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sexta-feira, 20 de março de 2026

Hoje na História do Mundo: 20 de Março

 PANDEMIA DA PESTE

    Em 1345, professores da Universidade de Paris atribuem a pandemia da peste bubônica, a pior da história da humanidade, com total de mortes na Eurásia estimado entre 75 e 200 milhões de pessoas de 1346 a 1353, a "uma tripla conjunção de Saturno, Júpiter e Marte" ocorrida em 20 de março.

Hoje a ciência sabe que a causa da peste negra é a bactéria yersinia pestis, transmitida por pulgas de ratos que pulam para outras espécies de mamíferos quando os ratos hospedeiros morrem.

Os primeiros casos em seres humanos aparecem por volta de 1320 na Mongólia, mas pesquisas recentes sugerem que pode ter ocorrido séculos antes na Europa.

Os sintomas iniciais são dor de cabeça, febre e calafrios. A língua fica enbranquecida. As glândulas linfáticas incham com a reação do organismo. Surgem manchas pretas e vermelhas na pele. A morte vem uma semana depois.

Depois de dizimar as tribos nômades da Mongólia, a peste migra para o Leste e o Sul da China e a Índia. Chega à Europa em 1346.

Há um episódio em que os tártaros, um povo de origem turca, lutam contra italianos de Gênova no Oriente Médio quando um surto da peste atinge os tártaros. Eles catapultam os cadáveres pesteados no território sob o controle dos genoveses, que assim levariam a doença consigo no regresso à Europa.

Mesmo que esta história seja verdadeira, a hipótese mais provável é que a peste chegue à Europa levada por ratos nos porões dos navios. Inicialmente as cidades portuárias são as mais atingidas. Em Veneza, há 100 mil mortes e uma média de 600 por dia.

Em 1347, a peste chega a Paris, onde mata 50 mil pessoas. No ano seguinte, contamina a Grã-Bretanha. Um terço da população da Europa morre até a pandemia recuar, em 1352.

A culpa da desgraça não é atribuída aos astros. Judeus, ciganos e supostas bruxas são torturados e queimados na fogueira. Os religiosos a consideram um castigo divino pela imoralidade. Todos os remédios caseiros, inclusive banhos de urina e de sangue menstrual, fracassam.

Há outros surtos da peste até o século 18. No Brasil, só é controlada no século 20 com Oswaldo Cruz no Ministério da Saúde, quando a população chega a criar ratos porque o governo paga pela captura destes animais. Nunca mais houve uma pandemia como no século 14.

Ao suscitar dúvidas sobre o poder da Igreja e da religião, a pandemia da peste acelera o fim da Idade Média (476-1453).

HENRIQUE V

    Em 1413, com a morte de Henrique IV, primeiro rei da Dinastia de Lancaster, seu filho mais velho ascende ao trono da Inglaterra como Henrique V durante a Guerra dos Cem Anos (1337-1453), contra a França.

Henrique Bolingbroke é coroado Henrique IV em 1399, depois de vencer Ricardo II, enfraquecido por constantes conflitos com o Parlamento de Westminster. No fim da vida, com doenças crônicas, o jovem herdeiro toma conta dos negócios do reino. Lidera o Exército contra galeses rebeldes na Batalha de Shrewsbury.

No trono, Henrique V retoma a reivindicação de seu bisavô Eduardo III pela coroa francesa. Em 1415, invade a França e vence a Batalha de Agincourt. A Inglaterra domina toda a Normandia em 1419. 

Pelo acordo de Troyes, em 1420, Henrique V casa com Catarina de Valois, filha do rei Carlos VI, da França, é reconhecido como regente e herdeiro da coroa. Sua vitória dura pouco. Em 1422, Henrique V morre da chamada febre do acampamento, o tifo, comum na época em campanhas militares.

CEM DIAS

    Em 1815, depois de onze meses de exílio na Ilha de Elba, Napoleão Bonaparte volta a Paris e reassume o poder nos Cem Dias, na verdade 110 dias, até a derrota final na Batalha de Waterloo, 18 de junho, e a restauração da dinastia real pré-Revolução Francesa com Luís XVIII.

Napoleão volta ao poder quando o Congresso de Viena já está reunido e a Santa Aliança decidida a restaurar a ordem monárquica anterior às guerras napoleônicas.

Em 25 de março, o Reino Unido, a Áustria, a Prússia e a Rússia, as grandes potências da Sétima Coalizão contra Napoleão formam um exército de 150 mil homens para acabar de vez com o imperador francês. Napoleão é preso e enviado ao exílio da Ilha de Santa Helena, uma possessão britânica no Oceano Atlântico a 1.950 quilômetros da costa do Sudoeste da África, onde morre de câncer no estômago em 5 de maio de 1821.

KRUSCHEV EM ASCENSÃO

    Em 1953, 15 dias depois da morte do ditador Josef Stalin, o ucraniano Nikita Kruschev é um dos cinco indicados para o novo Secretariado do Partido Comunista da União Soviética. Em setembro, ele se torna secretário-geral do partido e, em 1958, primeiro-ministro.

A morte repentina de Stalin, em 5 de março de 1953, deixa um vácuo de poder na liderança soviética. Giorgi Malenkov é nomeado primeiro-secretário do PC e primeiro-ministro.

Kruschev, membro ativo desde que entrou para o partido, em 1918. Sua lealdade a Stalin é total, inclusive durante o Holodomor, a morte de mais de 3,9 milhões de ucranianos no processo de coletivização da agricultura na URSS (1929-33), que causa uma grande fome, especialmente na Ucrânia. Assim, ele escapa dos expurgos dos anos 1930.

Depois da morte de Stalin, Kruschev derrota Malenkov para se tornar líder do partido em seis meses. Consolida o poder no 20º Congresso do PC da URSS. Em 25 de fevereiro de 1956, numa reunião de cinco horas a portas fechadas, denuncia os crimes do stalinismo.

É o primeiro-ministro soviético que tenta instalar mísseis nucleares em Cuba, mas acaba recuando diante da iminência de uma invasão dos EUA à ilha, na Crise dos Mísseis, em outubro de 1962. Nunca o mundo fica tão perto de uma guerra nuclear. Kruschev cai dois anos depois numa disputa interna de poder no partido.

INVASÃO DO IRAQUE

    Em 2003, os Estados Unidos e aliados lançam uma invasão do Iraque para depor o ditador Saddam Hussein sob o falso pretexto de que o país tem um arsenal de armas químicas e biológicas e está desenvolvendo armas atômicas. Centenas de milhares de pessoas morreram.

A guerra destrói a promessa de uma nova ordem mundial com base no direito internacional, desestabiliza ainda mais o Oriente Médio, gera o Estado Islâmico, talvez o mais feroz dos grupos extremistas muçulmanos, fortalece o Irã e serve de desculpa para a invasão da Ucrânia pela Rússia.

Depois de derrubar a milícia dos Talebã e não conseguir capturar o líder da rede terrorista Al Caeda, Ossama ben Laden, na Batalha de Tora Bora, no Afeganistão, em dezembro de 2001, no Discurso sobre o Estado da União de 29 de janeiro de 2002, o então presidente George Walker Bush acusa o Irã, o Iraque e a Coreia do Norte de serem um "eixo do mal".

Os EUA mudam seu foco na Guerra contra o Terror, deflagrada depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. Como Saddam Hussein é um ditador secularista, inimigo dos terroristas muçulmanos, é preciso inventar uma alegação falsa para justificar a guerra. Mas o governo Bush não consegue convencer aliados europeus importantes como a Alemanha e a França, que estão prontas para votar contra a guerra no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Como a França tem poder de veto, assim como a China e a Rússia, que também votariam contra a guerra, os EUA não submetem uma nova resolução ao Conselho de Segurança, se valem de uma anterior que apertava o regime de sanções internacionais que desmantela o arsenal iraquiano.

A guerra é ilegal porque não é aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU e ilegítima porque jamais são encontradas as armas de destruição em massa que justificariam a invasão.

quarta-feira, 11 de março de 2026

Hoje na História do Mundo: 11 de Março

GRIPE ESPANHOLA

    Em 1918, são diagnosticados os primeiros casos da gripe espanhola nos Estados Unidos. É a maior pandemia do século 20 e uma das maiores da história, com total de mortes estimado em 50 milhões em dois anos.

Não se sabe a origem exata da gripe espanhola. Como a doença é propagada pela movimentação de soldados no fim da Primeira Guerra Mundial (1914-18), os países que estão em guerra, como Alemanha, EUA, França e Reino Unido, censuram a notícia. Na Espanha, que não está em guerra, não há censura. Isso passa a impressão de que é um dos países mais atingidos, daí o nome.

A primeira onda é registrada em março de 1918. A segunda, em agosto de 1918, é muito mais forte e mais letal. É uma gripe que evolui para pneumonia e mata às vezes em apenas dois dias.

Pelo menos 12,5 milhões de indianos, 550 mil norte-americanos e 35 mil brasileiros morrem de gripe espanhola.

GORBACHEV LÍDER COMUNISTA

    Em 1985, Mikhail Gorbachev é eleito secretário-geral do Partido Comunista da União Sovíetica e inicia uma abertura política (glasnost) e uma reforma econômica (perestroika) que acabam por destruir a pátria do comunismo.

Gorbachev é comissário da agricultura antes de virar chefe do partido. Durante visita ao Canadá em 1983, um país com o mesmo inverno rigoroso, mas nível de desenvolvimento muito maior, ele percebe a necessidade de mudar o sistema para recuperar a economia soviética.

Como parte de suas reformas, está o degelo na Guerra Fria, a necessidade de parar a corrida armamentista nuclear para que a URSS possa se concentrar em seus problemas internos. Gorbachev leva liberdade, democracia e eleições como a Rússia e as outras repúblicas soviéticas nunca tiveram. Mas não basta.

O regime comunista se mostra irreformável. Uma tentativa de golpe da linha dura, em agosto de 1991, afasta Gorbachev do poder por três dias. A resistência é liderada pelo primeiro presidente eleito democraticamente da história da Rússia, Boris Yeltsin, que ao mesmo tempo toma o poder de Gorbachev e coloca o Partido Comunista na ilegalidade.

Pelo Acordo de Minsk, em 8 de dezembro de 1991, as três repúblicas do núcleo eslavo da URSS, Rússia, Ucrânia e Bielorrússia, decidem deixar a União e formar a Comunidade de Estados Independentes (CEI). No Natal, Gorbachev anuncia o fim da URSS. Em 31 de dezembro, a bandeira vermelha da URSS è arriada no Kremlin e substituída pela tricolor da Rússia.

INDEPENDÊNCIA DA LITUÂNIA

    Em 1990, depois de votação no Parlamento, a Lituânia torna-se a primeira república soviética a proclamar a independência.

A Lituânia é o maior dos países bálticos e o que fica mais ao sul. Entre os séculos 12 a 14, a Lituânia é um importante império da Europa Oriental. Em seguida, forma com a Polônia a Comunidade Polaco-Lituana. Em 1795, é ocupada pela Rússia.

Depois das revoluções de 1917 na Rússia, a Lituânia se torna um país independente de 1918 e 1940, quando é invadida pela União Soviética durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45). Com o fim da URSS, recupera sua independência.

Em 2004, a Lituânia entra para a União Europeia (UE) e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

TERROR NA ESPANHA

    Em 2004, um atentado reivindicado pela rede terrorista Al Caeda contra a estação de Atocha do sistema de transportes de Madri mata 192 pessoas e deixa 17 mil feridos na capital da Espanha.

Pouco depois das 7h30, dez bombas explodem em quatro trens do metrô de Madri. No mesmo dia, Al Caeda assume a responsabilidade. A três dias das eleições de 14 de março, o primeiro-ministro conservador José María Aznar acusa o grupo terrorista basco ETA (Euskadi ta Askatasuna, Pátria Basca e Liberdade).

A Espanha faz parte da aliança liderada pelos Estados Unidos que invade o Iraque em 20 de março de 2003. O atentado é uma retaliação terrorista. Antes da era dos telefones inteligentes, que são computadores de bolso, os espanhóis se comunicam por mensagens de texto para denunciar a mentira do governo Aznar.

Nas eleições de 2004, o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) vence o Partido Popular (PP). O novo primeiro-ministro, José Luis Rodríguez Zapatero, retira as tropas espanholas da Guerra do Iraque.

TERREMOTO DE FUKUXIMA

    Em 2011, o maior terremoto da história do Japão e o quarto maior desde 1900, de 9,1 graus na escala aberta de Richter, provoca um maremoto que causa ainda mais destruição na região de Tohoku, no Nordeste da ilha de Honshu, inclusive um acidente nuclear na central atômica de Fukuxima, matando 19.747 pessoas.

Mais de 100 mil pessoas são retiradas da área. Durante a emergência, todos os três reatores operacionais se desligam automaticamente, mas, com a falta de energia elétrica, o sistema de resfriamento dos reatores para de funcionar.

O Reator nº 1 explode no dia 12 e o nº 3 no dia 14. O governo manda evacuar todo o mundo dentro de um raio de 20 quilômetros da central nuclear. Este raio é ampliado para 30 km. Cerca de 154 mil pessoas saem da região.

A maioria volta para casa, mas uma área de 371 km2 fica isolada até 2021 e pode ficar contaminada por décadas. O acidente nuclear de Fukuxima é o segundo pior da história, atrás apenas do acidente de Chernobil, na Ucrânia, na época parte da União Soviética, em 26 de abril de 1986.

PANDEMIA DO CORONAVÍRUS

    Em 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declara que a doença do coronavírus de 2019 causa uma pandemia, uma epidemia de escala global.

A covid-19 surge na cidade de Wuhan, na China. O primeiro caso foi diagnosticado em 17 de novembro de 2019, de acordo com o jornal South China Morning Post, de Hong Kong. Em 3 de janeiro, a China confirma à OMS que há um novo coronavírus que causa uma pneumonia aguda que resiste a todos os tratamentos. Em 19 de janeiro, a China confirma a transmissão entre seres humanos. 

Quatro anos depois, são 695.781.740 casos confirmados e 6.919.573 mortes. Um estudo publicado na revista médica britânica The Lancet com base no excesso de mortes em comparação com anos anteriores estima que o verdadeiro número de mortes seja três vezes maior, cerca de 20 milhões. Ao todo, mais de 13,4 bilhões de doses de vacina foram aplicadas no mundo inteiro.

O Brasil registra 38.592.310 casos confirmados e perde pelo menos 740.427 vidas na pandemia. Tem a 20º maior taxa de mortalidades entre 228 países e territórios. Com 2,7% da população mundial, o Brasil tem mais de 10% das mortes na pandemia.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 31 de Dezembro

 COMPANHIA DAS ÍNDIAS ORIENTAIS

    Em 1600, a Companhia das Índias Orientais recebe uma carta real para explorar o comércio com o Sul, o Sudeste e o Leste da Ásia, tornando-se uma ponta de lança do imperialismo inglês e depois britânico. Talvez seja a empresa transnacional mais poderosa da história. Tem seu próprio exército e governa parte da Índia para o Império Britânico durante um século.

O comércio com a Ásia era monopólio da Espanha e de Portugal. A derrota da Invencível Armada para a Inglaterra em 1588 dá uma chance aos ingleses de romper o monopólio. A Cia. das Índias explora o comércio de especiarias, algodão, seda, salitre, chá e ópio.

Em 1757, a Cia. das Índias assume o controle militar de Bengala, começando a submeter a Índia ao Império Britânico. Na Festa do Chá de Boston, em 16 de dezembro de 1773, um dos acontecimentos que levaram à independência dos Estados Unidos, colonos norte-americanos invadem o porto de Boston. Em protesto contra novos impostos criados pela coroa britânica, jogam no mar uma carga de 42 toneladas de chá da Cia das Índias, avaliada em US$ 1,7 milhão pelas cotações de hoje.

Todos os grandes exploradores africanos do Império Britânico, como Richard Burton, Henry Stanley e David Livingstone, foram soldados da Cia das Índias.

Depois da Rebelião Indiana de 1857, o Império Britânico assume a administração direta da Índia, que dura 90 anos, até a independência da Índia e do Paquistão, em agosto de 1947. A Cia. das Índias deixa de existir em 1873.

CAPITAL DO CANADÁ

    Em 1857, a rainha Vitória torna Ottawa, situada na província de Ontário na confluência dos rios Ottawa, Gatineau e Rideau, como capital da província do Canadá, que em 1867 passa a ser um país da Comunidade Britânica.

Os primeiros habitantes são índios algonquinos. A tribo ottawa se estabelece lá no século 16. O primeiro europeu a descrever a região é Samuel de Champlain, o fundador da Nova França, em 1613. Os rios são os caminhos para os exploradores e comerciantes de peles.

No Tratado de Paris que põe fim à Guerra dos Sete Anos (1756-63), a França cede ao Reino Unido os territórios a leste do Rio Mississípi.

Durante as guerras da Revolução Francesa e napoleônicas (1792-1815), com a demanda por madeira para a construção de navios, o Vale do Rio Ottawa se torna uma fonte importante da matéria-prima.

Em 1800, um grupo de fazendeiros de Massachusetts liderado por Philemon Wright funda a primeira povoação permanente, Wrightsville, ao norte do Rio Ottawa. Wright começa a explorar a madeira em 1806. 

Na Guerra de 1812, entre os Estados Unidos e o Império Britânico, o Rio São Lourenço, entre Montreal e Kingston, vira alvo por sua importância estratégica e militar. Os britânicos decidem então construir um canal na Rio Rideau para servir como rota alternativa, desviando o tráfego no Rio Ottawa.

O coronel John By, do destacamento de Engenheiros Reais, encarregado da obra de 201 quilômetros, constrói uma povoação na margem sul do Rio Ottawa para alojar os trabalhadores. A vila, inicialmente chamada de Bytown, se torna a cidade de Ottawa em 1855.

CANAL É DO PANAMÁ

    Em 1999, os Estados Unidos entregam ao Panamá o controle do canal que liga os oceanos Atlântico e Pacífico, construído a partir de 1903, quando os EUA promovem a independência do país centro-americano, então parte da Colômbia.

Depois do fim da Guerra dos Mil Dias (1899-1902), uma das muitas entre liberais e conservadores, a Colômbia está enfraquecida. Os EUA tentam negociar uma concessão para construir um canal no Istmo do Panamá, na época parte da Colômbia.

Quando os colombianos rejeitam a proposta, os EUA invadem e seus aliados proclamam a independência do Panamá, em 1903. A obra do canal é complexa. A empresa francesa que construiu o Canal de Suez vai à falência.

Os norte-americanos assumem o controle do projeto em 1904. Em dez anos, abrem o canal, de 77,1 quilômetros de extensão. A inauguração oficial é em 15 de agosto de 1914. Para ir do Oceano Atlântico ao Pacífico e o contrário, os navios não precisam mais dar a volta pelo Cabo do Chifre, no extremo sul da América do Sul, um dos lugares mais perigosos da navegação mundial.

Como os níveis dos oceanos são diferentes, há um sistema de comportas. A travessia dura entre 20 a 30 horas.

Em 1977, o ditador panamenho Omar Torrijos negocia com o presidente Jimmy Carter a devolução do canal e da Zona do Canal, a área ao redor, ao Panamá, o que dá grande impulso ao desenvolvimento do país centro-americano.

Agora, o presidente eleito Donald Trump ameaça retomar o Canal do Panamá sob o argumento de que os EUA estão sendo prejudicados pelas altas tarifas cobradas pelo Panamá e porque companhias chinesas administram os portos na entrada e na saída do canal.

ASCENSÃO DE PUTIN

    Em 1999, com a renúncia de Boris Yeltsin, o primeiro-ministro Vladimir Putin, nomeado quatro meses antes, assume a Presidência da Rússia. Em 26 de março de 2000, ele vence a eleição presidencial com 53%.

Putin nasce em Leningrado, hoje São Petersburgo, em 7 de outubro de 1952, filho de mãe operária e de pai da Marinha. Tem uma infância muito dura nas ruas da cidade. Aprende judô para se defender. Ele estuda direito da Universidade de Leningrado e trabalha 16 anos no Comitê de Defesa do Estado (KGB), a polícia política da União Soviética.

Quando estouram as revoluções democráticas que acabam com o comunismo na Europa Oriental, Putin é subchefe do escritório do KGB em Dresden e oficial de ligação com o Ministério de Segurança do Estado da Alemanha Oriental (Stasi), a temida polícia política alemã-oriental.

Sob pressão, Putin ameaça atirar em manifestantes que tentam invadir o prédio. Pede ajuda a Berlim Oriental e ouve uma das frases que marcam sua vida: "Só podemos agir com a autorização de Moscou, e Moscou está em silêncio."

Depois da tentativa de golpe contra o presidente soviético, Mikhail Gorbachev, em agosto de 1991, Putin deixa o Partido Comunista. 

De 1990 a 1996, ele trabalha no governo municipal de Leningrado, que volta a se chamar São Pertersburgo depois do fim da URSS, em 1991, sob a liderança de Anatoli Sobchak. Em 1994, se torna vice-prefeito da cidade. Durante uma conferência internacional, descreve o fim da URSS como "a maior catástrofe geopolítica do século 20."

Com a derrota de Sobchak em 1996, Putin comenta que "não se deve realizar eleições sem saber o resultado antes", deixando claro suas tendências autoritárias. Ele vai trabalhar no Kremlin com Anatoli Chubais, o ministro das privatizações. Em 27 de março de 1997, é nomeado subchefe de pessoal de Yeltsin.

Em 27 de junho de 1997, defende uma tese de doutorado no Instituto de Mineração de São Petersburgo com plágio, com 15 páginas copiadas de um livro-texto norte-americano. Em 25 de julho de 1998, é nomeado diretor-geral do Serviço Federal de Segurança (FSB), sucessor do KGB.

Quando vira primeiro-ministro, para consolidar o poder, Putin inicia a Segunda Guerra da Chechênia (1999-2009), depois de ataques de extremistas muçulmanos na república russa do Daguestão e uma série de atentados suspeitos em Moscou, atribuídos a agentes secretos russos do FSB.

No poder, Putin se beneficia da alta nos preços do petróleo, que desabam para US$ 11 o barril com a Crise Asiática de 1997 e tem altas de 13,4 vezes, chegando a US$ 147,50. Até a crise econômico-financeira internacional agravada pelo colapso do banco Lehman Brothers, em setembro de 2008, a economia da Rússia cresce 7% ao ano, o que lhe dá grande popularidade depois do caos dos anos 1990 com o colapso do comunismo.

Sob Putin, a Rússia tem uma recaída para o autoritarismo. Ele acaba com as eleições para governadores regionais, que poderiam criar novas lideranças capaz de desafiá-lo. Seu governo é marcado pela corrupção generalizada, violações dos direitos humanos, prisão e assassinato de adversários políticos, como a jornalista Anna Politkovskaya e o ex-agente Alexander Litvinenko, inclusive no exterior, censura e intimidação da imprensa e do ativismo político, e o possível assassinato do líder da oposição, Alexei Navalny, que morreu em 16 de fevereiro de 2024 numa prisão no Círculo Polar Ártico..

Putin vira o homem-forte da Rússia. De 2008 a 2012, como a Constituição só permite uma reeleição, passa o poder para Dimitri Medvedev, mas controla o governo como primeiro-ministro. Ele vê as chamadas revoluções coloridas na Géorgia (2003) e na Ucrânia (2004) como conspirações do Ocidente para enfraquecer a Rússia. Tenta reafirmar a influência sobre as ex-repúblicas soviéticas, que os russos chamam de "exterior próximo".

Diante das revoltas da Primavera Árabe, em 2011, e de protestos durante as campanhas para as eleições parlamentares de 2011 e a eleição presidencial de 2012, Putin vê mais conspirações do Ocidente, considera a secretária de Estado Hillary Clinton uma inimiga e endurece o regime.

Depois da Revolução da Praça Maidan, na Ucrânia, contra o presidente Viktor Yanukovich, que suspende negociações de associação com a União Europeia em novembro de 2013, a Rússia anexa a Península de Crimeia, em março de 2014, e fomenta uma rebelião de russos étnicos no Leste da Ucrânia, a partir de 6 de abril de 2014, num prelúdio da invasão da Ucrânia de 24 de fevereiro de 2022, uma guerra imperial, de conquista, proibida pela Carta das Nações Unidas.

A partir de 30 de setembro de 2015, a Rússia intervém na guerra civil da Síria. É decisiva para sustentar a ditadura de Bachar Assad. Volta a se tornar uma potência no Oriente Médio, o que não era desde 1977, quando o então ditador do Egito, Anuar Sadat, abandona a aliança com a URSS e se aproxima dos EUA para fazer a paz com Israel e recuperar a Península do Sinai. A queda de Assad é uma derrota para Putin, que tenta manter duas bases militares na Síria, as únicas da Rússia no Mar Mediterrâneo.

Em 30 de setembro de 2022, depois de plebiscitos realizados sob a mira das armas, a Rússia anuncia a anexação de quatro províncias da Ucrânia (Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporíjia). Por causa do sequestro e deportação de crianças ucranianas, o Tribunal Penal Internacional (TPI) decreta a prisão de Putin por crime de genocídio em março de 2023..

O Brasil, signatário do Estatuto de Roma, que criou o TPI, tem a obrigação de prender Putin. Ela não vem à reunião de cúpula do Grupo dos Vinte (G-20) realizada no Rio de Janeiro em 18 e 19 de dezembro de 2024. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro das Relações Exteriores, embaixador Mauro Vieira, declaram que o ditador russo seria bem-vindo.

PANDEMIA DA COVID-19

    Em 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) fica sabendo de uma pneumonia viral diagnosticada na cidade de Wuhan, na China, que resiste a todos os tratamentos. O regime comunista chinês só confirma a informação em 3 de janeiro de 2020. É o começo da pandemia da doença do coronavírus de 2019 (covid-19).

O primeiro caso é rastreado em 17 de novembro, de acordo com o jornal South China Morning Post, de Hong Kong. A China ignora o protocolo estabelecido depois da epidemia da síndrome respitatória aguda grave (SARS-CoV-1), que infectou mais 8 mil pessoas a partir de 2002 e matou cerca de 800 até ser controlada em 2003.

A China deveria comunicar o surto da SARS-CoV-2 em 24 horas, mas só admite em 3 de janeiro e só revela que a covid-19 é transmitida de ser humano para ser humano em 20 de janeiro. Três dias depois, fecha a cidade de Wuhan, impondo um confinamento rigoroso por 76 dias, depois de 5 milhões de pessoas saírem da cidade, inclusive muitos estrangeiros porque milhões de empresas do mundo inteiro tinham alguma relação econômica com a cidade.

A covid-19 é diagnostica pela primeira vez no Brasil em 26 de fevereiro de 2020. Na Europa, a Itália é o país mais atingido inicialmente. Em 9 de março, torna-se o primeiro país a entrar em quarentena coletiva. A OMS declara que a covid-19 é uma pandemia em 11 de março.

Ao todo, a OMS registra 773 milhões de casos confirmados, sendo 103,4 milhões nos EUA, 99,3 milhões na China, 45 milhões na Índia, 39 milhões na França, 38,4 milhões na Alemanha e 37,5 milhões no Brasil.

Mais de 7 milhões morrem na pandemia, das quais 1,1 milhão nos EUA, 702,1 mil no Brasil, 533,3 mil na Índia, 400,9 mil na Rússia e 334,9 mil no México. Por causa da subnotificação, as estimavas vão até 20 milhões de mortes.

Cemitério improvisado em Manaus
Com 2,5% da população mundial, o Brasil teve 10% das mortes. O presidente Jair Bolsonaro foi considerado por Ian Bremmer, do Eurasia Group, a maior empresa de consultoria política do mundo, o pior governante do mundo na pandemia. (FOTO: cemitério improvisado em Manaus).

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quinta-feira, 20 de março de 2025

Hoje na História do Mundo: 20 de Março

PANDEMIA DA PESTE

    Em 1345, professores da Universidade de Paris atribuem a pandemia da peste bubônica, a pior da história da humanidade, com total de mortes na Eurásia estimado entre 75 e 200 milhões de pessoas de 1346 a 1353, a "uma tripla conjunção de Saturno, Júpiter e Marte" ocorrida em 20 de março.

Hoje a ciência sabe que a causa da peste negra é a bactéria yersinia pestis, transmitida por pulgas de ratos que pulam para outras espécies de mamíferos quando os ratos hospedeiros morrem.

Os primeiros casos em seres humanos aparecem por volta de 1320 na Mongólia, mas pesquisas recentes sugerem que pode ter ocorrido séculos antes na Europa.

Os sintomas iniciais são dor de cabeça, febre e calafrios. A língua fica enbranquecida. As glândulas linfáticas incham com a reação do organismo. Surgem manchas pretas e vermelhas na pele. A morte vem uma semana mais tarde.

Depois de dizimar as tribos nômades da Mongólia, a peste migra para o Leste e o Sul da China e a Índia. Chega à Europa em 1346.

Há um episódio em que os tártaros, um povo de origem turca, lutam contra italianos de Gênova no Oriente Médio quando um surto da peste atinge os tártaros. Eles catapultam os cadáveres pesteados no território sob o controle dos genoveses, que assim levariam a doença consigo no regresso à Europa.

Mesmo que esta história seja verdadeira, a hipótese mais provável é que a peste chegue à Europa levada por ratos nos porões dos navios. Inicialmente as cidades portuárias são as mais atingidas. Em Veneza, há 100 mil mortes e uma média de 600 por dia.

Em 1347, a peste chega a Paris, onde mata 50 mil pessoas. No ano seguinte, contamina a Grã-Bretanha. Um terço da população da Europa morre até a pandemia recuar, em 1352.

A culpa da desgraça não é atribuída aos astros. Judeus, ciganos e supostas bruxas são torturados e queimados na fogueira. Os religiosos a consideram um castigo divino pela imoralidade. Todos os remédios caseiros, inclusive banhos de urina e de sangue menstrual, fracassam.

Há outros surtos da peste até o século 18. No Brasil, só é controlada no século 20 com Oswaldo Cruz no Ministério da Saúde, quando a população chega a criar ratos porque o governo paga pela captura destes animais. Nunca mais houve uma pandemia como no século 14.

Ao suscitar dúvidas sobre o poder da Igreja e da religião, a pandemia da peste acelera o fim da Idade Média (476-1453).

HENRIQUE V

    Em 1413, com a morte de Henrique IV, primeiro rei da Dinastia de Lancaster, seu filho mais velho ascende ao trono da Inglaterra como Henrique V durante a Guerra dos Cem Anos (1337-1453), contra a França.

Henrique Bolingbroke é coroado Henrique IV em 1399, depois de vencer Ricardo II, enfraquecido por constantes conflitos com o Parlamento de Westminster. No fim da vida, com doenças crônicas, o jovem herdeiro toma conta dos negócios do reino. Lidera o Exército contra galeses rebeldes na Batalha de Shrewsbury.

No trono, Henrique V retoma a reivindicação de seu bisavô Eduardo III pela coroa francesa. Em 1415, invade a França e vence a Batalha de Agincourt. A Inglaterra domina toda a Normandia em 1419. 

Pelo acordo de Troyes, em 1420, Henrique V casa com Catarina de Valois, filha do rei Carlos VI, da França, é reconhecido como regente e herdeiro da coroa. Sua vitória dura pouco. Em 1422, Henrique V morre da chamada febre do acampamento, o tifo, comum na época em campanhas militares.

CEM DIAS

    Em 1815, depois de onze meses de exílio na Ilha de Elba, Napoleão Bonaparte volta a Paris e reassume o poder nos Cem Dias, na verdade 110 dias até a derrota final na Batalha de Waterloo, 18 de junho, e a restauração da dinastia real pré-Revolução Francesa com Luís XVIII.

Napoleão volta ao poder quando o Congresso de Viena já está reunido e a Santa Aliança decidida a restaurar a ordem monárquica anterior às guerras napoleônicas.

Em 25 de março, o Reino Unido, a Áustria, a Prússia e a Rússia, as grandes potências da Sétima Coalizão contra Napoleão formam um exército de 150 mil homens para acabar de vez com o imperador francês. Napoleão é preso e enviado ao exílio da Ilha de Santa Helena, uma possessão britânica no Oceano Atlântico a 1.950 quilômetros da costa do Sudoeste da África, onde morre de câncer no estômago em 5 de maio de 1821.

KRUSCHEV EM ASCENSÃO

    Em 1953, 15 dias depois da morte do ditador Josef Stalin, o ucraniano Nikita Kruschev é um dos cinco indicados para o novo Secretariado do Partido Comunista da União Soviética. Em setembro, ele se torna secretário-geral do partido e, em 1958, primeiro-ministro.

A morte repentina de Stalin, em 5 de março de 1953, deixa um vácuo de poder na liderança soviética. Giorgi Malenkov é nomeado primeiro-secretário do PC e primeiro-ministro.

Kruschev, membro ativo desde que entrou para o partido, em 1918. Sua lealdade a Stalin é total, inclusive durante o Holodomor, a morte de mais de 3,9 milhões de ucranianos durante o processo de coletivização da agricultura na URSS (1929-33), que causa uma grande fome, especialmente na Ucrânia. Assim, ele escapa dos expurgos dos anos 1930.

Depois da morte de Stalin, Kruschev derrota Malenkov para se tornar líder do partido em seis meses. Consolida o poder no 20º Congresso do PC da URSS. Em 25 de fevereiro de 1956, numa reunião de cinco horas a portas fechadas, denuncia os crimes do stalinismo.

É o primeiro-ministro soviético que tenta instalar mísseis nucleares em Cuba, mas acaba recuando diante da iminência de uma invasão dos EUA à ilha, na Crise dos Mísseis, em outubro de 1962. Nunca o mundo fica tão perto de uma guerra nuclear. Kruschev cai dois anos depois.

INVASÃO DO IRAQUE

    Em 2003, os Estados Unidos e aliados lançam uma invasão do Iraque para depor o ditador Saddam Hussein sob o falso pretexto de que o país tem um arsenal de armas químicas e biológicas e está desenvolvendo armas atômicas. Centenas de milhares de pessoas morreram.

A guerra destrói a promessa de uma nova ordem mundial com base no direito internacional, desestabiliza ainda mais o Oriente Médio, gera o Estado Islâmico, talvez o mais feroz dos grupos extremistas muçulmanos, fortalece o Irã e serve de desculpa para a invasão da Ucrânia pela Rússia.

Depois de não conseguir capturar o líder da rede terrorista Al Caeda, Ossama ben Laden, na Batalha de Tora Bora, no Afeganistão, no fim de 2001, no Discurso sobre o Estado da União de 29 de janeiro de 2002, o então presidente George Walker Bush acusa o Irã, o Iraque e a Coreia do Norte de serem um "eixo do mal".

Os EUA mudam seu foco na Guerra contra o Terror, deflagrada depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. Como Saddam Hussein é um ditador secularista, inimigo dos terroristas muçulmanos, é preciso inventar uma alegação falsa para justificar a guerra. Mas o governo Bush não consegue convencer aliados europeus importantes como a Alemanha e a França, que estão prontas para votar contra a guerra no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Como a França tem poder de veto, assim como a China e a Rússia, que também votariam contra a guerra, os EUA não submetem uma nova resolução ao Conselho de Segurança, se valem de uma anterior que apertava o regime de sanções internacionais que desmantelara o arsenal iraquiano.

A guerra é ilegal porque não foi aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU e ilegítima porque jamais foram encontradas as armas de destruição em massa que justificariam a invasão.

terça-feira, 11 de março de 2025

Hoje na História do Mundo: 11 de Março

 GRIPE ESPANHOLA

    Em 1918, são diagnosticados os primeiros casos da gripe espanhola nos Estados Unidos. É a maior pandemia do século 20 e uma das maiores da história, com total de mortes estimado em 50 milhões em dois anos.

Não se sabe a origem exata da gripe espanhola. Como a doença é propagada pela movimentação de soldados no fim da Primeira Guerra Mundial (1914-18), os países que estão em guerra, como Alemanha, EUA, França e Reino Unido, censuram a notícia. Na Espanha, que não está em guerra, não há censura. Isso passa a impressão de que é um dos países mais atingidos, daí o nome.

A primeira onda é registrada em março de 1918. A segunda, em agosto de 1918, é muito mais forte e mais letal. É uma gripe que evolui para pneumonia e mata às vezes em apenas dois dias.

Pelo menos 12,5 milhões de indianos, 550 mil norte-americanos e 35 mil brasileiros morrem de gripe espanhola.

GORBACHEV LÍDER COMUNISTA

    Em 1985, Mikhail Gorbachev é eleito secretário-geral do Partido Comunista da União Sovíetica e inicia uma abertura política (glasnost) e uma reforma econômica (perestroika) que acabam por destruir a pátria do comunismo.

Gorbachev é comissário da agricultura antes de virar chefe do partido. Durante visita ao Canadá em 1983, um país com o mesmo inverno rigoroso, mas nível de desenvolvimento muito maior, ele percebe a necessidade de mudar o sistema para recuperar a economia soviética.

Como parte de suas reformas, está o degelo na Guerra Fria, a necessidade de parar a corrida armamentista nuclear para que a URSS possa se concentrar em seus problemas internos. Gorbachev leva liberdade, democracia e eleições como a Rússia e as outras repúblicas soviéticas nunca tiveram. Mas não basta.

O regime comunista se mostra irreformável. Uma tentativa de golpe da linha dura, em agosto de 1991, afasta Gorbachev do poder por três dias. A resistência é liderada pelo primeiro presidente eleito democraticamente da história da Rússia, Boris Yeltsin, que ao mesmo tempo toma o poder de Gorbachev e coloca o Partido Comunista na ilegalidade.

Pelo Acordo de Minsk, em 8 de dezembro de 1991, as três repúblicas do núcleo eslavo da URSS, Rússia, Ucrânia e Bielorrússia, decidem deixar a União e formar a Comunidade de Estados Independentes (CEI). No Natal, Gorbachev anuncia o fim da URSS. Em 31 de dezembro, a bandeira vermelha da URSS è arriada no Kremlin e substituída pela tricolor da Rússia.

INDEPENDÊNCIA DA LITUÂNIA

    Em 1990, depois de votação no Parlamento, a Lituânia torna-se a primeira república soviética a proclamar a independência.

A Lituânia é o maior dos países bálticos e o que fica mais ao sul. Entre os séculos 12 a 14, a Lituânia é um importante império da Europa Oriental. Em seguida, forma com a Polônia a Comunidade Polaco-Lituana. Em 1795, é ocupada pela Rússia.

Depois das revoluções de 1917 na Rússia, a Lituânia se torna um país independente de 1918 e 1940, quando é invadida pela União Soviética durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45). Com o fim da URSS, recupera sua independência.

Em 2004, a Lituânia entre para a União Europeia (UE) e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

TERROR NA ESPANHA

    Em 2004, um atentado reivindicado pela rede terrorista Al Caeda contra a estação de Atocha do sistema de transportes de Madri mata 192 pessoas e deixa 17 mil feridos na capital da Espanha.

Pouco depois das 7h30, dez bombas explodem em quatro trens do metrô de Madri. No mesmo dia, Al Caeda assume a responsabilidade. A três dias das eleições de 14 de março, o primeiro-ministro conservador José María Aznar acusa o grupo terrorista basco ETA (Euskadi ta Askatasuna, Pátria Basca e Liberdade).

A Espanha faz parte da aliança liderada pelos Estados Unidos que invade o Iraque em 20 de março de 2003. O atentado é uma retaliação terrorista. Antes da era dos telefones inteligentes, qued são computadores de bolso, os espanhóis se comunicam por mensagens de texto para denunciar a mentira do governo Aznar.

Nas eleições de 2004, o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) vence o Partido Popular (PP). O novo primeiro-ministro, José Luis Rodríguez Zapatero, retira as tropas espanholas da Guerra do Iraque.

TERREMOTO DE FUKUSHIMA

    Em 2011, o maior terremoto da história do Japão e o quarto maior desde 1900, de 9,1 graus na escala aberta de Richter, provoca um maremoto que causa ainda mais destruição na região de Tohoku, no Nordeste da ilha de Honshu, inclusive um acidente nuclear na central atômica de Fukushima, matando 19.747 pessoas.

Mais de 100 mil pessoas são retiradas da área. Durante a emergência, todos os três reatores operacionais se desligam automaticamente, mas, com a falta de energia elétrica, o sistema de resfriamento dos reatores para de funcionar.

O Reator nº 1 explode no dia 12 e o nº 3 no dia 14. O governo manda evacuar todo o mundo dentro de um raio de 20 quilômetros da central nuclear. Este raio é ampliado para 30 km. Cerca de 154 mil pessoas saem da região.

A maioria volta para casa, mas uma área de 371 km2 fica isolada até 2021 e pode ficar contaminada por décadas. O acidente nuclear de Fukushima é o segundo pior da história, atrás apenas do acidente de Chernobil, na Ucrânia, na época parte da União Soviética, em 26 de abril de 1986.

PANDEMIA DO CORONAVÍRUS

    Em 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declara que a doença do coronavírus de 2019 causa uma pandemia, uma epidemia de escala global.

A covid-19 surge na cidade de Wuhan, na China. O primeiro caso foi diagnosticado em 17 de novembro de 2019, de acordo com o jornal South China Morning Post, de Hong Kong. Em 3 de janeiro, a China confirma à OMS que há um novo coronavírus que causa uma pneumonia aguda que resiste a todos os tratamentos. Em 19 de janeiro, a China confirma a transmissão entre seres humanos. 

Quatro anos depois, são 695.781.740 casos confirmados e 6.919.573 mortes. Um estudo publicado na revista médica britânica The Lancet com base no excesso de mortes em comparação com anos anteriores estima que o verdadeiro número de mortes seja três vezes maior, cerca de 20 milhões. Ao todo, mais de 13,4 bilhões de doses de vacina foram aplicadas no mundo inteiro.

O Brasil registra 38.592.310 casos confirmados e perde pelo menos 740.427 vidas na pandemia. Tem a 20º maior taxa de mortalidades entre 228 países e territórios. Com 2,7% da população mundial, o Brasil tem mais de 10% das mortes na pandemia 

terça-feira, 31 de dezembro de 2024

Hoje na História do Mundo: 31 de Dezembro

 COMPANHIA DAS ÍNDIAS ORIENTAIS

    Em 1600, a Companhia das Índias Orientais recebe uma carta real para explorar o comércio com o Sul, o Sudeste e o Leste da Ásia, tornando-se uma ponta de lança do imperialismo inglês e depois britânico. Talvez seja a empresa transnacional mais poderosa da história. Tem seu próprio exército e governa parte da Índia para o Império Britânico durante um século.

O comércio com a Ásia era monopólio da Espanha e de Portugal. A derrota da Invencível Armada para a Inglaterra em 1588 dá uma chance aos ingleses de romper o monopólio. A Cia. das Índias explora o comércio de especiarias, algodão, seda, salitre, chá e ópio.

Em 1757, a Cia. das Índias assume o controle militar de Bengala, começando a submeter a Índia ao Império Britânico. Na Festa do Chá de Boston, em 16 de dezembro de 1773, um dos acontecimentos que levaram à independência dos Estados Unidos, colonos norte-americanos invadem o porto de Boston. Em protesto contra novos impostos, jogam no mar uma carga de 42 toneladas de chá da Cia das Índias, avaliada em US$ 1,7 milhão pelas cotações de hoje.

Todos os grandes exploradores africanos do Império Britânico, como Richard Burton, Henry Stanley e David Livingstone, foram soldados da Cia das Índias.

Depois da Rebelião Indiana de 1857, o Império Britânico assume a administração direta da Índia, que dura 90 anos, até a independência da Índia e do Paquistão, em agosto de 1947. A Cia. das Índias deixa de existir em 1873.

CAPITAL DO CANADÁ

    Em 1857, a rainha Vitória torna Ottawa, situada na província de Ontário na confluência dos rios Ottawa, Gatineau e Rideau, como capital da província do Canadá, que em 1867 passa a ser um país da Comunidade Britânica.

Os primeiros habitantes são índios algonquinos. A tribo ottawa se estabelece lá no século 16. O primeiro europeu a descrever a região é Samuel de Champlain, o fundador da Nova França, em 1613. Os rios são os caminhos para os exploradores e comerciantes de peles.

No Tratado de Paris que põe fim à Guerra dos Sete Anos (1756-63), a França cede ao Reino Unido os territórios a leste do Rio Mississípi.

Durante as guerras da Revolução Francesa e napoleônicas (1792-1815), com a demanda por madeira para a construção de navios, o Vale do Rio Ottawa se torna uma fonte importante da matéria-prima.

Em 1800, um grupo de fazendeiros de Massachusetts liderado por Philemon Wright funda a primeira povoação permanente, Wrightsville, ao norte do Rio Ottawa. Wright começa a explorar a madeira em 1806. 

Na Guerra de 1812, entre os Estados Unidos e o Império Britânico, o Rio São Lourenço, entre Montreal e Kingston, vira alvo por sua importância estratégica e militar. Os britânicos decidem então construir um canal na Rio Rideau para servir como rota alternativa, desviando o tráfego no Rio Ottawa.

O coronel John By, do destacamento de Engenheiros Reais, encarregado da obra de 201 quilômetros, constrói uma povoação na margem sul do Rio Ottawa para alojar os trabalhadores. A vila, inicialmente chamada de Bytown, se torna a cidade de Ottawa em 1855.

CANAL É DO PANAMÁ

    Em 1999, os Estados Unidos entregam ao Panamá o controle sobre o canal que liga os oceanos Atlântico e Pacífico, construído a partir de 1903, quando os EUA promoveram a independência do país centro-americano, que era parte da Colômbia.

Depois do fim da Guerra dos Mil Dias (1899-1902), uma das muitas entre liberais e conservadores, a Colômbia está enfraquecida. Os EUA tentam negociar uma concessão para construir um canal no Istmo do Panamá, na época parte da Colômbia.

Quando os colombianos rejeitam a proposta, os EUA invadem e seus aliados proclamam a independência do Panamá, em 1903. A obra do canal é complexa. A empresa francesa que construiu o Canal de Suez vai à falência.

Os norte-americanos assumem o controle do projeto em 1904. Em dez anos, abrem o canal, de 77,1 quilômetros de extensão. A inauguração oficial é em 15 de agosto de 1914. Para ir do Oceano Atlântico ao Pacífico e o contrário, os navios não precisam mais dar a volta pelo Cabo do Chifre, no extremo sul da América do Sul, um dos lugares mais perigosos da navegação mundial.

Como os níveis dos oceanos são diferentes, há um sistema de comportas. A travessia durante entre 20 a 30 horas.

Em 1977, o ditador panamenho Omar Torrijos negocia com o presidente Jimmy Carter a devolução do canal e da Zona do Canal, a área ao redor, ao Panamá, o que dá grande impulso ao desenvolvimento do país centro-americano.

Agora, o presidente eleito Donald Trump ameaça retomar o Canal do Panamá sob o argumento de que os EUA estão sendo prejudicados pelas altas tarifas cobradas pelo Panamá.

ASCENSÃO DE PUTIN

    Em 1999, com a renúncia de Boris Yeltsin, o primeiro-ministro Vladimir Putin, nomeado quatro meses antes, assume a Presidência da Rússia. Em 26 de março de 2000, ele vence a eleição presidencial com 53%.

Putin nasce em Leningrado, hoje São Petersburgo, em 7 de outubro de 1952, filho de mãe operária e de pai da Marinha. Tem uma infância muito dura nas ruas da cidade. Aprende judô para se defender. Ele estuda direito da Universidade de Leningrado e trabalha 16 anos no Comitê de Defesa do Estado (KGB), a polícia política da União Soviética.

Quando estouram as revoluções democráticas que acabam com o comunismo na Europa Oriental, Putin é subchefe do escritório do KGB em Dresden e oficial de ligação com o Ministério de Segurança do Estado da Alemanha Oriental (Stasi), a temida polícia política alemã-oriental.

Sob pressão, Putin ameaça atirar em manifestantes que tentam invadir o prédio. Pede ajuda a Berlim Oriental e ouve uma das frases que marcam sua vida: "Só podemos agir com a autorização de Moscou, e Moscou está em silêncio."

Depois da tentativa de golpe contra o presidente soviético, Mikhail Gorbachev, em agosto de 1991, Putin deixa o Partido Comunista. 

De 1990 a 1996, ele trabalha no governo municipal de Leningrado, que volta a se chamar São Pertersburgo depois do fim da URSS, em 1991, sob a liderança de Anatoli Sobchak. Em 1994, se torna vice-prefeito da cidade. Durante uma conferência internacional, descreve o fim da URSS como "a maior catástrofe geopolítica do século 20."

Com a derrota de Sobchak em 1996, Putin comenta que "não se deve realizar eleições sem saber o resultado antes", deixando claro suas tendências autoritárias. Ele vai trabalhar no Kremlin com Anatoli Chubais, o ministro das privatizações. Em 27 de março de 1997, é nomeado subchefe de pessoal de Yeltsin.

Em 27 de junho de 1997, defende uma tese de doutorado no Instituto de Mineração de São Petersburgo com plágio, com 15 páginas copiadas de um livro-texto norte-americano. Em 25 de julho de 1998, é nomeado diretor-geral do Serviço Federal de Segurança (FSB), sucessor do KGB.

Quando vira primeiro-ministro, para consolidar o poder, Putin inicia a Segunda Guerra da Chechênia (1999-2009), depois de ataques de extremistas muçulmanos na república russa do Daguestão e uma série de atentados suspeitos em Moscou, atribuídos a agentes secretos russos do FSB.

No poder, Putin se beneficia da alta nos preços do petróleo, que desabam para US$ 11 o barril com a Crise Asiática de 1997 e tem em alta de 500%. Até a crise econômico-financeira internacional agravada pelo colapso do banco Lehman Brothers, em setembro de 2008, a economia da Rússia cresce 7% ao ano, o que lhe dá grande popularidade depois do caos dos anos 1990 com o colapso do comunismo.

Sob Putin, a Rússia tem uma recaída para o autoritarismo. Ele acaba com as eleições para governadores regionais, que poderiam criar novas lideranças capaz de desafiá-lo. Seu governo é marcado pela corrupção generalizada, violações dos direitos humanos, prisão e assassinato de adversários políticos, como a jornalista Anna Politkovskaya e o ex-agente Alexander Litvinenko, inclusive no exterior, censura e intimidação da imprensa e do ativismo político, e o possível assassinato do líder da oposição, Alexei Navalny, que morreu em 16 de fevereiro de 2024 numa prisão no Círculo Polar Ártico..

Putin vira o homem-forte da Rússia. De 2008 a 2012, como a Constituição só permite uma reeleição, passa o poder para Dimitri Medvedev, mas controla o governo como primeiro-ministro. Ele vê as chamadas revoluções coloridas na Géorgia (2003) e na Ucrânia (2004) como conspirações do Ocidente para enfraquecer a Rússia. Tenta reafirmar a influência sobre as ex-repúblicas soviéticas, que os russos chamam de "exterior próximo".

Diante das revoltas da Primavera Árabe, em 2011, e de protestos durante as campanhas para as eleições parlamentares de 2011 e a eleição presidencial de 2012, Putin vê mais conspirações do Ocidente, considera a secretária de Estado Hillary Clinton uma inimiga e endurece o regime.

Depois da Revolução da Praça Maidan, na Ucrânia, contra o presidente Viktor Yanukovich, que suspendera negociações de associação com a União Europeia em novembro de 2013, a Rússia anexa a Península de Crimeia, em março de 2014, e fomenta uma rebelião de russos étnicos no Leste da Ucrânia, a partir de 6 de abril de 2014, num prelúdio da invasão da Ucrânia de fevereiro de 2022, uma guerra imperial, de conquista, proibida pela Carta das Nações Unidas.

A partir de 30 de setembro de 2015, a Rússia intervém na guerra civil da Síria. É decisiva para sustentar a ditadura de Bachar Assad. Volta a se tornar uma potência no Oriente Médio, o que não era desde 1977, quando o então ditador do Egito, Anuar Sadat, abandona a aliança com a URSS e se aproxima dos EUA para fazer a paz com Israel e recuperar a Península do Sinai. A queda de Assad é uma derrota para Putin, que tenta manter duas bases militares na Síria, as únicas da Rússia no Mar Mediterrâneo.

Em setembro de 2022, depois de plebiscitos realizados sob a mira das armas, a Rússia anuncia a anexação de quatro províncias da Ucrânia (Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporíjia). Por causa do sequestro e deportação de crianças ucranianas, o Tribunal Penal Internacional (TPI) decreta a prisão de Putin por crime de genocídio em março de 2023..

O Brasil, signatário do Estatuto de Roma, que criou o TPI, tem a obrigação de prender Putin. Ela não veio à reunião de cúpula do Grupo dos Vinte (G-20) realizada no Rio de Janeiro em 18 e 19 de dezembro de 2024. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro das Relações Exteriores, embaixador Mauro Vieira, declararam que o ditador russo seria bem-vindo.

PANDEMIA DA COVID-19

    Em 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) fica sabendo de uma pneumonia viral diagnosticada na cidade de Wuhan, na China, que resiste a todos os tratamentos. O regime comunista chinês só confirma a informação em 3 de janeiro de 2020. É o começo da pandemia da doença do coronavírus de 2019 (covid-19).

O primeiro caso é rastreado em 17 de novembro, de acordo com o jornal South China Morning Post, de Hong Kong. A China ignora o protocolo estabelecido depois da epidemia da síndrome respitatória aguda grave (SARS-CoV-1), que infectou mais 8 mil pessoas a partir de 2002 e matou cerca de 800 até ser controlada em 2003.

A China deveria comunicar o surto da SARS-CoV-2 em 24 horas, mas só admite em 3 de janeiro e só revela que a covid-19 é transmitida de ser humano para ser humano em 20 de janeiro. Três dias depois, fecha a cidade de Wuhan, impondo um confinamento rigoroso por 76 dias, depois de 5 milhões de pessoas saírem da cidade, inclusive muitos estrangeiros porque milhões de empresas do mundo inteiro tinham alguma relação econômica com a cidade.

A covid-19 é diagnostica pela primeira vez no Brasil em 26 de fevereiro de 2020. Na Europa, a Itália é o país mais atingido inicialmente. Em 9 de março, torna-se o primeiro país a entrar em quarentena coletiva. A OMS declara que a covid-19 é uma pandemia em 11 de março.

Ao todo, a OMS registra 773 milhões de casos confirmados, sendo 103,4 milhões nos EUA, 99,3 milhões na China, 45 milhões na Índia, 39 milhões na França, 38,4 milhões na Alemanha e 37,5 milhões no Brasil.

Mais de 7 milhões morrem na pandemia, das quais 1,1 milhão nos EUA, 702,1 mil no Brasil, 533,3 mil na Índia, 400,9 mil na Rússia e 334,9 mil no México. Por causa da subnotificação, as estimavas vão até 20 milhões de mortes.

Cemitério improvisado em Manaus
Com 2,5% da população mundial, o Brasil teve 10% das mortes. O presidente Jair Bolsonaro foi considerado por Ian Bremmer, do Eurasia Group, a maior empresa de consultoria política do mundo, o pior governante do mundo na pandemia. (FOTO: cemitério improvisado em Manaus).