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domingo, 8 de dezembro de 2024

Ditadura de Bachar Assad cai na Síria

Numa ofensiva impressionante, em 11 dias, os rebeldes extremistas muçulmanos do grupo Hayat Tahrir al-Sham (Organização para a Libertação do Levante) tomaram as cidades mais importantes da Síria. Nesta noite, entraram na capital, Damasco.

 Aparentemente o ditador Bachar Assad fugiu para o Iraque. Seu avião desapareceu dos radares e teria caído, mas isso não foi confirmado. O Comando Geral do Exército ordenou a rendição e a dissolução das últimas unidades. Os rebeldes fizeram um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão anunciando a queda do regime.

O primeiro-ministro Mohammed Ghazi Jalali declarou que o governo está pronto a estender a mão à oposição e a entregar o poder a um governo de transição.

A ditadura truculenta família Assad governava a Síria há quase 54 anos. O pai do ditador deposto foi ministro da Defesa e comandante da Força Aérea antes de tomar o poder, em 1971. Aliado da União Soviética durante a Guerra Fria, lutou ao lado dos Estados Unidos na Guerra do Golfo de 1991 para expulsar o Iraque de Saddam Hussein do Kuwait.

Bachar Assad estudou medicina na Universidade de Damasco e fez pós-graduação em oftalmologia em Londres, onde trabalhava até a morte do irmão mais velho, em 1994, quando foi convocado para voltar à Síria e assumir a posição de herdeiro. A esperança de que fosse um reformista durou pouco.

Quando a Primavera Árabe chegou à Síria, em março de 2011, as manifestações de protestos pacíficas foram duramente reprimidas. O ditador libertou os extremistas muçulmanos presos para alegar que combatia terroristas. Logo, os grupos jihadistas, entre eles Al Caeda e o Estado Islâmico, e tornaram as principais forças rebeldes.

Havia uma expectativa de que Bachar Assad cairia. A Guerra Civil Síria começou a mudar com a intervenção militar da Rússia, a partir de 30 de setembro de 2015. O apoio do Irã e da milícia extremista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus) também foi importante

Em 2020, o regime controlava dois terços do país. O Nordeste é dominado até hoje por uma milícia árabe-curda que foi a principal força terrestre da guerra dos EUA contra o Estado Islâmico. Milícias ligadas a Al Caeda apoiadas pela Turquia resistiam na província de Idlibe. Foi de lá que partiram os rebeldes que derrubaram o regime.

Com a Rússia concentrada na guerra contra a Ucrânia e o Hesbolá debiitado pela guerra contra Israel, os rebeldes chegaram à vitória.

Em 13 anos e 9 meses de guerra civil, 618 mil sírios foram mortos. Cerca de 6,6 milhões fugiram do país. A onda de refugiados chegou à Europa. É um dos principais fatores da ascensão de partidos de extrema direita no continente.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023

Departamento de Energia dos EUA atribui covid a acidente de laboratório

O presidente Joe Biden e o secretário de Estado, Antony Blinken, pressionaram o regime comunista da China, inclusive o ditador Xi Jinping, a dar mais informações e permitir investigações internacionais sobre a origem da pandemia. 

A questão voltou à pauta depois que o Departamento de Energia dos Estados Unidos divulgou um novo relatório de inteligência considerando mais provável que o coronavírus de 2019 tenha escapado do Instituto de Virologia de Wuhan.

Em depoimento à Justiça dos EUA, o magnata da mídia Rupert Murdoch negou que a Fox News tenha encampado as mentiras do presidente Donald Trump sobre fraude na eleição presidencial de 2020. Alegou serem opiniões de apresentadores e comentaristas protegidos pela ampla liberdade de expressão garantida pela Constituição dos EUA.

A União Europeia e o Reino Unido anunciaram um acordo para evitar a implantação de uma fronteira dura entre a República da Irlanda e a Irlanda do Norte depois da saída britânica do bloco europeu. Havia o temor de que pudesse realimentar o conflito na Irlanda do Norte.

Pelo menos 63 refugiados da Ásia morreram num naufrágio perto da costa da Itália. Meu comentário:

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

EUA e Europa ameaçam impor sanções à Turquia por invasão na Síria

O ditador da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, defende a invasão do Nordeste da Síria e ameaça a Europa com uma onda de milhões de refugiados, enquanto União Europeia e senadores dos Estados Unidos preparam sanções econômicas retaliatórias.
É uma das guerras mais desiguais do mundo. De um lado, as segundas maiores forças armadas da Organização do Tratado do Atlântico Norte, a OTAN, a aliança militar liderada pelos Estados Unidos; do outro, as Forças Democráticas Sírias, uma milícia árabe-curda financiada, armada e treinada pelos Estados Unidos. 

As FDS foram encarregadas de fazer o trabalho pesado da operação terrestre na guerra contra o Estado Islâmico. Agora foi abandonada e traída pelo presidente Donald Trump. 

Em dois dias, a operação chamada cinicamente de Fonte da Paz matou pelo menos 170 milicianos curdos. Mas a Turquia tem pouco tempo para atingir seus objetivos militares. Senadores americanos dos dois partidos apresentaram ontem um projeto para impor sanções econômicas ao país. 

De qualquer maneira, talvez seja tarde demais para proteger os curdos de uma potência regional. Meu comentário:

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Turquia invade Nordeste da Síria para atacar curdos

Com o aval do presidente Donald Trump, a Turquia invadiu hoje o Nordeste da Síria para atacar os curdos abandonados pelos Estados Unidos e criar uma zona para mandar de volta milhões de refugiados sírios.

Esta é a crônica de uma invasão anunciada. Com ataques aéreos e bombardeios de artilharia pesada, a Turquia iniciou hoje uma invasão ao Nordeste da Síria, à área antes ocupada pelo califado do Estado Islâmico do Iraque e do Levante. 

Os objetivos são atacar as Forças Democráticas Sírias, uma milícia árabe-curda financiada, armada e treinada pelos Estados Unidos, responsável pela operação terrestre na guerra contra o Estado Islâmico e criar uma zona de segurança junto à fronteira. Seria um enclave para assentar 3 milhões 666 mil refugiados da guerra civil da Síria. 

Ao fazer isso, a Turquia pretende mudar a composição étnica da região aumentando a população árabe para reduzir a influência curda.

No domingo à noite, depois de uma conversa telefônica com o ditador turco, Recep Tayyip Erdogan, Trump anunciou a retirada das forças americanas que protegiam a fronteira, avalizando assim a invasão turca, apesar do protesto de generais, assessores e até mesmo de líderes republicanos no Senado. 

Diante da reação negativa, o presidente americano ameaçou destruir totalmente a economia da Turquia, se houver excessos na invasão, sem definir que excessos seriam esses.

Hoje, o presidente americano tentou se eximir de responsabilidade com a seguinte declaração: “Os Estados Unidos não endossam este ataque e deixaram claro à Turquia que esta operação é uma má ideia.” Esqueceu deliberadamente que ditadores só entendem a linguagem da força bruta. Meu comentário:

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Partidos fazem acordo na Itália para afastar neofascista Salvini do poder

Os líderes do Movimento 5 Estrelas, anarquista, e do Partido Democrático, de centro-esquerda, anunciaram um acordo para formar um novo governo e evitar assim a convocação de eleições antecipadas como queria o líder da Liga, de extrema direita, Matteo Salvini, ao romper a coalizão com o M5E depois de um ano e dois meses. O primeiro-ministro Giuseppe Conte deve ser mantido no cargo.

No próximo passo, o presidente Sergio Mattarella deve convidar Conte formalmente para formar um novo governo. A dúvida é se será mais estável do que a tumultuada aliança entre o M5E e a Liga. Como fez campanha atacando os partidos tradicionais, o M5E era até há pouco inimigo do PD.

O objetivo imediato da nova coligação é evitar a realização de eleições em que a Liga seria favorita.

Salvini, que ataca a União Europeia, atribuindo-lhe todos os problemas do país, ao lado da crise dos refugiados, precipitou a queda do governo na esperança de vencer eleições antecipadas e formar o governo sozinho ou com pequenos partidos de ultradireita ainda mais sectários.

Numa última cartada, Salvini ofereceu ao vice-primeiro-ministro Luigi di Maio, do M5E, a chefia do futuro governo, para tentar ressuscitar a aliança que governou nos últimos 14 meses.

A Liga venceu as eleições para o Parlamento Europeu na Itália, com 34% dos votos, e teria até 40% das preferências em pesquisas recentes. Neste caso, seria o governo italiano mais à direita desde a queda de Benito Mussolini e do fascismo no fim da Segunda Guerra Mundial.

quinta-feira, 25 de julho de 2019

Mais de cem imigrantes morrem na pior tragédia do ano no Mediterrâneo

Um navio com cerca de 300 refugiados e imigrantes clandestinos naufragou hoje a nove quilômetros da costa da Líbia quando tentava cruzar o Mar Mediterrâneo para chegar à Europa. Cerca de 150 pessoas estão desaparecidas, provavelmente mortas. Foi a pior tragédia do ano no Mediterrâneo, declarou o alto comissário das Nações Unidas para Refugiados, o diplomata italiano Filippo Grandi.

Outros 137 imigrantes foram resgatados pela Marinha da Líbia e colocados em centros de detenção na cidade de Khoms, situada a 120 quilômetros a leste da capital líbia, Trípoli. Esses centros de detenção são considerados degradantes por organizações não governamentais que tentam ajudar os imigrantes. 

A maior parte dos náufragos resgatados era da Eritreia, mas também havia palestinos e sudaneses a bordo, informou o almirante Ayub Kacem, porta-voz da Marinha líbia. A equipe da organização não governamental Médicos sem Fronteiras na Líbia estima que houvesse 400 pessoas a bordo.

No Twitter, o alto comissário da ONU pediu a reinício das patrulhas de salvamento no Mediterrâneo, o fechamento dos centros de detenção de refugiados e imigrantes na Líbia e a abertura de canais para que eles deixem a Líbia com segurança. Meu comentário:
NOTA: os dados sobre número de viajantes, mortos e resgatados com vida foram atualizados no texto, mas não vi necessidade de refazer a gravação.

terça-feira, 16 de julho de 2019

Tribunal Constitucional da Guatemala veta acordo sobre imigração com EUA

O Tribunal Constitucional da Guatemala proibiu o presidente Jimmy Morales de assinar um acordo sobre imigração com os Estados Unidos chamado de "terceiro país seguro" para obrigar os refugiados a pedir asilo no primeiro país de trânsito. É mais uma jogada do presidente Donald Trump para tentar conter o fluxo migratório para os EUA.

Trump quer que os hondurenhos e salvadorenhos peçam asilo na Guatemala e que os guatemaltecos peçam asilo no México. Assim, só os mexicanos poderiam chegar até a fronteira dos EUA. Hoje, a maioria vem do Triângulo do Norte da América Central, da Guatemala, de Honduras e de El Salvador.

A designação da Guatemala como país um "terceiro país seguro" é impopular no país, que como o México sofre grande pressão do presidente americano. Trump está em campanha para a reeleição em 2020 e manipula o fantasma da imigração ilegal, um de seus temas favoritos para mobilizar o eleitorado branco sem curso superior.

O México está sob a ameaça permanente de um tarifaço de Trump, que não parece realmente interessado em resolver o problema da imigração, mas, sim, de usar a questão para manipular o eleitorado.

Em Honduras, há uma onda de protestos contra o presidente conservador Juan Orlando Hernández para marcar o aniversário de dez anos do golpe militar contra o presidente José Manuel Zelaya, em 28 de junho. Em dois de junho, manifestantes tocaram fogo em 62 caminhões e contêineres que iam para Porto Castela, noticiou o jornal hondurenho La Prensa.

Antes, em 31 de maio, os manifestantes queimaram pneus diante da entrada do setor de vistos da Embaixada dos EUA em Tegucigalpa. O incêndio chamuscou o muro externo da representação americana, mas logo foi apagado e não causou grandes danos.

As manifestações recomeçaram em 5 de junho em várias cidades hondurenhas, principalmente em Tegucigalpa e San Pedro Sula, a capital e o principal centro econômico do país. Em 2011, San Pedro Sula era responsável por dois terços do produto interno bruto de Honduras, estimado em US$ 45 bilhões.

No meio do fogo cruzado de gangues do tráfico de drogas para os EUA que o Estado hondurenho não tem poder para enfrentar, em 2015, San Pedro Sula foi considerada a cidade mais violenta do mundo, com um índice de homicídios de 187 para cada 100 mil habitantes.

Com crises econômica, política e de segurança pública, a tendência é que mais imigrantes saiam do país para tentar a sorte nos EUA.

Para ajudar a Guatemala, Honduras e El Salvador a enfrentar seus problemas, a Câmara dos Representantes dos EUA aprovou por unanimidade um projeto bipartidário para dar uma ajuda de US$ 577 milhões, informou o jornal guatemalteco Prensa Libre.

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Assad cancela vistos da UE para ajuda humanitária à Síria

A ditadura de Bachar Assad anulou todos os vistos especiais para funcionários da União Europeia que dão ajuda humanitária às vítimas da guerra civil na Síria, noticiou a agência Reuters. Tudo indica que Assad vai ajudar a ajuda humanitária e a crise dos refugiados para barganhar reconhecimento internacional do regime.

A UE condicionou o reconhecimento do regime à realização de um processo de paz e a uma transição em que Assad deixaria a Presidência da Síria.

Com a intervenção militar da Rússia, a partir de 30 de setembro de 2015, depois de estar prestes a ser derrotado, Assad recuperou o controle da maior parte do território sírio e está preocupado em obter o reconhecimento internacional.

Os Emirados Árabes Unidos reabriram a embaixada em Damasco em dezembro do ano passado e a Liga Árabe deve readmitir a Síria, expulsa em 2011. Com o apoio político, diplomático e militar da Rússia e do Irã, Assad quer agora dobrar a resistência da UE.

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Israel mata sete palestinos em protesto na fronteira da Faixa de Gaza

O Exército de Israel matou sete palestinos nesta sexta-feira, inclusive dois menores de 12 e 14 anos, durante uma manifestação de protesto que atraiu 20 mil palestinos para a fronteira da Faixa de Gaza, dominada pelo Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), informou o jornal liberal israelense Haaretz.

O Ministério da Saúde de Gaza identificou os menores como Youssef Abu Zarifa, de 12 anos, baleado na cabeça a leste de Khan Younis, e Mohammad Naif al-Hum, de 14 anos, atingido no peito perto do campo de refugiados de Al-Bureij. Dos adultos mortos, dois tinham 18 anos e os demais 24, 26 e 33 anos. Outros 506 palestinos saíram feridos e 210 foram hospitalizados.

A Força de Defesa de Israel declarou ter contra-atacado duas vezes no Norte da Faixa de Gaza, em resposta a granadas e explosivos jogados contra soldados israelenses que patrulhavam a fronteira. Os palestinos conseguiram mandar seis balões incendiários para o território israelense.

Desde o fim de março, o Hamas organiza as "marchas do retorno" toda sexta-feira, a folga religiosa semanal dos muçulmanos, para reivindicar o "direito de retorno" à terra onde foi criado o Estado de Israel, há 70 anos.

Com a retirada de uma ajuda dos Estados Unidos de US$ 300 milhões à agência das Nações Unidas dedicada a ajudar os refugiados palestinos, a tensão aumentou muito em Gaza.

Quatro anos depois da última guerra aberta contra o grupo extremista palestino, a inteligência militar israelense teme um conflito iminente com o Hamas, se não houver ajuda externa para compensar o fim da assistência americano nem uma reconciliação entre o Hamas e a Autoridade Nacional Palestina (ANP), que domina partes da Cisjordânia ocupada.

domingo, 2 de setembro de 2018

Trump quer acabar com a agência da ONU para os palestinos

Depois de cortar uma ajuda dos Estados Unidos de US$ 300 milhões por ano, o presidente Donald Trump está pressionando aliados a fazer o mesmo, sufocando financeiramente a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA). Faz o jogo do governo linha dura de Israel, que acusa a agência de prolongar o conflito árabe-israelense.

Trump se irritou com a reação palestina quando os EUA reconheceram Jerusalém como capital de Israel e transferiram a embaixada americana para lá. O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, declarou que os EUA perderam qualquer condição de mediar as negociações de paz.

A agência da ONU presta serviços sociais, de saúde e de educação para cerca de 5 milhões de palestinos espalhados entre a Cisjordânia, a Faixa de Gaza, a Jordânia, a Síria e o Líbano. Os EUA contribuíam com 30% do total do orçamento.

Em Londres, o líder da oposição trabalhista, deputado Jeremy Corbyn, pediu ao governo do Reino Unido que substitua os EUA com uma ajuda no mesmo valor. Como ele é acusado de antissemitismo, sua autoridade moral para pedir isso será questionada.

Na semana anterior, o Departamento de Estado americano tinha anunciado o fim de uma ajuda bilateral de US$ 200 bilhões anuais à Cisjordânia e à Faixa de Gaza.

A decisão de cortar a ajuda vem no momento em que os EUA se preparam para apresentar seu plano de paz para israelenses e palestinos. A proposta do governo Trump prevê a formação de uma confederação entre a Jordânia e a Palestina.

Hoje Abbas pediu a formação de uma confederação tripartite formada por Israel, a Jordânia e a Palestina. A Jordânia imediatamente rejeitou a possibilidade de formar uma confederação jordaniano-palestina, uma antiga proposta de Israel do início das negociações de paz, em 1991, antes dos acordos de Oslo, que criaram a Autoridade Nacional Palestina como embrião de um futuro governo da Palestina independente.

Na prática, a proposta de uma confederação mata a solução com dois países, Israel e a Palestina, dividindo o território histórico da Palestina. Ao incluir Israel na jogada, numa confederação tripartite, o que ameaçaria a soberania de Israel, Abbas tenta liquidar a sugestão de uma vez por todas.

terça-feira, 13 de março de 2018

Total de venezuelanos que saem do país aumentou 20 vezes

Só no ano passado, 94 mil venezuelanos pediram asilo em outros países. De 2014 até 7 de março de 2018, a fuga do país aumentou 20 vezes, e chegou a um total de 145,2 mil pessoas, revelou hoje o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR). Outras 444,8 mil pessoas saíram da Venezuela, mas não fixaram oficialmente residência no exterior.

A ONU atribui a emigração em massa "aos complexos acontecimentos políticos e socioeconômicos da Venezuela. Os motivos para a saída do território incluem insegurança e violência, falta de comida, remédios ou acesso a serviços sociais essenciais, assim como perda de renda."

Sob o desgoverno do ditador Nicolás Maduro, a Venezuela vive a pior crise econômica de sua história, apesar de ter as maiores reservas mundiais comprovadas de petróleo, por causa do fracasso do "socialismo do século 21" implantado pelo caudilho Hugo Chávez, que morreu em 5 de março de 2013.

Sem o talento nem o carisma do chefe, Maduro está arruinando a Venezuela numa escala sem precedentes para um país relativamente desenvolvido em tempo de paz. Com os controles de câmbio e preços, o regime chavista causou uma hiperinflação que deve chegar a 13.000% neste ano.

Desde a ascensão de Maduro, o produto interno bruto caiu pelo menos um terço. Isso caracteriza uma recessão econômica. Mas a situação é muito pior. Mais de 80% dos produtos desapareceram das prateleiras dos supermercados. Os venezuelanos perderam peso com a fome.

A vitória da oposição nas eleições parlamentares de dezembro de 2015 foi o último suspiro da democracia. O Tribunal Supremo de Justiça, subserviente ao regime, impugnou a eleição de cinco deputados para tirar a maioria de dois terços que em tese daria à oposição o direito de reformar a Constituição.

Depois de uma tentativa do TSJ de usurpar o Poder Legislativo da Assembleia Nacional, desafiada por uma onda de manifestações de protesto em abril, maio e junho de 2017, Maduro convocou uma Assembleia Nacional Constituinte eleita por regras especiais criadas pelo regime chavista.

A oposição boicotou a Constituinte de Maduro, que transformou definitivamente o regime numa ditadura ao marginalizar a Assembleia Nacional eleita democraticamente.

No ano passado, a Venezuela teve o segundo maior índice de homicídios do mundo fora de zonas de guerra, atrás apenas de El Salvador. Em 2014, o índice era de 62 homicídios para cada 100 mil habitantes por ano, de acordo com a então procuradora-geral Luisa Ortega. A taxa considera civilizada é até 10.

Como 95% dos mortos são homens e 69% jovens, a taxa de homicídios entre os jovens chegou a 225 por 100 mil no ano 2000. Cerca de 92% dos homicídios são cometidos com armas de fogo, 83% perto da casa das vítimas, 55% em altercações públicas e 55% das mortes violentas ocorrem nos fins de semana.

Para manipular a eleição presidencial, remarcada de 22 de abril para 20 de maio, a ditadura madurista vetou os principais candidatos, partidos e a grande aliança oposicionistas, antecipou a votação, prevista para ocorrer no fim do ano, e está distribuindo cestas básicas em áreas carentes.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Justiça amplia conceito de família de decreto antimuçulmanos de Trump

A Suprema Corte manteve hoje a decisão de um juiz do Havaí que ampliou o conceito de família do decreto para barrar a entrada nos Estados Unidos de cidadãos de seis países de maioria muçulmana, rejeitando um apelo do governo Donald Trump.

O decreto de Trump proíbe a aceitação de novos pedidos de asilo político por 120 dias e a entrada nos EUA por 90 dias de cidadãos do Iêmen, do Irã, da Líbia, da Somália, da Síria e do Sudão. É o segundo. O primeiro atingia também o Iraque, onde os EUA lutam como Força Aérea do Exército iraquiano e milícias aliadas contra a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

Depois da versão revista ser derrubada por discriminação religiosa em primeira instância e em tribunais federais regionais, o supremo tribunal americano aceitou examinar o caso a partir de outubro e colocou o decreto em vigor até lá, com uma exclusão importante.

A Suprema Corte decidiu excluir do veto quem tiver uma relação de "boa fé" com pessoas e entidades nos EUA. Isso inclui quem tem visto de residência permanente e seus parentes.

Na definição de família, o governo Trump considerou apenas a família nuclear: pai, mãe e filhos. A Justiça Federal do Havaí acrescentou avós, netos, tios, primos e sobrinhos. Trump recorreu e perdeu mais uma.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Trump vai à Suprema Corte para manter decreto antimuçulmanos

O governo Donald Trump anunciou hoje que vai pedir à Suprema Corte a anulação de uma decisão de um juiz federal da primeira instância do Havaí que ampliou a definição de familiares prevista no decreto para limitar a entrada nos Estados Unidos de refugiados e de cidadãos de países majoritariamente muçulmanos. O juiz incluiu avós, netos, tios, sobrinhos e primos.

Ao aceitar examinar o caso, o que fará a partir de outubro, a Suprema Corte manteve o decreto, mas decidiu que não se aplica a quem tiver visto para entrar nos EUA ou "relações de boa fé" com entidades ou pessoas do país.

O decreto proíbe a entrada nos EUA por 90 dias de cidadãos de seis países de maioria muçulmana - Iêmen, Irã, Líbia, Síria, Somália e Sudão - e de novos pedidos de asilo por 120 dias. O juiz Derrick Watson considerou a definição de família muito restrita por incluir apenas pais e filhos.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Justiça rejeita decreto de Trump contra cidades-refúgio

Em mais uma derrota do governo Donald Trump na Justiça, um juiz federal de São Francisco da Califórnia declarou inconstitucional ontem um decreto do presidente que cortava a ajuda para as chamadas cidades-refúgio dos Estados Unidos, que acolhem refugiados e imigrantes.

O juiz William Orrick aceitou a petição dos condados de Santa Clara e São Francisco alegando que teriam prejuízos imediatos e irreparáveis. Decidiu que o governo federal não pode negar verbas federais a cidades que se neguem a cooperar com as autoridades de imigração.

A medida "privaria os condados de centenas de milhões de dólares para sustentar serviços essenciais", concluiu o juiz. Na sentença, ele afirma que o decreto viola a separação de poderes estabelecida pela Constituição, a 5ª Emenda à Constituição, que garante o direito a um processo legal, e a 10ª Emenda, que proíbe obrigar jurisdições locais a aplicar leis federais.

"A Constituição dá ao Congresso, não ao presidente, os poderes para ordenar gastos, então um decreto não pode constitucionalmente impor novas condições aos fundos federais", argumentou o juiz. O governo Trump promete levar o caso até a Suprema Corte.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Total de migrantes mortos no Mediterrâneo no ano chega a 3,8 mil

É um triste recorde. O total de migrantes e refugiados mortos em naufrágios no Mar Mediterrâneo tentando chegar à Europa desde o início do ano chegou a 3,8 mil, anunciaram hoje as Nações Unidas. Pouco mais de dois meses antes do fim do ano, o total supera as 3.771 mortes registradas em 2015.

Ao apresentar os números, o Alto Comissariado da ONU para Refugiados observou que o número de mortes aumentar, apesar da redução do número de refugiados e migrantes que tentam fazer a travessia rumo à Europa.

No ano passado, mais de um milhão tentaram entrar ilegalmente na União Europeia, enquanto neste ano foram cerca de 330 mil até agora. Em 2016, houve uma morte para cada 88 pessoas que conseguiram chegar no continente europeu.

"Na rota central do Mediterrâneo, entre a Líbia e a Itália, a taxa de mortalidade é ainda mais elevada, de uma morte para cada 47 que chegam à Europa", declarou o porta-voz do ACNUR, William Spindler. É a rota mais perigosa.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

França começa a desmantelar favelão de migrantes em Calais

O governo da França começou a desmantelar hoje o campo de migrantes de Calais, um favelão conhecido como a "selva", onde vivem de 6,4 a 8,1 mil pessoas, no que chamou de uma "operação humanitária", noticiou o jornal francês Le Monde.

A maioria vem do Afeganistão, do Sudão e da Eritreia, e sonha em entrar no Reino Unido. Na madrugada de hoje, os primeiros veículos começaram a retirar os migrantes. Ao todo, 2.318 foram removidos do campo, descrito como a maior favela da França.

Eles têm o direito de pedir asilo político à França. Se for negado, serão devolvidos a seus países de origem. Em entrevista à televisão pública britânica BBC, um afegão considerou seu país caótico onde não teria condições de levar uma vida normal.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Assembleia Geral confirma português como secretário-geral da ONU

Por aclamação, a Assembleia Geral confirmou hoje a eleição do ex-primeiro-ministro de Portugal e ex-alto comissário das Nações Unidas para refugiados para próximo secretário-geral da organização. 

António Guterres substitui o ex-ministro do Exterior da Coreia do Sul Ban Ki Moon e toma posse em 1º de janeiro de 2017 para cumprir um mandato de cinco anos, com direito a uma reeleição.

Os 193 países-membros ratificaram hoje a indicação do Conselho de Segurança da ONU, onde o ex-primeiro-ministro português obteve, na quinta votação, 13 votos a favor, duas abstenções e nenhum veto. Outros 12 candidatos concorreram ao cargo.

Guterres tem 67 anos. Foi primeiro-ministro português de 1995 a 2002, quando se empenhou ativamente para garantir a independência do Timor Leste, ocupado militarmente pela Indonésia em 1974 depois da Revolução dos Cravos, que acabou com a ditadura salazarista em Portugal.

Em seu discurso de aceitação, Guterres se apresentou como um "construtor de pontes" preocupado em resgatar o sonho de paz mundial dos fundadores da ONU no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45) e em "colocar a dignidade humana no centro" das preocupações da entidade.

Suas maiores preocupações imediatas são parar o sofrimento dos sírios, "uma obrigação moral", e resolver a crise dos refugiados.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Quase 3 mil migrantes morreram neste ano no Mediterrâneo

De 1º de janeiro a 17 de julho de 2016, 2.954 imigrantes e refugiados morreram afogados no Mar Mediterrâneo, um aumento de 55% em relação ao mesmo período no ano passado, quando foram registradas 1.906 mortes, revelou a Organização Internacional para Migrações (OIM).

Mais de 240 mil migrantes e refugiados entraram na Europa pelo mar. A maioria desembarcou na Grécia e na Itália. Se na Grécia, a maior parte vem do chamado Grande Oriente Médio, que inclui o Afeganistão e o Paquistão, na Itália, a maioria vem da África, com destaque para Nigéria, Senegal, Sudão e Costa do Marfim.

Só em junho, a Guarda Costeira da Grécia fez 58 operações de busca e resgate. Dez suspeitos de tráfico humano foram presos e 16 barcos apreendidos. Desde o início do ano, foram quase mil operações.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Total de refugiados é recorde com mais de 65 milhões

O total de refugiados no mundo por causa de conflitos armados passou de 65 milhões. É o maior registrado até hoje, revelou o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados. Em uma população mundial de 7,35 bilhões, de cada 113 pessoas, uma é refugiada, está procurando asilo político ou fugiu de casa mas não do país onde vive.

Um terço dos refugiados vem da Síria (4,9 milhões),  do Afeganistão (2,7 milhões) e da Somália (1,1 milhão). Apesar do destaque dado à crise dos refugiados na Europa, onde mais de um milhão tentaram entrar no passado pelo Mar Mediterrâneo, os países ricos só acolheram 3,2 milhões.

Os países em desenvolvimento como a Turquia e o Paquistão receberam 86% do total, informa o relatório Tendências Globais. Em países pequenos como o Líbano e a Jordânia, o peso dos refugiados no orçamento e nos serviços públicos é desproporcional.

No mundo inteiro, havia no fim do ano passado 21,3 milhões de refugiados que saíram de seus países, 1,8 milhão a mais do que em 2014 e o maior número desde os anos 1990s. Cerca de 40,8 milhões fugiram de casas sem sair do país, outro recorde. Os desalojados ou deslocados internamente são hoje 2,6 milhões a mais do que em 2015.

Dos deslocados internamente, a maioria é da Colômbia (6,9 milhões), da Síria (6,6 milhões) e do Iraque (4,4 milhões). No Iêmen, 2,5 milhões ou 9% da população foram desalojados no ano passado.

terça-feira, 31 de maio de 2016

Prefeita de Paris anuncia criação de campo de refugiados

Quem visitou Paris recentemente notou o grande número de refugiados pedindo ajuda e dormindo nas ruas da capital da França. Hoje a prefeita socialista Anne Hidalgo anunciou a criação de um centro para acolher refugiados "dentro de um mês a um mês e meio".

O campo de refugiados, explicou a prefeita, vai "abrigar pessoas que chegam sem recursos". A Prefeitura está "examinando diferentes locais para que, sem maior atraso, o mais rapidamente possível, possamos colocá-los à disposição".

Pelo menos 880 migrantes morreram afogados no mar Mediterrâneo na semana passada, revelou hoje o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados.