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terça-feira, 22 de setembro de 2026

Hoje na História do Mundo: 22 de Setembro

ESPIÃO ENFORCADO

    Em 1776, o revolucionário norte-americano Nathan Hale morre na forca sob a acusação de traição um dia depois de ser preso pelos britânicos durante a Guerra da Independência dos Estados Unidos (1775-83).

Hale nasce em 6 de junho de 1755 em Coventry, em Connecticut. Ele estuda na Universidade de Yale e se torna professor. Em 1775, entra para um regimento em Connecticut. Serve no cerco de Boston e é promovido a capitão.

Nathan Hale vai para Nova York com a brigada de William Heath e participa da captura de um navio de suprimentos. Depois de penetrar as linhas britânicas em Long Island, é preso em 21 de setembro de 1776 ao tentar voltar para seu regimento e executado sumariamente no dia seguinte.

Herói e mártir da independência, declara antes de morrer: "Só lamento ter apenas uma vida para dar pelo meu país."

ABOLIÇÃO NOS EUA

    Em 1862, o presidente Abraham Lincoln anuncia que fez um projeto de Declaração de Emancipação para acabar com a escravatura nos Estados Unidos e reorienta a Guerra da Secessão (1861-65) para uma luta contra a escravidão.

O objetivo inicial do presidente é defender a União, a unidade nacional, contra o separatismo dos 11 Estados Confederados da América, que querem dividir o país para manter a escravidão

Lincoln faz a Declaração de Emancipação em 1º de janeiro de 1863, libertando os escravos dos estados do Sul na expectativa de que se juntem às forças da União, o que acontece em grande escala. Mas o Congresso só aprova a Emenda nº 13 à Constituição dos EUA, que acaba com a escravatura, em janeiro de 1865. 

O comandante militar do Sul, general Robert Lee, se rende ao comandante militar do Norte, general Ulysses Grant, em 9 de abril de 1865, mas a notícia só chega a Galveston, no Texas, em 19 de junho, dia em que os norte-americanos comemoram o fim da escravidão. 

Para entrar em vigor, uma emenda constitucional nos EUA  precisa ser aprovada por dois terços da Câmara e do Senado, e ratificada por pelo menos três quartos dos estados. A Emenda nº 13 entra em vigor em 6 de dezembro de 1865. 

Seu texto diz que "nem a escravidão nem a servidão involuntária, exceto como punição por crime pelo qual a parte tenha sido devidamente condenada, deve existir dentro dos EUA ou em qualquer lugar sob sua jurisdição."

FORD ESCAPA DE ATENTADO

    Em 1975, Sara Jane Moore aponta uma arma para o presidente Gerald Ford quando ele sai do Hotel Saint Francis, em São Francisco, mas a arma é desviada por um popular, 17 dias depois que ele escapou de outra tentativa de assassinato, também de uma mulher, Lynette Fromme.

Ambas são perturbadas mentalmente. Logo, o Serviço Secreto prende Sara Moore, que é condenada e cumpre pena até receber liberdade condicional em 31 de dezembro de 2007.

GUERRA IRÃ-IRAQUE

    Em 1980, por ordem do ditador Saddam Hussein, o Iraque invade a província iraniana do Cuzistão, rica em petróleo, dando início à Guerra Irã-Iraque, dura oito anos e mata um milhão de muçulmanos.

Por causa da Revolução Islâmica liderada pelo aiatolá Ruhollah Khomeini no Irã, os Estados Unidos, a União Soviética e os países árabes apoiam o Iraque de Saddam Hussein, mas os iranianos resistem e o conflito termina num impasse.

Dentro da Guerra Irã-Iraque, há uma guerra dos petroleiros, quando os dois lados atacavam os navios-tanques do outro, e uma guerra das cidades, com intenso bombardeio de zonas urbanas. Em 20 de agosto de 1988, o aiatolá Khomeini aceita a proposta de cessar-fogo do Iraque. Os últimos prisioneiros de guerra são trocados em 2003.

Com a economia iraquiana arrasada pela guerra, Saddam pressiona os vizinhos Kuwait e Arábia Saudita, acusando-os de roubar petróleo de campos compartilhados, e invade o Kuwait em 2 de agosto de 1990. Os EUA reagem e, à frente de uma aliança militar de mais de 30 países, expulsam os iraquianos do Kuwait na Guerra do Golfo (1991).

SINDICATO SOLIDARIEDADE

    Em 1980, os delegados de 36 sindicatos de trabalhadores fundam, sob a liderança de Lech Walesa, o Solidariedade, o sindicato que virou partido e está no centro da luta pela democracia na Polônia.

O Solidariedade tem origem no Comitê de Defesa dos Trabalhadores (KOR), criado em 1976 depois de milhares de prisões de grevistas, para dar assistência às famílias dos presos, ajuda em saúde e educação e distribuir notícias clandestinamente. Em 1979, o KOR divulga a Carta dos Direitos dos Trabalhadores.

Em 1980, uma onda de greves tem o Estaleiro Lenin, em Gdansk, como centro. Um acordo com o governo, em 31 de agosto, dá o direito de criar sindicatos livres e independentes.

Com o golpe do general Wojciech Jaruzelski, em 13 de dezembro de 1981, o Solidariedade é proscrito até abril de 1989, quando sai da clandestinidade para conquistar a vitória sobre o regime comunista nas primeiras eleições democráticas no Bloco Soviético desde os anos 1940.

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terça-feira, 8 de setembro de 2026

Hoje na História do Mundo: 8 de Setembro

JOANA D'ARC ATACA PARIS

    Em 1429, durante a Guerra dos Cem Anos (1337-1453), Joana d'Arc, a maior heroína da história da França, tenta derrubar o Duque da Borgonha, aliado de Henrique VI, da Inglaterra, e tomar Paris para o recém-coroado rei Carlos VII.

O conflito entre França e Inglaterra tem origem na invasão normanda de Guillherme, o Conquistador, que conquista Londres em 1066. Seu reino ia da Normandia, no Norte da França, ao Sul da Inglaterra. Esta reivindicação de soberania de um país sobre o outro perdura séculos, até as guerras napoleônicas, quando o Reino Unido abre mão da soberania por medo de que Napoleão reivindique a coroa britânica.

A Guerra dos Cem Anos começa quando Eduardo III, da Inglaterra, reivindica a coroa francesa depois da morte de seu tio Carlos IV, da França. Em 1415, Henrique V, da Inglaterra, ganha a Batalha de Agincourt e conquista a coroa da França. É nesta fase que Joana d'Arc, uma jovem camponesa, entra em ação. 

Ela ganha fama no Cerco de Orleans, de 12 de outubro de 1428 a 8 de maio de 1429. Fica conhecida como a Donzela de Orleans. Chega a Saint-Denis, nos arredores de Paris, em 26 de agosto de 1429, e quer atacar a capital francesa. 

Carlos VII chega no dia 7 de setembro e o combate começa no dia seguinte, com ataques às portas de Saint-Honoré e Saint-Denis. Ela tenta retomar a ofensiva no dia 9, mas o rei ordena o recuo. A derrota em Paris reduz seu prestígio com a aristocracia francesa.

Joana d'Arc é capturada pelas forças de Borgonha em 23 de maio de 1430 e queimada na fogueira pelos ingleses em 30 de maio de 1431, o que o primeiro-ministro britânico Winston Churchill viria a considerar um grande erro porque a torna em mártir.

Na era napoleônica, ela passa a ser cultuada. É beatificada 1909 e vira Santa Joana d'Arc em 1920. Hoje é um ícone da extrema direita.

DAVID DE MICHELANGELO

    Em 1504, uma das esculturas mais famosas do mundo, o David, de Michelangelo Buonarroti, é apresentada ao público pela primeira vez, em Florença, na Itália.

Michelangelo Buonarroti nasce em 6 de março de 1475 em Caprese Michelangelo, no período da Renascença. Gênio das artes plásticas, vira pintor, poeta, escultor, anatomista e arquiteto. Entre seus grandes mecenas estão a família Medici, de Florença, e os papas. Suas obras mais famosas são as esculturas de David e a Pietà, e a pintura do teto da Capela Sistina, no Vaticano.

O David é esculpido em mármore de 1501 a 1504 e colocado na frente do Palazzo Vecchio (Palácio Velho). A obra original está hoje na Academia. Há cópias em duas praças de Florença.

NOVA AMSTERDÃ VIRA NOVA YORK

    Em 1664, o governador da Nova Holanda, Peter Stuyvesant, se rende em Nova Amsterdã para uma esquadra da Inglaterra sob o comando do coronel Richard Nicolls, que muda o nome da cidade para Nova York em homenagem ao Duque de York, o futuro rei Jaime II, que organizara a expedição.

A Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, a mesma que invade o Nordeste do Brasil compra em 1624 a ilha de Manhattan da tribo local pelo equivalente a 24 dólares para fundar Nova Amsterdã. Quando acaba a Segunda Invasão Holandesa no Brasil (1630-54), os judeus do Recife fogem para lá.

Com a expansão da Nova Holanda para o que hoje são parte de Long Island e dos estados de Connecticut e Nova Jérsei, há conflitos com os nativos. Em 1641, começa uma longa guerra entre os colonos e os índios Manhattan, com mais de mil mortos.

CERCO DE LENINGRADO

    Em 1941, a Alemanha Nazista começa o Cerco de Leningrado, hoje São Petersburgo, a segunda maior cidade da União Soviética, berço da Revolução Comunista. É um dos episódios marcantes da Segunda Guerra Mundial (1939-45). O cerco dura 872 dias (2 anos, 4 meses, 2 semanas e 5 dias) em que morrem pelo menos 800 mil, talvez 1 milhão de pessoas.

As forças alemãs recebem o apoio do Exército da Finlândia, que chega pelo istmo da Karélia, região que havia sido tomada pela URSS no início da guerra. Leningrado resiste com 200 mil soldados do Exército Vermelho.

No primeiro dia, os alemães bombardeiam os depósitos de comida para a cidade se render pela fome, que chega num inverno rigoroso, com temperaturas de menos 40 graus centígrados. As pessoas queimam móveis e livros para se aquecer. 

Com a escassez de comida, surge um mercado de carne humana. Os pais proíbem os filhos jovens de sair de casa. A polícia cria uma divisão de canibalismo.

Toda a população é convocada a erguer barreira nos limites da cidade para barrar o avanço do inimigo. No início de novembro, o cerco ao redor de São Petersburgo se fecha. O único acesso é pelo Lago Ladoga. A ração diária para os civis é reduzida a 125 gramas de pão por dia.

O Cerco de Leningrado dura até 27 de janeiro de 1944, quando o avanço do Exército Vermelho rompe as linhas alemãs. Depois do Holocausto, é considerado o pior caso de genocídio da Segunda Guerra Mundial.

ALTHEA GIBSON GANHA CAMPEONATO DOS EUA

    Em 1957, Althea Gibson é a primeira pessoa de origem africana a ganhar o Campeonato Nacional de Tênis dos Estados Unidos (hoje Torneio Aberto dos EUA), com a vitória por 2-0 (6-3, 6-2) sobre Louise Brough. Recebe o troféu do vice-president Richard Nixon.


Dois meses antes, Gibson se tornara a primeira pessoas de origem africana a vencer o Campeonato de Wimbledon, diante a rainha Elizabeth II. Um ano antes, ganhara na França como primeira tenista de origem africana a triunfar em torneio do Grand Slam.

Ao todo, ela ganha 11 torneios do Grand Slam, 5 de simples, de 5 de duplas femininas, inclusive ao lado da brasileira Maria Esther Bueno, e um de duplas mistas.

FORD PERDOA NIXON

    Em 1974, o presidente Gerald Ford (1974-77) perdoa o ex-presidente Richard Nixon (1969-74) por todos os crimes que possa ter cometido quando governava os Estados Unidos.


Nixon é vice-presidente de Dwight Eisenhower (1953-61) e perde a eleição de 1960 para John Kennedy. Com a desmoralização de Lyndon Johnson (1963-69), vice-presidente e sucessor de Kennedy, por causa da Guerra do Vietnã, chega a Casa Branca em 1969.

A invasão de sede do diretório nacional do Partido Democrata pelo grupo de encanadores da Casa Branca durante a campanha eleitoral, em 16 de junho de 1972, causa o Escândalo de Watergate. Nixon se reelege com facilidade, mas a descoberta do envolvimento direto do governo e as tentativas de obstruir a investigação levam à abertura de um processo de impeachment. Quando perde o apoio do Partido Republicano, renuncia, em 9 de agosto de 1974. É perdoado um mês depois.

Ford se justifica perante a Comissão de Justiça da Câmara dos Representantes com o argumento de que quer acabar com a divisão nacional em torno do Escândalo de Watergate.

Único presidente não eleito da história dos EUA, Ford preside a Câmara e se torna presidente quando o vice eleito com Nixon, Spiro Agnew, é afastado por corrupção.

Em 2001, Ford recebe o Prêmio Perfil de Coragem da Fundação Biblioteca John F. Kennedy por perdoar Nixon. Ao justificar o prêmio, a fundação declarou que Ford colocou o amor ao país acima da carreira política.

Depois de perder a eleição de 1976, Ford abandona a política. Morre aos 93 anos em 2006.

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sábado, 5 de setembro de 2026

Hoje na História do Mundo: 5 de Setembro

 CONGRESSO CONTINENTAL

    Em 1774, em resposta a leis coercitivas impostas pelo Parlamento Britânico aos colonos norte-americanos, o Congresso Continental se reúne na Filadélfia com 56 delegados de todas as colônias, menos da Geórgia, e redige um projeto de declaração de direitos.

A rebelião que leva à independência dos Estados Unidos começa em 1765, quando o Parlamento Britânico impõe a Lei do Selo, criando um imposto para financiar o exército colonial na América. As finanças do Reino Unido estão abaladas pela Guerra dos Sete Anos (1756-63), um conflito em quatro continentes entre os impérios britânico e francês, cada um com seus aliados. O Reino Unido vence.

Os colonos norte-americanos, que contribuem com recursos e vidas humanas para o esforço de guerra do Império Britânico, não aceitam os aumentos de impostos aprovados em Londres. A sessão do Primeiro Congresso Continental termina em 26 de outubro de 1774 com uma declaração de direitos dos colonos e ameaça de boicote econômico.

Seis meses depois, em 19 de abril de 1775, começa a Guerra da Independência (1775-83), com as batalhas de Lexington e Concord, na colônia de Massachusetts. Os britânicos atacam as duas cidades para confiscar as armas dos colonos e sufocar uma possível revolta. Ao contrário do pretendem, deflagram a guerra.

Por ironia da história, a Guerra dos Sete Anos também é uma causas da Revolução Francesa de 1789. A independência dos EUA é reconhecida pelo Tratado de Paris em 1783.

PERÍODO DO TERROR

    Em 1793, com exércitos hostis cercando a França, começa o Período do Terror da Revolução Francesa (1789-99), quando os jacobinos adotam medidas drásticas e fazem execuções em massa contra os supostos inimigos do novo regime, especialmente nobres e clérigos, que eles acreditam que possam apoiar as forças contrarrevolucionárias.

É a fase da Convenção Nacional (1792-95), a segunda da Revolução Francesa. Durante o Período do Terror, o Comitê de Salvação Pública, de 12 membros, liderado por Maximiliano Robespierre, exerce um poder ditatorial. Manda muito mais do que o rei durante a monarquia. 

Até a primavera de 1794, o comitê elimina os inimigos de esquerda, os hebertistas, e de direita, os indulgentes, liderados por George-Jacques Danton. Em 10 de junho de 1794, aprova uma lei que suspende os direitos a um julgamento público e de assistência jurídica. O júri passa a ter apenas duas opções: absolvição ou morte. Cerca de 1,4 mil pessoas são executadas sob esta lei.

O radicalismo leva à queda de Robespierre, o Incorruptível, em 27 de julho de 1794, marco do fim do Período do Terror. Ele é guihotinado no dia seguinte.

Ao todo, 16.594 pessoas são executadas depois de processos em tribunais revolucionários durante o Período do Terror, sendo 2.639 em Paris, inclusive a rainha Maria Antonieta, guilhotinada em 16 de outubro de 1793 na Praça da Concórdia. Entre 10 e 12 mil pessoas são executas sem julgamento, 10 mil morrem na prisão e outras em massacres promovidos por cidadãos. 

O total de mortes no Período do Terror pode chegar a 50 mil. Em toda a revolução, cerca de 100 mil pessoas são mortas.

MORTE DE CAVALO DOIDO

    Em 1877, um soldado do Exército dos Estados Unidos mata com uma baioneta em Forte Robinson, no estado de Nebraska, o cacique Cavalo Doido, grande líder da resistência da tribo sioux, que se nega a ser confinado numa prisão militar.


Depois do Massacre de Sand Creek, em 1864, os sioux da tribo lakota se juntam aos cheyennes. Em 2 de agosto de 1867, Cavalo Doido ataca Wagon Box Fight na guerra do chefe Nuvem Vermelha. Quando os mineiros de Black Hill desrespeitam o Tratado de Forte Laramie (1868) e matam o índio Pequeno Falcão, Touro Sentado e Cavalo Doido fazem o primeiro grande ataque ao Exército dos Estados Unidos na Batalha de Arrow Creek, em agosto de 1872.

Em 17 de junho de 1876, Cavalo Doido chefia 1,5 mil índios em ataque às forças do general George Crook, na Batalha de Rosebud. É o início da Guerra Sioux.

Um ano antes de sua morte, em 25 de junho de 1876, ao lado de Touro Sentado, Cavalo Doido lidera os indígenas na maior vitória dos nativos contra o Exército nas Guerras Indígenas dos EUA, quando o general George Custer ataca acampamentos indígenas na Batalha de Little Big Horn. Morrem 265 homens do 7º Regimento de Cavalaria, inclusive Custer.

A maior batalha contra a cavalaria acontece em 8 de janeiro de 1877, em Wolf Mountain, no estado de Montana. Com seu povo esgotado e faminto, Cavalo Doido se rende ao general Crook em 5 de maio de 1877. Morre numa suposta tentativa de fuga.

NA ESTRADA

    Em 1957, é lançado o livro On The Road (Na Estrada), do escritor norte-americano Jack Kerouac, um clássico da literatura beat.

É o segundo romance de Kerouac, considerado sua obra-prima. Mistura a filosofia da transgressão, lirismo, amor por viagens e pela estrada como universo da aventura, liberdade sexual e loucura induzida por drogas. Tem grande influência na contracultura dos anos 1960.

O livro autobiográfico relata as viagens de carro pelos Estados Unidos de Dean Moriarty (Neal Cassidy) e Sal Paradise (Jack Kerouac), com uma incursão ao México, numa prosa espontânea escrita num fluxo de consciência, entorpecido por benzedrina e café, em abril de 1951, em apenas três semanas. Para não trocar o papel da máquina, Kerouac escreve num rolo de telex.

Com tradução do jornalista e escritor Eduardo Bueno, o livro é publicado no Brasil com o ridículo nome de Pé na Estrada, exigência do editor Caio Graco Prado.

MASSACRE EM MUNIQUE

    Em 1972, durante a Olimpíada de Munique, terroristas do grupo palestino Setembro Negro atacam a delegação de Israel na vila olímpica, matam dois atletas e tomam outros nove como reféns.

Os sequestradores exigem a libertação de dois terroristas alemães e de 230 árabes detidos em prisões israelenses.

Num tiroteio no aeroporto de Munique, morrem os nove reféns israelenses, cinco terroristas palestinos e um policial alemão-ocidental. 

Depois de uma homenagem aos mortos, o Comitê Olímpico Internacional (COI) decide prosseguir com os Jogos para não dar uma vitória aos terroristas do grupo Setembro Negro, cujo nome evoca um massacre de palestinos na Jordânia em 1970, quando a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) tenta tomar o poder no país e é derrotada pelo rei Hussein.

FORD NA MIRA 

   Em 1975, Gerald Ford sobrevive a uma tentativa de assassinato quando agentes do serviço secreto dominam Lynette Fromme, uma mulher que puxa um revólver perto do presidente dos Estados Unidos, em Sacramento, a capital da Califórnia.

Fromme faz parte da gangue de Charles Manson, que matou a atriz Sharon Tate. Pega prisão perpétua.

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sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Hoje na História do Mundo: 17 de Outubro

AL CAPONE NA CADEIA

    Em 1931, o gângster Al Capone é sentenciado a 11 anos de prisão e multa de US$ 80 mil, no fim de uma carreira de crimes como o mafioso mais famoso da história dos Estados Unidos.

Filho de imigrantes italianos, Alphonse Gabriel Capone nasce no Brooklyn, em Nova York, em 1899. Expulso da escola aos 14 anos, entra para uma gangue e recebe o apelido de Scarface (Cicatriz na face) depois de sofrer um corte no queixo numa briga.

Em 1920, Capone se muda para Chicago, onde administra os negócios do mafioso Johnny Torrio, que incluem jogo, prostituição e contrabando de álcool durante a Lei Seca (1920-33). Quando Torrio deixa os negócios depois ser alvo de uma tentativa de homicídio, Capone toma conta a organização mafiosa.

A Lei Seca, que proíbe a fabricação, distribuição e venda de bebidas alcoólicas, cria um negócio clandestino que rende milhões de dólares de lucro para o crime organizado.

Ao eliminar seus adversários numa série de batalhas de gangues e assassinatos, entre eles o Massacre do Dia de São Valentin, em 14 de fevereiro de 1929, quando seus capangas matam sete rivais, Al Capone torna-se o poderoso chefão da máfia de Chicago.

Em 1930, Capone está no topo da lista de procurados pelo FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA, mas consegue ficar livre por subornar policiais, intimidar testemunhas e mudar de esconderijo.

Seu maior inimigo é o policial federal Elliot Ness, líder de um grupo de agentes conhecidos como Intocáveis. Eles acabam com o negócio de bebidas alcoólicas do chefão, mas só conseguem uma condenação por evasão fiscal.

Al Capone começa a cumprir pena numa penitenciária federal de Atlanta, na Geórgia. Sob suspeita de manipular o sistema, é transferido para a prisão de segurança máxima da Ilha de Alcatraz, em São Francisco da Califórnia.

Ele é solto em 1939 por bom comportamento depois de ficar um ano num hospital com sífilis e morre em 1947 aos 48 anos em Palm Islands, na Flórida, sem pagar por todos os seus crimes.

PERÓN VOLTA NOS BRAÇOS DO POVO

    Em 1945, nove dias depois de ser demitido e preso num golpe militar, sob intensa pressão popular liderada pelos sindicatos, o vice-presidente e ministro do Trabalho, coronel Juan Domingo Perón, reassume os cargos e faz seu primeiro discurso na sacada da Casa Rosada, sede do governo da República Argentina, diante de 300 mil pessoas, com transmissão de rádio para todo o país, ao lado de sua segunda mulher, María Eva Duarte de Perón, a Evita.

É o Dia da Lealdade, marco fundador do movimento peronista. Quatro meses depois, em 24 de fevereiro de 1946, Perón é eleito com 52,5% dos votos para um mandato de seis anos. Reeleito em 11 de novembro de 1951 com 62% dos votos, quando as mulheres votam pela primeira vez na Argentina, tem o mandato interrompido por um golpe militar em 16 de setembro de 1955.

Perón vai para o exílio e só volta em 20 de junho de 1973 para ser eleito para um terceiro mandato em 23 de setembro, tendo como vice sua terceira mulher, María Estela Martínez de Perón, a Isabelita. 

Ele toma posse em 12 de outubro e governa até a morte, em 1º de julho de 1974. Deixa o país no caos, à beira da guerra civil, com uma presidente fraca, derrubada pelo golpe de 24 de março de 1976, marco do início da guerra suja da ditadura militar contra as esquerdas, em que morrem 30 mil argentinos .

OPEP EMBARGA PETRÓLEO

    Em 1973, sob a liderança da Arábia Saudita, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) decide parar de exportar petróleo para os Estados Unidos e outros países que apoiaram Israel na Guerra do Yom Kippur, deflagrando a primeira crise do petróleo.

A proposta é reduzir a venda em 5% ao mês até a retirada total dos territórios árabes ocupados por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967: a Península do Sinai e a Faixa de Gaza, do Egito; a Cisjordânia, da Jordânia; e as Colinas do Golã, da Síria.

Em dezembro, a OPEP impõe um embargo total aos EUA e outros aliados de Israel, agravando a situação dos países dependentes do petróleo importado, inclusive o Brasil.

A OPEP é fundada em 1960 pela Arábia Saudita, o Irã, o Iraque, o Kuwait e a Venezuela para aumentar os preços do petróleo, mas tem pouca influência no preço, que fica entre 2 e 3 dólares por barril. Quando começa a Guerra do Yom Kippur, com uma invasão dos territórios ocupados por Israel no Egito e na Síria, a OPEP está reunida em Viena, na Áustria.

Os EUA, principais aliados de Israel, fazem então a maior ponte aérea militar da história. Entregam 22.325 toneladas de equipamento às forças israelenses no campo de batalha. O ditador do Egito, Anuar Sadat, desabafa: "Posso entrar em guerra contra Israel, mas não contra os EUA."

Com a vitória de Israel praticamente assegurada, os países árabes decidem usar o petróleo como arma de guerra. Em dezembro, impõem um embargo total aos EUA. Os preços do petróleo quadruplicam para US$ 12 por barril, causando escassez, racionamento e fila nos postos de gasolina.

Este aumento de preços viabiliza a exploração de petróleo no mar e a Petrobrás se torna uma das empresas mais eficientes na tecnologia de produção offshore. 

Mesmo assim, como o Brasil importa 75% do petróleo que consome, a crise do petróleo acaba com o modelo econômico da ditadura militar, com o milagre econômico que faz a economia do país crescer acima de 10% no início dos anos 1970, no período mais duro da repressão.

Em 1974, o ditador Ernesto Geisel anuncia a "distensão, lenta, gradual e segura", que leva ao fim do Ato Institucional nº 5 (AI-5) em 1978 e à anistia parcial em 1979.

A Revolução Islâmica no Irã, em fevereiro de 1979, gera uma segunda crise do petróleo. As sucessivas crises do petróleo estão na origem da hiperinflação brasileira, que só é debelada em 1994 com o Plano Real.

FORD EXPLICA PERDÃO A NIXON

    Em 1974, o presidente Gerald Ford justifica perante o Congresso a decisão de perdoar o ex-presidente Richard Nixon por quaisquer crimes cometidos no exercício da Presidência dos Estados Unidos.

Ao assumir a presidência em 9 de agosto de 1974, no dia da renúncia de Nixon, Ford declara que "o longo pesadelo nacional acabou". Fala do Escândalo de Watergate, uma invasão da sede do Partido Democrata em Washington pela equipe de encanadores da Casa Branca para instalar equipamentos de escuta durante a campanha eleitoral de 1972, que implicou o presidente e seus principais assessores.

Diante da iminência de um processo de impeachment por abuso de poder e obstrução de justiça, depois de perder o apoio do Partido Republicano quando gravações provam as tentativas de atrapalhar as investigações, Nixon renuncia, mas isso não acaba com os inquéritos abertos no Congresso, que podem resultar em processos criminais.

Ford é o único presidente não eleito numa chapa presidencial da história dos EUA. O vice-presidente Spiro Agnew havia renunciado em meio a escândalos de corrupção. Ford era o presidente da Câmara e, por isso, o primeiro na linha sucessória.

Um mês depois de assumir, em 8 de setembro, Ford perdoa Nixon. Ao se explicar, alega que é importante para pacificar o país e enterrar de vez Watergate, com o propósito de "mudar o foco nacional... para desviar nossa atenção de um presidente que caiu para as necessidades urgentes da nação".

"As paixões geradas" por um processo contra Nixon, acrescenta Ford, "perturbariam seriamente a cicatrização das feridas do passado".

O novo presidente afirma que, "em geral, o povo americano quer poupar o ex-presidente de um processo criminal" e que livrar Nixon "não vai causar o esquecimento do mal dos crimes cometidos em Watergate nem das lições que aprendemos."

TERREMOTO ABALA SÃO FRANCISCO

    Em 1989, o Terremoto de Loma Prieta, de 7,1 graus de magnitude na escala aberta de Richter, um dos mais destrutivos da história dos EUA, atinge a área da Baía de São Francisco, mata 67 pessoas e deixa prejuízos de US$ 5 bilhões.

São Francisco fica perto da Falha de Santo André, que corre ao longo da costa da Califórnia, no encontro das placas tectônicas do Pacífico e da América do Norte.

Uma das partidas das finais do campeonato nacional de beisebol dos EUA, entre San Francisco Giants e Oakland Athletics, está prestes a começar quando a terra treme, com epicentro nas Montanhas de Santa Cruz. O estádio de Candlestick Park resiste, mas o resto da cidade sofre.

Na Ponte da Baía, entre São Francisco e Oakland, e na Via Expressa Nimitz, uma pista desaba sobre a outra. Das 67 mortes, 41 ocorrem na Via Expressa Nimitz. A destruição também é grande em Watsonville, onde mais de 10% das casas são totalmente destruídas, Palo Alto e Daly City.

O terremoto contribui para a profunda recessão que atinge a Califórnia, uma das maiores economias do mundo, nos anos 1990. A cidade havia passado pelo Grande Terremoto de São Francisco, de 7,9 graus na escala Richter, em 18 de abril de 1906, quando mais de 3 mil pessoas morrem, 80% da cidade são arrasados e 225 mil ficam sem teto.

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segunda-feira, 22 de setembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 22 de Setembro

ESPIÃO ENFORCADO

    Em 1776, o revolucionário norte-americano Nathan Hale morre na forca sob a acusação de traição um dia depois de ser preso pelos britânicos durante a Guerra da Independência dos Estados Unidos (1775-83).

Hale nasce em 6 de junho de 1755 em Coventry, em Connecticut. Ele estuda na Universidade de Yale e se torna professor. Em 1775, entra para um regimento em Connecticut. Serve no cerco de Boston e é promovido a capitão.

Nathan Hale vai para Nova York com a brigada de William Heath e participa da captura de um navio de suprimentos. Depois de penetrar as linhas britânicas em Long Island, é preso em 21 de setembro de 1776 ao tentar voltar para seu regimento e executado sumariamente no dia seguinte.

Herói e mártir da independência, declara antes de morrer: "Só lamento ter apenas uma vida para dar pelo meu país."

ABOLIÇÃO NOS EUA

    Em 1862, o presidente Abraham Lincoln anuncia que fez um projeto de Declaração de Emancipação para acabar com a escravatura nos Estados Unidos e reorienta a Guerra da Secessão (1861-65) para uma luta contra a escravidão.

O objetivo inicial do presidente é defender a União, a unidade nacional contra o separatismo dos 11 Estados Confederados da América, que queriam dividir o país para manter a escravidão

Lincoln faz a Declaração de Emancipação em 1º de janeiro de 1863, libertando os escravos dos estados do Sul na expectativa de que se juntem às forças da União. Mas o Congresso só aprova a Emenda nº 13 à Constituição dos EUA, que acaba com a escravatura, em janeiro de 1865. 

O comandante militar do Sul, general Robert Lee, se rende ao comandante militar do Norte, general Ulysses Grant, em 9 de abril de 1865, mas a notícia só chega a Galveston, no Texas, em 19 de junho, dia em que os norte-americanos comemoram o fim da escravidão. 

Para entrar em vigor, uma emenda constitucional nos EUA  precisa ser ratificada por pelo menos três quartos dos estados. A Emenda nº 13 entra em vigor em 6 de dezembro de 1865. 

Seu texto diz que "nem a escravidão nem a servidão involuntária, exceto como punição por crime pelo qual a parte tenha sido devidamente condenada, deve existir dentro dos EUA ou em qualquer lugar sob sua jurisdição."

FORD ESCAPA DE ATENTADO

    Em 1975, Sara Jane Moore aponta uma arma para o presidente Gerald Ford quando ele sai do Hotel Saint Francis, em São Francisco, mas a arma é desviada por um popular, 17 dias depois que ele escapou de outra tentativa de assassinato, também de uma mulher, Lynette Fromme.

Ambas são perturbadas mentalmente. Logo, o Serviço Secreto prende Sara Moore, que é condenada e cumpre pena até receber liberdade condicional em 31 de dezembro de 2007.

GUERRA IRÃ-IRAQUE

    Em 1980, por ordem do ditador Saddam Hussein, o Iraque invade a província iraniana do Cuzistão, rica em petróleo, dando início à Guerra Irã-Iraque, dura oito anos e mata um milhão de muçulmanos.

Por causa da Revolução Islâmica liderada pelo aiatolá Ruhollah Khomeini no Irã, os Estados Unidos, a União Soviética e os países árabes apoiam o Iraque de Saddam Hussein, mas os iranianos resistem e o conflito termina num impasse.

Dentro da Guerra Irã-Iraque, há uma guerra dos petroleiros, quando os dois lados atacavam os navios-tanques do outro, e uma guerra das cidades, com intenso bombardeio de zonas urbanas. Em 20 de agosto de 1988, o aiatolá Khomeini aceita a proposta de cessar-fogo do Iraque. Os últimos prisioneiros de guerra são trocados em 2003.

Com a economia iraquiana arrasada pela guerra, Saddam pressiona os vizinhos Kuwait e Arábia Saudita, acusando-os de roubar petróleo de campos compartilhados, e invade o Kuwait em 2 de agosto de 1990. Os EUA reagem e, à frente de uma aliança militar de mais de 30 países, expulsam os iraquianos do Kuwait na Guerra do Golfo (1991).

SINDICATO SOLIDARIEDADE

    Em 1980, os delegados de 36 sindicatos de trabalhadores fundam, sob a liderança de Lech Walesa, o Solidariedade, o sindicato que virou partido e está no centro da luta pela democracia na Polônia.

O Solidariedade tem origem no Comitê de Defesa dos Trabalhadores (KOR), criado em 1976 depois de milhares de prisões de grevistas, para dar assistência às famílias dos presos, ajuda em saúde e educação e distribuir notícias clandestinamente. Em 1979, o KOR divulgou a Carta dos Direitos dos Trabalhadores.

Em 1980, uma onda de greves tem o Estaleiro Lenin, em Gdansk, como centro. Um acordo com o governo, em 31 de agosto, dá o direito de criar sindicatos livres e independentes.

Com o golpe do general Wojciech Jaruzelski, em 13 de dezembro de 1981, o Solidariedade é proscrito até abril de 1989, quando sai da clandestinidade para conquistar a vitória sobre o regime comunista nas primeiras eleições democráticas no Bloco Soviético desde os anos 1940. 

segunda-feira, 8 de setembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 8 de Setembro

 JOANA D'ARC ATACA PARIS

    Em 1429, durante a Guerra dos Cem Anos (1337-1453), Joana d'Arc, a maior heroína da história da França, tenta derrubar o Duque da Borgonha, aliado de Henrique VI, da Inglaterra, e tomar Paris para o recém-coroado rei Carlos VII.

O conflito entre França e Inglaterra tem origem na invasão normanda de Guillherme, o Conquistador, que conquista Londres em 1066. Seu reino ia da Normandia, no Norte da França, ao Sul da Inglaterra. Esta reivindicação de soberania de um país sobre o outro perdura séculos, até as guerras napoleônicas, quando o Reino Unido abre mão da soberania por medo de que Napoleão reivindique a coroa britânica.

A Guerra dos Cem Anos começa quando Eduardo III, da Inglaterra, reivindica a coroa francesa depois da morte de seu tio Carlos IV, da França. Em 1415, Henrique V, da Inglaterra, ganha a Batalha de Agincourt e conquista a coroa da França. É nesta fase que Joana d'Arc, uma jovem camponesa, entra em ação. 

Ela ganha fama no Cerco de Orleans, de 12 de outubro de 1428 a 8 de maio de 1429. Fica conhecida como a Donzela de Orleans. Chega a Saint-Denis, nos arredores de Paris, em 26 de agosto de 1429, e quer atacar a capital francesa. 

Carlos VII chega no dia 7 de setembro e o combate começa no dia seguinte, com ataques às portas de Saint-Honoré e Saint-Denis. Ela tenta retomar a ofensiva no dia 9, mas o rei ordena o recuo. A derrota em Paris reduz seu prestígio com a aristocracia francesa.

Joana d'Arc é capturada pelas forças de Borgonha em 23 de maio de 1430 e queimada na fogueira pelos ingleses em 30 de maio de 1431, o que o primeiro-ministro britânico Winston Churchill viria a considerar um grande erro porque a torna em mártir.

Na era napoleônica, ela passa a ser cultuada. É beatificada 1909 e vira Santa Joana d'Arc em 1920.

DAVID DE MICHELANGELO

    Em 1504, uma das esculturas mais famosas do mundo, o David, de Michelangelo Buonarroti, é apresentada ao público pela primeira vez, em Florença, na Itália.

Michelangelo Buonarroti nasce em 6 de março de 1475 em Caprese Michelangelo, no período da Renascença. Gênio das artes plásticas, vira pintor, poeta, escultor, anatomista e arquiteto. Entre seus grandes mecenas estão a família Medici, de Florença, e os papas. Suas obras mais famosas são as esculturas de David e a Pietà, e a pintura do teto da Capela Sistina, no Vaticano.

O David é esculpido em mármore de 1501 a 1504 e colocado na frente do Palazzo Vecchio (Palácio Velho). A obra original está hoje na Academia. Há cópias em duas praças de Florença.

NOVA AMSTERDÃ VIRA NOVA YORK

    Em 1664, o governador da Nova Holanda, Peter Stuyvesant, se rende em Nova Amsterdã para uma esquadra da Inglaterra sob o comando do coronel Richard Nicolls, que muda o nome da cidade para Nova York em homenagem ao Duque de York, o futuro rei Jaime II, que organizara a expedição.

A Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, a mesma que invade o Nordeste do Brasil compra em 1624 a ilha de Manhattan da tribo local pelo equivalente a 24 dólares para fundar Nova Amsterdã. Quando acaba a Segunda Invasão Holandesa no Brasil (1630-54), os judeus do Recife fogem para lá.

Com a expansão da Nova Holanda para o que hoje são parte de Long Island e dos estados de Connecticut e Nova Jérsei, há conflitos com os nativos. Em 1641, começa uma longa guerra entre os colonos e os índios Manhattan, com mais de mil mortos.

CERCO DE LENINGRADO

    Em 1941, a Alemanha Nazista começa o Cerco de Leningrado, hoje São Petersburgo, a segunda maior cidade da União Soviética, berço da Revolução Comunista. É um dos episódios marcantes da Segunda Guerra Mundial (1939-45). O cerco dura 872 dias (2 anos, 4 meses, 2 semanas e 5 dias) em que morrem pelo menos 800 mil, talvez 1 milhão de pessoas.

As forças alemãs recebem o apoio do Exército da Finlândia, que chega pelo istmo da Karélia, região que havia sido tomada pela URSS no início da guerra. Leningrado resiste com 200 mil soldados do Exército Vermelho.

No primeiro dia, os alemães bombardeiam os depósitos de comida para a cidade se render pela fome, que chega num inverno rigoroso, com temperaturas de menos 40 graus centígrados. As pessoas queimam móveis e livros para se aquecer. 

Com a escassez de comida, surge um mercado de carne humana. Os pais proíbem os filhos jovens de sair de casa. A polícia cria uma divisão de canibalismo.

Toda a população é convocada a erguer barreira nos limites da cidade para barrar o avanço do inimigo. No início de novembro, o cerco ao redor de São Petersburgo se fecha. O único acesso é pelo Lago Ladoga. A ração diária para os civis é reduzida a 125 gramas de pão por dia.

O Cerco de Leningrado dura até 27 de janeiro de 1944, quando o avanço do Exército Vermelho rompe as linhas alemãs. Depois do Holocausto, é considerado o pior caso de genocídio da Segunda Guerra Mundial.

ALTHEA GIBSON GANHA CAMPEONATO DOS EUA

    Em 1957, Althea Gibson é a primeira pessoa de origem africana a ganhar o Campeonato Nacional de Tênis dos Estados Unidos (hoje Torneio Aberto dos EUA), com a vitória por 2-0 (6-3, 6-2) sobre Louise Brough. Recebe o troféu do vice-president Richard Nixon.


Dois meses antes, Gibson se tornara a primeira pessoas de origem africana a vencer o Campeonato de Wimbledon, diante a rainha Elizabeth II. Um ano antes, ganhara na França como primeira tenista de origem africana a triunfar em torneio do Grand Slam.

Ao todo, ela ganha 11 torneios do Grand Slam, 5 de simples, de 5 de duplas femininas, inclusive ao lado da brasileira Maria Esther Bueno, e um de duplas mistas.

FORD PERDOA NIXON

    Em 1974, o presidente Gerald Ford (1974-77) perdoa o ex-presidente Richard Nixon (1969-74) por todos os crimes que possa ter cometido quando governava os Estados Unidos.


Nixon é vice-presidente de Dwight Eisenhower (1953-61) e perde a eleição de 1960 para John Kennedy. Com a desmoralização de Lyndon Johnson (1963-69), vice-presidente e sucessor de Kennedy, por causa da Guerra do Vietnã, chega a Casa Branca em 1969.

A invasão de sede do diretório nacional do Partido Democrata pelo grupo de encanadores da Casa Branca durante a campanha eleitoral, em 16 de junho de 1972, causa o Escândalo de Watergate. Nixon se reelege com facilidade, mas a descoberta do envolvimento direto do governo e as tentativas de obstruir a investigação levam à abertura de um processo de impeachment. Quando perde o apoio do Partido Republicano, renuncia, em 9 de agosto de 1974. É perdoado um mês depois.

Ford se justifica perante a Comissão de Justiça da Câmara dos Representantes com o argumento de que quer acabar com a divisão nacional em torno do Escândalo de Watergate.

Único presidente não eleito da história dos EUA, Ford preside a Câmara e se torna presidente quando o vice eleito com Nixon, Spiro Agnew, é afastado por corrupção.

Em 2001, Ford recebe o Prêmio Perfil de Coragem da Fundação Biblioteca John F. Kennedy por perdoar Nixon. Ao justificar o prêmio, a fundação declarou que Ford colocou o amor ao país acima da carreira política.

Depois de perder a eleição de 1976, Ford abandona a política. Morre aos 93 anos em 2006.