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sexta-feira, 3 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 3 de Abril

STALIN VIRA SECRETÁRIO-GERAL

    Em 1922, antes da morte de Lenin, Josef Stalin se torna secretário-geral do Partido Comunista do que no fim do ano seria a União Soviética, sua base para assumir o controle da máquina burocrática, vencer a luta pela sucessão e se transformar num ditador brutal e cruel.

Josef Vissarianovich Dzugachvili nasce em Góri, na Geórgia, em 18 de dezembro de 1878, e entra para a política como ativista do Partido Operário Social-Democrata Russo. Ele edita o jornal Pravda e comete roubos e sequestros para arrecadar dinheiro para a facção bolchevique, liderada por Vladimir Ilich Ulianov (Lenin). É preso várias vezes e enviado para o exílio interno na Sibéria.

Com a vitória da Revolução Comunista, em 1917, Stalin entra para o Politburo, o birô político do Comitê Central. É o comissário das nacionalidades no fim de 1922, quando nasce a Uniào Soviética.

Depois da morte de Lenin, em 1924, há uma luta pelo poder em que Stalin derrota o grande líder da revolução ao lado de Lenin, Leon Trotsky. A partir de 1927, Stalin conquista poderes absolutos, coletiviza a agricultura matando 3,9 milhões de ucranianos, a persegue inimigos com expurgos, prisão, processos forjados, tortura e morte.

O Grande Expurgo dura quatro anos. Milhões de pessoas são presas, exiladas ou mortas. Durante 1937 e 1938, a polícia secreta stalinista NKVD prende 1.548.366 pessoas; destas, 681 692 são executadas, numa média de mil execuções por dia. 

Em comparação, a Rússia czarista executa 3.932 pessoas por crimes políticos de 1825 a 1910, numa média de menos de 1 execução por semana.

Stalin deixa a Secretaria-Geral do PC em 1952. De 1941 até a morte, em 5 de março de 1953, é primeiro-ministro da URSS.

Com a morte de Stalin, em 5 de março de 1953, Nikita Kruschev vence Georgy Malenkov na disputa pela liderança comunista, e afasta Laurenti Beria, o chefe da polícia política de Stalin, a NKVD.

Para consolidar o poder, Kruschev denuncia o culto da personalidade e os crimes do stalinismo no 20º Congresso do PCUS, em 25 de fevereiro de 1956, e anuncia um processo desestalinização.

MARCHA DA MORTE PUNIDA

    Em 1946, o general do Exército Imperial do Japão Homma Masaharu é executado por obrigar os prisioneiros a fazer a Marcha de Morte de Bataan, nas Filipinas, em abril de 1942, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Horas depois do ataques do Japão à 7ª Frota dos Estados Unidos, com base em Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941, os japoneses invadem as Filipinas, que eram uma colônia norte-americana.

A Marcha da Morte de Battan é considerada um dos piores crimes da Guerra do Pacífico. Os japoneses forçam 76 mil prisioneiros de guerra, 66 mil filipinos e 10 mil norte-americanos, a marchar 106 quilômetros sob tortura e maus-tratos.

 A marcha começa no fim da Batalha de Bataan, em 9 de abril em Mariveles, no extremo sul da Península de Bataan, quando um exército aliado de 75 mil filipinos e norte-americanos se rendem a 50 mil japoneses sob o comando do general Masaharu. 

Os prisioneiros vão em marcha forçada rumo ao norte para San Fernando, de onde vão em trens insalubres e superlotados até Capas, mais ao norte. De lá, caminharam mais 11km até Camp O'Donnell, um antigo centro de treinamento do Exército das Filipinas usado pelos japoneses como campo de prisioneiros.

Durante a marcha, que durou de 5 a 10 dias, dependendo de onde os prisioneiros entraram, os prisioneiros são espancados, baleados, atacados com baionetas e alguns degolados. Só 54 mil prisioneiros chegam ao campo. Pelo menos 2,5 mil filipinos e 500 norte-americanos morrem no caminho. Muitos que chegam ao destino, 26 mil filipinos e 1,5 mil norte-americanos, morrem de fome e doenças. 

TRUMAN SANCIONA PLANO MARSHALL

    Em 1948, o presidente Harry Truman sanciona a Lei de Assistência Econômica, um programa para reconstruir e estabilizar a Europa depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45) conhecido como Plano Marshall. 

O objetivo é fortalecer as economias capitalistas aliadas dos Estados Unidos e reduzir a atratividade dos partidos comunistas no início da Guerra Fria, a grande confrontação estratégica, política, militar, ideológica, econômica, científica, tecnológica e cultural com a União Soviética.

O secretário de Estado norte-americano, George Marshall, defende a ajuda dos EUA à Europa e pede aos países europeus que façam um plano em discurso na Universidade de Harvard, em Cambridge, no estado de Massachusetts, em 5 de junho de 1947.

A França e o Reino Unido convidam os países do continente para uma reunião em Paris. A URSS boicota o encontro e pressiona a Hungria, a Tcheco-Eslováquia e a Polônia a fazer o mesmo.

O Congresso dos EUA aprova a proposta do Comitê de Cooperação Econômica da Europa em 2 de abril de 1948.

Durante quatro anos (1948-51), o Programa de Recuperação da Europa distribui US$ 13,4 bilhões (US$ 115 bilhões pela cotação de 2020) em ajuda direta e empréstimos a 18 países, inclusive Alemanha Ocidental, Áustria, Bélgica, Dinamarca, França, Grécia, Holanda, Irlanda, Islândia, Itália, Luxemburgo, Noruega, Portugal e Suécia. Seus produtos internos brutos subiram de 15% a 25%.

Em  resposta ao Plano Marshall, em 1949, a URSS cria o Conselho de Assistência Econômica Mútua (Comecon) com a Alemanha Oriental, a Bulgária, a Hungria, a Polônia, a Romênia e a Tcheco-Eslováquia.

ÚLTIMO DISCURSO DO DR. KING

    Em 1968, durante uma greve de trabalhadores do setor de limpeza pública da cidade de Memphis, no estado do Tennessee, o líder do movimento pacífico pelos direitos civis dos negros, reverendo Martin Luther King Jr., faz seu último discurso, Estive no Topo da Montanha, na sede da Igreja Mundial Deus em Cristo, com um apelo à união e à luta pacífica. Horas depois, é assassinado.

Filho de um pastor batista de classe média abastada, o Luther King nasce em 15 de janeiro de 1929 em Atlanta, na Geórgia. Ele organiza a primeira grande manifestação contra a segregação racial no Sul dos EUA: o Boicote aos Ônibus de Montgomery, no Alabama, depois da prisão de Rosa Parks por se negar a ceder seu lugar, em 1º de dezembro de 1955.

Sob influência do líder da independência da Índia, Mohandas Gandhi, o Mahatma, cujas ideias conheceu num seminário onde estudou teologia por três anos (1948-51), Luther King defende a luta não violenta e a desobediência civil como instrumentos contra o racismo institucionalizado. Apesar da reação violenta da maioria branca, o movimento persiste, mas enfrenta oposição dos Panteras Negras como Stokely Carmichael e Louis Farrakhan, a favor do uso da força.

Grande orador, King apela aos valores cristãos e à democracia como base de sua campanha. Em 28 de agosto de 1963, lidera a Marcha sobre Washington e faz o famoso discurso Eu Tenho um Sonho: "Eu tenho um sonho de que um dia meus filhos serão julgados pela nobreza do seu caráter e não pela cor da sua pele."

A Lei de Direitos Civis, aprovada em 1964, proíbe a discriminação racial no emprego e na educação, e acaba com a segregação em locais públicos. Em outubro de 1965, Luther King ganha o Prêmio Nobel da Paz.

No último discurso, ele vai do Egito e da Grécia Antiga, passa em revista lugares e momentos importantes da história dizendo que esteve lá mas não parou, que o mundo assistia a uma redenção ainda maior com o movimento pelos direitos civis. Há uma peça de teatro, O Topo da Montanha, de Katari Hall, sobre esta última noite.

PAPÉIS DO PANAMÁ

    Em 2016, mais de 11,5 milhões de documentos confidenciais do escritório de advocacia Mossack Fonseca, com sede no Panamá, originalmente vazados para um jornal da Alemanha, são divulgados depois de um ano de investigação pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos. Eles revelam como 214 mil empresas e 29 multimilionários e bilionários escondem sua riqueza para não pagar impostos.

São citados os chefes de Estado de cinco países (Arábia Saudita, Argentina, Emirados Árabes Unidos, Islândia e Ucrânia) e altos funcionários, parentes e assessores de líderes de Angola, Brasil, China, Coreia do Norte, França, Índia, Malásia, México, Paquistão, Reino Unido, Rússia e Síria.

Ter conta em paraísos fiscais não é um crime em si, mas deve ser declarado no país onde a empresa ou pessoa tem domicílio fiscal, mas as reportagens desmascaram empresas de fachada usadas para cometer crimes como fraude, evasão fiscal e tráfico de drogas,

Entre os políticos brasileiros, são citados o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, o ex-ministro Delfim Netto, ex-governador de Minas Gerais, Newton Cardoso, o ex-governador do Distrito Federal Paulo Octavio, o senador Edison Lobão, o ex-deputado federal João Lira e o ex-senador Sérgio Guerra. Da mídia, o apresentador Carlos Massa (Ratinho), o diretor da TV Globo Carlos Schroder, o jornalista José Roberto Guzzo, o diretor do Estado de São Paulo Ruy Mesquita Filho e Paula Marinho, da família dona do Grupo Globo.

Pelo menos 57 investigados na Operação Lava Jato tinham 100 empresas em paraísos fiscais.

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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 25 de Fevereiro

PAPA EXCOMUNGA ELIZABETH I

    Em 1570, o Papa Pio V excomunga a rainha Elizabeth I, da Inglaterra, e absolve seus súditos de qualquer juramento de lealdade que tenham feito a ela.

Elizabeth Tudor nasce em 7 de setembro de 1533 em Greenwich, na Inglaterra, filha de Henrique VIII e Ana Bolena, sua segunda esposa. Para casar pela segunda vez, o rei rompe com a Igreja Católica e faz a Reforma Protestante na Inglaterra, criando a Igreja Anglicana em 1534. Assim, Elizabeth é protestante.

Quando Ana Bolena é acusada de adultério e executada na Torre de Londres, o casamento é anulado e Elizabeth vira filha bastarda do rei, mas a sexta e última esposa de Henrique VIII, Catherine Parr, a acolhe de volta na corte.

Depois da morte de Henrique VIII, seu filho homem, Eduardo VI, reina por seis anos, e Maria I, que é católica, por cinco anos. Logo depois de ascender ao trono, Elizabeth I reinstaura o protestantismo na Inglaterra e reverte as medidas da meia-irmã para reimpor o catolicismo.

Em 1559, Elizabeth I baixa o Ato de Supremacia, que declara que a rainha é a chefe da Igreja da Inglaterra, e o Ato de Uniformidade, que estabelece as regras de liturgia da Igreja. Pastores e funcionários públicos são obrigados a jurar lealdade à rainha como chefe da Igreja.

Muitos nobres e aristocratas, e a maioria dos cidadãos comuns, mantêm lealdade à antiga fé, mas todos os cargos importantes no governo e na Igreja são ocupados por protestantes.

Como a Igreja Anglicana mantém os rituais da Igreja Católica, muitos protestantes, como por exemplo os calvinistas, consideram a Reforma na Inglaterra aquém do necessário e pressionam por mudanças mais profundas na hierarquia e nos tribunais religiosos.

Em 1569, o Exército de Elizabeth I esmaga uma revolta de nobres católicos no Norte da Inglaterra. Maria Stuart, rainha da Escócia, que desde 1568 está exilada na Inglaterra, mais presa do que convidada, é acusada de ligação com a revolta e executada.

A prisão e morte da rainha que católicos ingleses consideram a legítima herdeira do trono da Inglaterra aumenta a tensão religiosa e leva o papa a excomungar Elizabeth I. 

É uma era de conflitos religiosos na Europa pós-Reforma Protestante. Na Noite de São Bartolomeu, em 24 de agosto de 1572, os católicos franceses massacram os protestantes huguenotes. Só em Paris, são 3 mil mortos. Muitos protestantes franceses se refugiam na Inglaterra.

Os conflitos religiosos só terminam no continente em 1648, com o fim da Guerra dos Trinta Anos, e na Inglaterra em 1689, com a vitória da Revolução Gloriosa.

NASCIMENTO DE GEORGE HARRISON

    Em 1943, nasce em Liverpool, na Inglaterra, o guitarrista, cantor, compositor e produtor musical George Harrison, o solista de guitarra dos Beatles, a mais importante banda de rock and roll de todos os tempos.

O beatle quieto e discreto, como era conhecido, adere ao hinduísmo e amplia os horizontes musicais dos outros membros da banda ao introduzir instrumentos musicais indianos. A maioria das canções dos Beatles são composições de John Lennon e Paul McCartney, mas George é autor de grandes sucessos como TaxmanWhile My Guitar Gently WeepsHere Comes the Sun Something, a segunda música mais regravada dos Beatles, depois de Yesterday.

Depois da dissolução da banda, George lança um aclamado álbum triplo, All Things Must Pass, e organiza com o citarista indiano Ravi Shankar o Concerto para Bangladesh para arrecadar dinheiro para o povo miserável do novo país, o antigo Paquistão Oriental, no fim de uma guerra entre Índia e Paquistão.

Em 1988, ele funda o supergrupo Traveling Wilburys com Bob Dylan, Jeff Lynne, Roy Orbison e Tom Petty. Fumante, George morre aos 58 anos de câncer de pulmão em Los Angeles em 29 de novembro de 2001.

DENUNCIA DO STALINISMO

    Em 1956, no encerramento do 20º Congresso do Partido Comunista da União Soviética, o líder do partido, Nikita Kruschev, denuncia os crimes de Josef Stalin.

Numa sessão fechada do primeiro congresso do PC desde a morte do grande ditador soviético em 5 de março de 1953, cerca de 1.500 delegados ouvem o discurso O Culto da Personalidade e Suas Consequências.

Durante quatro horas, Kruschev acusa Stalin de "graves abusos de poder", de "prisões em massa e deportações de milhares e milhares de pessoas, de execuções sumárias sem investigação nem julgamento", o que gerou "insegurança, medo e desespero". 

"Em toda uma série de casos", afirma Kruschev, Stalin "mostrou sua intolerância, sua brutalidade, seu abuso de poder. (...) Com frequência, escolheu o caminho da repressão e da aniquilação física não apenas contra verdadeiros inimigos, mas também contra pessoas que não haviam cometido nenhum crime contra o partido ou contra o governo soviético." 

Pessoas inocentes foram forçadas a confessar crimes "por causa de métodos físicos de pressão, tortura, reduzindo-os à inconsciência, privando-os de julgamento, tirando-lhes a dignidade humana". 

Stalin "chamou pessoalmente o interrogador, deu-lhe instruções e disse-lhe quais métodos usar, métodos que eram simples – bater, bater e, mais uma vez, bater". 

Kruschev também ataca o desempenho "incompetente" de Stalin na guerra e a deportação "monstruosa" dos povos caucasianos. Stalin foi responsável pela ruína da agricultura e por promover seu próprio culto "nauseantemente falso" da personalidade. 

Stalin traiu as ideias e o legado de Lenin, proclama Kruschev. Sua condenação foi limitada. Enquanto 'trotskistas' e 'bukharinistas' oposicionistas a Stalin não mereciam "aniquilação física", eles eram "inimigos ideológicos e políticos". 

Em sua defesa, Kruschev alega que ele e outros colaboradores do Politburo de Stalin só estavam agindo agora porque "viam essas questões de forma diferente em momentos diferentes". Ele alega que eles não sabiam o que Stalin fez em seu nome e, quando descobriram, era tarde demais. 

Kruschev também diz que Stalin tinha planos de acabar com seus camaradas do Politburo, para "destruí-los de modo a esconder os atos vergonhosos sobre os quais agora estamos relatando". Supostamente, os líderes e antigos aliados de Stalin, Viacheslav Molotov, Georgy Malenkov, Lazar Kaganovich e Kliment Voroshilov, ficam extasiados. 

O conteúdo do "discurso secreto" logo se espalha. Os delegados da Europa Oriental são autorizados a ouvi-lo na noite seguinte. Até 5 de março, cópias são enviadas a toda a União Soviética. Uma tradução oficial aparece dentro de um mês na Polônia, onde 12 mil cópias são impressas, uma das quais chega ao Ocidente. 

 Ao denunciar Stalin, Kruschev não procura mudar a sociedade soviética fundamentalmente. Quer mais consolidar o poder, mas seu discurso tem efeitos amplos e de longo prazo. É um golpe arrasador para os regimes stalinistas em todos os lugares e um fator para desencadear uma revolta na Polônia e a Revolução Húngara de 1956. 

Décadas depois, Mikhail Gorbachev, o último líder da URSS, elogia Kruschev como "um homem moral, apesar de tudo".

CASSIUS CLAY CAMPEÃO MUNDIAL

    Em 1964, aos 22 anos, com excelentes esquivas e jogo de pernas, saltitante, Cassius Marcellus Clay vence o campeão Sonny Liston, muito mais forte fisicamente, por nocaute técnico no sétimo assalto e toma o título mundial de boxe da categoria peso-pesado. É o início de uma carreira brilhante em que se torna campeão mundial três vezes.

Liston ganha o título ao nocautear duas vezes o campeão mundial anterior, Floyd Patterson, no primeiro assalto. É o favorito nas casas de apostas a 8 por 1. 

Falastrão, Clay promete ganhar a luta por nocaute no oitavo assalto "flutuando como uma borboleta e ferrando como uma abelha". No fim do sétimo assalto, Liston se queixa de uma dor no ombro. Com uma luxação na clavícula, Liston não volta mais e Clay é proclamado campeão.

Meses depois, ele abandona o nome de batismo porque os negros norte-americanos tinham o sobrenome das famílias que escravizavam seus avós. Muçulmano, passa a se chamar Muhammad Ali.

Ele nasce em Louisville, no estado do Kentucky, em 1942. Começa no boxe aos 12 anos. Ao 18 anos, completa 100 vitórias no boxe amador. Em 1960, ganha uma medalha de ouro na Olimpíada de Roma. Quando tenta festejar o título tomando café no centro de sua cidade natal, não é atendido por ser negro.

Por rejeitar a convocação para a Guerra do Vietnã, Ali perde o título em 1967. Ele alega objeção de consciência: "Por que me pedem para botar um uniforme e ir a 10 mil milhas de casa jogar bombas em pessoas morenas no Vietnã quando as pessoas chamadas de negros no Kentucky são tratadas como cães e não têm os mínimos direitos humanos? Nenhum vietnamita me chamou de crioulo."

Ali volta ao boxe em 1970. No ano seguinte, a Suprema Corte anula a condenação por se negar a servir o Exército em plena guerra. Em 8 de março de 1971, no Madison Square Garden, em Nova York, ele perde por pontos a Luta do Século em 15 assaltos contra Joe Frazier, nocauteado por George Foreman em dois assaltos em 22 de janeiro de 1973, em Kingston, na Jamaica.

Isto abre caminho para outra luta do século, Ali x Foreman, em Kinshasa, no Zaire (hoje República Democrática do Congo), em 30 de outubro de 1974. Depois de resistir à saraivada de golpes do adversário, Ali conquista o título mundial de boxe peso-pesado pela segunda vez.

Em 1978, Leon Spinks o vence e conquista o título, mas Ali ganha a revanche e se torna o único peso-pesado a ganhar o título três vezes. Em 1984, é diagnosticado com mal de Parkinson por causa dos golpes recebidos na cabeça quando era boxeador. Ele acende a pira na Olimpíada de Atlanta, em 1996. Vive até 3 de junho de 2016.

QUEDA DE FERDINAND MARCOS

    Em 1986, sob pressão dos Estados Unidos, que durante décadas apoia sua ditadura, o ditador Ferdinand Marcos foge das Filipinas para o Havaí e a oposicionista Corazón Aquino, derrotada em eleição fraudulenta, assume a Presidência.

Ferdinand Emmanuel Edralín Marcos nasce em Sarrat, nas Filipinas, em 11 de setembro de 1917, filho de Mariano Marcos, um advogado e congressista de Ilocos Norte executado por guerrilheiros em 1945 por ter colaborado com o Japão durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45). Depois da guerra, as Filipinas se tornam independentes dos EUA.

Ferdinand estuda direito na Universidade das Filipinas. Em 1933, é acusado de matar um adversário político do pai. Condenado em novembro de 1939, é absolvido no ano seguinte pela Suprema Corte. É eleito deputado em 1949, para o Senado em 1959 e para a Presidência em 1965.

Em 1969, Marcos torna-se o primeiro presidente reeleito da história das Filipinas. Três anos depois, em 21 de setembro de 1972, invocando a ameaça comunista, decreta lei marcial e vira um ditador. Seu governo é marcado pela brutalidade, a corrupção e a extravagância.

Marcos vai de advogado e político a ditador e cleptocrata. Quando cai, descobre-se a coleção de 1.200 pares de sapato da primeira-dama, Imelda Marcos, que vira um símbolo da ostentação e da corrupção.

A lei marcial é ratificada num plebiscito fraudulento em 1973. Sob a censura, a violência e a repressão, dois grupos guerrilheiros lutam contra a ditadura de Ferdinand Marcos, um maoísta e outro muçulmano.

Depois de uma terceira reeleição em 1981, as Filipinas enfrentam uma crise econômica que atinge mercados emergentes com a Crise da Dívida da América Latina, em 1982. Com a economia em colapso, Marcos comete um erro fatal.

Ao voltar ao país, o líder da oposição, Benigno Aquino, é assassinado no aeroporto de Manila em 23 de agosto de 1983. A oposição ressurge com força nas eleições parlamentares de 1984 e a viúva de Benigno Aquino se apresenta como candidata para desafiar o ditador.

Diante da fraude, uma onda de protestos populares toma conta das ruas e derruba Marcos. Durante sua cleptocracia, a família rouba entre 5 a 10 bilhões de dólares do Banco Central das Filipinas. Seu filho, Ferdinand Marcos Jr., preside as Filipinas desde 30 de junho de 2022.

VITÓRIA DE VIOLETA CHAMORRO

    Em 1990, num resultado surpreendente, com 54% dos votos, a candidata da oposição, Violeta Chamorro, vence a eleição presidencial na Nicarágua, derrotando o presidente Daniel Ortega, da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), que derrubara a ditadura de Anastasio Somoza em 19 de julho de 1979.

Violeta Barrios de Chamorro é outra viúva que entra na política como herdeira do marido assassinado. Pedro Joaquín Chamorro era um jornalista de oposição, diretor do jornal La Prensa, visto como a melhor alternativa à dinastia de ditadores da família Somoza, que mandava na Nicarágua desde 1933. Seu assassinato, em 10 de janeiro de 1978, mata a última chance de uma transição negociada com a ditadura de Tachito Somoza.

Com o assassinato de Pedro Joaquín Chamorro, a luta armada ganha mais força e os EUA abandonam o ditador, que cai em julho de 1979. A FSLN se instala no poder com uma junta de nove comandantes, chamados de nueve fidelitos, entre eles dois Ortegas, que tinham perdido um irmão considerado herói da revolução. Daniel Ortega se torna presidente e Humberto Ortega, ministro da Defesa.

Daniel Ortega vence a eleição de 1984, que a oposição boicota sob pressão do governo Ronald Reagan nos Estados Unidos, que financia os rebeldes contrarrevolucionários e a campanha de Violeta Chamorro. Ela chega a fazer parte do governo revolucionário em 1979-80, mas se desilude com o esquerdismo da FSLN, assume a direção do jornal La Prensa e se torna a principal voz da oposição.

Sua vitória leva ao fim da guerra civil e ao desarmamento dos contras, como eram conhecidos os rebeldes. No poder, Violeta Chamorro adota uma política econômica neoliberal, desvaloriza a córdoba em 400%, privatiza empresas, fecha a companhia estatal de trens e corta benefícios sociais. O desemprego chega a 24%. Também abre mão de uma multa de US$ 17 bilhões que a Corte Internacional de Justiça impõe aos EUA por apoiar os contras e minar portos nicaraguenses.

Ortega volta ao poder em 2007, com o apoio do somozismo, do ex-presidente Arnoldo Alemán, preso por corrupção, para nunca mais sair. Nomeia juízes amigos para a Corte Suprema ignora as restrições à reeleição e impõe uma ditadura, ao lado da mulher e vice-presidente Rosario Murillo, que prende todos os candidatos da oposição na eleição de 2021, expulsa mais de 200 oposicionistas e persegue até a Igreja Católica, hoje a principal voz dissidente na Nicarágua. 

domingo, 14 de dezembro de 2025

José Antonio Kast é eleito presidente do Chile

O candidato de extrema direita José Antonio Kast, do Partido Republicano, foi eleito presidente do Chile hoje em segundo turno. Com 83% das urnas apuradas, ele soma 58% dos votos válidos contra 42% para a comunista Jeannette Jara, que reconheceu a derrota. Trinta e cinco anos após a queda da ditadura do general Augusto Pinochet (1973-90).

Ex-deputado e advogado, católico praticante, pai de 9 filhos, Kast conquista a Presidência aos 59 anos, na terceira tentativa. Sua campanha se concentrou na luta contra a criminalidade e a imigração ilegal, ligando uma à outra. Ele promete deportar 340 mil imigrantes ilegais, na maioria venezuelanos. É contra o casamento gay e contra o aborto mesmo em caso de estupro.

O Chile está longe de ser um dos países violentos da América Latina, mas o índice de homicídios mais do que dobrou na última década, de 2,3 para cada 100 mil habitantes em 2015 para 6,7 em 2022 e 6,3 em 2023. 

No Haiti, que vive em estado de anarquia, com gangues dominando 80% da capital, o índice sobe para 62. Depois, vem Equador (38,8), Venezuela (26,2), Colômbia (25,4), Honduras (25,3) e Brasil (21,2).

Jeannette Jara, de 51 anos, foi ministra do Trabalho do presidente Gabriel Boric, que entrega o poder em março. Na campanha, prometeu aumento do salário mínimo e a consolidação da previdência social. Quando os chilenos foram às ruas numa onda de protestos em 2019, as pensões miseráveis dos aposentados foram uma das causas. Foi o suficiente para vencer o primeiro turno, em 16 de novembro, por 27% a 24%. Mas sua derrota era prevista porque os candidatos de direita somaram 70% dos votos.

"A democracia se expressou alta e fortemente", Jara escreveu numa rede social ao reconhecer a derrota. Ela cumprimentou o presidente eleito e lhe desejou boa sorte.

Kast é admirador de Pinochet e diz que o ditador votaria nele, mas evitou falar no assunto durante esta campanha. Em 2021, uma reportagem revelou que o pai dele, nascido na Alemanha, foi membro do Partido Nazista, de Adolf Hitler.

Desde a primeira eleição do bilionário Sebastián Piñera, em 2009, a direita e a esquerda se alternam no poder no Chile. Então, a questão é se há uma nova onda de vitórias da direita e da extrema direita na América Latina – e a direita é favorito no ano que vem na Colômbia e no Peru – ou se é apenas uma rejeição ao governo do dia, seja ele qual for.

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segunda-feira, 20 de outubro de 2025

Hoje na História do Mundo: 20 de Outubro

  FIM DA LONGA MARCHA

    Em 1935, depois de 368 dias em fuga por 9 mil quilômetros para escapar dos nacionalistas do Kuomintang (KMT), 4 mil comunistas chineses sobreviventes liderados por Mao Tsé-tung chegam a Xansi, no Noroeste da China, pondo fim à Longa Marcha.

A China é um dos temas do debate entre Leon Trotsky e Josef Stalin na luta pelo poder dentro do Partido Comunista da União Soviética depois de morte de Vladimir Lenin, em 1924. Como a China não tem indústria nem operariado, Stalin, vencedor na disputa, manda o Partido Comunista chinês fazer uma política de frente popular em aliança com a burguesia, representada pelo KMT.

A guerra civil chinesa começa em 1927, quando Stalin consolida o poder em Moscou, o que leva os comunistas chineses a proclamar em 1931 a fundação da República Soviética da China, com base província Jiangxi, sob a liderança de Mao Tsé-tung.

O KMT lança então uma campanha implacável, com cinco cercos à área controlada pelos comunistas, e causa morte de fome de centenas de milhares de camponeses.

Aos comunistas, só resta a fuga. Eles rompem o cerco num ponto mais fraco e iniciam a Longa Marcha, que termina em 20 de outubro de 1935 diante da Grande Muralha.

Em 1937, o Japão, que já ocupava a Manchúra desde 1931, invade as principais cidades da China e assume o controle do país. Depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45), a guerra civil civil chinesa recomeça. 

Os comunistas, fortalecidos pela guerra de guerrilhas travada contra o Império do Japão, tomam o poder em 1º de outubro de 1949 e, sob a liderança de Mao, fundam a República Popular da China. Os nacionalistas do KMT fogem para Taiwan, que os comunistas ameaçam invadir.

COMUNISTAS EM HOLLYWOOD

    Em 1947, com a histeria anticomunista da Ameaça Vermelha no início da Guerra Fria, em sua caça às bruxas, a Comissão de Atividades Antiamericanas do Congresso dos Estados Unidos começa a investigar a infiltração comunista num dos lugares mais ricos e charmosos do mundo: a indústria cinematográfica de Hollywood.

Entre os suspeitos, estão o compositor Aaron Copland, os escritores Dashiell Hammett, Dorothy Parker e Lillian Hellman, o dramaturgo Arthur Miller, o diretor Orson Welles e o ator Charles Chaplin.

Do outro lado, entre os dedos-duros, o diretor Elia Kazan, os atores Gary Cooper e Robert Taylor, e os chefões Walt Disney e Jack Warner.

ABERTA ÓPERA DE SÍDNEI

    Em 1973, depois de 15 anos de construção, o teatro da Ópera de Sídnei, uma obra de US$ 80 milhões do arquiteto dinamarquês Jorn Utzon financiada com dinheiro de loteria que vira o símbolo da principal cidade da Austrália.

Com seu teto de conchas concêntricas, a Ópera de Sídnei tem vários auditórios e realiza cerca de 3 mil espetáculos por ano. A primeira apresentação é uma montagem de Guerra e Paz, do compositor russo Serguei Prokofiev, pela Ópera da Austrália. 

MASSACRE DE SÁBADO À NOITE

    Em 1973, o advogado-geral da União dos Estados Unidos, Robert Bork, demite o procurador-especial Archibald Cox, que investiga o Escândalo de Watergate. 

O procurador-geral Elliot Richardson, e o subprocurador-geral, William Ruckelshaus se negam a demitir Cox e pedem demissão em protesto.

O procurador especial investiga a invasão da sede do Partido Democrata no Edifício Watergate, em 17 junho de 1972, que vira um escândalo com reportagens de Bob Woodward e Carl Bernstein no jornal The Washington Post. Eles revelam que os supostos ladrões faziam parte do grupo de encanadores da Casa Branca e botariam equipamentos de escuta no diretório nacional do partido adversário.

O rastro do dinheiro os leva ao comitê da campanha de reeleição do presidente Richard Nixon (1969-74) e à Casa Branca. O Massacre de Sábado à Noite é um momento decisivo para a perda de credibilidade de Nixon, acusado de abuso de poder e obstrução de justiça num inquérito de um processo de impeachment.

Outro golpe decisivo é a decisão de Suprema Corte de entregar ao Congresso as fitas das gravações feitas pelo governo das reuniões no Salão Oval da Casa Branca.

Com a perda do apoio do Partido Republicano, Nixon renuncia em 9 de agosto e um mês depois recebe o perdão do novo presidente, Gerald Ford. Mas todos os ministros envolvidos vão para a cadeia.

KADAFI ASSASSINADO

   Em 2011, o coronel Muamar Kadafi, o ditador há mais tempo no poder na África e no mundo árabe, desde 1969, é capturado e morto por rebeldes perto de Sirte, sua cidade natal. 

Kadafi nasce em junho de 1942 numa família de beduínos. Faz a Academia Militar Real em Bengázi e um breve treinamento no Reino Unido. 

Em 1º de setembro de 1969, derruba o rei Idris, aliado do Ocidente, num golpe branco, proclama uma revolução, fecha bases militares norte-americanas e britânicas na Líbia, assume o controle do petróleo, a grande riqueza do país, prende, tortura e mata dissidentes políticos. Seu manifesto político é o Livro Verde.

O coronel financia grupos guerrilheiros e terroristas como o Exército Republicano Irlandês (IRA), que luta contra o domínio britânico sobre a Irlanda do Norte, e a Facção do Exército Vermelho, também conhecida como grupo Baaden-Meinhof, na Alemanha. Vira inimigo das potências ocidentais.

Depois de um atentado contra uma discoteca frequentada por soldados norte-americanos em Berlim Ocidental, em abril de 1986, o presidente Ronald Reagan ordena um bombardeio contra o palácio do ditador líbio, que sobrevive.

Um atentado contra um Boeing 747 da PanAm na rota Londres-Nova York mata todas as 259 pessoas a bordo e 11 no solo em Lockerbie, na Escócia, em 21 de dezembro de 1988. Há suspeitas de um atentado de grupos palestinos a serviço do Irã, numa vingança contra o abate de um Airbus iraniano com 290 pessoas a bordo por um navio dos Estados Unidos em 3 de julho de 1980, no fim da Guerra Irã-Iraque (1980-88).

Os EUA acusam dois agentes líbios. Outro atentado, contra um avião de passageiros companhia francesa UTA, em 19 de setembro de 1989, no Níger, mata as 170 pessoas abordo, é atribuído a líbios. Nos dois casos, inicialmente Kadafi se nega a entregar os suspeitos.

Sob pressão dos EUA e da França, as Nações Unidas impõe sanções à Líbia em 1992. Kadafi entrega os suspeitos do atentado de Lockerbie em 1999. Um é condenado. O outro é absolvido.

Com a guerra contra o terrorismo e a invasão do Iraque, Kadafi e o Ocidente têm um inimigo comum, o extremismo muçulmano, e o ditador teme uma invasão norte-americana. Em dezembro de 2003, o dirigente líbio faz um acordo com as potências ocidentais e concorda em desmantelar todos os programas de armas de destruição em massa.

Durante a Guerra contra o Terror, depois dos atentados de 11 de setembro de 2001 contra Nova York e o Pentágono, a Líbia é usada para sessões de tortura pela CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA).

Diante do refluxo do pan-arabismo, Kadafi decide assumir sua identidade africana. É um dos grandes incentivadores da transformação da Organização para Unidade Africana (OAU) em União Africana, em 2001 e 2002.

O fim vem com a Primavera Árabe. Depois da queda de Zine ben Ali, na Tunísia, e de Hosni Mubarak, no Egito, em 17 de fevereiro de 2011 começa a revolta na Líbia. Os rebeldes tomam Bengázi, a segunda maior cidade do país, situada no Leste da Líbia. Kadafi ameaça esmagar a rebelião e matar os revoltosos como se fossem "ratos e baratas".

Em 17 de março de 2011, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprova a criação de uma zona de exclusão áerea, proibindo Kadafi de bombardear os rebeldes. No dia seguinte, o presidente Barack Obama ordena os primeiros ataques dos EUA às forças do ditador, que promete uma trégua, mas continua atacando os rebeldes.

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) assume em 25 de março o comando militar da operação contra Kadafi, aprovada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas. Em 16 de maio, o procurador-geral do Tribunal Penal Internacional, Luis Moreno Ocampo, pede a prisão do líder líbio por "crimes contra a humanidade".

Quando os rebeldes tomam Trípoli, a capital líbia, em 20 de agosto, Kadafi foge. Com poucas cidades ainda em poder de seus aliados, ele se refugia em Sirte, sua terra natal. Ainda tenta negociar uma transição pacífica do poder, mas a proposta é rejeitada.

Em 20 de outubro, ele sai de Sirte e tenta entrar num comboio militar em fuga para o Vale Jarref. A OTAN bombardeia o comboio. Destrói 14 veículos e mata 53 pessoas. Kadafi e um pequeno grupo fogem para uma vila próxima bombardeada pela milícia de Missurata.

No fim, cercados pela milícia, Kadafi e seus guarda-costas se refugiam num local em obras. O ditador se esconde dentro de grandes tubos de concreto de uma obra. Morre com a explosão de uma granada.

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terça-feira, 1 de julho de 2025

Hoje na História do Mundo: 1º de Julho

 DIA DO CANADÁ

    Em 1867, o Império Britânico reconhece oficialmente o Canadá, uma confederação das províncias da Nova Escócia, Nova Brunswick e do Canadá, que seria dividida nas províncias de Ontário e do Quebec.

É o Dia do Canadá, a data nacional do país. A partir da união dessas províncias, o Canadá começa a conquistar autonomia dentro do Império Britânico e a ter seu próprio governo. O Parlamento Britânico e o governo do Reino Unido controlam as relações exteriores, a defesa nacional e as mudanças constitucionais.

O Canadá luta ao lado das forças britânicas em duas guerras mundiais, assim como australianos, indianos, paquistaneses e neozelandeses

Em 11 de dezembro de 1931, o Estatuto de Westminster, uma emenda do Parlamento Britânico, dá independência às ex-colônias britânicas da Austrália, do Canadá, da Zona Zelândia e da Irlanda. O governo irlandês ignora o estatuto por entender que o tratado da independência da Irlanda, de 1921, acabara com o direito do Parlamento de Westminster de legislar sobre seu país.

A Terra Nova também não adota o Estatuto de Westminster e se une ao Canadá em 1949, depois de um plebiscito realizado no ano anterior.

Com a aprovação da Lei de Constituição, em 1982, o Canadá se torna totalmente independente. 

INÍCIO DA BATALHA DO SOMME

    Em 1916, começa a Batalha do Somme, uma as maiores e mais importantes da Primeira Guerra Mundial (1914-18), travada pela França e o Império Britânico contra a Alemanha, que termina em 18 de novembro com a vitória dos aliados.


É o dia mais sangrento da história militar britânica, com 19.240 mortes.

Mais de 3 milhões de soldados lutam na Batalha do Somme. Entre mortos e feridos, o total de baixas é de mais de 1,1 milhão de homens, o que a torna uma das batalhas mais sangrentas da história.

NÃO PROLIFERAÇÃO NUCLEAR

    Em 1968, os Estados Unidos, a União Soviética, o Reino Unido e outros 59 países assinam o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) para conter a disseminação de armas atômicas pelo mundo. Entra em vigor em 5 de março de 1970. Hoje, tem 191 países signatários.

O TNP é controvertido desde o início porque cria duas categorias de países: as potências nucleares, que têm a bomba quando o acordo é fechado; e os países não nucleares, que recebem a promessa de receber ajuda para o uso pacífico da energia atômica e de que as potências nucleares se desarmariam, o que não é uma perspectiva realista. A Índia nunca assinou porque, como uma ex-colônia, não aceita acordos internacionais que a coloquem em inferioridade. 

Além das cinco potências nucleares que não por coincidência são os países com direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas (China, EUA, França, Reino Unido e Rússia), tem a bomba atômica hoje Israel, a Índia, o Paquistão e a Coreia do Norte. Esses quatro não fazem parte. A África do Sul democrática pós-apartheid abriu mão do programa nuclear militar da ditadura da minoria branca. O Brasil e a Argentina aderem quando assinam um acordo nuclear.

Se o tratado tem um vício de origem, o regime de não proliferação nuclear contém até agora a proliferação de armas atômicas. O maior candidato para entrar no clube sem autorização no momento é o Irã, que pode já ter adquirido capacidade nuclear. Se o Irã tiver armas atômicas, isso poderá deflagrar uma corrida armamentista no Oriente Médio. Outros países com ambição a potência regional, a Arábia Saudita, o Egito, a Síria e a Turquia, também vão querer.

MORTE DE PERÓN

    Em 1974, morre em Buenos Aires o político e militar Juan Domingo Perón, figura dominante da política na Argentina, depois de um terceiro e breve governo de menos de 10 meses.

Em 4 de junho de 1943, o Grupo de Oficiais Unidos, uma sociedade secreta nacionalista, derruba o presidente Ramón Castillo a pretexto de acabar com as fraudes eleitorais da “década infame”.

Entre eles, destaca-se o coronel Juan Domingo Perón, que é subsecretário do Ministério da Guerra, vice-presidente e ministro do Trabalho, onde implanta uma legislação trabalhista que lhe dá grande prestígio popular e o apoio dos sindicatos.

Perón melhora as condições de trabalho, consegue um aumento real de 4% nos salários de 1943 e 1946, cria a indenização para acidentes de trabalho, a Justiça do Trabalho, a Previdência Social, o salário mínimo, pagamento de feriados e férias, o 13º salário (conhecido na Argentina como aguinaldo), garante férias e o direito de sindicalização de trabalhadores rurais, limita a jornada de trabalho e congela os preços dos arrendamentos de terras.

DIA DA LEALDADE
Sob pressão da oligarquia e da ala conservadora do Exército, Perón é demitido em 9 de outubro de 1945 e preso quatro dias depois. Uma onda de protestos populares organizados pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) força a sua libertação em 17 de outubro, festejado pelos peronistas como Dia da Lealdade.

Naquele dia, Perón faz seu primeiro discurso triunfante na janela da Casa Rosada diante de uma multidão reunida na Praça de Maio, ao lado de sua segunda mulher, a atriz Maria Eva Duarte de Perón, a Evita, com quem se casa quatro dias depois, formando o casal que até hoje, muito depois de suas mortes, ainda domina a política argentina.

Com os votos de mais de 1,5 milhão de argentinos, 53% do eleitorado, Perón é eleito presidente da Argentina em 24 de fevereiro de 1946.

PERONISMO
Exemplo típico do populismo latino-americano, o peronismo, na definição do cientista político argentino Torcuato di Tella, é “uma aliança de parte da elite, como militares e industriais nacionalistas, com os trabalhadores para enfrentar outro segmento da elite, o mais conservador”, no caso argentino a oligarquia latifundiária exportadora.

Para os militares argentinos, que alimentam o sonho de hegemonia na América do Sul, argumenta Di Tella, os Estados Unidos, a potência hegemônica no continente, não armariam a Argentina para atacar o Brasil, que tinha uma política de alinhamento automático com Washington. A Argentina precisa de um desenvolvimento industrial autônomo.

 PRIMEIRO GOVERNO PERÓN
Ao tomar posse em 4 de junho de 1946, Perón promete justiça social e independência nacional. Entre 1946 e 1949, os salários dos operários da indústria argentina sobem em média 53%. A participação da massa salarial no produto interno bruto passa de 40,1% para 49%.

De 1930-35 a 1945-49, a produção industrial dobra. O número de fábricas passa de 38 mil em 1935 para 86 mil. Nesse período, o operariado cresce de 436 mil para mais de um milhão. O total de sindicalizados pula de 500 mil em 1946 para 2 milhões em 1950, quando a força de trabalho tem 5 milhões.

As greves crescem na mesma medida, de 500 mil dias de trabalho perdidos em 1945 para 2 milhões em 1946 e mais de 3 milhões em 1947.

Nos seus dois primeiros anos de governo, Perón nacionaliza o Banco Central, paga uma dívida bilionária com o Banco da Inglaterra, estatiza as ferrovias, a marinha mercante, as universidades, os serviços e transportes públicos. Em 1949, lança a ideia de uma terceira via entre o capitalismo e o comunismo para manter distância da Guerra Fria.

EVITA
Filha ilegítima de uma cozinheira, a cantora, modelo e atriz de teatro e radioteatro María Eva Duarte era amante do coronel Perón. Eles se conhecem num evento beneficente em 22 de janeiro de 1944 no Luna Park, em Buenos Aires, e se casam quatro dias depois da volta triunfal de Perón ao poder, em 17 de outubro de 1945, formando um casal sem paralelo na história política da América Latina.

Evita cuida das obras sociais do governo. É ministra do Trabalho e do Bem-Estar Social e preside a Fundação Eva Perón, criada em 1948, com orçamento anual de US$ 50 milhões, que distribui generosamente dinheiro, empregos e moradia para os descamisados, os migrantes vindos do interior.

Em entrevista ao escritor Tomás Eloy Martínez, em 1970, Perón declara que “Evita foi uma criação minha”, negando que a imagem de sua segunda mulher tenha se tornado maior do que a dele. Essa posição é defendida hoje por peronistas que acusam a oligarquia argentina de inflar o mito de Evita para torná-la maior do que o caudilho.

A primeira-dama é fundamental na campanha para a introdução do voto feminino, em 1947. Chega a ser cotada como candidata a vice-presidente, mas enfrenta forte resistência dos conservadores e militares. Um grande comício realizado pela CGT em 22 de agosto de 1951 é insuficiente para virar o jogo. Depois de uma tentativa de golpe em 28 de setembro, a candidatura Evita foi abandonada.

SANTA EVITA
Uma espécie de Cinderela vingadora, Eva Perón morre de câncer no útero menos de um ano depois, em 26 de julho de 1952, no auge de sua popularidade. Vira uma santa.

Seu funeral dura quatro dias para que todos possam dar adeus à mãe dos pobres. De maio de 1952 a julho de 1954, dois anos depois de sua morte, o Vaticano recebe mais de 40 mil cartas pedindo a canonização de Evita.

Mais da metade das meninas nascidas em algumas províncias argentinas naquela época são batizadas Eva ou María Eva. As adolescentes pintam o cabelo de louro. Evita dita a moda.

DISPUTA PELO CADÁVER
Quando Evita morre, o plano é construir um memorial em sua homenagem. Ela seria enterrada na base de um monumento aos descamisados. Como o líder da revolução comunista na Rússia, Vladimir Lenin, seu corpo embalsamado ficaria em exposição ao público.

Antes da conclusão da obra, Perón é derrubado pelo golpe militar de 1955 e foge sem se preocupar com a múmia de Evita, que desaparece da sede da CGT, em Buenos Aires, onde ficara. De 1955 a 1971, o peronismo é proscrito na Argentina. É proibido ter fotos de Eva e Juan Perón em casa e até mesmo citar seus nomes.

Em 1957, com a ajuda do Vaticano, o cadáver de Evita é retirado da Argentina e enterrado com nome falso na Itália.

Só em 1971 os militares revelam que a ex-primeira-dama está enterrada numa cripta em Milão, na Itália, com o nome de María Maggi. Naquele ano, o corpo é exumado e entregue ao general Perón no exílio na Espanha.

Depois da morte de Perón, em 1974, a terceira mulher do caudilho, María Estela Martínez de Perón, a Isabelita, assume o governo e repatriou o cadáver de Evita, que fica um tempo ao lado dos restos de Perón na Quinta de Olivos, residência oficial dos presidentes da Argentina.

Com o golpe militar de março de 1976, mais uma vez os peronistas temem pelo destino dos restos mortais da grande líder de massas. Em outubro daquele ano, sob a supervisão da ditadura, o cadáver de Evita é levado de Olivos para o Cemitério da Recoleta, onde estão enterrados os grandes líderes da oligarquia argentina, e sepultado no mausoléu da família Duarte.

QUEDA DE PERÓN
As políticas econômicas de Perón dão certo até 1949 por causa do sucesso das exportações durante e logo após a Segunda Guerra Mundial. Mas o preço dos produtos primários exportados pela Argentina cai e o aumento das importações para suprir a indústria deixam a balança comercial negativa. Há queda nos salários reais.

Reeleito com 62,5% dos votos em 11 de novembro de 1951, Perón tem um segundo governo muito mais difícil. Com a crise econômica e sem a carismática e angelical Evita a seu lado, o caudilho enfrenta oposição crescente dos estudantes e da Igreja Católica. Isso levou ao golpe liderado pelo general Eduardo Lonardi, chamado de Revolução Libertadora, em 16 de setembro de 1955.

Lonardi, reconhecendo a força do peronismo, tenta fazer um acordo. É afastado e substituído pelo general linha-dura Pedro Aramburu por adiar a desperonização. O Partido Justicialista (peronista) é dissolvido e há intervenção nos sindicatos.

SUCESSÃO DE GOLPES
Os peronistas continuaram sendo a maior força política argentina. Em 1958, apoiam a candidatura do radical Arturo Frondizi, que promete trazê-los de volta à legalidade. Frondizi é derrubado em março de 1962.

Até outubro de 1963, a Argentina é governada interinamente pelo Presidente do Senado, José María Guido, enquanto duas facções militares disputam o poder: os vermelhos, favoráveis a adotar mais dureza contra o peronismo, e os azuis, mais moderados, que acabam prevalecendo.

Um novo acordo para tentar reinstitucionalizar o país depois do golpe contra Perón leva à eleição de 7 de julho de 1963, vencida por Arturo Illia, derrubado em junho de 1966 pelo comandante do Exército, general Juan Carlos Onganía, que desfilara com a faixa presidencial no dia da posse de Illia.

Os governos militares de 1966 a 1973 são marcados por uma explosão social, o Cordobazo, em maio de 1969, na segunda maior cidade argentina, e pelas atividades de grupos guerrilheiros como o Exército Revolucionário do Povo (ERP), trotskista, e os Montoneros, peronistas, que capturam a matam o ex-ditador Aramburu.

Onganía é derrubado em junho de 1970 pelo general Roberto Levingston, substituído em 1971 pelo general Alejandro Lanusse, que promete restabelecer a democracia.

Com a volta do peronismo à legalidade, Héctor Cámpora é eleito presidente em março de 1973. Ao assumir, em maio, deixa claro que está apenas preparando a volta de Perón.

BATALHA DE EZEIZA
Depois de 18 anos no exílio, Perón volta definitivamente em 20 de junho de 1973. É recebido com a Batalha de Ezeiza, travada perto do aeroporto internacional de Buenos Aires entre a direita peronista, que incluía a temida Aliança Anticomunista Argentina (AAA), e a extrema esquerda, representada pelos Montoneros.

Da plataforma de onde Perón discursaria, franco-atiradores disparam contra a Juventude Peronista e os Montoneros. Pelo menos 13 pessoas morrem e outras 365 saem feridas do Massacre de Ezeiza. O jornal Clarín diz que na época que os números reais devem ser muito maiores. Não há uma investigação oficial sobre essa suspeita.

Em 23 de setembro de 1973, o velho caudilho é eleito presidente da Argentina pela terceira vez, com 62% dos votos, desta vez tendo a mulher como vice. Só que não era mais Evita. Era María Estela Martínez de Perón, uma bailarina de cabaré que ele conhece no exílio no Panamá.

GUERRA SUJA
Com a morte do general, em 1º de julho de 1974, Isabelita toma posse, tornando-se a primeira mulher presidente no mundo inteiro. Mas a crise do peronismo se aprofunda, o terrorismo de direita e de esquerda piora.

O golpe de 24 de março de 1976, liderado pelo general Jorge Rafael Videla e o almirante Emilio Massera, marca o início do “processo de reorganização nacional”, a guerra suja contra a esquerda argentina. O total de mortos e desaparecidos é estimado entre 12 e 30 mil, o que a torna a pior ditadura da América do Sul durante a Guerra Fria.

A sina macabra da história política argentina volta a se manifestar em 29 de junho de 1987, quando o túmulo de Perón é profanado e suas mãos serradas e roubadas.

DEMOCRATIZAÇÃO
    A democratização vem em 1983 depois da derrota na Guerra das Malvinas (1982). Os peronistas perdem sua primeira eleição para o radical Raúl Alfonsín, em 1983. Voltam ao poder com Carlos Menem (1989-99), Eduardo Duhalde (2002-3), Néstor Kirchner (2003-7), Cristina Kirchner (2007-15) e Alberto Fernández (2019-23).

A corrupção e o fracasso total dos últimos governos do peronismo kirchnerista e a ascensão do anarcocapitalismo do presidente Javier Milei são o maior abalo ao movimento político do general.

PRIMEIRO WALKMAN

    Em 1979, a empresa eletroeletrônica japonesa Sony, a mesma que havia popularizado o rádio de pilha nos anos 1950, lança o primeiro Walkman. 

Os radinhos não tinham a qualidade do som estereofônico que as pessoas ouviam em casa. O Walkman, com uma fita cassete, melhora a qualidade de som e cria a primeira geração de pessoas que andam pelas ruas de fones de ouvido, imersas no seu próprio mundo.

No primeiro mês, a Sony só vende 3 mil aparelhos. Em agosto, a estratégia de marketing muda radicalmente. Agentes da Sony abordam transeuntes nas ruas de Tóquio para que experimentem o novo invento. Antes do fim de agosto, os estoques se esgotam.

A criação do iPod, lançado pela Apple em 23 de outubro de 2001, acaba com a era do Walkman. Permite armazenar mil canções com uma bateria de 10 horas de duração. Hoje a música está integrada aos telefones inteligentes.

DEVOLUÇÃO DE HONG KONG

    Em 1997, mais de um século e meio depois da Primeira Guerra do Ópio (1839-42), o Reino Unido devolve Hong Kong à China, que promete manter o regime político liberal durante pelo menos 50 anos dentro da fórmula "um país, dois sistemas", que o então líder Deng Xiaoping cria pensando também na reunificação com Taiwan.

Com a Lei de Segurança Nacional imposta em 2020 a Hong Kong, o regime comunista chinês acaba, na prática, com as liberdades democráticas no território, quebrando o compromisso de mantê-las durante pelo menos 50 anos.

Ao festejar o aniversário da devolução, o ditador Xi Jinping costuma citar várias vezes "um país, dois sistemas", a fórmula que enterra para submeter a ex-colônia britânica a seu poder absoluto.

TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL

    Em 2002, começa a funcionar em Haia, na Holanda, o Tribunal Penal Internacional (TPI), criado pelo Estatuto de Roma (1998) para investigar e processar indivíduos envolvidos em casos de genocídio, crimes de guerra, crimes de agressão e crimes contra a humanidade quando há omissão da Justiça dos países-membros e assim combater a impunidade. Para instalar o tribunal, pelo menos 60 países precisam ratificar o Estatuto de Roma, o que acontece em 11 de abril de 2002.

Como não tem competência retroativa, o tribunal julga os casos acontecidos a partir desta data. Os Estados Unidos e a Rússia assinam o tratado, mas nunca ratificam. Os EUA queriam submeter o procurador-geral ao Conselho de Segurança das Nações Unidas. A China e a Índia nem assinam. Em princípio, estes países estão imunes em seus territórios nacionais, mas não seus agentes no exterior ou mesmo seus governantes por crimes cometidos no exterior.

A ideia de criar um tribunal internacional para crimes de guerra surge na Conferência de Paz de Versalhes (1919) depois da Primeira Guerra Mundial (1914-18). A Liga das Nações realiza uma conferência em Genebra em 1937 para criar um tribunal internacional permanente para julgar atos de terrorismo internacional. Treze países assinam a convenção, mas nenhum a ratifica. Ela não entra em vigor.

Depois da Segunda Guerra Mundial, há a criação do Tribunal Militar Internacional de Nurembergue, na Alemanha, para julgar os criminosos nazistas, e o Tribunal Militar Internacional de Tóquio para julgar os japoneses, ambos temporários.

Durante a Guerra Fria entre EUA e União Soviética, a ideia de um tribunal penal internacional é inviável.

Nos anos 1990, há dois tribunais internacionais temporários para os crimes de guerra e contra a humanidade cometidos na Iugoslávia e em Ruanda. Em 1994, a Comissão de Direito Internacional apresenta o projeto do Tribunal Penal Internacional à Assembleia Geral da ONU e recomenda a realização de uma conferência internacional para aprová-lo.

Após várias reuniões preparatórias, a conferência é convocada para Roma. Em 17 de julho de 1998, 120 países aprovam o Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional. Sete votam contra (Catar, China, EUA, Iêmen, Iraque, Israel e Líbia) e 21 se abstêm. Hoje 125 países são membros do tribunal.

Em 2009, o TPI decretou a prisão do ditador do Sudão, Omar Bachir, pelo genocídio da Darfur. Mesmo que a Rússia não seja parte do tribunal, em março de 2022, o tribunal emite uma ordem de prisão contra o ditador da Rússia, Vladimir Putin, por sequestro e deportação de menores ucranianos levados para russificação, o que configura crime de genocídio.

O TPI também investiga possíveis crimes de guerra cometidos por Israel e pelo Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) na Guerra de Gaza mesmo Israel não sendo parte porque a Palestina é e os crimes de que Israel é acusado aconteceram principalmente na Faixa de Gaza. 

Em maio, o procurador-geral pediu a prisão do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e do ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, e de três dirigentes do Hamas, o líder máximo, Ismail Haniya; o comandante do braço armado do grupo, Mohamed Deif; e do líder em Gaza, Yahya Sinwar, considerado o mentor do ataque terrorista de 7 de outubro de 2023. Um painel de três juízes aceita o pedido, mas os três líderes do Hamas são mortos na guerra.