Ao tomar posse hoje, a nova presidente da República da China em Taiwan, a ex-professora de direito e ex-negociadora comercial Tsai Ing-wen, pediu ao regime comunista chinês que "deixe de lado a bagagem histórica" para se concentrar no progresso das relações bilaterais.
Tsai, eleita em janeiro com pequena vantagem sobre o Kuomintang (KMG) não referendou o Consenso de 1992 afirmando que só existe uma China, como querem os autocratas da China continental.
Em Beijim, a repartição do governo chinês encarregada das relações com a ilha que o regime comunista considera uma província rebelde criticou a nova presidente taiwanesa por "não fazer nenhuma sugestão concreta para garantir o desenvolvimento estável dos laços através do estreito" de Taiwan.
O Partido Progressista Democrático (PPD) é favorável à independência de Taiwan. Não proclama isso publicamente para evitar uma intervenção militar de Beijim. Quando venceu sua primeira eleição presidencial, no ano 2000, a China ameaçou bombardear a ilha e os EUA enviaram navios de guerra ao Estreito de Taiwan. Com o desenvolvimento do poderio militar chinês, hoje isso seria inviável.
Em janeiro deste ano, o PPD elegeu 58 deputados, conquistando pela primeira vez a maioria no Parlamento, historicamente dominado pelo KMT, o partido de Chiang Kai-shek, que fugiu para a ilha com a vitória da revolução comunista liderada por Mao Tsé-tung em 1º de outubro de 1949.
O presidente anterior, Ma Ying-jeou, baseou as relações com a China na "política dos três nãos: não à independência, não há unificação e não à guerra".
Quando introduziu o conceito de "um país com dois sistemas" (capitalista e comunista) para negociar a devolução de Hong Kong pelo Reino Unido, em 1984, o então dirigente máximo chinês, Deng Xiaoping, pensou também em aplicar a fórmula à reintegração de Taiwan.
A vitoria de Tsai tem um significado especial. É a primeira de uma mulher na Ásia sem relações com um homem que tenha exercido o poder.
Ela pretende manter a atual situação nas relações com o continente. Deve concentrar sua energia no fortalecimento das relações com países democráticos como os Estados Unidos, o Japão, a Austrália e a Índia, capazes de contrabalançar o crescente poderio chinês.
Com seu extraordinário desenvolvimento econômico nas últimas décadas, cada vez mais traduzido em poderio militar, a China desafia cada vez mais a liderança dos EUA na Ásia, onde Beijim disputa águas territoriais com Brunei, Filipinas, Japão, Malásia, Taiwan e o Vietnã.
Nos últimos dias, aviões de caça chineses interceptaram um avião-espião dos EUA que sobrevoava recifes que a China está transformando em ilhas para fortalecer suas ambições territoriais. É um recado claro que os EUA não se envolverem nas disputas com os países vizinhos.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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sexta-feira, 20 de maio de 2016
sábado, 16 de janeiro de 2016
Mulher a favor da independência é eleita presidente de Taiwan
A candidata da oposição, Tsai Ing-wen, foi eleita hoje presidente da República da China em Taiwan. Será a primeira mulher a governar a ilha que o regime comunista da autointitulada República Popular da China considera uma província renegada e ameaça invadir se proclamar a independência.
Com cerca de 60% dos votos, Tsai leva o Partido Progressista Democrático (PPD), favorável à independência, de volta ao poder depois de dois mandatos de quatro anos do atual presidente, Ma Ying-jeou, do Kuomintang (KMT), o partido nacionalista que fugiu para Taiwan depois da vitória da revolução comunista liderada por Mao Tsé-tung, em 1949.
Eric Chu, o candidato do KMT, que teve o apoio de 30% do eleitorado, reconheceu a derrota e cumprimentou Tsai. É um revés para as pretensões do regime comunista chinês para reunificar o país. A China continental não mantém relações com nenhum país que reconheça a independência de Taiwan.
Durante a campanha, Tsai, uma professora de direito de 59 anos, prometeu não provocar o regime comunista e cumprir todos os acordos existentes. O resultado das eleições parlamentares será conhecido hoje à noite. Há uma expectativa de que o KMT perca o controle do Poder Legislativo pela primeira vez desde 1949.
Antes da eleição de 1996, a primeira vencida pelo PPD, o governo de Beijim fez testes de mísseis para intimidar a pequena ilha, levando os Estados Unidos a enviar navios de guerra para o Estreito de Taiwan. Com o aumento do poderio militar chinês, hoje em dia isso seria impensável, mas os EUA têm o compromisso histórico de defender a ilha, o que pode criar problemas com Beijim.
Com cerca de 60% dos votos, Tsai leva o Partido Progressista Democrático (PPD), favorável à independência, de volta ao poder depois de dois mandatos de quatro anos do atual presidente, Ma Ying-jeou, do Kuomintang (KMT), o partido nacionalista que fugiu para Taiwan depois da vitória da revolução comunista liderada por Mao Tsé-tung, em 1949.
Eric Chu, o candidato do KMT, que teve o apoio de 30% do eleitorado, reconheceu a derrota e cumprimentou Tsai. É um revés para as pretensões do regime comunista chinês para reunificar o país. A China continental não mantém relações com nenhum país que reconheça a independência de Taiwan.
Durante a campanha, Tsai, uma professora de direito de 59 anos, prometeu não provocar o regime comunista e cumprir todos os acordos existentes. O resultado das eleições parlamentares será conhecido hoje à noite. Há uma expectativa de que o KMT perca o controle do Poder Legislativo pela primeira vez desde 1949.
Antes da eleição de 1996, a primeira vencida pelo PPD, o governo de Beijim fez testes de mísseis para intimidar a pequena ilha, levando os Estados Unidos a enviar navios de guerra para o Estreito de Taiwan. Com o aumento do poderio militar chinês, hoje em dia isso seria impensável, mas os EUA têm o compromisso histórico de defender a ilha, o que pode criar problemas com Beijim.
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