Dois líderes do regime genocida do Khmer Vermelho vão passar a vida na cadeia pela morte de cerca de 2 milhões de pessoas no Camboja de 1976 a 1979. Nuon Chea, Irmão Número Dois, e o ex-chefe de Estado Khieu Samphan, condenados por crimes contra a humanidade, perderam o recurso perante um tribunal especial cambojano apoiado pelas Nações Unidas.
A defesa argumentou que eles não tiveram direito a um julgamento justo por causa da experiência pessoal dos juízes durante o regime de Pol Pot, que tentou eliminar o passado, adotando políticas de ano zero para construir uma utopia socialista agrária inspirada pelo maoísmo da República Popular da China.
Outra fonte do regime genocida de Pol Pot foi o stalinismo do Partido Comunista Francês na primeira metade dos anos 1950s.
O presidente do tribunal, Kong Srim, acusou os líderes do Khmer Vermelho de "total falta de consideração sobre o destino final da população cambojana". Depois de observar os crimes aconteceram uma escala tremenda, "a turma do Supremo Tribunal considera que a imposição de penas perpétuas para cada acusada é apropriada."
Eles haviam sido condenados em agosto de 2014 pela remoção forçada de cerca de 2 milhões de cambojanos da capital, Phnom Penh para campos de reeducação na zona rural.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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quarta-feira, 23 de novembro de 2016
terça-feira, 28 de outubro de 2014
Peru enterra mortos da "guerra suja" contra o Sendero Luminoso
Oitenta famílias deixaram na semana passada suas casas nos vales e montanhas nos Andes peruanos e foram até a cidade de Ayacucho receber os restos mortais de 80 das 1.689 vítimas da "guerra suja" do Peru contra o grupo guerrilheiro de inspiração maoísta e polpotiana Sendero Luminoso já identificados, noticiou a televisão pública britânica BBC.
A última guerra civil peruana durou de 1980 a 2000 e matou 70 mil pessoas, de acordo com a Comissão da Verdade criada pelo governo em 2003.
Uma equipe de médicos legistas começou a exumar em 2006 os restos mortais de vítimas enterradas clandestinamente em covas rasas. Esses restos devolvidos agora foram de cadáveres exumados entre 2011 e 2013 nas províncias de Ayacucho e Huncavélica. Os legistas acreditam ter encontrado os restos de 2.925 pessoas e identificado 1.689.
Das 80 vítimas com restos devolvidos, 51 foram mortas pelo Sendero Luminoso e 29 pelas forças de segurança. A maioria era adulta, homens e mulheres. Duas estavam grávidas.
Durante o governo Alberto Fujimori (1990-2000), para derrotar o Sendero, o diretor do Serviço Nacional de Inteligência, Vladimiro Montesinos, criou o esquadrão da morte conhecido como Grupo Colina, acusado de sequestro, tortura e desaparecimento de pessoas. Depois de ser flagrado pela televisão comprando deputados para aderirem ao governo, Montesinos fugiu para o Panamá e Fujimori renunciou.
Sob pressão dos Estados Unidos, em junho de 2001, o Panamá entregou Montesinos à Venezuela, que o extraditou para o Peru.
Hoje Montesinos está numa prisão de segurança máxima numa base naval em Callao, o porto de Lima. Está respondendo a 63 acusações, de tráfico de drogas a assassinato. Já foi condenado a 20 anos de prisão pelo tráfico de 10 mil fuzis para a guerrilha colombiana.
Fujimori foi sentenciado a 25 anos de prisão em 2009 pelas atividades do Grupo Colina. Tem outras condenações por corrupção e abuso de poder, mas, pela lei peruana, a pena máxima é de 25 anos.
A última guerra civil peruana durou de 1980 a 2000 e matou 70 mil pessoas, de acordo com a Comissão da Verdade criada pelo governo em 2003.
Uma equipe de médicos legistas começou a exumar em 2006 os restos mortais de vítimas enterradas clandestinamente em covas rasas. Esses restos devolvidos agora foram de cadáveres exumados entre 2011 e 2013 nas províncias de Ayacucho e Huncavélica. Os legistas acreditam ter encontrado os restos de 2.925 pessoas e identificado 1.689.
Das 80 vítimas com restos devolvidos, 51 foram mortas pelo Sendero Luminoso e 29 pelas forças de segurança. A maioria era adulta, homens e mulheres. Duas estavam grávidas.
Durante o governo Alberto Fujimori (1990-2000), para derrotar o Sendero, o diretor do Serviço Nacional de Inteligência, Vladimiro Montesinos, criou o esquadrão da morte conhecido como Grupo Colina, acusado de sequestro, tortura e desaparecimento de pessoas. Depois de ser flagrado pela televisão comprando deputados para aderirem ao governo, Montesinos fugiu para o Panamá e Fujimori renunciou.
Sob pressão dos Estados Unidos, em junho de 2001, o Panamá entregou Montesinos à Venezuela, que o extraditou para o Peru.
Hoje Montesinos está numa prisão de segurança máxima numa base naval em Callao, o porto de Lima. Está respondendo a 63 acusações, de tráfico de drogas a assassinato. Já foi condenado a 20 anos de prisão pelo tráfico de 10 mil fuzis para a guerrilha colombiana.
Fujimori foi sentenciado a 25 anos de prisão em 2009 pelas atividades do Grupo Colina. Tem outras condenações por corrupção e abuso de poder, mas, pela lei peruana, a pena máxima é de 25 anos.
sábado, 26 de maio de 2012
Queda de Bo reaviva fantasma da Revolução Cultural
A Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76) é o maior trauma da história recente da China. Ainda molda o debate político, especialmente em momentos de crise como agora, com o expurgo do alto dirigente comunista Bo Xilai e a prisão de sua mulher, Gu Kailai, acusada pela morte do empresário britânico Neil Heywood, que seria mediador dos negócios sujos internacionais do casal.
Uma das justificativas para reprimir o movimento dos estudantes na Praça da Paz Celestial, em 1989, foi que a democracia traria de volta a anarquia e a luta pelo poder que caracterizaram o período mais traumático do regime comunista, em que os valores tradicionais foram repudiados, e a razoabilidade ou bom senso, substituídos por um radicalismo destrutivo. O trânsito andava no sinal vermelho e parava no verde.
Uma das justificativas para reprimir o movimento dos estudantes na Praça da Paz Celestial, em 1989, foi que a democracia traria de volta a anarquia e a luta pelo poder que caracterizaram o período mais traumático do regime comunista, em que os valores tradicionais foram repudiados, e a razoabilidade ou bom senso, substituídos por um radicalismo destrutivo. O trânsito andava no sinal vermelho e parava no verde.
Foi o desastre da Revolução Cultural que permitiu a Deng Xiaoping promover a guinada do regime para a "economia de mercado socialista". Em primeiro lugar, a proposta de modernização era a única capaz de unir o partido, extremamente fragmentado pela luta interna fratricida desencadeada por Mao Tsé-tung em 1966 para não perder o controle do PC chinês.
Em segundo lugar, Deng usou o argumento de que o militar, o operário e o camponês chineses, os heróis da revolução, ainda levavam vidas muito pobres, com grandes privações, introduzindo o conceito de "democracia econômica", que incluía a descentralização das decisões.
Logo, os reformistas mais entusiasmados com a liberdade quiseram radicalizar o processo rumo à democratização. Quando a velha guarda lançou uma nova campanha contra o "liberalismo burguês", Deng a conteve com seus quatro princípios de que a base do regime era o pensamento marxista-leninista de Mao, com o monopólio de poder do partido comunista, socialismo e ditadura do proletariado.
Daí vem a contradição básica da reforma econômica chinesa: descentralização e liberdade de iniciativa para desenvolver as forças produtivas, sem democracia. Liberdade econômica sem liberdade política. É permitido enriquecer, mas não criticar o governo.
Há um limite que será testado na medida em que a nova elite econômica se assustar com os crimes e a violência que marcaram a ascensão e a queda de Bo Xilai. Bo era líder do partido na cidade-província de Xunquim, um prefeito com status de governador, e membro do Politburo do Comitê Central, formado por 25 pessoas. Sonhava em ascender neste ano ao Comitê Permanente do Politburo, de nove membros, os chamados nove imperadores que governam a China de fato.
Há um limite que será testado na medida em que a nova elite econômica se assustar com os crimes e a violência que marcaram a ascensão e a queda de Bo Xilai. Bo era líder do partido na cidade-província de Xunquim, um prefeito com status de governador, e membro do Politburo do Comitê Central, formado por 25 pessoas. Sonhava em ascender neste ano ao Comitê Permanente do Politburo, de nove membros, os chamados nove imperadores que governam a China de fato.
Deng sufocou a democratização para conter a velha guarda do outro lado, num delicado equilíbrio construído a cada momento do debate ideológico interno do PC. Estava convencido de que a liderança do partido era essencial a seu processo de modernização. Para manter o apoio às reformas, precisava conter o conflito entre reformistas e stalinistas.
A democracia era um instrumento utilitário a ser usado na base. Deng nunca pretendeu levá-la até o topo. No diário de Zhao Ziyang, Prisioneiro do Estado, o líder do PC afastado por se opor à intervenção do Exército Popular de Libertação na Praça da Paz Celestial, em 1989, revela ter recebido ordens expressas de Deng para não incluir entre os temas em debate no partido nada que se assemelhasse à divisão do governo em três poderes, no modelo criado pelo filósofo francês Charles de Montesquieu.
Quando Bo caiu, em março de 2012, o primeiro-ministro Wen Jiabao, que esteve com Zhao dialogando com os estudantes dias antes do massacre de 1989, defendeu no Congresso Nacional do Povo a retomada das reformas políticas, alertando que a alternativa é a volta da Revolução Cultural. Mas esse ímpeto já teria sido controlado. Numa reunião recente da cúpula do partido, do governo e do regime, o presidente Hu Jintao teria deixado claro que o escândalo deve ser considerado um "fato isolado".
Em Governing China, o sinólogo americano Kenneth Lieberthal afirma que a China conseguiu há dois mil anos organizar uma burocracia capaz de administrar seu vasto território, de dimensões imperiais, mas suas elites nunca conseguiram criar um sistema político capaz de regular a disputa de poder entre estas elites.
Em Governing China, o sinólogo americano Kenneth Lieberthal afirma que a China conseguiu há dois mil anos organizar uma burocracia capaz de administrar seu vasto território, de dimensões imperiais, mas suas elites nunca conseguiram criar um sistema político capaz de regular a disputa de poder entre estas elites.
A queda espetacular de Bo Xilai, a revelação dos métodos criminosos que usava e dos privilégios de que seu clã desfrutava mostram que o problema não foi resolvido nem há solução a vista.
segunda-feira, 30 de abril de 2012
Sociólogo busca origem do Sendero na exclusão
Quando um marxismo dogmático de orientação maoísta e polpotiana se chocou com a realidade do interior do Peru, com populações indígenas aprisionadas na exclusão colonial na selva e na cordilheira dos Andes, nasceu o grupo guerrilheiro Sendero Luminoso, conclui o sociólogo Gonzalo Portocarrero, professor catedrático da Faculdade de Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica do Peru.
Nos anos 80 e 90, o Sendero aterrorizou o Peru numa guerra civil com 75 mil mortes. Agora que o país passa por um surto de desenvolvimento necessário para superar o atraso histórico, a guerrilha está de volta, embora não tenha mais a menor chance. É um passado que se nega a morrer.
"O Sendero Luminoso não tem aspiração política de tomar o poder", afirma Portocarrero, que está lançando o livro Profetas do Ódio: raízes culturais e líderes do Sendero Luminoso. Quer manter o controle de certas áreas onde se apresenta como protetor dos fracos e oprimidos, e das gangues de traficantes de drogas.
Em entrevista ao jornal El Comercio, de Lima, onde escreve como comentarista, o sociólogo apresenta o Sendero como filho um marxismo messiânico dos anos 60 e 70, da Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76), na China, e da Revolução de Maio de 1968, na França.
"Aparecia a possibilidade de uma mudança social e cultural através de uma revolução", observa Portocarrero. "Os anos 60 são o último grande momento em que esta profecia tem presença no mundo".
Na Europa, havia grupos como Baader-Meinhof e Facção do Exército Vermelho, na Alemanha; Brigadas Vermelhas, na Itália; e Ação Direta, na França.
Na América do Sul, a guerrilha foi derrotada militarmente nos anos 70, com a exceção da Colômbia. No Peru, houve um renascimento tardio, com o Sendero Luminoso e o Movimento Revolucionário Tupac Amaru, de origem estudantil.
"Essa mensagem redentora, essa promessa de libertação encontrou eco em massas que estavam sujeitas a uma situação de exclusão e servidão. A promessa marxista se articula com a persistência da servidão peruana para formar esse coquetel explosivo que é o Sendero Luminoso", observa o professor.
A violência era uma forma de acirrar as contradições, de mover a História e forçar a reação violenta para mostrar o verdadeiro caráter do "Estado genocida".
Nos anos 80 e 90, o Sendero aterrorizou o Peru numa guerra civil com 75 mil mortes. Agora que o país passa por um surto de desenvolvimento necessário para superar o atraso histórico, a guerrilha está de volta, embora não tenha mais a menor chance. É um passado que se nega a morrer.
"O Sendero Luminoso não tem aspiração política de tomar o poder", afirma Portocarrero, que está lançando o livro Profetas do Ódio: raízes culturais e líderes do Sendero Luminoso. Quer manter o controle de certas áreas onde se apresenta como protetor dos fracos e oprimidos, e das gangues de traficantes de drogas.
Em entrevista ao jornal El Comercio, de Lima, onde escreve como comentarista, o sociólogo apresenta o Sendero como filho um marxismo messiânico dos anos 60 e 70, da Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76), na China, e da Revolução de Maio de 1968, na França.
"Aparecia a possibilidade de uma mudança social e cultural através de uma revolução", observa Portocarrero. "Os anos 60 são o último grande momento em que esta profecia tem presença no mundo".
Na Europa, havia grupos como Baader-Meinhof e Facção do Exército Vermelho, na Alemanha; Brigadas Vermelhas, na Itália; e Ação Direta, na França.
Na América do Sul, a guerrilha foi derrotada militarmente nos anos 70, com a exceção da Colômbia. No Peru, houve um renascimento tardio, com o Sendero Luminoso e o Movimento Revolucionário Tupac Amaru, de origem estudantil.
"Essa mensagem redentora, essa promessa de libertação encontrou eco em massas que estavam sujeitas a uma situação de exclusão e servidão. A promessa marxista se articula com a persistência da servidão peruana para formar esse coquetel explosivo que é o Sendero Luminoso", observa o professor.
A violência era uma forma de acirrar as contradições, de mover a História e forçar a reação violenta para mostrar o verdadeiro caráter do "Estado genocida".
terça-feira, 22 de abril de 2008
Maoístas elegem metade dos deputados no Nepal
Os ex-rebeldes maoístas elegeram 120 dos 240 deputados escolhidos diretamente pelo voto popular no Nepal, cerca de 40% do total da Assembléia Constituinte de 601 cadeiras que vai refundar o país como uma república.
Outros 335 deputados serão indicados ainda nesta semana com base na divisão proporcional do total de votos entre os partidos. Os 26 restantes foram nomeados pelo governo.
No final das contas, faltaram 70 deputados para os maoístas terem maioria absoluta na Constituinte.
Com a reviravolta política e a vitória dos rebeldes considerados um grupo terrorista pelos Estados Unidos, é certa a abolição da monarquia.
Outros 335 deputados serão indicados ainda nesta semana com base na divisão proporcional do total de votos entre os partidos. Os 26 restantes foram nomeados pelo governo.
No final das contas, faltaram 70 deputados para os maoístas terem maioria absoluta na Constituinte.
Com a reviravolta política e a vitória dos rebeldes considerados um grupo terrorista pelos Estados Unidos, é certa a abolição da monarquia.
segunda-feira, 2 de abril de 2007
Ex-rebeldes aderem ao governo do Nepal
Como parte de um acordo de paz assinado em novembro para acabar com uma década de guerra civil em que 13 mil pessoas morreram, os antigos rebeldes comunistas aderiram ao governo do Nepal ontem prometendo garantir o desenvolvimento deste pobre país das montanhas do Himalaia e organizar eleições livres e democráticas.
Cinco ex-maoístas tomaram posse como ministros, enquanto um sexto ganhou um cargo de secretário-geral de ministério no governo do primeiro-ministro Girija Prasad Koirala, em cerimônia transmitida ao vivo pela televisão.
"Este é o começo de um novo capítulo na História do Nepal. Apelo a todos para deixarem para trás todas as pequenas diferenças e avançarem para atingir nossos objetivos", declarou Koirala, de 84 anos. "O governo vai se dedicar totalmente ao estabelecimento da paz e da segurança no país."
Para o líder maoísta Pushpa Kamal Dahal, conhecido como Prachanda, disse que seu objetivo é realizar eleições para uma Assembléia Constituinte que decidirá como será o Nepal do futuro, monarquia constitucional ou república. Durante 10 anos, a guerrilha maoísta lutou para derrubar a monarquia e instaurar a república.
"Este dia marca o começo de um novo Nepal. Nossa prioridade é realizar eleições livres e limpas", revelou o líder comunista. "Nossa próxima meta é dar alguma ajuda imediata ao povo e depois nos voltarmos para o desenvolvimento de longo prazo."
Os antigos rebeldes ganharam os Ministérios da Informação e Comunicação, que controla o rádio, a TV e os jornais, e do Desenvolvimento Local. Sahana Pradhan, do Partido Comunista Unificado Marxista-Leninista do Nepal, que não tem ligação com a guerrilha maoísta.
Ram Chandra Poudel, vice-líder do Partido do Congresso, foi nomeado ministro da Paz e da Reconciliação, cargo que equivale ao de vice-primeiro-ministro.
Cinco ex-maoístas tomaram posse como ministros, enquanto um sexto ganhou um cargo de secretário-geral de ministério no governo do primeiro-ministro Girija Prasad Koirala, em cerimônia transmitida ao vivo pela televisão.
"Este é o começo de um novo capítulo na História do Nepal. Apelo a todos para deixarem para trás todas as pequenas diferenças e avançarem para atingir nossos objetivos", declarou Koirala, de 84 anos. "O governo vai se dedicar totalmente ao estabelecimento da paz e da segurança no país."
Para o líder maoísta Pushpa Kamal Dahal, conhecido como Prachanda, disse que seu objetivo é realizar eleições para uma Assembléia Constituinte que decidirá como será o Nepal do futuro, monarquia constitucional ou república. Durante 10 anos, a guerrilha maoísta lutou para derrubar a monarquia e instaurar a república.
"Este dia marca o começo de um novo Nepal. Nossa prioridade é realizar eleições livres e limpas", revelou o líder comunista. "Nossa próxima meta é dar alguma ajuda imediata ao povo e depois nos voltarmos para o desenvolvimento de longo prazo."
Os antigos rebeldes ganharam os Ministérios da Informação e Comunicação, que controla o rádio, a TV e os jornais, e do Desenvolvimento Local. Sahana Pradhan, do Partido Comunista Unificado Marxista-Leninista do Nepal, que não tem ligação com a guerrilha maoísta.
Ram Chandra Poudel, vice-líder do Partido do Congresso, foi nomeado ministro da Paz e da Reconciliação, cargo que equivale ao de vice-primeiro-ministro.
terça-feira, 6 de março de 2007
Filósofo Jean Baudrillard morre aos 77 anos
O filósofo e cientista social francês Jean Baudrillad, descrito pelo jornal Le Monde como um "observador crítico da sociedade de consumo e do mundo", morreu hoje em Paris aos 77 anos.
Autor de mais de 50 livros, foi também um grande crítico da mídia e da sociedade do espetáculo onde a simulação ou simulacro substitui a experiência real.
Crítico implacável da sociedade de consumo e da vida cotidiana da sociedade industrial, Baudrillard não se enquadrou nem no marxismo ortodoxo nem no da Escola de Frankfurt, onde se destacaram Theodor Adorno, Horkheimer e Walter Benjamin. Era abertamente contra o stalinismo mas também desconfiava do trotskismo e do maoísmo.
Na sua opinião, diz Le Monde, as ideologias, assim como as modas se reduzem a sistemas de signos. E os signos, sejam quais forem, não são mais do que simulacros.
Pessimista, niilista, Baudrillard acreditava que, por causa disso, o ser humano está condenado a viver num mundo de fantasia, na sociedade do espetáculo, onde tudo é simulação. Falta a essência última da realidade. Tentar criar uma nova política ou uma nova teoria social não passa de uma ilusão.
Autor de mais de 50 livros, foi também um grande crítico da mídia e da sociedade do espetáculo onde a simulação ou simulacro substitui a experiência real.
Crítico implacável da sociedade de consumo e da vida cotidiana da sociedade industrial, Baudrillard não se enquadrou nem no marxismo ortodoxo nem no da Escola de Frankfurt, onde se destacaram Theodor Adorno, Horkheimer e Walter Benjamin. Era abertamente contra o stalinismo mas também desconfiava do trotskismo e do maoísmo.
Na sua opinião, diz Le Monde, as ideologias, assim como as modas se reduzem a sistemas de signos. E os signos, sejam quais forem, não são mais do que simulacros.
Pessimista, niilista, Baudrillard acreditava que, por causa disso, o ser humano está condenado a viver num mundo de fantasia, na sociedade do espetáculo, onde tudo é simulação. Falta a essência última da realidade. Tentar criar uma nova política ou uma nova teoria social não passa de uma ilusão.
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