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sábado, 25 de junho de 2016

China corta contato direto com Taiwan

O regime comunista da China rompeu a comunicação direta com o governo de Taiwan porque a nova presidente Tsai Ing-wen não se comprometeu oficialmente com o princípio imposto por Beijim de que só existe uma China.

Ao contrário de seu predecessor Ma Ying-jeou, do partido nacionalista Kuomintang (KMT), Tsai, do Partido Progressista Democrático (PPD), mais favorável à independência, não aceitou oficialmente a ideia de que a China e Taiwan são uma só nação.

Esse princípio foi estabelecido em 1992 numa tentativa de melhorar as relações através do Estreito de Taiwan. Tsai declarou que não pretende mudar o status quo, mas o regime comunista chinês está hostilizando e intimidando Taiwan, que considera uma província rebelde, em várias frentes.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Presidente de Taiwan pede à China que deixe "bagagem histórica"

Ao tomar posse hoje, a nova presidente da República da China em Taiwan, a ex-professora de direito e ex-negociadora comercial Tsai Ing-wen, pediu ao regime comunista chinês que "deixe de lado a bagagem histórica" para se concentrar no progresso das relações bilaterais.

Tsai, eleita em janeiro com pequena vantagem sobre o Kuomintang (KMG) não referendou o Consenso de 1992 afirmando que só existe uma China, como querem os autocratas da China continental.

Em Beijim, a repartição do governo chinês encarregada das relações com a ilha que o regime comunista considera uma província rebelde criticou a nova presidente taiwanesa por "não fazer nenhuma sugestão concreta para garantir o desenvolvimento estável dos laços através do estreito" de Taiwan.

O Partido Progressista Democrático (PPD) é favorável à independência de Taiwan. Não proclama isso publicamente para evitar uma intervenção militar de Beijim. Quando venceu sua primeira eleição presidencial, no ano 2000, a China ameaçou bombardear a ilha e os EUA enviaram navios de guerra ao Estreito de Taiwan. Com o desenvolvimento do poderio militar chinês, hoje isso seria inviável.

Em janeiro deste ano, o PPD elegeu 58 deputados, conquistando pela primeira vez a maioria no Parlamento, historicamente dominado pelo KMT, o partido de Chiang Kai-shek, que fugiu para a ilha com a vitória da revolução comunista liderada por Mao Tsé-tung em 1º de outubro de 1949.

O presidente anterior, Ma Ying-jeou, baseou as relações com a China na "política dos três nãos: não à independência, não há unificação e não à guerra".

Quando introduziu o conceito de "um país com dois sistemas" (capitalista e comunista) para negociar a devolução de Hong Kong pelo Reino Unido, em 1984, o então dirigente máximo chinês, Deng Xiaoping, pensou também em aplicar a fórmula à reintegração de Taiwan.

A vitoria de Tsai tem um significado especial. É a primeira de uma mulher na Ásia sem relações com um homem que tenha exercido o poder.

Ela pretende manter a atual situação nas relações com o continente. Deve concentrar sua energia no fortalecimento das relações com países democráticos como os Estados Unidos, o Japão, a Austrália e a Índia, capazes de contrabalançar o crescente poderio chinês.

Com seu extraordinário desenvolvimento econômico nas últimas décadas, cada vez mais traduzido em poderio militar, a China desafia cada vez mais a liderança dos EUA na Ásia, onde Beijim disputa águas territoriais com Brunei, Filipinas, Japão, Malásia, Taiwan e o Vietnã.

Nos últimos dias, aviões de caça chineses interceptaram um avião-espião dos EUA que sobrevoava recifes que a China está transformando em ilhas para fortalecer suas ambições territoriais. É um recado claro que os EUA não se envolverem nas disputas com os países vizinhos.

sábado, 16 de janeiro de 2016

Mulher a favor da independência é eleita presidente de Taiwan

A candidata da oposição, Tsai Ing-wen, foi eleita hoje presidente da República da China em Taiwan. Será a primeira mulher a governar a ilha que o regime comunista da autointitulada República Popular da China considera uma província renegada e ameaça invadir se proclamar a independência.

Com cerca de 60% dos votos, Tsai leva o Partido Progressista Democrático (PPD), favorável à independência, de volta ao poder depois de dois mandatos de quatro anos do atual presidente, Ma Ying-jeou, do Kuomintang (KMT), o partido nacionalista que fugiu para Taiwan depois da vitória da revolução comunista liderada por Mao Tsé-tung, em 1949.

Eric Chu, o candidato do KMT, que teve o apoio de 30% do eleitorado, reconheceu a derrota e cumprimentou Tsai. É um revés para as pretensões do regime comunista chinês para reunificar o país. A China continental não mantém relações com nenhum país que reconheça a independência de Taiwan.

Durante a campanha, Tsai, uma professora de direito de 59 anos, prometeu não provocar o regime comunista e cumprir todos os acordos existentes. O resultado das eleições parlamentares será conhecido hoje à noite. Há uma expectativa de que o KMT perca o controle do Poder Legislativo pela primeira vez desde 1949.

Antes da eleição de 1996, a primeira vencida pelo PPD, o governo de Beijim fez testes de mísseis para intimidar a pequena ilha, levando os Estados Unidos a enviar navios de guerra para o Estreito de Taiwan. Com o aumento do poderio militar chinês, hoje em dia isso seria impensável, mas os EUA têm o compromisso histórico de defender a ilha, o que pode criar problemas com Beijim.

sábado, 7 de novembro de 2015

Líderes da China e Taiwan se encontram pela primeira vez

Num encontro histórico e inédito, o dirigente supremo da China, Xi Jinping, e o presidente de Taiwan, Ma Ying-jeou, se reuniram hoje em Cingapura. O regime comunista chinês considera Taiwan uma província rebelde desde que os nacionalistas derrotados na revolução de 1949 fugiram para lá.

Não houve acordos nem declaração conjunta, mas o significado simbólico é enorme. Os líderes do Partido Comunista da China e do Kuomintang não se encontravam desde que Mao Tsé-tung esteve com Chiang Kai-shek em agosto de 1949, antes da queda de Beijim, em 1º de outubro daquele ano.

A República Popular da China adota uma política externa de que só existe uma China. Não mantém relações com os países que ainda hoje reconhecem Taiwan como a República da China.

Xi declarou que não se deve permitir que os que pregam a independência de Taiwan dividam o país. Estava se referindo ao Partido Democrático Progressista, favorito para a eleição presidencial taiwanesa de 16 de janeiro de 2016. Taiwan pediu mais espaço em organizações internacionais.

Ma está no final do segundo mandato. Elegeu-se e reelegeu-se com a política dos três nãos: não à independência, para não provocar uma intervenção militar chinesa; não à unificação, que acabaria com a soberania e a relativa independência de Taiwan; e não à guerra, resultado inevitável de uma declaração de independência, que a ilha não tem como ganhar.

De volta o governo desde 2008, o KMT foi acusado de fortalecer os laços econômicos com a China continental. Deve perder as próximas eleições.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Líderes da China e de Taiwan se encontram sábado pela primeira vez

Pela primeira vez desde que os nacionalistas fugiram para Taiwan com a vitória da revolução comunista na China, em 1949, os líderes dos dois países vão se encontrar. O dirigente máximo do regime comunista chinês, Xi Jinping, e o presidente taiwanês, Ma Ying-Jeou, se reúnem no próximo sábado em Cingapura.

Eles vão discutir as relações bilaterais, mas não devem assinar nenhum acordo nem divulgar comunicados conjuntos, revelaram fontes não identificadas da Presidência de Taiwan. Mais detalhes serão anunciados amanhã em Taipé, a capital taiwanesa.

Horas depois, o regime comunista da China confirmou o encontro histórico, informou a televisão pública britânica BBC.

Como a China não reconhece a existência de Taiwan, que considera uma província rebelde, as duas nações pouco interagem a nível estatal. Quando a China entrou nas Nações Unidas, em 1971, Taiwan foi excluído. Para ter relações com a China, todo país precisa romper com a ilha. Os contatos são feitos de partido a partido ou através de organização supostamente não governamentais, mas não existem na China ONGs independentes do governo.

Em 2016, será realizada a sexta eleição presidencial direta em Taiwan. Mais uma vez, o Partido Democrático Progressista, favorável à independência da ilha, é franco favorito. Isso aconteceu na primeira eleição direta, em 1996, quando a China fez testes de mísseis para intimidar Taiwan e conter o ímpeto independentista.

Na época, os EUA enviaram dois grupos navais liderados por porta-aviões para o Estreito de Taiwan, humilhando a China. Desde então, o regime chinês ampliou significativamente seu poderio militar para impedir que isso se repita.

Com a primeira eleição de Ma, em 2008, as relações melhoraram. O atual presidente é do Kuomintang, o partido nacionalista derrotado pelos comunistas no fim da guerra civil chinesa. Sua plataforma eleitoral foi baseada na política dos três nãos: não à unificação, implicaria a anexação de Taiwan pela China; não à independência, que provocaria uma reação militar chinesa; e não à guerra que seria causada por uma declaração de independência.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

China e Taiwan fazem primeiro contato direto desde 1949

Representantes da República Popular da China e da República da China em Taiwan mantiveram hoje o primeiro contato direto desde a vitória da revolução comunista liderada por Mao Tsé-tung, em 1º de outubro de 1949, e da fuga dos nacionalistas chineses para a ilha que o governo de Beijim considera uma província rebelde e ameaça invadir se declarar independência.

O encontro, realizado em Nanquim, uma das capitais da China no passado, não deve mostrar resultado práticos imediatos. É mais um gesto simbólico do fim da rivalidade entre inimigos históricos.

"Antes do encontro de hoje, é difícil imaginar que as relações bilaterais chegassem a esse ponto", festejou o presidente do conselho de Taiwan para assuntos relativos à China continental, citado pelo jornal The New York Times.

A ditadura comunista chinesa impôs sua política de que "só existe uma China", negando legitimidade à pretensão de Taiwan sobre todo o território chinês. Para estabelecer relações com um país, exige o rompimento com Taiwan.

Essa situação mudou rapidamente, levando ao isolamento de Taiwan desde que os EUA apoiaram a troca do regime que ocupa a cadeira da China nas Nações Unidas, em 1971, e restabeleceram relações diplomáticas com Beijim, em 1978.

Com o extraordinário crescimento econômico chinês a partir de 1978, Taiwan se beneficiou, canalizando recursos para investimento no continente.

Em 1996, quando um candidato a presidente defendeu a independência da ilha, a China apontou mísseis para ameaçá-lo e os EUA mandaram navios de guerra para o Estreito de Taiwan. Desde então, a China desenvolveu suas Forças Armadas para neutralizar um atitude igual dos EUA no futuro.

O atual presidente taiwanês, Ma Ying-jeou, elegeu-se em 2008 e reelegeu-se em 2012 com a "política dos três nãos: não à guerra, não à independência e não à unificação". Conseguiu desarmar as tensões.

A China gostaria de repetir em Taiwan a fórmula que usou para reintegrar Hong Kong: um país com dois sistemas econômicos. Mas os taiwaneses não estão dispostos a abrir mão da liberdade.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Presidente pró-China é reeleito em Taiwan

O presidente Ma ying-jeou, do partido nacionalista chinês Kuomintang, foi reeleito hoje presidente de Taiwan, a ilha que o regime comunista da China considera uma província rebelde, vencendo Tsai Ing-wen, candidata do Partido Democrático Progressista, mais favorável à independência.

Taiwan é uma pequena ilha que fica a 100 quilômetros do Sudeste da China para onde fugiu o governo de Chiang Kai-shek, derrotado pela revolução comunista em 1º de outubro de 1949.

Até a visita do secretário de Estado americano à República Popular da China, em 1971, Taiwan ocupava o assento da China de membro permanente, com poder de veto, no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Agora, todo país que quiser manter relações com a China precisa romper com Taiwan.

Ma, de 61 anos, conquista o segundo mandato de quatro anos com 51,6% dos votos e uma política de aproximação com a China continental sem comprometer a autonomia de Taiwan, a política dos três nãos: não à independência, não à reunificação, não à guerra.

Em seu primeiro governo, as duas partes divorciadas da China assinaram um acordo de livre comércio e restabeleceram o turismo. Mais de 200 mil taiwaneses que trabalham no continente voaram para casa para votar, informa o jornal The New York Times.

Desde que os comunistas tomaram o poder em Beijim e o KMT fugiu para Taiwan, o partido governou a ilha, com uma interrupção de 2000-8, quando o PDP chefiou o governo, aumentando a tensão com o continente.

O regime comunista afirma que só existe uma China e ameaça invadir Taiwan, se a ilha declarar a independência. Os Estados Unidos têm um acordo militar para defender a ilha. Quando a China apontou mísseis para Taiwan, antes da eleição presidencial de 1996, o governo Bill Clinton mandou um grupo naval liderado por um porta-aviões para o Estreito de Taiwan, irritando Beijim.

Hoje a China tem uma Marinha de águas profundas, porta-aviões, mísseis antinavio e mísseis antissatélite capazes de se contrapor ao poderio naval dos EUA no Oceano Pacífico. Cerca de 1,5 mil mísseis estão apontados para a ilha rebelde.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

China e Taiwan iniciam negociação histórica

A China enviou hoje a Taiwan o primeiro negociador de alto nível em quase 60 anos de conflito iniciando uma negociação histórica.

O regime comunista chinês considera a ilha uma província rebelde e ameaça invadi-la, se Taiwan declarar a independência. Foi para lá que fugiu o governo nacionalista de Chiang Kai-shek e de seu partido, o Kuomintang (KMT), diante da vitória da revolução comunista liderada por Mao Tsé-tung, em 1º de outubro de 1949.

Desde então, os dois países são inimigos. Em 1971, quando o então assessor de Segurança Nacional, Henry Kissinger, iniciou a reaproximação entre os Estados Unidos e a China, o governo comunista chinês passou a ocupar a vaga da China no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Passou a excluir Taiwan de todas as organizações internacionais sob o argumento de que "só existe uma China".

Em 1996, quando um partido favorável à independência ganhou a eleição presidencial em Taiwan, a China chegou a disparar mísseis para intimidar a ilha. Os EUA deslocaram parte da Frota do Pacífico para o Estreito de Taiwan. Hoje, a China já tem uma força naval de águas profundas para enfrentar esses desafios.

Com a abertura econômica na China continental, a partir das reformas lançadas por Deng Xiaoping em 1978, as relações melhoraram. O regime de Beijim precisava de capital externo para promover a industrialização e a modernização do país. A diáspora chinesa, em Taiwan, Hong Kong, Cingapura, Macau, Malásia e Indonésia, era uma boa fonte.

A melhoria das relações foi uma das promessas de Ma Ying-jeou, o atual líder do KMT, eleito no início do ano para presidir Taiwan com uma plataforma eleitoral com três nãos: "Não à independência, não à guerra e não à unificação!"

Esse é o significado histórico das negociações iniciadas hoje quando o representante chinês Chen Yunlin e o negociador taiwanês Chiang Pin-kung apertaram as mãos no Grand Hotel, em Taipé.

Desde junho, há vôos turísticos diretos entre a ilha e o continente. Agora, a idéia é "intensificar a cooperação econômica para o benefício da população dos dois lados do estreito".

Os acordos podem ser assinados já nesta terça-feira. A missão chinesa fica em Taiwan até sexta-feira.

sábado, 22 de março de 2008

Oposição pró-China vence eleição em Taiwan

Com a promessa de melhorar as relações econômicas com a China, o partido nacionalista Kuomintang (KMT), que governou Taiwan durante a maior parte de sua história independente, venceu a eleição presidencial deste sábado, 22 de março de 2008, em Taiwan, antes conhecida como Formosa. A China considera a ilha uma província rebelde e ameaça invadi-la, se Taiwan declarar a independência.

O presidente eleito, Ma Yang-jeou, baseou sua campanha nos três nãos: não à independência, não à reunificação, não à guerra. Obteve 58% dos votos válidos, contra 42% para Frank Hsieh, do Partido Progressista Democrático (PPD), que governava Taiwan há oito anos.

As chances de Hsieh teriam aumentado nos últimos dias por causa da violenta repressão chinesa às manifestações pela liberdade do Tibete, que teriam provocado mais de cem mortes, um número não-confirmado por fontes independentes.

Se Hsieh ganhasse, o PPD pretendia pedir associação às Nações Unidas para tentar romper o isolamento internacional de Taiwan. Seria um gesto meramente simbólico. A proposta seria fatalmente rejeitada pelo regime comunista chinês, que insiste, tanto no caso de Taiwan como no do Tibete, que "só existe uma China".

Como membro permanente do Conselho de Segurança, a China é uma das cinco grandes potências com direito de veto na ONU.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Conflito no Tibete influencia eleição em Taiwan

O partido nacionalista Kuomintang, de oposição, a favor de relações amistosas com a China, tinha a eleição presidencial do sábado praticamente garantida em Taiwan. Mas a violenta repressão chinesa contra os protestos no Tibete reduziu a vantagem do candidato do KMT, Ma Ying-jeou.

Nos últimos dias, embora as pesquisas estejam proibida nesta reta final, o candidato do Partido Progressista Democrático, Frank Hsieh, encurtou diferença em relação a Ma. O PPD adverte que Taiwan pode ser o novo Tibete. Pretende pedir associação às Nações Unidas. Mas o veto chinês é certo.

A China considera Taiwan uma província rebelde e ameaça declarar guerra se o país, não reconhecido por nenhum que mantém relações com Beijim, declarar independência. Um pilares do regime comunista chinês é o mantra de que "só existe uma China".

Taiwan, antes conhecida pelo nome português, Formosa, foi onde o líder anticomunista Chiang Kai-shek se refugiou depois da vitória da revolução comunista chinesa, em 1º de outubro de 1949.