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segunda-feira, 23 de abril de 2018

Primeiro-ministro da Armênia cai após dias de protestos de rua

Depois de dez anos no poder como presidente da Armênia, Serge Sarkissian durou apenas seis dias como primeiro-ministro. Nomeado em 17 de abril, pediu demissão hoje, sob pressão de onze dias de manifestações de rua em Ierevã, capital da ex-república soviética da região do Cáucaso.

"Eu deixo o cargo de dirigente do país", declarou Sarkissian, citado pela agência oficial de notícias Armenpress.

Poucas horas antes, foi libertado o deputado Nikol Panchinian, líder do movimento popular, que mandou seus seguidores festejaram: "Cidadão comum da Armênia, você ganhou! E ninguém pode te privar desta vitória. Eu te felicito, povo vitorioso."

A festa foi na Praça da República, no centro de Ierevã, diante da sede do governo. Milhares de pessoas se reuniram, se abraçaram e dançaram em meio a bandeiras da Armênia. Em vários bairros da cidade, donos de bares abriram garrafas de vinho e ofereceram um cálice a quem passava para brindar o futuro do país, informou a Agência France Presse.

O padrão se repete nas ex-repúblicas da União Soviética: um líder eleito democraticamente se alia à oligarquia que enriqueceu com as privatizações do fim do comunismo, enquanto a maioria não tem oportunidade, o setor público não funciona e é visto como corrupto. Aí, o povo sai às ruas e faz uma revolução, mas a oligarquia dominante mantém o poder.

Presidente de 2008 a 2018, Sarkissian foi o alvo central da cólera da população armênia. Eleito primeiro-ministro depois de dois mandados como presidente, sem direito à reeleição, ele pretendia continuar no poder depois de governos medíocres.

A taxa de pobreza da Armênia aumentou de 27,6% em 2008 para 29,8% em 2016, indicam dados do Banco Mundial. A renda média por habitante ficou praticamente estagnada nos últimos dez anos. Está hoje em US$ 3.770 por ano (R$ 12.985).

Com a crise da democracia representativa em criar um mundo melhor, como em tantos outros países, "a maioria da população não confia nas autoridades nem no sistema político do país", observa o analista Iuri Navoian, presidente da organização não governamental russa Diálogo, com sede em Moscou. "As autoridades e o povo constituem duas realidades opostas."

Dentro da política do ditador da Rússia, Vladimir Putin, de restaurar o poder imperial soviético, a Armênia, faz parte do chamado "exterior próximo", referência às ex-repúblicas do "império interior" soviético. É praticamente um satélite do Kremlin e mais uma revolta popular para inquietar Putin.

Quando aprovou uma reforma constitucional em 2015 aumentando os poderes do primeiro-ministro, Sarkissian prometeu não se candidatar ao cargo. O povo nas ruas cobrou a promissória.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Primeiro-ministro Saad Hariri volta ao Líbano e suspende demissão

Dezoito dias depois de anunciar sua demissão pela TV na Arábia Saudita denunciando tentativas de assassinato, o primeiro-ministro Saad Hariri anunciou hoje que suspende sua decisão para discutir o futuro do Líbano com outros líderes políticos.

Hariri voltou ontem a Beirute para participar hoje das comemorações da independência do Líbano, em 1943. A percepção no Líbano é que ele pediu demissão a pedido do príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohamed ben Salman, para pressionar a milícia extremista muçulmana xiita Hesbolá (Partido de Deus), financiada, armada e treinada pelo Irã.

A demissão aumentou a tensão no Líbano, apesar da luta constante do país para não ser contaminado pela guerra civil na vizinha Síria. O líder do Hesbolá, xeique Hassan Nasrallah, e seu aliado, o presidente Michel Aoun, acusaram o regime saudita de sequestrá-lo.

Antes de voltar, Saad Hariri foi à França, a antiga potência colonial, e ao Egito.

Por um acordo para a divisão do poder no Líbano, o presidente é cristão, o primeiro-ministro muçulmano sunita e o presidente do Parlamento muçulmano xiita.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Secretário de Estado de Trump nega ter pensado em pedir demissão

Ao desmentir uma notícia da rede de televisão NBC, o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, negou ter pensado em deixar o cargo durante o verão no Hemisfério Norte, diante do esvaziamento do Departamento de Estado no governo Donald Trump e de seu desapontamento com o presidente, que teria chamado de "idiota" após uma reunião ministerial em 20 de julho, noticiou o jornal The New York Times.

O vice-presidente Mike Pence teria convencido o secretário de Estado a ficar no cargo. Furioso, o presidente dos Estados Unidos comentou que era "uma notícia totalmente falsa".

"Nunca pensei em deixar este cargo", declarou Tillerson numa entrevista coletiva na manhã de hoje em que elogiou a política externa de Trump, dizendo fazer parte da equipe para "tornar a América grande de novo", o principal slogan da campanha eleitoral do presidente.

Tillerson se recusou a comentar a alegação de que teria chamado Trump de idiota. "O secretário não usa este tipo de linguagem para falar do presidente dos EUA", afirmou a porta-voz do Departamento de Estado, Heather Nauert. "Ele não disse isso", insistiu.

Há apenas três dias, Trump desautorizou seu próprio secretário de Estado. Durante visita à China, Tillerson anunciou haver aberto canais de comunicação direta com o regime comunista da Coreia do Norte.

Pelo Twitter, Trump chamou de "perda de tempo" e voltou a ameaçar o ditador Kim Jong Un com o uso da força. Todos os assessores militares do presidente sabem que uma guerra seria arrasadora para as duas Coreias, com centenas de milhares, talvez milhões, de mortos.

Além de minar a ação do secretário no problema de segurança internacional mais grave de seu governo, Trump cercou-se de generais, como o chefe da Casa Civil, John Kelly; o secretário da Defesa, James Mattis; e o conselheiro de Segurança Nacional, Herbert McMaster. É o chamado "núcleo racional" da Casa Branca.

O secretário de Estado teve várias desavenças com o presidente. Tillerson pediu a Trump que certifique que o Irã está cumprindo o acordo nuclear assinado em 2015 entre as grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia), a Alemanha e a República Islâmica para desarmar o programa nuclear iraniano. Trump flerta com o primeiro-ministro linha-dura de Israel, Benjamin Netanyahu, a favor de um repúdio dos EUA ao acordo.

Tillerson tenta usar o contrato de venda de armas à Arábia Saudita, de US$ 110 bilhões, para acabar com o boicote das monarquias petroleiras do Golfo Pérsico ao Catar, adotado por orientação saudita por causa da hostilidade de Trump ao Irã, com quem o Catar mantém boas relações.

A paciência do secretário se esgotou depois de uma reunião ultrassecreta no Departamento da Defesa em que Trump ameaçou demitir o alto comando militar americano na Guerra do Afeganistão e comparou a estimativa da quantidade de soldados necessários à reforma de um restaurante de alto luxo em Nova York. Aí teria sido chamado de "idiota".

Em agosto, Tillerson voltou a ter problemas quando se afastou das declarações de Trump a respeito das manifestações neonazistas em Charlottesville: "O presidente fala por si mesmo", comentou o secretário no programa jornalístico dominical Fox News Sunday. Trump não gostou.

Numa reunião no dia seguinte, Trump elogiou o assessor de Segurança Interna, Tom Bossert, que havia defendido no domingo a decisão de dar indulto ao xerife Joe Arpaio, condenado por discriminação contra latino-americanos e imigrantes ilegais no estado do Arizona.

Só depois de rever duas vezes a gravação, Trump concordou com o argumento de Tillerson de que cabe ao presidente defender suas próprias ideias.

Ao mesmo tempo, o presidente esvaziou o Departamento de Estado, que vê como um feudo de sua adversária, a ex-secretária Hillary Clinton. Afastou vários diplomatas e não nomeou subsecretários e funcionários do segundo e terceiro escalões.

Na prática, Trump paralisou a atividade da diplomacia americana, levada à frente, no caso norte-coreano, com forte empenho pessoal do secretário de Estado. Kelly e Mattis foram decisivos para a permanência de Tillerson no governo evitando uma situação ainda mais caótica em Washington. Eles entendem a importância da diplomacia e do Departamento de Estado.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Estrategista de ultradireita de Trump cai depois de Charlottesville

Depois da debandada de grandes executivos que acabou com os conselhos empresariais da Casa Branca, o caótico governo Donald Trump perdeu hoje seu principal estrategista. 

O ultradireitista Steve Bannon é mais uma vítima da Batalha de Charlottesville, quando uma manifestação neonazista foi confrontada por militantes antifascistas. O presidente dos Estados Unidos foi ambíguo e culpou "ambos os lados".

"O chefe da Casa Civil, John Kelly, e Steve Bannon chegaram a um acordo mútuo de que hoje será o último dia de Steve", anunciou  a assessora de imprensa da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, citada pelo jornal The New York Times. "Agradecemos pelo seu serviço e lhe desejamos o melhor."

Próximo dos grupos brancos de extrema direita responsáveis pelos conflitos, Bannon era editor do sítio de ultradireita Breitbart, um dos principais meios de comunicação da campanha de Trump, que disse que ele teria pedido demissão em 7 de agosto.

Havia boatos sobre sua saída desde que o presidente nomeou o general John Kelly para a Casa Civil da Casa Branca em substituição a Reince Priesbus, queimado pelo então diretor de comunicações do governo, Anthony Scaramucci. Além deles, Trump também demitiu o assessor de Segurança Nacional, Michael Flynn, por mentir sobre contatos com a Rússia.

Com a chegada do general Kelly para pôr ordem no governo, Scaramucci foi afastado e agora chegou a vez de Bannon. O problema é que Trump está agora cercado de seus parentes e de generais. Quem vai orientar a agenda política do presidente?

A desculpa para demitir Bannon foi uma entrevista nesta semana à revista progressista American Prospect. Ele ridicularizou a estratégia militar em relação à Coreia do Norte: "Até que alguém resolva a parte da equação que mostra que 10 milhões de pessoas morreriam em meia hora em Seul, não sei do estamos falando, não há solução militar, eles nos pegaram."

Bannon acusou os diplomatas do Departamento de Estado de morreram de medo com a mudança da política comercial para trocar o liberalismo por um nacionalismo econômico agressivo e atacou a extrema direita, que sob sua influência aderiu a Trump: "Esses caras são uma coleção da palhaços, marginais e perdedores. Temos de esmagá-los."

Depois do conflito do último fim de semana na Virgínia e da resposta ambígua de Trump ao não condenar inequivocamente os neonazistas e partidários do Ku Klux Klan, a pressão contra Bannon dentro do Partido Republicano aumentou. O general Kelly aproveitou para se livrar dele.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Porta-voz de Trump pede demissão

Insatisfeito com a nomeação do financista Anthony Scaramucci para diretor de comunicação da Casa Branca, o polêmico assessor de imprensa do governo Donald Trump, Sean Spicer, pediu demissão hoje. Spicer estava interinamente no cargo desde a saída de Mike Dubke.

O presidente teria feito um apelo pessoal para manter Spicer. Sua saída abrupta a inesperada surpreendeu os funcionários da Ala Oeste da Casa Branca, onde funciona a Presidência dos Estados Unidos. É mais um sinal do caos que marcou os primeiros seis meses do governo Trump, completados ontem.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Trump admite depor sob juramento para negar pressões sobre Comey

NOVA YORK - Em sua primeira entrevista coletiva depois do depoimento do ex-diretor-geral do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos Estados Unidos, James Comey, à Comissão de Inteligência do Senado, o presidente Donald Trump declarou hoje estar pronto para depor sob juramento para negar que tenha pedido o fim do inquérito sobre seu ex-assessor de Segurança Nacional, general Michael Flynn.

"Estou 100% querendo depor sob juramento", disparou Trump diante da insistência dos repórteres. "Vou dizer a ele [o procurador especial Robert Mueller] exatamente o que disse a vocês."

Comey afirmou que o presidente lhe pediu várias vezes para "deixar para lá" a investigação sobre Flynn, que Trump chamou de "um bom cara" que "não fez nada errado". Ele acrescentou que o presidente não pediu o fim do inquérito sobre a influência indevida da Rússia na eleição presidencial americana.

"Não houve conluio [com a Rússia] nem obstrução de justiça. Ele é um mentiroso que vazou informações", atacou o presidente.

Trump demitiu Comey em 9 de maio quebrando uma tradição da Casa Branca de manter distância operacional do FBI. Só um diretor-geral do FBI havia sido demitido até hoje, e por corrupção. Ele não revelou se os encontros com Comey na Casa Branca foram gravados.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Comey acusa Casa Branca de mentir para difamá-lo e ao FBI

No início de seu depoimento à Comissão de Inteligência do Senado, o ex-diretor-geral do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos Estados Unidos, James Comey acusou a Casa Branca de mentir para "difamar a mim e, mais importante, o FBI". Em defesa própria e da agência, chamada de "bagunça", decidiu então revelar os memorandos sobre seus encontros com o presidente Donald Trump.

"O governo escolheu difamar a mim e, mais importante, ao FBI, dizendo que a organização tinha virado uma bagunça e que era mal administrada", declarou o ex-diretor. "Essas são mentiras pura e simplesmente."

Comey negou que o presidente o tenha pressionado a encerrar a investigação sobre a interferência da Rússia na eleição presidencial americana de 2016, mas confirmou que Trump pediu o fim do inquérito sobre as relações do ex-assessor de Segurança Nacional de Trump, general Michael Flynn, com os russos. Isso pode caracterizar obstrução de justiça, um crime capaz de levar ao impeachment do presidente.

No primeiro momento, a Casa Branca justificou a demissão de Comey, em 9 de maio, alegando problemas na investigação do uso de correio eletrônico privado pela então secretária de Estado Hillary Clinton, adversária de Trump na eleição do ano passado.

O próprio presidente desmentiu seu governo ao admitir em entrevista à rede de televisão NBC que afastou Comey por causa da investigação sobre a Rússia. Trump acrescentou que o diretor-geral "não estava fazendo um bom trabalho" e que teria perdido a confiança dos funcionários do FBI.

Foi um golpe na autoestima de Comey: "Ele me disse repetidamente que tinha falado com muita gente sobre mim, inclusive com o procurador-geral, e que tinha ouvido que eu estava fazendo um grande trabalho e era muito apreciado pela força de trabalho do FBI."

Calmo a princípio, o ex-diretor se exaltou em defesa do seu trabalho e da instituição que dirigia: "Lamento muito que a força de trabalho do FBI tenha de ouvir isso. Queria que o povo americano soubesse esta verdade: o FBI é honesto. O FBI é forte e o FBI é e sempre será independente."

Em depoimento à Comissão de Justiça da Câmara, em setembro de 2016, o então diretor do FBI afirmou: "Você pode dizer que erramos, mas não nos chamar de sorrateiros. Não somos sorrateiros."

Ele admitiu que divulgou os memorandos sobre os encontros com Trump para pressionar o governo a nomear um procurador independente para chefiar o inquérito sobre a influência russa na eleição. Foi indicado o ex-diretor-geral do FBI que o antecedeu, Robert Mueller.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Trump ameaça ex-diretor-geral do FBI

Mais um ingrediente veio apimentar hoje o terremoto político causado em Washington pela demissão do diretor-geral do FBI, a polícia federal dos Estados Unidos, James Comey, chefiava a investigação sobre a interferência da Rússia na eleição presidencial do ano passado. O presidente Donald Trump ameaçou Trump via Twitter, com medo de que as conversas entre os dois tenham sido gravadas.

A imprensa americana revelou ontem que num jantar entre os dois Trump cobrou "lealdade" do então diretor do FBI. Comey teria prometido "honestidade". A hipótese de que a conversa tenha sido gravada foi levantada hoje pelo presidente e aguçou a memória sobre grandes crises presidenciais em Washington.

O golpe definitivo no presidente Richard Nixon, que renunciou em 1974 para escapar de um processo de impeachment pela invasão da sede do Partido Democrata durante a campanha eleitoral de 1972, foi uma decisão da Suprema Corte obrigando-o a entregar à Justiça as fitas com as gravações da Casa Branca.

Se por acaso Trump instalou algum sistema de gravação na Casa Branca, a jurisprudência é que pertencem ao Estado e não ao presidente.

Desde a demissão de Comey, o governo Trump mudou várias vezes a versão oficial sobre a demissão do diretor do FBI. Primeiro, teria agido com base num memorando do subprocurador-geral Rod Rosenstein.

Ele se prestou a fazer um documento acusando Comey de erros na condução do inquérito sobre o uso de correio eletrônico privado pela então secretária de Estado Hillary Clinton, no primeiro governo Barack Obama.

Sob intensa pressão por ter demitido um diretor do FBI que o investigava, Trump afirmou ontem em entrevista à televisão que a decisão dele foi anterior ao memorando do subprocurador.

Diante da tamanha confusão, a oposição democrata exige a nomeação de um procurador independente para investigar as relações entre a campanha de Trump e a Rússia. Dentro do próprio Partido Republicano, nomes respeitados como o senador John McCain defendem a formação de uma comissão especial do Congresso.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Matteo Renzi renuncia à chefia de governo na Itália

Depois de uma fragorosa derrota no referendo constitucional deste domingo, o primeiro-ministro Matteo Renzi anunciou há pouco que amanhã vai entregar o cargo ao presidente Sergio Mattarella. No momento, o não vence por 59,5% a 40,5%.

"Eu assumo toda a responsabilidade. Eu perdi", declarou Renzi. "A experiência do meu governo termina aqui."

Os analistas políticos interpretam o resultado como um novo sinal da revolta do eleitor comum contra os partidos e políticos tradicionais, que levou à aprovação da saída do Reino Unido da União Europeia no plebiscito de 23 de junho e à eleição de Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos em 8 de novembro.

Renzi, de 41 anos, chegou ao poder sem ganhar eleições como líder do partido, em 22 de fevereiro de 2014, depois de derrubar o primeiro-ministro Enrico Letta numa disputa interna do Partido Democrático, de centro-esquerda.

Ao assumir a chefia do governo com 39 anos e um mês, tornou-se o primeiro-ministro mais jovem da República da Itália. Com mil dias no poder, o governo Renzi foi o quarto mais longo da história da república.

Horas depois, o presidente pediu a Renzi que fique no cargo até a aprovação do orçamento público.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Primeiro-ministro da Islândia cai por causa dos Papéis do Panamá

Sob intensa pressão das ruas, o primeiro-ministro da Islândia, Sigmundur Davío Gunnlaugsson, pediu demissão hoje depois que o vazamento dos Papéis do Panamá revelou que ele e a mulher tinham ume empresa de fachada criada pelo escritório de advocacia panamenho Mossack Fonseca.

No maior vazamento de dados da história do jornalismo, o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos e 109 meios de comunicação de vários países tiveram acesso a 11,5 milhões de documentos comprovando que desde 1977, a Mossack Fonseca criou 214 mil empresas offshore para clientes de 200 países e territórios, inclusive 12 ex-chefes de Estado ou de governo e outros 128 políticos e altos funcionários públicos.

O primeiro-ministro da Islândia é o primeiro a cair no escândalo financeiro. A Islândia e os três maiores bancos do país foram à falência na Grande Recessão.

Gunnlaugsson é acusado de omitir que ele e a mulher tinham uma empresa offshore quando foi eleito em 2009, pouco depois da Islândia quebrar em consequência da crise financeira internacional deflagrada pela falência do banco Lehman Brothers, em setembro de 2008.

Enquanto ele negociava as dívidas dos credores dos bancos falidos, sua companhia tinha direito a somas vultosas dessas dívidas, caracterizando um conflito de interesses.

Na segunda-feira, milhares de pessoas se concentraram diante do Parlamento da Islândia, em Reikjavik, para exigir sua queda. A oposição apresentou uma moção de desconfiança que seria votada na quinta-feira.

Em reunião com o presidente, o primeiro-ministro propôs a convocação de eleições antecipadas, mas foi pressionado a renunciar à chefia do governo.

A criação de empresas offshores é normalmente usada para lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio adquirido com dinheiro de negócios ilícitos, mas não é ilegal, desde que declarada às autoridades do imposto de renda.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Diretor-presidente da VW cai em escândalo por fraude ambiental

Sob pressão desde que a Volkswagen admitiu fraude no controle da emissão de poluentes por seus motores a óleo diesel, o diretor-presidente da empresa, Martin Winterkorn, pediu demissão hoje.

"A VW precisa de um recomeço", declarou Winterkorn, alegando não saber das irregularidades. "Estou abrindo o caminho para este recomeço com minha demissão."

Ontem, a VW confessou ter alterado o programa de computador de 11 milhões de veículos a diesel para mascarar a emissão de poluentes. A denúncia inicial, feita na sexta-feira pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, era de 482 mil veículos manipulados.

As ações da companhia caíram 20% ontem. Hoje de manhã, registravam alta de 5,8%.

O único modelo a venda no Brasil que pode ter o problema é a picape Amarok fabricada na Argentina.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Primeiro-ministro da Grécia pede demissão e convoca eleições

Em pronunciamento na televisão, o primeiro-ministro Alexis Tsipras anunciou sua demissão agora há pouco para provocar a realização de eleições parlamentares antecipadas na Grécia. É uma manobra para reforçar seu poder para implementar o programa de recuperação da economia.

Tsipras disse à nação e ao presidente Prokopis Pavlopoulos que não tem mais condições de ficar na chefia do governo por falta de uma maioria parlamentar estável e propôs a convocação de eleições para 20 de setembro, daqui a exatamente um mês.

A Coligação de Esquerda Radical (Syriza), partido de Tsipras, chegou ao poder nas eleições de 25 de janeiro de 2015, depois de seis anos de uma crise econômica que reduziu a produção de riqueza em 25% e deixou um quarto da população em idade de trabalhar sem emprego.

Depois de romper as negociações com os sócios da Zona do Euro e convocar um plebiscito contra o acordo, Tsipras recuou, mas 40 deputados de seu próprio partido rejeitaram o resultado das negociações com os credores. O terceiro empréstimo de emergência só foi aprovado com votos da oposição.

Pela lei grega, como Tsipras foi eleito neste ano, a oposição teria o direito de tentar formar um governo. Como a Syriza e um pequeno partido aliado tem maioria absoluta, apesar da divisão no partido do govervo, a formação de um novo governo é improvável antes das eleições e uma incógnita depois.

A Grécia devia 320 bilhões de euros. Com o novo empréstimo de 86 bilhões, a dívida pública sobe para 200% do produto interno bruto. A antecipação das eleições em momento tão difícil pode criar mais instabilidade política e prejudicar o programa de recuperação.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Cai o primeiro-ministro do Haiti

Sob pressão de semanas de manifestações de protesto, o primeiro-ministro do Haiti, Laurent Lamothe, pediu demissão hoje, seguindo o conselho de uma comissão formada pelo governo para administrar a crise.

Os manifestantes também exigem a renúncia do presidente Michel Martelly, acusando-o de violar os princípios da democracia, mas a situação do país melhorou bastante em seu governo, iniciado em maio de 2011, na primeira transição democrática para um membro da oposição na história haitiana.

Martelly, um músico e popstar, governa com o apoio da Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (Minustah), liderada por militares brasileiros. Ele assumiu com o país arrasado pelo Terremoto de Porto Príncipe, de 12 de janeiro de 2010, em que 100 a 200 mil haitianos foram mortos.

Depois do terremoto, a sociedade internacional prometeu dar uma ajuda de US$ 10 bilhões para a reconstrução do Haiti.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Secretário da Defesa dos EUA pede demissão

CAMBRIDGE-MA, EUA - O presidente Barack Obama está anunciando neste momento a demissão do secretário da Defesa dos Estados Unidos, Chuck Hagel, um republicano, o primeiro veterano de guerra a ocupar o cargo. Apesar dos muitos elogios, a rede de televisão americana CNN informa que ele foi pressionado a sair.

No momento, os EUA enfrentam múltiplos desafios de segurança, da guerra contra o Estado Islâmico no Iraque e na Síria à crescente agressividade da Rússia em relação às ex-repúblicas da União Soviética, passando pela retirada parcial do Afeganistão, a afirmação da China como superpotência, as negociações para desarmar o programa nuclear do Irã e o aumento do terrorismo muçulmano na África.

Hagel fica no cargo até a aprovação de um novo chefe do Pentágono pelo Congresso. Ele estaria em conflito com os assessores de segurança nacional da Casa Branca. Nos últimos dias, Obama mudou de posição na Guerra do Afeganistão, onde os EUA devem manter as missões de combate depois da retirada do grosso das tropas no fim de 2014.

O secretário também teria advertido o presidente de que talvez seja necessário enviar soldados americanos para realizar operações terrestres contra o Estado Islâmico, como aconselham os comandantes militares, algo que Obama prometeu ao povo americano que jamais fará.

domingo, 19 de outubro de 2014

Ucrânia demite 17 mil funcionários em Donetsk e Luhansk

O Ministério do Interior da Ucrânia demitiu 17 mil funcionários públicos das províncias de Donetsk e Luhansk, sob as acusações de "traição e irresponsabilidade" por ficarem ao lado dos rebeldes apoiados pela Rússia que tentam anexar o Leste ucraniano à Federação Russa.

Com uma lei sancionada em 9 de outubro de 2014, o presidente Petro Porochenko iniciou um expurgo dos funcionários do antigo governo de Viktor Yanukovich. O ex-presidente renunciou em 22 de fevereiro, em meio a uma revolta popular, depois de abandonar, em novembro de 2013, sob pressão da Rússia, negociações de associação à União Europeia.

A guerra movida por Porochenko sem sucesso para tentar retomar os territórios ocupados pelos rebeldes apoiados pelo Kremlin e o expurgo acentuam a divisão na sociedade ucraniana, que tem uma grande população étnica, linguística e culturalmente russa.

Na semana passada, Porochenko esteve com o presidente russo, Vladimir Putin, num encontro da União Europeia, mas não houve maior avanço. O homem-forte da Rússia deu um chá de banco na chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, e ampliou as sanções a produtos ocidentais, incluindo vários tipos de alimentos.

Em seu projeto de resgatar pelo menos parte do poder imperial soviético, Putin recusa-se a aceitar a independência da Ucrânia. A radicalização em Kiev joga a seu favor.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Maliki anuncia sua demissão

Sob pressão dos Estados Unidos, do Irã e dos próprios xiitas iraquianos, o primeiro-ministro Nuri al-Maliki anunciou hoje sua demissão. Ele tentou resistir. Chegou a mobilizar setores das Forças Armadas. Quando perdeu o apoio do partido Dawa, o maior da comunidade xiita do Iraque, sua sorte foi liquidada.

O colapso das forças de segurança diante da ofensiva da milícia extremista Estado Islâmico do Iraque e do Levante provocou uma crise política sem precedentes no conturbado Iraque pós-Saddam Hussein. O presidente Barack Obama condicionou o fornecimento de armas à saída de Maliki.

Na segunda-feira, o presidente Fuad Massum nomeou Haider al-Abadi para chefiar o governo. Maliki alegou ter direito a um terceiro mandato. Ontem, o Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica do Irã, aiatolá Ali Khameni, apoiou Abadi. Sem apoio interno nem externo, Maliki foi obrigado a recuar.

Hoje finalmente Maliki declarou não querer mais nenhum cargo no governo iraquiano. Terá de ficar até a formação de um novo governo.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Primeiro-ministro da Tunísia pede demissão

Sem conseguir formar um governo de união nacional como desejava, o primeiro-ministro Hamadi Jebali renunciou ao cargo hoje na Tunísia, agravando ainda mais a crise política deflagrada pelo assassinato do líder esquerdista e defensor dos direitos humanos Chokri Belaïd, baleado quando saia de casa em 6 de fevereiro de 2013.

Seu próprio partido, o Nahda, rejeitou a proposta de formação de um governo tecnocrático. Jebali queria antecipar as eleições como saída para a crise, informa o jornal The New York Times.

Belaïd era um dos principais críticos do atual governo tunisiano, formado pelos partidos religiosos muçulmanos que ganharam as eleições realizadas depois da primeira revolução da chamada Primavera Árabe, que derrubou o ditador Zine ben Ali em 14 de janeiro de 2011.