A jornalista Daphne Caruana Galizia, que investigava o envolvimento de altas autoridades de Malta no escândalo dos Papéis do Panamá, foi morta ontem com a explosão de seu carro. Seu filho denunciou que a ilha é um "Estado mafioso" dirigido por "bandidos".
O primeiro-ministro Joseph Muscat, acusado junto com a mulher de ter conta bancária ilegal no exterior, declarou estar indignado com a "barbárie": "O que aconteceu hoje é inaceitável. Hoje é um dia negro para nossa democracia e a liberdade de expressão. Não vou descansar enquanto não for feita justiça."
Daphne Galizia, de 53 anos, foi assassinada por volta das 15h de ontem (11h em Brasília), meia hora depois de publicar em seu blogue denúncias contra o chefe da Casa Civil de Malta, Keith Schembri. Ele é acusado de criar uma empresa de fachada no Panamá logo depois da vitória do Partido Trabalhista nas eleições de 2013.
"Minha mãe foi assassinada porque ficou entre o Estado de Direito e aqueles que tentam violá-la, como tantos jornalistas fortes", escreveu Matthew Caruana Galizia no Facebook. "Mas ela foi alvejada porque era a única pessoa a fazer isso. Isto acontece quando as instituições do Estado não estão capacitadas: a última pessoa geralmente é jornalista. O que a tornou na primeira pessoa a ser morta."
Matthew acrescentou que a morte da mãe "não foi um homicídio comum nem uma tragédia. Trágico é alguém ser atropelado por um ônibus. Quando há sangue e fogo ao redor de você, é uma guerra. Somos um povo em guerra contra o Estado e o crime organizado, que se tornaram indistinguíveis."
Ele concluiu: "Sim, é onde estamos, num Estado mafioso onde você será explodido por exercer suas liberdades fundamentais, apenas para vermos aqueles que deveriam nos proteger estão celebrando."
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
Mostrando postagens com marcador Malta. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Malta. Mostrar todas as postagens
terça-feira, 17 de outubro de 2017
sexta-feira, 23 de dezembro de 2016
Avião da Líbia é sequestrado e desviado para ilha de Malta
Dois terroristas armados com granadas sequestraram hoje um avião durante um voo interno na Líbia e o desviaram para a ilha de Malta, no Mar Mediterrâneo. Os 109 passageiros foram libertados, mas nove tripulantes continuam retidos.
O voo ia da Saba para Trípoli, a capital da Líbia. Um homem, supostamente um terrorista, apareceu na porta do avião com uma bandeira verde que pode ser a antiga bandeira da Líbia. Ambos seriam partidários do ditador Muamar Kadafi, deposto e morto na chamada Primavera Árabe, em 2011.
Há pouco, a rede de televisão americana CNN mostrou imagens dos sequestradores e tripulantes deixando a aeronave. Pouco depois, o primeiro-ministro maltês, Joseph Muscat, confirmou o fim do sequestro. Os sequestradores teriam pedido asilo a Malta.
O voo ia da Saba para Trípoli, a capital da Líbia. Um homem, supostamente um terrorista, apareceu na porta do avião com uma bandeira verde que pode ser a antiga bandeira da Líbia. Ambos seriam partidários do ditador Muamar Kadafi, deposto e morto na chamada Primavera Árabe, em 2011.
Há pouco, a rede de televisão americana CNN mostrou imagens dos sequestradores e tripulantes deixando a aeronave. Pouco depois, o primeiro-ministro maltês, Joseph Muscat, confirmou o fim do sequestro. Os sequestradores teriam pedido asilo a Malta.
sexta-feira, 29 de abril de 2016
Desemprego na Zona do Euro cai para 10,2%
Com uma aceleração da economia, que dobrou o índice de crescimento no primeiro trimestre para 0,6% e levou a 226 mil contratações, a taxa de desemprego nos 19 países da Zona do Europa baixou em março de 10,4% para 10,2%, revelou hoje o Eurostat, o escritório oficial de estatísticas da União Europeia.
No bloco europeu como um todo, houve 250 mil contratações em março. O desemprego baixou para 8,8% da população economicamente ativa (15 a 74 anos).
Nos últimos 12 meses, o desemprego diminuiu de 11,2% para 10,2% na Eurozona e de 9,7% para 8,8% na UE como um todo, de 28 países. Neste período, mais de 2 milhões de pessoas conseguiram emprego.
As menores taxas atuais foram registradas na República Tcheca (4,1%), na Alemanha (4,2%) e em Malta (4,7%), e as maiores na Grécia (24,4%), na Espanha (20,4%) e na Croácia (14,9%).
Dos 28 países-membros da UE, 25 tiveram queda no desemprego. Houve aumento na Áustria (de 5,6% a 5,8%), na Letônia (9,8% para 9,9%) e na Finlândia (9,2% para 9,3%). As maiores quedas foram no Chipre (16,2% para 12,1%), na Bulgária (10% para 7,3%) e na Espanha (23% para 20,4%).
Entre os jovens, o desemprego é menor na Alemanha (6,9%), na República Tcheca e em Malta (9,8%). É maior na Grécia (51,9%), na Espanha (45,5%) e na Croácia (39%).
No bloco europeu como um todo, houve 250 mil contratações em março. O desemprego baixou para 8,8% da população economicamente ativa (15 a 74 anos).
Nos últimos 12 meses, o desemprego diminuiu de 11,2% para 10,2% na Eurozona e de 9,7% para 8,8% na UE como um todo, de 28 países. Neste período, mais de 2 milhões de pessoas conseguiram emprego.
As menores taxas atuais foram registradas na República Tcheca (4,1%), na Alemanha (4,2%) e em Malta (4,7%), e as maiores na Grécia (24,4%), na Espanha (20,4%) e na Croácia (14,9%).
Dos 28 países-membros da UE, 25 tiveram queda no desemprego. Houve aumento na Áustria (de 5,6% a 5,8%), na Letônia (9,8% para 9,9%) e na Finlândia (9,2% para 9,3%). As maiores quedas foram no Chipre (16,2% para 12,1%), na Bulgária (10% para 7,3%) e na Espanha (23% para 20,4%).
Entre os jovens, o desemprego é menor na Alemanha (6,9%), na República Tcheca e em Malta (9,8%). É maior na Grécia (51,9%), na Espanha (45,5%) e na Croácia (39%).
sexta-feira, 16 de outubro de 2015
Deflação volta a assombrar a Zona do Euro
O índice de preços ao consumidor nos 19 países da União Europeia que adotam o euro como moeda caiu para -0,1% ao ano em setembro de 2015 depois de registrar uma alta anual de 0,1% em agosto. Na UE como um todo, também foi de -0,1% depois de ficar em zero em agosto, informou hoje o Eurostat, o escritório oficial de estatísticas do bloco europeu.
A deflação foi maior em Chipre (-1,9%), na Romênia(-1,5%) e na Espanha (-1,1%). A inflação foi maior em Malta (1,6%), na Bélgica, em Portugal e na Suécia (0,9%).
Os índices que mais pesaram na alta foram de cafés e restaurantes (0,12%), legumes (0,11%) e tabaco (0,8%). A pressão para baixo veio de transportes (-0,71%), combustíveis líquidos (-0,25%) e leite, queijos e ovos (0,06%).
A deflação ou queda de preços tem um efeito negativo sobre a economia. Se os preços tendem a cair, os consumidores adiam suas compras, o comércio faz menos encomendas à indústria e a produção industrial diminui.
Um dos fatores fundamentais para a deflação é a baixa nos preços do petróleo desde junho de 2014. Com a volta do Irã ao mercado internacional em 2016 por causa do acordo nuclear e do fim das sanções internacionais, os preços do petróleo tendem a se manter baixos, afetando a produção de alto custo como as do gás e óleo de xisto nos Estados Unidos.
Ao mesmo tempo, o baixo custo da energia foi um dos motores da fraca recuperação da Eurozona.
A deflação foi maior em Chipre (-1,9%), na Romênia(-1,5%) e na Espanha (-1,1%). A inflação foi maior em Malta (1,6%), na Bélgica, em Portugal e na Suécia (0,9%).
Os índices que mais pesaram na alta foram de cafés e restaurantes (0,12%), legumes (0,11%) e tabaco (0,8%). A pressão para baixo veio de transportes (-0,71%), combustíveis líquidos (-0,25%) e leite, queijos e ovos (0,06%).
A deflação ou queda de preços tem um efeito negativo sobre a economia. Se os preços tendem a cair, os consumidores adiam suas compras, o comércio faz menos encomendas à indústria e a produção industrial diminui.
Um dos fatores fundamentais para a deflação é a baixa nos preços do petróleo desde junho de 2014. Com a volta do Irã ao mercado internacional em 2016 por causa do acordo nuclear e do fim das sanções internacionais, os preços do petróleo tendem a se manter baixos, afetando a produção de alto custo como as do gás e óleo de xisto nos Estados Unidos.
Ao mesmo tempo, o baixo custo da energia foi um dos motores da fraca recuperação da Eurozona.
quarta-feira, 24 de junho de 2015
Grupo de Visegrado rejeita cotas de imigração na UE
Em comunicado conjunto, a Polônia, a Hungria, a República Tcheca e a Eslováquia, países do Grupo de Visegrado, ameaçaram hoje vetar a imposição de cotas de imigração para que os países da União Europeia dividam o ônus de acolher candidatos a asilo político.
O primeiro-ministro eslovaco, Robert Rico, anunciou que vai convocar um plebiscito se a proposta for levada adiante. A Hungria suspendeu a aplicação da regra de que candidatos a asilo devem ter seus pedidos analisados no primeiro país do bloco a que chegaram.
É justamente esta regra que colocou a maior parte do ônus em países como a Grécia, a Itália e Malta, para onde se dirigem refugiados e imigrantes econômicos que se arriscam em barcos precários no Mar Mediterrâneo para fugir da miséria e da guerra.
Sob pressão de partidos de extrema direita anti-imigrantes, a França e o Reino Unido também manifestaram contrariedade diante da proposta de dividir os migrantes proporcionalmente à população dos países da UE.
O primeiro-ministro eslovaco, Robert Rico, anunciou que vai convocar um plebiscito se a proposta for levada adiante. A Hungria suspendeu a aplicação da regra de que candidatos a asilo devem ter seus pedidos analisados no primeiro país do bloco a que chegaram.
É justamente esta regra que colocou a maior parte do ônus em países como a Grécia, a Itália e Malta, para onde se dirigem refugiados e imigrantes econômicos que se arriscam em barcos precários no Mar Mediterrâneo para fugir da miséria e da guerra.
Sob pressão de partidos de extrema direita anti-imigrantes, a França e o Reino Unido também manifestaram contrariedade diante da proposta de dividir os migrantes proporcionalmente à população dos países da UE.
Marcadores:
cotas,
Europa,
Grécia,
Grupo de Visegrado,
Hungria,
Imigração,
Itália,
Malta,
Mar Mediterrâneo,
Polônia,
Refugiados,
República Tcheca,
UE,
ultradireita
terça-feira, 14 de abril de 2015
Produção industrial da Eurozona cresceu 1,1% em fevereiro
Depois de um pequeno recuo de 0,3% em janeiro, a produção das fábricas avançou 1,1% na Zona do Euro em fevereiro de 2015 e 1,6% num ano, informou hoje o Eurostat, o escritório oficial de estatísticas da União Europeia (UE). Em todo o bloco, o crescimento industrial foi de 0,9%.
A fabricação de bens de consumo não duráveis (com menos de três anos de uso) teve alta de 1,6%, a de bens duráveis de 1% e a de bens intermediários de 0,3%. A produção de energia cresceu 1,1%.
Os maiores avanços foram na Irlanda (16,3%), na Lituânia (6,1%) e na Grécia (2,5%). A maior queda foi registrada em Malta (1,3%).
A fabricação de bens de consumo não duráveis (com menos de três anos de uso) teve alta de 1,6%, a de bens duráveis de 1% e a de bens intermediários de 0,3%. A produção de energia cresceu 1,1%.
Os maiores avanços foram na Irlanda (16,3%), na Lituânia (6,1%) e na Grécia (2,5%). A maior queda foi registrada em Malta (1,3%).
terça-feira, 16 de julho de 2013
Mercado europeu de automóveis cai ainda mais
As vendas de carros novos recuaram mais 5,6% em junho e permanecem sem expectativa de recuperação em curto prazo, anunciou hoje a Associação Europeia dos Fabricantes de Veículos. Nos últimos seis meses, a queda foi de 6,6%.
Ao todo, 1,13 milhão de veículos novos foram emplacadas no mês passado em 27 países da União Europeia, o menor nível desde 1996. Não há dados disponíveis sobre a ilha de Malta.
Como nos meses anteriores, o único mercado em alta foi o Reino Unido (+13,4%). As outras três grandes economias da UE registraram fortes quedas: França (-8,4%), Itália (-5,5%) e Alemanha (4,7%). Na Espanha (-0,7%), as vendas ficaram praticamente estáveis por causa de um plano do governo de ajuda à compra de carros, mas estão no menor nível em 20 anos.
Ao todo, 1,13 milhão de veículos novos foram emplacadas no mês passado em 27 países da União Europeia, o menor nível desde 1996. Não há dados disponíveis sobre a ilha de Malta.
Como nos meses anteriores, o único mercado em alta foi o Reino Unido (+13,4%). As outras três grandes economias da UE registraram fortes quedas: França (-8,4%), Itália (-5,5%) e Alemanha (4,7%). Na Espanha (-0,7%), as vendas ficaram praticamente estáveis por causa de um plano do governo de ajuda à compra de carros, mas estão no menor nível em 20 anos.
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Moody's rebaixa seis países europeus
A agência de classificação de risco Moody's anunciou no início da noite o rebaixamento da nota de crédito soberano de seis países europeus, os mais afetados pela crise das dívidas públicas depois da Grécia - Itália, Espanha e Portugal -, Eslováquia, Eslovênia e Malta.
O Reino Unido, a França e a Áustria foram colocados em perspectiva negativa, sinal de que podem ter seu crédito rebaixando dentro de um ano.
Em Londres, a reação do governo britânico foi declarar que isto mostra a necessidade de atacar o endividamento público. Para o porta-voz da oposição trabalhista para questões econômicas, Ed Balls, é o resultados de cortes de gastos e aumentos de impostos abruptos, que abortam a recuperação do país.
O Reino Unido, a França e a Áustria foram colocados em perspectiva negativa, sinal de que podem ter seu crédito rebaixando dentro de um ano.
Em Londres, a reação do governo britânico foi declarar que isto mostra a necessidade de atacar o endividamento público. Para o porta-voz da oposição trabalhista para questões econômicas, Ed Balls, é o resultados de cortes de gastos e aumentos de impostos abruptos, que abortam a recuperação do país.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Malta nega pouso a filha de Kadafi
O governo da ilha de Malta, um pequeno país da União Europeia situado no Mar Mediterrâneo, negou autorização de pouso para um avião da Libyan Arab Airlines que levaria para o exterior Aysha Kadafi, filha do ditador Muamar Kadafi.
O turbo-hélice ATR42 viajou para Malta sem avisar, na terça-feira. Quando teve permissão negada, o piloto ainda andou em círculos durante cerca de 20 minutos, informaram os controladores de voo do aeroporto, numa úlima tentativa de obter autorização.
O turbo-hélice ATR42 viajou para Malta sem avisar, na terça-feira. Quando teve permissão negada, o piloto ainda andou em círculos durante cerca de 20 minutos, informaram os controladores de voo do aeroporto, numa úlima tentativa de obter autorização.
domingo, 18 de abril de 2010
Papa encontra vítimas da pedofilia na Igreja
Durante visita à ilha de Malta, um pequeno país no Mar Mediterrâneo, o papa Bento XVI se reuniu com um grupo de dez vítimas de abusos sexuais cometidos por padres e prometeu combater a pedofilia com "todo o poder da Igreja".
"Foi um encontro com muita emoção. Todo o mundo chorou", contou Lawrence Grech, de 37 anos, casado, pai de dois filhos.
Aos 11 anos, ele foi molestado sexualmente num orfanato em Malta. Agora, está processando três padres e conta com o apoio do Vaticano, como prometeu o papa.
"Foi um encontro com muita emoção. Todo o mundo chorou", contou Lawrence Grech, de 37 anos, casado, pai de dois filhos.
Aos 11 anos, ele foi molestado sexualmente num orfanato em Malta. Agora, está processando três padres e conta com o apoio do Vaticano, como prometeu o papa.
segunda-feira, 29 de janeiro de 2007
China é exemplo de crescimento acelerado
Os grandes exemplos de crescimento acelerado sustentado por longo prazo, que não é o mesmo que sustentável no sentido ecológico, estão na Ásia, com destaque para a China e a Índia, especialmente a China, que teve uma expansão de 10,7% em 2006, a maior em 11 anos. Há quatro anos, o país mais populoso do mundo cresce acima de 10%.
Em recente artigo na coluna ‘Riqueza das Nações’, no jornal americano The Wall Street Journal, Michael Spence, ganhador do Prêmio Nobel de Economia em 2001 e professor da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, pergunta-se Por Que a China Cresce Tão Depressa?
Spence observa que o crescimento acelerado sustentável de países em desenvolvimento é um fenômeno pós-1945. Por acelerado, entende pelo menos 7% ao ano e sustentável por ao menos 25 anos.
Uma taxa de crescimento de 7% ao ano significa que a renda nacional dobra a cada década, trazendo profundas mudanças na renda e na riqueza dos cidadãos. Atualmente, com taxas de crescimento superiores a 10% ao ano nos últimos quatro anos, a China tira 180 milhões de pessoas da pobreza a cada ano.
Há 11 países com estes níveis de crescimento acelerado sustentável, nenhum latino-americano. Oito são asiáticos: Botsuana, China, Cingapura, Coréia do Sul, Hong Kong, Indonésia, Malásia, Malta, Omã, Tailândia e Taiwan. Observe-se que está toda a Grande China, não apenas a China, Hong Kong e Taiwan mas também Cingapura, Indonésia, Malásia e Tailândia, onde há comunidades chinesas economicamente importantes, especialmente no setor comercial.
O economista ressalva não poder afirmar que todos os países possam atingir taxas de crescimento elevadas por longos períodos. Mas é evidente que elas proporcionam enorme bem-estar e libertam as forças criativas de uma sociedade. Convém analisar as causas do crescimento asiático com que o Brasil sonha.
“O crescimento”, ensina Spence, “vem de três fontes:
1. investimento;
2. aplicação de tecnologia ou conhecimento prático; e
3. aumento da parcela da população empregada produtivamente.”
A última é mais importante nas etapas iniciais do crescimento acelerado, quando os trabalhadores são atraídos para setores mais produtivos.
“Em todos os casos, é fundamental uma economia de mercado que funcione, com preços, incentivos, descentralização e regras de propriedade que estimulem o investimento”, afirma o Nobel de Economia. “Todas as tentativas de driblar estas condições necessárias com planejamento central levaram a grandes erros na alocação de recursos e ao fracasso.”
O crescimento acelerado sustentável exige também altas taxas de poupança e de investimento, uma poupança de pelo menos 25% do produto interno bruto. Na China, está entre 35% e 45%.
No Brasil, como o Estado é deficitário e tem uma dívida elevada, boa parte da poupança privada é desviada para cobrir o rombo nas contas públicas, reduzindo o capital disponível para investimentos. Talvez este seja hoje o maior entrave a um crescimento acelerado sustentável. O Programa de Aceleração do Crescimento do governo Lula não ataca o problema.
Com a crise nas finanças públicas, o Estado brasileiro não tem recursos para fazer os investimentos necessários em saúde, educação e infra-estrutura, que Spence considera cruciais para aumentar a taxa de retorno dos investimentos privados. O objetivo é atrair mais investimentos privados, que serão no final o combustível do crescimento.
A agilidade, a capacidade de inovação e de adaptação à “destruição criativa” do capitalismo, na expressão de Josef Schumpeter, também são fundamentais. O aumento da produtividade em níveis capazes de levar a taxas de crescimento chinesas não acontece simplesmente fazendo a mesma coisa de maneira um pouco mais eficiente.
É preciso revolucionar e modernizar tecnologicamente todo o aparelho produtivo.
Quando as reformas começaram na China, a imensa maioria de sua população de mais de 1 bilhão vivia no campo. Houve um desenvolvimento extraordinário da indústria que provocou grandes migrações.
O aumento da produtividade permitiu um crescimento geral da economia chinesa. Mas as diferenças de renda se acentuaram muito, na medida que os trabalhadores dos setores mais dinâmicos da economia passaram a receber salários muito melhores.
Embora seja uma conseqüência natural do crescimento, simplesmente porque uns têm mais sucesso do que outros, a excessiva desigualdade de renda e de riqueza cria problemas sociais e políticos. Exige investimentos públicos em saúde, educação, previdência e assistência sociais, e infra-estrutura (água, energia e transportes) como políticas compensatórias. Coloca em xeque o modelo econômico.
Para a América Latina, em particular, o grande desafio é promover o crescimento com inclusão social, o que exige investimentos públicos que os Estados só poderão fazer com economias crescendo mais.
Mas o aspecto mais importante, na opinião de Michael Spence, é saber aproveitar as oportunidades oferecidas pela economia internacional: “Todos os casos de crescimento acelerado sustentável incluem um setor exportador como motor do crescimento e um crescimento da parcela do PIB associada ao comércio exterior.
"Não há exemplos de crescimento acelerado sustentável no pós-guerra sem integração na economia global. A sistemática redução de barreiras ao crescimento e ao investimento nos últimos 55 anos, e a queda dramática nos custos das tecnologias de transporte, informação e de comunicações, combinaram-se para aumentar a integração. É o efeito combinado destas tendências que faz da economia global um estímulo cada vez mais poderoso para o crescimento.”
Em recente artigo na coluna ‘Riqueza das Nações’, no jornal americano The Wall Street Journal, Michael Spence, ganhador do Prêmio Nobel de Economia em 2001 e professor da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, pergunta-se Por Que a China Cresce Tão Depressa?
Spence observa que o crescimento acelerado sustentável de países em desenvolvimento é um fenômeno pós-1945. Por acelerado, entende pelo menos 7% ao ano e sustentável por ao menos 25 anos.
Uma taxa de crescimento de 7% ao ano significa que a renda nacional dobra a cada década, trazendo profundas mudanças na renda e na riqueza dos cidadãos. Atualmente, com taxas de crescimento superiores a 10% ao ano nos últimos quatro anos, a China tira 180 milhões de pessoas da pobreza a cada ano.
Há 11 países com estes níveis de crescimento acelerado sustentável, nenhum latino-americano. Oito são asiáticos: Botsuana, China, Cingapura, Coréia do Sul, Hong Kong, Indonésia, Malásia, Malta, Omã, Tailândia e Taiwan. Observe-se que está toda a Grande China, não apenas a China, Hong Kong e Taiwan mas também Cingapura, Indonésia, Malásia e Tailândia, onde há comunidades chinesas economicamente importantes, especialmente no setor comercial.
O economista ressalva não poder afirmar que todos os países possam atingir taxas de crescimento elevadas por longos períodos. Mas é evidente que elas proporcionam enorme bem-estar e libertam as forças criativas de uma sociedade. Convém analisar as causas do crescimento asiático com que o Brasil sonha.
“O crescimento”, ensina Spence, “vem de três fontes:
1. investimento;
2. aplicação de tecnologia ou conhecimento prático; e
3. aumento da parcela da população empregada produtivamente.”
A última é mais importante nas etapas iniciais do crescimento acelerado, quando os trabalhadores são atraídos para setores mais produtivos.
“Em todos os casos, é fundamental uma economia de mercado que funcione, com preços, incentivos, descentralização e regras de propriedade que estimulem o investimento”, afirma o Nobel de Economia. “Todas as tentativas de driblar estas condições necessárias com planejamento central levaram a grandes erros na alocação de recursos e ao fracasso.”
O crescimento acelerado sustentável exige também altas taxas de poupança e de investimento, uma poupança de pelo menos 25% do produto interno bruto. Na China, está entre 35% e 45%.
No Brasil, como o Estado é deficitário e tem uma dívida elevada, boa parte da poupança privada é desviada para cobrir o rombo nas contas públicas, reduzindo o capital disponível para investimentos. Talvez este seja hoje o maior entrave a um crescimento acelerado sustentável. O Programa de Aceleração do Crescimento do governo Lula não ataca o problema.
Com a crise nas finanças públicas, o Estado brasileiro não tem recursos para fazer os investimentos necessários em saúde, educação e infra-estrutura, que Spence considera cruciais para aumentar a taxa de retorno dos investimentos privados. O objetivo é atrair mais investimentos privados, que serão no final o combustível do crescimento.
A agilidade, a capacidade de inovação e de adaptação à “destruição criativa” do capitalismo, na expressão de Josef Schumpeter, também são fundamentais. O aumento da produtividade em níveis capazes de levar a taxas de crescimento chinesas não acontece simplesmente fazendo a mesma coisa de maneira um pouco mais eficiente.
É preciso revolucionar e modernizar tecnologicamente todo o aparelho produtivo.
Quando as reformas começaram na China, a imensa maioria de sua população de mais de 1 bilhão vivia no campo. Houve um desenvolvimento extraordinário da indústria que provocou grandes migrações.
O aumento da produtividade permitiu um crescimento geral da economia chinesa. Mas as diferenças de renda se acentuaram muito, na medida que os trabalhadores dos setores mais dinâmicos da economia passaram a receber salários muito melhores.
Embora seja uma conseqüência natural do crescimento, simplesmente porque uns têm mais sucesso do que outros, a excessiva desigualdade de renda e de riqueza cria problemas sociais e políticos. Exige investimentos públicos em saúde, educação, previdência e assistência sociais, e infra-estrutura (água, energia e transportes) como políticas compensatórias. Coloca em xeque o modelo econômico.
Para a América Latina, em particular, o grande desafio é promover o crescimento com inclusão social, o que exige investimentos públicos que os Estados só poderão fazer com economias crescendo mais.
Mas o aspecto mais importante, na opinião de Michael Spence, é saber aproveitar as oportunidades oferecidas pela economia internacional: “Todos os casos de crescimento acelerado sustentável incluem um setor exportador como motor do crescimento e um crescimento da parcela do PIB associada ao comércio exterior.
"Não há exemplos de crescimento acelerado sustentável no pós-guerra sem integração na economia global. A sistemática redução de barreiras ao crescimento e ao investimento nos últimos 55 anos, e a queda dramática nos custos das tecnologias de transporte, informação e de comunicações, combinaram-se para aumentar a integração. É o efeito combinado destas tendências que faz da economia global um estímulo cada vez mais poderoso para o crescimento.”
Assinar:
Postagens (Atom)