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sábado, 8 de junho de 2019

EUA e México fazem acordo sobre imigração para evitar tarifaço de Trump

O presidente Donald Trump anunciou ontem à noite pelo Twitter que os Estados Unidos e o México chegaram a um acordo sobre imigração. Assim, a tarifa de importação de 5% sobre todos os produtos mexicanos, que entraria em vigor na segunda-feira, não será mais aplicada, como ameaçara Trump.

Pelo acordo, o México vai reforçar o controle de imigração ilegal rumo aos EUA na sua fronteira sul, com a Guatemala e Belize, aumentando a presença da Guarda Nacional e permitir que os candidatos a asilo político nos EUA aguardem a conclusão de seus processos em território mexicano.

Por ora, o tarifaço de Trump, capaz de jogar o México na recessão, foi evitado. Mais de 80% do comércio exterior mexicano são com os EUA. Se o número de imigrantes que chegam à fronteira sul dos EUA não diminuir, com certeza o presidente americano vai retomar sua ameaça.

Se não houvesse acordo, as tarifas sobre todas as importações mexicanas subiriam em cinco pontos percentuais por mês até chegar a 25% em 1º de outubro. A ameaça paira no ar.

Hoje a maioria dos imigrantes que tentam entrar nos EUA vem dos países do Triângulo Norte da América Central (Guatemala, Honduras e El Salvador), países pobres com altíssimo nível de violência.

Sem estabilidade, redução da violência e oportunidades econômicas nestes países, o fluxo migratório rumo ao norte será inevitável. Os EUA querem que os refugiados peçam asilo ao México, ao primeiro país de entrada, a regra da União Europeia. Mas eles não querem ficar no México. Querem ir para os EUA.

sexta-feira, 31 de maio de 2019

Trump impõe tarifaço anti-imigração e México propõe diálogo

Em resposta à ameaça de um tarifaço sobre todas as importações do México para os Estados Unidos, o presidente Andrés Manuel López Obrador enviou hoje uma carta ao presidente Donald Trump defendendo o diálogo. 

López Obrador deixou claro que não quer o confronto, argumentou que as pessoas emigram por necessidade e afirmou que "problemas sociais não podem ser resolvidos com impostos e medidas coercitivas".

O México enviou uma delegação a Washington para tentar negociar uma solução para a crise. "Se o problema de imigração não for remediado", escreveu Trump ontem no Twitter, as tarifas vão aumentar em cinco pontos percentuais por mês até chegarem a 25%. Meu comentário:


terça-feira, 28 de maio de 2019

EUA evitam acusar a China de manipulação do câmbio

Apesar da guerra comercial entre os dois países, o Tesouro dos Estados Unidos decidiu hoje não qualificar a China como manipuladora do câmbio, mas a deixou numa lista de países em observação numa revisão geral do comércio exterior americano em busca de sinais de práticas comerciais desleais, noticiou o jornal britânico Financial Times.

O Tesouro manifesta preocupação "significativa" com várias práticas comerciais chinesas, mas evitou a acusação, indicando uma preocupação em evitar uma nova escalada no conflito comercial entre os dois países mais ricos do mundo.

No relatório, o governo americano anuncia um reexame geral dos critérios usados para decidir que países devem ter suas práticas econômicas e cambiais escrutinadas para identificar possíveis manipulações cambiais.

Foram citados 21 países, em comparação com 12 no relatório anterior. Nove estão na lista de observação do Tesouro americano: Cingapura, Irlanda, Itália, Malásia e Vietnã foram acrescentados à lista; Alemanha, China, Coreia do Sul e Japão já estavam nela.

Na semana passada, o Departamento do Comércio dos EUA adotou uma nova regra para penalizar países que "ajam para desvalorizar suas moedas em relação ao dólar, num subsídios a suas exportações."

Com seu nacionalismo e protecionismo, Trump luta para reduzir o déficit comercial dos EUA, até agora sem sucesso. No ano passado, o déficit no comércio de bens bateu um recorde a US$ 891,3 bilhões.

O foco do Tesouro será todos os países com saldo comercial com os EUA superior a US$ 40 bilhões por ano e não apenas seus 12 maiores parceiros comerciais, como era antes. Os 21 países sob exame negociaram US$ 3,5 trilhões com os EUA em 2018, mais de 80% do comércio exterior do país.

Durante a campanha eleitoral, Trump acusou a China de manipular o câmbio, mas até hoje o Tesouro não formalizou a denúncia. Neste momento em que os dois países negociam um acordo de paz na sua guerra comercial, uma acusação dessas escalaria as tensões, exacerbadas desde que Trump aplicou tarifas de 25% sobre exportações chinesas no valor de US$ 200 bilhões anuais.

A China continua em observação porque o iuane (yuan) caiu 8% em relação ao dólar nos últimos 12 meses e, nas palavras do secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, tem "um saldo comercial bilateral extremamente grande e em expansão".

Em 2018, o déficit no comércio dos EUA com a China foi de US$ 419 bilhões. A maioria dos economistas atribui o déficit ao consumismo americano, mas Trump vê a economia como um jogo de soma zero, em que o ganho de uns é necessariamente a perda de outros. Então trava suas guerras comerciais, até agora sem sucesso na redução do déficit.

Há várias razões para discordar das práticas comerciais da China, que se tornou a fábrica do mundo absorvendo capital e tecnologia do mundo desenvolvido, com um custo de mão de obra baixíssimo que provocou o desemprego em muitos países ricos, inclusive nos EUA.

Como as práticas econômicas e comerciais da China afetam hoje todos os países do mundo, seria mais racional articular uma aliança e levar as questões para o painel de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Mas Trump é contra alianças e contra as instituições internacionais criadas pelos EUA. Quebra um paradigma da política externa americana que vem desde a Segunda Guerra Mundial: mesmo sendo a maior potência mundial, os EUA agem em conjunto com aliados no plano internacional.

Trump quer resolver tudo no mano a mano, em negociações bilaterais, confiando na superioridade dos EUA. É mais caro, desgastante e gerador de conflitos.

sexta-feira, 10 de maio de 2019

EUA impõem tarifas de 25% sobre produtos chineses no valor de US$ 200 bilhões

Numa escalada da guerra comercial entre os dois países mais ricos do mundo, sem avanço nas negociações bilaterais retomadas ontem em Washington, o governo Donald Trump aumentou de 10% para 25% a alíquota de mais de 5 mil produtos chineses importados pelos Estados Unidos, num valor anual de US$ 200 bilhões. A China "lamentou profundamente" e prometeu retaliar, mas não abandonou as negociações.

As novas alíquotas serão aplicadas a produtos que deixem a China e entrem nos EUA a partir de zero hora de hoje. As cargas aéreas serão sobretaxadas imediatamente. As cargas embarcadas em navios e portos chineses até a meia-noite de ontem estão isentas.

Quem paga este imposto de importação é o consumidor americano. Os produtos sobretaxados incluem iPhones, outros telefones celulares, computadores, roupas, calçados e bens de consumo intermediário como circuitos integrados, microprocessadores, máquinas e autopeças.

"É de se esperar que os EUA e a China trabalhem juntos para resolver os problemas existentes através da cooperação e de consultas", declarou em nota o Ministério do Comércio chinês.

Depois de meses de negociações, havia uma expectativa de que a atual rodada iniciada ontem em Washington com uma delegação de mais de cem chineses, chefiada pelo vice-primeiro-ministro Liu He, fechasse o acordo com os EUA, com a equipe liderada pelo secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, e o representante comercial Robert Lighthizer.

As duas delegações tiveram um jantar de trabalho. No fim, Mnuchin e Lighthizer fizeram um relato ao presidente.

No domingo, Trump ameaçara sobretaxar as importações da China sob o argumento de que as negociações estão em "marcha lenta". Os EUA acusam o governo chinês de recuar em pontos que já estavam acertados.

Desde setembro, os EUA usam tarifas para pressionar a China a reduzir o saldo comercial e fazer concessões. O regime chinês reagiu sobretaxando sobretudo produtos agropecuários dos EUA, de modo a atingir estados que votaram em Trump nas últimas eleições.

Passado o impacto inicial dos primeiros salvos da guerra comercial, Trump e Xi decidiram em jantar em Buenos Aires, durante a reunião do Grupo dos 20, em 30 de novembro de 2018, adotar uma trégua de 90 dias para iniciar as negociações.

O prazo final era 1º de março, quando Trump adiou o tarifaço para dar mais prazo às negociações.

Além de maior acesso ao mercado chinês para equilibrar o déficit comercial americano, os EUA exigem mudanças em leis e políticas da China, fim de restrições a empresas americanas, corte de subsídios, respeito à propriedade intelectual, fim da transferência forçada de tecnologia, fim da manipulação do câmbio e mecanismos de aplicação e fiscalização dos acordos.

A China tenta prolongar as negociações. O ditador Xi Jinping teria vetado mudanças na legislação chinesa para dar a empresas americanas igualdade de condições para competir no mercado chinês.

Os chineses também gostam de usar uma linguagem vaga, sem metas definidas para futura prestação de contas, que permita múltiplas interpretações.

Trump contou ter recebido uma "carta linda" de Xi convidando para trabalharem juntos e disse que esperava falar com o líder chinês, mas a conversa que poderia evitar o tarifaço não aconteceu.

Se as negociações não evoluírem favoravelmente, Trump ameaça impor tarifas de 25% sobre outros US$ 325 bilhões em produtos chineses, cobrindo quase todas as exportações da China para os EUA, que chegaram a US$ 539 bilhões em 2018, com importações chinesas de US$ 120 bilhões.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) advertiu que a guerra comercial entre EUA e China "ameaça a economia global".

domingo, 24 de fevereiro de 2019

Trump dá mais prazo às negociações comerciais com a China

O presidente Donald Trump anunciou hoje que não vai aumentar as tarifas de importação de produtos da China em 1º de março, dando mais tempo às negociações, por causa de um "progresso substancial" em "conversas produtivas". Trump planeja se encontrar com o ditador chinês, Xi Jinping, no seu clube de golfo em Mar-a-Lago para "concluir as negociações".

A declaração foi feita no fim de uma nova rodada de negociações entre o representante comercial dos Estados Unidos, Robert Lighthizer e o vice-primeiro-ministro da China, Liu He, realizada no fim de semana em Washington. Trump não fixou um novo prazo-limite para chegar a um acordo.

Depois de uma escalada na guerra comercial que levou o governo americano a impor tarifas sobre US$ 250 bilhões de produtos chineses importados num ano, Trump e Xi acertaram uma trégua de 90 dias num jantar em Buenos Aires, durante uma conferência de cúpula do Grupo dos 20, em Buenos Aires, em 30 de novembro.

Trump havia ameaçado aumentar de 10% para 25% as tarifas de importação sobre US$ 200 bilhões de importações anuais da China. Além da redução do déficit comercial de US$ 375 bilhões em 2016, os EUA exigem da China reduções de subsídios, o fim da espionagem, da pirataria industrial e da pressão para transferência de tecnologia, com respeito à propriedade intelectual, e menos restrições aos investimentos de empresas americanas.

A expectativa é que a China aumente as importações de produtos americanos e fortaleça o respeito à propriedade intelectual, o que interessa aos chineses, hoje os maiores fabricantes do mundo de produtos industriais. Nas outras questões, que mudariam o modelo econômico chinês, deve haver resistência.

Horas depois, as bolsas de valores da Ásia abriram em alta, na expectativa de um acordo que acabe com o risco de uma guerra comercial entre as duas maiores economias do planeta. Seria um forte abalo da economia internacional.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

China anuncia redução da tarifas de importação de mais de 700 produtos

Sob pressão da guerra comercial do presidente Donald Trump, a China vai diminuir a partir de 1º de janeiro de 2019 os impostos de importação sobre mais de 700 produtos, inclusive agrícolas, farmacêuticos e manufaturados, noticiou ontem a agência Bloomberg.

A China tenta se adaptar às exigências feitas pelos Estados Unidos dentro de prazo de 90 dias dado por Trump em 30 de novembro para renegociar as divergências no comércio bilateral. Durante jantar em Buenos Aires, no fim da reunião de cúpula do Grupo dos 20, o ditador Xi Jinping prometeu maior abertura comercial para aumentar o consumo doméstico e reduzir o saldo comercial.

Apesar da medida, a maioria das exportações dos EUA devem continuar submetidas às sobretaxas impostas pelo governo chinês em retaliação ao tarifaço americano até que os dois países cheguem a um acordo global sobre comércio.

O regime ditatorial chinês tinha anunciado cortes nas tarifas de importação. Os países que têm acordos comerciais com a China devem ser beneficiados antes.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Trump anuncia redução da tarifas sobre carros dos EUA na China

Dois dias depois do jantar em Buenos Aires onde foi acertada uma trégua na guerra comercial, o presidente Donald Trump anunciou hoje no Twitter uma redução nas tarifas de carros dos Estados Unidos importados pela China. O governo chinês não confirmou.

Durante um jantar com o ditador da China, Xi Jinping, no fim da reunião de cúpula do Grupo dos Vinte (G-20) na Argentina, os EUA prometeram não aumentar de 10% para 25% as tarifas sobre produtos importados da China no valor anual de US$ 100 bilhões.

Uma trégua de 90 dias vai dar aos negociadores das duas maiores economias do mundo um tempo para resolver suas profundas diferenças. Além de maior acesso ao mercado chinês, os EUA protestam contra o roubo de propriedade intelectual e a exigência de transferência de tecnologia.

As bolsas do mundo inteiro reagiram positivamente. Em Nova York, o Índice Dow Jones sobe de mais 200 pontos (0,88%), mas já esteve 400 pontos acima do fechamento da sexta-feira. Os preços do petróleo aumentaram cerca de 3%.

terça-feira, 18 de setembro de 2018

China responde com tarifas sobre produtos dos EUA no valor de US$ 60 bilhões

Em resposta à sobretaxação de produtos importados dos Estados Unidos no valor de US$ 200 bilhões por ano, a China anunciou hoje a imposição de tarifas sobre US$ 60 bilhões em importações de produtos americanos, noticiou o jornal The Washington Post.

A reação chinesa aprofunda a escalada na guerra comercial iniciada pelo presidente Donald Trump para reduzir um déficit que, no ano passado, atingiu US$ 375 bilhões. Depois que os dois lados taxaram em 25% importações no valor anual de US$ 50 bilhões para cada lado, ontem o governo americano impôs tarifas de 10% sobre outros produtos, no valor de US$ 200 bilhões.

As novas tarifas entram em vigor em 24 de setembro e podem ser elevadas para 25% se não houver acordo entre os dois países até o fim do ano. Desta vez, a China não pôde responder na mesma medida porque o total de produtos americanos importados pelo país foi de US$130 bilhões no ano passado.

O governo americano sobretaxou quase a metade dos US$ 505 bilhões que a China exportou para os EUA em 2017. O preço será pago pelos consumidores americanos.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Trump anuncia sobretaxas sobre importações da China de US$ 200 bilhões

Como previsto, o governo Donald Trump escalou sua guerra comercial, ao anunciar hoje depois do fechamento das bolsas de valores nos Estados Unidos um aumento para 10% das tarifas sobre produtos importados da China, no valor de US$ 200 bilhões por ano, a partir de 24 de setembro. Se não houver acordo até o fim do ano no conflito entre as duas maiores economias do mundo, a tarifa sobe para 25%.

Desde julho, os EUA impuseram tarifas de 25% sobre uma série de produtos importados da China, no valor de US$ 50 bilhões anuais. O governo chinês respondeu na mesma medida. Agora, não poderá repetir a dose.

Em 2017, a China importou produtos americanos no valor de US$ 130 bilhões, mais do que Trump está sobretaxando. Já os EUA compraram US$ 505 bilhões em produtos fabricados na China, acumulando um déficit comercial de US$ 375 bilhões, que o presidente americano quer reduzir a qualquer preço.

"As perdas do nosso país são estarrecedoras há muitos anos", declarou Trump antes do anúncio oficial. "Não podemos mais deixar que isto aconteça."

Sem condições de reagir na mesma medida, a China "terá de tomar contramedidas para salvaguardar resolutamente nossos direitos e interesses legítimos e legais", afirmou um porta-voz do Ministério do Exterior chinês.

Os EUA acusam o regime comunista chinês de manipular o câmbio, piratear a propriedade intelectual da indústria americana e dar subsídios indevidos que prejudicam a concorrência no mercado internacional.

Diante da escalada na guerra comercial, há dúvidas sobre a nova rodada de negociações que o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, pretendia organizar nas próximas duas semanas em busca de uma solução para o conflito.

As novas tarifas entram em vigor três dias da chegada prevista a Washington do vice-primeiro-ministro chinês encarregado da economia, Liu He. É um sinal de que as negociações não terão tempo de evitar a aplicação das sobretaxas anunciadas hoje.

domingo, 16 de setembro de 2018

China ameaça romper negociações comerciais com os EUA

Na expectativa de um novo tarifaço a ser anunciado nesta semana pelo presidente Donald Trump, cobrindo importações de US$ 200 bilhões por ano, a China ameaça cancelar uma reunião para negociar as relações comerciais com os Estados Unidos prevista para esta semana, noticiou hoje o jornal The Wall Street Journal.

O governo chinês afirma que não vai negociar sob pressão. "A China nunca disse que não quer negociar com os EUA", declarou o economista Yang Weimin, ex-assessor do ditador Xi Jinping, "mas os EUA têm de mostrar sinceridade."

Outro assessor, que está na ativa, observou: "A China não vai negociar com um revólver apontado para sua cabeça."

Uma possível resposta chinesa é restringir a venda de matérias-primas, equipamentos e outros elementos das cadeias de produção da indústria americana. A maior empresa privada dos EUA, a Apple, seria diretamente afetada.

A rodada de negociações foi pedida pelo secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, em carta ao vice-primeiro-ministro Liu He, o czar econômico de Xi. Seria realizada em torno de 20 de setembro.

O governo Trump quer reduzir um déficit comercial que no ano passado chegou a US$ 375 bilhões. Mas o regime comunista chinês tem a impressão de que o objetivo maior é conter o desenvolvimento econômico e tecnológico da China.

Trump cobra não apenas uma redução do déficit. Exige o fim de subsídios que o governo chinês considera essenciais ao desenvolvimento econômico, científico e tecnológico.

"Isto não vai mudar a curto prazo", observou o ex-ministro das Finanças Lou Jiwei, atual diretor dos fundos de pensão estatais, considerado linha dura nas relações com o Ocidente. "Mas não vai funcionar."

Como o ditador Xi Jinping cultiva uma imagem de homem-forte, não está disposto a fazer concessões que passem uma sensação de fraqueza. Os dois países já impuseram sobretaxas sobre US$ 50 bilhões em importações anuais do outro.

Além da desconfiança quanto às reais intenções dos EUA, incomoda à China a insegurança nas negociações com o governo Trump. Beijim teme que as propostas do secretário do Tesouro enfrentem a resistência de falcões como o representante comercial americano, Robert Lighthizer, e do assessor comercial da Casa Branca, Peter Navarro.

sábado, 15 de setembro de 2018

Trump vai sobretaxar produtos chineses no valor de US$ 200 bilhões

Numa escalada de sua guerra comercial com a China, o presidente Donald Trump deve anunciar na próxima semana a imposição da tarifas adicionais sobre produtos chineses importados pelos Estados Unidos no valor de US$ 200 bilhões anuais. Eles serão taxados em 10%, noticiou o jornal The Washington Post.

Os EUA já sobretaxaram com uma alíquota de 25% produtos chineses importados no valor anual de US$ 50 bilhões. A China respondeu na mesma medida, mas agora não poderá fazer o mesmo. No ano passado, os EUA exportaram para a China produtos no valor total de U$ 130 bilhões e importaram US$ 505,5 bilhões.

Trump quer reduzir o déficit comercial, que foi de US$ 375 bilhões em 2017 e chegou a US$ 222,5 bilhões nos primeiros sete meses do ano. As novas tarifas incidem sobre bens de consumo como brinquedos, eletrodomésticos, móveis, telefones celulares e televisores.

A Apple, maior empresa privada cotada em bolsa do mundo, advertiu que vários de seus produtos serão afetados: "Nossa preocupação é que os EUA serão atingidos duramente, o que vai resultar em menos crescimento, produtividade menor e preços mais altos para os consumidores americanos. A carga da tarifas propostas vai pesar muito mais sobre os EUA do que sobre a China."

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

EUA e China elevam tarifas em nova rodada da guerra comercial

Os Estados Unidos impuseram ontem tarifas de 25% sobre a importação de produtos chineses no valor de US$ 16 bilhões por ano. A China respondeu imediatamente, sobretaxando importações americanas no mesmo valor. Agora, o total de produtos sobretaxados pelas duas maiores economias do mundo soma US$ 100 bilhões de comércio bilateral.

Esta segunda rodada da guerra comercial deflagrada pelo presidente Donald Trump já estava prevista. A lista de novos produtos sobretaxados estava à disposição dos interessados no Departamento do Comércio dos EUA para darem suas opiniões.

Em 6 de julho, o governo Trump impôs tarifas de 25% sobre produtos importados da China no valor de US$ 34 bilhões. A China respondeu na hora e na mesma medida.

O presidente americano tenta reduzir um déficit no comércio bilateral que chegou a US$ 375 bilhões no ano passado. Ameaça agora impor tarifas sobre outros produtos chineses importados pelos EUA, no valor de US$ 200 bilhões por ano. Aí a China não teria como retaliar porque só exportou US$ 130 bilhões para os EUA em 2017.

Em Beijim, o governo chinês acusou os EUA de provocarem a "maior guerra comercial da história" e afirmou que o conflito está aumentando o investimento de empresas interessadas em não perder espaço no mercado chinês.

Na Internet, por exemplo, o total de chineses ligados na rede passa de 800 milhões, mais do que Índia e EUA somados.

A nova rodada da guerra comercial aconteceu no momento em que uma delegação chinesa estava em Washington discutindo as relações comerciais entre os dois países. Naturalmente, as negociações não avançaram.

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Trump anuncia tarifaço e moeda da Turquia desaba

Numa escalada do conflito entre os dois países, o presidente Donald Trump anunciou hoje um aumento nas tarifas de importação pelos Estados Unidos de alumínio e de aço da Turquia. Trump está irritado com a prisão de um pastor protestante pelo regime autoritário do presidente Recep Tayyip Erdogan.

"Acabei de autorizar que dobrem as tarifas sobre aço e alumínio importados da Turquia, enquanto sua moeda, a lira turca, resvala rapidamente para baixo diante de nosso dólar forte! No alumínio, serão 20% e, no aço, 50%. Nossas relações com a Turquia não são boas neste momento", afirmou Trump no Twitter.

Só hoje a moeda turca caiu 14,3%. Desde o início do ano, a queda passa de 40%. O impacto deste novo salvo nas guerras comerciais de Trump atingiu o rand sul-africano, o peso argentino, o rublo russo e o real, que fechou em R$ 3,86 aqui no Brasil. Os investidores fugiram de ativos de risco e mercados emergentes.

"Dobrar as tarifas de importação sobre aço e alumínio da Turquia vai reduzir ainda mais as importações que o Departamento do Comércio considera uma ameaça à segurança nacional", declarou o secretário Wilbur Ross.

Erdogan rejeita a pressão da União Europeia para recorrer ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e promete enfrentar o que chama de "guerra econômica".

O pastor evangélico americano Andrew Brunson foi detido na Turquia em outubro de 2016 dentro das prisões em massa determinadas por Erdogan em consequência do fracasso golpe de Estado de 15 de julho daquele ano.

Depois de quase dois anos de cadeia, na semana passada, a Justiça decidiu transferi-lo para prisão domiciliar por razões de saúde, mas manteve o processo por espionagem e terrorismo. Isso enfureceu Trump, que ameaçou impor "sanções em grande escala" se Brunson não for solto imediatamente.

As sanções de Trump exploram a fragilidade econômica da Turquia, uma aliada na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). O atrito entre os dois países começou quando os EUA se aliaram aos curdos para combater a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante dentro da guerra civil da Síria.

Os curdos, maior povo do mundo sem um Estado nacional, estão divididos entre Turquia, Síria, Irã e Iraque. A maioria vive na Turquia. Os curdos do Iraque, que têm autonomia regional, tentaram realizar um plebiscito sobre a independência.

Erdogan teme que eles se unam aos curdos da Síria para proclamar a independência do Curdistão, que inevitavelmente reivindicaria a soberania sobre o Sudeste da Turquia, onde os curdos são maioria.

Com o fracassado golpe militar de 15 de julho de 2016, em que sua própria vida estava em risco, Erdogan aproveitou para perseguir todos os seus adversários políticos. Mais de 50 mil pessoas foram presas e mais de 160 mil demitidas.

O líder turco acusou o clérigo muçulmano turco exilado nos EUA Fethullah Gülen, seu antigo aliado. A Justiça dos EUA rejeitou o pedido de extradição por falta de indícios e provas do envolvimento de Gülen no golpe, apesar da participação do movimento gulenista.

Diante do conflito com os EUA, Erdogan se aproximou do ditador da Rússia, Vladimir Putin, com quem falou no telefone depois das ameaças de Trump. O presidente turco é um líder autoritário e não quer dar a impressão de ceder diante da pressão dos EUA.

sábado, 21 de julho de 2018

Soja do Brasil pode ganhar com guerra comercial de Trump

Como maior exportador mundial de soja, o Brasil pode se beneficiar da guerra comercial de Trump, embora de modo geral ela seja nociva à economia mundial. Pelos cálculos do Fundo Monetário Internacional (FMI), pode custar até meio ponto percentual a menos no crescimento da economia mundial.

A China é a maior importadora mundial de soja, com 60% do mercado. Compra 50% do Brasil e 40% dos EUA. A tarifa de 25% para retaliar as sobretaxas de Trump torna a soja brasileira, em princípio 20% mais cara, mais competitiva.

O Brasil produziu 113 milhões de toneladas de soja num ano e exportou 70 milhões. Com a demanda de 46,5 milhões de toneladas no mercado interno, não deve ter condições de atender plenamente ao aumento da procura chinesa. Mas a tendência a longo prazo favorece o Brasil, que pode aumentar a área cultivada e reduzir custos com melhora na infraestrutura, especialmente de transportes.

Com estoques de 20 milhões de toneladas de soja em grão e subsídio à produção doméstica nas províncias de Heilongjiang, Jilin e Liaoning, o governo chinês se prepara para a batalha da soja dentro da guerra comercial de Trump.

sexta-feira, 20 de julho de 2018

Trump ameaça sobretaxar todos produtos chineses

Numa escalada verbal em sua guerra comercial, o presidente Donald Trump ameaçou hoje impor tarifas sobre todos os produtos importados da China, que somam US$ 500 bilhões por ano. Até agora, o governo chinês respondeu sempre na mesma medida, o que agravaria ainda mais o conflito entre as duas maiores economias do mundo.

“Estou pronto para ir a 500”, declarou o presidente em entrevista ao programa Squawk Box, da CNBC, um canal de televisão dos Estados Unidos especializado em noticiário econômico.

Trump impôs tarifas de 10% sobre produtos chineses no valor de US$ 200 bilhões em importações anuais e de 25% sobre produtos importados no valor de US$ 34 bilhões por ano. Deve sobretaxar ainda produtos no valor de US$ 16 bilhões em importações num ano.