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segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

Primeiro-ministro Justin Trudeau renuncia no Canadá

 Sob ameaça de uma guerra comercial de Donald Trump e pressão dentro do seu próprio Partido Liberal, que está 26 pontos percentuais atrás dos conservadores nas pesquisas sobre as eleições a serem realizadas até outubro, o primeiro-ministro Justin Trudeau anunciou hoje sua demissão da liderança do partido e da chefia do governo do Canadá. Ele fica nos cargos até o partido eleger um novo líder.

"É hora de um reinício", declarou Trudeau em frente de sua casa em Ottawa. "Este país merece fazer uma verdadeira escolha nas próximas eleições. (...) Se tenho de travar batalhas internas, não posso ser a melhor opção para as próximas eleições." É mais um líder progressista que cai neste momento em que eleitores insatisfeitos derrubam governos no mundo inteiro.

Sua queda fortalece Trump e enfraquece líderes progressistas em temas como o combate à fome e ao aquecimento global e na defesa dos direitos, propostos propostos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a reunião de cúpula do Grupo dos Vinte (G-20) realizada em novembro no Rio de Janeiro.

Trudeau suspendeu o Parlamento, que disse estar "totalmente paralisado por obstrução e total falta de produtividade", até 24 de março. Evita assim um voto de desconfiança que anteciparia as eleições enquanto os liberais escolhem um novo líder. Só então vai renunciar oficialmente à chefia do governo. As eleições podem ser antecipadas para maio.

Segundo primeiro-ministro mais jovem da história do Canadá, Justin Pierre James Trudeau, hoje com 53 anos, é filho do ex-primeiro-ministro Pierre Elliott Trudeau e de Margaret Trudeau. O casal tinha uma diferença de idade de 30 anos e se divorciou quando Margaret foi suspeita de ter um caso com Mick Jagger, o líder dos Rolling Stones.

No poder desde 4 de novembro de 2015, Trudeau conquistou a maior vitória eleitoral da história do país. Com votos da classe trabalhadora, dos indígenas e dos jovens, tirou o Partido Liberal de uma década na oposição e do terceiro lugar a que foi relegado em 2011 pela liderança de Michael Ignatieff, um jornalista e escritor que passara boa parte da vida no exterior.

Logo se tornou um ícone do progressismo liberal com políticas inspiradas em parte pelo então presidente dos Estados Unidos Barack Obama. Entre outras medidas, protegeu os povos indígenas, defendeu os direitos humanos no mundo, foi a favor da imigração e do acolhimento a refugiados, celebrou a diversidade, fez do combate ao aquecimento global uma prioridade, criou um imposto sobre combustíveis fósseis que desagradou os estados produtores de petróleo, proibiu os fuzis de assalto e legalizou o uso recreativo da maconha.

Em política externa, Trudeau renegociou o Acordo de Livre Comércio da América do Norte com os EUA e o México, aproximou-se da Europa e começou a desengajar o Canadá dos conflitos no Oriente Médio. Segundo maior país do mundo, com quase 10 milhões de quilômetros quadrados, o Canadá tem apenas 40 milhões de habitantes. É a nona maior economia do mundo, com produto interno bruto estimado em US$ 2,33 trilhões, e a 18ª maior renda per capita (US$ 53.834).

Seu governo foi abalado por sucessivos escândalos, mas Trudeau não foi alvo de nenhuma sanção. O combate à pandemia foi um sucesso, mas as famílias da baixa renda foram afetadas pelo fechamento da economia, o que abalou sua popularidade. Foi reeleito em 2019 e 2021, com bancadas menores.

A pandemia causou inflação e o influxo de refugiados de imigrantes e refugiados foi responsabilizado pela falta de moradia. Nos últimos 12 meses, cinco ministros pediram demissão.

O problema se agravou com a reeleição de Trump para a Presidência dos EUA. Trump acusa os países vizinhos pela entrada de drogas e imigrantes ilegais. Em retaliação ou para negociar, ameaça impor tarifas de 25% sobre a importação de produtos do Canadá e do México. Seria um duro golpe. O Canadá envia 75% de suas exportações para os EUA, com destaque para petróleo e automóveis, e não tem muitas opções para retaliar.

Em novembro, Trudeau foi à residência de Trump no clube Mar-a-Lago discutir a segurança na fronteira para tentar evitar um tarifaço que jogaria a economia canadense em recessão. Mas o presidente norte-americano o tem depreciado. Chama o primeiro-ministro de governador e diz que o Canadá teria grandes vantagens em se tornar o 51º estado dos EUA.

Um golpe fatal em Trudeau foi a demissão surpreendente em 16 de dezembro da vice-primeira-ministra e ministra das Finanças Chrystia Freeland, uma ex-jornalista do Financial Times que foi ministra do Comércio Internacional e ministra do Exterior.

Na carta de demissão, publicada no X, Freeland revelou que Trudeau lhe pediu o cargo de ministra das Finanças, num sinal de que não tinha mais confiança nela. As principais divergências são sobre como enfrentar a crise econômica e o "grave desafio" da guerra comercial de Trump.

"Precisamos levar essa ameaça extremamente a sério", escreveu Freeland. "Isso significa manter nossa pólvora fiscal seca hoje para que tenhamos as reservas que podemos precisar numa guerra tarifária. Isso significa evitar truques políticos caros que não podemos pagar e que fazem os canadenses duvidar de que reconhecemos a gravidade do momento."

O jornal Globe and Mail citou como "truques políticos caros" uma isenção do imposto sobre circulação de mercadorias e serviços e o envio de cheques no valor de US$ 175 (R$ 1.069) para todos os canadenses que ganham menos de US$ 105 mil (R$ 642 mil) por ano.

Chrystia Freeland é uma das prováveis candidatas à liderança do Partido Liberal. Outros nomes cotados são Mark Carney, ex-presidente do Banco do Canadá e do Banco da Inglaterra; a ministra do Exterior, Mélanie Joly; e o novo ministro das Finanças, Dominic LeBlanc.

Quem quer que seja o vencedor terá de enfrentar o franco favorito para as próximas eleições, o deputado Pierre Poilievre, líder do Partido Conservador, que na última pesquisa tem 47% das preferências contra 21% dos liberais. Diante da queda de Trudeau, seu rival divulgou um vídeo nas redes sociais prometendo acabar com o impopular imposto sobre carbono, construir casas, equilibrar o orçamento e combater a criminalidade.

domingo, 22 de outubro de 2023

Líderes ocidentais pedem que Israel respeite o direito humanitário

Em reunião virtual organizada pelos Estados Unidos, o presidente Joe Biden, discutiu hoje a guerra no Oriente Médio com o presidente da França, Emmanuel Macron, e os primeiros-ministros da Alemanha, Olaf Scholz; do Reino Unido, Rishi Sunak; da Itália, Giorgia Meloni; e do Canadá, Justin Trudeau. Eles pediram a Israel que respeite o direito internacional e a abertura de um corredor permanente para levar ajuda humanitária à população civil da Faixa de Gaza.

Mais tarde, os EUA e Israel anunciaram um acordo para tornar a ajuda humanitária permanente.

Israel bombardeou mais 320 alvos do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) em 24 horas em Gaza e atacou posições da milícia fundamentalista xiita Hesbolá (Partido de Deus) no Sul do Líbano.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu advertiu o Hesbolá que entrar na guerra será seu "maior erro na vida". O Irã alertou EUA e Israel de que a situação pode ficar "incontrolável" se não parar imediatamente o que chamou de "crimes contra a humanidade e genocídio em Gaza". Meu comentário:

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Justin Trudeau é reeleito no Canadá sem maioria absoluta

O Partido Liberal, do primeiro-ministro Justin Trudeau, venceu hoje as eleições gerais no Canadá, mas não deve ter maioria absoluta no Parlamento, de acordo com duas pesquisas de boca de urna de televisões canadenses. Vai depender de outros partidos para aprovar seus projetos.

Pelos resultados preliminares, os liberais terão 144 deputados no Parlamento. A maioria absoluta é 170. Antes da dissolução do Parlamento, há 40 dias, havia 177 deputados liberais. O Partido Conservador, liderado por Andrew Scheer, deve conquistar pelo menos 96 cadeiras.

A reeleição de Justin Trudeau foi ameaçada por dois escândalos: a pressão sobre o procurador-geral num caso envolvendo a empresa de engenharia SNC-Lavalin e a divulgação de fotos do tempo da faculdade em que o jovem estudante aparece com a cara pintada de preto, o que é considerado racista.

Justin alegou que estava fantasiado de Aladim numa festa que tinha como tema as Mil e Uma Noites, um clássico da literatura árabe, e que não sabia do caráter racista.

Para recuperar o prestígio, Justin Trudeau prometeu leis mais duras de controle de armas, cortes de impostos e aumenta da proteção ambiental. Como o Partido Conservador acenou com o fim de um imposto sobre emissões de gases carbônicos, Trudeau o acusou a oposição querer adotar uma política de "não fazer nada" em relação ao aquecimento global. Na Austrália, a direita ganhou com esta proposta.

O pai de Justin, Pierre Elliot Trudeau, foi um dos chefes de governo mais importantes da história do Canadá. Sob sua liderança, os liberais ganharam quatro eleições (1968,1972, 1974 e 1980). Na segunda, em 1972, ficaram em minoria no Parlamento. Depois de um governo curto, ele voltou a governar com maioria absoluta.

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Canadá convoca eleições gerais para 21 de outubro

O primeiro-ministro liberal Justin Trudeau dissolveu hoje o Parlamento do Canadá e convocou eleições gerais para 21 de outubro. As pesquisas indicam uma disputa apertada entre liberais e conservadores.

A liderança de Trudeau foi abalada por um relatório do comissário de ética, Mario Dion, que acusou o primeiro-ministro de violar a ética e de conflito de interesses ao pressionar o Ministério Público no processo sobre o escândalo de corrupção SNC-Lavalin.

Se o Partido Conservador voltar ao poder, é provável que tente melhorar as relações com a Arábia Saudita e se alie aos Estados Unidos para enfrentar a China. Mas há o risco de eleição de um Parlamento dividido e a formação de um governo instável que pode não chegar ao fim do mandato.

A Arábia Saudita reagiu furiosamente a críticas da vice-primeira-ministra e ministra do Exterior canadense, Chrystia Freeland, ao desrespeito aos direitos humanos no reino. Ela defendia Ensaf Haidar, mulher do blogueiro Raif Badawi, preso por ser liberal politicamente num reino medieval.

"Ensaf é cidadã canadense", declarou a ministra na época, em agosto de 2018. "Ela e sua família merecem atenção especial do governo canadense."

Por ordem do príncipe-herdeiro e homem-forte da monarquia absolutista saudita, Mohamed ben Salman, todo o comércio bilateral foi rompido e cerca de 16 mil sauditas que estudavam no Canadá saíram do país.

Com a China, a questão é outra. A pedido dos Estados Unidos, o Canadá prendeu em 1º de dezembro do ano passado Meng Wanzhou, diretora financeira e filha do fundador da maior empresa privada da China, Huawei, maior fabricante mundial de equipamentos de telecomunicações.

Em 28 de janeiro de 2019, o Departamento da Justiça dos EUA a denunciou por fraude financeira ao violar as sanções econômicas impostas pelo governo Donald Trump ao Irã. A China retaliou mais o Canadá, prendendo dois empresários canadenses, do que os EUA. Está em guerra comercial com os EUA e a Huawei pode ser objeto de barganha.

domingo, 2 de dezembro de 2018

Trump pretende retirar os EUA do Nafta

A bordo do avião presidencial Air Force One, na volta da reunião de cúpula do Grupo dos 20 em Buenos Aires, o presidente Donald Trump manifestou a intenção de retirar os Estados Unidos do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta). 

Isto dará seis meses para o Congresso aprovar o Acordo EUA-México-Canadá assinado na Argentina em 30 de novembro por Trump, o presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, e o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau.

Com a manobra, o presidente americano pressiona o novo Congresso, com maioria da oposição democrata na Câmara de Representantes a aprovar o novo acordo. Se for rejeitado, não haverá mais o Nafta como alternativa.

Isto poderia criar um vácuo legislativo. Os EUA estariam fora da zona de livre comércio da América do Norte enquanto as leis que implementam o acordo continuariam em vigor. Como tem autoridade para regulamentar o comércio exterior do país, o Congresso poderia ignorar a decisão de Trump, mas corre o risco de ter de derrubar um veto presidencial.

Quando o presidente dos EUA consegue a chamada autoridade para promoção comercial, os acordos de comércio exterior passam por um processo de tramitação rápida no Congresso, que tem apenas 90 dias para aprovar ou rejeitar as propostas, sem a opção de emendar o texto acordado com outros países. Caso contrário, o acordo teria de ser renegociado indefinidamente.

 Ao sair do Nafta, Trump pressiona não só o Congresso dos EUA, mas também o Canadá e o México a ratificar o novo acordo. Nos três parlamentos, pode haver resistência.

domingo, 22 de julho de 2018

Israel resgata 800 capacetes brancos da Defesa Civil Síria

O Exército de Israel resgatou ontem 800 funcionários da Defesa Civil Síria, uma organização voluntária que dava ajuda humanitária em áreas controladas pelos rebeldes durante a guerra civil e que, por isso, era ameaçada pelo avanço das forças leais à ditadura de Bachar Assad. Eles são conhecidos popularmente como capacetes brancos e seguiram para a Jordânia.

Ao anunciar hoje o sucesso da operação, o primeiro-ministro linha-dura Benjamin Netanyahu considerou “um gesto humanitário importante”.

 “Nos últimos dias, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, e vários outros pediram nossa ajuda para dar assistência a centenas de capacetes brancos da Síria. Aquelas pessoas salvaram vidas e estavam correndo risco de vida.”

Ao mesmo tempo, acrescentou Netanyahu, “não estamos parando de agir na Síria contra as tentativas do Irã de se entrincheirar lá.”

Em junho, o Exército da Síria e milícias xiitas aliadas lançaram uma grande ofensiva contra redutos rebeldes em Derá, perto da fronteira com a Jordânia, e Cuneitra, que fica junto às Colinas do Golã, um território ocupado por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967, e anexado em 1981, ao arrepio do direito internacional.

Na sexta-feira, os rebeldes se renderam e, no sábado, abandonaram uma faixa estreita junto à linha do  cessar-fogo de 1974 entre Israel e a Síria, depois da Guerra do Yom Kippur, em 1973. Com o avanço do Exército, a vida dos voluntários da defesa civil ficaram sob ameaça.

A Alemanha ofereceu asilo político para 50 capacetes brancos. Em nota, o Ministério do Exterior do Canadá declarou que os voluntários “testemunharam atrocidades cruéis cometidas pelo regime de Assad e seus partidários. Tínhamos uma grande responsabilidade moral com essa gente brava a altruísta.”

domingo, 10 de junho de 2018

Trump exclui EUA do comunicado final do G-7

Irritado com críticas do primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, a seu protecionismo, o presidente Donald Trump orientou os representantes dos Estados Unidos a não assinar o comunicado final da reunião de cúpula do Grupo dos Sete (EUA, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá), as maiores potências industriais democráticas.

A caminho de Cingapura, onde se encontra na terça-feira com o ditador da Coreia do Norte, Kim Jong Un, horas depois do fim do encontro, que havia terminado em clima positivo, Trump retirou os EUA do comunicado e ameaçou impor tarifas sobre a importação de automóveis do Canadá, numa escalada do conflito comercia com tradicionais aliados dos EUA.

"Baseado nas declarações falsas de Justin em sua entrevista coletiva e no fato de que o Canadá cobra tarifas maciças de nossos fazendeiros, trabalhadores e companhias, instruí os representantes dos EUA a não endossar o comunicado final enquanto examinamos a imposição de tarifas sobre os automóveis que inundam o mercado dos EUA", disparou Trump.

Em seguida, considerou-se traído: "O primeiro-ministro Justin Trudeau, do Canadá, foi tão delicado e suave durante nossos encontros do G-7 para dar uma entrevista coletiva depois que fui embora. Muito desonesto e fraco."

Trudeau declarou que o Canadá vai impor tarifas retaliatórias a partir de 1º de julho porque "os canadenses são polidos, são razoáveis, mas não serão intimidados".

Os países europeus, decepcionados com mais uma briga de Trump, preferiram manter "o comunicado acertado por todos os participantes". Foi a primeira reunião de cúpula do G-7 a terminar sem uma declaração final conjunta aprovada por todos os países-membros.

Antes de partir, o presidente americano afirmou que suas relações com Trudeau, a chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, e o presidente da França, Emmanuel Macron, são nota 10. Trump culpou os governos anteriores dos EUA, e não os aliados, pelos acordos comerciais que deplora.

Trump propôs a criação de uma zona de livre comércio do G-7. Diante da imensidão da tarefa de negociar um acordo comercial deste tamanho, os aliados tomaram como uma jogada para desviar a atenção dos atuais conflitos comerciais.

Todos os países, menos os EUA, concordaram sobre a necessidade de combater o aquecimento global, enquanto os americanos "acreditam que o crescimento e o desenvolvimento econômico sustentável dependem do acesso universal a fontes de energia baratas e confiáveis".

Os EUA e o Japão não endossaram uma referência à necessidade de combater a poluição de plástico nos mares. No sábado, Trump voltou a defender o reingresso da Rússia no G-7, de onde foi excluída por anexar ilegamente a Crimeia, em clara violação ao direito internacional.

"Não estamos nem remotamente pensando nisso", comentou o primeiro-ministro do Canadá. A chanceler alemã considerou a proposta inaceitável porque "a Rússia não tomou nenhuma medida para restaurar a paz na Ucrânia".

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Papéis do Paraíso revelam riqueza escondida da elite mundial

Mais de 13 milhões de documentos mostram como parte da elite mundial escondeu US$ 350 bilhões em 19 paraísos fiscais, inclusive a rainha da Inglaterra, grandes empresas, um ministro e assessores do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. 

Os documentos foram obtidos pelo jornal alemão Süddeutsche Zeitung e examinados pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos e estão sendo divulgados por 95 meios de comunicação, entre eles o jornal britânico The Guardian e o francês Le Monde.

A rainha tem o equivalente a US$ 13 milhões investidos nas Ilhas Cayman. Hoje de manhã, o Palácio de Buckingham se apressou em esclarecer que o dinheiro de Sua Majestade é administrado pelo Ducado de Lancaster e negou que Elizabeth II seja beneficiária de evasão fiscal.

Durante a campanha eleitoral de 2016, Trump prometeu "trazer de volta trilhões de dólares que as empresas americanas mantêm no exterior". Um ano depois de sua vitória, revela-se que vários dos milionários de sua assessoria guardam parte de suas fortunas no exterior ou ajudam seus clientes e empresas a fazer depósitos em paraísos fiscais.

A descoberta mais grave é a sociedade de uma empresa de transporte marítimo chamada Navigator, do secretário do Tesouro, Wilbur Ross, que em 2014 recebeu US$ 68 milhões da companhia de gás russa Sibur. Ross não revelou essa ligação com a Rússia como teria obrigação de fazer.

Um dos proprietários da Sibur empresa é Kiril Chamalov, casado com Katherina Tikhonova, filha do presidente Vladimir Putin, acusado de apoiar a candidatura Donald Trump com uma guerra cibernética contra a candidatura Hillary Clinton.

Apesar das sanções impostas pelos EUA e a União Europeia à Rússia em 2014 por causa da anexação da Península da Crimeia, a Navigator ampliou sua relações com a Sibur. O Congresso e o procurador especial Robert Mueller investigam um possível conluio da campanha de Trump com o Kremlin para derrotar Hillary.

Duas instituições estatais russas ligadas a Putin usaram um sócio de Jared Kushner, genro de Trump, para investir US$ 1,2 bilhão no Facebook e no Twitter, onde os serviços secretos russos criaram 470 contas com identidades falsas e publicaram 3 mil mensagens para manipular as eleições nos EUA.

O chefe da assessoria econômica da Casa Branca, Gary Cohn, principal responsável pela proposta de cortes de impostos que favorece sobretudo os ricos e as grandes empresas, foi presidente ou vice-presidente de 22 empresas offshore situadas nas ilhas Bermudas durante 2002 e 2006, quando era executivo do banco de investimentos Goldman Sachs.

As empresas, especializadas em mercado imobiliário tinham sede na ilha e um endereço em Nova York, 85 Broad Street, onde até 2009 era o quartel-general do Goldman Sachs.

O secretário de Estado americano, Rex Tillerson, dirigiu a Marib Upstream Services Company, uma empresa ligada à transnacional americana ExxonMobil criada nas ilhas Bermudas em 1997 para explorar gás e petróleo no Iêmen, antes de virar diretor-presidente da Exxon.

Em relatório publicado no ano passado, o grupo de ativistas Cidadãos por Justiça Fiscal denunciou que a ExxonMobil tem pelo menos 35 subsidiárias em paraísos fiscais como as Bahamas, Bermudas e Cayman. Elas tinham pelo menos US$ 51 bilhões quando Tillerson chefiava a empresa.

Como banqueiro na Wall Street, o centro financeiro de Nova York, o agora secretário do Tesouro dos EUA, Steve Mnuchin, criou esquemas financeiros para permitir que clientes ricos comprassem jatinhos de luxo sem pagar impostos.

Um documento vazado em outubro de 2015 revela que o CIT Bank usou uma companhia da Ilha do Homem, um paraíso fiscal nas Ilhas Britânicas, para pagar uma prestação de US$ 431 mil pela compra de um avião Dassault Falcon 2000EX de US$ 30 milhões.

O dono da empresa é Shaher Abdulhak Besher, aliado do ex-ditador iemenita Ali Abdullah Saleh, um dos principais responsáveis pela guerra civil no país mais pobre do Oriente Médio. Seu filho, Farouk Abdulhak, é suspeito de estuprar e matar uma jovem de 23 anos em Londres.

Já o novo embaixador americano em Moscou, o ex-governador de Utah Jon Huntsman é apontado como diretor da HICI International Sales Corporation, fundada em 1969 em Barbados para realizar vendas internacionais para a Huntsman ICI, a indústria química da Huntsman Corporation. Em 2000, esta empresa faturou US$ 4,4 bilhões e lucrou US$ 151 milhões.

Até o primeiro-ministro liberal do Canadá, Justin Trudeau, uma das jovens promessas de liderança internacional, ao lado do presidente da França, Emmanuel Macron, foi atingido. Seu principal arrecadador de campanha, Stephen Bronfman, herdeiro da destilaria Seagram, operava uma rede de empresas que circulava milhões de dólares entre os EUA, Israel e as Ilhas Cayman para não pagar impostos.

No Brasil, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, tem um truste nas Bermudas, mas está declarado à Receita Federal. O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, grande pecuarista, é sócio de uma empresa nas Ilhas Cayman para pagar menos impostos sobre suas exportações.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

UE e Canadá assinam acordo de liberalização comercial

Depois de duas semanas de psicodrama, superada a resistência da região belga da Valônia, o Canadá e a União Europeia assinaram ontem um acordo que vai eliminar 98% das tarifas de importação no comércio bilateral.

O primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, o presidente do Conselho Europeu, o ex-primeiro-ministro polonês Donald Tusk, e o presidente da Comissão Europeia, o ex-primeiro-ministro luxemburguês Jean-Claude Juncker, descreveram o Acordo Comercial e Econômico Amplo como "o acordo comercial mais amplo, ambicioso e progressista já negociado tanto pelo Canadá quanto pela UE."

A negociação durou sete anos. Foi a primeira da UE com um país industrializado. Já serve de modelo para um possível acordo UE-Reino Unido depois da Brexit, a saída britânica do bloco europeu, aprovada em plebiscito em 23 de junho de 2016. As negociações com os Estados Unidos para formar a Parceria Transatlântica de Comércio e Investimentos estão estagnadas.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Extremistas muçulmanos matam refém canadense nas Filipinas

Rebeldes muçulmanos do grupo Abu Sayyaf (Portador da Espada) mataram um canadense sequestrado em setembro de 2015 no Sul das Filipinas, revelou hoje o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau. A cabeça de John Ridsdel foi encontrada numa rua da remota ilha de Jolo horas depois do prazo final do ultimato dos rebeldes.

Os sequestradores exigiam dinheiro para libertar Ridsdel, mas o governo canadense adota uma política de não pagar resgate a terroristas. Trudeau descreveu a morte como um "assassinato a sangue frio".

As Filipinas são um país majoritariamente católico, mas os muçulmanos são maioria em algumas áreas do Sul, onde travam uma longa guerra civil em que 140 mil pessoas foram mortas nos últimos 40 anos.

Em 2014, o governo assinou um tratado de paz com a Frente Moro de Libertação Islâmica, mas o Congresso acaba de adiar a aprovação final da Lei Básica de Bangsamoro, um aspecto central do acordo, que daria aos rebeldes a oportunidade de criar um governo autônomo em parte das ilhas de Mindanau.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Governo conservador perde eleições no Canadá

Depois de quase dez anos, o primeiro-ministro conservador Stephen Harper vai devolver o poder ao Partido Liberal. O novo chefe de governo do Canadá será Justin Trudeau, filho do falecido primeiro-ministro Pierre Elliot Trudeau, que governou o país durante 15 anos.

Os primeiros resultados das eleições parlamentares de segunda-feira nos estados mais populosos, Quebec e Ontário, e na costa do Oceano Atlântico, deram uma ampla vantagem aos liberais projetando sua vitória. A dúvida é se o PL terá maioria absoluta ou se terá de fazer uma coalizão com o Partido Nova Democracia, de esquerda, que em agosto era o favorito nas pesquisas.

Apesar de ter nos Estados Unidos seu maior parceiro comercial, o Canadá resistiu bem no primeiro momento à Grande Recessão de 2008-9, o que garantiu maioria absoluta a Harper nas eleições de 2011. Mas sofre com a desaceleração do crescimento da China, que reduziu os preços dos produtos primários exportados pelos canadenses.

Trudeau, de 43 anos, foi a jovem novidade destas eleições. Suportou as acusações de inexperiência feitas por Harper e aproveitou o desejo de mudança de 70% do eleitorado. Prometeu legalizar a maconha e tirar a Força Aérea do Canadá da guerra contra o Estado Islâmico do Iraque e do Levante. Ele será presidente do Grupo dos Sete (EUA, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá) e terá como desafio aprovar a Parceria Transpacífica (TTP).