Piloto de avião da Marinha dos Estados Unidos abatido em Hanói na Guerra do Vietnã (1964-71), John McCain ficou cinco anos e meio preso no Vietnã do Norte, onde foi torturado, o que o tornou um ativista contra a tortura, especialmente depois dos atentados de 11 de setembro.
Libertado, foi eleito para a Câmara em 1982 e 1984 e para o Senado pelo estado do Arizona desde 1986. Em 2008, disputou a eleição presidencial pelo Partido Republicano contra Barack Obama. Ele morreu hoje aos 81 anos de um câncer no cérebro.
McCain tinha um tipo de câncer muito agressivo chamado de glioblastoma, descoberto em julho de 2017. Fez radioterapia e quimioterapia para enfrentar a doença. Ontem, a família anunciou que havia suspendido o tratamento.
Mesmo em estado grave, McCain foi ao Senado votar contra a tentativa do presidente Donald Trump de revogar o Lei de Tratamento de Saúde a Preços Acessíveis, o programa do governo Barack Obama para oferecer assistência médica a todos os americanos. Ele não votou, mas apoiou, os cortes de imposto e foi importante para sua aprovação. Manteve a coerência até o fim.
Desde 7 de dezembro do ano passado, quando deu seu último voto, não ia mais ao Senado.
Filho e neto de almirantes, John Sidney McCain III nasceu em 29 de agosto de 1936 na Zona do Canal do Panamá. Era parte de uma família que lutou em todas as guerras dos EUA desde a independência.
Herói do Vietnã, ele se tornou um personagem importante da política americana no ano 2000, quando disputou a candidatura do Partido Republicano à Casa Branca com George Walker, que seria eleito e reeleito.
O senador cruzou os EUA com um ônibus chamado de Expresso do Papo Reto, onde respondia perguntas a diferentes grupos de repórteres e tratava diretamente, sem rodeios, dos problemas da nação. Ganhou a primeira eleição primária, no estado de Novo Hampshire, mas depois de uma derrota na Carolina do Sul deixou de ameaçar a campanha vitoriosa de Bush.
Apesar da derrota, McCain considerou a campanha das primárias "uma grande diversão". Especialista em segurança, defesa e política internacional, era um dos falcões da linha dura no Congresso. Sempre advertia que a Rússia continuava sendo inimiga dos EUA no mundo pós-Guerra Fria.
Em 2008, conquistou a candidatura do partido e indicou a governadora do Alasca, Sarah Palin, para vice-presidente, estridente e despreparada. Seu preferido seria o senador Joe Lieberman. Por causa da idade e da juventude de Obama, aceitou Palin. Os críticos o acusam de ter estimulado o crescimento da ala populista do partido.
Durante a campanha eleitoral de 2016, criticou Trump, chamando o atual presidente de "mal informado" e "impulsivo". No ano passado, alertou para o risco de "um nacionalismo mal passado e espúrio, uma armação de pessoas mais interessados em encontrar bodes expiatório do que em resolver problemas."
Do alto de seu narcisismo, Trump contra-atacou. Desprezou o herói nacional, dizendo que "ele virou herói porque foi capturado, gosto dos que não são presos" e o criticou várias vezes por não votar contra o fim do programa de saúde de Obama.
Com temperamento explosivo, McCain foi movido por sua lealdade às Forças Armadas, o conservadorismo e sua ousadia em combate. Rebelde, tinha problemas com a disciplina militar quando seu avião foi abatido durante um bombardeio a Hanói, a capital norte-vietnamita.
Como seu pai era o comandante-em-chefe das Forças dos EUA no Pacífico, McCain era um prisioneiro de guerra muito especial, um trunfo para o regime comunista vietnamita. Com os dois braços quebrados, foi submetido à tortura. Passou dois anos em confinamento.
Durante os cinco anos de meio de prisão, foi espancado com frequência, uma vez por até dez vietnamitas ao mesmo tempo. Tentou o suicídio duas vezes. Foi solto em março de 1973, quando os EUA fecharam um acordo de paz com o regime comunista do Vietnã do Norte, que em 1975 conquistaria o Sul, acabando com a guerra.
Para milhões de americanos, McCain virou um símbolo da resistência e da coragem, de um espírito de luta que não se entrega mesmo quando fisicamente quebrado e psicologicamente abalado. Nunca mais conseguiu erguer os braços acima do ombro, por causa dos ferimentos sofridos na queda do avião e das torturas que sofreu.
Trump não foi convidado para o enterro. Os ex-presidente George W. Bush e Barack Obama, e o vice-presidente Mike Pence, prestarão as homenagens.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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sábado, 25 de agosto de 2018
quinta-feira, 15 de março de 2012
Ex-governador vai para a cadeia por corrupção
O ex-governador de Illinois Rod Blagojevich se apresenta hoje numa prisão para começar a cumprir uma pena de 14 anos de cadeia a que foi condenado por tentar vender a vaga aberta no Senado dos Estados Unidos com a eleição de Barack Obama para a Casa Branca, entre outras denúncias de corrupção.
Pela lei americana, cada estado tem o direito de decidir como preenche uma vaga de senador aberta no meio do mandato. No caso de Illinois, a indicação cabe ao governador, que tentou leiloar a cadeira de Obama.
Blagojevich foi considerado culpado de 17 acusações. Em entrevista diante de sua casa, ele prometeu continuar lutando na Justiça por sua inocência.
Pela lei americana, cada estado tem o direito de decidir como preenche uma vaga de senador aberta no meio do mandato. No caso de Illinois, a indicação cabe ao governador, que tentou leiloar a cadeira de Obama.
Blagojevich foi considerado culpado de 17 acusações. Em entrevista diante de sua casa, ele prometeu continuar lutando na Justiça por sua inocência.
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Ex-candidato a presidente é denunciado nos EUA
O ex-senador e ex-aspirante à candidatura do Partido Democrata à Presidência dos Estados Unidos John Edwards foi denunciado criminalmente por um júri popular da Justiça Federal no estado da Carolina do Norte.
Edwards será processado por seis acusações. A denúncia inclui conspiração, recebimento de contribuições ilegais, declarações falsas e desvio de dinheiro da campanha eleitoral para encobrir uma relação extraconjugal e a gravidez da amante, que prejudicariam sua campanha em 2008, noticiam os jornais The The New York Times e The Washington Post.
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
Obama pede pressa com pacote de estímulo
Na sua primeira entrevista coletiva como presidente eleito dos Estados Unidos, o senador Barack Obama declarou que gostaria de ver um plano de estímulo econômico aprovado antes da sua posse, em 20 de janeiro. Suas prioridades serão a retomada do crescimento e do emprego. Nos dois últimos meses, a economia americana perdeu 524 mil empregos.
Obama falou no fim da tarde e fez questão de deixar claro que os EUA têm um só presidente de cada vez. Ele toma posse em 20 de janeiro e já conversou com todos os ex-presidentes vivos: Jimmy Carter, George Bush sr., George W. Bush e Bill Clinton. Na segunda, a família Obama será recebida na Casa Branca pelos Bush.
Depois de dizer que "uma crise global exige uma resposta global", o novo presidente americano afirmou que "a indústria automobilística é a espinha dorsal do setor manufatureiro dos EUA" e prometeu ajudar as fábricas de automóveis a se modernizarem e investirem em eficiência energética. Também ficou de garantir a estabilidade do mercado financeiro sem beneficiar os executivos responsáveis pela crise e ajudar os mutuários ameaçados de perder as casas que estão comprando.
O presidente eleito disse ainda que os EUA são um país forte, com grande capacidade de recuperação, e defendeu a aprovação de "um pacote de estímulo econômico antes ou depois da posse" para restabelecer a confiança do consumidor.
"Quero ver um pacote de estímulo aprovado logo", acrescentou, respondendo à primeira pergunta dos repórteres.
Como ele se comprometeu na campanha a negociar diretamente com inimigos dos EUA e recebeu uma carta do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, a próxima questão foi sobre como Obama pretende se aproximar do Irã: "Um Irã com armas nucleares é inaceitável. O Irã deve parar de apoiar o terrorismo. A carta de Ahmadinejad terá uma resposta adequada", respondeu o presidente eleito, com visível cautela.
Ele agradeceu o convite de Bush para visitar a Casa Branca e, reconhecendo a gravidade da situação econômica, reiterou o compromisso de tomar iniciativas bipartidárias: "O povo americano precisa de ajuda. A situação está mal. Precisamos fazer a economia avançar".
Ao contrário do que se esperava ontem, Obama não indicou nenhum novo nome para o futuro governo durante a entrevista coletiva, mas garantiu que terá "uma equipe de primeira". Já escolheu o chefe da Casa Civil da Casa Branca, o deputado Rahm Emanuel, conhecido pelo apelido de Rambo.
Sua indicação gerou protestos do Partido Republicano, que alegou que Rambo não é o nome ideal para incentivar ações bipartidárias.
Obama não quis comentar o primeiro relatório dos serviços secretos que recebeu como futuro presidente.
Obama falou no fim da tarde e fez questão de deixar claro que os EUA têm um só presidente de cada vez. Ele toma posse em 20 de janeiro e já conversou com todos os ex-presidentes vivos: Jimmy Carter, George Bush sr., George W. Bush e Bill Clinton. Na segunda, a família Obama será recebida na Casa Branca pelos Bush.
Depois de dizer que "uma crise global exige uma resposta global", o novo presidente americano afirmou que "a indústria automobilística é a espinha dorsal do setor manufatureiro dos EUA" e prometeu ajudar as fábricas de automóveis a se modernizarem e investirem em eficiência energética. Também ficou de garantir a estabilidade do mercado financeiro sem beneficiar os executivos responsáveis pela crise e ajudar os mutuários ameaçados de perder as casas que estão comprando.
O presidente eleito disse ainda que os EUA são um país forte, com grande capacidade de recuperação, e defendeu a aprovação de "um pacote de estímulo econômico antes ou depois da posse" para restabelecer a confiança do consumidor.
"Quero ver um pacote de estímulo aprovado logo", acrescentou, respondendo à primeira pergunta dos repórteres.
Como ele se comprometeu na campanha a negociar diretamente com inimigos dos EUA e recebeu uma carta do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, a próxima questão foi sobre como Obama pretende se aproximar do Irã: "Um Irã com armas nucleares é inaceitável. O Irã deve parar de apoiar o terrorismo. A carta de Ahmadinejad terá uma resposta adequada", respondeu o presidente eleito, com visível cautela.
Ele agradeceu o convite de Bush para visitar a Casa Branca e, reconhecendo a gravidade da situação econômica, reiterou o compromisso de tomar iniciativas bipartidárias: "O povo americano precisa de ajuda. A situação está mal. Precisamos fazer a economia avançar".
Ao contrário do que se esperava ontem, Obama não indicou nenhum novo nome para o futuro governo durante a entrevista coletiva, mas garantiu que terá "uma equipe de primeira". Já escolheu o chefe da Casa Civil da Casa Branca, o deputado Rahm Emanuel, conhecido pelo apelido de Rambo.
Sua indicação gerou protestos do Partido Republicano, que alegou que Rambo não é o nome ideal para incentivar ações bipartidárias.
Obama não quis comentar o primeiro relatório dos serviços secretos que recebeu como futuro presidente.
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
Obama faz discurso da vitória
O senador Barack Obama está fazendo neste momento o discurso da vitória como novo presidente dos Estados Unidos, em Chicago, no estado de Illinois, que representa no Senado. É um momento histórico.
"Alô, Chicago!", declarou Obama. "Se alguém tinha dúvida de que os EUA são um lugar onde tudo pode acontecer, que o sonho dos nossos fundadores está vivo, da força de nossa democracia, aqui está a resposta."
Obama disse que sua eleição foi resultado de um movimento que se espalhou por praças e ruas, escolas e igrejas, atraindo jovens e velhos, brancos, negros, latinos, asiáticos, gays e heterossexuais, pessoas sadias e com deficiência numa grande corrente para mudar os EUA.
"Foi um longo caminho", acrescentou o novo presidente americano. "Neste momento de definição, a mudança chegou aos EUA. Há pouco, recebi um telefonema elegante do senador John McCain me cumprimentando pela vitória. Ele fez sacrifícios por este país que mal podemos imaginar".
Também elogiou a candidata a vice-presidente na chapa republicana, governadora Sarah Palin: "Pretendo trabalhar com eles para recuperar este país".
Em seguida, agradeceu o apoio de seu companheiro de chapa, o vice-presidente eleito, Joe Biden, "que me acompanhou nesta jornada". Biden será seu principal conselheiro na tarefa de governar.
Ao escolher Biden, Obama admitiu implicitamente sua falta de experiência administrativa e em política externa, uma das principais críticas que sofreu tanto de McCain quanto da senadora Hillary Clinton, quando eles disputavam a candidatura do Partido Democrata.
O maior agradecimento foi para "minha maior amiga nesses últimos 16 anos, a base da minha família e o amor da minha vida, a minha mulher, Michelle Obama" e às filhas Sasha e Malia: "Amo vocês duas mais do que vocês possam imaginar, e vocês vão ganhar um novo cachorrinho para levar para a Casa Branca."
Esse tom suave, coloquial e familiar foi uma das marcas do discurso de Obama durante quase dois anos de campanha, um tom sereno e seguro de quem não perde o controle diante da adversidade.
Ele ainda lembrou a avó materna, que ajudou a criá-lo. Ela morreu às vésperas da eleição. "Minha avó está assistindo. Sinto falta da família que me criou esta noite. Obrigado por toda a ajuda que me deu".
Obama cumprimentou o estrategista-chefe, David Axelrod, e "a melhor equipe jamais formada e a melhor campanha da História da Política".
"Mas esta vitória pertence a vocês", prosseguiu. "Foi construída por homens e mulheres que trabalharam sem parar, por jovens que rejeitaram a apatia política associada à sua geração e a não tão jovens, a milhões de organizadores que provaram: mais de 200 anos depois da fundação dos EUA ainda é possível um governo do povo, pelo povo e para o povo. Esta é a sua vitória."
De volta aos desafios concretos que o esperam a partir de 20 de janeiro, Obama lembrou que os EUA estão em guerra no Iraque e no Afeganistão, enfrentam a pior crise econômica em 70 anos. Alguns se acordam sem saber se os filhos estão vivos nas frentes de batalha, enquanto outros não dormem por causa das prestações da casa, as despesas médicas ou o custo da universidade.
"A estrada será longa", admitiu o presidente eleito. "A subida será íngreme. Talvez não se chegue lá em um ano nem em um mandato. Mas nós, como povo, vamos chegar lá, com um novo espírito de serviço e sacrifício, com patriotismo e responsabilidade, cuidando uns dos outros. Não pode haver sucesso em Wall Street sem sucesso na Main Street [rua principal, referência aos centros de comércio]. Subimos ou caímos juntos."
Num gesto para se aproximar da futura oposição, Obama recordou que Chicago deu o primeiro presidente eleito pelo Partido Republicano, Abraham Lincoln, o presidente da Guerra da Secessão (1961-65), que enfrentou os estados escravagistas do Sul para manter a União.
"Lincoln chegou a Washington com uma mensagem de liberdade individual e unidade nacional", afirmou. "Como Lincoln disse, numa situação muito pior do que essa, não somos inimigos. Somos amigos. Vocês podem não ter votado em mim hoje, mas eu ouvi suas vozes."
Para o resto do mundo, falou no "amanhecer de uma nova liderança americana", prometendo derrotar os inimigos e apoiar quem quiser paz e segurança.
"Nossa verdadeira força, nosso poder duradouro vêm dos nossos ideais: liberdade, democracia e uma esperança sem limites", argumentou Obama, citando uma velhinha afro-americana, Ann Nixon-Cooper, de 106 anos, que passou por momentos de dureza e humiliação: "Ela sabe como os EUA mudaram".
E concluiu: "Esta é nossa hora. Este é nosso tempo de levar as pessoas de volta ao trabalho, de recriar o sonho americano", conclamou o presidente. "Quando nos defrontamos com o cinismo, nós dizemos: sim, nós podemos", o lema de sua campanha.
"Alô, Chicago!", declarou Obama. "Se alguém tinha dúvida de que os EUA são um lugar onde tudo pode acontecer, que o sonho dos nossos fundadores está vivo, da força de nossa democracia, aqui está a resposta."
Obama disse que sua eleição foi resultado de um movimento que se espalhou por praças e ruas, escolas e igrejas, atraindo jovens e velhos, brancos, negros, latinos, asiáticos, gays e heterossexuais, pessoas sadias e com deficiência numa grande corrente para mudar os EUA.
"Foi um longo caminho", acrescentou o novo presidente americano. "Neste momento de definição, a mudança chegou aos EUA. Há pouco, recebi um telefonema elegante do senador John McCain me cumprimentando pela vitória. Ele fez sacrifícios por este país que mal podemos imaginar".
Também elogiou a candidata a vice-presidente na chapa republicana, governadora Sarah Palin: "Pretendo trabalhar com eles para recuperar este país".
Em seguida, agradeceu o apoio de seu companheiro de chapa, o vice-presidente eleito, Joe Biden, "que me acompanhou nesta jornada". Biden será seu principal conselheiro na tarefa de governar.
Ao escolher Biden, Obama admitiu implicitamente sua falta de experiência administrativa e em política externa, uma das principais críticas que sofreu tanto de McCain quanto da senadora Hillary Clinton, quando eles disputavam a candidatura do Partido Democrata.
O maior agradecimento foi para "minha maior amiga nesses últimos 16 anos, a base da minha família e o amor da minha vida, a minha mulher, Michelle Obama" e às filhas Sasha e Malia: "Amo vocês duas mais do que vocês possam imaginar, e vocês vão ganhar um novo cachorrinho para levar para a Casa Branca."
Esse tom suave, coloquial e familiar foi uma das marcas do discurso de Obama durante quase dois anos de campanha, um tom sereno e seguro de quem não perde o controle diante da adversidade.
Ele ainda lembrou a avó materna, que ajudou a criá-lo. Ela morreu às vésperas da eleição. "Minha avó está assistindo. Sinto falta da família que me criou esta noite. Obrigado por toda a ajuda que me deu".
Obama cumprimentou o estrategista-chefe, David Axelrod, e "a melhor equipe jamais formada e a melhor campanha da História da Política".
"Mas esta vitória pertence a vocês", prosseguiu. "Foi construída por homens e mulheres que trabalharam sem parar, por jovens que rejeitaram a apatia política associada à sua geração e a não tão jovens, a milhões de organizadores que provaram: mais de 200 anos depois da fundação dos EUA ainda é possível um governo do povo, pelo povo e para o povo. Esta é a sua vitória."
De volta aos desafios concretos que o esperam a partir de 20 de janeiro, Obama lembrou que os EUA estão em guerra no Iraque e no Afeganistão, enfrentam a pior crise econômica em 70 anos. Alguns se acordam sem saber se os filhos estão vivos nas frentes de batalha, enquanto outros não dormem por causa das prestações da casa, as despesas médicas ou o custo da universidade.
"A estrada será longa", admitiu o presidente eleito. "A subida será íngreme. Talvez não se chegue lá em um ano nem em um mandato. Mas nós, como povo, vamos chegar lá, com um novo espírito de serviço e sacrifício, com patriotismo e responsabilidade, cuidando uns dos outros. Não pode haver sucesso em Wall Street sem sucesso na Main Street [rua principal, referência aos centros de comércio]. Subimos ou caímos juntos."
Num gesto para se aproximar da futura oposição, Obama recordou que Chicago deu o primeiro presidente eleito pelo Partido Republicano, Abraham Lincoln, o presidente da Guerra da Secessão (1961-65), que enfrentou os estados escravagistas do Sul para manter a União.
"Lincoln chegou a Washington com uma mensagem de liberdade individual e unidade nacional", afirmou. "Como Lincoln disse, numa situação muito pior do que essa, não somos inimigos. Somos amigos. Vocês podem não ter votado em mim hoje, mas eu ouvi suas vozes."
Para o resto do mundo, falou no "amanhecer de uma nova liderança americana", prometendo derrotar os inimigos e apoiar quem quiser paz e segurança.
"Nossa verdadeira força, nosso poder duradouro vêm dos nossos ideais: liberdade, democracia e uma esperança sem limites", argumentou Obama, citando uma velhinha afro-americana, Ann Nixon-Cooper, de 106 anos, que passou por momentos de dureza e humiliação: "Ela sabe como os EUA mudaram".
E concluiu: "Esta é nossa hora. Este é nosso tempo de levar as pessoas de volta ao trabalho, de recriar o sonho americano", conclamou o presidente. "Quando nos defrontamos com o cinismo, nós dizemos: sim, nós podemos", o lema de sua campanha.
MCain reconhece derrota e elogia Obama
O senador John McCain, recém-derrotado na disputa pela Presidência dos Estados Unidos, acaba de reconhecer a derrota e de fazer inúmeros elogios senador e presidente eleito Barack Obama.
"Tive a honra de congratular há pouco o senador Barack Obama", disse McCain. "Esta é uma eleição histórica. Entendo o orgulho dos afro-americanos. Vejo este país como uma terra de oportunidades para todos. O senador Obama também acredita nisso."
McCain prometeu trabalhar ao lado de Obama na busca de soluções para a crise e para a defesa dos EUA. Não faltaram elogios para sua vice, a governadora Sarah Palin, "que tem grandes serviços a prestar ao Alasca, ao Partido Republicano e ao país".
Foi um discurso honrado e elegante, de um soldado e herói de guerra. Terminou com a promessa de não se render jamais.
"Tive a honra de congratular há pouco o senador Barack Obama", disse McCain. "Esta é uma eleição histórica. Entendo o orgulho dos afro-americanos. Vejo este país como uma terra de oportunidades para todos. O senador Obama também acredita nisso."
McCain prometeu trabalhar ao lado de Obama na busca de soluções para a crise e para a defesa dos EUA. Não faltaram elogios para sua vice, a governadora Sarah Palin, "que tem grandes serviços a prestar ao Alasca, ao Partido Republicano e ao país".
Foi um discurso honrado e elegante, de um soldado e herói de guerra. Terminou com a promessa de não se render jamais.
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Últimas pesquisas confirmam favoritismo
O senador democrata Barack Obama chega à eleição presidencial nos Estados Unidos com uma vantagem de 11 pontos sobre o senador republicano John McCain na pesquisa nacional da agência de notícias Reuters e do instituto Zogby.
Obama também lidera em cinco dos oito estados considerados decisivos na eleição de hoje.
Confira os números da pesquisa Reuters/Zogby.
Obama também lidera em cinco dos oito estados considerados decisivos na eleição de hoje.
Confira os números da pesquisa Reuters/Zogby.
Obama está perto de uma eleição histórica
O senador Barack Obama é o franco favorito para se tornar hoje o primeiro negro a conquistar a Presidência dos Estados Unidos, um país que nos 60 ainda vivia sob um regime de segragação racial nos estados do Sul.
As pesquisas precisam estar muito erradas para não dar Obama, e não é essa a tradição americana. Em 1948, a vitória do presidente Harry Truman sobre John Dewey foi uma surpresa, mas os institutos de pesquisa evoluíram desde aquela época. Temos perfis dos candidatos, os desafios do próximo presidente, o mapa eleitoral.
Em alguns estados do Leste, a votação termina às 21h30 pelo horário de verão em Brasília. Talvez saia algum resultado, mas não tem a menor chance de matar a charada.
Uma hora depois, a votação estará encerrada em toda o Leste, incluindo Flórida, Virgínia, Pensilvânia, Ohio e Carolina do Norte. Ainda assim, se a disputa for apertada, a expectativa pode se estender pela madrugada, como aconteceu com a Flórida em 2000, que acabou no tapetão. Se for uma avalanche, o resultado sai cedo.
Confira aqui o mapa eleitoral com a distribuição de votos por estado no Colégio Eleitoral.
É um momento histórico. Há um ano, quem iria imaginar que um negro poderia ser eleito presidente dos EUA? Num país com o passado segregacionista como os EUA, é uma revolução. É uma vitória póstuma do reverendo Martin Luther King jr.
No seu famoso discurso Eu Tenho um Sonho, Luther King disse que sonhava que "um dia meus filhos não serão julgados pela cor de sua pela mas pela nobreza de seu caráter". Para a população negra americana, esse dia chegou. É uma redenção.
Leia no jornal francês Le Monde algumas questões importantes para entender melhor esta eleição histórica.
Em tese, Obama será também o presidente dos EUA mais à esquerda desde John Kennedy (1961-63), um liberal da Nova Inglaterra.
Seu vice e sucessor Lyndon Johnson (1963-69), era um fazendeiro do Texas, que na época votava nos democratas. Seguiram-no os republicanos Richard Nixon, arquiconservador, e Gerald Ford, um moderado.
O próximo presidente democrata, Jimmy Carter (1977-81) era um fazendeiro de amendoin na Geórgia. Estava longe de ser um revolucionário.
Veio a era do ultraconservador Ronald Reagan (1981-89) seguido pelo pragmático George Bush, sr. (1989-93).
Em 1992, com Bill Clinton (1993-2001), governador de um estado atrasado do Sul, os democratas retomaram a Casa Branca. Ele fez chapa com Al Gore, outro político conservador e sulista dentro do Partido Democrata.
Era uma chapa Sul-Sul, contrariando a regra de escolher um do Sul e um do Norte, a velha divisão do país da Guerra da Secessão (1861-65), a pior guerra da História dos EUA. Aliás, a Guerra do Iraque já é mais longa do que a guerra civil americana e do que a participação dos EUA na Segunda Guerra Mundial.
Da eleição de Ronald Reagan para cá, a divisão foi mais entre os estados cosmopolitas da Nova Inglaterra, da Costa Oeste e da região dos Grandes Lagos, na fronteira com o Canadá, que votam nos democratas, em contraposição à América Profunda, autocentrada e ignorante do resto do mundo, a turma que a gente vê de chapéu de vaqueiro nos comícios do McCain.
As pesquisas precisam estar muito erradas para não dar Obama, e não é essa a tradição americana. Em 1948, a vitória do presidente Harry Truman sobre John Dewey foi uma surpresa, mas os institutos de pesquisa evoluíram desde aquela época. Temos perfis dos candidatos, os desafios do próximo presidente, o mapa eleitoral.
Em alguns estados do Leste, a votação termina às 21h30 pelo horário de verão em Brasília. Talvez saia algum resultado, mas não tem a menor chance de matar a charada.
Uma hora depois, a votação estará encerrada em toda o Leste, incluindo Flórida, Virgínia, Pensilvânia, Ohio e Carolina do Norte. Ainda assim, se a disputa for apertada, a expectativa pode se estender pela madrugada, como aconteceu com a Flórida em 2000, que acabou no tapetão. Se for uma avalanche, o resultado sai cedo.
Confira aqui o mapa eleitoral com a distribuição de votos por estado no Colégio Eleitoral.
É um momento histórico. Há um ano, quem iria imaginar que um negro poderia ser eleito presidente dos EUA? Num país com o passado segregacionista como os EUA, é uma revolução. É uma vitória póstuma do reverendo Martin Luther King jr.
No seu famoso discurso Eu Tenho um Sonho, Luther King disse que sonhava que "um dia meus filhos não serão julgados pela cor de sua pela mas pela nobreza de seu caráter". Para a população negra americana, esse dia chegou. É uma redenção.
Leia no jornal francês Le Monde algumas questões importantes para entender melhor esta eleição histórica.
Em tese, Obama será também o presidente dos EUA mais à esquerda desde John Kennedy (1961-63), um liberal da Nova Inglaterra.
Seu vice e sucessor Lyndon Johnson (1963-69), era um fazendeiro do Texas, que na época votava nos democratas. Seguiram-no os republicanos Richard Nixon, arquiconservador, e Gerald Ford, um moderado.
O próximo presidente democrata, Jimmy Carter (1977-81) era um fazendeiro de amendoin na Geórgia. Estava longe de ser um revolucionário.
Veio a era do ultraconservador Ronald Reagan (1981-89) seguido pelo pragmático George Bush, sr. (1989-93).
Em 1992, com Bill Clinton (1993-2001), governador de um estado atrasado do Sul, os democratas retomaram a Casa Branca. Ele fez chapa com Al Gore, outro político conservador e sulista dentro do Partido Democrata.
Era uma chapa Sul-Sul, contrariando a regra de escolher um do Sul e um do Norte, a velha divisão do país da Guerra da Secessão (1861-65), a pior guerra da História dos EUA. Aliás, a Guerra do Iraque já é mais longa do que a guerra civil americana e do que a participação dos EUA na Segunda Guerra Mundial.
Da eleição de Ronald Reagan para cá, a divisão foi mais entre os estados cosmopolitas da Nova Inglaterra, da Costa Oeste e da região dos Grandes Lagos, na fronteira com o Canadá, que votam nos democratas, em contraposição à América Profunda, autocentrada e ignorante do resto do mundo, a turma que a gente vê de chapéu de vaqueiro nos comícios do McCain.
Candidatos fazem maratona final nos EUA
O último dia da campanha para a Casa Branca foi marcado por uma maratona dos candidatos. Mas as batalhas foram travadas em território republicano. Isso reforça o favoritismo do senador democrata Barack Obama contra o senador republicano John McCain.
Só no estado da Pensilvânia, partidários de Obama bateram em um milhão de casas para tentar convencer os eleitores a votar. Nos Estados Unidos, o voto não é obrigatório.
O movimento dos partidários de Obama é um fator importante. Houve campanhas de alistamento eleitoral e agora, na reta final, a ordem é tirar o eleitor de casa. Ao que tudo indica o senador por Illinois conseguiu montar uma formidável máquina eleitoral.
Leia mais sobre o final da campanha no jornal francês Le Monde.
Confira o mapa eleitoral com o número de delegados de cada estado para o Colégio Eleitoral que vai eleger o presidente dos Estados Unidos em 15 de dezembro e as previsões com base nas pesquisas de intenção de voto.
Só no estado da Pensilvânia, partidários de Obama bateram em um milhão de casas para tentar convencer os eleitores a votar. Nos Estados Unidos, o voto não é obrigatório.
O movimento dos partidários de Obama é um fator importante. Houve campanhas de alistamento eleitoral e agora, na reta final, a ordem é tirar o eleitor de casa. Ao que tudo indica o senador por Illinois conseguiu montar uma formidável máquina eleitoral.
Leia mais sobre o final da campanha no jornal francês Le Monde.
Confira o mapa eleitoral com o número de delegados de cada estado para o Colégio Eleitoral que vai eleger o presidente dos Estados Unidos em 15 de dezembro e as previsões com base nas pesquisas de intenção de voto.
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
Obama lidera na véspera da eleição americana
Na véspera das eleições de 4 de novembro nos Estados Unidos, o senador democrata Barack Obama mantém seu favoritismo na corrida à Casa Branca contra o senador republicano John McCain.
A média das pesquisas feita pela rede de televisão americana CNN dá sete pontos percentuais de vantagem a Obama. São milhões de eleitores.
Na pesquisa do jornal The Wall St. Journal e da rede de televisão NBC, a vantagem do democrata é ainda maior 51%-43%, mas caiu um pouco. Há uma semana, era de 10 pontos percentuais nesta pesquisa.
A média das pesquisas feita pela rede de televisão americana CNN dá sete pontos percentuais de vantagem a Obama. São milhões de eleitores.
Na pesquisa do jornal The Wall St. Journal e da rede de televisão NBC, a vantagem do democrata é ainda maior 51%-43%, mas caiu um pouco. Há uma semana, era de 10 pontos percentuais nesta pesquisa.
domingo, 2 de novembro de 2008
Média das pesquisas dá Obama seis pontos à frente
A dois dias das eleições nos Estados Unidos, o senador oposicionista Barack Obama tem seis pontos de vantagem sobre o senador republicano John McCain na disputa pela Casa Branca.
Na pesquisa das pesquisas feita pela rede de televisão CNN, Obama tem 50% das preferências contra 43% para o senador John McCain. Como há 6% de indecisos, a eleição presidencial ainda está indefinida.
Já as pesquisas estado por estado dão ao candidato democrata cerca de 300 votos no Colégio Eleitoral que vai eleger de fato o novo presidente dos Estados Unidos, em 15 de dezembro. A expectativa é também de um aumento da maioria do Partido Democrata na Câmara e no Senado.
Leia mais na edição deste domingo do jornal The Washington Post.
Na pesquisa das pesquisas feita pela rede de televisão CNN, Obama tem 50% das preferências contra 43% para o senador John McCain. Como há 6% de indecisos, a eleição presidencial ainda está indefinida.
Já as pesquisas estado por estado dão ao candidato democrata cerca de 300 votos no Colégio Eleitoral que vai eleger de fato o novo presidente dos Estados Unidos, em 15 de dezembro. A expectativa é também de um aumento da maioria do Partido Democrata na Câmara e no Senado.
Leia mais na edição deste domingo do jornal The Washington Post.
terça-feira, 28 de outubro de 2008
Um presidente dos EUA que o mundo pode amar
Se as pesquisas estiverem corretas, daqui a uma semana o senador Barack Obama deve ser eleito o primeiro presidente negro dos Estados Unidos em 4 de novembro, batendo o senador republicano John McCain, um veterano que foi prisioneiro de guerra no Vietnã.
Um presidente negro no país que há pouco mais de 40 anos tinha segregação racial já é uma revolução. Mais importante ainda, Obama é um presidente dos EUA que o resto do mundo pode amar. Essa é uma enorme vantagem para um país que perdeu prestígio e autoridade moral sob o governo de George W. Bush.
Obama representaria a volta do poder suave, sutil, de persuasão. O poder da comunicação, o cinema de Hollywood, o rock’n’roll, os blues e o jazz, blue jeans e também a Coca-Cola, o Cadillac e outras marcas contribuíram mais para a vitória na Guerra Fria dos que as armas, observa o professor Joseph Nye, ex-subsecretário da Defesa no governo Clinton.
A vitória na Guerra Fria foi uma vitória do estilo de vida americano.
O governo George W., dominado pelos neoconservadores, se propunha a tirar as vantagens que os EUA não teriam tirado sob Bill Clinton (1993-2001) da vitória na Guerra Fria, que eles atribuíam ao presidente Ronald Reagan (1981-89). Acabou jogando fora o prestígio ao invadir o Iraque com um pretexto furado.
Nunca o antiamericanismo foi tão forte no mundo. Sempre foi forte na América Latina, pelo domínio imperial que os EUA exerceram historicamente sobre o resto do continente.
Hoje, é mais radical no mundo muçulmano, mas em poucos países do mundo os EUA têm uma imagem favorável – e a crise financeira só agrava a situação: os modelos americanos estão em baixa.
Não basta uma eleição presidencial para mudar. Mas já é um bom começo. O maior comício da campanha de Obama foi um discurso para 200 mil pessoas em Berlim.
Barack Hussein Obama II nasceu em 4 de agosto de 1961, em Honolulu, Havaí, filho de pai queniano de mesmo nome e de Ann Dunham, uma americana branca do Kansas, um dos estados mais conservadores dos EUA. Eles se conheceram na Universidade do Havaí e se separam quando Obama tinha dois anos.
Ele foi morar com a mãe na Indonésia, onde ficou até 10 anos, quando voltou a Honolulu para morar com os avós.
Depois de terminar o ensino médio, Barack Obama foi fazer faculdade em Los Angeles, mas acabou se transferindo para a Universidade de Colúmbia, em Nova Iorque. Ficou quatro anos em Nova Iorque e foi para Chicago, onde foi contratado como diretor de projetos de desenvolvimento comunitário na pobre Zona Sul da cidade.
Em 1988, ele vai pela primeira vez à Europa e ao Quênia para conhecer a família. No fim do ano, entra na Faculdade de Direito da Universidade de Harvard. Lá ele foi editor e tornou-se o primeiro presidente negro da Harvard Law Review, a revista acadêmica da escola.
De volta a Illinois, Obama virou professor de Direito na Universidade de Chicago, onde dava um seminário sobre igualdade racial bastante concorrido.
Sua carreira política começa em 1996, com a eleição para o Senado Estadual de Illinois. Reeleito em 1998 e 2002. Em 2000, queria concorrer à Câmara de Representantes mas perdeu uma prévia do partido para o deputado Bobby Rush.
A eleição para o Senado Federal, em 2004, abriu caminho para a candidatura à Casa Branca. Em 10 de fevereiro de 2007, Obama lançou sua candidatura sob o olhar descrente dos que consideravam inevitável a vitória da senadora e ex-primeira-dama Hillary Clinton.
Com seu talento de grande orador e uma mensagem genérica de mudança e esperança, Obama empolgou as multidões, mobilizou a comunidade negra, que finalmente se sente representada de fato, e boa parte da juventude. Através da Internet, arrecadou US$ 600 milhões.
Na Superterça-Feira, 5 de fevereiro, quando houve eleições primárias em 22 estados, Hillary percebeu que tinha um adversário formidável. Obama parecia presidencial. Tomou a dianteira e nunca mais a cedeu.
Sob o fogo pesado da oponente na disputa interna do Partido Democrata, sua candidatura pareceu perder o brilho dos grandes discursos, como o discurso sobre raça, em que ele promete “lutar por uma União mais perfeita, sem o pecado original da escravidão” acima das diferenças de cor de pele, sem ódio, sem rancor, sem vingança.
Ao projetar um futuro melhor, Obama encontrou uma imagem positiva de uns EUA melhores do que são hoje. Logo depois das convenções nacionais dos partidos que confirmaram as candidaturas no final de agosto e início de setembro, Obama e McCain estavam praticamente empatados nas pesquisas de opinião.
A crise financeira global e a incapacidade do governo Bush de apresentar uma resposta terminaram por sepultar, até prova em contrário, a candidatura do senador McCain.
Aos 72 anos, ele tem excelentes serviços prestados à nação. É um herói de guerra e um senado que muitas vezes contrariou seu próprio partido em defesa de suas convicções, o que também não é comum nos EUA.
Mas só conquistou a candidatura do Partido Republicano porque depois de dois governos de George W. Bush esta é uma eleição para a oposição democrata vencer. O próprio eleitorado conservador estava acomodado, ainda que McCain tenha aberto mão de toda sua suposta rebeldia para garantir o voto conservador.
Só virou o jogo quando lançou a governadora do Alasca, Sarah Palin, como candidata a vice. Aos 44 anos, ex-miss e ex-atleta na universidade, ultraconservadora, caçadora, evangélica e contra o abordo, o Furacão Sarah, que se definiu como uma “pitbull de batom”, empolgou a direita conservadora, mas acabou por alienar o eleitorado mais de centro, independente, que é quem decide eleições.
A vantagem democrata é evidente. Os últimos campos de batalha são estados onde George Bush ganhou em 2004 e Obama pode ganhar agora, como Ohio, Virgínia e Pensilvânia. McCain faz um último apelo ao bolso. Acusa Obama de ser um socialista que quer distribuir a riqueza. Já se fala até numa avalanche em 4 de novembro.
Um presidente negro no país que há pouco mais de 40 anos tinha segregação racial já é uma revolução. Mais importante ainda, Obama é um presidente dos EUA que o resto do mundo pode amar. Essa é uma enorme vantagem para um país que perdeu prestígio e autoridade moral sob o governo de George W. Bush.
Obama representaria a volta do poder suave, sutil, de persuasão. O poder da comunicação, o cinema de Hollywood, o rock’n’roll, os blues e o jazz, blue jeans e também a Coca-Cola, o Cadillac e outras marcas contribuíram mais para a vitória na Guerra Fria dos que as armas, observa o professor Joseph Nye, ex-subsecretário da Defesa no governo Clinton.
A vitória na Guerra Fria foi uma vitória do estilo de vida americano.
O governo George W., dominado pelos neoconservadores, se propunha a tirar as vantagens que os EUA não teriam tirado sob Bill Clinton (1993-2001) da vitória na Guerra Fria, que eles atribuíam ao presidente Ronald Reagan (1981-89). Acabou jogando fora o prestígio ao invadir o Iraque com um pretexto furado.
Nunca o antiamericanismo foi tão forte no mundo. Sempre foi forte na América Latina, pelo domínio imperial que os EUA exerceram historicamente sobre o resto do continente.
Hoje, é mais radical no mundo muçulmano, mas em poucos países do mundo os EUA têm uma imagem favorável – e a crise financeira só agrava a situação: os modelos americanos estão em baixa.
Não basta uma eleição presidencial para mudar. Mas já é um bom começo. O maior comício da campanha de Obama foi um discurso para 200 mil pessoas em Berlim.
Barack Hussein Obama II nasceu em 4 de agosto de 1961, em Honolulu, Havaí, filho de pai queniano de mesmo nome e de Ann Dunham, uma americana branca do Kansas, um dos estados mais conservadores dos EUA. Eles se conheceram na Universidade do Havaí e se separam quando Obama tinha dois anos.
Ele foi morar com a mãe na Indonésia, onde ficou até 10 anos, quando voltou a Honolulu para morar com os avós.
Depois de terminar o ensino médio, Barack Obama foi fazer faculdade em Los Angeles, mas acabou se transferindo para a Universidade de Colúmbia, em Nova Iorque. Ficou quatro anos em Nova Iorque e foi para Chicago, onde foi contratado como diretor de projetos de desenvolvimento comunitário na pobre Zona Sul da cidade.
Em 1988, ele vai pela primeira vez à Europa e ao Quênia para conhecer a família. No fim do ano, entra na Faculdade de Direito da Universidade de Harvard. Lá ele foi editor e tornou-se o primeiro presidente negro da Harvard Law Review, a revista acadêmica da escola.
De volta a Illinois, Obama virou professor de Direito na Universidade de Chicago, onde dava um seminário sobre igualdade racial bastante concorrido.
Sua carreira política começa em 1996, com a eleição para o Senado Estadual de Illinois. Reeleito em 1998 e 2002. Em 2000, queria concorrer à Câmara de Representantes mas perdeu uma prévia do partido para o deputado Bobby Rush.
A eleição para o Senado Federal, em 2004, abriu caminho para a candidatura à Casa Branca. Em 10 de fevereiro de 2007, Obama lançou sua candidatura sob o olhar descrente dos que consideravam inevitável a vitória da senadora e ex-primeira-dama Hillary Clinton.
Com seu talento de grande orador e uma mensagem genérica de mudança e esperança, Obama empolgou as multidões, mobilizou a comunidade negra, que finalmente se sente representada de fato, e boa parte da juventude. Através da Internet, arrecadou US$ 600 milhões.
Na Superterça-Feira, 5 de fevereiro, quando houve eleições primárias em 22 estados, Hillary percebeu que tinha um adversário formidável. Obama parecia presidencial. Tomou a dianteira e nunca mais a cedeu.
Sob o fogo pesado da oponente na disputa interna do Partido Democrata, sua candidatura pareceu perder o brilho dos grandes discursos, como o discurso sobre raça, em que ele promete “lutar por uma União mais perfeita, sem o pecado original da escravidão” acima das diferenças de cor de pele, sem ódio, sem rancor, sem vingança.
Ao projetar um futuro melhor, Obama encontrou uma imagem positiva de uns EUA melhores do que são hoje. Logo depois das convenções nacionais dos partidos que confirmaram as candidaturas no final de agosto e início de setembro, Obama e McCain estavam praticamente empatados nas pesquisas de opinião.
A crise financeira global e a incapacidade do governo Bush de apresentar uma resposta terminaram por sepultar, até prova em contrário, a candidatura do senador McCain.
Aos 72 anos, ele tem excelentes serviços prestados à nação. É um herói de guerra e um senado que muitas vezes contrariou seu próprio partido em defesa de suas convicções, o que também não é comum nos EUA.
Mas só conquistou a candidatura do Partido Republicano porque depois de dois governos de George W. Bush esta é uma eleição para a oposição democrata vencer. O próprio eleitorado conservador estava acomodado, ainda que McCain tenha aberto mão de toda sua suposta rebeldia para garantir o voto conservador.
Só virou o jogo quando lançou a governadora do Alasca, Sarah Palin, como candidata a vice. Aos 44 anos, ex-miss e ex-atleta na universidade, ultraconservadora, caçadora, evangélica e contra o abordo, o Furacão Sarah, que se definiu como uma “pitbull de batom”, empolgou a direita conservadora, mas acabou por alienar o eleitorado mais de centro, independente, que é quem decide eleições.
A vantagem democrata é evidente. Os últimos campos de batalha são estados onde George Bush ganhou em 2004 e Obama pode ganhar agora, como Ohio, Virgínia e Pensilvânia. McCain faz um último apelo ao bolso. Acusa Obama de ser um socialista que quer distribuir a riqueza. Já se fala até numa avalanche em 4 de novembro.
sábado, 25 de outubro de 2008
Consumo cai e desemprego cresce nos EUA
A queda no consumo levou as empresas americanas a demitirem pelo menos 335 mil trabalhadores no mês de setembro. Quando o próximo relatório sobre o emprego em outubro for divulgado, em 7 de novembro, três dias depois das eleições, a expectativa do mercado é que haja uma perda de cerca de 200 mil vagas.
O Partido Democrata, que vai obter uma grande vitória nas eleições para o Congresso, ampliando sua maioria na Câmara e no Senado, e é favorito para reconquistar a Casa Branca com o senador Barack Obama, já teme não ter condições de corresponder à expectativa do eleitorado, diante da gravidade da crise.
Leia mais The New York Times.
O Partido Democrata, que vai obter uma grande vitória nas eleições para o Congresso, ampliando sua maioria na Câmara e no Senado, e é favorito para reconquistar a Casa Branca com o senador Barack Obama, já teme não ter condições de corresponder à expectativa do eleitorado, diante da gravidade da crise.
Leia mais The New York Times.
Pesquisa diária dá nove pontos a mais a Obama
Na pesquisa diária do instituto Zogby para a agência de notícias Reuters, o senador democrata Barack Obama manteve hoje sua vantagem sobre o senador republicano John McCain. Obama teria 51% dos votos contra 42% para McCain.
Em outra pesquisa, do jornal New York Times e da rede de televisão CBS, a vantagem é ainda maior: 52% a 39%.
Depois de visitar a vó, que está muito doente, no Havaí, o candidato democrata voltou hoje à campanha. O senador McCain insiste em que as pesquisas podem estar erradas, lembrando a vitória inesperada do presidente Harry Truman sobre o favorito John Dewey em 1948.
Mais uma vez, ele acusou Obama de socialista por querer "distribuir a riqueza". O senador por Illinois respondeu que McCain diz isso porque só está preocupado com os ricos e ele, Obama, se preocupada com a classe média.
Nos bastidores da campanha republicana, assessores de McCain estariam insatisfeitos com a candidata a vice, a governadora do Alasca, Sarah Palin. Além de uma investigação sobre abuso de poder como governadora e de gastar US$ 150 mil em roupas para a campanha em plena crise financeira global, Palin usa uma linguagem agressiva, tentando desqualificar Obama para o cargo.
Em outra pesquisa, do jornal New York Times e da rede de televisão CBS, a vantagem é ainda maior: 52% a 39%.
Depois de visitar a vó, que está muito doente, no Havaí, o candidato democrata voltou hoje à campanha. O senador McCain insiste em que as pesquisas podem estar erradas, lembrando a vitória inesperada do presidente Harry Truman sobre o favorito John Dewey em 1948.
Mais uma vez, ele acusou Obama de socialista por querer "distribuir a riqueza". O senador por Illinois respondeu que McCain diz isso porque só está preocupado com os ricos e ele, Obama, se preocupada com a classe média.
Nos bastidores da campanha republicana, assessores de McCain estariam insatisfeitos com a candidata a vice, a governadora do Alasca, Sarah Palin. Além de uma investigação sobre abuso de poder como governadora e de gastar US$ 150 mil em roupas para a campanha em plena crise financeira global, Palin usa uma linguagem agressiva, tentando desqualificar Obama para o cargo.
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Obama tem 12 pontos de vantagem
A 12 dias da eleição presidencial nos Estados Unidos, os americanos já começaram a votar, mas os votos só serão escrutinados em 4 de novembro.
Na pesquisa diária da agência de notícias Reuters, o senador democrata Barack Obama liderá com 52% das preferências contra 40% para o senador republicano John McCain.
Nesta reta final, os candidatos a vice-presidente criaram problemas nas duas campanhas. O vice na chapa democrata, senador Joe Biden, disse num jantar para doadores de dinheiro para o Partido Democrata que logo haveria uma crise internacional para testar a liderança de Obama.
Imediatamente, McCain declarou que ele não precisa ser testado. Durante a Crise dos Mísseis em Cuba, em 1962, era um piloto embarcado em porta-aviões, de prontidão para atacar Cuba ou um navio soviético que tentasse furar o bloqueio imposto à ilha para evitar a entrada de mísseis nucleares da União Soviética.
Obama não gostou da gafe do vice. Comentou apenas que Joe Biden fala demais.
A governadora Sarah Palin, vice de McCain, gastou US$ 150 mil em banhos de loja em Nova Iorque comprando modelitos para a campanha por conta do Partido Republicano, que agora promete doá-los a instituições de caridade depois da campanha. Isso significa que nem eles acreditam que ela seja eleita. Ou a vice-presidente dos EUA andaria por aí mal vestida?
Talvez leiloando eles recuperem o dinheiro, dada a popularidade do Furacão Sarah, nova estrela da direita conservadora americana. John McCain entrou para perder numa eleição em que o peso de dois governos de George W. Bush tornaram inevitável a derrota republicana. Sarah Palin é a nova cara do partido.
McCain fez campanha hoje na Flórida, insistindo que Obama é uma ameaça porque "vai aumentar os seus impostos para distribuir a riqueza".
Obama fez comício em Indianápolis, em Indiana, um estado conservador onde os republicanos costumam vencer. Mas ele está fazendo pressão nos estados onde a vantagem de McCain é pequena para afastar o adversário dos estados realmente indefinidos, que são cada vez menos: Flórida, Ohio, Pensilvânia, Carolina do Norte...
Na pesquisa diária da agência de notícias Reuters, o senador democrata Barack Obama liderá com 52% das preferências contra 40% para o senador republicano John McCain.
Nesta reta final, os candidatos a vice-presidente criaram problemas nas duas campanhas. O vice na chapa democrata, senador Joe Biden, disse num jantar para doadores de dinheiro para o Partido Democrata que logo haveria uma crise internacional para testar a liderança de Obama.
Imediatamente, McCain declarou que ele não precisa ser testado. Durante a Crise dos Mísseis em Cuba, em 1962, era um piloto embarcado em porta-aviões, de prontidão para atacar Cuba ou um navio soviético que tentasse furar o bloqueio imposto à ilha para evitar a entrada de mísseis nucleares da União Soviética.
Obama não gostou da gafe do vice. Comentou apenas que Joe Biden fala demais.
A governadora Sarah Palin, vice de McCain, gastou US$ 150 mil em banhos de loja em Nova Iorque comprando modelitos para a campanha por conta do Partido Republicano, que agora promete doá-los a instituições de caridade depois da campanha. Isso significa que nem eles acreditam que ela seja eleita. Ou a vice-presidente dos EUA andaria por aí mal vestida?
Talvez leiloando eles recuperem o dinheiro, dada a popularidade do Furacão Sarah, nova estrela da direita conservadora americana. John McCain entrou para perder numa eleição em que o peso de dois governos de George W. Bush tornaram inevitável a derrota republicana. Sarah Palin é a nova cara do partido.
McCain fez campanha hoje na Flórida, insistindo que Obama é uma ameaça porque "vai aumentar os seus impostos para distribuir a riqueza".
Obama fez comício em Indianápolis, em Indiana, um estado conservador onde os republicanos costumam vencer. Mas ele está fazendo pressão nos estados onde a vantagem de McCain é pequena para afastar o adversário dos estados realmente indefinidos, que são cada vez menos: Flórida, Ohio, Pensilvânia, Carolina do Norte...
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Nova pesquisa dá 10 pontos de frente a Obama
Uma nova pesquisa divulgada hoje pela TV NBC e o jornal The Wall Street Journal amplia para 10 pontos a vantagem do senador democrata Barack Obama na reta final da corrida à Casa Branca.
Obama tem 52% das preferências contra 42% para o senador republicano John McCain. É a maior vantagem desde que as duas candidaturas foram confirmadas pelas convenções nacionais dos partidos, no final de agosto e no início de setembro. Na época, os dois estavam praticamente empatados.
A eleição presidencial americana será realizada em 4 de novembro.
Obama tem 52% das preferências contra 42% para o senador republicano John McCain. É a maior vantagem desde que as duas candidaturas foram confirmadas pelas convenções nacionais dos partidos, no final de agosto e no início de setembro. Na época, os dois estavam praticamente empatados.
A eleição presidencial americana será realizada em 4 de novembro.
sábado, 18 de outubro de 2008
McCain agora acusa Obama de socialismo
Na reta final da corrida à Casa Branca, o senador republicano John McCain comparou hoje o senador democrata Barack Obama aos socialistas europeus, em mais uma tentativa de pintar o adversário como distante e desligado do verdadeiro povo americano.
Na última pesquisa do instituto Zogby para a agência de notícias Reuters, Obama tem 48% das preferências e 44% para o senador republicano John McCain.
É uma pesquisa bem diferente das outras, que vem dando vantagem maior a Obama. Pode ser um sinal de que a eleição ainda está indefinida.
Os candidados concentram as campanhas nos estados-chaves, que podem virar o jogo. Nos Estados Unidos, o que importa é a vitória num estado inteiro, já que o vencedor ganha todos os delegados daquele estado no Colégio Eleitoral onde 538 grandes eleitores vão escolher o presidente.
Por mais de um século, nenhum presidente dos EUA tinha sido eleito sem ganhar também no voto popular. George Bush ganhou em 2000 graças a uma vitória por cerca de 500 votos na Flórida, que era governada por seu irmão.
Agora, Obama lança uma ofensiva de quatro dias em estados onde Bush venceu em 2004, Virgína, Missouri, Carolina do Norte e Flórida, mas agora o democrata está perto da vitória. Ele foi ontem à Virgínia e hoje fez em Saint-Louis, no Missouri, o maior comício da campanha, só superado pelo discurso de Berlim, que reuniu 200 mil pessoas.
Em Concord, na Carolina do Norte, bateu no argumento que está no centro de sua campanha no momento: tenta amedrontar o eleitorado com a expectativa de que Obama será obrigado a aumentar impostos para financiar os programas que propõe.
Isso tiraria mais dinheiro do bolso do cidadão americano num momento de crise em que o governo acaba de lançar um plano de salvação do sistema financeiro de US$ 700 bilhões. Essa é a atual mensagem de McCain: Obama será um mau gerente da crise.
O senador democrata por Illinois recebeu o apoio de dois jornais importantes: o Los Angeles Times e o Chicago Tribune. É a primeira vez que o Tribune, um jornal conservador, apóia um democrata para a Casa Branca. Obama começou sua carreira política em Chicago.
Na última pesquisa do instituto Zogby para a agência de notícias Reuters, Obama tem 48% das preferências e 44% para o senador republicano John McCain.
É uma pesquisa bem diferente das outras, que vem dando vantagem maior a Obama. Pode ser um sinal de que a eleição ainda está indefinida.
Os candidados concentram as campanhas nos estados-chaves, que podem virar o jogo. Nos Estados Unidos, o que importa é a vitória num estado inteiro, já que o vencedor ganha todos os delegados daquele estado no Colégio Eleitoral onde 538 grandes eleitores vão escolher o presidente.
Por mais de um século, nenhum presidente dos EUA tinha sido eleito sem ganhar também no voto popular. George Bush ganhou em 2000 graças a uma vitória por cerca de 500 votos na Flórida, que era governada por seu irmão.
Agora, Obama lança uma ofensiva de quatro dias em estados onde Bush venceu em 2004, Virgína, Missouri, Carolina do Norte e Flórida, mas agora o democrata está perto da vitória. Ele foi ontem à Virgínia e hoje fez em Saint-Louis, no Missouri, o maior comício da campanha, só superado pelo discurso de Berlim, que reuniu 200 mil pessoas.
Em Concord, na Carolina do Norte, bateu no argumento que está no centro de sua campanha no momento: tenta amedrontar o eleitorado com a expectativa de que Obama será obrigado a aumentar impostos para financiar os programas que propõe.
Isso tiraria mais dinheiro do bolso do cidadão americano num momento de crise em que o governo acaba de lançar um plano de salvação do sistema financeiro de US$ 700 bilhões. Essa é a atual mensagem de McCain: Obama será um mau gerente da crise.
O senador democrata por Illinois recebeu o apoio de dois jornais importantes: o Los Angeles Times e o Chicago Tribune. É a primeira vez que o Tribune, um jornal conservador, apóia um democrata para a Casa Branca. Obama começou sua carreira política em Chicago.
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Suprema Corte rejeita pedido republicano
A Suprema Corte do Estados Unidos rejeitou um pedido do Partido Republicano para revisar o alistamento eleitoral do estado de Ohio, um dos campos de batalha da eleição de 4 de novembro.
Se a petição republicana fosse aceita, o partido poderia impugnar eleitores e usar isso para tentar evitar uma vitória do senador Barack Obama num estado-chave para a vitória.
Nenhum republicano chegou à Casa Branca na história recente sem ganhar em Ohio. Foi lá, na cidade de Toledo, fazendo campanha, que Obama encontrou um sujeito que se apresentou como Joe o Encanador e questionou sua política de corte de impostos.
A campanha republicana adorou a descoberto, mas logo foi revelado que o nome do cara era Samuel Joseph, ele não é encanador e não ganha nem perto de US$ 250 mil por ano, portanto seria beneficiado pelos cortes de impostos propostos por Obama.
Joe teve seus minutos de glória da mídia e talvez vire candidato. Mas a campanha republicana cometeu mais uma gafe.
Se a petição republicana fosse aceita, o partido poderia impugnar eleitores e usar isso para tentar evitar uma vitória do senador Barack Obama num estado-chave para a vitória.
Nenhum republicano chegou à Casa Branca na história recente sem ganhar em Ohio. Foi lá, na cidade de Toledo, fazendo campanha, que Obama encontrou um sujeito que se apresentou como Joe o Encanador e questionou sua política de corte de impostos.
A campanha republicana adorou a descoberto, mas logo foi revelado que o nome do cara era Samuel Joseph, ele não é encanador e não ganha nem perto de US$ 250 mil por ano, portanto seria beneficiado pelos cortes de impostos propostos por Obama.
Joe teve seus minutos de glória da mídia e talvez vire candidato. Mas a campanha republicana cometeu mais uma gafe.
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
CNN já prevê vitória de Obama
Se a eleição presidencial nos Estados Unidos fosse disputada hoje, o senador democrata Barack Obama estaria eleito, afirma a rede de televisão americana CNN com base nas pesquisas realizadas em estados-chaves.
Pela lei eleitoral dos EUA, depois da votação popular, o candidato mais votado em cada estado ganha um número de delegados proporcional ao eleitorado do estado. São esses grandes eleitores que escolhem o presidente num Colégio Eleitoral formado por 538 delegados. O vencedor precisa de 270 votos para conquistar a Casa Branca.
As últimas pesquisas dão uma vantagem de mais de dez pontos a Obama na Virgínia, que há 40 anos não dá vitória a um democrata, e no Colorado, que preferiu o candidato republicano nos últimos 16 anos.
O democrata também lidera na Flórida, onde a eleição de 2000 foi decidida a favor de George Walker Bush, em meio a fortes suspeitas de fraude porque Jeb Bush, irmão do então candidato republicano, era governador. Sem a Flórida, McCain não tem a menor chance.
Pela lei eleitoral dos EUA, depois da votação popular, o candidato mais votado em cada estado ganha um número de delegados proporcional ao eleitorado do estado. São esses grandes eleitores que escolhem o presidente num Colégio Eleitoral formado por 538 delegados. O vencedor precisa de 270 votos para conquistar a Casa Branca.
As últimas pesquisas dão uma vantagem de mais de dez pontos a Obama na Virgínia, que há 40 anos não dá vitória a um democrata, e no Colorado, que preferiu o candidato republicano nos últimos 16 anos.
O democrata também lidera na Flórida, onde a eleição de 2000 foi decidida a favor de George Walker Bush, em meio a fortes suspeitas de fraude porque Jeb Bush, irmão do então candidato republicano, era governador. Sem a Flórida, McCain não tem a menor chance.
McCain parte para o ataque contra Obama
Com uma postura muito mais agressiva, o senador John McCain acusou agora há pouco seu adversário na corrida à Casa Branca, o senador democrata Barack Obama, de fazer uma campanha baseada na luta de classes para "distribuir a riqueza" que conseguir tomar do povo americano com mais impostos.
No terceiro e último debate desta reta final da campanha para a eleição de 4 de novembro, realizado na Universidade Hofstra, em Hempstead, no estado de Nova Iorque, Obama foi mais racional e ponderado, acusando McCain de querer cortar impostos só para os ricos e de não coibir as agressões de seus partidários.
McCain saiu-se melhor na primeira meia hora do debate, que durou uma hora e meia, mas se mostrou raivoso e irritado a partir do momento em que o democrata questionou-o por causa dos ataques pessoais contra si. Na última meia hora, Obama foi melhor, além de parecer mais presidenciável.
Em pesquisa da rede de televisão americana CNN, 58% deram a vitória a Obama e apenas 31% a McCain, que perde assim a última grande chance de reverter a vantagem do candidato democrata.
No terceiro e último debate desta reta final da campanha para a eleição de 4 de novembro, realizado na Universidade Hofstra, em Hempstead, no estado de Nova Iorque, Obama foi mais racional e ponderado, acusando McCain de querer cortar impostos só para os ricos e de não coibir as agressões de seus partidários.
McCain saiu-se melhor na primeira meia hora do debate, que durou uma hora e meia, mas se mostrou raivoso e irritado a partir do momento em que o democrata questionou-o por causa dos ataques pessoais contra si. Na última meia hora, Obama foi melhor, além de parecer mais presidenciável.
Em pesquisa da rede de televisão americana CNN, 58% deram a vitória a Obama e apenas 31% a McCain, que perde assim a última grande chance de reverter a vantagem do candidato democrata.
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