O Departamento Geral de Concorrência, Consumo e de Repressão a Fraudes (DGCCRF) da França abriu um processo contra a Amazon num tribunal de Paris por práticas abusivas contra seus fornecedores que causaram um "desequilíbrio significativo nas relações comerciais" e pede que a empresa seja multada em 10 milhões de euros, cerca de R$ 40 milhões.
Para o órgão do Ministério da Economia, a Amazon abusa do poder de mercado impondo cláusulas comerciais constrangedoras para quem quer vender seus produtos através de seus sítios de comércio eletrônico.
"A Amazon pode mudar os contratos quando lhe pareça bom. Concretamente, a plataforma pode impor prazos de entrega mais curtos, exigir balanços mais frequentes ou verificações de toda sorte que bloqueiam totalmente as vendas", acusou o jornal Le Parisien.
A denúncia é resultado de uma longa investigação, revelou o diretor do DGCCRF, Loïc Tanguy: "Fizemos um inquérito de dois anos em todos os setores do mercado. Consideramos que, entre as cláusulas impostas às empresas que vendem seus produtos em sua plataforma, havia um desequilíbrio significativo, uma prática proibida pelo Código Comercial."
Em resposta, a Amazon France alegou que "não comentamos procedimentos judiciais". O sítio francês da Amazon recebe 24 milhões de visitantes por mês.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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segunda-feira, 18 de dezembro de 2017
sexta-feira, 31 de março de 2017
Trump baixa decretos para combater déficit comercial
Para combater o déficit comercial dos Estados Unidos, de mais meio trilhão de dólares, o presidente Donald Trump assinou hoje dois decretos anunciados ontem o secretário do Comércio, Wilbur Ross, e o diretor do Conselho Nacional de Comércio, Peter Navarro, confirmou há pouco o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer.
O comércio desleal foi um dos principais temas da campanha eleitoral de Trump. Ele prometeu combater a transferência da produção para outros países e renegociar acordos comerciais que considera injustos e lesivos aos interesses dos EUA.
O primeiro decreto autoria do Departamento de Comércio a investigar as causas do déficit comercial com vários países: China, Japão, Alemanha, México, Irlanda, Vietnã, Itália, Coreia do Sul, Malásia, Índia, Tailândia, França, Suíça, Taiwan, Indonésia e Canadá. O objetivo é identificar práticas desleais que possam justificar medidas retaliatórias como aumento do imposto de importação ou outras barreiras.
A segunda medida visa a fortalecer a capacidade das alfândegas de cobrar tarifas antidumping e direitos compensatórios. Pelos cálculos de Navarro, um dos grandes inimigos do livre comércio no governo Trump, cerca de US$ 2,8 bilhões deixaram de ser recolhidos desde 2001 por avaliações insuficientes e falta de obrigação de recolher o imposto de importação na fronteira.
Trump baixou os decretos uma semana antes de seu primeiro encontro de cúpula com o presidente da China, Xi Jinping, marcado para 6 e 7 de abril na residência de verão de Trump em Mar-a-Lago, na Flórida. Ross e Navarro insistiram que Trump cumpre uma promessa de campanha, por isso as medidas não teriam como alvo específico a China, informou a televisão americana CNN.
O comércio desleal foi um dos principais temas da campanha eleitoral de Trump. Ele prometeu combater a transferência da produção para outros países e renegociar acordos comerciais que considera injustos e lesivos aos interesses dos EUA.
O primeiro decreto autoria do Departamento de Comércio a investigar as causas do déficit comercial com vários países: China, Japão, Alemanha, México, Irlanda, Vietnã, Itália, Coreia do Sul, Malásia, Índia, Tailândia, França, Suíça, Taiwan, Indonésia e Canadá. O objetivo é identificar práticas desleais que possam justificar medidas retaliatórias como aumento do imposto de importação ou outras barreiras.
A segunda medida visa a fortalecer a capacidade das alfândegas de cobrar tarifas antidumping e direitos compensatórios. Pelos cálculos de Navarro, um dos grandes inimigos do livre comércio no governo Trump, cerca de US$ 2,8 bilhões deixaram de ser recolhidos desde 2001 por avaliações insuficientes e falta de obrigação de recolher o imposto de importação na fronteira.
Trump baixou os decretos uma semana antes de seu primeiro encontro de cúpula com o presidente da China, Xi Jinping, marcado para 6 e 7 de abril na residência de verão de Trump em Mar-a-Lago, na Flórida. Ross e Navarro insistiram que Trump cumpre uma promessa de campanha, por isso as medidas não teriam como alvo específico a China, informou a televisão americana CNN.
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quinta-feira, 30 de março de 2017
Trump e Xi se encontram em 6 e 7 de abril na Flórida
Os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, vai se reunir pela primeira vez em 6 e 7 de abril de 2017 no clube Mar-a-Lago, de propriedade de Trump, na Flórida. Será um diálogo difícil, depois das acusações de comércio desleal feitas durante a campanha eleitoral nos EUA e do contato direto de Trump com a presidente de Taiwan, num desafio à política de que só existe uma China.
Em fevereiro, o presidente americano recebeu o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, no mesmo lugar. O Japão é aliado dos EUA desde a derrota na Segunda Guerra Mundial, mas Abe está decepcionado com o abandono por Trump da Parceria Transpacífica, um acordo de comércio e investimentos negociado pelo governo Barack Obama.
Com a China, a conversa será muito mais carregada. Trump está determinado a renegociar as relações comerciais com os países que têm saldo positivo no comércio com os EUA. A maior saldo é o chinês. O presidente e sua equipe acusam a China de manipular o câmbio e desvalorizar o iuane para aumentar a competitividade das exportações chinesas.
No Mar do Sul da China, onde o regime comunista chinês constrói ilhas artificiais para instalar bases e garantir à força sua reivindicação de soberania sobre 90% da superfície, o secretário de Estado, Rex Tillerson, ameaça impor um bloqueio naval às bases chinesas para defender a livre navegação. Em visita à Coreia do Sul e ao Japão, o secretário da Defesa, James Mattis, falou em solução diplomática.
Outro problema sério é a chantagem nuclear da Coreia do Norte. Neste momento, há uma movimentação detectada por satélites em instalações atômicas norte-coreanas. Pode ser a preparação para o quinto teste nuclear do país.
Como a China é a maior aliada da ditadura stalinista de Pionguiangue, os EUA pressionam a China a controlar o regime sanguinário de Kim Jong Un, acusado de mandar matar o meioirmão Kim Jong Nam na Malásia. A China anunciou a suspensão da compra de carvão norte-coreano, mas os analistas não acreditam que Beijim pressione demais por temer o colapso do governo do país vizinho.
A questão nuclear norte-coreana é uma carta que a China tem na manga para negociar com os EUA. Mas a ameaça de um bombardeio nuclear levou Washington a instalar um sistema de defesa antimísseis na Coreia do Sul. O regime chinês vê uma desvantagem estratégica num possível conflito futuro com os americanos.
Em discurso no Fórum Econômico Mundial, em janeiro deste ano, o dirigente máximo chinês defendeu o livre comércio. O protecionismo de Trump assusta, mas a China tem grande poder de pressão. Várias empresas americanas têm fábricas na China.
As relações diplomáticas entre os EUA e a China estão praticamente congeladas desde dezembro, quando Trump quebrou uma tradição que vem desde o reatamento das relações entre os dois países, em 1979. Ele aceitou um telefonema de cumprimentos pela vitória da presidente Tsai Ing-wen, da Taiwan, que o regime comunista chinês considera uma província rebelde.
Trump insinuou ainda uma mudança nas relações com Taiwan, ameaçando ignorar a política de uma só China ou colocá-la em jogo em negociações comerciais. Beijim respondeu que essa política é inegociável.
A primeira conversa telefônica entre os dois homens mais poderosos do mundo aconteceu em 10 de fevereiro, 20 dias depois da posse de Trump. O presidente americano prometeu respeitar o princípio de que só existe uma China, representada pelo regime comunista de Beijim.
Em fevereiro, o presidente americano recebeu o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, no mesmo lugar. O Japão é aliado dos EUA desde a derrota na Segunda Guerra Mundial, mas Abe está decepcionado com o abandono por Trump da Parceria Transpacífica, um acordo de comércio e investimentos negociado pelo governo Barack Obama.
Com a China, a conversa será muito mais carregada. Trump está determinado a renegociar as relações comerciais com os países que têm saldo positivo no comércio com os EUA. A maior saldo é o chinês. O presidente e sua equipe acusam a China de manipular o câmbio e desvalorizar o iuane para aumentar a competitividade das exportações chinesas.
No Mar do Sul da China, onde o regime comunista chinês constrói ilhas artificiais para instalar bases e garantir à força sua reivindicação de soberania sobre 90% da superfície, o secretário de Estado, Rex Tillerson, ameaça impor um bloqueio naval às bases chinesas para defender a livre navegação. Em visita à Coreia do Sul e ao Japão, o secretário da Defesa, James Mattis, falou em solução diplomática.
Outro problema sério é a chantagem nuclear da Coreia do Norte. Neste momento, há uma movimentação detectada por satélites em instalações atômicas norte-coreanas. Pode ser a preparação para o quinto teste nuclear do país.
Como a China é a maior aliada da ditadura stalinista de Pionguiangue, os EUA pressionam a China a controlar o regime sanguinário de Kim Jong Un, acusado de mandar matar o meioirmão Kim Jong Nam na Malásia. A China anunciou a suspensão da compra de carvão norte-coreano, mas os analistas não acreditam que Beijim pressione demais por temer o colapso do governo do país vizinho.
A questão nuclear norte-coreana é uma carta que a China tem na manga para negociar com os EUA. Mas a ameaça de um bombardeio nuclear levou Washington a instalar um sistema de defesa antimísseis na Coreia do Sul. O regime chinês vê uma desvantagem estratégica num possível conflito futuro com os americanos.
Em discurso no Fórum Econômico Mundial, em janeiro deste ano, o dirigente máximo chinês defendeu o livre comércio. O protecionismo de Trump assusta, mas a China tem grande poder de pressão. Várias empresas americanas têm fábricas na China.
As relações diplomáticas entre os EUA e a China estão praticamente congeladas desde dezembro, quando Trump quebrou uma tradição que vem desde o reatamento das relações entre os dois países, em 1979. Ele aceitou um telefonema de cumprimentos pela vitória da presidente Tsai Ing-wen, da Taiwan, que o regime comunista chinês considera uma província rebelde.
Trump insinuou ainda uma mudança nas relações com Taiwan, ameaçando ignorar a política de uma só China ou colocá-la em jogo em negociações comerciais. Beijim respondeu que essa política é inegociável.
A primeira conversa telefônica entre os dois homens mais poderosos do mundo aconteceu em 10 de fevereiro, 20 dias depois da posse de Trump. O presidente americano prometeu respeitar o princípio de que só existe uma China, representada pelo regime comunista de Beijim.
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