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terça-feira, 8 de setembro de 2026

Hoje na História do Mundo: 8 de Setembro

JOANA D'ARC ATACA PARIS

    Em 1429, durante a Guerra dos Cem Anos (1337-1453), Joana d'Arc, a maior heroína da história da França, tenta derrubar o Duque da Borgonha, aliado de Henrique VI, da Inglaterra, e tomar Paris para o recém-coroado rei Carlos VII.

O conflito entre França e Inglaterra tem origem na invasão normanda de Guillherme, o Conquistador, que conquista Londres em 1066. Seu reino ia da Normandia, no Norte da França, ao Sul da Inglaterra. Esta reivindicação de soberania de um país sobre o outro perdura séculos, até as guerras napoleônicas, quando o Reino Unido abre mão da soberania por medo de que Napoleão reivindique a coroa britânica.

A Guerra dos Cem Anos começa quando Eduardo III, da Inglaterra, reivindica a coroa francesa depois da morte de seu tio Carlos IV, da França. Em 1415, Henrique V, da Inglaterra, ganha a Batalha de Agincourt e conquista a coroa da França. É nesta fase que Joana d'Arc, uma jovem camponesa, entra em ação. 

Ela ganha fama no Cerco de Orleans, de 12 de outubro de 1428 a 8 de maio de 1429. Fica conhecida como a Donzela de Orleans. Chega a Saint-Denis, nos arredores de Paris, em 26 de agosto de 1429, e quer atacar a capital francesa. 

Carlos VII chega no dia 7 de setembro e o combate começa no dia seguinte, com ataques às portas de Saint-Honoré e Saint-Denis. Ela tenta retomar a ofensiva no dia 9, mas o rei ordena o recuo. A derrota em Paris reduz seu prestígio com a aristocracia francesa.

Joana d'Arc é capturada pelas forças de Borgonha em 23 de maio de 1430 e queimada na fogueira pelos ingleses em 30 de maio de 1431, o que o primeiro-ministro britânico Winston Churchill viria a considerar um grande erro porque a torna em mártir.

Na era napoleônica, ela passa a ser cultuada. É beatificada 1909 e vira Santa Joana d'Arc em 1920. Hoje é um ícone da extrema direita.

DAVID DE MICHELANGELO

    Em 1504, uma das esculturas mais famosas do mundo, o David, de Michelangelo Buonarroti, é apresentada ao público pela primeira vez, em Florença, na Itália.

Michelangelo Buonarroti nasce em 6 de março de 1475 em Caprese Michelangelo, no período da Renascença. Gênio das artes plásticas, vira pintor, poeta, escultor, anatomista e arquiteto. Entre seus grandes mecenas estão a família Medici, de Florença, e os papas. Suas obras mais famosas são as esculturas de David e a Pietà, e a pintura do teto da Capela Sistina, no Vaticano.

O David é esculpido em mármore de 1501 a 1504 e colocado na frente do Palazzo Vecchio (Palácio Velho). A obra original está hoje na Academia. Há cópias em duas praças de Florença.

NOVA AMSTERDÃ VIRA NOVA YORK

    Em 1664, o governador da Nova Holanda, Peter Stuyvesant, se rende em Nova Amsterdã para uma esquadra da Inglaterra sob o comando do coronel Richard Nicolls, que muda o nome da cidade para Nova York em homenagem ao Duque de York, o futuro rei Jaime II, que organizara a expedição.

A Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, a mesma que invade o Nordeste do Brasil compra em 1624 a ilha de Manhattan da tribo local pelo equivalente a 24 dólares para fundar Nova Amsterdã. Quando acaba a Segunda Invasão Holandesa no Brasil (1630-54), os judeus do Recife fogem para lá.

Com a expansão da Nova Holanda para o que hoje são parte de Long Island e dos estados de Connecticut e Nova Jérsei, há conflitos com os nativos. Em 1641, começa uma longa guerra entre os colonos e os índios Manhattan, com mais de mil mortos.

CERCO DE LENINGRADO

    Em 1941, a Alemanha Nazista começa o Cerco de Leningrado, hoje São Petersburgo, a segunda maior cidade da União Soviética, berço da Revolução Comunista. É um dos episódios marcantes da Segunda Guerra Mundial (1939-45). O cerco dura 872 dias (2 anos, 4 meses, 2 semanas e 5 dias) em que morrem pelo menos 800 mil, talvez 1 milhão de pessoas.

As forças alemãs recebem o apoio do Exército da Finlândia, que chega pelo istmo da Karélia, região que havia sido tomada pela URSS no início da guerra. Leningrado resiste com 200 mil soldados do Exército Vermelho.

No primeiro dia, os alemães bombardeiam os depósitos de comida para a cidade se render pela fome, que chega num inverno rigoroso, com temperaturas de menos 40 graus centígrados. As pessoas queimam móveis e livros para se aquecer. 

Com a escassez de comida, surge um mercado de carne humana. Os pais proíbem os filhos jovens de sair de casa. A polícia cria uma divisão de canibalismo.

Toda a população é convocada a erguer barreira nos limites da cidade para barrar o avanço do inimigo. No início de novembro, o cerco ao redor de São Petersburgo se fecha. O único acesso é pelo Lago Ladoga. A ração diária para os civis é reduzida a 125 gramas de pão por dia.

O Cerco de Leningrado dura até 27 de janeiro de 1944, quando o avanço do Exército Vermelho rompe as linhas alemãs. Depois do Holocausto, é considerado o pior caso de genocídio da Segunda Guerra Mundial.

ALTHEA GIBSON GANHA CAMPEONATO DOS EUA

    Em 1957, Althea Gibson é a primeira pessoa de origem africana a ganhar o Campeonato Nacional de Tênis dos Estados Unidos (hoje Torneio Aberto dos EUA), com a vitória por 2-0 (6-3, 6-2) sobre Louise Brough. Recebe o troféu do vice-president Richard Nixon.


Dois meses antes, Gibson se tornara a primeira pessoas de origem africana a vencer o Campeonato de Wimbledon, diante a rainha Elizabeth II. Um ano antes, ganhara na França como primeira tenista de origem africana a triunfar em torneio do Grand Slam.

Ao todo, ela ganha 11 torneios do Grand Slam, 5 de simples, de 5 de duplas femininas, inclusive ao lado da brasileira Maria Esther Bueno, e um de duplas mistas.

FORD PERDOA NIXON

    Em 1974, o presidente Gerald Ford (1974-77) perdoa o ex-presidente Richard Nixon (1969-74) por todos os crimes que possa ter cometido quando governava os Estados Unidos.


Nixon é vice-presidente de Dwight Eisenhower (1953-61) e perde a eleição de 1960 para John Kennedy. Com a desmoralização de Lyndon Johnson (1963-69), vice-presidente e sucessor de Kennedy, por causa da Guerra do Vietnã, chega a Casa Branca em 1969.

A invasão de sede do diretório nacional do Partido Democrata pelo grupo de encanadores da Casa Branca durante a campanha eleitoral, em 16 de junho de 1972, causa o Escândalo de Watergate. Nixon se reelege com facilidade, mas a descoberta do envolvimento direto do governo e as tentativas de obstruir a investigação levam à abertura de um processo de impeachment. Quando perde o apoio do Partido Republicano, renuncia, em 9 de agosto de 1974. É perdoado um mês depois.

Ford se justifica perante a Comissão de Justiça da Câmara dos Representantes com o argumento de que quer acabar com a divisão nacional em torno do Escândalo de Watergate.

Único presidente não eleito da história dos EUA, Ford preside a Câmara e se torna presidente quando o vice eleito com Nixon, Spiro Agnew, é afastado por corrupção.

Em 2001, Ford recebe o Prêmio Perfil de Coragem da Fundação Biblioteca John F. Kennedy por perdoar Nixon. Ao justificar o prêmio, a fundação declarou que Ford colocou o amor ao país acima da carreira política.

Depois de perder a eleição de 1976, Ford abandona a política. Morre aos 93 anos em 2006.

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quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Hoje na História do Mundo: 3 de Setembro

RIO HUDSON

    Em 1609, em busca de uma passagem para a Ásia a serviço da Companhia Holandesa das Índias Orientais, o navegador inglês Henry Hudson entra no que hoje é o porto de Nova York e sobe o rio batizado com seu nome.

Na sua última viagem, também em busca de um caminho marítimo para a Ásia, é o primeiro europeu a chegar ao Estreito de Hudson e à Baía de Hudson, no que hoje é o Canadá. 

Em 1611, passa o inverno na Baía de São Jaime e tenta seguir no rumo oeste. Alvo de um motim da tripulação, é abandonado à deriva na região ártica com o filho e outros sete marujos e nunca mais é visto.

MORTE DE CROMWELL

    Em 1658, morre em Londres aos 59 anos Oliver Cromwell, o Eleito de Deus, líder da Revolução Puritana e do breve período republicano da história da Inglaterra.

Cromwell nasce em Huntingdon numa família da nobreza rural. As primeiras décadas de sua vida são pouco conhecidas. Nos anos 1630, ele se converte ao protestantismo e se torna um homem profundamente religioso. Acredita que Deus o guia em suas vitórias.

É eleito para a Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico em 1628 pelo distrito de Huntingdon e por Cambridge para o Pequeno Parlamento (1640) e para o Longo Parlamento (1640-1649).

Na Guerra Civil, Cromwell se torna um militar e estadista, comandante das forças do Parlamento Britânico na Guerra Civil Inglesa contra o rei Carlos I (1625-49) e derruba a Dinastia Stuart. Um dos signatários da sentença de morte de Carlos I, executado em 30 de janeiro de 1649, vira Lorde Protetor (1853-58) da Commonwealth, como é chamado o governo republicano, e restaura o poderio do país, abalado desde a morte da rainha Elizabeth I (1558-1603).

Durante as Guerras Confederadas Irlandesas ou Guerra dos Onze Anos (1641-53), parte da Guerra dos Três Reinos (1639-53), travada entre Inglaterra, Escócia e Irlanda, Cromwell lidera as forças protestantes contra os monarquistas e a Confederação dos Católicos da Irlanda. Ele impõe uma série de leis penais contra os católicos, que são minoria na Inglaterra e na Escócia, mas ampla maioria na Irlanda, para onde faz uma imigração forçada de presbiterianos escoceses que viram maioria no que hoje é a Irlanda do Norte.

Cromwell morre de malária no Palácio de Whitehall e é enterrado como herói na Abadia de Westminster. Com a restauração da monarquia, em 1660, seu cadáver é exumado, pendurado em correntes e decapitado.

Por seu radicalismo político, é comparado ao líder revolucionário francês Maximiliano Robespierre e ao ditador soviético Josef Stalin.

LISTRAS E ESTRELAS

    Em 1777, a bandeira dos Estados Unidos é usada pela primeira vez no campo de batalha, numa escaramuça com as tropas britânicas na ponte de Cooch, em Delaware, durante a Guerra da Independência (1775-83).

O general William Maxwell manda erguer a bandeira quando a infantaria e a cavalaria enfrentam uma força do Império Britânico. Os rebeldes perdem e se retiram até encontrar as tropas do general George Washington, comandante do Exército Continental.

A bandeira original, aprovada pelo Congresso Continental em 14 de junho de 1777, tem 13 listras horizontais, sete vermelhas e seis brancas, e 13 estrelas de cinco pontas contra um fundo azul no canto superior esquerdo. Cada listra e cada estrela representa uma das 13 colônias que formavam os EUA no momento da independência.

Com a entrada na União dos estados de Kentucky e Vermont, a bandeira passa a ter 15 listras e 15 estrelas. Depois, volta a ter apenas 13 listras e uma estrela para cada estado.

A bandeira atual, com 50 estrelas, depois da inclusão do Havai como 50º estado, é hasteada pela primeira vez à zero hora de 4 de julho de 1960 em Baltimore, no estado de Maryland.

INDEPENDÊNCIA DOS EUA

    Em 1783, os Estados Unidos, o Reino Unido, a Espanha e a França assinam o Tratado de Paris reconhecendo a independência dos EUA.

A guerra começa em 19 de abril 1775, em Lexington, na colônia de Massachusetts, quando os colonos norte-americanos não aceitam a recusa o rei George III de lhes dar mais autonomia econômica e administrativa. Mais de um ano depois, em 4 de julho de 1776, os norte-americanos declaram independência.

A última grande batalha é travada em outubro de 1781 em Yorktown, na Virgínia. A paz começa a ser negociada por Benjamin Franklin, John Adams e John Jay em setembro de 1782. Franklin pede que o Canadá seja entregue aos colonos americanos. Não consegue, mas com a guerra as 13 Colônias dobram o tamanho de seu território.

INVASÃO DA ITÁLIA

    Em 1943, sob o comando do marechal Bernard Montgomery, o 8º Exército Britânico cruza da ilha da Sicília para o território continental da Itália, iniciando a invasão aliada da Europa ocupada pelas potências do Eixo (Alemanha e Itália) durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

O governo que derruba o regime fascista de Benito Mussolini se rende imediatamente, mas a rendição fica em segredo até 8 de setembro. Mussolini sonha em reconstruir o poder e a glória do Império Romano, mas uma série de derrotas o deixa totalmente dependente da Alemanha Nazista de Adolf Hitler.

Em 10 de julho de 1943, os aliados invadem a Sicília. Quando a notícia chega a Roma, em 25 de julho, o Grande Conselho Fascista depõe Mussolini. No dia seguinte, assume o poder o marechal Pietro Badoglio, que negocia em segredo com os aliados.

Os alemães libertam Mussolini en 12 de setembro de 1943 e vão à guerra contra o governo Badoglio. Roma cai de novo em junho de 1944, quando os aliados se concentram na invasão da Normandia, no Norte da França.

Uma nova ofensiva aliada começa em abril de 1945. Mussolini é capturado, executado e pendurado de cabeça para baixo em 28 de abril, dias antes da rendição da Alemanha e do fim da guerra na Europa, em 8 de maio.

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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Hoje na História do Mundo: 2 de Setembro

BATALHA DO ÁCIO

    Em 31 antes de Cristo, na Batalha do Ácio, na Grécia, as forças de Otávio conquistam uma vitória decisiva na guerra contra o general romano Marco Antônio, que foge para o Egito, onde comete suicídio no ano seguinte.


Filha de Ptolomeu XII, Cleópatra nasce em 69 AC e se torna a rainha Cleópatra VII, do Egito, quando o pai morre, em 51 AC. Eles fazem parte de uma dinastia macedônia que assume o poder no Egito depois da morte de Alexandre, o Grande, em 323 AC. 

 Em 47 AC, começa uma guerra civil entre ela e o irmão. Roma, a maior potência da Europa na época, também está em guerra civil entre Júlio César e Cneu Pompeu, ambos membros do Primeiro Triunvirato. Vencido por César na Grécia, Pompeu foge para o Egito, mas é morto por agentes do rei Ptolomeu XIII. 

César vai para Alexandria e decide impor a Pax Romana ao Egito. Cleópatra se alia a César para consolidar o poder no Egito. É entregue ao general romano enrolada num tapete. Linda e fascinante, ela seduz César e torna-se sua amante. Tem um filho com César, Cesarion. 

Quando César volta para Roma, Cleópatra e Cesarion vão junto. Ela vive discretamente numa casa de campo que o general tem perto da Cidade Eterna. Com a morte de César, em 44 AC, Cleópatra volta para o Egito e Roma cai em nova guerra civil, que termina em 43 AC com a formação do Segundo Triunvirato: Otávio, sobrinho e sucessor designado de Júlio César, o general Marco Antônio e Lépido. 

Marco Antônio, encarregado das províncias orientais do Império Romano, convoca Cleópatra para um encontro em Tarso, na Ásia Menor, em 41 AC. Ela chega numa balsa magnífica fantasiada de Vênus, a deusa do amor, e seduz mais um general romano. 

Em 40 AC, para emendar as relações Antônio volta a Roma e casa com Otávia, irmã de Otávio. Em 37 AC, ele se separa e encontra Cléopatra, que lhe dá dois gêmeos, na Síria. Partidários de Otávio o acusam de se casar com uma estrangeira, o que é proibido pela lei romana. 

Uma derrota militar em Pártia, hoje parte do Irã, em 36 AC, reduz o prestígio de Marco Antônio. Ele se reabilita ao vencer na Armênia em 34 AC, quando faz uma marcha triunfal em Alexandria ao lado da rainha, de Cesarion e de seus filhos. 

Em Roma, Marco Antônio é acusado de querer entregar o país nas mãos de estrangeiros. Otávio declara guerra a Cleópatra, e indiretamente a Marco Antônio, em 31 AC. Eles se enfrentam na Batalha do Ácio, uma batalha naval, na Grécia, em 31 AC. 

Uma semana depois, as forças terrestres de Marco Antônio se rendem, mas Otávio leva quase um ano para chegar a Alexandria e vencer Marco Antônio mais uma vez. Cleópatra se refugia no mausoléu que mandara construir para si mesmo. 

Ao ser informado erradamente da morte da rainha, Marco Antônio se suicida se jogando sobre sua espada, mas fica sabendo que ela está viva e é levado para morrer nos braços da amada. 

 A rainha do Egito não consegue seduzir mais um general romano e morre no mausoléu, oficialmente por suicídio, mordida por uma cobra, mas o historiador romano Plutarco, quem mais escreve sobre Cleópatra, diz: "O que aconteceu naquele mausoléu ninguém realmente sabe."

GRANDE INCÊNDIO DE LONDRES

    Em 1666, um incêndio na casa do padeiro do rei Carlos II, Thomas Farrinor, que esquece de desligar o forno, na Pudding Lane (Travessa da Sobremesa), atinge a Rua Tâmisa, onde há depósitos de combustível que explodem e transformam a cidade num inferno com a ajuda de um forte vento leste.


Quando o Grande Incêndio de Londres acaba, quatro dias depois, 80% da capital britânica estão destruídos, inclusive 13 mil casas e a antiga Catedral de São Paulo. Por milagre, há apenas 16 mortes.

Na época, Londres é uma cidade medieval de casas de madeira. As casas dos pobres são vedadas contra a chuva por materiais inflamáveis como carvão, óleo para lâmpadas, bebidas alcoólicas e banha. As ruas são estreitas e as casas amontoadas. Tudo contribui para propagar o fogo.

MASSACRES DE SETEMBRO

    Em 1792, durante a Revolução Francesa (1789-99), começam os massacres de prisioneiros em Paris por medo de que os presos políticos se revoltem e se juntem às forças inimigas nas guerras contrarrevolucionárias.

A revolução começa em 14 de julho de 1789, com a tomada da Bastilha, uma prisão que é um símbolo do antigo regime. De 20 a 26 de agosto, a Assembleia Nacional aprova a Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão.

Em 10 de agosto de 1792, depois que o rei Luís XVI veta várias decisões da Assembleia Nacional, a Guarda Nacional da Comuna de Paris e federados da Bretanha e de Marselha assaltam a residência real no Palácio das Tulherias, que é defendido pela Guarda Suíça. O rei e a rainha se refugiam na Assembleia Nacional. Centenas de guardas e 400 revolucionários morrem na batalha.

Os massacres de 2 a 6 de setembro em Paris são a primeira onda de terror da revolução. A matança começa em 2 de setembro, quando um grupo armado ataca presos que estão sendo transferidos para a Prisão da Abadia, perto de Saint-Germain-des-Près. Em cinco dias, 1,2 mil prisioneiros são mortos, a maioria depois de julgamentos sumários num "tribunal popular".

A monarquia acaba formalmente em 21 de setembro, numa das primeiras decisões da Convenção Nacional (1792-95), a primeira assembleia eleita sem distinção de classe social, que funda a República no dia seguinte. O Período do Terror propriamente dito vai de 5 de setembro de 1793 a 27 de julho de 1794, quando cerca de 17 mil pessoas são executadas, inclusive os líderes revolucionários Georges-Jacques Danton e Maximiliano Robespierre.

Luís XVI é guilhotinado em 21 de janeiro de 1793 e a rainha Maria Antonieta em 16 de outubro do mesmo ano. Ao todo, cerca de 50 mil pessoas morrem na Revolução Francesa.

GRANDE PORRETE

    Em 1901, o vice-presidente Theodore Roosevelt, um pioneiro do imperialismo norte-americano, diz a frase que o caracterizou, tirada de um provérbio africano: "Fale suavemente e carregue um grande porrete. Você vai longe."

Doze dias depois, o presidente William McKinley é assassinado e Theodore Roosevelt  se torna o 26º presidente dos Estados Unidos (1901-9) aos 42 anos. É o presidente mais jovem da história do país. 

Durante seu governo, os EUA intervém militarmente em 1903 no Panamá, então parte da Colômbia, enfraquecida pela Guerra dos Mil Dias (1899-1902) entre conservadores e liberais, promovem a independência do Panamá e, em 1904, começam a construção do canal que liga os oceanos Atlântico e Pacífico.

FIM DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

    Em 1945, a bordo do navio de guerra americano USS Missouri, o ministro do Exterior, Mamoru Shigemitsu, e o general Yoshijiro Umezu assinam a rendição do Japão, formalizando o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45). Ambos são condenados por crimes de guerra pelo Tribunal de Tóquio.

Os países do Sudeste Asiático colonizados pelo Ocidente invadidos pelo Japão na guerra começam a declarar a independência, a Indonésia em 17 de agosto e o Vietnã em 2 de setembro.

Antes das bombas atômicas de Hiroxima e Nagasáki, o Japão negocia a rendição através da Suíça. Por causa do ataque japonês à 7ª Frota Americana em Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941, os EUA exigem a rendição incondicional do Japão.

Diante do custo em vidas dos assaltos anfíbios às ilhas de Ivo Jima e Okinawa, o comando militar norte-americano estima que um ataque às quatro maiores ilhas japonesas custe 1 milhão de vidas. 

O presidente Harry Truman decide, então, usar uma nova arma, a bomba atômica, jogada em 6 de agosto em Hiroxima e em 9 de agosto em Nagasaki, onde 140 mil pessoas morrem nos dias das explosões e mais de 300 mil até hoje de doenças causadas pela radiação. Em 15 de agosto, o imperador Hiroíto anuncia a rendição incondicional do Japão.

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quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 26 de Agosto

BATALHA DE CRÉCY

    Em 1346, durante a Guerra dos Cem Anos (1337-1453), o exército do rei Eduardo III, da Inglaterra, aniquila as forças de Felipe VI, da França, na Batalha de Crécy ou Batalha da Normandia, o primeiro grande combate da guerra. É uma das primeiras em que os ingleses usam arcos de longo alcance e a primeira em que usam um pequeno canhão.

Eduardo III invade a Normandia em 12 de julho de 1346 com uma força de 14 mil homens e marcha em direção ao norte saqueando o interior da França. Para contra-atacar, Felipe VI mobiliza um exército de 12 mil homens, 8 mil cavaleiros armados e 4 mil arqueiros genoveses.

O exército inglês estaciona em Crécy à espera dos franceses, que chegam no dia 26 e tomam a iniciativa de atacar com seus arqueiros. Mas, do outro lado, há 10 mil arqueiros armados com grandes arcos com alcance muito maior.

Quando os cavaleiros armados franceses tentam avançar, são atingidos por uma chuva impiedosa de flechas. No início da noite, os franceses recuam depois de perder um terço de seus soldados, inclusive Carlos II de Alencon, irmão de Felipe VI, do rei João da Boêmia e de Luís II de Nevers, aliados do rei da França.

Os arqueiros ingleses são decisivos na Batalha de Aljubarrota, em 14 de agosto de 1385, uma das mais importantes da Idade Média, quando lutam ao lado das forças de Dom João I, rei de Portugal, contra o rei João I de Castela, fruto do Tratado Anglo-Português, de 1373, que cria a mais antiga aliança militar existente até hoje.

A aliança é consolidada pelo Tratado de Windsor, de 9 de maio de 1386, e o casamento de Dom João I, fundador de Dinastia de Avis, com Dona Filipa de Lancaster, filha de João de Gante e neta de Eduardo III da Inglaterra. 

Mãe do infante Dom Henrique, Dona Filipa é chamada de "divino ventre do império, madrinha de Portugal" pelo poeta Fernando Pessoa. Ela morre de peste bubônica em 19 de julho de 1415, seis dias antes da partida da expedição que toma Ceuta, no Marrocos, em 21 e 22 de agosto, marco inicial do Império Português, que acaba no fim de 1999 com a devolução de Macau à China..

JOANA D'ARC SE APROXIMA DE PARIS

    Em 1429, durante a Guerra dos Cem Anos (1337-1453), na campanha para expulsar os ingleses da França, Joana d'Arc chega aos arredores de Paris, mas a ofensiva fracassa.

Joana d'Arc nasce em 1412 em Donrémy, no Nordeste da Franca, numa família camponesa e alega ter visões de São Miguel, Santa Catarina e Santa Margarida que a inspiram a se unir ao exército de Carlos VI para livrar a França do domínio da Inglaterra. Vira uma heroína ao entrar em combate no Cerco de Orleans, de 12 de outubro de 1428 a 8 de maio de 1429, a primeira grande vitória francesa depois da derrota na Batalha de Agincourt, em 25 de outubro de 1415.

A França obtém outras vitórias, mas o Cerco de Paris, de 3 a 8 de setembro, fracassa. Em 23 de maio de 1430, Joana d'Arc é capturada pelas forças de João, Duque de Borgonha, aliado da Inglaterra. É julgada pelo bispo Pierre Cauchon, que faz acusações de cunho religioso e a condena à morte na fogueira como uma bruxa.

Na História dos Povos da Língua Inglesa, o primeiro-ministro britânico Winston Churchill considera um grande erro a execução na fogueira, em Ruan, em 30 de maio de 1341, que a transforma em mártir. Em 1456, um Tribunal da Inquisição autorizado pelo papa Calisto III a proclama inocente e mártir da Igreja.

Depois da Reforma Protestante, no século 16, Joana d'Arc vira um símbolo da Igreja Católica. Por decisão de Napoleão Bonaparte, em 1803, torna-se um símbolo nacional de França. É beatificada em 1909 e declarada Santa Joana d'Arc em 1920. Hoje é a heroína cultuada pela extrema direita francesa.

REBELIÃO DO UÍSQUE 

    Em 1794, o presidente George Washington escreve ao governador da Virgínia, Henry Lee, um ex-general, para avisar que vai enfrentar a Rebelião do Uísque (1791-94), o primeiro desafio ao governo federal dos Estados Unidos, por temer que “abale os alicerces” da República.

A Rebelião do Uísque é fruto do descontentamento dos produtores de grãos com os impostos federais cobrados sobre bebidas destiladas. Quando os ruralistas ameaçam fisicamente os coletores de impostos federais, o governo apela à Justiça.

Em agosto de 1974, 6 mil rebeldes se reunem num campo perto de Pittsburgh, na Pensilvânia, com guilhotinas falsas e desafiam o governo a dispersá-los. No dia 7, Washington encarrega o secretário do Tesouro, Alexander Hamilton, seu ajudante de ordens na Guerra da Independência dos EUA (1775-83), de organizar uma força para subjugar os insurgentes.

Aos 62 anos, Washington monta num cavalo à frente de uma tropa de 13 mil homens, tornando-se o único presidente dos EUA a comandar uma força militar no campo de batalha, em 30 de setembro de 1794. Logo, cede o comando a Hamilton.

Diante das tropas federais, os rebeldes se dispersam. Não há derramamento de sangue. Ao prestar contas ao Congresso, Washington admite que reprimir a revolta foi uma decisão angustiante. Ele declara ser a favor do direito do cidadão de protestar contra impostos que considere injustos, uma das causas da Guerra da Independência, mas teme pela jovem democracia.

A revolta revela uma divisão em Washington entre defensores dos direitos dos agricultores, como os futuros presidentes Thomas Jefferson e James Madison, e defensores dos interesses urbanos e industriais, como Hamilton e John Adams.

VOTO FEMININO

    Em 1920, com a ratificação por 75% dos estados, a Emenda nº 19 é incorporada à Constituição dos Estados Unidos dando o direito de voto às mulheres depois de 70 anos de luta do movimento das sufragistas.

O texto é simples e direto: "O direito de voto dos cidadãos dos Estados Unidos não será negado ou cerceado em nenhum Estado em razão do sexo. O Congresso terá competência para, mediante legislação adequada, executar este artigo." 

As mulheres passam a votar e exercer cargos públicos, mas vários estados aprovam leis discriminatórias. As mulheres negras só conquistam definitivamente este direito com a aprovação da Lei dos Direitos de Voto, sancionada pelo presidente Lyndon Johnson em 6 de agosto 1965.

PAPA SORRISO

    Em 1978, o conclave do Sacro Colégio Cardinalício elege em terceira votação o cardeal Albino Luciani como novo papa. Ele é o primeiro chefe da Igreja Católica a adotar um nome duplo, João Paulo I, em homenagem a seus antecessores, João XXIII e Paulo VI. Mas seu papado dura apenas 33 dias e termina com uma morte suspeita, em 28 de setembro.

Luciani nasce em Forno di Canale, no Norte da Itália, em 17 de outubro de 1912. O pai, Giovanni, socialista, é obrigado a procurar emprego fora da Itália durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18). O futuro papa decide entrar para a Igreja aos 10 anos, quando um frade vai a sua aldeia na Quaresma pregar sermões.

O pai concorda e aconselha: "Espero que quando sacerdote estejas ao lado dos trabalhadores, porque o próprio Cristo estaria." Ele é ordenado padre em 7 de julho de 1935 e vira pároco de sua cidade natal antes de tornar, em 1937, professor e vice-reitor do seminário de Belluno. Em 1941, começa o Doutorado em Teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana.

Luciani é nomeado bispo por João XXIII e participa do Concílio Vaticano II (1962-65), que moderniza a Igreja Católica, permite que a missa seja rezada nas línguas nacionais, e não apenas em latim, aceita a liberdade religiosa e o ecumenismo, com tolerância aos não cristãos. Estas reformas levam ao desenvolvimento, na América Latina, da Teologia da Libertação, da opção preferencial pelos pobres

É Patriarca de Veneza quando é eleito papa vencendo o ultraconservador Giuseppe Siri, considerado favorito, por 99 a 11. É o primeiro papa que recusa uma cerimônia formal de coroação.

Numa premonição da morte, teria dito: "Alguém mais forte do que eu e que merecia estar neste lugar estava sentado na minha frente durante o conclave." Era o cardeal polonês Karol Woytila, arcebispo de Varsóvia, que seria o papa João Paulo II. "Ele virá porque eu me vou."

João Paulo II, um conservador, é um personagem importante na luta contra o comunismo na Europa Oriental no fim da Guerra Fria. Quando criticado pela Santa Sé, o ditador soviético Josef Stalin desprezou o poder da Igreja com a frase: "Quantas divisões tem o Vaticano?" Mas, ao olhar a multidão que recebe João Paulo II na Polônia em 1989, o presidente norte-americano Ronald Reagan vê um aliado.

Na noite de 27 de setembro de 1978, João Paulo I sente fortes dores no peito, mas não chama o médico. Na manhã seguinte, está morto por um ataque cardíaco. Como era filho de socialista, tinha dito "onde está Lenin também está Jerusalém" e não houve autópsia, surgem teorias conspiratórias sobre sua morte.

No livro Em Nome de Deus, de 1984, o jornalista britânico David Yallop afirma que é morto por estar prestes a descobrir escândalos financeiros que realmente houve no Instituto de Obras Religiosas, o banco do Vaticano, chefiado pelo arcebispo norte-americano Paul Marcinkus. Outro envolvido no escândalo é Roberto Calvi, diretor do Banco Ambrosiano, é encontrado enforcado numa ponte de Londres. Também é suspeito Licio Gelli, mafioso da loja maçônica P2.

Quando investiga a morte do papa, Yallop é alvo de um atentado a bomba que mata seu motorista e lhe tira o paladar. Em 1987, outro jornalista britânico, John Cornwell, supostamente ligado à Cúria Romana, refuta esta tese no livro Um Ladrão na Noite

Quarenta anos depois da morte, em suas memórias, o mafioso italiano Antoni Raimondi, sobrinho de Lucky Luciano, afirma que matou o Papa Breve. Teria ficado na porta do quarto do papa enquanto Marcinkus aplicava o veneno. O papa Francisco beatifica João Paulo I em 4 de setembro de 2022.

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terça-feira, 25 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 25 de Agosto

CONCÍLIO DE NICEIA

    Em 325, o Concílio de Niceia, a primeira reunião de cúpula da Igreja Católica para discutir os princípios da fé, termina com o estabelecimento da Doutrina da Santíssima Trindade (pai, filho e espírito santo).

O concílio, convocado em maio pelo imperador Constantino, o primeiro a seguir o cristianismo como religião, declara ser heresia colocar Jesus Cristo como uma figura menor do que Deus.

Arius, um sacerdote de Alexandria, no Egito, questiona a divindade de Cristo porque ele nasceu. Sua história tem um começo, enquanto Deus é eterno. O debate teológico sai da academia e se espalha por todas as congregações da Igreja.

Constantino, então, convoca bispos de todo o império para resolver o problema. O imperador preside à cerimônia de abertura do concílio, realizado na Niceia, hoje parte da Turquia. A Doutrina da Santíssima Trindade resolve o debate teológico.

PRIMEIRA TRAVESSIA DA MANCHA A NADO

    Em 1875, Matthew Webb, um capitão de navio da marinha mercante de 27 anos, torna-se o primeiro homem a atravessar a nado o Canal da Mancha, de 45 quilômetros, de Dover, na Inglaterra, a Calais, na França.

Com o mar revolto e as correntes marinhas, ele é obrigado a nadar mais de 60 quilômetros. Cruza o canal em 21 horas e 45 minutos.

De uma família com 12 filhos, Webb aprende a nadar no Rio Severn. Aos 12 anos, entra para a marinha mercante. Nas viagens pelo mundo, costumava dar nadadas de risco. Não é rápido, mas tem grande resistência.

Para se acostumar ao mar frio e atravessar a Mancha, treina distâncias de 20 a 30 quilômetros na costa da Inglaterra.

Webb sai do Pier do Almirantado, em Dover, no dia 24 de agosto com o corpo untado de gordura e um traje de seda vermelho. Barcos que o acompanham dão, chá, licor e outros líquidos para o atleta amador. 

Quando ele está a cerca de 10 km da costa da França, a maré vira e o empurra para trás, Mas às 11h,  ele chega em terra. Depois de dormir 12 horas na França, volta de navio para o Reino Unido.

MORTE DE NIETZSCHE

    Em 1900, morre o filósofo, acadêmico, crítico cultural, poeta e compositor alemão Friedrich Nietzsche, um dos pensadores mais importantes da história.

Friedrich Wilhelm Nietzsche nasce em Röcken, na Prússia, em 15 de outubro de 1844. Começa sua carreira como filólogo clássico estudando o grego e o latim antes de virar filósofo.

Seus livros criticam ferozmente a religião, a moral, a cultura, a filosofia e a ciência com abundância de metáforas, ironias e aforismos. As ideias centrais incluem a crítica à dicotomia apolínea-dionisíaca, a vontade de poder, o super-homem, o eterno retorno e a morte de Deus.

Ateu, Niezsche afirma que o homem é um ser tão arrogante que cria Deus a sua imagem e semelhança, quando a Bíblia diz que Deus criou o homem a sua imagem e semelhança.

Aos 44 anos, em 1889, sofre um colapso e perde suas capacidades mentais. Passa o fim da vida sob os cuidados da mãe e de uma irmã.

ALEMANHA QUEIMA LOUVAIN

    Em 1914, no início da Primeira Guerra Mundial (1914-18), o Exército da Alemanha queima e saqueia durante quatro dias a cidade belga de Louvain, matando centenas de civis, numa amostra da violência de sua máquina de guerra.

Nos primeiros dias da guerra, a Alemanha viola a neutralidade da Bélgica e invade este país a caminho de atacar a França. A Universidade de Louvain, de 1426, e sua biblioteca são incendiadas, sob protestos internacionais,

LIBERTAÇÃO DE PARIS

     Em 1944, depois de mais de quatro anos de ocupação nazista, a 2ª Divisão Blindada do Exército da França e a 4ª Divisão de Infantaria do Exército dos Estados Unidos libertam Paris.

A cidade é tomada em 14 de junho de 1940, um mês depois da invasão da França pela Alemanha Nazista. Oito dias depois, é firmado um armistício, por exigência do ditador nazista Adolf Hitler no mesmo vagão onde a Alemanha assinara a rendição no fim da Primeira Guerra Mundial (1914-18). É um sinal de que Hitler vê uma guerra como a continuação da outra. Desta rendição, surge o regime fantoche colaboracionista de Vichy. Do exílio em Londres, o general Charles de Gaulle lidera a França Livre.

A 2ª Divisão Blindada da França é criada em 1943 com o propósito de libertar Paris depois da Invasão da Normandia, quando é colocada sob o comando do general George Patton, do 3º Exército dos EUA

A resistência alemã é fraca e o comandante militar nazista, general Dietrich von Choltitz, não segue a ordem de Hitler para incendiar a cidade e destruir seus marcos históricos. Em sua biografia, Choltitz tenta levar o crédito por salvar Paris, mas talvez não tivesse mais poder para arrasar a magnífica capital da França.

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sábado, 22 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 22 de Agosto

BATALHA DE BOSWORTH

    Em 1485, na última grande batalha da Guerra das Duas Rosas (1455-85), Henrique Tudor, Conde de Richmond, vence o rei yorkista Ricardo III, que morre no campo de Bosworth, e é coroado rei da Inglaterra como Henrique VII.

A Guerra das Duas Rosas é uma luta pelo poder travada na Inglaterra pelos descendentes do rei Eduardo III (1327-77), pelas dinastias de Lancaster (rosa vermelha) e de York (rosa branca), alimentada pelas ideias do Renascimento na Itália e pela violência herdada da Guerra dos Cem Anos (1337-1453).

A Dinastia de Lancaster ascende ao trono quando Henrique de Bolinbroke invade o país em 1399 e depõe Ricardo II (1377-99), sucessor de Eduardo III, tornando-se o rei Henrique IV (1399-1413), e continua sob Henrique V (1413-22) e Henrique VI (1422-61 e 1470-71).

A guerra começa no reinado de Henrique VI, um rei inseguro, manipulado pela mulher, Margaret de Anjou, a Loba da França. Isto leva parte da nobreza a conspirar para levar a Dinastia de York de volta ao trono. 

Em 1453, abalado por uma depressão, ele indica Ricardo, Duque de York, como sucessor. Quando se sente melhor, em 1455, retira todos os cargos de Ricardo de York, o que provoca o início do conflito. 

Os yorkistas vencem as forças reais na Primeira Batalha de Saint Albans, em 1455, e conquistam Londres em 4 de março de 1461, depois da Batalha de Mortimer's Cross. Derrubam Henrique VI, preso na Torre de Londres, e o substituem pelo primo Eduardo de York, o rei Eduardo IV. 

Em 30 de outubro de 1470, Henrique VI é libertado e reassume o trono, mas não por muito tempo. Com o apoio de Carlos I, de Borgonha, também conhecido como Carlos, o Audaz, ou Carlos, o Temerário, Eduardo IV recupera a coroa depois da Batalha de Tewkesbury, em 4 de maio de 1471, onde morre o príncipe de Gales, Eduardo de Westminster, deixando a Dinastia de Lancaster sem sucessor.

Eduardo IV reina em relativa paz até a morte, em 9 de abril de 1483. Seu filho Eduardo V, de 12 anos, reina por 78 dias até ser deposto pelo tio, Ricardo III, que era o Lorde Protetor dos dois principezinhos, Eduardo V e o irmão, Ricardo, desaparecidos e provavelmente mortos na Torre de Londres.

O desaparecimento dos principezinhos alimenta a revolta contra Ricardo III e a Dinastia de Lancaster apoia os Tudor contra ele. Em 1485, Henrique Tudor sai da Bretanha e invade a Inglaterra com 5 mil soldados. Mesmo tendo um exército duas vezes maior, os yorkistas perdem a Batalha de Bosworth. Ricardo III morre. 

A famosa frase "Um cavalo! Um cavalo! Meu reino por um cavalo!" não é dita por Ricardo III. É criada por William Shakespeare para a peça teatral A Vida e Morte do Rei Ricardo III.

Para acabar com a guerra, Henrique VII (1485-1509) se casa com Elizabeth de York.

É o fim da Idade Média na Inglaterra e o início da poderosa Dinastia Tudor, que governaria o país até 1603, com o próprio Henrique VII, Henrique VIII (1509-47), que rompe com a Igreja Católica e funda a Igreja da Inglaterra para se divorciar porque queria ter um filho homem para evitar novas guerras pelo trono, Eduardo VI (1547-53), Maria I (1553-58) e Elizabeth I (1558-1603), período em que começa a construção do Império Britânico.

Ao romper com o Vaticano e fundar a Igreja Anglicana, Henrique VIII divide o país entre católicos e protestantes, o que deflagra uma guerra entre suas filhas Maria I, católica, filha de Fernando II de Aragão e Isabel I, de Castela, os reis católicos da Espanha, e a Elizabeth I, protestante, filha de Ana Bolena, a segunda das seis mulheres de Henrique VIII.

A rivalidade entre Maria I e Elizabeth I gera os conflitos religiosos que causam a longa Guerra Civil Inglesa (1630-89). A guerra só termina com a Revolução Gloriosa (1688-89), que estabelece a supremacia do Parlamento. Entre outras coisas, a Declaração de Direitos proíbe o rei de aumentar impostos e declarar guerra sem o consentimento do Parlamento, e até mesmo de manter um exército permanente.

FUNDAÇÃO DA CRUZ VERMELHA

    Em 1864, na Suíça, 12 países adotam a Convenção de Genebra para Melhorar a Condição dos Feridos e Doentes de Exércitos no Campo de Batalha e criam a Cruz Vermelha Internacional.

A fundação da Cruz Vermelha é uma resposta à violência da Batalha de Solferino, um combate decisivo na Segunda Guerra da Independência da Itália, travada em 24 de junho de 1859, que termina com a vitória da França de imperador Napoleão III, aliado a um exército da Sardenha e do Piemonte, sobre a Áustria do imperador Francisco José I.

Cerca de 300 mil soldados lutaram na Batalha de Solferino, a maior desde a Batalha de Leipzig, de 16 a 19 de outubro de 1813, quando uma aliança da Aústria, Prússia, Rússia e Suécia vence o Grande Exército de Napoleão Bonaparte, a maior das guerras napoleônicas e da Europa antes da Primeira Guerra Mundial (1914-18). Cerca de 560 mil homens lutam em Leipzig com 2,2 mil peças de artilharia que fazem 133 mil disparos e deixam 133 mil mortos e feridos.

Ao percorrer o campo de batalha em Solferino, no Reino da Lombardia e Veneza, hoje parte da Itália, e testemunhar o sofrimento dos feridos em combate, o suíço Jean-Henri Dunant escreve o livro Uma Memória de Solferino e inicia uma campanha para criar uma organização capaz de proteger as vítimas da guerra. 

As demais Convenções de Genebra são aprovadas em 1949, depois dos horrores da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

MICHAEL COLLINS ASSASSINADO

    Em 1922, o líder revolucionário Michael Collins, político do partido Sinn Féin e herói da independência da Irlanda do Reino Unido, é morto em emboscada no condado de Cork, no Oeste da Irlanda.

Collins nasce em 16 de outubro de 1890 em Woodfield, no condado de Cork, então parte do Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda. Em 1906, ele vai para Londres, onde trabalha como funcionário do Banco de Poupança do Correio. Volta em janeiro de 1916 para a Irlanda e luta na Revolta da Páscoa, em abril do mesmo ano. É preso e libertado em dezembro.

Logo, ascende na hierarquia dos Voluntários Irlandeses e no Sinn Féin (Nós Mesmos). Em 1918, é eleito deputado pelo distrito de Cork Sul. Os deputados do Sinn Féin, que conquistam uma grande vitória nas eleições na Irlanda, formam em janeiro de 1919 um parlamento irlandês, o Primeiro Dáil, e declaram a independência da Irlanda. 

Na primeira sessão, em 21 de janeiro, o Primeiro Dáil proclama a independência e deflagra a Guerra Anglo-Irlandesa, a Guerra de Independência da Irlanda, que vai até 11 de julho de 1921. Collins é nomeado ministro das Finanças.

Durante a guerra, Collins é diretor de inteligência do Exército Republicano Irlandês (IRA), general adjunto dos Voluntários Irlandeses e o principal responsável pela estratégia de guerrilha. Depois do cessar-fogo, é um dos cinco enviados pelo presidente irlandês, Éamon de Valera, para negociar a paz com o Reino Unido.

O tratado de paz, assinado em 6 de dezembro de 1921, cria o Estado Livre Irlandês em 26 dos 32 condados da Irlanda. Os outros seis, parte da província do Úlster, formam a Irlanda do Norte, que continua sendo parte do Reino Unido. Mas o acordo depende de um juramento de lealdade à coroa, o que desagrada aos revolucionários. 

Michael Collins considera uma concessão aceitável para garantir a independência e consegue obter a aprovação do parlamento irlandês em 7 de janeiro de 1922, pondo fim a oito séculos de dominação inglesa. Em 16 de janeiro, ele se torna chefe do governo provisório. Secretamente, apoia uma ofensiva do IRA na Irlanda do Norte.

Quando estoura a Guerra Civil Irlandesa, em 28 de junho de 1922, Collins é o líder do Exército Nacional. Em 22 de agosto, morre numa emboscada dos inimigos do tratado de paz.

LUTA CONTRA RACISMO NO ESPORTE

    Em 1950, a tenista Althea Gibson é a primeira pessoa de origem africana a ser aceita pela Associação de Tênis na Grama dos Estados Unidos para disputar o Torneio de Forest Hills, que no futuro evolui para Aberto dos EUA. É a primeira tenista negra a ganhar os torneios de Roland Garros, na França, em 1956, de Wimbledon, na Inglaterra, e de Forest Hills, em 1957.

Althea Gibson nasce no Condado de Clarendon, na Carolilna do Sul, em 25 de agosto de 1927. Seus pais são meeiros numa plantação de algodão. Podem cultivar uma pequena parte das terras de um fazendeiro em troca de trabalhar na colheita.

Com a Grande Depressão (1929-39), as fazendas do Sul são duramente atingidas. Em 1930, como parte da Grande Migração, a família se muda para o bairro negro do Harlem, em Nova York. Ela larga a escola aos 13 anos. Encara a dura vida das ruas com técnicas de boxe que aprende com o pai e joga basquete. Para escapar da violência do pai, passa algum tempo num educandário católico para crianças vítimas de abuso.

Em 1940, tem as primeiras aulas de tênis, mas a princípio não gosta do esporte: "Queria brigar com a outra jogadora todas as vezes que começava a perder uma partida." No ano seguinte, entra no seu primeiro torneio e ganha o Campeonato Estadual de Nova York da Associação Americana de Tênis. Em 1944 e 1945, vence os campeonatos nacionais para meninas. 

Em 1947, ganha o primeiro de 10 títulos nacionais para mulheres, mas só em 1950, aos 23 anos, é convidada para Forest Hills. No ano seguinte, ganha o primeiro torneio internacional, o Campeonato Caribenho, na Jamaica, e é a primeira pessoa negra a disputar o Campeonato de Wimbledon, onde nunca é admitida como sócia.

Ela ganha três dos quatro torneios do Grand Slam, conquista um total de cinco títulos de simples e cinco de duplas e quatro de vice-campeã dos torneios mais importantes do mundo. Com a brasileira Maria Esther Buenos como parceira, vence Wimbledon e é vice em Forest Hills em 1958. 

No mesmo ano, se torna profissional. Em 1964, aos 37 anos, é a primeira mulher negra aceita na Associação Profissional de Golfe para Mulheres. Mais tarde, é treinadora das irmãs Serena e Venus Williams.

SANDINISTAS TOMAM PALÁCIO NACIONAL

    Em 1978, durante a guerra contra a ditadura de Anastasio Somoza Debayle, um grupo de 26 guerrilheiros da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) toma o Palácio Nacional, em Manágua, sede da Assembleia Nacional da Nicarágua. Sob o comando de Edén Pastora, o Comandante Zero, faz cerca de mil reféns, inclusive 49 deputados, e exige a libertação de todos os presos políticos.

O movimento guerrilheiro é inspirado em Augusto César Sandino, o "general de homens livres", que resiste durante seis anos a uma intervenção militar dos Estados Unidos iniciada em 1912, dentro da Guerra das Bananas.

Os fuzileiros navais norte-americanos deixam o país em 1933. No ano seguinte, durante as negociações de paz, Anastasio Somoza García ordena o assassinato de Sandino, em 21 de fevereiro de 1934. Seus seguidores são fuzilados.

O ditador se torna oficialmente presidente da Nicarágua em 1º de janeiro de 1937. Governa até ser assassinado em 29 de setembro de 1956 pelo poeta Rigoberto López Pérez, numa ação de que participam Carlos Fonseca Amador e Tomás Borge Martínez, futuros comandantes da FSLN.. 

Somoza García é sucedido pelo filho Luis Somoza Debayle, ditador até a morte por ataque cardíaco em 13 de abril de 1967. Durante seu governo, permite que rebeldes cubanos apoiados pelos EUA usem o porto de Porto Cabeças para a invasão da Baía dos Porcos, em Cuba, em abril de 1961, derrotada por Fidel Castro.

A FSLN é fundada em 19 de julho de 1961, sob inspiração da Revolução Cubana, que toma o poder em Havana em 1º de janeiro de 1959, antes da posse de Anastasio Somoza Debayle, em 1º de maio de 1967.

Nos anos 1970, os sandinistas conquistam amplo apoio popular, de setores econômicos e da Igreja Católica e intensificam a atividade guerrilheira. O comandante Carlos Fonseca morre em 8 de novembro de 1976.

Um marco da Revolução Sandinista é a morte, em 10 de janeiro de 1978, do jornalista Pedro Joaquín Chamorro, visto como o principal líder da oposição capaz de assumir a Presidência da Nicarágua. A tomada espetacular do Palácio Nacional é outro momento-chave, com a libertação de presos políticos e a divulgação de manifestos.

Em março de 1979, a FSLN convoca uma greve geral e lança a ofensiva final. Somoza foge em 17 de julho e os sandinistas tomam Manágua em 19 de julho. O ditador foge para o Paraguai, onde é morto por um bazucaço em 17 de setembro de 1980.

Com a vitória da revolução, toma o poder uma junta de nove comandantes e Daniel Ortega se torna presidente até 25 de abril de 1990, depois de perder uma eleição para Violeta Chamorro, a mulher de Pedro Joaquín Chamorro, em 26 de fevereiro de 1990.

Ortega volta ao poder em 2007 com apoio do ex-presidente Arnoldo Alemán, um somozista, e governa até hoje, assumindo poderes ditatoriais. Em 2018, esmaga uma revolta popular iniciada com protestos contra uma reforma da previdência, com total de mortes estimado entre 325 e 568.

Depois de prender os principais candidatos da oposição, Ortega, o novo Somoza, é reeleito em 2021. Em 9 de fevereiro de 2023, a ditadura liberta e expulsa 222 oposicionistas. Dentro de sua guerra contra a Igreja Católica, em 15 de agosto, fecha a Universidade Centro-Americana, uma instituição dos jesuítas, acusando-a de ser um antro de terroristas.

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