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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Grande vitória consolida poder da Takaichi no Japão

Menos de quatro meses depois de se tornar a primeira mulher a governar o Japão, a primeira-ministra Sanae Takaichi consolidou o poder no domingo com a maior vitória eleitoral do Partido Liberal-Democrata, que governa o país desde 1955 com duas breves interrupções. Motoqueira e baterista de heavy metal, ela quer restaurar o dinamismo da economia japonesa e remilitarizar o país para fazer frente ao crescente poderio chinês.

Com popularidade acima de 70%, Takaichi conquistou uma maioria de dois terços na Câmara só com os 316 deputados eleitos pelo PLD. A coalizão de governo tem agora 352 das 465 cadeiras da Câmara. Tem capital político e votos para levar adiante as reformas.

Ultradireitista, mandona e com opiniões fortes, Takaichi quer ser a Margaret Thatcher do Japão, uma sociedade extremamente conservadora. Ela não vai desafiar o patriarcado nem promover os direitos das mulheres. Seu foco será economia e defesa.

Em política externa, pretende acabar com as limitações da Constituição de 1947, imposta pelos Estados Unidos depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45), que proíbe o Japão de projetar seu poderio militar no exterior. Um Japão mais assertivo tem o apoio dos países da Ásia que temem o crescente poderio militar da China e o abandono da região pelo neoisolacionismo dos EUA.

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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Governo do Japão quer revogar cláusula pacifista da Constituição

O primeiro-ministro Shinzo Abe e o Partido Liberal-Democrata anunciaram hoje uma reforma no Artigo 9 da Constituição do Japão, que proíbe o país de usar seu poderio militar no exterior, noticiou o jornal The Japan Times.

Abe alega que o texto atual entra em contradição com a própria existência das Forças de Autodefesa do Japão porque o segundo parágrafo do artigo estipula que o país jamais manterá Exército, Marinha ou Aeronáutica. O objetivo é estabelecer critérios para o uso da força diante do crescente poderio militar da China e a ameaça nuclear da Coreia do Norte.

A atual Constituição do Japão foi imposta em 1947, durante a ocupação americana depois da Segunda Guerra Mundial, e nunca foi alterada. A reforma exige dois terços dos votos da Câmara e do Senado, e a aprovação em referendo pela maioria dos votos.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Parlamento Britânico aprova bombardeios na Síria

Por 397 a 223 votos, a Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico autorizou ontem à noite o primeiro-ministro David Cameron a bombardear a milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante também em território da Síria. Em aliança com os Estados Unidos, o Reino Unido ataca o Estado Islâmico no Iraque desde o ano passado.

A votação foi precedida por um longo debate parlamentar. O líder da oposição trabalhista, Jeremy Corbyn, que é pacifista, liberou a bancada para apoiar o governo, mas questionou duramente o prmeiro-ministro. O socialista Corbyn alegou que os bombardeios tornarão o país mais inseguro e mais sujeito a atentados terroristas, e não vão resolver a guerra civil na Síria.

Ontem, Cameron chegou a acusá-lo de "simpatizante de terroristas".

Do lado de fora do Palácio de Westminster, manifestantes pacifistas pediam o voto contra a guerra. Em agosto de 2013, a Câmara dos Comuns não autorizou Cameron a bombardear a Síria. Na época, o alvo seria a ditadura de Bachar Assad, acusada de jogar armas químicas contra a população civil num ataque com mais de mil mortes.

Uma das principais críticas à estratégia de Cameron é que bombardeios aéreos não serão suficientes para derrotar o Estado Islâmico. Como as grandes potências não pretendem enviar forças terrestres para retomar os territórios ocupados pelo EI, o Reino Unido pode estar entrando numa longa guerra sem fim.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Parlamento do Japão aprova uso da força no exterior

Pela primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial, uma lei autoriza o primeiro-ministro do Japão a enviar as Forças Armadas para combate no exterior fora de missões de paz das Nações Unidas, abandonando um dispositivo central da Constituição pacifista imposta pelos Estados Unidos.

Apesar dos protestos, na manhã deste sábado pela hora local, o Parlamento japonês aprovou uma proposta do primeiro-ministro Shinzo Abe, que considera a medida necessária para o Japão voltar a ser "um país normal".

"Se pusermos o poderio da Marinha dos EUA e das forças de autodefesa marítimas do Japão lado a lado, finalmente um mais um será igual a dois", declarou Abe meses atrás em entrevista ao jornal americano The Wall Street Journal.

A medida foi adotada diante do crescente poderio militar e agressividade da China em disputas de mar territorial com os vizinhos. Permite fortalecer o papel do Japão na aliança militar com os EUA, intervir em possíveis conflitos entre as Coreias do Sul e do Norte ou agir contra o bloqueio de rotas marítimas capazes de ameaçar a segurança e o comércio exterior do país.

De acordo com o artigo 9 da Constituição de 1947, imposta durante a ocupação americana depois da Segunda Guerra Mundial, as Forças de Autodefesa do Japão só podem atuar defensivamente para proteger o território e as águas territoriais do país. Os críticos da decisão alegam que só poderia ser alterada por emenda constitucional.

Em 1992, depois de muita discussão, o Parlamento autorizou o envio de tropas japonesas ao exterior, mas só em missões de paz da ONU,

domingo, 30 de agosto de 2015

Japoneses protestam contra a remilitarização do país

Dezenas de milhares de japoneses protestaram hoje diante da sede do Parlamento, em Tóquio, contra a nova legislação para permitir que as Forças Armadas do país atuem no exterior, reportou a agência Reuters.

A multidão tomou toda a rua depois que a quantidade de gente tornou impossível para a polícia manter todo o mundo nas calçadas. Um parque próximo também foi ocupado pelos manifestantes.

Os protestos são a reação da opinião pública à política do primeiro-ministro Shinzo Abe de diminuir as restrições constitucionais ao uso da força no exterior

Pelo artigo 9 da Constituição pacifista imposta pelos Estados Unidos em 1947, depois da Segunda Guerra Mundial, as Forças de Defesa do Japão só podem atuar no país e em suas águas territoriais. Em 1992, o Parlamento autorizou a participação dos militares japoneses em missões de paz das Nações Unidas.

Diante do poderio crescente e da atuação cada vez mais agressiva da China em disputas territoriais com os países vizinhos, inclusive o Japão, Abe argumenta que o Japão precisa voltar a ser "um país normal".

Outros países da Ásia temem que os EUA não queira comprar uma briga com a China para defendê-los. Um general e professor da Escola Superior de Guerra chinesa chegou a dizer que os EUA sofrem de "disfunção erétil".

terça-feira, 1 de julho de 2014

Japão autoriza Forças Armadas a usar a força no exterior

O primeiro-ministro Shinzo Abe baixou hoje uma resolução que na prática visa a eliminar as restrições para que o Japão possa manter Forças Armadas modernas e participar de guerras fora de seu território "para ajudar países amigos". É um abalo sísmico no pacifismo que caracterizou a política externa japonesa depois da derrota na Segunda Guerra Mundial.

"Nossa leitura da Constituição não mudou", declarou Abe em entrevista, tentando justificar a nova interpretação, observou a revista japonesa Nikkei Asia Review.

Pelo Art. 9 da Constituição de 1947, imposta pelos Estados Unidos durante a ocupação americana, o Japão renuncia ao direito de usar a força fora de seu território: "Aspirando sinceramente a uma paz baseada na justiça e na ordem, o povo japonês renuncia para sempre à guerra como um direito soberano da nação e ao uso da força como meio para resolver disputas internacionais. Para atingir este objetivo, não serão mantidas forças de ar, terra e mar nem outros instrumentos de guerra. O direito de beligerância do Estado não será reconhecido."

Isso significa que o Japão pode ter apenas Forças de Autodefesa, que na prática são de terra, mar e ar, mas não pode ter vários tipos de armas ofensivas, como bombas atômicas e mísseis de médio e longo alcances.

O governo japonês muda sua política de defesa diante da agressividade cada vez maior da China, a superpotência emergente, nas disputas territoriais com os países vizinhos.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Linha-dura Shinzo Abe é primeiro-ministro do Japão

Num momento de acirramento das disputas territoriais com a China, a eleição de Shinzo Abe, do Partido Liberal-Democrata, para chefiar o governo do Japão deve aumentar a tensão entre os dois gigantes da Ásia. Apesar do passado de invasões do Exército Imperial japonês durante a Segunda Guerra Mundial, a maioria dos países do Leste e do Sudeste Asiático conta com o Japão para conter a superpoderosa China.

Com a China cada vez mais armada e agressiva, e a Coreia do Norte desenvolvendo mísseis de longo alcance, o fim do pacifismo que marca a política japonesa do pós-guerra é apenas uma questão de tempo.

É também uma dupla volta ao poder, do PLD que dominou a política do Japão desde sua fundação, em 1955, até 2003, e de Abe, que renunciou há cinco anos depois de uma breve passagem pela chefia do governo.

No plano econômico, o novo primeiro-ministro está pressionando o Banco do Japão a elevar sua meta de inflação de 1% para 2% ao ano como forma de combater a deflação crônica que causa a estagnação da agora terceira maior economia do mundo desde o início dos anos 90.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Japão se prepara para conter a China

Diante da ascensão da China como superpotência, cada vez mais agressiva em suas disputas territoriais com os países vizinhos, o Japão questiona o pacifismo que marcou sua política de defesa desde a derrota para os Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial.

Pela primeira vez em décadas, o país está dando ajuda militar, na tentativa de criar alianças e fortalecer possíveis aliados. Em breve, deve romper outra barreira, vendendo armas e equipamentos militares a outros países da Ásia.

Até o momento, não é nada espetacular, mas o jornal The New York Times vê nesses indícios os primeiros sinais claros de reafirmação do Japão como potência militar.

"Durante a Guerra Fria, tudo o que o Japão tinha de fazer era seguir os EUA", declarou Keiko Kitagami, assessor especial do primeiro-ministro Yoshihiko Noda para defesa. "Com a China, é diferente. O Japão precisa assumir sua própria posição."

O desafio é claro: "Queremos construir uma coalizão de interessados na Ásia para evitar que a China nos atropele", afirmou em Tóquio o diretor do Instituto de Estudos do Leste da Ásia da Universidade Keio, Yoshihide Soeya. Como disse o vice-ministro da Defesa, Akihisa Nagashima, "não podemos deixar o Japão decair em silêncio".

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007

Japão dá prioridade a relações com a China

Em sua mensagem de Ano Novo, o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, citou como prioridade construir "uma relação estratégica e mutuamente benéfica" com a China, rival histórico e inimigo na Segunda Guerra Mundial. Abe também prometeu reescrever a Constituição de 1947, imposta pelos Estados Unidos, para remover as cláusulas pacifistas que impedem o Japão de mandar suas Forças Armadas para o exterior, o que pode ser uma fonte de atrito com os países vizinhos.

Abe quer criar relações com a China baseadas na "confiança". Depois de sua visita a Beijim em outubro, representantes dos dois países começaram a discutir questões das histórias oficiais ensinadas nas escolas sobre a Segunda Guerra Mundial consideradas ofensivas pelos países invadidos pelo Japão, e a cooperar em energia e meio ambiente.

O Japão está convidando líderes chineses para visitar Tóquio num sinal de que as tensões dos cinco anos de governo Junichiro Koizumi (2001-06) estão superadas. Koizumi visitava anualmente o santuário de Yasukuni, em Tóquio, onde são homenageados os 2,5 milhões de japoneses mortos na Segunda Guerra Mundial, inclusive 14 criminosos de guerra.

Um museu instalado junto ao santuário ainda afirma que o Japão relutou para entrar na guerra contra a China e os aliados. Na verdade, o Exército Imperial japonês invadiu a Manchúria em 1931 e o resto da China em 1937, e bombardeou sem declarar guerra a frota dos EUA estacionada em Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941, matando 2.403 americanos entre civis e militares.

domingo, 17 de dezembro de 2006

Japão remove dois pilares do pacifismo pós-45

O governo conservador do primeiro-ministro Shinzo Abe mudou duas regras do pacifismo imposto ao Japão pela ocupação americana, depois da Segunda Guerra Mundial. As escolas japonesas voltarão a ensinar patriotismo a seus estudantes, e a Agência de Defesa será elevada a Ministério da Defesa pela primeira vez desde 1945.

As medidas foram aprovadas na sexta-feira pelo Senado. Seu objetivo é reforçar a posição internacional do Japão militarmente e resgatar o orgulho nacional, afastando-se do passado e dos sentimentos de culpa pós-1945.

É provável que os países vizinhos que foram ocupados pelo Japão durante a Segunda Guerra Mundial, especialmente a China e a Coréia do Sul, protestem contra a primeira reforma da lei educacional desde 1947.

Estes países alegam, com razão, que o Japão, ao contrário da Alemanha, nunca reconheceu seus crimes de guerra nem pediu desculpas apropriadamente pelas atrocidades do Exército Imperial na Guerra do Pacífico.

O novo texto pede às escolas que "cultivem uma atitude de respeito à tradição e à cultura, de amor à nação e ao país".

A reforma reflete o pensamento do ministro da Educação, Bunmei Ibuki, de que o longo período de prosperidade do pós-guerra erodiu a moral e o espírito conservador do Japão de antes da guerra. Os críticos alegam que é um retrocesso para um período em que as crianças eram doutrinadas para apoiar o imperialismo militarista, e a se sacrificar pelo imperador e pelo país.

Sem maior oposição, porque as preocupações com a segurança nacional aumentaram muito por causa dos testes de mísseis e de explosões atômicas da Coréia do Norte, a Agência de Defesa foi promovida a ministério. A mudança entra em vigor no próximo ano. Dará aos generais mais prestígio e maior poderes sobre o orçamento.

"O governo está colocando em risco o futuro das crianças japonesas, transformando o Japão num país que trava guerras no exterior", protestou o deputado comunista Ikuko Ishii.

Pelo Artigo 9 da Constituição de 1947, imposta pelos EUA, o Japão está proibido de projetar seu poderio militar para além de suas fronteiras e mar territorial. Em 1992, uma emenda autorizou o envio de tropas ao exterior em missões de paz das Nações Unidas.

Até hoje, as forças armadas são chamadas de Forças de Defesa do Japão, o que não impede que este país-arquipélago tenha uma grande Marinha para patrulhar suas águas territoriais. O Japão, único país atacado com bombas atômicas, não tem armas nucleares. Mas ninguém duvida de que tenha a tecnologia e de que seja capaz de fabricar a bomba em meses.

Tanto à China quanto aos EUA, não interessa a nuclearização do Japão, que até hoje vive sob a proteção do 'guarda-chuva nuclear' americano. Até hoje, os EUA mantêm 50 mil soldados no Japão.