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sábado, 2 de novembro de 2024

Republicanos dependem cada vez mais do Colégio Eleitoral

Quando os país da pátria escreveram a Constituição dos Estados Unidos, em 1787, era o primeiro país a eleger seu chefe de Estado. Então, criaram o Colégio Eleitoral para a elite ter a palavra final e evitar que um tresloucado chegasse à Presidência. 

Hoje é exatamente este sistema que ameaça levar Donald Trump, um notório fascista, de volta à Casa Branca. Com a mudança demográfica, é cada vez mais improvável que o Partido Republicano ganhe no voto popular. Isto estimula o autoritarismo e ameaça a mais antiga democracia do mundo.

O Colégio Eleitoral tem 538 delegados, o número de deputados e senadores do Congresso, que tem 435 deputados e 100 senadores. Os outros três são representantes do Distrito de Colúmbia, onde fica a capital. Eles têm direito a voz, mas não a voto na Câmara dos Representantes. Ganham quem conquistar pelo menos 270 votos no Colégio Eleitoral.

Na eleição de Jimmy Carter, em 1976, 40 estados poderiam eleger um republicano ou democrata. Com a polarização política do país, especialmente depois que Ronald Reagan atrelou o Partido Republicano à direita religiosa, este número foi diminuindo. Hoje, acredita-se que a eleição será decidida em sete estados-chaves ou estados-pêndulos, que podem ir para um lado ou para outro.

Duas vezes, no século 19, o vencedor não ganhou no voto popular. Isto só voltou a acontecer no ano 2000, quando George W. Bush ganhou a eleição na Flórida, governada por seu irmão Jeb Bush, que organizava a votação, por uma diferença de 537 votos, com fortes suspeitas de fraude.

Desde então, os republicanos só venceram no voto popular com o mesmo Bush, em 2004, quando o país estava em guerra, o que tende a favorecer o presidente, com uma campanha de notícias falsas questionando a medalha de honra que o candidato democrata, John Kerry, ganhou pela Guerra do Vietnã.

Com a mudança demográfica e o aumento da população não branca, cada vez mais os republicanos dependem do Colégio Eleitoral e isto alimenta o autoritarismo e o fascismo.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Seguidores de Trump invadem o Congresso e param certificação da vitória de Biden

Sob incitação das manobras golpistas do presidente Donald Trump, milhares de partidários do fascismo trumpista estão invadindo o Capitólio, sede do Congresso dos Estados Unidos, onde deputados e senadores recebiam os votos do Colégio Eleitoral para certificar a vitória de Joe Biden na eleição presidencial de 3 de novembro. É um assalto sem precedentes à mais antiga democracia do mundo. Uma mulher baleada no peito na área do Congresso morreu.

O vice-presidente Mike Pence, que presidia a sessão como presidente do Senado, foi retirado às pressas do local pelo serviço secreto. "Isto é o que vocês conseguiram", gritou o senador e ex-candidato republicano à Casa Branca Mitt Romney para o colega republicano Ted Cruz, um dos líderes do movimento de contestação à vitória de Biden.

A Guarda Nacional do Distrito de Colúmbia e de estados próximos, Virgínia e Maryland, foi mobilizada para controlar a situação. A prefeita de Washington, Muriel Bowser, negra e democrata, havia pedido na segunda-fira ajuda à Guarda Nacional, aprovada pelo secretário interino da Defesa, Christopher Miller, mas, de acordo com a Câmara Distrital, negada depois pelo Pentágono. 

Com a violência, a prefeita decretou toque de recolher das seis da tarde às seis da manhã. Aparentemente a polícia legislativa não acreditava que os manifestantes ultrapassariam as barreiras que protegem o Capitólio. O Congresso dos EUA não era atacado desde 1814, quando foi incendiado por soldados do Império Britânico na guerra iniciada em 1812.

Horas antes, o presidente Donald Trump discursou diante de seus partidários perto da Casa Branca e incitou a multidão a marchar até o Congresso, insistindo mais uma vez que ganhou a eleição e foi roubado. Prometeu marchar junto com a multidão.

O presidente eleito, Joe Biden, está falando agora no "assalto sem precedentes à democracia como nunca vimos em tempos modernos" e ao "Estado de Direito" nos EUA: "É um assalto à cidadela da liberdade, um assalto aos representantes do povo e à polícia legislativa." 

"As cenas no Capitólio não representam os EUA. Isto não é dissidência. É desordem, caos, à beira da sedição. Precisa parar agora. As palavras de um presidente pesam. Convoco o presidente Donald Trump a ir à televisão agora, cumprir o juramento de defender a Constituição e parar com este cerco. Isto não é protesto, é insurreição. O mundo está assistindo. Estou chocado que nossa nação tenha chegado a um momento tão escuro. O trabalho dos próximos quatro anos deve ser de restauração da democraca, da honestidade, da decência e do Estado de Direito."

Biden afirmou que "a democracia é frágil e exige que as pessoas de boa vontade se mobilizem pelo bem comum. Pense no que as crianças pensam vendo isso. Pense no que pensa o resto do mundo." O presidente eleito não respondeu a perguntas sobre um possível processo contra Trump por traição.

Há pouco, Trump divulgou um vídeo orientando seus partidários a voltar para casa e dizendo que os ama. Ele insistiu que foi vítima de uma fraude eleitoral e que ganhou por ampla margem: "Não foi nem apertado. Mas agora é hora de voltar para casa."

O Twitter suspendeu a conta de Trump por 12 horas.

O presidente da Associação Nacional da Indústria Manufatureira, Jay Timmons, pediu a remoção imediata de Trump do poder, sob o argumento de que "incitou à violência numa tentativa de reter o poder, e qualquer líder eleito que o defenda está violando seu juramento constitucional e rejeitando a democracia em favor da anarquia. (...) O vice-presidente Mike Pence, que foi retirado do Capitólio, deve considerar seriamente trabalhar com os ministros invocar a Emenda nº 25 e preservar a democracia."

A Emenda nº 25 dispõe sobre a substituição do vice-presidente e o afastamento do presidente quando "o vice-presidente e a maioria dos secretários dos departamentos executivos" [ministérios] ou a maioria do Congresso entenderem que "o presidente não está em condições de exercer seus poderes e deveres." A medida precisa ser referendada dentro de 21 dias por dois terços da Câmara e do Senado.

O general John Kelly, ex-ministro-chefe da Casa Civil, revelou que a questão foi discutida no passado, diante de outros abusos de poder de Trump.

Em editorial, o jornal Kansas City Star, da cidade do senador Josh Hawley, que tomou a iniciativa de contestar o resultado da eleição presidencial e cumprimentou manifestantes antes da sessão conjunta do Congresso, "tem sangue em suas mãos".

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Trump insiste na tentativa de golpe e tem algum apoio no Congresso

 Em uma tentativa de golpe sem precedente nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump ainda insiste em mudar o resultado da eleição presidencial de 3 de novembro. Todos os ex-secretários da Defesa vivos assinaram uma declaração pedindo uma transição pacífica, sem o envolvimento das Forças Armadas.

Ontem, o jornal The Washington Post divulgou uma gravação de Trump num telefonema de uma hora, no sábado, para pressionar o secretário de Estado da Geórgia, Brad Raffensperger, responsável pelas eleições no estado, a achar "11.780 votos" para ele. É um voto a mais do que a vantagem obtida no estado pelo presidente eleito, Joe Biden.

Leia mais em Quarentena News.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Colégio Eleitoral confirma vitória de Joe Biden

 Com os 55 votos eleitorais da Califórnia, Joe Biden e Kamala Harris foram confirmados oficialmente como vencedores da eleição de 3 de novembro. Em 20 de janeiro, tomam posse como presidente e vice-presidente dos Estados Unidos. Nada indica que o presidente Donald Trump vá aceitar o resultado.

Faltando apenas os quatro votos do Havaí no Colégio Eleitoral, Biden tem 302 votos contra 232 de Trump.

Até agora, só os ditadores da Rússia, Vladimir Putin, e da Coreia do Norte, Kim Jong Un, e os presidentes populistas do Brasil, Jair Bolsonaro, de extrema direita, e do México, Andrés Manuel López Obrador, populista de esquerda, cumprimentaram Biden.

Trump acaba de anunciar a renúncia do secretário da Justiça, William Barr, que declarou recentemente não ter encontrado provas da fraude eleitoral maciça que o atual presidente alega para negar a derrota.

quinta-feira, 26 de novembro de 2020

Trump admite sair se Colégio Eleitoral confirmar vitória de Biden

 Pela primeira vez desde a eleição de 3 de novembro, o presidente Donald Trump admitiu em público aceitar o resultado das urnas e deixar a Casa Branca em 20 de janeiro se o Colégio Eleitoral certificar a vitória de Joe Biden 14 de dezembro.

"Certamente irei e você sabe disso", reagiu o presidente, prometendo lutar até o fim e insistindo em que foi vítima de uma "fraude maciça" sem apresentar qualquer prova. "Não sei se terei tempo. O tempo é a única coisa contra mim. Os fatos estão a meu favor."

As declarações confirmam a previsão de que Trump jamais aceitará a derrota e tentará reconstruir sua carreira política sobre a mentira de ter sido o real vencedor em 2020. Ajuda a mobilizar seus seguidores fanáticos, a arrecadar dinheiro e a manter, pelo menos para si mesmo, uma aura de invencibilidade, por mais falsa que seja.

Desde que perdeu as eleições, Trump abandonou o combate à nova onda de contaminação da doença do coronavírus de 2019 nos Estados Unidos, que é a maior até agora. Meu comentário:

sábado, 7 de novembro de 2020

Biden mostra confiança na vitória e fala como presidente eleito

Em pronunciamento pouco depois da meia-noite pela hora de Brasília, o ex-vice-presidente Joe Biden declarou estar certo de que vai vencer a eleição presidencial nos Estados Unidos, mas evitou cantar a vitória antes do tempo como fez o presidente Donald Trump.

"Meus compatriotas americanos, não temos uma declaração final de vitória ainda, mas os números contam uma história clara e convincente: vamos ganhar esta corrida", afirmou Biden ao lado da candidata a vice-presidente, a senadora Kamala Harris.

No momento, a chapa democrata tem vantagem no Arizona, na Geórgia, em Nevada e na Pensilvânia, o que lhe daria mais 53 eleitores além dos 253 que já conquistou. Para ser eleito, um candidato precisa de pelo menos 270 votos no Colégio Eleitoral. Trump tem 213 votos e deve levar mais 15 na Carolina do Norte. Meu comentário:

quinta-feira, 5 de novembro de 2020

Biden está perto mas não garantiu a vitória

Aos 77 anos anos, faz 78 em dezembro, na terceira tentativa, o ex-vice-presidente Joe Biden está perto da Presidência dos Estados Unidos. Mas a batalha voto a voto ainda não terminou e o presidente Donald Trump anunciou que vai à Justiça pedir a recontagem dos votos de Wisconsin e para parar a apuração na Geórgia e na Pensilvânia, tendo em vista anular os votos enviados pelo correio.

Mais uma vez, as pesquisas e modelos matemáticos erraram. A expectativa era de uma vitória de Biden por 7 a 8 pontos percentuais nacionalmente no voto popular. No momento, a chapa democrata soma 72 milhões de votos (50,4%) e a chapa republicana, 68,6 milhões (48%), uma diferença de 2,4 pontos percentuais.

Com a vitória de Trump na Flórida, anunciada na noite de terça-feira, ficou aberto o caminho para a eleição do presidente. Biden virou o jogo na manhã de quarta-feira, ao assumir a liderança em Michigan e Wisconsin. Sua vantagem no voto popular está em 3.465.515, mais do que os 2.868.686 de Hillary Clinton em 2016. Meu comentário:

quarta-feira, 4 de novembro de 2020

Trump ganha em estados-chaves e eleição nos EUA terá final apertado

 Mais uma vez, as pesquisas estavam erradas. O presidente Donald Trump venceu a eleição presidencial na Flórida, em Ohio e em Iowa, e deve ganhar no Texas, na Geórgia e na Carolina do Norte, estados onde o ex-vice-presidente Joe Biden tinha esperança de vencer. 

Até agora, o candidato democrata só virou um estado, o Arizona, onde a apuração ainda não terminou. O resultado final está em aberto e pode não sair hoje.

Como em 2016, a eleição pode ser decidida em estados do Cinturão da Ferrugem e do Meio-Oeste, Pensilvânia, Michigan e Wisconsin, a chamada Muralha Azul (cor do Partido Democrata), que Trump derrubou para chegar à Casa Branca.

Os democratas esperam tirar a vantagem que o presidente tem no momento em Michigan, onde a maioria dos votos antecipados ainda não foi computada. A oposição espera uma repetição em Michigan, na Pensilvânia e em Wisconsin do que aconteceu no estado da Virgínia, onde Trump liderou a apuração até perto do fim, mas Biden ganhou.

"Este é um jogo de xadrez onde ninguém comeu uma peça importante", comentou David Axelrod, que foi marqueteiro do presidente Barack Obama. Os democratas estão muito menos eufóricos. Tem medo de uma repetição do que aconteceu em 2016, quando a ex-secretária de Estado Hillary Clinton venceu no voto popular por pouco menos de 2,9 milhões de votos, mas perdeu no Colégio Eleitoral por causa das derrotas na Pensilvânia, em Michigan e em Wisconsin por pouco menos de 78 mil votos.

Biden fez um pronunciamento há pouco para manter o otimismo, manifestando confiança de vencer em Michigan e na Pensilvânia,

Para ser eleito presidente dos Estados Unidos, um candidato precisa de pelo menos 270 votos no Colégio Eleitoral. No momento, às 3h30 no Rio de Janeiro, Biden tem 220 e  Trump 210. O presidente deve levar mais 16 votos eleitorais na Geórgia. O resto está em aberto.

Por causa da votação pelo correio, o resultado final no decisivo estado da Pensilvânia pode demorar dias e parar na Justiça.

No Twitter, Trump se vangloria de uma grande vantagem e acusa a oposição de querer roubar a eleição. Era esperado que o presidente saísse com uma liderança inicial na apuração porque os votos pelo correio e sufragados antecipadamente serão contados depois na maioria dos estados.

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Colégio Eleitoral elegeu Trump e é sua única esperança

No século 21, EUA foram governados oito anos por presidentes sem mandato popular 

A eleição presidencial nos Estados Unidos não é nacional nem direta. Como o país é uma federação, cada estado realiza sua eleição, que escolhe delegados para um Colégio Eleitoral de 538 membros. Este número reproduz o número de deputados que cada estado tem na Câmara de Representantes, num total de 435, e no Senado (100), e mais três pelo Distrito de Colúmbia, onde fica a capital, Washington. Os representantes do DC têm direito a voz mas não a voto no Congresso.

Como 48 dos 50 estados dão todos os delegados ao partido vencedor, em cinco vezes, o ganhador no voto popular não foi eleito presidente. Três vezes foram no século 18, quando a democracia era novidade e a elite dirigente se reservou um papel de árbitro final do processo para evitar que um maluco chegasse à Casa Branca. Mas, desde o início do século 20, os EUA foram governados oito anos por presidentes que perderam a eleição.

O presidente Donald Trump sofreu a maior derrota e só o Colégio Eleitoral pode reelegê-lo. Meu comentário explicando como funciona o sistema eleitoral:

sábado, 23 de maio de 2020

Trump ataca voto pelo correio

Com popularidade em queda por causa da pandemia do coronavírus, que tem mais de 1,665 milhão de casos registrados e 98.639 mortes nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump atacou nesta semana a votação pelo correio, a melhor alternativa para evitar que os eleitores tenham de enfrentar longas filas nas eleições de 3 de novembro, alegando que podem ter fraude generalizada.

Trump ameaçou suspender a ajuda federal a estados governados pelo Partido Democrata, como Michigan e Nevada, que estão oferecendo a alternativa aos eleitores. A Califórnia e Wisconsin oferecem a mesma oportunidade para evitar um aumento da abstenção.

"Para votar de verdade, sem fraude, você precisar votar numa sessão eleitoral", declarou o presidente ao visitar uma fábrica da Ford em Michigan, um dos estados-chaves, alegando que o voto pelo correio pode "estar sujeito a fraude e abuso".

Em 2016, o candidato Trump levantou suspeitas de fraude. Mesmo depois da vitória, insistiu no assunto para justificar a derrota por quase 3 milhões de votos para a candidata democrata, Hillary Clinton, no voto popular. Nunca apresentou nenhuma prova para corroborar a acusação.

Como nos EUA e nas democracias liberais de modo geral, o voto não é obrigatório, o risco de pegar a covid-19 pode levar muito mais eleitores a ficar em casa. Historicamente o Partido Republicano se beneficia quando a abstenção aumenta e tenta criar problemas, por exemplo, para desestimular o voto de minorias como negros e latinos, bases eleitorais importantes do Partido Democrata.

Michigan e Nevada estão entre os chamados estados-pêndulo, o pequeno grupo de 10 a 15 estados onde a situação está indefinida, que são os que decidem a eleição presidencial. Nos EUA, a eleição presidencial é realizada por um Colégio Eleitoral de 538 delegados. Quem vence num estado no voto popular leva todos os votos daquele estado no Colégio Eleitoral.

Nos estados mais liberais, como a Califórnia e Nova York, a vitória do Partido Democrata é certa. Em estados conservadores como Texas, Kansas, Idaho, Dakota do Sul e Dakota do Norte, o Partido Republicano é amplamente favorito, embora no Texas haja dúvida por causa do aumento da população de origem latino-americana.

Assim, a eleição presidencial costuma ser decidida em estados como a Flórida, Michigan, Ohio, Pensilvânia e Wisconsin. Em 2016, Trump se elegeu derrotando Hillary por margens apertadas de dezenas de milhares de votos nestes últimos quatro estados. A tendência é que a disputa seja apertada mais uma vez neste ano.

Por causa do crescimento econômico e do desemprego no menor nível em 50 anos, Trump era o favorito antes da pandemia. A situação mudou. Desde março, 38,6 milhões de americanos perderam o emprego. A taxa de desemprego subiu de 3,5% para 14,7% no mês passado e pode chegar a 20% neste mês.

No momento, o candidato democrata, o ex-vice-presidente Joe Biden, tem uma vantagem de 2 a 10 pontos percentuais nas pesquisas nacionais, que não necessariamente refletem a realidade de uma eleição decidida pelos estados. Mas Trump está preocupado. As pesquisas indicam a chance de vitória democrata em estados conservadores como o Arizona, onde Biden lidera com vantagem de quatro pontos percentuais.

Em nível nacional, 53,4% dos americano desaprovam o governo Trump e 42,9% aprovam, de acordo com o sítio FiveThirtyEight, do matemático Nate Silver, que acertou o resultado das últimas eleições presidenciais, menos a vitória de Trump em 2016. Só a pesquisa do jornal Los Angeles Times acertou. Usou sempre a mesma amostra, conseguindo detectar melhor a tendência do eleitorado.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Trump é maior perdedor no voto popular a chegar à Casa Branca

O magnata imobiliário Donald Trump perdeu a eleição presidencial de 8 de novembro de 2016 no voto popular por uma diferença de 2,8 milhões. É o maior perdedor no voto popular a chegar à Presidência dos Estados Unidos graças ao arcaico Colégio Eleitoral.

A vantagem da ex-secretária de Estado Hillary Clinton supera em muito os 554 mil votos a mais do vice-presidente Al Gore contra o republicano George W. Bush no ano 2000. Bush acabou vencendo por cerca de 500 votos na recontagem da Flórida.

Com os 25 votos eleitorais do estado onde seu irmão Jeb Bush era governador e organizador da eleição, George W. foi eleito presidente. Foi a única vez no século 20 em que o presidente eleito não venceu no voto popular. Os outros casos aconteceram no século 19.

O presidente dos EUA é eleito por um Colégio Eleitoral formado por 538 delegados representantes dos estados, equivalente ao número de deputados e senadores de cada estado. Mas a divisão não é proporcional. Por mais apertada que seja a disputa, o vencedor leva todos os votos eleitorais de cada estado, o que pode gerar esta contradição entre o voto popular e o Colégio Eleitoral.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Trump alega fraude para justificar derrota no voto popular

Em mais uma declaração sem precedentes para um presidente eleito dos Estados Unidos, o magnata imobiliário Donald Trump afirmou ontem que perdeu a eleição no voto popular para a ex-secretária de Estado Hillary Clinton por causa de "milhões de pessoas que votaram ilegalmente".

Sem apresentar qualquer prova, Trump disparou no Twitter: "Além de ganhar no Colégio Eleitoral numa avalanche, eu também ganhei no voto popular se forem descontados os votos de milhões de pessoas que votaram ilegalmente."

O candidato do Partido Republicano venceu no Colégio Eleitoral, que reúne um número de delegados representantes dos estados igual ao número de deputados federais e senadores daquele estado. Com duas exceções, quem ganha no voto popular num estado leva todos os delegados do estado no Colégio Eleitoral. Assim, os votos no candidato derrotado não contam.

A vantagem de mais de 2 milhões de votos da candidata democrata, Hillary Clinton, no voto popular se deve à Califórnia, o maior e mais rico dos estados americanos.

Enquanto isso, a candidata do Partido Verde, Jill Stein, anunciou ter arrecadado dinheiro suficiente para pedir uma recontagem dos votos. Já fez o pedido formal em Wisconsin e pode fazer o mesmo em Michigan e na Pensilvânia. A vitória nesses três estados foi decisiva para o triunfo do candidato republicano. O presidente eleito reagiu furiosamente, acusando Hillary de não reconhecer a derrota.

Quem esperava que o presidente Trump seria diferente do candidato Trump pode se preparar para um período turbulento. O presidente eleito usa a Teoria dos Jogos numa lógica transacional, jogando uns contra os outros para manter o controle. É um presidente aprendiz, nome do programa em que Trump massacrava candidatos a emprego como um tubarão da indústria.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Trump vence na Pensilvânia praticamente garantindo eleição, diz AP

O magnata imobiliário Donald Trump, candidato do Partido Republicano, ganhou a eleição presidencial dos Estados Unidos no estado da Pensilvânia, que envia 20 delegados ao Colégio Eleitoral, praticamente selando a vitória sobre a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, do Partido Democrata, anunciou há pouco a agência de notícias Associated Press.

Com um desempenho surpreendente não previsto pelas pesquisas, Trump soma agora 268 dos 270 votos eleitorais necessários para ser o próximo presidente dos EUA. Ele também lidera nos estados de Michigan, Novo Hampshire e Wisconsin, considerados decisivos, e no Arizona, tradicionalmente dominado pelos republicanos.

Trump também vence no voto popular com mais de 1 milhão de votos de vantagem.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Hillary Clinton deve ser eleita hoje primeira mulher presidente dos EUA

Salvo uma grande surpresa que não pode ser descartada, a ex-secretária de Estado e ex-primeira-dama Hillary Clinton deve ser eleita hoje como a primeira mulher presidente dos Estados Unidos. 

Pelos cálculos do matemático Nate Silver, do sítio FiveThirtyEight, que acertou o resultado das duas eleições do presidente Barack Obama, Hillary tem 71,4% de chance de vencer o magnata imobiliário Donald Trump.

Na média das pesquisas nacionais, a vantagem de Hillary passou de 2,8 para 3,5 pontos percentuais. Esta diferença está dentro da margem de erro das pesquisas, mas a candidata do Partido Democrata também lidera na maioria dos estados decisivos em que qualquer um dos dois pode vencer.

Trump tem uma boa vantagem em Ohio, essencial para a vitória de qualquer candidato do Partido Republicano nas últimas décadas. Hillary tem uma pequena vantagem, dentro da margem de erro, na Flórida, o quarto maior estado em população, que manda 29 delegados para o Colégio Eleitoral de 538 delegados.

Nos EUA, a eleição presidencial é na prática a soma de 50 eleições estaduais. Com a exceção de dois estados que fazem uma divisão proporcional dos delegados de acordo com a votação, nos outros o vencedor leva todos os delegados.

Com a polarização do eleitorado, os democratas têm vitória certa na Califórnia, o estado mais populoso, com 55 delegados, e em Nova York, o terceiro, com 29 delegados, enquanto os republicanos costumam vencer no Texas, o segundo maior, com 38 delegados.

Assim, a Flórida é o estado mais importante em disputa. Seu eleitorado latino, dominado por exilados cubanos e seus descendentes, era tradicionalmente republicano, mas as ofensas de Trump e ameaça de deportação de imigrantes ilegais ajudaram Hillary.

Até mesmo no Texas a posição de Trump esteve ameaçada por causa do eleitorado de origem latino-americana, que é contra a proposta de construção de um muro na fronteira com o México.

Para vencer, Trump precisa da Flórida, da Ohio e de outros estados indefinidos, como Carolina do Norte, Michigan, Nevada, Novo Hampshire e Pensilvânia. Hillary está na frente nas pesquisas em todos eles, menos em Ohio.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Hillary chega ao primeiro debate com pequena vantagem

A ex-secretária de Estado Hillary Clinton, candidata do Partido Democrata à Presidência dos Estados Unidos, chega hoje ao primeiro debate com o bilionário republicano Donald Trump com uma vantagem de 2,1 pontos percentuais na média das pesquisas calculada pelo sítio RealClear Politics. Um mês atrás, tinha oito pontos de frente.

Na média, a democrata tem 45,9% das preferências contra 43,9% para o republicano. Desde que recebeu um impulso ao ser oficializada como candidata, Hillary perdeu a vantagem que tinha nos estados da Flórida, Carolina do Norte e Ohio.

Se a eleição presidencial fosse hoje, Hillary teria uma vantagem de 21 votos no Colégio Eleitoral que escolhe o presidente dos EUA com base no voto popular de cada estado. Suas chances de vitória caíram de 80% para 57%. Nos últimos dias, recuperou-se um pouco e hoje está em torno de 60%.

Nas bolsas de apostas, Hillary tem 70% de chances. Já teve 81%. Os candidatos fazem hoje à noite na televisão americana CNN o primeiro de três debates antes da eleição de 8 de novembro.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Donald Trump é o mais impopular dos aspirantes à Casa Branca

Com seu talento de showmen e homem de vendas, o bilionário Donald Trump abriu ampla vantagem nas pesquisas sobre seus concorrentes na disputa pela candidatura do Partido Republicano à Presidência dos Estados Unidos. Mas o estatístico Nate Silver, famoso por acertar o resultado das eleições presidenciais de 2008 e 2012, adverte que ele é o candidato com a maior rejeição diante do conjunto do eleitorado.

Se 33% dos eleitores têm uma imagem favorável de Trump, 58% têm uma imagem desfavorável, especialmente os democratas e os independentes, observa Silver no sítio 538.com, o número de grandes eleitores do Colégio Eleitoral que elege o presidente dos EUA com base nas votações obtidas em cada estado.

Como o partidarismo é forte nos EUA, Silver admite que muitos republicanos votariam em Trump simplesmente por ser o candidato do partido. Também reconhece que o magnata imobiliário tem instintos políticos tão agudos que pode, uma vez nomeado candidato republicano, marchar para o centro para tentar conquistar o eleitorado independente.

Uma recessão ou um atentado terrorista ajudariam o bilionário e seu estilo rolo-compressor. "Mas Trump começa com uma grande desvantagem: a maioria dos americanos simplesmente não gosta do cara", observa o matemático.

O único pré-candidato com saldo positivo entre imagem favorável e desfavorável é o senador socialista Bernie Sanders, que disputa a candidatura democrata com a ex-secretária de Estado Hillary Clinton e não tem nenhuma chance de ser escolhido, a não ser que algo catastrófico aconteça na campanha da ex-primeira-dama. Um socialista não tem nenhuma chance de ser eleito presidente dos EUA.

Hillary também enfrenta rejeição pelos escândalos e negócios do ex-presidente Bill Clinton, por ter usado uma conta de correio eletrônico pessoal quando chefiava a diplomacia americana e outros deslizes. Não é uma figura simpática. Ela tem 42% de imagem favorável e 50% desfavorável.

Trump é o pior de todos. Ao chamar os mexicanos de criminosos e estupradores, e prometer construir um muro na fronteira com o México, Trump ergueu um muro entre o partido e o eleitorado de origem latino-americana. Quando ameaçou proibir a entrada de muçulmanos nos EUA, violou o princípio de liberdade religiosa inscrito na Constituição e alienou outra parcela do eleitorado.

Nas últimas pesquisas para a eleição presidencial de 8 de novembro de 2016, Clinton tem uma vantagem de cinco pontos percentuais sobre Trump e fica praticamente empatada com o senador pela Flórida Marco Rubio, descendente de imigrantes cubanos, que aparece em terceiro na disputa pela candidatura republicana e seria hoje o preferido da cúpula do partido.

Talvez só o senador texano Ted Cruz, filho de pai cubano, seja um candidato pior do Trump, na análise de Silver. O eleitorado americano rejeita candidatos a presidente extremistas e Cruz é o candidato à Casa Branca mais conservador desde Barry Goldwater, em 1964.

"Mas o fato de Cruz ser um mau candidato não torna Trump bom", conclui o estatístico. "É uma perplexidade que as elites republicanas tenham se resignado a nomear Trump ou Cruz quando outros nove candidatos estão concorrendo e ninguém votou até agora."

As eleições primárias começam em 1º de fevereiro.

sábado, 10 de novembro de 2012

Vitória de Obama na Flórida é confirmada

Quatro dias depois da eleição presidencial nos Estados Unidos, chegou ao fim a contagem dos votos na Flórida. O presidente Barack Obama venceu com 50% dos votos contra 49,1% para o ex-governador Mitt Romney. A diferença foi de 74 mil.

Obama terá 332 delegados e Romney 206 no Colégio Eleitoral, que se reúne em 17 de dezembro de 2012, para concluir o processo de escolha do presidente dos EUA.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Emenda propõe bônus pelo voto popular nos EUA

Uma proposta de emenda constitucional de um deputado do Partido Democrata quer dar um bônus de 29 votos no Colégio Eleitoral para o candidato que vencer a eleição presidencial dos Estados Unidos no voto popular.

Ao contrário que muita gente pensa, a eleição presidencial americana não é direta. O vencedor em cada estado leva todos os delegados daquele estado num Colégio Eleitoral de 538 membros que dá o voto final.

Como a democracia era novidade e temiam-se os riscos de que o voto popular levasse ao poder um presidente desqualificado, os fundadores incluíram este colégio na Constituição dos EUA para avalizar a eleição do presidente. O sistema nunca mudou porque nunca houve uma ruptura institucional.

Para mudar a Constituição, são necessários dois terços dos votos na Câmara e no Senado e a aprovação de 75% dos estados, já que o país é uma federação. Esse sistema dá uma força relativamente maior aos estados menores.

Até a eleição de Jimmy Carter, em 1976, a eleição era disputada em pelo menos 40 estados. Com a cristalização ideológica acontecida desde que Ronald Reagan atraiu a direita religiosa para o Partido Republicano, desde então os democratas tendem a ganhar nos estados da costa Oeste (Califórnia, Oregon e Washington) e na região Nordeste, de Nova York, Washington e da Nova Inglaterra até os Grandes Lagos, a parte mais cosmopolita e mais aberta para o mundo. O Partido Republicano é mais forte no Centro-Sul.

Nesta eleição, os estados-pêndulo, que podem ir para qualquer lado, os estados-chaves são apenas : Colorado, Flórida, Iowa, Ohio, Novo Hampshire, Virgínia e Wisconsin. A reta final da campanha se concentra nestes estados.

Para mudar esta realidade, o deputado federal nova-iorquino Steve Israel, coordenador da campanha democrata à Câmara, quer dar 29 votos a mais no Colégio Eleitoral ao vencedor no voto popular: "Os estados-pêndulo manteriam sua importância, mas os 29 delegados a mais mudaria fundamentalmente o foco das campanhas. Os candidatos se empenhariam em conquistar votos tanto nos estados onde não têm chance de ganhar como nos onde não têm chance de perder." 

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Obama está eleito presidente dos EUA

O senador Barack Obama será o primeiro negro a presidir os Estados Unidos, o que já é uma revolução em si.

As redes de televisão BBC e Fox News acabam de anunciar que Obama ganhou o estado de Ohio. Nenhum republicano chegou à Casa Branca sem ganhar em Ohio. Lá, foi decidida a eleição presidencial de 2004 em favor de George Walker Bush.

Na contagem de delegados no Colégio Eleitoral, as projeções da Fox dão 200 votos eleitorais a Obama e 90 a McCain. Como ainda falta contar os votos do maior estado americano em população, a Califórnia, que dará com certeza 55 delegados a Obama, e o candidato democrata lidera em vários estados, dá para concluir tranqüilamente que Obama ganhou.

Como o Colégio Eleitoral, que se reúne em 15 de dezembro, tem 538 delegados, o número necessário para ser presidente dos EUA é 270.

domingo, 2 de novembro de 2008

Média das pesquisas dá Obama seis pontos à frente

A dois dias das eleições nos Estados Unidos, o senador oposicionista Barack Obama tem seis pontos de vantagem sobre o senador republicano John McCain na disputa pela Casa Branca.

Na pesquisa das pesquisas feita pela rede de televisão CNN, Obama tem 50% das preferências contra 43% para o senador John McCain. Como há 6% de indecisos, a eleição presidencial ainda está indefinida.

Já as pesquisas estado por estado dão ao candidato democrata cerca de 300 votos no Colégio Eleitoral que vai eleger de fato o novo presidente dos Estados Unidos, em 15 de dezembro. A expectativa é também de um aumento da maioria do Partido Democrata na Câmara e no Senado.

Leia mais na edição deste domingo do jornal The Washington Post.