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domingo, 14 de dezembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 14 de Dezembro

 NASCE A FÍSICA QUÂNTICA

    Em 1900, o físico alemão Max Planck publica seus estudos sobre a radiação e lança a Teoria Quântica, mostrando que às vezes a energia apresenta características da matéria.

A Teoria Quântica sustenta que a energia é composta de pequenas partículas ou pacotes, os quanta. A mecânica quântica tem uma visão probabilística da natureza, em contraste com a mecânica clássica e o universo newtoniano.

Planck ganha o Prêmio Nobel de Física de 1918 e influencia cientistas como Albert Einstein, Erwin Schrodinger e Niels Bohr. A Teoria da Relatividade, de Einstein, e a Teoria Quântica, de Planck, são as bases da física moderna.

NORUEGUÊS É PRIMEIRO NO POLO SUL

    Em 1911, o explorador norueguês Roald Amundsen se torna o primeiro homem a chegar ao Polo Sul. 

Amundsen nasce em Borge, perto de Oslo, e se destaca como explorador dos polos. Em 1897, participa de uma expedição belga que é a primeira a passar o inverno na Antártida. Em 1903, leva a corveta Gjöa através da Passagem do Noroeste e da costa do Canadá. É o primeiro navegante a realizar a façanha.

Seu sonho maior é ser o primeiro homem a chegar ao Polo Sul. Quando está se preparando, em 1909, recebe a informação de que o norte-americano Robert Peary chegou lá. Amundsen zarpa para a Antártida em junho de 1910, ao mesmo tempo que o britânico Robert Scott.

Ao chegar ao continente gelado, Amundsen ancora na Baía das Baleias e monta seu acampamento a uma distância 100 quilômetros menor até o Polo Sul do que Scott. Num trenó puxado por cães, Amundsen chega antes e retorna ao acampamento no fim de janeiro. 

Scott atinge o Polo Sul mais de um mês depois, em 18 de janeiro, e morre ao tentar voltar para seu acampamento quando estava a 11 quilômetros de distância.

LIGA DAS NAÇÕES EXPULSA URSS

    Em 1939, no início da Segunda Guerra Mundial (1939-45), a Liga das Nações, precursora da ONU, expulsa a União Soviética por causa da invasão da Finlândia, em novembro.

Primeira organização internacional de caráter universal dedicada à paz mundial, a Liga das Nações nasce depois da Primeira Guerra Mundial (1914-18) como parte do plano de paz de 15 pontos do presidente norte-americano, Woodrow Wilson. 

Fracassa ao não impedir a remilitarização da Alemanha, a invasão da China pelo Japão, a invasão da Abissínia ou Etiópia pela Itália e a invasão soviética da Finlândia. Não consegue evitar a Segunda Guerra Mundial e é substituída no pós-guerra pela Organização das Nações Unidas.

LONDON CALLING

    Em 1979, a banda de punk rock britânica The Clash lança seu álbum de maior sucesso, London Calling.

The Clash é considerada a segunda banda mais importante do movimento punk, atrás apenas dos Sex Pistols, mas musicalmente é muito superior. A formação clássica tem Joe Strummer, Mick Jones, Paul Simonon, Terry Chimes e Nick Headon.

Se os Sex Pistols são niilistas que querem destruir tudo, The Clash é uma banda militante marxista que quer fazer do rock and roll uma arma na luta de classes. No início, é considerado nos Estados Unidos um rock cru, duro, rústico e bruto. London Calling tem influências do reggae e do rhythm and blues. O primeiro compacto de sucesso do Clash nos EUA é Train in Vain (Stand by Me).

Em 1980, The Clash lança o álbum triplo Sandinista, uma homenagem à Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), que derruba a ditadura de Anastasio Somoza e toma o poder na Nicarágua em 1979.

As tensões internas e as contradições entre o discurso revolucionário e o machismo do punk rock levam à saída de Mick Jones, que cria sua própria banda, Big Audio Dinamite. The Clash ainda lança mais um álbum, sem sucesso, e se dissolve em 1986.

MASSACRE DE SANDY HOOK

    Em 2012, depois de matar a mãe, Adam Lanza mata 20 crianças e seis funcionários da Escola Elementar Sandy Hook, em Newtown, no estado de Connecticut, nos Estados Unidos, e se suicida.

Na época, é o segundo ataque mais mortífero a uma escola no país, atrás apenas do massacre de 32 estudantes e professores na Escola Politécnica da Virgínia, em 16 de abril de 2007.

O presidente Barack Obama propõe mudanças na lei para aumentar as exigências para comprar armas nos EUA, mas a maioria republicana no Senado veta.

Propagadores de notícias falsas e teorias conspiratórias como o radialista Alan Jones chegam a afirmar que a matança é invenção. Jones é condenado a pagar US$ 1,5 bilhão em indenizações às famílias das vítimas.

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sábado, 14 de dezembro de 2024

Hoje na História do Mundo: 14 de Dezembro

 NASCE A FÍSICA QUÂNTICA

    Em 1900, o físico alemão Max Planck publica seus estudos sobre a radiação e lança a Teoria Quântica, mostrando que às vezes a energia apresenta características da matéria.

A Teoria Quântica sustenta que a energia é composta de pequenas partículas ou pacotes, os quanta. A mecânica quântica tem uma visão probabilística da natureza, em contraste com a mecânica clássica e o universo newtoniano.

Planck ganha o Prêmio Nobel de Física de 1918 e influencia cientistas como Albert Einstein, Erwin Schrodinger e Niels Bohr. A Teoria da Relatividade, de Einstein, e a Teoria Quântica, de Planck, são as bases da física moderna.

NORUEGUÊS É PRIMEIRO NO POLO SUL

    Em 1911, o explorador norueguês Roald Amundsen se torna o primeiro homem a chegar ao Polo Sul. 

Amundsen nasce em Borge, perto de Oslo, e se destaca como explorador dos polos. Em 1897, participa de uma expedição belga que é a primeira a passar o inverno na Antártida. Em 1903, leva a corveta Gjöa através da Passagem do Noroeste e da costa do Canadá. É o primeiro navegante a realizar a façanha.

Seu sonho maior é ser o primeiro homem a chegar ao Polo Sul. Quando está se preparando, em 1909, recebe a informação de que o norte-americano Robert Peary chegou lá. Amundsen zarpa para a Antártida em junho de 1910, ao mesmo tempo que o britânico Robert Scott.

Ao chegar ao continente gelado, Amundsen ancora na Baía das Baleias e monta seu acampamento a uma distância 100 quilômetros menor até o Polo Sul do que Scott. Num trenó puxado por cães, Amundsen chega antes e retorna ao acampamento no fim de janeiro. 

Scott atinge o Polo Sul mais de um mês depois, em 18 de janeiro, e morre ao tentar voltar para seu acampamento quando estava a 11 quilômetros de distância.

LIGA DAS NAÇÕES EXPULSA URSS

    Em 1939, no início da Segunda Guerra Mundial (1939-45), a Liga das Nações, precursora da ONU, expulsa a União Soviética por causa da invasão da Finlândia, em novembro.

Primeira organização internacional de caráter universal dedicada à paz mundial, a Liga das Nações nasce depois da Primeira Guerra Mundial (1914-18) como parte do plano de paz de 15 pontos do presidente norte-americano, Woodrow Wilson. 

Fracassa ao não impedir a remilitarização da Alemanha, a invasão da China pelo Japão, a invasão da Abissínia ou Etiópia pela Itália e a invasão soviética da Finlândia. Não consegue evitar a Segunda Guerra Mundial e é substituída no pós-guerra pela Organização das Nações Unidas.

LONDON CALLING

    Em 1979, a banda de punk rock britânica The Clash lança seu álbum de maior sucesso, London Calling.

The Clash é considerada a segunda banda mais importante do movimento punk, atrás apenas dos Sex Pistols, mas musicalmente é muito superior. A formação clássica tem Joe Strummer, Mick Jones, Paul Simonon, Terry Chimes e Nick Headon.

Se os Sex Pistols são niilistas que querem destruir tudo, The Clash é uma banda militante marxista que quer fazer do rock and roll uma arma na luta de classes. No início, é considerado nos Estados Unidos um rock cru, duro, rústico e bruto. London Calling tem influências do reggae e do rhythm and blues. O primeiro compacto de sucesso do Clash nos EUA é Train in Vain (Stand by Me).

Em 1980, The Clash lança o álbum triplo Sandinista, uma homenagem à Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), que derruba a ditadura de Anastasio Somoza e toma o poder na Nicarágua em 1979.

As tensões internas e as contradições entre o discurso revolucionário e o machismo do punk rock levam à saída de Mick Jones, que cria sua própria banda, Big Audio Dinamite. The Clash ainda lança mais um álbum, sem sucesso, e se dissolve em 1986.

MASSACRE DE SANDY HOOK

    Em 2012, depois de matar a mãe, Adam Lanza mata 20 crianças e seis funcionários da Escola Elementar Sandy Hook, em Newtown, no estado de Connecticut, nos Estados Unidos, e se suicida.

Na época, é o segundo ataque mais mortífero a uma escola no país, atrás apenas do massacre de 32 estudantes e professores na Escola Politécnica da Virgínia, em 16 de abril de 2007.

O presidente Barack Obama propõe mudanças na lei para aumentar as exigências para comprar armas nos EUA, mas a maioria republicana no Senado veta.

Propagadores de notícias falsas e teorias conspiratórias como o radialista Alan Jones chegam a afirmar que a matança era invenção. Jones é condenado a pagar US$ 1,5 bilhão em indenizações às famílias das vítimas.

sexta-feira, 11 de outubro de 2024

Sobreviventes da bomba atômica ganham Prêmio Nobel da Paz

 O Prêmio Nobel da Paz de 2024 traz uma advertência à humanidade sobre a volta do risco de uma guerra nuclear, que se tornou mais provável com a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022. Ganhou a organização não governamental japonesa Nihon Hidankyo, formada por sobreviventes das bombas atômicas de Hiroxima (foto) e Nagasáki por sua luta "por um mundo livre de armas nucleares e por demonstrar através de seu testemunho que as armas nucleares não devem ser usadas nunca mais", anunciou hoje o comitê norueguês do Prêmio Nobel.

Ao receber a notícia, o presidente da Nihon Hidankyo, Toshiyuki Mimali, declarou que seu maior sonho é "abolir as armas nucleares enquanto estamos vivos."

As duas bombas jogadas pelos Estados Unidos para acabar com a Segunda Guerra Mundial (1939-45) em agosto de 1945 mostraram ao mundo o que seria um apocalipse nuclear. Pelo menos 80 mil pessoas morreram em Hiroxima e 60 mil em Nagasáki nos primeiros dias, e mais de 300 mil até hoje contando as vítimas dos efeitos de longo prazo da radiação.

É a décima vez que o Prêmio Nobel da Paz vai para a luta contra as armas mais mortíferas produzidas pelo homem, do político britânico Philip Noel Baker em 1959 à Campanha Internacional pela Abolição de Armas Nucleares em 2017.

Mais de 100 mil sobreviventes da bomba, os hibakushas, estão vivos. Eles "ajudam a descrever o indescritível, a pensar o impensável, e de alguma forma entender a dor e o sofrimento incompreensível causada por armas nucleares", declarou Jorden Watne Frydnes, presidente do Comitê do Prêmio Nobel da Paz.

"A começar pelos atos desumanos em Hiroxima e Nagasáki, formos oprimidos pelos EUA e abandonados pelo governo do Japão por um longo tempo", afirmou o secretário-geral da Nihon Hidankyo, Sueichi Kido, sobrevivente de Nagasáki, ao receber a notícia do prêmio,

O comitê destaca que, se as armas atômicas nunca mais foram usadas, as potências nucleares estão modernizando seus arsenais e outros países tentam fazer a bomba. Não citou nenhum país, mas, desde o início da invasão da Ucrânia, o ditador russo, Vladimir Putin, faz uma chantagem nuclear, ameaçando usar armas nucleares táticas na Ucrânia.

Ao mesmo tempo, a Coreia do Norte entrou para o clube nuclear em 2006 e o Irã está perto de fazer a bomba. Isto pode deflagrar novas corridas armamentistas nucleares no Oriente Médio e no Leste da Ásia. No momento, Israel examina as opções para retaliar um ataque de mísseis iranianos contra seu território. Entre elas, está um bombardeio às instalações nucleares do Irã para tentar impedir ou ao menos retardar o desenvolvimento da bomba nuclear iraniana.

"O mundo está recuando no desarmamento nuclear", observou Masako Wada, sobrevivente de Nagasáki e membro da Nihon Hidankyo. "A invasão da Ucrânia causou um sofrimento humano indescritível e aumentou o risco de guerra nuclear. Dediquei minha vida à abolição de armas nucleares. Sinto como os humanos são pecaminosos. Em vez de raiva, sinto tristeza e medo de quão profundamente os humanos caem na escuridão. Temos de continuar a ir em frente para transmitir o nosso desejo, a nossa esperança de rejeitar as armas nucleares."

"Os esforços extraordinários de Nihon Hidankyo e de outros representantes dos hibakushas contribuíram muito para o estabelecimento do tabu nuclear", comentou o presidente do Comitê Norueguês do Nobel. É portanto alarmante que este tabu contra o uso de armas nucleares esteja sob pressão. As potências nucleares estão modernizando e aperfeiçoando seus arsenais; novos países parecem estar se preparando para adquirir armas nucleares; e há ameaças de uso de armas nucleares em guerras em andamento." 

"Neste momento da história, é importante relembrar que as armas nucleares são as armas mais destrutivas que o mundo já viu", destacou o comitê do Nobel da Paz. "Um dia, os hibakushas não estarão mais entre nós como testemunhas da história. Mas, com uma cultura de lembrança e um compromisso contínuo, novas gerações no Japão vão levar adiante a experiência e a mensagem das testemunhas. Eles são uma inspiração e educadores das pessoas ao redor do mundo. Neste sentido, ajudam a manter o tabu nuclear – uma precondição para um futuro pacífico para a humanidade."

O diretor do Instituto de Pesquisas da Paz de Oslo (PRIO), Henrik Urdal, observou que, "numa era em que emergem sistemas de armas automatizados e da guerra orientada pela inteligência artificial, o apelo [dos laureados] ao desarmamento não é só histórico, é uma mensagem crítica para nosso futuro."

Hoje o mundo tem nove potências nucleares (EUA, Rússia, China, França, Reino Unido, Índia, Paquistão, Israel e a Coreia do Norte) e 13 mil ogivas nucleares em estoque, de acordo com a União de Cientistas Preocupados.

Todos os acordos negociados para acabar com a Guerra Fria entre EUA e União Soviética caducaram, menos o Novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas (New START), assinado em 2010 pelos então presidentes dos EUA, Barack Obama, e da Rússia, Dimitri Medvedev. No início do governo Joe Biden (2021-25), foi prorrogado até 5 de fevereiro de 2026 para dar tempo à renegociação. 

Ao invadir a Ucrânia à revelia do direito internacional, o ditador russo se mostrou um negociador inconfiável. Vladimir Putin não é Mikhail Gorbachev, o último líder soviético, decisivo para o fim da Guerra Fria. Ao mesmo tempo, a China, superpotência em ascensão, trabalha para ao menos equiparar seu arsenal nuclear aos dos EUA e da Rússia.

A Nihon Hidankyo ganha um prêmio de 11 milhões de coroas suecas, cerca de R$ 5,9 milhões.
Na segunda-feira, será anunciado o ganhador do Prêmio Nobel de Economia.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

Hoje na História do Mundo: 14 de Dezembro

 NASCE A FÍSICA QUÂNTICA

    Em 1900, o físico alemão Max Planck publica seus estudos sobre a radiação e lança a Teoria Quântica, mostrando que às vezes a energia apresenta características da matéria.

A Teoria Quântica sustenta que a energia é composta de pequenas partículas ou pacotes, os quanta. A mecânica quântica tem uma visão probabilística da natureza, em contraste com a mecânica clássica e o universo newtoniano.

Planck ganha o Prêmio Nobel de Física de 1918 e influencia cientistas como Albert Einstein, Erwin Schrodinger e Niels Bohr. A Teoria da Relatividade, de Einstein, e a Teoria Quântica, de Planck, são as bases da física moderna.

NORUEGUÊS É PRIMEIRO NO POLO SUL

    Em 1911, o explorador norueguês Roald Amundsen se torna o primeiro homem a chegar ao Polo Sul. 

Amundsen nasce em Borge, perto de Oslo, e se destaca como explorador dos polos. Em 1897, participa de uma expedição belga que é a primeira a passar o inverno na Antártida. Em 1903, leva a corveta Gjöa através da Passagem do Noroeste e da costa do Canadá. É o primeiro navegante a realizar a façanha.

Seu sonho maior é ser o primeiro homem a chegar ao Polo Sul. Quando está se preparando, em 1909, recebe a informação de que o norte-americano Robert Peary chegou lá. Amundsen zarpa para a Antártida em junho de 1910, ao mesmo tempo que o britânico Robert Scott.

Ao chegar ao continente gelado, Amundsen ancora na Baía das Baleias e monta seu acampamento a uma distância 100 quilômetros menor até o Polo Sul do que Scott. Num trenó puxado por cães, Amundsen chega antes e retorna ao acampamento no fim de janeiro. 

Scott atinge o Polo Sul mais de um mês depois, em 18 de janeiro, e morre ao tentar voltar para seu acampamento quando estava a 11 quilômetros de distância.

LIGA DAS NAÇÕES EXPULSA URSS

    Em 1939, no início da Segunda Guerra Mundial (1939-45), a Liga das Nações, precursora da ONU, expulsa a União Soviética por causa da invasão da Finlândia, em novembro.

Primeira organização internacional de caráter universal dedicada à paz mundial, a Liga das Nações nasce depois da Primeira Guerra Mundial (1914-18) como parte do plano de paz de 15 pontos do presidente norte-americano, Woodrow Wilson. 

Fracassa ao não impedir a remilitarização da Alemanha, a invasão da China pelo Japão, a invasão da Abissínia ou Etiópia pela Itália e a invasão soviética da Finlândia - e não consegue evitar a Segunda Guerra Mundial.

MASSACRE DE SANDY HOOK

    Em 2012, depois de matar a mãe, Adam Lanza mata 20 crianças e seis funcionários da Escola Elementar Sandy Hook, em Newtown, no estado de Connecticut, nos Estados Unidos, e se suicida.

Na época, é o segundo ataque mais mortífero a uma escola no país, atrás apenas do massacre de 32 estudantes e professores na Escola Politécnica da Virgínia, em 16 de abril de 2007.

O presidente Barack Obama propôs mudanças na lei para aumentar as exigências para comprar armas nos EUA, mas a maioria republicana no Senado vetou.

Propagadores de notícias falsas e teorias conspiratórias como o radialista Alan Jones chegam a afirmar que a matança era invenção. Jones é condenado a pagar US$ 100 mil às famílias de algumas vítimas.

quinta-feira, 5 de outubro de 2023

Norueguês Jon Fosse ganha Prêmio Nobel de Literatura

 O escritor norueguês Jon Fosse, de 64 anos, ganhou o Prêmio Nobel de Literatura de 2023 "por sua dramaturgia e prosa inovadoras que dão voz ao indizível", anunciou hoje em Estocolmo a Academia Real da Suécia. Ele é conhecido como autor de mais de 40 peças de teatro, além de obras infantojuvenis, poemas e romances.

Ao anunciar o prêmio, o presidente do comitê do Nobel de Literatura elogiou "a linguagem sensível de Fosse, que testa os limites das palavras". Sua obra foi traduzida em cerca de 50 línguas. Suas peças estão entre as mais encenadas do mundo. São temas recorrentes o envelhecimento, a morte, o amor e a arte.

Fosse tem dois livros lançados no Brasil, É a Ales, pela editora Companhia das Letras, que deve lançar Trilogia no ano que vem, e Melancolia, da Tordesilhas. A Fósforo prepara o lançamento de Brancura e deve publicar em 2025 Septologia, um romance de mais de mil páginas considerado o melhor livro do escritor laureado.

Há muito, Fosse é cotado para o Nobel de Literatura, mas só recentemente Fosse começou a fazer sucesso no mundo anglo-saxônico, com a indicação de dois romances para o Prêmio Booker Internacional, do Reino Unido, e Septologia chegando a finalista do National Book Award, dos Estados Unidos.

Em declaração distribuída por seu editor norueguês, Fosse declarou estar "tanto realmente alegre e realmente surpreso. Estou entre os favoritos há dez anos, e tinha certeza de que jamais ganharia o prêmio. (...) Eu simplesmente não posso acreditar."

Fosse nasceu em Haugesund e cresceu no Oeste da Noruega, numa pequena fazenda em Strandebarm. Aos 12 anos, começou a escrever poemas e contos. A paisagem dos fiordes perto de Bergen foram inspiração.

Em entrevista ao jornal britânico The Guardian em 2014, o autor observou que era um escapismo: "Eu criei meu próprio espaço no mundo, um lugar onde me sentia seguro."

Na juventude, foi comunista e anarquista. Estudou literatura na Universidade de Bergen. Um detalhe interessante é que ele escreve em nynorsk, uma língua minoritária. O bokmål é mais usado como língua literária. Não foi uma decisão política. É a língua em que foi criado.

Seu primeiro livro publicado foi Vermelho, Preto. Um dos mais importantes, Melancolia, penetra na mente de um pintor com colapso nervoso. Manhã e Anoitecer vai do nascimento à morte do protagonista. Septologia conta a história de dois artistas idosos que podem ser a mesma pessoa: um faz sucesso; o outro, vira alcoólatra. 

Jon Fosse recebe em 10 de dezembro o prêmio de 11 milhões de coroas suecas.

O Prêmio Nobel de Literatura é muito criticado porque grandes escritores não foram agraciados: Leon Tolstoy, Machado de Assis, Marcel Proust, Mark Twain, James Joyce, Joseph Conrad, Fernando Pessoa, Franz Kafka, Anton Chekhov, Vladimir Nabokov, Henrik Ibsen, David Herbert Lawrence, Jorge Luis Borges, Yukio Mishima, Graham Greene e George Orwell.

Nesta sexta-feira, será a vez do Prêmio Nobel da Paz, o único anunciado em Oslo, na Noruega. O Prêmio Nobel de Economia sai na segunda-feira, em Estocolmo, na Suécia.

domingo, 7 de agosto de 2022

Hoje na História do Mundo: 7 de Agosto

VW PARA PRODUÇÃO

    Em 1944, sob ameaça de bombardeio durante a Segunda Guerra Mundial, a fábrica de automóveis alemã Volkswagen para a produção do Fusca.

Dez anos antes, o Terceiro Reich contrata o engenheiro Ferdinand Porsche para projetar um carro pequeno, de baixo custo para o povo alemão. O ditador nazista Adolf Hitler chama o carro de Força através da Alegria, mas Porsche prefere Carro do Povo (Volkswagen).

O regime nazista constrói a fábrica em 1938 na cidade de KdF e o Salão do Automóvel de Berlim lança o Fusca em 1939, meses antes do início da Segunda Guerra Mundial (1939-45), em 1º de setembro daquele ano. Durante o conflito, aumenta a demanda por utilitários, em vez de carros de passeio, mas a produção continua até 7 de agosto de 1944.

Depois da guerra, na Alemanha ocupada, Volfsburg, nome atual da cidade, fica no setor britânico. A produção do carrinho recomeça em dezembro de 1945. A fábrica volta ao controle alemão em 1949. Em 1972, o Fusca supera o Ford Modelo T e se torna o carro mais vendido da história do automóvel.

NORUEGUÊS ATRAVESSA PACÍFICO DE BALSA

    Em 1947, para provar que houve contato transpacífico 3 mil anos atrás, o antropólogo norueguês Thor Heyerdahl atravessa o Oceano Pacífico numa balsa madeira, numa jangada, percorrendo 6.880 km de Callao, no Peru, a Raroia, no Arquipélago Tumuatu, perto do Taiti, na Polinésia, em 101 dias.

JIHADISTAS ATACAM EMBAIXADAS DOS EUA

    Em 1998, às 10h30 pela hora local, um caminhão-bomba explode junto à Embaixada dos Estados Unidos em Nairóbi, no Quênia, e, minutos depois, outro caminhão-bomba tem como alvo a Embaixada Americana em Dar es Salaam, capital da vizinha Tanzânia.

Os atentados, atribuídos à rede terrorista Al Caeda, liderada por Ossama ben Laden, matam 224 pessoas, inclusive 12 americanos, e ferem mais de 4,5 mil. O presidente Bill Clinton ordena bombardeios retaliatórios a uma companhia farmacêutica do Sudão acusada pelos americanos de produzir armas químicas e a campos de treinamento d'al Caeda no Afeganistão. A resposta dos jihadistas vem nos atentados terroristas de 11 de setembro nos EUA. 

ESQUERDA CHEGA AO PODER NA COLÔMBIA

    Em 2022, o economista, ecologista, ex-ativista da guerrilha e ex-prefeito de Bogotá Gustavo Petro toma posse como primeiro presidente de esquerda da história da Colômbia.

Petro, da coalizão Pacto Histórico, vence o segundo turno com 50,5% dos votos contra 47,3% para o ex-prefeito de Bucaramanga Rodolfo Hernández, de extrema direita.

Num dos países mais violentos, conservadores e oligárquicos do continente, Gustavo Francisco Petro Urrego prega uma verdadeira revolução pelo voto. Promete combater a desigualdade, taxar os ricos, abrir empregos públicos para desempregados, realizar uma reforma agrária com aumento de impostos sobre latifúndios e terras improdutivas, criar um sistema público e universal de saúde pública, fazer a transição para um regime de previdência social, levar a Internet para todos e reduzir gradualmente o uso de combustíveis fósseis como carvão, gás e petróleo, importantes riquezas do país, substituindo-os por energias renováveis.

Quer acabar com o modelo extrativista, preservar a biodiversidade e investir em alta tecnologia. Alega que a América Latina precisa deixar de ser mera exportadora de produtos primários. 

Talvez a maior revolução seja a escolha de sua vice-presidente. Francia Elena Márquez Mina, de 40 anos, é uma líder social negra, feminista, defensora dos direitos humanos e ativista ambiental. Foi empregada doméstica. Apresenta-se como “uma das inexistentes” e dos excluídos.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

Média de mortes por covid no Brasil volta a passar de 600 por dia

 Mais 767 mortes e 171.028 diagnósticos positivos da doença do coronavírus de 2019 foram notificados nesta terça-feira no Brasil, elevando os totais para 25.625.133 casos confirmados e 628.132 vidas perdidas na pandemia.

Depois de quase cinco meses, a média diária de mortes dos últimos sete dias voltou a ficar acima de 600. Está em 604, com alta de 181% em duas semanas. É a maior desde 5 de setembro de 2021.

A média diária de casos novos dos últimos sete dias caiu um pouco, para 184.437, depois de 14 dias seguidos de recorde. Apresenta alta de 84% em duas semanas, mas pode ser primeiro o sinal de que a onda da variante ômicron chegou ao pico.

No mundo, são 381.819.116 casos confirmados e 5.689.038 mortes na pandemia. Mais de 301,5 milhões de pacientes se recuperaram, mais de 74 milhões enfrentam casos leves ou médios e 92.640 estão em estado grave.

De 24 a 30 de janeiro, o contágio no mundo ficou estável com 22.239.622 casos novos. As mortes foram 59.195, com alta de 9% na semana passada, informou a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A agência das Nações Unidas criticou a Dinamarca e a Noruega, que suspenderam praticamente todas as restrições impostas durante a pandemia, inclusive o uso de máscaras nos transportes públicos. 

O número de infecções disparou com a ômicron, mas a hospitalização não aumentou. Cerca de 75% dos noruegueses e 81% dos dinamarqueses completaram a vacinação e mais de metade recebeu a dose de reforço. A OMS alertou que mais casos causarão mais mortes.

A poucos dias do início da Olimpíada de Inverno em Beijim, em 4 de fevereiro, a China enfrenta um surto de covid-19 dentro da bolha criada para abrigar os Jogos. Mais 32 pessoas que trabalham na organização pegaram o vírus. Ao todo, mais de 100 pessoas testaram positivo dentro da bolha olímpica.

No domingo, foram diagnosticados 54 casos na China, sendo 20 na capital. A atual onda de contágio é a segunda maior desde o surto inicial em Wuhan. É um desafio à política de covid-zero, de erradicação  total do vírus adotada pelo regime comunista chinês desde o início, inclusive para afirmar que é superior à democracia liberal.

Os Estados Unidos registraram mais 407.646 casos e 4.042 mortes na terça-feira, com o número de óbitos provavelmente inflado depois da subnotificação do fim de semana. O país soma o maior número de casos confirmados (75.353.245) e de mortes (890.926) na pandemia.

A média diária de casos novos dos últimos sete dias caiu 44% em duas semanas para 424.077, refletindo o declínio da onda da variante ômicron, que chegou ao pico em um mês. O total de pacientes hospitalizados recuou 8% em duas semanas para 138.674. Ainda está muito acima do nível anterior à ômicron. A média de mortes teve alta de 39% em duas semanas para 2.636. 

Como os EUA tiveram um excesso de mortes de 1 milhão de pessoas nos últimos dois anos, a estimativa é que o total de mortes da pandemia seja de pelo menos 1 milhão, inclusive mortes por doenças que não foram tratadas devidamente durante a pandemia e por excesso de drogas.

Em 2019, 70.630 pessoas morreram por abuso de drogas nos EUA. Em 2020, foram mais de 92 mil. Em um ano da pandemia, de abril de 2020 a abril de 2021, houve 100.306 mortes. O impacto psicológico da pandemia também mata.

As vacinas dão grande proteção contra casos graves, hospitalizações e mortes de adultos, inclusive contra a variante ômicron, concluiu um relatório divulgado hoje pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA. O risco de hospitalização de não vacinados é 23 vezes maior.

Os laboratórios Pfizer e BioNTech pediram autorização à agência federal de Administração de Medicamentos e Alimentos (FDA), o órgão regulador dos EUA, para uso emergencial de sua vacina em crianças de seis meses a 4 anos.

Mais de 10,1 bilhões de doses de vacinas foram aplicadas até agora no mundo. Mais de 4,81 bilhões de pessoas, mais de 61% da população mundial, tomaram ao menos uma dose, mas só 10% nos países pobres. Mais de 54% completaram a vacinação e 13% receberam a dose de reforço.

Uma comissão de inquérito do Reino Unido concluiu que houve 16 festas na residência oficial do primeiro-ministro em períodos em que o país estava sob confinamento, inclusive na véspera do enterra do príncipe Philip, marido da rainha Elizabeth II. 

Enquanto a rainha estava sozinha no funeral do marido, o primeiro-ministro Boris Johnson dava festinhas para seus assessores no estilo "traga sua bebida". Johnson está sob pressão para renunciar ao cargo inclusive de parte da bancada do Partido Conservador. 

A ex-primeira-ministra Theresa May declarou na Câmara dos Comuns: "Ou não entendeu, ou não conhecia as regras impostas por seu governo, ou acredita que elas não valem no nº 10" da Downing Street, sede do governo britânico.

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Programa Mundial de Alimentos ganha o Prêmio Nobel da Paz

O Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (PMA), criado em 1961 e em ação desde 1963 para combater a fome no mundo, foi agraciado hoje com o Prêmio Nobel da Paz de 2020 por "seus esforços na luta contra a fome [inclusive como consequência da pandemia], sua contribuição pela melhoria das condições para a paz e por atuar como força motriz nos esforços visando a impedir o uso da fome como arma de guerra", anunciou hoje em Oslo a presidente do Comitê Norueguês do Nobel, Berit Reiss Andersen.

É a maior agência de ajuda humanitária do mundo. A cada ano, fornece alimentos a 90 milhões de pessoas em 80 países, inclusive 58 milhões de crianças. Tem sede em Roma, na Itália, junto com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, da sigla em inglês). Seu objetivo é erradicar a fome e a desnutrição dando ajuda alimentar para:

  1. Salvar vidas em campos de refugiados e outras situações de emergência;
  2. Melhorar a alimentação e a qualidade de vida dos povos mais vulneráveis; e
  3. Ajudar no desenvolvimento de recursos próprios e na autossutentabilidade de povos e de comunidades pobres.

"Até o momento em que tivermos uma vacina, o alimento é a melhor vacina contra o caos", declarou Andersen. "A pandemia do coronavírus contribuiu para um forte aumento no número de vítimas da fome no mundo", observou o comitê. "O PMA demonstrou uma capacidade impressionante de intensificar seus esforços diante da crise.

Ao prover segurança alimentar, o programa da ONU ajuda a manter a estabilidade e a paz. Na América Latina, na África e na Ásia, combinou a ação humanitária com os esforços pela paz, acrescentou o comitê.

Leia mais em Quarentena News.

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Brasil passa de 4,2 milhões de casos e fica perto de 130 mil mortes

Com mais 922 mortes e 40.432 novos contágios notificados nesta quinta-feira, o Brasil soma 129.575 óbitos e 4.239.763 casos confirmados da doença do coronavírus de 2019. A média de mortes dos últimos sete dias ficou em 679. 

Em mortes por habitante, excluindo micropaíses como São Marinho e Andorra, que são estatisticamente irrevelantes, o Brasil está em sétimo lugar, atrás do Peru, da Bélgica, da Espanha, do Chile, da Bolívia e do Reino Unido. No ritmo atual, mesmo com a queda na média diária de mortes, logo deve estar em quinto lugar.

O total de casos no mundo passou de 28 milhões, com 909,5 mil mortes e mais de 20 milhões de pacientes recuperados, embora muitos apresentem sequelas de longo prazo. Cerca de 60,7 mil pessoas estão em estado grave. Elas representam 1% dos casos em tratamento. A taxa de mortalidade dos casos encerrados continua em 4%.

Os Estados Unidos se vangloriam de ser o país mais rico e poderoso mundo, mas pelo Índice de Progresso Social, o país mais desenvolvido do mundo é a Noruega. Os EUA caíram do 19º para o 28º lugar.

Na pandemia, os EUA têm o maior número de casos (6,4 milhões) e o maior número de mortes, perto de 192 mil. Os Estados Unidos têm 4% da população mundial e 21% das mortes por covid-19.

A Índia bateu os recordes mundiais de contaminações num dia. Na quinta-feira, mais de 96 mil casos foram notificados. Meu comentário:

sexta-feira, 15 de maio de 2020

Brasil chega perto de 15 mil mortes e ministro da Saúde cai

O Brasil registrou mais 15.305 novos casos e 824 mortes pela pandemia do novo coronavírus nas últimas 24 horas. É o segundo país em novos casos e em mortes por dia. O total de casos confirmados passou de 220 mil e o de mortes chegou a 14.962. 

Com menos de um mês no cargo, o ministro da Saúde, Nelson Teich, pediu demissão depois de ser desautorizado e humilhado pelo presidente Jair Bolsonaro, que insiste no uso da cloroquina nos estágios iniciais da doença e na retomada das atividades econômicas.

Os Estados Unidos tiveram mais 23.572 casos confirmados, chegando a um total de 1,481 milhão de casos, e mais 1.397 mortes, totalizando mais de 88 mil óbitos. 

O presidente Donald Trump anunciou que os EUA terão uma vacina até o fim do ano, mas a maioria dos cientistas estimam que isso só vai acontecer dentro de um ano e um ano e meio.

No mundo inteiro, já são quase 4,630 milhão de casos, 308.645 mortes e quase 1,76 milhão de pacientes curados.

A Suécia, um dos países que não adotaram o confinamento, foi citado como exemplo por Bolsonaro. Teve um aumento de 30 por cento nas mortes em comparação com o ano passado e um total oficial de 3.646 mortes pela covid-19. 

O país tem 10 milhões de habitantes e não evitou a recessão econômica. Os outros países da Escandinávia, Noruega, Finlândia e Dinamarca, com uma população somada de 16 milhões e 701 mil habitantes, 67 por cento maior, registram mil e 62 mortes, 69 por cento menos. 

É uma mortalidade 5,7 vezes menor sem que a Suécia tenha ganho grande vantagem econômica. O consumo na Dinamarca caiu 29 por cento e na Suécia, 25 por cento, uma diferença de apenas quatro pontos percentuais. Meu comentário:

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Mais seis países aderem ao sistema para fazer negócios com o Irã

A Bélgica, a Dinamarca, a Finlândia, a Holanda, a Noruega e a Suécia aderiram no fim de semana ao sistema de pagamentos Intex, criado por países da Europa para contornar as sanções impostas pelos Estados Unidos ao Irã, que impede negócios com dólar com a República Islâmica.

Em nota, os países fundadores, Alemanha, França e Reino Unido, deram as boas vindas aos novos "sócios acionistas". O Instex, com sede em Paris, substitui o sistema Swift, que funciona como um centro de processamento e compensação das transações realizadas em dólar.

O presidente Donald Trump retirou os EUA do acordo nuclear negociado por todas as grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha para congelar por dez anos a parte militar do programa nuclear do Irã para impedir o país de fabricar armas atômicas, em 8 de maio de 2018.

Seis meses depois, reimpôs duras sanções econômicas com o objetivo de zerar as exportações de petróleo do Irã para forçar o país a renegociar o acordo incluindo renúncia ao desenvolvimento de mísseis de médio e longo alcances e parar de interferir politicamente em outros países do Oriente Médio.

Desde então, as exportações de petróleo do Irã caíram de 3 milhões para cerca de 500 mil barris por dia. A República Islâmica voltou a enriquecer urânio além do teor autorizado pelo acordo e instalou mais milhares de centrífugas, numa provocação para causar uma reação dos países europeus que tentam manter o acordo nuclear.

O sistema de pagamentos é uma resposta europeia para manter o compromisso do Irã com o acordo.

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Destruir a Floresta Amazônica empobrece o Brasil e ameaça o agronegócio

A Amazônia arde, o mundo protesta e o governo brasileiro até agora foge de sua responsabilidade, culpando todo o mundo, menos a si mesmo e a seus aliados fazendeiros e madeireiros. Hoje à noite, o governo Jair Bolsonaro anunciou a criação de um gabinete de crise. O presidente alega não ter dinheiro, mas desprezou US$ 300 milhões do Fundo Amazônia. 

A Floresta Amazônica é a maior floresta tropical do planeta. Cerca de 40% das florestas tropicais da Terra ficam na região. O Brasil tem 60% da Amazônia, cerca de 5 milhões de quilômetros quadrados, dos quais 4 milhões são cobertos pela floresta. 

Por causa da floresta tropical úmida, o Brasil tem a maior diversidade biológica do mundo. É uma riqueza incalculável porque nem todas as espécies de plantas e animais foram catalogadas. Entre as árvores e bichos da floresta, podem estar escondidas substâncias capazes de curar doenças que hoje são incuráveis, como o câncer e a aids.

O grande valor está em manter a floresta em pé, não em derrubar as árvores para plantar soja e criar gado. Se as grandes potências industriais democráticas querem proteger a Amazônia, deveria incluir o Brasil no Grupo dos Sete (G-7). Meu comentário:

quinta-feira, 4 de julho de 2019

França lidera resistência ao acordo UE-Mercosul

Maior potência agrícola da União Europeia, a França será o principal centro da rejeição ao acordo de livre comércio assinado com o Mercado Comum do Sul (Mercosul). O acordo está sendo criticado até mesmo dentro da bancada do governo Emmanuel Macron, majoritária na Assembleia Nacional.

A estimativa é que os consumidores europeus vão economizar 4 bilhões de euros, mais de R$ 17 bilhões de reais, em impostos de importação a serem eliminados. Mas agricultores, ecologistas e sindicalistas temem danos ao meio ambiente e à qualidade da comida.

O grande temor está na abertura do mercado agrícola, fortemente protegido até há pouco pela política agrícola comum. Com esta abertura, o Mercosul vai poder exportar para a UE todo ano 159 mil toneladas de carne bovina, 180 mil toneladas de carne de frango, 45 mil toneladas de mel, 180 mil toneladas de açúcar e 60 mil toneladas de arroz.

Os europeus veem risco para a segurança alimentar e não veem garantias de avanços ambientais com as contrapartidas de preservação da natureza oferecidas pelo bloco sul-americano. Meu comentário:

A resistência francesa está hoje na manchete de Le Monde, o jornal mais importante da França. Em editorial, o jornal disse que pode ser uma oportunidade para a Europa fazer ouvir sua voz e aplicar seus padrões. 

Ao assinar o acordo, durante a reunião do Grupo dos Vinte (G-20) em Osaka, no Japão, o presidente Emmanuel Macron afirmou que todas as preocupações da França foram contempladas. Anteontem, em Bruxelas, a capital da União Europeia, Macron advertiu contra o "neoprotecionismo".

Mas o presidente francês está vulnerável depois da revolta dos coletes amarelos, que nasceu no interior, em zonas rurais, onde os moradores não queriam pagar mais pelo óleo diesel, frustrando os planos do governo para reduzir o consumo de combustíveis fósseis e o aquecimento global.

Os críticos alegam que o imperativo econômico da Comissão Europeia, órgão executivo da União Europeia, é negociar acordos de livre comércio para criar mais oportunidades para as exportações do bloco. Mas toda negociação exige concessões.

A comissária europeia de Comércio, a sueca Cecilia Malmström, que negociou o acordo, alega que o desafio da mudança do clima não será vencido sem comércio e desenvolvimento sustentável.

Além da questão econômica, o acordo tem objetivos políticos como manter o Brasil no Acordo de Paris sobre Mudança do Clima e pressionar o governo Jair Bolsonaro a adotar políticas sociais e ambientais dentro dos padrões europeus.

A maior resistência está no setor agrícola europeu. Para o presidente da Federação Nacional Bovina da França, Bruno Dufayet, “os criadores do Mercosul já são ultracompetitivos. Qual o interesse em reduzir as tarifas de importação quando sabemos que sua produção não atende aos critérios impostos na Europa?”

Os escândalos sanitários e de corrupção denunciados no Brasil nos últimos anos são citados pelos inimigos do acordo, especialmente o escândalo da JBS, maior exportadora mundial de carne bovina.

A Comissão Europeia afirma que “as normas europeias de segurança alimentar não vão mudar e deverão ser respeitadas em todas as importações.” Assim, os produtos agrícolas tratados com pesticidas proibidos na Europa estariam excluídos, assim como transgênicos e as carnes de animais que receberam hormônios.

Hoje, mais de 90% da soja e quase 90% do milho produzidos no Brasil são transgênicos. Mas a maioria dos portes dos países-membros não estão capacitados a fazer os controles alfandegários necessários. Um relatório de dezembro do ano passado constatou que “nenhum exame sobre presença de hormônios em carnes importadas foi realizada nas fronteiras da França; os exames sobre antibióticos só foram feitos nas carnes de ovelha e de cavalo”.

Com o aumento das cotas de importação, os riscos de fraude serão muito maiores.

A agricultura intensiva do Mercosul usa grandes quantidades de produtos químicos e farmacêuticos. Desde janeiro, o governo Bolsonaro aprovou 239 novos agrotóxicos, inclusive várias substâncias proibidas na Europa, como a atrazina, um herbicida.

Os pecuaristas brasileiros são os maiores consumidores de antibióticos para animais depois da China e dos Estados Unidos. O risco é de deterioração da qualidade da comida servida aos europeus.

Na opinião da diretora da organização não governamental Foodwatch, o Observatório da Comida, Karine Jacquemart, o acordo tornará “mais difícil estabelecer novas normas na Europa, novas exigências de etiquetagem ou regras mais estritas para certos insumos”. Os países do Mercosul poderiam recorrer à Organização Mundial do Comércio, a OMC, o que levaria a um “rebaixamento das normas ao longo do tempo”.

A questão ambiental é talvez a maior preocupação dos europeus. O acordo foi vendido como uma maneira de forçar o governo Bolsonaro a não sair do Acordo de Paris. O Brasil prometeu reduzir a emissão de gases de efeito estufa até 2025 em 37% em relação a 2005, a acabar com o desmatamento ilegal na Amazônia até 2030 e a replantar 12 milhões de hectares de florestas.

Os críticos do acordo argumentam que os mecanismos de fiscalização dos aspectos ambientais são frágeis. Em caso de não cumprimento, o acordo prevê apenas “consultas governamentais”. Se elas não derem resultado, será criada um “painel de especialistas independentes”, que faria apenas recomendações.

Entre 1985 e 2017, o Brasil destruiu uma área da Floresta Amazônica do tamanho da França. No mês passado, o primeiro da estação em que chove menos na região desde a posse de Bolsonaro, o desmatamento aumentou em 88 por cento.

Para Mathildé Dupré, do Instituto Veblen, especializado na economia da transição ecológica, “tendo em conta a política catastrófica do Brasil para o clima e a biodiversidade, é injustificável oferecer ao país vantagens comerciais. É preciso, ao contrário, bloquear o acesso ao mercado europeu como soja e carne bovina que contribuam com o desmatamento.”

A Comissão Europeia fez um estudo sobre o impacto do acordo na emissão de gases de efeito estufa ainda não divulgado. Samuel Leré, da Fundação Nicolas Hulot para a Natureza e o Homem, “na hora da emergência climática, a prioridade é utilizar as trocas comerciais para estimular a transição ecológica e não de assinar um acordo com um país cujas políticas vão contra este objetivo.”

As críticas injustificadas do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Sales, ao Fundo Amazônia e a tentativa de usar o dinheiro doado pela Noruega e a Alemanha para indenizar desmatadores deixam claro o desinteresse do atual governo brasileiro com a destruição da floresta. O Fundo Amazônia pode acabar.

As declarações do presidente falando em psicose ambientalista, do ministro do Meio Ambiente, da ministra da Agricultura, Tereza Cristina Dias, e do ministro de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, afirmando que o Brasil preserva a natureza, conspiram contra a aprovação final do acordo, que depende da ratificação pelo Parlamento Europeu e por todos os parlamentos nacionais dos 32 países envolvidos.

O Brasil é o país que mais desmata e que mais mata os defensores da floresta.