Mostrando postagens com marcador boxe. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador boxe. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 25 de Fevereiro

PAPA EXCOMUNGA ELIZABETH I

    Em 1570, o Papa Pio V excomunga a rainha Elizabeth I, da Inglaterra, e absolve seus súditos de qualquer juramento de lealdade que tenham feito a ela.

Elizabeth Tudor nasce em 7 de setembro de 1533 em Greenwich, na Inglaterra, filha de Henrique VIII e Ana Bolena, sua segunda esposa. Para casar pela segunda vez, o rei rompe com a Igreja Católica e faz a Reforma Protestante na Inglaterra, criando a Igreja Anglicana em 1534. Assim, Elizabeth é protestante.

Quando Ana Bolena é acusada de adultério e executada na Torre de Londres, o casamento é anulado e Elizabeth vira filha bastarda do rei, mas a sexta e última esposa de Henrique VIII, Catherine Parr, a acolhe de volta na corte.

Depois da morte de Henrique VIII, seu filho homem, Eduardo VI, reina por seis anos, e Maria I, que é católica, por cinco anos. Logo depois de ascender ao trono, Elizabeth I reinstaura o protestantismo na Inglaterra e reverte as medidas da meia-irmã para reimpor o catolicismo.

Em 1559, Elizabeth I baixa o Ato de Supremacia, que declara que a rainha é a chefe da Igreja da Inglaterra, e o Ato de Uniformidade, que estabelece as regras de liturgia da Igreja. Pastores e funcionários públicos são obrigados a jurar lealdade à rainha como chefe da Igreja.

Muitos nobres e aristocratas, e a maioria dos cidadãos comuns, mantêm lealdade à antiga fé, mas todos os cargos importantes no governo e na Igreja são ocupados por protestantes.

Como a Igreja Anglicana mantém os rituais da Igreja Católica, muitos protestantes, como por exemplo os calvinistas, consideram a Reforma na Inglaterra aquém do necessário e pressionam por mudanças mais profundas na hierarquia e nos tribunais religiosos.

Em 1569, o Exército de Elizabeth I esmaga uma revolta de nobres católicos no Norte da Inglaterra. Maria Stuart, rainha da Escócia, que desde 1568 está exilada na Inglaterra, mais presa do que convidada, é acusada de ligação com a revolta e executada.

A prisão e morte da rainha que católicos ingleses consideram a legítima herdeira do trono da Inglaterra aumenta a tensão religiosa e leva o papa a excomungar Elizabeth I. 

É uma era de conflitos religiosos na Europa pós-Reforma Protestante. Na Noite de São Bartolomeu, em 24 de agosto de 1572, os católicos franceses massacram os protestantes huguenotes. Só em Paris, são 3 mil mortos. Muitos protestantes franceses se refugiam na Inglaterra.

Os conflitos religiosos só terminam no continente em 1648, com o fim da Guerra dos Trinta Anos, e na Inglaterra em 1689, com a vitória da Revolução Gloriosa.

NASCIMENTO DE GEORGE HARRISON

    Em 1943, nasce em Liverpool, na Inglaterra, o guitarrista, cantor, compositor e produtor musical George Harrison, o solista de guitarra dos Beatles, a mais importante banda de rock and roll de todos os tempos.

O beatle quieto e discreto, como era conhecido, adere ao hinduísmo e amplia os horizontes musicais dos outros membros da banda ao introduzir instrumentos musicais indianos. A maioria das canções dos Beatles são composições de John Lennon e Paul McCartney, mas George é autor de grandes sucessos como Taxman, While My Guitar Gently Weeps, Here Comes the Sun e Something, a segunda música mais regravada dos Beatles, depois de Yesterday.

Depois da dissolução da banda, George lança um aclamado álbum triplo, All Things Must Pass, e organiza com o citarista indiano Ravi Shankar o Concerto para Bangladesh para arrecadar dinheiro para o povo miserável do novo país, o antigo Paquistão Oriental, no fim de uma guerra entre Índia e Paquistão.

Em 1988, ele funda o supergrupo Traveling Wilburys com Bob Dylan, Jeff Lynne, Roy Orbison e Tom Petty. Fumante, George morre aos 58 anos de câncer de pulmão em Los Angeles em 29 de novembro de 2001.

DENUNCIA DO STALINISMO

    Em 1956, no encerramento do 20º Congresso do Partido Comunista da União Soviética, o líder do partido, Nikita Kruschev, denuncia os crimes de Josef Stalin.

Numa sessão fechada do primeiro congresso do PC desde a morte do grande ditador soviético em 5 de março de 1953, cerca de 1.500 delegados ouvem o discurso O Culto da Personalidade e Suas Consequências.

Durante quatro horas, Kruschev acusa Stalin de "graves abusos de poder", de "prisões em massa e deportações de milhares e milhares de pessoas, de execuções sumárias sem investigação nem julgamento", o que gerou "insegurança, medo e desespero". 

"Em toda uma série de casos", afirma Kruschev, Stalin "mostrou sua intolerância, sua brutalidade, seu abuso de poder. (...) Com frequência, escolheu o caminho da repressão e da aniquilação física não apenas contra verdadeiros inimigos, mas também contra pessoas que não haviam cometido nenhum crime contra o partido ou contra o governo soviético." 

Pessoas inocentes foram forçadas a confessar crimes "por causa de métodos físicos de pressão, tortura, reduzindo-os à inconsciência, privando-os de julgamento, tirando-lhes a dignidade humana". 

Stalin "chamou pessoalmente o interrogador, deu-lhe instruções e disse-lhe quais métodos usar, métodos que eram simples – bater, bater e, mais uma vez, bater". 

Kruschev também ataca o desempenho "incompetente" de Stalin na guerra e a deportação "monstruosa" dos povos caucasianos. Stalin foi responsável pela ruína da agricultura e por promover seu próprio culto "nauseantemente falso" da personalidade. 

Stalin traiu as ideias e o legado de Lenin, proclama Kruschev. Sua condenação foi limitada. Enquanto 'trotskistas' e 'bukharinistas' oposicionistas a Stalin não mereciam "aniquilação física", eles eram "inimigos ideológicos e políticos". 

Em sua defesa, Kruschev alega que ele e outros colaboradores do Politburo de Stalin só estavam agindo agora porque "viam essas questões de forma diferente em momentos diferentes". Ele alega que eles não sabiam o que Stalin fez em seu nome e, quando descobriram, era tarde demais. 

Kruschev também diz que Stalin tinha planos de acabar com seus camaradas do Politburo, para "destruí-los de modo a esconder os atos vergonhosos sobre os quais agora estamos relatando". Supostamente, os líderes e antigos aliados de Stalin, Viacheslav Molotov, Georgy Malenkov, Lazar Kaganovich e Kliment Voroshilov, ficam extasiados. 

O conteúdo do "discurso secreto" logo se espalha. Os delegados da Europa Oriental são autorizados a ouvi-lo na noite seguinte. Até 5 de março, cópias são enviadas a toda a União Soviética. Uma tradução oficial aparece dentro de um mês na Polônia, onde 12 mil cópias são impressas, uma das quais chega ao Ocidente. 

 Ao denunciar Stalin, Kruschev não procura mudar a sociedade soviética fundamentalmente. Quer mais consolidar o poder, mas seu discurso tem efeitos amplos e de longo prazo. É um golpe arrasador para os regimes stalinistas em todos os lugares e um fator para desencadear uma revolta na Polônia e a Revolução Húngara de 1956. 

Décadas depois, Mikhail Gorbachev, o último líder da URSS, elogia Kruschev como "um homem moral, apesar de tudo".

CASSIUS CLAY CAMPEÃO MUNDIAL

    Em 1964, aos 22 anos, com excelentes esquivas e jogo de pernas, saltitante, Cassius Marcellus Clay vence o campeão Sonny Liston, muito mais forte fisicamente, por nocaute técnico no sétimo assalto e toma o título mundial de boxe da categoria peso-pesado. É o início de uma carreira brilhante em que se torna campeão mundial três vezes.

Liston ganha o título ao nocautear duas vezes o campeão mundial anterior, Floyd Patterson, no primeiro assalto. É o favorito nas casas de apostas a 8 por 1. 

Falastrão, Clay promete ganhar a luta por nocaute no oitavo assalto "flutuando como uma borboleta e ferrando como uma abelha". No fim do sétimo assalto, Liston se queixa de uma dor no ombro. Com uma luxação na clavícula, Liston não volta mais e Clay é proclamado campeão.

Meses depois, ele abandona o nome de batismo porque os negros norte-americanos tinham o sobrenome das famílias que escravizavam seus avós. Muçulmano, passa a se chamar Muhammad Ali.

Ele nasce em Louisville, no estado do Kentucky, em 1942. Começa no boxe aos 12 anos. Ao 18 anos, completa 100 vitórias no boxe amador. Em 1960, ganha uma medalha de ouro na Olimpíada de Roma. Quando tenta festejar o título tomando café no centro de sua cidade natal, não é atendido por ser negro.

Por rejeitar a convocação para a Guerra do Vietnã, Ali perde o título em 1967. Ele alega objeção de consciência: "Por que me pedem para botar um uniforme e ir a 10 mil milhas de casa jogar bombas em pessoas morenas no Vietnã quando as pessoas chamadas de negros no Kentucky são tratadas como cães e não têm os mínimos direitos humanos? Nenhum vietnamita me chamou de crioulo."

Ali volta ao boxe em 1970. No ano seguinte, a Suprema Corte anula a condenação por se negar a servir o Exército em plena guerra. Em 8 de março de 1971, no Madison Square Garden, em Nova York, ele perde por pontos a Luta do Século em 15 assaltos contra Joe Frazier, nocauteado por George Foreman em dois assaltos em 22 de janeiro de 1973, em Kingston, na Jamaica.

Isto abre caminho para outra luta do século, Ali x Foreman, em Kinshasa, no Zaire (hoje República Democrática do Congo), em 30 de outubro de 1974. Depois de resistir à saraivada de golpes do adversário, Ali conquista o título mundial de boxe peso-pesado pela segunda vez.

Em 1978, Leon Spinks o vence e conquista o título, mas Ali ganha a revanche e se torna o único peso-pesado a ganhar o título três vezes. Em 1984, é diagnosticado com mal de Parkinson por causa dos golpes recebidos na cabeça quando era boxeador. Ele acende a pira na Olimpíada de Atlanta, em 1996. Vive até 3 de junho de 2016.

QUEDA DE FERDINAND MARCOS

    Em 1986, sob pressão dos Estados Unidos, que durante décadas apoia sua ditadura, o ditador Ferdinand Marcos foge das Filipinas para o Havaí e a oposicionista Corazón Aquino, derrotada em eleição fraudulenta, assume a Presidência.

Ferdinand Emmanuel Edralín Marcos nasce em Sarrat, nas Filipinas, em 11 de setembro de 1917, filho de Mariano Marcos, um advogado e congressista de Ilocos Norte executado por guerrilheiros em 1945 por ter colaborado com o Japão durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45). Depois da guerra, as Filipinas se tornam independentes dos EUA.

Ferdinand estuda direito na Universidade das Filipinas. Em 1933, é acusado de matar um adversário político do pai. Condenado em novembro de 1939, é absolvido no ano seguinte pela Suprema Corte. É eleito deputado em 1949, para o Senado em 1959 e para a Presidência em 1965.

Em 1969, Marcos torna-se o primeiro presidente reeleito da história das Filipinas. Três anos depois, em 21 de setembro de 1972, invocando a ameaça comunista, decreta lei marcial e vira um ditador. Seu governo é marcado pela brutalidade, a corrupção e a extravagância.

Marcos vai de advogado e político a ditador e cleptocrata. Quando cai, descobre-se a coleção de 1.200 pares de sapato da primeira-dama, Imelda Marcos, que vira um símbolo da ostentação e da corrupção.

A lei marcial é ratificada num plebiscito fraudulento em 1973. Sob a censura, a violência e a repressão, dois grupos guerrilheiros lutam contra a ditadura de Ferdinand Marcos, um maoísta e outro muçulmano.

Depois de uma terceira reeleição em 1981, as Filipinas enfrentam uma crise econômica que atinge mercados emergentes com a Crise da Dívida da América Latina, em 1982. Com a economia em colapso, Marcos comete um erro fatal.

Ao voltar ao país, o líder da oposição, Benigno Aquino, é assassinado no aeroporto de Manila em 23 de agosto de 1983. A oposição ressurge com força nas eleições parlamentares de 1984 e a viúva de Benigno Aquino se apresenta como candidata para desafiar o ditador.

Diante da fraude, uma onda de protestos populares toma conta das ruas e derruba Marcos. Durante sua cleptocracia, a família rouba entre 5 a 10 bilhões de dólares do Banco Central das Filipinas. Seu filho, Ferdinand Marcos Jr., preside as Filipinas desde 30 de junho de 2022.

VITÓRIA DE VIOLETA CHAMORRO

    Em 1990, num resultado surpreendente, com 54% dos votos, a candidata da oposição, Violeta Chamorro, vence a eleição presidencial na Nicarágua, derrotando o presidente Daniel Ortega, da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), que derrubara a ditadura de Anastasio Somoza em 19 de julho de 1979.

Violeta Barrios de Chamorro é outra viúva que entra na política como herdeira do marido assassinado. Pedro Joaquín Chamorro era um jornalista de oposição, diretor do jornal La Prensa, visto como a melhor alternativa à dinastia de ditadores da família Somoza, que mandava na Nicarágua desde 1933. Seu assassinato, em 10 de janeiro de 1978, mata a última chance de uma transição negociada com a ditadura de Tachito Somoza.

Com o assassinato de Pedro Joaquín Chamorro, a luta armada ganha mais força e os EUA abandonam o ditador, que cai em julho de 1979. A FSLN se instala no poder com uma junta de nove comandantes, chamados de nueve fidelitos, entre eles dois Ortegas, que tinham perdido um irmão considerado herói da revolução. Daniel Ortega se torna presidente e Humberto Ortega, ministro da Defesa.

Daniel Ortega vence a eleição de 1984, que a oposição boicota sob pressão do governo Ronald Reagan nos Estados Unidos, que financia os rebeldes contrarrevolucionários e a campanha de Violeta Chamorro. Ela chega a fazer parte do governo revolucionário em 1979-80, mas se desilude com o esquerdismo da FSLN, assume a direção do jornal La Prensa e se torna a principal voz da oposição.

Sua vitória leva ao fim da guerra civil e ao desarmamento dos contras, como eram conhecidos os rebeldes. No poder, Violeta Chamorro adota uma política econômica neoliberal, desvaloriza a córdoba em 400%, privatiza empresas, fecha a companhia estatal de trens e corta benefícios sociais. O desemprego chega a 24%. Também abre mão de uma multa de US$ 17 bilhões que a Corte Internacional de Justiça impõe aos EUA por apoiar os contras e minar portos nicaraguenses.

Ortega volta ao poder em 2007, com o apoio do somozismo, do ex-presidente Arnoldo Alemán, preso por corrupção, para nunca mais sair. Nomeia juízes amigos para a Corte Suprema ignora as restrições à reeleição e impõe uma ditadura, ao lado da mulher e vice-presidente Rosario Murillo, que prende todos os candidatos da oposição na eleição de 2021, expulsa mais de 200 oposicionistas e persegue até a Igreja Católica, hoje a principal voz dissidente na Nicarágua. 

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 26 de Dezembro

NAPOLEÃO NEUTRALIZA A ÁUSTRIA

    Em 1805, depois das vitórias nas batalhas de Ulm e de Austerlitz, Napoleão Bonaparte inflige penalidades duras à Áustria no Tratado de Pressburg. Isto lhe permite neutralizar a influência austríaca e continuar suas guerras na Europa.

O acordo é assinado por Áustria e França em Pressburg, hoje Bratislava, a capital da Eslováquia. A Áustria cede o território do Vêneto que recebe no Tratado de Campo Formio, o Tirol, parte da Baviera e terras da monarquia dos Habsburgo às regiões germânicas de Baden e Württemberg, além do Piemonte, de Parma e de Piacenza, acabando com a influência sobre a Áustria. Também reconhece os eleitores da Baviera e de Württemberg, aliados de Napoleão, como reis.

A Áustria ainda fica devendo uma indenização de 40 milhões de francos-ouro. Como compensação, Napoleão deixa a Áustria anexar Salzburgo, Berchtesgarden e domínios da Ordem Teutônica.

O tratado faz parte da estratégia de Napoleão de criar um círculo de proteção da França além do Rio Reno, dos Alpes e dos Montes Pireneus.

PRIMEIRO CAMPEÃO PESO-PESADO NEGRO

    Em 1908, o boxeador norte-americano Jack Johnson vence por nocaute em Sídnei, na Austrália, o canadense Tommy Burns e se torna o primeiro campeão mundial negro da categoria peso-pesado.

Johnson nasce em 31 de março de 1878 em Galveston, no Texas, por coincidência a cidade onde acaba a Guerra da Secessão (1861-65) quando a notícia chega junto com o anúncio do fim da escravidão, em 1865. É condenado por ter relações com mulheres brancas.

Com estilo defensivo, Johnson espera o erro do adversário para atacar. Por isso, é chamado de covarde e desonesto. Ele perde o título para Jess Willard, em Havana, em Cuba, numa decisão por pontos depois de 22 assaltos em 5 de abril de 1915. Luta profissionalmente até 1928 e em exibições até 1945, um ano antes de morrer.

BEATLEMANIA

    Em 1963, o compacto dos Beatles com I Wanna Hold your Hand e I Saw Her Standing There no lado B é lançado nos Estados Unidos, deflagrando a Beatlemania.

A maior banda de rock da história, liderada por John Lennon e Paul McCartney, toca junto pela primeira em 1957 em Liverpool, na Inglaterra. No início dos anos 1960, vai em diferentes ocasiões a Hamburgo na Alemanha, antes de ser descoberta pelo empresário Brian Epstein, que consegue o primeiro contrato com uma gravadora, a EMI, em 1962, depois de ser rejeitada pela Decca.

Em 1964, The Beatles lançam seu primeiro filme, A Hard Day's Night, chamado no Brasil de Os Reis do Iê-Iê-Iê, e fazem a primeira excursão aos EUA, onde estouram com apresentações na televisão.

Depois de gravar álbuns antológicos, os Beatles se separam em 1970. Até hoje, venderam um recorde de mais de 500 milhões de discos.

MAREMOTO ARRASADOR

    Em 2004, um violento terremoto de 9,3 graus na escala aberta de Richter abala o fundo do Oceano Índico perto da ilha de Sumatra e produz um maremoto com ondas gigantescas de até 30 metros que atingem 50 países e matam pelo menos 227.898 pessoas.


 
Às 7h58, a terra treme no fundo do mar a 250 quilômetros da costa de Sumatra, uma das grandes ilhas do arquipélago que forma a Indonésia. O tremor dura 10 minutos ao longo de uma falha geológica de 1.200 quilômetros.

Em 15 minutos, as ondas gigantescas ou tsunâmis atingem a Província de Aceh. Comunidades inteiras são varridas. As tsunâmis que passam pela costa da Indonésia chegam à Tailândia e uma hora e meia depois do abalo sísmico ao Sri Lanka. Chegam à África do Sul, a 8 mil km de distância, onde matam duas pessoas.

É uma das 10 piores catástrofes da história e o segundo terremoto mais forte registrado até hoje, atrás apenas do sismo de 1960 no Chile, de 9,5 graus, que provocou a formação de ondas gigantescas que cruzaram o Oceano Pacífico e foram até o Japão.

ESTE BLOG DEPENDE DA AJUDA DE SEUS LEITORES. CONTRIBUIÇÕES VIA PIX PELO CNPJ 25.182.225/0001-37 

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 5 de Novembro

IMPÉRIO MUGHAL

    Em 1556, um exército mughal vence o general hindu Hemu, que tenta usurpar o trono do recém-aclamado imperador Akbar, de apenas 14 anos. Akbar consolida o poder e leva o império a uma glória sem precedentes.

O Império Mughal, com uma cultura persa-islâmica com elementos indianos, existe entre 1526 a 1857 e chega a dominar quase todo o subcontinente indiano, antes da colonização da Índia pelo Império Britânico.

O Taj Mahal, um dos monumentos históricos mais famosos da Índia, é construído pelo quinto imperador mugal, Shah Jahan, em homenagem à sua terceira e preferida esposa, que morre ao dar à luz seu 14º filho.

CONSPIRAÇÃO DA PÓLVORA

    Em 1605, o rei Jaime I, da Inglaterra, Jaime VI na Escócia, fica sabendo de uma tentativa de explodir o Parlamento numa conspiração católica para afastar os protestantes, que são maioria na Câmara dos Comuns, embora o rei seja católico e escocês, da Dinastia Stuart.

Por volta da meia-noite de 4 para 5 de novembro, o juiz de paz Sir Thomas Knyvet encontra Guy Fawkes no porão do Palácio de Westminster em atitude suspeita e manda revistar o local. A polícia encontra 20 barris de pólvora.

Guy Fawkes é preso. Sob tortura, confessa fazer parte de uma conspiração católica.

O líder da Conspiração da Pólvora é Robert Catesby, um católico com pai perseguido no reinado de Elizabeth I (1558-1603) por não se submeter à Igreja da Inglaterra. Fawkes, convertido ao catolicismo, é fanático a ponto de lutar pelo Exército da Espanha contra a Holanda.

Catesby alicia mais conspiradores, entre eles Francis Tresham e aluga o porão que vai até o Parlamento. Fawkes coloca os barris de pólvora, cobertos por carvão e madeira para disfarçar.

Quando se aproxima a sessão do Parlamento marcada para 5 de novembro, Tresham avisa o cunhado, Lorde Monteagle, a não ir. Monteagle avisa as autoridades.

Nas próximas semanas, todos os conspiradores são presos ou mortos. Mas os ingleses festejam até hoje o Dia de Guy Fawkes, o homem que tentou explodir o Parlamento, com fogos de artifício e a malhação de um judas. Vira um símbolo da rebeldia. A máscara do movimento anarquista é inspirada em Fawkes.

WILSON VENCE PRESIDENTES

    Em 1912, o democrata Woodrow Wilson obtém uma ampla vitória sobre o presidente republicano William Howard Taft e o ex-presidente Theodore Roosevelt, do Partido Progressista, na única eleição da história dos Estados Unidos em que dois presidentes são derrotados por outro candidato.

Wilson governa por dois mandatos e convence os norte-americanos a entrar na Primeira Guerra Mundial (1914-18), "a guerra para acabar com todas as guerras", em 1917. 

No fim do conflito, seu plano de paz de 14 pontos é a base das negociações da Conferência de Paz de Versalhes, a "paz para acabar com todas as pazes". Inclui a criação da Liga das Nações, a primeira organização internacional de caráter universal dedicada à paz mundial, mas o Senado dos EUA rejeita a participação do país.

ATAQUEM PEARL HARBOR

    Em 1941, a Marinha de Guerra do Império do Japão recebe a ordem ultrassecreta de preparar o bombardeio à Frota do Pacífico dos Estados Unidos estacionada em Pearl Harbor, no Havaí. O ataque acontece em 7 de dezembro e leva os EUA a entrar na Segunda Guerra Mundial (1939-45).

As relações entre os dois países se deterioram em 1940, quando o Japão invade a Indochina, rica em petróleo, e ameaça as Filipinas, um protetorado norte-americano. Os EUA fecham o Canal do Panamá a navios japoneses e impõem um embargo à venda de petróleo ao Japão, que depende totalmente da importação do produto.

Em setembro de 1941, o presidente Franklin Delano Roosevelt ameaça ir à guerra se o Japão invadir mais algum país do Sudeste Asiático. 

Os militares dominam a política japonesa. Em 17 de outubro, o ministro da Guerra, almirante Hideki Tojo, se torna primeiro-ministro e deixa claro nas negociações que o Japão não pretende se retirar dos territórios ocupados.

Tojo usa a ameaça de guerra de Roosevelt para justificar o bombardeio de Pearl Harbor e também da Península Malaia, das Índias Orientais Holandesas (hoje Indonésia) e das Filipinas, numa guerra contra as potências imperiais do Ocidente em que o Japão alega estar libertando a Ásia do colonialismo ocidental.

VELHO CAMPEÃO

    Em 1994, aos 45 anos, George Foreman se torna o campeão dos pesos-pesados mais velho do boxe ao vencer Michael Moorer, de 26 anos, em Las Vegas no 10º assalto.

Mais de 12 mil espectadores veem a primeira derrota de Moorer, que entra no ringue com 35 vitórias em 35 lutas.

Foreman nasce em Marshall, no Texas, em 1949, e abandona a escola cedo. Vira boxer ao participar de um programa de emprego no governo Lyndon Johnson (1963-69). Conquista a medalha de ouro na Olimpíada do México, em 1968, e o título mundial ao derrubar Joe Frazier no segundo assalto, somando 38 vitórias em 38 lutas, 35 por nocaute.

No ano seguinte, perde a luta do século para Mohammed Ali, em Kinshasa, no Zaire, abandona o boxe e vira pregador. Aos 38 anos, volta aos ringues e anos depois reconquista o título mundial.

FOGO AMIGO

    Em 2009, o major Nidal Malik Hasan, um psiquiatra do Exército dos Estados Unidos que tratava casos de estresse pós-traumático, mata 13 pessoas a tiros e fere outras 30, quase todas soldados, na maior base militar do mundo, o Forte Hood, no Texas, de 880 quilômetros quadrados, onde vivem ou trabalham 50 mil militares, além de familiares e do pessoal civil.

O ataque é no centro de processamento onde se apresentam os soldados que vão para as guerras no Iraque e no Afeganistão e são recebidos os que voltam. Dura 10 minutos, até Hasan ser baleado por um civil e preso.

Filho de imigrantes palestinos, Hasan se forma na Universidade Politécnica da Virgínia, Fez formação psiquiátrica na Universidade de Ciências da Saúde em Bethesda e trabalho do Centro Médico Walter Reed, o tribunal militar de Washington, antes de ir para o Forte Hood.

ESTE BLOG DEPENDE DE SEUS LEITORES. CONTRIBUIÇÕES VIA PIX PELO CNPJ 25.182.225/0001-37 

terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 25 de Fevereiro

 PAPA EXCOMUNGA ELIZABETH I

    Em 1570, o Papa Pio V excomunga a rainha Elizabeth I, da Inglaterra, e absolve seus súditos de qualquer juramento de lealdade que tenham feito a ela.

Elizabeth Tudor nasce em 7 de setembro de 1533 em Greenwich, na Inglaterra, filha de Henrique VIII e Ana Bolena, sua segunda esposa. Para casar pela segunda vez, o rei rompe com a Igreja Católica e faz a Reforma Protestante na Inglaterra, criando a Igreja Anglicana em 1534. Assim, Elizabeth é protestante.

Quando Ana Bolena é acusada de adultério e executada na Torre de Londres, o casamento é anulado e Elizabeth vira filha bastarda do rei, mas a sexta e última esposa de Henrique VIII, Catherine Parr, a acolhe de volta na corte.

Depois da morte de Henrique VIII, seu filho homem, Eduardo VI, reina por seis anos, e Maria I, que é católica, por cinco anos. Logo depois de ascender ao trono, Elizabeth I reinstaura o protestantismo na Inglaterra e reverte as medidas da meia-irmã para reimpor o catolicismo.

Em 1559, Elizabeth I baixa o Ato de Supremacia, que declara que a rainha é a chefe da Igreja da Inglaterra, e o Ato de Uniformidade, que estabelece as regras de liturgia da Igreja. Pastores e funcionários públicos são obrigados a jurar lealdade à rainha como chefe da Igreja.

Muitos nobres e aristocratas, e a maioria dos cidadãos comuns, mantêm lealdade à antiga fé, mas todos os cargos importantes no governo e na Igreja são ocupados por protestantes.

Como a Igreja Anglicana mantém os rituais da Igreja Católica, muitos protestantes, como por exemplo os calvinistas, consideram a Reforma na Inglaterra aquém do necessário e pressionam por mudanças mais profundas na hierarquia e nos tribunais religiosos.

Em 1569, o Exército de Elizabeth I esmaga uma revolta de nobres católicos no Norte da Inglaterra. Maria Stuart, rainha da Escócia, que desde 1568 está exilada na Inglaterra, mais presa do que convidada, é acusada de ligação com a revolta e executada.

A prisão e morte da rainha que católicos ingleses consideram a legítima herdeira do trono da Inglaterra aumenta a tensão religiosa e leva o papa a excomungar Elizabeth I. 

É uma era de conflitos religiosos na Europa pós-Reforma Protestante. Na Noite de São Bartolomeu, em 24 de agosto de 1572, os católicos franceses massacram os protestantes huguenotes. Só em Paris, são 3 mil mortos. Muitos protestantes franceses se refugiam na Inglaterra.

Os conflitos religiosos só terminam no continente em 1648, com o fim da Guerra dos Trinta Anos, e na Inglaterra em 1689, com a vitória da Revolução Gloriosa.

NASCIMENTO DE GEORGE HARRISON

    Em 1943, nasce em Liverpool, na Inglaterra, o guitarrista, cantor, compositor e produtor musical George Harrison, o solista de guitarra dos Beatles, a mais importante banda de rock and roll de todos os tempos.

O beatle quieto e discreto, como era conhecido, adere ao hinduísmo e amplia os horizontes musicais dos outros membros da banda ao introduzir instrumentos musicais indianos. A maioria das canções dos Beatles são composições de John Lennon e Paul McCartney, mas George é autor de grandes sucessos como Taxman, While My Guitar Gently Weeps, Here Comes the Sun e Something, a segunda música mais regravada dos Beatles depois de Yesterday.

Depois da dissolução da banda, George lança um aclamado álbum triplo, All Things Must Pass, e organiza com o citarista indiano Ravi Shankar o Concerto para Bangladesh para arrecadar dinheiro para o povo miserável do novo país, o antigo Paquistão Oriental, no fim de uma guerra entre Índia e Paquistão.

Em 1988, ele funda o supergrupo Traveling Wilburys com Bob Dylan, Jeff Lynne, Roy Orbison e Tom Petty. Fumante, George morre aos 58 anos de câncer de pulmão em Los Angeles em 29 de novembro de 2001.

DENUNCIA DO STALINISMO

    Em 1956, no encerramento do 20º Congresso do Partido Comunista da União Soviética, o líder do partido, Nikita Kruschev, denuncia os crimes de Josef Stalin.

Numa sessão fechada do primeiro congresso do PC desde a morte do grande ditador soviético em 5 de março de 1953, cerca de 1.500 delegados ouvem o discurso O Culto da Personalidade e Suas Consequências.

Durante quatro horas, Kruschev acusa Stalin de "graves abusos de poder", de "prisões em massa e deportações de milhares e milhares de pessoas, de execuções sumárias sem investigação nem julgamento", o que gerou "insegurança, medo e desespero". 

"Em toda uma série de casos", afirma Kruschev, Stalin "mostrou sua intolerância, sua brutalidade, seu abuso de poder. (...) Com frequência, escolheu o caminho da repressão e da aniquilação física não apenas contra verdadeiros inimigos, mas também contra pessoas que não haviam cometido nenhum crime contra o partido ou contra o governo soviético." 

Pessoas inocentes foram forçadas a confessar crimes "por causa de métodos físicos de pressão, tortura, reduzindo-os à inconsciência, privando-os de julgamentos, tirando-lhes a dignidade humana". 

Stalin "chamou pessoalmente o interrogador, deu-lhe instruções e disse-lhe quais métodos usar, métodos que eram simples – bater, bater e, mais uma vez, bater". 

Kruschev também ataca o desempenho "incompetente" de Stalin na guerra e a deportação "monstruosa" dos povos caucasianos. Stalin foi responsável pela ruína da agricultura e por promover seu próprio culto "nauseantemente falso" da personalidade. 

Stalin traiu as ideias e o legado de Lenin, proclama Kruschev. Sua condenação foi limitada. Enquanto 'trotskistas' e 'bukharinistas' oposicionistas a Stalin não mereciam "aniquilação física", eles eram "inimigos ideológicos e políticos". 

Em sua defesa, Kruschev alega que ele e outros colaboradores do Politburo de Stalin só estavam agindo agora porque "viam essas questões de forma diferente em momentos diferentes". Ele alega que eles não sabiam o que Stalin fez em seu nome e, quando descobriram, era tarde demais. 

Kruschev também diz que Stalin tinha planos de acabar com seus camaradas do Politburo, para "destruí-los de modo a esconder os atos vergonhosos sobre os quais agora estamos relatando". Supostamente, os líderes e antigos aliados de Stalin, Viacheslav Molotov, Georgy Malenkov, Lazar Kaganovich e Kliment Voroshilov, ficam extasiados. 

O conteúdo do "discurso secreto" logo se espalha. Os delegados da Europa Oriental são autorizados a ouvi-lo na noite seguinte. Até 5 de março, cópias são enviadas a toda a União Soviética. Uma tradução oficial aparece dentro de um mês na Polônia, onde 12 mil cópias são impressas, uma das quais chega ao Ocidente. 

 Ao denunciar Stalin, Kruschev não procura mudar a sociedade soviética fundamentalmente. Quer mais consolidar o poder, mas seu discurso tem efeitos amplos e de longo prazo. É um golpe arrasador para os regimes stalinistas em todos os lugares e um fator para desencadear uma revolta na Polônia e a Revolução Húngara de 1956. 

Décadas depois, Mikhail Gorbachev, o último líder da URSS, elogia Kruschev como "um homem moral, apesar de tudo".

CASSIUS CLAY CAMPEÃO MUNDIAL

    Em 1964, aos 22 anos, com excelentes esquivas e jogo de pernas, saltitante, Cassius Marcellus Clay vence o campeão Sonny Liston, muito mais forte fisicamente, por nocaute técnico no sétimo assalto e toma o título mundial de boxe da categoria peso-pesado, no início de uma carreira brilhante em que se torna campeão mundial três vezes.

Liston ganha o título ao nocautear duas vezes o campeão mundial anterior, Floyd Patterson, no primeiro assalto. É o favorito nas casas de apostas a 8 por 1. 

Falastrão, Clay promete ganhar a luta por nocaute no oitavo assalto "flutuando como uma borboleta e ferrando como uma abelha". No fim do sétimo assalto, Liston se queixa de uma dor no ombro. Com uma luxação na clavícula, Liston não volta mais e Clay é proclamado campeão.

Meses depois, ele abandona o nome de batismo porque os negros norte-americanos tinham o sobrenome das famílias que escravizavam seus avós. Muçulmano, passa a se chamar Muhammad Ali.

Ele nasce em Louisville, no estado do Kentucky, em 1942. Começa no boxe aos 12 anos. Ao 18 anos, completa 100 vitórias no boxe amador. Em 1960, ganha uma medalha de ouro na Olimpíada de Roma. Quando tenta festejar o título tomando café no centro de sua cidade natal, não é atendido por ser negro.

Por rejeitar a convocação para a Guerra do Vietnã, Ali perde o título em 1967. Ele alega objeção de consciência: "Por que me pedem para botar um uniforme e ir a 10 mil milhas de casa jogar bombas em pessoas morenas no Vietnã quando as pessoas chamadas de negros no Kentucky são tratados como cães e não têm os mínimos direitos humanos? Nenhum vietnamita me chamou de crioulo."

Ali volta ao boxe em 1970. No ano seguinte, a Suprema Corte anula a condenação por se negar a servir o Exército em plena guerra. Em 8 de março de 1971, no Madison Square Garden, em Nova York, ele perde por pontos a Luta do Século em 15 assaltos contra Joe Frazier, nocauteado por George Foreman em dois assaltos em 22 de janeiro de 1973, em Kingston, na Jamaica.

Isto abre caminho para outra luta do século, Ali x Foreman, em Kinshasa, no Zaire (hoje República Democrática do Congo), em 30 de outubro de 1974. Depois de resistir à saraivada de golpes do adversário, Ali conquista o título mundial de boxe peso-pesado pela segunda vez.

Em 1978, Leon Spinks o vence e conquista o título, mas Ali ganha a revanche e se torna o único peso-pesado a ganhar o título três vezes. Em 1984, é diagnosticado com mal de Parkinson por causa dos golpes recebidos na cabeça quando era boxeador. Ele acende a pira na Olimpíada de Atlanta, em 1996. Vive até 3 de junho de 2016.

QUEDA DE FERDINAND MARCOS

    Em 1986, sob pressão dos Estados Unidos, que durante décadas apoiou sua ditadura, o ditador Ferdinand Marcos foge das Filipinas para o Havaí e a oposicionista Corazón Aquino, derrotada em eleição fraudulenta, assume a Presidência.

Ferdinand Emmanuel Edralin Marcos nasce em Sarrat, nas Filipinas, em 11 de setembro de 1917, filho de Mariano Marcos, um advogado e congressista de Ilocos Norte executado por guerrilheiros em 1945 por ter colaborado com o Japão durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45). Depois da guerra, as Filipinas se tornam independentes dos EUA.

Ferdinand estuda direito na Universidade das Filipinas. Em 1933, é acusado de matar um adversário político do pai. Condenado em novembro de 1939, é absolvido no ano seguinte pela Suprema Corte. É eleito deputado em 1949, para o Senado em 1959 e para a Presidência em 1965.

Em 1969, Marcos torna-se o primeiro presidente reeleito da história das Filipinas. Três anos depois, em 21 de setembro de 1972, invocando a ameaça comunista, decreta lei marcial e vira um ditador. Seu governo é marcado pela brutalidade, a corrupção e a extravagância.

Marcos vai de advogado e político a ditador e cleptocrata. Quando cai, descobre-se a coleção de 1.200 pares de sapato da primeira-dama, Imelda Marcos, que vira um símbolo da corrupção.

A lei marcial é ratificada num plebiscito fraudulento em 1973. Sob a censura, a violência e a repressão, dois grupos guerrilheiros lutam contra a ditadura de Ferdinand Marcos, um maoísta e outro muçulmano.

Depois de uma terceira reeleição em 1981, as Filipinas enfrentam uma crise econômica que atinge mercados emergentes depois da Crise da Dívida da América Latina, em 1982. Com a economia em colapso, Marcos comete um erro fatal.

Ao voltar ao país, o líder da oposição, Benigno Aquino, é assassinado no aeroporto de Manila em 23 de agosto de 1983. A oposição ressurge com força nas eleições parlamentares de 1984 e a viúva de Benigno Aquino se apresenta como candidata para desafiar o ditador.

Diante da fraude, uma onda de protestos populares toma conta das ruas e derruba Marcos. Durante sua cleptocracia, a família rouba entre 5 a 10 bilhões de dólares do Banco Central das Filipinas. Seu filho, Ferdinand Marcos Jr., preside as Filipinas desde 30 de junho de 2022.

VITÓRIA DE VIOLETA CHAMORRO

    Em 1990, num resultado surpreendente, com 54% dos votos, a candidata da oposição, Violeta Chamorro, vence a eleição presidencial na Nicarágua, derrotando o presidente Daniel Ortega, da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), que derrubara a ditadura de Anastasio Somoza em 19 de julho de 1979.

Violeta Barrios de Chamorro é outra viúva que entra na política como herdeira do marido assassinado. Pedro Joaquín Chamorro era um jornalista de oposição, diretor do jornal La Prensa, visto como a melhor alternativa à dinastia de ditadores da família Somoza, que mandava na Nicarágua desde 1933. Seu assassinato, em 10 de janeiro de 1978, mata a última chance de uma transição negociada com a ditadura de Tachito Somoza.

Com o assassinato de Pedro Joaquín Chamorro, a luta armada ganha mais força e os EUA abandonam o ditador, que cai em julho de 1979. A FSLN se instala no poder com uma junta de nove comandantes, chamados de nueve fidelitos, entre eles dois Ortegas, que tinham perdido um irmão considerado herói da revolução. Daniel Ortega se torna presidente e Humberto Ortega, ministro da Defesa.

Daniel Ortega vence a eleição de 1984, que a oposição boicota sob pressão do governo Ronald Reagan nos Estados Unidos, que financiam os rebeldes contrarrevolucionários e a campanha de Violeta Chamorro. Ela chega a fazer parte do governo revolucionário em 1979-80, mas se desilude com o esquerdismo da FSLN, assume a direção do jornal La Prensa e se torna a principal voz da oposição.

Sua vitória leva ao fim da guerra civil e ao desarmamento dos contras, como eram conhecidos os rebeldes. No poder, Violeta Chamorro adota uma política econômica neoliberal, desvaloriza a córdoba em 400%, privatiza empresas, fecha a companhia estatal de trens e corta benefícios sociais. O desemprego chega a 24%. Também abre mão de uma multa de US$ 17 bilhões que a Corte Internacional de Justiça impõe aos EUA por apoiar os contras e minar portos nicaraguenses.

Ortega volta ao poder em 2007, com o apoio do somozismo, do ex-presidente Arnoldo Alemán, preso por corrupção, para nunca mais sair. Nomeia juízes amigos para a Corte Suprema ignora as restrições à reeleição e impõe uma ditadura, ao lado da mulher e vice-presidente Rosario Murillo, que prende todos os candidatos da oposição na eleição de 2021, expulsa mais de 200 oposicionistas e persegue até a Igreja Católica, hoje a principal voz dissidente na Nicarágua.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

Hoje na História do Mundo: 26 de Dezembro

PRIMEIRO CAMPEÃO PESO-PESADO NEGRO

    Em 1908, o boxeador norte-americano Jack Johnson vence por nocaute em Sídnei, na Austrália, o canadense Tommy Burns e se torna o primeiro campeão mundial negro da categoria peso-pesado.

Johnson nasce em 31 de março de 1878 em Galveston, no Texas, por coincidência a cidade onde acaba a Guerra da Secessão (1861-65) quando a notícia chega junto com o anúncio do fim da escravidão, em 1865. É condenado por ter relações com mulheres brancas.

Com estilo defensivo, Johnson espera o erro do adversário para atacar. Por isso, é chamado de covarde e desonesto. Ele perde o título para Jess Willard, em Havana, em Cuba, numa decisão por pontos depois de 22 assaltos em 5 de abril de 1915. Luta profissionalmente até 1928 e em exibições até 1945, um ano antes de morrer.

BEATLEMANIA

    Em 1963, o compacto dos Beatles com I Wanna Hold your Hand e I Saw Her Standing There no lado B é lançado nos Estados Unidos, deflagrando a Beatlemania.

A maior banda de rock da história, liderada por John Lennon e Paul McCartney, toca junto pela primeira em 1957 em Liverpool, na Inglaterra. No início dos anos 1960, vai em diferentes ocasiões a Hamburgo na Alemanha, antes de ser descoberta pelo empresário Brian Epstein, que consegue o primeiro contrato com uma gravadora, a EMI, em 1962, depois de ser rejeitada pela Decca.

Em 1964, The Beatles lançam seu primeiro filme, A Hard Day's Night, chamado no Brasil de Os Reis do Iê-Iê-Iê, e fazem a primeira excursão aos EUA, onde estouram com apresentações na televisão.

Depois de gravar álbuns antológicos, os Beatles se separam em 1970. Até hoje, venderam um recorde de mais de 500 milhões de discos.

MAREMOTO ARRASADOR

    Em 2004, um violento terremoto de 9,3 graus na escala aberta de Richter abala o fundo do Oceano Índico perto da ilha de Sumatra e produz um maremoto com ondas gigantescas de até 30 metros que atingem 50 países e matam pelo menos 227.898 pessoas.


 
Às 7h58, a terra treme no fundo do mar a 250 quilômetros da costa de Sumatra, uma das grandes ilhas do arquipélago que forma a Indonésia. O tremor dura 10 minutos ao longo de uma falha geológica de 1.200 quilômetros.

Em 15 minutos, as ondas gigantescas ou tsunâmis atingem a Província de Aceh. Comunidades inteiras são varridas. As tsunâmis que passam pela costa da Indonésia chegam à Tailândia e uma hora e meia depois do abalo sísmico ao Sri Lanka. Chegam à África do Sul, a 8 mil km de distância, onde matam duas pessoas.

É uma das 10 piores catástrofes da história e o segundo terremoto mais forte registrado até hoje, atrás apenas do sismo de 1960 no Chile, de 9,5 graus, que provocou a formação de ondas gigantescas que cruzaram o Oceano Pacífico e foram até o Japão.