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quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Conflito entre EUA e China deve durar décadas

O acordo assinado hoje entre os Estados Unidos e a China é apenas uma trégua na guerra comercial e numa competição maior pela supremacia mundial.

Hoje foi um bom dia para o comércio internacional. Depois de meses de negociações o presidente americano, Donald Trump, e o vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, assinaram um primeiro acordo entre as duas maiores econômicas do mundo para dar uma trégua na guerra comercial. 

O acordo tem oito capítulos e 96 páginas. Os críticos da estratégia de Trump entendem que a China fez concessões que não pagam os prejuízos causados pela guerra comercial. A Casa Branca alega que é um grande avanço em relação a governos anteriores. Meu comentário:

EUA e China assinam acordo que dá uma trégua na guerra comercial

As duas maiores economias do mundo assinam hoje um primeiro acordo para dar uma trégua na guerra comercial que reduziu o crescimento mundial no ano passado em cerca de um ponto percentual. Mas as diferenças estão longe de ser totalmente resolvidas.

Faz três anos que o presidente Donald Trump chegou ao poder determinado a reduzir o déficit comercial dos Estados Unidos, especialmente com a China, na base de tuitaços e tarifaços. Hoje o vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, assina o acordo na Casa Branca. Trump deve participar da cerimônia, informou o jornal inglês Financial Times.

Neste acordo preliminar, a China se compromete a comprar US$ 200 bilhões dos EUA em dois anos. De acordo com o jornal South China Morning Post, de Hong Kong, serão US$ 75 bilhões em produtos manufaturados, US$ 50 bilhões em carvão, petróleo e derivados, US$ 40 bilhões em produtos agrícolas e US$ 35 bilhões em serviços.

Em troca, os EUA vão suspender parte dos tarifaços anunciados e em vigor, mas não mexer na alíquota de 25% aplicada a produtos importados da China num valor anual de US$ 250 bilhões. Ficam de fora os subsídios do governo chinês a suas empresas, base de sua política industrial para se tornar a maior economia do mundo, e a espionagem cibernética.

A China prometeu ainda aumentar a proteção à propriedade intelectual, abrir seu setor financeiro a empresas estrangeiras e não desvalorizar a moeda para baratear seus produtos, tornando-os mais competitivos no mercado internacional.

Como parte do acordo, em 13 de janeiro, o Departamento do Tesouro dos EUA tirou a China da lista negra de países que manipulam o câmbio com as desvalorizações competitivas.

Para o jornal The Wall Street Journal, porta-voz do centro financeiro de Nova York, serão necessários anos para avaliar as consequências da guerra comercial de Trump. Nos EUA, os maiores prejuízos foram os produtores rurais, uma importante base política do Partido Republico. O presidente deu uma ajuda de US$ 28 bilhões ao setor.

As relações comerciais entre os dois países caíram muito no ano passado. As exportações da China para os EUA caíram 13% e as importações chinesas 21%. Os EUA passaram a ser o terceiro maior parceiro comercial da China, depois da União Europeia e da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean). O saldo comercial chinês com os EUA baixou em 8,5% para US$ 295,8 bilhões.

O conflito, que abalou os mercados financeiros desde março de 2018, pode terminar, pelo menos nesta primeira fase, com a indiferença geral. As bolsas de valores estão hoje de olho na crise entre EUA e Irã e seu impacto para a economia mundial.

Mas o acordo entre os EUA e a China é apenas uma trégua na competição estratégica, econômica, científica, tecnológica e militar, que deve se estender pelas próximas décadas como o principal elemento estruturante das relações internacionais do século 21.

O Brasil ganhou com a guerra comercial por causa do aumento das importações chinesas de produtos agrícola. Agora, o acordo pode criar um desvio de comércio, com prejuízo para os produtores rurais brasileiros.

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Trump anuncia assinatura de acordo com a China em 15 de janeiro

O presidente Donald Trump revelou hoje que o acordo preliminar na guerra comercial entre os Estados Unidos e a China deve ser assinado na Casa Branca em 15 de janeiro, na presença de altos funcionários chineses. 

Ontem, o jornal South China Morning Post, de Hong Kong, noticiara que o vice-primeiro-ministro Liu He vai a Washington no início de 2020 para firmar o acordo.

Trump acrescentou que deve ir a Beijim no futuro para assinar um segundo acordo que ainda está longe de ser concluído.

Em 13 de dezembro, as duas maiores economias do mundo anunciaram o acordo preliminar, uma trégua no conflito que aumentou as tarifas de importação sobre produtos no valor de meio trilhão de dólares em exportações anuais.

Como parte do acordo, os EUA suspenderam a aplicação de tarifas sobre US$ 156 bilhões em importações anuais da China e reduziram de 15% para 7,5% o imposto de importação sobre produtos chineses importados anualmente no valor de US$ 120 bilhões.

Por sua vez, a China se comprometeu a aumentar a compra de produtos agrícolas dos EUA e a proteção à propriedade intelectual, o que hoje interessa aos chineses, que registram cada vez mais patentes.

Os EUA queriam estabelecer uma meta de US$ 50 bilhões em exportações agrícolas para a China, que resistiu a fixar um valor. A China ficou de aumentar em US$ 200 bilhões em dois anos as importações dos EUA, que antes da guerra comercial estavam em US$ 130 bilhões por ano.

Com o acordo, o Centro Agro Global do Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa), em São Paulo, estima que o Brasil pode perder até US$ 10 bilhões.

O acordo preliminar, de 86 páginas, não foi publicado. As traduções e revisões finais ainda estão sendo concluídas. O assessor especial da Casa Branca para o comércio internacional, o linha-dura Peter Navarro, prometeu divulgar os detalhes "tão depressa quanto possível".

Para 2020, Navarro prevê o início de negociações com "o Reino Unido, a União Europeia, o Vietnã e quem quer estiver interessado num comércio justo com os EUA".

De qualquer maneira, o acordo preliminar com a China será apenas uma trégua na competição estratégia, econômica, científica, tecnologia e militar entre os dois países mais ricos do mundo pela supremacia mundial.

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

EUA e China anunciam trégua na guerra comercial

Os Estados Unidos e a China chegaram a um acordo preliminar que representa uma trégua na guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo, com uma pausa nos tarifaços do presidente Donald Trump em troca do aumento de compra de produtos americanos, especialmente do setor agrícola, pelos chineses.

Nas próximas cinco semanas, os negociadores chineses e americanos devem chegar a um texto final, antes de um possível encontro de cúpula de Trump com o ditador Xi Jinping no Chile em novembro. Será um alívio para a economia mundial.

Com a expectativa do acordo, os mercados financeiros estavam em alta, mas caíram um pouco, indicando que os investidores esperavam mais. O acordo, descrito pelo presidente dos EUA como um primeiro passo "substancial", está longe da mudança fundamental nas relações econômicas entre os dois países prometida por Trump desde a campanha eleitoral de 2016.

A China concordou em comprar mais produtos agrícolas dos EUA, especialmente soja e carne de porco, e em algumas medidas de proteção da propriedade intelectual, para evitar a desvalorização da moeda e sobre serviços financeiros, mas rejeitou cortes de subsídios que representariam uma grande mudança em sua política industrial.

Ao comentar o otimismo dos mercados, o secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, declarou: "O mercado de ações está sempre correto." Ele e o representante comercial dos EUA, Robert Lighthizer, negociaram a trégua com o vice-primeiro-ministro chinês Liu He, que se encontrou com Trump antes do anúncio.

No Brasil, a Bolsa de Valores de São Paulo fechou em alta de 1,98% e o dólar caiu 0,69% para R$ 4,094.

domingo, 5 de maio de 2019

Trump ameaça com tarifaço de 25% sobre US$ 200 bilhões em produtos chineses

Para pressionar a China em negociações que chamou de "muito lentas", o presidente Donald Trump ameaçou hoje aumentar na sexta-feira de 10% para 25% as tarifas sobre produtos chineses no valor de US$ 200 bilhões em importações anuais. As negociações serão retomadas na quarta-feira em Washington.

No Twitter, Trump alegou que as tarifas são "parcialmente responsáveis por nossos grandes resultados econômicos". Ameaçou ainda estender a alíquota sobre mais US$ 325 bilhões em importações anuais da China, cobrindo assim todo o comércio dos Estados Unidos com este país.

Em fevereiro, Trump anunciou o adiamento de um planejado tarifaço de 25% sobre importações no valor de US$ 200 bilhões por causa do "progresso substancial" em questões importantes para os EUA como propriedade intelectual e transferência de tecnologia.

Na semana passada, o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, e o representante comercial dos EUA, Robert Lighthizer, concluíram nova rodada de negociações em Beijim. Na próxima quarta-feira, o vice-primeiro-ministro chinês Liu He estará em Washington à frente de uma delegação de mais de cem funcionários, uma indicação que a China está pronta para acertar detalhes finais.

O mercado financeiro e a maioria dos setores empresariais gostaria de uma solução rápida na guerra comercial deflagrada por Trump para acabar com a incerteza econômica.

quarta-feira, 10 de abril de 2019

EUA e China criam escritórios para fiscalizar acordo comercial

Os Estados Unidos e a China superaram hoje mais um obstáculos para acabar com a guerra comercial deflagrada pelo presidente Donald Trump. Os dois países mais ricos do mundo vão instalar escritórios para fiscalizar o acordo comercial em negociação, anunciou hoje o secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin.

A decisão foi acertada ontem entre o próprio Mnuchin e o vice-primeiro-ministro chinês encarregado das negociações, Liu He. O secretário e o representante comercial dos EUA, Robert Lighthizer, querem concluir até maio o acordo, a ser assinado por Trump e o ditador Xi Jinping.

A fiscalização do cumprimento dos acordos é um tema central das negociações. Os EUA querem garantias de que a China fará o que prometer e o direito de impor tarifas retaliatórias em caso de não cumprimento. A China relutava temendo lesões à sua soberania e a reação da linha dura do Partido Comunista.

O escritório do representante comercial, a Casa Branca e a Embaixada da China em Washington não comentaram a declaração do secretário do Tesouro. A China exige a remoção de todas as sobretaxas impostas pelos EUA às exportações chinesas.

Para os EUA, as questões centrais são o respeito à propriedade intelectual, o fim da transferência forçada de tecnologia, maior acesso ao mercado chinês, o fim das discriminações a empresas americanas e o aumento da compra de produtos dos EUA pela China para reduzir o déficit comercial do país.

quinta-feira, 4 de abril de 2019

EUA e China podem anunciar encontro de cúpula ainda hoje

O presidente Donald Trump recebe hoje à tarde na Casa Branca o vice-primeiro-ministro da China encarregado das negociações econômicas, Liu He, para selar um acordo e pôr fim à guerra comercial entre os dois países mais ricos do mundo. Um encontro de cúpula entre Trump e o ditador Xi Jinping para assinar o acordo pode ser anunciado ainda hoje.

A expectativa é que a China tenha até 2025 para cumprir os compromissos de comprar mais produtos primários dos Estados Unidos e permitir que empresas americanas sejam donas de companhias chinesas, antecipou ontem a agência de notícias Bloomberg.

Ainda há questões em aberto, como o cronograma para eliminação das tarifas de importação retaliatórias impostas pelos dois países no ano passado, afetando exportações de US$ 360 bilhões, os mecanismos de fiscalização do cumprimento do acordo, a proteção à propriedade intelectual e a transferência forçada de tecnologia.

Um jantar de Trump e Xi durante a reunião do Grupo dos Vinte em Buenos Aires, em 30 de novembro, quando o presidente americano suspendeu um novo aumento de tarifas por 90 dias, deu início à fase mais substantiva de negociações. O novo prazo era 1º de março, mas foi prorrogado.

O fracasso do segundo encontro de cúpula de Trump com o ditador da Coreia do Norte, Kim Jong Un, no fim de fevereiro, em Hanói, no Vietnã, assustou os chineses. Eles passaram a temer que o presidente dos EUA emparedasse o líder da China se a reunião de cúpula dos dois países fosse realizada antes do acordo estar fechado.

Agora, a esperança é que Trump e o vice-primeiro-ministro anunciem hoje a conclusão das negociações.

NOTA: Trump reconheceu que houve progresso, mas considerou cedo para marcar a reunião de cúpula.

domingo, 24 de fevereiro de 2019

Trump dá mais prazo às negociações comerciais com a China

O presidente Donald Trump anunciou hoje que não vai aumentar as tarifas de importação de produtos da China em 1º de março, dando mais tempo às negociações, por causa de um "progresso substancial" em "conversas produtivas". Trump planeja se encontrar com o ditador chinês, Xi Jinping, no seu clube de golfo em Mar-a-Lago para "concluir as negociações".

A declaração foi feita no fim de uma nova rodada de negociações entre o representante comercial dos Estados Unidos, Robert Lighthizer e o vice-primeiro-ministro da China, Liu He, realizada no fim de semana em Washington. Trump não fixou um novo prazo-limite para chegar a um acordo.

Depois de uma escalada na guerra comercial que levou o governo americano a impor tarifas sobre US$ 250 bilhões de produtos chineses importados num ano, Trump e Xi acertaram uma trégua de 90 dias num jantar em Buenos Aires, durante uma conferência de cúpula do Grupo dos 20, em Buenos Aires, em 30 de novembro.

Trump havia ameaçado aumentar de 10% para 25% as tarifas de importação sobre US$ 200 bilhões de importações anuais da China. Além da redução do déficit comercial de US$ 375 bilhões em 2016, os EUA exigem da China reduções de subsídios, o fim da espionagem, da pirataria industrial e da pressão para transferência de tecnologia, com respeito à propriedade intelectual, e menos restrições aos investimentos de empresas americanas.

A expectativa é que a China aumente as importações de produtos americanos e fortaleça o respeito à propriedade intelectual, o que interessa aos chineses, hoje os maiores fabricantes do mundo de produtos industriais. Nas outras questões, que mudariam o modelo econômico chinês, deve haver resistência.

Horas depois, as bolsas de valores da Ásia abriram em alta, na expectativa de um acordo que acabe com o risco de uma guerra comercial entre as duas maiores economias do planeta. Seria um forte abalo da economia internacional.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

China e EUA prorrogam negociações comerciais na expectativa de acordo

A China e dos Estados Unidos estenderam por um terceiro dia não previsto as negociações para chegar a um acordo e desarmar a guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo. Mesmo que as diferenças ainda sejam enormes, a reunião de Beijim fez progresso em questões como o aumento da importação de bens e serviços americanos pelos chineses.

Depois da imposição de tarifas punitivas sobre dezenas de bilhões de dólares do comércio bilateral, o presidente Donald Trump e o ditador Xi Jinping decidiram retomar negociações num jantar em 30 de novembro em Buenos Aires, no fim da reunião de cúpula do Grupo dos Vinte (G-20). O prazo para um acordo vai até 1º de março.

Os EUA exigem a redução de um déficit comercial que chegou a US$ 375 bilhões em 2017, respeito à propriedade intelectual e fim da transferência forçada de tecnologia.

A delegação chinesa, chefiada pelo vice-primeiro-ministro Liu He, um indicador da importância desta etapa de negociações, concordou em retomar as importações de soja, reduzir as tarifas de importação sobre carros e autopeças e adotar uma estratégia menos agressiva no programa Fabricado na China 2025, através do qual pretende alcançar independência tecnológica.

Ao mesmo tempo, o governo da China prometeu fortalecer a legislação para proteger a propriedade intelectual e aprovar uma nova lei de investimentos estrangeiros para dar melhores condições de concorrência para empresas de outros países no imenso mercado chinês.

Independentemente de um possível acordo comercial, a competição estratégica entre os EUA e a China será o elemento dominante das relações internacionais nos próximos anos. Com a China marchando para se tornar a maior economia do mundo até 2030, os EUA temem perder a superioridade tecnológica e militar.

A transição hegemônica de uma grande potência para outra foi causa de inúmeras guerras na história das relações internacionais. As grandes guerras mundiais foram causadas pela ascensão da Alemanha. A ascensão da União Soviética levou à Guerra Fria. A China afirma ter aprendido a lição. Mas os EUA enfrentam o desafio de lidar com seu próprio declínio.

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

China tem o menor crescimento desde 2009

Sob o impacto da guerra comercial de Donald Trump, a China cresceu em ritmo de 6,5% ao ano no terceiro trimestre de 2018. É a menor taxa desde o início de 2009, no auge da Grande Recessão causada pela falência do banco de investimento americano Lehman Brothers, em setembro de 2008.

O vice-primeiro-ministro encarregado da economia, Liu He, declarou que segunda maior economia do mundo mantém um crescimento estável, mas advertiu os bancos a não relutarem em emprestar dinheiro a empresas privadas.

"Se você analisar a economia da China focando apenas numa coisa ou um período, pode sentir que ela enfrenta dificuldades", afirmou Liu à televisão estatal CCTV, ao jornal oficial Diário do Povo e à agência de notícias Nova China. "Mas, se olhar numa perspectiva histórica mais longa, a perspectiva é muito brilhante."

No primeiro trimestre, o crescimento chinês foi em ritmo de 6,8%. No segundo, ficou em 6.7%.

Liu tentou minimizar a importância do conflito com os EUA, seu maior parceiro comercial: "O impacto psicológico é maior do que o impacto real. A China e os EUA estão em contato." Falava de um possível encontro do ditador Xi Jinping com Trump durante a reunião de cúpula do Grupo dos Vinte em Buenos Aires no mês que vem,

O investimento em capital fixo aumentou em setembro para 5,4% ao ano, um pouco acima de 5,3%, recorde de baixa, registrado em agosto. A produção industrial avançou 5,8% e as vendas no varejo subiram 9,2%, em bases anuais. No ano passado, esses índices estavam em 6,6% e 10,3%.


terça-feira, 2 de outubro de 2018

Secretário da Defesa dos EUA suspende viagem à China

Em meio à guerra comercial deflagrada pelo presidente Donald Trump e o aumento da tensão entre os dois países, o secretário da Defesa dos Estados Unidos, general James Mattis, cancelou uma viagem à China prevista para o fim do mês. anunciou hoje a CNBC, um canal de televisão especializado em notícias econômicas.

A visita é suspensa dias depois que a China negou acesso ao porto de Hong Kong ao USS Wasp, um navio multifuncional de assalto anfíbio da Marinha dos EUA, que pretendia fazer uma escala técnica.

Enquanto Trump festeja o novo acordo de livre comércio da América do Norte, assinado com o Canadá e o México, as relações entre as duas maiores economias do mundo continuam a se deteriorar. Depois das sanções impostas pelos EUA a US$ 250 bilhões de importações anuais da China, o governo chinês suspendeu as negociações comerciais.

O vice-primeiro-ministro Liu He cancelou uma viagem a Washington marcada para 27 de setembro para tentar acabar com o conflito comercial. Três dias antes, entraram em vigor as sobretaxas sobre US$ 200 bilhões em importações anuais.

Há tensão também no Mar do Sul da China em como negociar a questão nuclear da Coreia do Norte. Os EUA temem que a China pressione a Coreia do Norte a exigir a retirada total das forças americanas da Coreia do Sul.

O regime comunista chinês reivindica soberania sobre 90% do espelho d'água do mar, contrariando decisão do Tribunal Internacional de Justiça em reclamação apresentada pelas Filipinas. Tem militarizado a região, construindo instalações militares para garantir o domínio da região.

Os EUA alegam são águas internacionais abertas à livre navegação com base no direito internacional do mar.

terça-feira, 5 de junho de 2018

China propõe comprar mais US$ 70 bilhões em produtos americanos

Para escapar da ameaça das sobretaxas do presidente Donald Trump e evitar uma guerra comercial com os Estados Unidos, a China propôs comprar mais US$ 70 bilhões em energia e produtos agropecuários americanos, noticiou o jornal The Wall Street Journal.

A proposta foi feita diretamente ao secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross, durante visita a Beijim. O pacote inclui soja, milho, carvão, gás natural, petróleo bruto e bens manufaturados.

Em sua pressão para reduzir um déficit comercial de US$ 375 bilhões, Trump ameaçou impor tarifas no valor de até US$ 150 bilhões sobre as importações de produtos da China e cobrou do país um aumento de US$ 200 bilhões nas importações de produtos americanos.

O negociador chinês Liu He deixou claro que o acordo estará desfeito se os EUA impuserem tarifas no valor de US$ 50 bilhões, como foi a última ameaça de Trump. As tarifas seriam aplicadas depois de 15 de junho para aumentar a pressão sobre a China. Se isso acontecer, o governo chinês promete devolver na mesma medida.

Os EUA querem impedir a transferência de tecnologia de empresas americanas para companhias chinesas. Exigem que o governo chinês pare de pressionar as empresas americanas a fazer isso e acusam a China de subsidiar ilegalmente as firmas chinesas, especialmente no setor de alta tecnologia.

De acordo com o Journal, os EUA examinam uma nova reclamação de prática comercial desleal porque a China restringe o acesso empresas de serviços de alta tecnologia americanas.

O regime comunista chinês exige que empresas que oferecem nuvens de computação como a Amazon.com e a Microsoft se associem a companhias chinesas e licenciem sua tecnologia para os sócios chineses.

Em comparação, a gigante da Internet chinesa Alibaba opera livremente nos EUA, sem restrições. "Algumas companhias não chinesas relutam em participar do mercado de nuvens na China devido ao número de restrições", declarou o diretor de política global da Associação da Indústria de Telecomunicações dos EUA, K. C. Swanson. "Enquanto isso, nos EUA, não há restrições à participação estrangeira em nosso mercado, é um caso claro de reciprocidade."

Mais de cem associações empresariais americanas enviaram carta à Casa Branca criticando o protecionismo de Trump.

sábado, 19 de maio de 2018

China rejeita exigência dos EUA para redução do saldo comercial

Depois do início de negociações para evitar uma guerra comercial catastrófica para a economia mundial, os Estados Unidos e a China divulgaram hoje um comunicado conjunto declarando que os chineses vão "aumentar significativamente" as compras de produtos e serviços americanos. O conflito está adiado, mas a China não se comprometeu com a redução de US$ 200 bilhões exigida pelo governo Donald Trump.

A declaração saiu no fim de uma negociação de alto nível, com a participação do vice-primeiro-ministro chinês Liu He. O diálogo vai continuar. Trump quer a diminuição do saldo comercial chinês, que no ano passado chegou a US$ 375 bilhões.

Para pressionar a segunda maior economia do mundo, Trump ameaçou impor tarifas de importação sobre produtos chineses num total de US$ 150 bilhões, além de restrição de investimentos em setores estratégicos. A China prometeu reciprocidade e planejou impor tarifas, especialmente sobre produtos agrícolas de estados onde o presidente americano ganhou a eleição em 2016.

Desde o fim da Guerra Fria, os EUA eram a única superpotência econômica e militar. O extraordinário desenvolvimento chinês criou um rival capaz de superá-los. Entre outras questões, as tarifas e restrições de Trump visam a dificultar o desenvolvimento tecnológico da China, necessário para equilibrar o poderio militar das duas superpotências do século 21.

Ao entrar na Organização Mundial do Comércio OMC), em 2001, com o apoio dos EUA, a China deslanchou seu potencial econômico, ampliando o acesso ao mercado internacional e a seu mercado interno, de 1,25 bilhão na época e de 1,4 milhão de pessoas hoje.

Na realidade, a China volta a ocupar a posição de maior potência econômica e militar da Ásia, o antigo Império do Centro, que começou a desabar com a derrota para o Império Britânico nas Guerras do Ópio (1839-42 e 1856-60). O Projeto Maddison de Estatísticas Históricas da Universidade de Groningen, na Holanda, estima que a China fosse responsável por um terço da economia mundial 200 anos atrás.

O imperialismo ocidental e a industrialização da Europa e da América do Norte tiraram a China de sua posição de preeminência. Um objetivo central da revolução comunista liderada por Mao Tsé-tung, que chegou ao poder em 1949, era acabar com a humilhação histórica a que o país foi submetido pelas potências ocidentais.

Com as reformas econômicas lançadas por Deng Xiaoping, em 1978, depois da caótica Revolução Cultural (1966-76) do maoísmo, a China cresceu durante 30 anos a taxas em torno de 10%, no mais rápido e extraordinário desenvolvimento econômico da história, para retomar seu lugar.