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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Governo Trump revoga visto de embaixadora em apoio ao neofascismo

Ao revogar o visto da embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti, o governo Donald Trump ataca o Brasil mais uma vez, numa interferência direta no processo eleitoral para ajudar o candidato da extrema direita.

A medida vem depois da visita do candidato Flávio Bolsonaro à Casa Branca, do enquadramento do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como grupos terroristas, dos novos tarifaços que deixam o Brasil atrás apenas da China na guerra comercial de Trump e da tentativa de enviar representantes do Departamento de Estado norte-americano para questionar o sistema eleitoral brasileiro.

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sexta-feira, 24 de julho de 2026

Trump amplia guerra comercial contra Brasil e outros países

Um novo tarifaço de 10% a 12,5% entrou em vigor hoje contra 59 países, inclusive o Brasil, e a União Europeia sob a alegação de que exportam para os Estados Unidos produtos feitos com trabalhos forçados. Somando com o tarifaço de 25% anunciado na semana passada, muitos produtos brasileiros vão ser taxados em 37,5% para entrar no mercado norte-americano.

Sob a alegação de combater o trabalho escravo, na verdade, Trump tenta recompor o caixa do Tesouro depois que a Suprema Corte dos EUA considerou ilegais tarifas que arrecadaram US$ 166 bilhões no ano passado.

Como Trump só respeita quem o desafia e nunca quem se submete, o Brasil tem a obrigação de retaliar, mas deve agir com inteligência, com foco nas isenções, que são produtos que os EUA não fabricam e que dependem da importação.

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quinta-feira, 16 de julho de 2026

Tarifaço de Trump é interferência direta nas eleições no Brasil

Ao aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos importados do Brasil a partir de 22 de julho, o governo Donald Trump toma mais uma medida para interferir diretamente no resultado das eleições. Como os Estados Unidos têm saldo positivo no comércio com o Brasil, não há razões econômicas para o tarifaço. É uma jogada política para ajudar candidatura de extrema direita do senador Flávio Bolsonaro, o tariflávio.


Há mais de 2.100 produtos isentos, especialmente o que os EUA não produzem ou não produzem em quantidade suficiente para suprir o consumo interno, entre eles carnes, café, suco de laranja e partes para fabricar aviões. Serão atingidos mais de 4 mil produtos, 18% das exportações brasileiras para os EUA, inclusive calçados, móveis e máquinas.

Desde o início da guerra comercial de Trump no ano passado, as exportações para os EUA caíram de 11% para 9% das vendas ao exterior do Brasil, enquanto subiram 17% as vendas para a China. 

Assim, se o objetivo central de Trump é reduzir a influência chinesa na América Latina, o tarifaço é totalmente contraproducente. Mesmo que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não ganhe as eleições, os empresários que fazem negócios com a China vão continuar fazendo negócios com o Brasil.

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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Suprema Corte impõe primeira grande derrota a Trump

Por 6 a 3, a Suprema Corte dos Estados Unidos restaurou em parte na sexta-feira a ordem constitucional e o equilíbrio entre os poderes ao decidir que o presidente Donald Trump não poderia deflagrar sua guerra comercial com base na Lei de Poderes de Emergência Econômica Internacional. Criar impostos e impor tarifas de importação são da competência do Congresso.

Ao reagir à decisão do supremo tribunal dos EUA, Trump insultou os ministros, falou em "desgraça para a nação" e anunciou um aumento da tarifa mínima para importações para o país de 10% para 15%. Sua política econômica foi derrubada e ele usava as tarifas como instrumento de política externa para outras questões.

Trump deflagrou sua guerra comercial contra o resto do mundo (foto), inclusive ilhas habitadas só por focas e pinguins, em 2 de abril, que chamou de Dia da Libertação. Agora, terá de renegociar os acordos fechados nos últimos meses e possivelmente devolver o dinheiro a empresas e consumidores norte-americanos.

Um estudo publicado no jornal inglês Financial Times aponta o Brasil como maior beneficiário da decisão da Suprema. Calcula que a tarifa média sobre importações brasileiras vai cair 13,6 pontos percentuais.

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quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Trump ataca democracia e destrói ordem mundial

Em um ano de desgoverno, com ataques sem precedentes às instituições nacionais e internacionais, o presidente Donald Trump desafiou a democracia nos Estados Unidos e bombardeou a ordem internacional liberal, o sistema multilateral de comércio e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), considera a aliança militar mais bem-sucedida da história.

Do perdão a mais de 1,5 mil criminosos que participaram do assalto ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021 numa tentativa de golpe de Estado ao envio de tropas federais e da polícia de imigração para aterrorizar imigrantes e às ameaças de anexar o Canadá, ocupar a Groenlândia e retomar o Canal do Panamá, Trump extrapolou todos os limites do poder presidencial.

Além de hostilizar aliados históricos que ampliam o poder dos EUA no mundo, Trump declarou uma guerra comercial contra todos, inclusive ilhas habitadas apenas por focas e penguins. A China, a principal inimiga, resistiu e teve um saldo comercial recorde de US$ 1,2 trilhão.

Trump alega que merece o Prêmio Nobel da Paz por ter acabado com oito guerras. Até agora, só num caso chegou a um acordo capaz de levar a uma paz duradoura. Infantil emocionalmente, escreveu ao primeiro-ministro da Noruega para dizer que não pensa mais só na paz porque não ganhou o prêmio. É uma desgraça para os EUA e para o mundo.

Depois da gravação, Trump anunciou um acordo negociado pelo secretário-geral da OTAN para que os EUA tenham mais bases militares na Groenlândia. Já tiveram 17 durante a Guerra Fria, com base num tratado firmado em 1951 com a Dinamarca. Com o fim da União Soviética, deixaram só uma.

As empresas norte-americanas podem negociar acordos de exploração dos recursos naturais. Assim, não existe a menor necessidade de que os EUA tenham soberania para garantir a segurança nacional e o acesso aos recursos.

O que Trump quer mesmo é entrar para a história como um presidente que ampliou o território dos EUA como os czares russos Ivã o Terrível, Pedro o Grande, Catarina a Grande e o ditador soviético Josef Stalin, ídolos de seu amigo Vladimir Putin, numa volta ao imperialismo do século 19.

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sábado, 2 de agosto de 2025

Trump aceita falar com Lula mas o diálogo é difícil

Pela primeira vez desde que anunciou um tarifaço de 50% sobre importações do Brasil, a maior alíquota de sua guerra comercial, o presidente Donald Trump admitiu ontem estar disposto a conversar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. É um diálogo difícil porque Trump exige o fim do processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Os Estados Unidos anunciaram há dois dias as tarifas que serão impostas a partir de 7 de agosto pela guerra comercial de Trump aos países que não fecharam acordos. Até agora, só fizeram acordos países que dependem de Washington para segurança e defesa. É um sinal de que essas negociações nunca são só sobre comércio para equilibrar a balança comercial norte-americanas.

Há tarifas punitivas. É o caso do Brasil, que tem déficit comercial com os EUA. O país conseguiu isenção do tarifaço para 694 produtos, mais de 40% das exportações para os EUA, que serão taxados em 10%, a alíquota anunciada em 2 de abril. Ficaram de fora desta isenção itens importantes da pauta de exportações como carne e café. O governo brasileiro vai continuar negociando a questão comercial, mas rejeita a interferência política.

Trump parece determinado a apostar na eleição no próximo ano de um presidente brasileiro que seja seu aliado e afaste o Brasil da China numa nova guerra entre os EUA e a China.

segunda-feira, 21 de julho de 2025

Governo do Japão perde maioria no Senado

Com a derrota nas eleições de ontem para o Senado, o Partido Liberal-Democrata (PLD), que governa o Japão há 70 anos com breves interrupções, e seu aliado Komeito (Partido do Governo LImpo) ficam sem maioria nas duas casas do Congresso pela primeira vez. 

É a terceira derrota consecutiva do primeiro-ministro Shigeru Ishiba. Ele perdeu a maioria na Câmara em outubro do ano passado, quando assumiu a liderança do PLD, e as eleições municipais em Tóquio em janeirpo deste ano. Por enquanto, resiste às pressões para renunciar e não quer ampliar a coalizão de governo.

A derrota enfraquece o Japão no momento de negociações delicadas com os Estados Unidos para escapar da ameaça do presidente Donald Trump de um tarifaço de 25% capaz de abalar as exportações japonesas, especialmente de automóveis, carro-chefe da indústria do país. Nas primeiras rodadas de negociação, os EUA quiseram impor exigências de abertura de mercado sem contrapartida e o Japão não aceitou.

Se o governo japonês resistir às ameaças de Trump, a situação econômica, que já é difícil, vai piorar. Se ceder, Ishiba será visto como um primeiro-ministro ainda mais fraco. A dívida pública pode chegar neste ano a 272% do produto interno bruto (PIB). É proporcionalmente a maior do mundo. Segunda maior economia do mundo até ser superado pela China em 2010, o Japão foi ultrapassado pela Alemanha e neste ano deve ficar atrás da Índia. Depois de décadas de deflação, a inflação foi de 3,2% ano em junho e o aumento dos preços dos alimentos de 7,1%, gerando insatisfação. O preço do arroz, base da alimentação japonesa, dobrou em um ano.

O Senado do Japão tem 248 cadeiras. Faltaram três para a coalizão governista manter a maioria absoluta. Os maiores avanços foram do Partido Democrático para o Povo (PDP), que cresceu de 9 para 22 senadores, e o partido de extrema direita Sanseito (Partido da Participação Popular), antiestrangeiros, que passou de 2 para 15 senadores.

São dois partidos populistas que usam as redes sociais para angariar prestígio junto aos jovens, cada vez mais preocupados com o futuro do Japão. Sua ascensão indica uma fragmentação do sistema político japonês e consequente aumento da instabilidade.

De centro-direita, o PDP nasceu em 2018 da fusão entre o Partido Democrático (PD) e o Partido da Esperança (PE) com as promessas de revitalizar a economia, reforma do setor de energia e aumentar a prontidão para a guerra diante da ascensão da China e do isolamento crescente dos EUA. Está entre o conservador PLD e o Partido Democrático Constitucional do Japão (PDCJ), de centro-esquerda, o maior da oposição, antimilitarista e contra a energia nuclear, que pode ser convidado para integrar o governo para formar maioria.

O programa do PDP defende o crescimento com maior distribuição da renda, estímulo estatal à economia, investimento em inovação e aumento da produtividade, parceria público-privada para modernizar a infraestrutura e a indústria, aumento salarial, igualdade de gênero no mercado de trabalho, assistência à infância para aumentar a natalidade e conter a queda na população, reforma constitucional e reforma tributária para fortalecer os trabalhadores e a classe média.

No setor de energia, o PDP quer a eliminação gradual da energia nuclear, transição para energia de fontes renováveis, liberalização do mercado de energia, autossuficiência e sustentabilidade ambiental. 

Depois do acidente nuclear de Fukushima, causado pelo terremoto e maremoto de 11 de março de 2011, o Japão desligou em 2013 todas as 48 usinas atômicas. Elas eram responsáveis por mais de 25% da energia elétrica do país; 94% passaram a ser gerados por combustíveis fósseis e 6% por fontes renováveis. 

Em 2015, duas usinas nucleares foram religadas. Doze reatores voltaram a funcionar até fevereiro deste ano e outros 15 pediram licença para funcionar. A energia atômica é considerada essencial para que o país cumpra as metas de redução de emissões de combustíveis fósseis prometidas com base no Acordo de Paris sobre Mudança do Clima.

Na política externa e em defesa, o PDP quer fortalecer a capacidade militar mantendo a aliança com os EUA como base da segurança nacional. Defende uma revisão moderada do artigo 9 da Constituição imposta pelos EUA em 1947, depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45). O art. 9 proíbe o Japão de ir à guerra e de projetar seu poderio militar no exterior.

O Sanseito é um partido de extrema direita fundado em 2020. Tem várias semelhanças ao trumpismo, como o slogan "primeiro, os japoneses", o gosto por teorias conspiratórias, cortes de impostos, e a rejeição a imigrantes e estrangeiros. Difundiu notícias falsas contra vacinas e sobre a pandemia da covid-19 (doença do coronavírus de 2019). Ao mesmo tempo, defende a espiritualidade e a alimentação natural, com produtos orgânicos. 

Em maio de 2025, seu secretário-geral, Sohei Kamiya foi acusado de revisionismo histórico ao afirmar que durante a Batalha de Okinawa, no fim da guerra, os okinawenses foram mortos apenas por soldados norte-americanos e não pelo Exército Imperial Japonês, notório por seus crimes de guerra.

quinta-feira, 10 de julho de 2025

Trump ameaça impor tarifas de 50% para defender Bolsonaro

Na sua guerra comercial contra o mundo inteiro, o presidente Donald Trump fez ontem um ataque sem precedentes ao Brasil, anunciando a imposição de tarifas de importação de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto se o processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, que chamou de "vergonha internacional" e "caça às bruxas", não acabar imediatamente.


Em carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Trump também citou as medidas contra as empresas norte-americanas de alta tecnologia donas de redes sociais para impedir a divulgação de notícias falsas e ataques à democracia. Só no terceiro parágrafo entrou na questão comercial. Trump acusou o Brasil de impor barreiras tarifárias e não tarifárias que prejudicam a economia dos Estados Unidos, embora o país tenha saldo positivo no comércio bilateral.

Depois de uma reunião em Brasília, o presidente Lula rejeitou categoricamente a chantagem: "O Brasil é um país soberano com instituições independentes que não aceitará ser tutelado por ninguém." E avisou que vai reagir na mesma medida se a ameaça se concretizar.

Mais do que uma questão econômica, o tarifaço de Trump é uma tentativa de interferência no Poder Judiciário e na política nacional para influenciar as eleições de 2026. As entidades empresarias pediram negociações, mas a intervenção estrangeira na política e nos processos criminais pela tentativa de golpe de Estado é totalmente inaceitável e inegociável. 

O Brasil tem uma economia bastante fechada. Pode negociar uma abertura comercial. Mas, neste caso, Trump ameaça reduzir as tarifas apenas parcialmente. O que quer mesmo é a eleição de um presidente brasileiro que lhe seja subserviente.

terça-feira, 13 de maio de 2025

EUA e China têm trégua temporária na guerra comercial

Os Estados Unidos e a China concordaram ontem em negociações em Genebra, na Suíça, em reduzir as tarifas de importação em 115 pontos percentuais. A trégua de 90 dias na guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo traz um alívio para a economia mundial. 

As bolsas de valores voltaram ao nível de 2 de abril, o dia do anúncio do tarifaço, mas as questões de fundo permanecem: o déficit comercial dos EUA, as restrições à venda de microprocessadores à China, a competição tecnológica em torno da inteligência artificial.

A alíquota de 145% imposta pelo presidente Donald Trump à China e a retaliação chinesa de 125% inviabilizavam o comércio bilateral. As negociações começaram há três semanas. Durante uma reunião do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Washington, o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, encontrou-se com o ministro das Finanças da China, Lan Fo'an. No fim de semana, Bessent esteve em Genebra com o vice-primeiro-ministro chinês para questões econômicas, He Lifeng.

A rapidez do acordo indica que as duas partes estavam interessadas num recuo. Ambas cantaram vitória. Na prática, quem cedeu foi Trump, ao pressupor que poderia aumentar as tarifas impunemente. Depois, ameaçou não negociar com quem retaliasse.

A trégua dá um respiro à economia mundial, mas um acordo comercial entre as duas maiores economias ainda está distante e é apenas um aspecto da competição econômica, política, científica, tecnológica e militar entre os EUA e a China pela supremacia mundial.

quarta-feira, 9 de abril de 2025

Trump recua diante da ameaça de recessão

 O tarifaço global do presidente Donald Trump durou menos de 24 horas. Diante da perda de mais de US$ 10 trilhões nas bolsas de valores e de uma grande venda de títulos de 10 anos da dívida pública dos Estados Unidos, Trump suspendeu por 90 dias as tarifas que chama de "recíprocas" com a desculpa de mais de 75 países querem negociar.


As bolsas tiveram forte alta, sem recuperar todas as perdas, mas a guerra comercial não acabou. A tarifa básica de 10% sobre todas as importações dos EUA está mantida, assim como a de 25% sobre aço, alumínio, automóveis e autopeças. E a alíquota para a China, que retaliou e não propôs negociação, subiu para 125%.

A China, maior detentora de títulos da dívida pública dos EUA, vendeu US$ 50 bilhões em bônus de 10 anos, mostrando que tem munição para a guerra comercial. Essa manobra foi decisiva para o recuo de Trump.

Uma briga entre Peter Navarro, o ideólogo do tarifaço, e o bilionário Elon Musk, que chamou Navarro de "verdadeiro imbecil", "mais burro do que um saco de tijolos", revela uma divisão interna no governo norte-americano.

É uma derrota humilhante, mas Trump vai cantar vitória. O estrago está feito. Para o ex-secretário do Tesouro Lawrence Summers, a guerra comercial de Trump é "a maior ferida auto-infligida desde a Segunda Guerra Mundial".

sábado, 5 de abril de 2025

Guerra comercial acelera declínio relativo dos EUA

Ao deflagrar uma guerra comercial em escala global, aplicando um tarifaço a mais de 180 países e territórios, o presidente Donald Trump faz a maior mudança de política econômica dos Estados Unidos desde a Segunda Guerra Mundial (1939-45) e atinge principalmente a economia e a liderança do país no mundo.

Trump quer equilibrar a balança comercial dos EUA, que teve um déficit de US$ 918 bilhões no comércio de bens no ano passado, reindustrializar o país e aumentar a arrecadação para viabilizar cortes no imposto de renda das grandes empresas e dos ricos. Os resultados devem ser mais inflação, menos crescimento e uma perda de prestígio para o país.

Quem mais ganha é a China, que já é a maior potência industrial do planeta e a maior parceira comercial da maioria dos países. O Brasil pode ter mais oportunidades no comércio com a China e o acordo de liberalização de comércio entre o Mercosul e a União Europeia tem mais chance de ser aprovado. Mas todos perdem numa guerra comercial e o risco de conflitos aumenta.

quarta-feira, 5 de março de 2025

Trump marca data para tarifaço e ameaça tomar Groenlândia à força

No mais longo discurso de um presidente dos Estados Unidos no Congresso, em 99 minutos, Donald Trump mentiu, se autoelogiou, exaltou o ataque do bilionário Elon Musk à máquina do Estado e falou para sua base. Num sectarismo que aprofunda a divisão do país em que apostou para se reeleger, descreveu um cenário de violência, decadência e catástrofe econômica no governo Joe Biden. O deputado democrata Al Green foi expulso do plenário por protestar contra o discurso, algo inédito.

De concreto, prometeu um novo tarifaço para 2 de abril, citando o Brasil entre os alvos, prometeu mais uma vez retomar o Canal do Panamá, sem dizer se basta uma empresa dos EUA assumir o controle dos portos de entrada e saída, ameaçou dominar a Groenlândia "de um jeito ou de outro" e anunciou que o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, enviou mensagem dizendo estar pronto para negociar a paz depois de ser humilhado na Casa Branca na sexta-feira passada.

A popularidade ds presidente dos EUA está em queda: 59% dos eleitores independentes não aprovam o governo; 45% acreditam que o país não está na direção correta e 39% acham que sim; e 52% entendem que Trump não está se dedicando aos maiores problemas do país, especialmente a alta no custo de vida.

Trump repetiu os temas de sempre: imigração, cortar "desperdício, fraude e abuso", guerras culturais contra o politicamente correto e ataques a Joe Biden. Falou que o Departamento de Eficiência Governamental (Doge) chefiado por Musk encontrou problemas de "centenas de bilhões de dólares" sem mencionar provas. Musk fala em US$ 105 bilhões, mas a página do Doge registra apenas US$ 18,6 bilhões.

O presidente também defendeu a pena de morte para assassinos de policiais e a criação de um sistema de defesa antimísseis. Pouco disse sobre o que mais preocupa os eleitores, a inflação e o custo de vida.

"Os EUA estão de volta. Seis semanas atrás, proclamei o início de uma idade de ouro" e disse que desde então fez "um esforço rápido e incansável para criar essa nova era", arrancando os primeiros protestos dos democratas, que levantaram discos dizendo "Falso", "Trump mente" e "Musk rouba". Os líderes democratas se negaram a participar do cortejo na entrada do presidente.

No seu estilo hiperbólico, grandiloquente e mentiroso, Trump afirmou que recebeu um mandato como não se via há décadas. Em realidade, não teve maioria absoluta.

Em 43 dias, Trump baixou mais de 100 decretos e mais de 400 iniciativas. Declarou que é o governo mais bem-sucedido, à frente de George Washington (1789-97), ignorando os 100 primeiros dias de Franklin Roosevelt (1933-45) na luta contra a Grande Depressão (1929-39).

ATAQUE À MAQUINA PÚBLICA

Trump se vangloriou de congelar as contratações, as regulamentações e a ajuda externa do governo federal dos EUA. "Acabei com o Novo Pacto Social Verde e com o Acordo de Paris, que nos custa trilhões de dólares. Saí da corrupta Organização Mundial da Saúde (OMS) e do antinorte-americano Conselho de Direitos Humanos da ONU."

Quando voltou ao Acordo de Paris sobre Mudança do Clima, em 2021, Biden prometeu US$ 11,4 bilhões. Ao falar em trilhões, Trump mostra mais uma vez que não tem o menor compromisso com a verdade.

Depois de atacar as ambiciosas políticas ambientais de Biden, Trump partiu para as guerras culturais tão a gosto da extrema direita: "Acabei com toda a censura e trouxe a liberdade de expressão de volta", enquanto ameaça prender jornalistas Ele foi excluído do Twitter e do Facebook por fomentar o assalto ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021, numa tentativa de golpe de Estado sem precedentes na história dos EUA.

"Renomeei o Golfo do México como Golfo da América. Renomeei o Monte McKinley. Acabei com a tirania da diversidade, equidade e inclusão no governo e no setor privado. (...) Removi a teoria crítica sobre raça das escolas. Decidi que só existem dois gêneros: masculino e feminino. Proibi homens de disputar esportes femininos." Trump proibiu os tratamentos para mudança de gênero antes dos 19 anos.

É o que ele chama de "revolução do senso comum". Não há mais nenhum negro e nenhuma mulher no Estado-Maior das Forças Armadas dos EUA, só generais brancos.

Por causa das campanhas antivacinas, das quais o secretário da Saúde, Robert Kennedy Jr., é um dos principais responsáveis, há hoje mais casos de sarampo no Texas do que atletas transgêneros no país inteiro.

Ao prometer reduzir o custo de vida, se limitou a acenar com uma redução nos preços de energia com maior exploração de gás e petróleo.

Para defender a devassa e virtual destruição da Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (USAID), Trump chegou a dizer que financiava camundongos transgêneros. Com menos de 0,7% do orçamento federal, a agência era responsável por 40% da ajuda humanitária no mundo.

Numa das grandes mentiras da noite, Trump teve a cara de pau de dizer que há mais de 4,7 milhões pessoas de mais de 100 anos recebendo benefícios previdenciários, inclusive um de 360 anos. Na verdade, a Previdência Social paga benefícios a 89 mil centenários.

"Vamos equilibrar o orçamento federal, o que não se faz há 24 anos", prometeu o presidente. Na campanha eleitoral de 2000, a discussão era o que fazer com o superávit de US$ 100 bilhões. O então vice-presidente Albert Gore Jr. queria fortalecer a Previdência Social. O candidato vencedor, George Walker Bush, preferiu dar cortes de impostos para os ricos.

O que Trump pretende fazer? Dar mais cortes de impostos para bilionários e multimilionários. A estimativa é que reduzam a arrecadação em pelo menos US$ 5 trilhões em 10 anos. Assim, a dívida pública dos EUA, que está hoje em US$ 36 trilhões, vai aumentar. 

Musk calculou que o país gaste US$ 1 trilhão por ano com os juros da dívida, mais do que o orçamento do Departamento da Defesa (Pentágono) para 2025, que é de US$ 850 bilhões. Trump ameaçou perseguir deputados e senadores que votarem contra os cortes de impostos para que não se reelejam.

"Há 100 anos a burocracia federal cresce e atrapalha os negócios. Centenas de milhares não aparecem para trabalhar. O governo dos burocratas não eleitos acabou", continuou Trump. A Casa Branca diz que só 6% dos funcionários federais se apresentam para trabalhar, o que é uma mentira. Paralisaria a máquina pública.

REINDUSTRIALIZAÇÃO

Outra proposta é reindustrializar os EUA com energia barata e altas tarifas sobre produtos importados enquanto oferece isenções de impostos para quem abrir fábricas no país: "É nossa hora de impor tarifas", anunciou citando como alvos, além do México, do Canadá e da China, já supertarifados, a União Europeia, o Brasil e a Índia. A ideia é usar a reciprocidade, cobrando as mesmas tarifas que outros países cobram sobre importações dos EUA.

Em relação ao México e ao Canadá, que prometeram na terça-feira retaliar o tarifaço de Trump, o presidente acusou-os pela imigração ilegal e o tráfico de droga fentanil. A imigração ilegal através da fronteira do Canadá é mínima e lá só foram aprendidos 20 quilos de fentanil no ano passado, 500 vezes menos do que na fronteira com o México. Isto indica que o objetivo dos tarifaços é equilibrar a balança comercial, que registrou um déficit de US$ 918,4 bilhões no ano passado.

Ele admitiu que a guerra comercial vai trazer "alguns distúrbios", mas alegou que a estratégia protecionista já resultou em promessas de investimentos de US$ 1,3 trilhão. Pelo discurso de Trump, os tarifaços não são apenas uma jogada para negociar, como sugeriu  o secretário do Comércio, Howard Lutnick. Devem ser de longo prazo.

SEGURANÇA

Ao abordar a imigração ilegal, outro tema favorito do presidente fascistoide, começou com uma grande mentira: "21 milhões entraram no país nos últimos quatro anos", descritos mais uma vez como traficantes, estupradores e assassinos. A estimativa é que haja 11 milhões de imigrantes ilegais nos EUA. Trump levou a mãe e a irmã de uma joven assassinada para dizer que "a morte de Laken Riley não foi em vão." A mãe foi aplaudida e chorou. Faz parte do circo desses discursos presidenciais.

"Não precisávamos de uma nova lei para garantir a segurança na fronteira. Tudo o que precisávamos era de um novo presidente. A invasão de imigrantes destruiu várias cidades." Citou como exemplo Springfield, no estado de Ohio. Durante a campanha, acusou refugiados haitianos de comer cães e gatos de estimação na cidade, uma mentira.

Trump prometeu ir à guerra contra os cartéis mexicanos do tráfico de drogas e atribuiu à guerra comercial a deportação de 29 traficantes entregues pelo México ao governo norte-americano. Insistiu que está fazendo a maior deportação de ilegais da história, mas os números são muito inferiores ao que pretendia.

A fim de aumentar a segurança nas cidades, acenou com uma reforma do sistema de justiça que na verdade tenta blindá-los de futuros processos: "Nosso sistema de justiça foi virado de cabeça para baixo por lunáticos para instrumentalizar a Justiça contra adversários políticos como eu", um criminoso condenado por forjar documentos de suas empresas para encobrir a compra do silêncio de uma atriz pornô com quem teve um caso. 

Outros três processos, dois por tentar fraudar a eleição de 2020 e tentar um golpe, e o terceiro por levar para casa documentos secretos e ultrassecretos, foram extintos pela reeleição.

"Para aumentar a segurança nacional, vamos retomar o Canal do Panamá", reiterou Trump. Não explicou se basta uma empresa norte-americana assumir o controle dos portos de entrada e saída do canal, que estavam com chineses, ou se planeja reassumir o controle total.

"Também tenho uma mensagem para o povo da Groenlândia. Vocês têm o direito de escolher seu futuro e se quiserem se unir a nós", prometeu um futuro de segurança e riqueza, mas acrescentou uma ameaça: "De um jeito ou de outro, vamos conseguir. Vamos proteger vocês e torná-los ricos. É fundamental para a segurança do mundo."

O presidente anunciou que o terrorista do Estado Islâmico que atacou a retirada norte-americana do Afeganistão foi preso com a ajuda do Paquistão e está sendo enviado para responder processo nos EUA. Cerca de 170 civis e 13 militares norte-americanos morreram no ataque. Trump negociou a paz com a Milícia dos Taleban sem exigir desarmamento nem acordo com o governo afegão apoiado pelos EUA.

Sobre o Oriente Médio, elogiou os Acordos de Abraão de reconhecimento de Israel por quatro países árabes (Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Marrocos e Sudão). Nenhum deles estava em guerra com Israel. Não falou no projeto para expulsar os palestinos e transformar a Faixa de Gaza num empreendimento imobiliário. Os aliados árabes já apresentaram um plano alternativo.

Trump insistiu na mentira de que os EUA deram mais ajuda à Ucrânia do que a Europa, no valor de US$ 350 bilhões, mesmo depois de ser corrigido na Casa Branca pelo presidente da França, Emmanuel Macron, que esclareceu que a Europa deu 60% do total da ajuda. Os EUA deram pouco mais de US$ 100 bilhões.

"Hoje recebi uma carta do presidente [Volodymyr] Zelensky dizendo que a Ucrânia está pronta para negociar a paz", anunciou Trump. Na verdade, só repetiu uma mensagem publicada na rede social X pelo líder ucraniano, humilhado na sexta-feira passada na Casa Branca por não querer assinar um acordo para ceder a metade da riqueza mineral do país sem garantias de segurança contra um possível futuro ataque da Rússia.

Aliás, ele praticamente não falou da China e da Rússia, maiores inimigas dos EUA.

REAÇÃO DEMOCRATA

A resposta do Partido Democrata, feita pela senadora por Michigan Elissa Slotkin, se concentrou em três pontos: a economia, a classe média e a democracia – ameaçadas por Trump.

"Seus planos não ajudam a maioria dos norte-americanos a avançar. Ele está cortando impostos para os bilionários. As tarifas vão aumentar os preços. A dívida pública vai aumentar. Ele pode provocar uma recessão, advertiu a senadora.

Ela acusou Musk de citar a Previdência Social como grande fonte de fraudes, enquanto demite quem cuida das armas nucleares, controladores de voo e pesquisadores do combate ao câncer. Slotkin acrescentou que de nada adianta reforçar a segurança na fronteira sem mudar o sistema de imigração e alertou que a democracia está ameaçada.

Ao concluir, disse que "é fácil ficar exausto, mas não dá". Propôs que os cidadãos se organizem cobrem mais dos políticos e ajam. "Os maiores movimentos vêm de baixo para cima. Vivemos momentos de instabilidade o passado. Precisamos de cidadãos engajados e líderes com princípios."

O grande desafio dos democratas é resistir como possível até as eleições de 2026, quando Trump deve perder a maioria na Câmara e virar um "pato manco", expressão que os norte-americanos usam para se referir a políticos em fim de mandato. Será uma longa travessia para os EUA e o resto do mundo.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

Guerra comercial de Trump abala economia mundial

 O presidente Donald Trump deflagrou a guerra comercial prometida durante a campanha eleitoral. No fim de semana, anunciou tarifaços sobre as importações vindas dos três maiores parceiros comerciais dos Estados Unidos: México, Canadá e China. Nesta segunda-feira, recuou e cantou vitória diante de promessas dos países vizinhos de colaboração no combate à imigração ilegal e ao tráfico de drogas. Mas não eliminou a ameaça de medidas destemperadas que certamente vão abalar a economia mundial.

Nesta terça-feira, Trump vai falar por telefone com o ditador da China, Xi Jinping, que impôs tarifas retaliatórias de 10% a 15% sobre carvão, petróleo, gás natural liquefeito e equipamentos agrícolas dos EUA.

Ao atacar aliados para barganhar uma redução do déficit comercial dos EUA, Trump rompe com duas políticas adotadas pelo país desde a Segunda Guerra Mundial: atuar internacionalmente em conjunto com aliados e promover o livre comércio como maneira de promover a prosperidade internacional e evitar novos conflitos globais.

Em outro ataque ao poder e ao prestígio internacional dos EUA, o multibilionário Elon Musk anunciou o fechamento da Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (USAID), responsável por 40% de toda a ajuda humanitária no mundo. Em 100 países, milhões de pessoas correm risco de vida por causa desta medida mesquinha e desumana.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

China reduz tarifas para amenizar impacto do coronavírus

A China vai cortar pela metade as tarifas sobre produtos importados dos Estados Unidos num valor anual de US$ 75 bilhões a partir de 14 de fevereiro. Nesta data, entra em vigor o acordo preliminar assinado pelos dois países para levar a uma trégua na guerra comercial entre suas economias, as duas maiores do mundo. 

A República Popular da China espera assim diminuir o impacto negativo sobre a economia do país da epidemia do novo coronavírus e se preparar para renegociar os termos do acordo, se o problema de saúde causar prejuízos ainda maiores. 

A medida provocou alta nas bolsas de valores ao reduzir o temor dos investidores de uma desaceleração mais forte da economia mundial. Pelo acordo, a China se comprometeu a comprar mais 200 bilhões de dólares em produtos americanos nos próximos dois anos. Meu comentário:

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

EUA e China assinam acordo que dá uma trégua na guerra comercial

As duas maiores economias do mundo assinam hoje um primeiro acordo para dar uma trégua na guerra comercial que reduziu o crescimento mundial no ano passado em cerca de um ponto percentual. Mas as diferenças estão longe de ser totalmente resolvidas.

Faz três anos que o presidente Donald Trump chegou ao poder determinado a reduzir o déficit comercial dos Estados Unidos, especialmente com a China, na base de tuitaços e tarifaços. Hoje o vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, assina o acordo na Casa Branca. Trump deve participar da cerimônia, informou o jornal inglês Financial Times.

Neste acordo preliminar, a China se compromete a comprar US$ 200 bilhões dos EUA em dois anos. De acordo com o jornal South China Morning Post, de Hong Kong, serão US$ 75 bilhões em produtos manufaturados, US$ 50 bilhões em carvão, petróleo e derivados, US$ 40 bilhões em produtos agrícolas e US$ 35 bilhões em serviços.

Em troca, os EUA vão suspender parte dos tarifaços anunciados e em vigor, mas não mexer na alíquota de 25% aplicada a produtos importados da China num valor anual de US$ 250 bilhões. Ficam de fora os subsídios do governo chinês a suas empresas, base de sua política industrial para se tornar a maior economia do mundo, e a espionagem cibernética.

A China prometeu ainda aumentar a proteção à propriedade intelectual, abrir seu setor financeiro a empresas estrangeiras e não desvalorizar a moeda para baratear seus produtos, tornando-os mais competitivos no mercado internacional.

Como parte do acordo, em 13 de janeiro, o Departamento do Tesouro dos EUA tirou a China da lista negra de países que manipulam o câmbio com as desvalorizações competitivas.

Para o jornal The Wall Street Journal, porta-voz do centro financeiro de Nova York, serão necessários anos para avaliar as consequências da guerra comercial de Trump. Nos EUA, os maiores prejuízos foram os produtores rurais, uma importante base política do Partido Republico. O presidente deu uma ajuda de US$ 28 bilhões ao setor.

As relações comerciais entre os dois países caíram muito no ano passado. As exportações da China para os EUA caíram 13% e as importações chinesas 21%. Os EUA passaram a ser o terceiro maior parceiro comercial da China, depois da União Europeia e da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean). O saldo comercial chinês com os EUA baixou em 8,5% para US$ 295,8 bilhões.

O conflito, que abalou os mercados financeiros desde março de 2018, pode terminar, pelo menos nesta primeira fase, com a indiferença geral. As bolsas de valores estão hoje de olho na crise entre EUA e Irã e seu impacto para a economia mundial.

Mas o acordo entre os EUA e a China é apenas uma trégua na competição estratégica, econômica, científica, tecnológica e militar, que deve se estender pelas próximas décadas como o principal elemento estruturante das relações internacionais do século 21.

O Brasil ganhou com a guerra comercial por causa do aumento das importações chinesas de produtos agrícola. Agora, o acordo pode criar um desvio de comércio, com prejuízo para os produtores rurais brasileiros.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

EUA estão perdendo a guerra comercial com a China

O diagnóstico é do economista Paul Krugman, ganhador do Prêmio Nobel de Economia em 2008. Ele entende que raramente as guerras comerciais têm vencedores, mas às vezes há perdedores e o presidente Donald Trump é um bom exemplo.

Krugman observa que o governo Trump não atingiu nenhum de seus objetivos e declara vitória enquanto bate em retirada. A China sabe disso. A linha dura do regime comunista chinês, que assumiu o controle das negociações depois de vetar um acordo em abril, está “jubilante e incrédula”, nas palavras do jornal The New York Times. 

Até agora, o que se sabe do acordo preliminar a ser assinado provavelmente no início de 2020 é que os Estados Unidos suspenderam o tarifaço de 15 de dezembro em troca da promessa chinesa de comprar mais produtos americanos, sobretudo do setor agrícola.

Meses atrás, Trump lamentou que os Estados Unidos vendam trigo ao Japão, mas é exatamente o que vão vender à China, produtos agrícolas de baixo valor agregado como a soja, que os chineses podem comprar de países como o Brasil e a Argentina, enquanto os Estados Unidos compram da China produtos cada vez mais sofisticados, inclusive da Apple, a maior empresa privada do mundo, que é americana, mas fabrica seus produtos na China. 

Depois de um ano e meio de guerra comercial, o que o presidente americano conseguiu foi vender mais produtos agrícolas. Meu comentário:

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

China isenta parte das importações de soja e carne de porco dos EUA

Num gesto de trégua na guerra comercial, a China decidiu isentar de tarifas parte das importações de soja e de carne de porco dos Estados Unidos. A medida é anunciada a pouco mais de uma semana da entrada em vigor de tarifas de 15% impostas pelo governo Donald Trump a exportações anuais no valor de US$ 160 bilhões, mais de R$ 660 bilhões.

O anúncio foi feito na manhã desta sexta-feira na China com o objetivo de acelerar as negociações de um acordo preliminar depois de Trump falar que talvez só haja acordo entre as duas maiores economias do mundo depois das eleições americanas de 2020.

A Comissão de Tarifas de Importação do Conselho de Estado comunicou numa pequena nota que parte das compras dos dois produtos não estarão sujeitas às tarifas punitivas adotadas em retaliação aos tarifaços de Donald Trump que deflagraram a guerra comercial. O tarifaço de 15 por cento anunciado por Trump deveria entrar em vigor em 15 de dezembro.

Em entrevista coletiva ontem em Beijim, o porta-voz do Ministério do Comércio da China, Gao Feng, declarou que, se os dois países chegarem a um acordo preliminar, as tarifas devem ser reduzidas apropriadamente.” Meu comentário:

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Trump é um aliado inconfiável para o Brasil e o resto do mundo

Sob pressão de um processo de impeachment com inquérito em andamento na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos e de baixa cotação nas pesquisas de opinião sobre a eleição presidencial de 2020, o presidente Donald Trump aumenta a agressividade do discurso e atira para vários lados, abrindo novas frentes em suas guerras comerciais. Mais uma vez, despreza aliados e aprofunda o protecionismo e o isolacionismo de uma superpotência em declínio.

Desde a campanha eleitoral, o presidente Jair Bolsonaro revelou a intenção de adotar uma política externa de alinhamento automático não com os EUA, mas com o governo Donald Trump.

O Brasil acabou com a exigência de visto para americanos e cidadãos de outros países ricos e abriu mão das preferências comerciais que tinha na Organização Mundial do Comércio, a OMC, como país em desenvolvimento.

Em troca, esperava o apoio dos Estados Unidos para ingressar na Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico, a OCDE, um clube de países ricos e em desenvolvimento. Mas, em agosto, os Estados Unidos apoiaram a entrada da Argentina e da Romênia.

O Brasil também autorizou o uso da base espacial de Alcântara pelos americanos para lançamento de foguetes e satélites. Em setembro, o Brasil aumentou a cota de importação de álcool combustível dos Estados Unidos sem cobrar a tarifa de importação de 20 por cento. Em troca, queria que os americanos comprassem mais açúcar brasileiro, mas a contrapartida não aconteceu. Meu comentário:

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Imprensa oficial da China rejeita concessões aos EUA na guerra comercial

A luta deve continuar até a vitória final. Nada de fraqueza diante da coação, adverte o Diário do Povo, jornal oficial do Partido Comunista da China, ao comentar a guerra comercial com os Estados Unidos, deflagrada pelo presidente Donald Trump, noticiou hoje o jornal The South China Morning Post, de Hong Kong.

A China tem paciência estratégica. Não deve ter pressa em fechar um acordo. Precisa resistir aos EUA. Ceder sob pressão seria um erro grave, argumenta o Diário do Povo.

"Se a China parecer fraca e fizer concessões sob pressão hegemônica, terá cometido um erro histórico subversivo", observa o comentário atribuído ao professor de relações internacionais Jin Carong, da Universidade do Povo, e ao pesquisador Sun Xihui, da Academia Chinesa de Ciências Sociais.

"Ao enfrentar uma pressão extrema e comportamento ameaçador, ser fraco e dar um passo atrás não fazem sentido. Só podemos proteger os interesses centrais da nação e do povo sustentando uma luta racional e favorável no ritmo certo", acrescentam os autores.

Depois de um ano e dois meses, novos tarifaços entraram em vigor em 1º de setembro, por iniciativa dos EUA, com a esperada retaliação chinesa. Alimentos, roupas, eletrodomésticos e fones de ouvido sem fio estão entre os produtos chineses que passam a ser tarifados em 15% para entrar nos EUA, num valor total de US$ 110 bilhões em exportações anuais.

Uma segunda rodada do tarifaço de Trump entra em vigor em 15 de dezembro, depois de um adiamento sob o pretexto de não atrapalhar no Natal dos americanos. Na verdade, o presidente deve estar preocupado com a desaceleração da maior economia do mundo e o risco de recessão, capazes de impedir sua reeleição em 2020.

O governo chinês parece determinado a resistir à agressividade de Trump na expectativa de negociar com um presidente mais racional na Casa Branca, a partir de janeiro de 2021. Também ontem, aumentou para 5% e 10% as tarifas sobre US$ 75 bilhões em importações anuais dos EUA.

Quando as negociações pareciam caminhar para um acordo, no início de maio, Trump acusou a China de recuar em compromissos assumidos. Em encontro durante a reunião de cúpula do Grupo dos 20 (19 países mais ricos do mundo e a União Europeia) realizada em Osaka, no Japão, em 29 de junho, o presidente americano e o ditador chinês, Xi Jinping, acertaram o reinício das negociações. Mas não houve progresso significativo.

As exigências dos EUA incluem não só acesso a mercado, mas o fim de subsídios e da política industrial da China para desenvolver o setor de alta tecnologia, de importância estratégica e militar. É uma interferência na sua soberania que o regime comunista chinês não parece disposto a aceitar.

Na opinião do professor de relações internacionais Shi Yinhong, da Universidade do Povo em Beijim, o governo chinês deve impor três condições fundamentais nas negociações: a remoção das tarifas, um acordo justo e a importação de produtos americanos deve atender às necessidades internas da China.

"Se estes três princípios não forem aceitos, não há nada para conversar", afirmou o professor. "Desde a escalada de maio, a China só pode retaliar. De outra forma, será vista como fraca."

Shi alegou que os EUA querem manter as tarifas até a eleição presidencial do próximo ano como garantia de que a China vai cumprir os compromissos assumidos. Talvez Trump queira pousar como o líder forte capaz de enfrentar a superpotência em ascensão.

O professor da Universidade do Povo lembra que Beijim pode usar seu poder e sua influência em outras questões de interesse dos EUA, como os programas nucleares da Coreia do Norte e do Irã.

"A China se expressou com sinceridade, mas Trump tomou isso como sinal de que a China ansiosa para chegar a um acordo", analisou Shi. "Há dúvidas de que a economia dos EUA possa manter o ritmo atual até as eleições de 2020. Trump poderá ceder se houve sinais claros de recessão na economia dos EUA.""

Os dados da economia chinesa em julho e agosto não foram bons. Como é o crescimento econômico que legitima hoje o poder absoluto do Partido Comunista, o regime certamente está preocupado com a economia. À China, também não interessa uma escalada maior nas tensões. Um conflito prolongado vai drenar recursos da segunda maior economia do mundo, com ambição de chegar ao primeiro lugar até 2030.

Mesmo que haja um acordo, o que hoje parece distante, o confronto entre os EUA e a China é econômico, estratégico, científico, tecnológico e militar. Um acordo comercial será apenas uma trégua.

terça-feira, 13 de agosto de 2019

Trump adia parte do tarifaço para não estragar Natal dos americanos

Num recuo significativo, o presidente Donald Trump anunciou ontem que vai suspender até dezembro o tarifaço de 25% sobre produtos importados da China num valor de US$ 156 bilhões no ano passado, inclusive computadores pessoais, telefones celulares, brinquedos e roupas, a pretexto de não estragar o Natal dos americanos. Na realidade, está preocupado com o impacto da guerra comerciais sobre o mercado financeiro e a economia como um todo.

Ao fazer isso, Trump reconhece implicitamente que quem paga pelos tarifaços é o consumidor americano, embora evidentemente as fábricas chinesas produzam menos sem a voracidade do consumismo dos Estados Unidos.

O recuo veio depois de uma conversa telefônica, na terça-feira, do vice-primeiro-ministro chinês encarregado das negociações, Liu He, com o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, e o representante comercial dos EUA, Robert Lighthizer.

Em entrevista em Nova Jérsei, Trump declarou ter adiado o tarifaço contra certos produtos para proteger os consumidores "na época do Natal". Acrescentou ser um sinal de que "eu realmente quero fazer um acordo".

Depois do fracasso de uma reunião dos mesmos negociadores em Xangai, na China, em 29 de julho, Trump revelou a intenção de aplicar tarifas de 10% sobre produtos importados chineses num valor de US$ 300 bilhões no ano passado, a partir de 1º de setembro.

Outros produtos fabricados na China, no valor de US$ 250 bilhões em importações dos EUA em 2018, já estão sujeitos a tarifas de 25%. Para agravar a crise, quando a moeda chinesa, o iuane ou yuan, caiu abaixo de sete iuanes por dólar, os EUA acusaram a China de manipular o câmbio.

A escalada na guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo e o risco de uma guerra cambial abalaram os mercados financeiros. Numa fuga para papéis mais seguros, os investidores venderam ações e compraram títulos da dívida pública de países ricos, especialmente dos EUA. O ouro e o dólar subiram.

Se Trump está preocupado em reduzir o colossal déficit dos EUA no comércio de bens, que chegou a US$ 891 bilhões em 2018, as crises que produz acabam fortalecendo a moeda americana e diminuindo a competitividade internacional da indústria americana, que pretende restaurar.