Mostrando postagens com marcador renúncia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador renúncia. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 8 de agosto de 2022

Hoje na História do Mundo: 8 de Agosto

 NIXON ANUNCIA RENUNCIA

    Em 1974, sob ameaça de impeachment, depois de perder o apoio do Partido Republicano no Congresso, Richard Nixon anuncia em rede nacional de televisão a renuncia à Presidência dos Estados Unidos por causa da invasão da sede do Partido Democrata em Washington durante a campanha eleitoral de 1972 e das manobras de obstrução de justiça no Escândalo de Watergate. 

Nixon renuncia formalmente no dia seguinte. Seu sucessor, Gerald Ford, lhe concede o perdão presidencial por todos os crimes possivelmente cometidos no exercício da Presidência, sob a alegação de que era preciso pacificar o país. Todos os ministros condenados são presos.

Ford é o único presidente não eleito da história dos EUA. Era presidente da Câmara. Antes da queda de Nixon, o vice-presidente Spiro Agnew renuncia em 10 de outubro de 1973, depois de ser alvo de inquérito por conspiração criminosa, suborno, extorsão e fraude por aceitar propina de empresas que tinham negócios com o estado de Maryland quando era governador.

Agnew nega todas essas acusações, mas admite evasão de impostos e deixa a vice-presidência. Assim, Ford sucede a Nixon e perde a eleição de 1976 para Jimmy Carter.

sexta-feira, 17 de junho de 2022

Hoje na História do Mundo: 17 de Junho

NOVA ALBION

    Em 1579, ao dar a volta ao mundo, o corsário Sir Francis Drake é o primeiro a reivindicar o que hoje é território dos Estados Unidos para a coroa da Inglaterra

Drake ancora um pouco ao norte da Baía de São Francisco, na Califórnia, e chama o território de Nova Albion.

Drake zarpa em 13 de dezembro de 1577 para atacar possessões espanholas no Oceano Pacífico, mas só um dos cinco navios passa pelo Cabo dos Chifres, o lugar mais perigoso da navegação mundial. 

O corsário da rainha Elizabeth I fica um mês na Califórnia reparando o navio e segue até onde hoje é o estado de Washington em busca de uma passagem do norte para o Oceano Atlântico. 

Sem sucesso, atravessa os oceanos Pacífico e Índico e dá a volta no Cabo da Boa Esperança para chegar a Plymouth, na Inglaterra, em 26 de setembro de 1580. 

A frota do português Fernão de Magalhães é a primeira a ar a volta ao mundo, em 1519-22, a serviço da coroa espanhola, mas ele morre em Cebu, nas Filipinas, em 27 de abril de 1521.

 ESTÁTUA DA LIBERDADE

    Em 1885, a Estátua da Liberdade, um presente da França aos Estados Unidos, chega desmontada ao porto de Nova York

São 350 peças de cobre e ferro embaladas em 200 caixas. Foi inaugurada no ano seguinte pelo presidente Grover Cleveland.

O projeto é do arquiteto francês Frederic-Auguste Bartholdi, que teria usado a mãe como modelo, e do engenheiro Gustave Eiffel, o mesmo da torre que é o símbolo de Paris.

A França é a mais antiga aliada dos EUA. Como inimiga do Império Britânico, apoia os colonos norte-americanos na Guerra da Independência. Em contrapartida, os americanos apoiam a Revolução Francesa e a proclamação da República.

Por ironia da história, um revolucionário britânico luta pela independência dos EUA e pela Revolução Francesa. Tom Paine escreve Semente do Homem, livro que levou 13 colônias a declarar independência, é deputado da Assembleia Nacional da França e o primeiro a falar em Revolução Americana, em 1795.

GUERRA COMERCIAL DEPRIMENTE

    Em 1930, o presidente Herbert Hoover sanciona a Lei de Tarifas Smoot-Hawley, que aumenta as tarifas de importação sobre mais de 20 mil produtos para proteger a economia dos Estados Unidos

As segundas tarifas mais altas da história americana, inferiores apenas às de 1828, deflagram uma guerra comercial. 

Ao agravar a crise financeira desencadeada pelo colapso da Bolsa de Valores de Nova York em 24 de outubro de 1939, o protecionismo e as retaliações de outros países causam uma queda de 67% no comércio exterior dos EUA e levaram à Grande Depressão (1929-39), principal causa econômica da Segunda Guerra Mundial.

FRANÇA FORMALIZA RENDIÇÃO

    Em 1940, a França formaliza a rendição à Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial (1939-45). 

O marechal Henri Pétain substitui Paul Reynaud como primeiro-ministro francês e anuncia a intenção de negociar um armistício com os nazistas. Herói da Primeira Guerra Mundial, Pétain chefia um governo colaboracionista durante a ocupação.

No dia seguinte, o general Charles de Gaulle faz um pronunciamento em Londres transmitido pela BBC conclamando os franceses a continuar lutando contra os nazistas. 

Os aliados invadem a região da Normandia, no Noroeste da França, em 6 de junho de 1944 e libertaram Paris em 25 de agosto do mesmo ano.

Pétain e Pierre Laval, um fascista que se torna o homem-forte do regime colaboracionista em 1942, fogem sob a cobertura dos nazistas, mas são presos e condenados à morte por traição. De Gaulle comuta a pena de Pétain para prisão perpétua. Ele morre em 1951.

INVASÃO DO EDIFÍCIO WATERGATE

    Em 1972cinco homens são presos sob a acusação da invadir a sede do Comitê Nacional do Partido Democrata, no Edifício Watergate, em Washington

É o início do Escândalo de Watergate, que derrubou o presidente Richard Nixon e faz hoje 50 anos.

Três são exilados cubanos, um cubano-americano e o outro um ex-agente da CIA (Agência Central de Inteligente). Com eles, são encontrados equipamentos sofisticados de telecomunicações que seriam usados para espionar o maior partido de oposição tendo em vista as eleições de 1972.

A presença de advogados caros chamou a atenção do repórter Carl Bernstein, do jornal The Washington Post. Com seu colega Bob Woodward, o Post descobre que os cinco faziam parte da turma de encanadores da Casa Branca, o que os leva ao presidente e vários ministros. 

Nixon cai por mentir e tentar obstruir a Justiça. Renuncia em 9 de agosto de 1974 para escapar de um processo de impeachment. 

Todos os ministros envolvidos são presos. Nixon recebe perdão do presidente Gerald Ford.

domingo, 10 de outubro de 2021

Hoje na História do Mundo: 10 de Outubro

MARTEL VENCE OS MOUROS

    Em 732, na Batalha de Tours, perto de Poitiers, na França, Carlos Martel derrota o exército árabe que invadira e tomara a Península Ibérica a partir de 711, parando a expansão muçulmana na Europa, onde cria o Império Al-Andaluz no que os mouros chamavam de "terra dos vândalos", referência às tribos germânicas que tomaram o continente depois da queda do Império Romano do Ocidente, em 476.

O governador muçulmano de Córdoba, Abd-ar-Rahman, morre em combate e as forças árabes recuam.

A vitória de Carlos Martel leva ao início da dinastia carolíngia, com seu filho Pepin. Seu neto, Carlos Magno, é coroado imperador do Sacro Império Romano-Germânico pela papa Leão III no Natal do ano 800.

MENORES EXECUTADOS EM AUSCHWITZ

    Em 1944, durante a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha Nazista executa 800 romenos menores de idade, inclusive mais de 100 com idades de 9 a 14 anos, no campo de concentração e centro de extermínio de Auschwitz, na Polônia.

Auschwitz, Oswiecim em polonês, fica num importante entroncamento ferroviário da Europa Oriental. Em 27 de abril de 1940, Heinrich Himmler, o comandante da SS, a organização paramilitar que era a tropa de choque do regime nazista, decidiu transformar um quartel do Exercito da Polônia em campo de concentração.

Dos 11 milhões de mortos no Holocausto, estima-se que 1,5 milhão morreram em Auschwitz-Birkenau, uma rede de campos de concentração. Dos 6 milhões de judeus mortos no Holocausto, 1,1 milhão teriam morrido em Auschwitz-Birkenau.

Depois dos judeus, os ciganos são o povo mais sacrificado pelos nazistas. Cerca de 1,5 milhão de ciganos morreram no Holocausto.

No ambiente mais opressivo e aterrorizante criado pelo homem, com o melhor da ciência e requintes de crueldade nunca vistos, há uma revolta em 7 de outubro de 1944. Centenas de prisioneiros judeus que carregam os corpos da câmara de gás para os fornos crematórios explodem com explosivos trazidos por mulheres judias que trabalham numa fábrica de armamentos próxima.

Cerca 450 prisioneiros participam da rebelião e 250 conseguem fugir. Todos capturados e executados, assim como cinco mulheres da fábrica de armas, não antes de serem torturados para confessar detalhes, especialmente como conseguiram contrabandear explosivos para dentro do campo. Nenhuma das mulheres falou.

A execução em massa das crianças romenas e ciganas é parte da vingança nazista contra a revolta.

EUA PEDEM DESCULPAS A MINISTRO AFRICANO

    Em 1957, o presidente Dwight Eisenhower pede desculpas em nome do governo dos Estados Unidos ao ministro das Finanças de Gana, Komla Agbeli Gbedemah, que não é atendido num restaurante na cidade de Dover, no estado de Delaware.

É um dos muitos incidentes com autoridades e diplomatas africanos durante a segregação racial nos EUA. 

VICE DE NIXON RENUNCIA

    Em 1973 um ano antes da renúncia do presidente Richard Nixon por causa do Escândalo da Watergate, Spiro Agnew cai em desgraça por corrupção e se torna o primeiro vice-presidente da história dos Estados Unidos a renunciar. 

As duas denúncias levaram à Casa Branca o presidente da Câmara dos Representantes, Gerald Ford, o único ocupante da Casa Branca não eleito para presidente e vice.

No mesmo dia, Agnew admite a culpa numa acusação de evasão fiscal em troca da retirada de acusações de corrupção. É condenado a três anos com direito a liberdade condicional e multa de US$ 10 mil.

RESGATE DO ACHILLE LAURO

    Em 1985, aviões de caça F-14 da Marinha dos Estados Unidos interceptam um avião de passageiros do Egito que levava quatro terroristas palestinos que haviam sequestrado o navio de cruzeiro italiano Achille Lauro e o obrigam a pousar numa base aérea da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) em Sigonella, na Sicília.

Os quatro terroristas Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP), um grupo dissidente da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) tomaram o navio em 7 de outubro com cerca de 80 passageiros e 320 tripulantes a bordo para exigir a libertação de 50 palestinos presos em Israel. Ameaçam explodir o navio e matar os 11 norte-americanos a bordo.

No dia seguinte, o navio chega ao porto de Tartus, na Síria, que se nega a recebê-los. Para aumentar a pressão, os terroristas matam o judeu norte-americano Leon Klinghoffer, de 69 anos, que andava em cadeira de rodas. Jogam o corpo e a cadeira no mar.

O presidente da OLP, Yasser Arafat, condena o sequestro e a OLP se junta às autoridades egípcias para negociar a crise. O Achille Lauro vai então para Porto Said, no Egito, onde os sequestrados entregam os reféns e se rendem em troca de livre passagem para um destino ignorado. Eles embarcam num Boeing 737 da Egypt Air com destino à Tunísia, mas o avião não recebe autorização de pouco e é localizado pelos caças norte-americanos a cerca de 130 quilômetros ao sul da ilha grega de Creta.

Em 10 de julho de 1986, a Justiça da Itália condenou três terroristas a penas de 15 a 30 anos de cadeia. O outro era menor de idade e foi julgado separadamente.

domingo, 8 de agosto de 2021

Hoje na História do Mundo: 8 de Agosto

NIXON ANUNCIA RENUNCIA

    Em 1974, depois de perder o apoio do Partido Republicano no Congresso, Richard Nixon anuncia a renuncia à Presidência dos Estados Unidos por causa da invasão da sede do Partido Democrata em Washington durante a campanha eleitoral de 1972 e das manobras de obstrução de justiça no Escândalo de Watergate

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Bolívia expulsa embaixadora do México e diplomatas da Espanha

O governo interino da Bolívia, que tomou o poder depois da renúncia e fuga do presidente Evo Morales, declarou ontem personas non gratas a embaixadora da Espanha, María Teresa Mercado, os diplomatas espanhóis Cristina Borreguero e Álvaro Fernández, e um grupo de policiais. Todos têm de abandonar o país em 72 horas.

A presidente interina Jeanine Áñez acusou a embaixadora mexicana de "lesar gravemente a soberania do povo e do governo constitucional da Bolívia" ao tentar retirar do país vários políticos ligados ao governo anterior que se refugiaram na sede da representação diplomática. A embaixadora rejeita a alegação.

Em resposta, o governo da Espanha expulsou três funcionários da Embaixada da Bolívia em Madri, o encarregado de negócios, Luis Quispe Condori; o adido militar, Marcelo Vargas Barral; e o policial Orso Fernando Oblitas Siles.

Para proteger os 10 mil mexicanos residentes na Bolívia, o governo do México adotou uma posição cautelosa. O presidente Andrés Manuel López Obrador vai manter um encarregado de negócios, o mesmo status diplomático do representante mexicano na Venezuela.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

Procuradoria da Bolívia pede prisão de Evo Morales por terrorismo e sedição

O  Ministério Público da Bolívia pediu ontem a prisão do ex-presidente Evo Morales por sedição, terrorismo e financiamento do terrorismo. A denúncia cita uma conversa telefônica de Morales com Faustino Yucra, dirigente do sindicato dos produtores de coca processado por tráfico de drogas, para articular manifestações de protesto e cercos a grandes cidades.

Evo Morales renunciou à Presidência da Bolívia em 10 de novembro sob pressão de uma revolta popular e do comandante das Forças Armadas por causa de uma fraude na eleição presidencial de 20 de outubro, denunciada pela missão observadora da Organização dos Estados Americanos (OEA).

A renúncia coletiva, do presidente, do vice-presidente Álvaro García Linera e dos presidentes da Câmara e do Senado deixaram o país sem liderança, no que pareceu mais um golpe de Morales contra as instituições, depois de forçar uma terceira reeleição, quando a Constituição só admite duas, e fraudar a eleição.

Depois de deixar o cargo, Morales foi para sua região de origem, Chapare, no departamento de Cochabamba, e para o exílio no México, a convite do governo Andrés Manuel López Obrador, denunciando ter sido alvo de um golpe de Estado.

Na semana passada, depois da posse do novo presidente Alberto Fernández, Morales chegou a Buenos Aires. O ex-presidente deve ficar como asilado político na Argentina, de onde vai coordenar seu partido Movimento ao Socialismo na campanha para a eleição presidencial.

O novo governo peronista não reconhece a presidente interina da Bolívia, Jeanine Áñez, que era segunda vice-presidente do Senado. Não existe a menor chance de extraditar Morales.

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Presidente da Bolívia envia projeto para convocar nova eleição

A presidente interina Jeanine Áñez enviou ontem à Assembleia Legislativa Plurinacional, o parlamento da Bolívia, um projeto de lei para anular a eleição presidencial de 20 de outubro e preparar uma nova eleição, noticiou o jornal boliviano La Razón

O anúncio foi feito pela própria presidente ao lado do ministro da Justiça, Álvaro Coimbra, no Palácio Queimado, em La Paz. Pela manhã, 26 dos 35 países-membros da Organização dos Estados Americanos (OEA), inclusive o Brasil, haviam recomendado a convocação imediata da eleição para pacificar o país.

A proposta tem três objetivos centrais. Primeiro, anula a eleição presidencial de 20 de outubro de 2019 com base nas denúncias de fraude apresentadas em relatório de auditoria da OEA, como urnas sem abstenções, urnas em que todas as cédulas foram preenchidas pela mesma pessoa e fraude eletrônica na transmissão dos resultados para o Tribunal Supremo Eleitoral.

Em segundo lugar, convoca novas eleições gerais. E, em terceiro lugar, dispõe sobre a escolha de novos juízes para o TSE e os tribunais eleitorais departamentais dentro de 15 dias a partir da aprovação da lei. Caberá, então, às novas autoridades eleitorais, marcar a data da eleição.

"Queremos que se considere um documento-base para gerar um consenso nacional, que seja produto do consenso de todos os bolivianos", declarou a presidente interina.

Jeanine Áñez era segunda vice-presidente do Senado. Com a renúncia coletiva do presidente Evo Morales, do vice-presidente Álvaro García Linera e dos presidentes e vice-presidentes da Câmara e do Senado, em meio a uma revolta popular contra a fraude eleitoral, ela assumiu o poder. Mas a aprovação do projeto depende do Movimento ao Socialismo (MAS), o partido de Morales.

Do exílio na Cidade do México, o ex-presidente foi acusado de incitar à revolta popular e de apoiar um cerco para deixar La Paz sem alimentos e combustíveis, forçando assim sua volta ao poder. Como a Assembleia Legislativa não aceitou oficialmente a carta de renúncia, Morales e García Linera ainda se consideram presidente e vice.

Ambos alegam ter sido vítimas de um golpe porque o comandante das Forças Armadas e a Central Operária Boliviana (COB) "sugeriram" ao presidente que renunciasse para evitar um conflito ainda maior e um banho de sangue.

Desde a eleição de 20 de outubro, pelo menos 26 pessoas foram mortas pela violência política na Bolívia, sendo três ontem, quando o Exército rompeu o bloqueio à refinaria de Senkata, que abastece La Paz, e advertiu que não vai tolerar tentativas de ocupação.

Morales deu três golpes. Primeiro, ignorou a derrota no plebiscito constitucional de 2016 e recorreu a uma Corte Suprema aliada para concorrer a um quarto mandato quando a Constituição aprovada por sua iniciativa só permite dois mandatos.

Depois, fraudou a eleição presidencial. A apuração foi interrompida duas vezes quando tudo indicava que haveria segundo turno contra o ex-presidente Carlos Mesa e a Justiça Eleitoral amiga proclamou a reeleição de Morales.

Se a renúncia sob pressão do general Williams Kaliman pode ser considerada tecnicamente um golpe de Estado, como alegou o ministro do Exterior do México, Marcelo Ebrard, ao conceder asilo a Morales, na prática, foi no máximo um contragolpe.

A renúncia coletiva, não deixando ninguém do partido majoritário para tomar conta das instituições, deixando o Estado boliviano acéfalo, sem qualquer liderança, foi um ataque às instituições democráticas, uma aposta no caos para voltar ao poder nos braços do povo.

Então, se houve golpe, foi em defesa da democracia, que está ameaça do ambiente ultrapolarizado criado por Evo Morales. No balanço geral, ele fez um bom governo, com crescimento econômico de quase 5% ao ano na média desde 2006, mas não formou novos líderes para sucedê-los e não soube deixar o poder democraticamente.

domingo, 17 de novembro de 2019

Partidários de Morales querem cercar La Paz para anular renúncia

O Movimento ao Socialismo, partido do ex-presidente Evo Morales, quer cercar a cidade de La Paz impedindo a chegada de combustíveis e alimentos para forçar a população e as Forças Armadas a pedir a renúncia da presidente interina, Jeanine Áñez, e a volta do seu líder ao poder, noticiou o jornal boliviano Página Siete.

"Queremos que os ricos morram de fome", "que a presidente autoproclamada peça perdão de joelhos" e "queremos a cabeça de Mesa e Camacho" são os gritos de guerra do movimento indígena, principal base eleitoral de Morales. O ex-vice-presidente Carlos Mesa e o presidente do Centro Cívico pró-Santa Cruz, Luis Fernando Macho Camacho, são os principais líderes da oposição.

Esta estratégia estava traçada desde a renúncia coletiva do presidente, do vice-presidente e dos presidentes e primeiros vice-presidentes da Câmara e do Senado. Ao anunciar a renúncia, o vice Álvaro García Linera, citou uma frase do líder indígena Túpac Katari, que chefiou uma revolta contra o Império Espanhol no século 18: "Voltaremos e seremos milhões."

Em 13 de março de 1871, Túpac Katari iniciou um cerco de 11 meses. Agora, os agricultores de Río Abajo, Achocalla, Luribay, Sapahaqui e Patacamaya estão bloqueando estradas para impedir o abastecimento de comida às cidades de La Paz e El Alto.

"A La Paz, não vai chegar um grão de comida. Os produtores estão proibidos de tirar comida de suas granjas. É preferível que a comida apodreça do que ser dada aos brancos", declarou um dos líderes do movimento.

Os rebeldes liderados por Evo Morales, asilo no México, querem deixar a Polícia e as Forças Armadas sem combustível para que não possam reprimir o movimento. O terceiro passo será tomar a Praça Murillo e cercar a "Casa Grande do Povo", o palácio presidencial.

"O povo derrotará este golpe", declarou um dos entrevistados. "Não importa que haja mortes. É preciso recuperar a democracia." Outro dirigente do MaS conclamou os soldados e policiais e se amotinarem e não cumprirem as ordens de seus comandantes.

É uma receita para a guerra civil.

Morales renunciou sob pressão das Forças Armadas, da Polícia e da Central Operária Boliviana (COB) depois de concorrer a um quarto mandato, violando a norma constitucional que só permite uma reeleição, e de fraudar a eleição presidencial de 20 de outubro, como foi constatado pela missão observadora da Organização dos Estados Americanos (OEA).

sábado, 16 de novembro de 2019

Comissão Interamericana de Direitos Humanos adverte militares da Bolívia

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) alertou o governo interino da Bolívia de que o Decreto Supremo 4.078, que exime de responsabilidade penal os militares que participam da repressão às manifestações de protesto, viola os padrões internacionais de proteção aos direitos humanos, noticiou o jornal boliviano Página Siete.

"O pessoal das Forças Armadas que participar de operações para o restabelecimento da ordem interna e a estabilidade pública está isento de responsabilidade penal quando, no cumprimento de suas funções constitucionais, atue em legitima defesa ou estado de necessidade e proporcionalmente", diz o decreto.

A CIDH também condenou "o uso desproporcional da força policial e militar" e recomendou que "as armas de fogo devem ser eliminadas das operações de controle dos protestos sociais."

O ministro da Defesa, Fernando López, reconheceu que o documento existe: "Tivemos indícios muito sérios de estrangeiros armados no país. E há grupos armados com armas de grosso calibre. Então, isso geraria ações que nos permitam cumprir nossa missão, nada mais." Não apresentou provas de suas alegações.

López acrescentou que o objetivo do governo é "caminhar em direção ao diálogo, à paz e à fé em Deus." O fundamentalismo cristão faz parte de ideologia dos grupos de extrema direita responsáveis por atos de violência antes da renúncia do presidente Evo Morales, no domingo passado.

Embora a Bolívia seja oficialmente um país laico, a vice-presidente do Senado, Jeanine Ánez, levou uma Bíblia e um crucifixo para a cerimônia em que tomou posse como presidente interina do país, depois da renúncia do presidente, do vice, e dos presidentes e vice-presidentes da Câmara e do Senado, todos membros do Movimento ao Socialismo (MaS), partido de Morales.

Esta manobra acabou entregando o poder não ao ex-presidente Carlos Mesa, que seria favorito no segundo turno, mas ao setor mais radical da oposição, branco, racista e fundamentalista cristão. Áñez
nega ter qualquer antepassado indígena. Ela afirma ter 100% de origem europeia. Suas feições sugerem o contrário.

A Bolívia enfrenta sua pior crise política em 14 anos desde que a oposição rejeitou, em 21 de outubro, a proclamação da vitória de Morales no primeiro turno da eleição presidencial do dia anterior. A apuração foi interrompida duas vezes quando tudo indicava que haveria um segundo turno entre Morales e Mesa.

No poder desde 2006, Morales, como fiel discípulo de Fidel Castro e Hugo Chávez, não tinha a menor intenção de entregar o poder. Por força da Constituição aprovada por sua iniciativa, não poderia concorrer a um terceiro mandato, mas alegou, em 2014, que sua primeira eleição, em 2005, fora sob a Constituição anterior.

Em 2016, Evo Morales perdeu um plebiscito para acabar com limites à reeleição. Mesmo assim, recorreu ao Tribunal Constitucional alegando, com base em decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos em outro caso, que ser candidato é um direito humano fundamental.

Como dificilmente venceria no segundo turno, quanto toda a oposição se uniria ao redor de Mesa, Morales fraudou a eleição e gritou golpe quando a população revoltada saiu às ruas. Depois de se negar a fazer qualquer concessão, em 30 de outubro, Morales aceitou uma auditoria da Organização dos Estados Americanos (OEA).

A missão da OEA suspeitou desde a mudança abrupta no resultado depois das interrupções na apuração. A auditoria revelou que houve seções eleitorais sem nenhuma abstenção, urnas em que todas as cédulas foram preenchidas pela mesma pessoa e irregularidades na transmissão dos resultados para o Tribunal Supremo Eleitoral.

Morales aceitou, então, realizar nova eleição com novas autoridades eleitorais, como recomendou a OEA. A oposição exigiu que ele não se candidatasse à reeleição. Diante do impasse e do risco de aumento da violência, os comandantes das Forças Armadas e da Polícia e a poderosa Central Operária Boliviana (COB) sugeriram a renúncia do presidente.

Tecnicamente, foi um golpe de Estado. Na realidade, foi um contragolpe, depois dos golpes de Morales ao forçar mais uma reeleição e roubar a eleição.

A renúncia coletiva foi o terceiro golpe de Evo Morales contra as instituições e a democracia bolivianas. Deixou o Estado totalmente acéfalo, apostando no caos para tentar voltar ao poder como salvador da pátria, e fugiu para o exílio no México.

Com dois terços das cadeiras na Assembleia Legislativa Plurinacional, o Congresso boliviano, o MaS é fundamental para dar quórum a qualquer decisão legislativa. Enquanto deputados e senadores do partido querem voltar ao trabalho e preparar o MaS para a próxima eleição presidencial, do exterior, Morales fomenta os protestos.

Seus partidários indígenas, como os conhecidos ponchos vermelhos, estão nas ruas exigindo a volta do seu líder. Não reconhecem a presidente interina, enquanto Morales declara na Cidade do México que é o presidente da Bolívia enquanto a Assembleia Legislativa não aceitar oficialmente a carta de renúncia.

A repressão às marchas indígenas se tornou mais violenta. Antes da renúncia, parte da Polícia e o Exército se negaram a atacar os manifestantes que protestavam contra a fraude eleitoral. O total de mortos desde o início dos protestos chegou a 23, com mais de 700. Só ontem, houve nove mortes.

Do exílio, Morales culpa o governo provisório, formado pela oposição mais linha-dura. Mas é o principal responsável pelo que está acontecendo hoje na Bolívia.

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Segunda vice-presidente do Senado assume Presidência da Bolívia

Mesmo sem quórum, a senadora da oposição Jeanine Áñez, vice-presidente do Senado assumiu ontem as presidências do Senado, da Assembleia Legislativa e interina da República da Bolívia, prometendo convocar nova eleição presidencial dentro de três meses para superar a crise que levou à renúncia do presidente Evo Morales depois de quase 14 anos no poder.

A Igreja Católica tenta mediar o conflito, assegura que não haverá perseguições políticas e dá garantias aos deputados e senadores do Movimento ao Socialismo (MaS) para que participem das sessões da Assembleia Legislativa Plurinacional, o parlamento boliviano.

O ex-presidente chegou hoje à Cidade do México com o ex-vice-presidente Álvaro García Linera num voo que se abasteceu no Paraguai depois que o Peru negou acesso e obteve autorização do Brasil e do Peru para passar por seus espaços aéreos. 

Como disse ontem à noite antes de sair da Bolívia, Morales prometeu voltar com mais força. Talvez consiga, especialmente por que o próximo governo dificilmente conseguirá manter a média de crescimento econômico, de quase 5 por cento sob Morales. Mas terá de esperar anos.

Em La Paz, a oposição a Morales tentou reunir a Assembleia Legislativa para aceitar oficialmente a renúncia do presidente e indicar um sucessor. Não houve quórum porque deputados e senadores do Movimento ao Socialismo não apareceram. Os partidários de Morales disseram que pretendiam comparecer, mas não tinham condições de segurança.

O centro de La Paz está tomado por apoiadores de Morales e também da oposição, especialmente do grupo mais extremista, liderado por Luis Fernando Macho Camacho, presidente do Comitê Cívico pró Santa Cruz. Os dois grupos se enfrentaram durante o dia.Meu comentário: 

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

México anuncia que Evo Morales pediu asilo político

Um dia depois de renunciar à Presidência da Bolívia sob pressão das Forças Armadas em meio a uma revolta popular contra uma fraude eleitoral, o ex-presidente Evo Morales pediu asilo político ao México, anunciou o ministro mexicano das Relações Exteriores, Marcelo Ebrard.

"Informamos que há alguns momentos recebemos uma chamada do presidente Evo Morales em que respondeu a nosso convite e solicitou verbal e formalmente o asilo em nosso país", declarou o chanceler mexicano em entrevista coletiva.

Ebrard justificou a decisão por "razões humanitárias" alegando que sua vida e sua integridade correm perigo" e acrescentou que "houve um golpe de Estado porque o Exército pediu a renúncia do presidente."

Morales e seus aliados, inclusive o ex-presidente Lula, o presidente eleito da Argentina, Alberto Fernández, sua vice-presidente Cristina Kirchner e o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, denunciam um golpe, enquanto a oposição boliviana fala em revolta popular contra a fraude eleitoral apontada pela Organização dos Estados Americanos (OEA).

A renúncia coletiva do presidente, do vice e dos presidentes da Câmara e do Senado foi uma manobra para criar um vácuo de poder, uma aposta no caos. A segunda vice-presidente do Senado, Jeanine Áñez, deve assumir amanhã a Presidência da Bolívia interinamente até a realização de novas eleições dentro de 90 dias.

O líder rebelde Luis Fernando Macho Camacho, presidente do Comitê Cívico de Santa Cruz, exige a renúncia de todos os deputados do Movimento ao Socialismo (MaS), o partido de Morales. Como eles ocupam dois terços das cadeiras da Assembleia Legislativa Plurinacional, se renunciarem, n!ao haverá quórum para eleger a presidente interina.

A senadora Jeanine Áñez foi levada hoje de helicóptero até a sede da Assembleia, onde convocou a sessão de amanhã e ofereceu garantias aos representantes do MaS. Em seguida, ela foi retirada do local por medo de que os partidários de Morales tomem o centro de La Paz.

Amanhã, a OEA realiza uma reunião de emergência em Washington para discutir a crise boliviana.

domingo, 10 de novembro de 2019

Evo Morales renuncia à Presidência da Bolívia

Depois de quase 14 anos no poder, o líder indígena e sindical Juan Evo Morales Ayma, do Movimento ao Socialismo (MAS), renunciou hoje à Presidência da Bolívia, sob pressão do comandante das Forças Armadas, general Williams Kaliman, em meio a uma onda de três semanas de manifestações de protesto contra uma possível fraude na eleição de 20 de outubro.

"Mandei minha carta de renúncia à Assembleia Legislativa Plurinacional", anunciou Morales em pronunciamento na televisão, alegando ter sido vítima de um "golpe cívico, político e policial": "Houve um golpe", denunciou.

O vice-presidente Álvaro García e os presidentes da Câmara, Victor Borda, e do Senado, Adriana Salvatierra, também renunciaram, deixando um vácuo no poder. A Assembleia Legislativa terá de aceitar a renúncia do presidente e indicar um presidente interino até a realização de eleições, que precisam ocorrer em três meses. O nome mais cotado é da segunda vice-presidente do Senado, Jeanine Áñez.

"Meu pecado foi ser indígena, sindicalista e produtor de coca", lamentou Morales. "Vamos cumprir a promessa de Túpac Katari. Voltaramos e seremos milhões", acrescentou García, referindo-se ao líder aimará que liderou uma revolta contra a dominação espanhola no século 18.

"Quero dizer a meus irmãos e irmãs que a luta não termina aqui. Vamos continuar a luta pela paz e pela igualdade", despediu-se o presidente.

Hoje de manhã, Morales havia anunciado a realização de nova eleição presidencial com novas autoridades eleitorais "para baixar a tensão e pacificar" a Bolívia, como exigiu a Organização dos Estados Americanos (OEA) ao antecipar o resultado de uma auditoria sobre o processo eleitoral "por causa da gravidade das denúncias". A oposição exigiu que Morales não fosse candidato.

Depois disso, as Forças Armadas, a Polícia e a poderosa Central Operária Boliviana (COB) pediram a saída de Morales. O Exército havia avisado que não enfrentaria os manifestantes. Em pronunciamento na televisão, o general Kaliman sugeriu a renúncia "para o bem da Bolívia".

"Diante da escalada no conflito por que passa o país, velando pela vida, a segurança da população e a garantia do império da Constituição Política do Estado, em conformidade com o artigo 20 da Lei Orgânica das Forças Armadas e depois de analisar a situação conflituosa interna, sugerimos ao chefe de Estado que renuncie a seu mandato", declarou o general.

A seu lado, estavam outros comandantes militares e o chefe da Polícia, general Yuri Calderón, que apoiou a recomendação "para pacificar o povo da Bolívia". O comunicado do comandante das Forças Armadas terminou com um pedido "ao povo boliviano e aos setores mobilizados para depor as atitudes de violência e a desordem entre irmãos para não manchar nossas famílias com sangue, dor e luto."

Pelo menos três pessoas foram mortas e 300 saíram feridas durante as três semanas de protestos. Uma greve geral iniciada no departamento de Santa Cruz, dominado pela oposição, já dura 20 dias.

Quando o avião presidencial decolou do aeroporto de El Alto, por volta das 17 horas em Brasília, gerou especulações de que Morales poderia fugir do país. O presidente do México, o esquerdista Andrés Manuel López Obrador, lhe ofereceu asilo político. Pelo menos 20 políticos pediram asilo à embaixada mexicana em La Paz, informou na Cidde do México o chanceler Marcelo Ebrard.

O ex-presidente foi para a região do Chapare, um reduto eleitoral no departamento de Cochabamba onde ele iniciou a carreira política como líder dos cocaleros, os agricultores que cultivam a coca.

Evo Morales era o presidente que estava há mais tempo no poder na América, desde 22 de janeiro de 2006. Fora eleito em dezembro de 2005 com quase 54% dos votos depois de um período turbulento da história da Bolívia em que dois presidentes renunciaram, Gonzalo Sánchez de Losada em 2003 e Carlos Mesa Gisbert em 2005, sob pressão das ruas e do movimento indígena liderado por ele.

Sob seu governo, a Bolívia, um dos países mais pobres do continente, cresceu em média quase 5% ao ano. A pobreza caiu de 60% para 34% e a pobreza absoluta de 38% para 15%. Morales convocou uma Assembleia Constituinte que transformou o país num Estado plurinacional, reconhecendo os direitos povos indígenas.

Em 6 de dezembro de 2009, Morales foi reeleito com 64% dos votos válidos. Como a lei só autoriza uma reeleição, para concorrer a um terceiro mandato, o presidente alegou que a primeira eleição havia sido sob a Constituição anterior. Em 12 de outubro de 2014, ganhou de novo, com 63% dos votos válidos.

Para obter um quarto mandato, Morales convocou um referendo constitucional para acabar com limites à reeleição e perdeu. Em 21 de fevereiro de 2016, 51,3% dos eleitores disseram não à reeleição ilimitada.

Mesmo assim, o presidente recorreu à Corte Suprema com base em decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos, o Tribunal de São José da Costa Rica, que considerou em outro caso que votar e ser candidato são direitos fundamentais. E tentou um quarto mandato.

Na noite de 20 de outubro, com 83% das urnas escrutinadas, a contagem preliminar indicava que haveria segundo turno. Morales tinha 45% contra 38% do ex-presidente Carlos Mesa. Pela lei boliviana, ganha quem conquistar mais da metade dos votos válidos ou 40% e uma vantagem de dez pontos percentuais sobre o segundo colocado.

Naquele momento, o Tribunal Supremo Eleitoral suspendeu a apuração preliminar. No dia seguinte, quando a apuração manual voto a voto dava 42% a cada candidato, com ligeira vantagem para Mesa, a Justiça parou com a apuração manual, retomou a contagem rápida e anunciou a vitória de Morales, que no final teria recebido 47,01% dos votos contra 36,51% para Mesa.

O oposicionista rejeitou o resultado e convocou seu eleitorado a sair às ruas para impedir a fraude. A interrupção abrupta da contagem e o reinício com um resultado diferente, como aconteceu na eleição de Carlos Salinas de Gortari no México, em 1988, foi um dos pontos centrais do relatório da auditoria da OEA, que apontou "denúncias de irregularidades graves".

Assim que a OEA denunciou a fraude, o Ministério Público abriu inquérito. A presidente do Tribunal Supremo Eleitoral, María Eugenia Choque, e o vice-presidente, Antonio Costas, foram presos.

As acusações da OEA foram decisivas para minar de vez o poder de Morales. O presidente eleito da Argentina, Alberto Fernández, sua vice, Cristina Kirchner, o ex-presidente Lula e o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, chamam a queda de Morales de golpe de Estado.

A oposição boliviana argumenta que fez apenas uma resistência democrática contra a fraude eleitoral, mas o jornal La Razón noticia de ataques a casas de políticos ligados ao governo socialista, inclusive do ex-presidente.

O presidente da Câmara, Victor Borda, e o ministro das Minas, César Navarro, denunciaram ataques a suas casas e famílias com bombas incendiárias. Eles responsabilizam o ex-presidente Mesa e o presidente do Comitê Cívico de Santa Cruz, Luis Fernando Macho Camacho, pela violência.

Houve saques, violência e depredação de lojas em várias cidades, inclusive à casa de Morales. Em La Paz, pelo menos 64 ônibus foram incendiados por partidários do ex-presidente.

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Renúncia de Maduro foi discutida nas negociações de Oslo

A saída do ditador Nicolás Maduro foi discutida na semana passada no diálogo entre o regime chavista e a oposição da Venezuela realizado em Oslo, a capital da Noruega, noticiou o jornal venezuelano El Cooperante, citando fontes não identificadas.

A possibilidade de Maduro estar negociando a renúncia aconteceu depois de divulgação inesperada de dados econômicos pelo Banco Central da Venezuela depois de anos, confirmando o acentuado declínio econômico durante o atual governo.

Com a economia em colapso, depois de três tentativas fracassadas do autoproclamado presidente interino Juan Guaidó, de derrubar o ditador, a oposição concordou com a abertura de negociações mediadas pela Noruega.

A oposição suspeita que o diálogo seja apenas uma manobra diversionista de Maduro para ganhar tempo e esvaziar a mobilização popular. Ainda não foi marcada uma data para continuar a negociação.

sábado, 8 de dezembro de 2018

Polícia enfrenta manifestantes e interpela mais de 950 pessoas na França

A França mobilizou 89 mil policiais para conter as manifestações dos coletes amarelos, que hoje reuniram 125 mil pessoas. Só em Paris 8 mil agentes da lei tentam evitar novo quebra-quebra. Ao todo, 1.385 pessoas foram detidas pela polícia, sendo 651 em Paris, onde 536 foram presas e 71 saíram feridas. Os policiais usaram gás lacrimogênio na região próxima ao Arco do Triunfo de Napoleão.

Os protestos que começaram contra um aumento nos impostos sobre combustíveis já cancelado. Agora, exigem o aumento do salário mínimo, a volta do imposto sobre grandes fortunas, a renúncia do presidente Emmanuel Macron e a dissolução da Assembleia Nacional. A extrema direita e a extrema esquerda lideram as manifestações violentas.

Macron foi eleito em 2017, derrotando a neofascista Marine Le Pen no segundo turno, com uma proposta de realizar reformas profundas para modernizar a economia da França e retomar a competitividade no mundo globalizado. É acusado pelos manifestantes de governar para os ricos.

Em Paris, as principais atrações turísticas estão fechadas e a recomendação é evitar o centro da cidade.

domingo, 15 de julho de 2018

Polícia ataca igreja e mata mais duas pessoas na Nicarágua

Pelo menos duas pessoas morreram e outras duas saíram feridas ontem da invasão de uma igreja pela polícia da Nicarágua, em perseguição a estudantes universitários, informou o arcebispo de Manágua, cardeal Leopoldo José Brenes. Foi mais um ato de repressão violenta do governo Daniel Ortega contra manifestantes que protestam desde abril, exigindo agora a antecipação das eleições de 2021.

“Infelizmente, duas pessoas perderam a vida nesta manhã e outras duas foram feridas”, lamentou o cardeal-arcebispo. “Para nós, da Igreja, é terrível. Como dissemos várias vezes, nem uma morte a mais.”

Desde 18 de abril, 351 foram mortas nos protestos contra Ortega e sua mulher e vice-presidente, Rosario Murillo. Um dos mortos na igreja foi identificado como Gerald Vázquez, de 20 anos, estudante da Universidade Nacional Autônoma da Nicarágua. O outro se chamava Francisco.

Na sexta-feira, eles se refugiaram na Igreja da Divina Misericórdia, na capital nicaraguense, junto com outros 12 estudantes, três jornalistas, médicos e padres. Além dos mortos e feridos, alguns conseguiram fugir. Outros foram entregues às famílias.

Ortega chegou ao poder em 19 de julho de 1979, como um dos nove comandantes da Frente Sandinistra de Libertação Nacional (FSLN), que derrubou o ditador Anastasio Somoza Debayle. Eleito presidente em 1984, ele governou até 1990, quando foi derrotado por Violeta Chamarro.

Depois que voltou ao poder, em 2007, em aliança com a oligarquia somozista, mudou a Constituição e a Corte Suprema para permitir a reeleição sem limites do presidente. Agora, tenta se aferrar ao poder com uma onda de repressão política violenta.

A oposição exige nas ruas a renúncia do presidente e da vice-presidente, a antecipação das eleições e uma investigação internacional para investigar a responsabilidade pelas mortes dos últimos meses. Ortega aceitou a presença da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, mas năo dá sinais de que pretenda deixar o poder.

quinta-feira, 22 de março de 2018

Guerra dos Fujimori e Odebrecht derrubam presidente do Peru

A três semanas da Cúpula das Américas, a que devem comparecer Donald Trump e Raúl Castro, o país-sede está sem presidente. Depois de um ano e oito meses no cargo, Pedro Pablo Kuczynski renunciou ontem à Presidência do Peru, em meio a uma guerra dos irmãos Fujimori. 

Kuczynski evitou uma segunda votação no Congresso para afastá-lo por envolvimento em escândalo com a construtora brasileira Norberto Odebrecht, de quem neste caso recebeu US$ 3 milhões quando era primeiro-ministro do presidente Alejando Toledo, em 2005-6, através da empresa Westfield Capital, noticiou o jornal peruano El Comercio

"Não quero ser um entulho para que nossa nação encontre o caminho da harmonia que tanto necessita e a mim negaram. Não quero que a pátria sofra. Trabalhei honestamente durante 60 anos da minha vida", declarou o presidente na televisão, pretextando inocência.

Ele será substituído pelo vice-presidente Martín Vizcarra, que era embaixador no Canadá e deve assumir o cargo na sexta-feira. Do exterior, Vizcarra declarou-se "indignado" e estar "pronto para servir o país". Sem maioria no Congresso, já sofre pressões para fazer apenas um governo de transição até uma eleição presidencial antecipada. O atual mandato vai até 2021.

No fim do ano passado, para escapar do primeiro processo de impeachment, Kuczynski deu um indulto ao ex-ditador Alberto Fujimori, que cumpria pena de 25 anos por violações dos direitos humanos durante seu governo.

Em troca, o deputado Kenji Fujimori conseguiu os 10 votos necessários para salvar PPK, como é conhecido popularmente, do primeiro processo de impeachment, por receber US$ 4 milhões da Odebrecht através de empresas de consultoria. Até poucos dias atrás, a mesma fórmula parecia prestes a dar nova sobrevida a PPK.

Traída pelo próprio irmão, a ex-deputada Keiko Fujimori, derrotada por Kuczynski no segundo turno da eleição presidencial peruana de 2016, divulgou agora um vídeo em que Kenji oferecia uma negociata com obras públicas numa compra de voto para salvar Kuczynski.

Foi o golpe final. Um ministro e dois deputados do PPK (Peruanos pelo Câmbio), partido criado para lançar a candidatura de Kuczynski à Presidência, pediram a renúncia: "A investidura presidencial vai muito além das pessoas. É necessário proteger as instituições. Por isso, com muito pesar, senhor presidente, lhe peço que dê um passo ao lado."

A Procuradoria-Geral da República pediu à Justiça que proíba a saída do país do ex-presidente.Três deputados e dois ministros também serão investigados por causa dos keikovídeos. Eles estão sendo comparados aos vladivídeos, em que o chefe do serviço secreto de Fujimori desmoraliza inimigos do regime depois do golpe de 1992.

O próprio papa Francisco ironizou, na última visita ao país: "O que há no Peru que todos os ex-presidentes são presos?"

Fujimori (1990-2000) recebeu indulto, mas a Justiça decidiu que o perdão de PPK não se aplica a outros casos. Toledo (2001-6) vive nos Estados Unidos, onde há um pedido de extradição. Alán García (2006-11) está sendo investigado. Ollanta Humala (2011-16) e sua mulher Nadine Heredia estão presos.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Jacob Zuma renuncia à Presidência da África do Sul

Sob pressão do Congresso Nacional Africano, diante de mais de 700 acusações de corrupção, Jacob Zuma renunciou hoje à Presidência da África do Sul. Ele será substituído pelo vice-presidente Cyril Ramaphosa, novo líder do partido, que deve ser eleito presidente amanhã pela Assembleia Nacional.

"Nenhuma vida deve ser perdida em meu nome. Tomei a decisão de renunciar com efeito imediato, embora discorde da liderança da minha organização", declarou Zuma. Sem pedir perdão pelos crimes cometidos, ele reafirmou que se considera inocente.

Durante seus nove anos no poder, a África do Sul cresceu em média 1,5%. No fim do ano passado, o índice de desemprego estava em 26%.

"Não estamos celebrando", comentou o subsecretário-geral do CNA, Jessie Duarte. "Temos de ter respeito por nosso camarada e poupá-lo da humilhação de um voto de desconfiança no Parlamento."

A renúncia poupou o CNA de revelar sua divisão na Assembleia Nacional e de necessitar de votos da oposição para afastar um presidente corrupto que sustentou durante nove anos, apesar de todos os escândalos. A Aliança Democrática, de oposição, quer saber por que o CNA demorou tanto tempo a se livrar de Zuma.

Como o regime sul-africano é parlamentarista, é a Assembleia Nacional que elege o presidente. Na prática, o CNA trocou seu líder. Hoje, o partido do governo tem uma ampla maioria de 249 dos 400 deputados sul-africanos. A AD tem 89 cadeiras e os Combatentes pela Liberdade Econômica, 25.

Durante a luta contra a ditadura da minoria branca e o regime segregacionista do apartheid, Ramaphosa era líder sindical, secretário-geral do Congresso dos Sindicatos da África do Sul (Cosatu). Chegou a ser cotado para vice de Nelson Mandela, o grande herói da maioria negra, mas foi preterido por Thabo Mbeki.

Antes de voltar à política como vice-presidente na chapa de Zuma, Ramaphosa se tornou um dos empresários negros mais ricos da África do Sul. Ele promete moralizar o governo e resgatar a integridade das instituições.

Ao depor Zuma, o CNA renova seu compromisso histórico com a democracia. Estava parecendo os movimentos que lutaram pela libertação de outros países africanos e os transformaram em ditaduras de partido único.

O CNA, um movimento de libertação nacional, mantém o monopólio de poder na África do Sul pós-apartheid. Mas terá de renová-lo nas urnas nas eleições gerais de 2019. A corrupção e o fantasma de Zuma vão pesar nas urnas.

domingo, 19 de novembro de 2017

Mugabe se nega a renunciar e deve sofrer impeachment

Em pronunciamento hoje à noite na televisão, o ex-ditador Robert Mugabe surpreendeu o Zimbábue e não renunciou à presidência do país que governou durante 37 anos até ser deposto num golpe militar na quarta-feira passada.

Mugabe, de 93 anos, foi destituído hoje da liderança da União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Popular (ZANU-PF). Sua mulher, Grace Mugabe, que pretendia sucedê-lo, foi expulsa do partido.

O ditador tem até amanhã ao meio-dia pela hora local (8h em Brasília) para renunciar. Caso contrário, o Parlamento vai iniciar um processo de impeachment.

O novo líder do partido e do governo é o vice-presidente Emmerson Mnangagwa. Ao afastá-lo, na semana passada, para abrir caminho para sua mulher, Mugabe deflagrou o golpe que o depôs. O outro homem-forte do regime é o ministro da Defesa, general Constantino Chiwenga, que foi a Beijim pedir o aval da China ao golpe branco, sem derramamento de sangue.

Partido tira Mugabe da liderança e o pressiona a renunciar

Depois de uma manifestação de massa organizada ontem pelos militares golpistas, a União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Popular (ZANU-PF) destituiu hoje o ditador Robert Mugabe da liderança do partido e expulsou sua mulher, Grace Mugabe, que pretendia sucedê-lo. O novo líder do partido é o vice-presidente Emmerson Mnangagwa, afastado na semana passada por Mugabe, o que deflagrou o golpe de Estado.

Mugabe, de 93 anos, estava no poder desde a independência do Zimbábue, em 1980. Em prisão domiciliar desde quarta-feira, lee negocia seu destino com a mediação da Igreja Católica. Depois de 37 anos no poder, é um líder sem partido e seus principais assessores foram presos pelos militares. Ele faz um pronunciamento pela televisão hoje à noite. A agência Reuters noticiou que ele vai renunciar.

"O partido não pode tirá-lo da Presidência, então o efeito legal da votação é limitado", observou o advogado constitucionalista Fadzayi Mahere.

Se as milhares de pessoas que saíram ontem às ruas de Harare protestassem semanas atrás, provavelmente o Exército abriria fogo contra a multidão. A oposição exige a renúncia de Mugabe e a convocação de eleições antecipadas.

Em 2000, num memorando interno do Departamento de Estado americano vazado posteriormente pelo sítio de pirataria cibernética WikiLeaks, o vice-presidente Mnangagwa foi descrito como "amplamente temido e desprezado através do país", que "pode ser um líder ainda mais repressivo do que Mugabe".

O outro homem-forte do Zimbábue é o ministro da Defesa, general Constantino Chiwenga, que foi a Beijim pedir o apoio da China, maior investidor estrangeiro no país, que sofre boicote das potências ocidentais por causa das violações aos direitos humanos cometidas pela ditadura de Mugabe.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Matteo Renzi renuncia à chefia de governo na Itália

Depois de uma fragorosa derrota no referendo constitucional deste domingo, o primeiro-ministro Matteo Renzi anunciou há pouco que amanhã vai entregar o cargo ao presidente Sergio Mattarella. No momento, o não vence por 59,5% a 40,5%.

"Eu assumo toda a responsabilidade. Eu perdi", declarou Renzi. "A experiência do meu governo termina aqui."

Os analistas políticos interpretam o resultado como um novo sinal da revolta do eleitor comum contra os partidos e políticos tradicionais, que levou à aprovação da saída do Reino Unido da União Europeia no plebiscito de 23 de junho e à eleição de Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos em 8 de novembro.

Renzi, de 41 anos, chegou ao poder sem ganhar eleições como líder do partido, em 22 de fevereiro de 2014, depois de derrubar o primeiro-ministro Enrico Letta numa disputa interna do Partido Democrático, de centro-esquerda.

Ao assumir a chefia do governo com 39 anos e um mês, tornou-se o primeiro-ministro mais jovem da República da Itália. Com mil dias no poder, o governo Renzi foi o quarto mais longo da história da república.

Horas depois, o presidente pediu a Renzi que fique no cargo até a aprovação do orçamento público.