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sábado, 20 de junho de 2026

Hoje na História do Mundo: 20 de Junho

TERCEIRO ESTADO REJEITA DISSOLUÇÃO 

   Em 1789, os deputados do Terceiro Estado, representantes dos comuns e do baixo clero, proibidos de se reunir em Versalhes, desafiam a ordem do rei Luís XVI para dissolver os Estados Gerais e se encontram no Jeu de Pomme, uma quadra de tênis coberta, onde fazem o Juramento da Quadra de Tênis. Prometem não se dispersar antes de mudar a Constituição da França.

Luís XVI ascende ao trono em 1774 e não consegue superar a crise financeira herdada do avô Luís XV, em parte resultante da derrota para o Império Britânico na Guerra dos Sete Anos (1756-63), quando a França perde as possessões na Índia e a maior parte do Canadá. Esta guerra é também uma das causas da independência dos Estados Unidos.

Sob intensa pressão popular depois de invernos rigorosos que causam quebras de safras, fome e queda nos impostos pagos pelos camponeses à aristocracia, em 24 de janeiro de 1789, Luís XVI convoca os Estados Gerais, a assembleia nacional onde estão representados os três estados da França (clero, nobreza e povo), que não se reunia desde 1614. A sociedade francesa mudara. O Terceiro Estado não é só o campesinato, inclui a burguesia em ascensão.

Diante de uma série de reivindicações de reformas, Luís XVI dissolve os Estados Gerais. Menos de um mês depois, em 14 de julho, os parisienses tomam a Bastilha, uma prisão-símbolo do regime. A Tomada da Bastilha marca o início da Revolução Francesa. Luís XVI e a rainha Maria Antonieta são guilhotinados em 1793, quando começa o Período do Terror.

RAINHA VITÓRIA

    Em 1837, com a morte do rei Guilherme IV, a rainha Vitória ascende ao trono do Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda. Durante seu reinado, de 63 anos e 216 dias, que vai até 1901, o Império Britânico se torna a maior potência mundial. A partir de 1876, Vitória é também imperatriz da Índia. É a última representante da Dinastia de Hannover e dá seu nome a uma era, a Era Vitoriana.

Alexandrina Vitória nasce no Palácio de Kensington, em Londres, em 24 de maio de 1819, filha do príncipe Eduardo, Duque de Kent e de Strathearn, quarto filho do rei George III, e da princesa Vitória de Saxe-Coburg-Saalfeld. Ela ascende ao trono aos 18 anos porque os três irmãos mais velhos do pai morrem sem deixar descendência legítima.

Monarca constitucional, Vitória tenta exercer influência política e se torna um ícone nacional associado a padrões rígidos de moralidade, a moral vitoriana.

Em 1840, Vitória se casa com o príncipe Albert de Saxe-Coburg e Gotha, que leva a tradição alemã do Natal para o Reino Unido. Seus nove filhos se casam com famílias reais e nobres do continente. Vitória é chamada de Avó da Europa.

Após a morte do marido, em 1861, Vitória se recolhe, mas depois reaparece e recupera a popularidade. Ela morre em 22 de janeiro de 1901 na Osborne House, na Ilha de Wight. É sucedida por seu filho Eduardo VII, primeiro rei da Dinastia de Saxe-Coburg e Gotha, a dinastia atual, que adota o nome de Windsor para tirar o sobrenome alemão durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18).

GUERRA DOS BOXERS

    Em 1900, começa na China a Guerra dos Boxers.

Cem mil nacionalistas, que se apresentam como I Ho Ch'uan (Sociedade dos Punhos Justos e Harmoniosos), na verdade praticantes de kung fu, invadem Beijim com o apoio da imperatriz Tzu'u Hzi ou Cixi e atacam o bairro diplomático, cercam representações de outros países, destroem igrejas e matam estrangeiros, inclusive o embaixador da Alemanha, Barão von Ketteller.

A China, o Império do Meio ou do Centro, há séculos era a potência dominante, o centro do mundo, na Ásia. Durante o século 19, o Império Britânico derrota o decadente Império Chinês nas Guerras do Ópio (1839-42 e 1856-60) para impor o livre comércio, inclusive de ópio, e o Japão acaba com a ordem sinocêntrica ao vencer a Primeira Guerra Sino-Japonesa (1894-95). 

Os boxers se rebelam contra a crescente influência de potências estrangeiras, que dominavam a economia chinesa. Acreditam que poderiam vencer as armas de fogo com técnicas da arte marcial chinesa. É uma volta contra estrangeiros, anticolonialista e anticristã.

A imperatriz pass a apoiar o grupo em 1898. No ano seguinte, começam os ataques a estrangeiros e chineses cristãos. Em 14 de agosto de 1899, uma força internacional com soldados alemães, americanos, britânicos, franceses, japoneses e russos tomam a capital chinesa.

Em 18 de junho de 1900, a imperatriz Cixi manda matar todos os estrangeiros, inclusive diplomatas e suas famílias. A guerra começa dois dias depois.

O Protocolo de Beijim, de 7 de setembro de 1901, marca o fim da revolta. A China aceita acordos econômicos favoráveis às grandes potências, paga US$ 333 milhões em indenizações e forças estrangeiras ficam estacionadas permanentemente em território chinês.

ESTREIA DE TUBARÃO

    Em 1975, estreia nos Estados Unidos Tubarão, de Steven Spielberg, o filme que fez as pessoas terem medo de entrar no mar. É a história baseada num livro de sucesso de um grande tubarão branco que aterroriza uma cidade da Nova Inglaterra.

É o primeiro grande sucesso de Spielberg, que filmaria Contatos Imediatos do Terceiro Grau, Caçadores da Arca Perdida, ET: o Extraterrestre, Parque Jurássico, A Lista de Schindler, Salvando o Soldado Ryan e Lincoln. Tubarão, ET e Parque Jurássico estão entre as maiores bilheterias da história do cinema.

Quarenta e sete anos depois, Spielberg manifesta arrependimento por dirigir o filme que demonizou o tubarão branco, por causa do impacto ecológico. A população de tubarões caiu em 70% desde os anos 1970, em parte também por causa do crescimento econômico da China, onde a sopa de barbatana de tubarão é uma iguaria.

SEM PENA DE MORTE PARA DEFICIENTES MENTAIS

    Em 2002, no caso Atkins v. Virginia, por 6-3, a Suprema Corte considera que aplicar a pena de morte a pessoas com deficiência mental ou intelectual viola a Emenda nº 8 à Constituição dos Estados Unidos, que protege contra "punição cruel e incomum".

Por volta da meia-noite de 16 para 17 de agosto de 1996, depois de passar o dia bebendo e fumando maconha, Daril Atkins e um cúmplice, William Jones, assaltam e sequestram o soldado Eric Nesbitt, aviador da Base Aérea de Langley, no estado da Virgínia. 

Insatisfeitos com os US$ 60 que Nesbitt tem no bolso, eles vão até um caixa eletrônico, obrigam o militar a pegar mais US$ 200. Depois o levam para um local deserto e o assassinam com oito tiros. Os dois são presos rapidamente. Um acusa o outro, mas a polícia vê inconsistências nos depoimentos de Atkins, conclui que ele deu os tiros e faz um acordo com Jones para acusar o cúmplice e assim ser poupado da pena de morte.

Durante o julgamento em primeira instância, o advogado de Atkins apresenta o histórico escolar e um teste de inteligência do réu com QI (quociente intelectual) 59, que indica um "retardo mental leve". Mesmo assim, Atkins recebe uma sentença de pena de morte.

O Tribunal de Justiça da Virgínia confirma a condenação, mas anula a sentença. A procuradoria entra com dois agravantes: o "futuro perigo" que Atkins representa e pelo crime ter sido cometido de "maneira vil". O TJ da Virgínia confirma a sentença.

Quando a Suprema Corte decide este caso, apenas 18 dos 38 estados que aplicam a pena de morte isentam condenados com deficiência mental ou intelectual. A Suprema Corte aceita o caso para firmar jurisprudência.

A decisão diz que, ao contrário de outros pontos da Constituição, a Emenda nº 8 deve ser interpretada tendo em vista a "evolução dos padrões de decência que marcam o progresso de uma sociedade em amadurecimento".

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domingo, 7 de setembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 7 de setembro

 CRUZADA DOS REIS

    Em 1191, na Terceira Cruzada, o exército muçulmano do sultão Saladino ataca as forcas do rei Ricardo I, da Inglaterra, na Batalha de Arçufe, na Palestina, na marcha de Acre a Jafa. Ricardo Coração de Leão contra-ataca ao entardecer, mas sua marcha rumo a Jerusalém é retardada.

As Cruzadas são uma série de nove expedições militares dos cristãos para tentar reconquistar Jerusalém, tomada pelo califa Omar em 638. Depois do ano 1000, o patriarca da Igreja Ortodoxa de Constantinopla, capital do Império Bizantino, pede ajuda à Igreja Católica Romana.

Jesus Cristo pediu aos seres humanos para amarem uns aos outros. No Concílio de Clermont, em 27 de novembro de 1095, o papa Urbano II manda matar os infiéis e promete a remissão de todos os pecados para quem for voluntariamente para a guerra contra os muçulmanos.

A Primeira Cruzada (1096-99) é a única a conquistar Jerusalém. Funda em território da Palestina o Reino Cristão de Jerusalém (1099-1291). 

A Segunda Cruzada (1145-49), anunciada pela Papa Eugênio II, uma reação à queda de Edessa, é a primeira liderada por reis, Luís VII, da França, e Conrado III, do Sacro Império Romano-Germânico. Os dois exércitos marcham separadamente e são derrotados pelos turcos do Império Seljúcida.

A Terceira Cruzada (1189-92) é a Cruzada dos Reis, de Ricardo I, da Inglaterra, Felipe II, da França, e do sultão Saladino, líder dos muçulmanos. 

Depois da conquista de Acre, Ricardo I quer chegar até o mar, até o porto de Jafa. Em Arçufe, o exército cristão tem 10 mil infantes e 1,2 mil cavaleiros, organizados em 12 regimentos de cavalaria de 100 homens cada, com a infantaria guarnecendo os flancos e besteiros na linha de frente, com flechas muito mais poderosas do que as do inimigo. 

Estima-se que o exército muçulmano seja duas vezes maior, especialmente em cavalaria. O cavalo e o estribo formam a tecnologia militar dominante na Idade Média.

Ricardo resiste ao ataque de Saladino, quando suas forças iam de Acre para Jafa, até receber um reforço dos hospitalários. Ordena então um contra-ataque. Vence a batalha. Isso dá aos cristãos o dominío sobre a costa da região central da Palestina, inclusive o porto de Jafa.

CAMPANHA DA RÚSSIA

    Em 1812, o Grande Exército de Napoleão Bonaparte vence com muitas perdas a Batalha de Borodino contra o exército da Rússia sob o comando do general Mikhail Kutuzov a cerca de 110 quilômetros de Moscou.

Os russos recuam diante da invasão napoleônica, iniciada em 24 de junho, para evitar um confronto direto e se entrincheiram em Borodino para deter o avanço do inimigo rumo a Moscou. São 130 mil soldados de Napoleão com 500 tanques contra 120 mil russos com 600 canhões.

Napoleão faz um ataque frontal às seis da manhã. Até o meio-dia, os dois lados avançam e recuam na linha de frente, até que a artilharia dá vantagem à França, mas os russos resistem a sucessivas ofensivas.

O imperador francês não coloca em combate a Guarda Imperial, de 20 mil homens, e mais 10 mil soldados. Como Kutuzov não tem mais homens para entrar em ação, Napoleão perde a oportunidade de ter uma vitória decisiva. 

É uma vitória de Pirro, referência ao general que derrotou Roma duas vezes, em Heracleia (280 AC) e Ásculo (279 AC), mas suas forças sofreram tantas perdas que, ao andar pelo campo de batalha, vaticina: "Mais uma vitória destas e estou perdido." Perdeu em Malevento (275 AC), que os romanos rebatizaram de Benevento.

Com os soldados exaustos à tarde, a Batalha de Borodino continua até a noite com disparos de artilharia. À noite, Kutuzov recua. Napoleão entra em Moscou uma semana depois, em 14 de setembro, sem oposição. Os russos recuam e queimam a cidade para que o inimigo fique sem comida e sem abrigo.

Sem conseguir tomar o poder na Rússia, cinco semanas depois, Napoleão se retira, pega as chuvas e o frio do outono russo. É atacado à retaguarda pelos russos, na Batalha de Krasnol, de 15 a 18 de novembro de 1812. Sai da Rússia em 14 de dezembro.

A campanha da Rússia é a sua maior derrota. O Grande Exército de Napoleão invade a Rússia com algo entre 450 e 640 mil soldados, 150 mil cavalos e 1,4 mil peças de artilharia. Deixa a Rússia em 14 de dezembro. Pelo menos 380 mil morrem. Cerca de 120 mil sobrevivem, 50 mil austríacos, prussianos e outros alemães, 20 mil poloneses e 35 mil franceses. Muitos desertam.

 TIO SAM

    Em 1813, os Estados Unidos ganham seu apelido quando um jornal registra que os soldados que lutavam na Guerra de 1812 contra o Império Britânico chamam de Uncle Sam (Tio Sam) as embalagens de carne que o Exército recebe do comerciante William com US, de United States, escrito na caixa.

O desenho do Tio Sam aí em cima é feito pela primeira em 1870 pelo cartunista Thomas Nest em homenagem ao presidente Abraham Lincoln, um senhor de cabelos brancos e barbicha vestido com as cores da bandeira, azul, vermelho e branco, e uma cartola adornada com uma faixa azul marinho e estrelas brancas.

A pedido das Forças Armadas, em 1917, com a intervenção dos EUA na Primeira Guerra Mundial (1914-18), a imagem é refeita com o slogan "eu quero você". O Tio Sam quer que os norte-americanos se alistem para lutar na Europa.

Desde então, a imagem é associada ao imperialismo e ao militarismo norte-americano. 

INDEPENDÊNCIA DO BRASIL

    Em 1822, sob pressão das cortes portuguesas, que querem rebaixar o Brasil a colônia, o príncipe-regente Dom Pedro dá um grito às margens do Riacho Ipiranga, em São Paulo, e proclama: “Independência ou Morte!”

No fim do século 18, há cogitações em Lisboa sobre a conveniência de transferir a sede do governo para o Brasil a fim de não perder sua maior colônia. Isto acontece quando as forças do imperador francês Napoleão Bonaparte invadem Portugal em 1807. Por causa da aliança histórica com o Reino Unido, Portugal não adere ao Bloqueio Continental imposto por Napoleão ao comércio com os britânicos.

A chegada da família real, em 1808, e a abertura dos portos significam uma independência na prática. Em 1815, depois da derrota final de Napoleão, quando as monarquias europeias são restauradas, formam a Santa Aliança e o Concerto Europeu, o Brasil é elevado a Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve porque a capital do Império Português não poderia ficar numa colônia.

O Rio de Janeiro é a única cidade do Hemisfério Sul que foi capital de um império que se estendia por quatro continentes: América, África, Europa e Ásia.

Com a Revolução do Porto, em 1820, o rei Dom João VI é pressionado a voltar para Lisboa com toda a máquina administrativa trazida para o Brasil. Volta no ano seguinte, deixando o filho como príncipe-regente. Aí começa a pressão da corte para cortar os privilégios que o país havia obtido como capital do império.

Em 9 de janeiro de 1822, o príncipe Dom Pedro comunica que vai descumprir a ordem da coroa de voltar imediatamente para Portugal. É o Dia do Fico, quando a ruptura com Lisboa se torna inevitável.

A crise se agrava. Com Dom Pedro em São Paulo, a princesa-regente, Dona Leopoldina, preside a uma reunião do Conselho de Estado no Palácio Imperial da Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro. A futura imperatriz e José Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca da Independência, enviam cartas que Dom Pedro recebe em 7 de setembro às margens do Ipiranga e dá o grito.

O Brasil é um fenômeno único na história. O país se torna independente com a mesma família imperial que está no poder desde a Colônia. É um caso raro de conciliação das elites para manter tudo como está.

UNIFICAÇÃO DA ITÁLIA

    Em 1860, durante a luta pela unificação da Itália, Giuseppe Garibaldi entra em Nápoles e se declara "ditador das Duas Sicílias".

A Expedição dos Mil é um momento-chave da Segunda Guerra da Independência da Itália, quando os Camisas Vermelhas, sob o comando de Garibaldi, que luta na Revolução Farroupilha (1835-45) e no Uruguai, um especialista em guerra de guerrilhas, desembarcam na Sicília Ocidental e conquistam o Reino das Duas Sicílias, antes dominado pela Dinastia dos Bourbon.

Em 21 e 22 de julho de 1858, o imperador Napoleão III, da França, e o Reino da Sardenha fazem uma aliança contra o Império Austro-Húngaro pela independência do Norte da Itália.

Em março de 1859, as populações do Grão-Ducado da Toscana, do Ducado de Módena e do Ducado de Parma depõem seus governantes e pedem anexação ao Reino da Sardenha, enquanto a Úmbria e Marcas sofrem duram repressão dos Estados Pontifícios, do Vaticano ou Santa Sé.

O primeiro-ministro da Sardenha e futuro primeiro-ministro da Itália, Camillo Paolo Filipo Giulio Benso, Conde de Cavour, declara guerra à Áustria em 24 de abril de 1859. A Segunda Guerra da Independência da Itália termina em julho. 

Ninguém imagina que a Áustria entre em nova guerra menos de um ano depois da Batalha de Solferino, em 24 de junho de 1859, tão sangrenta que dá origem à Convenção de Genebra à Cruz Vermelha Internacional para socorrer feridos em guerra.

O Armistício de Villafranca reconhece o Reino da Sardenha e Lombardia, mas não o Vêneto. O Tratado de Turim, de 24 de março de 1860, cede a Saboia e Nice à França, enquanto o movimento nacional italiano ganha a anuência do imperador francês para a anexação da Toscana e da Romanha.

Em 11 de maio de 1860, Garibaldi e os Camisas Vermelhas invadem a Sicília. Três dias depois, ele se proclama ditador. Com a ajuda de uma insurreição popular, toma Palermo de 27 a 30 de maio.

Com o controle da Sicília, Garibaldi passa a planejar o ataque ao continente. Em 19 de agosto desembarca com 20 mil voluntários em Melito di Porto Salvo, na Calábria, no Sul da Itália. Como o rei Francisco II abandona Nápoles, o revolucionário de dois continentes, herói em três países, entra na cidade praticamente sem resistência.

Em 21 de outubro, um referendo aprova a anexação do Reino das Duas Sicílias ao Reino da Sardenha. A unificação da Itália acontece oficialmente em 17 de março de 1861, sob o rei da Sardenha, Vitor Emanuel II, da Dinastia de Saboia.

FIM DA GUERRA DOS BOXERS

    Em 1901, a assinatura de um protocolo acaba com a Guerra dos Boxers, uma revolta anti-imperialista que não consegue expulsar os estrangeiros da China.

A derrota na Guerra Sino-Japonesa de 1894-95 acaba com a milenar ordem sinocêntrica na Ásia. Marca o início da fase terminal do Império Chinês. No Norte, os chineses temem o aumento da influência estrangeira e se ressentem dos privilégios dos missionários cristãos. Em 1898, a região sofre várias catástrofes naturais, como seca e enchente do Rio Amarelo, aumentando o descontentamento.

A Guerra dos Boxers (1899-1901) é uma rebelião antiestrangeiros, anticolonial e anticristã no final da Dinastia Ching travada pela Sociedade dos Punhos Harmoniosos e Justiceiros, na maioria lutadores de kung fu sem armas de fogo.

A partir de 18 de outubro de 1899, os boxers destroem propriedades estrangeiras como as ferrovias e assassinam cristãos e missionários cristãos. Em junho de 1900, os boxers convergem para Beijim e cercam a cidade. Um exército formado por EUA, Reino Unido, França, Áustria-Hungria, Alemanha, Itália, Rússia e Japão invade a China em 17 de junho.

Em 21 de junho, a imperatriz Cixi baixa um decreto imperial declarando guerra às potências invasoras e manda matar todos os estrangeiros da capital chinesa, inclusive diplomatas. A aliança invasora rompe as defesas de Beijim em 14 de agosto. A cidade é saqueada e pilhada,

O Protocolo Boxer, de 7 de setembro 1901, prevê execução sumária de funcionários públicos que lutam pela rebelião, provisões para as tropas estrangeiras estacionadas em Beijim e 450 milhões de taéis de prata – mais do que a arrecadação anual do governo chinês – de indenização a serem pagos ao longo de 39 anos para as oito potências da aliança.

ENTREGA DO CANAL

   Em 1977, o presidente Jimmy Carter e o ditador Omar Torrijos assinam dois tratados para transferir o controle do Canal do Panamá dos Estados Unidos para o Panamá em 1999.

A companhia francesa que abriu o Canal de Suez inicia a obra do canal para ligar os oceanos Atlântico e Pacífico em 1880. Quebra por problemas de engenharia e doenças tropicais. O trabalho do médico sanitarista brasileiro Oswaldo Cruz contra a febre amarela ajudaria a realizar a obra.

O Panamá pertence à Colômbia. Quando o governo colombiano, enfraquecido pela Guerra dos Mil Dias (1899-1902) entre liberais e conservadores, rejeita a proposta norte-americana, os EUA promovem a independência do Panamá, em 3 de novembro de 1903.

A construção do canal começa em 4 de maio de 1904 e termina em 1913. O canal é inaugurado oficialmente em 15 de agosto de 1914.

O coronel Omar Torrijos, um nacionalista, chega ao poder num golpe militar em 1968, mas conta com apoio popular e negocia a soberania do país sobre o canal e a Zona do Canal, um enclave dos EUA.

Dois tratados garantem a soberania sobre o canal. O primeiro é o Tratado sobre a Neutralidade Permanente e e Operação do Canal, mais conhecido como Tratado da Neutralidade. O segundo é o Tratado do Canal do Panamá, que estabelece que o Panamá assume o controle total do canal a partir do ano 2000.

Ambos foram ratificados por maiores de dois terços em referendo realizado no Panamá em 23 de outubro de 1977. Depois de assumir o controle do canal, o país vive uma era de prosperidade. Quando volta à Casa Branca, em janeiro de 2025, o presidente Donald Trump ameaça retomar o Canal do Panamá.

sexta-feira, 20 de junho de 2025

Hoje na História do Mundo: 20 de Junho

 TERCEIRO ESTADO REJEITA DISSOLUÇÃO 

   Em 1789, os deputados do Terceiro Estado, representantes dos comuns e do baixo clero, proibidos de se reunir em Versalhes, desafiam a ordem do rei Luís XVI para dissolver os Estados Gerais e se encontram no Jeu de Pomme, uma quadra de tênis coberta, onde fazem o Juramento da Quadra de Tênis. Prometem não se dispersar antes de mudar a Constituição da França.

Luís XVI ascende ao trono em 1774 e não consegue superar a crise financeira herdada do avô Luís XV, em parte resultante da derrota para o Império Britânico na Guerra dos Sete Anos (1756-63), quando a França perde as possessões na Índia e a maior parte do Canadá. Esta guerra é também uma das causas da independência dos Estados Unidos.

Sob intensa pressão popular depois de invernos rigorosos que causam quebras de safras, fome e queda nos impostos pagos pelos camponeses à aristocracia, em 24 de janeiro de 1789, Luís XVI convoca os Estados Gerais, a assembleia nacional onde estão representados os três estados da França (clero, nobreza e povo), que não se reunia desde 1614. A sociedade francesa havia mudado. O Terceiro Estado não era só o campesinato, incluía a burguesia em ascensão.

Diante de uma série de reivindicações de reformas, Luís XVI dissolve os Estados Gerais. Menos de um mês depois, em 14 de julho, os parisienses tomam a Bastilha, uma prisão-símbolo do regime. A Tomada da Bastilha marca o início da Revolução Francesa. Luís XVI e a rainha Maria Antonieta são guilhotinados em 1793, quando começa o Período do Terror.

RAINHA VITÓRIA

    Em 1837, com a morte do rei Guilherme IV, a rainha Vitória ascende ao trono do Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda. Durante seu reinado, de 63 anos e 216 dias, que vai até 1901, o Império Britânico se torna a maior potência mundial. A partir de 1876, Vitória é também imperatriz da Índia. É a última representante da Dinastia de Hannover e dá seu nome a uma era, a Era Vitoriana.

Alexandrina Vitória nasce no Palácio de Kensington, em Londres, em 24 de maio de 1819, filha do príncipe Eduardo, Duque de Kent e de Strathearn, quarto filho do rei George III, e da princesa Vitória de Saxe-Coburg-Saalfeld. Ela ascende ao trono aos 18 anos porque os três irmãos mais velhos do pai morrem sem deixar descendência legítima.

Monarca constitucional, Vitória tenta exercer influência política e se torna um ícone nacional associado a padrões rígidos de moralidade, a moral vitoriana.

Em 1840, Vitória se casa com o príncipe Albert de Saxe-Coburg e Gotha, que leva a tradição alemã do Natal para o Reino Unido. Seus nove filhos se casam com famílias reais e nobres do continente. Vitória é chamada de Avó da Europa.

Após a morte do marido, em 1861, Vitória se recolhe, mas depois reaparece e recupera a popularidade. Ela morre em 22 de janeiro de 1901 na Osborne House, na Ilha de Wight. É sucedida por seu filho Eduardo VII, primeiro rei da Dinastia de Saxe-Coburg e Gotha, a dinastia atual, que adota o nome de Windsor para tirar o sobrenome alemão durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18).

GUERRA DOS BOXERS

    Em 1900, começa na China a Guerra dos Boxers.

Cem mil nacionalistas, que se apresentam como I Ho Ch'uan (Sociedade dos Punhos Justos e Harmoniosos), na verdade praticantes de kung fu, invadem Beijim com o apoio da imperatriz Tzu'u Hzi ou Cixi e atacam o bairro diplomático, cercam representações de outros países, destroem igrejas e matam estrangeiros, inclusive o embaixador da Alemanha, Barão von Ketteller.

A China, o Império do Meio ou do Centro, há séculos era a potência dominante, o centro do mundo, na Ásia. Durante o século 19, o Império Britânico derrota o decadente Império Chinês nas Guerras do Ópio (1839-42 e 1856-60) para impor o livre comércio, inclusive de ópio, e o Japão acaba com a ordem sinocêntrica ao vencer a Primeira Guerra Sino-Japonesa (1894-95). 

Os boxers se rebelam contra a crescente influência de potências estrangeiras, que dominavam a economia chinesa. Acreditam que poderiam vencer as armas de fogo com técnicas da arte marcial chinesa. É uma volta contra estrangeiros, anticolonialista e anticristã.

A imperatriz pass a apoiar o grupo em 1898. No ano seguinte, começam os ataques a estrangeiros e chineses cristãos. Em 14 de agosto de 1899, uma força internacional com soldados alemães, americanos, britânicos, franceses, japoneses e russos tomam a capital chinesa.

Em 18 de junho de 1900, a imperatriz Cixi manda matar todos os estrangeiros, inclusive diplomatas e suas famílias. A guerra começa dois dias depois.

O Protocolo de Beijim, de 7 de setembro de 1901, marca o fim da revolta. A China aceita acordos econômicos favoráveis às grandes potências, paga US$ 333 milhões em indenizações e forças estrangeiras ficam estacionadas permanentemente em território chinês.

ESTREIA DE TUBARÃO

    Em 1975, estreia nos Estados Unidos Tubarão, de Steven Spielberg, o filme que fez as pessoas terem medo de entrar no mar. É a história baseada num livro de sucesso de um grande tubarão branco que aterroriza uma cidade da Nova Inglaterra.

É o primeiro grande sucesso de Spielberg, que filmaria Contatos Imediatos do Terceiro GrauCaçadores da Arca Perdida, ET: o ExtraterrestreParque JurássicoA Lista de SchindlerSalvando o Soldado Ryan e LincolnTubarãoET Parque Jurássico estão entre as maiores bilheterias da história do cinema.

Quarenta e sete anos depois, Spielberg manifesta arrependimento por dirigir o filme que demonizou o tubarão branco, por causa do impacto ecológico. A população de tubarões caiu em 70% desde os anos 1970, em parte também por causa do crescimento econômico da China, onde a sopa de barbatana de tubarão é uma iguaria.

SEM PENA DE MORTE PARA DEFICIENTES MENTAIS

    Em 2002, no caso Atkins v. Virginia, por 6-3, a Suprema Corte considera que aplicar a pena de morte a pessoas com deficiência mental ou intelectual viola a Emenda nº 8 à Constituição dos Estados Unidos, que protege contra "punição cruel e incomum".

Por volta da meia-noite de 16 para 17 de agosto de 1996, depois de passar o dia bebendo e fumando maconha, Daril Atkins e um cúmplice, William Jones, assaltam e sequestram o soldado Eric Nesbitt, aviador da Base Aérea de Langley, no estado da Virgínia. 

Insatisfeitos com os US$ 60 que Nesbitt tem no bolso, eles vão até um caixa eletrônico, obrigam o militar a pegar mais US$ 200. Depois o levam para um local deserto e o assassinam com oito tiros. Os dois são presos rapidamente. Um acusa o outro, mas a polícia vê inconsistências nos depoimentos de Atkins, conclui que ele deu os tiros e faz um acordo com Jones para acusar o cúmplice e assim ser poupado da pena de morte.

Durante o julgamento em primeira instância, o advogado de Atkins apresenta o histórico escolar e um teste de inteligência do réu com QI (quociente intelectual) 59, que indica um "retardo mental leve". Mesmo assim, Atkins recebe uma sentença de pena de morte.

O Tribunal de Justiça da Virgínia confirma a condenação, mas anula a sentença. A procuradoria entra com dois agravantes: o "futuro perigo" que Atkins representa e pelo crime ter sido cometido de "maneira vil". O TJ da Virgínia confirma a sentença.

Quando a Suprema Corte decide este caso, apenas 18 dos 38 estados que aplicam a pena de morte isentam condenados com deficiência mental ou intelectual. A Suprema Corte aceita o caso para firmar jurisprudência.

A decisão diz que, ao contrário de outros pontos da Constituição, a Emenda nº 8 deve ser interpretada tendo em vista a "evolução dos padrões de decência que marcam o progresso de uma sociedade em amadurecimento".

sábado, 7 de setembro de 2024

Hoje na História do Mundo: 7 de setembro

 CRUZADA DOS REIS

    Em 1191, na Terceira Cruzada, o exército muçulmano do sultão Saladino ataca as forcas do rei Ricardo I, da Inglaterra, na Batalha de Arçufe, na Palestina, na marcha de Acre a Jafa. Ricardo Coração de Leão contra-ataca ao entardecer, mas sua marcha rumo a Jerusalém é retardada.

As Cruzadas são uma série de nove expedições militares dos cristãos para tentar reconquistar Jerusalém, tomada pelo califa Omar em 638. 

Jesus Cristo pediu aos seres humanos para amarem uns aos outros. No Concílio de Clermont, em 27 de novembro de 1095, o papa Urbano II manda matar os infiéis e promete a remissão de todos os pecados para quem for voluntariamente para a guerra contra os muçulmanos.

A Primeira Cruzada (1096-99) é a única a conquistar Jerusalém. Funda em território da Palestina o Reino Cristão de Jerusalém (1099-1291). 

A Segunda Cruzada (1145-49), anunciada pela Papa Eugênio II, uma reação à queda de Edessa, é a primeira liderada por reis, Luís VII, da França, e Conrado III, do Sacro Império Romano-Germânico. Os dois exércitos marcham separadamente e são derrotados pelos turcos do Império Seljúcida.

A Terceira Cruzada (1189-92) é a Cruzada dos Reis, de Ricardo I, da Inglaterra, Felipe II, da França, e do sultão Saladino, líder dos muçulmanos. 

Depois da conquista de Acre, Ricardo I quer chegar até o mar, até o porto de Jafa. Em Arçufe, o exército cristão tem 10 mil infantes e 1,2 mil cavaleiros, organizados em 12 regimentos de cavalaria de 100 homens cada, com a infantaria guarnecendo os flancos e besteiros na linha, com flechas muito mais poderosas do que as do inimigo. 

Estima-se que o exército muçulmano seja duas vezes maior, especialmente em cavalaria. O cavalo e o estribo formam a tecnologia militar dominante na Idade Média.

Ricardo resiste ao ataque de Saladino, quando suas forças iam de Acre para Jafa, até receber um reforço dos hospitalários. Ordena então um contra-ataque. Vence a batalha. Isso dá aos cristãos o dominío sobre a costa da região central da Palestina, inclusive o porto de Jafa.

CAMPANHA DA RÚSSIA

    Em 1812, o Grande Exército de Napoleão Bonaparte vence com muitas perdas a Batalha de Borodino contra o exército da Rússia sob o comando do general Mikhail Kutuzov a cerca de 110 quilômetros de Moscou.

Os russos recuam diante da invasão napoleônica, iniciada em 24 de junho, para evitar um confronto direto e se entrincheiram em Borodino para deter o avanço do inimigo rumo a Moscou. São 130 mil soldados de Napoleão com 500 tanques contra 120 mil russos com 600 canhões.

Napoleão faz um ataque frontal às seis da manhã. Até o meio-dia, os dois lados avançam e recuam na linha de frente, até que a artilharia dá vantagem à França, mas os russos resistem a sucessivas ofensivas.

O imperador francês não coloca em combate a Guarda Imperial, de 20 mil homens, e mais 10 mil soldados. Como Kutuzov não tem mais homens para entrar em ação, Napoleão perde a oportunidade de ter uma vitória decisiva. 

É uma vitória de Pirro, referência ao general que derrotou Roma duas vezes, em Heracleia (280 AC) e Ásculo (279 AC), mas suas forças sofreram tantas perdas que, ao andar pelo campo de batalha, vaticina: "Mais uma vitória destas e estou perdido." Perdeu em Malevento (275 AC), que os romanos rebatizaram de Benevento.

Com os soldados exaustos à tarde, a Batalha de Borodino continua até a noite com disparos de artilharia. À noite, Kutuzov recua. Napoleão entra em Moscou uma semana depois sem oposição. Os russos recuam e queimam a cidade para que o inimigo fique sem comida e sem abrigo.

Sem conseguir tomar o poder na Rússia, cinco semanas depois, Napoleão se retira, pega as chuvas e o frio do outono russo. É atacado à retaguarda pelos russos, na Batalha de Krasnol, de 15 a 18 de novembro de 1812.

A campanha da Rússia é a sua maior derrota. O Grande Exército de Napoleão invade a Rússia com algo entre 450 e 640 mil soldados, 150 mil cavalos e 1,4 mil peças de artilharia. Deixa a Rússia em 14 de dezembro. Pelo menos 380 mil morrem. Cerca de 120 mil sobrevivem, 50 mil austríacos, prussianos e outros alemães, 20 mil poloneses e 35 mil franceses. Muitos desertam.

 TIO SAM

    Em 1813, os Estados Unidos ganham seu apelido quando um jornal registra que os soldados que lutavam na Guerra de 1812 contra o Império Britânico chamam de Uncle Sam (Tio Sam) as embalagens de carne que o Exército recebe do comerciante William com US, de United States, escrito na caixa.

O desenho do Tio Sam aí em cima é feito pela primeira em 1870 pelo cartunista Thomas Nest em homenagem ao presidente Abraham Lincoln, um senhor de cabelos brancos e barbicha vestido com as cores da bandeira, azul, vermelho e branco, e uma cartola adornada com uma faixa azul marinho e estrelas brancas.

A pedido das Forças Armadas, em 1917, com a intervenção dos EUA na Primeira Guerra Mundial (1914-18), a imagem é refeita com o slogan "eu quero você". O Tio Sam quer que os norte-americanos se alistem para lutar na Europa.

Desde então, a imagem é associada ao imperialismo e ao militarismo norte-americano. 

INDEPENDÊNCIA DO BRASIL

    Em 1822, sob pressão das cortes portuguesas, que queriam rebaixar o Brasil a colônia, o príncipe-regente Dom Pedro dá o grito às margens do Riacho Ipiranga, em São Paulo, e proclama: “Independência ou Morte!”

No fim do século 18, há cogitações em Lisboa sobre a conveniência de transferir a sede do governo para o Brasil a fim de não perder sua maior colônia. Isto acontece quando as forças do imperador francês Napoleão Bonaparte invadem Portugal em 1807. Por causa da aliança histórica com o Reino Unido, Portugal não adere ao Bloqueio Continental imposto por Napoleão ao comércio com os britânicos.

A chegada da família real, em 1808, e a abertura dos portos significam uma independência na prática. Em 1815, depois da derrota de Napoleão, quando as monarquias europeias são restauradas, formam a Santa Aliança e o Concerto Europeu, o Brasil é elevado a Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve porque a capital do Império Português não poderia ficar numa colônia.

O Rio de Janeiro é a única cidade do Hemisfério Sul que foi capital de um império que se estendia por quatro continentes: América, África, Europa e Ásia.

Com a Revolução do Porto, em 1820, o rei Dom João VI é pressionado a voltar para Lisboa com toda a máquina administrativa trazida para o Brasil. Volta no ano seguinte, deixando o filho como príncipe-regente. Aí começa a pressão da corte para cortar os privilégios que o país havia obtido como capital do império.

Em 9 de janeiro de 1922, o príncipe Dom Pedro comunica que vai descumprir a ordem da coroa de voltar imediatamente para Portugal. É o Dia do Fico, quando a ruptura com Lisboa se torna inevitável.

A crise se agrava. Com Dom Pedro em São Paulo, a princesa-regente, Dona Leopoldina, preside a uma reunião do Conselho de Estado no Palácio Imperial da Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro. A futura imperatriz e José Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca da Independência, enviam cartas que Dom Pedro recebe em 7 de setembro às margens do Ipiranga e dá o grito.

O Brasil é um fenômeno único na história. O país se torna independente com a mesma família imperial que está no poder desde a Colônia. É um caso raro de conciliação das elites para manter tudo como está.

UNIFICAÇÃO DA ITÁLIA

    Em 1860, durante a luta pela unificação da Itália, Giuseppe Garibaldi entra em Nápoles e se declara "ditador das Duas Sicílias".

A Expedição dos Mil é um momento-chave da Segunda Guerra da Independência da Itália, quando os Camisas Vermelhas, sob o comando de Garibaldi, que luta na Revolução Farroupilha (1835-45) e no Uruguai, um especialista em guerra de guerrilhas, desembarcam na Sicília Ocidental e conquistam o Reino das Duas Sicílias, antes dominado pela Dinastia dos Bourbon.

Em 21 e 22 de julho de 1858, o imperador Napoleão III, da França, e o Reino da Sardenha fazem uma aliança contra o Império Austro-Húngaro pela independência do Norte da Itália.

Em março de 1859, as populações do Grão-Ducado da Toscana, do Ducado de Módena e do Ducado de Parma depõem seus governantes e pedem anexação ao Reino da Sardenha, enquanto a Úmbria e Marcas sofrem duram repressão dos Estados Pontifícios, do Vaticano ou Santa Sé.

O primeiro-ministro da Sardenha e futuro primeiro-ministro da Itália, Camillo Paolo Filipo Giulio Benso, Conde de Cavour, declara guerra à Áustria em 24 de abril de 1859. A Segunda Guerra da Independência da Itália (1859) termina em julho. 

Ninguém imagina que a Áustria entre em nova guerra menos de um ano depois da Batalha de Solferino, tão sangrenta que deu origem à Cruz Vermelha Internacional para socorrer feridos em guerra.

O Armistício de Villafranca reconhece o Reino da Sardenha e Lombardia, mas não o Vêneto. O Tratado de Turim, de 24 de março de 1860, cede a Saboia e Nice à França, enquanto o movimento nacional italiano ganha a anuência do imperador francês para a anexação da Toscana e da Romanha.

Em 11 de maio de 1860, Garibaldi e os Camisas Vermelhas invadem a Sicília. Três dias depois, ele se proclama ditador. Com a ajuda de uma insurreição popular, toma Palermo de 27 a 30 de maio.

Com o controle da Sicília, Garibaldi passa a planejar o ataque ao continente. Em 19 de agosto desembarca com 20 mil voluntários em Melito di Porto Salvo, na Calábria, no Sul da Itália. Como o rei Francisco II abandona Nápoles, o revolucionário de dois continentes, herói em três países, entra na cidade praticamente sem resistência.

Em 21 de outubro, um referendo aprova a anexação do Reino das Duas Sicílias ao Reino da Sardenha. A unificação da Itália acontece oficialmente em 17 de março de 1861, sob o rei da Sardenha, Vitor Emanuel II, da Dinastia de Saboia.

FIM DA GUERRA DOS BOXERS

    Em 1901, a assinatura de um protocolo acaba com a Guerra dos Boxers, uma revolta anti-imperialista que não consegue expulsar os estrangeiros da China.

A derrota na Guerra Sino-Japonesa de 1894-95 acaba com a milenar ordem sinocêntrica na Ásia. Marca o início da fase terminal do Império Chinês. No Norte, os chineses temem o aumento da influência estrangeira e se ressentem dos privilégios dos missionários cristãos. Em 1898, a região sofre várias catástrofes naturais, como seca e enchente do Rio Amarelo, aumentando o descontentamento.

A Guerra dos Boxers (1899-1901) é uma rebelião antiestrangeiros, anticolonial e anticristã no final da Dinastia Ching travada pela Sociedade dos Punhos Harmoniosos e Justiceiros, na maioria lutadores de kung fu sem armas de fogo.

A partir de 18 de outubro de 1899, os boxers destroem propriedades estrangeiras como as ferrovias e assassinam cristãos e missionários cristãos. Em junho de 1900, os boxers convergem para Beijim e cercam a cidade. Um exército formado por EUA, Reino Unido, França, Áustria-Hungria, Alemanha, Itália, Rússia e Japão invade a China em 17 de junho.

Em 21 de junho, a imperatriz Cixi baixa um decreto imperial declarando guerra às potências invasoras e manda matar todos os estrangeiros da capital chinesa, inclusive diplomatas. A aliança invasora rompe as defesas de Beijim em 14 de agosto. A cidade é saqueada e pilhada,

O Protocolo Boxer, de 7 de setembro 1901, prevê execução sumária de funcionários públicos que lutam pela rebelião, provisões para as tropas estrangeiras estacionadas em Beijim e 450 milhões de taéis de prata – mais do que a arrecadação anual do governo chinês – de indenização a serem pagos ao longo de 39 anos para as oito potências da aliança.

ENTREGA DO CANAL

   Em 1977, o presidente Jimmy Carter e o ditador Omar Torrijos assinam dois tratados para transferir o controle do Canal do Panamá dos Estados Unidos para o Panamá em 1999.

A companhia francesa que abriu o Canal de Suez inicia a obra do canal para ligar os oceanos Atlântico e Pacífico em 1880. Quebra por problemas de engenharia e doenças tropicais. O trabalho do médico sanitarista brasileiro Oswaldo Cruz contra a febre amarela ajudaria a realizar a obra.

O Panamá pertence à Colômbia. Quando o governo colombiano, enfraquecido pela Guerra dos Mil Dias (1899-1902) entre liberais e conservadores, rejeita a proposta norte-americana, os EUA promovem a independência do Panamá, em 3 de novembro de 1903.

A construção do canal começa em 4 de maio de 1904 e termina em 1913. O canal é inaugurado oficialmente em 15 de agosto de 1914.

O coronel Omar Torrijos, um nacionalista, chega ao poder num golpe militar em 1968, mas conta com apoio popular e negocia a soberania do país sobre o canal e a Zona do Canal, um enclave dos EUA.

Dois tratados garantem a soberania sobre o canal. O primeiro é o Tratado sobre a Neutralidade Permanente e e Operação do Canal, mais conhecido como Tratado da Neutralidade. O segundo é o Tratado do Canal do Panamá, que estabelece que o Panamá assume o controle total do canal a partir do ano 2000.

Ambos foram ratificados por maiores de dois terços em referendo realizado no Panamá em 23 de outubro de 1977. Depois de assumir o controle do canal, o país vive uma era de prosperidade.

quinta-feira, 20 de junho de 2024

Hoje na História do Mundo: 20 de Junho

 TERCEIRO ESTADO REJEITA DISSOLUÇÃO 

   Em 1789, os deputados do Terceiro Estado, representantes dos comuns e do baixo clero, proibidos de se reunir em Versalhes, desafiam a ordem de dissolução do rei Luís XVI e se encontram no Jeu de Pomme, uma quadra de tênis coberta, onde fazem o Juramento da Quadra de Tênis. Prometem não se dispersar antes de mudar a Constituição da França.

Luís XVI ascende ao trono em 1774 e não consegue superar a crise financeira herdada do avô Luís XV, em parte resultante da derrota para o Império Britânico na Guerra dos Sete Anos (1756-63), quando a França perde as possessões na Índia e a maior parte do Canadá. Esta guerra é também uma das causas da independência dos Estados Unidos.

Sob intensa pressão popular depois de invernos rigorosos que causam quebras de safras, fome e queda nos impostos pagos pelos camponeses à aristocracia, em 24 de janeiro de 1789, Luís XVI convoca os Estados Gerais, a assembleia nacional onde estão representados os três estados da França (clero, nobreza e povo), que não se reunia desde 1614. A sociedade francesa havia mudado. O Terceiro Estado não era só o campesinato, incluía a burguesia em ascensão.

Diante de uma série de reivindicações de reformas, Luís XVI dissolve os Estados Gerais. Menos de um mês depois, em 14 de julho, os parisienses tomam a Bastilha, uma prisão-símbolo do regime. A Tomada da Bastilha marca o início da Revolução Francesa. Luís XVI e a rainha Maria Antonieta seriam guilhotinados em 1793, durante o Período do Terror.

RAINHA VITÓRIA

    Em 1837, com a morte do rei Guilherme IV, a rainha Vitória ascende ao trono do Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda. Durante seu reinado, de 63 anos e 216 dias, que vai até 1901, o Império Britânico se torna a maior potência mundial. A partir de 1876, Vitória é também imperatriz da Índia. É a última representante da Dinastia de Hannover e dá seu nome a uma era, a Era Vitoriana.

Alexandrina Vitória nasce no Palácio de Kensington, em Londres, em 24 de maio de 1819, filha do príncipe Eduardo, Duque de Kent e de Strathearn, quarto filho do rei George III, e da princesa Vitória de Saxe-Coburg-Saalfeld. Ela ascende ao trono aos 18 anos porque os três irmãos mais velhos do pai morrem sem deixar descendência legítima.

Monarca constitucional, Vitória tenta exercer influência política e se torna um ícone nacional associado a padrões rígidos de moralidade, a moral vitoriana.

Em 1840, Vitória se casa com o príncipe Albert de Saxe-Coburg e Gotha, que leva a tradição alemã do Natal para o Reino Unido. Seus nove filhos se casam com famílias reais e nobres do continente. Vitória é chamada de Avó da Europa.

Após a morte do marido, em 1861, Vitória se recolhe, mas depois reaparece e recupera a popularidade. Ela morre em 22 de janeiro de 1901 na Osborne House, na Ilha de Wight. É sucedida por seu filho Eduardo VII, primeiro rei da Dinastia de Saxe-Coburg e Gotha, a dinastia atual, que adota o nome de Windsor para tirar o sobrenome alemão durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18).

GUERRA DOS BOXERS

    Em 1900, começa na China a Guerra dos Boxers.

Cem mil nacionalistas, que se apresentam como I Ho Ch'uan (Sociedade dos Punhos Justos e Harmoniosos), na verdade praticantes de kung fu, invadem Beijim com o apoio da imperatriz Tzu'u Hzi ou Cixi e atacam o bairro diplomático, cercam representações de outros países, destroem igrejas e matam estrangeiros, inclusive o embaixador da Alemanha, Barão von Ketteller.

A China, o Império do Meio ou do Centro, há séculos era a potência dominante, o centro do mundo, na Ásia. Durante o século 19, o Império Britânico derrota o decadente Império Chinês nas Guerras do Ópio (1839-42 e 1856-60) para impor o livre comércio, inclusive de ópio, e o Japão acaba com a ordem sinocêntrica ao vencer a Primeira Guerra Sino-Japonesa (1894-95). 

Os boxers se rebelam contra a crescente influência de potências estrangeiras, que dominavam a economia chinesa. Acreditam que poderiam vencer as armas de fogo com técnicas da arte marcial chinesa. É uma volta contra estrangeiros, anticolonialista e anticristã.

A imperatriz pass a apoiar o grupo em 1898. No ano seguinte, começam os ataques a estrangeiros e chineses cristãos. Em 14 de agosto de 1899, uma força internacional com soldados alemães, americanos, britânicos, franceses, japoneses e russos tomam a capital chinesa.

Em 18 de junho de 1900, a imperatriz Cixi manda matar todos os estrangeiros, inclusive diplomatas e suas famílias. A guerra começa dois dias depois.

O Protocolo de Beijim, de 7 de setembro de 1901, marca o fim da revolta. A China aceit acordos econômicos favoráveis às grandes potências, paga US$ 333 milhões em indenizações e forças estrangeiras ficam estacionadas permanentemente em território chinês.

ESTREIA DE TUBARÃO

    Em 1975, estreia nos Estados Unidos Tubarão, de Steven Spielberg, o filme que fez as pessoas terem medo de entrar no mar. É a história baseada num livro de sucesso de um grande tubarão branco que aterroriza uma cidade da Nova Inglaterra.

É o primeiro grande sucesso de Spielberg, que filmaria Contatos Imediatos do Terceiro GrauCaçadores da Arca Perdida, ET: o ExtraterrestreParque JurássicoA Lista de SchindlerSalvando o Soldado Ryan e LincolnTubarãoET Parque Jurássico estão entre as maiores bilheterias da história do cinema.

Quarenta e sete anos depois, Spielberg manifesta arrependimento por dirigir o filme que demonizou o tubarão branco, por causa do impacto ecológico. A população de tubarões caiu em 70% desde os anos 1970, em parte também por causa do crescimento econômico da China, onde a sopa de barbatana de tubarão é uma iguaria.

SEM PENA DE MORTE PARA DEFICIENTES MENTAIS

    Em 2002, no caso Atkins v. Virginia, por 6-3, a Suprema Corte considera que aplicar a pena de morte a pessoas com deficiência mental ou intelectual viola a Emenda nº 8 à Constituição dos Estados Unidos, que protege contra "punição cruel e incomum".

Por volta da meia-noite de 16 para 17 de agosto de 1996, depois de passar o dia bebendo e fumando maconha, Daril Atkins e um cúmplice, William Jones, assaltam e sequestram o soldado Eric Nesbitt, aviador da Base Aérea de Langley, no estado da Virgínia. 

Insatisfeitos com os US$ 60 que Nesbitt tem no bolso, eles vão até um caixa eletrônico, obrigam o militar a pegar mais US$ 200. Depois o levam para um local deserto e o assassinam com oito tiros. Os dois são presos rapidamente. Um acusa o outro, mas a polícia vê inconsistências nos depoimentos de Atkins, conclui que ele deu os tiros e faz um acordo com Jones para acusar o cúmplice e assim ser poupado da pena de morte.

Durante o julgamento em primeira instância, o advogado de Atkins apresenta o histórico escolar e um teste de inteligência do réu com QI (quociente intelectual) 59, que indica um "retardo mental leve". Mesmo assim, Atkins recebe uma sentença de pena de morte.

O Tribunal de Justiça da Virgínia confirma a condenação, mas anula a sentença. A procuradoria entra com dois agravantes: o "futuro perigo" que Atkins representa e pelo crime ter sido cometido de "maneira vil". O TJ da Virgínia confirma a sentença.

Quando a Suprema Corte decide este caso, apenas 18 dos 38 estados que aplicam a pena de morte isentam condenados com deficiência mental ou intelectual. A Suprema Corte aceita o caso para firmar jurisprudência.

A decisão diz que ao contrário de outros pontos da Constituição a Emenda nº 8 deve ser interpretada tendo em vista a "evolução dos padrões de decência que marcam o progresso de uma sociedade em amadurecimento".