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sexta-feira, 24 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 24 de Abril

BIBLIOTECA DO CONGRESSO

    Em 1800, a Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos é fundada oficialmente quando o presidente John Adams destina uma verba de US$ 5 mil para a compra de livros que "possam ser necessários para uso no Congresso".

 
A Biblioteca do Congresso é a maior do mundo. Recebe todos os livros publicados nos EUA. Seu acervo chega a 170 milhões de itens em 2020.

Durante a Guerra de 1812, em 24 de agosto de 1814, quando as forças britânicas incendeiam a Casa Branca e o Capitólio, destroem a coleção original de 3 mil volumes.

GUERRA HISPANO-AMERICANA

    Em 1898, a Espanha declara guerra aos Estados Unidos, que termina com a independência de Cuba e o controle norte-americano sobre Porto Rico e as Filipinas.

É um marco do começo do imperialismo dos EUA e o fim do imperialismo da Espanha, que vinha desde a Descoberta da América pelos europeus em 1492.

A principal causa da guerra é o movimento pela independência de Cuba. Jornais sensacionalista dirigidos por Joseph Pulitzer e William Randolph Hearst fomentam um sentimento antiespanhol na opinião pública dos EUA, que vê os cubanos oprimidos pelo colonialismo espanhol.

Depois do naufrágio misterioso do couraçado norte-americano USS Maine no porto de Havana, o Partido Democrata pressiona o presidente republicano William McKinley. A Espanha tenta um acordo, mas os EUA rejeitam e enviam um ultimato para que a Espanha entregue o controle de Cuba.

Quando Madri recusa, os EUA declaram guerra em 21 de abril. A Espanha declara guerra três dias depois. A guerra dura 10 semanas, até 13 de agosto de 1898.

GENOCÍDIO ARMÊNIO

    Em 1915, o Império Otomano prende em Constantinopla e executa cerca de 250 intelectuais e líderes da comunidade armênia no Domingo Vermelho, marco do início de grandes perseguições e massacres que causam a morte de 800 mil a 1,8 milhão de pessoas no Genocídio Armênio.

O genocídio é realizado em duas etadas: primeiro, matando a população masculina adulta; e depois deportando mulheres, crianças, idosos e doentes em marchas da morte que levam ao deserto da Síria sem água e comida, sujeitas a roubos, estupros e massacres. Outros grupos étnicos e religiosos, como os cristãos, os assírios e os gregos, também são perseguidos.

Quando Raphael Lemkin cria a palavra genocídio em 1943 pensa muito no caso armênio. É o segundo genocídio mais estudado, depois do Holocausto cometido pela Alemanha Nazista na Segunda Guerra Mundial (1939-45).

A Turquia, herdeira do Império Otomano, dissolvido depois da Primeira Guerra Mundial (1914-18), nega o Genocídio Armênio.

REVOLTA DA PÁSCOA

    Em 1916, durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), a Irmandade Republicana Irlandesa, uma sociedade secreta de nacionalistas da Irlanda liderada por Patrick Pearse, lança, com o apoio dos socialistas irlandeses chefiados por James Connolly, a Revolta da Páscoa, uma rebelião armada contra séculos de dominação inglesa e britânica, na segunda-feira da Semana Santa.

Os rebeldes atacam a sede do governo britânico, tomam a sede central do correio em Dublin e proclamam a independência da Irlanda. Na manhã seguinte, dominam boa parte da capital irlandesa. À noite, em 25 de abril, as autoridades do Reino Unido reagem.

A revolta é esmagada até 29 de abril e termina no dia seguinte. Pelo menos 500 pessoas morrem na rebelião: 54% eram civis, 30% soldados britânicos e policiais legalistas e 16% eram rebeldes. Pearse e outros 14 nacionalistas são executados.

Em 21 de janeiro de 1919, deputados do Sinn Féin (SF) eleitos em 1918 convocam o Primeiro Dáil, a primeira sessão do Parlamento irlandês e fundam a República da Irlanda. O Reino Unido não aceita. Começa a Guerra da Independência da Irlanda, travada entre o Exército Republicano Irlandês (IRA) e o Exército Real Britânico.

A guerra dura 2 anos, 5 meses, 2 semanas e 6 dias. Termina em 11 de julho de 1921, com 2,3 mil mortos. Pelo Tratado Anglo-Irlandês, a partir de 1º de janeiro de 1922, 26 dos 32 condados da ilha formam o Estado Livre Irlandês. Os outros seis, de maioria protestante, viram a Irlanda do Norte, que continua fazendo parte do Reino Unido e não é reconhecida pelo SF.

A discriminação aos católicos, nacionalistas e republicanos irlandeses na Irlanda do Norte gera uma onda de protestos nos anos 1960 que leva a uma guerra civil em que 3,5 mil pessoas morrem entre 1969 e 1998, quando é assinado o Acordo Paz da Sexta-Feira Santa, no qual as comunidades católica e protestante se comprometem a dividir o poder.

Com a saída do Reino Unido da União Europeia, a instalação de uma fronteira entre a Irlanda e a Irlanda do Norte reacendeu o conflito. No acordo do divórcio, as duas partes decidiram não criar uma "fronteira dura", mas os protestantes da Irlanda do Norte também não querem uma fronteira no mar com o Reino Unido. O impasse não é resolvido.

O governo britânico aponta uma solução em que há dois controles aduaneiros entre a Grã-Bretanha e a Irlanda do Norte: um para produtos que vão ficar dentro do Reino Unido, mais rápido; e outro para produtos que sigam para a República da Irlanda, que fez parte da União Europeia. 

A manobra evita a fronteira dura capaz de reacender o conflito e os protestantes da Irlanda do Norte aceitaram formar o governo de união nacional liderado pelo SF, o partido mais votado nas últimas eleições norte-irlandesas.

PRIMEIRO ASTRONAUTA MORRE NO ESPAÇO

    Em 1967, o cosmonauta soviético Vladimir Komarov morre ao voltar à Terra. Sua espaçonave se enreda no principal paraquedas a vários quilômetros de altitude e se choca com violência contra o solo.

Vladimir Mikhailovich Komarev nasce em Moscou em 16 de março de 1927. Ele entra para a Força Aérea aos 15 anos e se torna um piloto em 1949. Dez anos depois, Komarev se forma na Academia de Engenharia Militar da Força Aérea em Jukovsky, na Grande Moscou.

Em 12 e 13 de outubro de 1964, Komarev pilota a nave Voskhod 1 na primeira missão especial com mais de um homem a bordo. Em 23 de abril de 1967, Komarov se torna o primeiro cosmonauta russo a subir ao espaço. Na 18ª volta ao redor da Terra, ele tenta pousar e morre na queda.

 RESGATE FRACASSADO

    Em 1980, o governo Jimmy Carter envia uma missão para resgatar os reféns sequestrados na embaixada dos Estados Unidos no Irã em 4 de novembro de 1979, em plena Revolução Islâmica. A operação militar fracassa e oito soldados norte-americanos morrem.

O antiamericanismo da Revolução Iraniana tem origem na revolta contra o golpe que derruba o governo nacionalista de Mohamed Mossadegh em 1953, que planeja estatizar o petróleo. É o primeiro golpe articulado pela CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA) na Guerra Fria.

Em 1957, com a ajuda dos serviços secretos dos EUA e de Israel, o xá cria sua temida polícia, a Savak, acusada pelas oposições por até 100 mil mortes. Era uma sombra permanente na vida do cidadão iraniano durante a ditadura. É outro motivo importante para a Revolução Islâmica.

No caos pós-revolucionário, em 4 de novembro de 1979, guardas revolucionários invadem a Embaixada dos EUA em Teerã e sequestram os 66 funcionários e diplomatas. 

O governo Jimmy Carter autoriza uma operação para libertar os norte-americanos, que fracassa e ajuda a eleger Ronald Reagan. Carter é o único presidente que não manda tropas realizarem intervenções militares na História dos EUA. Sua única tentativa é essa operação de comandos da Força Delta no Irã.

A Operação Garra de Águia tenta resgatar os reféns em 24 de abril de 1980. Só cinco dos oito helicópteros enviados chegam à base de apoio, no meio do deserto, em condições técnicas. Um tem problemas hidráulicos. Outro é danificado por uma tempestade de areia fina. 

Durante o planejamento, fica decidido que a missão seria abortada se menos de seis helicópteros estivessem em condições, embora fossem necessários apenas quatro. Numa decisão discutida até hoje, os comandantes pediram autorização para abandonar a missão. Carter concordou. 

Quando a força estava se retirando, um helicóptero bateu num avião de transporte com soldados e combustível, que explodiu em chamas e matou oito soldados. Um fracasso total. 
A ocupação da embaixada dura 444 dias, até a posse de Ronald Reagan, em 20 de janeiro de 1979. Só aí são soltos os últimos 52 reféns.

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quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 21 de Janeiro

 LUÍS XVI É GUILHOTINADO

    Em 1793, um dia depois de ser condenado à morte pela Convenção Nacional por traição e conspiracão com potências estrangeiras, o rei Luís XVI é executado na Praça da Revolução, em Paris.

É um pouco antes do início do período do terror da Revolução Francesa, em que milhares de pessoas são guilhotinadas, inclusive a rainha e os líderes revolucionários Georges-Jacques Danton e Maximiliano Robespierre.

Como Maria Antonieta é austríaca, a família real é acusada de conspirar com potências estrangeiras para que invadam a França e acabem com a revolução.

MORTE DE LENIN

    Em 1924, o líder da Revolução Comunista e primeiro líder da União Soviética, Vladimir Ilich Ulianov, mais conhecido como Lenin, morre aos 54 anos, deflagrando uma luta pelo poder entre Leon Trotsky, criador do Exército Vermelho e ministro do Exterior, e o secretário-geral do partido, Josef Stalin, que vence e governa durante três décadas com um regime de terror. 

O corpo de Lenin embalsamado está em exposição num mausoléu na Praça Vermelha. Ele nasce em 22 de abril de 1870 em Ulianovsk numa família de classe média alta e entra na luta pelo socialismo revolucionário depois da execução, em 1887, do irmão mais velho, Alexander, condenado à morte sob acusação de conspirar para matar o czar e derrubar o regime.

Condenado por ativismo comunista, Lenin fica três anos no exílio interno na Sibéria, onde se casa com Nádia Krupskaya, e depois vai para a Europa Ocidental. Quando estoura a Primeira Guerra Mundial (1914-18), Lenin se refugia na neutra Suíça.

Contra a guerra, faz campanha para convencer os partidos socialistas e os trabalhadores dos exércitos em luta a se revoltar contra a burguesia e a aristocracia dominantes de seus países. A guerra só interessa às elites. Lenin escreve seu único livro sobre relações internacionais, Imperialismo: a fase superior do capitalismo. 

Depois da queda do czar Nicolau II na Revolução de Fevereiro de 1917, Lenin recebe um salvo-conduto para atravessar a Alemanha e chega a Petrogrado, hoje São Petersburgo, depois de ter sido Leningrado. Ele lança as Teses de Abril e lidera a Revolução de Outubro, quando os comunistas tomam o poder.

Lenin é o chefe de Estado na Rússia Comunista e da URSS de 1917 até sua morte. Em reação à revolução, começa uma guerra civil. Os comunistas vencem em 1922 e criam a URSS para acomodar as diferentes nacionalidades do antigo império czarista. Para justificar a invasão da Ucrânia, o ditador russo, Vladimir Putin, alega que a Ucrânia é uma invenção de Lenin e Stalin.

Um dos líderes mais influentes do século 20, Lenin deixa sua marca em toda uma corrente política, o marxismo-leninismo. É acusado de ter aberto o caminho para o stalinismo com o chamado centralismo democrático e de criar um regime totalitário com execuções em massa, inclusive da família imperial czarista, polícia política e perseguição aos dissidentes.

PRIMEIRO VOO COMERCIAL DO CONCORDE

    Em 1976, o Concorde, o primeiro avião de passageiros supersônico, um projeto financiado pelos governos da França e do Reino Unido, faz seus primeiros voos comerciais. Com a companhia aérea British Airways, vai de Londres ao Bahrein, enquanto pela Air France voa de Paris ao Rio de Janeiro.

O Concorde é o primeiro projeto conjunto de países europeus para construir uma aeronave. Em 29 de novembro de 1962, a França e o Reino Unido assinam um tratado para realizar o projeto. A British Aerospace e a Aérospatiale são encarregadas de fabricar a estrutura metálica, e a Rolls-Royce e a Société Nationale de Étude et de Construction de Moteurs d'Aviation (SNECMA) fazem os motores. 

O primeiro voo é em 2 de março de 1969. O Concorde atinge uma velocidade máxima de 2.179 quilômetros por hora ou Mach 2,04, mais de duas vezes a velocidade do som. A primeira travessia do Oceano Atlântico é em 26 de setembro de 1973. O jato supersônico reduz o tempo de viagem entre Londres e Nova York para três horas.

Em maio de 1976, as duas companhias aéreas passam a voar regularmente para Washington e, em novembro de 1977, para Nova York. Mas o custo operacional é tão grande que o Concorde sempre dá prejuízo. Só 14 Concordes entram em operação. As únicas rotas mantidas são para Nova York.

Em 25 de julho de 2000, o pneu de um Concorde que ia de Paris para Nova York estoura logo após a decolagem, rompe um tanque de combustível e provoca um incêndio que derruba o avião. Todas as 109 pessoas a bordo, 100 passageiros e 9 tripulantes, morrem no acidente, além de quatro pessoas atingidas no solo.

A Air France suspende as operações com o Concorde em maio de 2003 e a British Airways em outubro de 2003.

CARTER PERDOA DESERTORES

    Em 1977, no segundo dia de governo, o presidente Jimmy Carter perdoa centenas de milhares de homens que se negaram a lutar na Guerra do Vietnã (1955-75), uma promessa de campanha.

Cerca de 100 mil norte-americanos saem do país no fim dos anos 1960 e início dos 1970 para não ter de servir no Vietnã. Cerca de 30 mil vão para o Canadá, onde são recebidos como imigrantes. Outros ficam escondidos, vivendo clandestinamente nos Estados Unidos.

Ao todo 209.517 homens são acusados de violar as leis de recrutamento militar, de um total de mais de 300 mil que rejeitam a convocação.

Os ex-presidentes Bill Clinton, George W. Bush e Donald Trump, e os ex-vice-presidentes Dan Quayle e Dick Cheney não lutam no Vietnã. Trump consegue cinco adiamentos.

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sábado, 11 de outubro de 2025

Hoje na História do Mundo: 11 de Outubro

 VIET MINH TOMA VIETNÃ DO NORTE

    Em 1954, o Viet Minh, movimento comunista criado por Ho Chi Minh em resistência ao colonialismo francês e ao imperialismo japonês, assume o controle do Vietnã do Norte.

Quando termina a ocupação japonesa no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), a França tenta reimpor o domínio colonial. O Viet Minh inicia uma guerra de guerrilhas conhecida como Primeira Guerra da Indochina (1946-54).

A resistência liderada pelo Viet Minh, sob o comando do general Vo Nguyen Giap, vence a guerra na Batalha de Dien Ben Phu, em maio de 1954. O armistício entra em vigor em 1º de agosto. O Viet Minh marcha sobre Hanói.

Pelo acordo firmado na Conferência de Genebra, o Vietnã é dividido temporariamente em duas metades iguais, com uma zona desmilitarizada ao longo do paralelo 17º Norte. 

O Norte seria a República Democrática do Vietnã, proclamada por Ho Chi Minh, e o Sul por Ngo Dinh Diem, católico e anticomunista.

Depois de eleições supervisionadas internacionalmente, o Vietnã seria reunificado em 1956. Quando os EUA cancelam as eleições que provavelmente seriam vencidas pelo Viet Minh, começa a Segunda Guerra da Indochina ou Guerra do Vietnã (1955-75), onde os EUA intervêm diretamente de 1964 a 1973. 

A guerra termina em 30 de abril de 1975 com a queda de Saigon, hoje Cidade de Ho Chi Minh, e uma fuga espetacular de helicóptero da embaixada norte-americana.

JOÃO XXIII ABRE CONCÍLIO

    Em 1962, o papa João XXIII (1958-63) abre o Concílio Vaticano II, o primeiro concílio ecumênico em 92 anos, para promover um renascimento espiritual e a unidade da Igreja Católica Apostólica Romana com outros ramos do cristianismo.

Angelo Giuseppe Roncalli nasce em 1881 e é ordenado padre em 1904. Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), como enviado papal à Turquia, salva judeus ajudando-os a fugir para a Palestina.

Depois da guerra, é nomeado núncio apostólico (embaixador do Vaticano) na França, um posto difícil porque o anterior havia cooperado com o regime colaboracionista de Vichy durante a ocupação nazista. Em 1953, é consagrado cardeal.

Com a morte do papa Pio XII, o cardeal Roncalli é eleito papa João XXIII em 28 de outubro de 1958 aos 77 anos e promove uma revolução na Igreja Católica. Para começar, anda livremente, acabando com a ideia de que o papa é "um prisioneiro do Vaticano".

As grandes mudanças vêm com o Concílio Vaticano II, concluído por seu sucessor, Paulo VI, em 1965. A missa passa a ser rezada na língua local e não mais exclusivamente em latim. Há um aumento da liberdade religiosa e do ecumenismo, numa tentativa de se aproximar da Igreja Cristã Ortodoxa e das correntes protestantes do cristianismo, e maior tolerância em relação aos não cristãos.

LENNON LANÇA IMAGINE

    Em 1971, o ex-beatle John Lennon lança Imagine, considerada uma das músicas mais influentes do século 20 ao falar de um mundo utópico sem guerras nem conflitos nem religiões, com "todos os povos dividindo o mundo inteiro".

John começa a escrever Imagine no tempo dos Beatles e grava logo depois que a banda se separa, em 1970. Em contraste com as músicas mais políticas de Lennon como Give Peace a ChancePower to the People Merry Xmas (War is Over)Imagine não tem uma mensagem política explícita. É filosófica, utópica, poética e romântica.

BRUCE SPRINGSTEEN NAS PARADAS

    Em 1975, aos 26 anos, o roqueiro Bruce Springsteen, descrito como o "novo Elvis" ou o "novo Dylan", coloca seu primeiro compacto entre os 40 mais vendidos nas paradas de sucesso, Born to Run.

Springsteen nasce em Long Branch, em Nova Jérsei, em 1949, e cresce na era de ouro do rock'n'roll nos Estados Unidos.

Seu maior sucesso vem em 1985 com o álbum Born in the USA, quando faz turnê pelo país se apresentando em estádios e faturando mais de US$ 1 milhão por show, mais do que a legendária banda de rock de São Francisco The Grateful Dead, que tradicionalmente faturava mais de US$ 500 mil por concerto em suas turnês de verão.

CARTER GANHA NOBEL DA PAZ

    Em 2002, o ex-presidente norte-americano Jimmy Carter (1977-81) é agraciado com o Prêmio Nobel da Paz "por décadas de esforços incansáveis para encontrar soluções pacíficas para problemas internacionais, promover a democracia, os direitos humanos e o desenvolvimento econômico e social."

Presidente de um só mandato, Carter media as negociações de paz de Camp David entre Israel e o Egito, e só manda os militares dos Estados Unidos para ação no exterior na fracassada tentativa de libertar os norte-americanos mantidos como reféns na embaixada em Teerã, ocupada em 4 de novembro de 1979 depois da Revolução Islâmica no Irã.

A crise dos reféns, a inflação e a recessão causadas pela crise do petróleo, agravada pela Revolução Iraniana de 1979, levam à vitória do republicano Ronald Reagan em 1980.

Depois de deixar o governo, em 1982, o ex-presidente cria o Centro Carter, uma organização sem fins lucrativos de promoção da democracia e dos direitos humanos que media crises, observa eleições e colabora no combate a doenças.

Outros três presidentes dos EUA ganham o Prêmio Nobel da Paz: Theodore Roosevelt (1906), Woodrow Wilson (1919) e Barack Obama (2009).

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domingo, 7 de setembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 7 de setembro

 CRUZADA DOS REIS

    Em 1191, na Terceira Cruzada, o exército muçulmano do sultão Saladino ataca as forcas do rei Ricardo I, da Inglaterra, na Batalha de Arçufe, na Palestina, na marcha de Acre a Jafa. Ricardo Coração de Leão contra-ataca ao entardecer, mas sua marcha rumo a Jerusalém é retardada.

As Cruzadas são uma série de nove expedições militares dos cristãos para tentar reconquistar Jerusalém, tomada pelo califa Omar em 638. Depois do ano 1000, o patriarca da Igreja Ortodoxa de Constantinopla, capital do Império Bizantino, pede ajuda à Igreja Católica Romana.

Jesus Cristo pediu aos seres humanos para amarem uns aos outros. No Concílio de Clermont, em 27 de novembro de 1095, o papa Urbano II manda matar os infiéis e promete a remissão de todos os pecados para quem for voluntariamente para a guerra contra os muçulmanos.

A Primeira Cruzada (1096-99) é a única a conquistar Jerusalém. Funda em território da Palestina o Reino Cristão de Jerusalém (1099-1291). 

A Segunda Cruzada (1145-49), anunciada pela Papa Eugênio II, uma reação à queda de Edessa, é a primeira liderada por reis, Luís VII, da França, e Conrado III, do Sacro Império Romano-Germânico. Os dois exércitos marcham separadamente e são derrotados pelos turcos do Império Seljúcida.

A Terceira Cruzada (1189-92) é a Cruzada dos Reis, de Ricardo I, da Inglaterra, Felipe II, da França, e do sultão Saladino, líder dos muçulmanos. 

Depois da conquista de Acre, Ricardo I quer chegar até o mar, até o porto de Jafa. Em Arçufe, o exército cristão tem 10 mil infantes e 1,2 mil cavaleiros, organizados em 12 regimentos de cavalaria de 100 homens cada, com a infantaria guarnecendo os flancos e besteiros na linha de frente, com flechas muito mais poderosas do que as do inimigo. 

Estima-se que o exército muçulmano seja duas vezes maior, especialmente em cavalaria. O cavalo e o estribo formam a tecnologia militar dominante na Idade Média.

Ricardo resiste ao ataque de Saladino, quando suas forças iam de Acre para Jafa, até receber um reforço dos hospitalários. Ordena então um contra-ataque. Vence a batalha. Isso dá aos cristãos o dominío sobre a costa da região central da Palestina, inclusive o porto de Jafa.

CAMPANHA DA RÚSSIA

    Em 1812, o Grande Exército de Napoleão Bonaparte vence com muitas perdas a Batalha de Borodino contra o exército da Rússia sob o comando do general Mikhail Kutuzov a cerca de 110 quilômetros de Moscou.

Os russos recuam diante da invasão napoleônica, iniciada em 24 de junho, para evitar um confronto direto e se entrincheiram em Borodino para deter o avanço do inimigo rumo a Moscou. São 130 mil soldados de Napoleão com 500 tanques contra 120 mil russos com 600 canhões.

Napoleão faz um ataque frontal às seis da manhã. Até o meio-dia, os dois lados avançam e recuam na linha de frente, até que a artilharia dá vantagem à França, mas os russos resistem a sucessivas ofensivas.

O imperador francês não coloca em combate a Guarda Imperial, de 20 mil homens, e mais 10 mil soldados. Como Kutuzov não tem mais homens para entrar em ação, Napoleão perde a oportunidade de ter uma vitória decisiva. 

É uma vitória de Pirro, referência ao general que derrotou Roma duas vezes, em Heracleia (280 AC) e Ásculo (279 AC), mas suas forças sofreram tantas perdas que, ao andar pelo campo de batalha, vaticina: "Mais uma vitória destas e estou perdido." Perdeu em Malevento (275 AC), que os romanos rebatizaram de Benevento.

Com os soldados exaustos à tarde, a Batalha de Borodino continua até a noite com disparos de artilharia. À noite, Kutuzov recua. Napoleão entra em Moscou uma semana depois, em 14 de setembro, sem oposição. Os russos recuam e queimam a cidade para que o inimigo fique sem comida e sem abrigo.

Sem conseguir tomar o poder na Rússia, cinco semanas depois, Napoleão se retira, pega as chuvas e o frio do outono russo. É atacado à retaguarda pelos russos, na Batalha de Krasnol, de 15 a 18 de novembro de 1812. Sai da Rússia em 14 de dezembro.

A campanha da Rússia é a sua maior derrota. O Grande Exército de Napoleão invade a Rússia com algo entre 450 e 640 mil soldados, 150 mil cavalos e 1,4 mil peças de artilharia. Deixa a Rússia em 14 de dezembro. Pelo menos 380 mil morrem. Cerca de 120 mil sobrevivem, 50 mil austríacos, prussianos e outros alemães, 20 mil poloneses e 35 mil franceses. Muitos desertam.

 TIO SAM

    Em 1813, os Estados Unidos ganham seu apelido quando um jornal registra que os soldados que lutavam na Guerra de 1812 contra o Império Britânico chamam de Uncle Sam (Tio Sam) as embalagens de carne que o Exército recebe do comerciante William com US, de United States, escrito na caixa.

O desenho do Tio Sam aí em cima é feito pela primeira em 1870 pelo cartunista Thomas Nest em homenagem ao presidente Abraham Lincoln, um senhor de cabelos brancos e barbicha vestido com as cores da bandeira, azul, vermelho e branco, e uma cartola adornada com uma faixa azul marinho e estrelas brancas.

A pedido das Forças Armadas, em 1917, com a intervenção dos EUA na Primeira Guerra Mundial (1914-18), a imagem é refeita com o slogan "eu quero você". O Tio Sam quer que os norte-americanos se alistem para lutar na Europa.

Desde então, a imagem é associada ao imperialismo e ao militarismo norte-americano. 

INDEPENDÊNCIA DO BRASIL

    Em 1822, sob pressão das cortes portuguesas, que querem rebaixar o Brasil a colônia, o príncipe-regente Dom Pedro dá um grito às margens do Riacho Ipiranga, em São Paulo, e proclama: “Independência ou Morte!”

No fim do século 18, há cogitações em Lisboa sobre a conveniência de transferir a sede do governo para o Brasil a fim de não perder sua maior colônia. Isto acontece quando as forças do imperador francês Napoleão Bonaparte invadem Portugal em 1807. Por causa da aliança histórica com o Reino Unido, Portugal não adere ao Bloqueio Continental imposto por Napoleão ao comércio com os britânicos.

A chegada da família real, em 1808, e a abertura dos portos significam uma independência na prática. Em 1815, depois da derrota final de Napoleão, quando as monarquias europeias são restauradas, formam a Santa Aliança e o Concerto Europeu, o Brasil é elevado a Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve porque a capital do Império Português não poderia ficar numa colônia.

O Rio de Janeiro é a única cidade do Hemisfério Sul que foi capital de um império que se estendia por quatro continentes: América, África, Europa e Ásia.

Com a Revolução do Porto, em 1820, o rei Dom João VI é pressionado a voltar para Lisboa com toda a máquina administrativa trazida para o Brasil. Volta no ano seguinte, deixando o filho como príncipe-regente. Aí começa a pressão da corte para cortar os privilégios que o país havia obtido como capital do império.

Em 9 de janeiro de 1822, o príncipe Dom Pedro comunica que vai descumprir a ordem da coroa de voltar imediatamente para Portugal. É o Dia do Fico, quando a ruptura com Lisboa se torna inevitável.

A crise se agrava. Com Dom Pedro em São Paulo, a princesa-regente, Dona Leopoldina, preside a uma reunião do Conselho de Estado no Palácio Imperial da Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro. A futura imperatriz e José Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca da Independência, enviam cartas que Dom Pedro recebe em 7 de setembro às margens do Ipiranga e dá o grito.

O Brasil é um fenômeno único na história. O país se torna independente com a mesma família imperial que está no poder desde a Colônia. É um caso raro de conciliação das elites para manter tudo como está.

UNIFICAÇÃO DA ITÁLIA

    Em 1860, durante a luta pela unificação da Itália, Giuseppe Garibaldi entra em Nápoles e se declara "ditador das Duas Sicílias".

A Expedição dos Mil é um momento-chave da Segunda Guerra da Independência da Itália, quando os Camisas Vermelhas, sob o comando de Garibaldi, que luta na Revolução Farroupilha (1835-45) e no Uruguai, um especialista em guerra de guerrilhas, desembarcam na Sicília Ocidental e conquistam o Reino das Duas Sicílias, antes dominado pela Dinastia dos Bourbon.

Em 21 e 22 de julho de 1858, o imperador Napoleão III, da França, e o Reino da Sardenha fazem uma aliança contra o Império Austro-Húngaro pela independência do Norte da Itália.

Em março de 1859, as populações do Grão-Ducado da Toscana, do Ducado de Módena e do Ducado de Parma depõem seus governantes e pedem anexação ao Reino da Sardenha, enquanto a Úmbria e Marcas sofrem duram repressão dos Estados Pontifícios, do Vaticano ou Santa Sé.

O primeiro-ministro da Sardenha e futuro primeiro-ministro da Itália, Camillo Paolo Filipo Giulio Benso, Conde de Cavour, declara guerra à Áustria em 24 de abril de 1859. A Segunda Guerra da Independência da Itália termina em julho. 

Ninguém imagina que a Áustria entre em nova guerra menos de um ano depois da Batalha de Solferino, em 24 de junho de 1859, tão sangrenta que dá origem à Convenção de Genebra à Cruz Vermelha Internacional para socorrer feridos em guerra.

O Armistício de Villafranca reconhece o Reino da Sardenha e Lombardia, mas não o Vêneto. O Tratado de Turim, de 24 de março de 1860, cede a Saboia e Nice à França, enquanto o movimento nacional italiano ganha a anuência do imperador francês para a anexação da Toscana e da Romanha.

Em 11 de maio de 1860, Garibaldi e os Camisas Vermelhas invadem a Sicília. Três dias depois, ele se proclama ditador. Com a ajuda de uma insurreição popular, toma Palermo de 27 a 30 de maio.

Com o controle da Sicília, Garibaldi passa a planejar o ataque ao continente. Em 19 de agosto desembarca com 20 mil voluntários em Melito di Porto Salvo, na Calábria, no Sul da Itália. Como o rei Francisco II abandona Nápoles, o revolucionário de dois continentes, herói em três países, entra na cidade praticamente sem resistência.

Em 21 de outubro, um referendo aprova a anexação do Reino das Duas Sicílias ao Reino da Sardenha. A unificação da Itália acontece oficialmente em 17 de março de 1861, sob o rei da Sardenha, Vitor Emanuel II, da Dinastia de Saboia.

FIM DA GUERRA DOS BOXERS

    Em 1901, a assinatura de um protocolo acaba com a Guerra dos Boxers, uma revolta anti-imperialista que não consegue expulsar os estrangeiros da China.

A derrota na Guerra Sino-Japonesa de 1894-95 acaba com a milenar ordem sinocêntrica na Ásia. Marca o início da fase terminal do Império Chinês. No Norte, os chineses temem o aumento da influência estrangeira e se ressentem dos privilégios dos missionários cristãos. Em 1898, a região sofre várias catástrofes naturais, como seca e enchente do Rio Amarelo, aumentando o descontentamento.

A Guerra dos Boxers (1899-1901) é uma rebelião antiestrangeiros, anticolonial e anticristã no final da Dinastia Ching travada pela Sociedade dos Punhos Harmoniosos e Justiceiros, na maioria lutadores de kung fu sem armas de fogo.

A partir de 18 de outubro de 1899, os boxers destroem propriedades estrangeiras como as ferrovias e assassinam cristãos e missionários cristãos. Em junho de 1900, os boxers convergem para Beijim e cercam a cidade. Um exército formado por EUA, Reino Unido, França, Áustria-Hungria, Alemanha, Itália, Rússia e Japão invade a China em 17 de junho.

Em 21 de junho, a imperatriz Cixi baixa um decreto imperial declarando guerra às potências invasoras e manda matar todos os estrangeiros da capital chinesa, inclusive diplomatas. A aliança invasora rompe as defesas de Beijim em 14 de agosto. A cidade é saqueada e pilhada,

O Protocolo Boxer, de 7 de setembro 1901, prevê execução sumária de funcionários públicos que lutam pela rebelião, provisões para as tropas estrangeiras estacionadas em Beijim e 450 milhões de taéis de prata – mais do que a arrecadação anual do governo chinês – de indenização a serem pagos ao longo de 39 anos para as oito potências da aliança.

ENTREGA DO CANAL

   Em 1977, o presidente Jimmy Carter e o ditador Omar Torrijos assinam dois tratados para transferir o controle do Canal do Panamá dos Estados Unidos para o Panamá em 1999.

A companhia francesa que abriu o Canal de Suez inicia a obra do canal para ligar os oceanos Atlântico e Pacífico em 1880. Quebra por problemas de engenharia e doenças tropicais. O trabalho do médico sanitarista brasileiro Oswaldo Cruz contra a febre amarela ajudaria a realizar a obra.

O Panamá pertence à Colômbia. Quando o governo colombiano, enfraquecido pela Guerra dos Mil Dias (1899-1902) entre liberais e conservadores, rejeita a proposta norte-americana, os EUA promovem a independência do Panamá, em 3 de novembro de 1903.

A construção do canal começa em 4 de maio de 1904 e termina em 1913. O canal é inaugurado oficialmente em 15 de agosto de 1914.

O coronel Omar Torrijos, um nacionalista, chega ao poder num golpe militar em 1968, mas conta com apoio popular e negocia a soberania do país sobre o canal e a Zona do Canal, um enclave dos EUA.

Dois tratados garantem a soberania sobre o canal. O primeiro é o Tratado sobre a Neutralidade Permanente e e Operação do Canal, mais conhecido como Tratado da Neutralidade. O segundo é o Tratado do Canal do Panamá, que estabelece que o Panamá assume o controle total do canal a partir do ano 2000.

Ambos foram ratificados por maiores de dois terços em referendo realizado no Panamá em 23 de outubro de 1977. Depois de assumir o controle do canal, o país vive uma era de prosperidade. Quando volta à Casa Branca, em janeiro de 2025, o presidente Donald Trump ameaça retomar o Canal do Panamá.

terça-feira, 21 de janeiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 21 de Janeiro

LUÍS XVI É GUILHOTINADO

    Em 1793, um dia depois de ser condenado à morte pela Convenção Nacional por traição e conspiracão com potências estrangeiras, o rei Luís XVI é executado na Praça da Revolução, em Paris.

É o período do terror da Revolução Francesa, em que milhares de pessoas são guilhotinadas, inclusive o rei, a rainha e os líderes revolucionários Georges Jacques Danton e Maximiliano Robespierre.

Como Maria Antonieta é austríaco, a família real é acusada de conspirar com potências estrangeiras para que invadam a França e acabem com a revolução.

MORTE DE LENIN

    Em 1924, o líder da Revolução Comunista e primeiro líder da União Soviética, Vladimir Ilich Ulianov, mais conhecido como Lenin, morre aos 54 anos, deflagrando uma luta pelo poder entre Leon Trotsky, criador do Exército Vermelho e ministro do Exterior, e o secretário-geral do partido, Josef Stalin, que vence e governa durante três décadas com um regime de terror. 

O corpo de Lenin embalsamado está em exposição num mausoléu na Praça Vermelha. Ele nasce em 22 de abril de 1870 em Ulianovsk numa família de classe média alta e entra na luta pelo socialismo revolucionário depois da execução, em 1887, do irmão mais velho, Alexander, condenado à morte sob acusação de conspirar para matar o czar e derrubar o regime.

Condenado por ativismo comunista, Lenin fica três anos no exílio interno na Sibéria, onde se casa com Nádia Krupskaya, e depois vai para a Europa Ocidental. Quando estoura a Primeira Guerra Mundial (1914-18), Lenin se refugia na neutra Suíça.

Contra a guerra, faz campanha para convencer os partidos socialistas e os trabalhadores dos exércitos em luta a se revoltar contra a burguesia e a aristocracia dominantes de seus países. A guerra só interessa às elites. Lenin escreve seu único livro sobre relações internacionais, Imperialismo: a fase superior do capitalismo. 

Depois da queda do czar Nicolau II na Revolução de Fevereiro de 1917, Lenin recebe um salvo-conduto para atravessar a Alemanha e chega a Petrogrado, hoje São Petersburgo, depois de ter sido Leningrado. Ele lança as Teses de Abril e lidera a Revolução de Outubro, quando os comunistas tomam o poder.

Lenin é o chefe de Estado na Rússia Comunista e da URSS de 1917 até sua morte. Em reação à revolução, começa uma guerra civil. Os comunistas vencem em 1922 e criam a URSS para acomodar as diferentes nacionalidades do antigo império czarista. Para justificar a invasão da Ucrânia, o ditador russo, Vladimir Putin, alega que a Ucrânia é uma invenção de Lenin e Stalin.

Um dos líderes mais influentes do século 20, Lenin deixa sua marca em toda uma corrente política, o marxismo-leninismo. É acusado de ter aberto o caminho para o stalinismo com o chamado centralismo democrático e de criar um regime totalitário com execuções em massa, inclusive da família imperial czarista, política política e perseguição aos dissidentes.

PRIMEIRO VOO COMERCIAL DO CONCORDE

    Em 1976, o Concorde, o primeiro avião de passageiros supersônico, um projeto financiado pelos governos da França e do Reino Unido, faz seus primeiros voos comerciais. Com a companhia aérea British Airways, vai de Londres ao Bahrein, enquanto pela Air France voa de Paris ao Rio de Janeiro.

O Concorde é o primeiro projeto conjunto de países europeus para projetar e construir uma aeronave. Em 29 de novembro de 1962, a França e o Reino Unido assinam um tratado para realizar o projeto. A British Aerospace e a Aérospatiale são encarregadas de fabricar a estrutura metálica, e a Rolls-Royce e a Société Nationale de Étude et de Construction de Moteurs d'Aviation (SNECMA) fazem os motores. 

O primeiro voo é em 2 de março de 1969. O Concorde atinge uma velocidade máxima de 2.179 quilômetros por hora ou Mach 2,04, mais de duas vezes a velocidade do som. A primeira travessia do Oceano Atlântico é em 26 de setembro de 1973. O jato supersônico reduz o tempo de viagem entre Londres e Nova York para três horas.

Em maio de 1976, as duas companhias aéreas passam a voar regularmente para Washington e, em novembro de 1977, para Nova York. Mas o custo operacional é tão grande que o Concorde sempre dá prejuízo. Só 14 Concordes entram em operação. As únicas rotas mantidas são para Nova York.

Em 25 de julho de 2000, o pneu de um Concorde que ia de Paris para Nova York estoura logo após a decolagem, rompe um tanque de combustível e provoca um incêndio que derruba o avião. Todas as 109 pessoas a bordo, 100 passageiros e 9 tripulantes, morrem no acidente, além de quatro pessoas atingidas no solo.

A Air France suspendeu as operações com o Concorde em maio de 2003 e a British Airways em outubro de 2003.

CARTER PERDOA DESERTORES

    Em 1977, no segundo dia de governo, o presidente Jimmy Carter perdoa centenas de milhares de homens que se negaram a lutar na Guerra do Vietnã (1955-75), uma promessa de campanha.

Cerca de 100 mil norte-americanos saem do país no fim dos anos 1960 e início dos 1970 para não ter de servir no Vietnã. Cerca de 30 mil vão para o Canadá, onde são recebidos como imigrantes. Outros ficam escondidos, vivendo clandestinamente nos Estados Unidos.

Ao todo 209.517 homens são acusados de violar as leis de recrutamento militar, de um total de mais de 300 mil que rejeitam a convocação.

Os ex-presidentes Bill Clinton, George W. Bush e Donald Trump, e os ex-vice-presidentes Dan Quayle e Dick Cheney não lutam no Vietnã. Trump consegue cinco adiamentos. 

domingo, 29 de dezembro de 2024

Morre Jimmy Carter, presidente que defendeu os direitos humanos

 O ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter (1977-81) morreu hoje aos 100 anos. Por causa das crises do petróleo e da ocupação da Embaixada dos EUA no Irã depois da Revolução Islâmica, Carter governou por apenas um mandato. 

Perdeu a reeleição para Ronald Reagan em 1980, mas nunca parou de promover a democracia e os direitos humanos. Ele negociou o histórico acordo de paz entre Israel e o Egito, e ganhou o Prêmio Nobel da Paz de 2002. O Centro Carter observa e fiscaliza eleições em vários países.

Carter foi uma resposta aos governos de Richard Nixon (1969-74), que renunciou para não sofrer impeachment por causa do Escândalo de Watergate, e uma punição ao presidente Gerald Ford (1974-77), que perdoou Nixon e foi derrotado por Carter em 1976. Ao tomar posse, Carter perdoou os desertores da Guerra do Vietnã (1955-75).

Quando Leonel Brizola recebeu um aviso para sair do Uruguai, em 1977, em plena Operação Condor, depois das mortes suspeitas dos ex-presidentes João Goulart, Juscelino Kubitschek e do ex-governador Carlos Lacerda em 1976, o presidente Carter o acolheu nos EUA.

Conservador, batista, produtor de amendoim na Geórgia, um estado do Sul onde foi governador, Carter talvez tenha sido o mais religioso de todos os presidentes dos EUA. Fazia sua orações diariamente na Casa Branca, mas nunca manipulou a fé por objetivos políticos, o que seria feito por seu sucessor, Ronald Reagan, que atraiu a direita religiosa, que tradicionalmente não votava, para o Partido Republicano.

Sua política de direitos humanos, um instrumento de propaganda na Guerra Fria contra a União Soviética, ignorou crimes cometidos por ditadores aliados como o Xá do Irã, Ferdinando Marcos nas Filipinas e Suharto na Indonésia. Mas serviu para expor e irritar as ditaduras militares da América Latina, que tinham o apoio explícito de Henry Kissinger, o secretário de Estado de Nixon e Ford. Apesar da hipocrisia da superpotência ao excluir aliados, teve um impacto nos países sob ditaduras, principalmente na América Latina.

sexta-feira, 11 de outubro de 2024

Hoje na História do Mundo: 11 de Outubro

 VIET MINH TOMA VIETNÃ DO NORTE

    Em 1954, o Viet Minh, movimento comunista criado por Ho Chi Minh em resistência ao colonialismo francês e ao imperialismo japonês, assume o controle do Vietnã do Norte.

Quando termina a ocupação japonesa no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), a França tenta reimpor o domínio colonial. O Viet Minh inicia uma guerra de guerrilhas conhecida como Primeira Guerra da Indochina (1946-54).

A resistência liderada pelo Viet Minh, sob o comando do general Vo Nguyen Giap, vence a guerra na Batalha de Dien Ben Phu, em maio de 1954. O armistício entra em vigor em 1º de agosto. O Viet Minh marcha sobre Hanói.

Pelo acordo firmado na Conferência de Genebra, o Vietnã é dividido temporariamente em duas metades iguais, com uma zona desmilitarizada ao longo do paralelo 17º Norte. 

O Norte seria a República Democrática do Vietnã, proclamada por Ho Chi Minh, e o Sul por Ngo Dinh Diem, católico e anticomunista.

Depois de eleições supervisionadas internacionalmente, o Vietnã seria reunificado em 1956. Quando os EUA cancelam as eleições que provavelmente seriam vencidas pelo Viet Minh, começa a Segunda Guerra da Indochina ou Guerra do Vietnã (1955-75), onde os EUA intervêm diretamente de 1964 a 1973. 

A guerra termina em 30 de abril de 1975 com a queda de Saigon, hoje Cidade de Ho Chi Minh, e uma fuga espetacular de helicóptero da embaixada norte-americana.

JOÃO XXIII ABRE CONCÍLIO

    Em 1962, o papa João XXIII (1958-63) abre o Concílio Vaticano II, o primeiro concílio ecumênico em 92 anos, para promover um renascimento espiritual e a unidade da Igreja Católica Apostólica Romana com outros ramos do cristianismo.

Angelo Giuseppe Roncalli nasce em 1881 e é ordenado padre em 1904. Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), como enviado papal à Turquia, salva judeus ajudando-os a fugir para a Palestina.

Depois da guerra, é nomeado núncio apostólico (embaixador do Vaticano) na França, um posto difícil porque o anterior havia cooperado com o regime colaboracionista de Vichy durante a ocupação nazista. Em 1953, é consagrado cardeal.

Com a morte do papa Pio XII, o cardeal Roncalli é eleito papa João XXIII em 28 de outubro de 1958 aos 77 anos e promove uma revolução na Igreja Católica. Para começar, anda livremente, acabando com a ideia de que o papa é "um prisioneiro do Vaticano".

As grandes mudanças vêm com o Concílio Vaticano II, concluído por seu sucessor, Paulo VI, em 1965. A missa passa a ser rezada na língua local e não mais exclusivamente em latim. Há um aumento da liberdade religiosa e do ecumenismo, numa tentativa de se aproximar da Igreja Cristã Ortodoxa e das correntes protestantes do cristianismo, e maior tolerância em relação aos não cristãos.

LENNON LANÇA IMAGINE

    Em 1971, o ex-beatle John Lennon lança Imagine, considerada uma das músicas mais influentes do século 20 ao falar de um mundo utópico sem guerras nem conflitos nem religiões, com "todos os povos dividindo o mundo inteiro".

John começa a escrever Imagine no tempo dos Beatles e grava logo depois que a banda se separa, em 1970. Em contraste com as músicas mais políticas de Lennon como Give Peace a ChancePower to the People Merry Xmas (War is Over)Imagine não tem uma mensagem política explícita. É filosófica, utópica, poética e romântica.

BRUCE SPRINGSTEEN NAS PARADAS

    Em 1975, aos 26 anos, o roqueiro Bruce Springsteen, descrito como o "novo Elvis" ou o "novo Dylan", coloca seu primeiro compacto entre os 40 mais vendidos nas paradas de sucesso, Born to Run.

Springsteen nasce em Long Branch, em Nova Jérsei, em 1949, e cresce na era de ouro do rock'n'roll nos Estados Unidos.

Seu maior sucesso vem em 1985 com o álbum Born in the USA, quando faz turnê pelo país se apresentando em estádios e faturando mais de US$ 1 milhão por show, mais do que a legendária banda de rock de São Francisco The Grateful Dead, que tradicionalmente faturava mais de US$ 500 mil por concerto em suas turnês de verão.

CARTER GANHA NOBEL DA PAZ

    Em 2002, o ex-presidente norte-americano Jimmy Carter (1977-81) é agraciado com o Prêmio Nobel da Paz "por décadas de esforços incansáveis para encontrar soluções pacíficas para problemas internacionais, promover a democracia, os direitos humanos e o desenvolvimento econômico e social."

Presidente de um só mandato, Carter media as negociações de paz de Camp David entre Israel e o Egito, e só manda os militares dos Estados Unidos para ação no exterior na fracassada tentativa de libertar os norte-americanos mantidos como reféns na embaixada em Teerã, ocupada em 4 de novembro de 1979 depois da Revolução Islâmica no Irã.

A crise dos reféns, a inflação e a recessão causadas pela crise do petróleo, agravada pela Revolução Iraniana de 1979, levam à vitória do republicano Ronald Reagan em 1980.

Depois de deixar o governo, em 1982, o ex-presidente cria o Centro Carter, uma organização sem fins lucrativos de promoção da democracia e dos direitos humanos que media crises, observa eleições e colabora no combate a doenças.

Outros três presidentes dos EUA ganham o Prêmio Nobel da Paz: Theodore Roosevelt (1906), Woodrow Wilson (1919) e Barack Obama (2009).