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sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

EUA e países árabes vão propor plano de paz de longo prazo

 Os Estados Unidos e aliados árabes pretendem apresentar a Israel um novo plano de paz de longo prazo para o Oriente Médio com a criação de um Estado palestino, mas isso depende de uma trégua para libertação de reféns israelenses e presos palestinos. 

As negociações realizadas no Cairo estão num impasse. Israel só aceita um cessar-fogo temporário. O grupo terrorista Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) exige o fim da guerra e a retirada total de Israel.

Aumenta a pressão internacional para que Israel não faça uma invasão em grande escala de Rafá, a cidade do extremo sul da Faixa de Gaza junto à fronteira com o Egito, para onde fugiram mais de 1 milhão de palestinos desde o início da guerra. 

Depois do presidente Joe Biden, o presidente da França, Emmanuel Macron, telefonou para o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu para alertar para o risco de "uma tragédia humanitária de uma nova magnitude. 

A Espanha e a Irlanda pediram à Comissão Europeia que revise o acordo de associação de Israel com a União Europeia porque Israel estaria violando os direitos humanos dos palestinos.

quarta-feira, 19 de abril de 2023

Brasil abandona a neutralidade na Guerra da Ucrânia

Ao declarar que a Ucrânia é corresponsável pela guerra em que foi invadida, rejeitar o convite para visitar Kiev e receber em Brasília o ministro do Exterior russo sem dar a mesma oportunidade ao ucraniano, o Brasil se alinha às posições da China e da Rússia.

Se a defesa do diálogo e de uma solução negociada é elogiável, uma mediação equilibrada exige o tratamento equitativo das duas partes, o respeito ao direito internacional e à Carta das Nações Unidas.

Enquanto o chanceler Serguei Lavrov estava em Brasília, a Rússia condenava o oposicionista Vladimir Kara Murza a 25 anos por criticar a invasão da Ucrânia. Ontem, o primeiro jornalista norte-americano preso na Rússia sob a acusação de espionagem desde o fim da Guerra Fria aparecia num tribunal de Moscou que lhe negou o direito de responder ao processo em liberdade.

O ditador Vladimir Putin visitou pela segunda vez zonas de guerra na Ucrânia para tentar levantar o moral da tropas antes de uma esperada contraofensiva de primavera da Ucrânia.

A economia da China cresceu em ritmo de 4,5% ao ano no primeiro trimestre deste ano, depois de avançar apenas 3% no ano passado por causa da política de covid-zero.

Em tom professoral e arrogante, o presidente Emmanuel Macron foi à televisão defender sua impopular reforma previdenciária. As centrais sindicais planejam grandes protestos para 1º de maio, Dia do Trabalho.

A Justiça da França absolveu a companhia aérea Air France e a fabricante Airbus pelo acidente com o voo AF-447 (Rio-Paris), que matou todas as 228 pessoas a bordo em 31 de maio de 2009. Meu comentário:

sábado, 15 de abril de 2023

EUA denunciam militar pelo vazamento de segredos do Pentágono

 Um aviador e técnico em informática da Guarda Nacional Aérea do estado de Massachusetts preso na quinta-feira foi denunciado ontem por roubar e divulgar documentos ultrassecretos do Departamento da Defesa dos Estados Unidos e pode pegar muitos anos de cadeia por espionagem. 

Jack Douglas Teixeira, de 21 anos, gosta de armas de fogo, equipamentos militares, memes racistas e antissemitas, videogames e Deus, informa o jornal The New York Times. Ao que tudo indica, não é agente russo.

Como a principal conclusão dos vazamentos é que a Guerra da Ucrânia caminha para um longo impasse sangrento, analistas militares norte-americanos alertam que é preciso passar do campo de batalha para a mesa de negociações.

As declarações do presidente da França, Emmanuel Macron, durante visita à China, de que a Europa precisa de autonomia estratégica para não ser vassalo dos EUA abalaram tanto a União Europeia quanto a aliança ocidental. Macron conseguiu uma vitória na reforma da previdência, mas se queimou politicamente dentro da França e agora no mundo.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou uma visita a Beijim em que consolidou a parceria econômica entre Brasil e China. A proposta de criar um "clube da paz" não prosperou. Nem Rússia, nem Ucrânia e nem a China parecem interessadas em negociações. Mas os 25 anos do acordo de paz que acabou com a guerra civil na Irlanda do Norte mostram que vale a pena iniciar o diálogo mesmo quando parece impossível. Meu comentário:

sexta-feira, 7 de outubro de 2022

Nobel da Paz vai para ativistas de direitos humanos anti-Putin

 O advogado bielorrusso Ales Bialiatski, preso sem julgamento desde julho de 2021, a organização de defesa dos direitos humanos russa Memorial e o Centro de Liberdades Civis ucraniano vão dividir o Prêmio Nobel da Paz de 2022, anunciou hoje em Oslo o Comitê Norueguês do Nobel, descrevendo-os como “três destacados campeões dos direitos humanos, democracia e a coexistência pacífica.” 

Todos são adversários do imperialismo da Rússia e do ditador Vladimir Putin, que completou 70 anos hoje, aniversário de 16 anos da morte da jornalista Anna Politkovoskaya, que denunciava os crimes de seu governo.

“Os laureados representam a sociedade civil em seus países”, declarou a presidente do comitê do Nobel, Berit Reiss Andersen. “Há muitos anos, promovem o direito de criticar o poder e protegem os direitos fundamentais dos cidadãos. Fazem um esforço excepcional para documentar crimes de guerra, abusos dos direitos humanos e abusos de poder. Juntos, demonstraram o significado da sociedade civil para a paz e a democracia.”

Em nota no Twitter, Kenneth Roth, ex-diretor-executivo da organização não governamental Human Rights Watch (Observatório dos Direitos Humanos), escreveu: “No 70º aniversário de Putin, o Prêmio Nobel da Paz é concedido a um grupo de defesa dos direitos humanos da Rússia que ele fechou, um grupo de defesa dos direitos humanos ucraniano que está documentando seus crimes de guerra e um ativista bielorrusso preso por seu aliado Lukachenko.” 

BIELORRÚSSIA

Bialiatski foi um dos pioneiros do movimento democrático que surgiu na Bielorrúsia nos anos 1980, com a glasnost, a abertura política promovida na União Soviética pelo líder comunista Mikhail Gorbachev.

Em 1996, ele fundou a organização não governamental Viasna (Primavera) para denunciar uma reforma constitucional que deu poderes ditatoriais ao presidente Alexander Lukachenko e reagir com protestos de rua. A ONG apoiou os manifestantes presos e suas famílias.

O laureado foi preso de 2011 a 2014 e de novo em julho de 2021, durante uma onda de manifestações contra mais uma reeleição fraudulenta de Lukachenko, em agosto 2020. Está preso até hoje, sem julgamento.

A abertura de Gorbachev também permitiu que ativistas dos direitos humanos criassem, em 1987, a ONG Memorial para documentar a história das vítimas do regime comunista soviético. O físico dissidente Andrei Sakharov, ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 1975 foi um dos fundadores.

MEMÓRIA

Com o colapso da URSS, no Natal de 1991, Memorial se tornou a maior organização de defesa dos direitos humanos da Rússia. Além das vítimas do comunismo, passou a compilar informações sobre as violações dos direitos humanos no país. Tornou-se a principal fonte de notícias sobre presos politicos detidos nas prisões russas e está na linha de frente da luta contra o militarismo e pelo Estado de Direito, justificou o comitê do Nobel.

Durante as Guerras da Chechênia, investigou os crimes cometidos. A chefe do escritório da Memorial na Chechênia, Natalia Estemirova, foi assassinada em 2009. Como parte da repressão da ditadura de Putin, a ONG foi declarada “agente estrangeiro” e, em 2021, foi fechada, mas os ativistas resistem.

“Ninguém planeja desistir”, afirmou o presidente da Memorial, Yan Rachinsky.

UCRÂNIA

Desde o início da invasão da Rússia pela Ucrânia, em 24 de fevereiro de 2022, o Centro pelas Liberdades Civis identifica e documenta os crimes cometidos contra a população civil, em colaboração com investigações internacionais. Foi fundado em 2007 para promover a democracia na Ucrânia.

No ano passado, os ganhadores do Nobel da Paz foram os jornalistas russo Dimitri Muratov, editor-chefe do jornal Novaïa Gazeta, fechado depois do início da guerra na Ucrânia, e filipina Maria Ressa, pela luta pela liberdade de imprensa contra regimes autoritários.

O governo Putin descreveu na mídia oficial o prêmio como um instrumento a serviço de uma agressão de inimigos “russófobos”. Os mesmos meios de comunicação reportavam orgulhosamente indicações do ditador do Kremlin como candidato ao Nobel da Paz. Meu comentário: 


AMEAÇA NUCLEAR

A premiação acontece num momento de agravamento da Guerra da Ucrânia. Diante de sucessivas derrotas do Exército da Rússia no campo de batalha, Moscou forjou plebiscitos ilegais para anexar quatro províncias ucranianas que não domina totalmente. Putin voltou a ameaçar usar armas nucleares para defender o que afirma agora ser “território russo”.

Ontem, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, advertiu para o risco de um “armagedon nuclear”, dizendo que a ameaça de um conflito com armas atômicas é o maior desde a Crise dos Mísseis em Cuba, 60 anos atrás.

Foi muito criticado por reproduzir a ameaça de Putin e pela comparação com o momento mais tenso da Guerra Fria. 

Há um temor de que a Rússia use armas nucleares táticas. O historiador Timothy Snyder, professor da Universidade de Yale, não acredita nisso. Estas armas só seriam úteis se houvesse grande concentração de tropas de Ucrânia num local sem a presença de militar russos.

CRISE DOS MÍSSEIS

Em 14 de outubro de 1962, um avião espião U-2 fotografou silos e mísseis nucleares que a URSS estava instalando na ilha governada por Fidel Castro, que exilados cubanos haviam tentado invadir, com o apoio dos EUA, em abril de 1961. Cuba estava sob um duro boicote econômico de Washington, que dura até hoje, desde 7 de fevereiro de 1962.

Dois dias depois, as fotos e os relatórios de inteligência concluindo que os mísseis dariam aos soviéticos condições de realizar um primeiro ataque foram entregues ao presidente John Kennedy. 

Logo, Kennedy convocou um gabinete de guerra, o Comitê Executivo do Conselho de Segurança Nacional. Os partidários de uma abordagem diplomática ficaram conhecidos como pombas e os defensores de uma invasão de Cuba eram os falcões. O Estado-Maior Conjunto concluiu por unanimidade que a única solução era uma invasão de Cuba em grande escala para destruir os mísseis e depor Fidel.

Em 22 de outubro daquele ano, às 19h, Kennedy fez um pronunciamento na televisão revelando a ameaça ao povo norte-americano. Ele impôs um bloqueio aeronaval a Cuba, que chamou de “quarentena” para dourar a pílula. Exigiu a retirada imediata e incondicional dos mísseis, e ameaçou interceptar e revistar qualquer navio com destino à ilha. Todo navio transportando armas teria de dar meia volta.

O líder soviético, Nikita Kruschev, advertiu em carta de 24 de outubro de 1962, quando alguns navios soviéticos deram meia volta, que o bloqueio “à navegação no espaço aéreo e em águas internacionais” era “um ato de agressão que está empurrando a espécie humana para o abismo de uma guerra mundial com mísseis nucleares”.

Na China, o Diário do Povo, órgão oficial do regime comunista, alardeou que 650 milhões de chineses estavam ao lado de Cuba.

ATAQUE ABORTADO

Ao mesmo tempo em que Kruschev falava grosso e navios soviéticos tentavam furar o bloqueio, a ponto de norte-americanos darem tiros de advertência, começavam negociações secretas. No momento mais tenso, um submarino soviético armado com mísseis nucleares de 15 quilotons foi cercado por navios de guerra dos EUA. 

Como se soube depois, numa conferência com veteranos dos dois lados, em 1992, os três mais altos oficiais do submarino discutiram se atacavam ou não. O capitão Valentin Savitsky mandou preparar o torpedo nuclear. Foi dissuadido pelo subcomandante.

Para o diretor do Arquivo de Segurança Nacional dos EUA Thomas Blanton, “um cara chamado Vassili Arkhipov salvou o mundo”.

Também não se sabia que os assessores militares soviéticos baseados em Cuba tinham na época 100 armas nucleares táticas (pequenas) que poderiam ser usadas para defender a ilha de uma invasão norte-americana.

A invasão quase ocorreu. Na noite de 26 de outubro, um jornalista e dublê de espião soviético estranhou que a cantina e a sala de imprensa do Congresso estivessem praticamente vazias. Um funcionário lhe disse: “Está todo o mundo indo para Cuba porque vai haver uma invasão.” O agente soviético avisou Moscou imediatamente.

ACORDO

Na manhã seguinte, às 9h, a Rádio Moscou anunciou que a URSS removeria os mísseis de Cuba em troca de retirada de mísseis norte-americanos de curto alcance baseados na Itália e na Turquia. Às 11h03, chegou à Casa Branca uma mensagem de Kruschev confirmando a proposta.

Kennedy concordou. Os mísseis baseados na Turquia eram obsoletos e seriam removidos de qualquer maneira. Serviram para livrar a cara de Kruschev, que cairia dois anos depois por outros motivos, pela luta interna pelo poder dentro da URSS. Os EUA prometeram não invadir a ilha.

Ao meio-dia, um míssil antiaéreo derrubou um avião norte-americano U-2 no espaço aéreo de Cuba. Os EUA hesitaram em concluir o acordo, mas o Kremlin os convenceu de que o alto comando não sabia do ataque. No dia seguinte, Kruschev disse ao filho Serguei que a ordem de abate partiu de “militares cubanos sob o comando de Raúl Castro”.

O bloqueio a Cuba dura até 20 de novembro. Para desarmar futuras crises, foi instalada uma linha direta entre a Casa Branca e o Kremlin, o telefone vermelho. Aparentemente, neste momento, está mudo, mas os altos comandos militares estão em contato.

Na segunda-feira, a Academia Real de Ciência da Suécia anuncia o vencedor do Prêmio Nobel de Economia.

sábado, 30 de julho de 2022

Hoje na História do Mundo: 30 de julho

PRIMEIRA CÂMARA LEGISLATIVA DA AMÉRICA

   Em 1619, a primeira câmara legislativa da América se reúne pela primeira vez na igreja de Jamestown, na colônia da Virgínia.

A London Company, que fundara a colônia de Jamestown 12 anos antes, pede ao governador da Virgínia, Sir GeorgeYeardlay, a convocar uma assembleia geral de 22 representantes eleitos pelos colonos, com um voto para cada homem livre adulto.

Na primeira sessão, a Câmara dos Burgueses aprova um preço mínimo de 3 xelins por libra-peso (454 gramas) de tabaco e leis proibindo o jogo, a embriaguez e a vadiagem. Todas as leis tinham se ser aprovadas pela London Company.

HITLER SABE QUE ITÁLIA NEGOCIA PAZ

    Em 1943, o ditador nazista Adolf Hitler fica sabendo que a Itália negocia a paz com os aliados depois que o Grande Conselho Fascista afasta o ditador Benito Mussolini.

Hitler reúne o alto comando da Alemanha nazista – Herman Göring, Joseph Goebbels, Heinrich Himmler, Erwin von Rommel e o comandante da Marinha, Karl Doenitz – para planejar a Operação Carvalho. 

Seus objetivos são resgatar Mussolini, restaurar o regime fascista, ocupar militarmente a Itália e destruir a Marinha italiana para que não pudesse ser usada pelos aliados.

JAPÃO TORPEDEIA CRUZADOR DOS EUA

    Em 1945, um submarino do Japão torpedeia o cruzador norte-americano USS Indianapolis, que afunda em seguida em águas infestadas por tubarões

Só 316 dos 1.196 homens a bordo sobrevivem. Mas o Indianápolis cumprira sua missão ultrassecreta. Os tripulantes não sabem da carga entregue em 26 de julho na ilha de Tinian: componentes da bomba atômica que explodiria em Hiroxima em 6 de agosto de 1945, forçando o Japão a render depois da segunda bomba atômica, em Nagasaki.

Depois de Tinian, o Indianápolis segue para a base militar dos Estados Unidos na ilha de Guam, onde recebe ordens para se juntar ao navio de guerra Idaho no Golfo Leyte, nas Filipinas. 

Na metade do caminho, pouco depois da meia-noite, um submarino japonês torpedeia o cruzador, que afunda em 12 segundos com 300 homens presos em áreas internas. Cerca de 900 se jogam ao mar. A maioria morre afogado, atacado por tubarões, hipotermia ou feridas da explosão.

A tragédia só é divulgada nos EUA depois da rendição do Japão, em 15 de agosto, pondo fim à Segunda Guerra Mundial.

ASSISTÊNCIA A IDOSOS

    Em 1965, o presidente Lyndon Johnson sanciona a lei que cria o Medicare, o programa do governo dos Estados Unidos para dar cobertura de saúde aos idosos, e o Medicaid, para dar assistência aos pobres

O ex-presidente Harry Truman(1945-53) participa da cerimônia na Casa Branca e é o primeiro inscrito no programa.

A homenagem é justificada. Truman é o primeiro presidente a propor, em 1945, a criação de um seguro-saúde. Medicare e Meicaid são proposto como emendas à Lei de Seguridade Social, que cria a Previdência Social nos EUA em 1935, para dar assistência médica e hospitalar a americanos de 65 anos ou mais.

No primeiro ano, em 1966, 19 milhões de idosos se inscrevem no Medicare.

domingo, 19 de junho de 2022

Gustavo Petro será primeiro esquerdista a governar a Colômbia

 O economista e senador Gustavo Petro, de 62 anos, ecologista, ex-prefeito de Bogotá e ex-ativista do movimento guerrilheiro M-19, é o primeiro esquerdista a ser eleito presidente da Colômbia.

Ele toma posse em 7 de agosto para um mandato de quatro anos. Quer formar uma aliança de esquerda na América Latina com os presidentes do Chile, Gabriel Boric; do México, Andrés Manuel López Obrador; e do Brasil, se Luiz Inácio Lula da Silva for reeleito em outubro.

Com 100% das urnas apuradas, ele vence o segundo turno com 11.281.013 votos (50,44%) contra 10.580.412 (47,31%) para o ex-prefeito de Bucaramanga Rodolfo Hernández, um engenheiro e magnata de 77 anos de extrema direita, informa o jornal colombiano El Espectador.

No discurso da vitória, Petro defendeu "uma política do amor, não uma mudança para os vingarmos, para construir mais ódios". Prometeu "uma democracia de verdade, uma democracia popular, uma democracia multicolorida" para transformar "a Colômbia numa potência mundial da vida", com paz, justiça social e justiça ambiental.

Leia mais em Quarentena News e veja meu comentário no YouTube.

quinta-feira, 4 de novembro de 2021

Hoje na História do Mundo: 4 de Novembro

 TÚMULO DE TUTANCÂMON

    Em 1922, o arqueólogo Howard Carter e sua equipe descobrem a entrada da tumba do faraó Tutancâmon no Vale dos Reis, no Egito, que está preservada por nunca ter sido saqueada.

Carter chega pela primeira vez ao Egito em 1891, quando a maioria das tumbas do Egito Antigo está descoberta, mas não a do jovem faraó que morreu aos 18 anos. 

Depois da Primeira Guerra Mundial (1914-18), Carter intensifica a busca e encontra a entrada perto da tumba do faraó Ramsés VI. Em 26 de novembro, ele e o colega Lorde Carnarvon entram nas câmaras da tumba, que estão admiravelmente intactas e preservadas.

EMBAIXADA EM TEERÃ

    Em 1979, depois da Revolução Islâmica no Irã, jovens aliados do aiatolá Ruhollah Khomeini invadem a Embaixada dos Estados Unidos em Teerã e tomam todos os diplomatas e funcionários como reféns, no início de uma ocupação que dura 444 dias e só acaba depois da posse do presidente Ronald Reagan, em 20 de janeiro de 1981.

ASSASSINATO DE RABIN

    Em 1995, o extremista de direita Yigal Amir mata o primeiro-ministro de Israel, Yitzhak Rabin, durante um comício pela paz na Praça dos Reis, em Telavive, por ter feito um acordo com a Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

Preso na hora pela poícia, Amir, de 27 anos, estudante de direito ligado ao grupo extremista Eyal, confessa o assassinato e justifica dizendo que Rabin queria "dar nosso país aos árabes".

Rabin nasceu em Jerusalém. Um dos líderes da Guerra da Independência de Israel (1948-49), comanda as Forças Armadas de Israel na Guerra dos Seis Dias (1967).

Depois da carreira militar, entra para o Partido Trabalhista e é eleito primeiro-ministro em 1974. Governa até 1977 e cai num escândalo por ter conta bancária nos Estados Unidos, o que era proibido em Israel. De 1984 a 1990, é ministro da Defesa de Israel.

Em 1992, é reeleito primeiro-ministro e apoia as negociações secretas com a OLP realizadas em Oslo, na Noruega, o que o leva a apertar a mão do líder palestino Yasser Arafat no jardim da Casa Branca em 13 de setembro de 1993, quando os dois assinam a declaração de princípios para criar a Autoridade Nacional Palestina, permitir a volta de Arafat à Cisjordândia e entregar a administração da Faixa de Gaza e da região de Jericó aos palestinos. Paga com a vida.

ELEIÇÃO DE OBAMA    

    Em 2008, o senador Barack Obama se torna o primeiro negro a ser eleito presidente dos Estados Unidos.

Filho de pai queniano e mãe norte-americana, Barack Hussein Obama nasce em Honolulu, no Havaí, onde eles estudavam. Quando os pais se separam, a mãe de casa com um indonésio. Ele vive até 11 anos na Indonésia e vai para os EUA estudar. Não carrega assim o estigma dos afro-americanos descendentes de escravos e uma cultura negativista que valoriza a marginalidade, o uso de drogas e o mau desempenho na escola.

Obama estuda em Harvard, uma das melhores universidades do mundo, onde dirige a revista da Faculdade de Direito. Antes de entrar para a política, trabalha como organizador comunitário na Zona Sul de Chicago, uma área pobre da cidade.

Em 2004, Obama faz o discurso de apresentação do candidato na Convenção Nacional do Partido Democrata que nomeou John Kerry e se destaca pelo talento de grande orador.

Para conquistar a candidatura democrata em 2008, ele vence nas eleições primárias a senadora Hillary Clinton.

ACORDO DE PARIS

    Em 2016, entra em vigor o Acordo de Paris sobre Mudança do Clima e mais de 190 países vão adotar metas voluntárias de redução de emissões de gases carbônicos para conter o aquecimento global.

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Programa Mundial de Alimentos ganha o Prêmio Nobel da Paz

O Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (PMA), criado em 1961 e em ação desde 1963 para combater a fome no mundo, foi agraciado hoje com o Prêmio Nobel da Paz de 2020 por "seus esforços na luta contra a fome [inclusive como consequência da pandemia], sua contribuição pela melhoria das condições para a paz e por atuar como força motriz nos esforços visando a impedir o uso da fome como arma de guerra", anunciou hoje em Oslo a presidente do Comitê Norueguês do Nobel, Berit Reiss Andersen.

É a maior agência de ajuda humanitária do mundo. A cada ano, fornece alimentos a 90 milhões de pessoas em 80 países, inclusive 58 milhões de crianças. Tem sede em Roma, na Itália, junto com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, da sigla em inglês). Seu objetivo é erradicar a fome e a desnutrição dando ajuda alimentar para:

  1. Salvar vidas em campos de refugiados e outras situações de emergência;
  2. Melhorar a alimentação e a qualidade de vida dos povos mais vulneráveis; e
  3. Ajudar no desenvolvimento de recursos próprios e na autossutentabilidade de povos e de comunidades pobres.

"Até o momento em que tivermos uma vacina, o alimento é a melhor vacina contra o caos", declarou Andersen. "A pandemia do coronavírus contribuiu para um forte aumento no número de vítimas da fome no mundo", observou o comitê. "O PMA demonstrou uma capacidade impressionante de intensificar seus esforços diante da crise.

Ao prover segurança alimentar, o programa da ONU ajuda a manter a estabilidade e a paz. Na América Latina, na África e na Ásia, combinou a ação humanitária com os esforços pela paz, acrescentou o comitê.

Leia mais em Quarentena News.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

Ataque a bomba fere 30 em comício de partidários do primeiro-ministro da Etiópia

A explosão de uma bomba num comício a favor do primeiro-ministro Abiy Ahmed deixou pelo menos 30 pessoas feridas na cidade de Ambo, situada a 100 quilômetros a oeste de Adis Abeba, a capital da Etiópia. Seis pessoas foram presas. O atentado foi atribuído à Frente de Libertação Oromo.

O ataque é um sinal a mais do risco de violência política na campanha para as eleições gerais de agosto, um teste importante para a abertura política e as reformas econômicas de Abiy, ganhador do Prêmio Nobel da Paz 2019 pelas negociações para acabar com o conflito com a Eritreia, que durou 20 anos.

Com a liberalização do regime político, vários grupos étnicos rebeldes passaram a atuar abertamente, como a Frente de Libertação Oromo, que luta pela libertação do povo oromo contra o "colonialismo abissínio", e a Frente de Libertação Nacional de Ogaden, que defende a autodeterminação dos somalianos, que são maioria na região de Ogaden.

As rivalidades políticas e étnicas são o maior desafio aos planos ambiciosos de Abiy de reformar os sistemas políticos e econômico da Etiópia, que tem a segunda maior população da África e foi o país que mais cresceu no mundo na última década.

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Etiópia prende ex-governador da região de Ogaden

O governo da Etiópia deteve Ahmed Abdi Mohamed Omar, ex-governador de Ogaden, também conhecida como região somaliana, sob as acusações de graves violações dos direitos humanos e de incitar à violência étnica e religiosa, noticiou ontem o boletim de notícias Africa News.

A batalha pelo controle da região de Ogaden é um teste crucial para o primeiro-ministro Abiy Ahmed. Na chefia do governo desde abril, Ahmed tenta tomar o poder de Omer e suas milícias.

No passado, a Etiópia teve problemas para manter o controle sobre a região somaliana, o que levou ao fortalecimento das milícias. Em 12 de agosto, a Frente de Libertação Nacional de Ogaden (FLNO) declarou um cessar-fogo unilateral citando os esforços do primeiro-ministro pela reconciliação nacional.

Uma presença militar forte na conturbada região de Ogaden é importante por causa da situação de anarquia em que vive a vizinha Somália desde 1991. Mas o controle de Adis Abeba sobre a região levou à revolta dos etíopes de etnia somaliana.

A FLNO luta pela autodeterminação da região somaliana desde meados dos anos 1980s. Em resposta, o governo etíope criou a milícia Liyu. Na luta contra a guerrilha, a milícia liderada por Omar cometeu diversos crimes. Ele foi preso, mas tem muitos amigos mais poderosos.

País que mais cresce hoje no mundo, acima de 10% ao ano nos últimos anos, a Etiópia passa por uma transformação profunda. Seu ambicioso primeiro-ministro fez a paz com a Eritreia e tenta fazer o mesmo em Ogaden.

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Trump ameaça atacar o Irã

Num tuitaço de fim de noite, o presidente Donald Trumpnfez uma severa advertência ao Irã. Horas antes, o presidente Hassan Rouhani advertira o governo dos Estados Unidos a não hostilizar o país, alegando que “a paz com o Irã é a mãe de todas as pazes e a guerra contra o Irã a mãe de todas as guerras”.

Trump tomou como uma ameaça e reagiu no Twitter por volta das 23h30 em Washington (0h30 desta segunda-feira em Brasília): “Ao presidente iraniano Rouhani: NUNCA, JAMAIS AMEACE OS EUA DE NOVO OU VAI SOFRER CONSEQUÊNCIAS COMO POUCOS SOFRERAM ANTES AO LONGO DA HISTÓRIA. NÃO SOMOS MAIS UM PAÍS QUE VAI FICAR PARADO DIANTE DE SUAS PALAVRAS DEMENCIAIS DE VIOLÊNCIA E MORTE. SEJA CAUTELOSO.”

O uso de letras maiúsculas nas redes sociais significa que a pessoa está gritando. Trump tenta recolocar o regime dos aiatolás na defensiva. A retórica exagerada do supostamente moderado presidente Rouhani é mais para consumo interno.

Afinal, Rouhani apostou numa reaproximação com o Ocidente e se empenhou em negociar o acordo nuclear com o governo Barack Obama (2009-17) para acabar com as sanções que pesavam sobre a economia iraniana. Trump retirou os EUA do acordo e reimpôs sanções, minando a autoridade do presidente diante da linha dura e da Guarda Revolucionária Iraniana, que querem fazer a bomba atômica.

O secretário de Estado, Mike Pompeo, também atacou hoje a república islâmica, descrevendo-a como uma “máfia de aiatolás . Isso indica que a política do governo Trump para o Irã é mudança de regime. Os aliados europes discordam, mas Trump não costuma dar muita atenção aos outros. Também pode estar usando a tática que acredita ter dado certo com a Coreia do Norte, a intimidação com ameaça de uso da força.

sábado, 14 de julho de 2018

Presidente da Eritreia faz visita de reconciliação à Etiópia

Na primeira visita de um presidente da Eritreia à Etiópia em 22 anos, Isayas Afewerki chegou hoje a Adis Abeba para consolidar as relações entre os dois países, que travaram uma guerra brutal de 1998 ao ano 200, com total de mortos estimado em 100 mil pessoas, e só agora assinaram um acordo de paz.

A viagem de três dias de Afewerki é uma retribuição à visita do primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, à Eritreia na semana passada. A paz é importante para a região do Chifre da África, uma das rotas de navegação mais movimentadas do mundo, e do outro lado fica a Península Arábica.

O novo primeiro-ministro da Etiópia quebrou o gelo nas relações bilaterais em junho e conseguiu o acordo de paz.

terça-feira, 12 de junho de 2018

Kim e Trump mostram otimismo no encontro de cúpula histórico

Eles apertaram as mãos como velhos camaradas. Sorriram para as câmeras diante de bandeirinhas dos dois países. O presidente Donald Trump tomou um ar professor. O sanguinário ditador da Coreia do Norte, Kim Jong Un, parecia um jovem estudante deslumbrado. O clima era de paz e concórdia.

Seis meses depois de trocarem ameaças de morte ferozes e ofensas pessoais, Trump e Kim se encontraram hoje em Cingapura para iniciar um diálogo pela paz. Os Estados Unidos exigem a "desnuclearização completa, irreversível e verificável, enquanto a Coreia do Norte quer reconhecimento, garantias de segurança e o fim das sanções internacionais que sufocam a frágil economia do regime comunista.

Trump e Kim ficaram sozinhos com os tradutores durante 45 minutos. Depois, houve uma reunião de trabalho com os assessores. Neste momento, há um almoço de trabalho.

A principal oferta dos EUA, além de garantir a manutenção de Kim no poder, é promover o desenvolvimento econômico da Coreia do Norte, um país que parou no tempo em comparação com a Coreia do Sul. Trump vai sair cantando vitória, como de costume, mas por enquanto o grande vencedor é o ditador norte-coreano.

Kim Jong Un acaba de conseguir o que a Coreia do Norte sempre quis: negociações diretas com os EUA, ignorando a Coreia do Sul e o Japão, que o regime stalinista de Pyongyang sempre descreveu como "fantoches de Washington".

De pária da sociedade internacional, depois de sua mensagem conciliatória de Ano Novo, iniciando a reaproximação com a Coreia do Sul, Kim conseguiu encontros com os presidentes dos EUA e da Coreia do Sul, e com o ditador da China, Xi Jinping, seu maior aliado. Com sua disposição para o diálogo, a China e a Rússia estão prontas a relaxar as sanções internacionais para garantir a sobrevivência econômica do regime comunista dinástico.

Sem ceder em absolutamente nada, Kim conseguiu reconhecimento internacional, câmeras e holofotes para consolidar sua imagem interna de estadista dedicado a garantir um futuro melhor para o país mais fechado do mundo.

O mais difícil começa em seguida. As negociações para desarmar o programa nuclear da Coreia do Norte e a implementação de um possível acordo devem levar anos. A diferença agora é o contato direto e pessoal dos dois líderes. Mas há muito mais em jogo.

Interessados diretos no resultado final, a China, o Japão e a Coreia do Sul, e em escala menor a Rússia, vão tentar influenciar as negociações. Aos governos de Tóquio e Seul, não serve, por exemplo, um acordo que elimine os mísseis intercontinentais, capazes de atingir os EUA, mas permite os de curto e médio alcances.

A China gostaria da retirada total dos 28,5 mil soldados americanos estacionados na Coreia do Sul, mas é improvável que os EUA aceitem isso mesmo se as duas Coreias finalmente assinarem um acordo de paz, pondo fim à Guerra da Coreia (1950-53).

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Kim fala em paz e recomeço no reencontro de cúpula das Coreias

Um encontro histórico reuniu hoje o ditador da Coreia do Norte, Kim Jong Un, e o presidente da Coreia do Sul, Moon Jae In, em Panmunjon, na zona desmilitarizada entre os dois países. Meses depois de ameaçar incendiar o mundo, Kim atravessou simbolicamente várias fronteiras ao pisar em território do Sul e participar do encontro antes de se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Desde o início do ano, Kim trocou a linguagem da guerra e da ameaça pela diplomacia. Enviou uma delegação à Coreia do Sul para os Jogos Olímpicos de Inverno de Pyeongchang com a irmã como emissária para falar com Moon. Visitou Beijim para receber o apoio da aliada China, em sua primeira viagem ao exterior como líder da Coreia do Norte. E aceitou negociar a questão nuclear diretamente com os Estados Unidos.

Para mostrar boa vontade, Kim anunciou o congelamento dos testes nucleares e de mísseis, deixando
claro que não são mais necessários. No mesmo pronunciamento, indicou a intenção de manter o atual arsenal nuclear. Isto é inaceitável pelo governo Trump, que exige o desmantelamento das armas atômicas norte-coreanas.

Este foi um acordo inicial de grande importância. As duas Coreias não assinaram um acordo de paz depois da Guerra da Coreia (1950-53). Os dois países não reconhecem um ao outro e reivindicam a soberania sobre todo o território da Península Coreana.

Um acordo de paz definitivo é um elemento central nas negociações que estão começando. O encontro Kim-Trump está previsto para fins de maio ou início de junho.

No fim da reunião, os líderes das duas Coreias prometeram negociar um acordo de paz definitivo ainda neste ano e "desnuclearizar a Península Coreana". Não falaram sobre detalhes desta desnuclearização, que Kim deverá negociar com Trump.

Se Kim exigir a retirada total dos 28,5 mil soldados americanos estacionados atualmente na Coreia do Sul, os EUA vão dizer que não. Como o governo americano não divulga dados sobre a movimento de suas forças nucleares, seria um pretexto para a Coreia do Norte manter pelo menos parte de seu arsenal nuclear.

Ainda é difícil imaginar que a Coreia do Norte abra mão das armas atômicas depois de tanto esforço para seu desenvolvimento. Desde o Ano Novo, quando passou de rebelde indomável a diplomata, Kim surpreende o mundo. No momento, está dando as cartas.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Assembleia Geral confirma português como secretário-geral da ONU

Por aclamação, a Assembleia Geral confirmou hoje a eleição do ex-primeiro-ministro de Portugal e ex-alto comissário das Nações Unidas para refugiados para próximo secretário-geral da organização. 

António Guterres substitui o ex-ministro do Exterior da Coreia do Sul Ban Ki Moon e toma posse em 1º de janeiro de 2017 para cumprir um mandato de cinco anos, com direito a uma reeleição.

Os 193 países-membros ratificaram hoje a indicação do Conselho de Segurança da ONU, onde o ex-primeiro-ministro português obteve, na quinta votação, 13 votos a favor, duas abstenções e nenhum veto. Outros 12 candidatos concorreram ao cargo.

Guterres tem 67 anos. Foi primeiro-ministro português de 1995 a 2002, quando se empenhou ativamente para garantir a independência do Timor Leste, ocupado militarmente pela Indonésia em 1974 depois da Revolução dos Cravos, que acabou com a ditadura salazarista em Portugal.

Em seu discurso de aceitação, Guterres se apresentou como um "construtor de pontes" preocupado em resgatar o sonho de paz mundial dos fundadores da ONU no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45) e em "colocar a dignidade humana no centro" das preocupações da entidade.

Suas maiores preocupações imediatas são parar o sofrimento dos sírios, "uma obrigação moral", e resolver a crise dos refugiados.

sábado, 24 de setembro de 2016

Mujica: se disser não à paz, Colômbia será país esquizofrênico

Em entrevista ao jornal colombiano El Tiempo, o ex-presidente do Uruguai José Mujica afirmou que, "se a Colômbia disser não ao acordo de paz com as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), dará a impressão de ser um povo esquizofrênico que se aferra à guerra como forma de vida."

Mujica fará parte da comissão de fiscalização do cumprimento do acordo de paz, que será assinado em 26 de setembro na cidade histórica de Cartagena. Ele lamentou que mais de 3 mil dirigentes sindicais tenham sido mortos na guerra civil colombiana: "Em direitos trabalhistas, a Colômbia parece um país primitivo. É um país riquíssimo e está entre os mais desiguais do mundo."

O ex-presidente uruguaio, hoje senador, um dos ídolos da esquerda latino-americana, convocou os jovens a votar sim no referendo sobre o acordo de paz, marcado para 2 de outubro de 2016. Ele também aconselhou o segundo maior grupo guerrilheiro colombiano, o Exército de Libertação Nacional e abandonar a luta armada e negociar a paz.

"A guerra não pode ser objetivo da vida", raciocinou Mujica. "Nas velhas definições acadêmicas de guerra, esta se faz por uma paz melhor, mas o objetivo não é a guerra, é a paz. Se vamos viver em guerra permanente, estamos locos."

Daqui para a frente, acrescentou, a luta deve ser civil, pacífica e democrática: "Que se insiram na sociedade, que trabalhem, que usem a experiência que tem no campo a favor do desenvolvimento agrário, do campesinato, da inclusão, das escolas, da infraestrutura e muitas coisas mais - e lutem por tudo isso."

Até abril de 2017, Mujica vai fazer parte da comissão que vai acompanhar o desarmento, a reintegração dos guerrilheiros e a instalação do tribunal especial de crimes de guerra para quem não for beneficiado pela anistia por ter cometido crimes contra a humanidade.

"Farei tudo pela construção da paz por três razões: pela Colômbia, pela América e pelo mundo", declarou Pepe Mujica. "O ser humano chegou a um estágio em que precisa se propor a sair da pré-história. Temos de arquivar as armas como recurso para resolver nossas diferenças. Temos de sair disto. Por quê? Porque o homem nunca teve tanta força como hoje em dia.

"Se seguimos nesta lógica de guerra, estaremos expostos a que um dia apareça um louco de merda com possibilidade de apertar o botão e armar um desastre", concluiu Mujica, numa referência ao candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos, Donald Trump.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Colômbia e FARC chegam a acordo sobre reparações às vítimas

Em mais um passo decisivo rumo à paz, o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) chegaram a um acordo nas negociações de Havana sobre reparações às vítimas da guerra civil iniciada em 1964, revelou um negociador da guerrilha.

As negociações agora devem se concentrar na última questão em pauta, o desarmamento dos rebeldes. Um acordo definitivo deve ser anunciado em março de 2016.

Mesmo que os rebeldes deponham as armas, a julgar por processos de paz anteriores, por exemplo, na América Central, a tendência é que muitos ex-guerrilheiros não se reintegrem à vida civil, passando a fazer parte de grupos do crime organizados envolvidos no contrabando, tráfico de drogas e tráfico de armas.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Quarteto pelo Diálogo na Tunísia ganha Prêmio Nobel da Paz 2015

O Quarteto pelo Diálogo Nacional na Tunísia ganhou hoje o Prêmio Nobel da Paz de 2015 por "sua contribuição decisiva para construir uma sociedade democrática e pluralista depois da Revolução de Jasmin, em 2011, anunciou de manhã em Oslo o comitê norueguês do Nobel.

Foi uma surpresa. Entre os favoritos, estavam a chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, o papa Francisco e um padre da Eritreia.

O quarteto foi formado em 2013, quando o país corria o risco de uma guerra civil, por quatro organizações da sociedade civil: a Confederação da Indústria, do Comércio e do Artesanato, a Liga dos Direitos Humanos, a Ordem dos Advogados e o Sindicato Geral do Trabalho da Tunísia.

A Primavera Árabe começou na Tunísia, em 17 de dezembro de 2010, quando o estudante desempregado Mohamed Bouazizi tocou fogo em suas roupas em protesto contra a apreensão das frutas que vendia como ambulante. Sua morte, em 4 de janeiro de 2011, intensificou as manifestações.

Depois de perder o apoio do Exército, o ditador Zine el-Abidine ben Ali, que estava no poder há 23 anos, fugiu da Tunísia em 14 de janeiro de 2011, na chamada Revolução de Jasmin. Dois anos depois, os assassinatos de dois políticos e ativistas dos direitos humanos, atribuídos a extremistas muçulmanos, ameaçava provocar uma guerra civil.

Ao manter o diálogo, o quarteto "foi um instrumento que permitiu à Tunísia, em poucos anos, estabelecer um sistema de governo constitucional que garante os direitos fundamentais de toda a população, independentemente de sexo, convicções políticas ou crença religiosa", declarou o comitê do Prêmio Nobel da Paz, o único concedido pela Academia da Noruega.

"Essas organizações representam vários setores da sociedade civil tunisiana", acrescentou o comunicado. "O quarteto exerceu o papel de mediador para promover o desenvolvimento democrático e pacífico com grande autoridade moral."

Graças ao quarteto, a Tunísia foi o único país em que a Primavera Árabe levou à democracia. O Egito voltou a ser uma ditadura militar com o golpe de 3 de julho de 2013 contra a Irmandade Muçulmana e Mohamed Mursi, único presidente eleito democraticamente da história do país. A Líbia, a Síria e o Iêmen estão em guerra civil até hoje. No Bahrein, uma intervenção militar da Arábia Saudita sufocou a revolta popular.

Acima de tudo, "o prêmio tem a intenção de encorajar o povo da Tunísia, que apesar dos grandes desafios lançou a base para uma fraternidade nacional que o comitê espera que sirva de exemplo a ser seguido por outros países."

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Hollande é contra entrada da Ucrânia na OTAN

Antes da embarcar para Kiev com uma proposta de paz da União Europeia para o conflito entre a Ucrânia e a Rússia, o presidente François Hollande declarou hoje que a França é contra a entrada da ex-república soviética da Ucrânia na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos Estados Unidos.

Ao lado da chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, Hollande apresenta ainda hoje a proposta europeia ao presidente da Ucrânia, Petro Porochenko, e amanhã fazem o mesmo em Moscou com o presidente Vladimir Putin, no momento em que o governo ucraniano pede armas ao Ocidente para resistir. A França é contra.

O recado do presidente francês tenta apaziguar a Rússia. A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), criada em 1949, no início da Guerra Fria, tem como regra básica que um ataque contra qualquer um de seus países-membros é considerado um ataque contra todos. Como a visão de Putin considera a Ucrânia uma "região desgarrada da mãe-pátria", seria uma nova fronteira capaz de levar a uma guerra nuclear.

Para enviar um sinal claro, a OTAN anunciou hoje que vai reforçar suas fronteiras na Europa Oriental com mais 5 mil soldados. Ali, ficam as três antigas repúblicas soviéticas da região báltica (Estônia, Letônia e Lituânia) e vários países do extinto Bloco Soviético que entraram para a aliança atlântica: Hungria, Polônia, República Tcheca, Eslováquia, Romênia e Bulgária.

A guerra na Ucrânia começa com uma revolta popular contra o então presidente, Viktor Yanukovich, depois que ele rejeitou, sob pressão do Kremlin, em novembro de 2013, um acordo de associação à União Europeia.

Putin considera as ex-repúblicas soviéticas uma área de influência da Rússia. Gostaria de restaurar sua total submissão a Moscou através da União Eurasiana. Mas os ucranianos, que tinham feito a Revolução Laranja, em 2004, quando a eleição fraudulenta do mesmo Yankovich, foram para as ruas, tomaram a praça central da capital e forçaram a renúncia do presidente em 22 de fevereiro de 2014.

Depois de denunciar a revolução como um golpe de Estado de inspiração nazista fomentado pelo Ocidente, Putin ocupou e anexou em março a península da Crimeia, violando a Carta da ONU e os princípios da paz na Europa depois da Segunda Guerra Mundial. Insatisfeito, no mês seguinte, iniciou uma revolta das populações étnica e linguisticamente russas do Leste da Ucrânia, provocando uma guerra civil com forte intervenção russa.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Japão autoriza Forças Armadas a usar a força no exterior

O primeiro-ministro Shinzo Abe baixou hoje uma resolução que na prática visa a eliminar as restrições para que o Japão possa manter Forças Armadas modernas e participar de guerras fora de seu território "para ajudar países amigos". É um abalo sísmico no pacifismo que caracterizou a política externa japonesa depois da derrota na Segunda Guerra Mundial.

"Nossa leitura da Constituição não mudou", declarou Abe em entrevista, tentando justificar a nova interpretação, observou a revista japonesa Nikkei Asia Review.

Pelo Art. 9 da Constituição de 1947, imposta pelos Estados Unidos durante a ocupação americana, o Japão renuncia ao direito de usar a força fora de seu território: "Aspirando sinceramente a uma paz baseada na justiça e na ordem, o povo japonês renuncia para sempre à guerra como um direito soberano da nação e ao uso da força como meio para resolver disputas internacionais. Para atingir este objetivo, não serão mantidas forças de ar, terra e mar nem outros instrumentos de guerra. O direito de beligerância do Estado não será reconhecido."

Isso significa que o Japão pode ter apenas Forças de Autodefesa, que na prática são de terra, mar e ar, mas não pode ter vários tipos de armas ofensivas, como bombas atômicas e mísseis de médio e longo alcances.

O governo japonês muda sua política de defesa diante da agressividade cada vez maior da China, a superpotência emergente, nas disputas territoriais com os países vizinhos.