Mostrando postagens com marcador Papéis do Panamá. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Papéis do Panamá. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Ex-primeiro-ministro do Paquistão pega 10 anos de cadeia por corrupção

O ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif foi condenado ontem a 10 anos de prisão por corrupção pela Justiça do Paquistão, noticiou a agência Reuters. Ele está em Londres e não poderá voltar ao Paquistão para fazer campanha para as eleições de 25 de julho.

Sharif governou o Paquistão de 1990 e 1993 e de 1997 a 1999, quando foi deposto por um golpe militar liderado pelo comandante do Exército, general Pervez Musharraf. Em maio de 1998, o Paquistão realizou testes atômicos, assumindo publicamente o status de potência nuclear, ao lado da Índia, inimiga histórica.

Depois de voltar ao poder em 2013, ele foi afastado pela Suprema Corte em 28 de julho do ano passado por causa de seu envolvimento no escândalo dos Papéis do Panamá, de investimentos secretos e lavagem de dinheiro neste país, que é um paraíso fiscal e desde então está sendo fortemente pressionado a mudar sua legislação financeira.

A denúncia foi apresentada em 19 de outubro de 2017. O veredito e a sentença condenatória foram anunciados ontem. Mesmo como réu, ele liderava a Liga Muçulmana do Paquistão (LMP-N). Agora, terá de fazê-lo do exílio em Londres.

Em 72 anos de história, nenhum primeiro-ministro jamais completou o mandato no Paquistão. Sharif foi o líder eleito que governou o país por mais tempo, cerca de 9 anos, mas não bateu o ditador Zia ul-Hak (1977-88), um conservador linha-dura que se aliou aos Estados Unidos, especialmente depois da invasão soviética no Afeganistão, em 1979. Foi o principal responsável pela islamização do Paquistão ao usar a religião como ideologia da ditadura.

Benazir Bhutto foi a primeira mulher a governar um país muçulmano. Ela chefiou o governo por cinco anos, de 1993 a 1996 e de 1988 a 1990. Foi assassinada em campanha eleitoral em 27 de dezembro de 2007. Seu pai, Zulfikar Ali Bhutto, foi presidente de 1971 a 1973 e primeiro-ministro de 1973 a 1977, quando foi deposto e executado num golpe militar.

Um Parlamento fragmentado vai formar um governo fraco, suscetível às pressões das Forças Armadas, que por causa do conflito histórico com a Índia são na prática o poder real.

No momento, as pesquisas dão em média 31% das preferências para a centro-direitista LMP-N, presidido por Shehbaz Sharif, irmão do ex-primeiro-ministro condenado; 24% para o partido que mais cresce no país, o Movimento por Justiça, liderado por Imran Khan, ex-capitão da seleção nacional de críquete; e 14% para o centro-esquerdista Partido Popular Paquistanês (PPP), liderado por Bilawal Bhutto Zardari desde o assassinato da mãe.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Jornalista que denunciava corrupção no governo de Malta é morta

A jornalista Daphne Caruana Galizia, que investigava o envolvimento de altas autoridades de Malta no escândalo dos Papéis do Panamá, foi morta ontem com a explosão de seu carro. Seu filho denunciou que a ilha é um "Estado mafioso" dirigido por "bandidos".

O primeiro-ministro Joseph Muscat, acusado junto com a mulher de ter conta bancária ilegal no exterior, declarou estar indignado com a "barbárie": "O que aconteceu hoje é inaceitável. Hoje é um dia negro para nossa democracia e a liberdade de expressão. Não vou descansar enquanto não for feita justiça."

Daphne Galizia, de 53 anos, foi assassinada por volta das 15h de ontem (11h em Brasília), meia hora depois de publicar em seu blogue denúncias contra o chefe da Casa Civil de Malta, Keith Schembri. Ele é acusado de criar uma empresa de fachada no Panamá logo depois da vitória do Partido Trabalhista nas eleições de 2013.

"Minha mãe foi assassinada porque ficou entre o Estado de Direito e aqueles que tentam violá-la, como tantos jornalistas fortes", escreveu Matthew Caruana Galizia no Facebook. "Mas ela foi alvejada porque era a única pessoa a fazer isso. Isto acontece quando as instituições do Estado não estão capacitadas: a última pessoa geralmente é jornalista. O que a tornou na primeira pessoa a ser morta."

Matthew acrescentou que a morte da mãe "não foi um homicídio comum nem uma tragédia. Trágico é alguém ser atropelado por um ônibus. Quando há sangue e fogo ao redor de você, é uma guerra. Somos um povo em guerra contra o Estado e o crime organizado, que se tornaram indistinguíveis."

Ele concluiu: "Sim, é onde estamos, num Estado mafioso onde você será explodido por exercer suas liberdades fundamentais, apenas para vermos aqueles que deveriam nos proteger estão celebrando."

terça-feira, 10 de maio de 2016

Panamá aceita fim do sigilo bancário em 2018

NOVA YORK - Sob intensa pressão internacional desde a revelação de um gigantesco esquema de ocultação de riqueza no escândalo dos Papéis do Panamá, este país da América Central concordou em fornecer informações bancárias de maneira automática a autoridades de outros países.

O Panamá se engaja assim nas negociações da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico, um clube de países ricos, para sair da lista negra dos paraísos fiscais onde os ricos, criminosos e corruptos guardam seu dinheiro para não pagar impostos e escapar da polícia.

No fim de semana, uma reportagem do jornal esquerdista britânico The Guardian revelou que existem hoje em paraísos fiscais depósitos suspeitos de US$ 12 trilhões vindos de países em desenvolvimento.

A pesquisa do professor James Henry, da Universidade de Colúmbia, nos Estados Unidos, mostra que até 2014 US$ 1,3 trilhão saíram da Rússia para paraísos fiscais. Cidadãos da China têm ao menos US$ 1,2 trilhão depositados longe da fiscalização das autoridades, inclusive em Hong Kong e Macau.

O Brasil, a Argentina, Angola, a Nigéria, a Indonésia, a Malásia e a Tailândia também figuram no topo da lista de países em desenvolvimento corruptos.

Em conversa com a rainha Elizabeth II, o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, admitiu que muitos países que participarão de uma conferência internacional anticorrupção estão "entre os mais corruptos do mundo". Esqueceu de dizer que a maioria em ilhas do Império Britânico.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Procurador argentino quer investigar negócios offshore de Macri

O procurador federal Federico Delgado pediu à Justiça a abertura de uma investigação sobre as empresas de fachada que os Papéis do Panamá revelaram que havia em nome do presidente Mauricio Macri, noticiou hoje o jornal Buenos Aires Herald. O presidente alegou que eram empresas do pai em que ele aparecia como vice-presidente.

Macri está sob pressão para esclarecer sua participação na empresa offshore Fleg Trading Ltd., registrada nas ilhas Bahamas. Se ele não estiver envolvido diretamente, poderá se livrar do escândalo no momento em que a Justiça argentina investiga o enriquecimento do casal Kirchner e de empresários ligados aos governos anteriores.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Primeiro-ministro da Islândia cai por causa dos Papéis do Panamá

Sob intensa pressão das ruas, o primeiro-ministro da Islândia, Sigmundur Davío Gunnlaugsson, pediu demissão hoje depois que o vazamento dos Papéis do Panamá revelou que ele e a mulher tinham ume empresa de fachada criada pelo escritório de advocacia panamenho Mossack Fonseca.

No maior vazamento de dados da história do jornalismo, o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos e 109 meios de comunicação de vários países tiveram acesso a 11,5 milhões de documentos comprovando que desde 1977, a Mossack Fonseca criou 214 mil empresas offshore para clientes de 200 países e territórios, inclusive 12 ex-chefes de Estado ou de governo e outros 128 políticos e altos funcionários públicos.

O primeiro-ministro da Islândia é o primeiro a cair no escândalo financeiro. A Islândia e os três maiores bancos do país foram à falência na Grande Recessão.

Gunnlaugsson é acusado de omitir que ele e a mulher tinham uma empresa offshore quando foi eleito em 2009, pouco depois da Islândia quebrar em consequência da crise financeira internacional deflagrada pela falência do banco Lehman Brothers, em setembro de 2008.

Enquanto ele negociava as dívidas dos credores dos bancos falidos, sua companhia tinha direito a somas vultosas dessas dívidas, caracterizando um conflito de interesses.

Na segunda-feira, milhares de pessoas se concentraram diante do Parlamento da Islândia, em Reikjavik, para exigir sua queda. A oposição apresentou uma moção de desconfiança que seria votada na quinta-feira.

Em reunião com o presidente, o primeiro-ministro propôs a convocação de eleições antecipadas, mas foi pressionado a renunciar à chefia do governo.

A criação de empresas offshores é normalmente usada para lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio adquirido com dinheiro de negócios ilícitos, mas não é ilegal, desde que declarada às autoridades do imposto de renda.

domingo, 3 de abril de 2016

Três altos funcionários de Chávez estão nos Papéis do Panamá

Três altos funcionários da Venezuela próximos do falecido presidente Hugo Chávez estão nos Papéis do Panamá, 11,5 milhões de documentos da empresa panamenha Mossack Fonseca, especializada na criação de empresas de fachada em paraísos fiscais para lavar dinheiro e ocultar patrimônio das autoridades fiscais.

Adrián Velázquez, Víctor Cruz Weffer e Jesús Villanueva eram próximos do caudilho venezuelano, informa o boletim de notícias argentino Infobae. Velázquez, ex-segurança de Chávez, abriu uma conta de milhões de dólares nas Ilhas Seicheles.

Cruz Weffer foi comandante do Exército de julho a dezembro de 2001, quando foi acusado de desvio de fundos e de enviar centenas de milhares de dólares ao exterior.

Depois da primeira eleição de Chávez, em 1998, Villanueva subiu rapidamente na companhia estatal Petróleos de Venezuela S. A. (PdVSA) até chegar a auditor e diretor. Em 2006, a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos o acusou de não ser um auditor independente.

Vazamento revela milhões de documentos sobre lavagem de dinheiro

Um vazamento sem precedentes de 11,5 milhões de documentos da companhia panamenha Mossack Fonseca, especialista na criação de empresas de fachada em paraísos fiscais, revela como 12 chefes de Estado ou de governo, outros 128 políticos e altos funcionários, 29 bilionários, grandes empresas e celebridades do esporte e da cultura, com a ajuda de mais de 500 bancos, esconderam fortunas para não pagar impostos, informa o jornal francês Le Monde.

Os Papéis do Panamá foram obtidos pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos e 109 meios de comunicação de vários países. Cobrem um período de 1977 a 2015. É o maior vazamento de dados da história do jornalismo, 1,5 mil vezes maior do que os do WikiLeaks, e a maior revelação sobre o mundo obscuro dos paraísos fiscais e da lavagem de dinheiro. São 2,6 terabytes de dados.

Entre os figurões com firmas e contas secretas no exterior, estão os presidentes da Rússia, Vladimir Putin; da Ucrânia, Petro Porochenko; do Azerbaijão, Ilham Aliev; da Síria, Bachar Assad; da África do Sul, Jacob Zuma; da Argentina, Mauricio Macri; e do México, Enrique Peña Nieto; o sultão da Arábia Saudita, Salman Abdulziz al-Saud; o ex-presidente do Egito Hosni Mubarak, os primeiros-ministros da Islândia, Sigmundur Davío Gunnlaugsson; e do Paquistão, Nawaz Sharif; o craque argentino Lionel Messi, o ex-vice-presidente da FIFA Jérôme Valcke e o ex-jogador francês e ex-presidente da UEFA (União Europeia de Futebol Associativo) Michel Platini.

Só o grupo ligado a Putin teria movimentado US$ 2 bilhões, foco principal da cobertura do jornal inglês The Guardian. A lista completa será divulgada até maio. O boletim argentino Infobae fez uma lista inicial dos políticos.

No Brasil, a Mossack Fonseca foi citada na Operação Lava Jato como uma máquina de fabricar lavanderias de dinheiro sujo. A companhia criou para 57 indivíduos citados na investigação, entre elas 16 offshores para para seis grandes empresas e famílias acusadas na Lava Jato, ligadas à empreiteira Odebrecht e às famílias Mendes Júnior, Shahin, Queiroz Galvão, Feffer e Walter Faria. A gerente Renata Pereira Britto foi presa na 22ª parte da operação.

"O cliente interessado na constituição de uma empresa offshore recebe uma lista contendo diversos nomes de empresas já existentes e escolhe qualquer a um custo de US$ 2,5 mil mais US$ 1.877 de anuidade", explicou a gerente da Mossack Fonseca Brasil.

Um dos personagens revelados no vazamento é banqueiro David Muino, "gestor das contas que pertenceriam ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha", informa o blogue do jornalista Fernando Rodrigues. Apesar das evidências enviadas pela Procuradoria-Geral da Suíça, Cunha nega ter contas no exterior.

Desde sua fundação, em 1977, a Mossack Fonseca criou 214 mil empresas de fachada em 21 paraísos fiscais a pedido de clientes de mais de 200 países e territórios. Em contraste com vazamentos anteriores de determinados bancos, como os suíços HSBC e UBS, ou de um país, caso de Luxemburgo, os Papéis do Panamá traçam um mapa global da ocultação de patrimônio.

Em 2015, uma fonte anônima começou a enviar os documentos para o jornal liberal alemão Süddeutsche Zeitung. O objetivo era demonstrar a participação da Mossack Fonseca em fraudes fiscais cometidas pelo Commerzbank, o segundo maior banco da Alemanha.

Diante da massa formidável de dados, o jornal alemão pediu ajuda ao Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, que tem experiência em investigações sobre transações financeiras internacionais suspeitas.

Sob pressão, a Mossack Fonseca atribuiu a responsabilidade pela lavagem de dinheiro a 14 mil intermediários como bancos, corretoras de valores, escritórios de advocacia, contadores e companhias de gestão de fortunas. Em entrevista à televisão panamenha, Ramón Fonseca, fundador da empresa, a comparou a uma "fábrica de automóveis", que não tem responsabilidade sobre crimes cometidos com seus carros.

O Panamá resiste à pressão da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) para aderir à luta contra a evasão e a fraude fiscal com um controle maior das empresas offshore. Para Le Monde, não faltam leis contra a lavagem de dinheiro. Falta maior aplicação na sua fiscalização.