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sexta-feira, 8 de maio de 2026

Hoje na História do Mundo: 8 de Maio

BATALHA DO MAR DE CORAL

    Em 1942, o Lexington é o primeiro porta-aviões norte-americano a ir a pique durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), mas os Estados Unidos vencem o Japão na Batalha do Mar de Coral.

No fim de abril de 1942, o Império do Japão avança para assumir o controle do Mar de Coral, que fica entre a Austrália e a Nova Caledônia. O plano é instalar bases em Porto Moresby, na Nova Guiné, e em Tulagi, nas Ilhas Salomão.

A inteligência ocidental descobre a manobra e mobiliza todas as forças aeronavais disponíveis na área. Quando os japoneses desembarcam em Tulagi, em 3 de maio, aviões de uma força-tarefa de porta-aviões dos EUA sob o comando do contra-almirante Frank Fletcher bombardeiam os invasores. Afundam um contratorpedeiro, navios caça-minas e barcaças para assalto anfíbio.

Em 7 de maio, caças japoneses baseados em porta-aviões põem a pique um contratorpedeiro e um navio-tanque dos EUA. A força-tarefa de Fletcher afunda o pequeno porta-aviões Shoho e um cruzador. No dia 8 de maio, os aviões japoneses afundam o porta-aviões Lexington e danificam o Yorktown, enquanto o maior porta-aviões do Japão, o Shokaku, é retirado de combate.

O Japão perde tantos aviões que a força invasora de Porto Moresby, na Nova Guiné, fica sem cobertura aérea e é obrigada a se retirar. É uma vitória estratégica dos aliados.

É uma batalha aeronaval, na observação almirante norte-americano Ernest King, "a primeira grande batalha naval da história em que os navios na superfície não disparam um tiro." A guerra de porta-aviões é uma característica da Guerra do Pacífico.

DIA DA VITÓRIA NA EUROPA

    Em 1945, o Exército Vermelho vence a Batalha de Berlim e crava a bandeira da União Soviética no Reichstag enquanto os aliados ocidentais avançam pelo oeste, e a Alemanha Nazista se rende incondicionalmente acabando com a Segunda Guerra Mundial (1939-45) na Europa.

A guerra começa em 1º de setembro de 1939, quando a Alemanha de Adolf Hitler invade a Polônia, dias depois de firmar o Pacto Germano-Soviético, um acordo de não agressão com a União Soviética de Josef Stalin.

Antes, o Japão invade a Manchúria em 1931 e o Leste da China em 1937, a Itália ocupa a Etiópia em 1935 e a Alemanha anexa a Áustria em 1938 e a Tcheco-Eslováquia em 1938-9, sem que a Liga das Nações tome qualquer medida.

A Alemanha, aliada à Itália de Benito Mussolini, conquista o Norte da África e a Europa Ocidental. A França se rende em junho de 1940. A rendição é assinada no mesmo vagão onde a Alemanha capitula na Primeira Guerra Mundial (1914-18). Hitler faz questão de demonstrar que uma guerra era a continuação da outra.

Com a derrota na Batalha da Inglaterra, uma batalha aérea travada de julho a outubro de 1940, a Alemanha não consegue invadir o Reino Unido, que resiste. É sede dos governos da França e da Polônia no exílio.

Em 22 de junho de 1941, a Alemanha rompe o pacto de não agressão e invade a URSS em três frentes: rumo a São Petersburgo, no Norte; rumo a Moscou, no Centro; e rumo à Ucrânia, no Sul. Perde a Batalha de Moscou, que vai de 2 de outubro de 1941 a 7 de janeiro de 1942.

No Sul, os nazistas avançam até a Batalha de Stalingrado, talvez a mais importante da história, travada de 23 de agosto de 1942 a 2 de fevereiro de 1943, com quase 2 milhões de mortes. De Stalingrado, o Exército Vermelho inicia a contraofensiva rumo a Berlim.

Os EUA entram na guerra com o ataque do Império do Japão à Frota do Pacífico, baseada em Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941, e apoiam ao esforço aliado, inclusive dando apoio logístico à URSS através do Irã durante a Batalha de Stalingrado.

A vitória do Exército Real britânico na Batalha de El-Alamein, no Egito, em 3 de novembro de 1942, sobre o poderoso Afrika Korps, ajuda a mudar o rumo da guerra. O primeiro-ministro britânico, Winston Churchill, comenta: "Este não é o fim, nem o começo do fim, mas é talvez o fim do começo."

Anos depois, Churchill escreve: "Antes de El-Alamein, nunca tivemos uma vitória; depois de El-Alamein, nunca tivemos uma derrota."

Os aliados ocidentais invadem a Itália em 3 de setembro de 1943 e a Normandia, no Norte da França, em 6 de junho de 1944. Paris é libertada em 25 de agosto. Eles avançam e ocupam o Oeste da Alemanha, que depois da guerra se torna Alemanha Ocidental, enquanto os soviéticos ocupam o Leste, a futura Alemanha Oriental, e libertam, no caminho sobreviventes de campos de concentração como Auschwitz-Birkenau, em 27 de janeiro de 1945.

Mussolini é executado em 28 de abril de 1945 pelos guerrilheiros comunistas da resistência Italiana. Hitler se suicida em 30 de abril.

A Alemanha assina a rendição aos aliados ocidentais em 7 de maio em Reims, na França. Ela entra em vigor no dia seguinte. A URSS faz questão de negociar outro documento, assinado em Moscou em 8 de maio. Por isso, a URSS e agora a Rússia festejam o fim da guerra na Europa em 9 de maio.

A Segunda Guerra Mundial termina com a rendição do Japão, anunciada pelo imperador Hiroíto em 15 de agosto de 1945, depois do país ser alvo das bombas atômicas de Hiroxima, em 6 de agosto, e Nagasaki, em 9 de agosto. O Japão se rende oficialmente em 2 de setembro.

DEIXA ESTAR

    Em 1970, um mês depois de Paul McCartney anunciar o fim da banda, The Beatles lançam seu último álbum, Let it be.

Let it be é gravado no início de 1969, antes de Abbey Road, que é lançado antes, no fim de 1969. Há um filme documentando a gravação. 

A música-título do álbum sai como compacto simples em 6 de março de 1970. Escrita e cantada por Paul McCartney, é uma busca de esperança em meio à resignação, é sobre aceitar uma realidade que se impõe e deixar a vida correr.

VARÍOLA ERRADICADA

    Em 1980, depois de uma campanha de vacinação global, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declara que a varíola está erradicada depois de séculos. É uma das piores doenças infecto-contagiosas agudas. Matava 30% dos doentes.

A varíola é uma doença infecciosa aguda. Começa com febre alta, dor de cabeça e dor nas costas. Provoca erupções de pele no rosto e no corpo. Os sobreviventes não correm risco de ter a doença, mas podem sofrer com sequelas para toda a vida, de marcas na pele até a cegueira.

É uma das primeiras doenças controladas por vacinas. As primeiras experiências são feitas pelo médico inglês Edward Jenner em 1796.

A OMS lança o programa global de vacinação contra a varíola em 1967. Em 1980, declara a doença erradicada. O vírus não circula mais na natureza. Só existe em laboratórios nos EUA e na Rússia. Como a varíola está erradicada, não há mais necessidade de campanhas de vacinação em massa.

Hoje em dia, a erradicação de doenças está ameaçada pela insanidade dos movimentos antivacina.

PAPA NORTE-AMERICANO

    Em 2025, o cardeal Robert Francis Prevost é o primeiro norte-americano a ser eleito papa e adota o nome de Leão XIV, numa homenagem a Leão XIII, pioneiro da doutrina social da Igreja Católica. Ele substitui o papa Francisco, falecido no mês anterior.

O papa Leão XIII é conhecido por lançar a doutrina social da Igreja Católica com a encíclica Rerum Novarum, publicada em 15 de maio de 1891, sobre as condições sociais dos trabalhadores e em defesa dos sindicatos. O chamado socialismo cristão é uma reação à difusão do socialismo e do comunismo na Europa.

O conclave de 2025 é o maior e o mais diverso da história, com 133 cardeais eleitores, dos quais mais de 40 de países que nunca haviam participado como o Haiti, Bangladesh, Mianmar e a Malásia. Como nas eleições dos papas Francisco e Bento XVI, a escolha sai no segundo dia de votação, com a fumaça branca escapando da chaminé instalada na Capela Sistina.

A votação mais longa durou mais de mil dias, de 1268 até 1271, quando foi eleito o papa Gregório X. A longa vacância do trono de São Pedro levou à criação do conclave, em que os cardeais ficam isolados para afastar influências externas.

Prevost, de 70 anos, nasce em Chicago em 14 de setembro de 1955 numa família de origem francesa, italiana e espanhola. De 1985 a 1999, é missionário no Peru e se naturaliza peruano. Assim, tem dupla nacionalidade e uma forte ligação com a América Latina. 

Aos 27 anos, vai para Roma estudar Direito Canônico. É um cardeal da Cúria Romana, visto como uma alternativa "equilibrada" entre os setores conservador e progressista da Igreja. Era prefeito do Dicastério para os Bispos, a órgão que supervisiona a indicação dos bispos, e presidente da Pontifícia Comissão para a América Latina. Também foi líder de sua ordem, dos agostinianos.

Pode ser também mais uma reação às políticas do presidente Donald Trump. O novo papa criticou os ataques de Trump e do vice-presidente James David Vance aos imigrantes.

No seu primeiro pronunciamento, Leão XIV elogia o trabalho de Francisco. Em 2023, Prevost é acusado por três religiosas peruanas de acobertar dois agostinianos denunciados por elas de abusos sexuais. A Diocese de Chiclayo o defende alegando que Prevost levou o caso para Roma e aconselhou as mulheres a recorrer às autoridades civis. O fim do processo canônico seria resultado do arquivamento do processo na Justiça do Peru por prescrição do prazo de punibilidade, já que os abusos teriam acontecido nas décadas de 1980 e 1990.

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terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 9 de Dezembro

 VARÍOLA ERRADICADA

    Em 1979, uma comissão internacional de cientistas declara que a varíola, uma doença com 30% de risco de vida, está erradicada. Agora, pode voltar por causa da insanidade e irracionalidade do movimento antivacinas.

A varíola é uma praga para a humanidade há milênios. O faraó Ramsés V, do Egito, teria morrido de varíola em 1145 antes de Cristo. 

O conquistador espanhol Hernán Cortez toma Tenochtitlán, a capital do Império Asteca, em 13 de agosto de 1521, em meio a uma epidemia de varíola que atinge sobretudo os índios, que acreditam que o Deus dos espanhóis é superior ao deles, que não os protege.

O vírus atual, que seria de 1580, é combatido na China no século 16 com a inoculação de pequenas quantidades para causar casos leves capazes de gerar imunidade, um precursor das vacinas.

No fim do século 18, quando a varíola é uma das principais causas de mortes na Europa, o cientista inglês Edward Jenner, cria a vacina em 1796. Muitos países europeus tornam a vacinação obrigatória e a varíola declina nos séculos 19 e 20.

A partir de 1967, a Organização Mundial da Saúde (OMS) faz campanha para atacar os últimos focos da doença. O último caso é diagnosticado em 1977 na Somália. A erradicação da varíola, graças à vacina, é um dos grandes triunfos da medicina, hoje ameaçado pelo movimento antivacinas.

Cerca de 40% das notícias falsas e mentirosas sobre vacinas na América Latina têm origem no Brasil.

PRIMEIRA INTIFADA

    Em 1987, jovens palestinos começam na Faixa de Gaza a Primeira Intifada (revolta das pedradas) contra a ocupação de territórios árabes por Israel depois de um acidente em que um caminhão israelense bate numa caminhonete e mata quatro palestinos.

Quando Israel manda forças especiais para conter a violência, a revolta se propaga para a Cisjordânia. Os dois territórios estão sob ocupação israelense desde a Guerra dos Seis Dias (5 a 10 de junho de 1967).

Para fortalecer o movimento pela criação de uma pátria para o povo palestino, o rei Hussein, da Jordânia, abre mão da reivindicação de soberania sobre a Cisjordânia em julho de 1988.

Em 15 de novembro de 1988, no exílio na Tunísia, o líder da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Yasser Arafat, declara a independência da Palestina, denuncia o terrorismo e reconhece o Estado de Israel, tentando criar condições para negociações de paz.

As negociações começam na Conferência de Madri, em 30 e 31 de outubro de 1991, depois que Israel evita responder aos ataques do Iraque de Saddam Hussein durante a Guerra do Golfo, em 1991. Ganham impulso com as negociações secretas de Oslo, na Noruega, em 1993.

Em 13 de setembro de 1993, Arafat e o primeiro-ministro israelense, Yitzhak Rabin, apertam as mãos e assinam uma declaração de princípios nos jardins da Casa Branca. No ano seguinte, é criada a Autoridade Nacional Palestina. Arafat volta à Cisjordânia. Os palestinos assumem o controle sobre a Faixa de Gaza e a cidade histórica de Jericó.

O assassinato de Rabin por um extremista israelense, em 4 de novembro de 1995, em Telavive, e a ascensão de Benjamin Netanyahu desandam o processo da paz. A paz entre israelenses e palestinos é um sonho distante até hoje, mas a guerra contra o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), que nasce no dia seguinte, em 10 de dezembro de 1987, cria uma nova oportunidade.

WALESA PRESIDENTE

    Em 1990, o líder operário Lech Walesa, fundador do sindicato livre Solidariedade, se torna o primeiro presidente eleito diretamente da história da Polônia.

Walesa nasce em 29 de setembro de 1943 em Popowo, na Polônia ocupada pela Alemanha Nazista na Segunda Guerra Mundial (1939-45). Ele faz curso técnico e se torna eletricista. Trabalha como mecânico de automóveis de 1961 a 1965 e, depois de servir o Exército por dois anos, vai ser eletricista no Estaleiro Lenin, em Gdansk, em 12 de julho de 1967.

Nove anos depois, em 1976 é demitido como agitador. Em agosto de 1980, lidera uma greve que leva ao reconhecimento do sindicato livre Solidariedade pelo regime comunista polonês. 

Um golpe liderado pelo general Jociech Jaruzelski, em 13 de dezembro de 1981, recoloca o Solidariedade na ilegalidade. Em 1983, Walesa ganha o Prêmio Nobel da Paz.

Com a abertura polícia promovida a partir de 1985 pelo líder do Partido Comunista da União Soviética, Mikhail Gorbachev, o Solidariedade volta a ser legalizado em abril de 1989 e obtém uma ampla vitória nas primeiras eleições parlamentares livres no Bloco Soviético, em 4 e 18 de junho de 1989. 

Tadeusz Mazowiecki, aliado de Walesa, se torna primeiro-ministro e inicia as reformas liberalizantes para superar o regime comunista.

Na Presidência, Walesa se mostra menos hábil do que como líder sindical. Em 1995, perde a eleição presidencial para o ex-comunista Alexander Kwasniesk, da Aliança da Esquerda Democrática.

CHARLES E DIANA SE SEPARAM

    Em 1992, o primeiro-ministro britânico, John Major, anuncia a separação dos príncipes de Gales, Charles e Diana, depois de anos de uma guerrinha particular do casal travada através da imprensa sensacionalista do Reino Unido.

É o fim de um casamento de sonho, transmitido ao vivo da Catedral de São Paulo, em Londres, em 29 de julho de 1981, para 1 bilhão de telespectadores de 79 países. Diana faz teste de virgindade com ginecologista da rainha para casar. O primeiro filho, o príncipe William, nasce em 1982, e o segundo, o príncipe Harry, em 1984.

O casal real se divorcia em agosto de 1996. Lady Di morre em acidente de automóvel como uma cinderela cuja carruagem se esborracha em Paris, a cidade romântica por excelência, quando foge dos fotógrafos com o namorado egípcio, Dodi al-Fayed, em 31 de agosto de 1997. 

A tragédia da princesa do povo causa uma grande comoção no Reino Unido e obriga a família real a reconhecer sua importância para a monarquia.

EUA INTERVÊM NA SOMÁLIA

    Em 1992, por ordem do presidente George Herbert Walker Bush (1989-93), derrotado por Bill Clinton um mês antes, os fuzileiros navais dos Estados Unidos chegam a Mogadíscio, na Somália, numa missão para apoiar a ação humanitária das Nações Unidas no país assolado pela fome. A Somália está em estado de anarquia desde a queda do ditador Mohamed Siad Barre, em janeiro de 1991.

O país cai em guerra civil. Em pouco menos de dois anos, 50 mil pessoas morrem na guerra e outras 300 mil de fome. Os EUA intervêm com a Operação Restaurar a Esperança na expectativa de acabar com o flagelo da fome. 

A ajuda humanitária da ONU recomeça, mas as forças norte-americanas não conseguem controlar a ação dos senhores da guerra que disputam o poder na Somália. A violência continua e um ataque à missão da ONU mata 24 soldados do Paquistão.

Em reação, a ONU ordena a captura do general Mohamed Farah Aidid, o senhor da guerra que controla a região de Mogadíscio, a capital somaliana. Mas as forças dos EUA, já no governo Bill Clinton (1993-2001), estão lá para proteger a ajuda humanitária. Não têm equipamento nem contingente para grandes ações militares.

Durante uma tentativa de prender Aidid, em 3 de outubro de 1993, os rebeldes somalianos derrubam dois helicópteros de combate Falcão Negro e matam 18 soldados norte-americanos. Alguns são arrastados pelas ruas de Mogadíscio, numa humilhação para os EUA, que se retiram da Somália. A Batalha de Mogadíscio é encenada no filme Falcão Negro em Perigo.

Esta humilhação leva ao que Clinton considera o maior erro de política externa de seu governo. Os EUA não intervêm em Ruanda para impedir o genocídio da minoria tútsi. De 7 de abril a 15 de julho de 1994, cerca de 800 mil pessoas morrem neste pequeno país do Centro da África, no último genocídio do trágico século 20.

A maioria hutu, inclusive a milícia Interahamwe, responsável pelo genocídio, foge para o Zaire, onde entra em choque com os baniamulengue, da mesmo etnia dos tútsis, desestabilizando o país vizinho. Este conflito dura até hoje.

Isto leva o guerrilheiro Laurent Kabila, que lutou nos anos 1960 no Congo com Ernesto Che Guevara, que o considerava bêbado e mulherengo, incapaz de liderar uma revolução, a deixar seu refúgio. Kabila sai das Montanhas da Lua para marchar até Kinshasa, derrubar o ditador Joseph Mobutu, em 1997, e mudar o nome do país para República Democrática do Congo.

A queda de Mobutu deflagra a Primeira Grande Guerra Mundial Africana (1997-2002), travada por nove países e pelo menos 25 grupos armados irregulares, com um total de mortes estimado em 5,4 milhões, em combate, de fome e de doenças. É o maior conflito armado do mundo depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

RÚSSIA DOPADA

    Em 2016, a Agência Mundial Antidoping (WADA) acusa a Rússia de dopagem sistemática de mais de mil atletas numa "conspiração institucional" para fraudar competições esportivas internacionais, inclusive as olimpíadas.

Um segundo relatório da WADA implica o Ministério dos Esportes e o Serviço Federal de Segurança (FSB) da Rússia, sucessor da temida polícia política soviética (KGB), do qual o ditador Vladimir Putin foi diretor-geral antes de se tornar primeiro-ministro e presidente.

A Rússia é suspensa de competições internacionais por quatro anos em 2019, pena depois reduzida para dois anos. Na Olimpíada de Tóquio, os atletas russos competem seu seus uniformes, sem bandeira e sem hino nacional. O país é proibido de competir de novo na Olimpíada de 2024, em Paris.

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quinta-feira, 8 de maio de 2025

Hoje na História do Mundo: 8 de Maio

BATALHA DO MAR DE CORAL

    Em 1942, o Lexington é o primeiro porta-aviões norte-americano a ir a pique durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), mas os Estados Unidos vencem o Japão na Batalha do Mar de Coral.

No fim de abril de 1942, o Império do Japão avança para assumir o controle do Mar de Coral, que fica entre a Austrália e a Nova Caledônia. O plano é instalar bases em Porto Moresby, na Nova Guiné, e em Tulagi, nas Ilhas Salomão.

A inteligência ocidental descobre a manobra e mobiliza todas as forças aeronavais disponíveis na área. Quando os japoneses desembarcam em Tulagi, em 3 de maio, aviões de uma força-tarefa de porta-aviões dos EUA sob o comando do contra-almirante Frank Fletcher bombardeiam os invasores. Afundam um contratorpedeiro, navios caça-minas e barcaças para assalto anfíbio.

Em 7 de maio, caças japoneses baseados em porta-aviões põem a pique um contratorpedeiro e um navio-tanque dos EUA. A força-tarefa de Fletcher afunda o pequeno porta-aviões Shoho e um cruzador. No dia 8 de maio, os aviões japoneses afundam o porta-aviões Lexington e danificam o Yorktown, enquanto o maior porta-aviões do Japão, o Shokaku, é retirado de combate.

O Japão perde tantos aviões que a força invasora de Porto Moresby, na Nova Guiné, fica sem cobertura aérea e é obrigada a se retirar. É uma vitória estratégica dos aliados.

É uma batalha aeronaval, na observação almirante norte-americano Ernest King, "a primeira grande batalha naval da história em que os navios na superfície não disparam um tiro." A guerra de porta-aviões é uma característica da Guerra do Pacífico.

DIA DA VITÓRIA NA EUROPA

    Em 1945, o Exército Vermelho vence a Batalha de Berlim e crava a bandeira da União Soviética no Reichstag enquanto os aliados ocidentais avançam pelo oeste, e a Alemanha Nazista se rende incondicionalmente acabando com a Segunda Guerra Mundial (1939-45) na Europa.

A guerra começa em 1º de setembro de 1939, quando a Alemanha de Adolf Hitler invade a Polônia, dias depois de firmar o Pacto Germano-Soviético, um acordo de não agressão com a União Soviética de Josef Stalin.

Antes, o Japão invade a Manchúria em 1931 e o Leste da China em 1937, a Itália ocupa a Etiópia em 1935 e a Alemanha anexa a Áustria em 1938 e a Tcheco-Eslováquia em 1938-9, sem que a Liga das Nações tome qualquer medida.

A Alemanha, aliada à Itália de Benito Mussolini, conquista o Norte da África e a Europa Ocidental. A França se rende em junho de 1940. A rendição é assinada no mesmo vagão onde a Alemanha capitula na Primeira Guerra Mundial (1914-18). Hitler faz questão de demonstrar que uma guerra era a continuação da outra.

Com a derrota na Batalha da Inglaterra, uma batalha aérea travada de julho a outubro de 1940, a Alemanha não consegue invadir o Reino Unido, que resiste. É sede dos governos da França e da Polônia no exílio.

Em 22 de junho de 1941, a Alemanha rompe o pacto de não agressão e invade a URSS em três frentes: rumo a São Petersburgo, no Norte; rumo a Moscou, no Centro; e rumo à Ucrânia, no Sul. Perde a Batalha de Moscou, que vai de 2 de outubro de 1941 a 7 de janeiro de 1942.

No Sul, os nazistas avançaram até a Batalha de Stalingrado, talvez a mais importante da história, travada de 23 de agosto de 1942 a 3 de fevereiro de 1943, com quase 2 milhões de mortes. De Stalingrado, o Exército Vermelho inicia a contraofensiva rumo a Berlim.

Os EUA entram na guerra com o ataque do Império do Japão à Frota do Pacífico, baseada em Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941, e apoiam ao esforço aliado, inclusive dando apoio logístico à URSS através do Irã durante a Batalha de Stalingrado.

A vitória do Exército Real britânico na Batalha de El-Alamein, no Egito, em 3 de novembro de 1942, sobre o poderoso Afrika Korps, ajuda a mudar o rumo da guerra. O primeiro-ministro britânico, Winston Churchill, comenta: "Este não é o fim, nem o começo do fim, mas é talvez o fim do começo."

Anos depois, Churchill escreve: "Antes de El-Alamein, nunca tivemos uma vitória; depois de El-Alamein, nunca tivemos uma derrota."

Os aliados ocidentais invadem a Itália em 3 de setembro de 1943 e a Normandia, no Norte da França, em 6 de junho de 1944. Paris é libertada em 25 de agosto. Eles avançam e ocupam o Oeste da Alemanha, que depois da guerra se torna Alemanha Ocidental, enquanto os soviéticos ocupam o Leste, a futura Alemanha Oriental, e libertam, no caminho sobreviventes de campos de concentração como Auschwitz-Birkenau, em 27 de janeiro de 1945.

Mussolini é executado em 28 de abril de 1945 pelos guerrilheiros comunistas da resistência Italiana. Hitler se suicida em 30 de abril.

A Alemanha assina a rendição aos aliados ocidentais em 7 de maio em Reims, na França. Ela entra em vigor no dia seguinte. A URSS faz questão de negociar outro documento, assinado em Moscou em 8 de maio. Por isso, a URSS e agora a Rússia festejam o fim da guerra na Europa em 9 de maio.

A Segunda Guerra Mundial termina com a rendição do Japão, anunciada pelo imperador Hiroíto em 15 de agosto de 1945, depois do país ser alvo das bombas atômicas de Hiroxima, em 6 de agosto, e Nagasaki, em 9 de agosto. O Japão se rende oficialmente em 2 de setembro.

DEIXA ESTAR

    Em 1970, um mês depois de Paul McCartney anunciar o fim da banda, The Beatles lançam seu último álbum, Let it be.

Let it be é gravado no início de 1969, antes de Abbey Road, que é lançado antes, no fim de 1969. Há um filme documentando a gravação. 

A música-título do álbum sai como compacto simples em 6 de março de 1970. Escrita e cantada por Paul McCartney, é uma busca de esperança em meio à resignação, é sobre aceitar uma realidade que se impõe e deixar a vida correr.

VARÍOLA ERRADICADA

    Em 1980, depois de uma campanha de vacinação global, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declara que a varíola está erradicada depois de séculos. É uma das piores doenças infecto-contagiosas agudas. Matava 30% dos doentes.

A varíola é uma doença infecciosa aguda. Começa com febre alta, dor de cabeça e dor nas costas. Provoca erupções de pele no rosto e no corpo. Os sobreviventes não correm risco de ter a doença, mas podem sofrer com sequelas para toda a vida, de marcas na pele até a cegueira.

É uma das primeiras doenças controladas por vacinas. As primeiras experiências são feitas pelo médico inglês Edward Jenner em 1796.

A OMS lança o programa global de vacinação contra a varíola em 1967. Em 1980, declara a doença erradicada. O vírus não circula mais na natureza. Só existe em laboratórios nos EUA e na Rússia. Como a varíola está erradicada, não há mais necessidade de campanhas de vacinação em massa.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

Hoje na História do Mundo: 9 de Dezembro

 VARÍOLA ERRADICADA

    Em 1979, uma comissão internacional de cientistas declara que a varíola, uma doença com 30% de risco de vida, está erradicada. Agora, pode voltar por causa da insanidade e irracionalidade do movimento antivacinas.

A varíola é uma praga para a humanidade há milênios. O faraó Ramsés V, do Egito, teria morrido de varíola em 1145 antes de Cristo. 

O conquistador espanhol Hernán Cortez toma Tenochtitlán, a capital do Império Asteca, em 13 de agosto de 1521, em meio a uma epidemia de varíola que atinge sobretudo os índios, que acreditam que o Deus dos espanhóis é superior ao deles, que não os protege.

O vírus atual, que seria de 1580, é combatido na China no século 16 com a inoculação de pequenas quantidades para causar casos leves capazes de gerar imunidade, um precursor das vacinas.

No fim do século 18, quando a varíola é uma das principais causas de mortes na Europa, o cientista inglês Edward Jenner, cria a vacina em 1796. Muitos países europeus tornam a vacinação obrigatória e a varíola declina nos séculos 19 e 20.

A partir de 1967, a Organização Mundial da Saúde (OMS) faz campanha para atacar os últimos focos da doença. O último caso é diagnosticado em 1977 na Somália. A erradicação da varíola, graças à vacina, é um dos grandes triunfos da medicina.

PRIMEIRA INTIFADA

    Em 1987, jovens palestinos começam na Faixa de Gaza a Primeira Intifada (revolta das pedradas) contra a ocupação de territórios árabes por Israel depois de um acidente em que um caminhão israelense bate numa caminhonete e mata quatro palestinos.

Quando Israel manda forças especiais para conter a violência, a revolta se propaga para a Cisjordânia. Os dois territórios estão sob ocupação israelense desde a Guerra dos Seis Dias (5 a 10 de junho de 1967).

Para fortalecer o movimento pela criação de uma pátria para o povo palestino, o rei Hussein, da Jordânia, abre mão da reivindicação de soberania sobre a Cisjordânia em julho de 1988.

Em 15 de novembro de 1988, no exílio na Tunísia, o líder da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Yasser Arafat, declara a independência da Palestina, denuncia o terrorismo e reconhece o Estado de Israel, tentando criar condições para negociações de paz.

As negociações começam na Conferência de Madri, em 30 e 31 de outubro de 1991, depois que Israel evita responder aos ataques do Iraque de Saddam Hussein durante a Guerra do Golfo, em 1991. Ganham impulso com as negociações secretas de Oslo, na Noruega, em 1993.

Em 13 de setembro de 1993, Arafat e o primeiro-ministro israelense, Yitzhak Rabin, apertam as mãos e assinam uma declaração de princípios nos jardins da Casa Branca. No ano seguinte, é criada a Autoridade Nacional Palestina. Arafat volta à Cisjordânia. Os palestinos assumem o controle sobre a Faixa de Gaza e a cidade histórica de Jericó.

O assassinato de Rabin por um extremista israelense, em 4 de novembro de 1995, em Telavive, e a ascensão de Benjamin Netanyahu desandam o processo da paz. A paz entre israelenses e palestinos é um sonho distante até hoje.

WALESA PRESIDENTE

    Em 1990, o líder operário Lech Walesa, fundador do sindicato livre Solidariedade, se torna o primeiro presidente eleito diretamente da história da Polônia.

Walesa nasce em 29 de setembro de 1943 em Popowo, na Polônia ocupada pela Alemanha Nazista na Segunda Guerra Mundial (1939-45). Ele faz curso técnico e se torna eletricista. Trabalha como mecânico de automóveis de 1961 a 1965 e, depois de servir o Exército por dois anos, vai ser eletricista no Estaleiro Lenin, em Gdansk, em 12 de julho de 1967.

Nove anos depois, em 1976 é demitido como agitador. Em agosto de 1980, lidera uma greve que leva ao reconhecimento do sindicato livre Solidariedade pelo regime comunista polonês. 

Um golpe liderado pelo general Jociech Jaruzelski, em 13 de dezembro de 1981, recoloca o Solidariedade na ilegalidade. Em 1983, Walesa ganha o Prêmio Nobel da Paz.

Com a abertura polícia promovida a partir de 1985 pelo líder do Partido Comunista da União Soviética, Mikhail Gorbachev, o Solidariedade volta a ser legalizado em abril de 1989 e obtém uma ampla vitória nas primeiras eleições parlamentares livres no Bloco Soviético, em 4 e 18 de junho de 1989. 

Tadeusz Mazowiecki, aliado de Walesa, se torna primeiro-ministro e inicia as reformas liberalizantes para superar o regime comunista.

Na Presidência, Walesa se mostra menos hábil do que como líder sindical. Em 1995, perde a eleição presidencial para o ex-comunista Alexander Kwasniesk, da Aliança da Esquerda Democrática.

CHARLES E DIANA SE SEPARAM

    Em 1992, o primeiro-ministro britânico, John Major, anuncia a separação dos príncipes de Gales, Charles e Diana, depois de anos de uma guerrinha particular do casal travada através da imprensa sensacionalista do Reino Unido.

É o fim de um casamento de sonho, transmitido ao vivo da Catedral de São Paulo, em Londres, em 29 de julho de 1981, para 1 bilhão de telespectadores de 79 países. Diana faz teste de virgindade com ginecologista da rainha para casar. O primeiro filho, o príncipe William, nasce em 1982, e o segundo, o príncipe Harry, em 1984.

O casal real se divorcia em agosto de 1996. Lady Di morre em acidente de automóvel como uma cinderela cuja carruagem se esborracha em Paris, a cidade romântica por excelência, quando foge dos fotógrafos com o namorado egípcio, Dodi al-Fayed, em 31 de agosto de 1997. 

A tragédia da princesa do povo causa uma grande comoção no Reino Unido e obriga a família real a reconhecer sua importância para a monarquia.

EUA INTERVÊM NA SOMÁLIA

    Em 1992, por ordem do presidente George Herbert Walker Bush (1989-93), derrotado por Bill Clinton um mês antes, os fuzileiros navais dos Estados Unidos chegam a Mogadíscio, na Somália, numa missão para apoiar a ação humanitária das Nações Unidas no país assolado pela fome. A Somália está em estado de anarquia desde a queda do ditador Mohamed Siad Barre, em janeiro de 1991.

O país cai em guerra civil. Em pouco menos de dois anos, 50 mil pessoas morrem na guerra e outras 300 mil de fome. Os EUA intervêm com a Operação Restaurar a Esperança na expectativa de acabar com o flagelo da fome. 

A ajuda humanitária da ONU recomeça, mas as forças norte-americanas não conseguem controlar a ação dos senhores da guerra que disputam o poder na Somália. A violência continua e um ataque à missão da ONU mata 24 soldados do Paquistão.

Em reação, a ONU ordena a captura do general Mohamed Farah Aidid, o senhor da guerra que controla a região de Mogadíscio, a capital somaliana. Mas as forças dos EUA, já no governo Bill Clinton (1993-2001), estão lá para proteger a ajuda humanitária. Não têm equipamento nem contingente para grandes ações militares.

Durante uma tentativa de prender Aidid, em 3 de outubro de 1993, os rebeldes somalianos derrubam dois helicópteros de combate Falcão Negro e matam 18 soldados norte-americanos. Alguns são arrastados pelas ruas de Mogadíscio, numa humilhação para os EUA, que se retiram da Somália. A Batalha de Mogadíscio é encenada no filme Falcão Negro em Perigo.

Esta humilhação leva ao que Clinton considera o maior erro de política externa de seu governo. Os EUA não intervêm em Ruanda para impedir o genocídio da minoria tútsi. De 7 de abril a 15 de julho de 1994, cerca de 800 mil pessoas morrem neste pequeno país do Centro da África, no último genocídio do trágico século 20.

A maioria hutu, inclusive a milícia Interahamwe, responsável pelo genocídio, foge para o Zaire, onde entra em choque com os baniamulengue, da mesmo etnia dos tútsis, desestabilizando o país vizinho. Este conflito dura até hoje.

Isto leva o guerrilheiro Laurent Kabila, que lutou nos anos 1960 no Congo com Ernesto Che Guevara, que o considerava bêbado e mulherengo, incapaz de liderar uma revolução, a deixar seu refúgio. Kabila sai das Montanhas da Lua para marchar até Kinshasa, derrubar o ditador Joseph Mobutu, em 1997, e mudar o nome do país para República Democrática do Congo.

A queda de Mobutu deflagra a Primeira Grande Guerra Mundial Africana (1997-2002), travada por nove países e pelo menos 25 grupos armados irregulares, com um total de mortes estimado em 5,4 milhões, em combate, de fome e de doenças. É o maior conflito armado do mundo depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

RÚSSIA DOPADA

    Em 2016, a Agência Mundial Antidoping (WADA) acusa a Rússia de dopagem sistemática de mais de mil atletas numa "conspiração institucional" para fraudar competições esportivas internacionais, inclusive as olimpíadas.

Um segundo relatório da WADA implica o Ministério dos Esportes e o Serviço Federal de Segurança (FSB) da Rússia, sucessor da temida polícia política soviética (KGB), do qual o ditador Vladimir Putin foi diretor-geral antes de se tornar primeiro-ministro e presidente.

A Rússia é suspensa de competições internacionais por quatro anos em 2019, pena depois reduzida para dois anos. Na Olimpíada de Tóquio, os atletas russos competem seu seus uniformes, sem bandeira e sem hino nacional. O país é proibido de competir de novo na Olimpíada de 2024, em Paris.

quarta-feira, 8 de maio de 2024

Hoje na História do Mundo: 8 de Maio

DIA DA VITÓRIA NA EUROPA

    Em 1945, o Exército Vermelho vence a Batalha de Berlim e crava a Bandeira da União Soviética no Reichstag enquanto os aliados ocidentais avançam pelo oeste, e a Alemanha Nazista se rende incondicionalmente acabando com a Segunda Guerra Mundial (1939-45) na Europa.

A guerra começa em 1º de setembro de 1939, quando a Alemanha de Adolf Hitler invade a Polônia, dias depois de firmar o Pacto Germano-Soviético, um acordo de não agressão com a União Soviética de Josef Stalin.

Antes, o Japão invade a Manchúria em 1931 e o Leste da China em 1937, a Itália ocupa a Etiópia e a Alemanha anexa a Áustria em 1938 e a Tcheco-Eslováquia em 1938-9, sem que a Liga das Nações tome qualquer medida.

A Alemanha, aliada à Itália de Benito Mussolini, conquista o Norte da África e a Europa Ocidental. A França se rende em junho de 1940. A rendição é assinada no mesmo vagão onde a Alemanha capitulou na Primeira Guerra Mundial (1914-18). Hitler fez questão disso para demonstrar que uma guerra era a continuação da outra.

Com a derrota na Batalha da Inglaterra, uma batalha aérea travada de julho a outubro de 1940, a Alemanha não consegue invadir a Grã-Bretanha, que resiste. É sede, por exemplo, dos governos da França e da Polônia no exílio.

Em 22 de junho de 1941, a Alemanha rompe o pacto de não agressão e invade a URSS em três frentes: rumo a São Petersburgo, no Norte; rumo a Moscou, no Centro; e rumo à Ucrânia, no Sul. Nesta frente, os nazistas avançaram até a Batalha de Stalingrado, talvez a mais importante da história, travada de 23 de agosto de 1942 a 3 de fevereiro de 1943, com cerca de 2 milhões de mortes.

De Stalingrado, o Exército Vermelho inicia a contraofensiva rumo a Berlim.

Os EUA entram na guerra com o ataque japonês à Frota do Pacífico, baseada em Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941, e apoiam ao esforço aliado, inclusive dando apoio logístico à URSS através do Irã.

A vitória do Exército Real britânico na Batalha de El-Alamein, no Egito, em 3 de novembro de 1942, sobre o poderoso Afrika Korps, é a primeira para mudar o curso da guerra. O primeiro-ministro britânico, Winston Churchill, comentou: "Este não é o fim, nem o começo do fim, mas é talvez o fim do começo."

Anos depois, Churchill escreve: "Antes de El-Alamein, nunca tivemos uma vitória; depois de El-Alamein, nunca tivemos uma derrota."

Os aliados ocidentais invadem a Itália em 3 de setembro de 1943 e a Normandia, no Norte da França, em 6 de junho de 1944. Paris é libertada em 25 de agosto. Eles avançam e ocupam o Oeste da Alemanha, que se torna Alemanha Ocidental, enquanto os soviéticos ocupam o Leste, a futura Alemanha Oriental, a libertam, no caminho sobreviventes de campos de concentração como Auschwitz-Birkenau, em 27 de janeiro de 1945.

Mussolini é executado em 28 de abril de 1945 pelos guerrilheiros comunistas da resistência Italiana. Hitler se suicida em 30 de abril.

A Segunda Guerra Mundial termina com a rendição do Japão, em 15 de agosto de 1945, depois de ser alvo das bombas atômicas de Hiroxima e Nagasaki.

DEIXA SER

    Em 1970, um mês depois de Paul McCartney anunciar o fim da banda, The Beatles lançam seu último álbum, Let it be.

VARÍOLA ERRADICADA

    Em 1980, depois de uma campanha de vacinação global, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declara que a varíola está erradicada depois de séculos em que é uma das piores doenças infecto-contagiosas agudas e matava 30% dos doentes.

A varíola é uma doença infecciosa aguda que começa com febre alta, dor de cabeça e dor nas costas. Provoca erupções de pele no rosto e no corpo. Os sobreviventes não correm risco de ter a doença, mas podem sofrer com sequelas para toda a vida, de marcas na pele até a cegueira.

É uma das primeiras doenças controladas por vacinas. As primeiras experiências são feitas pelo médico inglês Edward Jenner em 1796.

A OMS lança o programa global de vacinação contra a varíola em 1967. Em 1980, declara a doença erradicada.

sábado, 9 de dezembro de 2023

Hoje na História do Mundo: 9 de Dezembro

VARÍOLA ERRADICADA

    Em 1979, uma comissão internacional de cientistas declara que a varíola, uma doença com 30% de risco de vida, está erradicada. Agora, corre o risco de voltar por causa da insanidade e irracionalidade do movimento antivacinas.

A varíola é uma praga para a humanidade há milênios. O faraó Ramsés V, do Egito, teria morrido de varíola em 1145 antes de Cristo. 

O conquistador espanhol Hernán Cortez toma Tenochtitlán, a capital do Império Asteca, em 13 de agosto de 1521, em meio a uma epidemia de varíola que atinge sobretudo os índios, que acreditam que o Deus dos espanhóis é superior ao deles, que não os protege.

O vírus atual, que seria de 1580, é combatido na China no século 16 com a inoculação de pequenas quantidades para causar casos leves capazes de gerar imunidade, um precursor das vacinas.

No fim do século 18, quando a vacina é uma das principais causas de mortes na Europa, o cientista inglês Edward Jenner, cria a vacina em 1796. Muitos países europeus tornam a vacinação obrigatória e a varíola declina nos séculos 19 e 20.

A partir de 1967, a Organização Mundial da Saúde (OMS) faz campanha para atacar os últimos focos da doença. O último caso é diagnosticado em 1977 na Somália. A erradicação da varíola, graças à vacina, é um dos grandes triunfos da medicina.

PRIMEIRA INTIFADA

    Em 1987, jovens palestinos começam na Faixa de Gaza a Primeira Intifada (revolta das pedradas) contra a ocupação de territórios árabes por Israel depois de um acidente em que um caminhão israelense bate numa caminhonete e mata quatro palestinos.

Quando Israel manda forças especiais para conter a violência, a revolta se propaga para a Cisjordânia. Os dois territórios estão sob ocupação israelense desde a Guerra dos Seis Dias (5 a 10 de junho de 1967).

Para fortalecer o movimento pela criação de uma pátria para o povo palestino, o rei Hussein, da Jordânia, abre mão da reivindicação de soberania sobre a Cisjordânia em julho de 1988.

Em 15 de novembro de 1988, no exílio na Tunísia, o líder da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Yasser Arafat, declara a independência da Palestina, denuncia o terrorismo e reconhece o Estado de Israel, tentando criar condições para negociações de paz.

As negociações começam na Conferência de Madri, em 30 e 31 de outubro de 1991, depois que Israel evita responder aos ataques do Iraque de Saddam Hussein durante a Guerra do Golfo, em 1991. Ganham impulso com as negociações secretas de Oslo, na Noruega, em 1993.

Em 13 de setembro de 1993, Arafat e o primeiro-ministro israelense, Yitzhak Rabin, apertam as mãos e assinam uma declaração de princípios nos jardins da Casa Branca. No ano seguinte, é criada a Autoridade Nacional Palestina. Arafat volta à Cisjordânia. Os palestinos assumem o controle sobre a Faixa de Gaza e a cidade histórica de Jericó.

O assassinato de Rabin por um extremista israelense, em 4 de novembro de 1995, em Telavive, e a ascensão de Benjamin Netanyahu desandam o processo da paz. A paz entre israelenses e palestinos é um sonho distante até hoje.

WALESA PRESIDENTE

    Em 1990, o líder operário Lech Walesa, fundador do sindicato livre Solidariedade, se torna o primeiro presidente eleito diretamente da história da Polônia.

Walesa nasce em 29 de setembro de 1943 em Popowo, na Polônia ocupada pela Alemanha Nazista na Segunda Guerra Mundial (1939-45). Ele faz curso técnico e se torna eletricista. Trabalha como mecânico de automóveis de 1961 a 1965 e, depois de servir o Exército por dois anos, vai ser eletricista no Estaleiro Lenin, em Gdansk, em 12 de julho de 1967.

Nova anos depois, em 1976 é demitido como agitador. Em agosto de 1980, lidera uma greve que leva ao reconhecimento do sindicato livre Solidariedade pelo regime comunista polonês. 

Um golpe liderado pelo general Jociech Jaruzelski, em 13 de dezembro de 1981, recoloca o Solidariedade na ilegalidade. Em 1983, Walesa ganha o Prêmio Nobel da Paz.

Com a abertura polícia promovida a partir de 1985 pelo líder do Partido Comunista da União Soviética, Mikhail Gorbachev, o Solidariedade volta a ser legalizado em abril de 1989 e obtém uma ampla vitória nas primeiras eleições parlamentares livres no Bloco Soviético, em 4 e 18 de junho de 1989. 

Tadeusz Mazowiech, aliado de Walesa, se torna primeiro-ministro e inicia as reformas liberalizantes para superar o regime comunista.

Na Presidência, Walesa se mostra menos hábil do que como líder sindical. Em 1995, perde a eleição presidencial para o ex-comunista Alexander Kwasniesk, da Aliança da Esquerda Democrática.

CHARLES E DIANA SE SEPARAM

    Em 1992, o primeiro-ministro britânico, John Major, anuncia a separação dos príncipes de Gales, Charles e Diana, depois de anos de uma guerrinha particular do casal travada através da imprensa sensacionalista do Reino Unido.

É o fim de um casamento de sonho, transmitido ao vivo da Catedral de São Paulo, em Londres, em 29 de julho de 1981, para 1 bilhão de telespectadores de 79 países. Diana faz teste de virgindade com ginecologista da rainha para casar. O primeiro filho, o príncipe William, nasce em 1982, e o segundo, o príncipe Harry, em 1984.

O casal real se divorcia em agosto de 1996. Lady Di morre em acidente de automóvel como uma cinderela cuja carruagem se esborracha em Paris, a cidade romântica por excelência, quando fugia dos fotógrafos com o namorado egípcio, Dodi al-Fayed, em 31 de agosto de 1997. 

A tragédia da princesa do povo causa uma grande comoção no Reino Unido e obriga a família real a reconhecer sua importância para a monarquia.

EUA INTERVÊM NA SOMÁLIA

    Em 1992, por ordem do presidente George Herbert Walker Bush (1989-93), derrotado por Bill Clinton um mês antes, os fuzileiros navais dos Estados Unidos chegam a Mogadíscio, na Somália, numa missão para apoiar a ação humanitária das Nações Unidas no país assolado pela fome. A Somália está em estado de anarquia desde a queda do ditador Mohamed Siad Barre, em janeiro de 1991.

O país cai em guerra civil. Em pouco menos de dois anos, 50 mil pessoas morrem na guerra e outras 300 mil de fome. Os EUA intervêm com a Operação Restaurar a Esperança na expectativa de acabar com o flagelo da fome. 

A ajuda humanitária das Nações Unidas recomeça, mas as forças norte-americanas não conseguem controlar a ação dos senhores da guerra que disputam o poder na Somália. A violência continua e um ataque à missão da ONU mata 24 soldados do Paquistão.

Em reação, a ONU ordena a captura do general Mohamed Farah Aidid, o senhor da guerra que controla a região de Mogadíscio, a capital somaliana. Mas as forças dos EUA, já no governo Bill Clinton (1993-2001) estão lá para proteger a ajuda humanitária. Não têm equipamento nem contingente para grandes ações militares.

Durante uma tentativa de prender Aidid, em 3 de outubro de 1993, os rebeldes somalianos derrubam dois helicópteros de combate Falcão Negro e matam 18 soldados. Alguns são arrastados pelas ruas de Mogadíscio, numa humilhação para os EUA, que se retiram da Somália. A Batalha de Mogadíscio é encenada no filme Falcão Negro em Perigo.

Esta humilhação leva ao que Clinton considera o maior erro de política externa de seu governo. Os EUA não intervêm em Ruanda para impedir o genocídio da minoria tútsi. De 7 de abril a 15 de julho de 1994, cerca de 800 mil pessoas morrem neste pequeno país do Centro da África, no último genocídio do trágico século 20.

A maioria hutu, inclusive a milícia Interahamwe, responsável pelo genocídio, foge para o Zaire, onde entra em choque com os baniamulengue, da mesmo etnia dos tútsis, desestabilizando o país vizinho. Este conflito dura até hoje.

Isto leva o guerrilheiro Laurent Kabila, que lutou nos anos 1960 no Congo com Ernesto Che Guevara, que o considerava bêbado e mulherengo, incapaz de liderar uma revolução, a deixar seu refúgio. Kabila sai das Montanhas da Lua para marchar até Kinshasa, derrubar o ditador Joseph Mobutu, em 1997, e mudar o nome do país para República Democrática do Congo.

A queda de Mobutu deflagra a Primeira Grande Guerra Mundial Africana (1997-2002), travada por nove países e pelo menos 25 grupos armados irregulares, com um total de mortes estimado em 5,4 milhões, em combate, de fome e de doenças. É o maior conflito armado do mundo depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

RÚSSIA DOPADA

    Em 2016, a Agência Mundial Antidoping (WADA) acusa a Rússia de dopagem sistemática de mais de mil atletas numa "conspiração institucional" para fraudar competições esportivas internacionais, inclusive as olimpíadas.

Um segundo relatório da WADA implica o Ministério dos Esportes e o Serviço Federal de Segurança (FSB) da Rússia, sucessor da temida polícia política soviética (KGB), do qual o ditador Vladimir Putin foi diretor-geral antes de se tornar primeiro-ministro e presidente.

A Rússia é suspensa de competições internacionais por quatro anos em 2019, pena depois reduzida para dois anos. Na Olimpíada de Tóquio, os atletas russos competem seu seus uniformes, sem bandeira e sem hino nacional.