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domingo, 6 de setembro de 2026

Hoje na História do Mundo: 6 de Setembro

FROTA DE MAGALHÃES TERMINA VOLTA AO MUNDO

    Em 1522, Victoria, o último navio da frota de Fernão de Magalhães chega a Sanlúcar de Barrameda, na Espanha, sob o comando de Juan Sebastián Elcano, com 18 homens a bordo completando a primeira viagem de circunavegação da Terra, a serviço da coroa espanhola.

O objetivo de Magalhães não é dar a volta ao mundo. Quer descobrir um caminho marítimo para as Ilhas Molucas ou Ilhas das Especiarias, hoje parte da Indonésia, encontrar o caminho das Índias pelo oeste como quis Cristóvão Colombo. Portugal domina a rota pelo Sul da África, pelo Cabo da Boa Esperança.

Magalhães estuda vários mapas e decide apostar numa passagem pelo sul da América do Sul para chegar ao Oceano Pacífico, descoberto por Vasco Núñez Balboa em 25 de setembro de 1513, ao atravessar o Istmo do Panamá.

O rei Dom Manuel I, o Venturoso, de Portugal, rejeita o projeto. Como domina a rota pela África, não se interessa, mas o rei Carlos I, da Espanha, Carlos V do Sacro Império Romano-Germânico, provavelmente o homem mais poderoso do mundo no seu tempo, decide patrocinar a empreitada.

A frota de cinco navios com 250 homens a bordo zarpa de Sanlúcar de Barrameda em 20 de setembro de 1519. Magalhães comanda Trinidad, a nau-capitânia. Sai da Espanha rumo as Ilhas Canárias e passa pelo Arquipélago de Cabo Verde antes de cruzar o Oceano Atlântico e chegar ao Rio de Janeiro em dezembro de 1519.

Daí em diante, a situação piora. A primeira viagem de circunavegação do planeta é um ato heroico, um inferno de doenças, fome e violência, observa o historiador britânico Jerry Brotton. 

Magalhães fica meses explorando a costa da América do Sul em busca de uma passagem para o Pacífico sem sucesso. A expedição enfrenta um inverno rigoroso, os marinheiros passam fome e frio. As rações diminuem. Um navio naufraga em meio a uma tempestade e o maior, San Antonio, que tem mais comida, deserta e volta para a Espanha.

Entre motins, rebeliões, fome e sede, a expedição perde muitos homens nos primeiros seis meses. Em 28 de novembro de 1520, Magalhães atravessa o estreito batizado em seu nome. Chega ao oceano que chama de Pacífico porque suas águas parecem mais tranquilas, talvez por causa do fenômeno El Niño, enquanto o Atlântico é conhecido como Mar Tenebroso.

Mas os primeiros europeus a singrar aqueles mares não tem noção do tamanho do Pacífico, que cobre um terço da superfície do planeta, quase duas vezes o tamanho do Atlântico. Mapas errados e erros de cálculo transformam o trecho da viagem até as Molucas num pesadelo de mais de 100 dias de fome, escorbuto e mortes, comenta Braulio Vázquez, arquivista do Arquivo Geral das Índias, em Sevilha, na Espanha..

"Durante três meses e 20 dias, não conseguimos comida fresca", conta Antonio Pigaffeta em seu relato da viagem. "Comíamos bolo, embora não fosse bolo, mas poeira misturada com minhocas e o que restava cheirava a urina de rato.

"Bebíamos água amarela, que estava podre, por muitos dias. Também comemos algumas peles de boi que cobriam a parte superior do pátio principal."

Quando se dá conta do tamanho do Pacífico, Magalhães percebe que as Molucas não estão na metade da Terra destinada à Espanha pelo Tratado de Tordesilhas com Portugal, em 1494, aprovado pelo papa Alexandre VI (Alexandre Bórgia). Vai então para as Filipinas, onde faz contato com os chefes locais e vê que têm ouro.

Magalhães não completa a viagem. Tenta fazer uma política de alianças com os chefes locais. O rei da iIha de Mactán, na região de Cebu, nas Filipinas, não aceita. Magalhães e 40 espanhóis decidem invadir a ilha e enfrentam uma reação violenta. Ele morre em 27 de abril de 1521 em Mactán. 

Com a morte, Juan Sebastián Elcano assume o comando da frota, que chega às Ilhas Molucas, objetivo inicial da viagem, em 20 de novembro de 1521. Como acreditam não estar na parte espanhola do Tratado de Tordesilhas, carregam às pressas os dois últimos navios e tentam voltar à Espanha.

A dúvida é que caminho seguir. Trinidad, o navio comandado por Magalhães escolhe a rota pelo Pacífico. É capturado por navios portugueses. O navio Victoria, de Elcano, toma o caminho do Oceano Índico e contorna o Cabo da Boa Esperança, que os marujos chamam pelo nome antigo, Cabo das Tormentas. Do Timor até as Ilhas de Cabo Verde, eles não chegam a terra,

São obrigados a atracar em Cabo Verde, uma possessão portuguesa. Treze tripulantes são presos. Dos 250 marinheiros, só 18 voltam à Espanha quase três anos depois, com apenas um navio.

PRESIDENTE ASSASSINADO

    Em 1901, o anarquista Leon Czolgozn atira no presidente norte-americano William McKinley (1897-1901) na Exposição Pan-Americana, realizada em Buffalo, no estado de Nova York. McKinley morre oito dias depois.

McKinley é o último presidente a lutar na Guerra da Secessão. Vai de soldado a major no Exército da União (Norte). 

No poder, leva os Estados Unidos à vitória na Guerra Hispano-Americana (1898), um golpe final no Império Espanhol, com a independência de Cuba, a colonização das Filipinas e a ocupação de Porto Rico, que hoje tem status de "Estado livre associado aos EUA", não é independente. Em 1898, os EUA também anexam a República do Havaí.

É uma época de grande crescimento econômico. Os EUA se tornam no fim do século 19 na maior economia do mundo ultrapassando o Reino Unido. Em 1900, McKinley introduz o padrão-ouro para controlar a inflação e consegue se reeleger.

Na época, é o terceiro presidente dos EUA assassinado no exercício do cargo, depois das mortes de Abraham Lincoln por John Wilkes Booth (1865) e de James Garfield por Charles Guiteau (1881). John Kennedy seria morto por Lee Oswald em 22 de novembro de 1963, em Dallas, no Texas. Com a morte de McKinley, assume a Presidência o vice-presidente Theodore Roosevelt, considerado um dos presidentes mais importantes da história dos EUA, pai do imperialismo norte-americano.

PRIMEIRO TANQUE DE GUERRA

    Em 1915, um protótipo de tanque de guerra chamado Little Willie sai da linha de montagem na Inglaterra. Não é um sucesso no primeiro momento.


Ele pesa 14 toneladas, para nas trincheiras e se arrasta sobre terreno acidentado a uma velocidade de 2 km/h, mas o tanque de guerra evolui e se torna um elemento decisivo do campo de batalha.

O tanque é desenvolvido em resposta à guerra de trincheiras que marca a Primeira Guerra Mundial (1914-18). Entra em combate na Batalha do Somme, em 15 de setembro de 1916. 

Na Segunda Guerra Mundial (1939-45), o tanque exerce um papel dominante no campo de batalha. É um elemento central na blitzkrieg, a guerra-relâmpago em alta velocidade da Alemanha Nazista, com aviação e tanques de alta velocidade para romper as linhas de defesa do inimigo.

Depois da Batalha de Stalingrado (1942-43), talvez a mais importante da história, e da Batalha de Kursk, a maior batalha de tanques da história, com 7.360 tanques soviéticos e 3.253 tanques alemães, o Exército Vermelho da União Soviética inicia uma contraofensiva que termina em Berlim com a vitória sobre o Nazifascismo, em 8 de maio de 1945.

ALEMANHA LANÇA BOMBA V-2

    Em 1944, a Alemanha Nazista dispara pela primeira o míssil V-2, uma bomba voadora, contra um alvo aliado, na Segunda Guerra Mundial (1939-45).

O foguete ou bomba voadora V-2 (Vergeltungswaffen-2 ou Bomba da Vingança-2) é um míssil balístico desenvolvido pelo cientista alemão Werner von Braun. Tem 14 metros de comprimento, pesa cerca de 13 toneladas no lançamento, viaja a até 80 quilômetros de altitude e tem um alcance de 320 km.

Paris é o primeiro alvo. Dois dias depois, as V-2 são lançadas contra Antuérpia e Liège, na Bélgica. Londres é impiedosamente bombardeada, 1.358 vezes, atrás apenas de Antuérpia com 1.610. Em 20 de junho de 1944, a V-2 atinge uma altitude de 175 km. É o primeiro foguete a atingir o espaço sideral.

Mais de 3 mil mísseis V-2 são disparados até o fim da guerra e matam cerca de 9 mil pessoas. O último ataque é ao Reino Unido em 27 de março de 1945. Pelo menos 10 mil presos em campos de concentração de Mittelbau-Dora morrem em trabalhos forçados para fabricar as bombas voadoras na fábrica subterrânea de Mittelwerk. 

CRIADOR DO APARTHEID MORRE

    Em 1966, o primeiro-ministro da África do Sul Hendrik Verwoerd, que cria e implementa o regime segregacionista do apartheid, é esfaqueado mortalmente por um funcionário temporário do Parlamento considerado insano.

Verwoerd nasce em Amsterdã, na Holanda, em 8 de setembro de 1901. Quando tem dois anos, a família emigra para a África do Sul. Ele fica um tempo na Rodésia do Sul e depois volta para o Estado Livre de Orange, então parte da União Sul-Africana, um reino sob a coroa britânica.

Aluno brilhante da Universidade de Stellenbosch, se forma em psicologia e faz doutorado em sociologia na África do Sul. Vai para universidades alemãs em Hamburgo, Berlim e Leipzig. De volta ao país, em 1937, é contratado como editor-chefe de um jornal diário africâner, Die Transvaler, de Joanesburgo, no Transval, terra do ouro na África do Sul, uma grande riqueza do país desde o século 19.

Ele deixa o jornal com a vitória do Partido Nacional nas eleições só para brancos de 1948, quando se elege senador. Em 1950, se torna ministros dos Assuntos Nativos e passa a criar a doutrina do "desenvolvimento separado" mais conhecida como apartheid por segregar a maioria negra e aplicá-la em todos os aspectos da vida sul-africana.

Em 31 de maio de 1961, Wervoerd proclama a República Sul-Africana, rompendo o último vínculo do país com o Império Britânico.

Alvo de dois atentados a tiros em 16 de abril de 1960, em Joanesburgo, e o fatal em com facadas na Assembleia Nacional por Dimitri Tsafendas, um imigrante moçambicano revoltado com as políticas do apartheid que trabalha como carteiro temporariamente no parlamento e é declarado insano, mas cumpre a maior pena da história da África do Sul.

O apartheid só acaba em abril e maio de 1994, com a vitória do Congresso Nacional Africano (CNA) e do líder histórico da luta contra a segregação, Nelson Mandela.

NAVRATILOVA PEDE ASILO

    Em 1975, a tenista tcheco-eslovaca Martina Navratilova, uma das maiores jogadoras da história, pede asilo político aos Estados Unidos.

Martina nasce em Praga em 18 de outubro de 1956, capital da Tcheco-Eslováquia, na época sob um rígido regime comunista de inspiração stalinista, e se torna a tenista mais vencedora da história antes de Steffi Graf e Serena Williams, com 167 títulos, 18 grand-slams de simples, um recorde 31 de duplas femininas e 10 de duplas mistas.

Depois de perder a final do Torneio Aberto dos EUA de 1975 para sua amiga e rival Chris Evert, Navratilova pede asilo político. Em 1981, depois de ter a cidadania cassada pelo regime comunista, ela se torna cidadã norte-americana.

Lésbica assumida, é uma voz importante na luta pelos direitos da comunidade LGBTQIAP+.

FUNERAL DA PRINCESA

    Em 1997, poucos dias depois de sua morte, o funeral da princesa Diana, com discurso do irmão, Conde Charles Spencer, contra a família real britânica e participação do cantor e compositor Elton John, um amigo da princesa, na Abadia de Westminster, é uma cerimônia assistida na televisão por 2,5 bilhões de pessoas no mundo inteiro.

A princesa seduz o mundo com sua beleza e sensibilidade um tanto estranha para a família real do Reino Unido. O casamento de contos de fadas na Catedral de São Paulo, em 28 de julho de 1981, ela casa virgem, vira um pesadelo na vida real. Lady Di se sente uma prisioneira de palácios frios onde tem de obedecer a uma disciplina rígida.

Com a crise do casamento, a princesa arruma outros namorados, seu instrutor de equitação, um médico paquistanês e o playboy egípcio Dodi al-Fayed, filho do dono da loja de departamentos Harrod's, uma das melhores do Reino Unido.

A princesa morre como uma cinderela moderna, com sua carruagem virando abóbora na noite de Paris, a cidade mais romântica do mundo, como vê a crítica literária e intelectual norte-americana Camille Paglia.

Dodi pressiona o motorista e segurança Henry Paul, que está de folga e bebeu muito antes, a correr em seu Mercedes-Benz W140 para fugir dos paparazzi, os fotógrafos que perseguem a princesa em busca de fotos exclusivas. Ele perde o controle do carro e bate em alta velocidade. É considerado o único responsável pelo acidente. Só o segurança da princesa sobrevive.

Diana e Charles se separam em 1992 e formalizam o divórcio em 1996. Então, quando morre, em 31 de agosto de 1997, Diana não tem mais nenhum vínculo legal com a família real britânica. Em nome da tradição, a rainha Elizabeth II e o príncipe Philip não querem lhe dar um enterro com as honras da monarquia.

A comoção popular é enorme. "Ela era o princesa do povo", declara o primeiro-ministro Tony Blair, consagrando a expressão criada por seu assessor de imprensa, Alastair Campbell. O primeiro-ministro e o então príncipe Charles, hoje rei Charles III, tentam convencer a rainha, que está no Castelo Balmoral, na Escócia, em férias de verão. 

Milhares de pessoas. depositam flores, brinquedos e fotos de Diana nas grades do Palácio de Buckingham, em Londres, A população e os jornais populares esperam uma palavra do trono que só vem quando a rainha autoriza que o funeral seja realizado na Abadia de Westminster com todas as honras da famílias real. Como estrela da mídia, Diana muda a monarquia, trazendo-a para a realidade do fim de século. A mulher de seu filho William, herdeiro do trono, a princesa Kate Middleton, não casa virgem.

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segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 31 de Agosto

SHERMAN TOMA ATLANTA

    Em 1864, durante a Guerra da Secessão (1861-65), a mais sangrenta da história dos Estados Unidos, as forças da Confederação (Sul) iniciam a retirada de Atlanta, a capital da Geórgia, depois da vitória das tropas da União (Norte) chefiadas por William Tecumseh Sherman.

Entre 1815 e 1861, o Norte dos EUA se industrializa rapidamente e diversifica sua economia. A agricultura ainda é o setor mais forte, mas se baseia em pequenas propriedades com trabalhadores livres, enquanto o Sul é dominado por grandes fazendeiros que exportam algodão produzido por mão de obra escrava para a Revolução Industrial no Reino Unido e em outros países da Europa.

Em 1860, 84% do capital investido na indústria são do Norte, mas a renda média dos brancos sulistas, que investem principalmente em escravos, é duas vezes maior. Cerca de 60% dos ricos dos EUA vivem no Sul.

Quando o presidente abolicionista Abraham Lincoln é eleito, em novembro de 1860, sete estados do Sul (Alabama, Carolina do Sul, Flórida, Geórgia, Louisiana, Mississípi e Texas) formam os Estados Confederados da América para deixar a União. 

A Guerra Civil Americana começa em 12 de abril de 1861, com o ataque rebelde ao Forte Sumter, em Charleston, na Carolina do Sul. Depois de 34 horas de bombardeio, o major Robert Anderson e 85 homens se rendem ao cerco de 5,5 mil sulistas sob o comando de Pierre Beauregard.

Mais quatro estados (Arkansas, Carolina do Norte, Tennessee e Virgínia) aderem à Confederação. Lincoln convoca 75 mil milicianos e decreta um bloqueio naval aos estados do Sul.

Cerca de 21 milhões de pessoas vivem no Norte e 9 milhões no Sul, sendo 4 milhões de escravizados. O Norte tem mais de 100 mil fábricas, em contraste com apenas 18 mil instaladas ao sul do Rio Potomac. A produção de armas no Norte é 30 vezes maior. 

Mas o Sul tem 6,5 mil quilômetros de costa, o que torna um bloqueio naval impossível, e o presidente da Confederação, Jefferson Davis, um herói da Guerra Mexicano-Americana (1846-48), tem mais experiência militar do que Lincoln e pede ajuda à França e ao Reino Unido.

No verão de 1862, o Norte destrói as forças navais do Sul.

Em 1º de janeiro de 1863, Lincoln faz a Proclamação da Abolição nos estados do Sul, na expectativa de que os escravos libertos se juntem às forças da União, mas a notícia só chega a Galveston, no longínquo estado do Texas em 19 de junho de 1865, depois da rendição do general Robert Lee, comandante militar da Confederação, em 9 de abril daquele ano.

O general Sherman é um dos precursores da guerra total. Na opinião do capitão e historiador mililtar britânico Basil Liddell Hart, é "o primeiro general moderno". 

A Doutrina Sherman ainda é uma das bases da estratégia militar dos EUA. Consiste em destruir tudo o que possa ser útil ao inimigo, inclusive fontes de água e comida, o que os EUA fizeram nas guerras do Iraque, com grandes danos à população civil. Mas, até agora, não se fala em derrubar a estátua de Sherman no canto sudeste do Central Park, em Nova York, na esquina da 5ª Avenida e da Rua 59.

A tomada de Atlanta é importante para a reeleição de Lincoln, em 1864. A subsequente Marcha para o Mar, até a conquista do porto de Savannah, em 21 de dezembro daquele ano, adota uma estratégia de terra arrasada, que destrói a infraestrutura e abala a força moral dos sulistas.

Com mais de 620 mil mortes, a Guerra da Secessão é a pior da história dos EUA. 

A 13ª Emenda à Constituição dos EUA, que acaba com a escravidão e os trabalhos forçados, a não ser por força de sentença judicial, é aprovada no Senado em 8 de abril de 1864 e na Câmara em 31 de janeiro de 1865 depois de uma tramitação tumultuada que aparece no filme Lincoln, de Steven Spielberg. Com a ratificação por pelo menos 75% dos estados, como exige a Constituição, entra em vigor em 6 de dezembro de 1865.

Começa o período da Reconstrução, em que os EUA se tornam em 1890 na maior economia do mundo, superando o Império Britânico. Em 1866, surge o grupo terrorista branco Ku Klux Klan, que persegue e assassina negros. Vários estados adotam políticas discriminatórias. Os negros só conquistam a liberdade plena um século depois, com a Lei dos Direitos Civis (1964) e a Lei do Direito de Voto (1965).

JACK, O ESTRIPADOR

    Em 1888, os restos mortais mutilados da prostituta Mary Ann Nichols, a primeira vítima do assassino em série chamado de Jack, o Estripador, são encontrados no bairro de Whitechapel, em Londres.

Mais quatro vítimas são mortas nos meses seguintes. Na Inglaterra vitoriana do fim do século 19, período áureo do Império Britânico, a região do East End, em Londres, é um favelão com cerca de um milhão de miseráveis. A prostituição é um meio de sobrevivência para mais de mil mulheres de Whitechapel.

A polícia britânica, a Scotland Yard, descobre o método do assassino. Ele promete pagar por sexo e atrai as prostitutas para praças ou ruas escuras, onde corta a garganta com uma faca de 15 centímetros. Em seguida, usa a mesma faca para estripá-las. Nenhum suspeito foi preso e muito menos punido.

EDISON PATENTEIA CINEMATÓGRAFO

    Em 1897, um dos maiores inventores de todos os tempos, o norte-americano Thomas Alva Edison, com mais de 2,3 mil patentes, registra sua câmera de cinema, o cinematógrafo, usando o filme de rolo, inventado em 1893 por George Eastman.

Edison, o Feiticeiro de Menlon Park, nasce em Milan, no estado de Ohio, em 11 de fevereiro de 1847, filho de pais canadenses. Mau aluno, se recusa a fazer as lições e abandona a escola. A mãe o educa em casa. Ávido leitor, devora todos os livros da mãe sobre ciência e monta um laboratório químico no sótão da casa.

Quando aprende o Código Morse, Edison começa a fabricar telégrafos artesanais. Aos 21 anos, registra sua primeira invenção, uma máquina de votar pela qual ninguém se interessa. Em 1869, se muda para Nova York, onde cria um indicador automático de cotação da bolsa de valores que vende por US$ 40 mil.

Ao todo, registra 1.093 patentes nos Estados Unidos e, somando com as de outros países, 2.332. Entre suas principais invenções, estão a lâmpada elétrica incandescente, o fonógrafo, o cinescópio, o ditafone e o microfone de grânulos de carvão, que aperfeiçoa o telefone.

LEI DE NEUTRALIDADE NOS EUA

    Em 1935, diante da ascensão do nazifascismo na Europa, o presidente Franklin Delano Roosevelt sanciona a Lei da Neutralidade "para evitar qualquer ação que possa envolver [os Estados Unidos] na guerra".

É uma reação ao anúncio da Alemanha Nazista, em março daquele ano, de que não respeitaria mais o Tratado de Versalhes, assinado em 1919, depois da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Com o início da Segunda Guerra Mundial (1939-45), em 14 de agosto de 1941, Roosevelt assina a Carta do Atlântico com o primeiro-ministro do Reino Unido, Winston Churchill, lançando as bases da ordem mundial do pós: proibição da guerra de conquista, soberania nacional, integridade territorial, direito de autodeterminação dos povos, liberdade de navegação nos mares e livre comércio. Começa a forjar a aliança que derrotaria Adolf Hitler e lança as bases da ordem internacional do pós-guerra..

Os EUA entram na guerra em 7 de dezembro de 1941, com o ataque do Japão à base naval de Pearl Harbor, no Havaí.

GREVE NA POLÔNIA

    Em 1980, o regime comunista da Polônia cede diante da greve dos 17 mil metalúrgicos do estaleiro de Gdansk, liderada por Lech Walesa.

A vitória dos trabalhadores leva à formação do Solidariedade, o primeiro sindicato livre num país do Bloco Soviético.

Sob pressão da União Soviética, as conquistas são revogadas por um golpe dado pelo general Wojciech Jaruzelski em 13 de dezembro (dia do AI-5) de 1981. Walesa ganha o Prêmio Nobel da Paz em 1983.

O movimento oposicionista ganha força com a ascensão em 1985 do líder reformista Mikhail Gorbachev ao cargo de secretário-geral do Partido Comunista da URSS e suas políticas de abertura política (glasnost) e reestruturação econômica (perestroika).

Em 4 e 18 de junho de 1989, a Polônia realiza as primeiras eleições democráticas no Bloco Soviético, que levam à queda do regime. Walesa é eleito presidente em 1990 e fica no cargo até 1995.

MORTE DA PRINCESA

    Em 1997, a princesa Diana morre num acidente de automóvel em Paris quando o motorista e segurança Henry Paul, totalmente embriagado, perde o controle do carro em alta velocidade ao fugir de paparazzi, fotógrafos que tentavam tirar fotos da princesa.


O motorista e o namorado da princesa e dono do Mercedes, o playboy egípcio Dodi al-Fayed, também morrem. Diana vira uma Cinderela moderna em busca do amor com seu carro de luxo virando abóbora na noite de Paris, uma das cidades mais românticas do mundo.

A morte provoca grande consternação no Reino Unido, especialmente por causa da falta de reação da rainha Elizabeth II, que está no Castelo de Balmoral, na Escócia, onde a família real britânica passa as férias de verão.

Sob pressão do primeiro-ministro Tony Blair e do príncipe Charles, ex-marido de Diana, cinco dias depois a rainha volta a Londres com o príncipe Philip e cumprimenta a multidão que ficava até 12 horas na fila para assinar o livro de condolências e depositar flores diante do Palácio de Buckingham, a residência real em Londres.

Famoso por suas gafes, Philip pergunta: "Vocês estão aqui há muito tempo?"

Como Diana se divorciou de Charles, oficialmente não pertencia mais à família real. Não teria direito a um funeral com honras de Estado na Abadia de Westminster. Mas era a "princesa do povo", como definiu o assessor de imprensa de Blair, Alastair Campbell. O clamor popular vence a tradição e garante todas as honrarias.

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terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 9 de Dezembro

 VARÍOLA ERRADICADA

    Em 1979, uma comissão internacional de cientistas declara que a varíola, uma doença com 30% de risco de vida, está erradicada. Agora, pode voltar por causa da insanidade e irracionalidade do movimento antivacinas.

A varíola é uma praga para a humanidade há milênios. O faraó Ramsés V, do Egito, teria morrido de varíola em 1145 antes de Cristo. 

O conquistador espanhol Hernán Cortez toma Tenochtitlán, a capital do Império Asteca, em 13 de agosto de 1521, em meio a uma epidemia de varíola que atinge sobretudo os índios, que acreditam que o Deus dos espanhóis é superior ao deles, que não os protege.

O vírus atual, que seria de 1580, é combatido na China no século 16 com a inoculação de pequenas quantidades para causar casos leves capazes de gerar imunidade, um precursor das vacinas.

No fim do século 18, quando a varíola é uma das principais causas de mortes na Europa, o cientista inglês Edward Jenner, cria a vacina em 1796. Muitos países europeus tornam a vacinação obrigatória e a varíola declina nos séculos 19 e 20.

A partir de 1967, a Organização Mundial da Saúde (OMS) faz campanha para atacar os últimos focos da doença. O último caso é diagnosticado em 1977 na Somália. A erradicação da varíola, graças à vacina, é um dos grandes triunfos da medicina, hoje ameaçado pelo movimento antivacinas.

Cerca de 40% das notícias falsas e mentirosas sobre vacinas na América Latina têm origem no Brasil.

PRIMEIRA INTIFADA

    Em 1987, jovens palestinos começam na Faixa de Gaza a Primeira Intifada (revolta das pedradas) contra a ocupação de territórios árabes por Israel depois de um acidente em que um caminhão israelense bate numa caminhonete e mata quatro palestinos.

Quando Israel manda forças especiais para conter a violência, a revolta se propaga para a Cisjordânia. Os dois territórios estão sob ocupação israelense desde a Guerra dos Seis Dias (5 a 10 de junho de 1967).

Para fortalecer o movimento pela criação de uma pátria para o povo palestino, o rei Hussein, da Jordânia, abre mão da reivindicação de soberania sobre a Cisjordânia em julho de 1988.

Em 15 de novembro de 1988, no exílio na Tunísia, o líder da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Yasser Arafat, declara a independência da Palestina, denuncia o terrorismo e reconhece o Estado de Israel, tentando criar condições para negociações de paz.

As negociações começam na Conferência de Madri, em 30 e 31 de outubro de 1991, depois que Israel evita responder aos ataques do Iraque de Saddam Hussein durante a Guerra do Golfo, em 1991. Ganham impulso com as negociações secretas de Oslo, na Noruega, em 1993.

Em 13 de setembro de 1993, Arafat e o primeiro-ministro israelense, Yitzhak Rabin, apertam as mãos e assinam uma declaração de princípios nos jardins da Casa Branca. No ano seguinte, é criada a Autoridade Nacional Palestina. Arafat volta à Cisjordânia. Os palestinos assumem o controle sobre a Faixa de Gaza e a cidade histórica de Jericó.

O assassinato de Rabin por um extremista israelense, em 4 de novembro de 1995, em Telavive, e a ascensão de Benjamin Netanyahu desandam o processo da paz. A paz entre israelenses e palestinos é um sonho distante até hoje, mas a guerra contra o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), que nasce no dia seguinte, em 10 de dezembro de 1987, cria uma nova oportunidade.

WALESA PRESIDENTE

    Em 1990, o líder operário Lech Walesa, fundador do sindicato livre Solidariedade, se torna o primeiro presidente eleito diretamente da história da Polônia.

Walesa nasce em 29 de setembro de 1943 em Popowo, na Polônia ocupada pela Alemanha Nazista na Segunda Guerra Mundial (1939-45). Ele faz curso técnico e se torna eletricista. Trabalha como mecânico de automóveis de 1961 a 1965 e, depois de servir o Exército por dois anos, vai ser eletricista no Estaleiro Lenin, em Gdansk, em 12 de julho de 1967.

Nove anos depois, em 1976 é demitido como agitador. Em agosto de 1980, lidera uma greve que leva ao reconhecimento do sindicato livre Solidariedade pelo regime comunista polonês. 

Um golpe liderado pelo general Jociech Jaruzelski, em 13 de dezembro de 1981, recoloca o Solidariedade na ilegalidade. Em 1983, Walesa ganha o Prêmio Nobel da Paz.

Com a abertura polícia promovida a partir de 1985 pelo líder do Partido Comunista da União Soviética, Mikhail Gorbachev, o Solidariedade volta a ser legalizado em abril de 1989 e obtém uma ampla vitória nas primeiras eleições parlamentares livres no Bloco Soviético, em 4 e 18 de junho de 1989. 

Tadeusz Mazowiecki, aliado de Walesa, se torna primeiro-ministro e inicia as reformas liberalizantes para superar o regime comunista.

Na Presidência, Walesa se mostra menos hábil do que como líder sindical. Em 1995, perde a eleição presidencial para o ex-comunista Alexander Kwasniesk, da Aliança da Esquerda Democrática.

CHARLES E DIANA SE SEPARAM

    Em 1992, o primeiro-ministro britânico, John Major, anuncia a separação dos príncipes de Gales, Charles e Diana, depois de anos de uma guerrinha particular do casal travada através da imprensa sensacionalista do Reino Unido.

É o fim de um casamento de sonho, transmitido ao vivo da Catedral de São Paulo, em Londres, em 29 de julho de 1981, para 1 bilhão de telespectadores de 79 países. Diana faz teste de virgindade com ginecologista da rainha para casar. O primeiro filho, o príncipe William, nasce em 1982, e o segundo, o príncipe Harry, em 1984.

O casal real se divorcia em agosto de 1996. Lady Di morre em acidente de automóvel como uma cinderela cuja carruagem se esborracha em Paris, a cidade romântica por excelência, quando foge dos fotógrafos com o namorado egípcio, Dodi al-Fayed, em 31 de agosto de 1997. 

A tragédia da princesa do povo causa uma grande comoção no Reino Unido e obriga a família real a reconhecer sua importância para a monarquia.

EUA INTERVÊM NA SOMÁLIA

    Em 1992, por ordem do presidente George Herbert Walker Bush (1989-93), derrotado por Bill Clinton um mês antes, os fuzileiros navais dos Estados Unidos chegam a Mogadíscio, na Somália, numa missão para apoiar a ação humanitária das Nações Unidas no país assolado pela fome. A Somália está em estado de anarquia desde a queda do ditador Mohamed Siad Barre, em janeiro de 1991.

O país cai em guerra civil. Em pouco menos de dois anos, 50 mil pessoas morrem na guerra e outras 300 mil de fome. Os EUA intervêm com a Operação Restaurar a Esperança na expectativa de acabar com o flagelo da fome. 

A ajuda humanitária da ONU recomeça, mas as forças norte-americanas não conseguem controlar a ação dos senhores da guerra que disputam o poder na Somália. A violência continua e um ataque à missão da ONU mata 24 soldados do Paquistão.

Em reação, a ONU ordena a captura do general Mohamed Farah Aidid, o senhor da guerra que controla a região de Mogadíscio, a capital somaliana. Mas as forças dos EUA, já no governo Bill Clinton (1993-2001), estão lá para proteger a ajuda humanitária. Não têm equipamento nem contingente para grandes ações militares.

Durante uma tentativa de prender Aidid, em 3 de outubro de 1993, os rebeldes somalianos derrubam dois helicópteros de combate Falcão Negro e matam 18 soldados norte-americanos. Alguns são arrastados pelas ruas de Mogadíscio, numa humilhação para os EUA, que se retiram da Somália. A Batalha de Mogadíscio é encenada no filme Falcão Negro em Perigo.

Esta humilhação leva ao que Clinton considera o maior erro de política externa de seu governo. Os EUA não intervêm em Ruanda para impedir o genocídio da minoria tútsi. De 7 de abril a 15 de julho de 1994, cerca de 800 mil pessoas morrem neste pequeno país do Centro da África, no último genocídio do trágico século 20.

A maioria hutu, inclusive a milícia Interahamwe, responsável pelo genocídio, foge para o Zaire, onde entra em choque com os baniamulengue, da mesmo etnia dos tútsis, desestabilizando o país vizinho. Este conflito dura até hoje.

Isto leva o guerrilheiro Laurent Kabila, que lutou nos anos 1960 no Congo com Ernesto Che Guevara, que o considerava bêbado e mulherengo, incapaz de liderar uma revolução, a deixar seu refúgio. Kabila sai das Montanhas da Lua para marchar até Kinshasa, derrubar o ditador Joseph Mobutu, em 1997, e mudar o nome do país para República Democrática do Congo.

A queda de Mobutu deflagra a Primeira Grande Guerra Mundial Africana (1997-2002), travada por nove países e pelo menos 25 grupos armados irregulares, com um total de mortes estimado em 5,4 milhões, em combate, de fome e de doenças. É o maior conflito armado do mundo depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

RÚSSIA DOPADA

    Em 2016, a Agência Mundial Antidoping (WADA) acusa a Rússia de dopagem sistemática de mais de mil atletas numa "conspiração institucional" para fraudar competições esportivas internacionais, inclusive as olimpíadas.

Um segundo relatório da WADA implica o Ministério dos Esportes e o Serviço Federal de Segurança (FSB) da Rússia, sucessor da temida polícia política soviética (KGB), do qual o ditador Vladimir Putin foi diretor-geral antes de se tornar primeiro-ministro e presidente.

A Rússia é suspensa de competições internacionais por quatro anos em 2019, pena depois reduzida para dois anos. Na Olimpíada de Tóquio, os atletas russos competem seu seus uniformes, sem bandeira e sem hino nacional. O país é proibido de competir de novo na Olimpíada de 2024, em Paris.

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sábado, 6 de setembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 6 de Setembro

 FROTA DE MAGALHÃES TERMINA VOLTA AO MUNDO

    Em 1522, Victoria, o último navio da frota de Fernão de Magalhães chega a Sanlúcar de Barrameda, na Espanha, sob o comando de Juan Sebastián Elcano, com 18 homens a bordo completando a primeira viagem de circunavegação da Terra, a serviço da coroa espanhola.

O objetivo de Magalhães não é dar a volta ao mundo. Quer descobrir um caminho marítimo para as Ilhas Molucas ou Ilhas das Especiarias, hoje parte da Indonésia, encontrar o caminho das Índias pelo oeste como quis Cristóvão Colombo. Portugal domina a rota pelo Sul da África, pelo Cabo da Boa Esperança.

Magalhães estuda vários mapas e decide apostar numa passagem pelo sul da América do Sul para chegar ao Oceano Pacífico, descoberto por Vasco Núñez Balboa em 25 de setembro de 1513, ao atravessar o Istmo do Panamá.

O rei Dom Manuel I, o Venturoso, de Portugal, rejeita o projeto. Como domina a rota pela África, não se interessa, mas o rei Carlos I, da Espanha, Carlos V do Sacro Império Romano-Germânico, provavelmente o homem mais poderoso do mundo no seu tempo, decide patrocinar a empreitada.

A frota de cinco navios com 250 homens a bordo zarpa de Sanlúcar de Barrameda em 20 de setembro de 1519. Magalhães comanda Trinidad, a nau-capitânia. Sai da Espanha rumo as Ilhas Canárias e passa pelo Arquipélago de Cabo Verde antes de cruzar o Oceano Atlântico e chegar ao Rio de Janeiro em dezembro de 1519.

Daí em diante, a situação piora. A primeira viagem de circunavegação do planeta é um ato heroico, um inferno de doenças, fome e violência, observa o historiador britânico Jerry Brotton. 

Magalhães fica meses explorando a costa da América do Sul em busca de uma passagem para o Pacífico sem sucesso. A expedição enfrenta um inverno rigoroso, os marinheiros passam fome e frio. As rações diminuem. Um navio naufraga em meio a uma tempestade e o maior, San Antonio, que tem mais comida, deserta e volta para a Espanha.

Entre motins, rebeliões, fome e sede, a expedição perde muitos homens nos primeiros seis meses. Em 28 de novembro de 1520, Magalhães atravessa o estreito batizado em seu nome. Chega ao oceano que chama de Pacífico porque suas águas parecem mais tranquilas, talvez por causa do fenômeno El Niño, enquanto o Atlântico é conhecido como Mar Tenebroso.

Mas os primeiros europeus a singrar aqueles mares não tem noção do tamanho do Pacífico, que cobre um terço da superfície do planeta, quase duas vezes o tamanho do Atlântico. Mapas errados e erros de cálculo transformam o trecho da viagem até as Molucas num pesadelo de mais de 100 dias de fome, escorbuto e mortes, comenta Braulio Vázquez, arquivista do Arquivo Geral das Índias, em Sevilha, na Espanha..

"Durante três meses e 20 dias, não conseguimos comida fresca", conta Antonio Pigaffeta em seu relato da viagem. "Comíamos bolo, embora não fosse bolo, mas poeira misturada com minhocas e o que restava cheirava a urina de rato.

"Bebíamos água amarela, que estava podre, por muitos dias. Também comemos algumas peles de boi que cobriam a parte superior do pátio principal."

Quando se dá conta do tamanho do Pacífico, Magalhães percebe que as Molucas não estão na metade da Terra destinada à Espanha pelo Tratado de Tordesilhas com Portugal, em 1494, aprovado pelo papa Alexandre VI. Vai então para as Filipinas, onde faz contato com os chefes locais e vê que têm ouro.

Magalhães não completa a viagem. Tenta fazer uma política de alianças com os chefes. O rei da iIha de Mactán, na região de Cebu, nas Filipinas, não aceita. Magalhães e 40 espanhóis decidem invadir a ilha e enfrentam uma reação violenta. Ele morre em 27 de abril de 1521 nem Mactán. 

Com a morte, Juan Sebastián Elcano assume o comando da frota, que chega às Ilhas Molucas, objetivo inicial da viagem, em 20 de novembro de 1521. Como acreditam não estar na parte espanhola do Tratado de Tordesilhas, carregam às pressas os dois últimos navios e tentam voltar à Espanha.

A dúvida é que caminho seguir. Trinidad, o navio comandado por Magalhães escolhe a rota pelo Pacífico. É capturado por navios portugueses. O navio Victoria, de Elcano, toma o caminho do Oceano Índico e contorna o Cabo da Boa Esperança, que os marujos chamam pelo nome antigo, Cabo das Tormentas. Do Timor até as Ilhas de Cabo Verde, eles não chegam a terra,

São obrigados a atracar em Cabo Verde, uma possessão portuguesa. Treze tripulantes são presos. Dos 250 marinheiros, só 18 voltam à Espanha quase três anos depois com apenas um navio.

PRESIDENTE ASSASSINADO

    Em 1901, o anarquista Leon Czolgozn atira no presidente norte-americano William McKinley (1897-1901) na Exposição Pan-Americana, realizada em Buffalo, no estado de Nova York. McKinley morre oito dias depois.

McKinley é o último presidente a lutar na Guerra da Secessão. Vai de soldado a major no Exército da União (Norte). 

No poder, leva os Estados Unidos à vitória na Guerra Hispano-Americana (1898), um golpe final no Império Espanhol, com a independência de Cuba, a colonização das Filipinas e a ocupação de Porto Rico, que hoje tem status de "Estado livre associado aos EUA", não é independente. Em 1898, os EUA também anexam a República do Havaí.

É uma época de grande crescimento econômico. Os EUA se tornam no fim do século 19 na maior economia do mundo ultrapassando o Reino Unido. Em 1900, McKinley introduz o padrão-ouro para controlar a inflação e consegue se reeleger.

Na época, é o terceiro presidente dos EUA assassinado no exercício do cargo, depois da Abraham Lincoln por John Wilkes Booth (1865) e James Garfield por Charles Guiteau (1881). John Kennedy seria morto por Lee Oswald em 22 de novembro de 1963, em Dallas, no Texas. Com a morte de McKinley, assume a Presidência o vice-presidente Theodore Roosevelt, considerado um dos presidentes mais importantes da história dos EUA, pai do imperalismo norte-americano.

PRIMEIRO TANQUE DE GUERRA

    Em 1915, um protótipo de tanque de guerra chamado Little Willie sai da linha de montagem na Inglaterra. Não é um sucesso no primeiro momento.


Ele pesa 14 toneladas, para nas trincheiras e se arrasta sobre terreno acidentado a uma velocidade de 2 km/h, mas o tanque de guerra evolui e se torna um elemento decisivo do campo de batalha.

O tanque é desenvolvido em resposta à guerra de trincheiras que marca a Primeira Guerra Mundial (1914-18). Entra em combate na Batalha do Somme, em 15 de setembro de 1916. 

Na Segunda Guerra Mundial (1939-45), o tanque exerce um papel dominante no campo de batalha. É um elemento central na blitzkrieg, a guerra-relâmpago em alta velocidade da Alemanha Nazista, com aviação e tanques de alta velocidade para romper as linhas de defesa do inimigo.

Depois da Batalha de Stalingrado (1942-43), talvez a mais importante da história, e da Batalha de Kursk, a maior batalha de tanques da história, com 7.360 tanques soviéticos e 3.253 tanques alemães, o Exército Vermelho da União Soviética inicia uma contraofensiva que termina em Berlim com a vitória sobre o Nazifascismo, em 8 de maio de 1945.

ALEMANHA LANÇA BOMBA V-2

    Em 1944, a Alemanha Nazista dispara pela primeira o míssil V-2, uma bomba voadora, contra um alvo aliado, na Segunda Guerra Mundial (1939-45).

O foguete ou bomba voadora V-2 (Vergeltungswaffen-2 ou Bomba da Vingança-2) é um míssil balístico desenvolvido pelo cientista alemão Werner von Braun. Tem 14 metros de comprimento, pesa cerca de 13 toneladas no lançamento, viaja a até 80 quilômetros de altitude e tem um alcance de 320 km.

Paris é o primeiro alvo. Dois dias depois, as V-2 são lançadas contra Antuérpia e Liège, na Bélgica. Londres é impiedosamento bombardeada, 1.358 vezes, atrás apenas de Antuérpia com 1.610. Em 20 de junho de 1944, a V-2 atinge uma altitude de 175 km. É o primeiro foguete a atingir o espaço.

Mais de 3 mil mísseis V-2 são disparados até o fim da guerra e matam cerca de 9 mil pessoas. O último ataque é ao Reino Unido em 27 de março de 1945. Pelo menos 10 mil presos em campos de concentração de Mittelbau-Dora morrem em trabalhos forçados para fabricar as bombas voadoras na fábrica subterrânea de Mittelwerk. 

CRIADOR DO APARTHEID MORRE

    Em 1966, o primeiro-ministro da África do Sul Hendrik Verwoerd, que cria e implementa o regime segregacionista do apartheid, é esfaqueado mortalmente por um funcionário temporário do Parlamento considerado insano.

Wervoerd nasce em Amsterdã, na Holanda, em 8 de setembro de 1901. Quando tem dois anos, a família emigra para a África do Sul. Fica um tempo na Rodésia do Sul e depois volta para o Estado Livre de Orange, então parte da União Sul-Africana, um reino sob a coroa britânica.

Aluno brilhante da Universidade de Stellenbosch, se forma em psicologia e faz doutorado em sociologia na África do Sul. Vai para universidades alemãs em Hamburgo, Berlim e Leipzig. De volta ao país, em 1937, é contratado como editor-chefe de um jornal diário africâner, Die Transvaler, de Joanesburgo, no Transval, terra do ouro na África do Sul, uma grande riqueza do país, desde o século 19.

Deixa o jornal com a vitória do Partido Nacional nas eleições só para brancos de 1948, quando se elege senador. Em 1950, se torna ministros dos Assuntos Nativos e passa a criar a doutrina do "desenvolvimento separado" mais conhecida como apartheid por segregar a maioria negra e aplicá-la em todos os aspectos da vida sul-africana.

Em 31 de maio de 1961, Wervoerd proclama a República Sul-Africana, rompendo o último vínculo do país com o Império Britânico.

Alvo de dois atentados, a tiros em 16 de abril de 1960, em Joanesburgo, e o fatal em com facadas na Assembleia Nacional por Dimitri Tsafendas, um imigrante moçambicano revoltado com as políticas do apartheid que trabalha como carteiro temporariamente no parlamento e é declarado insano, mas cumpre a maior pena da história da África do Sul.

O apartheid só acaba em abril e maio de 1994, com a vitória do Congresso Nacional Africano (CNA) e do líder histórico da luta contra a segregação, Nelson Mandela.

NAVRATILOVA PEDE ASILO

    Em 1975, a tenista tcheco-eslovaca Martina Navratilova, uma das maiores jogadoras da história, pede asilo político aos Estados Unidos.

Martina nasce em Praga em 18 de outubro de 1956, capital da Tcheco-Eslováquia, na época sob um rígido regime comunista de inspiração stalinista, e se torna a tenista mais vencedora da história, com 167 títulos, 18 grand-slams de simples, um recorde 31 de duplas femininas e 10 de duplas mistas.

Depois de perder a final do Torneio Aberto dos EUA de 1975 para sua amiga e rival Chris Evert, Navratilova pede asilo político. Em 1981, depois de ter a cidadania cassada pelo regime comunista, ela se torna cidadã norte-americana.

Lésbica assumida, é uma voz importante na luta pelos direitos da comunidade LGBTQIAP+.

FUNERAL DA PRINCESA

    Em 1997, poucos dias depois de sua morte, o funeral da princesa Diana, com discurso do irmão, Conde Charles Spencer, contra a família real britânica e participação do cantor e compositor Elton John, um amigo da princesa, na Abadia de Westminster, é uma cerimônia assistida na televisão por 2,5 bilhões de pessoas no mundo inteiro.

A princesa seduz o mundo com sua beleza e sensibilidade um tanto estranha para a família real do Reino Unido. O casamento de contos de fadas na Catedral de São Paulo, em 28 de julho de 1981, ela casa virgem, vira um pesadelo na vida real. Lady Di se sente uma prisioneira de palácios frios onde tem de obedecer a uma disciplina rígida.

Com a crise do casamento, a princesa arruma outros namorados, seu instrutor de equitação, um médico paquistanês e o playboy egípcio Dodi al-Fayed, filho do dono da loja de departamentos Harrod's, uma das melhores do Reino Unido.

A princesa morre como uma cinderela moderna, com sua carruagem virando abóbora na noite de Paris, a cidade mais romântica do mundo, como vê a crítica literária e intelectual norte-americana Camille Paglia.

Dodi pressiona o motorista e segurança Henry Paul, que está de folga e bebeu muito antes, a correr em seu Mercedes-Benz W140 para fugir dos paparazzi, os fotógrafos que perseguiam a princesa em busca de fotos exclusivas. Ele perde o controle do carro e bate em alta velocidade. É considerado o único responsável pelo acidente. Só o segurança da princesa sobrevive.

Diana e Charles se separam em 1992 e formalizam o divórcio em 1996. Então, quando morre, em 31 de agosto de 1997, Diana não tem mais nenhum vínculo legal com a família real britânica. Em nome da tradição, a rainha Elizabeth II e o príncipe Philip não querem lhe dar um enterro com as honras da monarquia.

A comoção popular é enorme. "Ela era o princesa do povo", declara o primeiro-ministro Tony Blair, consagrando a expressão criada por seu assessor de imprensa, Alastair Campbell. O primeiro-ministro e o então príncipe Charles, hoje rei Charles III, tentam convencer a rainha, que está no Castelo Balmoral, na Escócia, em férias de verão. 

Milhares de pessoas. depositam flores, brinquedos e fotos de Diana nas grades do Palácio de Buckingham, em Londres, A população e os jornais populares esperam uma palavra do trono que só vem quando a rainha autoriza que o funeral seja realizado na Abadia de Westminster com todas as honras da famílias real. Como estrela da mídia Diana mudou a monarquia, trazendo-a para a realidade do fim de século. A mulher de seu filho William, herdeiro do trono, a princesa Kate Middleton, não casou virgem.