Mostrando postagens com marcador Mercosul. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mercosul. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 26 de março de 2026

Hoje na História do Mundo: 26 de Março

LEI DO ASSASSINATO

     Em 1752, entra em vigor no Reino Unido a Lei do Assassinato, que impõe penas rigorosas para condenados por homicídio, inclusive o uso de seus cadáveres para dissecação.

Os legisladores esperam que isto ajude a atender à necessidade de cadáveres para estudo e treinamento de cirurgiões. Na época, ladrões roubavam corpos para vender.

A Lei do Assassinato fracassa e é substituída em 1832 pela Lei da Anatomia,

VACINA CONTRA PÓLIO

    Em 1953, o médico norte-americano Jonas Salk anuncia que testou com sucesso uma vacina contra a poliomielite, doença causadora da paralisia infantil.

No ano anterior, uma epidemia de pólio atinge 58 mil pessoas e causa 3 mil mortes nos Estados Unidos.

O primeiro grande surto de poliomielite nos EUA é registrado no estado de Vermont, em 1894. No início do século 20, há milhares de casos por ano, principalmente em crianças, mas também em adultos.

O futuro presidente Franklin Delano Roosevelt teve pólio aos 39 anos, em 1921, e ficou parcialmente paralítico.

Depois, o dr. Albert Sabin cria a vacina oral contra a poliomielite e campanhas de vacinação erradicam a doença em praticamente todo o mundo. Os únicos países onde há focos importantes da doença são o Afeganistão e o Paquistão, onde os Estados Unidos usaram campanhas de vacinação para descobrir o esconderijo do terrorista Ossama ben Laden.

Com as campanhas antivacinas, hoje há um sério risco de volta da doença.

INDEPENDÊNCIA DE BANGLADESH

    Em 1971, a Liga Awami forma um governo no exílio em Calcutá, hoje Kolkota, na Índia, e proclama a independência de Bangladesh, na época conhecido como Paquistão Oriental.

O futuro país passa a fazer parte do Império Britânico em 1858, quando este assume o controle da Índia. Quando a Índia e o Paquistão conquistam a independência, em 1947, vira o Paquistão Oriental. 

A declaração de independência marca o início de uma guerra civil de nove meses em que recebe o apoio da Índia, inimiga histórica do Paquistão, o que deflagra a Guerra Indo-Paquistanesa de 1971. A vitória vem em 16 de dezembro, depois de 3 milhões de mortes, da fuga de 8 a 10 milhões de pessoas para a Índia e do estupro de 200 mil mulheres.

A guerra leva à fome de grande parte da população de um dos países mais pobres do mundo, levando o ex-beatle George Harrison a organizar o Concerto para Bangladesh para arrecadar dinheiro para as vítimas da guerra.

Com cerca de 171,5 milhões de habitantes, Bangladesh é o oitavo maior país do mundo em população e o quarto com maior número de muçulmanos depois da Indonésia, do Paquistão e da Índia.

ACORDOS DE CAMP DAVID

    Em 1979, o presidente do Egito, Anuar Sadat, e o primeiro-ministro de Israel, Menachem Begin, assinam os Acordos de Camp David, mediados pelo presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter.

Quando as Nações Unidas aprovam a criação do Estado de Israel, em 29 de novembro de 1947, e o país é fundado, em 14 de maio de 1948, os países árabes não aceitam. A Guerra da Independência de Israel vai até 10 março de 1949.

A derrota árabe humilhante causa a Revolução dos Coronéis e a queda do rei Faruk no Egito. Ascende ao poder no Cairo o coronel Gamal Abdel Nasser, que se torna o grande líder do nacionalismo pan-árabe ao enfrentar as potências coloniais europeias e nacionalizar o Canal de Suez.

Com o apoio da França e do Reino Unido, em 19 de outubro de 1956, Israel declara guerra ao Egito. Em plena crise internacional porque a União Soviética ataca a Hungria para acabar com uma revolta contra o regime stalinista, os Estados Unidos suspendem o apoio do Fundo Monetário Internacional às economias britânica e francesa, ainda abaladas pela Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Os invasores se retiram. O Egito fica com o Canal de Suez e Nasser sai fortalecido.

Em 1967, Nasser fecha o Estreito de Tiran aos navios israelenses. Quando manda a força de paz da ONU sair da Península do Sinai, Israel vê o risco de uma guerra iminente e ataca as forças aéreas do Egito, da Jordânia e da Síria em terra, deflagrando a Guerra dos Seis Dias.

De 5 a 10 de junho de 1967, Israel obtém uma vitória esmagadora e ocupa a Faixa de Gaza e a Península o Sinai, que pertenciam ao Egito; as Colinas do Golã, da Síria; e a Cisjordânia, inclusive o setor oriental (árabe) de Jerusalém, que eram parte da Jordânia.

Para tentar retomar os territórios ocupados, a Guerra do Yom Kippur começa, em 6 de outubro de 1973, com a maior empreitada militar árabe da era moderna. Mais de 100 mil soldados egípcios cruzam o Canal de Suez para entrar no Sinai.

Na época, Israel tem o apoio incondicional dos EUA, que fazem a maior ponte aérea militar da história. Entregam 22,325 mil toneladas de equpamento militar, armas e munições a Israel diretamente no campo de batalha.

Quando Israel cerca o 3º Exército do Egito no Sinai e está prestes a destruí-lo, a URSS ameaça entrar na guerra e entra em alerta nuclear.

Mesmo assim, a conselho do secretário de Estado norte-americano Henry Kissinger, para recuperar o Sinai, Sadat abandona a aliança com a URSS, que deixa de ser uma grande potência no Oriente Médio. O líder egípcio se aproxima dos EUA e faz uma visita de surpresa a Israel de 19 a 21 de novembro da 1977, a primeira de um líder árabe, e discursa no Parlamento para promover a paz.

Os acordos de paz são negociados em Camp David, na casa de campo da Presidência dos EUA, de 5 a 17 de setembro de 1978. O tratado de paz entre Israel e o Egito é assinado formalmente em Washington em 26 de março de 1979.

NASCE O MERCOSUL

    Em 1991, os presidentes do Brasil, Fernando Collor de Mello; do Paraguai, general Andrés Rodríguez; da Argentina, Carlos Menem; e do Uruguai, Luis Alberto Lacalle; assinam o Tratado de Assunção, que cria o Mercado Comum do Sul (Mercosul).

A reaproximação entre Brasil e Argentina começa antes mesmo da redemocratização dos países. Durante o governo do general João Figueiredo, os dois países chegam a um acordo sobre a exploração energética da Bacia do Prata. Os argentinos temem que a Hidrelétrica de Itaipu esgote o potencial energético do Rio Paraná.

A integração regional do Cone Sul da América Latina avança com os encontros de cúpula dos presidentes José Sarney e Raúl Alfonsín depois da redemocratização do Brasil e da Argentina. Em 1985, eles assinam o Tratado de Iguaçu. 

O diálogo leva a um acordo nuclear para evitar uma corrida armamentista na região. Em 18 de julho de 1991, é assinado o Acordo de Guadalajara, pelo qual Brasil e Argentina se comprometem a usar a energia nuclear somente para fins pacíficos.

Com a crise da dívida externa e a hiperinflação que atinge os dois países nos anos 1980, quando a Argentina lança o Plano Austral e o Brasil o Plano Cruzado, a integração regional é vista como uma maneira de aumentar o poder de barganha em negociações internacionais. Não melhora as condições de renegociação das dívidas, mas fortalece o comércio regional, que sobe em cinco anos de US$ 1 bilhão para US$ 20 bilhões. Os presidentes Fernando Collor de Mello e Carlos Menem aproveitam o acordo para baixar tarifas de importação e promover a abertura comercial.

A meta de zerar as tarifas de importações e eliminar as barreiras não tarifárias até 31 de dezembro de 1994 nunca foi atingida. A Bolívia (1996), o Chile (1996), o Peru (2003), a Colômbia (2004), o Equador (2004), a Guiana (2013), e o Suriname (2013) são países associados. Fazem parte da zona de livre comércio, mas não da união aduaneira, que pressupõe a aplicação de uma tarifa externa comum na compra de produtos de fora do bloco.

A entrada da Venezuela como membro pleno em 31 de julho de 2012, sem adotar previamente as regras do bloco, criou um Mercosul mais político, menos voltado para a integração econômica. Em dezembro de 2016, a Venezuela é suspensa sob a acusação de violar a cláusula democrática do bloco.

Em julho de 2024, a Bolívia passa a ser membro pleno. Tem um prazo de quatro anos para se adequar à legislação do Mercosul.

MIKE TYSON SENTENCIADO

    Em 1992, o boxeador peso-pesado Mike Tyson é sentenciado a seis anos de prisão após ser condenado por crime de estupro em Indianápolis, no estado de Indiana.

Tyson nasce no Brooklyn, em Nova York, em 30 de junho de 1966, e desde muito cedo passa a fazer parte de gangues de rua. Em 1978, com 12 anos, 80 quilos e uma musculatura formidável, é enviado para o reformatório, onde o aficcionado de boxe Bobby Stewart vê potencial para uma carreira no boxe. 

Aos 20 anos, em 22 de novembro de 1986, ele se torna o mais jovem campeão mundial da categoria peso-pesado com um estilo extremamente agressivo em que avança em linha reta e tenta demolir o adversário no primeiro assalto.

Em 1988, Tyson casa com a atriz Robin Givens. Ela o acusa de abuso e o casal se divorcia no ano seguinte. Uma série de acusações de assédio e violência sexual é apresentada contra o boxeador.

Contra todas as expectativas, em 11 de fevereiro de 1990, ele perde o título mundial para James Buster Douglas. Em 1991, Tyson é acusado de estuprar uma candidata a miss. É condenado e preso em 1992.

Três anos depois, Tyson sai da prisão e recupera dois títulos de campeão mundial com vitórias fáceis sobre Frank Bruno e Bruce Seldon. Em 9 de novembro de 1996, sofre sua segunda derrota, desta vez para Evander Holyfield, duas vezes campeão mundial, por nocaute técnico no 11º assalto. 

Na revanche, em 28 de junho de 1997, Tyson é desclassificado depois de morder duas vezes a orelha  de Holyfield e perde a licença para boxear. Ele volta a lutar e a vencer em 16 de janeiro de 1999. Em 7 de fevereiro do mesmo ano, é condenado a um ano de prisão, dois de liberdade condicional, 200 horas de serviço comunitário e multa de US$ 2,5 mil por agredir dois idosos depois de um acidente de automóvel em 1998.

Sua última vitória como lutador profissional acontece em 2003 em apenas 49 segundos. No fim daquele ano, Tyson declara falência com dívidas de US$ 34 milhões depois de ganhar US$ 400 milhões na carreira.

PUTIN ELEITO PRESIDENTE

    Em 2000, Vladimir Putin é eleito presidente da Rússia pela primeira vez, depois de se tornar primeiro-ministro de Boris Yeltsin em 9 de agosto de 1999 e de substituir Yeltsin, que renuncia em 31 de dezembro do mesmo ano.

Putin nasce em Leningrado, hoje São Petersburgo, em 7 de outubro de 1952. Ele estuda direito na Universidade de Leningrado e trabalha durante 15 anos como agente da polícia política soviética KGB (Comitê de Defesa do Estado). Serve 6 anos em Dresden, na Alemanha Oriental.

Quando as revoluções democráticas acabam com o comunismo na Europa Oriental, a sede do escritório em Dresden é cercada. Putin ameaça atirar nos manifestantes e pede ajuda ao governo alemão-oriental, que responde: "Só podemos agir com autorização de Moscou, e Moscou está em silêncio."

Mais tarde, no poder, faz questão de que Moscou nunca fique em silêncio.

Essa frase marca sua vida política. De volta a Leningrado, Putin trabalha com Anatoly Sobchak, prefeito de São Petersburgo. Em 1994, numa conferência internacional, declara que o fim da União Soviética é "a maior tragédia geopolítica da segunda metade do século 20."

Quando Sobchak perde a reeleição, em 1996, Putin profere outra de suas máximas: "Não se deve realizar uma eleição sem antes saber o resultado."

Putin vai então para Moscou e trabalha com Anatoli Chubais, vice-primeiro-ministro responsável pelas privatizações. De 25 de julho de 1998 a 29 de março de 1999, dirige o Serviço Federal de Segurança, herdeiro do KGB, seu último trampolim para o poder.

Assim que ascende ao poder, ainda como primeiro-ministro, depois de ações de extremistas muçulmanos na república russa do Daguestão e de atentados terroristas mal esclarecidos atribuídos a rebeldes chechenos. Putin inicia a Segunda Guerra da Chechênia (1999-2009) para consolidar o poder.

O presidente russo começa a se afastar do Ocidente na Conferência de Segurança de Munique, em 2007. No ano seguinte, invade a ex-república soviética da Geórgia e assume o controle das regiões da Abecásia e da Ossétia do Sul, anexações não reconhecidas internacionalmente.

Depois de ser primeiro-ministro de Dimitri Medvedev (2008-12), Putin volta à Presidência com a convicção de que as revoluções coloridas na antiga URSS e a Primavera Árabe são conspirações do Ocidente das quais pode ser o próximo alvo.

Quando o presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich, cai numa revolta popular contra o rompimento de negociações com a União Europeia, em fevereiro de 2014, a Rússia ocupa a Península da Crimeia, anexada ilegalmente no mês seguinte.

Em 6 de abril de 2014, começa uma revolta fomentada pelo Kremlin no Leste da Ucrânia. Após anos de impasse, em 24 de fevereiro de 2022, Putin inicia uma guerra total contra a Ucrânia que espera ganhar em uma semana e já tem mais de 4 anos. A estimativa é que 1,8 milhão de pessoas tenham sido mortas ou feridas nesta guerra.

ESTE BLOG DEPENDE DA AJUDA DE SEUS LEITORES. CONTRIBUIÇÕES VIA PIX PELO CNPJ 25.182.225/0001-37

quarta-feira, 26 de março de 2025

Hoje na História do Mundo: 26 de Março

  VACINA CONTRA PÓLIO

    Em 1953, o médico norte-americano Jonas Salk anuncia que testou com sucesso uma vacina contra a poliomielite, doença causadora da paralisia infantil.

No ano anterior, uma epidemia de pólio atinge 58 mil pessoas e causa 3 mil mortes nos Estados Unidos.

O primeiro grande surto de poliomielite nos EUA é registrado no estado de Vermont, em 1894. No início do século 20, há milhares de casos por ano, principalmente em crianças, mas também em adultos.

O futuro presidente Franklin Delano Roosevelt teve pólio aos 39 anos, em 1921, e ficou parcialmente paralítico.

Depois, o dr. Albert Sabin cria a vacina oral contra a poliomielite e campanhas de vacinação erradicam a doença em praticamente todo o mundo. Os únicos países onde há focos importantes da doença são o Afeganistão e o Paquistão, onde os Estados Unidos usaram campanhas de vacinação para descobrir o esconderijo do terrorista Ossama ben Laden.

Com as campanhas antivacinas, hoje há um sério risco de volta da doença.

INDEPENDÊNCIA DE BANGLADESH

    Em 1971, a Liga Awami forma um governo no exílio em Calcutá, hoje Kolkota, na Índia, e proclama a independência de Bangladesh, na época conhecido como Paquistão Oriental.

O futuro país passa a fazer parte do Império Britânico em 1858, quando este assume o controle da Índia. Quando a Índia e o Paquistão conquistam a independência, em 1947, vira o Paquistão Oriental. 

A declaração de independência marca o início de uma guerra civil de nove meses em que recebe o apoio da Índia, inimiga histórica do Paquistão, o que deflagra a Guerra Indo-Paquistanesa de 1971. A vitória vem em 16 de dezembro, depois de 3 milhões de mortes, da fuga de 8 a 10 milhões de pessoas para a Índia e do estupro de 200 mil mulheres.

A guerra leva à fome de grande parte da população de um dos países mais pobres do mundo, levando o ex-beatle George Harrison a organizar o Concerto para Bangladesh para arrecadar dinheiro para as vítimas da guerra.

Com cerca de 171,5 milhões de habitantes, Bangladesh é o oitavo maior país do mundo em população e o quarto com maior número de muçulmanos depois da Indonésia, do Paquistão e da Índia.

NASCE O MERCOSUL

    Em 1991, os presidentes do Brasil, Fernando Collor de Mello; do Paraguai, general Andrés Rodríguez; da Argentina, Carlos Menem; e do Uruguai, Luis Alberto Lacalle; assinam o Tratado de Assunção, que cria o Mercado Comum do Sul (Mercosul).

A reaproximação entre Brasil e Argentina começa antes mesmo da redemocratização dos países. Durante o governo do general João Figueiredo, os dois países chegam a um acordo sobre a exploração energética da Bacia do Prata. Os argentinos temem que a Hidrelétrica de Itaipu esgote o potencial energético do Rio Paraná.

A integração regional do Cone Sul da América Latina avança com os encontros de cúpula dos presidentes José Sarney e Raúl Alfonsín depois da redemocratização do Brasil e da Argentina. Em 1985, eles assinam o Tratado de Iguaçu. 

O diálogo leva a um acordo nuclear para evitar uma corrida armamentista na região. Em 18 de julho de 1991, é assinado o Acordo de Guadalajara, pelo qual Brasil e Argentina se comprometem a usar a energia nuclear somente para fins pacíficos.

Com a crise da dívida externa e a hiperinflação que atinge os dois países nos anos 1980, quando a Argentina lança o Plano Austral e o Brasil o Plano Cruzado, a integração regional é vista como uma maneira de aumentar o poder de barganha em negociações internacionais. Não melhora as condições de renegociação das dívidas, mas fortalece o comércio regional, que sobe em cinco anos de US$ 1 bilhão para US$ 20 bilhões. Os presidentes Fernando Collor de Mello e Carlos Menem aproveitam o acordo para baixar tarifas de importação e promover a abertura comercial.

A meta de zerar as tarifas de importações e eliminar as barreiras não tarifárias até 31 de dezembro de 1994 nunca foi atingida. A Bolívia (1996), o Chile (1996), o Peru (2003), a Colômbia (2004), o Equador (2004), a Guiana (2013), e o Suriname (2013) são países associados. Fazem parte da zona de livre comércio, mas não da união aduaneira, que pressupõe a aplicação de uma tarifa externa comum na compra de produtos de fora do bloco.

A entrada da Venezuela como membro pleno em 31 de julho de 2012, sem adotar previamente as regras do bloco, criou um Mercosul mais político, menos voltado para a integração econômica. Em dezembro de 2016, a Venezuela é suspensa sob a acusação de violar a cláusula democrática do bloco.

Em julho de 2024, a Bolívia passa a ser membro pleno. Tem um prazo de quatro anos para se adequar à legislação do Mercosul.

MIKE TYSON SENTENCIADO

    Em 1992, o boxeador peso-pesado Mike Tyson é sentenciado a seis anos de prisão após ser condenado por crime de estupro em Indianápolis, no estado de Indiana.

Tyson nasce no Brooklyn, em Nova York, em 30 de junho de 1966, e desde muito cedo passa a fazer parte de gangues de rua. Em 1978, com 12 anos, 80 quilos e uma musculatura formidável, é enviado para o reformatório, onde o aficcionado de boxe Bobby Stewart vê potencial para uma carreira no boxe. 

Aos 20 anos, em 22 de novembro de 1986, ele se torna o mais jovem campeão mundial da categoria peso-pesado com um estilo extremamente agressivo em que avança em linha reta e tenta demolir o adversário no primeiro assalto.

Em 1988, Tyson casa com a atriz Robin Givens. Ela o acusa de abuso e o casal se divorcia no ano seguinte. Uma série de acusações de assédio e violência sexual é apresentada contra o boxeador.

Contra todas as expectativas, em 11 de fevereiro de 1990, ele perde o título mundial para James Buster Douglas. Em 1991, Tyson é acusado de estuprar uma candidata a miss. É condenado e preso em 1992.

Três anos depois, Tyson sai da prisão e recupera dois títulos de campeão mundial com vitórias fáceis sobre Frank Bruno e Bruce Seldon. Em 9 de novembro de 1996, sofre sua segunda derrota, desta vez para Evander Holyfield, duas vezes campeão mundial, por nocaute técnico no 11º assalto. 

Na revanche, em 28 de junho de 1997, Tyson é desclassificado depois de morder duas vezes a orelha  de Holyfield e perde a licença para boxear. Ele volta a lutar e a vencer em 16 de janeiro de 1999. Em 7 de fevereiro do mesmo ano, é condenado a um ano de prisão, dois de liberdade condicional, 200 horas de serviço comunitário e multa de US$ 2,5 mil por agredir dois idosos depois de um acidente de automóvel em 1998.

Sua última vitória como lutador profissional acontece em 2003 em apenas 49 segundos. No fim daquele ano, Tyson declara falência com dívidas de US$ 34 milhões depois de ganhar US$ 400 milhões na carreira.

sábado, 7 de dezembro de 2024

UE e Mercosul fecham acordo de liberalização comercial

A União Europeia e o Mercado Comum do Sul (Mercosul) fecharam ontem um acordo de liberalização comercial em Montevidéu, no Uruguai, criando um mercado com mais de 740 milhões de consumidores e países responsáveis por quase um quinto do produto mundial bruto.

O acordo chega num momento de fragilidade dos dois blocos comerciais. A Europa tem crescimento baixo e perda de competitividade diante da ascensão da Ásia, da saída do Reino Unido, da invasão da Ucrânia pela Rússia e do risco de guerras comerciais com a volta do presidente Donald Trump à Casa Branca. O Mercosul vem de uma longa estagnação do bloco, que até agora só tinha acordos comerciais com Cingapura, Egito e Israel, com risco de dissolução por causa de países interessados em fazer acordos fora do bloco.

É um acordo que vai na contramão da tendência crescente de protecionismo econômico. Apresenta uma alternativa diante da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China e de uma nova guerra fria entre esses dois países que parece cada vez mais inevitável.

Os dois blocos têm cláusulas democráticas, uma defesa contra o ascensão de um populismo de extrema direita que ameaça a democracia dos dois lados do Oceano Atlântico. Todos os países se comprometem a seguir o Acordo de Paris sobre Mudança do Clima, de que Trump pode retirar os EUA mais uma vez.

A Europa é mais competitiva no setor industrial. O Mercosul é mais forte em agricultura e pecuária. Aí mora o perigo de não ratificação, por causa do protecionismo dos agricultores da França, da Polônia, da Irlanda e da Itália, temerosos da concorrência do Mercosul. Será um processo longo. Mas há salvaguardas para impedir a exportação de produtos vindos de áreas de desmatamento ou cultivados com agrotóxicos proibidos na UE.

terça-feira, 26 de março de 2024

Hoje na História do Mundo: 26 de Março

 VACINA CONTRA PÓLIO

    Em 1953, o médico norte-americano Jonas Salk anuncia que testou com sucesso uma vacina contra a poliomielite, doença causadora da paralisia infantil.

No ano anterior, uma epidemia de pólio atinge 58 mil pessoas e causa 3 mil mortes nos Estados Unidos.

O primeiro grande surto de poliomielite nos EUA é registrado no estado de Vermont, em 1894. No início do século 20, há milhares de casos por ano, principalmente em crianças, mas também em adultos.

O futuro presidente Franklin Delano Roosevelt teve pólio aos 39 anos, em 1921, e ficou parcialmente paralítico.

INDEPENDÊNCIA DE BANGLADESH

    Em 1971, a Liga Awami forma um governo no exílio em Calcutá, hoje Kolkota, na Índia, e proclama a independência de Bangladesh, na época conhecido como Paquistão Oriental.

O futuro país passa a fazer parte do Império Britânico em 1858, quando este assume o controle da Índia. Quando a Índia e o Paquistão conquistam a independência, em 1947, vira o Paquistão Oriental. 

A declaração de independência marca o início de uma guerra civil de nove meses em que recebe o apoio da Índia, inimiga histórica do Paquistão, o que deflagra a Terceira Guerra Indo-Paquistanesa, em 1971. A vitória vem em 16 de dezembro, depois de 3 milhões de mortes, da fuga de 8 a 10 milhões de pessoas para a Índia e do estupro de 200 mil mulheres.

A guerra causa a fome em massa de grande parte da população de um dos países mais pobres do mundo, levando o ex-beatle George Harrison a organizar o Concerto para Bangladesh para arrecadar dinheiro para as vítimas da guerra.

Com cerca de 170 milhões de habitantes, Bangladesh é o oitavo maior país do mundo em população e o quarto com maior número de muçulmanos depois da Indonésia, do Paquistão e da Índia.

NASCE O MERCOSUL

    Em 1991, os presidente do Brasil, Fernando Collor de Mello; do Paraguai, general Andrés Rodríguez; da Argentina, Carlos Menem; e do Uruguai, Luis Alberto Lacalle; assinam o Tratado de Assunção, que cria o Mercado Comum do Sul (Mercosul).

A reaproximação entre Brasil e Argentina começa antes mesmo da redemocratização dos países. Durante o governo do general João Figueiredo, os dois países chegaram a um acordo sobre a exploração energética da Bacia do Prata. Os argentinos temiam que a Hidrelétrica de Itaipu esgotasse o potencial energético do Rio Paraná.

A integração regional do Cone Sul da América Latina avança com os encontros de cúpula dos presidentes José Sarney e Raúl Alfonsín depois da redemocratização do Brasil e da Argentina. Em 1985, eles assinam o Tratado de Iguaçu. 

O diálogo leva a um acordo nuclear para evitar uma corrida armamentista na região. Em 18 de julho de 1991, é assinado o Acordo de Guadalajara, pelo qual Brasil e Argentina se comprometem a usar a energia nuclear somente para fins pacíficos.

Com a crise da dívida externa e a hiperinflação que atinge os dois países nos anos 1980, quando a Argentina lança o Plano Austral e o Brasil o Plano Cruzado, a integração regional é vista como uma maneira de aumentar o poder de barganha em negociações internacionais. Não melhora as condições de renegociação das dívidas, mas fortalece o comércio regional, que sobe de US$ 1 bilhão para US$ 20 bilhões. Os presidentes Fernando Collor de Mello e Carlos Menem aproveitam o acordo para baixar tarifas de importação e promover a abertura comercial.

A meta de zerar as tarifas de importações e eliminar as barreiras não tarifárias até 31 de dezembro de 1994 nunca foi atingida. A Bolívia (1996), o Chile (1996), o Peru (2003), a Colômbia (2004), o Equador (2004), a Guiana (2013), e o Suriname (2013) são países associados. Fazem parte da zona de livre comércio, mas não da união aduaneira, que pressupõe a aplicação de uma tarifa externa comum na compra de produtos de fora do bloco.

A entrada da Venezuela como membro pleno em 31 de julho de 2012, sem adotar previamente as regras do bloco, criou um Mercosul mais político, menos voltado para a integração econômica. Em dezembro de 2016, a Venezuela é suspensa sob a acusação de violar a cláusula democrática do bloco.

MIKE TYSON SENTENCIADO

    Em 1992, o boxeador peso-pesado Mike Tyson é sentenciado a seis anos de prisão após ser condenado por crime de estupro em Indianápolis, no estado de Indiana.

Tyson nasce no Brooklyn, em Nova York, em 30 de junho de 1966, e desde muito cedo passa a fazer parte de gangues de rua. Em 1978, é enviado para o reformatório, onde o aficcionado de boxe Bobby Stewart vê potencial para uma carreira no boxe. 

Aos 20 anos, em 22 de novembro de 1986, ele se torna o mais jovem campeão mundial da categoria peso-pesado com um estilo extremamente agressivo em que avança em linha reta e tenta demolir o adversário no primeiro assalto.

Em 1988, Tyson casa com a atriz Robin Givens. Ela o acusa de abuso e o casal se divorcia no ano seguinte. Uma série de acusações de assédio e violência sexual é apresentada contra o boxeador.

Contra todas as expectativas, em 11 de fevereiro de 1990, ele perde o título mundial para James Buster Douglas. Em 1991, Tyson é acusado de estuprar uma candidata a miss. É condenado e preso em 1992.

Três anos depois, Tyson sai da prisão e recupera dois títulos de campeão mundial com vitórias fáceis sobre Frank Bruno e Bruce Seldon. Em 9 de novembro de 1996, sofre sua segunda derrota, desta vez para Evander Holyfield, duas vezes campeão mundial, por nocaute técnico no 11º assalto. 

Na revanche, em 28 de junho de 1997, Tyson é desclassificado depois de morder duas vezes a orelha  de Holyfield e perde a licença para boxear. Ele volta a lutar e a vencer em 16 de janeiro de 1999. Em 7 de fevereiro do mesmo ano, é condenado a um ano de prisão, dois de liberdade condicional, 200 horas de serviço comunitário e multa de US$ 2,5 mil por agredir dois idosos depois de um acidente de automóvel em 1998.

Sua última vitória como lutador profissional acontece em 2003 em apenas 49 segundos. No fim daquele ano, Tyson declara falência com dívidas de US$ 34 milhões depois de ganhar US$ 400 milhões na carreira.

terça-feira, 13 de junho de 2023

UE quer fechar acordo com o Mercosul neste ano

 A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou ontem em visita à Brasília que espera concluir até o fim do ano o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reclamou de um protocolo adicional que prevê sanções unilaterais se o Brasil não cumprir as metas do Acordo de Paris sobre Mudança do Clima.

O acordo UE-Mercosul está sendo negociado desde 1995. Foi fechado em 2019. Depende agora da ratificação por todos os países envolvidos. O maior risco de veto vem da França, que tem um setor agrícola forte e altamente protecionista que teme a concorrência do Mercosul. Mas a Argentina e o Brasil querem alterar partes para preservar e ampliar o setor industrial.

Na Europa, há uma grande preocupação com a preservação da Floresta Amazônica, que é fundamental para combater o aquecimento global. O Brasil teme que a questão ambiental seja usada para mascarar o protecionismo econômico. Meu comentário:

domingo, 26 de março de 2023

Hoje na História do Mundo: 26 de Março

VACINA CONTRA PÓLIO

    Em 1953, o médico norte-americano Jonas Salk anuncia que testou com sucesso uma vacina contra a poliomielite, doença causadora da paralisia infantil.

No ano anterior, uma epidemia de pólio atinge 58 mil pessoas e causa 3 mil mortes nos Estados Unidos.

O primeiro grande surto de poliomielite nos EUA é registrado no estado de Vermont, em 1894. No início do século 20, há milhares de casos por ano, principalmente em crianças, mas também em adultos.

O futuro presidente Franklin Delano Roosevelt teve pólio aos 39 anos, em 1921, e ficou parcialmente paralítico.

NASCE O MERCOSUL

    Em 1991, os presidente do Brasil, Fernando Collor de Mello; do Paraguai, general Andrés Rodríguez; da Argentina, Carlos Menem; e do Uruguai, Luis Alberto Lacalle; assinam o Tratado de Assunção, que cria o Mercado Comum do Sul (Mercosul).

A reaproximação entre Brasil e Argentina começa antes mesmo da redemocratização dos países. Durante o governo do general João Figueiredo, os dois países chegaram a um acordo sobre a exploração energética da Bacia do Prata. Os argentinos temiam que a Hidrelétrica de Itaipu esgotasse o potencial energético do Rio Paraná.

A integração regional do Cone Sul da América Latina avança com os encontros de cúpula dos presidentes José Sarney e Raúl Alfonsín depois da redemocratização do Brasil e da Argentina. Em 1985, eles assinam o Tratado de Iguaçu. 

O diálogo leva a um acordo nuclear para evitar uma corrida armamentista na região. Em 18 de julho de 1991, é assinado o Acordo de Guadalajara, pelo qual Brasil e Argentina se comprometem a usar a energia nuclear somente para fins pacíficos.

Com a crise da dívida externa e a hiperinflação que atinge os dois países nos anos 1980, quando a Argentina lança o Plano Austral e o Brasil o Plano Cruzado, a integração regional é vista como uma maneira de aumentar o poder de barganha em negociações internacionais. Não melhora as condições de renegociação das dívidas, mas fortalece o comércio regional, que sobe de US$ 1 bilhão para US$ 20 bilhões. Os presidentes Fernando Collor de Mello e Carlos Menem aproveitam o acordo para baixar tarifas de importação e promover a abertura comercial.

A meta de zerar as tarifas de importações e eliminar as barreiras não tarifárias até 31 de dezembro de 1994 nunca foi atingida. A Bolívia (1996), o Chile (1996), o Peru (2003), a Colômbia (2004), o Equador (2004), a Guiana (2013), e o Suriname (2013) são países associados. Fazem parte da zona de livre comércio, mas não da união aduaneira, que pressupõe a aplicação de uma tarifa externa comum na compra de produtos de fora do bloco.

A entrada da Venezuela como membro pleno em 31 de julho de 2012, sem adotar previamente as regras do bloco, criou um Mercosul mais político, menos voltado para a integração econômica. Em dezembro de 2016, a Venezuela é suspensa sob a acusação de violar a cláusula democrática do bloco.

quinta-feira, 10 de junho de 2021

Alberto Fernández reforça o complexo argentino de Nova Zelândia

 Ao dizer que os mexicanos descendem dos índios, os brasileiros vieram da selva e os argentinos chegaram de barco, citando erradamente o intelectual mexicano Octavio Paz, o presidente Alberto Fernández reforça o que um embaixador chamou de Complexo de Nova Zelândia (ou Austrália). É da música Chegamos nos barcos, do compositor argentino Lito Nebbia.

 Por causa da riqueza que tinham no início do século passado e de uma população majoritariamente branca, a elite argentina se vê como uma ilha branca e europeia perdida nos mares do Sul, cercada por um oceano de negros, índios e mestiços. 

 O racismo de Fernández, um peronista moderado que chegou ao poder indicado pela ex-presidente e atual vice-presidente Cristina Kirchner, ignora a Argentina de Mercedes Sosa, a cantora de voz inigualável que tinha claramente traços indígenas, assim como Diego Armando Maradona, e que os negros eram 30% a 40% da população de Buenos Aires no século passado. Esquece que os espanhóis também chegaram de navio ao México, com pólvora, cavalos e pestes que destruíram o Império Asteca, e rebatizaram o país como Vice-Reino da Nova Espanha.

 O presidente Domingo Faustino Sarmiento, feroz na sua crítica ao caudilhismo de Juan Manuel de Rosas no livro Facundo, incentivou a imigração europeia para branquear a população e é acusado de promover um "genocídio camuflado".

 Sarmiento segregou a população negra, dizimada por doenças como a cólera e a febre amarela, além de servir de bucha de canhão na Guerra do Paraguai e na "conquista do deserto", a campanha militar para assumir o controle do Sul do país, povoado por indígenas. A palavra deserto sugere que eram terras despovoadas. 

 O tango, a marca registrada da cultura argentina, teria origem africana e mestiça, com raízes no reino africano do Kongo. Era desprezado como inferior pela elite portenha até fazer sucesso em Paris. A palavra sol na língua kikongo é ntango. O poeta, compositor e trovador negro Gabino Ezeiza foi uma espécie de tutor de Carlos Gardel, um dos maiores ícones da cultura argentina. Inseriu a milonga no meio de suas trovas. 

 No censo de 2010, pouco menos de 150 mil argentinos (0,37% da população) se identificaram como negros. Eles enfrentam discriminação. Têm grande dificuldade de serem reconhecidos como argentinos. 

 A declaração de Fernández não ajuda em nada a integração latino-americana no momento em que o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, querem esvaziar o Mercosul fazendo acordos comerciais fora do bloco.

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Bolsonaro erra mais uma vez ao rejeitar ajuda do G-7

A guerrinha fria com a França não apaga o fogo das queimadas na Amazônia e ameaça o acordo de livre comércio do Mercosul com a União Europeia. Hoje, o presidente Jair Bolsonaro exigiu uma retratação do presidente da França, Emmanuel Macron, que o chamou de mentiroso.

Com a Floresta Amazônica em chamas, não se despreza uma ajuda de 20 milhões de dólares, cerca de 83 milhões de reais, por infantilidade, birra ou pensamento paranoico. 

No primeiro momento, o presidente justificou a falta de ação de governo por falta de recursos. Diante da forte reação internacional e de setores do agronegócio e da indústria interessados no acordo comercial, mobilizou as Forças Armadas para combater os incêndios. Meu comentário:

quinta-feira, 4 de julho de 2019

França lidera resistência ao acordo UE-Mercosul

Maior potência agrícola da União Europeia, a França será o principal centro da rejeição ao acordo de livre comércio assinado com o Mercado Comum do Sul (Mercosul). O acordo está sendo criticado até mesmo dentro da bancada do governo Emmanuel Macron, majoritária na Assembleia Nacional.

A estimativa é que os consumidores europeus vão economizar 4 bilhões de euros, mais de R$ 17 bilhões de reais, em impostos de importação a serem eliminados. Mas agricultores, ecologistas e sindicalistas temem danos ao meio ambiente e à qualidade da comida.

O grande temor está na abertura do mercado agrícola, fortemente protegido até há pouco pela política agrícola comum. Com esta abertura, o Mercosul vai poder exportar para a UE todo ano 159 mil toneladas de carne bovina, 180 mil toneladas de carne de frango, 45 mil toneladas de mel, 180 mil toneladas de açúcar e 60 mil toneladas de arroz.

Os europeus veem risco para a segurança alimentar e não veem garantias de avanços ambientais com as contrapartidas de preservação da natureza oferecidas pelo bloco sul-americano. Meu comentário:

A resistência francesa está hoje na manchete de Le Monde, o jornal mais importante da França. Em editorial, o jornal disse que pode ser uma oportunidade para a Europa fazer ouvir sua voz e aplicar seus padrões. 

Ao assinar o acordo, durante a reunião do Grupo dos Vinte (G-20) em Osaka, no Japão, o presidente Emmanuel Macron afirmou que todas as preocupações da França foram contempladas. Anteontem, em Bruxelas, a capital da União Europeia, Macron advertiu contra o "neoprotecionismo".

Mas o presidente francês está vulnerável depois da revolta dos coletes amarelos, que nasceu no interior, em zonas rurais, onde os moradores não queriam pagar mais pelo óleo diesel, frustrando os planos do governo para reduzir o consumo de combustíveis fósseis e o aquecimento global.

Os críticos alegam que o imperativo econômico da Comissão Europeia, órgão executivo da União Europeia, é negociar acordos de livre comércio para criar mais oportunidades para as exportações do bloco. Mas toda negociação exige concessões.

A comissária europeia de Comércio, a sueca Cecilia Malmström, que negociou o acordo, alega que o desafio da mudança do clima não será vencido sem comércio e desenvolvimento sustentável.

Além da questão econômica, o acordo tem objetivos políticos como manter o Brasil no Acordo de Paris sobre Mudança do Clima e pressionar o governo Jair Bolsonaro a adotar políticas sociais e ambientais dentro dos padrões europeus.

A maior resistência está no setor agrícola europeu. Para o presidente da Federação Nacional Bovina da França, Bruno Dufayet, “os criadores do Mercosul já são ultracompetitivos. Qual o interesse em reduzir as tarifas de importação quando sabemos que sua produção não atende aos critérios impostos na Europa?”

Os escândalos sanitários e de corrupção denunciados no Brasil nos últimos anos são citados pelos inimigos do acordo, especialmente o escândalo da JBS, maior exportadora mundial de carne bovina.

A Comissão Europeia afirma que “as normas europeias de segurança alimentar não vão mudar e deverão ser respeitadas em todas as importações.” Assim, os produtos agrícolas tratados com pesticidas proibidos na Europa estariam excluídos, assim como transgênicos e as carnes de animais que receberam hormônios.

Hoje, mais de 90% da soja e quase 90% do milho produzidos no Brasil são transgênicos. Mas a maioria dos portes dos países-membros não estão capacitados a fazer os controles alfandegários necessários. Um relatório de dezembro do ano passado constatou que “nenhum exame sobre presença de hormônios em carnes importadas foi realizada nas fronteiras da França; os exames sobre antibióticos só foram feitos nas carnes de ovelha e de cavalo”.

Com o aumento das cotas de importação, os riscos de fraude serão muito maiores.

A agricultura intensiva do Mercosul usa grandes quantidades de produtos químicos e farmacêuticos. Desde janeiro, o governo Bolsonaro aprovou 239 novos agrotóxicos, inclusive várias substâncias proibidas na Europa, como a atrazina, um herbicida.

Os pecuaristas brasileiros são os maiores consumidores de antibióticos para animais depois da China e dos Estados Unidos. O risco é de deterioração da qualidade da comida servida aos europeus.

Na opinião da diretora da organização não governamental Foodwatch, o Observatório da Comida, Karine Jacquemart, o acordo tornará “mais difícil estabelecer novas normas na Europa, novas exigências de etiquetagem ou regras mais estritas para certos insumos”. Os países do Mercosul poderiam recorrer à Organização Mundial do Comércio, a OMC, o que levaria a um “rebaixamento das normas ao longo do tempo”.

A questão ambiental é talvez a maior preocupação dos europeus. O acordo foi vendido como uma maneira de forçar o governo Bolsonaro a não sair do Acordo de Paris. O Brasil prometeu reduzir a emissão de gases de efeito estufa até 2025 em 37% em relação a 2005, a acabar com o desmatamento ilegal na Amazônia até 2030 e a replantar 12 milhões de hectares de florestas.

Os críticos do acordo argumentam que os mecanismos de fiscalização dos aspectos ambientais são frágeis. Em caso de não cumprimento, o acordo prevê apenas “consultas governamentais”. Se elas não derem resultado, será criada um “painel de especialistas independentes”, que faria apenas recomendações.

Entre 1985 e 2017, o Brasil destruiu uma área da Floresta Amazônica do tamanho da França. No mês passado, o primeiro da estação em que chove menos na região desde a posse de Bolsonaro, o desmatamento aumentou em 88 por cento.

Para Mathildé Dupré, do Instituto Veblen, especializado na economia da transição ecológica, “tendo em conta a política catastrófica do Brasil para o clima e a biodiversidade, é injustificável oferecer ao país vantagens comerciais. É preciso, ao contrário, bloquear o acesso ao mercado europeu como soja e carne bovina que contribuam com o desmatamento.”

A Comissão Europeia fez um estudo sobre o impacto do acordo na emissão de gases de efeito estufa ainda não divulgado. Samuel Leré, da Fundação Nicolas Hulot para a Natureza e o Homem, “na hora da emergência climática, a prioridade é utilizar as trocas comerciais para estimular a transição ecológica e não de assinar um acordo com um país cujas políticas vão contra este objetivo.”

As críticas injustificadas do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Sales, ao Fundo Amazônia e a tentativa de usar o dinheiro doado pela Noruega e a Alemanha para indenizar desmatadores deixam claro o desinteresse do atual governo brasileiro com a destruição da floresta. O Fundo Amazônia pode acabar.

As declarações do presidente falando em psicose ambientalista, do ministro do Meio Ambiente, da ministra da Agricultura, Tereza Cristina Dias, e do ministro de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, afirmando que o Brasil preserva a natureza, conspiram contra a aprovação final do acordo, que depende da ratificação pelo Parlamento Europeu e por todos os parlamentos nacionais dos 32 países envolvidos.

O Brasil é o país que mais desmata e que mais mata os defensores da floresta.