revolucionou a cobertura do mundo árabe, passou a mostrar os conflitos como o palestino de um ponto de vista diferente. Teve um papel fundamental na catalisação de uma opinião pública liberal e de esquerda que deflagrou a Primavera Árabe.

A quarta questão se refere ao interesse nacional, definido aqui como o cojnunto de interesses estratégicos, econômicos e ideológicos. É sempre mais difícil a intervenção quando não há interesses nacionais envolvidos. Por isso, o Kuwait foi libertado de Saddam Hussein enquanto Ruanda foi abandonada à sua própria sorte.

A quinta questão é a probabilidade de sucesso. Obama não quer colocar os americanos numa nova guerra no Oriente Médio, uma guerra civil cada vez mais enquadrada no duelo regional entre sunitas e xiitas.

O sucesso tem aspectos militares e políticos. Sob o aspecto militar, avalia-se a chance de sucesso diante da expectativa de qual seria o custo aceitável em vidas humanas. Do ponto de vista político, além dos custos humano e econômico, interessam os objetivos.

LEGITIMIDADE E SUCESSO
Na Guerra do Golfo, de 1991, havia uma razão clara que dava legitimidade internacional ao uso da força. Pela primeira vez desde 1945, um país-membro das Nações Unidas ocupou e anexou outro, negando-lhe o direito de existir reconhecido internacionalmente.

O Conselho de Segurança aprovou a ação. Formou-se uma coalizão de 30 países, inclusive a Argentina. O Brasil optou por não participar.

Havia o interesse evidente de evitar que Saddam Hussein atacasse a Arábia Saudita, o que lhe daria o controle sobre 40% das reservas mundiais de petróleo conhecidas na época.

Os EUA contribuíram com 541 mil dos 795 mil soldados da aliança (Freedman & Karsh, 1993). Superestimaram a força do Iraque. Encomendaram 16 mil sacos plásticos para cadáveres. Ainda estavam sob a Síndrome do Vietnã.

LIÇÕES DO VIETNÃ
A grande lição do Vietnã é que os EUA não podem ir à guerra sem apoio interno. Este apoio interno cai na medida em que a guerra se alonga e/ou que comecem a chegar muitos corpos de soldados enrolados na bandeia.

As lições do Vietnã estão consolidadas na chamada Doutrina Colin Powell. Para encurtar a guerra e diminuir o número de baixas americanas, os EUA devem usar sua força máxima, menos o arsenal nuclear, iniciando a guerra com ondas de bombardeios aéreos devastadores.

Como a Guerra do Golfo de 1991 foi a primeira via CNN, o governo George Herbert Walker Bush, pai, tentou impor um total controle da informação. Havia duas coletivas por dia, uma do Pentágono, com seu videogame da guerra, que mostrava o ataque, mas não a destruição, e a do porta-voz de Saddam, que parecia totalmente fora da realidade. Quando queriam falar para o mundo, Bush e Saddam usavam a CNN.

FATOR CNN
“A Guerra do Golfo (1991) mostrou pela primeira vez na História que a TV pode substituir, com muitas vantagem, os tradicionais canais diplomáticos, em casos de conflitos armados”, afirma o jornalista uruguaio Jorge Gestoso, da CNN em espanhol. Tanto George Bush sr. quanto Saddam Hussein usavam a televisão que inovou transmitindo notícias todo o tempo, quando queriam falar para o mundo.

Gestoso entende que a guerra, de seis semanas, foi “o conflito em que mais se tentou manipular a imprensa”. Nunca antes nenhum jornalista independente tinha deixado de entrar no “teatro de operações”.

Tudo o que os jornalistas obtinham como informação vinha de uma das partes envolvidas no conflito. E a CNN foi a única emissora de TV ocidental autorizada a trabalhar no Iraque durante a guerra. Era um canal de comunicação que Saddam queria para falar ao mundo. Para os iraquianos, se dirigia através dos jornais do regime. Para falar ao mundo árabe, usava a Rádio Bagdá.

A CNN transmitia duas entrevistas coletivas por dia – uma dos iraquianos, outra do Pentágono. Na guerra da informação, cada parte contava o que lhe interessava.

GUERRA SANITIZADA
Os aliados mostravam seus “bombardeios cirúrgicos”, o chamado videogame da guerra. Víamos que um míssil certeiro havia destruído uma ponte. Não sabíamos qual o destino das pessoas que pudessem ter sido feridas pela explosão. Depois soubemos que os bombardeios não foram tão precisos assim, apesar de sua impressionante precisão, e que os mísseis antimísseis Patriota falharam muito mais do que foi anunciado na época.

Já os iraquianos mostravam imagens de civis mortos e feridos e de instalações civis destruídas pelo bombardeio dos EUA e aliados: fábricas, abrigos antiaéreos…

Uma das precauções da CNN, conta Gestoso, era dizer que as matérias eram submetidas à censura militar aliada ou iraquiana.

Os jornalistas americanos sofrem ainda com o rancor contra a política externa dos EUA, especialmente no Oriente Médio, onde existe um forte ressentimento porque Washington aplica dois pesos e duas medidas em relação ao conflito árabe-israelense e ocupa militarmente países muçulmanos.

Gestoso se defende alegando que “a filosofia da CNN é que o jornalista seja eticamente rigoroso com ele mesmo”. O modelo é o do jornalismo americano, “tentar apresentar as histórias com todas as facetas possíveis. Que o telespectador tire suas conclusões”.

Na América Latina, acrescenta o jornalista uruguaio, “quando alguém leva o jornalismo a fundo e a sério, aparecem as pressões, o risco de perder o emprego, a família, a vida”.

“Tudo depende da honestidade e da ética”, declara Gestoso, comentando que muitas vidas e reputações de pessoas depois absolvidas pela Justiça foram destruídas por jornalistas.

PAPA EM CUBA
Outro exemplo de manipulação da notícia citado por Gestoso foi a visita do papa a Cuba: “O povo cubano está sofrendo enormemente com o embargo econômico imposto pelos Estados Unidos. (…) Os cubanos queriam mostrar ao mundo não só a visita do papa mas também o cotidiano do país.”(…) …o tiro saiu pela culatra porque logo no primeiro dia da visita do papa surgiu nos EUA o escândalo Monica Lewinsky x presidente Clinton”.

Cuba restringe o ingresso de jornalistas americanos na ilha. De repente, convida todas as grandes redes: “Com a presença do papa em Cuba, Fidel Castro buscava duas coisas: mostrar aos EUA que Cuba não está tão isolada. (…) Ter um endosso de algum calibre do papa condenando o embargo era muito importante para Fidel.”

O papa, por sua vez, aproveitou seus sermãos para divulgar suas mensagem de respeito aos direitos humanos, de liberdade, direito à religião, à liberdade de expressão: “Que Cuba se abra ao mundo e que o mundo se abra a Cuba”, disse João Paulo II, tendo o cuidado de pedir primeiro uma abertura no regime cubano, o que a rigor não pode desagradar aos EUA.

Gestoso diz ainda que o Exército Zapatista de Libertação Nacional, dos índios de Chiapas, no Sul do México, usou a imprensa para romper o cerco imposto pelo Exército convocando uma entrevista coletiva antes da eleição do presidente Ernesto Zedillo, em 1994. O subcomandante Marcos revelou-se um hábil manipulador da mídia.

CENSURA MILITAR
Quando estourou um conflito de fronteiras entre Peru e Equador, em 1995, a CNN foi convidada pelo mais fraco Equador para cobrir o conflito. O Peru, então governado por Alberto Fujimori, negou autorização. Deve-se cobrir um lado só?, questiona Gestoso, para concluir que é melhor a cobertura parcial do que nenhuma porque naturalmente Fujimori estava querendo esconder algo. É importante deixar sempre claro ao público que se cobre apenas um lado da guerra porque o outro não deixa.

Na Guerra do Golfo de 1991, como nem o Iraque nem a coalizão liderada pelos EUA permitia o trabalho de jornalistas, com algumas exceções e sob censura militar, até a fase final da guerra a cobertura se baseava em declarações oficiais.

Aquela guerra foi um bom exemplo de que na guerra o que morre primeiro é a verdade, ou talvez as armas de destruição em massa que justificaram a segunda guerra do Iraque sejam um exemplo ainda melhor. Este é o grande desafio dos jornalistas numa guerra: não servir de porta-vozes de mentiras estratégicas.

A CNN chegou a anunciar que depois de um intenso bombardeio aéreo o plano de ataque previa um assalto anfíbio pelo Golfo Pérsico e numa terceira fase uma invasão terrestre do Kuwait. A operação de assalto anfíbrio, que teria custo humano elevado, não foi realizada, mas o anúncio obrigou Saddam a mobilizar suas forças para defender o litoral do Iraque.

PROCESSO DE PAZ
A ampla aliança, a vitória sobre Saddam e o papel de Israel, que não reagiu aos ataques de Scuds de Saddam para não afastar aliados árabes da coalizão, como a Síria, criaram um clima favorável às negociações sobre a paz no Oriente Médio, lançadas na Conferência de Madri, em 30 e 31 de outubro de 1991.

Bush chegou a suspender garantias de crédito no valor de US$ 10 bilhões a Israel para pressionar o primeiro-ministro linha-dura Yitzhak Shamir a participar. Essa negociação é um bom exemplo de como a diplomacia às vezes exige sigilo até que se tenha algo concreto capaz de superar desconfianças históricas e o boicote dos radicais de ambos os lados de um conflito armado.

Logo ficou evidente que os negociadores palestinos consultavam Yasser Arafat e a cúpula da Organização para a Libertação da Palestina, que em seguida assumiu o comando da delegação.

No fim das reuniões de negociação, retomadas em Washington, as diferentes partes, especialmente israelenses e palestinos, já que os sírios se retiraram no início, davam declarações aos jornalistas voltadas para suas opiniões públicas nacionais.

As entrevistas serviam apenas para cristalizar posições consideradas inaceitáveis pelo outro lado, como o direito de retorno dos palestinos, a devolução do setor oriental de Jerusalém, o futuro das colônias judaicas nos territórios árabes ocupados e as garantias à segurança de Israel.

LONGE DA MÍDIA
Como não havia avanço, a Noruega se ofereceu para mediar negociações secretas. Negociadores israelenses e palestinos se reuniram na mesma casa. Tomavam café da manhã, almoçavam, jantavam e tomavam drinques juntos para criarem laços pessoais.

Um mês depois, as negociações para valer começaram. Os noruegueses saíram de cena e disseram: “Agora, vocês têm de se entender. Evitem as recriminações sobre o passado. Pensem no futuro da região, no que vocês querem construir para o futuro. Se vocês brigarem a socos, a gente entra e aparta a briga. Mas sai de novo porque são vocês que precisam se entender”.

Em agosto de 1993, foi anunciada a declaração de princípios assinada por Arafat e o primeiro-ministro israelense trabalhista Yitzhak Rabin nos jardins da Casa Branca em 13 de setembro do mesmo ano. Sem falar na criação de um Estado nacional palestino, transferência parcialmente o poder para um governo palestino na Faixa de Gaza e na cidade bíblica de Jericó, como um primeiro teste para o entendimento entre árabes e judeus na Palestina.

Por vários motivos, o processo de paz não foi concluído até hoje. Clinton tentou fazer um segundo acordo de Camp David, no fim de seu governo, em 2000, mas nenhuma das partes estava disposta a fazer as concessões necessárias para chegar a um acordo, em parte porque o desequilíbrio de forças é enorme.

Mas o que eu queria chamar a atenção aqui é que foi necessário negociar longe da mídia, longe da cobertura diária de jornais em busca de manchetes para fugir dos clichês da guerra. A diplomacia ainda exige segredos de Estado, cada vez mais ameaçados no mundo do WikiLeaks. Talvez os espiões tenham de voltar à era dos papéis escondidos na roupa.

ACORDO SOBRE A BACIA DO PRATA
Outro exemplo foi o acordo entre Brasil e Argentina, assinado no início do governo João Figueiredo, em 1979, para resolver um conflito em torno da exploração hidrelétrica da Bacia do Prata. Quando o Brasil resolveu fazer Itaipu, a Argentina se sentiu ameaçada, alegando que a obra esgotaria o potencial energético do Rio Paraná.

A jornalista Miriam Leitão, na época setorista do Itamaraty, soube do acordo dias antes do anúncio oficial e aceitou um apelo do então porta-voz do Ministério das Relações Exteriores para não dar o furo sob pena de estragar o acordo, que poderia ser minado por elementos extremistas das ditaduras dos dois países. Ela usou o que o sociólogo Max Weber chama de uma ética da responsabilidade, em contraste com a ética dos valores absolutos que geralmente orienta a atividade jornalística, sob o princípio de que “a verdade deve ser dita”.

EXCLUSÃO AÉREA
Quando a Guerra do Golfo de 1991 terminou, o primeiro-ministro britânico John Major e o presidente Bush conclamaram curdos e xiitas a se rebelar contra Saddam, mas não lhes deram apoio militar até que a CNN os obrigou.

Diante dos massacres, sob pressão da opinião pública, impuseram zonas de exclusão aérea no Norte e no Sul do Iraque. Relutaram porque os interesses nacionais não eram os mesmos com Saddam derrotado e humilhado, e o restabelecimento da monarquia petroleira no Kuwait.

FOME NA SOMÁLIA
Derrotado por Bill Clinton com a ajuda de Ross Perot e da crise econômica em novembro de 1992, Bush sr. resolveu fazer uma operação de ajuda humanitária na Somália, pressionado mais uma vez pelo Fator CNN em meio à fome em massa.

Talvez até pela falta de notícias na ressaca pós-eleitoral, observou Nik Gowing (1994), hoje âncora da BBC, em ensaio escrito na JFK School of Government, na Universidade de Harvard, sobre a cobertura ao vivo de guerras e conflitos diplomáticos, questionando se distorcem as decisões de política externa, o noticiário se voltou para a fome na África.

Era uma operação considerada viável pelo Pentágono. Uma intervenção de baixo custo com amplo apoio popular fecharia o governo Bush sr. com uma nota positiva e ajudaria o Pentágono a evitar os cortes de gastos prometidos por Clinton durante a campanha.

Diante de uma crise humanitária evidente num país sem governo desde a queda do ditador Mohamed Siad Barre, em 1991, sob pressão da mídia liberal, Bush obteve a aprovação unânime do Conselho de Segurança da ONU.

BATALHA DE MOGADÍSCIO
A operação foi um sucesso enquanto se limitou a distribuir comida. Quando o chefe do clã que controlava o porto da capital começou a perturbar a operação da ONU para usar a comida como arma de guerra, o governo Clinton resolveu caçar o senhor da guerra Mohamed Farah Aidid. Como as forças dos EUA não tinham o equipamento e o contingente necessários para ações ofensivas, foram derrotadas e humilhadas na Batalha de Mogadíscio, retratada no filme Falcão Negro em Perigo.

Mais uma vez, os EUA perdiam a batalha da opinião pública, neste caso diante de imagens humilhantes de soldados americanos mortos sendo arrastados pela multidão nas ruas de Mogadíscio.

O trauma da Batalha de Mogadíscio foi decisivo para que os EUA evitassem uma intervenção capaz de evitar o genocídio em Ruanda, que Clinton considera hoje seu maior erro.

GENOCÍDIO EM RUANDA
Depois da morte do presidente Juvenal Habyarimana num ataque de mísseis da Frente Patriótica de Ruanda em 6 de abril de 1994, o governo hutu acuado começou a matar adversários do regime e a minoria étnica tútsi. A mídia oficial do regime em queda fomentou os massacres, descrevendo os inimigos como “baratas” que tinham de ser esmagadas.

Sob ameaça, a ONU reduziu seu contingente de 2,5 mil para 275 homens e sofreu uma das grandes humilhações de sua história, muito maior do que a da força de paz holandesa que não conseguiu impedir o massacre de Srebrenica, na Bósnia, em julho de 1995.

Em dois meses, cerca de um milhão de pessoas foram mortas. Em maio, o ministro do Exterior conservador francês, Alan Juppé, declarou que “a comunidade internacional não pode agir como polícia, mandando forças de paz para todo lugar onde houver conflito”.

Só em meados de junho, sob pressão do noticiário sobre as matanças, com o presidente socialista François Mitterrand preocupado com seu lugar na história, a França se ofereceu para intervir, mas sua ação foi vista mais como o exercício de um poder pós-colonial sobre a África francófona para preservar sua área de influência.

A FPR acusou a Operação Turquesa de proteger a fuga do governo hutu e da milícia Interahamwe, responsável pelo genocídio.

Mais uma vez, foi a opinião pública, neste caso especialmente da França, que forçou a intervenção, tardiamente.

LONGE DAS CÂMARAS
O genocídio em Ruanda e a fuga dos hutus desestabilizou o Zaire, que virou a República Democrática do Congo com a queda do ditador Joseph Mobutu e foi palco da chamada Primeira Guerra Mundial Africana, que não terminou até hoje e já matou mais de 5 milhões de pessoas.

É uma guerra brutal, especialmente para as mulheres, submetidas sistematicamente à violência sexual, e relativamente esquecida porque é travada longe da mídia internacional. A guerra virou parte da vida cotidiana. Não é notícia. Então é claro que a atenção da mídia é fundamental para revelar e denunciar os crimes cometidos.

AJUDA AO HAITI
No caso do Haiti, as intervenções em 1994 para derrubar o general golpista Raoul Cédras e restaurar a presidência de Jean-Bertrand Aristide, deposto em 1991, e de 2004 para evitar uma guerra civil com a queda de Aristide, foram movidas mais pelo interesse nacional dos EUA de evitar uma fuga em massa de refugiados pelo Mar do Caribe rumo ao território americano.

Nos dois casos, o custo era baixo e a chance de sucesso, elevada. Ambas podem ser enquadradas como operações de ajuda para evitar crises humanitárias, mas o motivo central foi o interesse nacional americano de evitar uma crise no seu litoral.

O Brasil comanda e fornece a maior parte da tropa da Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (Minustah). Uma de suas principais tarefas foi pacificar as favelas de Porto Príncipe, a capital do país.

Com o trágico terremoto de 12 de janeiro de 2010, a atenção da mídia internacional se voltou para o Haiti, chocada por cerca de 200 mil mortes e 1,5 milhão de desabrigados. As Forças Armadas dos EUA participaram da operação de resgate, a exemplo do que tinham feito no maremoto na Indonésia. Através da ONU, foram prometidos US$ 10 bilhões para reconstruir o país.

MÍDIA NÃO BASTA
Na guerra da Bósnia-Herzegovina (1992-95), o pior conflito armado em território europeu depois de 1945, o Fator CNN estava presente, mas não foi suficiente para mobilizar a opinião pública a pressionar o governo dos EUA a intervir.

Para o presidente Bush, pai, no mundo pós-Guerra Fria, as questões europeias onde não houvesse interesses americanos envolvidos deveriam ser resolvidas pelos europeus. Os europeus não estavam dispostos a usar a força sem a liderança dos EUA.

Quando Bill Clinton decidiu intervir, foi contra a opinião pública, que era contra, mesmo diante do massacre de 8 mil homens Srebrenica. Além de não haver interesses dos EUA em jogo, a chance de sucesso escassa desestimulava a intervenção.

A conclusão é que a mídia não é fundamental quando há interesses nacionais dos EUA em jogo, embora os governos a usem e manipulem para justificar a ação. Não havendo interesses nacionais em jogo, o Fator CNN é importante para mobilizar a opinião pública e pressionar os governos a agir.

A televisão e a mídia divulgam as imagens da tragédia da guerra. É um fator necessário para criar uma opinião pública favorável à intervenção, mas não suficiente. Precisa haver uma expectativa razoável de sucesso. Na Bósnia, as potências ocidentais foram dragadas para o conflito e obrigadas a usar a força para não serem obrigadas a fazer uma retirada humilhante.

MENOS INTERVENÇÕES
A expectativa de JAKOBSEN, nos anos 90, era de que não haveria tantas intervenções militares no futuro próximo.  Elas seriam realizadas pelas grandes potências nas suas áreas de influência, como a intervenção do Reino Unido em Serra Leoa e da França na Costa do Marfim ou no Mali.

Os atentados de 11 de setembro de 2001 mudaram a realidade da primeira década pós-Guerra Fria, com a chamada “guerra contra o terror”, que não era guerra nem contra o terror. Isso ajudou a destruir o frágil consenso possível no Conselho de Segurança da ONU.

Diante da ameaça de massacre em Trípoli, a segunda maior cidade líbia, em março de 2011, o Conselho de Segurança da ONU autorizou o uso da força para proteger civis na Líbia.

A operação realizada pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) foi criticada por supostamente ter ido além de seu mandato de proteger civis para derrubar o ditador Muamar Kadafi e mudar o regime. Os EUA, a França e o Reino Unido alegaram que seria impossível proteger os civis com Kadafi no poder.

A presidente Dilma Rousseff defendeu o conceito de “responsabilidade ao proteger”, mas esse debate não evoluiu. Houve mortes injustificadas de civis nos bombardeios da OTAN, mas a morte do ditador e o fim do regime suscitaram reações.

REVOLUÇÕES SEM LÍDERES
O papel revolucionário das novas mídias no Oriente Médio é examinado desde a queda do Xá no Irã na revolução islâmica de 1979. Se as guerras civis e revoluções são rupturas na ordem sociopolítica, as comunicações certamente têm um papel central, observa Jerrold GREEN, do Centro de Políticas Públicas do Oriente Médio da Rand Corporation, nos EUA, no artigo A Revolução da Informação e a Oposição Política no Oriente Médio, publicado no Middle East Studies Association Bulletin, em 1999.

Por muito tempo, os líderes do Oriente Médio relutaram em permitir a difusão de qualquer tecnologia que pudesse ser usada por oposicionistas. Na virada do século, a região tinha os menores índices de acesso à rede mundial de computadores, abaixo da África.

Já naquela época, GREEN observava que "a revolução da informação está mudando a política do Oriente Médio", com "incontáveis sítios de Internet dedicados a temas da Oriente Médio", "centenas de antenas de satélite, mesmo onde eles são ilegais", os boletins divulgados por fax, "a proliferação dos telefones celulares" e "o crescente acesso à Internet". Ele notou que muita gente "associa estas tecnologias à pornografia e à decadência moral" e também à violência que veem nos filmes de Hollywood. O cinema é uma mídia fundamental para formar a imagem de um país no exterior.

Como estas tecnologias são essenciais ao funcionamento de uma economia moderna, a censura oficial não conseguiu resistir totalmente . A exposição a essas novas ondas de informação levou a um maior pluralismo. Sob pressão da recessão econômica mundial de 2008-9, o caldeirão explodiu.

Tanto a Tunísia como o Egito, observa Jean-Pierre FILIU em A Revolução Árabe – dez lições dos levantes democráticosforam capazes de derrubar ditaduras entrincheiradas com protestos pacíficos, organizados com a ajuda das novas mídias. Uma combinação de pressão das ruas, agitação trabalhista e ativismo pela liberdade abriram o caminho para a transição democrática e reformas constitucionais.

No Egito, foi fundamental a mobilização via redes sociais, com destaque para Wael GHONIM, diretor do Google para o Oriente Médio. Ele criou no Facebook a página Todos Nós Somos Khaled Said, em homenagem a um estudante morto pelo governo, foi preso e deu uma entrevista pedindo desculpas pelas mortes, das quais não era responsável. Há um livro dele, Revolução 2.0: o poder do povo é maior do que o das pessoas no poder, contando essa história.

No caso da Líbia, a heterogeneidade da coalizão anti-Kadafi se tornou sua maior fraqueza. A situação ainda é extremamente instável.

Na Síria, o conflito degenerou na mais sangrenta guerra civil em andamento hoje no mundo. Espero que essas observações tenham ajudado a compreender a incapacidade da sociedade internacional de articular uma solução pacífica e o às vezes contraditório papel da mídia em negociações de conflitos internacionais.

* (Texto preparado para apresentação no Ciclo de Palestras Mídia e Relações Internacionais, organizado pelo Núcleo de Estudos Internacionais Brasil-Argentina da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, em 2 de julho de 2013)