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sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Hoje na História do Mundo: 17 de Outubro

AL CAPONE NA CADEIA

    Em 1931, o gângster Al Capone é sentenciado a 11 anos de prisão e multa de US$ 80 mil, no fim de uma carreira de crimes como o mafioso mais famoso da história dos Estados Unidos.

Filho de imigrantes italianos, Alphonse Gabriel Capone nasce no Brooklyn, em Nova York, em 1899. Expulso da escola aos 14 anos, entra para uma gangue e recebe o apelido de Scarface (Cicatriz na face) depois de sofrer um corte no queixo numa briga.

Em 1920, Capone se muda para Chicago, onde administra os negócios do mafioso Johnny Torrio, que incluem jogo, prostituição e contrabando de álcool durante a Lei Seca (1920-33). Quando Torrio deixa os negócios depois ser alvo de uma tentativa de homicídio, Capone toma conta a organização mafiosa.

A Lei Seca, que proíbe a fabricação, distribuição e venda de bebidas alcoólicas, cria um negócio clandestino que rende milhões de dólares de lucro para o crime organizado.

Ao eliminar seus adversários numa série de batalhas de gangues e assassinatos, entre eles o Massacre do Dia de São Valentin, em 14 de fevereiro de 1929, quando seus capangas matam sete rivais, Al Capone torna-se o poderoso chefão da máfia de Chicago.

Em 1930, Capone está no topo da lista de procurados pelo FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA, mas consegue ficar livre por subornar policiais, intimidar testemunhas e mudar de esconderijo.

Seu maior inimigo é o policial federal Elliot Ness, líder de um grupo de agentes conhecidos como Intocáveis. Eles acabam com o negócio de bebidas alcoólicas do chefão, mas só conseguem uma condenação por evasão fiscal.

Al Capone começa a cumprir pena numa penitenciária federal de Atlanta, na Geórgia. Sob suspeita de manipular o sistema, é transferido para a prisão de segurança máxima da Ilha de Alcatraz, em São Francisco da Califórnia.

Ele é solto em 1939 por bom comportamento depois de ficar um ano num hospital com sífilis e morre em 1947 aos 48 anos em Palm Islands, na Flórida, sem pagar por todos os seus crimes.

PERÓN VOLTA NOS BRAÇOS DO POVO

    Em 1945, nove dias depois de ser demitido e preso num golpe militar, sob intensa pressão popular liderada pelos sindicatos, o vice-presidente e ministro do Trabalho, coronel Juan Domingo Perón, reassume os cargos e faz seu primeiro discurso na sacada da Casa Rosada, sede do governo da República Argentina, diante de 300 mil pessoas, com transmissão de rádio para todo o país, ao lado de sua segunda mulher, María Eva Duarte de Perón, a Evita.

É o Dia da Lealdade, marco fundador do movimento peronista. Quatro meses depois, em 24 de fevereiro de 1946, Perón é eleito com 52,5% dos votos para um mandato de seis anos. Reeleito em 11 de novembro de 1951 com 62% dos votos, quando as mulheres votam pela primeira vez na Argentina, tem o mandato interrompido por um golpe militar em 16 de setembro de 1955.

Perón vai para o exílio e só volta em 20 de junho de 1973 para ser eleito para um terceiro mandato em 23 de setembro, tendo como vice sua terceira mulher, María Estela Martínez de Perón, a Isabelita

Ele toma posse em 12 de outubro e governa até a morte, em 1º de julho de 1974. Deixa o país no caos, à beira da guerra civil, com uma presidente fraca, derrubada pelo golpe de 24 de março de 1976, marco do início da guerra suja da ditadura militar contra as esquerdas, em que morrem 30 mil argentinos .

OPEP EMBARGA PETRÓLEO

    Em 1973, sob a liderança da Arábia Saudita, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) decide parar de exportar petróleo para os Estados Unidos e outros países que apoiaram Israel na Guerra do Yom Kippur, deflagrando a primeira crise do petróleo.

A proposta é reduzir a venda em 5% ao mês até a retirada total dos territórios árabes ocupados por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967: a Península do Sinai e a Faixa de Gaza, do Egito; a Cisjordânia, da Jordânia; e as Colinas do Golã, da Síria.

Em dezembro, a OPEP impõe um embargo total aos EUA e outros aliados de Israel, agravando a situação dos países dependentes do petróleo importado, inclusive o Brasil.

A OPEP é fundada em 1960 pela Arábia Saudita, o Irã, o Iraque, o Kuwait e a Venezuela para aumentar os preços do petróleo, mas tem pouca influência no preço, que fica entre 2 e 3 dólares por barril. Quando começa a Guerra do Yom Kippur, com uma invasão dos territórios ocupados por Israel no Egito e na Síria, a OPEP está reunida em Viena, na Áustria.

Os EUA, principais aliados de Israel, fazem então a maior ponte aérea militar da história. Entregam 22.325 toneladas de equipamento às forças israelenses no campo de batalha. O ditador do Egito, Anuar Sadat, desabafa: "Posso entrar em guerra contra Israel, mas não contra os EUA."

Com a vitória de Israel praticamente assegurada, os países árabes decidem usar o petróleo como arma de guerra. Em dezembro, impõem um embargo total aos EUA. Os preços do petróleo quadruplicam para US$ 12 por barril, causando escassez, racionamento e fila nos postos de gasolina.

Este aumento de preços viabiliza a exploração de petróleo no mar e a Petrobrás se torna uma das empresas mais eficientes na tecnologia de produção offshore

Mesmo assim, como o Brasil importa 75% do petróleo que consome, a crise do petróleo acaba com o modelo econômico da ditadura militar, com o milagre econômico que faz a economia do país crescer acima de 10% no início dos anos 1970, no período mais duro da repressão.

Em 1974, o ditador Ernesto Geisel anuncia a "distensão, lenta, gradual e segura", que leva ao fim do Ato Institucional nº 5 (AI-5) em 1978 e à anistia parcial em 1979.

A Revolução Islâmica no Irã, em fevereiro de 1979, gera uma segunda crise do petróleo. As sucessivas crises do petróleo estão na origem da hiperinflação brasileira, que só é debelada em 1994 com o Plano Real.

FORD EXPLICA PERDÃO A NIXON

    Em 1974, o presidente Gerald Ford justifica perante o Congresso a decisão de perdoar o ex-presidente Richard Nixon por quaisquer crimes cometidos no exercício da Presidência dos Estados Unidos.

Ao assumir a presidência em 9 de agosto de 1974, no dia da renúncia de Nixon, Ford declara que "o longo pesadelo nacional acabou". Fala do Escândalo de Watergate, uma invasão da sede do Partido Democrata em Washington pela equipe de encanadores da Casa Branca para instalar equipamentos de escuta durante a campanha eleitoral de 1972, que implicou o presidente e seus principais assessores.

Diante da iminência de um processo de impeachment por abuso de poder e obstrução de justiça, depois de perder o apoio do Partido Republicano quando gravações provam as tentativas de atrapalhar as investigações, Nixon renuncia, mas isso não acaba com os inquéritos abertos no Congresso, que podem resultar em processos criminais.

Ford é o único presidente não eleito numa chapa presidencial da história dos EUA. O vice-presidente Spiro Agnew havia renunciado em meio a escândalos de corrupção. Ford era o presidente da Câmara e, por isso, o primeiro na linha sucessória.

Um mês depois de assumir, em 8 de setembro, Ford perdoa Nixon. Ao se explicar, alega que é importante para pacificar o país e enterrar de vez Watergate, com o propósito de "mudar o foco nacional... para desviar nossa atenção de um presidente que caiu para as necessidades urgentes da nação".

"As paixões geradas" por um processo contra Nixon, acrescenta Ford, "perturbariam seriamente a cicatrização das feridas do passado".

O novo presidente afirma que, "em geral, o povo americano quer poupar o ex-presidente de um processo criminal" e que livrar Nixon "não vai causar o esquecimento do mal dos crimes cometidos em Watergate nem das lições que aprendemos."

TERREMOTO ABALA SÃO FRANCISCO

    Em 1989, o Terremoto de Loma Prieta, de 7,1 graus de magnitude na escala aberta de Richter, um dos mais destrutivos da história dos EUA, atinge a área da Baía de São Francisco, mata 67 pessoas e deixa prejuízos de US$ 5 bilhões.

São Francisco fica perto da Falha de Santo André, que corre ao longo da costa da Califórnia, no encontro das placas tectônicas do Pacífico e da América do Norte.

Uma das partidas das finais do campeonato nacional de beisebol dos EUA, entre San Francisco Giants e Oakland Athletics, está prestes a começar quando a terra treme, com epicentro nas Montanhas de Santa Cruz. O estádio de Candlestick Park resiste, mas o resto da cidade sofre.

Na Ponte da Baía, entre São Francisco e Oakland, e na Via Expressa Nimitz, uma pista desaba sobre a outra. Das 67 mortes, 41 ocorrem na Via Expressa Nimitz. A destruição também é grande em Watsonville, onde mais de 10% das casas são totalmente destruídas, Palo Alto e Daly City.

O terremoto contribui para a profunda recessão que atinge a Califórnia, uma das maiores economias do mundo, nos anos 1990. A cidade havia passado pelo Grande Terremoto de São Francisco, de 7,9 graus na escala Richter, em 18 de abril de 1906, quando mais de 3 mil pessoas morrem, 80% da cidade são arrasados e 225 mil ficam sem teto.

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sábado, 26 de julho de 2025

Hoje na História do Mundo: 26 de Julho

NASCE UM REI DO ROCK

    Em 1943, nasce em Dartford, Kent, na Inglaterra, Michael Philip Jagger, mais conhecido como Mick Jagger, cantor, compositor e líder dos Rolling Stones, que faz 82 anos rocking and rolling.

A banda inspirada pelo blues dos Estados Unidos nasce em 1962, batizada por Brian Jones, rivaliza com os Beatles e bate todos os recordes de longevidade do rock.

 
SEGURANÇA NACIONAL NA GUERRA FRIA

    Em 1947, o presidente Harry Truman sanciona a Lei de Segurança Nacional dos Estados Unidos criando a Força Aérea, o Conselho de Segurança Nacional e a CIA (Agência Central de Inteligência).

No início da Guerra Fria contra a União Soviética, os EUA reforçam o aparelho de segurança nacional, com uma estrutura que seria copiada pela ditadura militar brasileira com o CSN e o SNI (Serviço Nacional de Informações).

MORTE DE EVITA

    Em 1952, María Eva Duarte de Perón, a Evita, a mulher mais importante da história argentina, segunda esposa do caudilho Juan Domingo Perón, morre de câncer aos 33 anos e é mitificada como a mãe dos pobres e descamisados. Os dois são até hoje as personagens dominantes da política argentina.

Filha ilegítima de uma cozinheira, Evita nasce pobre em 1919 em Los Toldos, no interior da província de Buenos Aires. Aos 16 anos, vai para a capital argentina, onde trabalha como modelo, atriz de teatro, cinema e radioteatro.

Ela conhece Perón num evento beneficente no Luna Park em 22 de janeiro de 1944, quando ele era vice-presidente, ministro do Trabalho e ministro da Guerra. 

Outra atriz sentada ao lado do coronel Perón se levanta e Evita não perde a oportunidade. Senta ao lado dele e diz uma frase histórica: "Coronel, obrigada por existir." Eles viram amantes.

Sob pressão da ala conservadora do Exército, Perón é demitido em 9 de outubro de 1945 e preso quatro dias depois. Uma onda de protestos populares organizados pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) com a participação de Evita, então apenas uma atriz, força a sua libertação em 17 de outubro, festejado como o Dia da Lealdade, uma data magna do peronismo.

Naquele dia, Perón faz seu primeiro discurso triunfante na janela da Casa Rosada diante de uma multidão reunida na Praça de Maio, ao lado de Evita, com quem se casa quatro dias depois.

Com os votos de mais de 1,5 milhão de argentinos, 53% do eleitorado, Perón é eleito presidente da Argentina em 24 de fevereiro de 1946.

Evita cuida das obras sociais do governo. É ministra do Trabalho e do Bem-Estar Social e preside a Fundação Eva Perón, criada em 1948, com orçamento anual de US$ 50 milhões, que distribui generosamente dinheiro, empregos e moradia para os descamisados, os migrantes vindos do interior.

Em entrevista ao escritor Tomás Eloy Martínez, em 1970, Perón declara que “Evita foi uma criação minha”, negando que a imagem de sua segunda mulher tenha se tornado maior do que a dele. Essa posição é defendida hoje por peronistas que acusam a oligarquia argentina de inflar o mito de Evita para torná-la maior do que o caudilho.

A primeira-dama é fundamental na campanha para a introdução do voto feminino, em 1947. Chega a ser cotada como candidata a vice-presidente, mas enfrenta forte resistência dos conservadores e militares.

Um grande comício realizado pela CGT em 22 de agosto de 1951 é insuficiente para virar o jogo. Depois de uma tentativa de golpe em 28 de setembro, a candidatura de Evita é abandonada. Em 11 de novembro de 1951, Perón é reeleito com 63,5% dos votos.

SANTA EVITA
Uma espécie de cinderela vingadora, Eva Perón morre de câncer no útero menos de um ano depois, em 26 de julho de 1952, no auge de sua popularidade. É convertida numa santa.

Seu funeral dura quatro dias para que todos possam dar adeus à mãe dos pobres. De maio de 1952 a julho de 1954, dois anos depois de sua morte, o Vaticano recebe mais de 40 mil cartas pedindo a canonização de Evita.

Mais da metade das meninas nascidas em algumas províncias argentinas naquela época foram batizadas Eva ou María Eva. As adolescentes pintavam o cabelo de louro. Evita ditava a moda.

DISPUTA PELO CADÁVER
Quando Evita morre, o plano é construir um memorial em sua homenagem. Ela seria enterrada na base de um monumento aos descamisados. Como o líder da revolução comunista na Rússia, Vladimir Lenin, seu corpo embalsamado ficaria em exposição ao público.

Antes da conclusão da obra, Perón é derrubado por golpe militar, a Revolução Libertadora de 16 de setembro de 1955. Foge sem se preocupar com a múmia de Evita, que desaparece da sede da CGT, em Buenos Aires, onde ficara. De 1955 a 1971, o peronismo é proscrito na Argentina. É proibido ter fotos de Eva e Juan Perón em casa e até mesmo citar seus nomes.

Em 1957, com a ajuda do Vaticano, o cadáver de Evita é retirado da Argentina e enterrado com nome falso na Itália.

Só em 1971 os militares revelam que a ex-primeira-dama está enterrada numa cripta em Milão, na Itália, com o nome de María Maggi. Naquele ano, o corpo é exumado e entregue ao general Perón no exílio na Espanha.

Depois da morte de Perón, em 1974, a terceira mulher do caudilho, María Estela Martínez de Perón, a Isabelita, assume o governo e repatria os restos mortais de Evita, que fica um tempo ao lado dos restos de Perón na Quinta de Olivos, residência oficial dos presidentes da Argentina. Sem o talento político de EvitaIsabelita não se sustenta no cargo.

Com o golpe militar de março de 1976, mais uma vez os peronistas temem pelo destino dos restos mortais da grande líder de massas. Em outubro daquele ano, sob a supervisão da ditadura, o cadáver de Evita é levado de Olivos para o Cemitério da Recoleta, onde estão enterrados os grandes líderes da oligarquia argentina, e sepultado no mausoléu da família Duarte.

Até hoje, os dois cadáveres assombram e dominam a política argentina.

ASSALTO AO QUARTEL DE MONCADA

    Em 1953, o jovem advogado Fidel Castro e outros 165 homens assaltam o Quartel de Moncada, em Santiago de Cuba, no primeiro salvo a Revolução Cubana. A maioria dos rebeldes morre.

Fidel é preso e condenado a 15 anos de prisão. Durante o julgamento, profere uma frase famosa: "A história me absolverá."

Anistiado em 1955, Fidel vai para o México, de onde volta no iate Granma com 83 homens e inicia, em 2 de dezembro de 1956, e inicia na Sierra Maestra uma guerrilha contra a ditadura de Fulgencio Batista, vitoriosa em 1º de janeiro de 1959.

Em abril de 1961, exilados cubanos tentam a Invasão da Baía dos Porcos, com o apoio da CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA). O fracasso aproxima ainda mais Cuba da União Soviética, que tenta instalar mísseis nucleares na ilha.

A Crise dos Mísseis em Cuba, de 14 a 27 de outubro de 1962, é o momento mais tenso da Guerra Fria. Nunca o mundo fica tão perto de uma guerra nuclear entre as duas superpotências. 

Os EUA estão prestes a invadir Cuba quando o líder soviético, Nikita Kruschev, aceita retirar os mísseis. Em troca, o presidente norte-americano, John Kennedy, retira mísseis obsoletos da Turquia e faz um acordo tácito para não invadir a ilha, que deixa de servir de base para ataques aos EUA.

Com o fim da URSS, em 1991, Cuba passa anos de grave crise econômica até receber o apoio da Venezuela de Hugo Chávez (1999-2013). Hoje, com o declínio do regime chavista sob Nicolás Maduro, enfrenta séria crise, com escassez de remédios e alimentos em plena pandemia, que seca o setor de turismo, uma das principais fontes de moedas fortes em Cuba.

Fidel fica no poder até 31 de julho de 2006, quando sofre uma grave hemorragia intestinal e transfere o comando da revolução para seu irmão Raúl Castro, que por sua vez é sucedido por Miguel Díaz Canel, presidente desde 19 de abril de 2018 e líder do Partido Comunista desde 19 de abril de 2021.

EGITO TOMA CANAL DE SUEZ

    Em 1956, o ditador do Egito, Gamal Abdel Nasser, ocupa e nacionaliza o Canal de Suez, torna-se o líder do pan-arabismo e provoca uma guerra em que Israel, a França e o Reino Unido invadem partes do território egípcio.

O canal de 163 quilômetros ligando o Mar Mediterrâneo ao Mar Vermelho é construído entre 1859 e 1869. Tem importância estratégica porque permite que embarcações vão da Europa à Ásia sem ter de contornar a África pelo Cabo da Boa Esperança. 

No fim da obra, que custa a vida de 125 mil egípcios, o canal é propriedade do Egito e da França. A dívida externa do Egito força o país a vender sua parte do canal ao Reino Unido. Tropas britânicas se instalam na região em 1882 para proteger a nova propriedade.

A Crise de Suez começa quando os Estados Unidos e o Reino Unido se negam a financiar a construção da Barragem de Assuã porque Nasser se aproxima da União Soviética e da Tcheco-Eslováquia para comprar as armas que o Ocidente não quis lhe vender e reconhece a República Popular da China, a China Comunista.

O ditador egípcio toma o canal por acreditar que a cobrança de pedágio dos navios que o atravassem dará o dinheiro necessário para construir a barragem. Anuncia a nacionalização do canal num discurso em Alexandria em 26 de julho de 1956. Também fecha o Estreito de Tiran e o Golfo de Ácaba.

Em 29 de outubro, Israel invade o canal com o apoio da França e do Reino Unido para reabrir o estreito e o golfo, cujo fechamento isola o porto israelense de Eilat. Forças britânicas e francesas também entram na região ao lado de Israel.

Sob pressão dos EUA, da URSS e das Nações Unidas, os três invasores se retiram e a guerra acaba em 7 de novembro. Em plena Revolução Húngara de 1956 contra a dominação soviética, o governo Dwight Eisenhower não quer outro conflito. Retira o apoio do Fundo Monetário Internacional (FMI) às economias da França e do Reino Unido, ainda abaladas pela Segunda Guerra Mundial (1939-45). É uma humilhação e um marco da derrocada final dos impérios Britânico e Francês. 

quinta-feira, 17 de outubro de 2024

Hoje na História do Mundo: 17 de Outubro

 AL CAPONE NA CADEIA

    Em 1931, o gângster Al Capone é sentenciado a 11 anos de prisão e multa de US$ 80 mil, no fim de uma carreira de crimes como o mafioso mais famoso da história dos Estados Unidos.

Filho de imigrantes italianos, Alphonse Gabriel Capone nasce no Brooklyn, em Nova York, em 1899. Expulso da escola aos 14 anos, entra para uma gangue e recebe o apelido de Scarface (Cicatriz na face) depois de sofrer um corte no queixo numa briga.

Em 1920, Capone se muda para Chicago, onde administra os negócios do mafioso Johnny Torrio, que incluem jogo, prostituição e contrabando de álcool durante a Lei Seca (1920-33). Quando Torrio deixa os negócios depois ser alvo de uma tentativa de homicídio, Capone toma conta a organização mafiosa.

A Lei Seca, que proíbe a fabricação, distribuição e venda de bebidas alcoólicas, cria um negócio clandestino que rende milhões de dólares de lucro para o crime organizado.

Ao eliminar seus adversários numa série de batalhas de gangues e assassinatos, entre eles o Massacre do Dia de São Valentin, em 14 de fevereiro de 1929, quando seus capangas matam sete rivais, Al Capone torna-se o poderoso chefão da máfia de Chicago.

Em 1930, Capone está no topo da lista de procurados pelo FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA, mas consegue ficar livre por subornar policiais, intimidar testemunhas e mudar de esconderijo.

Seu maior inimigo é o policial federal Elliot Ness, líder de um grupo de agentes conhecidos como Intocáveis. Eles acabam com o negócio de bebidas alcoólicas do chefão, mas só conseguem uma condenação por evasão fiscal.

Al Capone começa a cumprir pena numa penitenciária federal de Atlanta, na Geórgia. Sob suspeita de manipular o sistema, é transferido para a prisão de segurança máxima da Ilha de Alcatraz, em São Francisco da Califórnia.

Ele é solto em 1939 por bom comportamento depois de ficar um ano num hospital com sífilis e morre em 1947 aos 48 anos em Palm Islands, na Flórida, sem pagar por todos os seus crimes.

PERÓN VOLTA NOS BRAÇOS DO POVO

    Em 1945, nove dias depois de ser demitido e preso num golpe militar, sob intensa pressão popular liderada pelos sindicatos, o vice-presidente e ministro do Trabalho, coronel Juan Domingo Perón, reassume os cargos e faz seu primeiro discurso na sacada da Casa Rosada, sede do governo da República Argentina, diante de 300 mil pessoas, com transmissão de rádio para todo o país, ao lado de sua segunda mulher, María Eva Duarte de Perón, a Evita.

É o Dia da Lealdade, marco inicial do movimento peronista. Quatro meses depois, em 24 de fevereiro de 1946, Perón é eleito com 52,5% dos votos para um mandato de seis anos. Reeleito em 11 de novembro de 1951 com 62% dos votos, quando as mulheres votam pela primeira vez na Argentina, tem o mandato interrompido por um golpe militar em 16 de setembro de 1955.

Perón vai para o exílio e só volta em 20 de junho de 1973 para ser eleito para um terceiro mandato em 23 de setembro, tendo como vice sua terceira mulher, María Estela Martínez de Perón, a Isabelita. Ele toma posse em 12 de outubro e governa até a morte, em 1º de julho de 1974. Deixa o país no caos, à beira da guerra civil, com uma presidente fraca, derrubada pelo golpe de 24 de março de 1976, marco do início da guerra suja da ditadura militar contra as esquerdas, em que morrem 30 mil argentinos .

OPEP EMBARGA PETRÓLEO

    Em 1973, sob a liderança da Arábia Saudita, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) decide parar de exportar petróleo para os Estados Unidos e outros países que apoiaram Israel na Guerra do Yom Kippur, deflagrando a primeira crise do petróleo.

A proposta é reduzir a venda em 5% ao mês até a retirada total dos territórios árabes ocupados por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967: a Península do Sinai e a Faixa de Gaza, do Egito; a Cisjordânia, da Jordânia; e as Colinas do Golã, da Síria.

Em dezembro, a OPEP impõe um embargo total aos EUA e outros aliados de Israel, agravando a situação dos países dependentes do petróleo importado, inclusive o Brasil.

A OPEP é fundada em 1960 pela Arábia Saudita, o Irã, o Iraque, o Kuwait e a Venezuela para aumentar os preços do petróleo, mas tem pouca influência no preço, que fica entre 2 e 3 dólares por barril. Quando começa a Guerra do Yom Kippur, com uma invasão dos territórios ocupados por Israel no Egito e na Síria, a OPEP está reunida em Viena, na Áustria.

Os EUA, principais aliados de Israel, fazem então a maior ponte aérea militar da história. Entregam 22.325 toneladas de equipamento às forças israelenses no campo de batalha. O ditador do Egito, Anuar Sadat, protesta: "Posso entrar em guerra contra Israel, mas não contra os EUA."

Com a vitória de Israel praticamente assegurada, os países árabes decidem usar o petróleo como arma de guerra. Em dezembro, impõem um embargo total aos EUA. Os preços do petróleo quadruplicam para US$ 12 por barril, causando escassez, racionamento e fila nos postos de gasolina.

Este aumento de preços viabiliza a exploração de petróleo no mar e a Petrobrás se torna uma das empresas mais eficientes na tecnologia de produção offshore

Mesmo assim, como o Brasil importa 75% do petróleo que consome, a crise do petróleo acaba com o modelo econômico da ditadura militar, com o milagre econômico que faz a economia do país crescer acima de 10% no início dos anos 1970, no período mais duro da repressão.

Em 1974, o ditador Ernesto Geisel anuncia a "distensão, lenta, gradual e segura", que leva ao fim do Ato Institucional nº 5 (AI-5) em 1978 e à anistia parcial em 1979.

A Revolução Islâmica no Irã, em fevereiro de 1979, gera uma segunda crise do petróleo. As sucessivas crises do petróleo estão na origem da hiperinflação brasileira, que só é debelada em 1994 com o Plano Real.

FORD EXPLICA PERDÃO A NIXON

    Em 1974, o presidente Gerald Ford justifica perante o Congresso a decisão de perdoar o ex-presidente Richard Nixon por quaisquer crimes cometidos no exercício da Presidência dos Estados Unidos.

Ao assumir a presidência em 9 de agosto de 1974, no dia da renúncia de Nixon, Ford declara que "o longo pesadelo nacional acabou". Fala do Escândalo de Watergate, uma invasão da sede do Partido Democrata em Washington pela equipe de encanadores da Casa Branca para instalar equipamentos de escuta durante a campanha eleitoral de 1972, que implicou o presidente e seus principais assessores.

Diante da iminência de um processo de impeachment por abuso de poder e obstrução de justiça, depois de perder o apoio do Partido Republicano quando gravações provam as tentativas de atrapalhar as investigações, Nixon renuncia, mas isso não acaba com os inquéritos abertos no Congresso, que podem resultar em processos criminais.

Ford é o único presidente não eleito da história dos EUA. O vice-presidente Spiro Agnew havia renunciado em meio a escândalos de corrupção. Ford é o presidente da Câmara e, por isso, o primeiro na linha sucessória.

Um mês depois de assumir, em 8 de setembro, Ford perdoa Nixon. Ao se explicar, alega que é importante para pacificar o país e enterrar de vez Watergate, com o propósito de "mudar o foco nacional... para desviar nossa atenção de um presidente que caiu para as necessidades urgentes da nação".

"As paixões geradas" por um processo contra Nixon, acrescenta Ford, "perturbariam seriamente a cicatrização das feridas do passado".

O novo presidente afirma que, "em geral, o povo americano quer poupar o ex-presidente de um processo criminal" e que livrar Nixon "não vai causar o esquecimento do mal dos crimes cometidos em Watergate nem das lições que aprendemos."

TERREMOTO ABALA SÃO FRANCISCO

    Em 1989, o Terremoto de Loma Prieta, de 7,1 graus de magnitude na escala aberta de Richter, um dos mais destrutivos da história dos EUA, atinge a área da Baía de São Francisco, mata 67 pessoas e deixa prejuízos de US$ 5 bilhões.

São Francisco fica perto da Falha de Santo André, que corre ao longo da costa da Califórnia, no encontro das placas tectônicas do Pacífico e da América do Norte.

Uma das partidas das finais do campeonato nacional de beisebol dos EUA, entre San Francisco Giants e Oakland Athletics, está prestes a começar quando a terra treme, com epicentro nas Montanhas de Santa Cruz. O estádio de Candlestick Park resiste, mas o resto da cidade sofre.

Na Ponte da Baía, entre São Francisco e Oakland, e na Via Expressa Nimitz, uma pista desaba sobre a outra. Das 67 mortes, 41 ocorrem na Via Expressa Nimitz. A destruição também é grande em Watsonville, onde mais de 10% das casas foram totalmente destruídas, Palo Alto e Daly City.

O terremoto contribui para a profunda recessão que atinge a Califórnia, uma das maiores economias do mundo, nos anos 1990. A cidade havia passado pelo Grande Terremoto de São Francisco, de 7,9 graus na escala Richter, em 18 de abril de 1906, quando mais de 3 mil pessoas morrem, 80% da cidade são arrasados e 225 mil ficam sem teto.

sexta-feira, 26 de julho de 2024

Hoje na História do Mundo: 26 de Julho

NASCE UM REI DO ROCK

    Em 1943, nasce em Dartford, Kent, na Inglaterra, Michael Philip Jagger, mais conhecido como Mick Jagger, cantor, compositor e líder dos Rolling Stones, que faz 81 anos rocking and rolling.

A banda inspirada pelo blues dos Estados Unidos nasce em 1962, batizada por Brian Jones, rivaliza com os Beatles e bate todos os recordes de longevidade do rock.

 
SEGURANÇA NACIONAL NA GUERRA FRIA

    Em 1947, o presidente Harry Truman sanciona a Lei de Segurança Nacional dos Estados Unidos criando a Força Aérea, o Conselho de Segurança Nacional e a CIA (Agência Central de Inteligência).

No início da Guerra Fria contra a União Soviética, os EUA reforçam o aparelho de segurança nacional, com uma estrutura que seria copiada pela ditadura militar brasileira com o CSN e o SNI (Serviço Nacional de Informações).

MORTE DE EVITA

    Em 1952, María Eva Duarte de Perón, a Evita, a mulher mais importante da história argentina, segunda esposa do caudilho Juan Domingo Perón, morre de câncer aos 33 anos e é mitificada como a mãe dos pobres e descamisados. Os dois são até hoje as personagens dominantes da política argentina.

Filha ilegítima de uma cozinheira, Evita nasce pobre em 1919 em Los Toldos, no interior da província de Buenos Aires. Aos 16 anos, vai para a capital argentina, onde trabalha como modelo, atriz de teatro, cinema e radioteatro.

Ela conhece Perón num evento beneficente no Luna Park em 22 de janeiro de 1944, quando ele era vice-presidente, ministro do Trabalho e ministro da Guerra. 

Outra atriz sentada ao lado do coronel Perón se levanta e Evita não perde a oportunidade. Senta ao lado dele e diz uma frase histórica: "Coronel, obrigada por existir." Eles viram amantes.

Sob pressão da ala conservadora do Exército, Perón é demitido em 9 de outubro de 1945 e preso quatro dias depois. Uma onda de protestos populares organizados pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) com a participação de Evita, então apenas uma atriz, força a sua libertação em 17 de outubro, festejado como o Dia da Lealdade, uma data magna do peronismo.

Naquele dia, Perón faz seu primeiro discurso triunfante na janela da Casa Rosada diante de uma multidão reunida na Praça de Maio, ao lado de Evita, com quem se casa quatro dias depois.

Com os votos de mais de 1,5 milhão de argentinos, 53% do eleitorado, Perón é eleito presidente da Argentina em 24 de fevereiro de 1946.

Evita cuida das obras sociais do governo. É ministra do Trabalho e do Bem-Estar Social e preside a Fundação Eva Perón, criada em 1948, com orçamento anual de US$ 50 milhões, que distribui generosamente dinheiro, empregos e moradia para os descamisados, os migrantes vindos do interior.

Em entrevista ao escritor Tomás Eloy Martínez, em 1970, Perón declara que “Evita foi uma criação minha”, negando que a imagem de sua segunda mulher tenha se tornado maior do que a dele. Essa posição é defendida hoje por peronistas que acusam a oligarquia argentina de inflar o mito de Evita para torná-la maior do que o caudilho.

A primeira-dama é fundamental na campanha para a introdução do voto feminino, em 1947. Chega a ser cotada como candidata a vice-presidente, mas enfrenta forte resistência dos conservadores e militares.

Um grande comício realizado pela CGT em 22 de agosto de 1951 é insuficiente para virar o jogo. Depois de uma tentativa de golpe em 28 de setembro, a candidatura de Evita é abandonada. Em 11 de novembro de 1951, Perón é reeleito com 63,5% dos votos.

SANTA EVITA
Uma espécie de cinderela vingadora, Eva Perón morre de câncer no útero menos de um ano depois, em 26 de julho de 1952, no auge de sua popularidade. É convertida numa santa.

Seu funeral dura quatro dias para que todos possam dar adeus à mãe dos pobres. De maio de 1952 a julho de 1954, dois anos depois de sua morte, o Vaticano recebe mais de 40 mil cartas pedindo a canonização de Evita.

Mais da metade das meninas nascidas em algumas províncias argentinas naquela época foram batizadas Eva ou María Eva. As adolescentes pintavam o cabelo de louro. Evita ditava a moda.

DISPUTA PELO CADÁVER
Quando Evita morre, o plano é construir um memorial em sua homenagem. Ela seria enterrada na base de um monumento aos descamisados. Como o líder da revolução comunista na Rússia, Vladimir Lenin, seu corpo embalsamado ficaria em exposição ao público.

Antes da conclusão da obra, Perón é derrubado por golpe militar, a Revolução Libertadora de 16 de setembro de 1955. Foge sem se preocupar com a múmia de Evita, que desaparece da sede da CGT, em Buenos Aires, onde ficara. De 1955 a 1971, o peronismo é proscrito na Argentina. É proibido ter fotos de Eva e Juan Perón em casa e até mesmo citar seus nomes.

Em 1957, com a ajuda do Vaticano, o cadáver de Evita é retirado da Argentina e enterrado com nome falso na Itália.

Só em 1971 os militares revelam que a ex-primeira-dama está enterrada numa cripta em Milão, na Itália, com o nome de María Maggi. Naquele ano, o corpo é exumado e entregue ao general Perón no exílio na Espanha.

Depois da morte de Perón, em 1974, a terceira mulher do caudilho, María Estela Martínez de Perón, a Isabelita, assume o governo e repatria os restos mortais de Evita, que fica um tempo ao lado dos restos de Perón na Quinta de Olivos, residência oficial dos presidentes da Argentina. Sem o talento político de EvitaIsabelita não se sustenta no cargo.

Com o golpe militar de março de 1976, mais uma vez os peronistas temem pelo destino dos restos mortais da grande líder de massas. Em outubro daquele ano, sob a supervisão da ditadura, o cadáver de Evita é levado de Olivos para o Cemitério da Recoleta, onde estão enterrados os grandes líderes da oligarquia argentina, e sepultado no mausoléu da família Duarte.

Até hoje, os dois cadáveres assombram e dominam a política argentina.

ASSALTO AO QUARTEL DE MONCADA

    Em 1953, o jovem advogado Fidel Castro e outros 165 homens assaltam o Quartel de Moncada, em Santiago de Cuba, no primeiro salvo a Revolução Cubana. A maioria dos rebeldes morre.

Fidel é preso e condenado a 15 anos de prisão. Durante o julgamento, profere uma frase famosa: "A história me absolverá."

Anistiado em 1955, Fidel vai para o México, de onde volta no iate Granma com 83 homens e inicia, em 2 de dezembro de 1956, na Sierra Maestra, uma guerrilha contra a ditadura de Fulgencio Batista, vitoriosa em 1º de janeiro de 1959.

Em abril de 1961, exilados cubanos tentam a Invasão da Baía dos Porcos, com o apoio da CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA). O fracasso aproxima ainda mais Cuba da União Soviética, que tenta instalar mísseis nucleares na ilha.

A Crise dos Mísseis em Cuba, de 14 a 27 de outubro de 1962, é o momento mais tenso da Guerra Fria. Nunca o mundo fica tão perto de uma guerra nuclear entre as duas superpotências. 

Os EUA estão prestes a invadir Cuba quando o líder soviético, Nikita Kruschev, aceita retirar os mísseis. Em troca, o presidente norte-americano, John Kennedy, retira mísseis obsoletos da Turquia e faz um acordo tácito para não invadir a ilha, que deixa de servir de base para ataques aos EUA.

Com o fim da URSS, em 1991, Cuba passa anos de grave crise econômica até receber o apoio da Venezuela de Hugo Chávez (1999-2013). Hoje, com o declínio do regime chavista sob Nicolás Maduro, enfrenta séria crise, com escassez de remédios e alimentos em plena pandemia, que secou o turismo, uma das principais fontes de moedas fortes em Cuba.

Fidel fica no poder até 31 de julho de 2006, quando sofre uma grave hemorragia intestinal e transfere o comando da revolução para seu irmão Raúl Castro, que por sua vez é sucedido por Miguel Díaz Canel, presidente desde 19 de abril de 2018 e líder do Partido Comunista desde 19 de abril de 2021.

EGITO TOMA CANAL DE SUEZ

    Em 1956, o ditador do Egito, Gamal Abdel Nasser, ocupa e nacionaliza o Canal de Suez, torna-se o líder do pan-arabismo e provoca uma guerra em que Israel, a França e o Reino Unido invadem partes do território egípcio.

O canal de 163 quilômetros ligando o Mar Mediterrâneo ao Mar Vermelho é construído entre 1859 e 1869. Tem importância estratégica porque permitia que embarcações vão da Europa à Ásia sem ter de contornar a África pelo Cabo da Boa Esperança. 

No fim da obra, que custa a vida de 125 mil egípcios, o canal é propriedade do Egito e da França. A dívida externa do Egito força o país a vender sua parte do canal ao Reino Unido. Tropas britânicas se instalam na região em 1882 para proteger a nova propriedade.

A Crise de Suez começa quando os Estados Unidos e o Reino Unido se negam a financiar a construção da Barragem de Assuã porque Nasser se aproxima da União Soviética e da Tcheco-Eslováquia para comprar as armas que o Ocidente não quis lhe vender e reconhece a República Popular da China, a China Comunista.

O ditador egípcio toma o canal por acreditar que a cobrança de pedágio dos navios que o atravassem dará o dinheiro necessário para construir a barragem. Anuncia a nacionalização do canal num discurso em Alexandria em 26 de julho de 1956. Também fecha o Estreito de Tiran e o Golfo de Ácaba.

Em 29 de outubro, Israel invade o canal com o apoio da França e do Reino Unido para reabrir o estreito e o golfo, cujo fechamento isola o porto israelense de Eilat. Forças britânicas e franceses também entram na região.

Sob pressão dos EUA, da URSS e das Nações Unidas, os três invasores se retiram e a guerra acaba em 7 de novembro. Em plena Revolução Húngara de 1956 contra a dominação soviética, o governo Dwight Eisenhower não quer outro conflito. Retira o apoio do Fundo Monetário Internacional (FMI) às economias da França e do Reino Unido, ainda abaladas pela Segunda Guerra Mundial (1939-45). É uma humilhação e um marco da derrocada final dos impérios Britânico e Francês.

terça-feira, 17 de outubro de 2023

Hoje na História do Mundo: 17 de Outubro

 AL CAPONE NA CADEIA

    Em 1931, o gângster Al Capone é sentenciado a 11 anos de prisão e multa de US$ 80 mil, no fim de uma carreira de crimes como o mafioso mais famoso da história dos Estados Unidos.

Filho de imigrantes italianos, Alphonse Gabriel Capone nasce no Brooklyn, em Nova York, em 1899. Expulso da escola aos 14 anos, entra para uma gangue e recebe o apelido de Scarface (Cicatriz na face) depois de sofrer um corte no queixo numa briga.

Em 1920, Capone se muda para Chicago, onde administra os negócios do mafioso Johnny Torrio, que incluem jogo, prostituição e contrabando de álcool durante a Lei Seca (1920-33). Quando Torrio deixa os negócios depois ser alvo de uma tentativa de homicídio, Capone toma conta a organização mafiosa.

A Lei Seca, que proíbe a fabricação, distribuição e venda de bebidas alcoólicas, cria um negócio clandestino que rende milhões de dólares de lucro para o crime organizado.

Ao eliminar seus adversários numa série de batalhas de gangues e assassinatos, entre eles o Massacre do Dia de São Valentin, em 14 de fevereiro de 1929, quando seus capangas matam sete rivais, Al Capone torna-se o poderoso chefão da máfia de Chicago.

Em 1930, Capone está no topo da lista de procurados pelo FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA, mas consegue ficar livre por subornar policiais, intimidar testemunhas e mudar de esconderijo.

Seu maior inimigo é o policial federal Elliot Ness, líder de um grupo de agentes conhecidos como Intocáveis. Eles acabam com o negócio de bebidas alcoólicas do chefão, mas só conseguem uma condenação por evasão fiscal.

Al Capone começa a cumprir pena numa penitenciária federal de Atlanta, na Geórgia. Sob suspeita de manipular o sistema, é transferido para a prisão de segurança máxima da Ilha de Alcatraz, em São Francisco da Califórnia.

Ele é solto em 1939 por bom comportamento depois de ficar um ano num hospital com sífilis e morre em 1947 aos 48 anos em Palm Islands, na Flórida, sem pagar por todos os seus crimes.

PERÓN VOLTA NOS BRAÇOS DO POVO

    Em 1945, nove dias depois de ser demitido e preso num golpe militar, sob intensa pressão popular liderada pelos sindicatos, o vice-presidente e ministro do Trabalho, coronel Juan Domingo Perón, reassume os cargos e faz seu primeiro discurso na sacada da Casa Rosada, sede do governo da República Argentina, diante de 300 mil pessoas, com transmissão de rádio para todo o país, ao lado de sua segunda mulher, María Eva Duarte de Perón, a Evita.

É o Dia da Lealdade, marco inicial do movimento peronista. Quatro meses depois, em 24 de fevereiro de 1946, Perón é eleito com 52,5% dos votos para um mandato de seis anos. Reeleito em 11 de novembro de 1951 com 62% dos votos, quando as mulheres votam pela primeira vez na Argentina, tem o mandato interrompido por um golpe militar em 16 de setembro de 1955.

Perón vai para o exílio e só volta em 20 de junho de 1973 para ser eleito para um terceiro mandato em 23 de setembro, tendo como vice sua terceira mulher, María Estela Martínez de Perón, a Isabelita. Ele toma posse em 12 de outubro e governa até a morte, em 1º de julho de 1974. Deixa o país no caos, à beira da guerra civil, com uma presidente fraca, derrubada pelo golpe de 24 de março de 1976, marco do início da guerra suja em que morrem 30 mil argentinos .

OPEP EMBARGA PETRÓLEO

    Em 1973, sob a liderança da Arábia Saudita, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) decide parar de exportar petróleo para os Estados Unidos e outros países que apoiaram Israel na Guerra do Yom Kippur, deflagrando a primeira crise do petróleo.

A proposta era reduzir a venda em 5% ao mês até a retirada total dos territórios árabes ocupados por Israel na Guerra dos Seis, em 1967: a Península do Sinai e a Faixa de Gaza, do Egito; a Cisjordânia, da Jordânia; e as Colinas do Golã, da Síria.

Em dezembro, a OPEP impõe um embargo total aos EUA e outros aliados de Israel, agravando a situação dos países dependentes do petróleo importado, inclusive o Brasil.

A OPEP é fundada em 1960 pela Arábia Saudita, o Irã, o Iraque, o Kuwait e a Venezuela para aumentar os preços do petróleo, mas tem pouca influência no preço, que fica entre 2 e 3 dólares por barril. Quando começa a Guerra do Yom Kippur, com uma invasão dos territórios ocupados por Israel e a Síria, a OPEP está reunida em Viena, na Áustria.

Os EUA, principais aliados de Israel, fazem então a maior ponte aérea militar da história. Entregam 22.325 toneladas de equipamento às forças israelenses no campo de batalha. O ditador do Egito, Anuar Sadat, protesta, alegando que pode enfrentar Israel, mas não os EUA.

Com a vitória de Israel praticamente assegurada, os países árabes decidem usar o petróleo como arma de guerra. Em dezembro, impõem um embargo total aos EUA. Os preços do petróleo quadruplicam para US$ 12 por barril, causando escassez, racionamento e fila nos postos de gasolina.

Este aumento de preços viabiliza a exploração de petróleo no mar e a Petrobrás se torna uma das empresas mais eficientes na tecnologia de produção offshore

Mesmo assim, como o Brasil importa 75% do petróleo que consome, a crise do petróleo acaba com o modelo econômico da ditadura militar, com o milagre econômico que faz a economia do país crescer acima de 10% no início dos anos 1970, no período mais duro da repressão.

Em 1974, o ditador Ernesto Geisel anuncia a "distensão, lenta, gradual e segura", que leva ao fim do Ato Institucional nº 5 (AI-5) em 1978 e à anistia parcial em 1979.

A Revolução Islâmica no Irã, em fevereiro de 1979, gera uma segunda crise do petróleo. As sucessivas crises estão na origem da hiperinflação brasileira, que só é debelada em 1994 com o Plano Real.

FORD EXPLICA PERDÃO A NIXON

    Em 1974, o presidente Gerald Ford justifica perante o Congresso a decisão de perdoar o ex-presidente Richard Nixon por quaisquer crimes cometidos no exercício da Presidência dos Estados Unidos.

Ao assumir a presidência em 9 de agosto daquele ano, no dia da renúncia de Nixon, Ford declara que "o longo pesadelo nacional acabou". Fala do Escândalo de Watergate, uma invasão da sede do Partido Democrata em Washington pela equipe de encanadores da Casa Branca para instalar equipamentos de escuta durante a campanha eleitoral de 1972 que implicou o presidente e seus principais assessores.

Diante da iminência de um processo de impeachment por abuso de poder e obstrução de justiça, depois de perder o apoio do Partido Republicano quando gravações provam as tentativas de atrapalhar as investigações, Nixon renuncia, mas isso não acaba com os inquéritos abertos no Congresso, que podem resultar em processos criminais.

Ford é o único presidente não eleito da história dos EUA. O vice-presidente Spiro Agnew havia renunciado em meio a escândalos de corrupção. Ford é o presidente da Câmara e, por isso, o primeiro na linha sucessória.

Um mês depois de assumir, em 8 de setembro, Ford perdoa Nixon. Ao se explicar, alega que é importante para pacificar o país e enterrar de vez Watergate, com o propósito de "mudar o foco nacional... para desviar nossa atenção de um presidente que caiu para as necessidades urgentes da nação".

"As paixões geradas" por um processo contra Nixon, acrescenta Ford, "perturbariam seriamente a cicatrização das feridas do passado".

O novo presidente afirma que, "em geral, o povo americano quer poupar o ex-presidente de um processo criminal" e que livrar Nixon "não vai causar o esquecimento do mal dos crimes cometidos em Watergate nem das lições que aprendemos."

TERREMOTO ABALA SÃO FRANCISCO

    Em 1989, o Terremoto de Loma Prieta, de 7,1 graus de magnitude na escala aberta de Richter, um dos mais destrutivos da história dos EUA, atinge a área da Baía de São Francisco, mata 67 pessoas e deixa prejuízos no valor de US$ 5 bilhões.

São Francisco fica perto da Falha de Santo André, que corre ao longo da costa da Califórnia, no encontro das placas tectônicas do Pacífico e da América do Norte.

Uma das partidas das finais do campeonato nacional de beisebol dos EUA, entre San Francisco Giants e Oakland Athletics, está prestes a começar quando a terra treme, com epicentro nas Montanhas de Santa Cruz. O estádio de Candlestick Park resiste, mas o resto da cidade sofre.

Na Ponte da Baía, entre São Francisco e Oakland, e na Via Expressa Nimitz, uma pista desaba sobre a outra. Das 67 mortes, 41 ocorrem na Via Expressa Nimitz. A destruição também é grande em Watsonville, onde mais de 10% das casas foram totalmente destruídas, Palo Alto e Daly City.

O terremoto contribui para a profunda recessão que atinge a Califórnia, uma das maiores economias do mundo, nos anos 1990. A cidade havia passado pelo Grande Terremoto de São Francisco, de 7,9 graus na escala Richter, em 18 de abril de 1906, quando mais de 3 mil pessoas morrem, 80% da cidade são arrasados e 225 mil ficam sem teto.