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segunda-feira, 27 de julho de 2026

Hoje na História do Mundo: 27 de Julho

PRESO ROBESPIERRE

    Em 1794, Maximiliano Robespierre, líder do Comitê de Salvação Pública durante o Período do Terror (1793-94) da Revolução Francesa de 1789, em que mais de 17 mil "inimigos da revolução" são mortos, é preso pela Convenção Nacional.

No dia seguinte, ele e 21 seguidores são guilhotinados. 

Quatro anos depois da revolução e meses depois do fim da monarquia, em setembro de 1792, e da execução de Luís XVI, em janeiro de 1793, é criado o comitê, onde Robespierre reina soberanamente e manda mais do que rei. 

Ao todo, entre 35 e 50 mil pessoas morrem durante a Revolução Francesa, guilhotinados por tribunais revolucionários, em massacres e assassinatos.

PRIMEIRO AVIÃO DE GUERRA

    Em 1909, o primeiro avião de guerra completa um dos últimos testes para ser vendido ao Exército dos Estados Unidos pelos irmãos Orville e Wilbur Wright.

Para os irmãos Wright, é um passo importante para tornar vendável o avião, que haviam criado seis anos antes. O primeiro avião dos irmãos Wright não decolava. Era catapultado no ar. O primeiro avião com capacidade de levantar voo por contra própria é o 14 Bis, inventado pelo brasileiro Alberto Santos Dumont em 1906.

STALIN MANDA MATAR QUEM RECUA

   Em 1942, o ditador Josef Stalin decreta a Ordem nº 227, conhecida como Nenhum Passo Atrás, proibindo os soldados da União Soviética de recuar na Segunda Guerra Mundial (1939-45) sob pena de serem condenados à morte por traição.

Cada frente de combate deveria ter um a três batalhões penais para julgar soldados por "problemas disciplinares": "Covardes e geradores de pânico devem ser liquidados no ato. Nenhum passo para trás sem autorização dos altos comandos. Comandantes que abandonam suas posições sem ordens são traidores da pátria."

JATO COMERCIAL REVOLUCIONA A AVIAÇÃO CIVIL

   Em 1949, o primeiro avião a jato comercial, o britânico De Havilland Comet, faz seu primeiro voo de teste na Inglaterra.

Os jatos revolucionam a aviação comercial, reduzem à metade os tempos de viagem e permitem voos mais altos.

Quando vê, em 1908, uma apresentação do avião de Wilbur Wright, um dos irmãos que fizeram o primeiro voo, em 1903, Sir Geoffrey de Havilland decide fazer sua própria aeronave. Constrói e pilota seu avião em 1910. Dez anos depois, cria uma empresa.

O primeiro avião a jato é lançado na Alemanha em 1939. Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), a Alemanha torna-se o primeiro país a usar caças a jato.

FIM DA GUERRA DA COREIA

   Em 1953, um armistício termina a Guerra da Coreia, restaurando a situação anterior ao início da guerra.

O conflito é resultado da ocupação e divisão da Península Coreana entre Estados Unidos e União Soviética no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

O Japão ocupa a Coreia desde 1910. Em 9 de agosto de 1945, dia da bomba atômica em Nagasáki, o ditador soviético Josef Stalin declara guerra ao Japão e ocupa o Norte da Península Coreana e as Ilhas Kurilas do Sul, que os japoneses chamam de Territórios do Norte. Os EUA tomam o Sul da Coreia.

A República Popular Democrática da Coreia (Norte), comunista, e a República da Coreia (Sul), capitalista, nascem em 1948. Ambas reivindicam até hoje a soberania sobre toda a Península Coreana.

A Guerra da Coreia começa em 25 de junho de 1950 quando o Norte, liderado pelo Grande Líder Kim Il Sung, invade o Sul. Os EUA reagem em defesa de sua aliada, a Coreia do Sul. Como a União Soviética está boicotando as Nações Unidas por causa da não admissão da República Popular da China (comunista), os EUA obtêm um mandato do Conselho de Segurança da ONU válido até hoje para reunificar a Península Coreana.

Em outubro de 1950, as forças da ONU sob o comando dos EUA invadem o Norte. O 4º Exército da China, sob o comando de Lin Piao, entra na guerra em 19 de outubro com 260 mil soldados para evitar o colapso das forças norte-coreanas e consegue empurrar as forças internacionais para o sul do paralelo 38º Norte, restaurando a situação pré-guerra. 

Há uma guerra entre os EUA e a China dentro da Guerra da Coreia. A China vence ao atingir seu objetivo político de impedir que os EUA unifiquem a Península Coreana e que uma força hostil se instale do outro lado da fronteira, empurrando os norte-americanos e aliados para o sul do paralelo 38º Norte. Os dois países nunca mais entraram em guerra.

Depois de anos de impasse e quase 3 milhões de mortes, mais do que na Guerra do Vietnã (1955-75), é acertado o cessar-fogo. Morrem na guerra 1 milhão de civis sul-coreanos e 600 mil civis norte-coreanos, 600 mil soldados chineses, 406 mil soldados norte-coreanos, 217 mil soldados sul-coreanos e 40 mil das forças da ONU, sendo 36 mil norte-americanos.

Até hoje, não há um tratado de paz definitivo e, desde 2006, a Coreia do Norte tem armas nucleares. Fez seis testes e teria hoje pelo menos 50 ogivas nucleares. O presidente Donald Trump (2017-21) se encontra três vezes com o ditador Kim Jong Un, neto do fundador do país, o Grande Líder Kim Il Sung, mas as negociações para desnuclearizar a Península Coreana não avançam.

Em troca do fim do programa nuclear norte-coreano, a Coreia do Norte e sua aliada China devem exigir a retirada das forças que os EUA mantêm até hoje na Coreia do Sul, agora com cerca de 28,5 mil soldados.

COMISSÃO RECOMENDA IMPEACHMENT DE NIXON

   Em 1974, a Comissão de Justiça da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos recomenda a abertura de impeachment contra o presidente Richard Nixon por causa do Escândalo de Watergate, a invasão da sede do Partido Democrata em Washington durante a campanha eleitoral de 1972, e a tentativa de obstruir as investigações.

Sem apoio dentro do Partido Republicano, Nixon renuncia em 9 de agosto.

Cinco homens são presos pela polícia em 17 de junho de 1972 por invadir a sede do diretório nacional do Partido Democrata, no Edifício Watergate, em Washington, onde copiam documentos e tentam instalar equipamentos de escuta. 

Ao cobrir o julgamento, o repórter Carl Bernstein, do jornal The Washington, nota a presença de advogados caríssimos na defesa. Ele e o colega Bob Woodward decidem investigar o caso e revelam o maior escândalo político da história dos EUA com a ajuda de uma fonte secreta chamada na época de Garganta Profunda. Era Mark Felt, subdiretor do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal norte-americana, que se identifica em 2005 para lançar um livro antes de morrer.

Os cinco pertencem à turma de encanadores da Casa Branca. A alta cúpula do governo dos EUA está envolvida, o chefe da Casa Civil, o ministro da Justiça, vários assessores presidenciais e até o presidente. O procurador especial Archibald Cox é nomeado para investigar o escândalo.

Sua demissão, no Massacre de Sábado à Noite, em 20 de outubro de 1973, é um marco na derrocada de Nixon. Um inquérito do Senado revela a existência de fitas gravadas com todas as conversas do presidente.

Por unanimidade, em 25 de julho de 1974, a Suprema Corte obriga o presidente a entregar todas as gravações. As fitas revelam que Nixon sabia de tudo desde o início e tentou encobrir o caso. 

Dois dias depois dias, a Comissão de Justiça da Câmara decide pela abertura de um julgamento político do presidente num processo de impeachment por obstrução de Justiça. Em 7 de agosto, os senadores Barry Goldwater e Hugh Scott vão à Casa Branca avisar ao presidente que a bancada republicana no Senado não vai mais apoiá-lo.

Nixon anuncia a renúncia em 8 de agosto de 1974. Todos os altos assessores do presidente envolvidos vão para a cadeia. Em 8 de setembro, o presidente Gerald Ford, que o sucede, dá a Nixon um indulto presidencial total e incondicional livrando-o de processo por quaisquer crimes que "tenha ou possa ter cometido ou tomado parte" como presidente. Defende a decisão como necessária para pacificar o país.

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domingo, 27 de julho de 2025

Hoje na História do Mundo: 27 de Julho

 PRESO ROBESPIERRE

    Em 1794, Maximiliano Robespierre, líder do Comitê de Salvação Pública durante o Período do Terror (1793-94) da Revolução Francesa de 1789, em que mais de 17 mil "inimigos da revolução" são mortos, é preso pela Convenção Nacional.

No dia seguinte, ele e 21 seguidores são guilhotinados. 

Quatro anos depois da revolução e meses depois do fim da monarquia, em setembro de 1792, e da execução de Luís XVI, em janeiro de 1793, é criado o comitê, onde Robespierre reina soberanamente e manda mais do que rei. 

Ao todo, entre 35 e 50 mil pessoas morrem durante a Revolução Francesa, guilhotinados por tribunais revolucionários, em massacres e assassinatos.

PRIMEIRO AVIÃO DE GUERRA

    Em 1909, o primeiro avião de guerra completa um dos últimos testes para ser vendido ao Exército dos Estados Unidos pelos irmãos Orville e Wilbur Wright.

Para os irmãos Wright, é um passo importante para tornar vendável o avião, que haviam criado seis anos antes. O primeiro avião dos irmãos Wright não decolava. Era catapultado no ar. O primeiro avião com capacidade de levantar voo por contra própria é o 14 Bis, inventado pelo brasileiro Alberto Santos Dumont em 1906.

STALIN MANDA MATAR QUEM RECUA

   Em 1942, o ditador Josef Stalin decreta a Ordem nº 227, conhecida como Nenhum Passo Atrás, proibindo os soldados da União Soviética de recuar na Segunda Guerra Mundial (1939-45) sob pena de serem condenados à morte por traição.

Cada frente de combate deveria ter um a três batalhões penais para julgar soldados por "problemas disciplinares": "Covardes e geradores de pânico devem ser liquidados no ato. Nenhum passo para trás sem autorização dos altos comandos. Comandantes que abandonam suas posições sem ordens são traidores da pátria."

JATO COMERCIAL REVOLUCIONA A AVIAÇÃO CIVIL

   Em 1949, o primeiro avião a jato comercial, o britânico De Havilland Comet, faz seu primeiro voo de teste na Inglaterra.

Os jatos revolucionam a aviação comercial, reduzem à metade os tempos de viagem e permitem voos mais altos.

Quando vê, em 1908, uma apresentação do avião de Wilbur Wright, um dos irmãos que fizeram o primeiro voo, em 1903, Sir Geoffrey de Havilland decide fazer sua própria aeronave. Constrói e pilota seu avião em 1910. Dez anos depois, cria uma empresa.

O primeiro avião a jato é lançado na Alemanha em 1939. Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), a Alemanha torna-se o primeiro país a usar caças a jato.

FIM DA GUERRA DA COREIA

   Em 1953, um armistício termina a Guerra da Coreia, restaurando a situação anterior ao início da guerra.

O conflito é resultado da ocupação e divisão da Península Coreana entre Estados Unidos e União Soviética no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

O Japão ocupa a Coreia desde 1910. Em 9 de agosto de 1945, dia da bomba atômica em Nagasaki, o ditador soviético Josef Stalin declara guerra ao Japão e ocupa o Norte da Península Coreana e as Ilhas Kurilas do Sul. Os EUA tomam o Sul da Coreia.

A República Popular Democrática da Coreia (Norte), comunista, e a República da Coreia (Sul), capitalista, nascem em 1948. Ambas reivindicam até hoje a soberania sobre toda a Península Coreana.

A Guerra da Coreia começa em 25 de junho de 1950 quando o Norte, liderado pelo Grande Líder Kim Il Sung, invade o Sul. Os EUA reagem em defesa de sua aliada, a Coreia do Sul. Como a União Soviética está boicotando as Nações Unidas por causa da não admissão da República Popular da China (comunista), os EUA obtêm um mandato do Conselho de Segurança da ONU válido até hoje para reunificar a Península Coreana.

Em outubro de 1950, as forças da ONU sob o comando dos EUA invadem o Norte. O 4º Exército da China, sob o comando de Lin Piao, entra na guerra em 19 de outubro com 260 mil soldados para evitar o colapso das forças norte-coreanas e consegue empurrar as forças internacionais para o sul do paralelo 38º Norte, restaurando a situação pré-guerra. 

Há uma guerra entre os EUA e a China dentro da Guerra da Coreia. A China vence ao atingir seu objetivo político de impedir que os EUA unifiquem a Península Coreana e que uma força hostil se instale do outro lado da fronteira, empurrando os norte-americanos e aliados para o sul do paralelo 38º Norte. Os dois países nunca mais entraram em guerra.

Depois de anos de impasse e quase 3 milhões de mortes, mais do que na Guerra do Vietnã (1955-75), é acertado o cessar-fogo. Morrem na guerra 1 milhão de civis sul-coreanos e 600 mil civis norte-coreanos, 600 mil soldados chineses, 406 mil soldados norte-coreanos, 217 mil soldados sul-coreanos e 40 mil das forças da ONU, sendo 36 mil norte-americanos.

Até hoje, não ha um tratado de paz definitivo e, desde 2006, a Coreia do Norte tem armas nucleares. Fez seis testes e teria hoje pelo menos 50 ogivas nucleares. O presidente Donald Trump (2017-21) se encontra três vezes com o ditador Kim Jong Un, neto do fundador do país, o Grande Líder Kim Il Sung, mas as negociações para desnuclearizar a Península Coreana não avançam.

Em troca do fim do programa nuclear norte-coreano, a Coreia do Norte e sua aliada China devem exigir a retirada das forças que os EUA mantêm até hoje na Coreia do Sul, agora com cerca de 28,5 mil soldados.

COMISSÃO RECOMENDA IMPEACHMENT DE NIXON

   Em 1974, a Comissão de Justiça da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos recomenda a abertura de impeachment contra o presidente Richard Nixon por causa do Escândalo de Watergate, a invasão da sede do Partido Democrata em Washington durante a campanha eleitoral de 1972 e a tentativa de obstruir as investigações.


Sem apoio dentro do Partido Republicano, Nixon renuncia em 9 de agosto.

Cinco homens são presos pela polícia em 17 de junho de 1972 por invadir a sede do diretório nacional do Partido Democrata, no Edifício Watergate, em Washington, onde copiam documentos e tentam instalar equipamentos de escuta. 

Ao cobrir o julgamento, o repórter Carl Bernstein, do jornal The Washington, nota a presença de advogados caríssimos na defesa. Ele e o colega Bob Woodward decidem investigar o caso e revelam o maior escândalo político da história dos EUA com a ajuda de uma fonte secreta chamada na época de Garganta Profunda. Era Mark Felt, subdiretor do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal norte-americana, que se identifica em 2005 para lançar um livro antes de morrer.

Os cinco pertencem à turma de encanadores da Casa Branca. A alta cúpula do governo dos EUA está envolvida, o chefe da Casa Civil, o ministro da Justiça, vários assessores presidenciais e até o presidente. O procurador especial Archibald Cox é nomeado para investigar o escândalo.

Sua demissão, no Massacre de Sábado à Noite, em 20 de outubro de 1973, é um marco na derrocada de Nixon. Um inquérito do Senado revela a existência de fitas gravadas com todas as conversas do presidente.

Por unanimidade, em 25 de julho de 1974, a Suprema Corte obriga o presidente a entregar todas as gravações. As fitas revelam que Nixon sabia de tudo desde o início e tentou encobrir o caso. 

Dois dias depois dias, a Comissão de Justiça da Câmara decide pela abertura de um julgamento político do presidente num processo de impeachment por obstrução de Justiça. Em 7 de agosto, os senadores Barry Goldwater e Hugh Scott vão à Casa Branca avisar ao presidente que a bancada republicana no Senado não vai mais apoiá-lo.

Nixon anuncia a renúncia em 8 de agosto de 1974. Todos os altos assessores do presidente envolvidos vão para a cadeia. Em 8 de setembro, o presidente Gerald Ford, que o sucede, dá a Nixon um indulto presidencial total e incondicional livrando-o de processo por quaisquer crimes que "tenha ou possa ter cometido ou tomado parte" como presidente. Defende a decisão como necessária para pacificar o país.

sábado, 27 de julho de 2024

Hoje na História do Mundo: 27 de Julho

 PRESO ROBESPIERRE

    Em 1794, Maximiliano Robespierre, líder do Comitê de Salvação Pública durante o Período do Terror (1793-94) da Revolução Francesa de 1789, em que mais de 17 mil "inimigos da revolução" são mortos, é preso pela Convenção Nacional.

No dia seguinte, ele e 21 seguidores são guilhotinados. 

Quatro anos depois da revolução e meses depois do fim da monarquia, em setembro de 1792, e da execução de Luís XVI, em janeiro de 1793, é criado o comitê, onde Robespierre reina soberanamente e manda mais do que rei. 

Ao todo, entre 35 e 50 mil pessoas morrem durante a Revolução Francesa, guilhotinados por tribunais revolucionários, em massacres e assassinatos.

PRIMEIRO AVIÃO DE GUERRA

    Em 1909, o primeiro avião de guerra completa um dos últimos testes para ser vendido ao Exército dos Estados Unidos pelos irmãos Orville e Wilbur Wright.

Para os irmãos Wright, é um passo importante para tornar vendável o avião, que haviam criado seis anos antes. O primeiro avião dos irmãos Wright não decolava. Era catapultado no ar. O primeiro avião com capacidade de levantar voo por contra própria é o 14 Bis, inventado pelo brasileiro Alberto Santos Dumont em 1906.

STALIN MANDA MATAR QUEM RECUA

   Em 1942, o ditador Josef Stalin decreta a Ordem nº 227, conhecida como Nenhum Passo Atrás, proibindo os soldados da União Soviética de recuar na Segunda Guerra Mundial (1939-45) sob pena de serem condenados à morte por traição.

Cada frente de combate deveria ter um a três batalhões penais para julgar soldados por "problemas disciplinares": "Covardes e geradores de pânico devem ser liquidados no ato. Nenhum passo para trás sem autorização dos altos comandos. Comandantes que abandonam suas posições sem ordens são traidores da pátria."

JATO COMERCIAL REVOLUCIONA A AVIAÇÃO CIVIL

   Em 1949, o primeiro avião a jato comercial, o britânico De Havilland Comet, faz seu primeiro voo de teste na Inglaterra.

Os jatos revolucionam a aviação comercial, reduzem à metade os tempos de viagem e permitem voos mais altos.

Quando vê, em 1908, uma apresentação do avião de Wilbur Wright, um dos irmãos que fizeram o primeiro voo, em 1903, Sir Geoffrey de Havilland decide fazer sua própria aeronave. Constrói e pilota seu avião em 1910. Dez anos depois, cria uma empresa.

O primeiro avião a jato é lançado na Alemanha em 1939. Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), a Alemanha torna-se o primeiro país a usar caças a jato.

FIM DA GUERRA DA COREIA

   Em 1953, um armistício termina a Guerra da Coreia, restaurando a situação anterior ao início da guerra.

O conflito é resultado da ocupação e divisão da Península Coreana entre Estados Unidos e União Soviética no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

O Japão ocupa a Coreia desde 1910. Em 9 de agosto de 1945, dia da bomba atômica em Nagasaki, o ditador soviético Josef Stalin declara guerra ao Japão e ocupa o Norte da Península Coreana. Os EUA tomam o Sul.

A República Popular Democrática da Coreia (Norte), comunista, e a República da Coreia (Sul), capitalista, nascem em 1948. Ambas reivindicam até hoje a soberania sobre toda a Península Coreana.

A Guerra da Coreia começa em 25 de junho de 1950 quando o Norte, liderado pelo Grande Líder Kim Il Sung, invade o Sul. Os EUA reagem em defesa de sua aliada, a Coreia do Sul. Como a Rússia está boicotando as Nações Unidas por causa da não admissão da República Popular da China (comunista), os EUA obtêm um mandato do Conselho de Segurança da ONU válido até hoje para reunificar a Península Coreana.

Em outubro de 1950, as forças da ONU sob o comando dos EUA invadem o Norte. O 4º Exército da China, sob o comando de Lin Piao, entra na guerra em 19 de outubro com 260 mil soldados para evitar o colapso das forças norte-coreanas.

Quando os EUA e aliados estão vencendo, a China entra na guerra ao lado da Coreia do Norte, em outubro de 1950, a consegue empurrar as forças internacionais para o sul do paralelo 38º Norte, restaurando a situação pré-guerra. 

Há uma guerra entre os EUA e a China dentro da Guerra da Coreia. A China vence ao atingir seu objetivo político de impedir que os EUA unifiquem a Península Coreana e uma força hostil se instale do outro lado da fronteira, empurrando os norte-americanos e aliados para o sul do paralelo 38º Norte. Os dois países nunca mais entraram em guerra.

Depois de anos de impasse e quase 3 milhões de mortes, mais do que na Guerra do Vietnã (1955-75), é acertado o cessar-fogo. Morrem na guerra 1 milhão de civis sul-coreanos e 600 mil civis norte-coreanos, 600 mil soldados chineses, 406 mil soldados norte-coreanos, 217 mil soldados sul-coreanos e 40 mil das forças da ONU, sendo 36 mil norte-americanos.

Até hoje, não ha um tratado de paz definitivo e, desde 2006, a Coreia do Norte tem armas nucleares. Fez seis testes e teria hoje pelo menos 50 ogivas nucleares. O presidente Donald Trump (2017-21) se encontra três vezes com o ditador Kim Jong Un, neto do fundador do país, o Grande Líder Kim Il Sung, mas as negociações para desnuclearizar a Península Coreana não avançam.

Em troca do fim do programa nuclear norte-coreano, a Coreia do Norte e sua aliada China devem exigir a retirada das forças que os EUA mantêm até hoje na Coreia do Sul, hoje com cerca de 28,5 mil soldados.

COMISSÃO RECOMENDA IMPEACHMENT DE NIXON

   Em 1974, a Comissão de Justiça da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos recomenda a abertura de impeachment contra o presidente Richard Nixon por causa do Escândalo de Watergate, a invasão da sede do Partido Democrata em Washington durante a campanha eleitoral de 1972 e a tentativa de obstruir as investigações.


Sem apoio dentro do Partido Republicano, Nixon renuncia em 9 de agosto.

Cinco homens são presos pela polícia em 17 de junho de 1972 por invadir a sede do diretório nacional do Partido Democrata, no Edifício Watergate, em Washington, onde copiam documentos e tentam instalar equipamentos de escuta. 

Ao cobrir o julgamento, o repórter Carl Bernstein, do jornal The Washington nota a presença de advogados caríssimos na defesa. Ele e o colega Bob Woodward decidem investigar o caso e revelam o maior escândalo político da história dos EUA com a ajuda de uma fonte secreta chamada na época de Garganta Profunda. Era Mark Felt, subdiretor do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal americana, que se identifica em 2005 para lançar um livro antes de morrer.

Os cinco pertencem à turma de encanadores da Casa Branca. A alta cúpula do governo dos EUA está envolvida, o chefe da Casa Civil, o ministro da Justiça, vários assessores presidenciais e até o presidente. O procurador especial Archibald Cox é nomeado para investigar o escândalo.

Sua demissão, no Massacre de Sábado à Noite, em 20 de outubro de 1973, é um marco na derrocada de Nixon. Um inquérito do Senado revela a existência de fitas gravadas com todas as conversas do presidente.

Por unanimidade, em 25 de julho de 1974, a Suprema Corte obriga o presidente a entregar todas as gravações. As fitas revelam que Nixon sabia de tudo desde o início e tentou encobrir o caso. 

Dois dias depois dias, a Comissão de Justiça da Câmara decide pela abertura de um julgamento político do presidente num processo de impeachment por obstrução de Justiça. Em 7 de agosto, os senadores Barry Goldwater e Hugh Scott vão à Casa Branca avisar ao presidente que a bancada republicana no Senado não vai mais apoiá-lo.

Nixon anuncia a renúncia em 8 de agosto de 1974. Todos os altos assessores do presidente envolvidos vão para a cadeia. Em 8 de setembro, o presidente Gerald Ford, que o sucede, dá a Nixon um indulto presidencial total e incondicional livrando-o de processo por quaisquer crimes que "tenha ou possa ter cometido ou tomado parte" como presidente. Defende a decisão como necessária para pacificar o país.

quinta-feira, 27 de julho de 2023

Hoje na História do Mundo: 27 de Julho

 PRESO ROBESPIERRE

    Em 1794, Maximiliano Robespierre, líder do Comitê de Salvação Pública durante o Período do Terror (1793-94) da Revolução Francesa de 1789, em que mais de 17 mil "inimigos da revolução" são mortos, é preso pela Convenção Nacional.


 
No dia seguinte, ele e 21 seguidores são guilhotinados. 

Quatro anos depois da revolução e meses depois do fim da monarquia, em setembro de 1792, e da execução de Luís XVI, em janeiro de 1793, é criado o comitê, onde Robespierre reina soberanamente e manda mais do que rei. 

Ao todo, entre 35 e 50 mil pessoas morrem durante a Revolução Francesa, guilhotinados por tribunais revolucionários, em massacres e assassinatos.

STALIN MANDA PARA A MORTE QUEM RECUA

   Em 1942, o ditador Josef Stalin decreta a Ordem nº 227, conhecida como Nenhum Passo Atrás, proibindo os soldados da União Soviética de recuar na Segunda Guerra Mundial (1939-45) sob pena de serem condenados à morte por traição.

Cada frente de combate deveria ter um a três batalhões penais para julgar soldados por "problemas disciplinares": "Covardes e geradores de pânico devem ser liquidados no ato. Nenhum passo para trás sem autorização dos altos comandos. Comandantes que abandonam suas posições sem ordens são traidores da pátria."

JATO COMERCIAL REVOLUCIONA A AVIAÇÃO CIVIL

   Em 1949, o primeiro avião a jato comercial, o britânico De Havilland Comet, faz seu primeiro voo de teste na Inglaterra.

Os jatos revolucionam a aviação comercial, reduzem à metade os tempos de viagem e permitem voos mais altos.

Quando vê, em 1908, uma apresentação do avião de Wilbur Wright, um dos irmãos que fizeram o primeiro voo, em 1903, Sir Geoffrey de Havilland decide fazer sua própria aeronave. Constrói e pilota seu avião em1910. Dez anos depois, cria uma empresa.

O primeiro avião a jato é lançado na Alemanha em 1939. Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), a Alemanha torna-se o primeiro país a usar caças a jato.

FIM DA GUERRA DA COREIA

   Em 1953, um armistício termina a Guerra da Coreia, restaurando a situação anterior ao início da guerra.

O conflito é resultado da ocupação e divisão da Península Coreana entre Estados Unidos e União Soviética no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

O Japão ocupa a Coreia desde 1910. Em 9 de agosto de 1945, dia da bomba atômica em Nagasaki, o ditador soviético Josef Stalin declara guerra ao Japão e ocupa o Norte da Península Coreana. Os EUA tomam o Sul.

A República Popular Democrática da Coreia (Norte), comunista, e a República da Coreia (Sul), capitalista, nascem em 1948. Ambas reivindicam a soberania sobre toda a Península Coreana.

A Guerra da Coreia começa em 25 de junho de 1950 quando o Norte , liderado por Kim Il Sung, invade o Sul. Os EUA reagem em defesa de sua aliada, a Coreia do Sul. Como a Rússia está boicotando as Nações Unidas por causa da não admissão da República Popular da China (comunista), os EUA obtêm um mandato do Conselho de Segurança da ONU válido até hoje para reunificar a Península Coreana.

Quando os EUA e aliados estão vencendo, a China entra na guerra ao lado da Coreia do Norte, em outubro de 1950, a consegue empurrar as forças internacionais para o sul do paralelo 38º Norte, restaurando a situação pré-guerra. Depois de anos de impasse e mais de 4 milhões de mortes, mais do que na Guerra do Vietnã (1955-75), é acertado o cessar-fogo.

Até hoje, não ha um tratado de paz definitivo e, desde 2006, a Coreia do Norte tem armas nucleares. O presidente Donald Trump (2017-21) se encontra três vezes com o ditador Kim Jong Un, neto do fundador do país, o Grande Líder Kim Il Sung, mas as negociações para desnuclearizar a Península Coreana não avançam.

Em troca do fim do programa nuclear norte-coreano, a Coreia do Norte e sua aliada China devem exigir a retirada das forças que os EUA mantêm até hoje na Coreia do Sul, hoje com cerca de 28,5 mil soldados.

COMISSÃO RECOMENDA IMPEACHMENT DE NIXON

   Em 1974, a Comissão de Justiça da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos recomenda a abertura de impeachment contra o presidente Richard Nixon por causa do Escândalo de Watergate, a invasão da sede do Partido Democrata em Washington durante a campanha eleitoral de 1972 e a tentativa de obstruir as investigações.


Sem apoio dentro do Partido Republicano, Nixon renuncia em 9 de agosto.

Cinco homens são presos pela polícia em 17 de junho de 1972 por invadir a sede do diretório nacional do Partido Democrata, no Edifício Watergate, em Washington, onde copiam documentos e tentam instalar equipamentos de escuta. 

Ao cobrir o julgamento, o repórter Carl Bernstein, do jornal The Washington nota a presença de advogados caríssimos na defesa. Ele e o colega Bob Woodward decidem investigar o caso e revelam o maior escândalo político da história dos EUA com a ajuda de uma fonte secreta chamada na época de Garganta Profunda. Era Mark Felt, subdiretor do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal americana, que se identifica em 2005 para lançar um livro antes de morrer.

Os cinco pertencem à turma de encanadores da Casa Branca. A alta cúpula do governo dos EUA está envolvida, o chefe da Casa Civil, o ministro da Justiça, vários assessores presidenciais e até o presidente. O procurador especial Archibald Cox é nomeado para investigar o escândalo.

Sua demissão, no Massacre de Sábado à Noite, em 20 de outubro de 1973, é um marco na derrocada de Nixon. Um inquérito do Senado revela a existência de fitas gravadas com todas as conversas do presidente.

Por unanimidade, em 25 de julho de 1974, a Suprema Corte obriga o presidente a entregar todas as gravações. As fitas revelam que Nixon sabia de tudo desde o início e tentou encobrir o caso. 

Dois dias depois dias, a Comissão de Justiça da Câmara decide pela abertura de um julgamento político do presidente num processo de impeachment por obstrução de Justiça. Em 7 de agosto, os senadores Barry Goldwater e Hugh Scott vão à Casa Branca avisar ao presidente que a bancada republicana no Senado não vai mais apoiá-lo.

Nixon anuncia a renúncia em 8 de agosto de 1974. Todos os altos assessores do presidente envolvidos vão para a cadeia. Em 8 de setembro, o presidente Gerald Ford, que o sucede, dá a Nixon um indulto presidencial total e incondicional livrando-o de processo por quaisquer crimes que "tenha ou possa ter cometido ou tomado parte" como presidente. 

terça-feira, 7 de fevereiro de 2023

Hoje na História do Mundo: 7 de Fevereiro

EMBARGO A CUBA

    Em 1962, o presidente John Kennedy decreta novas medidas de boicote à Revolução Cubana e impõe um embargo econômico total à ilha, que completa hoje 61 anos. O regime comunista cubano e aliados chamam de "bloqueio", mas não é um bloqueio naval como o que foi imposto durante a Crise dos Mísseis Nucleares Soviéticos em Cuba, em outubro do mesmo ano.

Logo após a vitória da revolução, em 1º de janeiro de 1959, o comandante Fidel Castro tenta uma aproximação e visita os Estados Unidos, mas em plena Guerra Fria é visto como esquerdista em Washington.

Quando o presidente Dwight Eisenhower proíbe as empresas norte-americanas de vender petróleo a Cuba, Fidel nacionaliza três refinarias sem compensação. Em 19 de outubro de 1960, Eisenhower proíbe exportações para Cuba, menos de alimentos e medicamentos. 

Três meses depois da posse de Kennedy, a fracassada tentativa de invasão da Baía dos Porcos afasta ainda mais os dois países. Cuba pede proteção à União Soviética.

Em 1962, Kennedy impõe um embargo total em fevereiro e ameaça invadir a ilha durante a Crise dos Mísseis Soviéticos em Cuba, em outubro.

Só em 1992, com a Lei da Democracia em Cuba, do deputado Robert Torricelli, o embargo é objeto de lei aprovada pelo Congresso. Assim, só pode ser revogado pelo Congresso. A Lei Helms-Burton, de 1996, apertou ainda mais o embargo e exige a realização de eleições democráticas para normalizar as relações entre os EUA e Cuba.

BEATLEMANIA

    Em 1964, o voo 101 da companhia aérea PanAm chega ao Aeroporto John Kennedy, em Nova York, vindo de Londres com The Beatles a bordo, no início da primeira excursão aos Estados Unidos da banda, recebida por 3 mil fãs enlouquecidos, no começo da Beatlemania.

Dois dias depois, os Beatles se apresentam no programa Ed Sullivan Show para uma audiência de 73 milhões de telespectadores na televisão dos EUA. Imediatamente, foram contratados para mais dois programas.

Os Beatles fizeram um show no Coliseum, em Washington, em 11 de fevereiro, e dois no Carnagie Hall, em Nova York, onde a polícia teve de isolar a área por causa da histeria das fãs, antes de voltar a Londres em 22 de fevereiro.

domingo, 13 de março de 2022

Hoje na História do Mundo: 13 de Março

CZAR ASSASSINADO

    Em 1881, um atentado a bomba cometido pelo grupo revolucionário Vontade Popular mata nas ruas de São Petersburgo Alexandre II, czar da Rússia desde 1855.

Alexandre II, um czar reformista, abole a servidão em 1861, mas rejeita qualquer mudança política e reprime com dureza os movimentos de oposição. No dia de sua morte, assina uma proclamação chamada de Constituição de Loris-Melikov, que criaria duas comissões legislativas com representantes eleitos indiretamente.

O sucessor, seu filho de 36 anos, Alexandre III rejeita a Constituição. Os assassinos são presos e enforcados. O grupo Vontade Popular é violentamente reprimido.

Alexandre Ulianov, irmão mais velho de Vladimir Ulianov, mais conhecido como Lenin, entra para a ala terrorista da Vontade Popular em 1886 e participa de uma conspiração para matar Alexandre III. 

A polícia desconfia que o czar será atacado quando for à igreja no aniversário da morte do pai. Em 1º de março de 1887, prende três membros do partido na Nevsky Prospekt, a principal avenida de São Petersburgo.

Ulianov, ideólogo e fabricante de bombas do grupo, é preso em seguida. No tribunal, ele faz um discurso político. Todos os conspiradores são condenados à morte. O czar só não perdoa cinco. Em 8 de maio de 1887, Alexandre Ulianov e quatro companheiros são enforcados.

O martírio do irmão é importante na decisão de Lenin de se tornar um revolucionário. Em 8 de novembro de 1917, ele toma o poder na Rússia com a vitória da Revolução Bolchevique.

sábado, 8 de janeiro de 2022

Hoje na História do Mundo: 8 de Janeiro

FIDEL ENTRA EM HAVANA

    Em 1959, uma semana depois da fuga do ditador Fulgencio Batista e da vitória da revolução, o comandante Fidel Castro chega a Havana consolidando o triunfo do Movimento 26 de Julho, data do assalto ao quartel de Moncada, em Santiago de Cuba, em 1953, no primeiro salvo da Revolução Cubana. 

sábado, 1 de janeiro de 2022

Hoje na História do Mundo: 1º de Janeiro

CALENDÁRIO JULIANO

    Em 45 antes de Cristo, pela primeira vez, o início do ano é festejado em 1º de janeiro, com a entrada em vigor do Calendário Juliano, imposto pelo general romano Caio Júlio César, que se torna um ditador.

César contrata Sossígenes, um astrônomo de Alexandria que o convence a abandonar o antigo calendário lunar romano, adotado no século 7 AC, e usar um calendário solar. Ele calcula que o ano tem 365 dias e um quarto.

INDEPENDÊNCIA DO HAITI

    Em 1803, dois meses depois da derrota as forças coloniais de Napoleão Bonaparte, Jean-Jacques Dessaline declara a independência de São Domingos e rebatiza o país com o antigo nome arauaque.

EMANCIPAÇÃO DOS ESCRAVOS

    Em 1863, durante a Guerra da Secessão (1861-65), o presidente Abraham Lincoln faz a Proclamação de Emancipação declarando como livres os escravos dos estados confederados do Sul, na expectativa de que eles iriam aderir em massa à União, deixando o Sul sem mão de obra.

REVOLUÇÃO EM CUBA

    Em 1959, os rebeldes liderados por Fidel Castro entram em Havana depois da fuga do ditador Fulgencio Batista, consolidando a vitória da Revolução Cubana. Fidel chega em 7 de janeiro.

Batista, ditador de 1933 a 1944, retoma o poder num golpe em 10 de março de 1952 e instaura uma ditadura corrupta e cruel, acusada por 20 mil mortes. 

Fidel ataca o Quartel de Moncada, em 26 de julho de 1953. Preso e condenado, afirma que "a história me absolverá". Solto em 15 de maio de 1955, Fidel e Raúl Castro fogem para o México temendo ser presos. 

Depois de comprar o velho iata Granma, Fidel parte de Veracruz, no México, para Cuba com 81 revolucionários em 25 de novembro de 1956. Eles se refugiam na Sierra Maestra, onde recebem o apoio de voluntários e formam um exército guerrilheiro de 200 homens.

Fidel divide o exército em três, com uma coluna comandada por ele, outra por Raúl e a terceira por Ernesto Che Guevara de la Serna, um médico argentino que os irmãos Castro conheceram no México.

A ditadura de Batista responde com prisões em massa, tortura e execuções sumárias.

NAFTA EM VIGOR

    Em 1994, entra em vigor o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA), entre Estados Unidos, Canadá e México.

sexta-feira, 1 de outubro de 2021

Hoje na História do Mundo: 1º de Outubro

PARQUE NACIONAL DE YOSEMITE

    Em 1890, o Congresso dos Estados Unidos cria o Parque Nacional de Yosemite, na Serra Nevada, na Califórnia, depois de uma campanha liderada pelo ecologista John Muir.

Os índios são os únicos habitantes do Vale de Yosemite até 1849, quando a Corrida do Ouro na Califórnia atrai garimpeiros, mineiros e colonos, o que causa danos ambientais na região.

Para acabar com a exploração econômica da área, em 1864, o presidente Abraham Lincoln declara que Yosemite e suas sequoias gigantes são um bem público. É a primeira vez que o governo dos EUA protege uma área para desfrute do público, lançando as bases para a criação do sistema de parques nacionais.

O Parque Nacional de Yellowstone, criado em 1872, é o primeiro do país.

LAWRENCE DA ARÁBIA TOMA DAMASCO

    Em 1918, um exército árabe-britânico articulado pelo coronel Thomas Edward Lawrence, o Lawrence da Arábia, toma Damasco do Império Otomano (turco) e conclui a libertação da Arábia durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Arabista formado na Universidade de Oxford, Lawrence trabalha como oficial de inteligência do Exército Real britânico no Egito a partir de 1914. Quando começa a Revolta Árabe (1916-18) contra o Império Otomano, aliado da Alemanha e do Império Austro-Húngaro na guerra, Lawrence convence seus superiores a apoiar a rebelião do emir de Meca, Hussein ibn Ali. É enviado oficial de ligação do Exército Real para unir as tribos árabes com o apoio da França e do Reino Unido.

Em julho de 1917, os árabes tomam o porto de Ácaba, perto da Península do Sinai, e se juntam aos britânicos para marchar rumo a Jerusalém. Lawrence é promovido a coronel. Preso numa ação de inteligência, é torturado e abusado sexualmente até conseguir escapar.

Forças australianas sob o comando do general Henry Chauvel atacam Damasco primeiro, mas seguem perseguindo os turcos em fuga quando as tropas de Lawrence chegam.

Lawrence é a favor da unidade da Arábia. Com as diversas facções árabes se dividiram, volta para a Inglaterra desiludido e rejeita medalhas do rei George V por entender que o Império Britânico fomentou a divisão dos árabes na velha política de dividir para reinar.

NAZISTAS SENTENCIADOS À MORTE

    Em 1946, 12 altos funcionários do regime nazista de Adolf Hitler pegam pena de morte por enforcamento no Tribunal de Crimes de Guerra de Nurembergue, na Alemanha, entre eles Hermann Göring, fundador da polícia política Gestapo (Geheim Staatpolizei) e comandante da Luftwaffe, a Força Aérea alemã; Joachin von Ribbentrop, ministro do Exterior; e Wilhelm Frick, ministro do Interior.

O Julgamento de Nurembergue, realizado por um tribunal internacional com representantes dos Esstados Unidos, da União Soviética, da França e do Reino Unido, dura 10 meses. 

Outros sete condenados recebem penas e 10 anos a prisão perpétua, inclusive Rudolf Hess, vice de Hitler de 1933 a 1941. Três réus são absolvidos.

Os criminosos de guerra nazista são enforcados em 16 de outubro. Göring se mata na véspera ingerindo veneno.

COMUNISMO NA CHINA

    Em 1949, sob a liderança de Mao Tsé-tung, o Partido Comunista toma o poder e funda a República Popular da China com a vitória sobre os nacionalistas do Kuomintang (KMT), liderados por Chiang Kai-shek, que fogem para Taiwan.

A China, o Império do Centro, terra de poetas, artistas e filósofos, era o centro do mundo na Ásia desde antes da Cristo. Criou a imprensa e a pólvora antes da Europa, mas não usou estas tecnologias para dominar o mundo. 

Ao contrário, a China se fechou e, como a Índia e o Japão, na participou da Revolução Comercial e ficou para trás com a Revolução Industrial. Humilhada pelo Império Britânico nas Guerras do Ópio (1839-42 e 1856-60), para abrir o país ao livre comércio, inclusive de ópio, e vencida pelo Japão na Primeira Guerra Sino-Japonesa (1894-95), o Império Chinês entra em declínio terminal e cai em 1912.

É uma era de anarquia, com as cidades costeiras dominadas pelo imperialismo ocidental e o interior dividido entre senhores da guerra. A China tem a menor renda por habitante do mundo: US$ 100 por ano. Neste contexto, Mao é um dos fundadores do Partido Comunista, em 1921.

Por ordem do ditador soviético Josef Stalin, o PC chinês faz aliança com os nacionalistas do KMT numa política de frente popular. Depois de massacres, os comunistas fogem durante um ano por 9 mil quilômetros na Longa Marcha (1934-35).

Com invasão da China continental pelo Japão, na Segunda Guerra Sino-Japonesa (1937-45), de certa forma a Segunda Guerra Mundial começa na Ásia antes da Europa. Depois de se tornar a grande força de resistência à invasão japonesa durante a guerra, o PC vence a guerra civil contra o KMT.

segunda-feira, 26 de julho de 2021

Hoje na História do Mundo: 26 de Julho

    Em 1943, nasce em Dartford, Kent, na Inglaterra, Michael Philip Jagger, mais conhecido como Mick Jagger, cantor e líder dos Rolling Stones.

    Em 1947, o presidente Harry Truman sanciona a Lei de Segurança Nacional dos Estados Unidos criando a Força Aérea, o Conselho de Segurança Nacional e a CIA (Agência Central de Inteligência).

No início da Guerra Fria, os EUA reforçam o aparelho de segurança nacional, com uma estrutura que seria copiada pela ditadura militar brasileira com o CSN e o SNI (Serviço Nacional de Informações).

    Em 1953, o jovem advogado Fidel Castro e outros 165 homens assaltam o Quartel de Moncada, em Santiago de Cuba, no primeiro salvo a Revolução Cubana. A maioria dos rebeldes morre.

Fidel é preso e condenado a 15 anos de prisão. Durante o julgamento, profere uma frase famosa: "A história me absolverá."

Anistiado em 1955, Fidel vai para o México, de onde volta no iate Granma com 83 homens e inicia, em 2 de dezembro de 1956, na Sierra Maestra, uma guerrilha contra a ditadura de Fulgencio Batista, vitoriosa em 1º de janeiro de 1959.

Em abril de 1961, exilados cubanos tentam a Invasão da Baía dos Porcos, com o apoio da CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA). O fracasso aproxima ainda mais Cuba da União Soviética, que tenta instalar mísseis nucleares na ilha.

A Crise dos Mísseis em Cuba, de 14 a 27 de outubro de 1962, foi o momento mais tenso da Guerra Fria. Nunca o mundo fica tão perto de uma guerra nuclear entre as duas superpotências. 

Os EUA estão prestes a invadir Cuba quando o líder soviético, Nikita Kruschev, aceita retirar os mísseis. Em troca, o presidente americano, John Kennedy, retira mísseis obsoletos da Turquia e faz um acordo tácito para não invadir a ilha, que deixa de servir de base para ataques aos EUA.

Com o fim da URSS, em 1991, Cuba passa anos de grave crise econômica até receber o apoio da Venezula de Hugo Chávez (1999-2013). Hoje, com o declínio do regime chavista sob Nicolás Maduro, enfrenta séria crise, com escassez de remédios e alimentos em plena pandemia, que secou o turismo, uma das principais fontes de moedas fortes em Cuba.

Fidel fica no poder até 31 de julho de 2006, quando sofre uma grave hemorragia intestinal e transfere o comando da revolução para seu irmão Raúl Castro, que por sua vez é sucedido por Miguel Díaz Canel, presidente desde 19 de abril de 2018 e líder do Partido Comunista desde 19 de abril deste ano.

quinta-feira, 1 de julho de 2021

PC centenário abraçou capitalismo para resgatar a grandeza da China

O Partido Comunista da China festejou cem anos hoje com três metas importantes cumpridas: restaurar a independência, a união e a preeminência do país nas relações internacionais depois de um século de submissão a potências estrangeiras e de décadas de tumulto desde a vitória, em 1949, da revolução liderada por Mao Tsé-tung. 

Com as reformas lançadas em 1978 pelo líder Deng Xiaoping e a adesão à economia de mercado, realizou o maior desenvolvimento econômico da história e marcha para se tornar a maior economia do mundo ainda nesta década.

Se Deng teve de enfrentar a velha guarda para aposentar o stalinismo econômico e adotar o capitalismo, que chamou de "economia de mercado socialista", o comunismo sobrevive como forma de governar. O partido tem hoje 92 milhões de filiados, mais do dobro da era de Mao, e o Congresso Nacional do Povo mais de 100 bilionários. 

Com seus longos braços, ou tentáculos, e as novas tecnologias de comunicação e de controle, o partido se confunde com o Estado e vigia a vida pública e privada de seus cidadãos nos mínimos detalhes. O PC é uma alavanca de ascensão social.

Na prática, o PC chinês criou uma ditadura militar fascista que reescreve sua própria história para apagar os momentos mais trágicos: a Grande Fome causada pelo fracasso do Grande Salto para a Frente (1958-60), a Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76), o Massacre na Praça da Paz Celestial e sua responsabilidade na pandemia do coronavírus de 2019. Até a data de fundação do partido mudou. Na realidade, foi em 23 de julho.

IMPÉRIO DO CENTRO

A China era o Império do Centro, a potência dominante na Ásia desde a unificação do país pelo imperador Chin (daí China) na fim da Guerra dos Sete Reinos, em 221 antes de Cristo. Com sua cultura superior, sua filosofia, suas artes, sua medicina, mesmo quando foi dominada pelo Império Mongol, de 1271 a 1368, absorveu e sinificou o invasor.

Esta introversão, o senso de superioridade e a autossuficiência, além do desprezo do filósofo Confúcio pelos comerciantes, que considerava a escória da sociedade, a Dinastia Ming recolheu a frota mercante chinesa quando o Ocidente iniciava sua expansão colonial marítima, no fim do século 15. 

O Império Chinês ficou fora da Revolução Comercial, origem do capitalismo. Descobriu a pólvora e inventou a imprensa, mas não desenvolveu estas tecnologias como fez a Europa para dominar o mundo.

No fim do século 18, a China e a Índia eram responsáveis por 25% da produção industrial do mundo. Perderam o trem da história quando os britânicos desenvolveram a tecnologia da máquina a vapor e mecanizaram a produção.

Com a Revolução Industrial, o Reino Unido se tornou a maior potência econômica do planeta. Depois da vitória nas guerras napoleônicas, o Império Britânico se volta a Ásia, onde já dominava a Índia. Aumentou a pressão sobre a China, que só tinha um porto aberto ao mundo, Cantão.

HUMILHAÇÃO HISTÓRICA

Nas Guerras do Ópio (1839-42 e 1856-60), Império Britânico impôs o livre comércio à China, inclusive de ópio, o que é visto pelo regime comunista como uma humilhação histórica totalmente inaceitável. 

Ao festejar hoje o centenário do partido, o ditador Xi Jinping negou qualquer pretensão imperialista e advertiu que a China não aceitará ameaças e intimidações e quem a enfrentar vai bater numa muralha de 1,4 bilhão de chineses. Foi o momento de maior aplauso dos 70 mil convidados para a cerimônia na Praça da Paz Celestial, em Beijim.

O declínio se acentuou com a derrota na Guerra Sino-Japonesa (1894-95), que acaba com a ordem sinocêntrica na Ásia. O Japão se abrira ao mundo depois que o almirante americano William Perry ameaçou bombardear o porto de Tóquio, em 1853, o que acabou com a era do xogunato em 1868. Para não ser dominado pelo imperialismo, o Japão se ocidentalizou e derrotou a China e a Rússia.

FIM DO IMPÉRIO

Em 1911, cai a Dinastia Qing, que era manchu. Nasce a República da China, sob a liderança de Sun Yat-sen, até hoje considerado o Pai da Pátria. Mas ele foi logo afastado do poder e o colapso do centro deixou a maior parte do país sob o controle de senhores da guerra.

Um dos mais influentes intelectuais chineses daquela época foi Liang Qichao, considerado o pai do jornalismo chinês moderno. Foi o primeiro a descrever a China como o "doente da Ásia" e a rejeitar a tradição confucionista para despertar o país de "um sonho de 4 mil anos".

Suas ideias influenciaram a pregação maoísta de acabar com as Quatro Velharias (velhas ideias, velha cultura, velhos hábitos e velhos) no auge do radicalismo da Revolução Cultural. Seus editorias e reflexões no exílio no Japão educaram toda uma geração de jovens patriotas sofrendo com o destino do país, inclusive Mao e Chen Duxiu, dois dos 13 fundadores do PC chinês.

A herança maldita de Liang foi o destrutivismo. Para criar "novos cidadãos" com uma "consciência nacional" para "salvar o país", é preciso "derrubar tudo e criar um novo mundo. Não pode haver construção sem destruir tudo."

MOVIMENTO 4 DE MAIO

Liang foi o padrinho intelectual do Movimento 4 de Maio, um mobilização política e cultural anti-imperialista. Em 4 de maio de 1919, os estudantes protestaram contra o Tratado de Paz de Versalhes, que permitiu ao Japão manter o controle sobre a província de Xandong, no Leste da China.

O PC é filho do 4 de Maio. Em 1939, Mao declarou: "O Movimento 4 de Maio marcou 20 anos atrás uma nota etapa na revolução democrático-burguesa na luta contra o imperialismo e o feudalismo na China. Com o crescimento e o desenvolvimento de novas forças sociais naquele período, um novo campo entra na revolução democrático-burguesa, a classe trabalhadora, as massas de estudantes e a nova burguesia nacional. Neste sentido, o Movimento 4 de Maio foi um passo à frente da Revolução de 1911", que derrubou o império.

Como uma sociedade agrária e atrasada, a China não tinha um operariado industrial como a Rússia em 1917. O debate sobre como implantar o comunismo na China esteve no centro de disputa de poder entre Leon Trotsky e Josef Stalin na União Soviética depois da morte de Vladimir Lenin, em 1924.

Trotsky era a favor de fazer logo a revolução. Stalin não via condições. Ao assumir o controle da URSS, levou o PC chinês a adotar política de frente popular em aliança com o Partido Nacionalista do Povo, o Kuomintang (KMT), liderado por Chiang Kai-shek. O resultado foi mais uma tragédia na história da China.

GUERRA CIVIL

No massacre de Xangai, em 12 de abril de 1927, mais de 5 mil soldados do Exército do KMT mataram entre 5 e 10 mil comunistas, enquanto outras unidades atacavam os senhores da guerra na Expedição do Norte. Era o início da guerra civil chinesa entre nacionalistas e comunistas que levou Mao ao poder em 1º de outubro de 1949.

Durante 370 dias, de 16 de outubro de 1934 a 22 de outubro de 1935, o Exército Vermelho da República Soviética da China (fundada por Mao em 1931), sob o comando de Mao e Chu Enlai, empreendeu a Longa Marcha, uma fuga de 9 mil quilômetros para leste e para o norte para não ser aniquilado pelo KMT.

Em 1937, o Império do Japão, que invadira a Manchúria em 1931, tomou o resto da China, na realidade, a parte litorânea, onde estão as grandes cidades como Xangai, Beijim e Nanquim. O invasor, um inimigo comum, uniu os chineses durante uma Segunda Guerra Mundial mais longa do que a da Europa.

A guerra de guerrilhas contra o Japão preparou o exército comunista. Em 31 de março de 1946, recomeça a guerra civil, depois do fracasso de negociações mediadas pelo general americano George Marshall. A URSS forneceu apoio limitado aos comunistas, enquanto os EUA deram grande ajuda de centenas de milhões de dólares em armas, munições, outros equipamentos militares e suprimentos.

No primeiro ano, os nacionalistas obtiveram algumas vitórias, mas seu governo era impopular e a força moral da tropa estava muito abaixo do fervor ideológico da revolução. Em novembro de 1948, Lin Piao tomou a Manchúria, onde os nacionalistas perderam meio milhão de soldados. Os comunistas também conquistaram Xandong.

VITÓRIA DA REVOLUÇÃO

Beijim caiu em janeiro de 1949. Xangai e Nanquim em abril. Em 1º de outubro, Mao proclama a fundação da República Popular da China, com a promessa de não submeter mais o país às humilhações do século anterior e de não aceitar status de inferioridade. A fuga de Chiang de Xunquim para Taiwan, em 7 de dezembro, consolidou a vitória da revolução. Mas o Camarada Stalin jogou duro.

Mao chegou a Moscou em 16 de dezembro de 1949. No mesmo dia, se encontrou por duas horas com Stalin, que não acreditava que os EUA iriam à guerra contra a Revolução Chinesa. Em 2 de janeiro, Mao avisou ao partido que Stalin estava disposto a convidar o primeiro-ministro e ministro do Exterior. Chu Enlai, para ir a Moscou e assinar um tratado de cooperação e defesa.

Chu levou 11 dias para ir de trem até Moscou. O Tratado de Amizade, Aliança e Assistência Mútua, favorável à URSS, foi assinado em 14 de fevereiro de 1950. Mao visitou o túmulo de Lenin, Leningrado, Gorki, fábricas de armas, o metrô de Moscou e uma fazenda coletiva.

GUERRA DA COREIA

A revolução seria testada com a Guerra da Coreia, iniciada quando a Coreia do Norte, comunista, invade o Sul em 25 de junho de 1950. Como a URSS estava boicotando o Conselho de Segurança das Nações Unidas por causa da exclusão da China, não vetou e os EUA aprovaram uma resolução autorizando uma força internacional a reunificar a Península Coreana.

Para evitar a presença de um aliado dos EUA junto à sua fronteira, em outubro de 1950, o 4º Exército da China, sob o comando de Lin Piao, cruzou o Rio Yalu e entrou na guerra. Houve uma guerra entre China e EUA dentro da Guerra da Coreia e a China ganhou, no sentindo de que conseguiu o objetivo político de empurrar as forças americanas para o sul do paralelo 38º N e restaurar a situação anterior à guerra. Nunca mais os dois países entraram em guerra, mas o risco aumenta com a ascensão da China e o declínio relativo dos EUA.

DESESTALINIZAÇÃO

Quando o novo secretário-geral Nikita Kruschev denunciou os crimes de Stalin no 20º Congresso do Partido Comunista Soviético, em fevereiro de 1956, houve uma liberalização dos regimes comunistas. Em maio, a China lançou a Campanha das 100 Flores, um movimento para dar mais liberdade a artistas e intelectuais e estimular a criatividade: "Deixe brotar 100 flores e centenas de escolas de pensamento competir."

A revolta de 23 de outubro de 1956 na Hungria e a invasão soviética em 4 de novembro acabaram com a breve liberalização dos regimes comunistas. Na China, durou até junho de 1957 e foi seguida de uma dura repressão aos críticos do partido.

A resposta de Mao, o Grande Timoneiro, foi o Grande Salto para a Frente (1958-60), uma tentativa desastrosa de coletivizar a agricultura e instalar usinas siderúrgicas em fazendas coletivas numa aliança operário-camponesa. O aço produzido era de péssima qualidade e a produção agrícola desabou, gerando a Grande Fome (1958-62), talvez o maior desastre do reinado de Mao, com um total estimado de 45 milhões mortes.

O momento mais crítico da Guerra Fria, a Crise dos Mísseis em Cuba, em outubro de 1962, quando o mundo esteve mais perto do que nunca de uma guerra nuclear, acabou consolidando a coexistência pacífica entre os EUA e a Rússia, fragilizando a posição da China que romperia com a URSS em 1964, quando um golpe derrubou Kruschev e levou Leonid Brejnev ao poder no Kremlin.

Em 1964, a China explodiu sua primeira bomba atômica, afirmando o status de grande potência.

REVOLUÇÃO CULTURAL

No mesmo ano, começa a intervenção militar dos EUA na Guerra do Vietnã, aumentando a percepção de isolamento e cerco do regime comunista chinês. A sensação de insegurança e o conflito político interno levaram Mao a lançar, em 16 de maio de 1966, a Revolução Cultural, um movimento violento de radicalização política e perseguição a inimigos que derrubou altos dirigentes do partido inclusive Deng e tentou marginalizar o primeiro-ministro Chu.

Milhões de chineses foram humilhados publicamente, presos, torturadores, expurgados, condenados a trabalhos forçados, tiveram propriedades confiscadas, executados e perseguidos até o suicídio. O total de mortos é estimado entre 500 mil e 2 milhões.

Tesouros e relíquias e prédios históricos e culturais foram destruídos por representar o passado imperial. Em total inversão de valores, o trânsito andava no sinal vermelho e parava no verde.

Um dos extremistas, o marechal Lin Piao, foi nomeado sucessor de Mao em abril de 1969, mas morreu num acidente suspeito quando fugia do país em setembro de 1971.

Em 1969, a tensão com a URSS levou a uma guerra de fronteiras de que os EUA se aproveitaram para aprofundar o fosso entre as potências comunistas.

REATAMENTO COM EUA

No mesmo ano, Mao convidou uma equipe de pingue-pongue para visitar a China, iniciando o degelo com os EUA. Em julho de 1971, o assessor de Segurança Nacional da Casa Branca visitou a China, preparando a viagem do presidente Richard Nixon, em fevereiro de 1972.

Antes disso, ainda em 1971, o regime comunista assumiu a vaga da China no Conselho de Segurança da ONU, até então ocupada por Taiwan. As relações com os EUA seriam restabelecidas em 1979.

Com a morte de Mao, em 9 de setembro de 1976, acaba a Revolução Cultural. A Gangue dos Quatro, inclusive a viúva do Grande Timoneiro, Jiang Qing, é presa. Se acordasse dez anos depois no mausoléu na Praça da Paz Celestinal, Mao não reconheceria o país, com lojas do McDonald's e do Kentucky Fried Chicken ao redor da praça e sua quarta mulher na cadeia.

O país e o partido estão destroçados. Reabilitado, Deng percebe que a única ideia capaz de unir o PC e o país é a modernização. Resgata o Programa das Quatro Modernizações (agricultura, indústria, defesa, e ciência e tecnologia), lançado por Chu em 1963 e abortado pela Revolução Cultural.

ERA DAS REFORMAS

Deng assume a liderança do partido. Em 13 de dezembro de 1978, lança o programa de reformas e abertura econômica com um discurso que defende uma democracia interna, dentro do partido, para permitir um debate que leve ao desenvolvimento sem abrir mão do monopólio de poder do partido.

Em 1984, quando negociou a devolução de Hong Kong à China, a primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, alimentou a esperança de que a liberalização da economia levasse a uma liberalização política do regime. Ledo engano. A Revolução Francesa de 1789 foi feita pela burguesia em ascensão em busca de poder político. A burguesia e a classe média chinesas não vão contestar o regime que as enriqueceu. Talvez façam isso quando houver uma crise econômica, o que inevitavelmente virá.

O grande desafio à liderança do partido na era das reformas veio do movimento pela liberdade e democracia na Praça da Paz Celestial, iniciado em 15 de abril de 1989, com a morte do ex-secretário-geral do PC reformista Hu Yaobang. Na véspera do enterro, em 21 de abril, 100 mil estudantes marcharam até a praça para exigir liberdade, democracia, transparência governamental, liberdade de imprensa e liberdade de manifestação.

Enquanto o secretário-geral reformista, Zhao Ziyang, defendia o diálogo, o primeiro-ministro linha-dura Li Peng decretou a lei marcial e convocou o Exército para acabar com o movimento, com o apoio decisivo do supremo líder, Deng Xiaoping, na época presidente da Comissão Militar Central.

MASSACRE NA PRAÇA

Numa reunião decisiva na cada de Deng, Zhao alegou que tinha "1,2 bilhão de chineses", a população do país, a seu lado". Deng respondeu: "Não tem, não, e eu tenho 320 milhões", o contingente do Exército Popular de Libertação. 

Na noite de 3 para 4 de junho de 1989, os militares massacraram os estudantes e outras pessoas que aderiram ao movimento. O total de mortes foi estimado entre 800 e 10 mil. Zhao caiu em desgraça e morreu em prisão domiciliar.

Uma visita de Deng à zona de processamento de exportações de Xenzen, em 1992, reafirmou o apoio às reformas econômicas. A abertura política foi descartada definitivamente, mas Deng criou uma direção colegiada sob o comando do Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central - os nove e depois sete imperadores  que mandam no país - e uma regra de que cada secretário-geral do partido e presidente governaria a China por dois mandatos de cinco anos. O atual ditador, Xi Jinping, aboliu esta regra de sucessão para se eternizar no poder.

Em Governando a China, o sinólogo americano Kenneth Lieberthal observa que há 2 mil anos os chineses criaram uma burocracia capaz de administrar seu vasto país, mas até hoje não conseguiram organizar um sistema político capaz de administrar a luta de suas elites pelo poder. A ditadura unipessoal de Xi reduz os pesos e contrapesos do sistema e gera o risco de conflitos no futuro, especialmente na sucessão.

A entrada na Organização Mundial do Comércio (OMC) acelerou ainda mais o crescimento chinês, a taxas acima de 10% ao ano até a crise mundial de 2008, tornando o país na maior potência industrial do planeta desde 2010, responsável hoje por 28,7% do total. Em 2009, a China se tornou a maior parceira comercial do Brasil. As importações chinesas foram um fator decisivo para o crescimento no governo Lula (2003-10).

EXERCENDO O PODER

Deng aconselhava os chineses a trabalhar duro, não mostrar sinais interiores de riqueza e não se envolver em conflitos internacionais. A China precisava acumular riqueza e poder. Xi, que chegou ao poder em 2012, concluiu que o país já tem essa massa crítica e precisa impor sua vontade, sem ceder a pressões internacionais.

O novo líder lançou um megaprograma de infraestrutura, a Iniciativa Um Cinturão Uma Estrada, a Nova Rota da Seda, com investimentos de US$ 11 trilhões em 138 países acusado de neocolonialismo por supostamente submeter países em desenvolvimento através da dívida.

No discurso dos 100 anos, Xi reafirmou a determinação de reunificação com Taiwan, à força se necessário. Ele é o líder chinês que acumulou mais poder desde Mao. A diferença é que hoje o país é muito mais poderoso, com muito mais recursos e um produto interno bruto anual estimado em US$ 16 trilhões.

O partido sempre encontrou um jeito de se legitimar. Na era de Mao, foi através do confronto ideológico. Com as reformas, com a promessa de riqueza e prosperidade crescentes. Na pandemia, apesar da imagem abalada, se apresenta como mais eficiente do que as potências ocidentais no combate ao coronavírus, depois de tentar esconder a notícia e negar a realidade no primeiro momento, como é próprio dos regimes autoritários.

Uma ditadura é um governo em guerra civil contra seu próprio povo. A repressão dura e rigorosa a qualquer dissidência revela uma insegurança do partido.

COMPETIÇÃO ESTRATÉGICA

A guerra comercial com os EUA, deflagrada pelo presidente Donald Trump, é muito mais do que aumentar tarifas protecionistas. É um conflito estratégico, econômico, político, ideológico, científico, tecnológico e militar pela supremacia mundial capaz de levar a uma nova guerra fria. Até agora, o governo Joe Biden não mudou significativamente as políticas de Trump em relação à China.

Os EUA e seus aliados acusam a China de violações dos direitos humanos ao manter 1 milhão de muçulmanos em centros de reeducação na província de Xinjiang, de sufocar a cultura lamaísta do Tibete e de acabar com a democracia em Hong Kong, submetida desde o ano passado a uma Lei de Segurança Nacional draconiana que na prática acaba com o compromisso de manter dois sistemas dentro do país.

No plano internacional, a China tem conflitos territoriais com vizinhos no Mar do Sul da China: Brunei, Filipinas, Indonésia, Malásia, Taiwan e Vietnã. O regime comunista reivindica 90% do mar. Aterra ilhas e atóis para construir bases militares a fim de garantir sua posição. Em 15 de junho do ano passado, o choque mais violento com a Índia em 45 anos terminou com a morte de 20 soldados indianos nas montanhas do Himalaia.

Esta agressividade levou os EUA a formar o quadrilátero com a Austrália, a Índia e o Japão, do qual se aproximou o Vietnã. O objetivo inequívoco é contrabalançar o poderio chinês e conter a China. Talvez seja tarde mais.

Estrategistas chineses alegam que a China aprendeu as lições com a Alemanha e a União Soviética. Não vai entrar em conflito com o Ocidente. Disseram isso numa Conferência do Forte de Copacabana.

Afinal, a China se tornou uma superpotência por força de seu poder econômico, enquanto os EUA e a URSS viraram superpotências com a vitória na Segunda Guerra Mundial.

ARMADILHA DE TUCÍDIDES

Acomodar a ascensão da China e o declínio relativo dos EUA é o grande desafio das relações internacionais nas próximas décadas. O professor Graham Allison desenvolve na Universidade de Harvard o Projeto Armadilha de Tucídides. Na História da Guerra do Peloponeso, o historiador grego Tucídides concluiu que Esparta foi à guerra que acabou com o período clássico da Grécia Antiga porque Atenas estava se tornando poderosa demais depois da vitória dos gregos contra o Império Persa.

A preocupação de Allison, autor de The Essence of Decision, um clássico de relações internacionais sobre a Crise dos Mísseis em Cuba, é com os riscos de transição hegemônica. Quando uma potência cresce e a outra declina, o risco de conflito é enorme. 

De 16 transições hegemônicas desde o século 15, só em quatro casos não houve guerra: quando a Espanha superou Portugal como maior potência naval, no fim do século 15; quando os EUA superaram o Reino Unido para se tornar a maior economia do mundo, no fim do século 19 e início do século 20; na Guerra Fria, quando houve conflitos em países periféricos com 100 milhões de mortes, mas não guerras diretas entre as superpotências; e na reunificação da Alemanha, em 1990.

O conflito não é inevitável. A interdependência econômica é enorme. A China depende de boas relações com o resto do mundo para manter a prosperidade. Mas o risco também é enorme e a guerra pode ser deflagrada por uma sério de equívocos trágicos, como na Primeira Guerra Mundial (1914-18), o conflito que forjou o século 20. A construção recente de 119 silos para mísseis nucleares estratégicos capazes de atingir o território americano inquieta os EUA. 

O desafio chinês é muito maior do que o da URSS, por causa do tamanho de sua população e do seu desenvolvimento econômico e tecnológico, que inevitavelmente vai se refletir em poderio militar.