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sábado, 4 de julho de 2026

EUA fazem 250 anos com ameaça de Trump à democracia

 Os Estados Unidos completam 250 desde a Declaração de Independência sob a maior ameaça à democracia desde a Guerra da Secessão (1861-65), quando o Sul tentou se separar para manter a escravidão.

A ameaça hoje é o extremista de direita encarnado por Donald Trump, o único presidente que se recusou a reconhecer o resultado de uma eleição e até hoje insiste que ganhou. Trump é racista e tem uma polícia de imigração assassina. Ataca as instituições fundamentais da democracia como a liberdade de imprensa e a independência do Judiciário.

É claro que a democracia norte-americana tem muitos problemas: a escravidão, que o presidente Barack Obama chamou de pecado original da União; a segregação racial e o racismo que persistem até hoje; o imperialismo, o apoio a ditaduras e as intervenções militares; um sistema político desmobilizante, que tenta suprimir o voto das minorias; e, no momento, um Congresso e uma Suprema Corte subservientes à Casa Branca.

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domingo, 21 de junho de 2026

Extrema direita vence por um ponto na Colômbia

Por menos de um ponto percentual, o candidato de extrema direita Abelardo de la Espriella, apoiado pelo governo Donald Trump, venceu o segundo turno da eleição presidencial na Colômbia ao derrotar o senador Iván Cepeda, apadrinhado pelo presidente esquerdista Gustavo Petro. Se o resultado oficial confirmar a vitória, vai governar o país por quatro anos a partir de 7 de agosto.


Com 99,99% das urnas apuradas, de acordo com a contagem preliminar, De la Espriella (na foto indo para a festa da vitória em veículo blindado) soma 12.959.515 votos (49,66%) contra 12.708.695 (48,70%) de Cepeda, pouco mais de 250 mil. É o segundo resultado mais apertado da história da Colômbia. O comparecimento às urnas foi de 63,6%, o maior desde 1998.

O presidente e seu candidato não reconheceram a derrota. Querem esperar o resultado oficial a ser divulgado nesta semana e tentam impugnar 33 mil urnas. O Ministério do Interior recebeu mais de 2,6 mil denúncias de irregularidades

No discurso da vitória, De la Espriella, do movimento Defensores da Pátria, declarou, em tom ultranacionalista: "A Colômbia nunca esteve vencida, a Colômbia estava apenas esperar o movimento de se levantar e esse momento chegou hoje para toda a pátria. Queridos reservistas e militares e da polícia, de suas casas, me ajudem a recitar a oração pátria: Colômbia, minha pátria, te levo com amor, Colômbia no meu coração, creio em teu destino e esperar te er sempre grande, respeitada e livre. Em ti, Colômbia, amo todo o que me é querido, tuas glórias, tua beleza, meu lar, a tumba dos meus antepassados, o fruto de meus esforços e a realização de meus sonhos."

Também bateu no peito e estendeu o braço direito numa saudação militar nazifascistoide. Ao mesmo tempo em que defendeu a reconciliação, De la Espriella fez uma advertência à oposição: "Terá todas as garantias para fazer oposição, sempre que for pelo marco constitucional e legal. Mas deixo muito claro, senador Iván Cepeda, que não lhe ocorra estimular a violência. Abstenha-se de semear o terror."

A esquerda defende uma política de pacificação com os últimos grupos guerrilheiros e inclusive com os cartéis do tráfico de drogas, enquanto a ultradireita aposta no uso da força contra guerrilheiros e criminosos comuns. A segurança pública foi tema central da campanha de De la Espriella, que promete construir dez prisões de segurança máxima sob a inspiração do presidente de El Salvador, Nayib Bukele, liberalizar a economia e se aproximar dos Estados Unidos.

Na campanha do Pacto Histórico, a frase mais ouvida é: "Aqui ninguém se rende." Como outros países do continente, a Colômbia está dividida. Petro, o primeiro presidente de esquerda da história do país, termina o mandato com 50% de aprovação e 44,5% de reprovação. Mas não conseguiu eleger o sucessor.

A questão é se a onda de direita e extrema direita é uma guinada ideológica baseada no conservadorismo social da América Latina ou apenas um reflexo do descontentamento popular  com os governos do dia que leva a uma alternância no poder entre direita e esquerda.

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domingo, 29 de dezembro de 2024

Morre Jimmy Carter, presidente que defendeu os direitos humanos

 O ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter (1977-81) morreu hoje aos 100 anos. Por causa das crises do petróleo e da ocupação da Embaixada dos EUA no Irã depois da Revolução Islâmica, Carter governou por apenas um mandato. 

Perdeu a reeleição para Ronald Reagan em 1980, mas nunca parou de promover a democracia e os direitos humanos. Ele negociou o histórico acordo de paz entre Israel e o Egito, e ganhou o Prêmio Nobel da Paz de 2002. O Centro Carter observa e fiscaliza eleições em vários países.

Carter foi uma resposta aos governos de Richard Nixon (1969-74), que renunciou para não sofrer impeachment por causa do Escândalo de Watergate, e uma punição ao presidente Gerald Ford (1974-77), que perdoou Nixon e foi derrotado por Carter em 1976. Ao tomar posse, Carter perdoou os desertores da Guerra do Vietnã (1955-75).

Quando Leonel Brizola recebeu um aviso para sair do Uruguai, em 1977, em plena Operação Condor, depois das mortes suspeitas dos ex-presidentes João Goulart, Juscelino Kubitschek e do ex-governador Carlos Lacerda em 1976, o presidente Carter o acolheu nos EUA.

Conservador, batista, produtor de amendoim na Geórgia, um estado do Sul onde foi governador, Carter talvez tenha sido o mais religioso de todos os presidentes dos EUA. Fazia sua orações diariamente na Casa Branca, mas nunca manipulou a fé por objetivos políticos, o que seria feito por seu sucessor, Ronald Reagan, que atraiu a direita religiosa, que tradicionalmente não votava, para o Partido Republicano.

Sua política de direitos humanos, um instrumento de propaganda na Guerra Fria contra a União Soviética, ignorou crimes cometidos por ditadores aliados como o Xá do Irã, Ferdinando Marcos nas Filipinas e Suharto na Indonésia. Mas serviu para expor e irritar as ditaduras militares da América Latina, que tinham o apoio explícito de Henry Kissinger, o secretário de Estado de Nixon e Ford. Apesar da hipocrisia da superpotência ao excluir aliados, teve um impacto nos países sob ditaduras, principalmente na América Latina.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

General da ditadura é eleito presidente da Indonésia

 No maior ano eleitoral da história, hoje foi a vez da terceira maior democracia do mundo. O ministro da Defesa, general reformado Prabowo Subianto, foi eleito presidente da Indonésia no primeiro turno com 58% dos votos, de acordo com projeções de institutos privados. Num país com mais de 6 mil ilhas habitadas, os resultados oficiais podem demorar semanas.

Probowo foi afastado do Exército em 1998 depois de ser responsabilizado pelo sequestro de dissidentes durante a ditadura de Mohamed Suharto, que era seu sogro. Ele foi duas vezes candidato antes. Sua vitória acende um alerta sobre ameaça à democracia na Indonésia num momento de ascensão da extrema direita em vários países e regiões do mundo.

A democracia na Indonésia foi corrompida nos últimos anos pelo entrincheiramento da política dinástica sob os governos do atual presidente Joko Widodo. Mas é uma das grandes economias que mais crescem no mundo, com média de 5,1% ao ano nos últimos dez anos, e parceira do Brasil no acordo para a proteção das florestas tropicais.

quinta-feira, 18 de maio de 2023

Hoje na História do Mundo: 18 de Maio

 MOVIMENTO PELA DEMOCRACIA NA CHINA

    Em 1989, um milhão de pessoas marcham pelas ruas de Beijim num movimento pela liberdade e a democracia para liberalizar o regime comunista da China. A revolta é esmagada no Massacre na Praça da Paz Celestial na noite de 3 para 4 de junho.

As reformas anunciadas pelo líder Deng Xiaoping em 13 de dezembro de 1978 abriram a economia e liberalizaram o regime depois do longo trauma que foi a Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76).

O movimento iniciado por estudantes sai às ruas em 15 de abril, quando morre o ex-secretário-geral do Partido Comunista Hu Yaobang (1981-87), um grande responsável pelas reformas políticas e econômicas sob a liderança de Deng, favorável a liberalizar o regime.

Quando o movimento cresce, apresenta suas demandas:

  1. Reconhecer como corretas as visões de Hu Yaobang sobre democracia e liberdade.
  2. Admitir que as campanhas contra a "poluição espiritual" e a "liberalização burguesa" são erradas.
  3. Publicar informações sobre a renda dos altos dirigentes e de suas famílias.
  4. Acabar com a censura e autorizar a publicação de jornais de grupos privados.
  5. Mais dinheiro para a educação e aumento dos salários dos intelectuais.
  6. Fim das restrições a manifestações em Beijim.
  7. Fazer uma cobertura objetiva do movimento estudantil na mídia oficial.

O então secretário-geral do PC, Zhao Ziyang, defende o diálogo com os estudantes, enquanto o primeiro-ministro linha-dura Li Peng exige uma condenação oficial das manifestações. Quando Zhao viaja à Coreia do Norte, em 23 de abril, Li toma a iniciativa.

Em 25 de abril, o primeiro-ministro e o presidente Yang Shangkun se reúnem na casa de Deng, que aprova a linha dura. No dia seguinte, o Diário do Povo, jornal oficial do PC, publica editorial de primeira página de lavra de Li sob o título: "É preciso adotar uma posição clara contra os distúrbios". Descreve o movimento como contra o partido e contra o governo.

Com a volta de Zhao, o governo retoma a tolerância. Em 13 de maio, dois dias antes do início de uma visita do líder soviético Mikhail Gorbachev, os estudantes começam uma greve de fome. Quando Zhao diz a Gorbachev que o líder supremo é Deng, este toma como uma tentativa de lhe atribuir toda a responsabilidade pela revolta dos estudantes.

Numa reunião do Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central na casa de Deng, em 17 de maio, a alta cúpula do regime comunista chinês decide decretar lei marcial e convocar o Exército para tomar a capital. 

No dia 18, quando um milhão saem às ruas da capital, Li encontra os estudantes numa reunião marcada pela confrontação, sem qualquer avanço. Diante das câmeras, o primeiro-ministro mostra mais preocupação com a saúde dos estudantes em greve de fome.

A última aparição de Zhao é na madrugada do dia 19, quando ele fala com os estudantes ao lado de Wen Jiabao, que seria primeiro-ministro de Hu Jintao (2003-13). À noite, numa reunião da alta cúpula, Deng declara ter se arrependido de nomear Hu e Zhao para a liderança do partido. Zhao cai e passa o resto da vida em prisão domiciliar.

Em 20 de maio, o governo decreta lei marcial e convoca 30 divisões, num total de 250 mil soldados, para ocupar Beijim. Em 3 de junho, autoriza a ação para retirar os estudantes acampados na praça central da capital centenas. O total de mortes é estimado entre centenas e 10 mil.

As reformas políticas são enterradas definitivamente. A ascensão de Xi Jinping, em 2012, torna a ditadura mais personalista e contrária a qualquer dissidência. A liberdade acadêmica daquele período não existe mais. 

Com a imposição de uma Lei de Segurança Nacional, o fim da autonomia regional e das liberdades democráticas em Hong Kong, todos os livros e publicações sobre o movimento pela liberdade e democracia, que era lembrado com vigília no território, desapareceram das livrarias e bibliotecas.

sexta-feira, 31 de março de 2023

Trump é o primeiro ex-presidente dos EUA processado criminalmente

 Um júri de Nova York aceitou nesta quarta-feira uma denúncia do promotor distrital de Manhattan e abriu um processo-crime contra Donald Trump. Será a primeira vez que um presidente ou ex-presidente dos Estados Unidos terá de sentar no banco dos réus. Na terça-feira, ele vai saber, no tribunal, que há 30 acusações contra ele de fraudar registros e documentos empresariais, noticiou a TV norte-america CNN.

Trump proclama inocência e se diz vítima de uma perseguição política, mas é alvo de vários outros inquéritos, como seu discípulo Jair Bolsonaro, que voltou ontem ao Brasil depois de ficar três meses na Flórida e também enfrenta uma série de investigações criminais.

Sob pressão das ruas, da oposição, dos militares e do setor de alta tecnologia, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu deu uma pausa na reforma judiciária. Mas prometeu a seus aliados de ultradireita recolocar o projeto em votação depois de 30 de abril e criar uma Guarda Nacional de 2 mil homens a ser comandada pelo ministro da Segurança Pública, Itamar Ben-Gvir, um supremacista judaico que quer expulsar os árabes de Israel.

A Rússia volta atrás e anuncia que vai avisar os EUA sobre testes nucleares, mas prende e acusa um jornalista norte-americano de origem soviética de espionagem, o que não acontecia desde a Guerra Fria.

Com a aprovação da Turquia, a Finlândia já pode entrar para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos EUA. Será o país da OTAN com a mais longa fronteira com a Rússia, 1,3 mil km.

A presidente de Taiwan, Tsai Ing Wen, faz uma visita não oficial aos EUA, onde afirma que, como a Ucrânia, Taiwan luta pela democracia. O regime comunista chinês condenou a visita.

Ao recusar o convite para participar da segunda conferência de cúpula virtual sobre a democracia organizada pelo presidente Joe Biden e não assinar o documento final, o governo Luiz Inácio Lula da Silva fica ao lado da Rússia e da China na Guerra da Ucrânia. O Brasil não concordou com a exigência de uma retirada total, imediata e incondicional das forças russas do território ucraniano. Meu boletim:

quinta-feira, 30 de março de 2023

Carta aberta pede pausa no desenvolvimento da inteligência artificial

Mais de mil especialistas em informática, o bilionário Elon Musk, um dos homens mais ricos do mundo, o historiador Yuval Harari, que escreveu uma história do homem, Steve Wozniak, cofundador da Apple, querem uma pausa de seis meses no desenvolvimento da inteligência artificial – e alertam para “grandes riscos para a humanidade” em razão das “dramáticas perturbações econômicas e políticas” que a inteligência artificial vai causar, “especialmente para a democracia”.

A história do desenvolvimento tecnológico indica que não haverá pausa alguma porque tecnologia é poder. A inteligência artificial é estratégica hoje para empresas e países, que não querem dar vantagens a concorrentes ou possíveis inimigos.

No 400º dia de guerra na Ucrânia, o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, visitou a maior usina nuclear da Europa, que está em área de intensa atividade militar. O presidente Volodymyr Zelensky convidou o ditador da China, Xi Jinping, a visitar a Ucrânia e a Alemanha aprovou uma ajuda de 12 bilhões de euros, cerca de 67 bilhões de reais, ao governo ucraniano.

O ex-presidente Mauricio Macri anunciou que não será candidato à Presidência da Argentina na eleição deste ano, em que a oposição é favorita por causa de uma inflação 102,5% ao ano.

Com dores no peito e infecção respiratória, o Papa Francisco, de 86 anos, foi hospitalizado em Roma. Ao completar 10 anos de pontificado, em 13 de março, o papa admitiu se aposentar se sentir que não tem condições de saúde para cumprir sua missão, que inclui viajar pelo mundo. Talvez Francisco não tenha condições de participar das cerimônias da Páscoa. Meu boletim:

terça-feira, 21 de março de 2023

China e Rússia reafirmam parceria antiocidental

Num apoio ao ditador Vladimir Putin, o ditador Xi Jinping chegou na segunda-feira a Moscou para uma visita de três dias à Rússia, na sua primeira viagem ao exterior desde que assumiu um terceiro e inédito mandato presidencial. É um sinal claro do apoio político, econômico e diplomático que a China dá a Rússia na Guerra da Ucrânia, ainda que tente parecer neutra.

Os dois grandes ditadores acusaram o Ocidente de desestabilizar a ordem mundial, como se a guerra não fosse o maior problema Putin elogiou o plano de paz da China, mas alegou que a Ucrânia e o Ocidente não estão prontos a negociar.

Em contraponto, o primeiro-ministro do Japão, Fumio Kishida, fez uma visita inesperada a Kiev, a primeira de um chefe de governo japonês a um país em guerra depois da Segunda Guerra Mundial. Ele condenou a invasão russa e reafirmou o apoio do Japão a uma ordem mundial com base no direito internacional.

A reforma da previdência foi aprovada na França depois que o governo sobreviveu a dois votos de desconfiança na Assembleia Nacional, mas a autoridade do presidente Emmanuel Macron e a democracia francesa saem abaladas.

E o Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima dá um "alerta final" à humanidade e pede uma ação rápida e drástica para conter o aquecimento global em 1,5 grau centígrado até o fim do século. Meu comentário:

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023

Índia reafirma que o tempo da guerra passou

Ao receber as delegações dos países do Grupo dos Vinte (G-20) em Bengaluru, o ministro da Informação da Índia, Anurag Thakur, declarou em entrevista que "hoje não é mais tempo para a guerra. A democracia, o diálogo e a democracia são o caminho à frente."

A reunião de ministros da Fazenda e presidentes de bancos centrais do G-20, que inclui os 19 países mais ricos do mundo e a União Europeia, coincide com o primeiro aniversário da invasão da Ucrânia pela Rússia. A Índia é neutra, não aderiu às sanções internacionais, compra petróleo russo com desconto, mas o primeiro-ministro Narendra Modi já deu o mesmo recado ao ditador Vladimir Putin.

O Congresso do México aprovou hoje uma reforma que enfraquece o Instituto Nacional Eleitoral ao reduzir o orçamento, o quadro de funcionários e o poder de punir políticos. A iniciativa é do presidente Andrés Manoel López Obrador, um populista de esquerda. Com seu Movimento de Reneração Nacional (Morena) liderando as pesquisas para a eleição de 2024, por que suscitar dúvidas sobre a lisura do pleito?

Na Argentina, a presidente das Avós da Praça de Maio, Estela de Carlotto, criticou a convocação pelo movimento peronista La Cámpora de uma manifestação em 24 de março em defesa da vice-presidente Cristina Kirchner, denunciada por corrupção. 24 de março é a data do golpe militar de 1976. É o dia da marcha anual Memória, Verdade e Justiça.

A semana com quatro dias de trabalho é uma ideia em teste em vários países europeus. Já foi adotada na Bélgica e na Islândia. A proposta é simples: para ganhar o mesmo salário trabalhando menos, é preciso fazer o mesmo trabalho em menos tempo, aumentando a produtividade. Meu comentário:

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023

Só 8% vivem em democracias plenas

Se nos anos 1990, pela primeira vez na história, a maior parte da humanidade vivia em democracias, sob governos eleitos em eleições competitivas com um mínimo de respeito pelos direitos humanos, hoje só 8% da humanidade vivem em democracias plenas, de acordo com a Unidade de Inteligência da revista inglesa The Economist.

A empresa Starlink, do bilionário Elon Musk, um dos homens mais ricos do mundo, foi fundamental para a resistência da Ucrânia diante da invasão russa, ao manter a Internet funcionando, mas a concentração de poder num homem só cria problemas.

O gelo da calota polar da Antártica que fica sobre o oceano registrou uma queda recorde. O Ártico perde ainda mais gelo, o que significa que o nível dos oceanos vai continuar a subir e a ameaçar a população que mora em regiões costeiras.

O último boletim da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a pandemia registra uma queda de 92% nos casos novos e de 47% nas mortes nas quatro semanas de 16 de janeiro a 12 de fevereiro. E a bizarrice da semana: um repórter do jornal The New York Times foi testar a última novidade da inteligência artificial e recebeu uma declaração de amor de um... programa de computador. Meu comentário:

sábado, 11 de fevereiro de 2023

Lula retoma diplomacia presidencial

Com a visita aos Estados Unidos depois de ter ido à Argentina e uma viagem à China prevista para março, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta restaurar a política externa que seu ex-ministro Celso Amorim define como "ativa e altiva", partindo do princípio de que o Brasil deve participar de todos os debates internacionais.

A reunião com o presidente Joe Biden teve pontos de grande concordância, como a necessidade de defender a democracia diante do avanço da extrema direita em escala global, de preservar a Floresta Amazônica para reduzir o impacto do aquecimento global, e de combater a pobreza e a desigualdade social. O pomo da discórdia foi a invasão da Rússia na Ucrânia. Meu comentário:

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023

Biden destaca melhora na economia e pede trégua à oposição

Presidente dos Estados Unidos falou como candidato à reeleição 

Ao prestar contas ao Congresso no seu segundo Discurso sobre o Estado da União, o presidente Joe Biden chamou a atenção para a recuperação da economia, com o ganho de 517 mil vagas de emprego criadas no mês passado, 12 milhões desde o início do governo, e a queda no desemprego para 3,4%, o menor desde 1959, e pediu à oposição, que agora tem maioria na Câmara dos Representantes, que trabalhe com o governo como fez nos últimos dois anos e não faça obstrução sistemática às ações do Executiva.

Em uma hora e 13 minutos, Biden se concentrou nas questões internas. Só dedicou cinco minutos a questões internacionais, quando acusou o ditador russo Vladimir Putin pela invasão da Ucrânia e propôs competição sem conflito a China, mas advertiu que os Estados Unidos estarão atentos e tomarão medidas contra qualquer ameaça, sem citar o balão-espião chinês abatido pela Força Aérea. 

O aquecimento global foi citado brevemente para dizer que "fizemos o maior investimento para controlar a mudança do clima". Cuba, Nicarágua, Venezuela e Haiti foram mencionados por causa da imigração, uma questão doméstica.

Como todos os presidentes nas últimas três décadas, Joe Biden afirmou que o Estado da União é forte. Mas o que está em jogo é o estado de sua reeleição. Durante a campanha, Biden prometeu não se recandidatar. Mudou de ideia e repetiu várias vezes a frase: "Temos de terminar o trabalho."

Só três presidentes no pós-guerra tinham avaliação pior do que Biden nesta altura do mandato. Dois – Jimmy Carter e Donald Trump – não se reelegeram. Ronald Reagan deu a volta por cima. Em estados-chaves para vitória em 2024, dois terços do eleitorado não querem a reeleição. Pesquisas recentes indicam que nem mesmo a maioria dos democratas querem mais quatro anos para Biden na Casa Branca. 

A aprovação do presidente está abaixo de 50% desde agosto de 2021, antes do discurso em 42%. Biden tentou nesta noite vender suas conquistas. Só 36% dos norte-americanos veem avanços importantes no governo atual. Entre os independentes, que decidem as eleições, dois terços entendem que Biden fez muito pouco ou praticamente nada. 

Em sua estratégia de convencer pelo menos parte do Partido Republicano a trabalhar com o Executivo, Biden cumprimentou o novo presidente da Câmara, deputado Kevin McCarthy, e fez uma piada: “Não quero arruinar sua reputação, mas quero trabalhar com você.” 

Também saudou o líder do Partido Democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, o primeiro afro-americano líder de um partido no Congresso, o líder republicano no Senado, Mitch McConnell, o líder democrata no Senado, Chuck Schumer, e a ex-presidente da Câmara, Nanci Pelosi.

Biden citou "o progresso e a resiliência" como as grandes características do país, "sempre indo à frente sem nunca desistir". Falou nos 12 milhões de novos empregos "por causa de vocês". Muitos representam a recuperação pós-pandemia.

"Dois anos atrás, a covid fechou lojas, empresas e escolas. Hoje a covid não domina mais nossas vidas e a democracia está firme e forte. Estamos redigindo um novo capítulo numa história de possibilidades. Nos últimos dois anos, mostramos que democratas e republicanos podem trabalhar juntos, construindo pontes, recuperando a infraestrutura. Sancionei 300 projetos bipartidários. Se trabalhamos juntos no Congresso passado, não há razão para não fazer o mesmo no atual Congresso", reforçando a mensagem de combater a polarização política.

Dentro do xadrez político norte-americano, Biden tentou seduzir parte da oposição republicana, que tende a complicar sua vida. Mas o público-alvo maior é o eleitorado, que está farto da guerra política e quer soluções práticas. Biden falou principalmente para o eleitorado branco sem curso superior, tradicionalmente a favor do Partido Democrata, que foi conquistado pelo nacionalismo econômico do presidente Donald Trump (2017-21).

Quando falou das cidades desindustrializadas e da "perda de orgulho" da classe média norte-americana, Biden citou o pai, que dizia: "Um emprego é muito mais do que um cheque no fim do mês." É motivo de segurança e autoconfiança. O desemprego de negros e latinos é o menor da história.

O sonho de Biden é que "os EUA podem liderar a produção industrial do mundo". A maioria dos economistas duvida, por causa dos custos de produção. "A inflação é um fenômeno global por causa da pandemia e da agressão de Putin na Ucrânia. A inflação está caindo há seis meses. Nos últimos dois anos, 10 milhões de norte-americanos abriram novas empresas. Cada vez que alguém cria uma empresa é uma esperança", congratulou-se Biden. 

Se não lançou a candidatura, Biden usou um tom de campanha. "Os chips [de computador] foram inventados nos EUA. Fazíamos 40%; hoje, fazemos 10%. Hoje os automóveis têm 3 mil chips. E agora os EUA não conseguem fabricar automóveis por falta de chips", o que aconteceu durante a pandemia. 

"Isto não pode se repetir", acrescentou o presidente reforçando o caráter nacionalista e protecionista da política econômica. "As cadeias de suprimento para os EUA devem começar nos EUA. Esperamos US$ 300 bilhões de investimento na indústria nos próximos anos. Precisamos da melhor infraestrutura do mundo. Éramos número um, hoje somos 13º. Estamos fazendo o maior investimento em infraestrutura desde que o presidente Dwight Eisenhower construiu as autoestradas" para que os mísseis nucleares pudessem trafegar em alta velocidade. (...) Vamos instalar Internet de alta velocidade. E estamos apenas começando. E tudo o que precisamos para obras de infraestrutura será feito com produtos norte-americanos."  

Outro tema foi os preços dos medicamentos nos EUA, os mais caros do mundo. "Big Pharma cobra US$ 45 por mês por insulina, que custa US$ 10 para produzir. Baixamos para US$ 35." Biden prometeu vetar medidas que aumentem o preço dos medicamentos. Como o Partido Republicano é mais ligado ao grande capital, era um recado para a oposição.

A desigualdade exige a mudança no sistema de impostos, que não é justo, criticou Biden: "Sou capitalista, mas cada um tem de pagar sua parte. Empresas que ganham US$ 40 bilhões não pagam impostos federais. Empresas que ganham mais de US$ 1 bilhão tem de pagar pelo menos 15% de imposto de renda. Nenhum bilionário deve pagar numa alíquota menor do que uma professora ou um bombeiro."

As empresas de petróleo, que ganharam US$ 200 bilhões com a guerra e a alta nos preços, e nem investiram na produção local, pode ser alvo de um imposto especial.

Os republicanos reagiram ruidosamente quando o presidente falou num projeto da oposição para cortar o financiamento da seguridade social e do Medicare, o programa de saúde para os idosos. A extremista Marjorie Taylor Greene o chamou de "mentiroso". Biden pede trégua à oposição, mas mina sua proposta econômica.

"Então, Medicare está seguro. Quero cortar o déficit mais US$ 2 trilhões sem cortar na saúde nem na seguridade social", alegou Biden. Também falou em direitos do consumidor diante de companhias aéreas, de oferecer assistência de saúde em casa para idosos, moradia acessível, aumento para os professores, dignidade para os trabalhadores, combate ao fentanil, a droga que mata 70 mil norte-americanos por ano, a proibição de armas de guerra, reforma da imigração, reforma das políciais, Lei de Igualdade para a comunidade LGBTQIAP+ e em manter o cuidado com a covid, embora vá suspender em breve a emergência de saúde pública.

Foi aplaudido ao prometer vetar qualquer projeto para proibir o aborto em lei federal.

O mundo ficou para o fim: "A invasão de Putin é um teste para os EUA e o mundo. No ano passado, disse aqui: vamos nos erguer para defender a democracia. Um ano depois, temos a resposta. Nós conseguimos. Criamos uma coalizão global, apoiamos a Ucrânia. Vamos ficar com vocês o tempo que for necessário. Antes de eu chegar ao poder, a China estava crescendo e os EUA diminuindo. Vamos investir em inovações para liderar em áreas em que a China pretende ser dominante. Estamos na melhor posição para competir. Estou pronto para competir com a China, mas não se enganem", numa referência indireta ao episódio do balão. 

No fim Biden, anunciou um plano para reduzir as mortes de câncer em 50% nos próximos 25 anos, "uma prova de que ainda podemos fazer grandes coisas." Ele lembrou o programa do governo George W. Bush no combate à aids, especialmente na África. 

"O que nos permite fazer tudo isso é nossa democracia", atacando o extremismo e o golpismo de Trump, que tem vários adeptos no Congresso. "Nos últimos anos, nossa democracia foi atacada em 6 de janeiro de 2021. Não há lugar para violência política nos EUA. A democracia não é uma questão partidária. Estamos num momento crucial que vai decidir o curso desta nação nas próximas décadas. Precisamos nos ver como companheiros. Somos a única nação criada em torno de uma ideia. (...) Porque a alma desta nação é forte...o Estado da União é forte. Nunca fui tão otimista. Só precisamos nos lembrar quem somos, os EUA."

Foi um discurso de candidato. Resta anunciar oficialmente a disputa pela reeleição, o que o presidente promete fazer ainda neste mês. Como o ex-presidente Trump lançou sua candidatura, há o risco de uma repetição da eleição presidencial de 2020. Não é o que eleitorado quer, um presidente octagenário e um ex-presidente com quase 80 anos concorrendo à Casa Branca. Mas Biden apresentou suas realizações.

terça-feira, 15 de novembro de 2022

Democratas mantêm controle do Senado em derrota para Trump

 Apesar da impopularidade do presidente Joe Biden, que tem apenas 42% de aprovação, o Partido Democrata saiu relativamente bem nas eleições intermediárias, de meio de mandato, em 8 de novembro. Manteve o controle do Senado e ainda disputa, em desvantagem, a maioria na Câmara dos Representantes.

Com a derrota de quase todos os candidatos apoiados pelo presidente Donald Trump em eleições majoritárias, fica prejudica a candidatura à Casa Branca que ele pretende anunciar hoje. É a terceira derrota seguida do Partido Republicano sob a liderança de Trump.

O extremismo perdeu nas urnas. Ganhou a democracia norte-americana. Meu comentário:

quinta-feira, 9 de junho de 2022

Bolsonaro viaja para Cúpula das Américas fracassada

O presidente Jair Bolsonaro chega hoje a Los Angeles para participar da 9ª Conferência de Cúpula das Américas, fracassada de antemão. Vai encontrar cartazes e manifestantes perguntando onde estão o jornalista britânico Dom Phillips e o indigenista Bruno Araújo Pereira, desaparecidos na Amazônia e provavelmente mortos. 

Com a popularidade em baixa por causa da inflação em alta e a expectativa de derrota do Partido Democrata nas eleições parlamentares de meio de mandato em novembro, o presidente Joe Biden quer apresentar os Estados Unidos como líder do continente e campeão da democracia, apesar do histórico de intervenções militares e apoio a ditaduras na América Latina, onde a China é uma investidora e parceira comercial cada vez mais importante.

Por causa do boicote de vários países, os EUA precisaram do Brasil para tentar salvar a conferência. Leia mais em Quarentena News.

quarta-feira, 18 de maio de 2022

Hoje na História do Mundo: 18 de Maio

MOVIMENTO PELA DEMOCRACIA NA CHINA

    Em 1989, um milhão de pessoas marcham pelas ruas de Beijim num movimento pela liberdade e a democracia para liberalizar o regime comunista da China. A revolta é esmagada no Massacre na Praça da Paz Celestial na noite de 3 para 4 de junho.

As reformas anunciadas pelo líder Deng Xiaoping em 13 de dezembro de 1978 abriram a economia e liberalizaram o regime depois do longo trauma que foi a Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76).

O movimento iniciado por estudantes sai às ruas em 15 de abril, quando morre o ex-secretário-geral do Partido Comunista (1981-87) Hu Yaobang, um grande responsável pelas reformas políticas e econômicas sob a liderança de Deng, favorável a liberalizar o regime.

Quando o movimento cresce, apresenta suas demandas:

  1. Reconhecer como corretas as visões de Hu Yaobang sobre democracia e liberdade.
  2. Admitir que as campanhas contra a "poluição espiritual" e a "liberalização burguesa" são erradas.
  3. Publicar informações sobre a renda dos altos dirigentes e de suas famílias.
  4. Acabar com a censura e autorizar a publicação de jornais de grupos privados.
  5. Mais dinheiro para a educação e aumento dos salários dos intelectuais.
  6. Fim das restrições a manifestações em Beijim.
  7. Fazer uma cobertura objetiva do movimento estudantil na mídia oficial.

O então secretário-geral do PC, Zhao Ziyang, defende o diálogo com os estudantes, enquanto o primeiro-ministro linha-dura Li Peng exigia uma condenação oficial das manifestações. Quando Zhao viaja à Coreia do Norte, em 23 de abril, Li toma a iniciativa.

Em 25 de abril, o primeiro-ministro e o presidente Yang Shangkun se reúnem na casa de Deng, que aprova a linha dura. No dia seguinte, o Diário do Povo, jornal oficial do PC, publica editorial de primeira página de lavra de Li sob o título: "É preciso adotar uma posição clara contra os distúrbios". Descreve o movimento como contra o partido e contra o governo.

Com a volta de Zhao, o governo retoma a tolerância. Em 13 de maio, dois dias antes do início de uma visita do líder soviético Mikhail Gorbachev, os estudantes começam uma greve de fome. Quando Zhao disse a Gorbachev que o líder supremo era Deng, este tomou como uma tentativa de lhe atribuir toda a responsabilidade.

Numa reunião do Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central na casa de Deng, em 17 de maio, a alta cúpula do regime decidiu decretar lei marcial e convocar o Exército para tomar a capital. 

No dia 18, quando um milhão saem às ruas da capital, Li encontra os estudantes numa reunião marcada pela confrontação, sem qualquer avanço. Diante das câmeras, o primeiro-ministro mostra mais preocupação com a saúde dos estudantes em greve de fome.

A última aparição de Zhao é na madrugada do dia 19, quando ele fala com os estudantes ao lado de Wen Jiabao, que seria primeiro-ministro de Hu Jintao (2003-13). À noite, numa reunião da alta cúpula, Deng declara ter se arrependido de nomear Hu e Zhao para a liderança do partido. Zhao cai e passa o resto da vida em prisão domiciliar.

Em 20 de maio, o governo decreta lei marcial e convoca 30 divisões, num total de 250 mil soldados, para ocupar Beijim. Em 3 de junho, autoriza a ação para retirar os estudantes acampados na praça central da capital centenas. O total de mortes é estimado entre centenas e 10 mil.

As reformas políticas são enterradas definitivamente. A ascensão de Xi Jinping, em 2012, torna a ditadura mais personalista e contrária a qualquer dissidência. A liberdade acadêmica daquele período não existe mais.

quinta-feira, 18 de novembro de 2021

Hoje na História do Mundo: 18 de Novembro

FIM DO FRANQUISMO

    Em 1976, um ano depois da morte do ditador Francisco Franco Bahamonde (1936-75), em 20 de novembro de 1975, o Parlamento da Espanha aprova por maioria esmagadora o restabelecimento da democracia.

SUICÍDIO COLETIVO

    Em 1978, o pastor Jim Jones, fundador do Templo dos Povos, promove um suicídio coletivo em que 909 pessoas morrem, inclusive 304 criança envenenadas com cianeto, em sua comunidade rural em Jonestown, na República da Guiana.

sábado, 13 de fevereiro de 2021

Senado absolve Trump da acusação de incitar à invasão do Congresso

Depois de desistir de convocar testemunhas, o que chegou a ser anunciado por cedo,  por 57 a 43, o Senado dos Estados Unidos acaba de absolver o ex-presidente Donald John Trump da acusação de incitar à insurreição e ao assalto ao Capitólio em 6 de janeiro, quando sete pessoas morreram. Foi o segundo julgamento de impeachment de Trump. 

Nos dois casos, o ex-presidente foi salvo por senadores republicanos. Como o impeachment exige 67 votos, dois terços do Senado e a bancada democrata tem 50 senadores, eram necessários os votos de pelo menos 17 republicanos e só sete votaram contra Trump desta vez. Isso significa que reconhecem sua liderança sobre o partido.

Em 5 de fevereiro de 2020, Trump foi absolvido da denúncia de abuso de poder e obstrução do Congresso por pressionar o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, a investigar Hunter Biden, filho do então pré-candidato à Casa Branca e hoje presidente Joe Biden.

Como Trump já deixou o governo, os deputados e senadores do Partido Democrata queriam uma condenação para tornar o ex-presidente inelegível para cargos federais por toda a vida. Também pretendiam mostrar à nação mais detalhes do ataque ao Congresso no mês passado.

Ao lamentar a absolvição, o líder da maioria democrata no Senado, Chuck Schumer, declarou que os republicanos aceitam o uso da força para tentar mudar o resultado de uma eleição. Ele manifestou a esperança de que Trump seja condenado nos julgamentos da opinião pública e da história.

Por outro lado, o líder da minoria republicana, Mitch McConnell, está criticando o ex-presidente como se fosse a favor do impeachment. Ele acusou Trump de ser responsável por mentir ao alegar que a eleiç!ao foi roubada, pela invasão do Congresso e por não tomar medidas rapidamente para proteger o Capitólio e os congressistas.

"Não há nenhuma dúvida de que o presidente Donald Trump é prática e moralmente responsável por provocar os acontecimentos daquele dia. Não há dúvida. As pessoas que assaltaram este prédio acreditavam estar agindo de acordo com os desejos e as instruções de seu presidente", afirmou McConnell.

A multidão enfurecida que atacou o Capitólio foi insuflada por "mentiras selvagens" porque Trump "estava com raiva porque perdeu a eleição", observou o líder da minoria republicana. "O líder do mundo livre não pode passar semanas usando o maior megafone do mundo para berrar que forças sombrias estão roubando o país e depois fingir surpresa com o que aconteceu.

O líder republicano está convencido de "Trump parecia determinado a mudar a decisão dos eleitores ou incendiar as instituições ao sair."

"Ao que se sabe, ele assistia à televisão alegremente enquanto o ataque se desenrolava", acrescentou McConnell.  "O vice-presidente estava claramente em perigo. (...) Mesmo quando pediu a paz, com policiais feridos e vidro quebrado no chão do Congresso, ele insistiu na eleição roubada e elogiou os manifestantes. (...) Uma pessoa e só uma é responsável, mas a Constituição nos deu um dever. Este Senado não é um supremo tribunal moral. Nossa missão é proteger o país. Se Trump estivesse no cargo, eu examinaria detalhadamente a denúncia da Câmara."

Em seguida, alegou que constitucionalmente o ex-presidente não poderia ter sido processado porque já deixou a Casa Branca. McConnell argumentou que a Constituição só permite julgar em processo de impeachment quem ainda estiver no crime. Uma boa desculpa para justificar um voto covarde.

McConnell controlava o Congresso no governo Trump como líder da maioria. Não tomou nenhuma medida para iniciar o julgamento. No fundo, gostaria de se livrar de Trump para reformar o Partido Republicano. Faltou coragem. Nada indica que o ex-presidente aceite seus argumentos. Resta ver se continuará sendo líder da minoria.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Biden volta à OMS e ao Acordo de Paris sobre Mudança do Clima

 Em 17 decretos para desmontar políticas do governo anterior, o presidente Joe Biden levou os Estados Unidos de volta ao Acordo de Paris sobre Mudança do Clima e à Organização Mundial da Saúde (OMS), suspendeu a construção de um gasoduto vindo do Canadá e do muro na fronteira com o México, e renovou a esperança dos "sonhadores", jovens que entraram no país ilegalmente quando era menores de idade. Os 11 milhões de imigrantes ilegais que vivem nos EUA terão um caminho para tentar regularizar a situação.

Biden também tornou obrigatório o uso de máscaras em todas as propriedades do governo federal. Seu discurso proclamou a vitória da democracia e a reconciliação nacional. Talvez a marca mais importante da volta à normalidade é que a posse não foi organizada em torno dele. O destaque foi para a democracia e a coalizão multiétnica e multirracial que derrotou o supremacismo branco de Trump.

Além da união nacional, o vírus, a desigualdade social, o racismo e o aquecimento global serão os maiores desafios do governo Biden-Harris. Meu comentário:

Joe Biden assume pregando união nacional e fim da guerra incivilizada

 Em discurso emocionado diante do Congresso, Joseph Robinette Biden Jr. assumiu há pouco a Presidência dos Estados Unidos defendendo a união nacional, a democracia, a verdade e a luz para enfrentar os múltiplos desafios enfrentados pelo país, da democracia à pandemia, da justiça racial ao aquecimento global.

"Este é o dia dos EUA. Este é o dia da democracia. Um dia de história e esperança, de renovação e decisão numa encruzilhada do nosso tempo. Os EUA foram testados e cresceram diante do desafio", afirmou Biden. 

"Hoje, celebramos a vitória não de um candidato, mas de uma causa, a causa da democracia. A vontade popular foi ouvida e atendida. Aprendemos de novo como a democracia é preciosa. A democracia é frágil. E nesta hora, meus amigos, a democracia prevaleceu", começou Biden, depois de prestar juramento à Constituição na mesma escadaria do Capitólio onde em 6 de janeiro partidários do presidente Donald Trump tentaram impedir a certificação do resultado da eleição de 3 de novembro.

Neste lugar onde a democracia foi ameaçada, "onde dias atrás a violência tentou abalar os alicerces do Capitólio, nos encontramos como uma só nação, indivisível, para uma transição pacífica do poder como fazemos há mais de dois séculos", para "apresentar nossa visão do que esta nação pode ser."

"Sabemos da resiliência de nossa Constituição e da força de nossa nação", continuou. "Acabo de prestar o juramento prestado pela primeira vez por George Washington. Nós, o povo, queremos uma união mais perfeita. Temos muito a reparar, a restaurar, a curar, a construir e a ganhar." 

Diante da pandemia. "poucas pessoas encontraram um momento tão desafiador e difícil como este. Uma vez por século um vírus ataca silenciosamente o país. Tirou tantas vidas num ano quanto os americanos mortos na Segunda Guerra Mundial. Milhões de empregos foram perdidos. Centenas de milhares de empresas fecharam. Um grito de 400 anos por justiça racial nos move. O sonho de justiça e igualdade para todos não será mais adiado."

Entre os desafios a enfrentar e vencer, o novo presidente citou o supremacismo branco e o terrorismo doméstico insuflados por Trump, que não assistiu à posse do sucessor, o que não acontecia há 152 anos. Também falou num "grito de sobrevivência vindo do planeta que não pode ser mais claro e mais desesperado", numa referência ao aquecimento global.

"Em outro janeiro, no primeiro dia de 1863, Abraham Lincoln assinou a Declaração de Emancipação [dos escravos] dizendo: 'toda minha alma está nisso.' Hoje, toda minha alma está nisso, em unir nosso povo e nossa nação", discursou Biden. 

Pediu união para combater a herança maldita de Trump: "Raiva, extremismo, ilegalidade, violência, doença, desemprego e desesperança. Juntos, podemos fazer grandes coisas, corrigir os erros, colocas as pessoas em bons empregos, ensinar nossas crianças em escolas seguras, superar o vírus mortal, recomensar o trabalho, reconstruir a classe média, promover a justiça racial e tornar os EUA de novo uma força do bem no mundo."

"Nossa história tem sido uma batalha constante entre a ideia de que todos são iguais e a dura e horrenda realidade do racismo, do nativismo, do medo e da demonização que nos divide. Esta batalha é permanente e a vitória nunca está assegurada, da Guerra Civil (1861-65) à Grande Depressão, das guerras mundiais ao 11 de setembro de 2001", recordou o presidente. 

"A história, a fé e a razão mostraram o caminho, o caminho da unidade. Precisamos ver os outros não como adversários, mas como vizinhos. Temos de tratar os outros com dignidade e respeito", apelou Biden. Este é um momento histórico de crise e desafio, e a unidade é o caminho a seguir. Temos de enfrentar este momento como os Estados Unidos da América. Nunca, jamais, fracassamos quando agimos juntos", propôs Biden, com ênfase na união.

Sua mensagem central foi a reconciliação nacional depois do divisionismo do governo Trump: "Vamos começar de novo, vamos ouvir uns aos outros, vamos ver uns aos outros, vamos respeitar uns aos outros. A política não pode ser um fogo indomável que destrói tudo em seu caminho. Todo desentendimento não pode ser causa para uma guerra total. Devemos rejeitar a cultura em que os fatos são manipulados e mesmo fabricados."

O novo presidente também destacou o significado histórico da eleição de sua companheira de chapa: "Resistimos. Prevalecemos. Aqui, olhamos esta esplanada onde Martin Luther King falou do seu sonho. Estamos no lugar onde há 108 anos, em outra posse, milhares de manifestantes tentaram barrar uma marcha de mulheres pelo direito de votar. Hoje, marcamos a posse da primeira mulher eleita para governar o país, a vice-presidente, Kamala Harris." E da vitória sobre a turba enviada por Trump para assaltar o Capitólio: "Aqui estamos onde a violência tentar impedir a vontade popular. Não aconteceu. Não vai acontecer nem hoje nem amanhã. Nunca."

Em defesa da liberdade e da democracia, Biden observou que "o direito de dissentir pacificamente é talvez a maior força desta nação. Mas o desacordo não deve levar à desunião. Serei o presidente de todos os americanos", prometeu.

"Muitos séculos atrás, Santo Agostinho, um santo da minha igreja, escreveu que um povo é definido pelos objetivos comuns do seu amor. Quais são os objetivos comuns dos americanos? O que nos define como americanos?", perguntou. "Oportunidade, segurança, liberdade, dignidade, respeito, honra e, sim, a verdade. (...) Há verdades e mentiras, mentiras ditas pelo poder e o lucro. Cada um de nós tem a responsabilidade, como cidadãos, como americanos, e especialmente como líderes que prometeram honrar a Constituição e proteger a nação, de defender a verdade e derrotar a mentira." Entendo a preocupação com o emprego." 

Também lembrou o pai desempregado, preocupado com a dúvida de se conseguiria pagar as contas da família.

"Temos de acabar com esta guerra incivilizada, azuis versus vermelhos, cidade versus campo, liberais versus conservadores. Podemos fazer isso se abrirmos nossas almas em vez de endurecer os corações, se mostrarmos um pouco de tolerância e humildade por um momento, se por um momento vestirmos os sapatos do outro", conclamou o presidente.

A politização da pandemia foi outro alvo: "Estamos entrando no que pode ser o momento mais duro e mortal do vírus. Vamos deixar a política de lado e combater a doença como uma nação unida. Vamos atravessar isso juntos. O mundo está assistindo. Minha mensagem para o exterior: os EUA foram testados e saíram mais fortes. Vamos refazer as alianças para enfrentar os desafios de hoje e de amanhã. Vamos liderar não pela mostra do nosso poder, mas pelo poder do nosso exemplo. Seremos um parceiro forte e confiável pela paz, o progresso e a segurança."

Como primeiro ato de seu governo, Biden pediu um momento de oração silenciosa pelos 400 mil americanos mortos pela pandemia.

"Este é um momento de testes. Enfrentamos um ataque à democracia e à verdade. Um vírus selvagem. A desigualdade crescente. O racismo sistêmico. Um clima em crise", com o governo desastroso de Trump. "É um momento para ousar. Seremos julgados sobre como enfrentamos estas crises. Vamos cumprir nossa obrigação de deixar um mundo melhor para nossos filhos?"

"Termino onde comecei, com meu juramento diante de Deus e de vocês", concluiu Biden. "Vou defender a Constituição, a democracia e os EUA. Juntos, vamos escrever uma história de esperança, não de medo. De união, não de divisão. De luz, não de escuridão. Uma história de dignidade e decência. De amor e de cura. De grandeza e bondade. Seja esta a história que nos guie e nos inspire. Vamos responder à convocação da história. [Recriar] uns EUA que garantam a liberdade em casa e sejam uma baliza para a humanidade sustentada pela fé, orientada pela convicção e pela devoção uns aos outros e ao país que amamos."

Joe Biden participa de um segundo momento histórico. Em 2009, tomou posse como vice-presidente do primeiro presidente negro dos EUA, Barack Obama. Hoje, levou a primeira mulher, e a primeira de origem africana e indiana, à vice-presidência.

Há quatro anos, Trump fez um discurso prometendo acabar imediatamente com a "carnificina" nos EUA. Seu foco foi o crime e o desespero, a lamúria, explorando o temor da maioria branca diante de uma sociedade cada vez mais multiétnica e multicultural. Em contraste, Biden destacou a fé e a esperança, a reconciliação e a união.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Seguidores de Trump invadem o Congresso e param certificação da vitória de Biden

Sob incitação das manobras golpistas do presidente Donald Trump, milhares de partidários do fascismo trumpista estão invadindo o Capitólio, sede do Congresso dos Estados Unidos, onde deputados e senadores recebiam os votos do Colégio Eleitoral para certificar a vitória de Joe Biden na eleição presidencial de 3 de novembro. É um assalto sem precedentes à mais antiga democracia do mundo. Uma mulher baleada no peito na área do Congresso morreu.

O vice-presidente Mike Pence, que presidia a sessão como presidente do Senado, foi retirado às pressas do local pelo serviço secreto. "Isto é o que vocês conseguiram", gritou o senador e ex-candidato republicano à Casa Branca Mitt Romney para o colega republicano Ted Cruz, um dos líderes do movimento de contestação à vitória de Biden.

A Guarda Nacional do Distrito de Colúmbia e de estados próximos, Virgínia e Maryland, foi mobilizada para controlar a situação. A prefeita de Washington, Muriel Bowser, negra e democrata, havia pedido na segunda-fira ajuda à Guarda Nacional, aprovada pelo secretário interino da Defesa, Christopher Miller, mas, de acordo com a Câmara Distrital, negada depois pelo Pentágono. 

Com a violência, a prefeita decretou toque de recolher das seis da tarde às seis da manhã. Aparentemente a polícia legislativa não acreditava que os manifestantes ultrapassariam as barreiras que protegem o Capitólio. O Congresso dos EUA não era atacado desde 1814, quando foi incendiado por soldados do Império Britânico na guerra iniciada em 1812.

Horas antes, o presidente Donald Trump discursou diante de seus partidários perto da Casa Branca e incitou a multidão a marchar até o Congresso, insistindo mais uma vez que ganhou a eleição e foi roubado. Prometeu marchar junto com a multidão.

O presidente eleito, Joe Biden, está falando agora no "assalto sem precedentes à democracia como nunca vimos em tempos modernos" e ao "Estado de Direito" nos EUA: "É um assalto à cidadela da liberdade, um assalto aos representantes do povo e à polícia legislativa." 

"As cenas no Capitólio não representam os EUA. Isto não é dissidência. É desordem, caos, à beira da sedição. Precisa parar agora. As palavras de um presidente pesam. Convoco o presidente Donald Trump a ir à televisão agora, cumprir o juramento de defender a Constituição e parar com este cerco. Isto não é protesto, é insurreição. O mundo está assistindo. Estou chocado que nossa nação tenha chegado a um momento tão escuro. O trabalho dos próximos quatro anos deve ser de restauração da democraca, da honestidade, da decência e do Estado de Direito."

Biden afirmou que "a democracia é frágil e exige que as pessoas de boa vontade se mobilizem pelo bem comum. Pense no que as crianças pensam vendo isso. Pense no que pensa o resto do mundo." O presidente eleito não respondeu a perguntas sobre um possível processo contra Trump por traição.

Há pouco, Trump divulgou um vídeo orientando seus partidários a voltar para casa e dizendo que os ama. Ele insistiu que foi vítima de uma fraude eleitoral e que ganhou por ampla margem: "Não foi nem apertado. Mas agora é hora de voltar para casa."

O Twitter suspendeu a conta de Trump por 12 horas.

O presidente da Associação Nacional da Indústria Manufatureira, Jay Timmons, pediu a remoção imediata de Trump do poder, sob o argumento de que "incitou à violência numa tentativa de reter o poder, e qualquer líder eleito que o defenda está violando seu juramento constitucional e rejeitando a democracia em favor da anarquia. (...) O vice-presidente Mike Pence, que foi retirado do Capitólio, deve considerar seriamente trabalhar com os ministros invocar a Emenda nº 25 e preservar a democracia."

A Emenda nº 25 dispõe sobre a substituição do vice-presidente e o afastamento do presidente quando "o vice-presidente e a maioria dos secretários dos departamentos executivos" [ministérios] ou a maioria do Congresso entenderem que "o presidente não está em condições de exercer seus poderes e deveres." A medida precisa ser referendada dentro de 21 dias por dois terços da Câmara e do Senado.

O general John Kelly, ex-ministro-chefe da Casa Civil, revelou que a questão foi discutida no passado, diante de outros abusos de poder de Trump.

Em editorial, o jornal Kansas City Star, da cidade do senador Josh Hawley, que tomou a iniciativa de contestar o resultado da eleição presidencial e cumprimentou manifestantes antes da sessão conjunta do Congresso, "tem sangue em suas mãos".