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domingo, 16 de novembro de 2025

Esquerda vence primeiro turno mas ultradireita é favorita no Chile

A candidata da esquerda e do governo, Jeannette Jara, venceu o primeiro turno da eleição presidencial no Chile, mas a soma dos votos de quatro candidatos de direita e extrema direita ficou em torno de 70%. Isto torna o ultradireitista José Antonio Kast, alinhado ao presidente Donald Trump, franco favorito para o segundo turno, em 14 de dezembro. É sua terceira tentativa. Será a volta da extrema direita ao poder pelo voto depois da ditadura do general Augusto Pinochet (1973-90).

Com mais de 99,5% das urnas apuradas, Jara, do Partido Comunista, apoiada pelo presidente Gabriel Boric, lidera com 26,85% (3.463.178) dos votos, seguida por Kast, do Partido Republicano (PR), com 23,92% (3.085.775). A grande surpresa foi o populista de direita Franco Parisi, um economista que fez sucesso no rádio e na televisão, e conquistou 19,7% (2.540.655).

Parisi declarou que não vai apoiar ninguém no segundo turno: "Conquistem os votos... O PDG (Partido da Gente) não precisa de favores."

Já o "libertário" Johannes Kaiser, um extremista à direita de Kast, ficou em quarto com 13,94% (1.797.405) dos votos, superando a economista e ex-ministra Evelyn Matthei, candidata da direita tradicional, da União Democrática Independente, que teve 12,47% (1.608.687). Kaiser anunciou apoio a Kast e Matthei ligou para cumprimentar o agora favorito. Outros três candidatos tiveram votações irrisórias.

Um tema importante na campanha foi a segurança pública. O Chile tem um dos índices de homicídios mais baixos da América Latina, mas dobrou recentemente. O aumento de crimes atribuídos ao crime organizado (extorsão, sequestro, assassinato) alimentam a sensação de insegurança.

Tudo isso reforça o discurso político-linha dura. Outros eixos da campanha de Kast foram o combate à imigração ilegal e a promessa de cortar gastos públicos. Com certeza, terá o apoio de Donald Trump, um de seus modelos.

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domingo, 24 de abril de 2016

Coreia do Norte para testes nucleares se EUA cancelarem manobras

A Coreia do Norte prometeu hoje parar seus testes com armas atômicas se os Estados Unidos suspenderem as manobras militares conjuntas realizadas anualmente com a Coreia do Sul, declarou o ministro do Exterior norte-coreano, Ri Su Yong, citado pela televisão pública britânica BBC.

O regime stalinista de Pionguiangue realizou ontem um teste de míssil balístico lançado de submarino, descrito como um fracasso pelo Estado-Maior das Forças Armadas sul-coreanas, e estaria preparando seu quinto teste nuclear para os próximos dias.

Depois do último teste nuclear, realizado em janeiro, o Conselho de Segurança das Nações Unidas reforçou as sanções à Coreia do Norte. Um novo ensaio será mais um desafio à sociedade internacional. É esperado antes do próximo congresso do Partido do Trabalho da Coreia, o nome oficial do partido comunista norte-coreano, marcado para maio. Será o primeiro congresso do PC desde 1980.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

China prende presidente de estatal do petróleo por corrupção

O presidente e subdiretor-geral da empresa estatal Sinopec, a maior refinaria de petróleo da Ásia, é mais um tigre que cai na malha da campanha anticorrupção da China. Wang Tianpu foi detido por investigadores do Partido Comunista por "sérias violações da disciplina e da lei", linguagem usada pelo regime para falar de corrupção.

A investigação foi revelada por uma pequena nota divulgada no sítio de Internet da Comissão Central para Inspeção Disciplinar, o poderoso órgão da campanha anticorrupção lançada pelo presidente Xi Jinping para se consolidar e se legitimar no poder.

No momento, um dos focos é o setor de energia. Neste mês, o ex-diretor da China National Petroleum Corporation, Jian Jiemin, preso em agosto de 2013, foi julgado por abuso de poder e aceitar suborno. Nas últimas semanas, o presidente do grupo China FAW, Xu Jianyi, e o vice-presidente do grupo Baostel, Cui Jian, passaram a ser investigados.

Muitos suspeitos são ligados a Zhou Yongkang, ex-todo-poderoso ministro da Segurança do Estado e ex-membro do Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central do Partido Comunista, o seleto grupo de altos dirigentes que manda de fato na China. Ele será o mais alto funcionário do regime a ser processado desde a vitória da revolução liderada por Mao Tsé-tung, em 1º de outubro de 1949.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

China promete fechar campos de trabalhos forçados

Entre as reformas anunciadas hoje no fim da terceira reunião plenária do atual Comitê Central do Partido Comunista, a China promete fechar os campos de trabalhos forçados para onde os dissidentes do regime eram e são enviados para "reeducação", quase sempre sem condenação judicial.

Foi o único avanço em questões políticas e de direitos humanos do encontro da cúpul do PC chinês.

Atualmente estima-se que cerca de 300 mil chineses estejam internados em centros de "reeducação", uma instituição típica dos regimes stalinistas. Na União Soviética, eram os gulags; na China, chamam-se laogai.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Justiça da China rejeita recurso de Bo Xilai

Um tribunal de recursos da China negou hoje provimento a um recurso apresentado pelo ex-dirigente comunista Bo Xilai contra sua condenação à prisão perpétua por corrupção, abuso de poder e enriquecimento ilícito, acabando com uma carreira meteórica de estrela em ascensão da linha dura do Partido Comunista. Quando caiu em desgraça, ele era um dos 25 membros do Politburo do Comitê Central, candidato ao Comitê Permanente do Politburo, os sete imperadores que mandam na China.

Como líder do partido e governador da província de Xunquim, Bo Xilai resgatou métodos, a cultura vermelha do tempo de Mao Tsé-tung e até hinos de propaganda da Revolução Cultural a pretexto de combater a corrupção. Tentou criar uma nova esquerda mais estatizante, alternativa às políticas econômicas liberais adotadas a partir das reformas de Deng Xiaoping, sem abrir mão do investimento estrangeiro. Hoje a China é outra.

Bo Xilai investiu maciçamente em obras públicas, com casas subsidiadas para os pobres, e numa imagem de rigoroso e implacável com a corrupção. Em 2008, nas estatísticas oficiais, Xunquim cresceu 14,3%, acima dos cerca de 8% da China como um todo.

Na luta pelo poder, Bo montou um esquema de espionagem que teria escutado clandestinamente telefonemas do presidente Hu Jintao. Talvez essa infração à disciplina e à hierarquia interna do PC chinês tenha sido fatal para suas ambições.

Sua administração policialesca, marcada por abusos de poder e perseguições políticas, terminou quando seu vice e chefe de polícia pediu asilo num consulado dos Estados Unidos para denunciar Gu Kailai pelo assassinato do empresário britânico Neil Heywood, encontrado morto em 14 de novembro de 2011 num quarto de hotel em Xunquim.

Heywood era intermediário de negócios internacionais ilícitos do casal, que teria US$ 136 milhões no exterior, de acordo com reportagem da agência de notícias Bloomberg na época. Estaria pedindo comissões maiores, sob ameaça de revelar a trilha do dinheiro sujo de Bo Xilai e Gu Kailai. Foi envenenado por ela em cumplicidade com um assessor e o chefe de polícia de Xunquim.

Quando a Comissão Central de Inspeções Disciplinares do PC iniciou investigações na cidade de Xunquim, no início de 2012, um dos alvos eram Wang Lijun, o chefe de polícia e vice-governador que tinha sido o segundo de Bo nas campanhas anticorrupção.

Sob pressão da investigação aberta pelo governo central, em 16 de janeiro de 2012, Wang teria confrontado Bo, dizendo que tinha provas do crime cometido por Gu. No primeiro momento, o chefe teria mandado prosseguir o inquérito mas, a partir daí, começou a obstruir a investigação.

Em 2 de fevereiro de 2012, Wang foi afastado do inquérito, nomeado vice-governador para educação, ciência e meio ambiente, e colocado sob vigilância. Temendo pela vida, em 6 de fevereiro, pediu asilo ao Consulado Americano em Chengdu.

Bo foi afastado do cargo de líder regional do PC e governador provincial em 15 de março de 2012. Teve apenas um voto a favor no Comitê Permanente, na época com nove membros ou nove imperadores.

Em 10 de abril de 2012, Bo foi suspenso temporariamente do Comitê Central e do Politburo por estar sendo investigado por "sérias violações disciplinares". Em 28 de setembro, o Politburo decidiu pediu sua expulsão do partido. Em 26 de outubro, o Comitê Permanente do Congresso Nacional do Povo, retirou-lhe os últimos cargos públicos.

Sua mulher, Gu Kailai, foi condenada à morte em agosto de 2012 pelo assassinato de Heywood, com sentença convertida temporariamente em prisão perpétua, o que dificilmente aconteceria se o marido não tivesse caído em desgraça.

Dias antes do início do 18º Congresso Nacional do PC da China, em 4 de novembro de 2012, Bo foi formalmente expulso do partido. Isso abriu caminho para seu julgamento por corrupção, abuso de poder e enriquecimento ilícito que o condenou, em 23 de setembro de 2013, a ficar preso até o fim da vida.

Foi o processo mais politizado desde que a Gangue dos Quatro, liderada pela viúva de Mao, Jiang Ching, foi condenada por mortes, traição e abuso de poder, em 1981.

No tribunal, Bo rejeitou todas as acusações e alegou ser vítima de perseguição política. Agora, perdeu o último recurso. Acabou ele próprio servindo de exemplo para a campanha anticorrupção lançada pelo novo presidente Xi Jinping.

domingo, 22 de setembro de 2013

China condena Bo Xilai à prisão perpétua

Há um ano e meio, ele era a maior estrela em ascensão da linha dura do Partido Comunista da China, saudosa do tempo de Mao Tsé-tung. Hoje, Bo Xilai foi condenado à prisão perpétua por aceitar suborno no valor de US$ 3,6 milhões, desviar US$ 800 mil em dinheiro público e abusar do poder para encobrir o assassinato do empresário britânico Neil Heywood, morto por sua mulher em novembro de 2011.

Foi a queda do poder mais espetacular desde que a Gangue dos Quatro, que incluía a viúva de Mao, Jiang Ching, foi condenada por alta traição, em 1981.

Bo era governador e líder do partido na cidade-estado de Xunquim, onde aplicou os métodos policiais da era maoísta para combater a corrupção e resgatou músicas patrióticas do tempo da Revolução Industrial (1966-76), o período mais conturbado da revolução comunista na China.

Durante todo o processo, Bo desafiou o tribunal, apresentando-se como vítima de perseguição política e de um processo forjado. Ele era membro do Politburo do Comitê Central do PC chinês, de 25 membros, e ambicionava chegar ao Comitê Permanente do Politburo, os agora "sete imperadores" que governam a China, no fim do ano passado.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

China apresenta nova liderança do Partido Comunista

No encerramento de seu 18º Congresso, o Partido Comunista da China acaba de apresentar o novo Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central, que foi reduzido de nove para sete membros. São os novos imperadores que mandam na segunda maior economia do mundo e em 1,3 bilhão de pessoas.

Xi Jinping
O vice-presidente Xi Jinping foi eleito secretário-geral do PC. Em fevereiro, deve assumir também a Presidência da República Popular da China por um mandato de cinco anos renovável por mais cinco anos. Assim, a expectativa é que Xi trabalhe para consolidar o poder no primeiro mandato e deixe medidas mais ousadas para o segundo.

Seu número dois será o vice-primeiro-ministro Li Keqiang,  um economista com PhD pela Universidade de Beijim que será promovido a primeiro-ministro. Será a principal autoridade econômica do governo. A economia que mais cresceu no mundo nos últimos 30 anos está em desaceleração e tenta se reorientar do comércio exterior para o mercado interno.

Os outros membros são considerados conservadores. O liberal Wang Yang não foi promovido.

Neste momento, Xi Jinping discursa. Destaca a contribuição da China para a humanidade, mas adverte que o país vive um momento crucial de seu desenvolvimento e já fracassou antes. Defende uma "nova China, voltada para o futuro e a prosperidade, em vez da velha China", uma referência à velha guarda saudosista do maoísmo.

"É preciso continuar trabalhando duro para a grandeza da nação chinesa e assim contribuir para a grandeza da humanidade", exorta o novo líder chinês, filho de um revolucionário perseguido durante a Revolução Cultural, o que o fez boa parte da juventude numa aldeia camponesa miserável.

Entre suas prioridades, o novo secretário-geral citou combate à corrupção, segurança, empregos, saúde, melhores condições de habitação, um meio ambiente mais bonito. "Nossa missão é liderar todas as pessoas e o partido para liberar suas mentes e aumentar a produtividade, liberar nossa maneira de pensar para desenvolver as forças produtivas e resolver os problemas que as pessoas enfrentam no dia a dia para garantir prosperidade para todos", prometeu Xi.

"Somos orgulhosos, mas cautelosos. Nosso partido serve o povo de todo o coração e como nação capturamos a atenção do mundo. Mas não podemos dormir sobre nossos louros. Estamos enfrentando vários desafios, especialmente a corrupção de membros do partido e burocratas. Há muitos problemas a serem resolvidos, como corrupção, burocratismo, falta de contato com o povo. Todo o partido deve estar vigilante", exortou o futuro presidente da China (2013-23).

O PC "precisa liderar o desenvolvimento social, mantendo contato próximo com o povo. Não há dificuldade que não possamos superar. Nossa determinação de servir o povo é ilimitada. Enquanto nos unirmos, não há nada que não possamos fazer", acrescentou, defendendo o monopólio de poder do partido.

"A China precisa conhecer melhor o mundo, e o mundo conhecer melhor a China", concluiu o novo líder do PC chinês, numa mensagem conciliadora, de busca do entendimento, que com certeza será bem recebida pelo resto do mundo.

O presidente que sai em março, Hu Jintao, é um burocrata cinzento com cabelo pintado de preto, um homem da máquina partidária. Há esperanças de que Xi Jinping, que morou no estado de Iowa por um tempo nos anos 80, e viajou bastante ao exterior seja mais aberto para o mundo no momento em que a China tem de assumir cada vez mais responsabilidades como grande potência mundial.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Primeiro-ministro da China virou bilionário

O milagre econômico chinês chegou ao primeiro-ministro Wen Jiabao. Desde que ele assumiu a chefia do governo da China, há 10 anos, sua família acumulou uma fortuna de US$ 2,7 bilhões, revela uma reportagem do jornal The New York Times.

Muitos parentes de Wen, inclusive seu filho, sua filha, seu irmão mais moço e seu genro enriqueceram extraordinariamente. Em muitos casos, os nomes dos parentes estão escondidos por parcerias e fundos de investimento. A investigação desvenda uma trama de ligações subterrâneas entre pessoas com padrinhos políticos importantes e os lucros fabulosos obtidos com o espetacular desenvolvimento da China nas três últimas décadas.

A notícia cai como uma bomba às vésperas do Congresso do Partido Comunista que elege, a partir de 8 de novembro, os novos líderes que devem governar a superpotência emergente nos próximos 10 anos.

Na luta interna pelo poder, a estrela em ascensão da linha dura, Bo Xilai, caiu em desgraça. Wen era um de seus principais inimigos. Chegou a acusar indiretamente suas políticas como prefeito e líder do partido em Xunquim de ameaçarem trazer de volta a Revolução Cultural (1966-76), o período mais traumático da história recente da China.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

PC chinês inicia congresso da transição no dia 8/11

O Partido Comunista da China convocou para 8 de novembro o congresso que vai eleger os novos dirigentes do regime numa transição que acontece a cada dez anos, desta vez abalada pela queda espetacular de Bo Xilai, o expoente em ascensão da linha dura expurgado hoje. Isso indica que houve um acordo entre as diferentes facções sobre quem será promovido.

Se não houver surpresas, o vice-presidente Xi Jinping será elevado à liderança do PC e, em março de 2013, deverá assumir a Presidência da China, mas acredita-se que o atual presidente, Hu Jintao, quer ficar na presidência da Comissão Militar do Comitê Central para manter sua influência. Esse era o único cargo oficial de Deng Xiaoping nos anos 70 e 80. Xi desapareceu de 1º a 15 de setembro, gerando especulações sobre seu destino.

Bo era um dos 25 membros do Politburo do Comitê Central, de onde foi afastado em abril de 2012, depois de ter perdido um mês antes a chefia do partido e do governo na cidade-província de Xunquim, onde adotara políticas estatizantes e resgatara práticas da era de Mao Tsé-tung e da Revolução Cultural, inclusive a música triunfalista do realismo socialista. Sonhava em ascender para o Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central, os nove dirigentes máximos do regime comunista chinês.

Sua queda é o escândalo político mais espetacular desde 1981, quando os membros Gangue dos Quatro, inclusive a viúva de Mao, Jiang Ching, foram condenados por crimes cometidos durante a Revolução Cultural. A Gangue virou o símbolo máximo dos excessos, abusos de poder e brutalidade daquele período que Bo tentou reviver.

Bo Xilai é expulso do Partido Comunista da China

Depois de ser destituído da Prefeitura de Xunquim em março e de todos os cargos que tinha no Partido Comunista da China em abril, Bo Xilai foi expulso do PC e "terá de enfrentar a Justiça", informou hoje a agência oficial de notícias Nova China.

A notícia foi divulgada no dia em que foi anunciada a data de 8 de novembro para início o congresso do partido que vai oficializar a mudança para uma nova geração de líderes. Isso indica que houve um acerto entre as diferentes facções do PC para suavizar uma transição que é sempre difícil num regime fechado e poderoso - e Bo foi sacrificado.

Sua mulher, Gu Kailai, foi condenada à morte com direito a suspensão da pena pelo assassinato do empresário britânico Neil Heywood, que seria responsável pelos negócios internacionais do casal, no maior escândalo político em três décadas na China. Seu vice e chefe de polícia em Xunquim, Wang Lijun, pegou 15 anos de cadeia pelo mesmo crime.

Até hoje, Bo só havia sido acusado por "sérias infraçcões disciplinares". Como expoente da linha dura e por ser um principezinho, filho de um dos líderes da revolução comunista, acreditava-se que ele poderia receber punições menores e não ir para a cadeia. Mas Bo terá de responder por abuso de poder e aceitar grandes propinas, entre outros crimes, informa a agência de notícias Reuters.

"As ações de Bo Xilai tiveram repercussões graves e causaram enorme prejuízo à reputação do partido e do Estado, produzindo efeitos malignos no país e no exterior", acusa a nota distribuída pela liderança do PC, reproduzida pela agência Nova China.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Gu Kailai confessa culpa por assassinato

A mulher do ex-dirigente chinês Bo Xilai, Gu Kailai, assumiu a responsabilidade pela morte do empresário britânico Neil Heywood, envenenado com cianeto de potássio num quarto de hotel na cidade de Xunquim, onde seu marido era líder do Partido Comunista, informou hoje a agência oficial Nova China.

O julgamento político mais escandaloso em 30 anos na China durou apenas um dia. Para os que defenderam o impeachment-relâmpago do presidente do Paraguai, Fernando Lugo, está aí outro exemplo de como a justiça funciona sob ditadura. Nos dois casos, o veredito estava pronto antes do julgamento.

Gu Kailai alegou ter sofrido um "colapso mental", supostamente ao ver seu filho ser ameaçado por Heywood. Ela declarou estar pronta a aceitar qualquer sentença.

Como o objetivo do regime comunista chinês é enterrar o caso o mais rapidamente possível, Gu pode ser condenada à prisão perpétua e não à morte.

sábado, 26 de maio de 2012

Queda de Bo reaviva fantasma da Revolução Cultural

A Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76) é o maior trauma da história recente da China. Ainda molda o debate político, especialmente em momentos de crise como agora, com o expurgo do alto dirigente comunista Bo Xilai e a prisão de sua mulher, Gu Kailai, acusada pela morte do empresário britânico Neil Heywood, que seria mediador dos negócios sujos internacionais do casal.

Uma das justificativas para reprimir o movimento dos estudantes na Praça da Paz Celestial, em 1989, foi que a democracia traria de volta a anarquia e a luta pelo poder que caracterizaram o período mais traumático do regime comunista, em que os valores tradicionais foram repudiados, e a razoabilidade ou bom senso, substituídos por um radicalismo destrutivo. O trânsito andava no sinal vermelho e parava no verde.

Foi o desastre da Revolução Cultural que permitiu a Deng Xiaoping promover a guinada do regime para a "economia de mercado socialista". Em primeiro lugar, a proposta de modernização era a única capaz de unir o partido, extremamente fragmentado pela luta interna fratricida desencadeada por Mao Tsé-tung em 1966 para não perder o controle do PC chinês. 

Em segundo lugar, Deng usou o argumento de que o militar, o operário e o camponês chineses, os heróis da revolução, ainda levavam vidas muito pobres, com grandes privações, introduzindo o conceito de "democracia econômica", que incluía a descentralização das decisões.

Logo, os reformistas mais entusiasmados com a liberdade quiseram radicalizar o processo rumo à democratização. Quando a velha guarda lançou uma nova campanha contra o "liberalismo burguês", Deng a conteve com seus quatro princípios de que a base do regime era o pensamento marxista-leninista de Mao, com o monopólio de poder do partido comunista, socialismo e ditadura do proletariado. 

Daí vem a contradição básica da reforma econômica chinesa: descentralização e liberdade de iniciativa para desenvolver as forças produtivas, sem democracia. Liberdade econômica sem liberdade política. É permitido enriquecer, mas não criticar o governo.


Há um limite que será testado na medida em que a nova elite econômica se assustar com os crimes e a violência que marcaram a ascensão e a queda de Bo Xilai. Bo era líder do partido na cidade-província de Xunquim, um prefeito com status de governador, e membro do Politburo do Comitê Central, formado por 25 pessoas. Sonhava em ascender neste ano ao Comitê Permanente do Politburo, de nove membros, os chamados nove imperadores que governam a China de fato.

Deng sufocou a democratização para conter a velha guarda do outro lado, num delicado equilíbrio construído a cada momento do debate ideológico interno do PC. Estava convencido de que a liderança do partido era essencial a seu processo de modernização. Para manter o apoio às reformas, precisava conter o conflito entre reformistas e stalinistas.

A democracia era um instrumento utilitário a ser usado na base. Deng nunca pretendeu levá-la até o topo. No diário de Zhao Ziyang, Prisioneiro do Estado, o líder do PC afastado por se opor à intervenção do Exército Popular de Libertação na Praça da Paz Celestial, em 1989, revela ter recebido ordens expressas de Deng para não incluir entre os temas em debate no partido nada que se assemelhasse à divisão do governo em três poderes, no modelo criado pelo filósofo francês Charles de Montesquieu.

Quando Bo caiu, em março de 2012, o primeiro-ministro Wen Jiabao, que esteve com Zhao dialogando com os estudantes dias antes do massacre de 1989, defendeu no Congresso Nacional do Povo a retomada das reformas políticas, alertando que a alternativa é a volta da Revolução Cultural. Mas esse ímpeto já teria sido controlado. Numa reunião recente da cúpula do partido, do governo e do regime, o presidente Hu Jintao teria deixado claro que o escândalo deve ser considerado um "fato isolado".

Em Governing China, o sinólogo americano Kenneth Lieberthal afirma que a China conseguiu há dois mil anos organizar uma burocracia capaz de administrar seu vasto território, de dimensões imperiais, mas suas elites nunca conseguiram criar um sistema político capaz de regular a disputa de poder entre estas elites.

A queda espetacular de Bo Xilai, a revelação dos métodos criminosos que usava e dos privilégios de que seu clã desfrutava mostram que o problema não foi resolvido nem há solução a vista.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

China limita expurgos para isolar caso Bo Xilai

Em ano de renovação da liderança, o presidente da China, Hu Jintao, pediu ao Partido Comunista que reduza as tensões e mostra unidade neste período de transição marcado pelo expurgo do alto dirigente Bo Xilai, que era um dos 25 membros do Politburo, o birô político do PC, e foi acusado de corrupção e abuso de poder.

Durante reunião com cerca de 200 altos funcionários num hotel de Beijim no início deste mês, Hu descreveu o pior escândalo político das últimas duas décadas na China como um "caso isolado", informa com exclusividade hoje a agência Reuters.

Bo era líder do partido na cidade-província de Xunquim e almejava entrar para o Comitê Permanente do Politburo, formado pelos chamados nove imperadores, os homens que realmente mandam no país.

No  fim do ano, o 18º Congresso do PC chinês vai escolher os nove líderes da China. Hu e o primeiro-ministro Wen Jiabao devem deixar seus cargos no início de 2013, quando o vice-presidente Xi Jinping deve ascender à posição de dirigente máximo em substituição ao atual presidente.

O ex-presidente Jiang Zemin (1993-2003), considerado um dos homens mais poderosos do regime, aconselhou Hu, informou uma das fontes da Reuters: "Jiang disse que, se temos provas consistentes de que Gu Kailai [mulher de Bo] cometeu um homicídio e que Bo Xilai também cometeu grandes erros, então tratem o caso como um incidente criminal isolado. Há muita instabilidade. A meta deve ser o sucesso do 18º Congresso do partido".

Diante do debate na sociedade chinesa suscitado pela queda espetacular de Bo, que resgatou métodos e até canções do tempo de Mao Tsé-tung e da Revolução Cultural, Hu pediu o fim das divisões ideológicas, como se a luta intestina pelo poder entre reformistas e a velha guarda comunista não estivesse em plena efervescência.

Para combater os rumores que tomaram as redes sociais da Internet chinesa, Hu apareceu ostensivamente há uma semana ao lado do chefe da segurança interna, Zhou Yongkang, apontado como aliado de Bo.

Em março, quando Bo perdeu o cargo em Xunquim, o primeiro-ministro Wen chegou a advertir o Congresso Nacional do Povo sobre a necessidade de uma reforma política para evitar a "volta da Revolução Cultural". Isso levou analistas a concluir que os reformistas estavam em vantagem no conflito ideológico interno do PC, mas a palavra de ordem é unidade.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Crescimento da China cai para 8,1% ao ano

A China cresceu no primeiro trimestre de 2012 num ritmo anual de 8,1% ao ano, o menor em três anos, abaixo da expectativa do mercado.

O país ainda vive uma situação política conturbada, com o expurgo do alto dirigente do Partido Comunista Bo Xilai, que caiu em desgraça no mês passado. Sua mulher foi presa há dias como suspeita da morte do empresário britânico Neil Heywood, que faria negócios internacionais sujos para o casal.

Neste ano, o regime comunista escolhe o futuro líder do PC, que será o próximo presidente chinês, assim como o primeiro-ministro e os outros sete dirigentes do Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central do partido. Eles são conhecidos popularmente como os nove imperadores que governam a China.

É um ano eleitoral e de luta pelo poder. Num regime fechado, o desfecho é menos previsível.

sábado, 24 de março de 2012

Xi Jinping defende "pureza" e unidade do PC chinês

Em meio à luta interna pelo poder e à crise que derrubou o neolinha-dura Bo Xilai, o futuro líder do Partido Comunista e próximo presidente da China, Xi Jinping, fez um apelo à "pureza" e à união típico das ditaduras. É o estilo sigam a linha do partido, o chamado "centralismo democrático" criado por Lenin, que de democrático só tem o adjetivo.

Na semana passada, Xi fez um apelo aos demais líderes do PC para que "não joguem para a massa" nem "procurem fama e fortuna". Em artigo publicado em 16 de março de 2012, o futuro líder criticou claramente as políticas e o estilo de Bo, derrubado da chefia do partido na cidade de Xunquim.

O expurgo também afastou Bo da luta por uma das vagas no Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central do PC chinês, os nove imperadores que governam a China. Foi o mais alto dirigente do partido a cair em desgraça desde 1989, quando Zhao Ziyang deixou a Secretaria Geral por ser contra o uso da força para acabar com o movimento dos estudantes na Praça da Paz Celestial.

Zhao morreu em prisão domiciliar em 2005 por lutar por reformas democráticas. Bo, ao contrário, tentava resgatar práticas maoístas como preferência por uma economia estatal, perseguição de empresários e o canto de músicas do tempo da Revolução Cultural.

Mais do que revelar um pouco do obscuro jogo pelo poder no país mais cresce e mais se torna poderoso no mundo, a crise mostra a precariedade da estrutura institucional da China.

Em seu último discurso como chefe de governo no Congresso Nacional do Povo, o primeiro-ministro Wen Jiabao radicalizou na mensagem, advertindo que a paralisia da reforma política (desde 1989) pode levar a uma nova Revolução Cultural.

Por mais improvável que pareça, lembra, como observou Kenneth Lieberthal, que historicamente os chineses conseguiram criar uma burocracia para administrar esse vasto país, o segundo maior do mundo, mas até hoje não conseguiu criar um sistema político capaz de administrar pacificamente a luta pelo poder entre as elites e as transferências de poder.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Futuro líder chinês faz visita sentimental a Iowa

A pequena cidade de Muscatine, no Rio Mississípi, onde o escritor americano Mark Twain morou em 1854, esteve no caminho da ascensão ao poder do vice-presidente Xi Jinping. No fim deste ano, ele deve ser indicado líder do Partido Comunista e, em 2013, deve se tornar o próximo presidente da China.

Há 27 anos, quando era funcionário do partido numa região de criação de porcos, Xi liderou uma delegação chinesa que visitou fazendas, foi ao Rotary Club e assistiu a um jogo de beisebol em Iowa.

Durante duas noites, ele se hospedou na casa de um casal de classe média em Muscatine. Dormiu entre bonecos do seriado Jornada nas Estrelas no quarto dos filhos do casal, que estavam na universidade.

Foi sua primeira viagem ao exterior. Agora, na primeira visita oficial aos Estados Unidos desde que foi indicado para dirigente máximo da superpotência emergente, aos 58 anos, Xi fez questão de tomar um chá com os velhos amigos.

É a visita mais importante de um líder estrangeiro a Iowa desde que Nikita Kruschev foi conhecer a agricultura do Meio-Oeste americano, em 1959, na primeira visita de um líder da União Soviética aos EUA.

Para o ex-secretário do Tesouro dos EUA Henry Paulson, que o encontrou em dezembro, Xi é "um líder forte e confiante", de comunicação fácil, que conhece o Ocidente.

Depois de encontrá-lo três vezes, o ex-secretário de Estado Henry Kissinger, que iniciou a reaproximação com a China ao visitar o país há 40 anos, descreveu-o como "mais afirmativo do Hu. Quando ele entra na sala, sente-se uma presença importante".

Um dos objetivos da visita sentimental é apresentar o futuro líder chinês como um homem confiante, com personalidade diferente do atual presidente, Hu Jintao, um burocrata sombrio, e familiaridade com os EUA.

Em 1979, pouco depois de lançar as reformas que transformaram a China na segunda maior potência mundial, Deng Xiaoping posou com um chapéu de vaqueiro no Texas. Foi um gesto ousado para um líder que havia sido expurgado durante a Revolução Cultural (1966-76) e enfrentava acusações de minar o sistema socialista com suas experiências capitalistas.

Deng inventou a "economia de mercado socialista". Explicou à Enciclopédia Britânica que o mercado era anterior ao capitalismo, portanto não poderia ser monopólio do sistema capitalista. Mas nunca um alto dirigente do regime comunista chinês tentou mostrar laços pessoais tão fortes com os EUA como Xi Jinping.

Em outubro deste ano, o presidente Hu e outros seis membros do Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central do PC chinês, de nove membros, se aposentam, abrindo espaço para uma renovação na cúpula do partido sob a liderança de Xi. Nas ruas, eles são chamados de "os nove imperadores".

Com a economia em desaceleração por causa da crise internacional, a desigualdade social crescente e os enormes problemas ambientais, Xi terá de retomar as reformas econômicas, que ficaram estagnadas na última década, de grande crescimento para a China. Quando o problema é o crescimento acima de 10% ao ano, o governo não se sente na obrigação de fazer grandes mudanças.

O vice-presidente chinês é filho de Xi Zhongxun, herói da revolução e alto dirigente do partido expurgado em 1962 por apoiar a publicação de um livro crítico do Camarada Mao Tsé-tung. Reabilitado depois da Revolução Cultural, propôs e ajudou a implantar a primeira zona econômica especial de processamento de exportações. Apoiou as reformas de Deng até sua morte, em 2002. Foi contra o afastamento de Hu Yaobang da Secretaria Geral do partido, em 1987, e a repressão ao movimento estudantil massacrado na Praça da Paz Celestial, em junho de 1989.

Xi nasceu no luxuoso complexo residencial da cúpula do partido no centro do Beijim, ao lado da Cidade Proibida, o antigo palácio imperial da capital chinesa. Os novos imperadores moram ao lado de onde ficavam os velhos, e a verdadeira cidade proibida hoje é a residência oficial dos caciques do PC.

Hu era filho do dono de uma casa de chá. Teve de galgar por si próprio até chegar ao topo da hierarquia do partido. Os sinólogos dizem que o presidente preferia o vice-primeiro-ministro Li Keqiang como sucessor. Xi Jinping é um dos chamados príncipes da hierarquia comunista.

Quando ele tinha nove anos, o pai foi colocado em prisão domiciliar por um período de 16 anos. Aos 15 anos, durante a Revolução Cultural, Xi foi enviado para reeducação entre os camponeses da província de Xaanxi, no Norte da China.

Como seu pai ajudara a organizar o PC na província nos anos 30, ele foi respeitado e bem tratado pelas lideranças locais.

Durante sete anos, o próximo dirigente máximo da China morou nas casas tradicionadas cavadas na rocha do Norte do país. Suas tarefas eram construir diques e explorar meios de coletar o gás metano dos dejetos de animais.

Numa entrevista em 1996, Xi admitiu ter suportado "mais dureza que a maioria das pessoas" por ser filho de um dirigente político que caiu em desgraça. Ele foi preso três vezes e obrigado a denunciar o próprio pai.

Depois de ser rejeitado nove vezes, em 1974, Xi tornou-se membro do partido. Por duas vezes, não conseguiu entrar na prestigiada Universidade Tsinghua, em Beijim. Seu pai teve de apelar para o filho não ser prejudicado por sua situação política.

Quando Xi se graduou em química orgânica, em 1979, seu pai havia voltado à elite do partido. O filho se tornou secretário do vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa Geng Biao, um amigo e camarada de armas do pai do tempo da revolução comunista. Isso lhe permitiu estabelecer ligações com os militares, o que nem Hu nem seu antecessor Jiang Zemin tem.

Xi Jinping é vice-presidente da Comissão Militar do Comitê Central e deve ser eleito presidente desta comissão, o único cargo oficial de Deng Xiaoping quando era o líder máximo da China.

Ao deixar a farda, em 1982, ele assumiu a subchefia do partido no condado de Zhengding, uma região de criação de portos na província de Hebei, no Norte. Lá Xi conheceu o atual governador de Iowa, Terry Branstad, que visitou Hebei em 1984 dentro de um programa de "estados irmãos". No ano seguinte, uma delegação chinesa foi a Iowa.

Na volta, tornou-se vice-prefeito do porto de Xiamen, trabalhando para outro amigo de seu pai. De lá, passou a líder do partido nas prósperas e dinâmicas províncias de Fujian e Zhejiang, onde se mostrou um bom administrador com bom trânsito nos meios empresariais.

Numa votação informal entre a cúpula do partido, em 2007, Xi despontou como favorito à sucessão, que pela segunda vez seguida aparentemente será previsível na turbulenta história moderna da China.

"Seu pai era muito popular", observa o professor Zheng Yongnian, especialista em política chinesa na Universidade Nacional de Cingapura. "Isso lhe dá mais autoconfiança, além dele ter muito mais conhecimento sobre o Ocidente. Penso que ele acredita que poderá consolidar o poder muito mais rapidamente do que Hu".

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Futuro líder da China chega aos EUA

O vice-presidente Xi Jinping, que deve ser escolhido líder do Partido Comunista no fim deste ano e assumir a Presidência da China no início de 2013, chegou hoje a Washington para uma visita de cinco dias aos Estados Unidos. Além da capital, ele vai aos estados de Iowa, onde morou, e da Califórnia.

Nos próximos dias, os americanos vão tentar decifrar o futuro dirigente máximo do país que mais cresce no mundo, a segunda maior economia do mundo rumo ao topo dentro de 10 a 20 anos.

Há uma desconfiança estratégica entre as duas grandes potências mundiais deste início de século 21, atritos comerciais e um temor da China quanto aos planos de expansão da presença militar dos EUA no Leste da Ásia,

Filho de Xi Zhongxun, um alto funcionário que caiu em desgraça e foi expurgado durante a Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76), Xi foi criado numa zona rural pobre do interior do Norte da China para onde seu pai foi enviado para "reeducação".

Durante sete anos, Xi Jinping viveu como um camponês, comendo pão de milho e dormindo em camas infestada por insetos. Esse sofrimento o fez sentir a dureza da vida dos pobres. Espera-se que ele tenha sensibilidade com os deserdados pelo milagre chinês e a crescente concentração da renda.

Reabilitado, o pai tornou-se um dos defensores das reformas dentro do PC chinês e teria discordado da violenta repressão ao movimento estudantil por liberdade e democracia massacrado na Praça da Paz Celestial, em Beijim, em 4 de junho de 1989.

O futuro líder surge num momento de riqueza e poder sem precedentes da China. Mesmo assim, seu governo ditatorial vive sob medo permanente de uma revolta popular, persegue oposicionistas, minorias étnicas e religiosas, artistas e intelectuais.

Numa economia de US$ 6 trilhões por ano, as grandes oportunidades ficam com quem tem boas conexões com o partido, que tem mais membros hoje do que na era de Mao Tsé-tung. A corrupção é endêmica, e a má distribuição da riqueza aumenta a distância entre ricos e pobres.

O atual presidente, Hu Jintao, é acusado de ter recuado para políticas maoístas como a formação de grandes conglomerados estatais e o fortalecimento dos órgãos de segurança para aumentar a repressão aos dissidentes. Várias tentativas de iniciar manifestações de protesto no estilo da Primavera Árabe foram duramente reprimidas. Havia mais policiais e agentes do que manifestantes.

Xi vai herdar uma China com crescimento em queda, há o risco de explosão de uma bolha no mercado imobiliário, e o sistema financeiro mal regulamentado aloca dinheiro com base em conveniências políticas.

Aumentam os protestos contra a corrupção e a destruição da natureza.

Como seu pai foi perseguido por causa de um livro, em artigo no jornal The New York Times, seu biógrafo Ho Pin diz esperar que Xi entenda a importância da liberdade de expressão. Mas, numa das poucas gravações da televisão ocidental em que se expressa livremente, o vice-presidente chinês alega que a China não exporta miséria nem revolução e que outros países deveriam parar de dar palpite nos problemas internos chineses.

A mídia conservadora americana está ironizando o fato do presidente Barack Obama receber Xi Jinping na Casa Branca no Dia dos Namorados, que os EUA comemoram hoje, Dia de São Valentim.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

China corta juro básico para 5,31%

O Banco Popular da China cortou sua taxa básica de juros pela quinta vez em três meses. Desta vez, a queda foi de 5,58% para 5,31% ao ano.

Com o agravamento da crise internacional, cresce o desemprego na China e o Partido Comunista que governa o país teme ter sua autoridade contestada, caso a situação socioeconômica se agrave.

A queda nos juros não impediu a baixa nas bolsas de valores asiáticas, com Xangai perdendo 4,6%.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

China corta taxa de juros para 5,58% ao ano

O Banco da China cortou hoje sua taxa básica de juros pela quarta vez desde setembro. Foi um corte agressivo, de 1,08 ponto percentual. A nova taxa é 5,58% ao ano.

A China é o país que mais cresceu no mundo nos últimos 30 anos. Atraiu capital estrangeiro e se transformou numa fábrica do mundo com um produto interno bruto que deve chegar a pelo menos US$ 3,8 trilhões este ano. Há cinco anos, crescia mais de 10% ao ano. Como dois terços da economia chinesa são comércio exterior, o impacto da crise financeira global é inevitável.

Ontem, o Banco Mundial previu um crescimento de 7,5% em 2009. Em quase todos os países do mundo, este índice seria festejado. A China se acostumou a taxas de expansão elevadas. Seu extraordinário desenvolvimento industrial atraiu uma mão-de-obra que trocou o campo para a cidade e não vai voltar atrás.

O crescimento é a base da estabilidade social mantida com a tradicional linha dura do Partido Comunista. Sem emprego e sem dinheiro, a população já começa a protestar.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Raúl opta por veterano linha-dura para vice

Em vez de promover alguém da nova geração ao cargo de primeiro vice-presidente, o novo ditador de Cuba, general Raúl Castro, optou pela velha guarda. Seu segundo será o médico José Ramón Machado Ventura, de 77 anos, um dos veteranos ideólogos do Comitê Central do Partido Comunista.

A Assembléia Nacional, de 614 deputados, tomou posse neste domingo, e elegeu o novo Conselho de Estado, confirmando Raúl como presidente e primeiro-ministro. Além de Machado, ele promoveu um general da mesma geração para um dos agora seis cargos de vice-presidente.

É uma indicação de que qualquer mudança no regime será lenta e de que Raúl tentará controlar todo o processo.

Machadito, como é conhecido em Cuba, foi ministro da Saúde (1960-67), é um stalinista ferrenho que tem saudade da União Soviética. Foi um dos primeiros a reagir contra as reformas de Mikhail Gorbachev e a expurgar reformistas do aparelho de Estado. Desde 1990, é encarregado da organização do PC.

Os outros vice-presidentes são o novo ministro da defesa, general Julio Casas Regueiro, de 72 anos; o ministro do interior, general Abelardo Colomé Ibarra, de 68 anos; o general Juan Almeida, de 80 anos; o dirigente comunista Esteban Lazo, de 63 anos; e Carlos Lage, encarregado da reforma ecômica, de 56, que estava cotado para ser promovido.

"O mandato desta legislatura é claro... continuar a fortalecer a revolução neste momento histórico", declarou Raúl, ao agradecer à Assembléia Nacional por sua eleição para a Presidência.

Ele acrescentou que só aceitou o cargo com a condição de que Fidel Castro, que renunciou na terça-feira passada, 19 de fevereiro, continue sendo "comandante-em-chefe da revolução", título que recebeu antes mesmo da vitória da revolução cubana, em 1959.

"Fidel é Fidel", disse Raúl. "Fidel é insubstituível e o povo vai continuar sua obra mesmo quando ele não estiver mais aqui fisicamente."

Raúl Castro não tem o carisma nem o talento de orador do irmão mais velho. Mas teria sido quem converteu Fidel ao comunismo, com a ajuda do guerrilheiro argentino Ernesto Che Guevara, outro herói da revolução.

"Isto sinaliza uma continuidade interna e externamente", comentou Julia Sweig, especialista em Cuba do Conselho de Relações Exteriores, o principal instituto de pesquisas em relações internacionais dos Estados Unidos.

Ela disse que a liderança cubana tem consciência de que precisa resolver problemas graves, como, por exemplo, a escassez de alimentos: "Raul é pragmático e todos eles sabem que o tempo está correndo e que têm de resolver as questões práticas. É um equívoco pensar que existe uma grande diferença entre eles. Todos vão basicamente na mesma direção, com algumas nuances."