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segunda-feira, 21 de julho de 2025

Governo do Japão perde maioria no Senado

Com a derrota nas eleições de ontem para o Senado, o Partido Liberal-Democrata (PLD), que governa o Japão há 70 anos com breves interrupções, e seu aliado Komeito (Partido do Governo LImpo) ficam sem maioria nas duas casas do Congresso pela primeira vez. 

É a terceira derrota consecutiva do primeiro-ministro Shigeru Ishiba. Ele perdeu a maioria na Câmara em outubro do ano passado, quando assumiu a liderança do PLD, e as eleições municipais em Tóquio em janeirpo deste ano. Por enquanto, resiste às pressões para renunciar e não quer ampliar a coalizão de governo.

A derrota enfraquece o Japão no momento de negociações delicadas com os Estados Unidos para escapar da ameaça do presidente Donald Trump de um tarifaço de 25% capaz de abalar as exportações japonesas, especialmente de automóveis, carro-chefe da indústria do país. Nas primeiras rodadas de negociação, os EUA quiseram impor exigências de abertura de mercado sem contrapartida e o Japão não aceitou.

Se o governo japonês resistir às ameaças de Trump, a situação econômica, que já é difícil, vai piorar. Se ceder, Ishiba será visto como um primeiro-ministro ainda mais fraco. A dívida pública pode chegar neste ano a 272% do produto interno bruto (PIB). É proporcionalmente a maior do mundo. Segunda maior economia do mundo até ser superado pela China em 2010, o Japão foi ultrapassado pela Alemanha e neste ano deve ficar atrás da Índia. Depois de décadas de deflação, a inflação foi de 3,2% ano em junho e o aumento dos preços dos alimentos de 7,1%, gerando insatisfação. O preço do arroz, base da alimentação japonesa, dobrou em um ano.

O Senado do Japão tem 248 cadeiras. Faltaram três para a coalizão governista manter a maioria absoluta. Os maiores avanços foram do Partido Democrático para o Povo (PDP), que cresceu de 9 para 22 senadores, e o partido de extrema direita Sanseito (Partido da Participação Popular), antiestrangeiros, que passou de 2 para 15 senadores.

São dois partidos populistas que usam as redes sociais para angariar prestígio junto aos jovens, cada vez mais preocupados com o futuro do Japão. Sua ascensão indica uma fragmentação do sistema político japonês e consequente aumento da instabilidade.

De centro-direita, o PDP nasceu em 2018 da fusão entre o Partido Democrático (PD) e o Partido da Esperança (PE) com as promessas de revitalizar a economia, reforma do setor de energia e aumentar a prontidão para a guerra diante da ascensão da China e do isolamento crescente dos EUA. Está entre o conservador PLD e o Partido Democrático Constitucional do Japão (PDCJ), de centro-esquerda, o maior da oposição, antimilitarista e contra a energia nuclear, que pode ser convidado para integrar o governo para formar maioria.

O programa do PDP defende o crescimento com maior distribuição da renda, estímulo estatal à economia, investimento em inovação e aumento da produtividade, parceria público-privada para modernizar a infraestrutura e a indústria, aumento salarial, igualdade de gênero no mercado de trabalho, assistência à infância para aumentar a natalidade e conter a queda na população, reforma constitucional e reforma tributária para fortalecer os trabalhadores e a classe média.

No setor de energia, o PDP quer a eliminação gradual da energia nuclear, transição para energia de fontes renováveis, liberalização do mercado de energia, autossuficiência e sustentabilidade ambiental. 

Depois do acidente nuclear de Fukushima, causado pelo terremoto e maremoto de 11 de março de 2011, o Japão desligou em 2013 todas as 48 usinas atômicas. Elas eram responsáveis por mais de 25% da energia elétrica do país; 94% passaram a ser gerados por combustíveis fósseis e 6% por fontes renováveis. 

Em 2015, duas usinas nucleares foram religadas. Doze reatores voltaram a funcionar até fevereiro deste ano e outros 15 pediram licença para funcionar. A energia atômica é considerada essencial para que o país cumpra as metas de redução de emissões de combustíveis fósseis prometidas com base no Acordo de Paris sobre Mudança do Clima.

Na política externa e em defesa, o PDP quer fortalecer a capacidade militar mantendo a aliança com os EUA como base da segurança nacional. Defende uma revisão moderada do artigo 9 da Constituição imposta pelos EUA em 1947, depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45). O art. 9 proíbe o Japão de ir à guerra e de projetar seu poderio militar no exterior.

O Sanseito é um partido de extrema direita fundado em 2020. Tem várias semelhanças ao trumpismo, como o slogan "primeiro, os japoneses", o gosto por teorias conspiratórias, cortes de impostos, e a rejeição a imigrantes e estrangeiros. Difundiu notícias falsas contra vacinas e sobre a pandemia da covid-19 (doença do coronavírus de 2019). Ao mesmo tempo, defende a espiritualidade e a alimentação natural, com produtos orgânicos. 

Em maio de 2025, seu secretário-geral, Sohei Kamiya foi acusado de revisionismo histórico ao afirmar que durante a Batalha de Okinawa, no fim da guerra, os okinawenses foram mortos apenas por soldados norte-americanos e não pelo Exército Imperial Japonês, notório por seus crimes de guerra.

domingo, 27 de outubro de 2024

Governo do Japão perde maioria absoluta no Parlamento

 Depois de chegar à liderança do Partido Liberal-Democrata (PLD) e à chefia do governo do Japão na quinta tentativa um mês atrás, o primeiro-ministro Shigeru Ishiba levou o partido que domina a política do país no pós-guerra à pior derrota em 15 anos. O PLD e seu aliado Komeito (Partido do Governo Limpo) perderam neste domingo a maioria na Dieta, a câmara baixa do Parlamento japonês, jogando o país na incerteza. Sua liderança está ameaçada.

De acordo com a televisão estatal NHK, com 41,1% dos votos, o PLD terá 191 deputados e o Komeito , com 5,2%, 24. Assim, a bancada governista fica com 215 cadeiras, 18 a menos do que as 223 necessárias para ter maioria. O Partido Democrático Constitucional do Japão (PDCJ) recebeu 31,8% dos votos e elegeu 148 deputados. Outros partidos tiveram 19,4% e elegeram 92 deputados.

Este resultado reflete o descontentamento da população com décadas de baixo crescimento econômico, combinado nos últimos anos com aumento no custo de vida e a corrupção crônica do sistema político japonês. 

Em dezembro do ano passado, estourou um escândalo. Duas facções do PLD deixaram de declarar 600 milhões de ienes (R$ 22,34 milhões) em contas de campanhas e depositaram o dinheiro em fundos secretos. Isso provocou a queda do primeiro-ministro Fumio Kishida, substituído por Ishiba, que decidiu convocar eleições para se legitimar.

Um parlamento fragmentado vai emperrar as reformas necessárias para resgatar um pouco do dinamismo da economia japonesa, considerada um exemplo para o mundo nos anos 1980, em crise desde 1991.

Para ter maioria, o PLD terá de atrair partidos que até agora não mostraram interesse em se aliar ao governo. O PLD tem um virtual monopólio do poder no Japão. Desde que foi criado, em 1955, numa fusão de governos conservadores, o PLD só deixou de governar o país por dois breves períodos, quando o primeiro-ministro foi o socialista Tomiichi Murayama (1994-96), e de 2009 a 2012, quando o PDCJ esteve no poder com os primeiros-ministros Yukio Hatoyama, Naoto Kan e Yoshihiko Noda, que ainda é o líder do partido e da oposição.

Desde 2012, quando voltou ao poder com Shinzo Abe, o PLD venceu todas as eleições nacionais no Japão. Esta derrota marca o fim da era Abe, morto em 16 de setembro de 2020, num raríssimo assassinato político no país.

Único país do mundo bombardeado até hoje com armas nucleares, o Japão é agora o principal aliado dos Estados Unidos, que ainda tem forças militares no país, no Leste da Ásia, uma peça fundamental na estratégia de Washington para conter a China, que inclui Coreia do Sul, Austrália, Nova Zelândia, Índia e Vietnã. Estes dois últimos mantêm uma posição de independência entre EUA e China.

domingo, 21 de julho de 2019

Abe vence eleição mas sem maioria para mudar Constituição do Japão

O primeiro-ministro Shinzo Abe anunciou hoje a vitória do Partido Liberal-Democrata (PLD) nas eleições para o Senado do Japão. O resultado garante que Abe será o primeiro-ministro a ficar mais tempo no poder em seu país, mas ele não terá a maioria de dois terços necessária para reformar a Constituição, informou a televisão estatal NHK com base em pesquisa de boca de urna.

Depois de ser visto como o país do futuro nos anos 1980s, o Japão enfrenta uma longa estagnação da economia, risco de deflação, envelhecimento da população, tensão com os vizinhos China, Coreia do Norte e Coreia do Sul e até mesmo com os aliados Estados Unidos, com o imprevisível presidente Donald Trump na Casa Branca.

Abe quer mudar a Constituição pacifista de 1947, imposta pelos EUA depois de forçar a rendição do Japão na Segunda Guerra Mundial explodindo bombas atômicas em Hiroxima e Nagasake. Esta Constituição proíbe o Japão de projetar seu poderio militar além de suas fronteiras, que incluem o mar territorial.

Assim, o Japão só pode enviar suas Forças Armadas ao exterior em missões de paz oficiais das Nações Unidas. Depois do trauma da guerra, a população japonesa parece satisfeita com o pacifismo.

Há 12 anos, em 2007, Abe foi obrigado a renunciar depois de uma derrota eleitoral do PLD. Voltou ao poder em 2012 e daqui a quatro meses será o primeiro-ministro a governar o Japão por mais tempo. Hoje, tentou minimizar a falta de maioria qualificada: "A questão não é conquistar uma maioria de dois terços. É se podemos ou não ter uma coalizão de governo estável."

O objetivo de Abe é tornar o Japão um país normal, responsável por sua própria defesa. Com base em tratado assinado em 1951, os EUA são encarregados da segurança e defesa do Japão. Diante do unilateralismo de Trump, até os aliados europeus da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) duvidam se os EUA vão à guerra para defendê-los.

Desde sua fundação, em 1955, o PLD domina amplamente a política japonesa. Só perdeu o poder em dois períodos, cerca de um ano entre 1993 e 1994 e de 2009 a 2012. Apesar da corrupção, é visto como o país que fez do Japão uma grande potência econômica, hoje a terceira maior economia do mundo, com uma produção anual de US$ 5 trilhões.

domingo, 22 de outubro de 2017

Shinzo Abe consolida poder com ampla maioria no Japão

Mesmo perdendo sete deputados, o Partido Liberal-Democrata (PLD) conquistou uma ampla vitória nas eleições para a Câmara da Dieta, o Parlamento do Japão, elegendo 283 dos 465 deputados. Em aliança com os 29 deputados do budista Komeito (Partido do Governo Limpo), o primeiro-ministro Shinzo Abe terá a maioria de dois terços necessária para mudar a Constituição pacifista e preparar o país para se defender da ameaça nuclear da Coreia do Norte.

A recuperação da economia e o programa nuclear da Coreia do Norte foram os grandes temas da campanha. Durante o último um ano e meio, a economia japonesa, a terceira maior do mundo, cresceu em todos os trimestres graças às políticas de incentivo da abeconomia. Há mais de um década, não vivia um período de crescimento tão longo.

Com o regime comunista norte-coreano testando bombas atômicas e mísseis balísticos, Abe acredita que chegou a hora de reformar a Constituição de 1947, imposta pelos Estados Unidos depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45), que impede o Japão de mandar suas Forças Armadas ao exterior, a não ser em missões de paz das Nações Unidas.

A primeira mudança do artigo 9 da Constituição foi em 1992, quando os militares japoneses foram autorizados a participar de missões de paz da ONU. Em 2014, o governo reinterpretou a Constituição para afirmar que as Forças de Defesa do Japão poderiam socorrer inimigos sob ataque.

Diante do desafio norte-coreano, o tabu está caindo. A governadora de Tóquio, Yuriko Koike, do conservador Partido da Esperança, de centro-direita, apoia a reforma constitucional: "Estamos chegando a um lugar onde podemos ter uma discussão nacional sólida."

Uma pesquisa divulgada em 19 de outubro pelo jornal Asahi Shimbun indica que a opinião pública japonesa está dividida entre os que querem e os que rejeitam a reforma constitucional para o Japão voltar a ser um país normal, capaz de projetar seu poderio militar no exterior.

Se Abe, hoje com 63 anos, ficar no cargo até novembro de 2019, será o primeiro-ministro que governou o Japão por mais tempo no pós-guerra.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Shinzo Abe obtém ampla vitória nas eleições no Japão

Apesar da recessão, o primeiro-ministro Shinzo Abe conseguiu hoje mais mandato para aplicar a chamada abeconomia e tirar o Japão da estagnação e da deflação que atrasam a economia do país há décadas.

A coalizão formada pelo Partido Liberal-Democrata (PLD), de Abe, e o Komeito (Partido do Governo Limpo) elegeu 326 dos 475 deputados da Dieta, a câmara baixa do Parlamento do Japão, ampliando a supermaioria de dois terços necessária para mudar a Constituição.

O Partido Democrático do Japão (PDJ) terá no máximo 85 cadeiras, bem abaixo da expectativa, que era de 100 deputados.

O índice de abstenção nas eleições deste domingo foi recorde: 47,6% dos eleitores não compareceram às urnas.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Pesquisa prevê grande vitória eleitoral do governo no Japão

Apesar da recessão na economia, a coalizão liderada pelo primeiro-ministro Shinzo Abe deve obter ampla maioria na Câmara dos Deputados nas eleições do próximo domingo, 14 de dezembro de 2014, no Japão, indica uma pesquisa publicada hoje no jornal japonês Asahi Shimbun.

O Partido Liberal-Democrata (PLD), de Abe, e seu aliado Komeito (Partido do Governo Limpo) devem eleger 317 dos 475 deputados da Dieta, dando ao primeiro-ministro uma supermaioria para fazer as reformas necessárias para combater a estagnação e a deflação, duas pragas da economia japonesa nas últimas duas décadas.

Até agora, as reformas de Abe tiveram impacto limitado. O Banco do Japão injetou algo como US$ 1 trilhão na economia, mas um aumento do imposto sobre consumo, em 1º de abril de 2014, jogou o Japão numa recessão, com contração econômica nos últimos dois trimestres.

Diante da falta de alternativas, o eleitorado parece estar decidido a dar uma chance a mais a Shinzo Abe, um nacionalista que teme pela perda de poder do Japão diante da ascensão irresistível da vizinha e inimiga histórica China. O aumento do comércio e as boas relações econômicas tendem a amaciar o futuro das relações bilaterais entre as grandes potências da Ásia, mas o Japão precisa se reinventar, como fez tantas vezes no passado, para não perder importância.

domingo, 21 de julho de 2013

Governo vence eleição para o Senado do Japão

O Partido Liberal-Democrata, do primeiro-ministro Shinzo Abe, e seu aliado Komeito obtiveram uma grande vitória nas eleições de hoje para o Senado, conquistando 71 das 121 cadeiras em disputa. 

Esse resultado dá à coalizão governista um total de 130 senadores, oito acima do mínimo para ser maioria. Dá ao governo o controle duas câmaras do Parlamento do Japão.

É uma vitória do primeiro-ministro e sua agressiva política econômica para tirar o país da estagnação e da deflação conhecida como Abeconomia.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Linha-dura Shinzo Abe é primeiro-ministro do Japão

Num momento de acirramento das disputas territoriais com a China, a eleição de Shinzo Abe, do Partido Liberal-Democrata, para chefiar o governo do Japão deve aumentar a tensão entre os dois gigantes da Ásia. Apesar do passado de invasões do Exército Imperial japonês durante a Segunda Guerra Mundial, a maioria dos países do Leste e do Sudeste Asiático conta com o Japão para conter a superpoderosa China.

Com a China cada vez mais armada e agressiva, e a Coreia do Norte desenvolvendo mísseis de longo alcance, o fim do pacifismo que marca a política japonesa do pós-guerra é apenas uma questão de tempo.

É também uma dupla volta ao poder, do PLD que dominou a política do Japão desde sua fundação, em 1955, até 2003, e de Abe, que renunciou há cinco anos depois de uma breve passagem pela chefia do governo.

No plano econômico, o novo primeiro-ministro está pressionando o Banco do Japão a elevar sua meta de inflação de 1% para 2% ao ano como forma de combater a deflação crônica que causa a estagnação da agora terceira maior economia do mundo desde o início dos anos 90.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Governo perde eleições no Japão

O governo perdeu as eleições parlamentares deste domingo no Japão, vencidas pelo Partido Liberal-Democrata (PLD), que dominou a política do país na segunda metade do século 20.

O ex-primeiro-ministro Shinzo Abe, líder do PLD, será o novo chefe de governo. O atual, Yoshihiko Noda, renunciou à liderança do Partido Democrático do Japão.

Junto com seu aliado Komeito, o PLD deve ter uma maioria de 302 a 345 deputados na Dieta (Câmara), de 480 cadeiras.

domingo, 6 de junho de 2010

Partido do governo japonês ganha com troca de líder

A popularidade do Partido Democrático do Japão subiu 16,5 pontos percentuais com a ascensão do ministro das Finanças, Naoto Kan, à sua liderança e à chefia do governo. O PDJ tem agora o apoio de 36,1% do eleitorado japonês.

Kan substituiu Yukio Hatoyama nas duas funções nesta sexta-feira. É uma tentativa do partido de recuperar o prestígio e ter um bom desempenho nas eleições parciais para o Senado marcadas para 11 de julho.

Oito meses depois de assumir o cargo, numa vitória histórica sobre o Partido Liberal-Democrata, que governara o Japão desde 1955 com breve interrupção de menos de um ano nos anos 90, a popularidade de Hatoyama caíra para 17%.

Hatoyama pediu demissão alegando não ter conseguido cumprir a promessa de campanha de retirar a base militar dos Estados Unidos da ilha de Okinawa.

domingo, 30 de agosto de 2009

Oposição ganha eleições no Japão

O Partido Democrático do Japão (DPJ) venceu as eleições deste domingo, acabando com o monopólio de poder do Partido Liberal Democrata (PLD), que governava o país desde 1955, com uma breve interrupção de menos de um ano na década de 90.

Como os Estados Unidos ocuparam o Japão no fim da Segunda Guerra Mundial, depois de jogar duas bombas atômicas em Hiroxima e Nagasaki, o país só voltou a ter um governo independente em 1952, o PLD tinha um monopólio de poder que suscitava dúvidas entre acadêmicos sobre a democracia japonesa.

No pós-guerra, o Japão se tornou uma democracia no sentido de ter sempre governos eleitos e de respeitar os direitos humanos fundamentais. Faltava a alternância no poder.

A questão agora é se o DPJ, que sempre foi oposição, terá condições de se firmar como um partido viável, introduzindo um bipartidarismo saudável na política japonesa.

Com a palavra, o futuro primeiro-ministro Yukio Hatoyama, que, de acordo com a tradição política do país, vem de uma família de caciques do PLD. O atual primeiro-ministro, o conservador Taro Aso, já reconheceu a derrota e indicou que vai renunciar à liderança do partido.

domingo, 23 de agosto de 2009

Oposição ruma para vitória histórica no Japão

O Partido Democrático do Japão deve obter uma vitória esmagadora e histórica nas eleições legislativas do próximo domingo, 30 de agosto de 2009, acabando com um monopólio de poder do Partido Liberal Democrata que já dura 54 anos, com breve interrupção de menos de um ano no fim do século passado.

As pesquisas indicam que o PDJ deve eleger mais de 300 dos 480 deputados da Dieta, a Câmara do Parlamento do Japão, que indica o primeiro-ministro. O PLD deve ser reduzido a pouco mais de 100 cadeiras.

Como um terço do eleitorado declarou estar indeciso, o líder da oposição, Yukio Hatoyama, adverte para o risco de achar que já ganhou na reta final da campanha: "Há cerca de 100 cadeiras em disputa acirrada. O maior risco é a complacência.“

terça-feira, 21 de julho de 2009

Japão dissolve parlamento e convoca eleições

O governo do Japão aprovou nesta manhã a proposta do primeiro-ministro Taro Aso de dissolver o Parlamento e convocar eleições para 30 de agosto.

As pesquisas apontam uma derrota do Partido Liberal Democrata, que governa o Japão desde 1955, com breve interrupção de menos de um ano em 1993-94.

Alguns deputados estão em rebelião aberta, tentando derrubar o primeiro-ministro antes das eleições para aumentar as chances do PLD, hoje com apenas 30% da preferência do eleitorado.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Aso convoca eleições para 30 de agosto no Japão

LONDRES - O primeiro-ministro do Japão, Taro Aso, convocou para 30 de agosto eleições parlamentares que devem acabar com a série de governos do Partido Liberal Democrata, que governa o país desde 1955, com uma breve interrupção em 1993-94.

Diante da mais grave crise econômica no país depois da Segunda Guerra Mundial, a popularidade do governo caiu para 20%. Todas as pesquisas indicam a vitória do Partido Democrático do Japão, que venceu no domingo passado, 12 de julho de 2009, as eleições para a Câmara Municipal de Tóquio.

domingo, 12 de julho de 2009

PLD perde eleições em Tóquio

LONDRES - O Partido Liberal Democrata, que governa o Japão desde 1955, com uma breve interrupção de menos de um ano em 1993 e 1994, perde as eleições municipais na capital do país e a maioria que tinha na Câmara Municipal em aliança com o Komeito.

As eleições municipais estão sendo vistas como uma prévia das eleições nacionais, que precisam ser convocadas até setembro pelo impopular primeiro-ministro Taro Aso, apoiado por apenas 20% da população.

Uma vitória do Partido Democrático do Japão pode revolucionar a política japonesa, introduzindo a alternância no poder e o bipartidarismo. Mas não se deve desprezar a capacidade da manobra do PLD, que reúne a elite política e empresarial do país.

O PLD pode ressurgir e restabelecer seu monopólio. Mas, no momento, o Japão parece se encaminhar para o bipartidarismo.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Taro Aso é novo primeiro-ministro do Japão

O novo líder do Partido Liberal-Democrata, o ex-chanceler Taro Aso, foi eleito hoje pelo parlamento para governar o Japão. Com ampla maioria na Câmara, ele precisou anular a decisão do Senado, onde o controle é da oposição.

Católico e conservador, Aso tem 68 anos e fala português. Ele morou em São Paulo na juventude, trabalhando para uma empresa da família.

Para se legitimar, o novo primeiro-ministro terá de convocar eleições parlamentares que podem ser realizadas daqui a um mês, em 26 de outubro.

sábado, 8 de dezembro de 2007

Luta interna impede japoneses de ir à guerra

Com a Dieta (Parlamento) dividida, "será difícil mandar a Marinha do Japão de volta para o Oceano Índice colaborar nas operações antiterroristas de combate aos tráficos de armas e de drogas”, observou o professor Yukio Okamoto, assessor do governo Fukuda, ao falar quarta-feira, 5 de dezembro, na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan).

O Afeganistão produz 93% do ópio do mundo. A droga é trocada por armas no Nordeste da África. Uma frota internacional patrulha o Índico, e o Japão usava seus navios de reabastecimento para levar combustível e suprimentos para essa frota.

Para o Japão, foi uma iniciativa histórica, uma medida ousada de Koizumi. Mas o PDJ de Ichiro Osawa declarou que era inconstitucional. A autorização expirou e, sem uma nova lei, o Japão não pode voltar lá.

“Estive no Afeganistão. Nunca tinha visto um país tão pobre na Ásia. Sob o regime dos Talebã, as meninas não iam à aula. Agora, estão felizes de ir à escola. Mas a escola não tem mesas, nem cadeiras, nem quadro-negro”, constatou o professor japonês.

“Temos de ajudar esse país pobre, colaborando no combate à insurgência e ao terrorismo. O Japão tem a obrigação de contribuir.”

Há um ano, havia forças especiais japonesas no Iraque. Foi uma decisão política controvertida de Koizumi, que se propôs a tirar o Japão da crise tornando-o um país normal. O envio de forças terrestres ao Iraque foi a primeira operação de combate do Exército do Japão depois de 1945.

“A Ásia está mudando rapidamente. O Japão era a única potência; agora, temos a China e a Índia. É preciso passar de um pseudojogo de soma zero para um jogo em que todos ganhem”, propõe.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Líder da oposição renuncia no Japão

O Japão enfrenta uma ameaça de paralisia política depois da renúncia do líder do maior partido de oposição, que rejeitou uma proposta do primeiro-ministro Yasuo Fukuda para formar uma grande coalizão.

"Decidi renunciar para assumir a responsabilidade dentro e fora do partido pela confusão política causada pela proposta do primeiro-ministro para formar uma nova coalizão", declarou Ichiro Ozawa, no domingo, 4 de novembro.

Fukuda lidera o Partido Liberal-Democrata, que governa o Japão desde 1955, com exceção de um breve período de cerca de um ano nos anos 90, que tem maioria na Câmara. Nas eleições de julho, pela primeira vez, a oposição conquistou a maioria no Senado.

Para evitar um impasse e uma paralisia legislativa, o primeiro-ministro convidou o Partido Democrático do Japão para formar o novo governo. A proposta provocou a revolta dos oposicionistas. Afinal, os eleitores votaram no PDJ como uma alternativa ao PLD.

Como Ozawa não rejeitou imediatamente o convite, enfrentou uma rebelião interna do partido. Ele considerou que isso equivalia a um voto de desconfiança e decidiu pedir demissão. É um duro golpe para o PDJ e sua ambição de criar no Japão um sistema político bipartidário.

Sem a credibilidade conferida pelo exercício do poder, "a vitória nas próximas eleições será muito difícil", declarou Ozawa.

Aumenta assim a possibilidade de que o PLD resolva antecipar as eleições para a Câmara. Por enquanto, o governo continua paralisado para maioria oposicionista no Senado.

Na semana passada, não conseguiu aprovar uma nova Lei Antiterrorismo para permitir as operações de reabastecimento feita pela Marinha do Japão no Oceano Índico, em apoio às operações militares dos Estados Unidos no Afeganistão.

Para tentar aprovar a lei e atrair o PDJ, Fukuda concordou que as Forças de Defesa do Japão só participem de operações sancionadas pelo Conselho de Segurança ou a Assembléia Geral das Nações Unidas e deu total prioridade à formação de uma grande aliança. Sem sucesso.

domingo, 23 de setembro de 2007

Yasuo Fukuda será primeiro-ministro do Japão

Yasuo Fukuda deve ser o primeiro-ministro do Japão. Ele venceu a eleição para a liderança do Partido Liberal-Democrata, que tem maioria na Câmara do Parlamento japonês, com 330 votos contra 197 para o ex-ministro do Exterior Taro Aso, considerado mais linha dura.

Fukuda, um moderado, substitui Shinzo Abe, que renunciou depois de escândalos de corrupção e da maior derrota eleitoral do PLD, que governa o Japão quase que ininterruptamente desde sua fundação, em 1955. Aso, que morou no Brasil trabalhando para a empresa de sua família nos anos 60 e que esteve recentemente em São Paulo, era o preferido pelo governo brasileiro.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Primeiro-ministro do Japão renuncia

Depois de levar o Partido Liberal-Democrata a sua maior derrota em julho, quando o PLD perdeu a maioria no Senado pela primeira na História do Japão, o primeiro-ministro Shinzo Abe acaba de pedir demissão.

Abe não teve força para resolver problemas da Previdência, essencial num país que envelhece rapidamente. Seu governo foi marcado pela corrupção. Um ministro caiu depois de afirmar que ataque a Hiroxima com a bomba atômica, no final da Segunda Guerra Mundial, era compreensível. Já o ministro da Agricultura se suicidou.

No Japão, os corruptos não têm vergonha de roubar, como aqui. A diferença é que, quando são flagrados e denunciados por seus crimes, se matam porque a honra é um valor muito importante na cultura japonesa.

O PLD governa o Japão desde que foi criado, reunindo partidos conservadores, em 1955, com uma breve interrupção em 1993 e 1994. Seu próximo líder será o novo primeiro-ministro japonês. O favorito é o ministro do Exterior, Taro Aso, que esteve recentemente no Brasil mas só deu entrevista ao jornal São Paulo Shimbun, da comunidade japonesa