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domingo, 5 de julho de 2026

Hoje na História do Mundo: 5 de Julho

PRIMEIRO BIQUÍNI

     Em 1946, o estilista francês Louis Réard apresenta numa piscina popular de Paris, no corpo da dançarina Micheline Bernardini, um ousado maiô de duas peças que chama de "biquíni" inspirado pelo Atol de Bikíni, no Oceano Pacífico, onde os Estados Unidos testavam bombas atômicas.

As mulheres europeias começam a usar maiôs de duas peças nos anos 1930, mas eles só mostram um pedaço da barriga e cobrem o umbigo. Nos EUA, eles aparecem durante a Segunda Guerra Mundial, quando há racionamento de tecidos no país e as praias europeias são zonas de guerra.

No primeiro ano do pós-guerra, os estilistas franceses produzem roupas que refletem o espírito de alegria da libertação, inclusive "os menores trajes de banho do mundo". O biquíni de Réard era um sutiã na parte de cima e dois triângulos unidos por um cordão.

Para apresentar sua criação, o estilista não consegue nenhuma modelo profissional. Recorre, então, a Micheline Bernardini, uma dançarina do Cassino de Paris que não tinha escrúpulos para aparecer nua em público.

O biquíni é um sucesso, especialmente entre os homens. Micheline recebe cerca de 50 mil cartas de fãs. Logo, as mulheres mais ousadas adotam o biquíni nas praias do Mar Mediterrâneo. A Itália e a Espanha proíbem até os anos 1950, quando o biquíni toma conta das praias europeias.

Com o puritanismo americano, nos EUA, o biquíni só emplaca com o espírito rebelde dos jovens dos anos 1960 e é imortalizado na música pop, especialmente da Califórnia.

No Brasil, uma das medidas medidas moralistas do presidente Jânio Quadros, em seu breve governo de sete meses, em 1961, é proibir o uso de biquínis nas praias, além de corridas de cavalo em dias de semana e outras bizarrices.

ASHE É PRIMEIRO HOMEM NEGRO A GANHAR WIMBLEDON

    Em 1975, o americano Arthur Ashe vence o compatriota Jimmy Connors, que era o favorito, e se torna o primeiro e único homem negro a ganhar o Campeonato de Wimbledon, o mais tradicional torneio de tênis do mundo. A primeira mulher negra foi a norte-americana Althea Gibson, em 1957.

Ashe começa a jogar tênis na sua cidade natal, Richmond, na Virgínia, e ganha uma bolsa de estudos para a Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA). Em 1968, é o primeiro negro a vencer o Torneio Aberto dos EUA. Dois anos depois, ganha o Aberto a Austrália.

Nos próximos sete anos, não ganha mais nenhum torneio do Grand Slam (Austrália, França, Inglaterra e EUA). Aos 31 anos, chega à final de Wimbledon contra o jovem Connors, de 22. Nunca passara da semifinal em Londres.

Connors defende o título, tem três vitórias sobre Ashe e passa por Roscoe Tanner, um dos saques mais poderosos da história de Wimbledon. Mas era o dia de Ashe, que vence por 3-1 (6-1, 6-1, 5-7, 6-4).

Depois de sofrer um ataque cardíaco, Ashe deixa o tênis em 1980. Ele escreve o livro de três volumes Um Duro Caminho para a Glória, sobre a luta dos atletas negros nos EUA. Ashe morre em fevereiro de 1993 de aids, contraída numa transfusão de sangue. Em 1997, uma nova quadra onde se joga o Torneio Aberto dos EUA é batizada com seu nome.

NASCE OVELHA CLONADA

    Em 1996, nasce no Instituto Roslin, na Escócia, a ovelha Dolly, o primeiro mamífero clonado a partir de uma célula adulta. O líder do grupo de pesquisadores é o biólogo Ian Wilmut.

É batizada em homenagem à cantora e atriz americana Dolly Parton. O nome é sugerido por uma pessoa ao saber que a clonagem partiu de uma célula mamária.

As células mamárias saem do ubre de uma ovelha de seis anos e são cultivadas em laboratório com técnicas desenvolvidas para tratamentos de fertilidade humana nos anos 1970. Depois de produzir um certo número de ovos, eles são implantados no útero de outras ovelhas, que fazem o papel de barrigas de aluguel. Dolly nasce 148 dias depois.

É uma revolução. Os defensores da experiência argumentam que a clonagem pode ser um avanço extraordinário da medicina, permitindo produzir tecidos e órgãos humanos sem rejeição para transplantes e tratar deficiências e doenças degenerativas. Os críticos advertem para as questões éticas suscitadas pela possibilidade de clonar seres humanos para eliminar doenças e criar seres humanos biologicamente superiores.

Sua vida é curta. Dolly cruza com um carneiro chamado David e tem quatro cordeirinhos. Em janeiro de 2002, é diagnosticada com artrite, levantando dúvidas sobre anomalias genéticas causadas pela clonagem. Com uma doença respiratória, Dolly é sacrificada aos seis anos em 14 de fevereiro de 2003. É empalhada. Está em exposição no Museu Nacional da Escócia, em Edimburgo.

SARS SOB CONTROLE

    Em 2003, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declara que a epidemia da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS, do inglês) está sob controle, depois de matar 11% de um total de 8.422 casos confirmados.

Com uma taxa de letalidade tão elevada, por sorte, ou talvez por isso mesmo, pela letalidade, o coronavírus causador da SARS (SARS-CoV-1) não se propaga como o SARS-CoV-2, causa da doença do coronavírus de 2019 (Covid-19).

Os primeiros casos da SARS, uma pneumonia aguda grave, aparecem na China em novembro de 2002. Em 15 de fevereiro de 2003, a China registrara 305 casos. O regime comunista chinês é criticado por demorar a comunicar a doença à Organização Mundial da Saúde (OMS). Naquela época, é criada a regra de que surtos desta gravidade precisam ser avisados à OMS em 24 horas, o que mais uma vez a China não fez com a covid-19.

A SARS  chega a Hong Kong, Taiwan e Vietnã, e viaja pelo mundo de avião. Em março, uma mulher idosa que fora a Hong Kong morre de SARS em Toronto, no Canadá. Há um surto na maior cidade canadense, com 44 mortes. Em 12 de março de 2003, a OMS faz um alerta de saúde global.

Na China, morrem cerca de 350 pessoas. A Copa do Mundo de futebol feminino de 2003 é transferida para os Estados Unidos. O Campeonato Mundial Feminino de Hóquei no Gelo, que seria realizado em Beijim, é cancelado, entre tantas conferências, convenções e reuniões de negócios, com perdas de milhões de dólares. Até os restaurantes chineses sofreram.

Os principais sintomas da SARS são de início semelhantes aos de uma gripe: febre alta, tosse seca e, em alguns casos, dor de cabeça, diarreia, rigidez muscular, alergia, confusão e perda de apetite. Os problemas respiratórios surgiu entre 2 e 10 dias. Os últimos quatro casos foram diagnosticados na China em abril de 2004.

TRABALHISTAS VOLTAM AO PODER

    Em 2024, Keir Starmer, líder do Partido Trabalhista, se torna primeiro-ministro do Reino Unido depois de 14 anos de governos conservadores.

Starmer nasce em 2 de setembro de 1962 em Londres. Ele estuda direito e é procurador-geral do país de 2008 a 2013 antes de se eleger deputado da Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico em 2015. No ano seguinte, é nomeado ministro da Imigração do governo paralelo da oposição, uma tradição do sistema político do país para preparar o futuro governo. Os ministros do governo paralelo fazem sombra aos ministros no poder.

Ele é eleito líder trabalhista em 4 de abril de 2020 e se torna primeiro-ministro depois de uma grande vitória do partido nas eleições de 4 de julho de 2024, quando os trabalhistas conquistam 33,7% dos votos e elegem 411 dos 650 deputados da Câmara dos Comuns contra 121 do Partido Conservador, liderado pelo então primeiro-ministro Rishi Sunak, o primeiro chefe de governo britânico de origem indiana, que sofreu a pior derrota da história.

Esta maioria avassaladora é fruto do sistema político britânico, de voto distrital com turno único, que permite a formação de grandes maiorias no Parlamento sem maioria absoluta dos votos.

Keir Starmer defende maior investimentos públicos, especialmente no Serviço Nacional de Saúde (NHS), que dá cobertura universal sem custo para os pacientes, o fim do pagamento de anuidades nas universidades, aumento de impostos para os mais ricos e medidas mais duras contra a evasão fiscal de empresas.

No poder, ele corta auxílio para aquecimento durante o inverno, uma medida impopular, e liberta milhares de presos para reduzir a superlotação das prisões. Em política externa, apoia a Ucrânia contra a invasão da Rússia e o direito de Israel de ir à guerra depois do ataque terrorista do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), o que gera muito repúdio dentro da própria esquerda, mas critica a condução da guerra por Israel.

Um ano depois, Starmer enfrenta uma revolta da esquerda do partido e é obrigado a recuar numa reforma da Previdência Social. Isto suscita dúvidas sobre a capacidade de governar o país num momento em que o partido de extrema direita Reforma do Reino Unido, liderado pelo neofascista Nigel Farage, um dos líderes do movimento pela saída da União Europa (U), está na frente nas pesquisas de opinião.

Em 19 de maio de 2025, Starmer faz um acordo para melhorar as relações comerciais com a UE. Com o afastamento dos Estados Unidos da Europa no segundo governo Donald Trump, especialmente em questões comerciais e de segurança, o Reino Unido se reaproxima da UE.

Com a derrota do Partido Trabalhista nas eleições municipais e a liderança do partido de extrema direita Reforma UK nas pesquisas, há um movimento dentro do partido para substituir Starmer. Ele anuncia que vai sair. O próximo líder trabalhista e primeiro-ministro deve ser Andy Burnham, prefeito da Grande Manchester, que acaba de ser eleito deputado da Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico.

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sexta-feira, 8 de maio de 2026

Hoje na História do Mundo: 8 de Maio

BATALHA DO MAR DE CORAL

    Em 1942, o Lexington é o primeiro porta-aviões norte-americano a ir a pique durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), mas os Estados Unidos vencem o Japão na Batalha do Mar de Coral.

No fim de abril de 1942, o Império do Japão avança para assumir o controle do Mar de Coral, que fica entre a Austrália e a Nova Caledônia. O plano é instalar bases em Porto Moresby, na Nova Guiné, e em Tulagi, nas Ilhas Salomão.

A inteligência ocidental descobre a manobra e mobiliza todas as forças aeronavais disponíveis na área. Quando os japoneses desembarcam em Tulagi, em 3 de maio, aviões de uma força-tarefa de porta-aviões dos EUA sob o comando do contra-almirante Frank Fletcher bombardeiam os invasores. Afundam um contratorpedeiro, navios caça-minas e barcaças para assalto anfíbio.

Em 7 de maio, caças japoneses baseados em porta-aviões põem a pique um contratorpedeiro e um navio-tanque dos EUA. A força-tarefa de Fletcher afunda o pequeno porta-aviões Shoho e um cruzador. No dia 8 de maio, os aviões japoneses afundam o porta-aviões Lexington e danificam o Yorktown, enquanto o maior porta-aviões do Japão, o Shokaku, é retirado de combate.

O Japão perde tantos aviões que a força invasora de Porto Moresby, na Nova Guiné, fica sem cobertura aérea e é obrigada a se retirar. É uma vitória estratégica dos aliados.

É uma batalha aeronaval, na observação almirante norte-americano Ernest King, "a primeira grande batalha naval da história em que os navios na superfície não disparam um tiro." A guerra de porta-aviões é uma característica da Guerra do Pacífico.

DIA DA VITÓRIA NA EUROPA

    Em 1945, o Exército Vermelho vence a Batalha de Berlim e crava a bandeira da União Soviética no Reichstag enquanto os aliados ocidentais avançam pelo oeste, e a Alemanha Nazista se rende incondicionalmente acabando com a Segunda Guerra Mundial (1939-45) na Europa.

A guerra começa em 1º de setembro de 1939, quando a Alemanha de Adolf Hitler invade a Polônia, dias depois de firmar o Pacto Germano-Soviético, um acordo de não agressão com a União Soviética de Josef Stalin.

Antes, o Japão invade a Manchúria em 1931 e o Leste da China em 1937, a Itália ocupa a Etiópia em 1935 e a Alemanha anexa a Áustria em 1938 e a Tcheco-Eslováquia em 1938-9, sem que a Liga das Nações tome qualquer medida.

A Alemanha, aliada à Itália de Benito Mussolini, conquista o Norte da África e a Europa Ocidental. A França se rende em junho de 1940. A rendição é assinada no mesmo vagão onde a Alemanha capitula na Primeira Guerra Mundial (1914-18). Hitler faz questão de demonstrar que uma guerra era a continuação da outra.

Com a derrota na Batalha da Inglaterra, uma batalha aérea travada de julho a outubro de 1940, a Alemanha não consegue invadir o Reino Unido, que resiste. É sede dos governos da França e da Polônia no exílio.

Em 22 de junho de 1941, a Alemanha rompe o pacto de não agressão e invade a URSS em três frentes: rumo a São Petersburgo, no Norte; rumo a Moscou, no Centro; e rumo à Ucrânia, no Sul. Perde a Batalha de Moscou, que vai de 2 de outubro de 1941 a 7 de janeiro de 1942.

No Sul, os nazistas avançam até a Batalha de Stalingrado, talvez a mais importante da história, travada de 23 de agosto de 1942 a 2 de fevereiro de 1943, com quase 2 milhões de mortes. De Stalingrado, o Exército Vermelho inicia a contraofensiva rumo a Berlim.

Os EUA entram na guerra com o ataque do Império do Japão à Frota do Pacífico, baseada em Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941, e apoiam ao esforço aliado, inclusive dando apoio logístico à URSS através do Irã durante a Batalha de Stalingrado.

A vitória do Exército Real britânico na Batalha de El-Alamein, no Egito, em 3 de novembro de 1942, sobre o poderoso Afrika Korps, ajuda a mudar o rumo da guerra. O primeiro-ministro britânico, Winston Churchill, comenta: "Este não é o fim, nem o começo do fim, mas é talvez o fim do começo."

Anos depois, Churchill escreve: "Antes de El-Alamein, nunca tivemos uma vitória; depois de El-Alamein, nunca tivemos uma derrota."

Os aliados ocidentais invadem a Itália em 3 de setembro de 1943 e a Normandia, no Norte da França, em 6 de junho de 1944. Paris é libertada em 25 de agosto. Eles avançam e ocupam o Oeste da Alemanha, que depois da guerra se torna Alemanha Ocidental, enquanto os soviéticos ocupam o Leste, a futura Alemanha Oriental, e libertam, no caminho sobreviventes de campos de concentração como Auschwitz-Birkenau, em 27 de janeiro de 1945.

Mussolini é executado em 28 de abril de 1945 pelos guerrilheiros comunistas da resistência Italiana. Hitler se suicida em 30 de abril.

A Alemanha assina a rendição aos aliados ocidentais em 7 de maio em Reims, na França. Ela entra em vigor no dia seguinte. A URSS faz questão de negociar outro documento, assinado em Moscou em 8 de maio. Por isso, a URSS e agora a Rússia festejam o fim da guerra na Europa em 9 de maio.

A Segunda Guerra Mundial termina com a rendição do Japão, anunciada pelo imperador Hiroíto em 15 de agosto de 1945, depois do país ser alvo das bombas atômicas de Hiroxima, em 6 de agosto, e Nagasaki, em 9 de agosto. O Japão se rende oficialmente em 2 de setembro.

DEIXA ESTAR

    Em 1970, um mês depois de Paul McCartney anunciar o fim da banda, The Beatles lançam seu último álbum, Let it be.

Let it be é gravado no início de 1969, antes de Abbey Road, que é lançado antes, no fim de 1969. Há um filme documentando a gravação. 

A música-título do álbum sai como compacto simples em 6 de março de 1970. Escrita e cantada por Paul McCartney, é uma busca de esperança em meio à resignação, é sobre aceitar uma realidade que se impõe e deixar a vida correr.

VARÍOLA ERRADICADA

    Em 1980, depois de uma campanha de vacinação global, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declara que a varíola está erradicada depois de séculos. É uma das piores doenças infecto-contagiosas agudas. Matava 30% dos doentes.

A varíola é uma doença infecciosa aguda. Começa com febre alta, dor de cabeça e dor nas costas. Provoca erupções de pele no rosto e no corpo. Os sobreviventes não correm risco de ter a doença, mas podem sofrer com sequelas para toda a vida, de marcas na pele até a cegueira.

É uma das primeiras doenças controladas por vacinas. As primeiras experiências são feitas pelo médico inglês Edward Jenner em 1796.

A OMS lança o programa global de vacinação contra a varíola em 1967. Em 1980, declara a doença erradicada. O vírus não circula mais na natureza. Só existe em laboratórios nos EUA e na Rússia. Como a varíola está erradicada, não há mais necessidade de campanhas de vacinação em massa.

Hoje em dia, a erradicação de doenças está ameaçada pela insanidade dos movimentos antivacina.

PAPA NORTE-AMERICANO

    Em 2025, o cardeal Robert Francis Prevost é o primeiro norte-americano a ser eleito papa e adota o nome de Leão XIV, numa homenagem a Leão XIII, pioneiro da doutrina social da Igreja Católica. Ele substitui o papa Francisco, falecido no mês anterior.

O papa Leão XIII é conhecido por lançar a doutrina social da Igreja Católica com a encíclica Rerum Novarum, publicada em 15 de maio de 1891, sobre as condições sociais dos trabalhadores e em defesa dos sindicatos. O chamado socialismo cristão é uma reação à difusão do socialismo e do comunismo na Europa.

O conclave de 2025 é o maior e o mais diverso da história, com 133 cardeais eleitores, dos quais mais de 40 de países que nunca haviam participado como o Haiti, Bangladesh, Mianmar e a Malásia. Como nas eleições dos papas Francisco e Bento XVI, a escolha sai no segundo dia de votação, com a fumaça branca escapando da chaminé instalada na Capela Sistina.

A votação mais longa durou mais de mil dias, de 1268 até 1271, quando foi eleito o papa Gregório X. A longa vacância do trono de São Pedro levou à criação do conclave, em que os cardeais ficam isolados para afastar influências externas.

Prevost, de 70 anos, nasce em Chicago em 14 de setembro de 1955 numa família de origem francesa, italiana e espanhola. De 1985 a 1999, é missionário no Peru e se naturaliza peruano. Assim, tem dupla nacionalidade e uma forte ligação com a América Latina. 

Aos 27 anos, vai para Roma estudar Direito Canônico. É um cardeal da Cúria Romana, visto como uma alternativa "equilibrada" entre os setores conservador e progressista da Igreja. Era prefeito do Dicastério para os Bispos, a órgão que supervisiona a indicação dos bispos, e presidente da Pontifícia Comissão para a América Latina. Também foi líder de sua ordem, dos agostinianos.

Pode ser também mais uma reação às políticas do presidente Donald Trump. O novo papa criticou os ataques de Trump e do vice-presidente James David Vance aos imigrantes.

No seu primeiro pronunciamento, Leão XIV elogia o trabalho de Francisco. Em 2023, Prevost é acusado por três religiosas peruanas de acobertar dois agostinianos denunciados por elas de abusos sexuais. A Diocese de Chiclayo o defende alegando que Prevost levou o caso para Roma e aconselhou as mulheres a recorrer às autoridades civis. O fim do processo canônico seria resultado do arquivamento do processo na Justiça do Peru por prescrição do prazo de punibilidade, já que os abusos teriam acontecido nas décadas de 1980 e 1990.

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terça-feira, 7 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 7 de Abril

NASCE BILLIE HOLIDAY

    Em 1915, Eleanora Fagan Gough, mais conhecida pelo nome artístico Billie Holiday, uma das maiores cantoras de jazz e blues da história, nasce na Filadélfia.

Negra e pobre, abandonada pelos pais que eram adolescentes quando ela nasceu, violentada por um vizinho aos 10 anos e aos 14 pelo dono de um prostíbulo onde lava o chão para sobreviver, agredida física e psicologicamente num asilo para meninas abusadas sexualmente, moradora de rua e prostituta, tem uma vida trágica. 

Aos 15 anos, engravida sem saber de quem e a mãe, com quem volta a viver, a obriga a fazer um aborto aos três meses de gestação. Deprimida, recorre a drogas e álcool e faz várias tentativa de suicídio.

Em 1930, procura emprego como dançarina no Harlem, o bairro negro de Nova York, mas não agrada ao público. Com pena dela, o pianista pergunta se sabe cantar. Ela diz que não, mas que é seu sonho. Aplaudida de pé, consegue um emprego nos fins de semana. Para complementar a renda, continua se prostituindo.

Billie Holiday nunca recebe educação formal como música. Autodidata, aprende ouvindo Louis Armstrong e Bessie Smith. Depois de três anos cantando no Harlem, chama a atenção do crítico musical John Hammond, que a leva a uma gravadora.

Seu primeiro disco, com a banda de Benny Goodman, é um sucesso. Ela compra um apartamento e abandona a vida de garota de programa. Passa a cantar nas melhoras casas noturnas de Nova York. Sua voz levemente rouca e sensual expressa uma profunda emoção.

Nos anos 1940, apesar do sucesso, a depressão que a atormenta desde a infância a conduz ao vício de cigarros, álcool, maconha e heroína, que injeta na veia. Seus relacionamentos amorosos fracassam e terminam com violência e abuso. Ela cogita abandonar a carreira para não ter a vida exposta.

Em 1947, é presa com uma quantidade de heroína que caracteriza tráfico, mas fica poucos dias na cadeia, paga fiança e é solta.

Três anos antes de morrer, em 1956, ela publica uma autobiografia, Lady Sings the Blues, que vira filme com Diana Ross no papel principal. Billie Holiday morre aos 44 anos em Nova York em 17 de julho de 1959 de edema pulmonar, cirrose hepática e insuficiência cardíaca.

CERVEJA LIBERADA

    Em 1933, oito meses antes do fim da Lei Seca, a cerveja de baixo teor alcoólico é liberada nos Estados Unidos. A data vira Dia Nacional da Cerveja.

O movimento contra as bebidas alcoólicas começa no início do século 19 e ganha força no fim do século 19. A Emenda nº 18 é aprovada em dezembro de 1917 e ratificada por três quartos dos estados, como exige a Constituição dos EUA, em janeiro de 1919.

Nove meses depois, a Lei Volstead regulamenta sua aplicação, inclusive a criação de uma unidade especial do Departamento do Tesouro para fiscalizar sua aplicação. A Lei Seca entra em vigor em 17 de janeiro de 1920. A proibição não funciona e cria um mercado negro em que prospera o crime organizado.

Em 1933, a 21ª Emenda acaba com a proibição a partir de 5 de dezembro de 1933.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE

    Em 1948, a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma agência das Nações Unidas, é instalada em Genebra, na Suíça, onde fica a segunda maior sede da ONU.

A OMS herda funções específicas de controle de epidemias, medidas de quarentena e padronização de medicamentos do Escritório Internacional de Saúde Pública, instalado em 1907 em Paris, e da Organização de Saúde da Liga das Nações, precursora da ONU, instalada em 1923. Mas tem um mandato maior para promover "o padrão de saúde mais alto possível para todos os povos".

A definição de saúde inclui o aspecto positivo. É "um estado de bem-estar físico, mental e social completo, e não apenas a ausência de doenças e enfermidades".

A Assembleia Mundial da Saúde reúne anualmente delegações dos 194 países-membros para traçar as políticas de saúde a serem implementadas pelo Secretariado sob a liderança de um diretor-geral nomeado pelo comitê executivo. Abaixo dele, há um subdiretor-geral e diretores-gerais adjuntos para cada área de atuação.

As prioridades da OMS são:

  1. Auxiliar os países a progredir rumo à cobertura universal de saúde.
  2. Ajudar os países a ter capacidade de aderir às Regulamentações de Saúde Internacional.
  3. Aumentar o acesso a produtos médicos essenciais e de alta qualidade
  4. Abordar o papel dos fatores sociais, econômicos e ambientais na saúde pública.
  5. Coordenar as respostas a doenças não transmissíveis.
  6. Promover a saúde pública e o bem-estar de acordo com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável estabelecidos pela Assembleia Geral da ONU.

GENOCÍDIO EM RUANDA

    Em 1994, no dia seguinte à morte do presidente Juvenal Habyarimana num avião abatido pela Frente Patriótica de Ruanda (FPR), o Exército dominado pela maioria hutu e milícias aliadas, em fuga, iniciam um genocídio em que 800 mil tútsis, tuás e hutus moderados são mortos até 15 de julho. 

O genocídio é cometido principalmente com facões pelas milícias. A principal é Interahamwe (os que lutam juntos). Quem queria uma morte mais rápida e menos dolorosa tinha de pagar a bala.

Os hutus fogem para o Leste do Zaire, onde entram em conflito com os baniamulengues, que são etnicamente tútsis. Começa uma guerra civil que leva o guerrilheiro Laurent Kabila, que lutara no Congo nos anos 1960 com Ernesto Che Guevara, que o chamou de bêbado e mulherengo, "incapaz de fazer uma revolução", a sair de seu refúgio nas Montanhas da Lua, no coração da África, marchar até Kinshasa e derrubar, em 1997, o ditador Joseph Mobutu, que estava no poder desde aquela época.

No poder, Kabila muda o nome do país para República Democrática do Congo. A revolta contra Mobutu deflagra a Primeira Guerra Mundial Africana (1997-2002) com o envolvimento de nove exércitos interessados em pilhar as riquezas minerias do Congo e centenas de grupos armados irregulares. É o conflito armado mais violento depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45). Cerca de 5 milhões de pessoas morrem em combate e de fome e doenças causadas pela guerra.

ODISSEIA EM MARTE

    Em 2001, os Estados Unidos lançam a nave espacial Odisseia em Marte, que entra na órbita do Planeta Vermelho em outubro e envia fotos e dados à Terra.

A sonda sai da Estação da Força Aérea de Cabo Canaveral, na Flórida, a bordo de um foguete Delta II. Seus principais objetivos são usar espectômetros e imagens térmicas para detectar a presença de água e gelo, estudar a geologia e a radiação em Marte. Atua também como uma estação de satélite que envia à Terra as imagens e mensagens de outros instrumentos de exploração espacial.

O custo do projeto é avaliado em US$ 297 milhões. O nome da nave é uma homenagem ao filme 2001: Uma Odisseia Espacial, de Stanley Kubrick, com base no livro do mesmo nome escrito por Arthur Clarke.

A missão descobre grande quantidade de hidrogênio e gelo em Marte, indicando que o planeta tem muito mais água do que se pensava. Também detecta a presença de ferro, potássio, silício e tório. Mapeia, vulcões, derramamentos de lava, desfiladeiros e crateras abertas por impacto. A radiação elevada exige que os astronautas que um dia cheguem lá usem trajes protetores.

O presidente Donald Trump anunciou a intenção de enviar uma missão tripulada a morte. O bilionário Elon Musk, o homem mais rico do mundo, assessor de Trump, sonha em criar colônias no planeta.

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quarta-feira, 11 de março de 2026

Hoje na História do Mundo: 11 de Março

GRIPE ESPANHOLA

    Em 1918, são diagnosticados os primeiros casos da gripe espanhola nos Estados Unidos. É a maior pandemia do século 20 e uma das maiores da história, com total de mortes estimado em 50 milhões em dois anos.

Não se sabe a origem exata da gripe espanhola. Como a doença é propagada pela movimentação de soldados no fim da Primeira Guerra Mundial (1914-18), os países que estão em guerra, como Alemanha, EUA, França e Reino Unido, censuram a notícia. Na Espanha, que não está em guerra, não há censura. Isso passa a impressão de que é um dos países mais atingidos, daí o nome.

A primeira onda é registrada em março de 1918. A segunda, em agosto de 1918, é muito mais forte e mais letal. É uma gripe que evolui para pneumonia e mata às vezes em apenas dois dias.

Pelo menos 12,5 milhões de indianos, 550 mil norte-americanos e 35 mil brasileiros morrem de gripe espanhola.

GORBACHEV LÍDER COMUNISTA

    Em 1985, Mikhail Gorbachev é eleito secretário-geral do Partido Comunista da União Sovíetica e inicia uma abertura política (glasnost) e uma reforma econômica (perestroika) que acabam por destruir a pátria do comunismo.

Gorbachev é comissário da agricultura antes de virar chefe do partido. Durante visita ao Canadá em 1983, um país com o mesmo inverno rigoroso, mas nível de desenvolvimento muito maior, ele percebe a necessidade de mudar o sistema para recuperar a economia soviética.

Como parte de suas reformas, está o degelo na Guerra Fria, a necessidade de parar a corrida armamentista nuclear para que a URSS possa se concentrar em seus problemas internos. Gorbachev leva liberdade, democracia e eleições como a Rússia e as outras repúblicas soviéticas nunca tiveram. Mas não basta.

O regime comunista se mostra irreformável. Uma tentativa de golpe da linha dura, em agosto de 1991, afasta Gorbachev do poder por três dias. A resistência é liderada pelo primeiro presidente eleito democraticamente da história da Rússia, Boris Yeltsin, que ao mesmo tempo toma o poder de Gorbachev e coloca o Partido Comunista na ilegalidade.

Pelo Acordo de Minsk, em 8 de dezembro de 1991, as três repúblicas do núcleo eslavo da URSS, Rússia, Ucrânia e Bielorrússia, decidem deixar a União e formar a Comunidade de Estados Independentes (CEI). No Natal, Gorbachev anuncia o fim da URSS. Em 31 de dezembro, a bandeira vermelha da URSS è arriada no Kremlin e substituída pela tricolor da Rússia.

INDEPENDÊNCIA DA LITUÂNIA

    Em 1990, depois de votação no Parlamento, a Lituânia torna-se a primeira república soviética a proclamar a independência.

A Lituânia é o maior dos países bálticos e o que fica mais ao sul. Entre os séculos 12 a 14, a Lituânia é um importante império da Europa Oriental. Em seguida, forma com a Polônia a Comunidade Polaco-Lituana. Em 1795, é ocupada pela Rússia.

Depois das revoluções de 1917 na Rússia, a Lituânia se torna um país independente de 1918 e 1940, quando é invadida pela União Soviética durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45). Com o fim da URSS, recupera sua independência.

Em 2004, a Lituânia entra para a União Europeia (UE) e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

TERROR NA ESPANHA

    Em 2004, um atentado reivindicado pela rede terrorista Al Caeda contra a estação de Atocha do sistema de transportes de Madri mata 192 pessoas e deixa 17 mil feridos na capital da Espanha.

Pouco depois das 7h30, dez bombas explodem em quatro trens do metrô de Madri. No mesmo dia, Al Caeda assume a responsabilidade. A três dias das eleições de 14 de março, o primeiro-ministro conservador José María Aznar acusa o grupo terrorista basco ETA (Euskadi ta Askatasuna, Pátria Basca e Liberdade).

A Espanha faz parte da aliança liderada pelos Estados Unidos que invade o Iraque em 20 de março de 2003. O atentado é uma retaliação terrorista. Antes da era dos telefones inteligentes, que são computadores de bolso, os espanhóis se comunicam por mensagens de texto para denunciar a mentira do governo Aznar.

Nas eleições de 2004, o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) vence o Partido Popular (PP). O novo primeiro-ministro, José Luis Rodríguez Zapatero, retira as tropas espanholas da Guerra do Iraque.

TERREMOTO DE FUKUXIMA

    Em 2011, o maior terremoto da história do Japão e o quarto maior desde 1900, de 9,1 graus na escala aberta de Richter, provoca um maremoto que causa ainda mais destruição na região de Tohoku, no Nordeste da ilha de Honshu, inclusive um acidente nuclear na central atômica de Fukuxima, matando 19.747 pessoas.

Mais de 100 mil pessoas são retiradas da área. Durante a emergência, todos os três reatores operacionais se desligam automaticamente, mas, com a falta de energia elétrica, o sistema de resfriamento dos reatores para de funcionar.

O Reator nº 1 explode no dia 12 e o nº 3 no dia 14. O governo manda evacuar todo o mundo dentro de um raio de 20 quilômetros da central nuclear. Este raio é ampliado para 30 km. Cerca de 154 mil pessoas saem da região.

A maioria volta para casa, mas uma área de 371 km2 fica isolada até 2021 e pode ficar contaminada por décadas. O acidente nuclear de Fukuxima é o segundo pior da história, atrás apenas do acidente de Chernobil, na Ucrânia, na época parte da União Soviética, em 26 de abril de 1986.

PANDEMIA DO CORONAVÍRUS

    Em 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declara que a doença do coronavírus de 2019 causa uma pandemia, uma epidemia de escala global.

A covid-19 surge na cidade de Wuhan, na China. O primeiro caso foi diagnosticado em 17 de novembro de 2019, de acordo com o jornal South China Morning Post, de Hong Kong. Em 3 de janeiro, a China confirma à OMS que há um novo coronavírus que causa uma pneumonia aguda que resiste a todos os tratamentos. Em 19 de janeiro, a China confirma a transmissão entre seres humanos. 

Quatro anos depois, são 695.781.740 casos confirmados e 6.919.573 mortes. Um estudo publicado na revista médica britânica The Lancet com base no excesso de mortes em comparação com anos anteriores estima que o verdadeiro número de mortes seja três vezes maior, cerca de 20 milhões. Ao todo, mais de 13,4 bilhões de doses de vacina foram aplicadas no mundo inteiro.

O Brasil registra 38.592.310 casos confirmados e perde pelo menos 740.427 vidas na pandemia. Tem a 20º maior taxa de mortalidades entre 228 países e territórios. Com 2,7% da população mundial, o Brasil tem mais de 10% das mortes na pandemia.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 31 de Dezembro

 COMPANHIA DAS ÍNDIAS ORIENTAIS

    Em 1600, a Companhia das Índias Orientais recebe uma carta real para explorar o comércio com o Sul, o Sudeste e o Leste da Ásia, tornando-se uma ponta de lança do imperialismo inglês e depois britânico. Talvez seja a empresa transnacional mais poderosa da história. Tem seu próprio exército e governa parte da Índia para o Império Britânico durante um século.

O comércio com a Ásia era monopólio da Espanha e de Portugal. A derrota da Invencível Armada para a Inglaterra em 1588 dá uma chance aos ingleses de romper o monopólio. A Cia. das Índias explora o comércio de especiarias, algodão, seda, salitre, chá e ópio.

Em 1757, a Cia. das Índias assume o controle militar de Bengala, começando a submeter a Índia ao Império Britânico. Na Festa do Chá de Boston, em 16 de dezembro de 1773, um dos acontecimentos que levaram à independência dos Estados Unidos, colonos norte-americanos invadem o porto de Boston. Em protesto contra novos impostos criados pela coroa britânica, jogam no mar uma carga de 42 toneladas de chá da Cia das Índias, avaliada em US$ 1,7 milhão pelas cotações de hoje.

Todos os grandes exploradores africanos do Império Britânico, como Richard Burton, Henry Stanley e David Livingstone, foram soldados da Cia das Índias.

Depois da Rebelião Indiana de 1857, o Império Britânico assume a administração direta da Índia, que dura 90 anos, até a independência da Índia e do Paquistão, em agosto de 1947. A Cia. das Índias deixa de existir em 1873.

CAPITAL DO CANADÁ

    Em 1857, a rainha Vitória torna Ottawa, situada na província de Ontário na confluência dos rios Ottawa, Gatineau e Rideau, como capital da província do Canadá, que em 1867 passa a ser um país da Comunidade Britânica.

Os primeiros habitantes são índios algonquinos. A tribo ottawa se estabelece lá no século 16. O primeiro europeu a descrever a região é Samuel de Champlain, o fundador da Nova França, em 1613. Os rios são os caminhos para os exploradores e comerciantes de peles.

No Tratado de Paris que põe fim à Guerra dos Sete Anos (1756-63), a França cede ao Reino Unido os territórios a leste do Rio Mississípi.

Durante as guerras da Revolução Francesa e napoleônicas (1792-1815), com a demanda por madeira para a construção de navios, o Vale do Rio Ottawa se torna uma fonte importante da matéria-prima.

Em 1800, um grupo de fazendeiros de Massachusetts liderado por Philemon Wright funda a primeira povoação permanente, Wrightsville, ao norte do Rio Ottawa. Wright começa a explorar a madeira em 1806. 

Na Guerra de 1812, entre os Estados Unidos e o Império Britânico, o Rio São Lourenço, entre Montreal e Kingston, vira alvo por sua importância estratégica e militar. Os britânicos decidem então construir um canal na Rio Rideau para servir como rota alternativa, desviando o tráfego no Rio Ottawa.

O coronel John By, do destacamento de Engenheiros Reais, encarregado da obra de 201 quilômetros, constrói uma povoação na margem sul do Rio Ottawa para alojar os trabalhadores. A vila, inicialmente chamada de Bytown, se torna a cidade de Ottawa em 1855.

CANAL É DO PANAMÁ

    Em 1999, os Estados Unidos entregam ao Panamá o controle do canal que liga os oceanos Atlântico e Pacífico, construído a partir de 1903, quando os EUA promovem a independência do país centro-americano, então parte da Colômbia.

Depois do fim da Guerra dos Mil Dias (1899-1902), uma das muitas entre liberais e conservadores, a Colômbia está enfraquecida. Os EUA tentam negociar uma concessão para construir um canal no Istmo do Panamá, na época parte da Colômbia.

Quando os colombianos rejeitam a proposta, os EUA invadem e seus aliados proclamam a independência do Panamá, em 1903. A obra do canal é complexa. A empresa francesa que construiu o Canal de Suez vai à falência.

Os norte-americanos assumem o controle do projeto em 1904. Em dez anos, abrem o canal, de 77,1 quilômetros de extensão. A inauguração oficial é em 15 de agosto de 1914. Para ir do Oceano Atlântico ao Pacífico e o contrário, os navios não precisam mais dar a volta pelo Cabo do Chifre, no extremo sul da América do Sul, um dos lugares mais perigosos da navegação mundial.

Como os níveis dos oceanos são diferentes, há um sistema de comportas. A travessia dura entre 20 a 30 horas.

Em 1977, o ditador panamenho Omar Torrijos negocia com o presidente Jimmy Carter a devolução do canal e da Zona do Canal, a área ao redor, ao Panamá, o que dá grande impulso ao desenvolvimento do país centro-americano.

Agora, o presidente eleito Donald Trump ameaça retomar o Canal do Panamá sob o argumento de que os EUA estão sendo prejudicados pelas altas tarifas cobradas pelo Panamá e porque companhias chinesas administram os portos na entrada e na saída do canal.

ASCENSÃO DE PUTIN

    Em 1999, com a renúncia de Boris Yeltsin, o primeiro-ministro Vladimir Putin, nomeado quatro meses antes, assume a Presidência da Rússia. Em 26 de março de 2000, ele vence a eleição presidencial com 53%.

Putin nasce em Leningrado, hoje São Petersburgo, em 7 de outubro de 1952, filho de mãe operária e de pai da Marinha. Tem uma infância muito dura nas ruas da cidade. Aprende judô para se defender. Ele estuda direito da Universidade de Leningrado e trabalha 16 anos no Comitê de Defesa do Estado (KGB), a polícia política da União Soviética.

Quando estouram as revoluções democráticas que acabam com o comunismo na Europa Oriental, Putin é subchefe do escritório do KGB em Dresden e oficial de ligação com o Ministério de Segurança do Estado da Alemanha Oriental (Stasi), a temida polícia política alemã-oriental.

Sob pressão, Putin ameaça atirar em manifestantes que tentam invadir o prédio. Pede ajuda a Berlim Oriental e ouve uma das frases que marcam sua vida: "Só podemos agir com a autorização de Moscou, e Moscou está em silêncio."

Depois da tentativa de golpe contra o presidente soviético, Mikhail Gorbachev, em agosto de 1991, Putin deixa o Partido Comunista. 

De 1990 a 1996, ele trabalha no governo municipal de Leningrado, que volta a se chamar São Pertersburgo depois do fim da URSS, em 1991, sob a liderança de Anatoli Sobchak. Em 1994, se torna vice-prefeito da cidade. Durante uma conferência internacional, descreve o fim da URSS como "a maior catástrofe geopolítica do século 20."

Com a derrota de Sobchak em 1996, Putin comenta que "não se deve realizar eleições sem saber o resultado antes", deixando claro suas tendências autoritárias. Ele vai trabalhar no Kremlin com Anatoli Chubais, o ministro das privatizações. Em 27 de março de 1997, é nomeado subchefe de pessoal de Yeltsin.

Em 27 de junho de 1997, defende uma tese de doutorado no Instituto de Mineração de São Petersburgo com plágio, com 15 páginas copiadas de um livro-texto norte-americano. Em 25 de julho de 1998, é nomeado diretor-geral do Serviço Federal de Segurança (FSB), sucessor do KGB.

Quando vira primeiro-ministro, para consolidar o poder, Putin inicia a Segunda Guerra da Chechênia (1999-2009), depois de ataques de extremistas muçulmanos na república russa do Daguestão e uma série de atentados suspeitos em Moscou, atribuídos a agentes secretos russos do FSB.

No poder, Putin se beneficia da alta nos preços do petróleo, que desabam para US$ 11 o barril com a Crise Asiática de 1997 e tem altas de 13,4 vezes, chegando a US$ 147,50. Até a crise econômico-financeira internacional agravada pelo colapso do banco Lehman Brothers, em setembro de 2008, a economia da Rússia cresce 7% ao ano, o que lhe dá grande popularidade depois do caos dos anos 1990 com o colapso do comunismo.

Sob Putin, a Rússia tem uma recaída para o autoritarismo. Ele acaba com as eleições para governadores regionais, que poderiam criar novas lideranças capaz de desafiá-lo. Seu governo é marcado pela corrupção generalizada, violações dos direitos humanos, prisão e assassinato de adversários políticos, como a jornalista Anna Politkovskaya e o ex-agente Alexander Litvinenko, inclusive no exterior, censura e intimidação da imprensa e do ativismo político, e o possível assassinato do líder da oposição, Alexei Navalny, que morreu em 16 de fevereiro de 2024 numa prisão no Círculo Polar Ártico..

Putin vira o homem-forte da Rússia. De 2008 a 2012, como a Constituição só permite uma reeleição, passa o poder para Dimitri Medvedev, mas controla o governo como primeiro-ministro. Ele vê as chamadas revoluções coloridas na Géorgia (2003) e na Ucrânia (2004) como conspirações do Ocidente para enfraquecer a Rússia. Tenta reafirmar a influência sobre as ex-repúblicas soviéticas, que os russos chamam de "exterior próximo".

Diante das revoltas da Primavera Árabe, em 2011, e de protestos durante as campanhas para as eleições parlamentares de 2011 e a eleição presidencial de 2012, Putin vê mais conspirações do Ocidente, considera a secretária de Estado Hillary Clinton uma inimiga e endurece o regime.

Depois da Revolução da Praça Maidan, na Ucrânia, contra o presidente Viktor Yanukovich, que suspende negociações de associação com a União Europeia em novembro de 2013, a Rússia anexa a Península de Crimeia, em março de 2014, e fomenta uma rebelião de russos étnicos no Leste da Ucrânia, a partir de 6 de abril de 2014, num prelúdio da invasão da Ucrânia de 24 de fevereiro de 2022, uma guerra imperial, de conquista, proibida pela Carta das Nações Unidas.

A partir de 30 de setembro de 2015, a Rússia intervém na guerra civil da Síria. É decisiva para sustentar a ditadura de Bachar Assad. Volta a se tornar uma potência no Oriente Médio, o que não era desde 1977, quando o então ditador do Egito, Anuar Sadat, abandona a aliança com a URSS e se aproxima dos EUA para fazer a paz com Israel e recuperar a Península do Sinai. A queda de Assad é uma derrota para Putin, que tenta manter duas bases militares na Síria, as únicas da Rússia no Mar Mediterrâneo.

Em 30 de setembro de 2022, depois de plebiscitos realizados sob a mira das armas, a Rússia anuncia a anexação de quatro províncias da Ucrânia (Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporíjia). Por causa do sequestro e deportação de crianças ucranianas, o Tribunal Penal Internacional (TPI) decreta a prisão de Putin por crime de genocídio em março de 2023..

O Brasil, signatário do Estatuto de Roma, que criou o TPI, tem a obrigação de prender Putin. Ela não vem à reunião de cúpula do Grupo dos Vinte (G-20) realizada no Rio de Janeiro em 18 e 19 de dezembro de 2024. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro das Relações Exteriores, embaixador Mauro Vieira, declaram que o ditador russo seria bem-vindo.

PANDEMIA DA COVID-19

    Em 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) fica sabendo de uma pneumonia viral diagnosticada na cidade de Wuhan, na China, que resiste a todos os tratamentos. O regime comunista chinês só confirma a informação em 3 de janeiro de 2020. É o começo da pandemia da doença do coronavírus de 2019 (covid-19).

O primeiro caso é rastreado em 17 de novembro, de acordo com o jornal South China Morning Post, de Hong Kong. A China ignora o protocolo estabelecido depois da epidemia da síndrome respitatória aguda grave (SARS-CoV-1), que infectou mais 8 mil pessoas a partir de 2002 e matou cerca de 800 até ser controlada em 2003.

A China deveria comunicar o surto da SARS-CoV-2 em 24 horas, mas só admite em 3 de janeiro e só revela que a covid-19 é transmitida de ser humano para ser humano em 20 de janeiro. Três dias depois, fecha a cidade de Wuhan, impondo um confinamento rigoroso por 76 dias, depois de 5 milhões de pessoas saírem da cidade, inclusive muitos estrangeiros porque milhões de empresas do mundo inteiro tinham alguma relação econômica com a cidade.

A covid-19 é diagnostica pela primeira vez no Brasil em 26 de fevereiro de 2020. Na Europa, a Itália é o país mais atingido inicialmente. Em 9 de março, torna-se o primeiro país a entrar em quarentena coletiva. A OMS declara que a covid-19 é uma pandemia em 11 de março.

Ao todo, a OMS registra 773 milhões de casos confirmados, sendo 103,4 milhões nos EUA, 99,3 milhões na China, 45 milhões na Índia, 39 milhões na França, 38,4 milhões na Alemanha e 37,5 milhões no Brasil.

Mais de 7 milhões morrem na pandemia, das quais 1,1 milhão nos EUA, 702,1 mil no Brasil, 533,3 mil na Índia, 400,9 mil na Rússia e 334,9 mil no México. Por causa da subnotificação, as estimavas vão até 20 milhões de mortes.

Cemitério improvisado em Manaus
Com 2,5% da população mundial, o Brasil teve 10% das mortes. O presidente Jair Bolsonaro foi considerado por Ian Bremmer, do Eurasia Group, a maior empresa de consultoria política do mundo, o pior governante do mundo na pandemia. (FOTO: cemitério improvisado em Manaus).

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