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sexta-feira, 8 de julho de 2022

Hoje na História do Mundo: 8 de Julho

 ALMIRANTE PERRY AMEAÇA O JAPÃO

    Em 1853, o almirante Matthew Perry entra na Baía de Tóquio com uma esquadra de quatro navios e ameaça bombardear a cidade para abrir o Japão ao comércio internacional. Depois de dar um tempo para as autoridades japonesas examinarem o assunto, Perry volta em março de 1854 com nove navios.

Sem condições de reagir, os japoneses aceitam certas do presidente Millard Fillmore. Os Estados Unidos se tornam o primeiro país a estabelecer relações com o Japão depois de dois séculos em que o país se fechou para estrangeiros.

Desde 1639, só a China e a Holanda comerciavam com o Japão e apenas da ilha de Dejima, em Nagasaki, a segunda cidade bombardeada com uma bomba atômica, em 9 de agosto de 1945.

Em 31 de março de 1854, o almirante assina o Tratado de Kanagawa, pelo qual o Japão abre os portos de Shimoda e Hakodate, e permite a abertura de um consulado norte-americano no país.

A pressão dos EUA acaba com  o xogunato, terminando com a Idade Média japonesa em 1868, com a Restauração Meiji, que restitui os poderes do imperador. 

Para não ser colonizado pelo Ocidente, o Império do Japão se ocidentaliza e se torna uma potência que vence a China na Guerra Sino-Japonesa (1894-95), a Rússia na Guerra do Pacífico (1904-5) e enfrenta o colonialismo ocidental na Ásia durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

MacARTHUR COMANDA GUERRA DA COREIA

    Em 1950, o presidente Harry Truman nomeia o general Douglas MacArthur comandante militar dos Estados Unidos na Guerra da Coreia (1950-53), um dia depois que o Conselho de Segurança das Nações Unidas recomenda que as forças internacionais sejam colocadas sob o comando militar americano.

A Coreia é ocupada pelo Japão em 1910. Com a derrota japonesa na Segunda Guerra Mundial, os EUA ocupam o Sul da Península Coreana. A União Soviética declara guerra ao Japão em 9 de agosto de 1945, dia da explosão da bomba atômica em Nagasaki, e invade o Norte da Coreia.

A península é dividida oficialmente em 1948, quando nascem a Coreia do Norte e a Coreia do Sul. Em 25 de junho de 1950, o Norte, comunista, invade o Sul para tentar reunificar a Coreia. Como a União Soviética estava boicotando a ONU por causa da não admissão da República Popular da China, os EUA obtiveram um mandato do Conselho de Segurança, que têm até hoje, para reunificar a Península Coreana.

A Guerra da Coreia termina em 27 de julho de 1953. Até hoje, não foi assinado um acordo de paz.

GOLPE NA GUATEMALA

    Em 1954, o coronel Castillo Armas toma o poder na Guatemala no segundo golpe de Estado articulado pela CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA) durante a Guerra Fria, o primeiro na América Latina. 

A história é contada no livro de ficção Weekend in Guatemala, do escritor guatemalteco Miguel Ángel Asturias, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 1967.

O golpe derruba o presidente nacionalista Jacobo Árbenz, que fizera uma reforma agrária e estatizara propriedades da companhia bananeira United Fruit, que mudou de nome para Chiquita Brands para tentar apagar a imagem associada a golpes de Estado.

Depois da Colômbia, a Guatemala foi o país com o maior número de mortos na América Latina durante a Guerra Fria, entre 150 e 200 mil. A democracia só é restaurada plenamente no país em 1984, mas a corrupção é endêmica até hoje.

O primeiro golpe militar apoiado pelos EUA na Guerra Fria foi em 1953, no Irã, contra o primeiro-ministro Mohamed Mossadegh, que nacionalizara o petróleo iraniano.

Ao falar sobre o golpe militar de 1964 no Brasil num curso sobre a história da política externa brasileira organizado pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), o embaixador Gélson Fonseca disse acreditar que a principal causa do apoio dos EUA foi econômica. Os EUA temeriam especialmente Leonel Brizola, que havia estatizado empresas transnacionais quando era governador do Rio Grande do Sul.

MORTE DO GRANDE LÍDER

    Em 1994, morre o Grande Líder Kim Il Sung, fundador da Coreia do Norte. 

Kim luta nos anos 1930 contra a ocupação japonesa e é escolhido pela União Soviética, onde faz treinamento político e militar. Ele luta pelo Exército Vermelho na Segunda Guerra Mundial (1939-45), funda a Coreia do Norte em 1948 e inicia a Guerra da Coreia, em 25 de junho de 1950, tentando reunificar o país sob o regime comunista.

Com a intervenção militar dos Estados Unidos e depois a China, a guerra termina num impasse, sem mudar a divisão da Coreia. Nas próximas quatro décadas, Kim isola o país com sua política de autossuficiência (Juche), causando fome e falta de energia, problemas que o país tem até hoje.

Depois da morte, numa sucessão dinástica num regime comunista, é sucedido pelo filho e Querido Líder Kim Jong Il, que explode a primeira bomba atômica do país em 2006. Ao morrer, em 2011, ascende ao poder seu filho Kim Jong Un, neto do Grande Líder, que acelera os programas de mísseis e de armas nucleares - e ameaça bombardear os EUA.

O presidente Donald Trump faz três encontros de cúpula com o jovem Kim. Legitima o ditador na expectativa de desnuclearizar a Península Coreana, mas as negociações não avançam.

domingo, 15 de novembro de 2020

Acordo comercial da Ásia e do Pacífico exclui EUA

Os líderes de 15 países da Ásia e do Oceano Pacífico anunciaram hoje a conclusão do maior acordo comercial da história para reduzir em até 90% em dez anos as barreiras entre países com um terço da população e da produção mundiais, inclusive a China, o Japão e a Coreia do Sul. Até 2030, a Parceria Econômica Regional Ampla (RCEP) deve agregar US$ 200 bilhões, quase R$ 1,15 trilhão, por ano à economia mundial.

No primeiro dia de seu desgoverno, o presidente Donald Trump retirou os Estados Unidos da Parceria Transpacífica (TPP). O objetivo do governo Barack Obama era criar uma ordem econômica regional à qual a China teria de aderir aceitando as regras preexistentes. É mais uma herança maldita de Trump que reduz a importância dos EUA.

A RCEP aproveita os acordos de livre comércio assinados pela Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) - Brunei, Camboja, Cingapura, Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Mianmar, Tailândia e Vietnã - e os transforma num pacto multilateral único com a Austrália, a China, o Japão, a Coreia do Sul, a Austrália e a Nova Zelândia. Ficam de fora os Estados Unidos, o Canadá, a Rússia e os países da América Latina que faziam parte da TPP (Chile, México e Peru).

Enquanto os EUA, sob Trump, recuaram para um nacionalismo isolacionista, a China dobra a aposta na globalização e no livre comércio,

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Pressões variadas revelam limites da globalização

Depois de décadas de abertura comercial, com queda de tarifas e outras barreiras à movimentação de bens e serviços pressões políticas, econômicas, demográficas e tecnológicas estão reformatando a globalização da economia. Esta tendência deve se acentuar ao longo da década. 

A globalização veio para ficar, a não ser que haja uma catástrofe em grande escala. A complexidade das cadeias produtivas vai continuar, mas vai haver movimentos para fortalecer as cadeias produtivas locais e regionais, e um aumento do comércio intrarregional. 

Os grandes acordos comerciais são complexos e inflexíveis. Estão sendo substituídos por acordos bilaterais ou com poucos países. 

Durante décadas, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos construíram o sistema multilateral de comércio para promover a abertura comercial, inicialmente para evitar a volta da Grande Depressão dos anos 1930. 

Com a entrada da China na Organização Mundial do Comércio, a OMC, em 2001, entrou no jogo um concorrente fortíssimo, com baixo custo de produção. Isso ajudou a manter os juros e a inflação baixos, mas provocou forte erosão na renda dos trabalhadores dos países ricos que viram suas fábricas migrar para a China e outros países. Meu comentário:

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Bolsonaro erra mais uma vez ao rejeitar ajuda do G-7

A guerrinha fria com a França não apaga o fogo das queimadas na Amazônia e ameaça o acordo de livre comércio do Mercosul com a União Europeia. Hoje, o presidente Jair Bolsonaro exigiu uma retratação do presidente da França, Emmanuel Macron, que o chamou de mentiroso.

Com a Floresta Amazônica em chamas, não se despreza uma ajuda de 20 milhões de dólares, cerca de 83 milhões de reais, por infantilidade, birra ou pensamento paranoico. 

No primeiro momento, o presidente justificou a falta de ação de governo por falta de recursos. Diante da forte reação internacional e de setores do agronegócio e da indústria interessados no acordo comercial, mobilizou as Forças Armadas para combater os incêndios. Meu comentário:

quinta-feira, 4 de julho de 2019

França lidera resistência ao acordo UE-Mercosul

Maior potência agrícola da União Europeia, a França será o principal centro da rejeição ao acordo de livre comércio assinado com o Mercado Comum do Sul (Mercosul). O acordo está sendo criticado até mesmo dentro da bancada do governo Emmanuel Macron, majoritária na Assembleia Nacional.

A estimativa é que os consumidores europeus vão economizar 4 bilhões de euros, mais de R$ 17 bilhões de reais, em impostos de importação a serem eliminados. Mas agricultores, ecologistas e sindicalistas temem danos ao meio ambiente e à qualidade da comida.

O grande temor está na abertura do mercado agrícola, fortemente protegido até há pouco pela política agrícola comum. Com esta abertura, o Mercosul vai poder exportar para a UE todo ano 159 mil toneladas de carne bovina, 180 mil toneladas de carne de frango, 45 mil toneladas de mel, 180 mil toneladas de açúcar e 60 mil toneladas de arroz.

Os europeus veem risco para a segurança alimentar e não veem garantias de avanços ambientais com as contrapartidas de preservação da natureza oferecidas pelo bloco sul-americano. Meu comentário:

A resistência francesa está hoje na manchete de Le Monde, o jornal mais importante da França. Em editorial, o jornal disse que pode ser uma oportunidade para a Europa fazer ouvir sua voz e aplicar seus padrões. 

Ao assinar o acordo, durante a reunião do Grupo dos Vinte (G-20) em Osaka, no Japão, o presidente Emmanuel Macron afirmou que todas as preocupações da França foram contempladas. Anteontem, em Bruxelas, a capital da União Europeia, Macron advertiu contra o "neoprotecionismo".

Mas o presidente francês está vulnerável depois da revolta dos coletes amarelos, que nasceu no interior, em zonas rurais, onde os moradores não queriam pagar mais pelo óleo diesel, frustrando os planos do governo para reduzir o consumo de combustíveis fósseis e o aquecimento global.

Os críticos alegam que o imperativo econômico da Comissão Europeia, órgão executivo da União Europeia, é negociar acordos de livre comércio para criar mais oportunidades para as exportações do bloco. Mas toda negociação exige concessões.

A comissária europeia de Comércio, a sueca Cecilia Malmström, que negociou o acordo, alega que o desafio da mudança do clima não será vencido sem comércio e desenvolvimento sustentável.

Além da questão econômica, o acordo tem objetivos políticos como manter o Brasil no Acordo de Paris sobre Mudança do Clima e pressionar o governo Jair Bolsonaro a adotar políticas sociais e ambientais dentro dos padrões europeus.

A maior resistência está no setor agrícola europeu. Para o presidente da Federação Nacional Bovina da França, Bruno Dufayet, “os criadores do Mercosul já são ultracompetitivos. Qual o interesse em reduzir as tarifas de importação quando sabemos que sua produção não atende aos critérios impostos na Europa?”

Os escândalos sanitários e de corrupção denunciados no Brasil nos últimos anos são citados pelos inimigos do acordo, especialmente o escândalo da JBS, maior exportadora mundial de carne bovina.

A Comissão Europeia afirma que “as normas europeias de segurança alimentar não vão mudar e deverão ser respeitadas em todas as importações.” Assim, os produtos agrícolas tratados com pesticidas proibidos na Europa estariam excluídos, assim como transgênicos e as carnes de animais que receberam hormônios.

Hoje, mais de 90% da soja e quase 90% do milho produzidos no Brasil são transgênicos. Mas a maioria dos portes dos países-membros não estão capacitados a fazer os controles alfandegários necessários. Um relatório de dezembro do ano passado constatou que “nenhum exame sobre presença de hormônios em carnes importadas foi realizada nas fronteiras da França; os exames sobre antibióticos só foram feitos nas carnes de ovelha e de cavalo”.

Com o aumento das cotas de importação, os riscos de fraude serão muito maiores.

A agricultura intensiva do Mercosul usa grandes quantidades de produtos químicos e farmacêuticos. Desde janeiro, o governo Bolsonaro aprovou 239 novos agrotóxicos, inclusive várias substâncias proibidas na Europa, como a atrazina, um herbicida.

Os pecuaristas brasileiros são os maiores consumidores de antibióticos para animais depois da China e dos Estados Unidos. O risco é de deterioração da qualidade da comida servida aos europeus.

Na opinião da diretora da organização não governamental Foodwatch, o Observatório da Comida, Karine Jacquemart, o acordo tornará “mais difícil estabelecer novas normas na Europa, novas exigências de etiquetagem ou regras mais estritas para certos insumos”. Os países do Mercosul poderiam recorrer à Organização Mundial do Comércio, a OMC, o que levaria a um “rebaixamento das normas ao longo do tempo”.

A questão ambiental é talvez a maior preocupação dos europeus. O acordo foi vendido como uma maneira de forçar o governo Bolsonaro a não sair do Acordo de Paris. O Brasil prometeu reduzir a emissão de gases de efeito estufa até 2025 em 37% em relação a 2005, a acabar com o desmatamento ilegal na Amazônia até 2030 e a replantar 12 milhões de hectares de florestas.

Os críticos do acordo argumentam que os mecanismos de fiscalização dos aspectos ambientais são frágeis. Em caso de não cumprimento, o acordo prevê apenas “consultas governamentais”. Se elas não derem resultado, será criada um “painel de especialistas independentes”, que faria apenas recomendações.

Entre 1985 e 2017, o Brasil destruiu uma área da Floresta Amazônica do tamanho da França. No mês passado, o primeiro da estação em que chove menos na região desde a posse de Bolsonaro, o desmatamento aumentou em 88 por cento.

Para Mathildé Dupré, do Instituto Veblen, especializado na economia da transição ecológica, “tendo em conta a política catastrófica do Brasil para o clima e a biodiversidade, é injustificável oferecer ao país vantagens comerciais. É preciso, ao contrário, bloquear o acesso ao mercado europeu como soja e carne bovina que contribuam com o desmatamento.”

A Comissão Europeia fez um estudo sobre o impacto do acordo na emissão de gases de efeito estufa ainda não divulgado. Samuel Leré, da Fundação Nicolas Hulot para a Natureza e o Homem, “na hora da emergência climática, a prioridade é utilizar as trocas comerciais para estimular a transição ecológica e não de assinar um acordo com um país cujas políticas vão contra este objetivo.”

As críticas injustificadas do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Sales, ao Fundo Amazônia e a tentativa de usar o dinheiro doado pela Noruega e a Alemanha para indenizar desmatadores deixam claro o desinteresse do atual governo brasileiro com a destruição da floresta. O Fundo Amazônia pode acabar.

As declarações do presidente falando em psicose ambientalista, do ministro do Meio Ambiente, da ministra da Agricultura, Tereza Cristina Dias, e do ministro de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, afirmando que o Brasil preserva a natureza, conspiram contra a aprovação final do acordo, que depende da ratificação pelo Parlamento Europeu e por todos os parlamentos nacionais dos 32 países envolvidos.

O Brasil é o país que mais desmata e que mais mata os defensores da floresta.

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Acordo UE-Mercosul é vitória da globalização e do multilateralismo

O acordo de livre comércio entre o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e a União Europeia (UE) assinado na sexta-feira é uma vitória da globalização, do multilateralismo e da ala mais pragmática do governo Jair Bolsonaro. 

A aprovação final depende da ratificação pelos 32 países envolvidos e o Parlamento Europeu. Vai haver forte resistência de sindicalistas e ecologistas dos dois lados do Oceano Atlântico e dos agricultores europeus.

O acordo de livre comércio cria um mercado de 780 milhões de pessoas que geram uma riqueza anual de quase 20 trilhões de dólares, 30% do produto mundial bruto. A expectativa é de investimentos diretos no Brasil de mais de 110 bilhões de dólares e aumento do produto interno bruto de 125 bilhões em 15 anos.

O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, o embaixador brasileiro Roberto Azevêdo, prevê um “salto de competitividade” para a indústria nacional. 


Vamos ter automóveis, queijos, vinhos e chocolates da melhor qualidade, com padrão europeu, mas o vinho só vai estar totalmente liberado em 12 anos.

É um aviso ao presidente Trump, um apoio às reformas do presidente Mauricio Macri na Argentina e uma tentativa de enquadrar Bolsonaro. O Brasil teve de se comprometer a ficar no Acordo de Paris para tentar conter o aquecimento global. Meu comentário:


Mais de 85% das exportações para a Europa ficarão livres de tarifas imediatamente.

O acordo elimina 93% das tarifas sobre exportações do bloco para o mercado europeu e 99% do comércio agrícola. 81,7% dos produtos agrícolas serão isentos de tarifas e o resto estará sujeito a cotas. 

A cota anual de 99 mil toneladas de carne bovina deve enfrentar resistência dos criadores europeus. A cota de carne de aves ficou em 180 mil toneladas por ano.

Foram excluídos 100 produtos ainda não revelados.

As compras públicas foram preservadas como política de desenvolvimento.

A UE libertou 100% do mercado para produtos industriais; 80% serão liberados imediatamente.

O Mercosul ficou de abrir 80% do mercado de produtos industriais em até 15 anos. Cerca de 60% das reduções de tarifas serão feitas em 10 a 15 anos.

Vão cair os impostos de importação de 35% sobre automóveis, 14% a 18% sobre autopeças, até 18% para produtos químicos, 27% sobre vinhos e de 20% a 35% sobre outras bebidas alcoólicas.

O acordo tem um recorde de 357 produtos tradicionais europeus que não pode receber o mesmo nome quando fabricados em outras regiões como o champanhe, o presunto de Parma, o speck tirolês, o queijo Comté francês e o queijo português São Jorge.

A reação mais forte veio da presidente do principal sindicato agrícola da França, Christine Lambert. Ela declarou que "semanas depois das eleições europeias, a inaceitável assinatura de um acordo União Europeia-Mercosul vai expor os agricultores europeus a uma concorrência desleal e os consumidores a uma fraude total."

O acordo precisa ser ratificado pelos parlamentos nacionais e o Parlamento Europeu. Vai haver forte pressão para o Brasil e o Mercosul se adaptarem aos padrões de qualidade da União Europeia. 

É provável que os produtores da França se aliem aos da Polônia, da Irlanda, da Itália e de outros países europeus para tentar derrubar o acordo. Os nacionalistas de extrema direita também são contra.

Em 17 de junho, cerca de 340 organizações não governamentais pediram a suspensão das negociações até a obtenção de garantias sobre as políticas sociais e ambientais de Bolsonaro. Uma das críticas é que, desde janeiro, o governo brasileiro autorizou o uso de 239 novos pesticidas; 31% são proibidos na União Europeia.

O grupo ecológico Greenpeace acusou Bolsonaro de "desmantelar as proteções ambientais, tolerar incursões de homens armados em terras indígenas e supervisionar um aumento espetacular do desmatamento da Amazônia que mina anos de progresso para proteger a floresta".

Também há obstáculos políticos na América do Sul. O candidato do peronismo kirchnerista à Presidência da Argentina na eleição de outubro e novembro, Alberto Fernández, que tem a ex-presidente Cristina Kirchner como vice e chefe, não vê "benefícios concretos para o país" e fala num "claro prejuízo para a indústria e o emprego na Argentina". Se Macri perder, dificilmente o acordo será aprovado.

Além do Acordo sobre a Mudança do Clima e das questões ambientais, o Brasil e o Mercosul se comprometem a respeitar as normas trabalhistas, os direitos humanos e as comunidades indígenas. É uma tentativa de enquadrar o governo Bolsonaro nas regras e normas europeias, contrariando as visões antiglobalistas, unilateralistas e antieuropeias dos seguidores do astrólogo Olavo de Carvalho, do patético ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e do medíocre assessor para assuntos internacionais do Palácio do Planalto, Filipe Martins, da ala de extrema direita do governo.

domingo, 2 de dezembro de 2018

Trump pretende retirar os EUA do Nafta

A bordo do avião presidencial Air Force One, na volta da reunião de cúpula do Grupo dos 20 em Buenos Aires, o presidente Donald Trump manifestou a intenção de retirar os Estados Unidos do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta). 

Isto dará seis meses para o Congresso aprovar o Acordo EUA-México-Canadá assinado na Argentina em 30 de novembro por Trump, o presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, e o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau.

Com a manobra, o presidente americano pressiona o novo Congresso, com maioria da oposição democrata na Câmara de Representantes a aprovar o novo acordo. Se for rejeitado, não haverá mais o Nafta como alternativa.

Isto poderia criar um vácuo legislativo. Os EUA estariam fora da zona de livre comércio da América do Norte enquanto as leis que implementam o acordo continuariam em vigor. Como tem autoridade para regulamentar o comércio exterior do país, o Congresso poderia ignorar a decisão de Trump, mas corre o risco de ter de derrubar um veto presidencial.

Quando o presidente dos EUA consegue a chamada autoridade para promoção comercial, os acordos de comércio exterior passam por um processo de tramitação rápida no Congresso, que tem apenas 90 dias para aprovar ou rejeitar as propostas, sem a opção de emendar o texto acordado com outros países. Caso contrário, o acordo teria de ser renegociado indefinidamente.

 Ao sair do Nafta, Trump pressiona não só o Congresso dos EUA, mas também o Canadá e o México a ratificar o novo acordo. Nos três parlamentos, pode haver resistência.

terça-feira, 24 de julho de 2018

Colômbia e Mercosul anunciam acordo sobre serviços

O Mercado Comum do Sul (Mercosul) e a Colômbia assinaram um acordo para levantar as restrições ao comércio de serviços durante um encontro entre o Mercosul e a Aliança do Pacífico na Cidade do México, anunciou hoje a Agência Brasil.

A Aliança do Pacífico e o Mercosul são os dois grandes blocos comerciais da América Latina. O acordo é resultado dos esforços para unir os dois grupos no momento em que o presidente Donald Trump fomenta uma guerra comercial contra os países que têm saldo comercial com os Estados Unidos.

A Colômbia e o Mercosul fecharam um acordo comercial em dezembro de 2007 para liberalizar o comércio de produtos agrícolas e industriais que não incluía serviços.

terça-feira, 17 de julho de 2018

UE e Japão fecham acordo de livre comércio

Em plena guerra comercial declarada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, duas grandes potências econômicas se aproximam. A União Europeia e o Japão assinaram hoje em Tóquio um acordo para liberalizar gradualmente o comércio bilateral.

Aos poucos, serão removidas as tarifas sobre 99% produtos japoneses importados pela Europa e 94% dos produtos europeus importados pelo Japão.

Nos próximos sete anos, a UE vai reduzir a zero a tarifa de importação de automóveis japoneses, hoje de 10%. De imediato, o Japão vai eliminar a tarifa de 15% sobre vinhos europeus e baixar significativamente as tarifas sobre queijos, carnes de gado e de porco.

O acordo é um sinal do esforço da UE, segundo maior mercado do mundo, depois dos EUA, e do Japão, quarto país mais rico do mundo, de procurar alternativas para resistir aos golpes da guerra comercial de Trump, que ameaça jogar a economia mundial em recessão.

sábado, 9 de junho de 2018

Trump propõe transformar G-7 em área de livre comércio

Em mais uma surpresa para os aliados dos Estados Unidos no Grupo dos Sete, que reúne as maiores potências industriais capitalistas (EUA, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá), o presidente Donald Trump propôs fazer do G-7 uma zona de livre comércio, sem tarifas de importação nas transações entre os países-membros.

Foi uma surpresa porque Trump chegou à reunião de cúpula em Charlevoix, no Canadá, depois de anunciar a imposição de tarifas sobre as exportações de aço e alumínio dos aliados, no que pode facilmente virar uma guerra comercial.

"Sem tarifas, nem barreiras - é assim que deve ser. E sem subsídios", declarou o presidente americano antes de sair da reunião rumo a Cingapura, onde se encontra na terça-feira com o ditador da Coreia do Norte, Kim Jong Un. "Somos como aquele cofrinho de porquinho que todo o mundo está roubando. Isso vai acabar."

Em entrevista coletiva, Trump voltou a se queixar do protecionismo agrícola do Canadá e denunciou as políticas comerciais "brutais" da União Europeia: "Isso vai parar ou vamos parar de comerciar com eles."

O chefe da assessoria econômica da Casa Branca, Larry Kudlow, afirmou que a proposta de criar uma zona de livre comércio é resultado de uma "longa discussão" e não mais uma atitude impulsiva de Trump. Na sua opinião, é preciso "reduzir aquelas barreiras. De fato, ir para zero, sem tarifas, sem barreiras não tarifárias nem subsídios. Ao longo do caminho, vamos ter de limpar o sistema de comércio internacional."

Ao chegar ao poder, Trump retirou os EUA da Parceria Transpacífica (TPP), acertada pelo governo Barack Obama, e praticamente enterrou as negociações sobre uma Parceria Transatlântica de Comércio e Investimentos.

Antes de sair, Trump declarou ser contra uma iniciativa do Canadá para combater a poluição de plástico nos oceanos. O presidente americano deixou a reunião cedo neste sábado, antes do debate do G-7 sobre questões ambientais.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Trump chega à Europa com mensagem hostil à União Europeia

O presidente Donald Trump iniciou hoje sua segunda viagem ao exterior manifestando apreço por governos autoritários e desprezo pelo livre comércio e pelos tradicionais aliados democráticos dos Estados Unidos. Depois de encontro com o governo de ultradireita da Polônia, criticou os acordos comerciais feitos pelos EUA como "uns dos piores na história" e defendeu a realização de acordos bilaterais, o que minaria o processo da integração da União Europeia (UE).

Com um discurso agressivo em Varsóvia, Trump questionou se o Ocidente está pronto a "defender nossa civilização" contra o "terrorismo radical islâmico" que "ameaça nossa civilização e nosso estilo de vida", embora o jihadismo não seja um desafio estratégico. Não é capaz de tomar o poder em escala global.

Quanto ao livre comércio, o presidente ignora a história e ataca a ordem internacional liberal criada pelos EUA no pós-guerra por inspiração do presidente Franklyn Roosevelt para evitar novas guerras mundiais.

Trump acredita que pode usar o poder econômico dos EUA para negociar acordos bilaterais mais favoráveis ao país. Ignora o pesadelo regulatório que isso significaria para empresas, enquanto os acordos da Organização Mundial do Comércio (OMC) se aplicam a seus 164 países-membros.

Ele criticou o presidente da Rússia, Vladimir Putin, com quem deve se encontrar durante a reunião de cúpula do Grupo dos 20 (19 maiores economias do mundo e a UE): "Estamos trabalhando com a Polônia para conter a ação desestabilizadora da Rússia." Na entrevista coletiva, declarou que "ninguém sabe realmente" se a Rússia interveio na eleição presidencial nos EUA, embora haja uma investigação a respeito.

Em discurso na Praça Kasinski, onde há um monumento em homenagem ao Levante Polonês contra os nazistas em 1944, Trump elogiou a resistência da Polônia depois de séculos de divisão do país entre Alemanha, Áustria e Rússia, da ocupação nazista na Segunda Guerra Mundial e da imposição de um regime comunista pela União Soviética no pós-guerra.

O presidente americano elogiou a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) como "exemplo de luta pela liberdade" e um "resumo da coragem e da vontade de defender nossa civilização". Mas não criticou o atual governo, acusado de perseguir juízes, jornalistas e oposicionistas, revelando mais uma vez sua predileção por governos fortes e autoritários sem grande apreço pelas liberdades individuais.

Trump não foi ao museu em homenagem às vítimas do Levante do Gueto de Varsóvia, em 1943, a maior rebelião de judeus contra o Holocausto. Sua filha Ivanka visitou o museu ontem.

As palavras mais duras de Trump foram dirigidas à Coreia do Norte, que testou um míssil balístico intercontinental balístico em 4 de julho, Dia da Independência dos EUA: "Não gosto de falar sobre o que estamos planejando, mas estamos pensando sobre coisas bem graves", advertiu, acenando com a possibilidade de uma ação militar contra a ditadura comunista de Pionguiangue. "Eles estão se comportando de maneira muito, muito séria e algo precisa ser feito a respeito."

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

UE e Canadá assinam acordo de liberalização comercial

Depois de duas semanas de psicodrama, superada a resistência da região belga da Valônia, o Canadá e a União Europeia assinaram ontem um acordo que vai eliminar 98% das tarifas de importação no comércio bilateral.

O primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, o presidente do Conselho Europeu, o ex-primeiro-ministro polonês Donald Tusk, e o presidente da Comissão Europeia, o ex-primeiro-ministro luxemburguês Jean-Claude Juncker, descreveram o Acordo Comercial e Econômico Amplo como "o acordo comercial mais amplo, ambicioso e progressista já negociado tanto pelo Canadá quanto pela UE."

A negociação durou sete anos. Foi a primeira da UE com um país industrializado. Já serve de modelo para um possível acordo UE-Reino Unido depois da Brexit, a saída britânica do bloco europeu, aprovada em plebiscito em 23 de junho de 2016. As negociações com os Estados Unidos para formar a Parceria Transatlântica de Comércio e Investimentos estão estagnadas.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Belgas anunciam entendimento sobre acordo comercial UE-Canadá

O primeiro-ministro Charles Michel anunciou hoje que as duas regiões da Bélgica chegaram a um entendimento sobre o acordo de livre comércio negociado entre o Canadá e a União Europeia, que a Valônia, a metade francófona do país, ameaçava vetar.

A cerimônia de assinatura estava marcada para hoje em Bruxelas. Diante do veto da Valônia, o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, suspendeu a viagem à Bélgica.

O acordo vai eliminar 98% das tarifas de importação entre o mercado comum europeu e o Canadá, e inclui normas comuns para evitar a imposição de barreiras não tarifárias.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Fundadores do Mercosul afastam Venezuela chavista da presidência

Os países fundadores do Mercado Comum do Sul (Mercosul), Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, decidiram ontem que a Venezuela não vai assumir a presidência rotativa do bloco comercial sem cumprir os compromissos assumidos há quatro anos de adotar todas as regras comuns até 12 de agosto deste ano. A Venezuela tem até 1º de dezembro de 2016 para se adaptar.

Até lá, o Mercosul terá uma presidência colegiada formada por seus membros fundadores. O Uruguai, que havia transferido a presidência à Venezuela no fim de seu mandato, no fim de junho, se absteve. É o único dos fundadores com governo de esquerda hoje.

A oposição à Venezuela não foi apenas por causa das normas técnicas da zona de livre comércio do Mercosul, observou Cloris Rossi hoje na Folha de São Paulo. O Brasil, a Argentina e o Paraguai acusam o regime chavista de desrespeitar a democracia e violar os direitos humanos.

Além de manter presos políticos, o governo Nicolás Maduro tenta bloquear e adiar a convocação de um referendo proposto pela oposição para revogar o mandato do presidente, como prevê a Constituição Bolivarista da Venezuela, que não prevê o julgamento político num processo de impeachment.

Se o referendo for realizado até 10 de janeiro de 2017 e Maduro perder, haverá nova eleição presidencial. Depois desta data, assumiria o vice-presidente, nomeado por Maduro.

Em meio à pior crise econômica de sua história recente, com queda acumulada de 18% do produto interno bruto, desabastecimento generalizado e inflação prevista em 720% neste ano, a Venezuela não vai adotar as regras de abertura comercial de uma zona de livre comércio com pretensões a união aduaneira. Tende a ser cada vez mais marginalizada dentro do Mercosul.

O Mercosul sonha com um acordo de liberalização comercial com a União Europeia que enfrenta forte oposição dos produtores agrícolas europeus. A Venezuela seria um entrave a mais nas negociações.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Líderes do Senado resgatam negociação comercial de Obama

Menos de 24 horas depois de barrar o projeto para dar autoridade de promoção comercial ao presidente dos Estados Unidos para negociar acordos de liberalização do comércio, os líderes dos dois partidos chegaram a um acerto para dar sinal verde à Parceria Transpacífica, que criaria uma grande área de livre comércio incluindo o Japão.

Sob pressão do presidente Barack Obama, derrotado ontem pelo seu próprio partido, os senadores concordaram em votar primeiro uma lei de fiscalização de acordos internacionais de comércio com medidas para punir manobras desleais como manipulação cambial.

Depois, o Senado vai discutir os termos da autorização para o Executivo negociar a Parceria Transpacífica com 11 países da Australásia (Austrália, Brunei, Cingapura, Japão, Malásia, Nova Zelândia e Vietnã) e da América Latina (Canadá, Chile, México e Peru).

Junto com os EUA, os países geram uma riqueza anual de US$ 28 trilhões, 40% do produto global bruto, e são responsáveis por um terço do comércio internacional. A China não faz. Há uma nítida preocupação de Obama de impor as regras do jogo na Ásia antes que a China o faça.

A autorização para promoção comercial é necessária para que o acordo seja confirmado ou rejeitado pelo Senado num regime de tramitação rápida, sem emendas que exijam a renegociação com os outros parceiros. Assim, os senadores poderão votar a favor ou contra, mas não poderão mudar o acordo. Por isso, querem definir claramente os limites do mandato negociador do presidente.

Os deputados e senadores do Partido Democrata, de Obama, temem o impacto negativo da Parceria Transpacífica para os empregos e o meio ambiente.

terça-feira, 12 de maio de 2015

Democratas negam autorização para Obama negociar livre comércio

O presidente Barack Obama sofreu hoje uma derrota imposta pela bancada de seu próprio partido no Senado. Só um senador democrata votou a favor de dar ao presidente autoridade para negociar um acordo de livre comércio, a Parceria Transpacífica, uma de suas prioridades econômicas.

Com 52 votos a favor e 45, a proposta ficou abaixo dos 60 votos necessários para sua tramitação. A posição da bancada democrata reflete as preocupações de sindicatos e ambientalistas quanto aos impactos do acordo sobre empregos e o meio ambiente.

A lei daria direito aos senadores para estabelecer os princípios das negociações. Com a autorização para promoção comercial, o Poder Executivo pode negociar acordos de livre comércio que no final o Congresso só pode aprovar ou rejeitar. Não pode emendar, o que obrigaria a reabrir a negociação com os parceiros.

O objetivo do governo Obama é formar uma zona de livre comércio de 12 países da América e da Ásia (Austrália, Brunei, Canadá, Chile, Cingapura, EUA, Japão, Malásia, México, Nova Zelândia, Peru e Vietnã) situados na orla do Oceano Pacífico excluindo a China. A alegação é que é preciso criar regras que garantam o livre comércio antes que os chineses imponham as suas.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Parlamento Europeu aprova associação da Moldova

Por 535 a 94 votos, o Parlamento Europeu aprovou ontem um acordo de associação e de livre comércio com a ex-república soviética da Moldova. O acordo cobre todo o território do país, inclusive a região da Transnístria, onde há um movimento separatista apoiado pela Rússia.

Ao aprovar a associação, o Parlamento Europeu pediu à União Europeia que trabalhe ativamente para resolver a questão da Transnístria. Antes de entrar em vigor, o acordo precisa ser ratificado pelos parlamentos nacionais dos 28 países do bloco europeu.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Austrália e Coreia do Sul fazem acordo de livre comércio

No fim de uma visita de dois dias a Seul, o primeiro-ministro da Austrália, Tony Abbott, e a presidente da Coreia do Sul, Park Geun Hye, assinaram hoje um acordo de livre comércio, informou a agência de notícias sul-coreana Yonhap.

É o décimo-primeiro acordo de livre comércio firmado pela Coreia do Sul.

Com produto interno bruto de US$ 1,542 trilhão, a Austrália é a 12ª maior economia do mundo. A Coreia do Sul é a 15ª, com PIB de US$ 1,15 trilhão.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Washington lançou bases da política externa dos EUA


No seu Discurso de Despedida, em 19 de setembro 1796, há exatamente 217 anos, o primeiro presidente dos Estados Unidos, George Washington, lançou as bases da política externa americana. É uma de seus bases ideológicas, ao lado da Doutrina Monroe e da tese do Destino Manifesto, que justificou a Marcha para o Oeste e a conquista de grande parte do território do México.

Washington advertiu que a paz, a independência, a segurança, a liberdade e a prosperidade dependiam da união entre os estados, criticou o faccionalismo dos partidos políticos, defendeu a separação dos poderes, o livre comércio e a neutralidade, alertado os americanos a não se envolver em guerras nem alianças na Europa.

Esse isolacionismo só foi rompido em 1917, quando os EUA entraram na Primeira Guerra Mundial depois de vários ataques de submarinos da Alemanha à navegação e ao comércio no Oceano Atlântico.

Depois da Primeira Guerra Mundial, quando o Senado dos EUA rejeitou a Liga das Nações, o país recuou para seu isolacionismo, que durou até o ataque japonês a Pearl Harbor, em 7 de dezembro de 1941. Com a vitória na Segunda Guerra Mundial, os EUA se transformaram numa superpotência e projetaram seu poderio militar pelo mundo inteiro durante a Guerra Fria.

Neste momento de crise econômica e declínio da influência nos EUA, a hesitação do governo Barack Obama e do Congresso em relação à guerra civil na Síria sinaliza um recuo.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

EUA e UE lançam negociações de livre comércio

Durante a reunião de cúpula do Grupo dos Oito (G-8) realizada em Belfast, na Irlanda do Norte, a União Europeia (UE) e os Estados Unidos, os dois maiores mercados consumidores do mundo, lançaram negociações de livre comércio para criar um mercado comum juntando os dois.

É uma parceria transatlântica. Em última análise, tenta contrabalançar a ascensão da Ásia, hoje o polo mais dinâmico da economia mundial. As negociações começam em julho de 2013, em Washington.

Para não vetar as negociações, a França exige que a produção cultural seja excluída do acordo. A chamada "exceção cultural" visa a permitir subsídios à produção de cinema e televisão com o objetivo de preservar a identidade cultural dos países.

A UE tem um produto interno bruto de cerca de US$ 18 trilhões, e os EUA, de mais de US$ 15 trilhões.