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domingo, 14 de dezembro de 2025

José Antonio Kast é eleito presidente do Chile

O candidato de extrema direita José Antonio Kast, do Partido Republicano, foi eleito presidente do Chile hoje em segundo turno. Com 83% das urnas apuradas, ele soma 58% dos votos válidos contra 42% para a comunista Jeannette Jara, que reconheceu a derrota. Trinta e cinco anos após a queda da ditadura do general Augusto Pinochet (1973-90).

Ex-deputado e advogado, católico praticante, pai de 9 filhos, Kast conquista a Presidência aos 59 anos, na terceira tentativa. Sua campanha se concentrou na luta contra a criminalidade e a imigração ilegal, ligando uma à outra. Ele promete deportar 340 mil imigrantes ilegais, na maioria venezuelanos. É contra o casamento gay e contra o aborto mesmo em caso de estupro.

O Chile está longe de ser um dos países violentos da América Latina, mas o índice de homicídios mais do que dobrou na última década, de 2,3 para cada 100 mil habitantes em 2015 para 6,7 em 2022 e 6,3 em 2023. 

No Haiti, que vive em estado de anarquia, com gangues dominando 80% da capital, o índice sobe para 62. Depois, vem Equador (38,8), Venezuela (26,2), Colômbia (25,4), Honduras (25,3) e Brasil (21,2).

Jeannette Jara, de 51 anos, foi ministra do Trabalho do presidente Gabriel Boric, que entrega o poder em março. Na campanha, prometeu aumento do salário mínimo e a consolidação da previdência social. Quando os chilenos foram às ruas numa onda de protestos em 2019, as pensões miseráveis dos aposentados foram uma das causas. Foi o suficiente para vencer o primeiro turno, em 16 de novembro, por 27% a 24%. Mas sua derrota era prevista porque os candidatos de direita somaram 70% dos votos.

"A democracia se expressou alta e fortemente", Jara escreveu numa rede social ao reconhecer a derrota. Ela cumprimentou o presidente eleito e lhe desejou boa sorte.

Kast é admirador de Pinochet e diz que o ditador votaria nele, mas evitou falar no assunto durante esta campanha. Em 2021, uma reportagem revelou que o pai dele, nascido na Alemanha, foi membro do Partido Nazista, de Adolf Hitler.

Desde a primeira eleição do bilionário Sebastián Piñera, em 2009, a direita e a esquerda se alternam no poder no Chile. Então, a questão é se há uma nova onda de vitórias da direita e da extrema direita na América Latina – e a direita é favorito no ano que vem na Colômbia e no Peru – ou se é apenas uma rejeição ao governo do dia, seja ele qual for.

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domingo, 16 de novembro de 2025

Esquerda vence primeiro turno mas ultradireita é favorita no Chile

A candidata da esquerda e do governo, Jeannette Jara, venceu o primeiro turno da eleição presidencial no Chile, mas a soma dos votos de quatro candidatos de direita e extrema direita ficou em torno de 70%. Isto torna o ultradireitista José Antonio Kast, alinhado ao presidente Donald Trump, franco favorito para o segundo turno, em 14 de dezembro. É sua terceira tentativa. Será a volta da extrema direita ao poder pelo voto depois da ditadura do general Augusto Pinochet (1973-90).

Com mais de 99,5% das urnas apuradas, Jara, do Partido Comunista, apoiada pelo presidente Gabriel Boric, lidera com 26,85% (3.463.178) dos votos, seguida por Kast, do Partido Republicano (PR), com 23,92% (3.085.775). A grande surpresa foi o populista de direita Franco Parisi, um economista que fez sucesso no rádio e na televisão, e conquistou 19,7% (2.540.655).

Parisi declarou que não vai apoiar ninguém no segundo turno: "Conquistem os votos... O PDG (Partido da Gente) não precisa de favores."

Já o "libertário" Johannes Kaiser, um extremista à direita de Kast, ficou em quarto com 13,94% (1.797.405) dos votos, superando a economista e ex-ministra Evelyn Matthei, candidata da direita tradicional, da União Democrática Independente, que teve 12,47% (1.608.687). Kaiser anunciou apoio a Kast e Matthei ligou para cumprimentar o agora favorito. Outros três candidatos tiveram votações irrisórias.

Um tema importante na campanha foi a segurança pública. O Chile tem um dos índices de homicídios mais baixos da América Latina, mas dobrou recentemente. O aumento de crimes atribuídos ao crime organizado (extorsão, sequestro, assassinato) alimentam a sensação de insegurança.

Tudo isso reforça o discurso político-linha dura. Outros eixos da campanha de Kast foram o combate à imigração ilegal e a promessa de cortar gastos públicos. Com certeza, terá o apoio de Donald Trump, um de seus modelos.

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segunda-feira, 8 de maio de 2023

Ultradireita e direita vencem eleições para Constituinte no Chile

O Partido Republicano, de extrema direita, venceu as eleições para uma assembleia constituinte no Chile e se consolidou como principal força política do país ao conquistar 22 das 50 cadeiras destinadas aos partidos políticos. Isto lhe garante poder de veto. 

Com as 11 cadeiras da coalizão conservadora Chile Seguro, a direita e a ultradireita somam 56,5% dos votos e 33 convencionais, mais do que os três quintos necessários para aprovar seu projeto. A nova Constituição terá de ser referendada pelo voto popular em dezembro.

É mais uma grande derrota para o presidente esquerdista, Gabriel Boric, que venceu o fundador do PR, José Antonio Kast, no segundo turno por 56% a 44% em 19 dezembro de 2021. A Unidade para o Chile, de esquerda, formada pela Frente Ampla, o Partido Comunista e o Partido Socialista, teve 28% dos votos. Só elegeu 17 membros do Conselho Constitucional. Os povos indígenas ficaram com uma cadeira.

"O Chile derrotou um governo fracassado", declarou Kast no discurso da vitória. O movimento de outubro "foi derrotado hoje", acrescentou Javier Macaya, líder da União Democrática Independente (UDI), um partido tradicional da direita chilena.

A eleição de Boric, um ex-líder estudantil, e a mudança constitucional são resultados da onda de manifestações iniciada em outubro de 2019 depois de um aumento nos preços do metrô de Santiago. Cerca de 1,2 milhões de pessoas protestaram num dia contra a desigualdade social, a privatização da saúde, do ensino e da previdência social, heranças da Constituição de 1980, imposta pela ditadura do general Augusto Pinochet (1973-90).

Depois de reprimir o movimento no primeiro momento, o então presidente, o conservador Sebastián Piñera, concordou em convocar um plebiscito. Em 25 de outubro de 2020, 78% dos chilenos que foram às urnas (51% do total) votaram a favor de uma nova Constituição e 79% que ela fosse escrita por uma Convenção Constitucional eleita diretamente.

A Convenção Constitucional de 155 membros, eleita em maio de 2021, com maioria de candidatos independentes e de esquerda, redigiu uma Constituição considerada muito esquerdista, rejeitada num referendo em 4 de setembro de 2022 por 62% e 38%. 

Boric apoiou o projeto derrotado, que declarava o Chile como um Estado plurinacional para incluir os povos indígenas, o que foi criticado como uma divisão do país, porque eles teriam seu próprio sistema de justiça. Também permitia o aborto e a reeleição do presidente, e acabava com o Senado. 

A campanha do ano passado foi marcada por uma avalanche de mentiras e notícias falsas, como a que dizia que a Constituição acabaria com o direito de propriedade sobre a casa própria, bem ao estilo da extrema direita latino-americana.

Em uma referência ao projeto constitucional rejeitado, o presidente Boric alertou os vencedores a "não cometer os erros que cometemos": "O processo anterior fracassou, entre outras coisas, porque não soubemos ouvir quem pensava de modo diferente."

Como observou no Twitter o cientista político Oliver Stuenkel, professor da Fundação Getúlio Vargas em São Paulo, "depois de notável série de vitórias de presidenciáveis esquerdistas na América Latina – no México, na Argentina, na Bolívia, no Peru, em Honduras, no Chile, na Colômbia e no Brasil –, há fortes indícios de que o pêndulo está se movendo para a direita."

Em dezembro, um impeachment acabou com o governo esquerdista de Pedro Castillo, que tentou dar um golpe de Estado no Peru. A vitória do conservador Santiago Peña no Paraguai não é novidade. Afinal, o Partido Colorado só não governou o país por quatro anos desde 1947. Mas o sucesso de Kast no Chile e o avanço da extrema direita são sinais de alerta.

Na Argentina, com inflação acima de 100% ao ano, o peronismo deve ser amplamente derrota em 22 de outubro. Há o risco de vitória do ultradireitista Javier Milei, que cresce nas pesquisas com o apoio dos jovens e pode chegar ao segundo turno. O presidente Alberto Fernández é tão impopular que não será candidato à reeleição, nota Stuenkel. Na Bolívia, o presidente Luis Arce não consegue controlar a pior crise econômica em anos.

A primeira onda rosa, com as eleições de Hugo Chávez, na Venezuela; Rafael Correa, no Equador; Tabaré Vázquez e José Mujica, no Uruguai; Ricardo Lagos e Michelle Bachelet, no Chile; Lula, no Brasil; e o casal Néstor e Cristina Kirchner, na Argentina; foi ideológica. 

A volta da direita ao poder e a segunda onda da esquerda se devem mais ao fracasso dos governos anteriores à direita e à esquerda. Há uma crise da democracia na América Latina, que abre espaço para o populismo de esquerda e de direita e uma extrema direita neofascista.

domingo, 19 de dezembro de 2021

Esquerda vence eleição mais polarizada no Chile pós-ditadura

 O deputado e ex-atividade estudantil Gabriel Boric é o mais jovem presidente da história do Chile, o mais votado e o primeiro a vencer no segundo turno o primeiro. 

Na eleição mais polarizada desde a volta da democracia ao país, em 1990, Boric, de 35 anos, da coalizão de esquerda Aprovo Dignidade (Frente Ampla e Partido Comunista), conquistou 55,87% dos votos. Venceu o neofascista José Antonio Kast, de Frente Social-Cristã, de extrema direita, admirador do presidente Jair Bolsonaro e filho de um oficial do Exército da Alemanha nazista, que obteve 44,13% dos sufrágios.

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domingo, 19 de novembro de 2017

Piñera e Guillier vão para o segundo turno no Chile

O bilionário e ex-presidente Sebastián Piñera, da aliança direitista Chile Vamos, venceu hoje o primeiro turno da eleição presidencial chilena, mas terá de disputar o segundo turno, em 17 de dezembro, com o sociólogo, apresentador de televisão e senador socialista Alejandro Guillier, da coalizão Nova Maioria, de centro-esquerda.

Com 99,6% das urnas apuradas, Piñera lidera com 2,408 milhões de votos (36,6%), seguido de Guillier com 1,491 milhão (22,7%) e da jornalista Beatriz Sánchez, da esquerdista Frente Ampla, que dividiu a coalizão que derrubou a ditadura do general Augusto Pinochet (1973-90).

Mais uma vez as pesquisas erraram. Chegaram a dar até 45% das preferências a Piñera e entre 10% e 15% a Sánchez. Ele ficou bem abaixo disso. Ela supreendeu. Está com 1,332 milhão de votos (20,3%).

Os outros cinco candidatos vêm bem atrás. Com 521 mil votos (7,9%), o direitista independente José Antonio Kast já prometeu apoio incondicional a Piñera no segundo turno. A democrata-cristã Carolina Goic reconheceu o mau desempenho, com 386 mil votos (5,9%), e não quis apoiar ninguém. Marco Enríquez-Ominami, um dia considerado uma jovem promessa da política chilena, está em 375 mil votos (5,7%).

Na ultraesquerda, Eduardo Artés, da União Patriótica (UP), prometeu fazer um governo ainda mais radical do que a Unidade Popular de Salvador Allende (1970-73), derruba no golpe do general Pinochet. Tem até agora 33,6 mil (0,5%), enquanto Alejandro Navarro, a aliança País, fecha a fila com 24 mil votos (0,4%).

Como o voto não é obrigatório desde 2012, o comparecimento às urnas foi de 46,5%, menos da metade dos 14 milhões de eleitores inscritos.

Desde a queda da ditadura de Pinochet em 1990, a coalizão liderada por democratas-cristãos e socialistas governou o Chile, com a exceção do primeiro governo Piñera (2010-14). Agora, pela primeira vez, disputou uma eleição presidencial com dois candidatos.

O resultado surpreendente de Beatriz Sánchez fortalece a Frente Ampla, que sextuplicou sua bancada de deputados, e se qualifica para ter uma papel importante no segundo turno. Refazer a aliança anti-Pinochet parece a única maneira de evitar a vitória da direita.

A aliança Chile Vamos obteve 46% das cadeiras na Câmara e as pesquisas sobre o segundo turno apontam a vitória de Piñera.