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terça-feira, 2 de agosto de 2022

Visita da presidente da Câmara dos EUA a Taiwan gera crise com China

Num desafio ao regime comunista chinês, a presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, a deputada democrata Nancy Pelosi, chegou hoje a Taiwan, a ilha que a China considera uma província rebelde, onde se encontrou com a presidente Tsai Ing-wen.

O governo chinês protestou e mobilizou as Forças Armadas para manobras militares. Alega que a visita viola o princípio de que só existe uma China, a soberania nacional e a integridade territorial do país, e perturba a paz e a segurança no Estreito de Taiwan. O governo Joe Biden apelou à China para não criar uma crise.

É a mais alta funcionária dos EUA a ir a Taiwan em 25 anos, desde uma visita do então presidente da Câmara, Newt Gingrich.

A viagem é criticada porque o mundo enfrenta uma crise internacional com a invasão da Ucrânia pela Rússia há 160 dias. Os EUA apoiam, financiam e armam a Ucrânia. A China e a Rússia anunciaram uma "parceria ilimitada" em 4 de fevereiro, 20 dias antes do início da guerra. Tudo o que o mundo não precisa é de uma nova crise. O presidente Biden tentou convencer Pelosi a desistir.

Com a viagem, Pelosi tenta fortalecer a liberdade e a democracia no único território chinês governado democraticamente, o que em si já é um desafio à ditadura de partido único de Beijim.

"Hoje o mundo encara uma escolha entre democracia e autocracia. A determinação dos EUA de preservar a democracia aqui em Taiwan e ao redor do mundo continua inquebrantável. Os EUA não vão abandonar Taiwan", declarou Pelosi ao lado da presidente taiwanesa. 

Leia mais em Quarentena News. Veja no meu canal no You Tube. Meu comentário:

terça-feira, 21 de julho de 2020

Mulheres poderosas derrotam covid-19 e machões fracassam

O machismo ordinário perde a batalha do coronavírus
Enquanto presidentes machistas, autoritários e ignorantes como Donald Trump, nos Estados Unidos; Jair Bolsonaro, no Brasil; Narendra Modi, na Índia; e Rodrigo Duterte, nas Filipinas; fracassam no combate à doença do coronavírus de 2019, alguns dos governos mais bem-sucedidos na luta contra a covid-19 são liderados por mulheres.

São os casos de Jacinda Ardern, a governante mais bem avaliada da história da Nova Zelândia; da chanceler da Alemanha, Angela Merkel, que acaba de assumir por seis meses a presidência rotativa da União Europeia; das primeiras-ministras Mette Frederiksen, da Dinamarca; Sanna Marin, da Finlândia; Katrín Jakobsdóttir, da Islândia; Erna Solberg, da Noruega; e da presidente de Taiwan, Tsai Ing-Wen.

Não é uma questão de sexo. São países com altos índices de desenvolvimento humano e grande participação social das mulheres. Líderes qualificadas, inteligentes e sensíveis, adotaram a ciência, a razão, a valorização da vida, a coordenação com governos regionais e locais, e a comunicação direta e transparente como base da luta contra a pandemia.

Em vez de gurus, confidentes e líderes religiosos, recorreram a especialistas. Em vez da mentira e da manipulação das notícias falsas, de querer ganhar grito e na marra como eles fizeram em suas campanhas eleitorais, elas optaram pela cooperação, a empatia e o respeito.

Como observou o cientista político americano Francis Fukuyama o sucesso na luta contra a pandemia depende da confiança da sociedade no governo e na ciência. A desinformação é a receita para o fracasso.

A maioria delas governa regimes parlamentaristas com instituições fortes baseados em ampla participação popular, colaboração e formação de coalizões. Jacinda Ardern, de 39 anos, foi a segunda mulher a dar à luz no exercício do poder. Levou a filha de colo para a Assembleia Geral das Nações Unidas.

Seu estilo de governar é um misto de empatia, cuidado, afeição e comunicação direta. A Nova Zelândia teve 1.549 casos e 22 mortes. Não achatou a curva. Esmagou a curva. Ardern dava entrevistas coletivas todos os dias. Começava pedindo desculpas às famílias dos mortos.

Um líder religioso a acusou de criar um “Estado-babá” como uma “supermãe”. Isto não a impediu de convocar o Exército para impor a quarentena quando duas mulheres chegaram do Reino Unido e não respeitaram a ordem de ficar isoladas durante duas semanas.

Angela Merkel não tem filhos, mas é conhecida como mutti (mamãe) pelo povo alemão. PhD em química quântica, foi pessoalmente para o microscópio estudar o novo coronavírus. A Alemanha, um país de 83 milhões de habitantes, teve quase 202 mil casos de covid-19 e pouco mais de 9 mil mortes.

Como líder da UE, caberá a Merkel coordenar o plano de recuperação de 750 bilhões de euros discutido a partir desta sexta-feira pelos líderes do bloco europeu, vencendo a resistência dos países ricos que relutam em dar ajuda direta aos mais afetados pela pandemia, Itália e Espanha.

Tsai também é doutora. O coronavírus chegou da China em 21 de janeiro, com uma professora que dava aula em Wuhan, berço da pandemia. O país tomou medidas imediatamente, com quarentena dos infectados, rastreamento de quem teve contato com eles e ampla distribuição de máscaras.

Taiwan tinha a experiência da epidemia da síndrome respiratória aguda grave (SARS) de 2003 e temia a interferência da República Popular da China, que a considera uma província rebelde.

Quem chegava de viagem ficava isolado por duas semanas com ajuda do governo, comida entregue na porta e contato diário por telefone com um representante do governo local para saber se estava tudo bem e agradecer pela colaboração. Com 23,8 milhões de habitantes, Taiwan teve 452 casos e apenas sete mortes.

Única líder conservadora no poder na Escandinávia, Erna Solberg é a Dama de Ferro, a Margaret Thatcher norueguesa. O país de 5,4 milhões de habitantes teve 9.015 casos e 254 mortes. O sucesso é atribuído ao grande número de testes, mais de 72 mil para cada milhão de habitantes.

A Dinamarca da social-democrata Mette Frederiksen testou mais ainda 1,29 milhão de seus 5,8 milhões de habitantes. Teve pouco mais de 13 mil casos e 610 mortes. Foi um dos primeiros países europeus a impor um confinamento rigoroso, quatro dias depois da Itália.

Todas as pessoas contaminadas e quem teve contato com elas ficaram duas semanas em quarentena em contato diário com profissionais de saúde. Um mês e dois dias depois, começou a reabertura. Frederiksen, de 42 anos, foi a mais jovem chefe de governo e a segunda mulher a governar a Dinamarca.

Com 34 anos, a primeira-ministra social-democrata da Finlândia, Sana Martin, é a segunda mais jovem líder nacional do mundo, atrás apenas do primeiro-ministro conservador da Áustria, Sebastian Kurz. O país, de 5,5 milhões de habitantes, registra 7.293 casos e 328 mortes.

Seu governo suspendeu as aulas, mas não nas escolas primárias, fechou a maioria dos prédios públicos, proibiu encontros de pessoas e fechou as fronteiras durante pouco menos de dois meses.

A Islândia da primeira-ministra Katrín Jakobsdóttir é uma pequena ilha situada no topo da Cordilheira Interoceânica. Sua estratégia de combate à covid-19 foi testar em massa. Mais de 31% dos seus 341 mil habitantes foram examinados. Foram proibidas reuniões de mais de 20 pessoas, mas não houve confinamento. O país registra 1.914 casos e 10 mortes.

Katrín, de 44 anos, do partido Esquerda Verde, foi a segunda mulher a governar a Islândia. É presidente do Conselho Mundial de Mulheres Líderes.

(publicado originalmente em Quarentena News, no Facebook)

sábado, 11 de janeiro de 2020

Reeleição mostra que modelo de Hong Kong não serve para Taiwan

A ampla vitória da presidente Tsai Ing-wen na eleição presidencial de hoje em Taiwan para exercer um segundo mandato de quatro anos aumenta a tensão com a República Popular da China. 

Depois de meses de manifestações de protesto em Hong Kong contra a crescente interferência chinesa no território, o resultado mostra que o mesmo modelo não será usado na reintegração de Taiwan.

Além da reeleição de Tsai com 57,1% dos votos contra 38,6% para Han Kuo-yu, do Kuomintang (KMT), mais próximo da China, seu Partido Democrático Progressista (PPD) conquistou maioria absoluta no Parlamento de 113 deputados. A participação do eleitorado chegou a quase 75%.

O regime comunista chinês considera Taiwan uma província rebelde e ameaça intervir militarmente se declarar independência. Para lá, fugiu o governo nacionalista de Chiang Kai-shek quando a revolução comunista liderada por Mao Tsé-tung tomou o poder em Beijim, em 1º de outubro de 1949.

Até 15 de novembro de 1971, a China Nacionalista (Taiwan) era a representante da China no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Com base na política de que só existe uma China, o regime comunista chinês exigem o rompimento com Taiwan para estabelecer relações diplomáticas com Beijim, isolando diplomaticamente o país, que não tem representação em organizações internacionais.

Quando o então líder chinês Deng Xiaoping negociou com a primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, em 1984, a devolução de Hong Kong à China, concretizada em 1997, criou a fórmula um país, dois sistemas. Deng prometeu manter o regime capitalista e a autonomia do território durante pelo menos 50 anos.

A mesma solução deveria ser aplicada na reintegração de Taiwan, uma das metas inegociáveis do regime comunista. Mas Hong Kong está em crise, com manifestações de protesto nas ruas desde 9 de junho.

A revolta popular contra o regime chinês começou contra um projeto de lei que autorizaria a extradição de residentes em Hong Kong para responder a processos na China continental e em Taiwan. Foi proposta porque em 2018 um cidadão de Hong Kong matou sua namorada grávida em Taiwan e voltou para Hong Kong. Ele confessou o crime, mas não foi punido.

Com a repressão das autoridades locais, o movimento pela liberdade e a democracia em Hong Kong cresceu. Chegou a levar 1,7 milhão de pessoas às ruas na maior manifestação e passou a exigir eleições diretas para governador e para o Conselho Legislativo, o parlamento de Hong Kong.

Em Beijim, a linha dura cobra uma repressão mais dura da governadora Carrie Lam. O ditador Xi Jinping decidiu não enviar o Exército Popular de Libertação. Seria o fim da autonomia cada vez menor de Hong Kong e o enterro da fórmula um país com dois sistemas.

O resultado das eleições de Taiwan não deixa dúvidas. A população local não quer saber de uma reintegração nos termos de Hong Kong. Taiwan quer mesmo a independência e isso é inaceitável para o regime comunista, além de mostrar desde 1996 que a democracia não é incompatível com a cultura chinesa.

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

China impõe restrições a viagens a Taiwan

No pior momento das relações bilaterais em duas décadas, a República Popular da China aumenta os esforços para intimidar Taiwan. Vai proibir o turismo individual à ilha que considera uma província rebelde. As viagens de negócios e o turismo em grupos está autorizado.

Se a proibição for prorrogada até o fim do ano, a expectativa é que menos 700 mil chineses do continente visitem Taiwan. Em 2017, último ano de que há números disponíveis, houve 2,7 milhões de visitas de chineses à ilha.

Em 2015, antes das relações através do Estreito de Taiwan se deteriorarem, foram 4,2 milhões de visitas. O turismo representa 5% do produto interno bruto taiwanês.

O regime comunista chinês também tenta influir no resultado da eleição presidencial de 11 de janeiro de 2020 em favor do histórico partido nacionalista Kuomintang (KMT), que lutou na guerra civil contra o Partido Comunista, mas hoje é mais próximo do governo de Beijim do que o Partido Democrático Progressista (PDP), da presidente Tsai Ing-wen.

Enquanto o PDP flerta com a independência, o KMT adota a política dos três nãos: não à guerra, não à independência e não à unificação.

A pressão aumenta com a anunciada venda de US$ 2 bilhões em armas dos Estados Unidos para Taiwan. Navios de guerra americanos têm passado pelo Estreito de Taiwan, que separa a China e a ilha a uma distância de 100 quilômetros.

Taiwan autorizou visitas de grupos da China continental em 2008 e viagens individuais em 2011, inicialmente de três cidades e hoje de 47 cidades chinesas. A China é hoje o país que mais envia turistas ao exterior. Em 2017, foram 130 milhões.

O governo passou a usar o turismo como arma contra a Coreia do Sul e Taiwan, sem grandes resultados. Em 2016, a China restringiu viagens de grupos, mas não conseguiu impedir a vitória de Tsai Ing-wen.

sexta-feira, 17 de maio de 2019

Taiwan é primeiro país asiático a aprovar o casamento gay

A Assembleia Nacional de Taiwan aprovou hoje o casamento entre pessoas do mesmo, tornando-se o primeiro país da Ásia a fazer isso. A presidente Tsai Ing-wen saudou a decisão como "um grande passo rumo à verdadeira igualdade".

O casamento gay é legal em 27 países e 72 possuem leis contra a discriminação sexual, enquanto vários países ainda consideram a homossexualidade um crime.

Há dois anos, o Tribunal Constitucional de Taiwan declarou a inconstitucionalidade da lei que definia o casamento como a união de um homem com uma mulher e deu dois anos aos deputados para mudarem a legislação.

A uma semana do fim do prazo, o Parlamento aprovou o casamento gay. A nova lei entra em vigor daqui a uma semana, em 24 de maio.

Embora a ilha, que a China considera uma província rebelde, tenha uma grande comunidade gay e sua parada gay seja a maior da Ásia, a questão divide a sociedade taiwanesa. Em plebiscito realizado em novembro do ano passado, 67% votaram contra o casamento homossexual.

Dezenas de milhares de pessoas enfrentaram a chuva em Taipé para pressionar os deputados a aprovar a proposta. Entre eles, estava Wu Tzu-an, um artista de 33 anos: "O resultado de hoje é o melhor que poderíamos conseguir a esta altura. É também um sinal que mostra que Taiwan é diferente da China. Pessoalmente, não tenho planos de casar, mas é um sinal de igualdade."

sexta-feira, 29 de junho de 2018

Departamento de Estado pede fuzileiros navais em Taiwan

O Departamento de Estado solicitou o envio de fuzileiros navais para proteger a representação diplomática dos Estados Unidos em Taiwan, a ilha que a República Popular da China considera uma província rebelde, revelou hoje a rede de televisão americana CNN.

A presença de fuzileiros navais americanos em Taiwan certamente será considerada em Beijim como um desafio ao regime comunista chinês. Será mais um ponto de atrito entre a China e os EUA, ao lado dos conflitos comerciais, da Coreia do Norte e do Mar do Sul da China.

Taiwan é a ilha para onde os nacionalistas comandados por Chiang Kai-shek fugiram quando a revolução comunista liderada por Mao Tsé-tung tomou o poder, em 1º de outubro de 1949, criando na prática duas chinas com a República da China em Taiwan.

O regime comunista sempre adotou a política de que só existe uma China. Quando os EUA se reaproximaram da China com as visitas do assessor de segurança nacional Henry Kissinger, em 1971, e do presidente Richard Nixon, em 1972, Mao condicionou o estabelecimento de relações diplomáticas com os EUA ao rompimento dos EUA com Taiwan. O regime exige o mesmo de todo país que quiser manter relações com a China.

A República Popular da China também tomou de Taiwan a vaga da China como membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, em 1971.

Quando um partido favorável à independência estava prestes a vencer a eleição presidencial de 1996 em Taiwan, a China fez testes de mísseis ameaçadores. O então presidente americano, Bill Clinton, mandou uma força-tarefa de porta-aviões para o Estreito de Taiwan, de 180 quilômetros, que separa a ilha da China continental.

A China considerou uma humilhação. Desde aquela época, desenvolveu sistemas de mísseis, satélites e porta-aviões para desafiar a supremacia militar dos EUA no Leste de Ásia, que vem desde a Segunda Guerra Mundial.

Em Taiwan, com a democratização do país, as novas gerações têm um desejo crescente pela independência, considerada totalmente inaceitável pela ditadura comunista chinesa.

O Kuomintang (KMT), o partido de Chiang Kai-shek, que governou Taiwan na maior parte de sua história de relativa independência adota a política dos três nãos: não à unificação, não à independência e não à guerra. Defende a manutenção do status quo ambíguo, como quer a o regime comunista chinês, apostando numa reunificação até 2050.

Com a volta do Partido Democrático Progressista (PDP) ao poder, em 2016, aumenta a inquietação em Beijim sobre a independência de Taiwan. Há décadas, o regime comunista tenta controlar a ilha rebelde com um misto de intimidação militar e incentivos econômicos. Recentemente, aumentou a pressão militar.

Ao chegar à Casa Branca, o presidente Donald Trump, que não respeita protocolos nem políticas que não lhe agradem, recebeu cumprimentos pelo telefone da presidente taiwanesa, Tsai Ing-wen, para revolta da China. Foi a primeira vez que isto aconteceu desde o reatamento oficial entre os dois países, em 1978.

Como a estratégia de negociações de Trump é desestabilizar a outra parte, Taiwan volta a ser uma carta importante na disputa geopolítica entre os EUA e a China, que cada vez mais constrói uma máquina de guerra à altura do seu crescente poderio econômico e quer acabar com a hegemonia americana no Leste da Ásia.

Os EUA têm vários aliados ao redor da China, o Japão, a Coreia do Sul, as Filipinas e a Tailândia. Com Taiwan, assumiu o compromisso de garantir a segurança da ilha. Está reforçando a cooperação militar com a Índia, a Indonésia e o Vietnã. Se tivesse o controle de Taiwan, o regime comunista chinês teria acesso desimpedido ao Oceano Pacífico.

Sem uma declaração de independência de Taiwan, é improvável que a China invada Taiwan antes de 2030, quando terá acumulado grande poderio militar. A reunificação continuará sendo um objetivo central do regime comunista, mas ele deve seguir, ao menos por enquanto, as lições de Sun Tzu no clássico  A Arte da Guerra: a maior vitória é derrotar o inimigo fora do campo de batalha, sem disparar um tiro.

sábado, 17 de dezembro de 2016

China promete devolver drone submarino capturado dos EUA

A República Popular da China prometeu hoje devolver um drone de pesquisa submarina dos Estados Unidos capturado durante a semana no Mar do Sul da China, onde o regime comunista chinês tem conflitos territoriais com Brunei, Filipinas, Malásia, Taiwan e Vietnã, anunciou hoje Peter Cook, o porta-voz do Departamento da Defesa dos EUA.

Nas palavras do assessor de imprensa do Pentágono, os EUA "garantiram um entendimento" para a restituição do equipamento. Os chineses capturaram para examinar se é um instrumento de espionagem e para absorver a tecnologia.

Foi também uma resposta da China ao telefonema do presidente eleito, Donald Trump, à presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, a ilha para onde os nacionalistas fugiram em 1949, por causa da vitória da revolução comunista liderada por Mao Tsé-tung. O regime comunista chinês considera Taiwan uma província rebelde e pretende reanexá-la.

Desde o reatamento de relações com a China comunista, em 1979, nenhum presidente dos EUA havia entrado em contato direto com um presidente taiwanês, aceitando a política oficial de Beijim de que só existe uma China, representada pelo regime comunista no poder desde 1949.

A China reivindica a soberania sobre 90% do Mar do Sul da China com base num mapa antigo com a linha dos nove traços, rejeitado por tribunais internacionais, enquanto os EUA tentam manter os direitos internacionais de navegação numa das rotas mais movimentadas do comércio mundial.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Conversa de Trump com Taiwan foi planejada durante meses

Quando o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, falou por telefone com a presidente da Taiwan, Tsai Ing-wen, alegou que havia apenas atendido a uma chamada para cumprimentá-lo pela vitória. Na realidade, foi uma provocação intencional para mostrar dureza no relacionamente com o a China, revelou hoje o jornal The Washington Post.

Os presidentes dos dois países não se falavam desde 1979, quando os EUA romperam com Taiwan, uma exigência da República Popular da China para o estabelecimento de relações bilaterais. Washington aceitou assim a política chinesa de que só existe uma China, representada pelo regime comunista de Beijim.

No domingo, Trump voltou ao ataque, acusando a China de manipular o câmbio e de intimidar os países vizinhos com sua reivindicação territorial sobre 90% do Mar do Sul da China.

O telefonema histórico foi consequência de meses de preparação. A equipe de Trump buscava uma nova estratégia para o relacionamento com Taiwan antes mesmo do magnata imobiliário garantir a candidatura do Partido Republicano à Casa Branca.

A jogada reflete também a visão de assessores linha-dura que defendem atitudes mais firmes contra o que consideram abusos de poder da superpotência em ascensão. No seu estilo negocial da fazer política, Trump ataca e tenta desestabilizar a outra parte para depois fazer um jogo de sedução e apresentar suas propostas.

Alguns membros da equipe de transição de Trump são a favor de posições mais duras em relação à China e mais amigável com Taiwan, inclusive o futuro ministro-chefe da Casa Civil, Reince Priebus. Em artigo para a revista Foreign Affairs intitulado Visão de Donald Trump de Paz através da Força na Ásia e no Pacífico, dois assessores do presidente eleito, Peter Navarro e Alexander Gray, descrevem Taiwan como um "farol da democracia" na Ásia.

A ilha que a China considera uma província rebelde é apresentada como "o aliado dos EUA mais vulnerável militarmente no mundo inteiro".

Logo depois da vitória de Trump, seus assessores fizeram uma lista de líderes mundiais com quem ele falaria ao telefone. "Taiwan sempre esteve no topo da lista", declarou Stephen Yates, assessor do governo George W. Bush (2001-9).

Diante das tentativas da equipe de Trump, inclusive do vice-presidente Mike Pence, de dizer que a ligação partiu de Taipé, Alex Huang, porta-voz da presidente Tsai, declarou à agência Reuters que "é claro que os dois lados chegaram a um acordo antes do contato telefônico."

Com a provocação, Trump quis deixar claro aos chineses que nada será como antes. Os chineses reagiram com cautela, seguindo um antigo provérbio que diz: "Como resistir a um milhão de mudanças? Continuando a ser quem você é."

sábado, 3 de dezembro de 2016

China protesta contra conversa de Trump com presidente de Taiwan

A República Popular da China protestou formalmente hoje contra a conversa telefônica entre o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, e a presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen. Foi o primeiro contato oficial de chefes de Estado desde que os EUA romperam com a ilha que a China considera uma província rebelde, em 1979.

O ministro do Exterior chinês, Wang Yi, condenou Taiwan por fazer a ligação, que chamou de manobra "mesquinha" sem acusar diretamente a equipe de transição de Trump. Ele reafirmou que o princípio de que só existe uma China é a base das relações entre os dois países.

Por força deste princípio, a China não mantém relações diplomáticas com países que reconhecem Taiwan. Os EUA não reconhecem Taiwan, mas mantém o compromisso de garantir sua segurança, aceitam a política de uma única China, só rejeitam o uso da força para reunificar o país.

Ao comentar o telefonema, um porta-voz do presidente eleito declarou que Trump e Tsai "discutiram os laços econômicos, políticos e de segurança entre os EUA e Taiwan".

A reação do regime comunista chinês foi cautelosa. O telefonema foi uma amostra de como será o relacionamento EUA-China. Nos seus comícios de agradecimento pela vitória, nesta semana, Trump voltou a citar o enorme déficit comercial dos EUA. A maior parte é com a China.

No Twitter, seu meio de comunicação favorito, Trump ironizou as críticas: "Interessante que os EUA vendam de bilhões de dólares em equipamentos militares a Taiwan e eu não deva aceitar um telefonema de congratulação."

O presidente eleito adotou estratégias do mundo de negócios para vencer a eleição presidencial americana. Intimida e assusta para depois apresentar sua proposta. A China é seu maior desafio. O relacionamento começa tempestuoso.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Trump fala com presidente de Taiwan em desafio à China

Numa medida sem precedentes desde que os Estados Unidos restabeleceram relações diplomáticas com a República Popular da China, em 1979, o presidente eleito, Donald Trump, falou por telefone com a presidente Tsai Ing-wen, de Taiwan, que a China considera uma província rebelde e ameaça invadir se declarar independência, noticiou o jornal britânico Financial Times.

Os EUA romperam relações diplomáticas com Taiwan em 1979, como precondição para o reatamento com a China, reconhecendo que só existe uma China e que o governo comunista de Beijim é seu único representante legítimo. Mas mantêm o compromisso histórico de defender a ilha para onde os nacionalistas do Kuomintang fugiram quando a revolução liderada por Mao Tsé-tung tomou o poder no continente, em 1º de outubro de 1949.

Desde o rompimento, nenhum presidente dos EUA havia mantido contato oficial direto com um presidente taiwanês. A China ainda não reagiu oficialmente.

De acordo com um porta-voz da equipe de transição do presidente eleito, Trump e Tsai "discutiram os laços econômicos, políticos e segurança estreitos" entre os dois países.

O partido da presidente taiwanesa é a favor da independência, o que pode gerar retaliação de Beijim. Desde sua eleição, o regime comunista cortou as comunicações porque a líder taiwanesa não proclamou oficialmente sua adesão ao princípio de que só existe uma China, pedra fundamental da política externa de Beijim.

"A ligação coloca em dúvida se Trump aceita ou não o princípio básico das relações EUA-China", comentou Evan Medeiros, ex-assessor do governo Barack Obama especialista em China, hoje na consultoria Eurasia Group. "É uma garantia de que as relações EUA-China sob Trump terão um início muito tumultuado."

Em 1979, quando do reatamento, a China era responsável por 2% do produto mundial bruto. Hoje, produz 16% da riqueza. É a segunda maior economia do mundo e uma superpotência em ascensão.

sábado, 25 de junho de 2016

China corta contato direto com Taiwan

O regime comunista da China rompeu a comunicação direta com o governo de Taiwan porque a nova presidente Tsai Ing-wen não se comprometeu oficialmente com o princípio imposto por Beijim de que só existe uma China.

Ao contrário de seu predecessor Ma Ying-jeou, do partido nacionalista Kuomintang (KMT), Tsai, do Partido Progressista Democrático (PPD), mais favorável à independência, não aceitou oficialmente a ideia de que a China e Taiwan são uma só nação.

Esse princípio foi estabelecido em 1992 numa tentativa de melhorar as relações através do Estreito de Taiwan. Tsai declarou que não pretende mudar o status quo, mas o regime comunista chinês está hostilizando e intimidando Taiwan, que considera uma província rebelde, em várias frentes.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Presidente de Taiwan pede à China que deixe "bagagem histórica"

Ao tomar posse hoje, a nova presidente da República da China em Taiwan, a ex-professora de direito e ex-negociadora comercial Tsai Ing-wen, pediu ao regime comunista chinês que "deixe de lado a bagagem histórica" para se concentrar no progresso das relações bilaterais.

Tsai, eleita em janeiro com pequena vantagem sobre o Kuomintang (KMG) não referendou o Consenso de 1992 afirmando que só existe uma China, como querem os autocratas da China continental.

Em Beijim, a repartição do governo chinês encarregada das relações com a ilha que o regime comunista considera uma província rebelde criticou a nova presidente taiwanesa por "não fazer nenhuma sugestão concreta para garantir o desenvolvimento estável dos laços através do estreito" de Taiwan.

O Partido Progressista Democrático (PPD) é favorável à independência de Taiwan. Não proclama isso publicamente para evitar uma intervenção militar de Beijim. Quando venceu sua primeira eleição presidencial, no ano 2000, a China ameaçou bombardear a ilha e os EUA enviaram navios de guerra ao Estreito de Taiwan. Com o desenvolvimento do poderio militar chinês, hoje isso seria inviável.

Em janeiro deste ano, o PPD elegeu 58 deputados, conquistando pela primeira vez a maioria no Parlamento, historicamente dominado pelo KMT, o partido de Chiang Kai-shek, que fugiu para a ilha com a vitória da revolução comunista liderada por Mao Tsé-tung em 1º de outubro de 1949.

O presidente anterior, Ma Ying-jeou, baseou as relações com a China na "política dos três nãos: não à independência, não há unificação e não à guerra".

Quando introduziu o conceito de "um país com dois sistemas" (capitalista e comunista) para negociar a devolução de Hong Kong pelo Reino Unido, em 1984, o então dirigente máximo chinês, Deng Xiaoping, pensou também em aplicar a fórmula à reintegração de Taiwan.

A vitoria de Tsai tem um significado especial. É a primeira de uma mulher na Ásia sem relações com um homem que tenha exercido o poder.

Ela pretende manter a atual situação nas relações com o continente. Deve concentrar sua energia no fortalecimento das relações com países democráticos como os Estados Unidos, o Japão, a Austrália e a Índia, capazes de contrabalançar o crescente poderio chinês.

Com seu extraordinário desenvolvimento econômico nas últimas décadas, cada vez mais traduzido em poderio militar, a China desafia cada vez mais a liderança dos EUA na Ásia, onde Beijim disputa águas territoriais com Brunei, Filipinas, Japão, Malásia, Taiwan e o Vietnã.

Nos últimos dias, aviões de caça chineses interceptaram um avião-espião dos EUA que sobrevoava recifes que a China está transformando em ilhas para fortalecer suas ambições territoriais. É um recado claro que os EUA não se envolverem nas disputas com os países vizinhos.