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sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Hoje na História do Mundo: 17 de Outubro

AL CAPONE NA CADEIA

    Em 1931, o gângster Al Capone é sentenciado a 11 anos de prisão e multa de US$ 80 mil, no fim de uma carreira de crimes como o mafioso mais famoso da história dos Estados Unidos.

Filho de imigrantes italianos, Alphonse Gabriel Capone nasce no Brooklyn, em Nova York, em 1899. Expulso da escola aos 14 anos, entra para uma gangue e recebe o apelido de Scarface (Cicatriz na face) depois de sofrer um corte no queixo numa briga.

Em 1920, Capone se muda para Chicago, onde administra os negócios do mafioso Johnny Torrio, que incluem jogo, prostituição e contrabando de álcool durante a Lei Seca (1920-33). Quando Torrio deixa os negócios depois ser alvo de uma tentativa de homicídio, Capone toma conta a organização mafiosa.

A Lei Seca, que proíbe a fabricação, distribuição e venda de bebidas alcoólicas, cria um negócio clandestino que rende milhões de dólares de lucro para o crime organizado.

Ao eliminar seus adversários numa série de batalhas de gangues e assassinatos, entre eles o Massacre do Dia de São Valentin, em 14 de fevereiro de 1929, quando seus capangas matam sete rivais, Al Capone torna-se o poderoso chefão da máfia de Chicago.

Em 1930, Capone está no topo da lista de procurados pelo FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA, mas consegue ficar livre por subornar policiais, intimidar testemunhas e mudar de esconderijo.

Seu maior inimigo é o policial federal Elliot Ness, líder de um grupo de agentes conhecidos como Intocáveis. Eles acabam com o negócio de bebidas alcoólicas do chefão, mas só conseguem uma condenação por evasão fiscal.

Al Capone começa a cumprir pena numa penitenciária federal de Atlanta, na Geórgia. Sob suspeita de manipular o sistema, é transferido para a prisão de segurança máxima da Ilha de Alcatraz, em São Francisco da Califórnia.

Ele é solto em 1939 por bom comportamento depois de ficar um ano num hospital com sífilis e morre em 1947 aos 48 anos em Palm Islands, na Flórida, sem pagar por todos os seus crimes.

PERÓN VOLTA NOS BRAÇOS DO POVO

    Em 1945, nove dias depois de ser demitido e preso num golpe militar, sob intensa pressão popular liderada pelos sindicatos, o vice-presidente e ministro do Trabalho, coronel Juan Domingo Perón, reassume os cargos e faz seu primeiro discurso na sacada da Casa Rosada, sede do governo da República Argentina, diante de 300 mil pessoas, com transmissão de rádio para todo o país, ao lado de sua segunda mulher, María Eva Duarte de Perón, a Evita.

É o Dia da Lealdade, marco fundador do movimento peronista. Quatro meses depois, em 24 de fevereiro de 1946, Perón é eleito com 52,5% dos votos para um mandato de seis anos. Reeleito em 11 de novembro de 1951 com 62% dos votos, quando as mulheres votam pela primeira vez na Argentina, tem o mandato interrompido por um golpe militar em 16 de setembro de 1955.

Perón vai para o exílio e só volta em 20 de junho de 1973 para ser eleito para um terceiro mandato em 23 de setembro, tendo como vice sua terceira mulher, María Estela Martínez de Perón, a Isabelita

Ele toma posse em 12 de outubro e governa até a morte, em 1º de julho de 1974. Deixa o país no caos, à beira da guerra civil, com uma presidente fraca, derrubada pelo golpe de 24 de março de 1976, marco do início da guerra suja da ditadura militar contra as esquerdas, em que morrem 30 mil argentinos .

OPEP EMBARGA PETRÓLEO

    Em 1973, sob a liderança da Arábia Saudita, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) decide parar de exportar petróleo para os Estados Unidos e outros países que apoiaram Israel na Guerra do Yom Kippur, deflagrando a primeira crise do petróleo.

A proposta é reduzir a venda em 5% ao mês até a retirada total dos territórios árabes ocupados por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967: a Península do Sinai e a Faixa de Gaza, do Egito; a Cisjordânia, da Jordânia; e as Colinas do Golã, da Síria.

Em dezembro, a OPEP impõe um embargo total aos EUA e outros aliados de Israel, agravando a situação dos países dependentes do petróleo importado, inclusive o Brasil.

A OPEP é fundada em 1960 pela Arábia Saudita, o Irã, o Iraque, o Kuwait e a Venezuela para aumentar os preços do petróleo, mas tem pouca influência no preço, que fica entre 2 e 3 dólares por barril. Quando começa a Guerra do Yom Kippur, com uma invasão dos territórios ocupados por Israel no Egito e na Síria, a OPEP está reunida em Viena, na Áustria.

Os EUA, principais aliados de Israel, fazem então a maior ponte aérea militar da história. Entregam 22.325 toneladas de equipamento às forças israelenses no campo de batalha. O ditador do Egito, Anuar Sadat, desabafa: "Posso entrar em guerra contra Israel, mas não contra os EUA."

Com a vitória de Israel praticamente assegurada, os países árabes decidem usar o petróleo como arma de guerra. Em dezembro, impõem um embargo total aos EUA. Os preços do petróleo quadruplicam para US$ 12 por barril, causando escassez, racionamento e fila nos postos de gasolina.

Este aumento de preços viabiliza a exploração de petróleo no mar e a Petrobrás se torna uma das empresas mais eficientes na tecnologia de produção offshore

Mesmo assim, como o Brasil importa 75% do petróleo que consome, a crise do petróleo acaba com o modelo econômico da ditadura militar, com o milagre econômico que faz a economia do país crescer acima de 10% no início dos anos 1970, no período mais duro da repressão.

Em 1974, o ditador Ernesto Geisel anuncia a "distensão, lenta, gradual e segura", que leva ao fim do Ato Institucional nº 5 (AI-5) em 1978 e à anistia parcial em 1979.

A Revolução Islâmica no Irã, em fevereiro de 1979, gera uma segunda crise do petróleo. As sucessivas crises do petróleo estão na origem da hiperinflação brasileira, que só é debelada em 1994 com o Plano Real.

FORD EXPLICA PERDÃO A NIXON

    Em 1974, o presidente Gerald Ford justifica perante o Congresso a decisão de perdoar o ex-presidente Richard Nixon por quaisquer crimes cometidos no exercício da Presidência dos Estados Unidos.

Ao assumir a presidência em 9 de agosto de 1974, no dia da renúncia de Nixon, Ford declara que "o longo pesadelo nacional acabou". Fala do Escândalo de Watergate, uma invasão da sede do Partido Democrata em Washington pela equipe de encanadores da Casa Branca para instalar equipamentos de escuta durante a campanha eleitoral de 1972, que implicou o presidente e seus principais assessores.

Diante da iminência de um processo de impeachment por abuso de poder e obstrução de justiça, depois de perder o apoio do Partido Republicano quando gravações provam as tentativas de atrapalhar as investigações, Nixon renuncia, mas isso não acaba com os inquéritos abertos no Congresso, que podem resultar em processos criminais.

Ford é o único presidente não eleito numa chapa presidencial da história dos EUA. O vice-presidente Spiro Agnew havia renunciado em meio a escândalos de corrupção. Ford era o presidente da Câmara e, por isso, o primeiro na linha sucessória.

Um mês depois de assumir, em 8 de setembro, Ford perdoa Nixon. Ao se explicar, alega que é importante para pacificar o país e enterrar de vez Watergate, com o propósito de "mudar o foco nacional... para desviar nossa atenção de um presidente que caiu para as necessidades urgentes da nação".

"As paixões geradas" por um processo contra Nixon, acrescenta Ford, "perturbariam seriamente a cicatrização das feridas do passado".

O novo presidente afirma que, "em geral, o povo americano quer poupar o ex-presidente de um processo criminal" e que livrar Nixon "não vai causar o esquecimento do mal dos crimes cometidos em Watergate nem das lições que aprendemos."

TERREMOTO ABALA SÃO FRANCISCO

    Em 1989, o Terremoto de Loma Prieta, de 7,1 graus de magnitude na escala aberta de Richter, um dos mais destrutivos da história dos EUA, atinge a área da Baía de São Francisco, mata 67 pessoas e deixa prejuízos de US$ 5 bilhões.

São Francisco fica perto da Falha de Santo André, que corre ao longo da costa da Califórnia, no encontro das placas tectônicas do Pacífico e da América do Norte.

Uma das partidas das finais do campeonato nacional de beisebol dos EUA, entre San Francisco Giants e Oakland Athletics, está prestes a começar quando a terra treme, com epicentro nas Montanhas de Santa Cruz. O estádio de Candlestick Park resiste, mas o resto da cidade sofre.

Na Ponte da Baía, entre São Francisco e Oakland, e na Via Expressa Nimitz, uma pista desaba sobre a outra. Das 67 mortes, 41 ocorrem na Via Expressa Nimitz. A destruição também é grande em Watsonville, onde mais de 10% das casas são totalmente destruídas, Palo Alto e Daly City.

O terremoto contribui para a profunda recessão que atinge a Califórnia, uma das maiores economias do mundo, nos anos 1990. A cidade havia passado pelo Grande Terremoto de São Francisco, de 7,9 graus na escala Richter, em 18 de abril de 1906, quando mais de 3 mil pessoas morrem, 80% da cidade são arrasados e 225 mil ficam sem teto.

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quinta-feira, 17 de outubro de 2024

Hoje na História do Mundo: 17 de Outubro

 AL CAPONE NA CADEIA

    Em 1931, o gângster Al Capone é sentenciado a 11 anos de prisão e multa de US$ 80 mil, no fim de uma carreira de crimes como o mafioso mais famoso da história dos Estados Unidos.

Filho de imigrantes italianos, Alphonse Gabriel Capone nasce no Brooklyn, em Nova York, em 1899. Expulso da escola aos 14 anos, entra para uma gangue e recebe o apelido de Scarface (Cicatriz na face) depois de sofrer um corte no queixo numa briga.

Em 1920, Capone se muda para Chicago, onde administra os negócios do mafioso Johnny Torrio, que incluem jogo, prostituição e contrabando de álcool durante a Lei Seca (1920-33). Quando Torrio deixa os negócios depois ser alvo de uma tentativa de homicídio, Capone toma conta a organização mafiosa.

A Lei Seca, que proíbe a fabricação, distribuição e venda de bebidas alcoólicas, cria um negócio clandestino que rende milhões de dólares de lucro para o crime organizado.

Ao eliminar seus adversários numa série de batalhas de gangues e assassinatos, entre eles o Massacre do Dia de São Valentin, em 14 de fevereiro de 1929, quando seus capangas matam sete rivais, Al Capone torna-se o poderoso chefão da máfia de Chicago.

Em 1930, Capone está no topo da lista de procurados pelo FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA, mas consegue ficar livre por subornar policiais, intimidar testemunhas e mudar de esconderijo.

Seu maior inimigo é o policial federal Elliot Ness, líder de um grupo de agentes conhecidos como Intocáveis. Eles acabam com o negócio de bebidas alcoólicas do chefão, mas só conseguem uma condenação por evasão fiscal.

Al Capone começa a cumprir pena numa penitenciária federal de Atlanta, na Geórgia. Sob suspeita de manipular o sistema, é transferido para a prisão de segurança máxima da Ilha de Alcatraz, em São Francisco da Califórnia.

Ele é solto em 1939 por bom comportamento depois de ficar um ano num hospital com sífilis e morre em 1947 aos 48 anos em Palm Islands, na Flórida, sem pagar por todos os seus crimes.

PERÓN VOLTA NOS BRAÇOS DO POVO

    Em 1945, nove dias depois de ser demitido e preso num golpe militar, sob intensa pressão popular liderada pelos sindicatos, o vice-presidente e ministro do Trabalho, coronel Juan Domingo Perón, reassume os cargos e faz seu primeiro discurso na sacada da Casa Rosada, sede do governo da República Argentina, diante de 300 mil pessoas, com transmissão de rádio para todo o país, ao lado de sua segunda mulher, María Eva Duarte de Perón, a Evita.

É o Dia da Lealdade, marco inicial do movimento peronista. Quatro meses depois, em 24 de fevereiro de 1946, Perón é eleito com 52,5% dos votos para um mandato de seis anos. Reeleito em 11 de novembro de 1951 com 62% dos votos, quando as mulheres votam pela primeira vez na Argentina, tem o mandato interrompido por um golpe militar em 16 de setembro de 1955.

Perón vai para o exílio e só volta em 20 de junho de 1973 para ser eleito para um terceiro mandato em 23 de setembro, tendo como vice sua terceira mulher, María Estela Martínez de Perón, a Isabelita. Ele toma posse em 12 de outubro e governa até a morte, em 1º de julho de 1974. Deixa o país no caos, à beira da guerra civil, com uma presidente fraca, derrubada pelo golpe de 24 de março de 1976, marco do início da guerra suja da ditadura militar contra as esquerdas, em que morrem 30 mil argentinos .

OPEP EMBARGA PETRÓLEO

    Em 1973, sob a liderança da Arábia Saudita, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) decide parar de exportar petróleo para os Estados Unidos e outros países que apoiaram Israel na Guerra do Yom Kippur, deflagrando a primeira crise do petróleo.

A proposta é reduzir a venda em 5% ao mês até a retirada total dos territórios árabes ocupados por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967: a Península do Sinai e a Faixa de Gaza, do Egito; a Cisjordânia, da Jordânia; e as Colinas do Golã, da Síria.

Em dezembro, a OPEP impõe um embargo total aos EUA e outros aliados de Israel, agravando a situação dos países dependentes do petróleo importado, inclusive o Brasil.

A OPEP é fundada em 1960 pela Arábia Saudita, o Irã, o Iraque, o Kuwait e a Venezuela para aumentar os preços do petróleo, mas tem pouca influência no preço, que fica entre 2 e 3 dólares por barril. Quando começa a Guerra do Yom Kippur, com uma invasão dos territórios ocupados por Israel no Egito e na Síria, a OPEP está reunida em Viena, na Áustria.

Os EUA, principais aliados de Israel, fazem então a maior ponte aérea militar da história. Entregam 22.325 toneladas de equipamento às forças israelenses no campo de batalha. O ditador do Egito, Anuar Sadat, protesta: "Posso entrar em guerra contra Israel, mas não contra os EUA."

Com a vitória de Israel praticamente assegurada, os países árabes decidem usar o petróleo como arma de guerra. Em dezembro, impõem um embargo total aos EUA. Os preços do petróleo quadruplicam para US$ 12 por barril, causando escassez, racionamento e fila nos postos de gasolina.

Este aumento de preços viabiliza a exploração de petróleo no mar e a Petrobrás se torna uma das empresas mais eficientes na tecnologia de produção offshore

Mesmo assim, como o Brasil importa 75% do petróleo que consome, a crise do petróleo acaba com o modelo econômico da ditadura militar, com o milagre econômico que faz a economia do país crescer acima de 10% no início dos anos 1970, no período mais duro da repressão.

Em 1974, o ditador Ernesto Geisel anuncia a "distensão, lenta, gradual e segura", que leva ao fim do Ato Institucional nº 5 (AI-5) em 1978 e à anistia parcial em 1979.

A Revolução Islâmica no Irã, em fevereiro de 1979, gera uma segunda crise do petróleo. As sucessivas crises do petróleo estão na origem da hiperinflação brasileira, que só é debelada em 1994 com o Plano Real.

FORD EXPLICA PERDÃO A NIXON

    Em 1974, o presidente Gerald Ford justifica perante o Congresso a decisão de perdoar o ex-presidente Richard Nixon por quaisquer crimes cometidos no exercício da Presidência dos Estados Unidos.

Ao assumir a presidência em 9 de agosto de 1974, no dia da renúncia de Nixon, Ford declara que "o longo pesadelo nacional acabou". Fala do Escândalo de Watergate, uma invasão da sede do Partido Democrata em Washington pela equipe de encanadores da Casa Branca para instalar equipamentos de escuta durante a campanha eleitoral de 1972, que implicou o presidente e seus principais assessores.

Diante da iminência de um processo de impeachment por abuso de poder e obstrução de justiça, depois de perder o apoio do Partido Republicano quando gravações provam as tentativas de atrapalhar as investigações, Nixon renuncia, mas isso não acaba com os inquéritos abertos no Congresso, que podem resultar em processos criminais.

Ford é o único presidente não eleito da história dos EUA. O vice-presidente Spiro Agnew havia renunciado em meio a escândalos de corrupção. Ford é o presidente da Câmara e, por isso, o primeiro na linha sucessória.

Um mês depois de assumir, em 8 de setembro, Ford perdoa Nixon. Ao se explicar, alega que é importante para pacificar o país e enterrar de vez Watergate, com o propósito de "mudar o foco nacional... para desviar nossa atenção de um presidente que caiu para as necessidades urgentes da nação".

"As paixões geradas" por um processo contra Nixon, acrescenta Ford, "perturbariam seriamente a cicatrização das feridas do passado".

O novo presidente afirma que, "em geral, o povo americano quer poupar o ex-presidente de um processo criminal" e que livrar Nixon "não vai causar o esquecimento do mal dos crimes cometidos em Watergate nem das lições que aprendemos."

TERREMOTO ABALA SÃO FRANCISCO

    Em 1989, o Terremoto de Loma Prieta, de 7,1 graus de magnitude na escala aberta de Richter, um dos mais destrutivos da história dos EUA, atinge a área da Baía de São Francisco, mata 67 pessoas e deixa prejuízos de US$ 5 bilhões.

São Francisco fica perto da Falha de Santo André, que corre ao longo da costa da Califórnia, no encontro das placas tectônicas do Pacífico e da América do Norte.

Uma das partidas das finais do campeonato nacional de beisebol dos EUA, entre San Francisco Giants e Oakland Athletics, está prestes a começar quando a terra treme, com epicentro nas Montanhas de Santa Cruz. O estádio de Candlestick Park resiste, mas o resto da cidade sofre.

Na Ponte da Baía, entre São Francisco e Oakland, e na Via Expressa Nimitz, uma pista desaba sobre a outra. Das 67 mortes, 41 ocorrem na Via Expressa Nimitz. A destruição também é grande em Watsonville, onde mais de 10% das casas foram totalmente destruídas, Palo Alto e Daly City.

O terremoto contribui para a profunda recessão que atinge a Califórnia, uma das maiores economias do mundo, nos anos 1990. A cidade havia passado pelo Grande Terremoto de São Francisco, de 7,9 graus na escala Richter, em 18 de abril de 1906, quando mais de 3 mil pessoas morrem, 80% da cidade são arrasados e 225 mil ficam sem teto.

terça-feira, 17 de outubro de 2023

Hoje na História do Mundo: 17 de Outubro

 AL CAPONE NA CADEIA

    Em 1931, o gângster Al Capone é sentenciado a 11 anos de prisão e multa de US$ 80 mil, no fim de uma carreira de crimes como o mafioso mais famoso da história dos Estados Unidos.

Filho de imigrantes italianos, Alphonse Gabriel Capone nasce no Brooklyn, em Nova York, em 1899. Expulso da escola aos 14 anos, entra para uma gangue e recebe o apelido de Scarface (Cicatriz na face) depois de sofrer um corte no queixo numa briga.

Em 1920, Capone se muda para Chicago, onde administra os negócios do mafioso Johnny Torrio, que incluem jogo, prostituição e contrabando de álcool durante a Lei Seca (1920-33). Quando Torrio deixa os negócios depois ser alvo de uma tentativa de homicídio, Capone toma conta a organização mafiosa.

A Lei Seca, que proíbe a fabricação, distribuição e venda de bebidas alcoólicas, cria um negócio clandestino que rende milhões de dólares de lucro para o crime organizado.

Ao eliminar seus adversários numa série de batalhas de gangues e assassinatos, entre eles o Massacre do Dia de São Valentin, em 14 de fevereiro de 1929, quando seus capangas matam sete rivais, Al Capone torna-se o poderoso chefão da máfia de Chicago.

Em 1930, Capone está no topo da lista de procurados pelo FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA, mas consegue ficar livre por subornar policiais, intimidar testemunhas e mudar de esconderijo.

Seu maior inimigo é o policial federal Elliot Ness, líder de um grupo de agentes conhecidos como Intocáveis. Eles acabam com o negócio de bebidas alcoólicas do chefão, mas só conseguem uma condenação por evasão fiscal.

Al Capone começa a cumprir pena numa penitenciária federal de Atlanta, na Geórgia. Sob suspeita de manipular o sistema, é transferido para a prisão de segurança máxima da Ilha de Alcatraz, em São Francisco da Califórnia.

Ele é solto em 1939 por bom comportamento depois de ficar um ano num hospital com sífilis e morre em 1947 aos 48 anos em Palm Islands, na Flórida, sem pagar por todos os seus crimes.

PERÓN VOLTA NOS BRAÇOS DO POVO

    Em 1945, nove dias depois de ser demitido e preso num golpe militar, sob intensa pressão popular liderada pelos sindicatos, o vice-presidente e ministro do Trabalho, coronel Juan Domingo Perón, reassume os cargos e faz seu primeiro discurso na sacada da Casa Rosada, sede do governo da República Argentina, diante de 300 mil pessoas, com transmissão de rádio para todo o país, ao lado de sua segunda mulher, María Eva Duarte de Perón, a Evita.

É o Dia da Lealdade, marco inicial do movimento peronista. Quatro meses depois, em 24 de fevereiro de 1946, Perón é eleito com 52,5% dos votos para um mandato de seis anos. Reeleito em 11 de novembro de 1951 com 62% dos votos, quando as mulheres votam pela primeira vez na Argentina, tem o mandato interrompido por um golpe militar em 16 de setembro de 1955.

Perón vai para o exílio e só volta em 20 de junho de 1973 para ser eleito para um terceiro mandato em 23 de setembro, tendo como vice sua terceira mulher, María Estela Martínez de Perón, a Isabelita. Ele toma posse em 12 de outubro e governa até a morte, em 1º de julho de 1974. Deixa o país no caos, à beira da guerra civil, com uma presidente fraca, derrubada pelo golpe de 24 de março de 1976, marco do início da guerra suja em que morrem 30 mil argentinos .

OPEP EMBARGA PETRÓLEO

    Em 1973, sob a liderança da Arábia Saudita, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) decide parar de exportar petróleo para os Estados Unidos e outros países que apoiaram Israel na Guerra do Yom Kippur, deflagrando a primeira crise do petróleo.

A proposta era reduzir a venda em 5% ao mês até a retirada total dos territórios árabes ocupados por Israel na Guerra dos Seis, em 1967: a Península do Sinai e a Faixa de Gaza, do Egito; a Cisjordânia, da Jordânia; e as Colinas do Golã, da Síria.

Em dezembro, a OPEP impõe um embargo total aos EUA e outros aliados de Israel, agravando a situação dos países dependentes do petróleo importado, inclusive o Brasil.

A OPEP é fundada em 1960 pela Arábia Saudita, o Irã, o Iraque, o Kuwait e a Venezuela para aumentar os preços do petróleo, mas tem pouca influência no preço, que fica entre 2 e 3 dólares por barril. Quando começa a Guerra do Yom Kippur, com uma invasão dos territórios ocupados por Israel e a Síria, a OPEP está reunida em Viena, na Áustria.

Os EUA, principais aliados de Israel, fazem então a maior ponte aérea militar da história. Entregam 22.325 toneladas de equipamento às forças israelenses no campo de batalha. O ditador do Egito, Anuar Sadat, protesta, alegando que pode enfrentar Israel, mas não os EUA.

Com a vitória de Israel praticamente assegurada, os países árabes decidem usar o petróleo como arma de guerra. Em dezembro, impõem um embargo total aos EUA. Os preços do petróleo quadruplicam para US$ 12 por barril, causando escassez, racionamento e fila nos postos de gasolina.

Este aumento de preços viabiliza a exploração de petróleo no mar e a Petrobrás se torna uma das empresas mais eficientes na tecnologia de produção offshore

Mesmo assim, como o Brasil importa 75% do petróleo que consome, a crise do petróleo acaba com o modelo econômico da ditadura militar, com o milagre econômico que faz a economia do país crescer acima de 10% no início dos anos 1970, no período mais duro da repressão.

Em 1974, o ditador Ernesto Geisel anuncia a "distensão, lenta, gradual e segura", que leva ao fim do Ato Institucional nº 5 (AI-5) em 1978 e à anistia parcial em 1979.

A Revolução Islâmica no Irã, em fevereiro de 1979, gera uma segunda crise do petróleo. As sucessivas crises estão na origem da hiperinflação brasileira, que só é debelada em 1994 com o Plano Real.

FORD EXPLICA PERDÃO A NIXON

    Em 1974, o presidente Gerald Ford justifica perante o Congresso a decisão de perdoar o ex-presidente Richard Nixon por quaisquer crimes cometidos no exercício da Presidência dos Estados Unidos.

Ao assumir a presidência em 9 de agosto daquele ano, no dia da renúncia de Nixon, Ford declara que "o longo pesadelo nacional acabou". Fala do Escândalo de Watergate, uma invasão da sede do Partido Democrata em Washington pela equipe de encanadores da Casa Branca para instalar equipamentos de escuta durante a campanha eleitoral de 1972 que implicou o presidente e seus principais assessores.

Diante da iminência de um processo de impeachment por abuso de poder e obstrução de justiça, depois de perder o apoio do Partido Republicano quando gravações provam as tentativas de atrapalhar as investigações, Nixon renuncia, mas isso não acaba com os inquéritos abertos no Congresso, que podem resultar em processos criminais.

Ford é o único presidente não eleito da história dos EUA. O vice-presidente Spiro Agnew havia renunciado em meio a escândalos de corrupção. Ford é o presidente da Câmara e, por isso, o primeiro na linha sucessória.

Um mês depois de assumir, em 8 de setembro, Ford perdoa Nixon. Ao se explicar, alega que é importante para pacificar o país e enterrar de vez Watergate, com o propósito de "mudar o foco nacional... para desviar nossa atenção de um presidente que caiu para as necessidades urgentes da nação".

"As paixões geradas" por um processo contra Nixon, acrescenta Ford, "perturbariam seriamente a cicatrização das feridas do passado".

O novo presidente afirma que, "em geral, o povo americano quer poupar o ex-presidente de um processo criminal" e que livrar Nixon "não vai causar o esquecimento do mal dos crimes cometidos em Watergate nem das lições que aprendemos."

TERREMOTO ABALA SÃO FRANCISCO

    Em 1989, o Terremoto de Loma Prieta, de 7,1 graus de magnitude na escala aberta de Richter, um dos mais destrutivos da história dos EUA, atinge a área da Baía de São Francisco, mata 67 pessoas e deixa prejuízos no valor de US$ 5 bilhões.

São Francisco fica perto da Falha de Santo André, que corre ao longo da costa da Califórnia, no encontro das placas tectônicas do Pacífico e da América do Norte.

Uma das partidas das finais do campeonato nacional de beisebol dos EUA, entre San Francisco Giants e Oakland Athletics, está prestes a começar quando a terra treme, com epicentro nas Montanhas de Santa Cruz. O estádio de Candlestick Park resiste, mas o resto da cidade sofre.

Na Ponte da Baía, entre São Francisco e Oakland, e na Via Expressa Nimitz, uma pista desaba sobre a outra. Das 67 mortes, 41 ocorrem na Via Expressa Nimitz. A destruição também é grande em Watsonville, onde mais de 10% das casas foram totalmente destruídas, Palo Alto e Daly City.

O terremoto contribui para a profunda recessão que atinge a Califórnia, uma das maiores economias do mundo, nos anos 1990. A cidade havia passado pelo Grande Terremoto de São Francisco, de 7,9 graus na escala Richter, em 18 de abril de 1906, quando mais de 3 mil pessoas morrem, 80% da cidade são arrasados e 225 mil ficam sem teto.

sábado, 18 de maio de 2019

Cristina Kirchner será candidata a vice-presidente da Argentina

Em vídeo de 12 minutos gravado em seu apartamento no aristocrático bairro da Recoleta, em Buenos Aires, a ex-presidente Cristina Fernández de Kirchner anunciou a intenção de se candidatar a vice-presidente na eleição presidencial de 27 de outubro na Argentina. 

O candidato a presidente seria seu ex-chefe de Gabinete, o equivalente a chefe da Casa Civil, Alberto Fernández, que não tem parentesco com sua líder.

O ex-assessor dava aula na Universidade de Buenos Aires na quarta-feira quando o telefone tocou. Cristina pedia para ele passar na casa dela mais tarde. Na noite daquela quarta-feira, o acordo foi selado, noticiou o jornal Clarín.

Num encontro a dois, Cristina fez a proposta: "Tenho um teto. Pode dar para ganhar, mas vai ser muito difícil para governar. Você terá de ser presidente. Eu vou te acompanhar."

Surpreso, Alberto Fernández alegou que tal decisão não poderia ser tomada "a quente". Pediu 24 horas "para meditar". A quinta-feira foi infernal para o kirchnerismo: a Justiça confirmou a audiência de um dos processos contra Cristina e houve panelaço antiperonismo.

Na sexta-feira, a decisão estava tomada. Era irreversível. Cristina estava relaxada "como se tivesse tirado de cima um peso enorme", comentou um alto funcionário do Partido Justicialista, peronista. A ex-presidente chamou Fernández, mostrou-lhe o vídeo e avisou que pretendia divulgá-lo hoje.

Falando como pré-candidato, Alberto Fernández tentou acalmar os mercados, temerosos da volta do kirchnerismo ao poder: "No me assusta o FMI (Fundo Monetário Internacional). Já negociamos com o Fundo. Temos de encontrar uma saída para os compromissos que a Argentina tem com o mundo. Temos de cumpri-los sem que isso represente mais penúria para os argentinos."

Com sua tacada de mestra, Cristina reforça o discurso de "humildade", "grandeza" e "renúncia", tentando sair do foco dos ataques durante a campanha.

A candidatura de Fernández atinge o movimento peronista não kirchnerista, que articulava uma chapa com o ex-ministro da Economia no governo Néstor Kirchner, Roberto Lavagna, e o deputado Sergio Massa, terceiro colocado na eleição presidencial de 2015, quando Mauricio Macri venceu o candidato de Cristina, o governador Daniel Scioli.

Também surpresa, a Casa Rosada reagiu rapidamente. Para o governo Macri, a polarização com o kirchnerismo continua e Fernández não pode ser apresentado como uma "renovação".

Nas últimas pesquisas, Cristina chegou a ter uma vantagem de até sete pontos percentuais para Macri, que perderia para Lavagna num segundo turno, a ser realizado em 24 de novembro. A pesquisa com Fernández ainda não saiu.

De certa forma, observa o chefe de redação do jornal Perfil, Javier Calvo, houve um resgate da fórmula "Cámpora no governo, Perón no poder", usada na eleição de Héctor Cámpora, em março da 1973, que preparou o retorno à Argentina do caudilho Juan Domingo Perón.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Macri assume pedindo união e fim de enfrentamentos inúteis

Sem maioria no Congresso e sob boicote da ex-presidente Cristina Kirchner, o empresário Mauricio Macri tomou posse hoje como presidente da Argentina com um discurso de conciliação pedindo a união de todos para acabar com os "enfrentamentos inúteis", noticiou o jornal espanhol El País.

"Buscamos um país unido na diversidade, queremos a contribuição de todos, de direita e de esquerda, peronista e não peronistas", declarou Macri depois de prestar juramento num Congresso com boa parte das cadeiras vazias por causa do boicote do kirchnerismo.

A presidente Cristina Kirchner queria passar o cetro e a faixa presidenciais no Congresso para ser aplaudida pela sua claque e não na Casa Rosada, como é a tradição da política argentina. Houve então nos últimos dias um duelo em torno da cerimônia de posse.

Irritado com o boicote de Cristina, Macri recorreu à Justiça para saber a que horas terminava o mandato da ex-presidente. Em princípio, seria no momento da transmissão da faixa, por volta do meio-dia de 10 de dezembro. Se fosse assim, como presidente, Cristina teria o direito de organizar a cerimônia.

A juíza María Servini de Cubría decidiu que o governo Macri começava à meia-noite, então a responsabilidade passou para o novo presidente.

No seu último dia de governo, Cristina inaugurou um busto do falecido marido Néstor Kirchner na Casa Rosada e mudou a conta da Presidência da Argentina no Twitter, que passou a ser Presidência de Néstor e Cristina Kirchner (2003-15).

Em outro gesto de extrema mesquinharia, Cristina não ordenou o fechamento do espaço aéreo de Buenos Aires para facilitar a chegada dos chefes de Estado estrangeiros. O avião da presidente Dilma Rousseff teve de esperar na fila para aterrissar. Ela chegou atrasada.

Os maiores desafios de Macri são reequilibrar a economia da Argentina, onde a economia está em recessão, a inflação ronda os 30% ao ano, o déficit orçamentário passa de 7% do produto interno bruto e as reservas cambiais foram reduzidas a US$ 27 bilhões pelas políticas irresponsáveis do kirchnerismo. O Brasil tem US$ 370 bilhões de reservas em moeda forte.

Isso dificulta a liberalização do câmbio, que poderia provocar uma corrida por dólares capaz de esgotar as reservas do combalido Banco Central argentino, além de acelerar a inflação.

Depois de décadas de hiperinflação, os argentinos se habituaram a poupar em dólares, que circulam como moeda corrente, podendo ser usados até para comprar jornal numa banca.

Isolada do mercado financeiro internacional, Cristina passou a controlar o câmbio e dificultar as importações, afetando negativamente a economia argentina como um todo.

Para equilibrar as contas públicas, Macri terá de cortar os subsídios de energia e alimentos adotados depois que o colapso da dolarização da era Carlos Menem (1989-99), quando 58% caíram na pobreza. Apesar da recuperação de sua pior crise econômica recente, 25% a 30% dos argentinos ainda vivem na miséria.

Como o candidato de Cristina teve 48% dos votos, essa metade do país é a massa de manobra de que a ex-presidente dispõe para boicotar o governo Macri. Em seu último discurso, ela atacou o novo presidente, acusando-o de ser representante de interesses estrangeiros, a velha cantilena da esquerda atrasada latino-americana.

domingo, 25 de outubro de 2015

Eleições marcam o fim da era Kirchner na Argentina

A Argentina vota hoje em eleições presidencial e parlamentares que devem marcar o fim da era Kirchner, iniciada em 2003, com a eleição de Néstor Kirchner em meio à pior crise econômica da história de um país moderno. 

Além do presidente, serão eleitos 130 deputados (metade da Câmara), 24 senadores (um terço do Senado) e 43 parlamentares do Parlasul, o Parlamento do Mercosul.

O candidato oficial, Daniel Scioli, governador da provincial de Buenos Aires, é o favorito. Pode ganhar no primeiro turno se obtiver 45% dos votos válidos ou 40% e uma vantagem de dez pontos sobre o segundo colocado.

Nas últimas pesquisas, Scioli tem de 38% a 41% votos. Em segundo lugar, está o prefeito de Buenos Aires e ex-presidente do Boca Juniors, Mauricio Macri, de centro-direita, herdeiro político do menemismo, com 27% a 31%.

O terceiro colocado é o deputado Sergio Massa, ex-ministro-chefe da Casa Civil do governo Cristina Kirchner com 20% a 23% das preferências. Se houver segundo turno, previsto para 22 de novembro, seu cacife aumenta.

Para o Brasil, mais importante é a recuperação econômica da Argentina, o que deve acontecer com qualquer governo, dado o desastre das políticas econômicas do kirchnerismo. Os controles de preços que faziam sentido depois do colapso da dolarização da era Carlos Menem, em 2001, prejudicam a economia do país desde o agravamento da crise financeira internacional, no primeiro ano do primeiro governo de Cristina Kirchner.

Diante da crise, além de manipular os índices de inflação desde a primeira campanha presidencial de Cristina, em 2007, o governo aumentou sua política de confrontação com setores empresariais e os credores internacionais, elevou os impostos sobre exportações de grãos causando uma greve de produtores rurais, atacou a imprensa crítica do governo, comprou uma nova briga com credores que não aceitaram a renegociação da dívida, controlou o câmbio e as exportações. 

Com sua confrontação também com as potências ocidentais, terminou por apelar para a China, o que abala as pretensões do Brasil à liderança regional à medida que diminui a hegemonia dos EUA sobre a América Latina. Melhorar as relações com os EUA será prioridade do novo presidente argentino, seja quem for.


A presença dos três principais candidatos na festa de aniversário do jornal oposicionista Perfil é um sinal do fim da guerra dos Kirchner contra a grande imprensa argentina. O Clarín, maior jornal do país, apoiou Néstor Kirchner e a reconstrução do país depois do colapso da dolarização. Passou para a oposição em 2008, durante a paralisação dos produtores rurais.

Para enfrentar a mídia de oposição, o governo Cristina Kirchner aprovou a Lei de Meios de Comunicação. Apesar dos inegáveis méritos de regulamentar o setor para combater monopólios, a lei virou um instrumento para perseguir críticos do regime e sufocar empresas, muitas vendidas a aliados do kirchnerismo. Os três candidatos querem paz também nesta frente de luta do kirchnerismo.

Scioli, vice de Kirchner no primeiro mandato, não era o favorito de Cristina, mas sim o candidato mais elegível da coalizão governista. Representa ao mesmo tempo o desejo do eleitorado argentino de acabar com a política de confronto permanente de Néstor e Cristina Kirchner sem um corte radical dos subsídios que garantem certa proteção social num país empobrecido.

Por outro lado, como o peronismo é uma força política que historicamente foi da extrema direita à extrema esquerda,  um grande saco de gastos onde tudo cabe, até o americanismo de Menem, totalmente contrário ao que dizia o general Juan Domingo Perón, quando um novo presidente chega à Casa Rosada trata de assumir o controle do movimento, muitas vezes se livrando de quem os levou até lá.

Néstor Kirchner concorreu como candidato da esquerda peronista, indicado por Eduardo Duhalde, vice de Menem no primeiro governo que foi derrotado pelo radical Fernando de La Rúa em 1999 e assumiu a Presidência no auge da crise. Ao chegar ao poder, e especialmente depois de renegociar a dívida, tratou de descartar Duhalde. Em 2005, Cristina concorreu à senadora pela provincial de Buenos Aires contra Hilda Chiche Duarte, numa guerra de primeiras-damas.

Talvez Scioli não tenha uma base suficientemente forte no peronismo para desafiar Cristina, mas certamente não está lá simplesmente para esquentar a cadeira para a chefe como pretende a presidente das Mães da Praça de Maio, Estela Carlotto, eternamente grata aos Kirchner por botar na cadeia os torturadores e assassinos da última ditadura militar e por recuperar seu próprio neto.

Ao manipular a inflação, Cristina perdeu o apoio dos sindicatos, principal base política do peronismo. A partir daí, Scioli pode criar sua base. É certo que tentará compor com os setores empresariais para destravar a economia argentina e levar o país de volta do reino desencantado do kirchnerismo à realidade.

Como observa o ex-secretário de Comércio Dante Sica, qualquer que seja o presidente terá de fazer um ajuste fiscal forte para conter a inflação, cortar subsídios e liberar preços.

Embora não seja tratado pela imprensa brasileira como peronista, o empresário Mauricio Macri, ex-presidente do Boca, é um herdeiro do peronismo de direita e do menemismo. Sua ênfase será na normalização da economia, no controle da inflação, na retomada do crescimento e na reabertura da economia.

A exemplo de Menem, sua política econômica deve ser mais orientada para os EUA, mas ele não ignora a importância econômica do Brasil e da China. Sua eleição ajudaria a resgatar o papel do Mercosul em negociações de liberalização comercial, se o regime chavisa da Venezuela permitisse.

O terceiro colocado nas pesquisas, Sérgio Massa, foi ministro de Cristina. Representa uma esperança de renovação do peronismo. Mesmo que feche com Macri caso haja segundo turno, dificilmente conseguiria transferir uma quantidade de votos suficientes para superar Scioli, que pode ganhar no primeiro turno.

O governo Dilma Rousseff aposta na vitória de Scioli por afinidade ideológica com o kirchnerismo, mas o protecionismo de Cristina e suas concessões à China não ajudaram as relações bilaterais. Quem quer que seja eleito não pode continuar a estratégia populista de Cristina.

Uma coisa é certa: o vencedor será um peronista, de direita ou de esquerda. O movimento ganhou nove das 11 eleições que disputou. Perdeu para Raúl Alfonsín e De la Rúa, ambos da União Cívica Radical, que deixaram seus governos antes do fim em meio a crises econômicas gravíssimas, tornando o partido inelegível.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Primárias deixam em aberto eleição presidencial na Argentina

O candidato oficial Daniel Scioli, governador da província de Buenos Aires, venceu a eleição primária para a Presidência da Argentina realizada no último domingo, mas tudo indica que deve haver segundo turno. A eleição para valer será em 25 de outubro de 2015.

Com 98% dos votos apurados, Scioli, da Frente para a Vitória, está na frente com 38,41% contra 30,07% da coalizão Mudemos, liderada pelo prefeito da capital, Mauricio Macri, e 20,63% do deputado Sergio Massa, que se qualifica como terceira via, observou o boletim de notícias Infolatam.

Todos cantaram vitória. "Tomamos este triunfo com humildade e gratidão aos 8 milhões de argentinos que nos deram seu respaldo", declarou o governador. "Vamos trabalhar arduamente para convocar, convencer e persuadir a maior quantidade de argentinos possíveis", acrescentou, destacando a vantagem de 14 pontos na disputa pessoal com Macri.

A coalizão Mudemos englobava as candidaturas de Mauricio Macri (24,24%), representante do liberalismo do governo Carlos Menem (1989-99), da direita peronista; de Ernesto Sanz (3,45%), da União Cívica Radical (UCR), segundo maior partido tradicional argentino; e da esquerdista Elisa Carrió (2,34%), da Afirmação por uma República Igualitária.

Scioli foi vice-presidente de Néstor Kirchner. Representa o peronismo de esquerda e o continuísmo, mas não vai manter as políticas antiliberais e antimercado de Cristina Kirchner, que arruinaram a economia argentina.

Quando chega à Casa Rosada, o presidente da Argentina costuma atropelar ou descartar até mesmo antigos aliados que possam se atravessar no seu caminho. Foi assim com Néstor Kirchner. Ele foi indicado como candidato da esquerda peronista contra Menem pelo presidente interino Eduardo Duhalde (2002-3), que assumiu em meio ao colapso da economia do país e o levou até a eleição presidencial de 2003.

Em 2005, Néstor Kirchner promoveu a candidatura da mulher, Cristina Kirchner, a senadora pela província de Buenos Aires, disputando contra Hilda Chiche Duhalde, mulher do aliado convertido em inimigo político.

Do Senado, Cristina Kirchner chegou à Casa Rosada em 2007. Deveria devolver a faixa presidencial ao marido, que morreu do coração em 27 de outubro de 2010. Com a tragédia pessoal e uma economia em crescimento, Cristina conseguiu em 2011 54% dos votos no primeiro turno, a maior vitória já obtida numa eleição presidencial argentina pós-ditadura.

O desafio de Scioli agora é se distanciar da pesada herança econômica do kirchnerismo para captar o voto apartidário que vai definir a eleição.

Ao comentar o resultado, o prefeito de Buenos Aires afirmou: "Não é o cenário que queriam. Ficou claramente estabelecido que vai haver segundo turno."

O maior problema de Macri é se livrar da imagem de candidato conservador, herdeiro político de Menem, ligado à "pátria financeira" pelo discurso político kirchnerista.

Pelas regras peculiares das eleições presidenciais em dois turnos na Argentina calibradas por Menem, para ganhar no primeiro turno não é necessária a maioria absoluta. Bastam 45% dos votos válidos ou 40% dos votos válidos e uma vantagem de dez pontos percentuais sobre o segundo colocado.

Diante dos resultados de domingo, parece improvável que Scioli consiga a vitória no primeiro turno. Isso aumenta o cacife eleitoral do deputado Sergio Massa, ex-prefeito de Tigre e ex-ministro-chefe da Casa Civil de Cristina Kirchner em 2008-9.

Como o apoio de Massa pode ser decisivo, ele está sendo cortejado pelos dois lados. Sonha em ser a terceira via entre o kirchnerismo e um suposto retorno ao menemismo.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Cristina Kirchner anuncia candidatura à reeleição

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, confirmou hoje que será candidata à reeleição em outubro deste ano, noticia o jornal Clarín

“Vou me submeter outra vez à vontade popular”, declarou Cristina hoje à tarde durante um ato na Casa Rosada, em Buenos Aires.

Ela não revelou quem será o candidato a vice-presidente. Com certeza, não vai ser o atual vice, rompido com a presidente desde que votou a favor dos ruralistas durante um conflito com o governo por causa do imposto sobre exportações de grãos.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Ex-presidente Kirchner morre de ataque cardíaco

O ex-presidente da Néstor Kirchner morreu de um ataque do coração aos 60 anos na cidade de El Calafate, no Sul da Argentina, informou agora há pouco a televisão estatal do país.

Desde o início do ano, ele tinha sido submetido a duas cirurgias para resolver problemas cardíacos. Em fevereiro, passara por uma operação de emergência na artéria carótida direita; em outubro, fez outra, para desobstruir a artéria coronariana.

Kirchner, descendente de imigrantes suíços e croatas, nasceu e iniciou sua carreira política em Río Gallegos, na Patagônia, onde será enterrado no sábado. Foi eleito presidente em 2003, depois do colapso da economia da Argentina, em 2001, com o fim da paridade cambial fixa entre o peso e o dólar, em plena moratória da dívida.

Em meio ao caos criado pelo calote da dívida e o confisco das poupanças em dólares,  com 58% da população de um país rico na miséria, o governo Kirchner renegociou a dívida com deságio de 25%. Revogou as leis que anistiavam as violações de direitos humanos da última ditadura militar argentina, e adotou políticas sociais destinadas a varrer o neoliberalismo da era Carlos Menem (1989-99), o peronista de direita responsável pela dolarização catastrófica.

Na verdade, Kirchner foi tirado da cartola pelo então presidente Eduardo Duhalde (2002-03) como candidato anti-Menem. Neste jogo de paixões e traições da política argentina, Duhalde foi vice-presidente no primeiro governo Menem, mas depois rompeu com ele.

Com o apoio da ala mais esquerdista do Partido Justicialista (peronista), Duhalde concorreu à Presidência em 1999 e perdeu para Fernando de la Rúa, da União Cívica Radical. Sem os votos que a direita dava a Menem, não superou o limite de 40% da votação tradicional peronista.

De la Rúa cometeu o erro fatal de não abandonar a dolarização de Menem. O capital estrangeiro não fluía mais para a América Latina desde a crise asiática de 1997. Com a camisa de força da dolarização, a economia argentina perdia competitividade. A situação piorou com as crise da Rússia (1998) e do Brasil (1999).

Em abril de 2001, o ministro da Economia, Domingo Cavallo, anuncia o lançamento de títulos que pagavam 15% em dólar. No fim do ano, a Argentina entrou em colapso, pagou de parar a dívida e viveu uma das piores crises econômicas da História.

Com a multidão nas ruas de Buenos Aires e corrida aos bancos para sacar os depósitos em dólares, De la Rúa caiu, em 21 de dezembro de 2001.

Duhalde chegou ao poder em 2 de janeiro de 2002, depois de três presidentes interinos: o presidente interino do Senado, Frederico Ramón Puerta; o governador Adolfo Rodríguez Saá; e o presidente da Câmara, Eduardo Camaño.

Seus objetivos maiores eram reestabilizar a economia, combater as consequências sociais da crise e afastar de vez o neoliberalismo menemista, que Duhalde via como responsável pelo colapso da Argentina.

Kirchner foi o candidato da esquerda peronista, o anti-Menem na eleição presidencial de 2003 e sempre acusava seus adversários, os jornais conservadores e vários empresários de fazer o jogo sujo do fundamentalismo de mercado.

Menem ganhou o primeiro turno com apenas 24,3% dos votos e abandonou o segundo turno, tentando negar legitimidade a Kirchner, que tivera 22% e passou o início de seu governo em busca de legitimidade.

No plano político, por reabrir os processos contra os torturadores e assassinos da última ditadura militar argentina, Néstor Kirchner ganhou o apoio incondicional das Mães da Praça de Maio. Para defender suas políticas, mobilizou os sindicatos peronistas e os piqueteiros, massas de desempregados que bloqueavam ruas e acesso a empresas em seus protestos.

Com a renegociação da dívida, a economia chegou a crescer 8% e o emprego se recuperou, mas o governo adotou políticas populistas, antiliberais e antimercado que afugentaram o investimento em setores essenciais como energia.

O ministro da Economia responsável pelo fim da moratória, Roberto Lavagna, foi afastado depois da vitória do casal Kirchner nas eleições parlamentares de 2005, quando Néstor consolidou seu domínio sobre o partido peronista, derrotando seu criador, Duhalde.

Cristina Kirchner disputou uma cadeira de senadora por Buenos Aires com Hilda Chiche Duhalde, a mulher de Eduardo Duhalde. Na festa da vitória, o casal Kirchner foi comparado ao casal Juan Domingo e Eva Perón, os fantasmas que pairam eternamente sobre a política argentina.

Diante do desgaste que representaria a luta por um segundo mandato, Néstor Kirchner lançou sua mulher, a senadora Cristina Fernández de Kirchner, como candidata à Casa Rosada. Ela se tornou, em 2007, a primeira mulher eleita presidente da Argentina.

O governo Cristina Kirchner foi marcado, em 2008, por um longo conflito com os produtores rurais por causa do aumento do imposto sobre exportação de grãos, uma saída para manter a arredacação sob o pretexto de combater a inflação nos preços dos alimentos.

Na ocasião, o maior jornal argentino, Clarín, que apoiara o governo Néstor Kirchner, ficou ao lado dos ruralistas. O casal declarou uma guerra à grande imprensa e ao maior grupo de mídia argentino. Mandou 200 fiscais do imposto de renda fazerem uma devassa nas empresas. Tomou de uma delas o direito de transmissão dos jogos do Campeonato Argentino de futebol. E conseguiu aprovar uma Lei de Meios de Comunicação que obrigaria o grupo Clarín a se desfazer de mais de 200 licenças de telerradiodifusão, parcialmente suspensa pela Justiça.

Desde antes da eleição de Cristina, o casal Kirchner é acusado de pressionar o instituto oficial de estatísticas a manipular os dados oficiais sobre crescimento de preços. O modelo kirchnerista, baseado em controle de preços e gastos públicos, começava a gerar inflação e crescimento baixo.

Hoje, a inflação oficial está em 11%, mas economistas independentes a calculam em 25% ao ano. A Argentina deve crescer 7% neste ano, o que recuperou parcialmente a popularidade do casal.

Anti-imperialista por suas raízes peronistas e pela ruptura com o sistema financeiro internacional, Néstor Kirchner cultivou uma relação com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, um dos grandes compradores de bônus da dívida argentina e financiadores da campanha de sua mulher.

Houve um escândalo quando um empresário venezuelano foi preso no aeroporto Jorge Newbery, em Buenos Aires, com US$ 790 mil não declarados numa maleta de mão, em 4 de agosto de 2007. Ele foi solto. O dinheiro seria para a campanha de Cristina.

Pragmático, mais interessado em resultados de curto prazo com peso sobre a economia e a opinião pública argentinas, Kirchner queria fortalecer o Mercosul. Via com desdém os esforços brasileiros de integração regional, mas acabou se tornando secretário-geral da União das Nações Sul-Americanas (Unasul).

Kirchner pretendia usar o cargo como trampolim para voltar à Presidência da Argentina em 2011.

Por força de seu personalismo, sua morte deixa um grande vácuo no centro do poder na Argentina. Cristina sempre foi vista como uma presidente comandada pelo marido.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Filho de Alfonsín acusa Cristina de coação

O deputado nacional Ricardo Alfonsín, filho do falecido presidente Raúl Alfonsín, defendeu hoje uma reforma tributária na Argentina para que o governo federal não possa mais coagir as províncias a se alinharem à Casa Rosada.

"Desde 2003", afirmou Alfonsín, "o governo nacional descapitaliza as províncias para controlar a vontade política de governadores e deputados provinciais. Agora, aproveita o estado de necessidade em que se encontram para pressioná-los a concordar com o uso inconstitucional das reservas cambiais."

Depois de dizer que "é preciso resolver a situação dos governadores e impedir que sejam vítimas da coação do governo nacional".

Para isso, é necessário aprovar uma lei que reduza as amplas prerrogativas e a arbitrariedade do governo central na co-participação e na distribuição dos impostos arrecadados.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Cristina Kirchner está perto da vitória

Uma semana antes da eleição presidencial do próximo domingo, 28 de outubro, na Argentina, as pesquisas indicavam a forte probabilidade de uma vitória da senadora e primeira-dama Cristina Fernández de Kirchner já no primeiro turno. Seu marido, o presidente Néstor Kirchner, a indicou por estar menos desgastada. Mas é a recuperação econômica sob Kirchner, depois do colapso da dolarização em 2001, que garante a vitória da candidata oficial.

Na Argentina, para ganhar no primeiro turno, é preciso receber mais de 45% dos votos válidos ou 40% e uma vantagem de 10 pontos percentuais sobre o segundo colocado.

Pela pesquisa divulgada ontem pelo jornal La Nación, Cristina tem 40,9% e uma vantagem de 26,4 pontos sobre a segunda colocada, a esquerdista Elisa Carrió, da Coalizão Cívica, que tem 14,5%, enquanto que o ex-ministro da Economia que negociou o fim do calote, Roberto Lavagna, de Uma Nação Avançada, obteve 10,8%, e Alberto Rodríguez Saá subiu para 7,2%.

Mais uma vez, a economia decide. Como observa Oliver Galak, de La Nación, "o clima é de continuísmo mas não há triunfalismo oficialista nem adesão ideológica. A economia será determinante".

Desde que Kirchner chegou ao poder, há quatro anos e meio, a pobreza caiu de 54% para 23,4%, a miséria de 27,7% para 8,2% e o desemprego de 17,8% para 7,7%. A massa salarial cresceu 89,4% e o consumo nos supermercados já supera os 50%.

A economia argentina se expandiu a um ritmo anual de mais de 8%. Este ano as exportações devem passar de US$50 bilhões.

Leia mais em La Nación.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Botnia inicia operação num mês no Uruguai

A fábrica de papel e celulose da companhia finlandesa Botnia que deflagrou a chamada 'guerra das papeleiras' entre Argentina e Uruguai começa a funcionar dentro de um mês, anunciou hoje o governo uruguaio, provocando mal-estar na Casa Rosada.

O conflito, que já dura dois anos, teve início quando duas empresas européias decidiram instalar fábricas de papel e celulose na margem oriental do Rio Uruguai, com investimentos de US$ 2 bilhões, equivalentes a 15% do produto interno bruto uruguaio. A Argentina alegou que as indústrias trariam poluição, violando o Estatuto do Rio Uruguai.

Imediatamente, uma assembléia de moradores da cidade argentina de Gualeguaychú, que fica diante de Fray Bentos, no Uruguai, onde a Botnia fez sua fábrica, se mobilizou para tentar paralisar a obra. Uma companhia espanhola desistiu do projeto inicial e estuda a possibilidade de se instalar em outro lugar.

Em abril do ano passado, o Uruguai apelou ao Mercosul e ameaçou deixar o bloco comercial liderado por Brasil e Argentina, se não servisse de fórum para negociar o conflito. Mas o presidente argentino, Néstor Kirchner, rejeitou a mediação que o presidente Lula tentou fazer junto à presidente da Finlândia, alegando tratar-se de uma questão bilateral.

O caso chegou à Corte Internacional de Justiça das Nações Unidas, em Haia, na Holanda.

Nos últimos dias, os assembleístas de Gualeguaychú prometeram marchar até a Praça de Maio, onde fica a Casa Rosada, sede do governo argentino, antes da eleição presidencial de 28 de outubro, depois que notícias de que Kirchner teria admitido em Nova Iorque que a localização da fábrica da Botnia é irreversível. Depois, voltou atrás e desmentiu a notícia.