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quarta-feira, 11 de setembro de 2024

Ex-ditador peruano Alberto Fujimori morre aos 86 anos

Pouco mais de nove meses depois de sair da prisão, o ex-ditador do Peru de origem japonesa Alberto Fujimori, condenado por corrupção e violação dos direitos humanos, morreu hoje aos 86 anos. Quando assumiu o poder, em 1990, teve de enfrentar uma hiperinflação e o terrorismo dos grupos guerrilheiros de esquerda Sendero Luminoso e Movimento Revolucionário Tupac Amaru. 

Em conflito com o Poder Legislativo, Fujimori deu um golpe em 5 de abril de 1992, fechou o Congresso e anulou a Constituição. Sob pressão, abandonou o cargo em 2000 e pediu asilo político ao Japão, onde tinha nacionalidade.

Filho de imigrantes japoneses, Alberto Kenya Fujimori nasceu em 28 de julho de 1938 no bairro aristocrático de Miraflores, em Lima, se formou em agronomia. Antes de entrar na política, foi reitor da Universidade Nacional Agrária (1984-89) e presidente da Assembleia Nacional de Reitores no Peru. Tornou-se conhecido por apresentar o programa de televisão Consertando, em que propunha reformas estruturais para superar os problemas econômicos do país.

Populista de direita, Fujimori explorou o descontentamento com a hiperinflação e o terrorismo que assolaram o primeiro governo Alan García (1985-90) e a desconfiança dos peruanos mais pobres com o escritor conservador Mario Vargas Llosa, associando-o à elite limenha de origem europeia num país com grande população indígena e mestiça. Assim, venceu a eleição de 1990.

Para combater a hiperinflação, que chegou a 12.377,32% ao ano em agosto de 1990, logo depois de sua posse, Fujimori aplicou uma série de políticas neoliberais conhecidas como o FujichoqueA economia se recuperou. Em 1994, o Peru foi o país que mais cresceu no mundo (12,3%).

Antes disso, em conflito com o Poder Legislativo, onde não tinha maioria, Fujimori deu um golpe com o apoio das Forças Armadas. Dissolveu o Congresso, fechou a Corte Suprema, o Ministério Público e o Conselho da Magistratura.

A recuperação da economia garantiu uma reeleição por ampla margem em 1995, mas o autoritarismo e as denúncias de corrupção e de violações direitos humanos minaram o governo Fujimori. Depois da revelação de vídeos em que o homem-forte do regime na luta contra os grupos guerrilheiros, coronel Vladimiro Montesinos, subornava autoridades, em meio a outras escândalos, Fujimori fugiu para o Japão no ano 2000.

Em 2005, ele vai para o Chile para tentar influenciar na eleição presidencial peruana de 2005. Preso e extraditado, responde a quatro processos. É condenado a um total de 44 anos e meio de prisão. Como a lei peruana prevê que as penas sejam cumpridas simultaneamente, a pena fica em 25 anos de reclusão.

Depois de 16 anos de prisão, o Tribunal Constitucional lhe deu o direito de cumprir o resto da pena em prisão domiciliar. Fujimori saiu da cadeia em 6 de dezembro do ano passado e morreu na casa da filha e principal herdeira política, Keiko Fujimori, vencida no segundo turno nos três últimas eleições presidenciais peruanas.

sábado, 22 de abril de 2023

Hoje na História do Mundo: 22 de Abril

ASSALTO À RESIDÊNCIA DO EMBAIXADOR

    Em 1997, o presidente Alberto Fujimori ordena um ataque de forças especiais à residência do embaixador do Japão no Peru, tomada por guerrilheiros do Movimento Revolucionário Tupac Amaru, no qual morrem os 14 rebeldes, dois comandos e um ministro da Corte Suprema, Carlos Giusti.

Quatorze guerrilheiros invadem a casa do embaixador japonês, Morihisha Aoki, em 17 de dezembro de 1996, e tomam como reféns centenas de diplomatas, empresários, altos funcionários públicos civis e militares que participam de uma festa de fim de ano.

As mulheres estrangeiras são libertadas na primeira noite e a maioria dos estrangeiros depois de cinco dias em que sofreram repetidas ameaças de mortes. Depois de 126 dias, as forças especiais de Fujimori atacam a casa. 

Fujimori ganha pontos com a ação. Mais tarde, há alegações de que vários terroristas foram sumariamente executados depois de se render. 

Parentes dos guerrilheiros entram na Justiça do Peru. Um diplomata japonês, Hidetaka Ogura, declara em depoimento que três rebeldes foram torturados. Dois soldados admitem ter visto Eduardo Tito Cruz vivo antes dele morrer com uma bala na nuca. 

A denúncia é retirada no Peru, mas a Corte InterAmericana de Direitos Humanos, o Tribunal de São José, na Costa Rica, decide em 2015 que Cruz foi vítima de uma "execução extrajudicial" e que os direitos humanos de Victor Peceros e Herma Meléndez foram violados.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

Presidente do Peru tenta dar golpe, é destituído e preso

Para tentar escapar do terceiro processo de impeachment, com seis inquéritos sobre corrupção no governo, o presidente do Peru, Pedro Castillo, dissolveu hoje o Congresso, mas foi ignorado. Sem apoio nem de seu próprio partido, Peru Livre, foi destituído "por incapacidade moral permanente" e preso. 

A vice-presidente Dina Boluarte assumiu a Presidência. É a primeira mulher a ocupar o cargo e a sétima pessoa a presidir o país nos últimos seis anos.

Na sua tentativa de golpe, Castillo anunciou a dissolução do Congresso, decretou estado de emergência e toque de recolher noturno, convocou eleições parlamentares antecipadas, prometeu uma nova Constituição e admitiu estar impondo um "regime de exceção" sob o pretexto de "restabelecer o Estado democrático de direito e a democracia".

Nenhum partido, nem o esquerdista Peru Livre, pelo qual se elegeu, o apoiou, nem as Forças Armadas. Por 101 a 6 votos, com 10 abstenções, o Congresso unicameral de 130 cadeiras destituiu Castillo. A Corte Constitucional (supremo tribunal) chamou a manobra do presidente de golpe de Estado e chancelou a posse da vice-presidente Boluarte, rompida com Castillo há semanas.

O presidente deposto foi preso ao sair do palácio por delito de rebelião ao atentar contra a ordem constitucional e levado para a Prefeitura de Lima. Havia boatos de que buscaria refúgio nas embaixadas da Bolívia, do México ou da Venezuela. Tentou ir para a Embaixada do México. Foi preso por sua própria escolta. O ministro do Exterior mexicano, Marcelo Ebrard, ofereceu asilo político.

A nova presidente revogou o estado de emergência e o toque de recolher, e prometeu "um amplo diálogo com todas as forças políticas, representadas no Congresso ou não." 

Dina Boluarte não está filiada a nenhum partido político. Foi expulsa do Peru Livre em janeiro. Na sua primeira declaração como presidente, considerou imprescindível "retomar o crescimento econômico com inclusão" e "emprego digno".

Para isso, Boluarte pediu ao Congresso "uma trégua política para instalar um governo de unidade nacional", definiu como "impostergável" uma reforma política e prometeu apoio ao Ministério Público "para ingressar sem meias tintas nas estruturas corrompidas pelas máfias no interior do Estado."

O Peru foi o país com a maior taxa de mortalidade do mundo na pandemia. Com 80% da população na economia informal, foi impossível manter o distanciamento social. A economia peruana caiu 11% em 2020 e se recuperou, com alta de 13,3% em 2021. A taxa de crescimento em 12 meses ficou em 1,7% no fim do terceiro trimestre de 2022.

CORRUPÇÃO ENDÊMICA

Todos os presidentes do Peru desde 1990 foram ou estão sendo processados. Alberto Fujimori (1990-2000), que fechou o Congresso e a Corte Suprema num golpe em 1992, foi condenado por corrupção e violações dos direitos humanos. Outros quatro foram envolvidos em escândalos de corrupção da construtora brasileira Odebrecht.

Alejandro Toledo (2001-6) fugiu para os Estados Unidos, onde está em prisão domiciliar aguardando um processo de extradição. É acusado de receber US$ 20 milhões da Odebrecht. Seu sucessor, Alan García (2006-11), que havia governado o Peru de 1985 a 1990, antes de Fujimori, se matou para não ser preso em 17 de abril de 2019.

Durante a campanha eleitoral de 2016, a Polícia Federal do Brasil revelou que o então presidente Ollanta Humala (2011-16) recebera US$ 3 milhões da Odebrecht para a campanha eleitoral de 2011. Ele e a mulher foram presos.

Outro alvo da Operação Lava Jato e da Odebrecht, Pedro Pablo Kuczynski (2016-18), ex-primeiro-ministro, caiu com um ano e sete meses de governo. Renunciou um mês antes de receber a ordem de prisão. 

Seu vice-presidente, Martín Vizcarra (2018-20), durou um pouco mais, dois anos e sete meses. Caiu no segundo impeachment por "incapacidade moral" em virtude de um escândalo de suborno quando era governador do Departamento de Moquegua.

Em seu lugar, assumiu o presidente do Congresso, Manuel Merino, que durou apenas cinco dias. Caiu sob pressão de protestos populares contra o impeachment que tiveram duas mortes. Outro presidente do Congresso, Francisco Sagasti (2020-21) governou por oito meses para completar o mandato.

Esquerdista radical, mas conservador na política de costumes, contra o aborto e o casamento gay, José Pedro Castillo Terrones liderou uma greve de professores em 2017 para exigir aumento salarial, pagamento da dívida social, revogação da Lei da Carreira Pública do Magistério e mais dinheiro para a educação. 

Castillo prometeu na campanha anular todos os contratos com mineradoras, estatizar o setor e alterar a Constituição para permitir maior intervenção estatal na economia. Os setores empresariais temiam uma chavistização do Peru, mas ele era mais comparado ao ex-presidente boliviano Evo Morales.

Em 2021, Castillo, que foi votar a cavalo, era o candidato antissistema, do Centro e do Sul, do interior pobre. Era o azarão que veio de trás, atropelou, teve pouco mais de 15% no primeiro turno e bateu Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Fujimori, derrotada pela terceira vez no segundo turno, desta vez por 44 mil votos (50,13% a 49,87%). Tomou posse em 28 de julho de 2021.

Durante um ano e quatro meses, Castillo teve cinco primeiros-ministros. Sem maioria parlamentar, sempre foi um governo instável. O rompimento com o líder do Peru Livre, Vladimir Cerrón, tirou a base parlamentar do governo, que já era minoritária. Condenado por corrupção, Cerrón não podia se candidatar. Lançou Castillo. Hoje o partido votou pelo impeachment.

As acusações se agravaram há dois meses, quando a procuradora Patricia Benavides denunciou o presidente como líder de uma "organização criminosa", de uma trama criminosa "enquistada no Palácio do Governo" para "a obtenção de benefícios econômicos através da nomeação para postos-chaves, da cobrança de porcentagens de licitações realizadas ilicitamente e do uso ilícito da prerrogativas presidenciais." A procuradora também denúncia ter recebido "ameaças contra ela e sua família".

Foi o primeiro presidente peruano a não sair da elite limenha. Nas palavras do jornal espanhol El País, Castillo "é o Peru que não mora em Lima, que não está no Twitter e a quem ninguém prestou atenção durante a campanha eleitoral."

sexta-feira, 22 de abril de 2022

Hoje na História do Mundo: 22 de Abril

ASSALTO À RESIDÊNCIA DO EMBAIXADOR

    Em 1997, o presidente Alberto Fujimori ordena um ataque de forças especiais à residência do embaixador do Japão no Peru, tomada por guerrilheiros do Movimento Revolucionário Tupac Amaru, no qual morrem os 14 rebeldes e um ministro da Corte Suprema, Carlos Giusti.

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Peru tem dois presidentes em nova crise política

Em luta contra a corrupção, o presidente Martín Vizcarra dissolveu hoje o Congresso do Peru, que rejeitou a medida, destituiu o presidente e deu posse à vice-presidente Mercedes Aráoz, deixando o país com dois presidentes e Executivo e Legislativo que não se reconhecem. 

Vizcarra declarou em pronunciamento na televisão que convocou novas eleições legislativas depois que o Congresso resolveu substituir quase todos os membros do Supremo Tribunal de Justiça, numa manobra da maioria fujimorista.

"Estamos fazendo história e seremos lembrados pelas futuras gerações", afirmou o presidente. "Quando fizerem isso, espero que entendam a magnitude desta luta em que estamos hoje contra um mal endêmico que causa muito prejuízo ao país."

Depois do Brasil, o Peru foi o país mais atingido pelos escândalos de corrupção revelados pela Operação Lava Jato. Todos os últimos presidentes estão sendo presos ou processados. O ex-ditador Alberto Fujimori foi condenado a 25 anos de prisão por corrupção e violações dos direitos humanos.

Os mais recentes foram vítimas dos escândalos da construtora brasileira Odebrecht. Alan García se suicidou para não ser preso. Alejandro Toledo está com prisão decretada. Escapou por viver nos Estados Unidos. Ollanta Humala e a mulher foram presos e agora aguardam julgamento em liberdade. Pedro Pablo Kuczynski foi pressionado a renunciar no ano passado e está em prisão domiciliar.

A ex-deputada Keiko Fujimori, filha do ex-ditador, candidata derrotada nas duas últimas eleições presidenciais, está presa preventivamente sob a acusação de lavagem de dinheiro. Ao mudar a composição do Supremo, a oposição visava a beneficiá-la.

Agora à noite, Aráoz renunciou ao cargo. Por enquanto, Vizcarra está ganhando, mas a batalha entre a Presidência, o Congresso e o Supremo Tribunal de Justiça do Peru está longe de terminar.

quinta-feira, 22 de março de 2018

Guerra dos Fujimori e Odebrecht derrubam presidente do Peru

A três semanas da Cúpula das Américas, a que devem comparecer Donald Trump e Raúl Castro, o país-sede está sem presidente. Depois de um ano e oito meses no cargo, Pedro Pablo Kuczynski renunciou ontem à Presidência do Peru, em meio a uma guerra dos irmãos Fujimori. 

Kuczynski evitou uma segunda votação no Congresso para afastá-lo por envolvimento em escândalo com a construtora brasileira Norberto Odebrecht, de quem neste caso recebeu US$ 3 milhões quando era primeiro-ministro do presidente Alejando Toledo, em 2005-6, através da empresa Westfield Capital, noticiou o jornal peruano El Comercio

"Não quero ser um entulho para que nossa nação encontre o caminho da harmonia que tanto necessita e a mim negaram. Não quero que a pátria sofra. Trabalhei honestamente durante 60 anos da minha vida", declarou o presidente na televisão, pretextando inocência.

Ele será substituído pelo vice-presidente Martín Vizcarra, que era embaixador no Canadá e deve assumir o cargo na sexta-feira. Do exterior, Vizcarra declarou-se "indignado" e estar "pronto para servir o país". Sem maioria no Congresso, já sofre pressões para fazer apenas um governo de transição até uma eleição presidencial antecipada. O atual mandato vai até 2021.

No fim do ano passado, para escapar do primeiro processo de impeachment, Kuczynski deu um indulto ao ex-ditador Alberto Fujimori, que cumpria pena de 25 anos por violações dos direitos humanos durante seu governo.

Em troca, o deputado Kenji Fujimori conseguiu os 10 votos necessários para salvar PPK, como é conhecido popularmente, do primeiro processo de impeachment, por receber US$ 4 milhões da Odebrecht através de empresas de consultoria. Até poucos dias atrás, a mesma fórmula parecia prestes a dar nova sobrevida a PPK.

Traída pelo próprio irmão, a ex-deputada Keiko Fujimori, derrotada por Kuczynski no segundo turno da eleição presidencial peruana de 2016, divulgou agora um vídeo em que Kenji oferecia uma negociata com obras públicas numa compra de voto para salvar Kuczynski.

Foi o golpe final. Um ministro e dois deputados do PPK (Peruanos pelo Câmbio), partido criado para lançar a candidatura de Kuczynski à Presidência, pediram a renúncia: "A investidura presidencial vai muito além das pessoas. É necessário proteger as instituições. Por isso, com muito pesar, senhor presidente, lhe peço que dê um passo ao lado."

A Procuradoria-Geral da República pediu à Justiça que proíba a saída do país do ex-presidente.Três deputados e dois ministros também serão investigados por causa dos keikovídeos. Eles estão sendo comparados aos vladivídeos, em que o chefe do serviço secreto de Fujimori desmoraliza inimigos do regime depois do golpe de 1992.

O próprio papa Francisco ironizou, na última visita ao país: "O que há no Peru que todos os ex-presidentes são presos?"

Fujimori (1990-2000) recebeu indulto, mas a Justiça decidiu que o perdão de PPK não se aplica a outros casos. Toledo (2001-6) vive nos Estados Unidos, onde há um pedido de extradição. Alán García (2006-11) está sendo investigado. Ollanta Humala (2011-16) e sua mulher Nadine Heredia estão presos.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Tribunal do Peru autoriza julgamento de Fujimori por assassinato

O Tribunal Penal Nacional do Peru decidiu ontem que o ex-ditador Alberto Fujimori, de 79 anos, deve ser processado pela morte de seis agricultores porque não tem imunidade, apesar da recente indulto humanitário que lhe foi dado pelo atual presidente, Pedro Pablo Kuczynski.

A Justiça peruana entendeu que o perdão à sentença de 25 anos de cadeia que o ex-presidente cumpria por outros assassinatos políticos não se aplica a este caso. Fujimori e outros 23 réus foram denunciados pela ação de esquadrões da morte que massacraram seis agricultores no Caso Pativilca.

Seis camponeses foram sequestrados, presos e torturados até a morte em 29 de janeiro de 1992 pelo chamado grupo Colina, chefiado pelo chefe do serviço secreto do governo Fujimori, coronel Vladimiro Montesinos, co-réu no processo. O Ministério Público está pedindo 25 anos de prisão para Fujimori por sequestro agravado e homicídio qualificado - e a proibição de que saia do Peru.

Em 11 de janeiro, o advogado do ex-ditador, Miguel Pérez, pediu o arquivamento do processo por causa do indulto. Hoje, a Justiça do Peru decidiu o que indulto presidencial não se aplica ao Caso Pativilca.

O perdão deflagrou uma onda de protestos e manifestações de rua. Foi visto como fruto de um acordo espúrio de Kuczynski com o deputado Kenji Fujimori, filho do ex-presidente, para evitar o impeachment do atual presidente, acusado de receber propina da construtora brasileira Odebrecht.

Kuczynski derrotou a ex-deputada Keiko Fujimori na eleição presidencial de 2016 prometendo manter o ex-ditador na cadeia. Para se livrar do impeachment, alegou razões humanitárias. Fujimori saiu da cadeia para o hospital, mas o povo peruano interpretou como farsa.

A Corte Interamericana de Direitos Humanos, relatores das Nações Unidas e organizações não governamentais de defesa dos direitos humanos condenaram o indulto presidencial como "um tapa na cara" das vítimas da brutal ditadura de Fujimori, que governou o Peru de 1990 ao ano 2000, quando fugiu para o Japão.

Fujimori ainda é popular porque, a ferro e fogo, conseguiu vencer a hiperinflação e o grupo terrorista Sendero Luminoso.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Fujimori recebe indulto em troca da absolvição do atual presidente do Peru

O ex-ditador Alberto Fujimori, condenado a 25 anos de cadeia por corrupção e violações dos direitos humanos, recebeu indulto de Natal e saiu da prisão depois de cumprir apenas dez anos, informou o jornal peruano La República

A medida está sendo vista como moeda de troca do atual presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, que escapou de um processo de impeachment na semana passada por receber dinheiro da propina da construtora brasileira Odebrecht.

Em 16 de dezembro de 2016, a Unidade Anticorrupção da Procuradoria-Geral do Peru abriu investigação contra Kuczynski por ajudar a Odebrecht a ganhar uma concorrência em 2006, quando era primeiro-ministro do governo Alejandro Toledo (2001-6). Em dezembro de 2015, houve um depósito de US$ 4 milhões de dólares nas ilhas Cayman na conta de uma empresa cujo único funcionário é Kuczynski.

Na votação do impeachment, em 21 de dezembro, o presidente perdeu a votação por 78 a 9, mas eram necessários 87 votos para destituí-lo. PPK, como é conhecido no Peru, se safou graças ao apoio da bancada fujimorista. O deputado Kenji Fujimori, filho do ex-ditador, e outros nove deputados do grupo se abstiveram.

O partido Força Popular, liderado pela ex-deputada Keiko Fujimori, filha do ex-ditador, conquistou uma maioria de 73 deputados na Assembleia Nacional, de 130 cadeiras, nas eleições do ano passado.

Em nota oficial, a Presidência do Peru justificou o "indulto humanitário" sob a alegação de que Fujimori sofre de uma doença degenerativa incurável e que as condições do cárcere representavam um grande risco à sua saúde, sua integridade e sua vida.

Ao chegar ontem à clínica onde o pai estava internado, a ex-deputada Keiko Fujimori, derrotada no segundo turno nas duas últimas eleições presidenciais, agradeceu ao atual presidente e declarou que "fez-se justiça".

Já a organização não governamental Human Rights Watch (Observatório dos Direitos Humanos) chamou o acordo de "negociação vulgar": "Em vez de reafirmar que no Estado de Direito não cabe tratamento especial a ninguém, ficará para sempre a ideia de que sua libertação foi uma negociação política vulgar em troca da permanência de PPK no poder."

A líder do movimento Novo Peru, Verónika Mendoza, candidata de esquerda derrotada na eleição presidencial de 2018, acusou PPK de, "mais uma vez, agir como um vendilhão da pátria". A deputada Marisa Glave, da mesma aliança, acusou o ministro da Justiça de mentir ao país. Desde 18 de dezembro, o governo teria orientado o ministério a preparar o indulto do ex-ditador.

Alberto Fujimori foi eleito presidente do Peru em 1990, derrotando no segundo turno o escritor e ganhador do Prêmio Nobel de Literatura Mario Vargas Llosa, que defendia uma plataforma liberal. Sem maioria no Parlamento, deu um autogolpe de Estado em 5 de abril de 1992, dissolvendo a Assembleia Nacional e fechando temporariamente o Supremo Tribunal.

No poder, ele conseguiu acabar com a hiperinflação herdada do governo Alan García (1985-90) e derrotar o grupo guerrilheiro de esquerda Sendero Luminoso, responsável por uma guerra civil com mais de 70 mil mortes, 54% atribuídas aos rebeldes. A campanha antiterrorista, liderada pelo chefe do serviço secreto, coronel Vladimiro Montesinos, foi marcada por massacres e uma violência brutal.

Depois de uma eleição fraudulenta no ano 2000, sob pressão interna e externa, diante de um escândalo revelando os esquemas de corrupção operados por Montesinos. Em 16 de setembro daquele ano, Fujimori extinguiu o Serviço de Inteligência Nacional (SIN) e anunciou a convocação de novas eleições gerais, inclusive para presidente.

Montesinos fugiu clandestinamente em 29 de outubro. Fujimori viajou em 13 de novembro para a reunião de cúpula anual do fórum de Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (APEC), naquele ano realizada em Brunei, depois foi para Tóquio e se asilou no Japão. Em 19 de novembro, o presidente enviou uma carta renunciando ao cargo.

Como o Japão rejeitou os pedidos de extradição, Fujimori se refugiou na terra de seus antepassados. Só voltou à América Latina em 6 de novembro de 2005, entrando por Santiago do Chile. Detido a pedido do Peru, ele foi extraditado para o Chile em 22 de setembro de 2007 por decisão da Corte Suprema, depois de uma longa batalha judicial.

Em 2 de janeiro de 2010, ao fim de vários processos, a pena de 25 anos de prisão por violações dos direitos humanos foi confirmada em decisão final. No ano passado, um pedido de nulidade foi rejeitado. Ontem, Kuczynski deu o perdão presidencial indevido e inesperado, resultado direto do processo de corrupção envolvendo a Odebrecht e o governo peruano.

O ex-presidente Ollanta Humala e sua mulher, Nadine Heredia, ambos detidos, receberam hoje os filhos na prisão no dia de Natal. Eles são acusados de receber US$ 3 milhões da Odebrecht.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Disputa na eleição presidencial do Peru se arrasta até os últimos votos

Com 99,561% das urnas escrutinadas, o segundo turno da eleição presidencial no Peru ainda está matematicamente indefinido, embora há 24 horas os analistas deem como certa a vitória do ex-primeiro-ministro Pedro Pablo Kuzynski, da aliança Peruanos pela Mudança, sobre a ex-deputada Keiko Fujimori, da Força Popular. Faltando contar cerca de 64 mil votos, ele tem uma vantagem de 39 mil votos.

A diferença percentual permanece estável, depois de Keiko apertar na reta final da apuração, que se arrasta por conta as aldeias remotas da Cordilheira dos Andes, do "Peru profundo" onde ela esperava neutralizar a vantagem do adversário, e dos votos do exterior. Na última parcial, divulgada uma horas e meia atrás, Kuczynski tinha 50,11% dos votos válidos contra 49,89% para Keiko.

Liberal economicamente e conservador em política, PKK, de 77 anos, como é mais conhecido no Peru, será o presidente mais velho da história do país. Ele promete acelerar o crescimento econômico, que nos últimos dois anos caiu pela metade da média de 6% dos três anos anteriores.

Keiko é filha do ex-ditador Alberto Fujimori (1990-2000), que ainda tem grande popularidade por ter acabado com a hiperinflação e com o grupo terrorista Sendero Luminoso, um grupo guerrilheiro de orientação maoísta responsável por uma guerra civil que deixou mais de 70 mil mortos.

Alberto Fujimori deu um golpe, fechando o Congresso, intervindo no Judiciário e censurando a mídia, em 1992, e foi condenado a 25 anos de prisão por corrupção e violação dos direitos humanos. Mesmo assim, o fujimorismo ainda é a maior força política do Peru isoladamente. Todas as forças antifujimorismo se reuniram para dar esta vitória estreita a Kuczynski.

NOTA: horas depois, o Escritório Nacional de Processos Eleitorais anunciou o resultado final: 50,12% para PKK e 49,88% para Keiko, com uma diferença de 41 mil votos.

terça-feira, 7 de junho de 2016

Kuczynski está eleito presidente do Peru

Com 99% das urnas apuradas, o ex-primeiro-ministro Pedro Pablo Kuczynski está praticamente eleito presidente do Peru. Ele tem 50,164% dos votos contra 49,836% da ex-deputada Keiko Fujimori. A diferença aumentou em relação à parcial anterior.

Aos 77 anos, Kuczynski será o presidente mais velho da história peruana. É filho do médico judeu alemão Maxime Kuczynski, que fugiu com a ascensão do nazismo, com a professora de literatura franco-suíca Madeleine Godard, tia do cineasta Jean-Luc Godard. E casado com Nancy Ann Lange, prima da atriz Jessica Lange.

Conservador politicamente e liberal em economia, Kuczynski fez campanha prometendo acelerar o crescimento e defender a democracia contra uma suposta ameaça autoritária representada pela volta do fujimorismo. Teve o apoio do escritor Mario Vargas Llosa, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura, derrotado por Alberto Fujimori, pai de Keiko, em 1990.

A economia do Peru foi a que mais cresceu nos últimos anos na América do Sul. Em 2008, chegou ao pico de 9,1%. Apesar da crise mundial, evitou a recessão em 2009, avançando 1% para se expandir 8,5% em 2010, 6,5% em 2011, 6% em 2012, 5,8% em 2013, 2,4% em 2014 e 3,3% em 2015.

Keiko Fujimori, de 41 anos, perde pela segunda vez. Em 2011, foi derrotada no segundo turno pelo atual presidente Ollanta Humala. É herdeira política do pai, que está preso e condenado a 25 anos de cadeia por corrupção e crimes contra os direitos humanos, inclusive sequestro, tortura e assassinatos políticos.

Como acabou com a hiperinflação e com o terrorismo do grupo guerrilheiro maoísta Sendero Luminoso, Alberto Fujimori ainda tem popularidade, especialmente nas aldeias indígenas do interior. Keiko confiava no "Peru profundo" para uma virada na reta final da contagem. O aumento da vantagem de Kuczynski indica que entraram os votos do exterior, onde o ex-primeiro-ministro teria ganho.

Kuczynski lidera no Peru por apenas 0,36%

Com 95,36% das urnas escrutinadas, a eleição presidencial do Peru ainda está indefinida. O ex-primeiro-ministro conservador Pedro Pablo Kucynski, de 77 anos, lidera com 50,18% dos votos válidos contra 49,82% para a ex-deputada Keiko Fujimori, de 41 anos, filha do ex-ditador Alberto Fujimori.

Filho do médico judeu Maxime Kuckynski, que fugiu da Alemanha, e da professora de literatura franco-suíça Madeleine Godard, tia do cineasta Jean-Luc Godard, o ex-primeiro-ministro tinha cidadania americana. É casado com a americana Nancy Lange, prima da atriz Jessica Lange.

Economista, Kuczynski fez campanha prometendo acelerar o crescimento, que caiu nos últimos anos de uma média de 6% ao ano para 3,3% no ano passado.

Keiko é a herdeira política do pai, Alberto Fujimori (1990-2000), um populista de direita que derrotou a hiperinflação e o grupo terrorista Sendero Luminoso, mas deu um golpe em 1992, fechou o Congresso e interveio no Poder Judiciário. Ainda é popular no interior, onde inaugurou escolas rurais e distribuía sapatos pessoalmente.

Por isso, Keiko conta com os votos do "Peru profundo" para virar o jogo na reta final. Sua campanha teve como tema central a segurança pública. Ela venceu o primeiro turno e liderava as pesquisas até uma semana antes da eleição, quando ficou em empate técnico. Foi prejudicada por um escândalo de corrupção envolvendo o deputado Joaquín Ramírez, ex-secretário-geral do partido Força Popular, de Keiko.

Sua derrota manteria o padrão de que o vencedor do primeiro turno perde no segundo turno nas eleições presidenciais peruanas.

sábado, 4 de abril de 2015

Humala nomeia seu sétimo primeiro-ministro no Peru

O presidente Ollanta Humala deu posse ontem ao sétimo primeiro-ministro desde que chegou ao poder no Peru, em 2011. Pedro Catariano substitui a primeira-ministra Ana Jara, censurada pelo Congresso por causa de um escândalo de espionagem de adversários políticos do governo, empresários e jornalistas, noticia o jornal Latin American Herald Tribune.

Catariano era ministro da Defesa do Peru desde julho de 2012. O presidente aproveitou a crise para promover uma reforma ministerial. Ana María Sánchez é a nova ministra do Exterior. Jakke Valakivi chefia o Ministério da Defesa. Gustavo Adrianzen é o novo ministro da Justiça.

A primeira-ministra Ana Jara caiu na segunda-feira passada.

Humala, um ex-militar nacionalista de esquerda, perdeu a eleição presidencial para Alán García em 2006, quando recebeu o apoio ostensivo do então presidente venezuelano Hugo Chávez e foi acusado de traição à pátria.

Em 2011, com campanha organizada por publicitários brasileiros, inspirado no governo Lula, derrotou no segundo turno Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori (1990-2000), preso e condenado por corrupção e violações dos direitos humanos na luta contra os grupos terroristas de esquerda Sendero Luminoso e Movimento Revolucionário Túpac Amaru (MRTA).

No poder, o próprio Humala admitiu ter dificuldades para se livrar dos princípios da hierarquia militar e se adaptar às regras do jogo democrático. Entre outros erros, encheu a Direção Nacional de Inteligência (DNI) de militares aliados.

A maior parte das violações de direitos humanos que condenaram Fujimori foi cometida pelo então Serviço Nacional de Inteligência, dirigido por Vladimiro Lenin Montesinos, treinado na Escola das Américas, um centro de treinamento de ditadores e torturadores mantido pelos Estados Unidos na Zona do Canal do Panamá durante a Guerra Fria. Montesinos foi condenado por homicídio, tortura, assassinato e tráfico de drogas.

Keiko Fujimori é a favorita para a eleição presidencial de 2016. Ela recebeu em 2006 a maior votação dada a um candidato à Camara dos Deputados, 602.869 votos. Em 2011, teve 7.289.414 no segundo turno da eleição presidencial (48,5%).

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Peru enterra mortos da "guerra suja" contra o Sendero Luminoso

Oitenta famílias deixaram na semana passada suas casas nos vales e montanhas nos Andes peruanos e foram até a cidade de Ayacucho receber os restos mortais de 80 das 1.689 vítimas da "guerra suja" do Peru contra o grupo guerrilheiro de inspiração maoísta e polpotiana Sendero Luminoso já identificados, noticiou a televisão pública britânica BBC.

A última guerra civil peruana durou de 1980 a 2000 e matou 70 mil pessoas, de acordo com a Comissão da Verdade criada pelo governo em 2003.

Uma equipe de médicos legistas começou a exumar em 2006 os restos mortais de vítimas enterradas clandestinamente em covas rasas. Esses restos devolvidos agora foram de cadáveres exumados entre 2011 e 2013 nas províncias de Ayacucho e Huncavélica. Os legistas acreditam ter encontrado os restos de 2.925 pessoas e identificado 1.689.

Das 80 vítimas com restos devolvidos, 51 foram mortas pelo Sendero Luminoso e 29 pelas forças de segurança. A maioria era adulta, homens e mulheres. Duas estavam grávidas.

Durante o governo Alberto Fujimori (1990-2000), para derrotar o Sendero, o diretor do Serviço Nacional de Inteligência, Vladimiro Montesinos, criou o esquadrão da morte conhecido como Grupo Colina, acusado de sequestro, tortura e desaparecimento de pessoas. Depois de ser flagrado pela televisão comprando deputados para aderirem ao governo, Montesinos fugiu para o Panamá e Fujimori renunciou.

Sob pressão dos Estados Unidos, em junho de 2001, o Panamá entregou Montesinos à Venezuela, que o extraditou para o Peru.

Hoje Montesinos está numa prisão de segurança máxima numa base naval em Callao, o porto de Lima. Está respondendo a 63 acusações, de tráfico de drogas a assassinato. Já foi condenado a 20 anos de prisão pelo tráfico de 10 mil fuzis para a guerrilha colombiana.

Fujimori foi sentenciado a 25 anos de prisão em 2009 pelas atividades do Grupo Colina. Tem outras condenações por corrupção e abuso de poder, mas, pela lei peruana, a pena máxima é de 25 anos.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Câncer de Fujimori não é terminal

O estado de saúde do ex-presidente peruano Alberto Fujimori é grave, mas ele não tem câncer terminal, disseram hoje seus médicos. Como está condenado a 25 anos de prisão por corrupção e crimes contra os direitos humanos, ele deve voltar para a cadeia.

Se Fujimori estivesse à beira da morte, receberia indulto de Humala, que declarou que "ninguém merece morrer na prisão".

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Fujimori é hospitalizado no Peru

O ex-presidente do Peru Alberto Fujimori, de 72 anos, condenado a 25 anos de prisão por corrupção e crimes contra os direitos humanos, foi hospitalizado hoje. Em março, ele foi operado pela quarta vez de uma lesão pré-cancerosa na língua chamada de leucoplasia.

Fujimori governou o Peru de 1990 a 2000. Em 5 de abril de 1992, deu um golpe de Estado, dissolveu o Congresso e fechou o Supremo Tribunal. Vangloria-se de ter derrotado a inflação e os grupos terroristas de esquerda Sendero Luminoso e Movimento Revolucionário Tupac Amaru.

Por pouco sua filha, a deputada Keiko Fujimori, não foi eleita presidente no domingo passado. Pesou contra a alegação de que daria um indulto ao pai. Nas últimas semanas, ele chegou a receber 300 visitas por dia, articulando a campanha da filha para o segundo turno.

O presidente eleito, Ollanta Humala, admitiu conceder indulto a Fujimori por razões humanitárias, se suas condições de saúde forem realmente graves.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Candidatos se atacam no fim da campanha no Peru

A deputada conservadora Keiko Fujimori e seus aliados voltaram a acusar o candidato nacionalista de esquerda Ollanta Humala de receber dinheiro do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, para sua campanha para presidir o Peru.

Ao lado do ex-presidente Alejandro Toledo e de Álvaro Vargas Llosa, jornalista e filho  do grande escritor peruano, no comício de encerramento de sua campanha, Humala acusou Keiko de querer reabilitar o pai, o ex-presidente Alberto Fujimori, preso e condenado a 25 anos de cadeia por corrupção e crimes contra os direitos humanos.

Os dois candidatos chegam ao segundo turno neste domingo praticamente empatados, com uma leve vantagem de Keiko, dentro de margem de erro das pesquisas. Ela tem o apoio maciço da direita e das classes dominantes no Peru.

Em seu último comício, Keiko prometeu manter o modelo econômico e aproveitar a nova riqueza gerada pelo crescimento econômico peruano, o maior nos últimos cinco anos na América Latina, com média de 7% ao ano, para redistribuir a renda.

A seu lado no palanque, o ex-primeiro-ministro e candidato derrotado no primeiro turno, Pedro Pablo Kuczynski, exaltava o governo Fujimori: "Quem acabou com a inflação? Quem acabou com o Sendero Luminoso?" A multidão respondia: "El chino", o chinês, como o ex-presidente de origem japonesa era conhecido popularmente.

Tanto Keiko como Humana representam os extremos do espectro político peruano. Na falta de um candidato forte, o voto de centro-direita se dissolveu em três candidaturas. Para o comentarista Andrés Oppenheimer, do jornal Miami Herald, ambos são autoritários e ameaçam a democracia peruana.

O escritor Mario Vargas Llosa, que apoia Humala por ser contra qualquer anistia ou perdão a Fujimori, declarou que os peruanos têm de escolher domingo entre a aids e o câncer.

No último minuto, o ex-subsecretário de Estado americano para a América Latina Roger Noriega, anticomunista e antichavista, declarou para alegria da mídia direitista peruana ter informações seguras de que Humala recebeu US$ 12 milhões de Chávez através da Bolívia e do Brasil. Não apontou indícios nem provou nada. Mas isso será repetido exaustivamente até domingo.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Vargas LLosa quer evitar eleição de Keiko Fujimori

Na sua volta a Lima pela primeira vez depois de receber o Prêmio Nobel de Literatura deste ano, em Estocolmo, na Suécia, na semana passada, o escritor peruano Mario Vargas Llosa declarou que pretende se envolver na campanha presidencial do próximo ano no Peru, no segundo turno, se Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, tiver chance de vencer.

"Se a filha do ditador que foi condenado a 25 anos de prisão como criminoso e ladrão puder se tornar presidente, eu serei um dos peruanos que tentarão impedi-la", declarou o escritor.

Fujimori derrotou Vargas Llosa no segundo turno da eleição presidencial de 1990. Dois anos depois, fechou o Congresso e interveio na Suprema Corte. Reeleito duas vezes, fugiu do país no ano 2000, refugiando-se no Japão.

Quando tentou voltar ao Peru antes da última eleição presidencial, foi preso no Chile e extraditado para responder por crimes de corrupção e violações dos direitos humanos na luta contra os grupos guerrilheiros de esquerda Sendero Luminoso e Movimento Revolucionário Tupac Amaru.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Fujimori é condenado pela quarta vez no Peru

NOVA YORK - O ex-presidente do Peru Alberto Fujimori (1990-2000) foi condenado ontem a seis anos a seis anos de prisão por escuta telefônica clandestina e pagamento de suborno a parlamentares e jornalistas.

É a quarta condenação de Fujimori, que fechou o Congresso e o Supremo Tribunal em 1992. Ele conseguiu controlar a hiperinflação herdada do primeiro governo Alan García (1985-90) e derrotar os grupos guerrilheiros de esquerda Sendero Luminoso e Movimento Revolucionário Tupac Amaru, mas com graves violações dos direitos humanos.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Fujimori confessa culpa por corrupção

NOVA YORK - O ex-presidente do Peru Alberto Fujimori (1990-2000) admitiu hoje em juízo ser culpado de suborno, desvio de dinheiro e corrupção de políticos e jornalistas para garantir sua segunda reeleição no ano 2000, aquela que o então presidente americano Bill Clinton declarou ser ilegítima e Fernando Henrique Cardoso imediatamente aprovou, talvez para marcar posição contrária aos EUA.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Fujimori é condenado a 25 anos de prisão

A Justiça do Peru condenou hoje o ex-presidente do Peru Alberto Fujimori a 25 anos de prisão por violações dos direitos humanos. É a primeira que um ex-presidente eleito democraticamente é condenado em seu próprio país por esse tipo de crime.

Fujimori foi considerado culpado de todas as acusações ligadas a dois massacres com um total de 25 pessoas cometidos pelos serviços secretos de seu governo na luta contra dois grupos guerrilheiros de esquerda: formação de esquadrão da morte, sequestro e assassinato.

Em sua defesa, Fujimori declarou ter orgulho de ter derrotado o Sendero Luminoso e o Movimento Revolucionário Tupac Amaru (MRTA).

Alberto Fujimori chegou à Presidência do Peru em 1990, derrotando o escritor Mario Vargas Llosa, o candidato liberal. Depois de entrar em conflito com o Congresso dominado pela oposição, deu um golpe em 1992, fechando o Legislativo e o Judiciário, o Fujigolpe.

Por derrotar os grupos rebeldes armados e conter uma inflação herdada do primeiro governo Alan García, Fujimori conquistou grande popularidade, o que lhe garantiu duas reeleições. Mas a última, no ano 2000, foi muito contestada.

Durante visita ao Japão, Fujimori, filho imigrantes japoneses, pediu asilo político. Em 2005, o ex-presidente chegou ao Chile na expectativa de influenciar a eleição presidencial peruana e talvez até de ser candidato.

Extraditado pelo Chile em setembro de 2007, Fujimori já havia sido condenado a seis anos de cadeia por usurpação do poder. Ele enfrenta dois outros processos criminais por corrupção.