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sexta-feira, 20 de março de 2026

Hoje na História do Mundo: 20 de Março

 PANDEMIA DA PESTE

    Em 1345, professores da Universidade de Paris atribuem a pandemia da peste bubônica, a pior da história da humanidade, com total de mortes na Eurásia estimado entre 75 e 200 milhões de pessoas de 1346 a 1353, a "uma tripla conjunção de Saturno, Júpiter e Marte" ocorrida em 20 de março.

Hoje a ciência sabe que a causa da peste negra é a bactéria yersinia pestis, transmitida por pulgas de ratos que pulam para outras espécies de mamíferos quando os ratos hospedeiros morrem.

Os primeiros casos em seres humanos aparecem por volta de 1320 na Mongólia, mas pesquisas recentes sugerem que pode ter ocorrido séculos antes na Europa.

Os sintomas iniciais são dor de cabeça, febre e calafrios. A língua fica enbranquecida. As glândulas linfáticas incham com a reação do organismo. Surgem manchas pretas e vermelhas na pele. A morte vem uma semana depois.

Depois de dizimar as tribos nômades da Mongólia, a peste migra para o Leste e o Sul da China e a Índia. Chega à Europa em 1346.

Há um episódio em que os tártaros, um povo de origem turca, lutam contra italianos de Gênova no Oriente Médio quando um surto da peste atinge os tártaros. Eles catapultam os cadáveres pesteados no território sob o controle dos genoveses, que assim levariam a doença consigo no regresso à Europa.

Mesmo que esta história seja verdadeira, a hipótese mais provável é que a peste chegue à Europa levada por ratos nos porões dos navios. Inicialmente as cidades portuárias são as mais atingidas. Em Veneza, há 100 mil mortes e uma média de 600 por dia.

Em 1347, a peste chega a Paris, onde mata 50 mil pessoas. No ano seguinte, contamina a Grã-Bretanha. Um terço da população da Europa morre até a pandemia recuar, em 1352.

A culpa da desgraça não é atribuída aos astros. Judeus, ciganos e supostas bruxas são torturados e queimados na fogueira. Os religiosos a consideram um castigo divino pela imoralidade. Todos os remédios caseiros, inclusive banhos de urina e de sangue menstrual, fracassam.

Há outros surtos da peste até o século 18. No Brasil, só é controlada no século 20 com Oswaldo Cruz no Ministério da Saúde, quando a população chega a criar ratos porque o governo paga pela captura destes animais. Nunca mais houve uma pandemia como no século 14.

Ao suscitar dúvidas sobre o poder da Igreja e da religião, a pandemia da peste acelera o fim da Idade Média (476-1453).

HENRIQUE V

    Em 1413, com a morte de Henrique IV, primeiro rei da Dinastia de Lancaster, seu filho mais velho ascende ao trono da Inglaterra como Henrique V durante a Guerra dos Cem Anos (1337-1453), contra a França.

Henrique Bolingbroke é coroado Henrique IV em 1399, depois de vencer Ricardo II, enfraquecido por constantes conflitos com o Parlamento de Westminster. No fim da vida, com doenças crônicas, o jovem herdeiro toma conta dos negócios do reino. Lidera o Exército contra galeses rebeldes na Batalha de Shrewsbury.

No trono, Henrique V retoma a reivindicação de seu bisavô Eduardo III pela coroa francesa. Em 1415, invade a França e vence a Batalha de Agincourt. A Inglaterra domina toda a Normandia em 1419. 

Pelo acordo de Troyes, em 1420, Henrique V casa com Catarina de Valois, filha do rei Carlos VI, da França, é reconhecido como regente e herdeiro da coroa. Sua vitória dura pouco. Em 1422, Henrique V morre da chamada febre do acampamento, o tifo, comum na época em campanhas militares.

CEM DIAS

    Em 1815, depois de onze meses de exílio na Ilha de Elba, Napoleão Bonaparte volta a Paris e reassume o poder nos Cem Dias, na verdade 110 dias, até a derrota final na Batalha de Waterloo, 18 de junho, e a restauração da dinastia real pré-Revolução Francesa com Luís XVIII.

Napoleão volta ao poder quando o Congresso de Viena já está reunido e a Santa Aliança decidida a restaurar a ordem monárquica anterior às guerras napoleônicas.

Em 25 de março, o Reino Unido, a Áustria, a Prússia e a Rússia, as grandes potências da Sétima Coalizão contra Napoleão formam um exército de 150 mil homens para acabar de vez com o imperador francês. Napoleão é preso e enviado ao exílio da Ilha de Santa Helena, uma possessão britânica no Oceano Atlântico a 1.950 quilômetros da costa do Sudoeste da África, onde morre de câncer no estômago em 5 de maio de 1821.

KRUSCHEV EM ASCENSÃO

    Em 1953, 15 dias depois da morte do ditador Josef Stalin, o ucraniano Nikita Kruschev é um dos cinco indicados para o novo Secretariado do Partido Comunista da União Soviética. Em setembro, ele se torna secretário-geral do partido e, em 1958, primeiro-ministro.

A morte repentina de Stalin, em 5 de março de 1953, deixa um vácuo de poder na liderança soviética. Giorgi Malenkov é nomeado primeiro-secretário do PC e primeiro-ministro.

Kruschev, membro ativo desde que entrou para o partido, em 1918. Sua lealdade a Stalin é total, inclusive durante o Holodomor, a morte de mais de 3,9 milhões de ucranianos no processo de coletivização da agricultura na URSS (1929-33), que causa uma grande fome, especialmente na Ucrânia. Assim, ele escapa dos expurgos dos anos 1930.

Depois da morte de Stalin, Kruschev derrota Malenkov para se tornar líder do partido em seis meses. Consolida o poder no 20º Congresso do PC da URSS. Em 25 de fevereiro de 1956, numa reunião de cinco horas a portas fechadas, denuncia os crimes do stalinismo.

É o primeiro-ministro soviético que tenta instalar mísseis nucleares em Cuba, mas acaba recuando diante da iminência de uma invasão dos EUA à ilha, na Crise dos Mísseis, em outubro de 1962. Nunca o mundo fica tão perto de uma guerra nuclear. Kruschev cai dois anos depois numa disputa interna de poder no partido.

INVASÃO DO IRAQUE

    Em 2003, os Estados Unidos e aliados lançam uma invasão do Iraque para depor o ditador Saddam Hussein sob o falso pretexto de que o país tem um arsenal de armas químicas e biológicas e está desenvolvendo armas atômicas. Centenas de milhares de pessoas morreram.

A guerra destrói a promessa de uma nova ordem mundial com base no direito internacional, desestabiliza ainda mais o Oriente Médio, gera o Estado Islâmico, talvez o mais feroz dos grupos extremistas muçulmanos, fortalece o Irã e serve de desculpa para a invasão da Ucrânia pela Rússia.

Depois de derrubar a milícia dos Talebã e não conseguir capturar o líder da rede terrorista Al Caeda, Ossama ben Laden, na Batalha de Tora Bora, no Afeganistão, em dezembro de 2001, no Discurso sobre o Estado da União de 29 de janeiro de 2002, o então presidente George Walker Bush acusa o Irã, o Iraque e a Coreia do Norte de serem um "eixo do mal".

Os EUA mudam seu foco na Guerra contra o Terror, deflagrada depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. Como Saddam Hussein é um ditador secularista, inimigo dos terroristas muçulmanos, é preciso inventar uma alegação falsa para justificar a guerra. Mas o governo Bush não consegue convencer aliados europeus importantes como a Alemanha e a França, que estão prontas para votar contra a guerra no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Como a França tem poder de veto, assim como a China e a Rússia, que também votariam contra a guerra, os EUA não submetem uma nova resolução ao Conselho de Segurança, se valem de uma anterior que apertava o regime de sanções internacionais que desmantela o arsenal iraquiano.

A guerra é ilegal porque não é aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU e ilegítima porque jamais são encontradas as armas de destruição em massa que justificariam a invasão.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 26 de Fevereiro

 NASCE VICTOR HUGO

    Em 1802, nasce em Besançon, na França, o poeta, romancista, dramaturgo, ensaísta e ativista pelos direitos humanos Victor Hugo, um dos maiores nomes da literatura francesa.

Victor é o terceiro filho do major Joseph-Léopold-Sigisbert Hugo, que seria general de Napoleão Bonaparte, e de mãe monarquista. A lealdade do pai a sucessivos governos franceses o leva a viajar pela Europa numa vida caótica.

Com a queda de Napoleão, em 1815, Victor Hugo fica alguns anos em Paris, onde se forma em direito. Antes de se formar, em 1816, decide ser escritor. Já tem cadernos com poemas, traduções, especialmente de Virgílio, e uma peça de teatro.

A mãe o aconselha a criar uma revista, Conservateur Littéraire, onde Victor Hugo publica uma aclamada crítica ao poeta francês Alphonse de Lamartine. Em 1822, ele lança seu primeiro livro, Odes e Poesias Diversas.

Suas obras mais conhecidas são Notre-Dame de Paris (1831) e Os Miseráveis (1862). 

FUGA DE NAPOLEÃO

    Em 1815, o imperador Napoleão Bonaparte foge do exílio na Ilha de Elba, para onde vai em 1814 depois de ser forçado a abdicar, retoma o poder ao voltar para Paris e governa a França pelo período conhecido como os Cem Dias até ser derrotado definitivamente na Batalha de Waterloo, na Bélgica, em 18 de junho de 1815, por uma aliança de Reino Unido, Áustria, Prússia e Rússia sob o comando do Duque de Wellington. Cai em 22 de junho.

Um dos maiores generais de todos os tempos, Napoleão Bonaparte chega ao posto com 24 anos porque a Revolução Francesa de 1789 acaba com a aristocracia e os generais do Exército da França precisavam ter quatro gerações de nobreza. 

Em 1798, ele faz a campanha do Egito. Nas palavras do escritor russo Leon Tolstoy, em Guerra e Paz, sobre a fracassada campanha da Rússia, "resolveu matar africanos e matou tantos que quando voltou foi nomeado chefe de governo".

Num golpe em 9 de novembro de 1799, Napoleão torna-se primeiro cônsul da França e acaba na prática com a Revolução Francesa. Começa a era das guerras napoleônicas.

Depois da derrota do Grande Exército, de 600 mil homens, na campanha da Rússia, em 1812, Napoleão perde a Batalha de Leipzig em 19 de outubro 1813 para uma aliança de Áustria, Prússia, Rússia, Reino Unido e Suécia. Em 1814, os aliados invadem Paris. Napoleão é forçado a abdicar em 6 de abril e enviado para o exílio em Elba, onde chega em 4 de maio.

NASCE FATS DOMINO

    Em 1928, nasce em Nova Orleans, nos Estados Unidos, o cantor, compositor e pianista Fats Domino, um astro do rhythm and blues e do jazz, e um dos primeiros roqueiros. Vende 65 milhões de discos.

Filho de uma família musical, Antoine Dominique Domino aprende com o cunhado, o guitarrista Harrison Verrett. Ele começa a tocar em clubes na adolescência. Em 1949, é descoberto por Dave Bartholomew, um compositor, produtor musical e líder de banda, destaque da música de Nova Orleans, que se torna o arranjador de Domino.

Sua primeira gravação, Fat Man (1950), é o primeiro de uma série de sucessos que inclui Ain't That a Shame (1955), Blueberry Hill (1956), I'm Walkin' (1957) e Walking to New Orleans (1960). Ele entra para o Rock and Roll Hall of Fame em 1986.

ATENTADO AO WORLD TRADE CENTER

    Em 1993, extremistas muçulmanos ligados à rede terrorista Al Caeda explodem um caminhão-bomba no estacionamento da Torre Norte do World Trade Center, em Nova York, matando seis pessoas e ferindo mais de mil.

Os terroristas usam como explosivo 606 quilos de nitrato de ureia. O plano é abalar os alicerces da Torre Norte para fazê-la cair sobre a Torre Sul derrubando as duas.

Quatro extremistas são condenados pelo atentado em março de 1994: Mahmud Abouhalima, Nidal Ayyad, Ahmed Ajaj e Muhammad Salameh. Em novembro de 1997, mais dois são condenados: Ramzi Yousef, considerado o idealizador do ataque, e Eyad Ismoil, o motorista do caminhão.

O dinheiro veio do tio de Yousef, Khaled Cheikh Mohammed, acusado de ser o mentor do ataque de 11 de setembro de 2001 às Torres Gêmeas do World Trade Center, o maior atentado terrorista da história, em que 2.977 pessoas morreram, 2.606 em Nova York.

VIDAS PRETAS IMPORTAM

    Em 2012, o adolescente negro desarmado Trayvon Martin, de 17 anos, é morto num condomínio em Sanford, na Flórida, pelo vigilante voluntário George Zimmerman, que alega legítima defesa e é absolvido.

A expressão "vidas pretas importam", que vira lema universal da luta contra o racismo e a violência policial, é usado pela primeira vez pela ativista Alicia Garza em 13 de julho de 2013 ao comentar a absolvição de Zimmerman.   

quinta-feira, 20 de março de 2025

Hoje na História do Mundo: 20 de Março

PANDEMIA DA PESTE

    Em 1345, professores da Universidade de Paris atribuem a pandemia da peste bubônica, a pior da história da humanidade, com total de mortes na Eurásia estimado entre 75 e 200 milhões de pessoas de 1346 a 1353, a "uma tripla conjunção de Saturno, Júpiter e Marte" ocorrida em 20 de março.

Hoje a ciência sabe que a causa da peste negra é a bactéria yersinia pestis, transmitida por pulgas de ratos que pulam para outras espécies de mamíferos quando os ratos hospedeiros morrem.

Os primeiros casos em seres humanos aparecem por volta de 1320 na Mongólia, mas pesquisas recentes sugerem que pode ter ocorrido séculos antes na Europa.

Os sintomas iniciais são dor de cabeça, febre e calafrios. A língua fica enbranquecida. As glândulas linfáticas incham com a reação do organismo. Surgem manchas pretas e vermelhas na pele. A morte vem uma semana mais tarde.

Depois de dizimar as tribos nômades da Mongólia, a peste migra para o Leste e o Sul da China e a Índia. Chega à Europa em 1346.

Há um episódio em que os tártaros, um povo de origem turca, lutam contra italianos de Gênova no Oriente Médio quando um surto da peste atinge os tártaros. Eles catapultam os cadáveres pesteados no território sob o controle dos genoveses, que assim levariam a doença consigo no regresso à Europa.

Mesmo que esta história seja verdadeira, a hipótese mais provável é que a peste chegue à Europa levada por ratos nos porões dos navios. Inicialmente as cidades portuárias são as mais atingidas. Em Veneza, há 100 mil mortes e uma média de 600 por dia.

Em 1347, a peste chega a Paris, onde mata 50 mil pessoas. No ano seguinte, contamina a Grã-Bretanha. Um terço da população da Europa morre até a pandemia recuar, em 1352.

A culpa da desgraça não é atribuída aos astros. Judeus, ciganos e supostas bruxas são torturados e queimados na fogueira. Os religiosos a consideram um castigo divino pela imoralidade. Todos os remédios caseiros, inclusive banhos de urina e de sangue menstrual, fracassam.

Há outros surtos da peste até o século 18. No Brasil, só é controlada no século 20 com Oswaldo Cruz no Ministério da Saúde, quando a população chega a criar ratos porque o governo paga pela captura destes animais. Nunca mais houve uma pandemia como no século 14.

Ao suscitar dúvidas sobre o poder da Igreja e da religião, a pandemia da peste acelera o fim da Idade Média (476-1453).

HENRIQUE V

    Em 1413, com a morte de Henrique IV, primeiro rei da Dinastia de Lancaster, seu filho mais velho ascende ao trono da Inglaterra como Henrique V durante a Guerra dos Cem Anos (1337-1453), contra a França.

Henrique Bolingbroke é coroado Henrique IV em 1399, depois de vencer Ricardo II, enfraquecido por constantes conflitos com o Parlamento de Westminster. No fim da vida, com doenças crônicas, o jovem herdeiro toma conta dos negócios do reino. Lidera o Exército contra galeses rebeldes na Batalha de Shrewsbury.

No trono, Henrique V retoma a reivindicação de seu bisavô Eduardo III pela coroa francesa. Em 1415, invade a França e vence a Batalha de Agincourt. A Inglaterra domina toda a Normandia em 1419. 

Pelo acordo de Troyes, em 1420, Henrique V casa com Catarina de Valois, filha do rei Carlos VI, da França, é reconhecido como regente e herdeiro da coroa. Sua vitória dura pouco. Em 1422, Henrique V morre da chamada febre do acampamento, o tifo, comum na época em campanhas militares.

CEM DIAS

    Em 1815, depois de onze meses de exílio na Ilha de Elba, Napoleão Bonaparte volta a Paris e reassume o poder nos Cem Dias, na verdade 110 dias até a derrota final na Batalha de Waterloo, 18 de junho, e a restauração da dinastia real pré-Revolução Francesa com Luís XVIII.

Napoleão volta ao poder quando o Congresso de Viena já está reunido e a Santa Aliança decidida a restaurar a ordem monárquica anterior às guerras napoleônicas.

Em 25 de março, o Reino Unido, a Áustria, a Prússia e a Rússia, as grandes potências da Sétima Coalizão contra Napoleão formam um exército de 150 mil homens para acabar de vez com o imperador francês. Napoleão é preso e enviado ao exílio da Ilha de Santa Helena, uma possessão britânica no Oceano Atlântico a 1.950 quilômetros da costa do Sudoeste da África, onde morre de câncer no estômago em 5 de maio de 1821.

KRUSCHEV EM ASCENSÃO

    Em 1953, 15 dias depois da morte do ditador Josef Stalin, o ucraniano Nikita Kruschev é um dos cinco indicados para o novo Secretariado do Partido Comunista da União Soviética. Em setembro, ele se torna secretário-geral do partido e, em 1958, primeiro-ministro.

A morte repentina de Stalin, em 5 de março de 1953, deixa um vácuo de poder na liderança soviética. Giorgi Malenkov é nomeado primeiro-secretário do PC e primeiro-ministro.

Kruschev, membro ativo desde que entrou para o partido, em 1918. Sua lealdade a Stalin é total, inclusive durante o Holodomor, a morte de mais de 3,9 milhões de ucranianos durante o processo de coletivização da agricultura na URSS (1929-33), que causa uma grande fome, especialmente na Ucrânia. Assim, ele escapa dos expurgos dos anos 1930.

Depois da morte de Stalin, Kruschev derrota Malenkov para se tornar líder do partido em seis meses. Consolida o poder no 20º Congresso do PC da URSS. Em 25 de fevereiro de 1956, numa reunião de cinco horas a portas fechadas, denuncia os crimes do stalinismo.

É o primeiro-ministro soviético que tenta instalar mísseis nucleares em Cuba, mas acaba recuando diante da iminência de uma invasão dos EUA à ilha, na Crise dos Mísseis, em outubro de 1962. Nunca o mundo fica tão perto de uma guerra nuclear. Kruschev cai dois anos depois.

INVASÃO DO IRAQUE

    Em 2003, os Estados Unidos e aliados lançam uma invasão do Iraque para depor o ditador Saddam Hussein sob o falso pretexto de que o país tem um arsenal de armas químicas e biológicas e está desenvolvendo armas atômicas. Centenas de milhares de pessoas morreram.

A guerra destrói a promessa de uma nova ordem mundial com base no direito internacional, desestabiliza ainda mais o Oriente Médio, gera o Estado Islâmico, talvez o mais feroz dos grupos extremistas muçulmanos, fortalece o Irã e serve de desculpa para a invasão da Ucrânia pela Rússia.

Depois de não conseguir capturar o líder da rede terrorista Al Caeda, Ossama ben Laden, na Batalha de Tora Bora, no Afeganistão, no fim de 2001, no Discurso sobre o Estado da União de 29 de janeiro de 2002, o então presidente George Walker Bush acusa o Irã, o Iraque e a Coreia do Norte de serem um "eixo do mal".

Os EUA mudam seu foco na Guerra contra o Terror, deflagrada depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. Como Saddam Hussein é um ditador secularista, inimigo dos terroristas muçulmanos, é preciso inventar uma alegação falsa para justificar a guerra. Mas o governo Bush não consegue convencer aliados europeus importantes como a Alemanha e a França, que estão prontas para votar contra a guerra no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Como a França tem poder de veto, assim como a China e a Rússia, que também votariam contra a guerra, os EUA não submetem uma nova resolução ao Conselho de Segurança, se valem de uma anterior que apertava o regime de sanções internacionais que desmantelara o arsenal iraquiano.

A guerra é ilegal porque não foi aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU e ilegítima porque jamais foram encontradas as armas de destruição em massa que justificariam a invasão.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 26 de Fevereiro

NASCE VICTOR HUGO

    Em 1802, nasce em Besançon, na França, o poeta, romancista, dramaturgo, ensaísta e ativista pelos direitos humanos Victor Hugo, um dos maiores nomes da literatura francesa.

Victor é o terceiro filho do major Joseph-Léopold-Sigisbert Hugo, que seria general de Napoleão Bonaparte, e de mãe monarquista. A lealdade do pai a sucessivos governos franceses o leva a viajar pela Europa numa vida caótica.

Com a queda de Napoleão, em 1815, Victor Hugo fica alguns anos em Paris, onde se forma em direito. Antes de se formar, em 1816, decide ser escritor. Já tem cadernos com poemas, traduções, especialmente de Virgílio, e uma peça de teatro.

A mãe o aconselha a criar uma revista, Conservateur Littéraire, onde Victor Hugo publica uma aclamada crítica ao poeta francês Alphonse de Lamartine. Em 1822, ele lança seu primeiro livro, Odes e Poesias Diversas.

Suas obras mais conhecidas são Notre-Dame de Paris (1831) e Os Miseráveis (1862). 

FUGA DE NAPOLEÃO

    Em 1815, o imperador Napoleão Bonaparte foge do exílio na Ilha de Elba, para onde vai em 1814 depois de ser forçado a abdicar, retoma o poder ao voltar para Paris e governa a França pelo período conhecido como os Cem Dias até ser derrotado definitivamente na Batalha de Waterloo, na Bélgica, em 18 de junho de 1815, por uma aliança de Reino Unido, Áustria, Prússia e Rússia sob o comando do Duque de Wellington. Cai em 22 de junho.

Um dos maiores generais de todos os tempos, Napoleão Bonaparte chega ao posto com 24 anos porque a Revolução Francesa de 1789 acaba com a aristocracia e os generais do Exército da França precisavam ter quatro gerações de nobreza. 

Em 1798, ele faz a campanha do Egito. Nas palavras do escritor russo Leon Tolstoy, em Guerra e Paz, sobre a fracassada campanha da Rússia, "resolveu matar africanos e matou tantos que quando voltou foi nomeado chefe de governo".

Num golpe em 9 de novembro de 1799, Napoleão torna-se primeiro cônsul da França e acaba na prática com a Revolução Francesa. Começa a era das guerras napoleônicas.

Depois da derrota do Grande Exército, de 600 mil homens, na campanha da Rússia, em 1812, Napoleão perde a Batalha de Leipzig em 19 de outubro 1813 para uma aliança de Áustria, Prússia, Rússia, Reino Unido e Suécia. Em 1814, os aliados invadem Paris. Napoleão é forçado a abdicar em 6 de abril e enviado para o exílio em Elba, onde chega em 4 de maio.

NASCE FATS DOMINO

    Em 1928, nasce em Nova Orleans, nos Estados Unidos, o cantor, compositor e pianista Fats Domino, um astro do rhythm and blues e do jazz, e um dos primeiros roqueiros. Vende 65 milhões de discos.

Filho de uma família musical, Antoine Dominique Domino aprende com o cunhado, o guitarrista Harrison Verrett. Ele começa a tocar em clubes na adolescência. Em 1949, é descoberto por Dave Bartholomew, um compositor, produtor musical e líder de banda, destaque da música de Nova Orleans, que se torna o arranjador de Domino.

Sua primeira gravação, Fat Man (1950), é o primeiro de uma série de sucessos que inclui Ain't That a Shame (1955), Blueberry Hill (1956), I'm Walkin' (1957) e Walking to New Orleans (1960). Ele entra para o Rock and Roll Hall of Fame em 1986.

ATENTADO AO WORLD TRADE CENTER

    Em 1993, extremistas muçulmanos ligados à rede terrorista Al Caeda explodem um caminhão-bomba no estacionamento da Torre Norte do World Trade Center, em Nova York, matando seis pessoas e ferindo mais de mil.

Os terroristas usam como explosivo 606 quilos de nitrato de ureia. O plano é abalar os alicerces da Torre Norte para fazê-la cair sobre a Torre Sul derrubando as duas.

Quatro extremistas são condenados pelo atentado em março de 1994: Mahmud Abouhalima, Nidal Ayyad, Ahmed Ajaj e Muhammad Salameh. Em novembro de 1997, mais dois são condenados: Ramzi Yousef, considerado o idealizador do ataque, e Eyad Ismoil, o motorista do caminhão.

O dinheiro veio do tio de Yousef, Khaled Cheikh Mohammed, acusado de ser o mentor do ataque de 11 de setembro de 2001 às Torres Gêmeas do World Trade Center, o maior atentado terrorista da história, em que 2.977 pessoas morreram, 2.606 em Nova York.

VIDAS PRETAS IMPORTAM

    Em 2012, o adolescente negro desarmado Trayvon Martin, de 17 anos, é morto num condomínio em Sanford, na Flórida, pelo vigilante voluntário George Zimmerman, que alega legítima defesa e é absolvido.

A expressão "vidas pretas importam", que vira lema universal da luta contra o racismo e a violência policial, é usado pela primeira vez pela ativista Alicia Garza em 13 de julho de 2013 ao comentar a absolvição de Zimmerman.   

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

Hoje na História do Mundo: 26 de Fevereiro

NASCE VICTOR HUGO

    Em 1802, nasce em Besançon, na França, o poeta, romancista, dramaturgo, ensaísta e ativista pelos direitos humanos Victor Hugo, um dos maiores nomes da literatura francesa.

Victor é o terceiro filho do major Joseph-Léopold-Sigisbert Hugo, que seria general de Napoleão Bonaparte, e de mãe monarquista. A lealdade do pai a sucessivos governos franceses o leva a viajar pela Europa numa vida caótica.

Com a queda de Napoleão, em 1815, Victor Hugo fica alguns anos em Paris, onde se forma em direito. Antes de se formar, em 1816, decide ser escritor. Já tem cadernos com poemas, traduções, especialmente de Virgílio, uma peça.

A mãe o aconselha a criar uma revista, Conservateur Littéraire, onde Victor Hugo publica uma aclamada crítica ao poeta francês Alphonse de Lamartine. Em 1822, ele lança seu primeiro livro, Odes e Poesias Diversas.

Suas obras mais conhecidas são Notre-Dame de Paris (1831) e Os Miseráveis (1862). 

FUGA DE NAPOLEÃO

    Em 1815, o imperador Napoleão Bonaparte foge do exílio na Ilha de Elba, para onde vai em 1814 depois de ser forçado a abdicar, retoma o poder ao voltar para Paris e governa a França pelo período conhecido como os Cem Dias até ser derrotado definitivamente na Batalha de Waterloo, na Bélgica, em 18 de junho de 1815, por uma aliança de Reino Unido, Áustria, Prússia e Rússia sob o comando do Duque de Wellington e cai em 22 de junho.

Um dos maiores generais de todos os tempos, Napoleão Bonaparte chega ao posto com 24 anos porque a Revolução Francesa de 1789 acaba com a aristocracia e os generais do Exército da França precisavam ter quatro gerações de nobreza. 

Em 1798, ele faz a campanha do Egito. Nas palavras do escritor russo Leon Tolstoy, em Guerra e Paz, sobre a fracassada campanha da Rússia, "resolveu matar africanos e matou tantos que quando voltou foi nomeado chefe de governo".

Num golpe em 9 de novembro de 1799, Napoleão dá um golpe, torna-se primeiro cônsul da França e acaba na prática com a Revolução Francesa. Começa a era das guerras napoleônicas.

Depois da derrota do Grande Exército, de 600 mil homens, na campanha da Rússia, em 1812, Napoleão perde a Batalha de Leipzig em 19 de outubro 1813 para uma aliança de Áustria, Prússia, Rússia, Reino Unido e Suécia. Em 1814, os aliados invadem Paris. Napoleão é forçado a abdicar em 6 de abril e enviado para o exílio em Elba, onde chega em 4 de maio.

ATENTADO AO WORLD TRADE CENTER

    Em 1993, extremistas muçulmanos ligados à rede terrorista Al Caeda explodem um caminhão-bomba no estacionamento da Torre Norte do World Trade Center, em Nova York, matando seis pessoas e ferindo mais de mil.

Os terroristas usam como explosivo 606 quilos de nitrato de ureia. O plano é abalar os alicerces da Torre Norte para fazê-la cair sobre a Torre Sul derrubando as duas.

Quatro extremistas são condenados pelo atentado em março de 1994: Mahmud Abouhalima, Nidal Ayyad, Ahmed Ajaj e Muhammad Salameh. Em novembro de 1997, mais dois são condenados: Ramzi Yousef, considerado o idealizador do ataque, e Eyad Ismoil, o motorista do caminhão.

O dinheiro veio do tio de Yousef, Khaled Cheikh Mohammed, acusado de ser o mentor do ataque de 11 de setembro de 2001 às Torres Gêmeas do World Trade Center, o maior atentado terrorista da história, em que 2.977 pessoas morreram, 2.606 em Nova York.

VIDAS PRETAS IMPORTAM

    Em 2012, o adolescente negro desarmado Trayvon Martin, de 17 anos, é morto num condomínio em Sanford, na Flórida, pelo vigilante voluntário George Zimmerman, que alega legítima defesa e é absolvido.

A expressão "vidas pretas importam", que vira lema universal da luta contra o racismo e a violência policial, é usado pela primeira vez pela ativista Alicia Garza em 13 de julho de 2013 ao comentar a absolvição de Zimmerman.