Para escapar da ameaça das sobretaxas do presidente Donald Trump e evitar uma guerra comercial com os Estados Unidos, a China propôs comprar mais US$ 70 bilhões em energia e produtos agropecuários americanos, noticiou o jornal The Wall Street Journal.
A proposta foi feita diretamente ao secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross, durante visita a Beijim. O pacote inclui soja, milho, carvão, gás natural, petróleo bruto e bens manufaturados.
Em sua pressão para reduzir um déficit comercial de US$ 375 bilhões, Trump ameaçou impor tarifas no valor de até US$ 150 bilhões sobre as importações de produtos da China e cobrou do país um aumento de US$ 200 bilhões nas importações de produtos americanos.
O negociador chinês Liu He deixou claro que o acordo estará desfeito se os EUA impuserem tarifas no valor de US$ 50 bilhões, como foi a última ameaça de Trump. As tarifas seriam aplicadas depois de 15 de junho para aumentar a pressão sobre a China. Se isso acontecer, o governo chinês promete devolver na mesma medida.
Os EUA querem impedir a transferência de tecnologia de empresas americanas para companhias chinesas. Exigem que o governo chinês pare de pressionar as empresas americanas a fazer isso e acusam a China de subsidiar ilegalmente as firmas chinesas, especialmente no setor de alta tecnologia.
De acordo com o Journal, os EUA examinam uma nova reclamação de prática comercial desleal porque a China restringe o acesso empresas de serviços de alta tecnologia americanas.
O regime comunista chinês exige que empresas que oferecem nuvens de computação como a Amazon.com e a Microsoft se associem a companhias chinesas e licenciem sua tecnologia para os sócios chineses.
Em comparação, a gigante da Internet chinesa Alibaba opera livremente nos EUA, sem restrições. "Algumas companhias não chinesas relutam em participar do mercado de nuvens na China devido ao número de restrições", declarou o diretor de política global da Associação da Indústria de Telecomunicações dos EUA, K. C. Swanson. "Enquanto isso, nos EUA, não há restrições à participação estrangeira em nosso mercado, é um caso claro de reciprocidade."
Mais de cem associações empresariais americanas enviaram carta à Casa Branca criticando o protecionismo de Trump.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
Mostrando postagens com marcador Wilbur Ross. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Wilbur Ross. Mostrar todas as postagens
terça-feira, 5 de junho de 2018
quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018
Déficit comercial EUA-China chegou a recorde de US$ 375 bilhões
Durante a campanha eleitoral, o presidente Donald Trump acusou a China de comércio desleal. Em seu primeiro ano de governo, o déficit dos Estados Unidos no comércio bilateral aumentou de US$ 347 bilhões para um recorde de US$ 375,2 bilhões, revelou ontem o Departamento do Comércio.
O déficit comercial global dos EUA aumentou 12,1% em 2017 para US$ 566 bilhões. Foi o maior desde 2008. Com a recuperação econômica e o aumento do poder aquisitivo, crescem as importações. Apesar das promessas, Trump não conseguiu renegociar acordos comerciais significativos nem reindustrializar o país.
A queda do dólar no ano passado tornou os produtos americanos mais baratos no exterior. As exportações aumentaram, mas não o suficiente para neutralizar o consumo de importados. Em dezembro de 2017, os EUA exportaram US$ 203,35 bilhões e importaram US$ 256,46 bilhões. O saldo negativo foi de US$ 53,11 bilhões.
Em sintonia com o pensamento de Trump, o secretário do Comércio, Wilber Ross, declarou que o governo vai reduzir o déficit comercial aplicando as regras do comércio, renegociando acordos existentes e novos acordos.
Ross citou a decisão recente do governo de impor sobretaxas às importações de painéis solares e máquinas de lavar e as renegociações em andamento com o México, o Canadá e a Coreia do Sul. "Um esforço extenuante está em andamento, mas não faz sentido estabelecer um prazo fatal", disse o secretário.
Quando Trump era candidato, em setembro de 2016, seus assessores econômicos Peter Navarro e Wilbur Ross afirmaram que a eliminação do déficit comercial de US$ 500 bilhões geraria uma arrecadação de impostos capaz de neutralizar o custo dos cortes de impostos.
Navarro, hoje diretor do Conselho Nacional de Comércio da Casa Branca, prometeu acabar com o déficit "num ano ou dois".
O déficit comercial global dos EUA aumentou 12,1% em 2017 para US$ 566 bilhões. Foi o maior desde 2008. Com a recuperação econômica e o aumento do poder aquisitivo, crescem as importações. Apesar das promessas, Trump não conseguiu renegociar acordos comerciais significativos nem reindustrializar o país.
A queda do dólar no ano passado tornou os produtos americanos mais baratos no exterior. As exportações aumentaram, mas não o suficiente para neutralizar o consumo de importados. Em dezembro de 2017, os EUA exportaram US$ 203,35 bilhões e importaram US$ 256,46 bilhões. O saldo negativo foi de US$ 53,11 bilhões.
Em sintonia com o pensamento de Trump, o secretário do Comércio, Wilber Ross, declarou que o governo vai reduzir o déficit comercial aplicando as regras do comércio, renegociando acordos existentes e novos acordos.
Ross citou a decisão recente do governo de impor sobretaxas às importações de painéis solares e máquinas de lavar e as renegociações em andamento com o México, o Canadá e a Coreia do Sul. "Um esforço extenuante está em andamento, mas não faz sentido estabelecer um prazo fatal", disse o secretário.
Quando Trump era candidato, em setembro de 2016, seus assessores econômicos Peter Navarro e Wilbur Ross afirmaram que a eliminação do déficit comercial de US$ 500 bilhões geraria uma arrecadação de impostos capaz de neutralizar o custo dos cortes de impostos.
Navarro, hoje diretor do Conselho Nacional de Comércio da Casa Branca, prometeu acabar com o déficit "num ano ou dois".
segunda-feira, 6 de novembro de 2017
Papéis do Paraíso revelam riqueza escondida da elite mundial
Mais de 13 milhões de documentos mostram como parte da elite mundial escondeu US$ 350 bilhões em 19 paraísos fiscais, inclusive a rainha da Inglaterra, grandes empresas, um ministro e assessores do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Os documentos foram obtidos pelo jornal alemão Süddeutsche Zeitung e examinados pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos e estão sendo divulgados por 95 meios de comunicação, entre eles o jornal britânico The Guardian e o francês Le Monde.
A rainha tem o equivalente a US$ 13 milhões investidos nas Ilhas Cayman. Hoje de manhã, o Palácio de Buckingham se apressou em esclarecer que o dinheiro de Sua Majestade é administrado pelo Ducado de Lancaster e negou que Elizabeth II seja beneficiária de evasão fiscal.
Durante a campanha eleitoral de 2016, Trump prometeu "trazer de volta trilhões de dólares que as empresas americanas mantêm no exterior". Um ano depois de sua vitória, revela-se que vários dos milionários de sua assessoria guardam parte de suas fortunas no exterior ou ajudam seus clientes e empresas a fazer depósitos em paraísos fiscais.
A descoberta mais grave é a sociedade de uma empresa de transporte marítimo chamada Navigator, do secretário do Tesouro, Wilbur Ross, que em 2014 recebeu US$ 68 milhões da companhia de gás russa Sibur. Ross não revelou essa ligação com a Rússia como teria obrigação de fazer.
Um dos proprietários da Sibur empresa é Kiril Chamalov, casado com Katherina Tikhonova, filha do presidente Vladimir Putin, acusado de apoiar a candidatura Donald Trump com uma guerra cibernética contra a candidatura Hillary Clinton.
Apesar das sanções impostas pelos EUA e a União Europeia à Rússia em 2014 por causa da anexação da Península da Crimeia, a Navigator ampliou sua relações com a Sibur. O Congresso e o procurador especial Robert Mueller investigam um possível conluio da campanha de Trump com o Kremlin para derrotar Hillary.
Duas instituições estatais russas ligadas a Putin usaram um sócio de Jared Kushner, genro de Trump, para investir US$ 1,2 bilhão no Facebook e no Twitter, onde os serviços secretos russos criaram 470 contas com identidades falsas e publicaram 3 mil mensagens para manipular as eleições nos EUA.
O chefe da assessoria econômica da Casa Branca, Gary Cohn, principal responsável pela proposta de cortes de impostos que favorece sobretudo os ricos e as grandes empresas, foi presidente ou vice-presidente de 22 empresas offshore situadas nas ilhas Bermudas durante 2002 e 2006, quando era executivo do banco de investimentos Goldman Sachs.
As empresas, especializadas em mercado imobiliário tinham sede na ilha e um endereço em Nova York, 85 Broad Street, onde até 2009 era o quartel-general do Goldman Sachs.
O secretário de Estado americano, Rex Tillerson, dirigiu a Marib Upstream Services Company, uma empresa ligada à transnacional americana ExxonMobil criada nas ilhas Bermudas em 1997 para explorar gás e petróleo no Iêmen, antes de virar diretor-presidente da Exxon.
Em relatório publicado no ano passado, o grupo de ativistas Cidadãos por Justiça Fiscal denunciou que a ExxonMobil tem pelo menos 35 subsidiárias em paraísos fiscais como as Bahamas, Bermudas e Cayman. Elas tinham pelo menos US$ 51 bilhões quando Tillerson chefiava a empresa.
Como banqueiro na Wall Street, o centro financeiro de Nova York, o agora secretário do Tesouro dos EUA, Steve Mnuchin, criou esquemas financeiros para permitir que clientes ricos comprassem jatinhos de luxo sem pagar impostos.
Um documento vazado em outubro de 2015 revela que o CIT Bank usou uma companhia da Ilha do Homem, um paraíso fiscal nas Ilhas Britânicas, para pagar uma prestação de US$ 431 mil pela compra de um avião Dassault Falcon 2000EX de US$ 30 milhões.
O dono da empresa é Shaher Abdulhak Besher, aliado do ex-ditador iemenita Ali Abdullah Saleh, um dos principais responsáveis pela guerra civil no país mais pobre do Oriente Médio. Seu filho, Farouk Abdulhak, é suspeito de estuprar e matar uma jovem de 23 anos em Londres.
Já o novo embaixador americano em Moscou, o ex-governador de Utah Jon Huntsman é apontado como diretor da HICI International Sales Corporation, fundada em 1969 em Barbados para realizar vendas internacionais para a Huntsman ICI, a indústria química da Huntsman Corporation. Em 2000, esta empresa faturou US$ 4,4 bilhões e lucrou US$ 151 milhões.
Até o primeiro-ministro liberal do Canadá, Justin Trudeau, uma das jovens promessas de liderança internacional, ao lado do presidente da França, Emmanuel Macron, foi atingido. Seu principal arrecadador de campanha, Stephen Bronfman, herdeiro da destilaria Seagram, operava uma rede de empresas que circulava milhões de dólares entre os EUA, Israel e as Ilhas Cayman para não pagar impostos.
No Brasil, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, tem um truste nas Bermudas, mas está declarado à Receita Federal. O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, grande pecuarista, é sócio de uma empresa nas Ilhas Cayman para pagar menos impostos sobre suas exportações.
Os documentos foram obtidos pelo jornal alemão Süddeutsche Zeitung e examinados pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos e estão sendo divulgados por 95 meios de comunicação, entre eles o jornal britânico The Guardian e o francês Le Monde.
A rainha tem o equivalente a US$ 13 milhões investidos nas Ilhas Cayman. Hoje de manhã, o Palácio de Buckingham se apressou em esclarecer que o dinheiro de Sua Majestade é administrado pelo Ducado de Lancaster e negou que Elizabeth II seja beneficiária de evasão fiscal.
Durante a campanha eleitoral de 2016, Trump prometeu "trazer de volta trilhões de dólares que as empresas americanas mantêm no exterior". Um ano depois de sua vitória, revela-se que vários dos milionários de sua assessoria guardam parte de suas fortunas no exterior ou ajudam seus clientes e empresas a fazer depósitos em paraísos fiscais.
A descoberta mais grave é a sociedade de uma empresa de transporte marítimo chamada Navigator, do secretário do Tesouro, Wilbur Ross, que em 2014 recebeu US$ 68 milhões da companhia de gás russa Sibur. Ross não revelou essa ligação com a Rússia como teria obrigação de fazer.
Um dos proprietários da Sibur empresa é Kiril Chamalov, casado com Katherina Tikhonova, filha do presidente Vladimir Putin, acusado de apoiar a candidatura Donald Trump com uma guerra cibernética contra a candidatura Hillary Clinton.
Apesar das sanções impostas pelos EUA e a União Europeia à Rússia em 2014 por causa da anexação da Península da Crimeia, a Navigator ampliou sua relações com a Sibur. O Congresso e o procurador especial Robert Mueller investigam um possível conluio da campanha de Trump com o Kremlin para derrotar Hillary.
Duas instituições estatais russas ligadas a Putin usaram um sócio de Jared Kushner, genro de Trump, para investir US$ 1,2 bilhão no Facebook e no Twitter, onde os serviços secretos russos criaram 470 contas com identidades falsas e publicaram 3 mil mensagens para manipular as eleições nos EUA.
O chefe da assessoria econômica da Casa Branca, Gary Cohn, principal responsável pela proposta de cortes de impostos que favorece sobretudo os ricos e as grandes empresas, foi presidente ou vice-presidente de 22 empresas offshore situadas nas ilhas Bermudas durante 2002 e 2006, quando era executivo do banco de investimentos Goldman Sachs.
As empresas, especializadas em mercado imobiliário tinham sede na ilha e um endereço em Nova York, 85 Broad Street, onde até 2009 era o quartel-general do Goldman Sachs.
O secretário de Estado americano, Rex Tillerson, dirigiu a Marib Upstream Services Company, uma empresa ligada à transnacional americana ExxonMobil criada nas ilhas Bermudas em 1997 para explorar gás e petróleo no Iêmen, antes de virar diretor-presidente da Exxon.
Em relatório publicado no ano passado, o grupo de ativistas Cidadãos por Justiça Fiscal denunciou que a ExxonMobil tem pelo menos 35 subsidiárias em paraísos fiscais como as Bahamas, Bermudas e Cayman. Elas tinham pelo menos US$ 51 bilhões quando Tillerson chefiava a empresa.
Como banqueiro na Wall Street, o centro financeiro de Nova York, o agora secretário do Tesouro dos EUA, Steve Mnuchin, criou esquemas financeiros para permitir que clientes ricos comprassem jatinhos de luxo sem pagar impostos.
Um documento vazado em outubro de 2015 revela que o CIT Bank usou uma companhia da Ilha do Homem, um paraíso fiscal nas Ilhas Britânicas, para pagar uma prestação de US$ 431 mil pela compra de um avião Dassault Falcon 2000EX de US$ 30 milhões.
O dono da empresa é Shaher Abdulhak Besher, aliado do ex-ditador iemenita Ali Abdullah Saleh, um dos principais responsáveis pela guerra civil no país mais pobre do Oriente Médio. Seu filho, Farouk Abdulhak, é suspeito de estuprar e matar uma jovem de 23 anos em Londres.
Já o novo embaixador americano em Moscou, o ex-governador de Utah Jon Huntsman é apontado como diretor da HICI International Sales Corporation, fundada em 1969 em Barbados para realizar vendas internacionais para a Huntsman ICI, a indústria química da Huntsman Corporation. Em 2000, esta empresa faturou US$ 4,4 bilhões e lucrou US$ 151 milhões.
Até o primeiro-ministro liberal do Canadá, Justin Trudeau, uma das jovens promessas de liderança internacional, ao lado do presidente da França, Emmanuel Macron, foi atingido. Seu principal arrecadador de campanha, Stephen Bronfman, herdeiro da destilaria Seagram, operava uma rede de empresas que circulava milhões de dólares entre os EUA, Israel e as Ilhas Cayman para não pagar impostos.
No Brasil, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, tem um truste nas Bermudas, mas está declarado à Receita Federal. O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, grande pecuarista, é sócio de uma empresa nas Ilhas Cayman para pagar menos impostos sobre suas exportações.
Marcadores:
Blairo Maggi,
Brasil,
Canadá,
Elizabeth II,
EUA,
evasão fiscal,
Gary Cohn,
Governo Trump,
Henrique Meirelles,
Impostos,
Justin Trudeau,
Papéis do Paraíso,
Paraísos Fiscais,
Rex Tillerson,
Rússia,
Wilbur Ross
Assinar:
Postagens (Atom)