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sábado, 15 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 15 de Agosto

ABERTO O CANAL DO PANAMÁ

    Em 1914, o navio de carga e de passageiros norte-americano Ancon é o primeiro a atravessar o Canal do Panamá, que liga os oceanos Atlântico e Pacífico.

O Panamá pertencia å Colômbia, enfraquecida pela Guerra dos Mil Dias (1899-1902). Quando o Senado colombiano rejeita a proposta dos EUA para abrir o canal, uma intervenção militar norte-americana promove a independência do Panamá, que cede aos EUA o controle da Zona do Canal.

Só em 1977, o ditador Omar Torrijos negocia com o presidente Jimmy Carter a soberania sobre o canal. Em 1999, o Panamá assume o controle, fator de grande prosperidade do país nas últimas décadas.

Ao voltar à Casa Branca no início do ano, o presidente Donald Trump ameaça retomar o canal sob o pretexto de que há empresas chinesas operando portos dos dois lados.

FIM DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

     Em 1945, depois dos bombardeios nucleares dos Estados Unidos a Hiroxima e Nagasáki em 6 e 9 de agosto, num discurso de 4 minutos e 36 segundos, o imperador Hiroíto anuncia a rendição incondicional do Japão, pondo fim à Segunda Guerra Mundial (1939-45). 

A rendição é assinada oficialmente em 2 de setembro, quando países asiáticos ocupados pelo Japão declaram independência de seus colonizadores ocidentais, inclusive o Vietnã.

O Império do Japão invade a Manchúria em 1931 e o resto da China em 1937. De certa forma, começa a Segunda Guerra Mundial na Ásia antes da invasão da Alemanha Nazista à Polônia, em 1º de setembro de 1939, início da guerra na Europa.

A partir de 1940, o Japão invade os países do Sudeste Asiático colonizados por potências europeias sob a desculpa de libertá-los do imperialismo ocidental, mas é uma força de ocupação violenta e brutal. Em 7 de dezembro de 1941, quando o Japão bombardeia a 7ª Frota dos EUA em Pearl Harbor, no Havaí, os norte-americanos entram na guerra.

Diante da impressionante defesa do Japão durante as batalhas de Iwo Jima e Okinawa, em 1945, os EUA estimam que a invasão das quatro maiores ilhas do arquipélago japonês custaria 1 milhão de vidas e decidem usar a bomba atômica, testada pela primeira vez em 16 de julho em Alamogordo, no Novo México.

No seu primeiro pronunciamento pelo rádio, ao justificar a rendição, humilhante na cultura japonesa, que aconselha a lutar até a morte, Hiroíto alega que "o inimigo começou a usar a bomba mais cruel, com poder para produzir danos realmente incalculáveis, tirando muitas vidas inocentes". Em sua memória oral, publicada depois da guerra, o imperador confessa o temor de que "a raça japonesa seria destruída se a guerra continuasse".

Com a derrota, o imperador é obrigado a renunciar a seu status divino. Fica no cargo porque os americanos o mantêm como símbolo da identidade nacional. Em 1952, o Japão recupera a independência, mas até hoje há forças dos EUA no país.

INDEPENDÊNCIA E DIVISÃO DA ÍNDIA

    Em 1947, a Índia e o Paquistão conquistam a independência do Império Britânico acabando com 89 anos de dominação colonial direta e 190 anos desde que a Companhia das Índias Orientais toma Bengala.

O líder indiano Mohandas Gandhi, o Mahatma, saúda "o ato mais nobre da nação britânica". Mas o país se divide. As províncias de maioria hindu formam a República da Índia e as muçulmanas, o Paquistão. A Caxemira, de maioria muçulmana, vira o pomo da discórdia e causa a primeira e a segunda de quatro guerras entre os dois inimigos históricos e hoje potências nucleares, em 1947 e 1965.

Pelo menos 20 milhões de pessoas migram de um lado para o outro e 2 milhões morrem. Índia e Paquistão voltam a entrar em guerra em 1971, quando a Índia apoia a independência de Bangladesh, a República de Bengala, antigo Paquistão Oriental.

Também há um conflito que alguns historiadores e cientistas políticos chamam de guerra em 1999 na região de Cargill, na Cordilheira do Himalaia.

Em maio de 1998, a Índia e o Paquistão testam bombas atômicas e assumem o status de potências nucleares.

NASCE A COREIA DO SUL

    Em 1948, Syngman Rhee anuncia a fundação da República da Coreia (Coreia do Sul) com uma reivindicação de soberania sobre toda a Península Coreana.

A Coreia vive sob ocupação japonesa de 1910 até o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), quando os Estados Unidos tomam o Sul da Península Coreana e a União Soviética, o Norte. Com o início da Guerra Fria, a unificação do país se torna inviável.

Rhee cria a República da Coreia, que reivindica a soberania sobre toda a Península Coreana. O mesmo faz a República Popular Democrática da Coreia (Coreia do Norte), fundada em 9 de setembro de 1948 pelo Grande Líder Kim Il Sung. 

Isto leva à Guerra da Coreia, que começa com a invasão do Sul pelo Norte em 25 de junho de 1950 e termina em 27 de julho de 1953, com a restauração do status quo anterior à guerra. Até hoje, não há um acordo de paz definitivo.

PAZ, AMOR E MÚSICA EM WOODSTOCK

    Em 1969, começa o Festival de Woodstock, o mais emblemático dos anos 1960 e da era hippie, três dias de paz, amor e rock'n'roll numa fazenda da cidade de Bethel, no estado de Nova York, encerrado com Jimi Hendrix apresentando uma versão épica do Hino dos Estados Unidos distorcido para lembrar os bombardeios da Guerra do Vietnã.

Os organizadores querem levantar dinheiro para criar um estúdio e um retiro para músicos na cidade de Woodstock, que nega permissão para o evento, quase abandonado. A solução vem do produtor de leite Max Yasgur, que oferece sua fazenda de 240 hectares em Bethel, a cerca de 80 quilômetros de Woodstock.

Os ingressos custam 6 e 8 dólares por dia, mas a maioria das 400 mil pessoas pula a cerca e entra de graça. O prejuízo inicial é estimado em US$ 1,3 milhão, cerca de US$ 9 milhões pela cotação de hoje. Durante três dias, ouvem músicos como Hendrix, Richie Havens, Joan Baez, Janis Joplin, Joe Cocker, The Who, Jefferson Airplane, Ten Years After e Crosby Stills Nash & Young. 

Pouco mais de uma década depois, o festival começa a dar lucro, com a venda dos discos, do filme e de lembranças deste grande marco na história do rock.

APOCALIPSE NO VIETNÃ

    Em 1979, depois de muitos problemas de produção e vários adiamentos, é lançado o filme Apocalypse Now, uma ficção de Francis Ford Coppola sobre a Guerra do Vietnã inspirada no livro No Coração das Trevas, de Joseph Conrad, sobre a criminosa exploração do Congo pela Bélgica.

A história se passa em 1969, quando o capitão do Exército dos Estados Unidos e veterano de operações especiais Benjamin Willard (Martin Sheen) é encarregado de matar o coronel rebelde Walter Kurtz (Marlon Brando), que cria seu próprio feudo no Camboja, onde é venerado como um semideus.

Durante a viagem, ele passa por cenas patéticas como soldados surfando em meio a um ataque de helicópteros enquanto uma floresta vizinha atingida por bombas incendiárias de napalm pega fogo. É um dos melhores filmes de guerra da história do cinema.

PIOR ATENTADO NA IRLANDA DO NORTE

    Em 1998, depois da assinatura do Acordo de Paz da Sexta-Feira Santa, o Exército Republicano Irlandês Real ou Verdadeiro (Real IRA) explode uma bomba em Omagh, mata 29 pessoas e deixa mais de 200 feridas no pior atentado terrorista da guerra civil na Irlanda do Norte.

O Ira Real é um grupo dissidente do IRA Provisório, que luta durante 29 anos contra o domínio britânico sobre a Irlanda do Norte. Não aceita o acordo de paz. Ao contrário de ataques anteriores, o telefonema que revela a existência de uma bomba manda as pessoas irem em direção ao local da explosão.

Cerca de 3,5 mil pessoas morrem na guerra civil na Irlanda do Norte.

VOLTA DOS TALEBÃ

    Em 2021, com a retirada dos Estados Unidos, a Milícia dos Talebã (Estudantes) volta ao poder no Afeganistão depois de quase 20 anos e reimpõe o regime fundamentalismo islâmico que oprime especialmente as mulheres, proibidas de estudar, trabalhar e viajar sozinhas.

Os EUA e aliados atacam o Afeganistão em 7 de outubro de 2001 atrás dos líderes da rede terrorista Al Caeda, responsáveis pelos atentados de 11 de setembro daquele ano em Nova York e no Pentágono. Os talebã caem em três semanas. Os chefes da Caeda são cercados na Batalha de Tora Bora, em dezembro de 2001, mas Ossama ben Laden consegue fugir para o Paquistão, onde é morto por uma tropa de elite dos EUA em 2 de maio de 2011.

No ano seguinte, o governo George W. Bush reorienta a guerra contra o terrorismo para atacar o Iraque, que não tinha relação com o extremismo muçulmano. Os EUA instalam governos-fantoches no Afeganistão que nunca controlam o interior do país.

Com quase 20 anos, a Guerra do Afeganistão é a mais longa da história dos EUA. Pelo menos 169 mil pessoas morrem, sendo 2.448 soldados norte-americanos.

O governo afegão é catastrófico. Por causa das violações dos direitos humanos, o dinheiro do país depositado no exterior está congelado. A grande maioria da população sofre de insegurança alimentar.

A morte do líder d’al Caeda, Ayman al-Zawahiri, atingido por um drone dos EUA na casa onde morava num bairro nobre de Cabul em 31 de julho de 2022, indica que o Afeganistão volta a ser um refúgio para extremistas muçulmanos. 

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segunda-feira, 4 de maio de 2026

Hoje na História do Mundo: 4 de Maio

 CONSTRUÇÃO DO CANAL DO PANAMÁ

    Em 1905, os Estados Unidos iniciam a segunda tentativa de abrir um canal entre os oceanos Atlântico e Pacífico no Istmo do Panamá, depois do fracasso que companhia francesa que construiu o Canal de Suez.

O sonho de construir um canal através do Istmo do Panamá vem desde 1534, quando Carlos V, rei da Espanha e imperador do Sacro Império Romano-Germânico, fala na ideia. Em 14 de agosto de 1843, o Banco Barings, de Londres, fecha contrato com a República de Nova Granada para abrir um canal no Istmo da Darién (Panamá). Mas o projeto nunca sai do papel.

Em 1846, os EUA negociam com Nova Granada o direito de trânsito e intervenção militar no istmo. Quatro anos depois, começam a construção da Ferrovia do Panamá.

A obra é tentada para valer por Ferdinand de Lesseps, o construtor do Canal de Suez. Ele obtém permissão da Colômbia em 1878. O trabalho se inicia em 1880, mas o terreno, relevo e clima criam desafios formidáveis. Chuvas torrenciais, desmoronamentos e a alta incidência de doenças tropicais como malária e febre amarela levam a empresa à falência.

O presidente Theodore Roosevelt, considerado o pai do imperialismo norte-americano, decide concluir a obra. Em 1903, os EUA fecham o Tratado Hey-Herran, mas o Senado da Colômbia não o ratifica. Com a Colômbia fragilizada depois da Guerra dos Mil Dias (1899-1902), os EUA intervêm militarmente e promovem a independência do Panamá.

A construção termina em 10 de outubro de 1913, quando o presidente norte-americano Woodrow Wilson detona uma carga de dinamite para desobstruir o último obstáculo. A inauguração do canal de 82 quilômetros acontece em 14 de agosto de 1914.

Em 1977, o presidente Jimmy Carter faz um acordo com o ditador Omar Torrijos para devolver o canal ao Panamá em 1999, o que traz grande prosperidade do país.

Nos primeiros 100 anos, mais de 820 mil navios passaram pelo Canal do Panamá.

Desde que tomou posse para um segundo mandato, o presidente Donald Trump fala em retomar o controle do canal pelos EUA.

MOVIMENTO QUATRO DE MAIO

    Em 1919, manifestações de estudantes contra a decisão do Tratado de Versalhes de entregar ao Japão territórios chineses em Shandong antes ocupados pela Alemanha marcam o início de um movimento político e cultural anti-imperialista. O Partido Comunista da China, fundado em 1921, é filho do Movimento Quatro de Maio.

A China era o Império do Meio ou do Centro, o centro do mundo na Ásia desde sua unificação, em 221 antes de Cristo. O Império Chinês entra em declínio com a derrota para o Império Britânico nas Guerras do Ópio (1839-42 e 1856-60) e para o Japão na Primeira Guerra Sino-Japonesa (1894-95), que acaba com a ordem sino-cêntrica e torna o Japão o país mais poderoso do Leste da Ásia. A China perde também a Guerra dos Boxers (1899-1901), uma luta anti-imperialista.

A Revolução Xinhai derruba o império em 1911. O início da era republicana é turbulento. A China é um dos países mais pobres do mundo, com renda média por pessoa de 100 dólares por ano. O interior do país é dominado por senhores da guerra. 

Nos anos 1920, começa uma guerra civil entre os comunistas e os nacionalistas do Kuomintang (KMT), liderado por Chiang Kai-shek, que é interrompida pela Segunda Guerra Mundial (1939-45) e recomeça depois da guerra até a vitória dos partidários de Mao Tsé-tung em 1º de outubro de 1949.

Com as reformas de Deng Xiaoping, a China passa pelo maior e mais rápido desenvolvimento econômico da história. Hoje é a segunda maior economia do mundo e disputa a liderança global com os Estados Unidos.

MORTE NO CAMPUS

    Em 1970, 28 soldados da Guarda Nacional disparam 67 vezes em 13 segundos contra manifestantes que protestam pacificamente contra a participação dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã na Universidade Estadual de Kent, em Ohio. Eles matam quatro estudantes e ferem outros oito, inclusive um que fica paraplégico.

O Massacre de 4 de Maio ou da Universidade Estadual de Kent é um marco na luta contra a participação dos EUA na Guerra do Vietnã e, no caso, também contra a presença da Guarda Nacional no campus. Os estudantes protestam contra a intensificação da guerra contra o Camboja, anunciada em 30 de abril pelo presidente Richard Nixon.

Mais de 4 milhões de estudantes de milhares de escolas e universidades participam de protestos nos dias seguinte. É um momento decisivo na virada da opinião pública contra a guerra. O cantor e compositor Neil Young compõe a música Ohio.

As manifestações contra a guerra de Israel na Faixa de Gaza depois do ataque terrorista do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) em 7 de outubro de 2023 são as maiores em universidades dos EUA desde a Guerra do Vietnã. Servem de pretexto para a ofensiva do governo Donald Trump às universidades sob a alegação de combater o antissemitismo.

THATCHER CHEGA AO PODER

    Em 1979, depois de uma onda de greves conhecida como inverno do descontentamento em que o lixo se acumulou nas ruas e cadáveres ficaram insepultos pela paralisação lixeiros e coveiros, o Partido Conservador vence as eleições no Reino Unido e sua líder, Margaret Thatcher se torna a primeira primeira-ministra da Europa.

A crise do petróleo deflagrada pelo embargo da venda do petróleo árabe a países que apoiam Israel na Guerra do Yom Kippur, em 1973, causa recessão, desemprego e grandes filas nos postos de gasolina na Europa e na América. É o fim da era do petróleo barato.

No Reino Unido, o Partido Trabalhista volta ao poder em 1974 sob a liderança de Harold Wilson, que havia governado o país de 1964 a 1970, nos gloriosos anos 1960, quando Londres era um centro da música popular, da moda e da cultura.

Wilson critica os termos do acordo para a entrada do Reino Unido na então Comunidade Econômica Europeia, em 1973. No poder, renegocia o acordo e consegue aprová-lo num referendo em 1975, mas a decisão divide o partido e ele renuncia em favor de James Callaghan, um líder trabalhista fraco.

Com a economia em crise, o Reino Unido pede ajuda ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para defender a outrora poderosa libra esterlina. A onda de greves do inverno do descontentamento e o desemprego desmoralizam o governo trabalhista e abrem o caminho para Margaret Thatcher.

Margaret Hilda Roberts nasce em 1925, filha de um dono de armazém e vereador que se tornaria prefeito. Ela se forma em química na Universidade de Oxford. É eleita para a Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico pela primeira vez em 1959 pelo distrito de Finchley, no Norte de Londres. 

De 1970-74, Thatcher é ministra da Educação e da Ciência do governo Edward Heath. Após a derrota conservadora em 1974, Thatcher vence Heath na disputa pela liderança do partido no ano seguinte. É a primeira mulher a chefiar um grande partido britânico e a primeira primeira-ministra. Por suas posições conservadoras e seu anticomunismo, ganha a alcunha de Dama de Ferro da imprensa da União Soviética depois de um discurso como líder da oposição.

Além de cortar impostos, uma de suas principais bandeiras é a privatização de empresas estatais, que ela considera mais ineficientes do que o setor privado. Thatcher quer transformar a Grã-Bretanha num país de acionistas. Começa esse processo em 1981 sob forte oposição dos sindicados, ligados ao Partido Trabalhista.

Estão lançadas as bases do thatcherismo, que incluem recuo da máquina estatal, disciplina fiscal, cortes de impostos, privatizações, respeito à autoridade e à ordem pública, e um feroz anticomunismo. Poucos primeiros-ministros dão nome a uma filosofia política.

Em seu radicalismo, Margaret Thatcher chega a dizer: "Não existe isso que chamam de sociedade. Há homens, mulheres e famílias".

O total de desempregados no Reino Unido sobe para 3 milhões, e o número de pobres aumenta quatro vezes, aprofundando a desigualdade social, uma das marcas perversas do neoconservadorismo. Impopular, Thatcher conta com uma ajuda inesperada.

A invasão das Ilhas Malvinas pela ditadura militar da Argentina em 2 de abril de 1982 é um teste para sua determinação. Uma força-tarefa é enviada para a guerra a 10 mil quilômetros de distância da Inglaterra. Em 14 de junho, as ilhas são retomadas depois da morte de 649 argentinos e 258 britânicos.

Humilhada, a ditadura militar argentina cai. Fortalecida, Thatcher obtém em 1983 sua maior vitória eleitoral. Com maioria de 144 deputados no Parlamento Britânico, parte para o enfrentamento com os sindicatos para impor sua ideologia econômica neoliberal. Uma greve de 11 meses contra o fechamento de 20 minas estatais deficitárias deixa o Reino Unido sem carvão em 1984 e 1985.

Sem o apoio da opinião pública, a greve fracassa. Os mineiros e o sindicalismo em geral perdem força.

Também em 1984, Margaret Thatcher sobrevive a um atentado a bomba do Exército Republicano Irlandês (IRA) contra a convenção anual do Partido Conservador. É uma tentativa de vingar as mortes de 10 militantes republicanos irlandeses em greve fome que exigiam reconhecimento como presos políticos, em 1981. Inflexível, a Dama de Ferro os considerava criminosos comuns.

No mesmo ano, Thatcher convida o futuro líder soviético Mikhail Gorbachev para ir a Londres. É a primeira a identificá-lo no Ocidente como "alguém com quem se pode negociar".

Naquela época, ela considera o líder negro sul-africano Nelson Mandela, que ainda está preso, como "terrorista". Mais tarde, defende o amigo e admirador general Augusto Pinochet, o ditador preso em Londres em 1998 por crimes cometidos quando governou o Chile, de 1973 a 1990.

Sob Thatcher, amplos setores da economia britânica, aviação, metalurgia, telecomunicações, água, energia e o sistema ferroviário, são entregues à iniciativa privada. São mudanças permanentes, observa o jornal The New York Times. Modernizam a Grã-Bretanha, mas aprofundam a desigualdade.

A ex-primeira-ministra também é uma grande adversária do aumento dos poderes da Comunidade Europeia, hoje União Europeia. Chega a bater na mesa com sua bolsa para pedir a devolução de parte da contribuição britânica para a política comum de subsídios agrícolas do bloco europeu, já que o Reino Unido tem uma agricultura muito menor do que países como a França e a Alemanha.

"Não estou pedindo o dinheiro dos outros. Estou pedindo nosso dinheiro de volta", afirmou.

Em 1987, depois de sua terceira vitória eleitoral consecutiva, Thatcher se torna ainda mais antieuropeia, preocupando um de seus maiores aliados, o centro financeiro de Londres, que teme perder a primazia para Paris ou Frankfurt na união monetária europeia porque o Reino Unido não adota o euro.

Uma de suas principais bandeiras, entusiasticamente adotada pelo Partido Conservador, é repatriar poderes da UE para o Parlamento Britânico. Diante do avanço do euroceticismo e da crise da Zona do Euro, o atual primeiro-ministro e líder do partido, David Cameron, prometeu convocar um plebiscito sobre a permanência do país na UE até 2017. Por 52% a 48%, em 23 de junho de 2016, o Reino Unido decidiu sair da UE

O risco de isolamento na Europa e a substituição do imposto predial e territorial por um imposto por pessoa, independentemente da renda pessoal e do tamanho da propriedade, selam sua impopularidade. Em novembro de 1990, o ex-ministro Michel Heseltine, um europeísta, desafia a liderança da Margaret Thatcher.

Sem uma vitória consistente, com mais de dois terços dos votos da bancada do partido na Câmara dos Comuns, Thatcher pede demissão. Vira Baronesa Thatcher e vai para a Câmara dos Lordes. Enquanto sua saúde permite, influencia a vida política do país.

regicídio, como o episódio é conhecido na Grã-Bretanha, abre uma guerra interna de que o Partido Conservador não se recuperou até hoje e que levou ao plebiscito para sair da UE. O compromisso com a defesa de Londres como um dos maiores centros financeiros do mundo entra em choque com a rejeição à integração europeia.

Talvez seu maior legado seja a profunda reforma política e econômica, que vai muito além do Reino Unido. Antes de Thatcher, a maioria das companhias aéreas e as empresas telefônicas de fora dos EUA eram estatais.

Para voltar ao poder com Tony Blair, em 1997, o Partido Trabalhista faz uma ampla mudança, abrindo mão do socialismo e da estatização dos meios de produção, que são excluídos do programa partidário para reconquistar a classe média. Essa é a grande vitória ideológica de Thatcher, fazer o principal adversário abraçar a economia de mercado.

Do ponto de vista econômico, o neoliberalismo que defendeu com tanto vigor ao lado de Ronald Reagan é a ideologia dominante da economia internacional por quase três décadas. Com suas políticas de desregulamentação e redução da atividade do Estado, é a principal causa da grande crise econômico-financeira internacional de 2008-9 e da grande concentração da riqueza nas últimas décadas, em que surgem cada vez mais bilionários enquanto a renda das classes médias está estagnada.

Acima de tudo, Thatcher ajuda a acabar com a Guerra Fria, resgata o prestígio da economia de mercado e recupera o orgulho do Reino Unido, mas a um custo social elevado que divide o país, aumenta a desigualdade social e o afasta do resto da Europa.

ACORDOS DE OSLO

    Em 1994, o primeiro-ministro trabalhista de Israel, Yitzhak Rabin, e o presidente da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Yasser Arafat, assinam no Cairo, a capital do Egito, o acordo que cria a Autoridade Nacional Palestina (ANP) e devolve aos árabes o controle parcial sobre a Faixa de Gaza e Jericó.

Quando a Assembleia Geral das Nações Unidas aprova a divisão do território histórico da Palestina entre um país árabe e um judeu, em 29 de novembro de 1947, os países árabes não aceitam. Com a fundação de Israel, em 14 de maio de 1948, os países árabes invadem o novo país, dando início a uma guerra sem fim.

O povo palestino é formado pelos árabes expulsos de suas terras quando Israel nasce e seus descendentes. A diáspora palestina fica ainda pior depois da Guerra dos Seis Dias (1967), quando Israel ocupa a Península do Sinai e a Faixa de Gaza, do Egito; as Colinas do Golã, da Síria; e a Cisjordânia, inclusive o setor oriental da Jerusalém, da Jordânia.

O Egito recupera o Sinai com os Acordos de Camp David (1979) e a questão palestina fica para trás. As negociações árabe-israelenses recomeçam na Conferência de Madri, em 30 e 31 de outubro de 1991, quando há uma atitude favorável a Israel por não ter reagido aos ataques de Saddam Hussein durante a Guerra do Golfo (1991) para expulsar os iraquianos do Kuwait.

As negociações não avançam. A cada reunião, os dois lados dão declarações acusatórias. Os palestinos não fazem nada sem consultar a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), de Yasser Arafat. Então, o governo trabalhista de Yitzhak Rabin e Shimon Peres decide fazer negociações secretas organizadas pela Noruega.

Esse processo leva à declaração de princípios e ao histórico aperto de mãos entre Rabin e Arafat na Casa Branca em 13 de setembro de 1993 e aos acordos de Oslo. O assassinato de Rabin por um extremista religioso judeu, em 4 de novembro de 1995, e a ascensão do primeiro-ministro conservador Benjamin Netanyahu ao poder no ano seguinte causam uma estagnação no processo de paz.

Historicamente, o Partido Likud, de Netanyahu, usa as negociações como uma forma de ganhar tempo enquanto amplia a colonização da Cisjordânia para criar uma política de fato consumado.

O general Ariel Sharon, um dos mais violentos da história de Israel, sai do Likud e funda o partido Kadima (Avante) para negociar a paz, mas sofre um AVC e não se recupera. Seu sucessor, Ehud Olmert, cai num escândalo de corrupção.

O Likud volta ao poder em 2009 com Netanyahu, o primeiro-ministro com mais tempo no poder em Israel, superando o fundador do país, David Ben Gurion. O resultado é esta guerra sem fim, agravada pela formação do governo mais extremista da história de Israel em dezembro de 2022 e especialmente pelo ataque terrorista do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) e aliados em 7 de outubro de 2023.

A guerra sem fim passou de um conflito de baixa intensidade para uma guerra para valer, com o uso de todas as armas, menos as bombas atômicas, que Israel também tem. No momento, há uma trégua, a segunda parte do plano de paz, que prevê o desarmamento do Hamas e a retirada de Israel, não avança.

Com esta guerra total, Netanyahu cria um ambiente insuportável para que os palestinos aceitem a ideia ventilada pelo presidente Donald Trump de uma emigração voluntária para esvaziar o território numa limpeza étnica que acabaria com qualquer chance de fundação de um Estado palestino no território histórico da Palestina, como previa a resolução da ONU que cria Israel, em 29 de novembro de 1947.

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quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 31 de Dezembro

 COMPANHIA DAS ÍNDIAS ORIENTAIS

    Em 1600, a Companhia das Índias Orientais recebe uma carta real para explorar o comércio com o Sul, o Sudeste e o Leste da Ásia, tornando-se uma ponta de lança do imperialismo inglês e depois britânico. Talvez seja a empresa transnacional mais poderosa da história. Tem seu próprio exército e governa parte da Índia para o Império Britânico durante um século.

O comércio com a Ásia era monopólio da Espanha e de Portugal. A derrota da Invencível Armada para a Inglaterra em 1588 dá uma chance aos ingleses de romper o monopólio. A Cia. das Índias explora o comércio de especiarias, algodão, seda, salitre, chá e ópio.

Em 1757, a Cia. das Índias assume o controle militar de Bengala, começando a submeter a Índia ao Império Britânico. Na Festa do Chá de Boston, em 16 de dezembro de 1773, um dos acontecimentos que levaram à independência dos Estados Unidos, colonos norte-americanos invadem o porto de Boston. Em protesto contra novos impostos criados pela coroa britânica, jogam no mar uma carga de 42 toneladas de chá da Cia das Índias, avaliada em US$ 1,7 milhão pelas cotações de hoje.

Todos os grandes exploradores africanos do Império Britânico, como Richard Burton, Henry Stanley e David Livingstone, foram soldados da Cia das Índias.

Depois da Rebelião Indiana de 1857, o Império Britânico assume a administração direta da Índia, que dura 90 anos, até a independência da Índia e do Paquistão, em agosto de 1947. A Cia. das Índias deixa de existir em 1873.

CAPITAL DO CANADÁ

    Em 1857, a rainha Vitória torna Ottawa, situada na província de Ontário na confluência dos rios Ottawa, Gatineau e Rideau, como capital da província do Canadá, que em 1867 passa a ser um país da Comunidade Britânica.

Os primeiros habitantes são índios algonquinos. A tribo ottawa se estabelece lá no século 16. O primeiro europeu a descrever a região é Samuel de Champlain, o fundador da Nova França, em 1613. Os rios são os caminhos para os exploradores e comerciantes de peles.

No Tratado de Paris que põe fim à Guerra dos Sete Anos (1756-63), a França cede ao Reino Unido os territórios a leste do Rio Mississípi.

Durante as guerras da Revolução Francesa e napoleônicas (1792-1815), com a demanda por madeira para a construção de navios, o Vale do Rio Ottawa se torna uma fonte importante da matéria-prima.

Em 1800, um grupo de fazendeiros de Massachusetts liderado por Philemon Wright funda a primeira povoação permanente, Wrightsville, ao norte do Rio Ottawa. Wright começa a explorar a madeira em 1806. 

Na Guerra de 1812, entre os Estados Unidos e o Império Britânico, o Rio São Lourenço, entre Montreal e Kingston, vira alvo por sua importância estratégica e militar. Os britânicos decidem então construir um canal na Rio Rideau para servir como rota alternativa, desviando o tráfego no Rio Ottawa.

O coronel John By, do destacamento de Engenheiros Reais, encarregado da obra de 201 quilômetros, constrói uma povoação na margem sul do Rio Ottawa para alojar os trabalhadores. A vila, inicialmente chamada de Bytown, se torna a cidade de Ottawa em 1855.

CANAL É DO PANAMÁ

    Em 1999, os Estados Unidos entregam ao Panamá o controle do canal que liga os oceanos Atlântico e Pacífico, construído a partir de 1903, quando os EUA promovem a independência do país centro-americano, então parte da Colômbia.

Depois do fim da Guerra dos Mil Dias (1899-1902), uma das muitas entre liberais e conservadores, a Colômbia está enfraquecida. Os EUA tentam negociar uma concessão para construir um canal no Istmo do Panamá, na época parte da Colômbia.

Quando os colombianos rejeitam a proposta, os EUA invadem e seus aliados proclamam a independência do Panamá, em 1903. A obra do canal é complexa. A empresa francesa que construiu o Canal de Suez vai à falência.

Os norte-americanos assumem o controle do projeto em 1904. Em dez anos, abrem o canal, de 77,1 quilômetros de extensão. A inauguração oficial é em 15 de agosto de 1914. Para ir do Oceano Atlântico ao Pacífico e o contrário, os navios não precisam mais dar a volta pelo Cabo do Chifre, no extremo sul da América do Sul, um dos lugares mais perigosos da navegação mundial.

Como os níveis dos oceanos são diferentes, há um sistema de comportas. A travessia dura entre 20 a 30 horas.

Em 1977, o ditador panamenho Omar Torrijos negocia com o presidente Jimmy Carter a devolução do canal e da Zona do Canal, a área ao redor, ao Panamá, o que dá grande impulso ao desenvolvimento do país centro-americano.

Agora, o presidente eleito Donald Trump ameaça retomar o Canal do Panamá sob o argumento de que os EUA estão sendo prejudicados pelas altas tarifas cobradas pelo Panamá e porque companhias chinesas administram os portos na entrada e na saída do canal.

ASCENSÃO DE PUTIN

    Em 1999, com a renúncia de Boris Yeltsin, o primeiro-ministro Vladimir Putin, nomeado quatro meses antes, assume a Presidência da Rússia. Em 26 de março de 2000, ele vence a eleição presidencial com 53%.

Putin nasce em Leningrado, hoje São Petersburgo, em 7 de outubro de 1952, filho de mãe operária e de pai da Marinha. Tem uma infância muito dura nas ruas da cidade. Aprende judô para se defender. Ele estuda direito da Universidade de Leningrado e trabalha 16 anos no Comitê de Defesa do Estado (KGB), a polícia política da União Soviética.

Quando estouram as revoluções democráticas que acabam com o comunismo na Europa Oriental, Putin é subchefe do escritório do KGB em Dresden e oficial de ligação com o Ministério de Segurança do Estado da Alemanha Oriental (Stasi), a temida polícia política alemã-oriental.

Sob pressão, Putin ameaça atirar em manifestantes que tentam invadir o prédio. Pede ajuda a Berlim Oriental e ouve uma das frases que marcam sua vida: "Só podemos agir com a autorização de Moscou, e Moscou está em silêncio."

Depois da tentativa de golpe contra o presidente soviético, Mikhail Gorbachev, em agosto de 1991, Putin deixa o Partido Comunista. 

De 1990 a 1996, ele trabalha no governo municipal de Leningrado, que volta a se chamar São Pertersburgo depois do fim da URSS, em 1991, sob a liderança de Anatoli Sobchak. Em 1994, se torna vice-prefeito da cidade. Durante uma conferência internacional, descreve o fim da URSS como "a maior catástrofe geopolítica do século 20."

Com a derrota de Sobchak em 1996, Putin comenta que "não se deve realizar eleições sem saber o resultado antes", deixando claro suas tendências autoritárias. Ele vai trabalhar no Kremlin com Anatoli Chubais, o ministro das privatizações. Em 27 de março de 1997, é nomeado subchefe de pessoal de Yeltsin.

Em 27 de junho de 1997, defende uma tese de doutorado no Instituto de Mineração de São Petersburgo com plágio, com 15 páginas copiadas de um livro-texto norte-americano. Em 25 de julho de 1998, é nomeado diretor-geral do Serviço Federal de Segurança (FSB), sucessor do KGB.

Quando vira primeiro-ministro, para consolidar o poder, Putin inicia a Segunda Guerra da Chechênia (1999-2009), depois de ataques de extremistas muçulmanos na república russa do Daguestão e uma série de atentados suspeitos em Moscou, atribuídos a agentes secretos russos do FSB.

No poder, Putin se beneficia da alta nos preços do petróleo, que desabam para US$ 11 o barril com a Crise Asiática de 1997 e tem altas de 13,4 vezes, chegando a US$ 147,50. Até a crise econômico-financeira internacional agravada pelo colapso do banco Lehman Brothers, em setembro de 2008, a economia da Rússia cresce 7% ao ano, o que lhe dá grande popularidade depois do caos dos anos 1990 com o colapso do comunismo.

Sob Putin, a Rússia tem uma recaída para o autoritarismo. Ele acaba com as eleições para governadores regionais, que poderiam criar novas lideranças capaz de desafiá-lo. Seu governo é marcado pela corrupção generalizada, violações dos direitos humanos, prisão e assassinato de adversários políticos, como a jornalista Anna Politkovskaya e o ex-agente Alexander Litvinenko, inclusive no exterior, censura e intimidação da imprensa e do ativismo político, e o possível assassinato do líder da oposição, Alexei Navalny, que morreu em 16 de fevereiro de 2024 numa prisão no Círculo Polar Ártico..

Putin vira o homem-forte da Rússia. De 2008 a 2012, como a Constituição só permite uma reeleição, passa o poder para Dimitri Medvedev, mas controla o governo como primeiro-ministro. Ele vê as chamadas revoluções coloridas na Géorgia (2003) e na Ucrânia (2004) como conspirações do Ocidente para enfraquecer a Rússia. Tenta reafirmar a influência sobre as ex-repúblicas soviéticas, que os russos chamam de "exterior próximo".

Diante das revoltas da Primavera Árabe, em 2011, e de protestos durante as campanhas para as eleições parlamentares de 2011 e a eleição presidencial de 2012, Putin vê mais conspirações do Ocidente, considera a secretária de Estado Hillary Clinton uma inimiga e endurece o regime.

Depois da Revolução da Praça Maidan, na Ucrânia, contra o presidente Viktor Yanukovich, que suspende negociações de associação com a União Europeia em novembro de 2013, a Rússia anexa a Península de Crimeia, em março de 2014, e fomenta uma rebelião de russos étnicos no Leste da Ucrânia, a partir de 6 de abril de 2014, num prelúdio da invasão da Ucrânia de 24 de fevereiro de 2022, uma guerra imperial, de conquista, proibida pela Carta das Nações Unidas.

A partir de 30 de setembro de 2015, a Rússia intervém na guerra civil da Síria. É decisiva para sustentar a ditadura de Bachar Assad. Volta a se tornar uma potência no Oriente Médio, o que não era desde 1977, quando o então ditador do Egito, Anuar Sadat, abandona a aliança com a URSS e se aproxima dos EUA para fazer a paz com Israel e recuperar a Península do Sinai. A queda de Assad é uma derrota para Putin, que tenta manter duas bases militares na Síria, as únicas da Rússia no Mar Mediterrâneo.

Em 30 de setembro de 2022, depois de plebiscitos realizados sob a mira das armas, a Rússia anuncia a anexação de quatro províncias da Ucrânia (Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporíjia). Por causa do sequestro e deportação de crianças ucranianas, o Tribunal Penal Internacional (TPI) decreta a prisão de Putin por crime de genocídio em março de 2023..

O Brasil, signatário do Estatuto de Roma, que criou o TPI, tem a obrigação de prender Putin. Ela não vem à reunião de cúpula do Grupo dos Vinte (G-20) realizada no Rio de Janeiro em 18 e 19 de dezembro de 2024. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro das Relações Exteriores, embaixador Mauro Vieira, declaram que o ditador russo seria bem-vindo.

PANDEMIA DA COVID-19

    Em 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) fica sabendo de uma pneumonia viral diagnosticada na cidade de Wuhan, na China, que resiste a todos os tratamentos. O regime comunista chinês só confirma a informação em 3 de janeiro de 2020. É o começo da pandemia da doença do coronavírus de 2019 (covid-19).

O primeiro caso é rastreado em 17 de novembro, de acordo com o jornal South China Morning Post, de Hong Kong. A China ignora o protocolo estabelecido depois da epidemia da síndrome respitatória aguda grave (SARS-CoV-1), que infectou mais 8 mil pessoas a partir de 2002 e matou cerca de 800 até ser controlada em 2003.

A China deveria comunicar o surto da SARS-CoV-2 em 24 horas, mas só admite em 3 de janeiro e só revela que a covid-19 é transmitida de ser humano para ser humano em 20 de janeiro. Três dias depois, fecha a cidade de Wuhan, impondo um confinamento rigoroso por 76 dias, depois de 5 milhões de pessoas saírem da cidade, inclusive muitos estrangeiros porque milhões de empresas do mundo inteiro tinham alguma relação econômica com a cidade.

A covid-19 é diagnostica pela primeira vez no Brasil em 26 de fevereiro de 2020. Na Europa, a Itália é o país mais atingido inicialmente. Em 9 de março, torna-se o primeiro país a entrar em quarentena coletiva. A OMS declara que a covid-19 é uma pandemia em 11 de março.

Ao todo, a OMS registra 773 milhões de casos confirmados, sendo 103,4 milhões nos EUA, 99,3 milhões na China, 45 milhões na Índia, 39 milhões na França, 38,4 milhões na Alemanha e 37,5 milhões no Brasil.

Mais de 7 milhões morrem na pandemia, das quais 1,1 milhão nos EUA, 702,1 mil no Brasil, 533,3 mil na Índia, 400,9 mil na Rússia e 334,9 mil no México. Por causa da subnotificação, as estimavas vão até 20 milhões de mortes.

Cemitério improvisado em Manaus
Com 2,5% da população mundial, o Brasil teve 10% das mortes. O presidente Jair Bolsonaro foi considerado por Ian Bremmer, do Eurasia Group, a maior empresa de consultoria política do mundo, o pior governante do mundo na pandemia. (FOTO: cemitério improvisado em Manaus).

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segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 3 de Novembro

 PANAMÁ DECLARA INDEPENDÊNCIA

    Em 1903, com o apoio dos Estados Unidos e da Companhia do Canal do Panamá, franco-norte-americana, o Panamá declara independência da Colômbia.

No Tratado Hay-Herrán, a Colômbia dá aos EUA o direito de usar o Istmo do Panamá para construir um canal ligando os oceanos Atlântico e Pacífico em troca de uma compensação financeira. O Senado dos EUA ratifica o tratado, mas o Senado da Colômbia o rejeita, temendo uma perda de soberania.

Então, o presidente Theodore Roosevelt, considerado o pai do imperialismo norte-americano, apoia a revolta dos nacionalistas panamenhos e envia tropas. A Colômbia está enfraquecida depois da Guerra dos Mil Dias (1889-1902) entre conservadores e liberais. Não consegue expulsar os fuzileiros navais dos EUA.

Os EUA reconhecem a independência do Panamá em 6 de novembro. Pelo Tratado de Hay-Bunau-Varilla, assinado em 18 de novembro, o Panamá dá aos EUA a posse exclusiva e permanente da Zona do Canal do Panamá por US$ 10 milhões e mais uma anuidade de US$ 250 mil, a ser paga a partir de nove anos depois. Há protestos no Panamá.

A obra começa em 1881, com a mesma companhia francesa que construiu o Canal de Suez, no Egito, mas a firma quebra por falta de confiança dos investidores, problemas de engenharia e a alta mortalidade dos trabalhadores, atingidos por moléstias tropicais como a febre amarela. O trabalho do médico sanitarista brasileiro Oswaldo Cruz no combate à febre amarela é importante para viabilizar a construção.

Em 4 de maio de 1904, os EUA assumem o controle da obra, que custa US$ 500 milhões, cerca de US$ 12,9 bilhões pela cotação do fim de 2020. Os dois oceanos são ligados em 10 de outubro de 1913, quando um sinal de telégrafo enviado pelo presidente Woodrow Wilson da Casa Branca detona o Dique da Gamboa. 

O navio SS Cristobal é o primeiro a cruzar o Canal do Panamá, em 3 de agosto de 1914, 401 anos depois que o navegador espanhol Vasco Núnez de Balboa se torna o primeiro europeu a atravessar o istmo e descobrir o Oceano Pacífico. A abertura oficial é um 14 de agosto. 

Em 1977, o ditador nacionalista Omar Torrijos negocia com o presidente norte-americano a transferência do canal para o Panamá em 1999. Cerca de 14 mil navios passam todo ano pelo Canal do Panamá.

CACHORRA NO ESPAÇO    

    Em 1957, 30 dias depois de lançar o Sputnik, primeiro satélite artificial da Terra, a União Soviética envia ao espaço o primeiro ser vivo, a cachorrinha Laika, uma rusky siberania que vivia nas ruas de Moscou. Ela morre de pânico e superaquecimento.

Outros cinco cachorros enviados pela URSS morrem no espaço antes do primeiro voo espacial tripulado com um ser humano, o cosmonauta Yuri Gagarin, subir aos céus, em 12 de abril de 1961, e descobrir que "a Terra é azul".

KENNEDISMO EXPLODE NAS URNAS

    Em 1964, Lyndon Johnson, o vice-presidente que assume a Presidência dos Estados Unidos depois do assassinato do presidente John Kennedy, em 22 de novembro de 1963, conquista uma vitória esmagadora sobre o senador racista Barry Goldwater, com mais de 60% do voto popular.

É a primeira eleição presidencial em que os moradores do Distrito de Colúmbia, onde fica a capital, votam, depois da aprovação da 23ª Emenda à Constituição dos EUA, em 1961.

MASSACRE DE GREENSBORO

    Em 1979, membros do grupo supremacista branco Ku Klux Klan e neonazistas matam cinco comunistas que participavam da manifestação Morte ao Klan, em Greensboro, na Carolina do Norte.

Durante o julgamento, realizado no ano seguinte, fica evidente que a polícia local sabia do risco de violência e não fez nada para impedir. Os seis réus são absolvidos. Outro julgamento, na Justiça Federal, em 1984, não condena ninguém.

Em 1985, um júri popular da Carolina do Norte condena dois policias de Greensboro, cinco neonazistas e klanistas e um informante a polícia pela morte de um dos manifestantes. Eles são obrigados a pagar uma indenização de US$ 400 mil. 

Este julgamento conclui que não houve conluio entre a polícia, agentes federais e o KKK para atacar a manifestação.

NOVO WORLD TRADE CENTER

    Em 2014, é aberta a torre do World Trade Center construída no lugar das Torres Gêmeas, derrubadas pelos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001.

  

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domingo, 7 de setembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 7 de setembro

 CRUZADA DOS REIS

    Em 1191, na Terceira Cruzada, o exército muçulmano do sultão Saladino ataca as forcas do rei Ricardo I, da Inglaterra, na Batalha de Arçufe, na Palestina, na marcha de Acre a Jafa. Ricardo Coração de Leão contra-ataca ao entardecer, mas sua marcha rumo a Jerusalém é retardada.

As Cruzadas são uma série de nove expedições militares dos cristãos para tentar reconquistar Jerusalém, tomada pelo califa Omar em 638. Depois do ano 1000, o patriarca da Igreja Ortodoxa de Constantinopla, capital do Império Bizantino, pede ajuda à Igreja Católica Romana.

Jesus Cristo pediu aos seres humanos para amarem uns aos outros. No Concílio de Clermont, em 27 de novembro de 1095, o papa Urbano II manda matar os infiéis e promete a remissão de todos os pecados para quem for voluntariamente para a guerra contra os muçulmanos.

A Primeira Cruzada (1096-99) é a única a conquistar Jerusalém. Funda em território da Palestina o Reino Cristão de Jerusalém (1099-1291). 

A Segunda Cruzada (1145-49), anunciada pela Papa Eugênio II, uma reação à queda de Edessa, é a primeira liderada por reis, Luís VII, da França, e Conrado III, do Sacro Império Romano-Germânico. Os dois exércitos marcham separadamente e são derrotados pelos turcos do Império Seljúcida.

A Terceira Cruzada (1189-92) é a Cruzada dos Reis, de Ricardo I, da Inglaterra, Felipe II, da França, e do sultão Saladino, líder dos muçulmanos. 

Depois da conquista de Acre, Ricardo I quer chegar até o mar, até o porto de Jafa. Em Arçufe, o exército cristão tem 10 mil infantes e 1,2 mil cavaleiros, organizados em 12 regimentos de cavalaria de 100 homens cada, com a infantaria guarnecendo os flancos e besteiros na linha de frente, com flechas muito mais poderosas do que as do inimigo. 

Estima-se que o exército muçulmano seja duas vezes maior, especialmente em cavalaria. O cavalo e o estribo formam a tecnologia militar dominante na Idade Média.

Ricardo resiste ao ataque de Saladino, quando suas forças iam de Acre para Jafa, até receber um reforço dos hospitalários. Ordena então um contra-ataque. Vence a batalha. Isso dá aos cristãos o dominío sobre a costa da região central da Palestina, inclusive o porto de Jafa.

CAMPANHA DA RÚSSIA

    Em 1812, o Grande Exército de Napoleão Bonaparte vence com muitas perdas a Batalha de Borodino contra o exército da Rússia sob o comando do general Mikhail Kutuzov a cerca de 110 quilômetros de Moscou.

Os russos recuam diante da invasão napoleônica, iniciada em 24 de junho, para evitar um confronto direto e se entrincheiram em Borodino para deter o avanço do inimigo rumo a Moscou. São 130 mil soldados de Napoleão com 500 tanques contra 120 mil russos com 600 canhões.

Napoleão faz um ataque frontal às seis da manhã. Até o meio-dia, os dois lados avançam e recuam na linha de frente, até que a artilharia dá vantagem à França, mas os russos resistem a sucessivas ofensivas.

O imperador francês não coloca em combate a Guarda Imperial, de 20 mil homens, e mais 10 mil soldados. Como Kutuzov não tem mais homens para entrar em ação, Napoleão perde a oportunidade de ter uma vitória decisiva. 

É uma vitória de Pirro, referência ao general que derrotou Roma duas vezes, em Heracleia (280 AC) e Ásculo (279 AC), mas suas forças sofreram tantas perdas que, ao andar pelo campo de batalha, vaticina: "Mais uma vitória destas e estou perdido." Perdeu em Malevento (275 AC), que os romanos rebatizaram de Benevento.

Com os soldados exaustos à tarde, a Batalha de Borodino continua até a noite com disparos de artilharia. À noite, Kutuzov recua. Napoleão entra em Moscou uma semana depois, em 14 de setembro, sem oposição. Os russos recuam e queimam a cidade para que o inimigo fique sem comida e sem abrigo.

Sem conseguir tomar o poder na Rússia, cinco semanas depois, Napoleão se retira, pega as chuvas e o frio do outono russo. É atacado à retaguarda pelos russos, na Batalha de Krasnol, de 15 a 18 de novembro de 1812. Sai da Rússia em 14 de dezembro.

A campanha da Rússia é a sua maior derrota. O Grande Exército de Napoleão invade a Rússia com algo entre 450 e 640 mil soldados, 150 mil cavalos e 1,4 mil peças de artilharia. Deixa a Rússia em 14 de dezembro. Pelo menos 380 mil morrem. Cerca de 120 mil sobrevivem, 50 mil austríacos, prussianos e outros alemães, 20 mil poloneses e 35 mil franceses. Muitos desertam.

 TIO SAM

    Em 1813, os Estados Unidos ganham seu apelido quando um jornal registra que os soldados que lutavam na Guerra de 1812 contra o Império Britânico chamam de Uncle Sam (Tio Sam) as embalagens de carne que o Exército recebe do comerciante William com US, de United States, escrito na caixa.

O desenho do Tio Sam aí em cima é feito pela primeira em 1870 pelo cartunista Thomas Nest em homenagem ao presidente Abraham Lincoln, um senhor de cabelos brancos e barbicha vestido com as cores da bandeira, azul, vermelho e branco, e uma cartola adornada com uma faixa azul marinho e estrelas brancas.

A pedido das Forças Armadas, em 1917, com a intervenção dos EUA na Primeira Guerra Mundial (1914-18), a imagem é refeita com o slogan "eu quero você". O Tio Sam quer que os norte-americanos se alistem para lutar na Europa.

Desde então, a imagem é associada ao imperialismo e ao militarismo norte-americano. 

INDEPENDÊNCIA DO BRASIL

    Em 1822, sob pressão das cortes portuguesas, que querem rebaixar o Brasil a colônia, o príncipe-regente Dom Pedro dá um grito às margens do Riacho Ipiranga, em São Paulo, e proclama: “Independência ou Morte!”

No fim do século 18, há cogitações em Lisboa sobre a conveniência de transferir a sede do governo para o Brasil a fim de não perder sua maior colônia. Isto acontece quando as forças do imperador francês Napoleão Bonaparte invadem Portugal em 1807. Por causa da aliança histórica com o Reino Unido, Portugal não adere ao Bloqueio Continental imposto por Napoleão ao comércio com os britânicos.

A chegada da família real, em 1808, e a abertura dos portos significam uma independência na prática. Em 1815, depois da derrota final de Napoleão, quando as monarquias europeias são restauradas, formam a Santa Aliança e o Concerto Europeu, o Brasil é elevado a Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve porque a capital do Império Português não poderia ficar numa colônia.

O Rio de Janeiro é a única cidade do Hemisfério Sul que foi capital de um império que se estendia por quatro continentes: América, África, Europa e Ásia.

Com a Revolução do Porto, em 1820, o rei Dom João VI é pressionado a voltar para Lisboa com toda a máquina administrativa trazida para o Brasil. Volta no ano seguinte, deixando o filho como príncipe-regente. Aí começa a pressão da corte para cortar os privilégios que o país havia obtido como capital do império.

Em 9 de janeiro de 1822, o príncipe Dom Pedro comunica que vai descumprir a ordem da coroa de voltar imediatamente para Portugal. É o Dia do Fico, quando a ruptura com Lisboa se torna inevitável.

A crise se agrava. Com Dom Pedro em São Paulo, a princesa-regente, Dona Leopoldina, preside a uma reunião do Conselho de Estado no Palácio Imperial da Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro. A futura imperatriz e José Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca da Independência, enviam cartas que Dom Pedro recebe em 7 de setembro às margens do Ipiranga e dá o grito.

O Brasil é um fenômeno único na história. O país se torna independente com a mesma família imperial que está no poder desde a Colônia. É um caso raro de conciliação das elites para manter tudo como está.

UNIFICAÇÃO DA ITÁLIA

    Em 1860, durante a luta pela unificação da Itália, Giuseppe Garibaldi entra em Nápoles e se declara "ditador das Duas Sicílias".

A Expedição dos Mil é um momento-chave da Segunda Guerra da Independência da Itália, quando os Camisas Vermelhas, sob o comando de Garibaldi, que luta na Revolução Farroupilha (1835-45) e no Uruguai, um especialista em guerra de guerrilhas, desembarcam na Sicília Ocidental e conquistam o Reino das Duas Sicílias, antes dominado pela Dinastia dos Bourbon.

Em 21 e 22 de julho de 1858, o imperador Napoleão III, da França, e o Reino da Sardenha fazem uma aliança contra o Império Austro-Húngaro pela independência do Norte da Itália.

Em março de 1859, as populações do Grão-Ducado da Toscana, do Ducado de Módena e do Ducado de Parma depõem seus governantes e pedem anexação ao Reino da Sardenha, enquanto a Úmbria e Marcas sofrem duram repressão dos Estados Pontifícios, do Vaticano ou Santa Sé.

O primeiro-ministro da Sardenha e futuro primeiro-ministro da Itália, Camillo Paolo Filipo Giulio Benso, Conde de Cavour, declara guerra à Áustria em 24 de abril de 1859. A Segunda Guerra da Independência da Itália termina em julho. 

Ninguém imagina que a Áustria entre em nova guerra menos de um ano depois da Batalha de Solferino, em 24 de junho de 1859, tão sangrenta que dá origem à Convenção de Genebra à Cruz Vermelha Internacional para socorrer feridos em guerra.

O Armistício de Villafranca reconhece o Reino da Sardenha e Lombardia, mas não o Vêneto. O Tratado de Turim, de 24 de março de 1860, cede a Saboia e Nice à França, enquanto o movimento nacional italiano ganha a anuência do imperador francês para a anexação da Toscana e da Romanha.

Em 11 de maio de 1860, Garibaldi e os Camisas Vermelhas invadem a Sicília. Três dias depois, ele se proclama ditador. Com a ajuda de uma insurreição popular, toma Palermo de 27 a 30 de maio.

Com o controle da Sicília, Garibaldi passa a planejar o ataque ao continente. Em 19 de agosto desembarca com 20 mil voluntários em Melito di Porto Salvo, na Calábria, no Sul da Itália. Como o rei Francisco II abandona Nápoles, o revolucionário de dois continentes, herói em três países, entra na cidade praticamente sem resistência.

Em 21 de outubro, um referendo aprova a anexação do Reino das Duas Sicílias ao Reino da Sardenha. A unificação da Itália acontece oficialmente em 17 de março de 1861, sob o rei da Sardenha, Vitor Emanuel II, da Dinastia de Saboia.

FIM DA GUERRA DOS BOXERS

    Em 1901, a assinatura de um protocolo acaba com a Guerra dos Boxers, uma revolta anti-imperialista que não consegue expulsar os estrangeiros da China.

A derrota na Guerra Sino-Japonesa de 1894-95 acaba com a milenar ordem sinocêntrica na Ásia. Marca o início da fase terminal do Império Chinês. No Norte, os chineses temem o aumento da influência estrangeira e se ressentem dos privilégios dos missionários cristãos. Em 1898, a região sofre várias catástrofes naturais, como seca e enchente do Rio Amarelo, aumentando o descontentamento.

A Guerra dos Boxers (1899-1901) é uma rebelião antiestrangeiros, anticolonial e anticristã no final da Dinastia Ching travada pela Sociedade dos Punhos Harmoniosos e Justiceiros, na maioria lutadores de kung fu sem armas de fogo.

A partir de 18 de outubro de 1899, os boxers destroem propriedades estrangeiras como as ferrovias e assassinam cristãos e missionários cristãos. Em junho de 1900, os boxers convergem para Beijim e cercam a cidade. Um exército formado por EUA, Reino Unido, França, Áustria-Hungria, Alemanha, Itália, Rússia e Japão invade a China em 17 de junho.

Em 21 de junho, a imperatriz Cixi baixa um decreto imperial declarando guerra às potências invasoras e manda matar todos os estrangeiros da capital chinesa, inclusive diplomatas. A aliança invasora rompe as defesas de Beijim em 14 de agosto. A cidade é saqueada e pilhada,

O Protocolo Boxer, de 7 de setembro 1901, prevê execução sumária de funcionários públicos que lutam pela rebelião, provisões para as tropas estrangeiras estacionadas em Beijim e 450 milhões de taéis de prata – mais do que a arrecadação anual do governo chinês – de indenização a serem pagos ao longo de 39 anos para as oito potências da aliança.

ENTREGA DO CANAL

   Em 1977, o presidente Jimmy Carter e o ditador Omar Torrijos assinam dois tratados para transferir o controle do Canal do Panamá dos Estados Unidos para o Panamá em 1999.

A companhia francesa que abriu o Canal de Suez inicia a obra do canal para ligar os oceanos Atlântico e Pacífico em 1880. Quebra por problemas de engenharia e doenças tropicais. O trabalho do médico sanitarista brasileiro Oswaldo Cruz contra a febre amarela ajudaria a realizar a obra.

O Panamá pertence à Colômbia. Quando o governo colombiano, enfraquecido pela Guerra dos Mil Dias (1899-1902) entre liberais e conservadores, rejeita a proposta norte-americana, os EUA promovem a independência do Panamá, em 3 de novembro de 1903.

A construção do canal começa em 4 de maio de 1904 e termina em 1913. O canal é inaugurado oficialmente em 15 de agosto de 1914.

O coronel Omar Torrijos, um nacionalista, chega ao poder num golpe militar em 1968, mas conta com apoio popular e negocia a soberania do país sobre o canal e a Zona do Canal, um enclave dos EUA.

Dois tratados garantem a soberania sobre o canal. O primeiro é o Tratado sobre a Neutralidade Permanente e e Operação do Canal, mais conhecido como Tratado da Neutralidade. O segundo é o Tratado do Canal do Panamá, que estabelece que o Panamá assume o controle total do canal a partir do ano 2000.

Ambos foram ratificados por maiores de dois terços em referendo realizado no Panamá em 23 de outubro de 1977. Depois de assumir o controle do canal, o país vive uma era de prosperidade. Quando volta à Casa Branca, em janeiro de 2025, o presidente Donald Trump ameaça retomar o Canal do Panamá.