Mostrando postagens com marcador Congresso. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Congresso. Mostrar todas as postagens

domingo, 15 de março de 2026

Hoje na História do Mundo: 15 de Março

ASSASSINATO DE CÉSAR

    Em 44 antes de Cristo, 60 conspiradores liderados por Caio Cássio Longino e Marco Júnio Bruto matam a facadas nos Idos de Março na escadaria do Senado da República Romana Caio Júlio César, um dos maiores generais de todos os tempos, que se tornara um ditador.

O general agoniza e morre aos pés da estátua de seu inimigo Cneu Pompeu. Ao ser esfaqueado por Bruto, seu protegido por ser filho de uma de suas amantes, não esconde seu espanto: "Até tu, Bruto, filho meu?"

César nasce em 13 de julho de 100 AC na família Julii, de patrícios, mas sem uma posição de destaque na aristocracia romana. Começa a vida pública em 78 AC como promotor público do Partido Popular, que é contra o patriciado, e conquista apoio por causa das propostas reformistas e do talento como orador.

Em 78 AC, Júlio César organiza um exército particular para enfrentar o rei de Pontus, um reino ao sul do Mar Negro. Ele se alia a Cneu Pompeu, o líder do Partido Popular, mas toma a liderança quando Pompeu sai de Roma para ser comandante das forças do Leste da República Romana, em 67 AC.

Quatro anos depois, em 63 AC, César é eleito Pontifex Maximus (Supremo Pontífice), possivelmente com muito suborno e compra de votos. Em 61 AC, é nomeado governador da Hispânia Ulterior. Volta a Roma em 60AC com a ambição de se tornar cônsul, o mais alto cargo da república, ocupado por dois políticos ao mesmo tempo por períodos de um ano.

Os cônsules comandam o Exército, presidem o Senado, executam seus decretos e representam Roma nas relações exteriores. César forma então o Primeiro Triunvirato, uma aliança com Pompeu e Marco Licínio Crasso, o homem mais rico de Roma. Em 59 AC, é eleito cônsul.

Em 58 AC, César assume o comando de quatro legiões romanas na Gália Cisalpina e na Ilíria. Conquista toda a Gália, que incluía o que hoje é a França, a Bélgica, a Suíça e partes da Alemanha e da Itália, mas não consegue invadir o que hoje é a Inglaterra.

O sucesso militar provoca o rompimento da aliança. Sob pressão de Pompeu, o Senado manda César dissolver seu exército. Ele se nega a fazer isso. Ao cruzar o Rio Rubicão, na fronteira da Gália Cisalpina com a Itália, declara guerra a Pompeu.

César vence na Espanha e na Itália, mas é obrigado a fugir para a Grécia. Em agosto de 48 AC, com exército menos numeroso, arma uma emboscada para as forças do Senado Romano sob o comando de Pompeu, que foge para o Egito, onde é assassinado por um agente do rei.

Depois de alguns anos percorrendo os domínios romanos para consolidar o poder, César volta a Roma em 45 AC. É proclamado ditador perpétuo e anuncia uma série de reformas. A mais duradoura é o Calendário Juliano, o primeiro baseado no ano solar e não nas fases da Lua, substituído a partir do século 16 pelo Calendário Gregoriano. Também planeja expansão do império pela Europa Central e Oriental.

Os conspiradores acreditam que a morte de César vai restaurar a República Romana. Mas há uma nova guerra civil. Marco Antônio, Otávio e Lépido formam o Segundo Triunvirato na guerra contra os assassinos de Júlio César. 

Depois da vitória, eles brigam entre si. Lépido vai para o exílio e Marco Antônio se suicida com a derrota para Otávio na Batalha de Ácio, em 31 AC.

Caio Júlio César Otávio é proclamado primeiro imperador romano em 16 de janeiro de 27 AC e acrescenta o nome de Augusto. É o fim da República. 

Augusto governa até a morte, em 19 de agosto de 14 depois de Cristo. Quando Jesus nasce, Otávio César Augusto é o imperador romano. Apesar das guerras expansionistas nas fronteiras do império, Roma em si vive um período de 200 anos de paz, a Pax Romana, quebrada em 68 e 69 DC por uma guerra civil em torno da sucessão.

EXPOSIÇÃO DE VAN GOGH

    Em 1901, onze anos depois de sua morte por suicídio, 71 pinturas do genial artista holandês Vincent Van Gogh são expostas na Galeria Bernheim-jeune, em Paris. Com sua riqueza de cores e estilo, causam sensação no meio artístico.

Van Gogh nasce em Zundert, na Holanda, em 1853. Trabalha como vendedor em galeria de arte, professor, vendedor de livros e pregador entre os mineiros da Bélgica antes de descobrir sua vocação artística.

Sua década produtiva começa em 1880. Ele estuda desenho na Academia de Bruxelas e vai para a Holanda em busca do contato com a terra e a natureza. Pinta Os Comedores de Batata, um quadro sombrio sobre a vida dura dos camponeses, considerado sua primeira grande obra.

Em 1886, vai viver com o irmão, Theo, em Paris, onde conhece grandes pintores pós-impressionistas, Henri de Toulouse-Latrec, Paul Gauguin, Camille Pissarro e Georges Seurat. A conselho de Pissarro, passa a usar uma palheta multicolorida que provoca uma explosão de cores nas suas telas.

A toxicidade das tintas coloridas contribui para os problemas mentais que o abalam. Em 1888, Van Gogh vai para Arles, no Sudeste da França, onde tem um ano de extraordinária criatividade, quando pinta sua série Girassóis.

Van Gogh quer formar uma comunidade de artistas. Convida Gauguin para ir para Arles. No fim de dois meses de convivência difícil, num gesto de loucura, Van Gogh ameaça Gauguin com uma navalha e corta um pedaço da própria orelha.

Depois de dois meses no hospital de Arles, Van Gogh vai para um asilo em Saint-Remy-de-Provence, onde fica 12 meses e continua produzindo entre surtos de doença mental. A Noite Estrelada (1889) é desta época.

Em maio de 1890, deixa o asilo. Vai para Paris e depois se muda para a casa do Dr. Ferdinand Gachet, um médico homeopata amigo de Pissarro, em Auvers-sur-Oise. Ainda trabalha, mas a saúde mental se deteriora. 

Deprimido, Van Gogh se considera um peso para um irmão, se dá um tiro em 27 de julho de 1890 e morre dois depois, nos braços de Theo.

Ao longo da carreira, criou 2,5 mil obras de artesAntes de se matar, só vende um único quadro, A Vinha Encarnada, por 400 francos, na Bélgica. Em 1990, o Retrato do Dr. Gachet é leiloado em Nova York por US$ 82,5 milhões.

A exposição em Paris é a primeira a reconhecer sua genialidade.

FIM DO CZARISMO

    Em 1917, durante a Revolução de Fevereiro (março pelo calendário atual), o czar Nicolau II, o Sanguinário, é forçado a abdicar. É o fim do Império Russo e da Dinastia Romanov, que governa o país por mais de 300 anos.

Nicolau II (I894-1917) é o último imperador da Rússia, rei da Polônia e grão-duque da Finlândia. Passa a ser chamado de Nicolau, o Sanguinário, por causa do Massacre de Khodinka na festa de sua coroação. quando morrem 1.389 pessoas, da perseguição aos judeus, das execuções de inimigos políticos pelo Domingo Sangrento, quando manda atirar na multidão que cerca o palácio durante a Revolução de 1905, precursora das revoluções de 1917.

Durante o reinado do último czar, a Rússia vai de uma das grandes potências mundiais para um país em colapso total. É humilhada pelo Japão na Guerra do Pacífico (1904-5), a primeira derrota de uma potência branca e europeia para um país não europeu desde que a expansão do Império Otomano foi barrada nos portões de Viena, em 1684. Nicolau II pretende usar a guerra para revigorar o nacionalismo russo.

VOTO PARA OS NEGROS

    Em 1965, diante de uma sessão conjunta do Congresso dos Estados Unidos, o presidente Lyndon Johnson (1963-69) defende a aprovação de uma lei para garantir o direito de voto para todos e usa o lema do movimento negro: "We shall overcome" (Nós devemos superar).

A 15ª Emenda à Constituição dos EUA, aprovada depois da Guerra da Secessão (1861-65), dá o direito de votos a todos, mas vários estados criam legislações contra o voto dos negros, os Leis Jim Crow, com exigências como alfabetização ou testes de caráter a que os eleitores brancos não são submetidos.

O discurso é feito dias depois da violenta repressão policial a uma marcha de protesto contra a segregação racial, em Selma, no Alabama, um dos estados mais conservadores do Sul dos EUA.

Em 6 de agosto, Johnson sanciona a Lei dos Direitos de Voto, que torna ilegal qualquer medida para impor restrições aos direitos de votos. O presidente Richard Nixon (1969-74) amplia os direitos e reduz a idade mínima para votar para 18 anos em todo o país.

SEXTAS PELO FUTURO

    Em 2019, mais de 1,5 milhão de estudantes participam de protestos contra o aquecimento global como parte das Sextas-Feiras pelo Futuro, uma iniciativa da jovem ativista sueca Greta Thunberg.

Greta Tintin Eleonora Ernman Thunberg nasce em Estocolmo em 3 de janeiro de 2003. Ela tem a chamada Síndrome de Asperger, hoje considerada parte do espectro autista. Durante três semanas antes das eleições de 2018 na Suécia, ela mata aula para se sentar diante do Parlamento com uma faixa dizendo "Greve Escolar pelo Clima".

No primeiro dia, ela fica sozinha, mas a cada dia mais gente se junta ao protesto. Depois das eleições, ela volta à escola, mas continua faltando nas sextas-feiras para manter o protesto, chamado de Sextas-Feiras pelo Futuro. A greve escolar se espalha por outros países, inclusive a Bélgica, o Canadá, a Dinamarca, os Estados Unidos, a Finlândia, a França e a Holanda.

Ela discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, no Parlamento Europeu, nos parlamentos dos EUA, da França, da Itália e do Reino Unido. Em setembro de 2019, vai a Nova York num barco a vela que não emite gases que agravam o efeito estufa para falar num evento das Nações Unidas e faz um discurso pungente: "Vocês roubaram meus sonhos e minha infância com suas palavras vazias. (...) Estamos no começo de uma extinção em massa e tudo o que vocês conseguem falar é sobre dinheiro e seus contos de fadas de um crescimento econômico eterno. Como ousam?"

terça-feira, 30 de setembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 30 de Setembro

 FLAUTA MÁGICA

    Em 1791, a ópera A Flauta Mágica, de Wolfgang Amadeus Mozart, estreia em Viena.

Um dos maiores músicos e compositores de todos os tempos, Mozart nasce em Salzburgo, na Áustria, em 27 de janeiro de 1756, ano em que o pai, Leopold, publica um manual sobre como tocar violino. 

O talento do menino é formidável. Aos três anos, tira os primeiros acordes no cravo. Aos quatro, toca pequenas peças. Aos cinco, compõe. O pai leva o menino-prodígio a viajar pela Europa. 

Em Paris, Mozart publica sua primeira composição: uma sonata para teclado e violino dedicada a uma princesa real. Em Londres, conhece Johann Christian Bach, filha mais moço de Johann Sebastian Bach, outro dos maiores compositores da história. Sob sua influência, Mozart compõe sua primeira sinfonia.

Aos 13 anos, Mozart domina a linguagem musical. Como nenhum outro compositor, escreve músicas de todos os gêneros de sua época e é excelente em todos.

PRIMEIRO DEPUTADO HISPÂNICO

    Em 1822, Joseph Marion Hernández é o primeiro hispânico eleito para o Congresso dos Estados Unidos.


Hernández nasce na Espanha e morre em Cuba. Durante a vida, é o primeiro hispano-americano a servir no alto nível de um dos três poderes dos EUA.

WILSON DEFENDE VOTO FEMININO

    Em 1918, o presidente Woodrow Wilson defende o voto feminino em discurso no Congresso dos Estados Unidos.

A Câmara dos Representantes aprova a 19ª Emenda à Constituição dos EUA, que institui o voto feminino, mas ainda falta a aprovação do Senado.

Em 1917, Wilson enfrenta piquetes de sufragettes que o acusam de não se importar com sua causa. Várias ativistas são presas e fazem greve de fome na cadeia. Quando sabe que elas estão sendo alimentadas à força, Wilson decide fazer o pronunciamento.

Mesmo assim, a emenda só é aprovada em 4 de junho de 1919. Ela diz que “o direito de voto dos cidadãos dos EUA não pode ser negado ou restringido com base no sexo.”

ACORDO DE MUNIQUE

    Em 1938, os primeiros-ministros do Reino Unido, Neville Chamberlain, e da França, Edouard Baladier, cedem a região dos Sudetos, na Tcheco-Eslováquia, à Alemanha de Adolf Hitler para evitar a guerra, mas só conseguem adiá-la por um ano.

Depois de anexar a Áustria na primavera de 1938, Hitler começa a apoiar a reivindicação dos tcheco-eslovacos de origem alemã da região dos Sudetos por relações mais próximas com a Alemanha, dentro de seus planos para criar a Grande Alemanha.

Hitler exige, em 22 de setembro, a cessão imediata dos Sudetos e a remoção da população de origem eslava. No dia seguinte, a Tcheco-Eslováquia mobiliza o Exército, mas a França e o Reino Unido decidem evitar a guerra.

Chamberlain e Baladier vão a Munique em 24 de setembro e acabam entregando os Sudetos a Hitler. De volta a Londres, Chamberlain apresenta o Acordo de Munique como uma garantia de “paz no nosso tempo”.

Em março de 1939, a Alemanha toma o resto da Tcheco-Eslováquia. A invasão da Polônia pelos nazistas, em 1º de setembro de 1939, marca o início da Segunda Guerra Mundial. Mais uma vez, Hitler alega que as populações de origem alemã estão sendo perseguidas. Desta vez, a França e o Reino Unido declaram guerra à Alemanha.

PONTE AÉREA DE BERLIM

    Em 1949, depois de mais de 278 mil voos que transportam 2.323.738 toneladas de carga em um ano e três meses, termina a Ponte Aérea dos aliados ocidentais para romper o Bloqueio de Berlim Ocidental, imposto pelo ditador soviético Josef Stalin em 24 de junho de 1948.

Quando termina a Segunda Guerra Mundial (1939-45), os Estados Unidos, o Reino Unido, a França e a União Soviética ocupam a Alemanha. Os setores dominados pelas potências ocidentais adotam o sistema capitalista e a parte soviética o regime comunista.

Berlim, a capital da Alemanha, também é dividida e fica dentro do lado oriental. Berlim Ocidental se torna então um enclave capitalista no setor soviético. Quando os aliados anunciam a formação do que seria a Alemanha Ocidental, a URSS reage. Ao bloquear o acesso terrestre à cidade, Stalin pressiona os aliados ocidentais a ceder o controle da cidade, mas perde a parada.

Em resposta ao Bloqueio de Berlim, nasce em 4 de abril de 1949 a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos EUA, para conter o expansionismo soviético.

NAUTILUS ENTRA EM AÇÃO

    Em 1954, o Nautilus, primeiro submarino nuclear, entra em atividade.

O Congresso dos Estados Unidos autoriza a fabricação do submarino nuclear em julho de 1951. A construção começa em 14 de junho de 1952 no estaleiro da General Electric em Connecticut. 

Em 21 de janeiro de 1954, a primeira-dama Mamie Eisenhower quebra uma garrafa de champanha no casco e o Nautilus é lançado ao mar.

Muito maior do que os antigos submarinos movidos a óleo diesel, o Nautilus tem 97 metros de comprimento e atinge uma velocidade de 37 quilômetros por hora. Em 1958, faz a primeira viagem sob o Polo Norte.

ANO EM QUE VIVEMOS PERIGOSAMENTE

    Em 1965, militares rebeldes do Movimento 30 de Setembro sequestram sete generais dos quais seis seriam mortos na madrugada do dia seguinte numa tentativa de golpe frustrada na Indonésia. O movimento alega que dá o golpe para evitar um golpe contra o presidente Ahmed Sukarno, um nacionalista de esquerda, que é derrubado num golpe liderado pelo general Mohamed Suharto com o apoio dos Estados Unidos durante a Guerra Fria.


No fim de 1º de outubro, Suharto toma a iniciativa. Os líderes militares que tomam o poder acusam o Partido Comunista da Indonésia (PKI) de estar por trás da primeira tentativa de golpe. Os comunistas negam qualquer responsabilidade e atribuem a conspiração ao Exército como parte do plano para derrubar Sukarno, que perde os poderes gradualmente até ser substituído por Suharto em março de 1967.

A ditadura militar persegue e massacra os comunistas, a começar por Java e Báli. O total de mortes é estimado em um milhão. É O Ano em que Vivemos Perigosamente, título de um filme sobre a tragédia indonésia. O governo dos EUA sabia de tudo, como revelam documentos secretos desclassificados em 2017 que estão no Arquivo da Segurança Nacional.

Suharto governa como um ditador até 1998, quando cai em meio à Crise Asiática de 1997.

CARICATURAS DE MAOMÉ

    Em 2005, o jornal diário dinamarquês Jyllands Posten publica caricaturas satíricas do profeta Maomé e deflagra uma onda de protestos de muçulmanos no mundo inteiro que vai até fevereiro de 2006, com mais de 250 mortes.

O islamismo só venera Alá (Deus, em árabe). Tem uma grande preocupação de prevenir a idolatria. Não há santos nem nada mais a ser cultuado. As correntes mais radicais proíbem até mesmo a representação da figura humana, o que leva a um conflito com a morte de um príncipe quando a televisão é instalada na Arábia Saudita.

Assim, a visão sarcástica e humorística do jornal dinamarquês é considerada uma blasfêmia em alto grau. O jornal se defende alegando que quer apenas provocar o debate sobre a crítica ao islamismo e a autocensura. Organizações muçulmanas dinamarquesas entram na Justiça, que rejeita o caso em nome da liberdade de imprensa.

Para o primeiro-ministro Anders Fogh Rasmussen, é o pior problema de política externa da Dinamarca depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45). Aumenta a tensão entre o Ocidente e os países muçulmanos, que já era grande com os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 e a Guerra contra o Terror do governo George W. Bush (2001-9), com as invasões do Afeganistão em 2001 e do Iraque em 2003.

O caso provoca um debate sobre liberdade de expressão e tolerância religiosa.

Dez anos depois, em 7 de janeiro de 2015, o jornal semanal francês Charlie Hebdo publica caricaturas de Maomé e é alvo de um atentado terrorista em Paris em que e 12 pessoas, 11 funcionários do jornal e um policial, são metralhados.

sábado, 15 de março de 2025

Hoje na História do Mundo: 15 de Março

 ASSASSINATO DE CÉSAR

    Em 44 antes de Cristo, 60 conspiradores liderados por Caio Cássio Longinus e Marco Júnio Brutus matam a facadas nos Idos de Março na escadaria do Senado da República Romana Caio Júlio César, um dos maiores generais de todos os tempos, que se tornara um ditador.

Ele agoniza e morre aos pés da estátua de seu inimigo Cneu Pompeu. Ao ser esfaqueado por Brutus, seu protegido por ser filho de uma de suas amantes, não esconde seu espanto: "Até tu, Brutus, filho meu?"

César nasce em 13 de julho de 100 AC na família Julii, de patrícios, mas sem uma posição de destaque na aristocracia romana. Começa a vida pública em 78 AC como promotor público do Partido Popular, que é contra o patriciado, e conquista apoio por causa das propostas reformistas e do talento como orador.

Em 78 AC, Júlio César organiza um exército particular para enfrentar o rei de Pontus, um reino ao sul do Mar Negro. Ele se alia a Cneu Pompeu, o líder do Partido Popular, mas toma a liderança quando Pompeu sai de Roma para ser comandante das forças do Leste da República Romana, em 67 AC.

Quatro anos depois, em 63 AC, César é eleito Pontifex Maximus (Supremo Pontífice), possivelmente com muito suborno e compra de votos. Em 61 AC, é nomeado governador da Hispânia Ulterior. Volta a Roma em 60AC com a ambição de se tornar cônsul, o mais alto cargo da república, ocupado por dois políticos ao mesmo tempo por períodos de um ano.

Os cônsules comandam o Exército, presidem o Senado, executam seus decretos e representam Roma nas relações exteriores. César forma então o Primeiro Triunvirato, uma aliança com Pompeu e Marco Licínio Crasso, o homem mais rico de Roma. Em 59 AC, é eleito cônsul.

Em 58 AC, César assume o comando de quatro legiões romanas na Gália Cisalpina e na Ilíria. Conquista toda a Gália, que incluía o que hoje é a França, a Bélgica, a Suíça e partes da Alemanha e da Itália, mas não consegue invadir o que hoje é a Inglaterra.

O sucesso militar provoca o rompimento da aliança. Sob pressão de Pompeu, o Senado manda César dissolver seu exército. Ele se nega a fazer isso. Ao cruzar o Rio Rubicão, na fronteira da Gália Cisalpina com a Itália, declara guerra a Pompeu.

César vence na Espanha e na Itália, mas é obrigado a fugir para a Grécia. Em agosto de 48 AC, com exército menos numeroso, arma uma emboscada para as forças do Senado Romano sob o comando de Pompeu, que foge para o Egito, onde é assassinado por um agente do rei.

Depois de alguns anos percorrendo os domínios romanos para consolidar o poder, César volta a Roma em 45 AC. É proclamado ditador perpétuo e anuncia uma série de reformas. A mais duradoura é o Calendário Juliano, o primeiro baseado no ano solar e não nas fases da Lua, substituído a partir do século 16 pelo Calendário Gregoriano. Também planeja expansão do império pela Europa Central e Oriental.

Os conspiradores acreditam que a morte de César vai restaurar a República Romana. Mas há uma nova guerra civil. Marco Antônio, Otávio e Lépido formam o Segundo Triunvirato na guerra contra os assassinos de Júlio César. 

Depois da vitória, eles brigam entre si. Lépido vai para o exílio e Marco Antônio se suicida com a derrota para Otávio na Batalha de Ácio, em 31 AC.

Caio Júlio César Otávio é proclamado primeiro imperador romano em 16 de janeiro de 27 AC e acrescenta o nome de Augusto. É o fim da República. 

Augusto governa até a morte, em 19 de agosto de 14 depois de Cristo. Quando Jesus nasceu, Otávio César Augusto era o imperador romano. Apesar das guerras expansionistas nas fronteiras do império, Roma em si vive um período de 200 anos de paz, a Pax Romana, quebrada em 68 e 69 DC por uma guerra civil em torno da sucessão.

EXPOSIÇÃO DE VAN GOGH

    Em 1901, onze anos depois de sua morte por suicídio, 71 pinturas do genial artista holandês Vincent Van Gogh são expostas na Galeria Bernheim-jeune, em Paris. Com sua riqueza de cores e estilo, causam sensação no meio artístico.

Van Gogh nasce em Zundert, na Holanda, em 1853. Trabalha como vendedor em galeria de arte, professor, vendedor de livros e pregador entre os mineiros da Bélgica antes de descobrir sua vocação artística.

Sua década produtiva começa em 1880. Ele estuda desenho na Academia de Bruxelas e vai para a Holanda em busca do contato com a terra e a natureza. Pinta Os Comedores de Batata, um quadro sombrio sobre a vida dura dos camponeses, considerado sua primeira grande obra.

Em 1886, vai viver com o irmão, Theo, em Paris, onde conhece grandes pintores pós-impressionistas, Henri de Toulouse-Latrec, Paul Gauguin, Camille Pissarro e Georges Seurat. A conselho de Pissarro, passa a usar uma palheta multicolorida que provoca uma explosão de cores nas suas telas.

A toxicidade das tintas coloridas contribui para os problemas mentais que o abalam. Em 1888, Van Gogh vai para Arles, no Sudeste da França, onde tem um ano de extraordinária criatividade, quando pinta sua série Girassóis.

Van Gogh quer formar uma comunidade de artistas. Convida Gauguin para ir para Arles. No fim de dois meses de convivência difícil, num gesto de loucura, Van Gogh ameaça Gauguin com uma navalha e corta um pedaço da própria orelha.

Depois de dois meses no hospital de Arles, Van Gogh vai para um asilo em Saint-Remy-de-Provence, onde fica 12 meses e continua produzindo entre surtos de doença mental. A Noite Estrelada (1889) é desta época.

Em maio de 1890, deixa o asilo. Vai para Paris e depois se muda para a casa do Dr. Ferdinand Gachet, um médico homeopata amigo de Pissarro, em Auvers-sur-Oise. Ainda trabalha, mas a saúde mental se deteriora. 

Deprimido, Van Gogh se considera um peso para um irmão, se dá um tiro em 27 de julho de 1890 e morre dois depois, nos braços de Theo.

Ao longo da carreira, criou 2,5 mil obras de artesAntes de se matar, só vende um único quadro, A Vinha Encarnada, por 400 francos, na Bélgica. Em 1990, o Retrato do Dr. Gachet é leiloado em Nova York por US$ 82,5 milhões.

A exposição em Paris é a primeira a reconhecer sua genialidade.

FIM DO CZARISMO

    Em 1917, durante a Revolução de Fevereiro (março pelo calendário atual), o czar Nicolau II, o Sanguinário, é forçado a abdicar. É o fim do Império Russo e da Dinastia Romanov, que governou o país por mais de 300 anos.

Nicolau II (I894-1917) é o último imperador da Rússia, rei da Polônia e grão-duque da Finlândia. Passa a ser chamado de Nicolau, o Sanguinário, por causa do Massacre de Khodinka na festa de sua coroação. quando morrem 1.389 pessoas, da perseguição aos judeus, das execuções de inimigos políticos pelo Domingo Sangrento, quando mandou atirar na multidão que cercava o palácio durante a Revolução de 1905, precursora das revoluções de 1917.

Durante o reinado do último czar, a Rússia vai de uma das grandes potências mundiais para um país em colapso total. É humilhada pelo Japão na Guerra do Pacífico (1904-5), a primeira derrota de uma potência branca e europeia para um país não europeu desde que a expansão do Império Otomano foi barrada nos portões de Viena, em 1684. Nicolau II pretende usar a guerra para revigorar o nacionalismo russo.

VOTO PARA OS NEGROS

    Em 1965, diante de uma sessão conjunta do Congresso dos Estados Unidos, o presidente Lyndon Johnson (1963-69) defende a aprovação de uma lei para garantir o direito de voto para todos e usa o lema do movimento negro: "We shall overcome" (Nós devemos superar).

A 15ª Emenda à Constituição dos EUA, aprovada depois da Guerra da Secessão (1861-65), dá o direito de votos a todos, mas vários criam legislações contra o voto dos negros, com exigências como alfabetização ou testes de caráter a que os eleitores brancos não são submetidos.

O discurso é feito dias depois da violenta repressão policial a uma marcha de protesto contra o racismo em Selma, no Alabama, um dos estados mais conservadores do Sul dos EUA.

Em 6 de agosto, Johnson sanciona a Lei dos Direitos de Voto, que torna ilegal qualquer medida para impor restrições aos direitos de votos. O presidente Richard Nixon (1969-74) amplia os direitos e reduz a idade mínima para votar para 18 anos em todo o país.

SEXTAS PELO FUTURO

    Em 2019, mais de 1,5 milhão de estudantes participam de protestos contra o aquecimento global como parte das Sextas-Feiras pelo Futuro, uma iniciativa da jovem ativista sueca Greta Thunberg.

Greta Tintin Eleonora Ernman Thunberg nasce em Estocolmo em 3 de janeiro de 2003. Ela tem a chamada Síndrome de Asperger, hoje considerada parte do espectro autista. Durante três semanas antes das eleições de 2018 na Suécia, ela mata aula para se sentar diante do Parlamento com uma faixa dizendo "Greve Escolar pelo Clima".

No primeiro dia, ela fica sozinha, mas a cada dia mais gente se junta ao protesto. Depois das eleições, ela volta à escola, mas continua faltando nas sextas-feiras para manter o protesto, chamado de Sextas-Feiras pelo Futuro. A greve escolar se espalha por outros países, inclusive a Bélgica, o Canadá, a Dinamarca, os Estados Unidos, a Finlândia, a França e a Holanda.

Ela discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, no Parlamento Europeu, nos parlamentos dos EUA, da França, da Itália e do Reino Unido. Em setembro de 2019, vai a Nova York num barco a vela que não emite gases que agravam o efeito estufa para falar num evento das Nações Unidas e faz um discurso pungente: "Vocês roubaram meus sonhos e minha infância com suas palavras vazias. (...) Estamos no começo de uma extinção em massa e tudo o que vocês conseguem falar é sobre dinheiro e seus contos de fadas de um crescimento econômico eterno. Como ousam?"

quarta-feira, 5 de março de 2025

Trump marca data para tarifaço e ameaça tomar Groenlândia à força

No mais longo discurso de um presidente dos Estados Unidos no Congresso, em 99 minutos, Donald Trump mentiu, se autoelogiou, exaltou o ataque do bilionário Elon Musk à máquina do Estado e falou para sua base. Num sectarismo que aprofunda a divisão do país em que apostou para se reeleger, descreveu um cenário de violência, decadência e catástrofe econômica no governo Joe Biden. O deputado democrata Al Green foi expulso do plenário por protestar contra o discurso, algo inédito.

De concreto, prometeu um novo tarifaço para 2 de abril, citando o Brasil entre os alvos, prometeu mais uma vez retomar o Canal do Panamá, sem dizer se basta uma empresa dos EUA assumir o controle dos portos de entrada e saída, ameaçou dominar a Groenlândia "de um jeito ou de outro" e anunciou que o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, enviou mensagem dizendo estar pronto para negociar a paz depois de ser humilhado na Casa Branca na sexta-feira passada.

A popularidade ds presidente dos EUA está em queda: 59% dos eleitores independentes não aprovam o governo; 45% acreditam que o país não está na direção correta e 39% acham que sim; e 52% entendem que Trump não está se dedicando aos maiores problemas do país, especialmente a alta no custo de vida.

Trump repetiu os temas de sempre: imigração, cortar "desperdício, fraude e abuso", guerras culturais contra o politicamente correto e ataques a Joe Biden. Falou que o Departamento de Eficiência Governamental (Doge) chefiado por Musk encontrou problemas de "centenas de bilhões de dólares" sem mencionar provas. Musk fala em US$ 105 bilhões, mas a página do Doge registra apenas US$ 18,6 bilhões.

O presidente também defendeu a pena de morte para assassinos de policiais e a criação de um sistema de defesa antimísseis. Pouco disse sobre o que mais preocupa os eleitores, a inflação e o custo de vida.

"Os EUA estão de volta. Seis semanas atrás, proclamei o início de uma idade de ouro" e disse que desde então fez "um esforço rápido e incansável para criar essa nova era", arrancando os primeiros protestos dos democratas, que levantaram discos dizendo "Falso", "Trump mente" e "Musk rouba". Os líderes democratas se negaram a participar do cortejo na entrada do presidente.

No seu estilo hiperbólico, grandiloquente e mentiroso, Trump afirmou que recebeu um mandato como não se via há décadas. Em realidade, não teve maioria absoluta.

Em 43 dias, Trump baixou mais de 100 decretos e mais de 400 iniciativas. Declarou que é o governo mais bem-sucedido, à frente de George Washington (1789-97), ignorando os 100 primeiros dias de Franklin Roosevelt (1933-45) na luta contra a Grande Depressão (1929-39).

ATAQUE À MAQUINA PÚBLICA

Trump se vangloriou de congelar as contratações, as regulamentações e a ajuda externa do governo federal dos EUA. "Acabei com o Novo Pacto Social Verde e com o Acordo de Paris, que nos custa trilhões de dólares. Saí da corrupta Organização Mundial da Saúde (OMS) e do antinorte-americano Conselho de Direitos Humanos da ONU."

Quando voltou ao Acordo de Paris sobre Mudança do Clima, em 2021, Biden prometeu US$ 11,4 bilhões. Ao falar em trilhões, Trump mostra mais uma vez que não tem o menor compromisso com a verdade.

Depois de atacar as ambiciosas políticas ambientais de Biden, Trump partiu para as guerras culturais tão a gosto da extrema direita: "Acabei com toda a censura e trouxe a liberdade de expressão de volta", enquanto ameaça prender jornalistas Ele foi excluído do Twitter e do Facebook por fomentar o assalto ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021, numa tentativa de golpe de Estado sem precedentes na história dos EUA.

"Renomeei o Golfo do México como Golfo da América. Renomeei o Monte McKinley. Acabei com a tirania da diversidade, equidade e inclusão no governo e no setor privado. (...) Removi a teoria crítica sobre raça das escolas. Decidi que só existem dois gêneros: masculino e feminino. Proibi homens de disputar esportes femininos." Trump proibiu os tratamentos para mudança de gênero antes dos 19 anos.

É o que ele chama de "revolução do senso comum". Não há mais nenhum negro e nenhuma mulher no Estado-Maior das Forças Armadas dos EUA, só generais brancos.

Por causa das campanhas antivacinas, das quais o secretário da Saúde, Robert Kennedy Jr., é um dos principais responsáveis, há hoje mais casos de sarampo no Texas do que atletas transgêneros no país inteiro.

Ao prometer reduzir o custo de vida, se limitou a acenar com uma redução nos preços de energia com maior exploração de gás e petróleo.

Para defender a devassa e virtual destruição da Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (USAID), Trump chegou a dizer que financiava camundongos transgêneros. Com menos de 0,7% do orçamento federal, a agência era responsável por 40% da ajuda humanitária no mundo.

Numa das grandes mentiras da noite, Trump teve a cara de pau de dizer que há mais de 4,7 milhões pessoas de mais de 100 anos recebendo benefícios previdenciários, inclusive um de 360 anos. Na verdade, a Previdência Social paga benefícios a 89 mil centenários.

"Vamos equilibrar o orçamento federal, o que não se faz há 24 anos", prometeu o presidente. Na campanha eleitoral de 2000, a discussão era o que fazer com o superávit de US$ 100 bilhões. O então vice-presidente Albert Gore Jr. queria fortalecer a Previdência Social. O candidato vencedor, George Walker Bush, preferiu dar cortes de impostos para os ricos.

O que Trump pretende fazer? Dar mais cortes de impostos para bilionários e multimilionários. A estimativa é que reduzam a arrecadação em pelo menos US$ 5 trilhões em 10 anos. Assim, a dívida pública dos EUA, que está hoje em US$ 36 trilhões, vai aumentar. 

Musk calculou que o país gaste US$ 1 trilhão por ano com os juros da dívida, mais do que o orçamento do Departamento da Defesa (Pentágono) para 2025, que é de US$ 850 bilhões. Trump ameaçou perseguir deputados e senadores que votarem contra os cortes de impostos para que não se reelejam.

"Há 100 anos a burocracia federal cresce e atrapalha os negócios. Centenas de milhares não aparecem para trabalhar. O governo dos burocratas não eleitos acabou", continuou Trump. A Casa Branca diz que só 6% dos funcionários federais se apresentam para trabalhar, o que é uma mentira. Paralisaria a máquina pública.

REINDUSTRIALIZAÇÃO

Outra proposta é reindustrializar os EUA com energia barata e altas tarifas sobre produtos importados enquanto oferece isenções de impostos para quem abrir fábricas no país: "É nossa hora de impor tarifas", anunciou citando como alvos, além do México, do Canadá e da China, já supertarifados, a União Europeia, o Brasil e a Índia. A ideia é usar a reciprocidade, cobrando as mesmas tarifas que outros países cobram sobre importações dos EUA.

Em relação ao México e ao Canadá, que prometeram na terça-feira retaliar o tarifaço de Trump, o presidente acusou-os pela imigração ilegal e o tráfico de droga fentanil. A imigração ilegal através da fronteira do Canadá é mínima e lá só foram aprendidos 20 quilos de fentanil no ano passado, 500 vezes menos do que na fronteira com o México. Isto indica que o objetivo dos tarifaços é equilibrar a balança comercial, que registrou um déficit de US$ 918,4 bilhões no ano passado.

Ele admitiu que a guerra comercial vai trazer "alguns distúrbios", mas alegou que a estratégia protecionista já resultou em promessas de investimentos de US$ 1,3 trilhão. Pelo discurso de Trump, os tarifaços não são apenas uma jogada para negociar, como sugeriu  o secretário do Comércio, Howard Lutnick. Devem ser de longo prazo.

SEGURANÇA

Ao abordar a imigração ilegal, outro tema favorito do presidente fascistoide, começou com uma grande mentira: "21 milhões entraram no país nos últimos quatro anos", descritos mais uma vez como traficantes, estupradores e assassinos. A estimativa é que haja 11 milhões de imigrantes ilegais nos EUA. Trump levou a mãe e a irmã de uma joven assassinada para dizer que "a morte de Laken Riley não foi em vão." A mãe foi aplaudida e chorou. Faz parte do circo desses discursos presidenciais.

"Não precisávamos de uma nova lei para garantir a segurança na fronteira. Tudo o que precisávamos era de um novo presidente. A invasão de imigrantes destruiu várias cidades." Citou como exemplo Springfield, no estado de Ohio. Durante a campanha, acusou refugiados haitianos de comer cães e gatos de estimação na cidade, uma mentira.

Trump prometeu ir à guerra contra os cartéis mexicanos do tráfico de drogas e atribuiu à guerra comercial a deportação de 29 traficantes entregues pelo México ao governo norte-americano. Insistiu que está fazendo a maior deportação de ilegais da história, mas os números são muito inferiores ao que pretendia.

A fim de aumentar a segurança nas cidades, acenou com uma reforma do sistema de justiça que na verdade tenta blindá-los de futuros processos: "Nosso sistema de justiça foi virado de cabeça para baixo por lunáticos para instrumentalizar a Justiça contra adversários políticos como eu", um criminoso condenado por forjar documentos de suas empresas para encobrir a compra do silêncio de uma atriz pornô com quem teve um caso. 

Outros três processos, dois por tentar fraudar a eleição de 2020 e tentar um golpe, e o terceiro por levar para casa documentos secretos e ultrassecretos, foram extintos pela reeleição.

"Para aumentar a segurança nacional, vamos retomar o Canal do Panamá", reiterou Trump. Não explicou se basta uma empresa norte-americana assumir o controle dos portos de entrada e saída do canal, que estavam com chineses, ou se planeja reassumir o controle total.

"Também tenho uma mensagem para o povo da Groenlândia. Vocês têm o direito de escolher seu futuro e se quiserem se unir a nós", prometeu um futuro de segurança e riqueza, mas acrescentou uma ameaça: "De um jeito ou de outro, vamos conseguir. Vamos proteger vocês e torná-los ricos. É fundamental para a segurança do mundo."

O presidente anunciou que o terrorista do Estado Islâmico que atacou a retirada norte-americana do Afeganistão foi preso com a ajuda do Paquistão e está sendo enviado para responder processo nos EUA. Cerca de 170 civis e 13 militares norte-americanos morreram no ataque. Trump negociou a paz com a Milícia dos Taleban sem exigir desarmamento nem acordo com o governo afegão apoiado pelos EUA.

Sobre o Oriente Médio, elogiou os Acordos de Abraão de reconhecimento de Israel por quatro países árabes (Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Marrocos e Sudão). Nenhum deles estava em guerra com Israel. Não falou no projeto para expulsar os palestinos e transformar a Faixa de Gaza num empreendimento imobiliário. Os aliados árabes já apresentaram um plano alternativo.

Trump insistiu na mentira de que os EUA deram mais ajuda à Ucrânia do que a Europa, no valor de US$ 350 bilhões, mesmo depois de ser corrigido na Casa Branca pelo presidente da França, Emmanuel Macron, que esclareceu que a Europa deu 60% do total da ajuda. Os EUA deram pouco mais de US$ 100 bilhões.

"Hoje recebi uma carta do presidente [Volodymyr] Zelensky dizendo que a Ucrânia está pronta para negociar a paz", anunciou Trump. Na verdade, só repetiu uma mensagem publicada na rede social X pelo líder ucraniano, humilhado na sexta-feira passada na Casa Branca por não querer assinar um acordo para ceder a metade da riqueza mineral do país sem garantias de segurança contra um possível futuro ataque da Rússia.

Aliás, ele praticamente não falou da China e da Rússia, maiores inimigas dos EUA.

REAÇÃO DEMOCRATA

A resposta do Partido Democrata, feita pela senadora por Michigan Elissa Slotkin, se concentrou em três pontos: a economia, a classe média e a democracia – ameaçadas por Trump.

"Seus planos não ajudam a maioria dos norte-americanos a avançar. Ele está cortando impostos para os bilionários. As tarifas vão aumentar os preços. A dívida pública vai aumentar. Ele pode provocar uma recessão, advertiu a senadora.

Ela acusou Musk de citar a Previdência Social como grande fonte de fraudes, enquanto demite quem cuida das armas nucleares, controladores de voo e pesquisadores do combate ao câncer. Slotkin acrescentou que de nada adianta reforçar a segurança na fronteira sem mudar o sistema de imigração e alertou que a democracia está ameaçada.

Ao concluir, disse que "é fácil ficar exausto, mas não dá". Propôs que os cidadãos se organizem cobrem mais dos políticos e ajam. "Os maiores movimentos vêm de baixo para cima. Vivemos momentos de instabilidade o passado. Precisamos de cidadãos engajados e líderes com princípios."

O grande desafio dos democratas é resistir como possível até as eleições de 2026, quando Trump deve perder a maioria na Câmara e virar um "pato manco", expressão que os norte-americanos usam para se referir a políticos em fim de mandato. Será uma longa travessia para os EUA e o resto do mundo.

segunda-feira, 30 de setembro de 2024

Hoje na História do Mundo: 30 de Setembro

 FLAUTA MÁGICA

    Em 1791, a ópera A Flauta Mágica, de Wolfgang Amadeus Mozart, estreia em Viena.

Um dos maiores músicos e compositores de todos os tempos, Mozart nasce em Salzburgo, na Áustria, em 27 de janeiro de 1756, ano em que o pai, Leopold, publica um manual sobre como tocar violino. 

O talento do menino é formidável. Aos três anos, tira os primeiros acordes no cravo. Aos quatro, toca pequenas peças. Aos cinco, compõe. O pai leva o menino-prodígio a viajar pela Europa. 

Em Paris, Mozart publica sua primeira composição: uma sonata para teclado e violino dedicada a uma princesa real. Em Londres, conhece Johann Christian Bach, filha mais moço de Johann Sebastian Bach, outro dos maiores compositores da história. Sob sua influência, Mozart compõe sua primeira sinfonia.

Aos 13 anos, Mozart domina a linguagem musical. Como nenhum outro compositor, escreve músicas de todos os gêneros de sua época e é excelente em todos.

PRIMEIRO DEPUTADO HISPÂNICO

    Em 1822, Joseph Marion Hernández é o primeiro hispânico eleito para o Congresso dos Estados Unidos.


Hernández nasce na Espanha e morre em Cuba. Durante a vida, é o primeiro hispano-americano a servir no alto nível de um dos três poderes dos EUA.

WILSON DEFENDE VOTO FEMININO

    Em 1918, o presidente Woodrow Wilson defende o voto feminino em discurso no Congresso dos Estados Unidos.

A Câmara dos Representantes aprova a 19ª Emenda à Constituição dos EUA, que institui o voto feminino, mas ainda falta a aprovação do Senado.

Em 1917, Wilson enfrenta piquetes de sufragettes que o acusam de não se importar com sua causa. Várias ativistas são presas e fazem greve de fome na cadeia. Quando sabe que elas estão sendo alimentadas à força, Wilson decide fazer o pronunciamento.

Mesmo assim, a emenda só é aprovada em 4 de junho de 1919. Ela diz que “o direito de voto dos cidadãos dos EUA não pode ser negado ou restringido com base no sexo.”

ACORDO DE MUNIQUE

    Em 1938, os primeiros-ministros do Reino Unido, Neville Chamberlain, e da França, Edouard Baladier, cedem a região dos Sudetos, na Tcheco-Eslováquia, à Alemanha de Adolf Hitler para evitar a guerra, mas só conseguem adiá-la por um ano.

Depois de anexar a Áustria na primavera de 1938, Hitler começa a apoiar a reivindicação dos tcheco-eslovacos de origem alemã da região dos Sudetos por relações mais próximas com a Alemanha, dentro de seus planos para criar a Grande Alemanha.

Hitler exige, em 22 de setembro, a cessão imediata dos Sudetos e a remoção da população de origem eslava. No dia seguinte, a Tcheco-Eslováquia mobiliza o Exército, mas a França e o Reino Unido decidem evitar a guerra.

Chamberlain e Baladier vão a Munique em 24 de setembro e acabam entregando os Sudetos a Hitler. De volta a Londres, Chamberlain apresenta o Acordo de Munique como uma garantia de “paz no nosso tempo”.

Em março de 1939, a Alemanha toma o resto da Tcheco-Eslováquia. A invasão da Polônia pelos nazistas, em 1º de setembro de 1939, marca o início da Segunda Guerra Mundial. Mais uma vez, Hitler alega que as populações de origem alemã estão sendo perseguidas. Desta vez, a França e o Reino Unido declaram guerra à Alemanha.

PONTE AÉREA DE BERLIM

    Em 1949, depois de mais de 278 mil voos que transportam 2.323.738 toneladas de carga em um ano e três meses, termina a Ponte Aérea dos aliados ocidentais para romper o Bloqueio de Berlim Ocidental, imposto pelo ditador soviético Josef Stalin em 24 de junho de 1948.

Quando termina a Segunda Guerra Mundial (1939-45), os Estados Unidos, o Reino Unido, a França e a União Soviética ocupam a Alemanha. Os setores dominados pelas potências ocidentais adotam o sistema capitalista e a parte soviética o regime comunista.

Berlim, a capital da Alemanha, também é dividida e fica dentro do lado oriental. Berlim Ocidental se torna então um enclave capitalista no setor soviético. Quando os aliados anunciam a formação do que seria a Alemanha Ocidental, a URSS reage. Ao bloquear o acesso terrestre à cidade, Stalin pressiona os aliados ocidentais a ceder o controle da cidade, mas perde a parada.

Em resposta ao Bloqueio de Berlim, nasce em 4 de abril de 1949 a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos EUA, para conter o expansionismo soviético.

NAUTILUS ENTRA EM AÇÃO

    Em 1954, o Nautilus, primeiro submarino nuclear, entra em atividade.

O Congresso dos Estados Unidos autoriza a fabricação do submarino nuclear em julho de 1951. A construção começa em 14 de junho de 1952 no estaleiro da General Electric em Connecticut. 

Em 21 de janeiro de 1954, a primeira-dama Mamie Eisenhower quebra uma garrafa de champanha no casco e o Nautilus é lançado ao mar.

Muito maior do que os antigos submarinos movidos a óleo diesel, o Nautilus tem 97 metros de comprimento e atinge uma velocidade de 37 quilômetros por hora. Em 1958, faz a primeira viagem sob o Polo Norte.

ANO EM QUE VIVEMOS PERIGOSAMENTE

    Em 1965, militares rebeldes do Movimento 30 de Setembro sequestram sete generais dos quais seis seriam mortos na madrugada do dia seguinte numa tentativa de golpe frustrada na Indonésia. O movimento alega que dá o golpe para evitar um golpe contra o presidente Ahmed Sukarno, um nacionalista de esquerda, que é derrubado num golpe liderado pelo general Mohamed Suharto com o apoio dos Estados Unidos durante a Guerra Fria.


No fim de 1º de outubro, Suharto toma a iniciativa. Os líderes militares que tomam o poder acusam o Partido Comunista da Indonésia (PKI) de estar por trás da primeira tentativa de golpe. Os comunistas negam qualquer responsabilidade e atribuem a conspiração ao Exército como parte do plano para derrubar Sukarno, que perde os poderes gradualmente até ser substituído por Suharto em março de 1967.

A ditadura militar persegue e massacra os comunistas, a começar por Java e Báli. O total de mortes é estimado em um milhão. É O Ano em que Vivemos Perigosamente, título de um filme sobre a tragédia indonésia. O governo dos EUA sabia de tudo, como revelam documentos secretos desclassificados em 2017 que estão no Arquivo da Segurança Nacional.

Suharto governa como um ditador até 1998, quando cai em meio à Crise Asiática de 1997.

CARICATURAS DE MAOMÉ

    Em 2005, o jornal diário dinamarquês Jyllands Posten publica caricaturas satíricas do profeta Maomé e deflagra uma onda de protestos de muçulmanos no mundo inteiro que vai até fevereiro de 2006, com mais de 250 mortes.

O islamismo só venera Alá (Deus, em árabe). Tem uma grande preocupação de prevenir a idolatria. Não há santos nem nada mais a ser cultuado. As correntes mais radicais proíbem até mesmo a representação da figura humana, o que leva a um conflito com a morte de um príncipe quando a televisão é instalada na Arábia Saudita.

Assim, a visão sarcástica e humorística do jornal dinamarquês é considerada uma blasfêmia em alto grau. O jornal se defende alegando que quer apenas provocar o debate sobre a crítica ao islamismo e a autocensura. Organizações muçulmanas dinamarquesas entram na Justiça, que rejeita o caso em nome da liberdade de imprensa.

Para o primeiro-ministro Anders Fogh Rasmussen, é o pior problema de política externa da Dinamarca depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45). Aumenta a tensão entre o Ocidente e os países muçulmanos, que já era grande com os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 e a Guerra contra o Terror do governo George W. Bush (2001-9), com as invasões do Afeganistão em 2001 e do Iraque em 2003.

O caso provoca um debate sobre liberdade de expressão e tolerância religiosa.

Dez anos depois, em 7 de janeiro de 2015, o jornal semanal francês Charlie Hebdo publica caricaturas de Maomé e é alvo de um atentado terrorista em Paris em que e 12 pessoas, 11 funcionários do jornal e um policial, são metralhados.