Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
Em 1291, os mamelucos tomam a cidade de Acre, último reduto do Reino Cristão de Jerusalém, criado em 1099 pela Primeira Cruzada, acabando com o domínio cristão na Palestina.
O papa Urbano II lança as Cruzadas em discurso em Clermont, na França, em 27 de novembro de 1095. Manda os cristãos pararem com as guerras na Europa e se unir para matar os infiéis e tomar a Terra Santa, dominada por muçulmanos do Império Seljúcida. Os cruzados tomam Jerusalém em 1099 e fundam o reino.
Na Terceira Cruzada, em 1187, o sultão Saladino toma Jerusalém. O Reino Cristão muda a capital para Acre e sobrevive mais um século. Quem acaba com o reino é o sultão mameluco do Egito e da Síria Baibars Bundukdari, que chega a ser preso e vendido como escravo.
Baibars, cruel e impiedoso, conhecido como a Besta, é o primeiro a derrotar o até então invencível Império Mongol em batalhas importantes na Anatólia e no Norte da Síria. Vai pouco a pouco tomando os territórios dos cristãos até destruir o reino. É o fim do sonho cristão de conquistar a Terra Santa.
PAPÉIS FEDERALISTAS
Em 1788, uma série de 85 ensaios escritos por Alexander Hamilton, James Madison e John Jay para convencer os eleitores do estado de Nova York a ratificar a Constituição dos Estados Unidos é publicada no livro O Federalista.
Os ensaios são sobre os temas em debate na Convenção Constitucional que redige a Constituição dos EUA. Madison funda o Partido Republicano, que não é o mesmo de hoje, junto com Thomas Jefferson, que se torna o terceiro presidente dos EUA. Hamilton é o primeiro secretário do Tesouro e escreve 51 artigos.
Há três ideias centrais nos Papéis Federalistas: o federalismo em oposição ao confederalismo, que criaria um país fraco; a natureza humana, a separação de poderes e o governo misto; e a república como forma de governo e o faccionalismo. São reflexões sobre justiça, bem-estar social e direitos individuais.
CARRO DO POVO
Em 1937, a fábrica de automóveis Volkswagen lança na Alemanha Nazista um modelo barato, o fusca,para ser o "carro do povo".
A companhia, fundada pelo regime de Adolf Hitler em 1937, é inicialmente operada pela Frente Trabalhista Alemã, ligada do Partido Nazista. O projeto original do carro é do engenheiro austríaco Ferdinand Porsche.
A Segunda Guerra Mundial (1939-45) começa em 1º de setembro de 1939, quando a Alemanha invade a Polônia, antes do início da produção em massa do Sedan VW. Com a guerra, a fábrica é reconvertida para a produção de equipamentos e veículos militares.
ANISTIA PARA PRESOS POLÍTICOS
Em 1961, o advogado britânico Peter Benenson publica na primeira página no jornal The London Observer o artigo Os Prisioneiros Esquecidos e lança o Apelo pela Anistia 1961.
A campanha pede a libertação de todos os prisioneiros de consciência, presos políticos detidos pela manifestação pacífica de suas ideias.
Benenson é inspirado por dois estudantes portugueses presos por fazerem um brinde à liberdade durante a ditadura salazarista.O movimento dá origem à organização não governamental de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional.
BOMBA PAQUISTANESA
Em 1998, o Paquistão faz uma série de explosões nucleares subterrâneas e se torna o sétimo país do mundo a fabricar armas atômicas e assumir a condição de potência nuclear.
O Paquistão começa a desenvolver armas nucleares em 20 de janeiro de 1972, quando o primeiro-ministro Zulfikar ali Bhutto reúne cientistas e engenheiros, e pede que façam a bomba em três anos para garantir a sobrevivência do país depois da derrota em 1971 na Guerra da Independência de Bangladesh.
Sem apoio suficiente de aliados como a China e os EUA, o Paquistão perde 150 mil quilômetros quadrados de território e cerca da metade da população para um novo país, Bangladesh. Sente-se isolado internacionalmente.
Quando a arqui-inimiga Índia faz sua primeira explosão atômica, Buda Sorridente, em 1974, o Paquistão acelera o programa nuclear, que ganha impulso em 1974, com a adesão Abdul Qadir Khan, considerado o pai da bomba atômica paquistanesa. Em 1984, o Paquistão atinge a capacidade nuclear.
Depois que a Índia faz dois testes nucleares em maio de 1998, o Paquistão decide assumir publicamente a condição de potência atômica.
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Em 1128,durante as Cruzadas, o papa Honório II reconhece oficialmente a Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, mais conhecida como Ordem do Templo dos Templários, como um "exército de Deus".
A Ordem dos Cavaleiros do Templo nasce em 1118, fundada pelo francês Hughes de Payens, com a missão de proteger os cristãos que peregrinam à Terra Santa durante as Cruzadas, nove expedições militares para tentar conquistar Jerusalém, que estava em poder de muçulmanos.
De início, a ordem tem apenas nove membros e regras rígidas. Os templários precisam ser nobres e fazem votos de pobreza, obediência e castidade. Até 1127, a ordem cresce em poder e influência. Ganha força enquanto dura a guerra contra os muçulmanos.
Quando as Cruzadas acabam, no início do século 14, o rei Felipe IV, da França, e o papa Clemente V decidem acabar com os Templários. O grão-mestre, Jacques de Molay, é preso sob a acusação de heresia, sacrilégio e satanismo. Ele e outros líderes da ordem fazem confissões sob tortura e são condenados à morte na fogueira.
Clemente V dissolve a ordem em 1312. Hoje a Igreja Católica admite que a ordem foi vítima de uma conspiração de poderes seculares.
Vários mitos e lendas são criadas em torno dos Templários, inclusive que a ordem teria descoberto relíquias no Monte do Templo, em Jerusalém, inclusive o Cálice Sagrado em que Jesus Cristo teria bebido na Última Ceia e onde José de Arimateia teria coletado o sangue de Cristo na cruz.
As façanhas imaginárias dos Templários inspiram vários livros, entre eles o megassucesso Código da Vinci. É ficção.
ÉMILE ZOLA ACUSA
Em 1898, o escritor e intelectual francês Émile Zola publica uma carta aberta ao presidente da França no jornal L'Aurore acusando o alto comando do Exército pela condenação por traição em 1894 do capitão Alfred Dreyfus, num caso marcado pelo antissemitismo.
Filho de um rico industrial judeu do setor têxtil, Dreyfus nasce em 9 de outubro de 1859 em Mulhouse, na França. Em 1882, entra para a Escola Politécnica e depois decide fazer carreira militar. Promovido a capitão, vai para o Ministério da Guerra, onde, em 1894, é acusado de vender segredos militares à Alemanha.
É preso em 15 de outubro de 1894 e condenado por uma corte marcial à prisão perpétua em 22 de dezembro. Ele entra na colônia penal da Ilha do Diabo, na Guiana Francesa, em 13 de abril de 1895.
Como as provas são suspeitas, jornalistas investigam o caso, inclusive Georges Clemenceau, futuro primeiro-ministro francês durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18). Quando as evidências apontam a culpabilidade do major Ferdinand Esterhazy, Zola publica a carta aberta Eu acuso:
"Acuso o comandante du Paty de Clam de ter sido o criador diabólico do erro judicial, inconscientemente, quero crer, e de ter saído em defesa de sua obra nefasta, durante três anos, por maquinações as mais estapafúrdias e as mais culposas.
"Acuso o general Mercier de ter se tornado cúmplice, ainda que por fraqueza de caráter, de uma das maiores iniqüidades do século.
"Acuso o general Billot de ter tido entre as mãos as provas indubitáveis da inocência de Dreyfus e de tê-las ocultado, tornando-se, pois, culpado de crime de lesa-humanidade e lesa–justiça, por motivos políticos e para livrar um Estado-Maior comprometido.
"Acuso o general de Boisdeffre e o general Gonse de tornarem-se cúmplices do mesmo crime, um sem dúvida por paixão clerical, o outro por esse corporativismo que faz do Ministério da Guerra uma arca santa inatacável.
"Acuso o general de Pellieux e o comandante Ravary de terem feito uma investigação criminosa, um inquérito da mais monstruosa parcialidade e do qual temos, no relatório do segundo, um monumento perene da mais ingênua audácia.
"Acuso os três especialistas em grafologia, os senhores Belhomme, Varinard e Couard de terem emitido pareceres mentirosos e fraudulentos, a menos que um laudo médico os declare tomados por alguma patologia da vista e do juízo.
"Acuso o Ministério da Guerra de ter promovido na imprensa, particularmente no L’éclair e no L’Écho de Paris, uma campanha abominável, para manipular a opinião pública e acobertar sua falha.
"Acuso por fim o primeiro Conselho de Guerra de ter violado o direito, condenando um acusado com base em um documento secreto, e acuso o segundo Conselho de Guerra de ter encoberto essa ilegalidade, por ter recebido ordens, cometendo por sua vez o crime jurídico de absolver conscientemente um culpado.
"Fazendo essas acusações, não ignoro enquadrar-me nos artigos 30 e 31 da lei de imprensa de 29 de julho de 1881, que pune os delitos de difamação. E é voluntariamente que me exponho.
"Quanto às pessoas que eu acuso, não as conheço, nunca as vi, não nutro por elas nem rancor nem ódio. Não passam para mim de entidades, de espíritos da malevolência social. O ato que aqui realizo não é nada além de uma ação revolucionária para apressar a explosão de verdade e justiça.
"Não tenho mais que uma paixão, uma paixão pela verdade, em nome da humanidade que tanto sofreu e que tem direito à felicidade. Meu protesto inflamado nada mais é que o grito da minha alma. Que ousem, portanto levar–me perante o tribunal do júri e que o inquérito se dê à luz do dia!
"É o que espero.
"Receba, senhor Presidente, minhas manifestações de mais profundo respeito."
Zola é processado, mas intelectuais, entre eles Anatole France e Marcel Proust, fazem um abaixo-assinado com mais de 3 mil assinaturas pedindo a reabertura do caso. Em 1904, começa o segundo julgamento. Em julho de 1906, um tribunal de recursos civil anula todas as condenações de Dreyfus.
O jornalista judeu austro-húngaro Thedor Herzl cobre o primeiro julgamento em 1894 e, diante da condenação sem provas e dos massacres de judeus no Império Russo, conclui que não há condições para os judeus viverem na Europa. Em 1896, ele publica O Estado Judeu, em defesa da fundação de uma pátria para o povo judeu e lança o moderno movimento sionista.
COSTA CONCORDIA NAUFRAGA
Em 2012, o navio de cruzeiro italiano Costa Concordia encalha e vira com cerca de 4,2 mil pessoas a bordo perto da Ilha de Giglio, no Mar Tirreno; 32 passageiros morrem no naufrágio.
Quando é lançado ao mar, em 2005, o Costa Concordia é o maior navio de cruzeiro da Itália, com 290 metros de comprimento e capacidade para 3.780 passageiros. Em comparação, o Titanic tinha 269 metros e capacidade para 2.435 passageiros.
Com quatro piscinas, um cassino, o maior spa num navio e 500 cabines com varanda para o mar, o Costa Concordia é um navio de luxo. A viagem inaugural, em julho de 2006, é um cruzeiro no Mar Mediterrâneo com escalas na Itália, França e Espanha. Depois, inclui as Ilhas Baleares, a Tunísia, Malta, Grécia, Chipre e Turquia. A partir de 2009, vem à América Latina.
Vários membros da tripulação são processados pelo naufrágio, especialmente o capitão Francesco Schettino, que se aproxima demais do litoral e deixa o navio antes de salvar os passageiros. Num diálogo, um comandante da Guarda Costeira grita: "Vá para bordo, capitão!"
O capitão é condenado em fevereiro de 2015 a 16 anos de reclusão pelas mortes, o abandono do navio e o naufrágio, pena confirmada por um tribunal de recursos em maio de 2016.
UM PRESIDENTE E DOIS IMPEACHMENTS
Em 2021, Donald Trump se torna o único presidente dos Estados Unidos a ser alvo de dois processos de impeachment, quando a Câmara dos Representantes o denuncia num julgamento político por "incitar à insurreição" ao insuflar seus partidários a invadir o Congresso em 6 de janeiro do mesmo ano para impedir a certificação da vitória de Joe Biden.
Trump não aceita a derrota na eleição presidencial de 3 de novembro de 2020. Seus advogados entram com 61 ações judiciais contestando os resultados em estados decisivos. Em todos os casos, os juízes não encontram elementos suficientes para instaurar um processo.
Sem outra alternativa para não entregar o poder, Trump incentiva uma marcha de seus partidários até a capital, onde faz um comício na gélida manhã de 6 de janeiro e incita a multidão a ir até o Capitólio. Promete inclusive acompanhar os manifestantes, mas o serviço secreto não deixa por não ter como garantir a segurança do presidente no meio da multidão.
A turba assalta o Capitólio, obrigando deputados, senadores e o vice-presidente Mike Pence a se refugiar nos porões do prédio. Os terroristas chegam a armar uma forca para matar o vice-presidente, que presidia a reunião do Congresso e se nega a mudar o resultado das urnas.
Trump assiste tudo durante três horas e sete minutos, apesar dos apelos de deputados e senadores para que mandasse a multidão enfurecida parar de atacar. Cinco pessoas morrem dentro de 36 horas desde o início do assalto ao Capitólio e quatro policiais se suicidam depois por causa do trauma.
Como a destituição do presidente exige os votos de dois terços do Senado, Trump é absolvido, como havia sido no primeiro processo de impeachment, por tentar subornar o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, pressionando-o a investigar Joe Biden e seu filho em troca de ajuda militar.
Até hoje, nenhum presidente dos EUA foi afastado em processo de impeachment. Em 1868, falta um voto no Senado para destituir Andrew Johnson. Em 1974, Richard Nixon renunciou quando perdeu o apoio da bancada republicana no Senado por causa do Escândalo de Watergate. Em 1999, Clinton é absolvido com 50 votos contra por obstrução de justiça e 45 por perjúrio (mentir sob juramento).
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Em 511, morre em Paris Clóvis I, rei dos francos que governa a maior parte da Gália de 481 a 511, um período de transição do Império Romano do Ocidente para o que seria a Europa. Primeiro rei bárbaro a se converter ao cristianismo depois da queda do Império Romano do Ocidente, é considerado o fundador da França.
Clóvis nasce em Tournai por volta do ano 466, filho de Quilderico I, da Dinastia Merovíngia, rei dos francos sálios, uma das tribos que habitavam a oeste do baixo Rio Reno, e da rainha Basina, da Turíngia.
Aos 15 anos, ele sucede ao pai. Em 481, conquista o Reino de Boissons com a vitória na Batalha de Boissons ao vencer, com a ajuda de Ragnachar, Siágrio, o último oficial romano no Norte da Gália. Ainda conquista o Oeste da antiga Gália Romana.
O catolicismo o ajuda a se aproximar dos súditos romanos porque em 380 o imperador Teodósio I o adotara como religião oficial do Império Romano.
Clóvis I está enterrado na Basílica de Saint-Denis, uma cidade-satélite de Paris.
URBANO II LANÇA CRUZADAS
Em 1095,no discurso mais importante da Idade Média, durante o Concílio de Clermont, na França, o papa Urbano II lança as Cruzadas ao convocar todos os cristãos da Europa para a guerra santa contra os muçulmanos para reconquistar Jerusalém.
Odo de Lagery nasce em 1042 e se torna protegido do papa Gregório VII, um reformista. Antes de ser eleito papa, em 1088, Urbano faz campanha contra a venda de serviços da Igreja.
Em 1077, o Império Seljúcida (turco) toma Jerusalém e começa a barrar o acesso de cristãos à Cidade Sagrada para três religiões. Quando os turcos seljúcidas ameaçam invadir o Império Romano do Oriente ou Império Bizantino e tomar sua capital, Constantinopla, o imperador Alexis I recorre ao papa.
Jesus Cristo orientou os homens a amarem uns aos outros. O papa Urbano II manda matar os infiéis.
Ao todo, 60 a 100 mil pessoas atendem à convocação de Urbano II e marcham rumo à Terra Santa na Primeira Cruzada (1096-99), a única das nove cruzadas a tomar Jerusalém. Urbano II morre em 1099 duas semanas depois da queda de Jerusalém para os cristãos, mas a notícia ainda não havia chegado à Europa.
O Reino Cristão de Jerusalém dura até 1291, primeiro com capital em Jerusalém e depois em Acre.
PRÊMIOS NOBEL
Em 1895, com fundos do testamento de Alfred Nobel, o engenheiro, químico e industrial sueco inventor da dinamite, nascem os Prêmios Nobel, os mais prestigiados do mundo por grandes conquistas intelectuais.
Alfred Bernhard Nobel nasce em 21 de outubro de 1833 em Estocolmo, na Suécia. Desde criança mostra grande curiosidade intelectual. Ele aprende fundamentos de engenharia com o pai e se interessa por explosivos.
Depois de várias falências, o pai se muda para São Petersburgo, na Rússia, onde fabrica máquinas industriais e explosivos usados em mineração. O resto da família se muda para São Petersburgo em 1842. Com dinheiro, educa o jovem Alfred. Aos 16 anos, ele tem conhecimentos de química e fala várias línguas: inglês, francês, alemão, russo e sueco.
Alfred Nobel deixa a Rússia em 1850. Estuda química em Paris durante um ano e vai para os Estados Unidos. Volta a São Petersburgo em 1852 e trabalha na fábrica do pai, que fabrica equipamentos miitares durante a Guerra da Crimeia (1853-56), perdida pela Rússia.
Com o fim da guerra, a fábrica tem dificuldades para reorientar a produção para a fabricação de máquinas para navios a vapor. Quebra em 1859.
A família volta para a Suécia, onde Alfred faz experiências com explosivos, especialmente nitroglicerina, um novo explosivo líquido poderoso mas instável, difícil de manipular. Em 1863, ele cria um detonador de madeira com um pó preto enfiado num recipiente metálico contendo nitroglicerina. No ano seguinte, uma explosão de nitroglicerina mata seu irmão Emil. Em 1865, ele aperfeiçoa o detonador, o que inaugura a era dos grandes explosivos.
A segunda invenção importante de Alfred Nobel é a dinamite, em 1867. Ele consegue patentear a invenção no Reino Unido em 1867 e nos EUA em 1868, o que lhe dá prestígio mundial. Nos anos 1870 e 1880, Nobel instala fábricas de dinamite pela Europa.
Seus irmãos Ludvig e Robert fazem fortuna explorando o petróleo do Mar Cáspio em Baku, a capital do Afeganistão, grande centro de produção no início da era do petróleo.
Além de explosivos, Alfred Nobel é responsável por muitas outras invenções, como seda artificial. Ao todo, registra mais de 350 patentes. Pacifista, sonha que suas invenções possam levar à paz. Ao morrer de hemorragia cerebral em San Remo, na Itália, deixa mais de 90 fábricas de explosivos e munição.
Quando seu testamento é aberto, em Paris, em 27 de novembro de 1895, a família descobre que ele deixa a maior parte de sua fortuna num banco da Suécia para criar os prêmios que levam seu nome. Os primeiros prêmios Nobel são entregues em 1901, com cinco categorias: medicina e fisiologia, química, física, literatura e paz. O prêmio de economia é criado em 1968 pelo Sveriges Riksbank, o banco central da Suécia, e atribuído pela primeira vez em 1969.
TRANQUILO E INFALÍVEL
Em 1940, nasce em São Francisco, na Califórnia, o ator, mestre de kung fu e ídolo da cultura pop Bruce Lee, talvez o lutador de artes marciais mais influente de todos os tempos.
Seu pai, um ator de ópera chinês, está em turnê nos Estados Unidos. Em 1941, volta para Hong Kong, na época uma colônia britânica.
Bruce é criado em Hong Kong, onde faz 20 filmes como ator mirim, estuda dança e kung fu. Em 1959, ele volta aos EUA, onde estuda na Universidade de Washington, abre uma academia de artes marciais em Seattle e dá aulas particulares para celebridades como Steve McQueen.
Na busca de papéis que Hollywood não lhe oferece, Bruce Lee volta para Hong Kong em 1970 e se torna herói de filmes de ação como O Voo do Dragão, em que escreve o roteiro, dirige e estrela.
Bruce Lee morre em 20 de julho de 1973 de um edema cerebral causado provavelmente por analgésicos, um mês antes do lançamento de Operação Dragão, seu maior sucesso de bilheteria, que fatura US$ 200 milhões.
ÚNICO VIRTUOSE DO ROCK
Em 1942, nasce em Seattle, no Noroeste dos Estados Unidos, James Marshall Hendrix, mais conhecido como Jimi Hendrix, descendente de afroamericanos e de índios cherokee, o maior guitarrista de todos os tempos e único virtuose da história do rock.
Hendrix entra para o Exército como paraquedista em 1959. É dispensado com honra em 1961 depois de fraturar um tornozelo num salto.
Quando toca na noite de Nova York, Hendrix é descoberto por Chas Chandler, baixista da banda The Animals, que o leva em 1966 para Londres, na época a meca dos guitarristas, onde ele forma a banda The Jimi Hendrix Experience com o baixista Noel Redding e o baterista Mitch Mitchell.
Eric Clapton, do Cream, e Pete Townshend, de The Who, rivais na disputa para ver quem é o melhor guitarrista da Inglaterra, se tornam amigos assistindo aos shows de Jimi no Marquee Club.
Depois do sucesso na Inglaterra, Hendrix volta aos EUA para participar do Festival de Monterrey, em 1967, quando estoura definitivamente, destrói e incendeia a guitarra. Ele seria uma das principais atrações dos festivais de Woodstock, em 1969, encerrado com sua versão distorcida do Hino dos EUA, e da Ilha de Wight, em 1970, antes de morrer prematuramente aos 27 anos em Londres, em 18 de setembro de 1970, de uma dose excessiva de soníferos.
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Em 1191, na Terceira Cruzada, o exército muçulmano do sultão Saladino ataca as forcas do rei Ricardo I, da Inglaterra, na Batalha de Arçufe, na Palestina, na marcha de Acre a Jafa. Ricardo Coração de Leão contra-ataca ao entardecer, mas sua marcha rumo a Jerusalém é retardada.
As Cruzadas são uma série de nove expedições militares dos cristãos para tentar reconquistar Jerusalém, tomada pelo califa Omar em 638. Depois do ano 1000, o patriarca da Igreja Ortodoxa de Constantinopla, capital do Império Bizantino, pede ajuda à Igreja Católica Romana.
Jesus Cristo pediu aos seres humanos para amarem uns aos outros. No Concílio de Clermont, em 27 de novembro de 1095, o papa Urbano II manda matar os infiéis e promete a remissão de todos os pecados para quem for voluntariamente para a guerra contra os muçulmanos.
A Primeira Cruzada (1096-99) é a única a conquistar Jerusalém. Funda em território da Palestina o Reino Cristão de Jerusalém (1099-1291).
A Segunda Cruzada (1145-49), anunciada pela Papa Eugênio II, uma reação à queda de Edessa, é a primeira liderada por reis, Luís VII, da França, e Conrado III, do Sacro Império Romano-Germânico. Os dois exércitos marcham separadamente e são derrotados pelos turcos do Império Seljúcida.
A Terceira Cruzada (1189-92) é a Cruzada dos Reis, de Ricardo I, da Inglaterra, Felipe II, da França, e do sultão Saladino, líder dos muçulmanos.
Depois da conquista de Acre, Ricardo I quer chegar até o mar, até o porto de Jafa. Em Arçufe, o exército cristão tem 10 mil infantes e 1,2 mil cavaleiros, organizados em 12 regimentos de cavalaria de 100 homens cada, com a infantaria guarnecendo os flancos e besteiros na linha de frente, com flechas muito mais poderosas do que as do inimigo.
Estima-se que o exército muçulmano seja duas vezes maior, especialmente em cavalaria. O cavalo e o estribo formam a tecnologia militar dominante na Idade Média.
Ricardo resiste ao ataque de Saladino, quando suas forças iam de Acre para Jafa, até receber um reforço dos hospitalários. Ordena então um contra-ataque. Vence a batalha. Isso dá aos cristãos o dominío sobre a costa da região central da Palestina, inclusive o porto de Jafa.
CAMPANHA DA RÚSSIA
Em 1812, o Grande Exército de Napoleão Bonaparte vence com muitas perdas a Batalha de Borodino contra o exército da Rússia sob o comando do general Mikhail Kutuzov a cerca de 110 quilômetros de Moscou.
Os russos recuam diante da invasão napoleônica, iniciada em 24 de junho, para evitar um confronto direto e se entrincheiram em Borodino para deter o avanço do inimigo rumo a Moscou. São 130 mil soldados de Napoleão com 500 tanques contra 120 mil russos com 600 canhões.
Napoleão faz um ataque frontal às seis da manhã. Até o meio-dia, os dois lados avançam e recuam na linha de frente, até que a artilharia dá vantagem à França, mas os russos resistem a sucessivas ofensivas.
O imperador francês não coloca em combate a Guarda Imperial, de 20 mil homens, e mais 10 mil soldados. Como Kutuzov não tem mais homens para entrar em ação, Napoleão perde a oportunidade de ter uma vitória decisiva.
É uma vitória de Pirro, referência ao general que derrotou Roma duas vezes, em Heracleia (280 AC) e Ásculo (279 AC), mas suas forças sofreram tantas perdas que, ao andar pelo campo de batalha, vaticina: "Mais uma vitória destas e estou perdido." Perdeu em Malevento (275 AC), que os romanos rebatizaram de Benevento.
Com os soldados exaustos à tarde, a Batalha de Borodino continua até a noite com disparos de artilharia. À noite, Kutuzov recua. Napoleão entra em Moscou uma semana depois, em 14 de setembro, sem oposição. Os russos recuam e queimam a cidade para que o inimigo fique sem comida e sem abrigo.
Sem conseguir tomar o poder na Rússia, cinco semanas depois, Napoleão se retira, pega as chuvas e o frio do outono russo. É atacado à retaguarda pelos russos, na Batalha de Krasnol, de 15 a 18 de novembro de 1812. Sai da Rússia em 14 de dezembro.
A campanha da Rússia é a sua maior derrota. O Grande Exército de Napoleão invade a Rússia com algo entre 450 e 640 mil soldados, 150 mil cavalos e 1,4 mil peças de artilharia. Deixa a Rússia em 14 de dezembro. Pelo menos 380 mil morrem. Cerca de 120 mil sobrevivem, 50 mil austríacos, prussianos e outros alemães, 20 mil poloneses e 35 mil franceses. Muitos desertam.
TIO SAM
Em 1813, os Estados Unidos ganham seu apelido quando um jornal registra que os soldados que lutavam na Guerra de 1812 contra o Império Britânico chamam de Uncle Sam (Tio Sam) as embalagens de carne que o Exército recebe do comerciante William com US, de United States, escrito na caixa.
O desenho do Tio Sam aí em cima é feito pela primeira em 1870 pelo cartunista Thomas Nest em homenagem ao presidente Abraham Lincoln, um senhor de cabelos brancos e barbicha vestido com as cores da bandeira, azul, vermelho e branco, e uma cartola adornada com uma faixa azul marinho e estrelas brancas.
A pedido das Forças Armadas, em 1917, com a intervenção dos EUA na Primeira Guerra Mundial (1914-18), a imagem é refeita com o slogan "eu quero você". O Tio Sam quer que os norte-americanos se alistem para lutar na Europa.
Desde então, a imagem é associada ao imperialismo e ao militarismo norte-americano.
INDEPENDÊNCIA DO BRASIL
Em 1822, sob pressão das cortes portuguesas, que querem rebaixar o Brasil a colônia, o príncipe-regente Dom Pedro dá um grito às margens do Riacho Ipiranga, em São Paulo, e proclama: “Independência ou Morte!”
No fim do século 18, há cogitações em Lisboa sobre a conveniência de transferir a sede do governo para o Brasil a fim de não perder sua maior colônia. Isto acontece quando as forças do imperador francês Napoleão Bonaparte invadem Portugal em 1807. Por causa da aliança histórica com o Reino Unido, Portugal não adere ao Bloqueio Continental imposto por Napoleão ao comércio com os britânicos.
A chegada da família real, em 1808, e a abertura dos portos significam uma independência na prática. Em 1815, depois da derrota final de Napoleão, quando as monarquias europeias são restauradas, formam a Santa Aliança e o Concerto Europeu, o Brasil é elevado a Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve porque a capital do Império Português não poderia ficar numa colônia.
O Rio de Janeiro é a única cidade do Hemisfério Sul que foi capital de um império que se estendia por quatro continentes: América, África, Europa e Ásia.
Com a Revolução do Porto, em 1820, o rei Dom João VI é pressionado a voltar para Lisboa com toda a máquina administrativa trazida para o Brasil. Volta no ano seguinte, deixando o filho como príncipe-regente. Aí começa a pressão da corte para cortar os privilégios que o país havia obtido como capital do império.
Em 9 de janeiro de 1822, o príncipe Dom Pedro comunica que vai descumprir a ordem da coroa de voltar imediatamente para Portugal. É o Dia do Fico, quando a ruptura com Lisboa se torna inevitável.
A crise se agrava. Com Dom Pedro em São Paulo, a princesa-regente, Dona Leopoldina, preside a uma reunião do Conselho de Estado no Palácio Imperial da Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro. A futura imperatriz e José Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca da Independência, enviam cartas que Dom Pedro recebe em 7 de setembro às margens do Ipiranga e dá o grito.
O Brasil é um fenômeno único na história. O país se torna independente com a mesma família imperial que está no poder desde a Colônia. É um caso raro de conciliação das elites para manter tudo como está.
UNIFICAÇÃO DA ITÁLIA
Em 1860, durante a luta pela unificação da Itália, Giuseppe Garibaldi entra em Nápoles e se declara "ditador das Duas Sicílias".
A Expedição dos Mil é um momento-chave da Segunda Guerra da Independência da Itália, quando os Camisas Vermelhas, sob o comando de Garibaldi, que luta na Revolução Farroupilha (1835-45) e no Uruguai, um especialista em guerra de guerrilhas, desembarcam na Sicília Ocidental e conquistam o Reino das Duas Sicílias, antes dominado pela Dinastia dos Bourbon.
Em 21 e 22 de julho de 1858, o imperador Napoleão III, da França, e o Reino da Sardenha fazem uma aliança contra o Império Austro-Húngaro pela independência do Norte da Itália.
Em março de 1859, as populações do Grão-Ducado da Toscana, do Ducado de Módena e do Ducado de Parma depõem seus governantes e pedem anexação ao Reino da Sardenha, enquanto a Úmbria e Marcas sofrem duram repressão dos Estados Pontifícios, do Vaticano ou Santa Sé.
O primeiro-ministro da Sardenha e futuro primeiro-ministro da Itália, Camillo Paolo Filipo Giulio Benso, Conde de Cavour, declara guerra à Áustria em 24 de abril de 1859. A Segunda Guerra da Independência da Itália termina em julho.
Ninguém imagina que a Áustria entre em nova guerra menos de um ano depois da Batalha de Solferino, em 24 de junho de 1859, tão sangrenta que dá origem à Convenção de Genebra à Cruz Vermelha Internacional para socorrer feridos em guerra.
O Armistício de Villafranca reconhece o Reino da Sardenha e Lombardia, mas não o Vêneto. O Tratado de Turim, de 24 de março de 1860, cede a Saboia e Nice à França, enquanto o movimento nacional italiano ganha a anuência do imperador francês para a anexação da Toscana e da Romanha.
Em 11 de maio de 1860, Garibaldi e os Camisas Vermelhas invadem a Sicília. Três dias depois, ele se proclama ditador. Com a ajuda de uma insurreição popular, toma Palermo de 27 a 30 de maio.
Com o controle da Sicília, Garibaldi passa a planejar o ataque ao continente. Em 19 de agosto desembarca com 20 mil voluntários em Melito di Porto Salvo, na Calábria, no Sul da Itália. Como o rei Francisco II abandona Nápoles, o revolucionário de dois continentes, herói em três países, entra na cidade praticamente sem resistência.
Em 21 de outubro, um referendo aprova a anexação do Reino das Duas Sicílias ao Reino da Sardenha. A unificação da Itália acontece oficialmente em 17 de março de 1861, sob o rei da Sardenha, Vitor Emanuel II, da Dinastia de Saboia.
FIM DA GUERRA DOS BOXERS
Em 1901, a assinatura de um protocolo acaba com a Guerra dos Boxers, uma revolta anti-imperialista que não consegue expulsar os estrangeiros da China.
A derrota na Guerra Sino-Japonesa de 1894-95 acaba com a milenar ordem sinocêntrica na Ásia. Marca o início da fase terminal do Império Chinês. No Norte, os chineses temem o aumento da influência estrangeira e se ressentem dos privilégios dos missionários cristãos. Em 1898, a região sofre várias catástrofes naturais, como seca e enchente do Rio Amarelo, aumentando o descontentamento.
A Guerra dos Boxers (1899-1901) é uma rebelião antiestrangeiros, anticolonial e anticristã no final da Dinastia Ching travada pela Sociedade dos Punhos Harmoniosos e Justiceiros, na maioria lutadores de kung fu sem armas de fogo.
A partir de 18 de outubro de 1899, os boxers destroem propriedades estrangeiras como as ferrovias e assassinam cristãos e missionários cristãos. Em junho de 1900, os boxers convergem para Beijim e cercam a cidade. Um exército formado por EUA, Reino Unido, França, Áustria-Hungria, Alemanha, Itália, Rússia e Japão invade a China em 17 de junho.
Em 21 de junho, a imperatriz Cixi baixa um decreto imperial declarando guerra às potências invasoras e manda matar todos os estrangeiros da capital chinesa, inclusive diplomatas. A aliança invasora rompe as defesas de Beijim em 14 de agosto. A cidade é saqueada e pilhada,
O Protocolo Boxer, de 7 de setembro 1901, prevê execução sumária de funcionários públicos que lutam pela rebelião, provisões para as tropas estrangeiras estacionadas em Beijim e 450 milhões de taéis de prata – mais do que a arrecadação anual do governo chinês – de indenização a serem pagos ao longo de 39 anos para as oito potências da aliança.
ENTREGA DO CANAL
Em 1977,o presidente Jimmy Carter e o ditador Omar Torrijos assinam dois tratados para transferir o controle do Canal do Panamá dos Estados Unidos para o Panamá em 1999.
A companhia francesa que abriu o Canal de Suez inicia a obra do canal para ligar os oceanos Atlântico e Pacífico em 1880. Quebra por problemas de engenharia e doenças tropicais. O trabalho do médico sanitarista brasileiro Oswaldo Cruz contra a febre amarela ajudaria a realizar a obra.
O Panamá pertence à Colômbia. Quando o governo colombiano, enfraquecido pela Guerra dos Mil Dias (1899-1902) entre liberais e conservadores, rejeita a proposta norte-americana, os EUA promovem a independência do Panamá, em 3 de novembro de 1903.
A construção do canal começa em 4 de maio de 1904 e termina em 1913. O canal é inaugurado oficialmente em 15 de agosto de 1914.
O coronel Omar Torrijos, um nacionalista, chega ao poder num golpe militar em 1968, mas conta com apoio popular e negocia a soberania do país sobre o canal e a Zona do Canal, um enclave dos EUA.
Dois tratados garantem a soberania sobre o canal. O primeiro é o Tratado sobre a Neutralidade Permanente e e Operação do Canal, mais conhecido como Tratado da Neutralidade. O segundo é o Tratado do Canal do Panamá, que estabelece que o Panamá assume o controle total do canal a partir do ano 2000.
Ambos foram ratificados por maiores de dois terços em referendo realizado no Panamá em 23 de outubro de 1977. Depois de assumir o controle do canal, o país vive uma era de prosperidade. Quando volta à Casa Branca, em janeiro de 2025, o presidente Donald Trump ameaça retomar o Canal do Panamá.
Em 1291, os mamelucos tomam a cidade de Acre, último reduto do Reino Cristão de Jerusalém, criado em 1099 pela Primeira Cruzada, acabando com o domínio cristão na Palestina.
O papa Urbano II lança as Cruzadas em discurso em Clermont, na França, em 27 de novembro de 1095. Manda os cristãos pararem com as guerras na Europa e se unirem para matar os infiéis e tomar a Terra Santa, dominada por muçulmanos do Império Seljúcida. Os cruzados tomam Jerusalém em 1099 e fundam o reino.
Na Terceira Cruzada, em 1187, o sultão Saladino toma Jerusalém. O Reino Cristão muda a capital para Acre e sobrevive mais um século. Quem acaba com o reino é o sultão mameluco do Egito e da Síria Baibars Bundukdari, que chega a ser preso e vendido como escravo.
Baibars, cruel e impiedoso, conhecido como a Besta, é o primeiro a derrotar o até então invencível Império Mongol em batalhas importantes na Anatólia e no Norte da Síria. Vai pouco a pouco tomando os territórios dos cristãos até destruir o reino. É o fim do sonho cristão de conquistar a Terra Santa.
PAPÉIS FEDERALISTAS
Em 1788, uma série de 85 ensaios escritos por Alexander Hamilton, James Madison e John Jay para convencer os eleitores do estado de Nova York a ratificar a Constituição dos Estados Unidos é publicada no livro O Federalista.
Os ensaios são sobre os temas em debate na Convenção Constitucional que redige a Constituição dos EUA. Madison funda o Partido Republicano, que não é o mesmo de hoje, junto com Thomas Jefferson, que se torna o terceiro presidente dos EUA. Hamilton é o primeiro secretário do Tesouro e escreve 51 artigos.
Há três ideias centrais nos Papéis Federalistas: o federalismo em oposição ao confederalismo, que criaria um país fraco; a natureza humana, a separação de poderes e o governo misto; e a república como forma de governo e o faccionalismo. São reflexões sobre justiça, bem-estar social e direitos individuais.
CARRO DO POVO
Em 1937, a fábrica de automóveis Volkswagen lança na Alemanha Nazista um modelo barato, o fusca,para ser o "carro do povo".
A companhia, fundada pelo regime de Adolf Hitler em 1937 é inicialmente operada pela Frente Trabalhista Alemã, ligada do Partido Nazista. O projeto original do carro é do engenheiro austríaco Ferdinand Porsche.
A Segunda Guerra Mundial (1939-45) começa em 1º de setembro de 1939, quando a Alemanha invade a Polônia, antes do início da produção em massa do Sedan VW. Com a guerra, a fábrica é reconvertida para a produção de equipamentos e veículos militares.
ANISTIA PARA PRESOS POLÍTICOS
Em 1961, o advogado britânico Peter Benenson publica na primeira página no jornal The London Observer o artigo Os Prisioneiros Esquecidos e lança o Apelo pela Anistia 1961.
A campanha pede a libertação de todos os prisioneiros de consciência, presos políticos detidos pela manifestação pacífica de suas ideias.
Benenson é inspirado por dois estudantes portugueses presos por fazerem um brinde à liberdade durante a ditadura salazarista.O movimento dá origem à organização não governamental Anistia Internacional.
BOMBA PAQUISTANESA
Em 1998, o Paquistão faz uma série de explosões nucleares subterrâneas e se torna o sétimo país do mundo a fabricar a bomba atômica.
O Paquistão começa a desenvolver armas nucleares em 20 de janeiro de 1972, quando o primeiro-ministro Zulfikar ali Bhutto reúne cientistas e engenheiros, e pede que façam a bomba em três anos para garantir a sobrevivência do país depois da derrota em 1971 na Guerra da Independência de Bangladesh.
Sem apoio suficiente de aliados como a China e os EUA, o Paquistão perde 150 mil quilômetros quadrados de território e cerca da metade da população para um novo país, Bangladesh. Sente-se isolado internacionalmente.
Quando a arqui-inimiga Índia faz sua primeira explosão atômica, Buda Sorridente, em 1974, o Paquistão acelera o programa nuclear, que ganha impulso em 1974, com a adesão Abdul Qadir Khan, considerado o pai da bomba atômica paquistanesa. Em 1984, o Paquistão atinge a capacidade nuclear.
Depois que a Índia faz dois testes nucleares em maio de 1998, o Paquistão decide assumir publicamente a condição de potência atômica.
Em 1128,durante as Cruzadas, o papa Honório II reconhece oficialmente a Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, mais conhecida como Ordem do Templo ou Ordem dos Templários, como um "exército de Deus".
A Ordem dos Cavaleiros do Templo nasce em 1118, fundada pelo francês Hughes de Payens, com a missão de proteger os cristãos que peregrinam à Terra Santa durante as Cruzadas, uma série de expedições militares para tentar conquistar Jerusalém, que estava em poder de muçulmanos.
De início, a ordem tem apenas nove membros e regras rígidas. Os templários precisam ser nobres e fazem votos de pobreza, obediência e castidade. Até 1127, a ordem cresce em poder e influência. Ganha força enquanto dura a guerra contra os muçulmanos.
Quando as Cruzadas acabam, no início do século 14, o rei Felipe IV, da França, e o papa Clemente V decidem acabar com os Templários. O grão-mestre, Jacques de Molay, é preso sob a acusação de heresia, sacrilégio e satanismo. Ele e outros líderes da ordem fazem confissões sob tortura e são condenados à morte na fogueira.
Clemente V dissolve a ordem em 1312. Hoje a Igreja Católica admite que a ordem foi vítima de uma conspiração de poderes seculares.
Vários mitos e lendas são criadas em torno dos Templários, inclusive que a ordem teria descoberto relíquias no Monte do Templo, em Jerusalém, inclusive o Cálice Sagrado em que Jesus Cristo teria bebido na Última Ceia e onde José de Arimateia teria coletado o sangue de Cristo na cruz.
As façanhas imaginárias dos Templários inspiram vários livros, entre eles o megassucesso Código da Vinci. É ficção.
ÉMILE ZOLA ACUSA
Em 1898, o escritor e intelectual francês Émile Zola publica uma carta aberta ao presidente da França no jornal L'Aurore acusando o alto comando do Exército pela condenação por traição em 1894 do capitão Alfred Dreyfus, num caso marcado pelo antissemitismo.
Filho de um rico industrial judeu do setor têxtil, Dreyfus nasce em 9 de outubro de 1859 em Mulhouse, na França. Em 1882, entra para a Escola Politécnica e depois decide fazer carreira militar. Promovido a capitão, vai para o Ministério da Guerra, onde, em 1894, é acusado de vender segredos militares à Alemanha.
É preso em 15 de outubro de 1894 e condenado por uma corte marcial à prisão perpétua em 22 de dezembro. Ele entra na colônia penal da Ilha do Diabo, na Guiana Francesa, em 13 de abril de 1895.
Como as provas eram suspeitas, jornalistas investigam o caso, inclusive Georges Clemenceau, futuro primeiro-ministro francês durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18). Quando as evidências apontam a culpabilidade do major Ferdinand Esterhazy, Zola publica a carta aberta Eu Acuso:
"Acuso o comandante du Paty de Clam de ter sido o criador diabólico do erro judicial, inconscientemente, quero crer, e ter saído em defesa de sua obra nefasta, durante três anos, por maquinações as mais estapafúrdias e as mais culposas.
"Acuso o general Mercier de ter se tornado cúmplice, ainda que por fraqueza de caráter, de uma das maiores iniqüidades do século.
"Acuso o general Billot de ter tido entre as mãos as provas indubitáveis da inocência de Dreyfus e de tê-las ocultado, tornando-se, pois, culpado de crime de lesa-humanidade e lesa–justiça, por motivos políticos e para livrar um Estado-Maior comprometido.
"Acuso o general de Boisdeffre e o general Gonse de tornarem-se cúmplices do mesmo crime, um sem dúvida por paixão clerical, o outro por esse corporativismo que faz do Ministério da Guerra uma arca santa inatacável.
"Acuso o general De Pellieux e o comandante Ravary de terem feito uma investigação criminosa, um inquérito da mais monstruosa parcialidade e do qual temos, no relatório do segundo, um monumento perene da mais ingênua audácia.
"Acuso os três especialistas em grafologia, os senhores Belhomme, Varinard e Couard de terem emitido pareceres mentirosos e fraudulentos, a menos que um laudo médico os declare tomados por alguma patologia da vista e do juízo.
"Acuso o Ministério da Guerra de ter promovido na imprensa, particularmente no L'Éclair e no L’Écho de Paris, uma campanha abominável para manipular a opinião pública e acobertar sua falha.
"Acuso por fim o primeiro Conselho de Guerra de ter violado o direito, condenando um acusado com base em um documento secreto, e acuso o segundo Conselho de Guerra de ter encoberto essa ilegalidade, por ter recebido ordens, cometendo por sua vez o crime jurídico de absolver conscientemente um culpado.
"Fazendo essas acusações, não ignoro enquadrar-me nos artigos 30 e 31 da lei de imprensa de 29 de julho de 1881, que pune os delitos de difamação. E é voluntariamente que eu me exponho.
"Quanto às pessoas que eu acuso, não as conheço, nunca as vi, não nutro por elas nem rancor nem ódio. Não passam para mim de entidades, de espíritos da malevolência social. O ato que aqui realizo não é nada além de uma ação revolucionária para apressar a explosão de verdade e justiça.
"Não tenho mais que uma paixão, uma paixão pela verdade, em nome da humanidade que tanto sofreu e que tem direito à felicidade. Meu protesto inflamado nada mais é que o grito da minha alma. Que ousem, portanto levar–me perante ao tribunal do júri e que o inquérito se dê à luz do dia!
"É o que espero.
"Receba, senhor Presidente, minhas manifestações de mais profundo respeito."
Zola é processado, mas intelectuais, entre eles Anatole France e Marcel Proust, fazem um abaixo-assinado com mais de 3 mil assinaturas pedindo a reabertura do caso. Em 1904, começa o segundo julgamento. Em julho de 1906, um tribunal de recursos civil anula todas as condenações de Dreyfus.
O jornalista judeu austro-húngaro Thedor Herzl cobre o primeiro julgamento em 1894 e, diante da condenação sem provas e dos massacres de judeus no Império Russo, conclui que não há condições para os judeus viverem na Europa. Em 1896, ele publica O Estado Judeu, em defesa da fundação de uma pátria para o povo judeu e lança o moderno movimento sionista.
COSTA CONCORDIA NAUFRAGA
Em 2012, o navio de cruzeiro italiano Costa Concordia encalha e vira com cerca de 4,2 mil pessoas a bordo perto da Ilha de Giglio, no Mar Tirreno; 32 passageiros morrem no naufrágio.
Quando é lançado ao mar, em 2005, o Costa Concordia é o maior navio de cruzeiro da Itália, com 290 metros de comprimento e capacidade para 3.780 passageiros. Em comparação, o Titanic tinha 269 metros e capacidade para 2.435 passageiros.
Com quatro piscinas, um cassino, o maior spa num navio e 500 cabines com varanda para o mar, o Costa Concordia é um navio de luxo. A viagem inaugural, em julho de 2006, é um cruzeiro no Mar Mediterrâneo com escalas na Itália, França e Espanha. Depois, inclui as Ilhas Baleares, a Tunísia, Malta, Grécia, Chipre e Turquia. A partir de 2009, vem à América Latina.
Vários membros da tripulação são processados pelo naufrágio, especialmente o capitão Francesco Schettino, que se aproxima demais do litoral e deixa o navio antes de salvar os passageiros. Num diálogo, um comandante da Guarda Costeira grita: "Vá para bordo, capitão!"
O capitão é condenado em fevereiro de 2015 a 16 anos de reclusão pelas mortes, o abandono do navio e o naufrágio, pena confirmada por um tribunal de recursos em maio de 2016.
UM PRESIDENTE E DOIS IMPEACHMENTS
Em 2021, Donald Trump se torna o único presidente dos Estados Unidos a ser alvo de dois processos de impeachment, quando a Câmara dos Representantes o denuncia num julgamento político por "incitar à insurreição" ao insuflar seus partidários a invadir o Congresso em 6 de janeiro do mesmo ano para impedir a certificação da vitória de Joe Biden.
Trump não aceita a derrota na eleição presidencial de 3 de novembro de 2020. Seus advogados entram com 61 ações judiciais contestando os resultados em estados decisivos. Em todos os casos, os juízes não encontram elementos suficientes para instaurar um processo.
Sem outra alternativa para não entregar o poder, Trump incentiva uma marcha de seus partidários até a capital, onde faz um comício na gélida manhã de 6 de janeiro e incita a multidão a ir até o Capitólio. Promete inclusive acompanhar os manifestantes, mas o serviço secreto não deixa por não ter como garantir a segurança do presidente no meio da multidão.
A turba assalta o Capitólio, obrigando deputados, senadores e o vice-presidente Mike Pence a se refugiar nos porões do prédio. Os terroristas chegam a armar uma forca para matar o vice-presidente, que preside a reunião do Congresso e se nega a mudar o resultado das urnas.
Trump assiste tudo durante três horas e sete minutos, apesar dos apelos de deputados e senadores para que mandasse a multidão enfurecida parar de atacar. Cinco pessoas morrem dentro de 36 horas desde o início do assalto ao Capitólio e quatro policiais se suicidam depois por causa do trauma.
Como a destituição do presidente exige os votos de dois terços do Senado, Trump é absolvido, como havia sido no primeiro processo de impeachment, por tentar subornar o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, pressionando-o a investigar Joe Biden e seu filho em troca de ajuda militar.
Até hoje, nenhum presidente dos EUA foi afastado em processo de impeachment. Em 1868, falta um voto no Senado para destituir Andrew Johnson. Em 1974, Richard Nixon renuncia quando perdeu o apoio da bancada republicana no Senado por causa do Escândalo de Watergate. Em 1999, Clinton é absolvido com 50 votos contra por obstrução de justiça e 45 por perjúrio (mentir sob juramento).