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terça-feira, 6 de agosto de 2019

EUA e China correm risco de entrar numa guerra econômica total

Numa escalada perigosa, a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China ameaça virar uma guerra cambial e uma guerra econômica total, capaz de levar a um conflito armado. É uma confrontação estratégica, econômica, científica, tecnológica e militar pela supremacia mundial. 

O Banco Popular da China voltou a sustentar o yuan depois que o país foi acusado pelo Tesouro dos Estados Unidos de manipular o câmbio por deixar a moeda cair abaixo de sete yuans por dólares para, na visão americana, “ter uma vantagem competitiva injusta no comércio internacional”. 

A China tem paciência estratégica. Ao que tudo indica, o governo chinês está convencido de que não vai conseguir fazer um acordo comercial vantajoso com Trump. O Banco Goldman Sachs avisou os clientes que não espera um acordo entre as duas maiores economias do mundo antes da eleição de novembro de 2020 nos Estados Unidos. 

O governo chinês aposta em fazer um acordo melhor com um presidente do Partido Democrata na Casa Branca. Trump é considerado instável, temperamental e inconfiável. Meu comentário:

terça-feira, 28 de maio de 2019

EUA evitam acusar a China de manipulação do câmbio

Apesar da guerra comercial entre os dois países, o Tesouro dos Estados Unidos decidiu hoje não qualificar a China como manipuladora do câmbio, mas a deixou numa lista de países em observação numa revisão geral do comércio exterior americano em busca de sinais de práticas comerciais desleais, noticiou o jornal britânico Financial Times.

O Tesouro manifesta preocupação "significativa" com várias práticas comerciais chinesas, mas evitou a acusação, indicando uma preocupação em evitar uma nova escalada no conflito comercial entre os dois países mais ricos do mundo.

No relatório, o governo americano anuncia um reexame geral dos critérios usados para decidir que países devem ter suas práticas econômicas e cambiais escrutinadas para identificar possíveis manipulações cambiais.

Foram citados 21 países, em comparação com 12 no relatório anterior. Nove estão na lista de observação do Tesouro americano: Cingapura, Irlanda, Itália, Malásia e Vietnã foram acrescentados à lista; Alemanha, China, Coreia do Sul e Japão já estavam nela.

Na semana passada, o Departamento do Comércio dos EUA adotou uma nova regra para penalizar países que "ajam para desvalorizar suas moedas em relação ao dólar, num subsídios a suas exportações."

Com seu nacionalismo e protecionismo, Trump luta para reduzir o déficit comercial dos EUA, até agora sem sucesso. No ano passado, o déficit no comércio de bens bateu um recorde a US$ 891,3 bilhões.

O foco do Tesouro será todos os países com saldo comercial com os EUA superior a US$ 40 bilhões por ano e não apenas seus 12 maiores parceiros comerciais, como era antes. Os 21 países sob exame negociaram US$ 3,5 trilhões com os EUA em 2018, mais de 80% do comércio exterior do país.

Durante a campanha eleitoral, Trump acusou a China de manipular o câmbio, mas até hoje o Tesouro não formalizou a denúncia. Neste momento em que os dois países negociam um acordo de paz na sua guerra comercial, uma acusação dessas escalaria as tensões, exacerbadas desde que Trump aplicou tarifas de 25% sobre exportações chinesas no valor de US$ 200 bilhões anuais.

A China continua em observação porque o iuane (yuan) caiu 8% em relação ao dólar nos últimos 12 meses e, nas palavras do secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, tem "um saldo comercial bilateral extremamente grande e em expansão".

Em 2018, o déficit no comércio dos EUA com a China foi de US$ 419 bilhões. A maioria dos economistas atribui o déficit ao consumismo americano, mas Trump vê a economia como um jogo de soma zero, em que o ganho de uns é necessariamente a perda de outros. Então trava suas guerras comerciais, até agora sem sucesso na redução do déficit.

Há várias razões para discordar das práticas comerciais da China, que se tornou a fábrica do mundo absorvendo capital e tecnologia do mundo desenvolvido, com um custo de mão de obra baixíssimo que provocou o desemprego em muitos países ricos, inclusive nos EUA.

Como as práticas econômicas e comerciais da China afetam hoje todos os países do mundo, seria mais racional articular uma aliança e levar as questões para o painel de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Mas Trump é contra alianças e contra as instituições internacionais criadas pelos EUA. Quebra um paradigma da política externa americana que vem desde a Segunda Guerra Mundial: mesmo sendo a maior potência mundial, os EUA agem em conjunto com aliados no plano internacional.

Trump quer resolver tudo no mano a mano, em negociações bilaterais, confiando na superioridade dos EUA. É mais caro, desgastante e gerador de conflitos.

segunda-feira, 4 de março de 2019

China reduz meta de crescimento econômico para 2019

Em relatório a ser apresentado na abertura da sessão anual do Congresso Nacional do Povo na manhã desta terça-feira pelo primeiro-ministro Li Keqiang, sob o impacto da guerra comercial deflagrada pelos Estados Unidos, o governo da China reduz a meta de crescimento econômico para uma faixa de 6% a 6,5%, noticiou o jornal inglês Financial Times. 

Aumenta o temor do mercado de que a segunda maior economia do mundo esteja em curva descendente. Em 2019, a China cresceu 6,6%, o pior resultado desde 1990, quando o país estava sob o impacto das sanções impostas depois do Massacre na Praça da Paz Celestial.


A meta de inflação foi fixada em 3% e o déficit fiscal previsto é de 2,8% do produto interno bruto, 0,2 ponto percentual acima do ano passado.

"Levando em conta todos os fatores, a arrecadação de impostos encara uma situação sombria em 2019. Vai haver grande pressão para manter o equilíbrio orçamentário", admite o relatório do Ministério da Fazenda.

O próprio primeiro-ministro Li Keqiang acrescentou ao relatório: "Vamos enfrentar tarefas pesadas, muitos desafios e grandes demandas."

As autoridades chineses querem manter o crescimento econômico, que legitima a ditadura do Partido Comunista, o que impede reformas fundamentais. Há uma abundância de capital que acaba sendo investido em estatais que de outra forma estariam condenadas.

No ano passado, o governo Donald Trump impôs sobretaxas sobre importações chinesas no valor de US$ 250 bilhões por ano. Os objetivos são reduzir o déficit comercial, a manipulação cambial, a pirataria industrial e os subsídios concedidos pelo governo da China a suas empresas. Há expectativa de um acordo a ser anunciado em breve.

quinta-feira, 30 de março de 2017

Trump e Xi se encontram em 6 e 7 de abril na Flórida

Os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, vai se reunir pela primeira vez em 6 e 7 de abril de 2017 no clube Mar-a-Lago, de propriedade de Trump, na Flórida. Será um diálogo difícil, depois das acusações de comércio desleal feitas durante a campanha eleitoral nos EUA e do contato direto de Trump com a presidente de Taiwan, num desafio à política de que só existe uma China.

Em fevereiro, o presidente americano recebeu o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, no mesmo lugar. O Japão é aliado dos EUA desde a derrota na Segunda Guerra Mundial, mas Abe está decepcionado com o abandono por Trump da Parceria Transpacífica, um acordo de comércio e investimentos negociado pelo governo Barack Obama.

Com a China, a conversa será muito mais carregada. Trump está determinado a renegociar as relações comerciais com os países que têm saldo positivo no comércio com os EUA. A maior saldo é o chinês. O presidente e sua equipe acusam a China de manipular o câmbio e desvalorizar o iuane para aumentar a competitividade das exportações chinesas.

No Mar do Sul da China, onde o regime comunista chinês constrói ilhas artificiais para instalar bases e garantir à força sua reivindicação de soberania sobre 90% da superfície, o secretário de Estado, Rex Tillerson, ameaça impor um bloqueio naval às bases chinesas para defender a livre navegação. Em visita à Coreia do Sul e ao Japão, o secretário da Defesa, James Mattis, falou em solução diplomática.

Outro problema sério é a chantagem nuclear da Coreia do Norte. Neste momento, há uma movimentação detectada por satélites em instalações atômicas norte-coreanas. Pode ser a preparação para o quinto teste nuclear do país.

Como a China é a maior aliada da ditadura stalinista de Pionguiangue, os EUA pressionam a China a controlar o regime sanguinário de Kim Jong Un, acusado de mandar matar o meioirmão Kim Jong Nam na Malásia. A China anunciou a suspensão da compra de carvão norte-coreano, mas os analistas não acreditam que Beijim pressione demais por temer o colapso do governo do país vizinho.

A questão nuclear norte-coreana é uma carta que a China tem na manga para negociar com os EUA. Mas a ameaça de um bombardeio nuclear levou Washington a instalar um sistema de defesa antimísseis na Coreia do Sul. O regime chinês vê uma desvantagem estratégica num possível conflito futuro com os americanos.

Em discurso no Fórum Econômico Mundial, em janeiro deste ano, o dirigente máximo chinês defendeu o livre comércio. O protecionismo de Trump assusta, mas a China tem grande poder de pressão. Várias empresas americanas têm fábricas na China.

As relações diplomáticas entre os EUA e a China estão praticamente congeladas desde dezembro, quando Trump quebrou uma tradição que vem desde o reatamento das relações entre os dois países, em 1979. Ele aceitou um telefonema de cumprimentos pela vitória da presidente Tsai Ing-wen, da Taiwan, que o regime comunista chinês considera uma província rebelde.

Trump insinuou ainda uma mudança nas relações com Taiwan, ameaçando ignorar a política de uma só China ou colocá-la em jogo em negociações comerciais. Beijim respondeu que essa política é inegociável.

A primeira conversa telefônica entre os dois homens mais poderosos do mundo aconteceu em 10 de fevereiro, 20 dias depois da posse de Trump. O presidente americano prometeu respeitar o princípio de que só existe uma China, representada pelo regime comunista de Beijim.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Conversa de Trump com Taiwan foi planejada durante meses

Quando o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, falou por telefone com a presidente da Taiwan, Tsai Ing-wen, alegou que havia apenas atendido a uma chamada para cumprimentá-lo pela vitória. Na realidade, foi uma provocação intencional para mostrar dureza no relacionamente com o a China, revelou hoje o jornal The Washington Post.

Os presidentes dos dois países não se falavam desde 1979, quando os EUA romperam com Taiwan, uma exigência da República Popular da China para o estabelecimento de relações bilaterais. Washington aceitou assim a política chinesa de que só existe uma China, representada pelo regime comunista de Beijim.

No domingo, Trump voltou ao ataque, acusando a China de manipular o câmbio e de intimidar os países vizinhos com sua reivindicação territorial sobre 90% do Mar do Sul da China.

O telefonema histórico foi consequência de meses de preparação. A equipe de Trump buscava uma nova estratégia para o relacionamento com Taiwan antes mesmo do magnata imobiliário garantir a candidatura do Partido Republicano à Casa Branca.

A jogada reflete também a visão de assessores linha-dura que defendem atitudes mais firmes contra o que consideram abusos de poder da superpotência em ascensão. No seu estilo negocial da fazer política, Trump ataca e tenta desestabilizar a outra parte para depois fazer um jogo de sedução e apresentar suas propostas.

Alguns membros da equipe de transição de Trump são a favor de posições mais duras em relação à China e mais amigável com Taiwan, inclusive o futuro ministro-chefe da Casa Civil, Reince Priebus. Em artigo para a revista Foreign Affairs intitulado Visão de Donald Trump de Paz através da Força na Ásia e no Pacífico, dois assessores do presidente eleito, Peter Navarro e Alexander Gray, descrevem Taiwan como um "farol da democracia" na Ásia.

A ilha que a China considera uma província rebelde é apresentada como "o aliado dos EUA mais vulnerável militarmente no mundo inteiro".

Logo depois da vitória de Trump, seus assessores fizeram uma lista de líderes mundiais com quem ele falaria ao telefone. "Taiwan sempre esteve no topo da lista", declarou Stephen Yates, assessor do governo George W. Bush (2001-9).

Diante das tentativas da equipe de Trump, inclusive do vice-presidente Mike Pence, de dizer que a ligação partiu de Taipé, Alex Huang, porta-voz da presidente Tsai, declarou à agência Reuters que "é claro que os dois lados chegaram a um acordo antes do contato telefônico."

Com a provocação, Trump quis deixar claro aos chineses que nada será como antes. Os chineses reagiram com cautela, seguindo um antigo provérbio que diz: "Como resistir a um milhão de mudanças? Continuando a ser quem você é."