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domingo, 4 de outubro de 2026

Hoje na História do Mundo: 4 de Outubro

GUERRA DA CRIMEIA

    Em 1853, o Império Otomano (Turco), que tem o apoio da França e do Reino Unido, declara guerra à Rússia. É o início da Guerra da Crimeia, que dura mais de dois anos e termina com a derrota russa. 

As causas geopolíticas do conflito são a decadência do Império Otomano, a expansão do Império Russo até o Mar Negro no século anterior, sob Catarina II, a Grande (1762-96), e guerras russo-turcas do passado, que começam em 1568.

A causa imediata é a exigência da Rússia de proteger os cristãos ortodoxos que vivem no Império Otomano, o que os turcos consideram uma intervenção totalmente inaceitável. Também há uma disputa entre a Igreja Católica da França e a Igreja Ortodoxa da Rússia sobre o controle dos lugares sagrados para o cristianismo na Palestina.

Apesar do acordo entre as igrejas, o imperador Napoleão III, da França, e o czar Nicolau I, da Rússia permanecem irredutíveis.

Em julho de 1853, tropas russas ocupam principados no Rio Danúbio, hoje parte da Romênia. Com o apoio francês e britânico, os otomanos declaram guerra à Rússia. Sob o comando de Omar Pachá, os turcos adotam uma postura defensiva. Conseguem conter o avanço russo na Silistra, hoje parte da Bulgária. Mas a Rússia vence a batalha naval de Sinop, em novembro de 1853.

Por medo do colapso das forças do Império Otomano, as marinhas de guerra da França e do Reino Unido entram no Mar Negro. No Norte, uma frota franco-britânica impõe um bloqueio que fecha o acesso da Rússia ao Mar Báltico. A Rússia é obrigada a deixar um exército para defender São Petersurgo.

O comando aliado tenta então tomar Sebastapol, sede da principal frota russa no Mar Negro. Os aliados desembarcam em 14 de setembro de 1854 e vencem a Batalha de Alma em 20 de setembro.

O cerca de Sebastopol começa em 17 de outubro de 1853. A Rússia contra-ataca em 25 de outubro na Batalha de Balaclava, imortalizada no poema A Carga da Brigada Ligeira, de Alfred, Lord Tennyson. É repelida, mas vence em Inkerman

Em 1855, um exército do reino da Sardenha-Piemonte, um embrião da Itália, manda uma força para lutar ao lado dos aliados. Sebastopol cai em 11 de setembro de 1855, depois de quase 11 meses de cerco.

É a última grande batalha da Guerra da Crimeia. Vencida e isolada, a Rússia pede paz. A França e o Reino Unido aceitam. A guerra é impopular nesses países. O Tratado de Paris é assinado em 30 de março de 1856.

A Guerra da Crimeia tem várias inovações tecnológicas como bombas navais, estradas de ferro, o telégrafo e a fotografia, com ampla cobertura jornalística de repórteres fotográficos e de texto.

O Império Russo entra em decadência, exaurido economicamente. Em 19 de fevereiro de 1861, o novo czar reformista Alexandre II (1855-81) abole a servidão.

ALEMANHA PEDE TRÉGUA

     Em 1918, o chanceler (primeiro-ministro) da Alemanha, Max von Baden, primo do kaiser (imperador) Guilherme II, envia telegrama ao presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson, propondo um armistício na Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Os EUA declaram guerra à Alemanha em 6 de abril de 1917, depois de ataques a navios norte-americanos no Oceano Atlântico e do Telegrama Zimmermann, em que o ministro do Exterior alemão propunha aliança ao México, oferecendo em troca apoio para este país recuperar os territórios tomados pelos EUA na Guerra Mexicano-Americana (1846-48).

Como não têm forças na Europa, os EUA só entram em combate um ano depois. Em março de 1918, a Alemanha está ganhando a guerra. Seis meses depois, os aliados empurram as tropas alemãs para trás da sua última linha de defesa, a Linha Hindenburg.

Então, o general Erich Ludendorff, arquiteto da ofensiva da primavera, exige numa reunião do Conselho Real um cessar-fogo imediato com base no plano de paz de 14 pontos de Wilson. Com a autoridade abalada, o chanceler Georg van Hartling pede demissão imediatamente.

O novo chefe de governo toma posse em 1º de outubro. Von Baden não tem a intenção de admitir a derrota, mas dois dias depois o comandante supremo do Exército da Alemanha, general Paul Hindenburg, aceita a recomendação de Ludendorff.

"O Exército da Alemanha ainda está firme, se defendendo de todos os ataques. A situação, no entanto, está se tornando mais crítica a cada dia e pode levar o Alto Comando a tomar decisões graves", declara Hindenburg. "Nestas circunstâncias, é imperativo para a luta para poupar o povo alemão e seus aliados de sacrifícios desnecessários. Cada dia a mais custa a vida de milhares de bravos soldados."

INÍCIO DA ERA ESPACIAL

    Em 1957, no início da Corrida Espacial, a União Soviética lança o Sputnik, o primeiro satélite artificial da Terra, e assusta os Estados Unidos, que temem que o inimigo na Guerra Fria possa usar o espaço para fazer um bombardeio nuclear.

O Sputnik tem 56 centímetros de diâmetro e pesa 84 quilos. A uma velocidade de 28,8 mil quilômetros por hora, dá uma volta na Terra a cada hora e 36 minutos numa órbita elíptica com apogeu (distância máxima da Terra) de 934 km e perigeu (menor distância da Terra) de 229 km.

Em janeiro de 1958, o Sputnik sai da órbita e pega fogo ao reentrar na atmosfera.

Os EUA lançam seu primeiro satélite, o Explorer, em 31 de janeiro de 1958. Antes, em 3 de novembro de 1957 os soviéticos colocam no espaço o Sputnik 2 com a cachorrinha Laika a bordo. Ela morre no espaço.

A URSS sai na frente na Corrida Espacial. Envia o primeiro homem ao espaço, Yuri Gagarin, que descobre que "a Terra é azul", em 12 de abril de 1961; a primeira mulher, Valtentina Tereshkova, em 16 de junho de 1963, hoje deputada governista no Parlamento da Rússia; e o primeiro homem a sair da nave e passear no espaço, Alexei Leonov, em 18 de março de 1965. 

Os EUA se recuperam e enviam a primeira missão espacial tripulada à Lua, onde Neil Armstrong dá "um pequeno passo para o homem, um salto gigantesco para a humanidade" em 20 de julho de 1969.

JANIS MORRE DE OVERDOSE

    Em 1970, Janis Joplin, a maior cantora da história do rock, morre de dose excessiva de heroína depois de ascender em quatro anos do anonimato a ícone de uma geração com apresentações antológicas nos festivais de Monterrey e Woodstock.

Janis nasce em Port Arthur, no Texas, em 1943, e vai para São Francisco da Califórnia em 1966, onde entra para o grupo Big Brother & The Holding Company. Depois do álbum Cheap Trills, de 1968, inicia carreira solo

Um crítico a definiu como "segunda, atrás apenas de Bob Dylan, como criadora, cantora e encarnação da história e da mitologia de sua geração".

BATALHA DE MOGADÍSCIO

    Em 1993, a Batalha de Mogadíscio, na Somália, termina com a morte de 18 soldados dos Estados Unidos e entre 500 e 600 somalianos, de acordo com a estimativa da organização não governamental Human Rights Watch (Observatório dos Direitos Humanos).

O conflito é resultado de uma operação militar dos EUA dentro de uma missão de paz das Nações Unidas.

A Somália vive em estado de anarquia desde a queda, em 26 de janeiro de 1991, do ditador Mohamed Siad Barre, que troca de aliado durante a Guerra Fria. Passa do lado soviético para o norte-americano. Com o fim da Guerra Fria, o país perde sua importância estratégica.

Para monitorar um cessar-fogo na guerra civil que derrubou Barre e levar ajuda humanitária, em abril de 1992, é aprovada a Primeira Operação das Nações Unidas na Somália (UNOSOM).

Em dezembro de 1992, depois de perder a reeleição para Bill Clinton, o presidente George Herbert Walker Bush decide enviar soldados dos EUA para apoiar a missão humanitária e distribuir alimentos na Somália, onde a guerra civil causa fome com imagens que lembram as guerras de Biafra (1967-70) e da Etiópia nos anos 1980.

Quando Bill Clinton assume, sem experiência em política externa, tenta transformar a missão humanitária numa operação punitiva contra o líder da da Aliança Nacional Somaliana, o senhor da guerra Mohamed Farah Aidid, que domina a região da capital somaliana e mata, em 5 de junho de 1993, 25 paquistaneses da força de paz, no pior dia em décadas para soldados da ONU.

Os EUA não têm o equipamento militar para enfrentar o senhor da guerra. Um documento falso da CIA (Agência Central de Inteligência) alega que Aidid está prestes a lançar um grande ataque contra a missão da ONU. 

Em 12 de julho de 1993, na Segunda-Feira Negra, na tentativa de capturar Aidid, forças norte-americanas atacam a casa do ministro do Interior somaliano, Abdi Awale, durante um encontro do conselho de anciães do clã do senhor da guerra. Dezessete helicópteros de combate cercam a casa, bombardeada com 16 mísseis antitanque e 2,2 mil disparos de canhões de 20 milímetros durante 6 a 8 minutos.

Depois, há um ataque por terra em que os norte-americanos matam 15 sobreviventes. Ao todo, 54 somalianos são mortos e 161 feridos, de acordo com a Cruz Vermelha Internacional. O ataque provoca uma revolta popular. Quatro jornalistas estrangeiros que vão até a casa são linchados pela multidão enfurecida.

Em 3 de outubro de 1993, os EUA pretendem capturar dois subcomandantes de Aidid durante um encontro dentro da cidade. O ataque, previsto para durar apenas uma hora, se estende com um impasse pela noite e uma operação de resgate na madrugada. É a Batalha de Mogadíscio. 

O objetivo é atingido, mas é uma falsa vitória, uma vitória de Pirro, general que derrotou os romanos duas vezes com enormes perdas e perdeu a terceira batalha. 

Com granadas lançadas por foguetes, os somalianos derrubam três helicópteros tipo Falcão Negro. Dois caem em território inimigo. A operação vira uma batalha desesperada para defender os sobreviventes dos helicópteros que atravessa a noite. É a batalha com o maior número de soldados norte-americanos mortos depois da Guerra do Vietnã.

É mais um vexame do Exército dos EUA. Em resposta, o presidente Clinton retira as forças norte-americanas da Somália. Pior ainda: no ano seguinte, não intervém para evitar o genocídio de Ruanda. De 7 de abril a 15 de julho de 1994, o exército do governo da maioria hutu, diante da derrota iminente mata cerca de 800 mil pessoas da minoria tútsi e hutus moderados.

Clinton considera esse seu maior erro de política externa. 

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terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 9 de Dezembro

 VARÍOLA ERRADICADA

    Em 1979, uma comissão internacional de cientistas declara que a varíola, uma doença com 30% de risco de vida, está erradicada. Agora, pode voltar por causa da insanidade e irracionalidade do movimento antivacinas.

A varíola é uma praga para a humanidade há milênios. O faraó Ramsés V, do Egito, teria morrido de varíola em 1145 antes de Cristo. 

O conquistador espanhol Hernán Cortez toma Tenochtitlán, a capital do Império Asteca, em 13 de agosto de 1521, em meio a uma epidemia de varíola que atinge sobretudo os índios, que acreditam que o Deus dos espanhóis é superior ao deles, que não os protege.

O vírus atual, que seria de 1580, é combatido na China no século 16 com a inoculação de pequenas quantidades para causar casos leves capazes de gerar imunidade, um precursor das vacinas.

No fim do século 18, quando a varíola é uma das principais causas de mortes na Europa, o cientista inglês Edward Jenner, cria a vacina em 1796. Muitos países europeus tornam a vacinação obrigatória e a varíola declina nos séculos 19 e 20.

A partir de 1967, a Organização Mundial da Saúde (OMS) faz campanha para atacar os últimos focos da doença. O último caso é diagnosticado em 1977 na Somália. A erradicação da varíola, graças à vacina, é um dos grandes triunfos da medicina, hoje ameaçado pelo movimento antivacinas.

Cerca de 40% das notícias falsas e mentirosas sobre vacinas na América Latina têm origem no Brasil.

PRIMEIRA INTIFADA

    Em 1987, jovens palestinos começam na Faixa de Gaza a Primeira Intifada (revolta das pedradas) contra a ocupação de territórios árabes por Israel depois de um acidente em que um caminhão israelense bate numa caminhonete e mata quatro palestinos.

Quando Israel manda forças especiais para conter a violência, a revolta se propaga para a Cisjordânia. Os dois territórios estão sob ocupação israelense desde a Guerra dos Seis Dias (5 a 10 de junho de 1967).

Para fortalecer o movimento pela criação de uma pátria para o povo palestino, o rei Hussein, da Jordânia, abre mão da reivindicação de soberania sobre a Cisjordânia em julho de 1988.

Em 15 de novembro de 1988, no exílio na Tunísia, o líder da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Yasser Arafat, declara a independência da Palestina, denuncia o terrorismo e reconhece o Estado de Israel, tentando criar condições para negociações de paz.

As negociações começam na Conferência de Madri, em 30 e 31 de outubro de 1991, depois que Israel evita responder aos ataques do Iraque de Saddam Hussein durante a Guerra do Golfo, em 1991. Ganham impulso com as negociações secretas de Oslo, na Noruega, em 1993.

Em 13 de setembro de 1993, Arafat e o primeiro-ministro israelense, Yitzhak Rabin, apertam as mãos e assinam uma declaração de princípios nos jardins da Casa Branca. No ano seguinte, é criada a Autoridade Nacional Palestina. Arafat volta à Cisjordânia. Os palestinos assumem o controle sobre a Faixa de Gaza e a cidade histórica de Jericó.

O assassinato de Rabin por um extremista israelense, em 4 de novembro de 1995, em Telavive, e a ascensão de Benjamin Netanyahu desandam o processo da paz. A paz entre israelenses e palestinos é um sonho distante até hoje, mas a guerra contra o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), que nasce no dia seguinte, em 10 de dezembro de 1987, cria uma nova oportunidade.

WALESA PRESIDENTE

    Em 1990, o líder operário Lech Walesa, fundador do sindicato livre Solidariedade, se torna o primeiro presidente eleito diretamente da história da Polônia.

Walesa nasce em 29 de setembro de 1943 em Popowo, na Polônia ocupada pela Alemanha Nazista na Segunda Guerra Mundial (1939-45). Ele faz curso técnico e se torna eletricista. Trabalha como mecânico de automóveis de 1961 a 1965 e, depois de servir o Exército por dois anos, vai ser eletricista no Estaleiro Lenin, em Gdansk, em 12 de julho de 1967.

Nove anos depois, em 1976 é demitido como agitador. Em agosto de 1980, lidera uma greve que leva ao reconhecimento do sindicato livre Solidariedade pelo regime comunista polonês. 

Um golpe liderado pelo general Jociech Jaruzelski, em 13 de dezembro de 1981, recoloca o Solidariedade na ilegalidade. Em 1983, Walesa ganha o Prêmio Nobel da Paz.

Com a abertura polícia promovida a partir de 1985 pelo líder do Partido Comunista da União Soviética, Mikhail Gorbachev, o Solidariedade volta a ser legalizado em abril de 1989 e obtém uma ampla vitória nas primeiras eleições parlamentares livres no Bloco Soviético, em 4 e 18 de junho de 1989. 

Tadeusz Mazowiecki, aliado de Walesa, se torna primeiro-ministro e inicia as reformas liberalizantes para superar o regime comunista.

Na Presidência, Walesa se mostra menos hábil do que como líder sindical. Em 1995, perde a eleição presidencial para o ex-comunista Alexander Kwasniesk, da Aliança da Esquerda Democrática.

CHARLES E DIANA SE SEPARAM

    Em 1992, o primeiro-ministro britânico, John Major, anuncia a separação dos príncipes de Gales, Charles e Diana, depois de anos de uma guerrinha particular do casal travada através da imprensa sensacionalista do Reino Unido.

É o fim de um casamento de sonho, transmitido ao vivo da Catedral de São Paulo, em Londres, em 29 de julho de 1981, para 1 bilhão de telespectadores de 79 países. Diana faz teste de virgindade com ginecologista da rainha para casar. O primeiro filho, o príncipe William, nasce em 1982, e o segundo, o príncipe Harry, em 1984.

O casal real se divorcia em agosto de 1996. Lady Di morre em acidente de automóvel como uma cinderela cuja carruagem se esborracha em Paris, a cidade romântica por excelência, quando foge dos fotógrafos com o namorado egípcio, Dodi al-Fayed, em 31 de agosto de 1997. 

A tragédia da princesa do povo causa uma grande comoção no Reino Unido e obriga a família real a reconhecer sua importância para a monarquia.

EUA INTERVÊM NA SOMÁLIA

    Em 1992, por ordem do presidente George Herbert Walker Bush (1989-93), derrotado por Bill Clinton um mês antes, os fuzileiros navais dos Estados Unidos chegam a Mogadíscio, na Somália, numa missão para apoiar a ação humanitária das Nações Unidas no país assolado pela fome. A Somália está em estado de anarquia desde a queda do ditador Mohamed Siad Barre, em janeiro de 1991.

O país cai em guerra civil. Em pouco menos de dois anos, 50 mil pessoas morrem na guerra e outras 300 mil de fome. Os EUA intervêm com a Operação Restaurar a Esperança na expectativa de acabar com o flagelo da fome. 

A ajuda humanitária da ONU recomeça, mas as forças norte-americanas não conseguem controlar a ação dos senhores da guerra que disputam o poder na Somália. A violência continua e um ataque à missão da ONU mata 24 soldados do Paquistão.

Em reação, a ONU ordena a captura do general Mohamed Farah Aidid, o senhor da guerra que controla a região de Mogadíscio, a capital somaliana. Mas as forças dos EUA, já no governo Bill Clinton (1993-2001), estão lá para proteger a ajuda humanitária. Não têm equipamento nem contingente para grandes ações militares.

Durante uma tentativa de prender Aidid, em 3 de outubro de 1993, os rebeldes somalianos derrubam dois helicópteros de combate Falcão Negro e matam 18 soldados norte-americanos. Alguns são arrastados pelas ruas de Mogadíscio, numa humilhação para os EUA, que se retiram da Somália. A Batalha de Mogadíscio é encenada no filme Falcão Negro em Perigo.

Esta humilhação leva ao que Clinton considera o maior erro de política externa de seu governo. Os EUA não intervêm em Ruanda para impedir o genocídio da minoria tútsi. De 7 de abril a 15 de julho de 1994, cerca de 800 mil pessoas morrem neste pequeno país do Centro da África, no último genocídio do trágico século 20.

A maioria hutu, inclusive a milícia Interahamwe, responsável pelo genocídio, foge para o Zaire, onde entra em choque com os baniamulengue, da mesmo etnia dos tútsis, desestabilizando o país vizinho. Este conflito dura até hoje.

Isto leva o guerrilheiro Laurent Kabila, que lutou nos anos 1960 no Congo com Ernesto Che Guevara, que o considerava bêbado e mulherengo, incapaz de liderar uma revolução, a deixar seu refúgio. Kabila sai das Montanhas da Lua para marchar até Kinshasa, derrubar o ditador Joseph Mobutu, em 1997, e mudar o nome do país para República Democrática do Congo.

A queda de Mobutu deflagra a Primeira Grande Guerra Mundial Africana (1997-2002), travada por nove países e pelo menos 25 grupos armados irregulares, com um total de mortes estimado em 5,4 milhões, em combate, de fome e de doenças. É o maior conflito armado do mundo depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

RÚSSIA DOPADA

    Em 2016, a Agência Mundial Antidoping (WADA) acusa a Rússia de dopagem sistemática de mais de mil atletas numa "conspiração institucional" para fraudar competições esportivas internacionais, inclusive as olimpíadas.

Um segundo relatório da WADA implica o Ministério dos Esportes e o Serviço Federal de Segurança (FSB) da Rússia, sucessor da temida polícia política soviética (KGB), do qual o ditador Vladimir Putin foi diretor-geral antes de se tornar primeiro-ministro e presidente.

A Rússia é suspensa de competições internacionais por quatro anos em 2019, pena depois reduzida para dois anos. Na Olimpíada de Tóquio, os atletas russos competem seu seus uniformes, sem bandeira e sem hino nacional. O país é proibido de competir de novo na Olimpíada de 2024, em Paris.

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quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 4 de Dezembro

ÚNICO PAPA INGLÊS

    Em 1154, Adriano IV torna-se o único papa inglês da história da Igreja Católica.

Nicholas Breakspear nasce por volta de 1100 na Abadia de Langley, perto da cidade de Saint Albans, no condado de Hertford, na Inglaterra.

Em 1150, o papa Eugênio II o nomeia cardeal e bispo de Albano, na Itália. Dois anos depois, é enviado para reorganizar a hierarquia da Igreja na Escandinávia. É tão bem-sucedido que na volta, em 1154, é eleito papa.

No ano seguinte, Adriano IV coroa Frederico Barbarossa como o imperador Frederico I do Sacro Império Romano-Germânico depois que este captura e entrega Arnoldo de Bréscia, que lidera uma revolta em Roma. Mas a relação entre os dois é tumultuada. O conflito entre a Igreja e o imperador continua no pontificado de Alexandre III.

Adriano IV se nega a reconhecer a coroação de Guilherme I, o Mau, como rei da Sicília. Os sicilianos reagam e atacam Benevento, uma possessão papal, e a levar a guerra à Campânia. Campânia. Adriano IV marcha para Benevento e recebe o apoio de João de Salisbury, secretário do arcebispo da Cantuária em troca de uma bula papal que dá a Irlanda ao rei Henrique II, da Inglaterra. É o início do conflito secular entre a Inglaterra e a Irlanda que só acaba com o acordo de paz na Irlanda do Norte, em 1998.

Com a pacificação da Sicília, em junho de 1156, Adriano IV concorda com a investidura de Guilherme, o que irrita o imperador Frederico I. Adriano IV morre em 1º de setembro de 1159 em Anagni, perto de Roma, na Itália.

IVÃ, O TERRÍVEL

    Em 1533, aos três anos de idade, o futuro czar Ivã IV, o Terrível, é nomeado grão-príncipe do Principado de Moscou depois da morte do pai, o grão-príncipe Basílio III, com a mãe como regente até morrer em 1538.

Ivã IV é o primeiro czar da Rússia. É o césar. A Rússia Kievana ou Principado de Kiev adota o cristianismo ortodoxo como religião oficial em 988, num acordo com o Império Bizantino, o Império Romano do Oriente, mas acaba com a invasão mongol, que toma Kiev em 1240 e domina a região até 1480.

Quando os turcos do Império Otomano tomam Constantinopla, em 29 de maio de 1453, e acabam com o Império Bizantino, Moscou reivindica a posição de Terceira Roma, o novo centro do cristianismo oriental.

Seu reinado, que vai até 1584, é marcado pelo nascimento da Rússia czarista e pela expansão imperial para subjugar povos não eslavos. Ele trava longas e malsucedidas guerras com a Polônia e a Suécia, e cria um reino de terror ao tentar impor disciplina militar, centralização administrativa e enquadrar os boiardos, o mais alto escalão da nobreza feudal.

FIM DO LED ZEPPELIN

    Em 1980, pouco mais de dois meses depois da morte do baterista John Bonham, a banda de rock britânica Led Zeppelin anuncia sua dissolução.

O Led Zeppelin nasce em 1968 como New Yardbirds por iniciativa de Jimmy Page, que é o último guitarrista solo da lendária banda Yardbirds, que teve guitarristas como Eric Clapton e Jeff Beck. Os três estão entre os maiores guitarristas da história.

A nova banda de Page tem John Paul Jones no contrabaixo e nos teclados, Bonham na bateria e o cantor Robert Plant. Tem influência rock, do rock psicodélico, do blues, do folclore norte-americano e das músicas celta, árabe e indiana. É considerada pioneira do heavy metal. Stairway to Heaven é considerada por muitos a melhor música da história do rock.

Ao lado dos Beatles, dos Rolling Stones, The Who e Pink Floyd, o Led Zeppelin está entre as cinco maiores bandas de rock and roll, todas britânicas, embora não haja unanimidade a esse respeito. Bonham morre em 25 de setembro de 1980, depois de tomar 40 doses de vodca em 24 horas.

TERRY ANDERSON LIBERTADO

     Em 1991, o jornalista norte-americano Terry Anderson, chefe do escritório da agência de notícias Associated Press no Líbano, é solto depois de 2.454 dias (seis anos e meio) sequestrado por extremistas muçulmanos em Beirute.

Anderson cobria a Guerra Civil Libanesa (1975-90). Em 16 de março de 1985, é capturado no setor oeste de Beirute, onde os muçulmanos são maioria, ao sair de uma quadra de tênis. Os sequestradores o levam para a Zona Sul da capital libanesa, onda a maioria é xiita.

Durante a Guerra Civil Libanesa, 92 estrangeiros são sequestrados, entre eles 17 norte-americanos. Os sequestros são realizados pela milícia fundamentalista xiita Hesbolá (Partido de Deus), fundado em 1982 em reação à invasão israelense ao Líbano.

Vários norte-americanos são sequestrados pouco depois que a Justiça do Kuwait condena 17 xiitas pelos atentados a bomba contra os quartéis-generais dos Fuzileiros Navais dos EUA e da Legião Estrangeira da França em Beirute, em 23 de outubro de 1983.

Em 1990, quando a a Guerra Civil Libanesa chega ao fim, os EUA melhoram as relações com o Irã e a Síria. Isto ajuda a libertação dos reféns.

MISSÃO CONTRA A FOME

    Em 1992, depois de perder a eleição presidencial, diante da fome na região do Chifre da África, o presidente George Bush manda 28 mil soldados dos Estados Unidos para a Somália em missão humanitária.

Bush justifica a Operação Restaurar a Esperança para salvar mais de um milhão de vidas somalianas. Em 1992, uma guerra civil entre clãs que vem desde a queda do ditador Mohamed Siad Barre, em 26 de janeiro de 1991, e uma das piores secas do século na África deixam um quarto da população da Somália à beira da fome.

As Nações Unidas iniciam uma missão humanitária para distribuir alimentos e remédios em agosto de 1992, sem sucesso. Como os capacetes azuis da ONU não conseguem controlar a guerra civil, milhares de toneladas de alimentos se deterioram em armazéns portuários.

Cinco dias depois do anúncio de Bush, os primeiros fuzileiros navais desembarcam em Mogadíscio. Os EUA conseguem distribuir ajuda humanitária enquanto  não intervêm na guerra civil somaliana. Em maio de 1993, já no governo Bill Clinton (1993-2001), os EUA entregam formalmente o comando da missão à ONU.

Em 5 de junho de 1993, quando restam 4,3 mil soldados norte-americanos na Somália, 24 soldados paquistaneses da ONU morrem numa emboscada dos rebeldes liderados pelo general Mohamed Farah Aidid, o senhor da guerra no controle da região de Mogadíscio.

As forças dos EUA e da ONU começam então uma caçada a Aidid, com 400 soldados de elite da Força Delta enviados especialmente para capturar o senhor da guerra mais procurado da Somália.

Dois meses depois, em 3 a 4 de outubro, 18 soldados norte-americanos são mortos e 84 feridos na Batalha de Mogadíscio, retratada no filme Falcão Negro em Perigo. A batalha dura 17 horas. É o combate mais violento dos EUA desde a Guerra do Vietnã (1955-75). Cerca de mil somalianos morrem.

Três dias depois, Clinton anuncia a retirada total. Os últimos soldados dos EUA deixam a Somália em 25 de março de 1994. Fica uma força de paz da ONU de 20 mil homens que sai em 1995 sem pacificar o país.

A última missão da ONU começa em 2014. Foi prorrogada várias vezes, com nomes diferentes. A mais recente inicia em 1º de novembro de 2024.

Por causa da tragédia na Somália, o presidente Clinton decide não intervir em Ruanda, onde um genocídio mata cerca de 800 mil pessoas de 7 de abril a 15 de julho de 1994, no que ele considera seu maior erro de política externa.

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sábado, 4 de outubro de 2025

Hoje na História do Mundo: 4 de Outubro

 GUERRA DA CRIMEIA

    Em 1853, o Império Otomano (Turco), que tem o apoio da França e do Reino Unido, declara guerra à Rússia. É o início da Guerra da Crimeia, que dura mais de dois anos e termina com a derrota russa. 

As causas geopolíticas do conflito são a decadência do Império Otomano, a expansão do Império Russo até o Mar Negro no século anterior, sob Catarina II, a Grande (1762-96), e guerras russo-turcas do passado, que começam em 1568.

A causa imediata é a exigência da Rússia de proteger os cristãos ortodoxos que vivem no Império Otomano, o que os turcos consideram uma intervenção totalmente inaceitável. Também há uma disputa entre a Igreja Católica da França e a Igreja Ortodoxa da Rússia sobre o controle dos lugares sagrados para o cristianismo na Palestina.

Apesar do acordo entre as igrejas, o imperador Napoleão III, da França, e o czar Nicolau I, da Rússia permanecem irredutíveis.

Em julho de 1853, tropas russas ocupam principados no Rio Danúbio, hoje parte da Romênia. Com o apoio francês e britânico, os otomanos declaram guerra à Rússia. Sob o comando de Omar Pachá, os turcos adotam uma postura defensiva. Conseguem conter o avanço russo na Silistra, hoje parte da Bulgária. Mas a Rússia vence a batalha naval de Sinop, em novembro de 1853.

Por medo do colapso das forças do Império Otomano, as marinhas de guerra da França e do Reino Unido entram no Mar Negro. No Norte, uma frota franco-britânica impõe um bloqueio que fecha o acesso da Rússia ao Mar Báltico. A Rússia é obrigada a deixar um exército para defender São Petersurgo.

O comando aliado tenta então tomar Sebastapol, sede da principal frota russa no Mar Negro. Os aliados desembarcam em 14 de setembro de 1854 e vencem a Batalha de Alma em 20 de setembro.

O cerca de Sebastopol começa em 17 de outubro de 1853. A Rússia contra-ataca em 25 de outubro na Batalha de Balaclava, imortalizada no poema A Carga da Brigada Ligeira, de Alfred, Lord Tennyson. É repelida, mas vence em Inkerman

Em 1855, um exército do reino da Sardenha-Piemonte, um embrião da Itália, manda uma força para lutar ao lado dos aliados. Sebastopol cai em 11 de setembro de 1855, depois de quase 11 meses de cerco.

É a última grande batalha da Guerra da Crimeia. Vencida e isolada, a Rússia pede paz. A França e o Reino Unido aceitam. A guerra era impopular nesses países. O Tratado de Paris é assinado em 30 de março de 1856.

A Guerra da Crimeia tem várias inovações tecnológicas como bombas navais, estradas de ferro, o telégrafo e a fotografia, com ampla cobertura jornalística de repórteres fotográficos e de texto.

O Império Russo entra em decadência, exaurido economicamente. Em 19 de fevereiro de 1861, o novo czar reformista Alexandre II (1855-81) abole a servidão.

ALEMANHA PEDE TRÉGUA

     Em 1918, o chanceler (primeiro-ministro) da Alemanha, Max von Baden, primo do kaiser (imperador) Guilherme II, envia telegrama ao presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson, propondo um armistício na Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Os EUA declaram guerra à Alemanha em 6 de abril de 1917, depois de ataques a navios norte-americanos no Oceano Atlântico e do Telegrama Zimmermann, em que o ministro do Exterior alemão propunha aliança ao México, oferecendo em troca apoio para este país recuperar os territórios tomados pelos EUA na Guerra Mexicano-Americana (1846-48).

Como não tem forças na Europa, os EUA só entram em combate um ano depois. Em março de 1918, a Alemanha está ganhando a guerra. Seis meses depois, os aliados haviam empurrado as tropas alemãs para trás da sua última linha de defesa, a Linha Hindenburg.

Então, o general Erich Ludendorff, arquiteto da ofensiva da primavera, exige numa reunião do Conselho Real um cessar-fogo imediato com base no plano de paz de 14 pontos de Wilson. Com a autoridade abalada, o chanceler Georg van Hartling pede demissão imediatamente.

O novo chefe de governo toma posse em 1º de outubro. Von Baden não tem a intenção de admitir a derrota, mas dois dias depois o comandante supremo do Exército da Alemanha, general Paul Hindenburg, aceita a recomendação de Ludendorff.

"O Exército da Alemanha ainda está firme, se defendendo de todos os ataques. A situação, no entanto, está se tornando mais crítica a cada dia e pode levar o Alto Comando a tomar decisões graves", declara Hindenburg. "Nestas circunstâncias, é imperativo para a luta para poupar o povo alemão e seus aliados de sacrifícios desnecessários. Cada dia a mais custa a vida de milhares de bravos soldados."

INÍCIO DA ERA ESPACIAL

    Em 1957, no início da Corrida Espacial, a União Soviética lança o Sputnik, o primeiro satélite artificial da Terra, e assusta os Estados Unidos, que temem que o inimigo na Guerra Fria possa usar o espaço para fazer um bombardeio nuclear.

O Sputnik tem 56 centímetros de diâmetro e pesa 84 quilos. A uma velocidade de 28,8 mil quilômetros por hora, dá uma volta na Terra a cada hora e 36 minutos numa órbita elíptica com apogeu (distância máxima da Terra) de 934 km e perigeu (menor distância da Terra) de 229 km.

Em janeiro de 1958, o Sputnik sai da órbita e pega fogo ao reentrar na atmosfera.

Os EUA lançam seu primeiro satélite, o Explorer, em 31 de janeiro de 1958. Antes, em 3 de novembro de 1957 os soviéticos colocam no espaço o Sputnik 2 com a cachorrinha Laika a bordo. Ela morre no espaço.

A URSS sai na frente na Corrida Espacial. Envia o primeiro homem ao espaço, Yuri Gagarin, que descobre que "a Terra é azul", em 12 de abril de 1961; a primeira mulher, Valtentina Tereshkova, em 16 de junho de 1963, hoje deputada governista no Parlamento da Rússia; e o primeiro homem a sair da nave e passear no espaço, Alexei Leonov, em 18 de março de 1965. 

Os EUA se recuperam e enviam a primeira missão espacial tripulada à Lua, onde Neil Armstrong dá "um pequeno passo para o homem, um salto gigantesco para a humanidade" em 20 de julho de 1969.

JANIS MORRE DE OVERDOSE

    Em 1970, Janis Joplin, a maior cantora da história do rock, morre de dose excessiva de heroína depois de ascender em quatro anos do anonimato a ícone de uma geração com apresentações antológicas nos festivais de Monterrey e Woodstock.

Janis nasce em Port Arthur, no Texas, em 1943, e vai para São Francisco da Califórnia em 1966, onde entra para o grupo Big Brother & The Holding Company. Depois do álbum Cheap Trills, de 1968, inicia carreira solo

Um crítico a definiu como "segunda, atrás apenas de Bob Dylan, como criadora, cantora e encarnação da história e da mitologia de sua geração".

BATALHA DE MOGADÍSCIO

    Em 1993, a Batalha de Mogadíscio, na Somália, termina com a morte de 18 soldados dos Estados Unidos e entre 500 e 600 somalianos, de acordo com a estimativa da organização não governamental Human Rights Watch (Observatório dos Direitos Humanos).

O conflito é resultado de uma operação militar dos EUA dentro de uma missão de paz das Nações Unidas.

A Somália vive em estado de anarquia desde a queda, em 26 de janeiro de 1991, do ditador Mohamed Siad Barre, que troca de lado durante a Guerra Fria. Passa do lado soviético para o norte-americano. Com o fim da Guerra Fria, o país perde sua importância estratégica.

Para monitorar um cessar-fogo na guerra civil que derrubou Barre e levar ajuda humanitária, em abril de 1992, é aprovada a Primeira Operação das Nações Unidas na Somália (UNOSOM).

Em dezembro de 1992, depois de perder a reeleição para Bill Clinton, o presidente George Herbert Walker Bush decide enviar soldados dos EUA para apoiar a missão humanitária e distribuir alimentos na Somália, onde a guerra civil causa fome com imagens que lembram as guerras de Biafra (1967-70) e da Etiópia nos anos 1980.

Quando Bill Clinton assume, sem experiência em política externa, tenta transformar a missão humanitária numa operação punitiva contra o líder da da Aliança Nacional Somaliana, o senhor da guerra Mohamed Farah Aidid, que domina a região da capital somaliana e mata, em 5 de junho de 1993, 25 paquistaneses da força de paz, no pior dia em décadas para soldados da ONU.

Os EUA não têm o equipamento militar para enfrentar o senhor da guerra. Um documento falso da CIA (Agência Central de Inteligência) alega que Aidid está prestes a lançar um grande ataque contra a missão da ONU. 

Em 12 de julho de 1993, na Segunda-Feira Negra, na tentativa de capturar Aidid, forças norte-americanas atacam a casa do ministro do Interior somaliano, Abdi Awale, durante um encontro do conselho de anciães do clã do senhor da guerra. Dezessete helicópteros de combate cercam a casa, bombardeada com 16 mísseis antitanque e 2,2 mil disparos de canhões de 20 milímetros durante 6 a 8 minutos.

Depois, há um ataque por terra em que os norte-americanos matam 15 sobreviventes. Ao todo, 54 somalianos são mortos e 161 feridos, de acordo com a Cruz Vermelha Internacional. O ataque provoca uma revolta popular. Quatro jornalistas estrangeiros que vão até a casa são linchados pela multidão enfurecida.

Em 3 de outubro de 1993, os EUA pretendem capturar dois subcomandantes de Aidid durante um encontro dentro da cidade. O ataque, previsto para durar apenas uma hora, se estende com um impasse pela noite e uma operação de resgate na madrugada. É a Batalha de Mogadíscio. 

O objetivo é atingido, mas é uma falsa vitória, uma vitória de Pirro, general que derrotou os romanos duas vezes com enormes perdas e perdeu a terceira batalha. 

Com granadas lançadas por foguetes, os somalianos derrubam três helicópteros tipo Falcão Negro. Dois caem em território inimigo. A operação vira uma batalha desesperada para defender os sobreviventes dos helicópteros que atravessa a noite. É a batalha com o maior número de soldados norte-americanos mortos depois da Guerra do Vietnã.

É mais um vexame do Exército dos EUA. Em resposta, o presidente Clinton retira as forças norte-americanas da Somália. Pior ainda: no ano seguinte, não intervém para evitar o genocídio de Ruanda. De 7 de abril a 15 de julho de 1994, o exército do governo da maioria hutu, diante da derrota iminente mata cerca de 800 mil pessoas da minoria tútsi e hutus moderados.

Clinton considera esse seu maior erro de política externa.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

Hoje na História do Mundo: 9 de Dezembro

 VARÍOLA ERRADICADA

    Em 1979, uma comissão internacional de cientistas declara que a varíola, uma doença com 30% de risco de vida, está erradicada. Agora, pode voltar por causa da insanidade e irracionalidade do movimento antivacinas.

A varíola é uma praga para a humanidade há milênios. O faraó Ramsés V, do Egito, teria morrido de varíola em 1145 antes de Cristo. 

O conquistador espanhol Hernán Cortez toma Tenochtitlán, a capital do Império Asteca, em 13 de agosto de 1521, em meio a uma epidemia de varíola que atinge sobretudo os índios, que acreditam que o Deus dos espanhóis é superior ao deles, que não os protege.

O vírus atual, que seria de 1580, é combatido na China no século 16 com a inoculação de pequenas quantidades para causar casos leves capazes de gerar imunidade, um precursor das vacinas.

No fim do século 18, quando a varíola é uma das principais causas de mortes na Europa, o cientista inglês Edward Jenner, cria a vacina em 1796. Muitos países europeus tornam a vacinação obrigatória e a varíola declina nos séculos 19 e 20.

A partir de 1967, a Organização Mundial da Saúde (OMS) faz campanha para atacar os últimos focos da doença. O último caso é diagnosticado em 1977 na Somália. A erradicação da varíola, graças à vacina, é um dos grandes triunfos da medicina.

PRIMEIRA INTIFADA

    Em 1987, jovens palestinos começam na Faixa de Gaza a Primeira Intifada (revolta das pedradas) contra a ocupação de territórios árabes por Israel depois de um acidente em que um caminhão israelense bate numa caminhonete e mata quatro palestinos.

Quando Israel manda forças especiais para conter a violência, a revolta se propaga para a Cisjordânia. Os dois territórios estão sob ocupação israelense desde a Guerra dos Seis Dias (5 a 10 de junho de 1967).

Para fortalecer o movimento pela criação de uma pátria para o povo palestino, o rei Hussein, da Jordânia, abre mão da reivindicação de soberania sobre a Cisjordânia em julho de 1988.

Em 15 de novembro de 1988, no exílio na Tunísia, o líder da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Yasser Arafat, declara a independência da Palestina, denuncia o terrorismo e reconhece o Estado de Israel, tentando criar condições para negociações de paz.

As negociações começam na Conferência de Madri, em 30 e 31 de outubro de 1991, depois que Israel evita responder aos ataques do Iraque de Saddam Hussein durante a Guerra do Golfo, em 1991. Ganham impulso com as negociações secretas de Oslo, na Noruega, em 1993.

Em 13 de setembro de 1993, Arafat e o primeiro-ministro israelense, Yitzhak Rabin, apertam as mãos e assinam uma declaração de princípios nos jardins da Casa Branca. No ano seguinte, é criada a Autoridade Nacional Palestina. Arafat volta à Cisjordânia. Os palestinos assumem o controle sobre a Faixa de Gaza e a cidade histórica de Jericó.

O assassinato de Rabin por um extremista israelense, em 4 de novembro de 1995, em Telavive, e a ascensão de Benjamin Netanyahu desandam o processo da paz. A paz entre israelenses e palestinos é um sonho distante até hoje.

WALESA PRESIDENTE

    Em 1990, o líder operário Lech Walesa, fundador do sindicato livre Solidariedade, se torna o primeiro presidente eleito diretamente da história da Polônia.

Walesa nasce em 29 de setembro de 1943 em Popowo, na Polônia ocupada pela Alemanha Nazista na Segunda Guerra Mundial (1939-45). Ele faz curso técnico e se torna eletricista. Trabalha como mecânico de automóveis de 1961 a 1965 e, depois de servir o Exército por dois anos, vai ser eletricista no Estaleiro Lenin, em Gdansk, em 12 de julho de 1967.

Nove anos depois, em 1976 é demitido como agitador. Em agosto de 1980, lidera uma greve que leva ao reconhecimento do sindicato livre Solidariedade pelo regime comunista polonês. 

Um golpe liderado pelo general Jociech Jaruzelski, em 13 de dezembro de 1981, recoloca o Solidariedade na ilegalidade. Em 1983, Walesa ganha o Prêmio Nobel da Paz.

Com a abertura polícia promovida a partir de 1985 pelo líder do Partido Comunista da União Soviética, Mikhail Gorbachev, o Solidariedade volta a ser legalizado em abril de 1989 e obtém uma ampla vitória nas primeiras eleições parlamentares livres no Bloco Soviético, em 4 e 18 de junho de 1989. 

Tadeusz Mazowiecki, aliado de Walesa, se torna primeiro-ministro e inicia as reformas liberalizantes para superar o regime comunista.

Na Presidência, Walesa se mostra menos hábil do que como líder sindical. Em 1995, perde a eleição presidencial para o ex-comunista Alexander Kwasniesk, da Aliança da Esquerda Democrática.

CHARLES E DIANA SE SEPARAM

    Em 1992, o primeiro-ministro britânico, John Major, anuncia a separação dos príncipes de Gales, Charles e Diana, depois de anos de uma guerrinha particular do casal travada através da imprensa sensacionalista do Reino Unido.

É o fim de um casamento de sonho, transmitido ao vivo da Catedral de São Paulo, em Londres, em 29 de julho de 1981, para 1 bilhão de telespectadores de 79 países. Diana faz teste de virgindade com ginecologista da rainha para casar. O primeiro filho, o príncipe William, nasce em 1982, e o segundo, o príncipe Harry, em 1984.

O casal real se divorcia em agosto de 1996. Lady Di morre em acidente de automóvel como uma cinderela cuja carruagem se esborracha em Paris, a cidade romântica por excelência, quando foge dos fotógrafos com o namorado egípcio, Dodi al-Fayed, em 31 de agosto de 1997. 

A tragédia da princesa do povo causa uma grande comoção no Reino Unido e obriga a família real a reconhecer sua importância para a monarquia.

EUA INTERVÊM NA SOMÁLIA

    Em 1992, por ordem do presidente George Herbert Walker Bush (1989-93), derrotado por Bill Clinton um mês antes, os fuzileiros navais dos Estados Unidos chegam a Mogadíscio, na Somália, numa missão para apoiar a ação humanitária das Nações Unidas no país assolado pela fome. A Somália está em estado de anarquia desde a queda do ditador Mohamed Siad Barre, em janeiro de 1991.

O país cai em guerra civil. Em pouco menos de dois anos, 50 mil pessoas morrem na guerra e outras 300 mil de fome. Os EUA intervêm com a Operação Restaurar a Esperança na expectativa de acabar com o flagelo da fome. 

A ajuda humanitária da ONU recomeça, mas as forças norte-americanas não conseguem controlar a ação dos senhores da guerra que disputam o poder na Somália. A violência continua e um ataque à missão da ONU mata 24 soldados do Paquistão.

Em reação, a ONU ordena a captura do general Mohamed Farah Aidid, o senhor da guerra que controla a região de Mogadíscio, a capital somaliana. Mas as forças dos EUA, já no governo Bill Clinton (1993-2001), estão lá para proteger a ajuda humanitária. Não têm equipamento nem contingente para grandes ações militares.

Durante uma tentativa de prender Aidid, em 3 de outubro de 1993, os rebeldes somalianos derrubam dois helicópteros de combate Falcão Negro e matam 18 soldados norte-americanos. Alguns são arrastados pelas ruas de Mogadíscio, numa humilhação para os EUA, que se retiram da Somália. A Batalha de Mogadíscio é encenada no filme Falcão Negro em Perigo.

Esta humilhação leva ao que Clinton considera o maior erro de política externa de seu governo. Os EUA não intervêm em Ruanda para impedir o genocídio da minoria tútsi. De 7 de abril a 15 de julho de 1994, cerca de 800 mil pessoas morrem neste pequeno país do Centro da África, no último genocídio do trágico século 20.

A maioria hutu, inclusive a milícia Interahamwe, responsável pelo genocídio, foge para o Zaire, onde entra em choque com os baniamulengue, da mesmo etnia dos tútsis, desestabilizando o país vizinho. Este conflito dura até hoje.

Isto leva o guerrilheiro Laurent Kabila, que lutou nos anos 1960 no Congo com Ernesto Che Guevara, que o considerava bêbado e mulherengo, incapaz de liderar uma revolução, a deixar seu refúgio. Kabila sai das Montanhas da Lua para marchar até Kinshasa, derrubar o ditador Joseph Mobutu, em 1997, e mudar o nome do país para República Democrática do Congo.

A queda de Mobutu deflagra a Primeira Grande Guerra Mundial Africana (1997-2002), travada por nove países e pelo menos 25 grupos armados irregulares, com um total de mortes estimado em 5,4 milhões, em combate, de fome e de doenças. É o maior conflito armado do mundo depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

RÚSSIA DOPADA

    Em 2016, a Agência Mundial Antidoping (WADA) acusa a Rússia de dopagem sistemática de mais de mil atletas numa "conspiração institucional" para fraudar competições esportivas internacionais, inclusive as olimpíadas.

Um segundo relatório da WADA implica o Ministério dos Esportes e o Serviço Federal de Segurança (FSB) da Rússia, sucessor da temida polícia política soviética (KGB), do qual o ditador Vladimir Putin foi diretor-geral antes de se tornar primeiro-ministro e presidente.

A Rússia é suspensa de competições internacionais por quatro anos em 2019, pena depois reduzida para dois anos. Na Olimpíada de Tóquio, os atletas russos competem seu seus uniformes, sem bandeira e sem hino nacional. O país é proibido de competir de novo na Olimpíada de 2024, em Paris.