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quarta-feira, 8 de julho de 2026

Hoje na História do Mundo: 8 de Julho

CAMINHO DAS ÍNDIAS

    Em 1497, o navegador português Vasco da Gama zarpa de Lisboa com uma frota de quatro navios em busca do caminho marítimo para a Índia contornando o Sul da África.

A frota de Vasco da Gama dá a volta no Cabo da Boa Esperança, no extremo sul da África, dobrado por Bartolomeu Dias, em 1488. Em Malinde, na costa oriental da África, encontra um mercador indiano que a guia até a Índia, onde chega em 20 de maio de 1498. 

Durante a viagem, ao se afastar da costa da África para evitar as calmarias, Vasco da Gama teria visto aves e plantas aquáticas num sinal de que haveria terra por perto e teria dito isto a Pedro Álvares Cabral, que em 1500 descobre o Brasil para os portugueses.

Em Calicute, Vasco da Gama enfrenta a hostilidade de mercadores muçulmanos e tem de lutar para voltar a Portugal, onde chega em setembro de 1499. Ele volta à Índia em 1502 para vingar um massacre de portugueses. Em 1524, é enviado como vice-rei da Índia, onde contrai malária e morre na cidade de Cochim, em 24 de dezembro de 1524.

ALMIRANTE PERRY AMEAÇA O JAPÃO

    Em 1853, o almirante norte-americano Matthew Perry entra na Baía de Tóquio com uma esquadra de quatro navios e ameaça bombardear a cidade para abrir o Japão ao comércio internacional.


 
Depois de dar um tempo para as autoridades japonesas examinarem o assunto, Perry volta em março de 1854 com nove navios.

Sem condições de reagir, os japoneses aceitam certas exigências do presidente Millard Fillmore (1853-50). Os Estados Unidos se tornam o primeiro país a estabelecer relações com o Japão depois de dois séculos em que o país se fecha para estrangeiros.

Desde 1639, só a China e a Holanda comerciavam com o Japão e apenas na ilha de Dejima, em Nagasáki, a segunda cidade bombardeada com uma bomba atômica, em 9 de agosto de 1945.

Em 31 de março de 1854, o almirante assina o Tratado de Kanagawa, pelo qual o Japão abre os portos de Shimoda e Hakodate, e permite a instalação de um consulado norte-americano no país.

A pressão dos EUA acaba com o xogunato. É o fim da Idade Média japonesa, em 1868, com a Restauração Meiji, que restitui os poderes do imperador. 

Para não ser colonizado pelo Ocidente, o Império do Japão se ocidentaliza e se torna uma potência que vence a China na Guerra Sino-Japonesa (1894-95), a Rússia na Guerra do Pacífico (1904-5) e enfrenta os EUA e o colonialismo ocidental na Ásia durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

MacARTHUR COMANDA GUERRA DA COREIA

    Em 1950, o presidente Harry Truman nomeia o general Douglas MacArthur comandante militar dos Estados Unidos na Guerra da Coreia (1950-53), um dia depois que o Conselho de Segurança das Nações Unidas recomenda que as forças internacionais sejam colocadas sob o comando militar norte-americano.

A Coreia é ocupada pelo Japão em 1910. Com a derrota japonesa na Segunda Guerra Mundial, os EUA ocupam o Sul da Península Coreana. A União Soviética declara guerra ao Japão em 9 de agosto de 1945, dia da explosão da bomba atômica em Nagasáki, e invade o Norte da Coreia.

A península é dividida oficialmente em 1948, quando nascem a Coreia do Norte e a Coreia do Sul. Em 25 de junho de 1950, o Norte, comunista, invade o Sul para tentar reunificar a Coreia. Como a União Soviética está boicotando a ONU por causa da não admissão da República Popular da China, os EUA obtêm um mandato do Conselho de Segurança valido até hoje para reunificar a Península Coreana.

A Guerra da Coreia termina em 27 de julho de 1953. Até hoje, não foi assinado um acordo de paz. Desde 2006, a Coreia do Norte tem armas nucleares.

GOLPE NA GUATEMALA

    Em 1954, o coronel Carlos Castillo Armas toma o poder na Guatemala no segundo golpe de Estado articulado pela CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA) durante a Guerra Fria, o primeiro na América Latina. 

A história é contada no livro de ficção Weekend in Guatemala, do escritor guatemalteco Miguel Ángel Asturias, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 1967.

O golpe derruba o presidente nacionalista Jacobo Árbenz, que faz uma reforma agrária e estatiza propriedades da companhia bananeira United Fruit, que muda de nome para Chiquita Brands para tentar apagar a imagem associada a golpes de Estado.

Depois da Colômbia, a Guatemala é o país com o maior número de mortos na América Latina durante a Guerra Fria, entre 150 e 200 mil. A democracia só é restaurada plenamente no país em 1984, mas a corrupção é endêmica até hoje.

O primeiro golpe militar apoiado pelos EUA na Guerra Fria é em 1953, no Irã, contra o primeiro-ministro Mohamed Mossadegh, que nacionalizara o petróleo iraniano.

Ao falar sobre o golpe militar de 1964 no Brasil num curso sobre a história da política externa brasileira no Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), o embaixador Gélson Fonseca disse acreditar que a principal causa do apoio dos EUA foi econômica. Os EUA temeriam especialmente Leonel Brizola, que havia estatizado empresas transnacionais quando era governador do Rio Grande do Sul.

MORTE DO GRANDE LÍDER

    Em 1994, morre o Grande Líder Kim Il Sung, fundador da Coreia do Norte.


Kim luta nos anos 1930 contra a ocupação japonesa e é escolhido pela União Soviética, onde faz treinamento político e militar. Ele luta pelo Exército Vermelho na Segunda Guerra Mundial (1939-45), funda a Coreia do Norte em 1948 e inicia a Guerra da Coreia, em 25 de junho de 1950, tentando reunificar o país sob o regime comunista.

Com a intervenção militar dos Estados Unidos e depois da China, a guerra termina num impasse, sem mudar a divisão da Coreia. Nas próximas quatro décadas, Kim isola o país com sua política de autossuficiência (Juche), causando fome e falta de energia, problemas que o país tem até hoje.

Depois da morte, numa sucessão dinástica num regime comunista, é sucedido pelo filho e Querido Líder Kim Jong Il, que explode a primeira bomba atômica do país em 2006. Ao morrer, em 2011, ascende ao poder seu filho Kim Jong Un, neto do Grande Líder, que acelera os programas de mísseis e de armas nucleares – e ameaça bombardear os EUA.

O presidente Donald Trump faz três encontros de cúpula com o jovem Kim. Legitima o ditador na expectativa de desnuclearizar a Península Coreana, mas as negociações não avançam. 

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quinta-feira, 18 de junho de 2026

Hoje na História do Mundo: 18 de Junho

INÍCIO DA GUERRA DE 1812

    Em 1812, o presidente James Madison declara guerra ao Império Britânico. Começa a Guerra de 1812 ou Guerra Anglo-Americana, uma consequência das guerras napoleônicas na Europa.

Como o Reino Unido é seu grande inimigo, Napoleão decreta o Bloqueio Continental, proibindo os países do continente europeu de negociar com os britânicos. Isto causa a fuga da família real de Portugal, antigo aliado da Inglaterra, para o Brasil.

Nos EUA, os federalistas apoiam o Reino Unido enquanto os republicanos preferem a França Revolucionária. Os britânicos, que dominam os mares, têm relações comerciais com os sulistas e tentam impedir acordos entre os franceses e os nortistas, infringindo os direitos comerciais e de navegação dos EUA. Com a guerra, tentam reconquistar a ex-colônia.

Os EUA invadem o Canadá, tomam várias cidades e tentam convencer os colonos a romper com a coroa britânica e se juntar aos EUA, mas os britânicos mobilizam uma grande quantidade de tropas, obrigam os invasores a recuar, invadem os EUA e incendeiam Washington, inclusive a Casa Branca, em 24 de agosto de 1814.

A guerra termina com o Tratado de Gante, que restaura o status quo anterior à guerra, em 17 de fevereiro de 1815. A reconstrução da capital dos EUA vai até 1819.

BATALHA DE WATERLOO

    Em 1815, a Sétima Coligação (Reino Unido, Áustria, Prússia e Rússia), vence o imperador francês Napoleão Bonaparte e põe fim a 23 anos de guerras entre a França Revolucionária e outras potências europeias.

Napoleão nasce em 15 de agosto de 1769 em Ajácio, a capital da ilha da Córsega, que dois anos antes se torna parte da França. Com a derrocada da aristocracia na Revolução Francesa de 1789, Napoleão ascende rapidamente na hierarquia do Exército, onde antes para ser general precisava ter quatro gerações de nobreza.

General aos 24 anos, depois da campanha do Egito, em 1798, Napoleão é nomeado cônsul em 1799 e acaba com a revolução na França, enquanto seu exército cidadão luta contra as monarquias europeias. Em 1804, Napoleão se coroa imperador.

A França não consegue invadir a Inglaterra por causa das derrotas para o almirante Horácio Nelson em Abukir (1799) e Trafalgar (1805). Mas controla a maior parte do continente, inclusive a Península Ibérica, o que provoca a fuga da família real portuguesa para o Brasil e a independência da América Latina.

Seu maior erro é a invasão da Rússia em 24 de junho de 1812 com o Grande Exército, de 600 mil homens. Depois de uma vitória francesa com enormes perdas na Batalha de Borodino, o Exército russo recua e incendeia Moscou, deixando os franceses sem abrigo e sem comida no início do outono no Hemisfério Norte. A fuga termina em 14 de dezembro. Napoleão nunca se recupera da Campanha da Rússia.

Em 1813, a Sexta Coligação contra Napoleão (Áustria, Prússia, Rússia, Reino Unido, Suécia e alguns estados alemães) o derrota na Batalha de Leipzig. No ano seguinte, seus inimigos invadem Paris. Em 11 de abril de 1814, Napoleão abdica e vai para o exílio na Ilha de Elba, no Mar Mediterrâneo.

O general foge de Elba em fevereiro de 1815 e retoma o poder em 20 de março, mas o segundo reinado dura apenas 110 dias. Um exército da Sétima Coligação (Reino Unido, Áustria, Prússia e Rússia), sob o comando do Duque de Wellington, vence Napoleão na Batalha de Waterloo, na Bélgica, em 18 de junho de 1815. Ele abdica em 22 de junho e vai preso para a Ilha de Santa Helena, no Oceano Atlântico, onde morre em 5 de maio de 1821.

IMIGRAÇÃO JAPONESA

    Em 1908, começa a imigração japonesa no Brasil com a chegada de 781 pessoas ao porto de Santos no navio Kasatu-Maru.

Hoje o Brasil tem a maior colônia de descendentes de japoneses do mundo, cerca de 2 milhões de nikkeis. A grande maioria (1,3 milhão) vive no estado de São Paulo. Também há comunidades importantes no Paraná, no Mato Grosso do Sul e no Pará.

NASCE PAUL McCARTNEY

    Em 1942, nasce em Liverpool, na Inglaterra, James Paul McCartney, músico, compositor, cantor, multi-instrumentista, empresário, vegetariano e ativista dos direitos dos animais que conquistou a fama como baixista dos Beatles e teve 29 canções em primeiro lugar nas paradas de sucesso nos Estados Unidos.

Paul conheceu John ao assistir a um show da banda Quarrymen, de John. A tia de Lennon teria se oposto à amizade porque Paul vinha da classe operária. Logo, os dois começam a compor juntos. Em 1958, Paul convence John a convidar George Harrison para a banda.

Em 1960, The Beatles vão tocar em Hamburgo, na Alemanha, onde John entra no palco com um quepe e faz a saudação nazista: "Heil, Hitler!". Paul e Pete Best, então baterista da banda, são expulsos da Alemanha ao provocar um incêndio no hotel onde estão hospedados.

The Beatles fazem o primeiro show no Cavern Club, em Liverpool, em 21 de março de 1961. Neste ano, voltam a Hamburgo e conhecem Brian Epstein, o empresário que consegue um contrato com a gravadora EMI. Em 1964, depois do sucesso na Inglaterra, eles estouram nos Estados Unidos.

Paul é o principal autor das músicas românticas dos Beatles. Yesterday é a música mais regravada por outros artistas da história. Em 1979, o Guinness – o Livro dos Recordes o considerou o compositor de maior sucesso da música pop.

Aos 84 anos, Paul continua em atividade. Conseguiu recriar a voz de John Lennon com inteligência artificial para gravar Now and Then, o último sucesso dos Beatles.

GOLPE DA CIA NA GUATEMALA

    Em 1954, com cobertura aérea dos Estados Unidos, 480 homens liderados por Carlos Castillo Armas invadem a Guatemala, no início do segundo golpe de Estado organizado pela CIA (Agência Central de Inteligência) durante a Guerra Fria, depois da queda do primeiro-ministro do Irã, Mohamed Mossadegh, em 1953, que nacionalizara o petróleo.

A Revolução Guatemalteca começa em 1944, quando uma revolta popular derruba o ditador Jorge Ubico. Na primeira eleição democrática da história deste país da América Central, Juan José Arévalo é eleito presidente em 1945 com 86% dos votos. Ele introduz o salário mínimo e programas de alfabetização. Sobrevive a 25 tentativas de golpe e não disputa a reeleição.

Em 1951, é eleito Jacobo Árbenz, que faz uma reforma agrária, nacionaliza as terras da companhia bananeira United Fruit, a distribui a camponeses e legaliza o Partido Comunista. Nacionalista de esquerda, é descrito nos EUA como comunista.

O presidente Harry Truman autoriza o golpe em 1952, mas a mudança de governo, com a eleição de Dwight Eisenhower, o comandante militar aliado na Segunda Guerra Mundial (1939-45), adia a queda de Árbenz, apesar da plataforma anticomunista do novo presidente.

Em agosto de 1953, Eisenhower autoriza a operação da CIA, que financia, arma e treina os 480 soldados de Carlos Castillo. A propaganda anticomunista e uma estação de rádio fomentam o golpe e tentam isolar a Guatemala internacionalmente.

Quando os golpistas invadem, os EUA fazem um bombardeio aéreo e um bloqueio naval. Os mercenários de Castillo fracassam nas primeiras tentativas, mas a guerra psicológica e a ameaça de uma invasão norte-americana intimidam o Exército da Guatemala, que não resiste. Árbenz tenta armar a população civil, mas acaba renunciando em 27 de junho.

Dez dias depois, Carlos Castillo toma o poder, impõe uma ditadura, proíbe os partidos políticos, prende tortura e mata oposicionistas, e anula as reformas sociais da revolução. É o início de uma guerra civil de quatro décadas de guerrilhas de esquerda contra governos apoiados por Washington, uma das mais brutais da Guerra Fria na América Latina, só comparável à da Colômbia, com um genocídio do povo maia e 150 a 200 mil mortes.

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terça-feira, 8 de julho de 2025

Hoje na História do Mundo: 8 de Julho

 CAMINHO DAS ÍNDIAS

    Em 1497, o navegador português Vasco da Gama zarpa de Lisboa com uma frota de quatro navios em busca do caminho marítimo para a Índia contornando o Sul da África.

A frota de Vasco da Gama dá a volta no Cabo da Boa Esperança, no extremo sul da África, dobrado por Bartolomeu Dias, em 1488. Em Malinde, na costa oriental da África, encontra um mercador indiano que a guia até a Índia, onde chega em 20 de maio de 1498. 

Durante a viagem, ao se afastar da costa da África para evitar as calmarias, Vasco da Gama teria visto aves e plantas aquáticas num sinal de que haveria terra por perto e teria dito isto a Pedro Álvares Cabral, que em 1500 descobre o Brasil para os portugueses.

Em Calicute, Vasco da Gama enfrenta a hostilidade de mercadores muçulmanos e tem de lutar para voltar a Portugal, onde chega em setembro de 1499. Ele volta à Índia em 1502 para vingar um massacre de portugueses. Em 1524, é enviado como vice-rei da Índia, onde contrai malária e morre na cidade de Cochim, em 24 de dezembro de 1524.

ALMIRANTE PERRY AMEAÇA O JAPÃO

    Em 1853, o almirante Matthew Perry entra na Baía de Tóquio com uma esquadra de quatro navios e ameaça bombardear a cidade para abrir o Japão ao comércio internacional.


 
Depois de dar um tempo para as autoridades japonesas examinarem o assunto, Perry volta em março de 1854 com nove navios.

Sem condições de reagir, os japoneses aceitam certas exigências do presidente Millard Fillmore (1853-50). Os Estados Unidos se tornam o primeiro país a estabelecer relações com o Japão depois de dois séculos em que o país se fecha para estrangeiros.

Desde 1639, só a China e a Holanda comerciavam com o Japão e apenas na ilha de Dejima, em Nagasáki, a segunda cidade bombardeada com uma bomba atômica, em 9 de agosto de 1945.

Em 31 de março de 1854, o almirante assina o Tratado de Kanagawa, pelo qual o Japão abre os portos de Shimoda e Hakodate, e permite a instalação de um consulado norte-americano no país.

A pressão dos EUA acaba com o xogunato. É o fim da Idade Média japonesa, em 1868, com a Restauração Meiji, que restitui os poderes do imperador. 

Para não ser colonizado pelo Ocidente, o Império do Japão se ocidentaliza e se torna uma potência que vence a China na Guerra Sino-Japonesa (1894-95), a Rússia na Guerra do Pacífico (1904-5) e enfrenta o colonialismo ocidental na Ásia durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

MacARTHUR COMANDA GUERRA DA COREIA

    Em 1950, o presidente Harry Truman nomeia o general Douglas MacArthur comandante militar dos Estados Unidos na Guerra da Coreia (1950-53), um dia depois que o Conselho de Segurança das Nações Unidas recomenda que as forças internacionais sejam colocadas sob o comando militar norte-americano.

A Coreia é ocupada pelo Japão em 1910. Com a derrota japonesa na Segunda Guerra Mundial, os EUA ocupam o Sul da Península Coreana. A União Soviética declara guerra ao Japão em 9 de agosto de 1945, dia da explosão da bomba atômica em Nagasaki, e invade o Norte da Coreia.

A península é dividida oficialmente em 1948, quando nascem a Coreia do Norte e a Coreia do Sul. Em 25 de junho de 1950, o Norte, comunista, invade o Sul para tentar reunificar a Coreia. Como a União Soviética estava boicotando a ONU por causa da não admissão da República Popular da China, os EUA obtêm um mandato do Conselho de Segurança, que têm até hoje, para reunificar a Península Coreana.

A Guerra da Coreia termina em 27 de julho de 1953. Até hoje, não foi assinado um acordo de paz.

GOLPE NA GUATEMALA

    Em 1954, o coronel Carlos Castillo Armas toma o poder na Guatemala no segundo golpe de Estado articulado pela CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA) durante a Guerra Fria, o primeiro na América Latina. 

A história é contada no livro de ficção Weekend in Guatemala, do escritor guatemalteco Miguel Ángel Asturias, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 1967.

O golpe derruba o presidente nacionalista Jacobo Árbenz, que fizera uma reforma agrária e estatizara propriedades da companhia bananeira United Fruit, que muda de nome para Chiquita Brands para tentar apagar a imagem associada a golpes de Estado.

Depois da Colômbia, a Guatemala é o país com o maior número de mortos na América Latina durante a Guerra Fria, entre 150 e 200 mil. A democracia só é restaurada plenamente no país em 1984, mas a corrupção é endêmica até hoje.

O primeiro golpe militar apoiado pelos EUA na Guerra Fria é em 1953, no Irã, contra o primeiro-ministro Mohamed Mossadegh, que nacionalizara o petróleo iraniano.

Ao falar sobre o golpe militar de 1964 no Brasil num curso sobre a história da política externa brasileira, o embaixador Gélson Fonseca disse acreditar que a principal causa do apoio dos EUA foi econômica. Os EUA temeriam especialmente Leonel Brizola, que havia estatizado empresas transnacionais quando era governador do Rio Grande do Sul.

MORTE DO GRANDE LÍDER

    Em 1994, morre o Grande Líder Kim Il Sung, fundador da Coreia do Norte.


 Kim luta nos anos 1930 contra a ocupação japonesa e é escolhido pela União Soviética, onde faz treinamento político e militar. Ele luta pelo Exército Vermelho na Segunda Guerra Mundial (1939-45), funda a Coreia do Norte em 1948 e inicia a Guerra da Coreia, em 25 de junho de 1950, tentando reunificar o país sob o regime comunista.

Com a intervenção militar dos Estados Unidos e depois da China, a guerra termina num impasse, sem mudar a divisão da Coreia. Nas próximas quatro décadas, Kim isola o país com sua política de autossuficiência (Juche), causando fome e falta de energia, problemas que o país tem até hoje.

Depois da morte, numa sucessão dinástica num regime comunista, é sucedido pelo filho e Querido Líder Kim Jong Il, que explode a primeira bomba atômica do país em 2006. Ao morrer, em 2011, ascende ao poder seu filho Kim Jong Un, neto do Grande Líder, que acelera os programas de mísseis e de armas nucleares – e ameaça bombardear os EUA.

O presidente Donald Trump faz três encontros de cúpula com o jovem Kim. Legitima o ditador na expectativa de desnuclearizar a Península Coreana, mas as negociações não avançam. 

quarta-feira, 18 de junho de 2025

Hoje na História do Mundo: 18 de Junho

INÍCIO DA GUERRA DE 1812

    Em 1812, o presidente James Madison declara guerra ao Império Britânico. Começa a Guerra de 1812 ou Guerra Anglo-Americana, uma consequência das guerras napoleônicas na Europa.

Como o Reino Unido é seu grande inimigo, Napoleão decreta o Bloqueio Continental, proibindo os países do continente europeu de negociar com os britânicos. Isto causa a fuga da família real de Portugal, antigo aliado da Inglaterra, para o Brasil.

Nos EUA, os federalistas apoiam o Reino Unido enquanto os republicanos preferem a França Revolucionária. Os britânicos, que dominam os mares, têm relações comerciais com os sulistas e tentam impedir acordos entre os franceses e os nortistas, infringindo os direitos comerciais e de navegação dos EUA. Com a guerra, tentam reconquistar a ex-colônia.

Os EUA invadem o Canadá, tomam várias cidades e tentam convencer os colonos a romper com a coroa britânica e se juntar aos EUA, mas os britânicos mobilizam uma grande quantidade de tropas, obrigam os invasores a recuar, invadem os EUA e incendeiam Washington, inclusive a Casa Branca, em 24 de agosto de 1814.

A guerra termina com o Tratado de Gante, que restaura o status quo anterior à guerra, em 17 de fevereiro de 1815. A reconstrução da capital dos EUA vai até 1819.

BATALHA DE WATERLOO

    Em 1815, a Sétima Coligação (Reino Unido, Áustria, Prússia e Rússia), vence o imperador francês Napoleão Bonaparte e põe fim a 23 anos de guerras entre a França Revolucionária e outras potências europeias.

Napoleão nasce em 15 de agosto de 1769 em Ajácio, a capital da ilha da Córsega, que dois anos antes se torna parte da França. Com a derrocada da aristocracia na Revolução Francesa de 1789, Napoleão ascende rapidamente na hierarquia do Exército, onde antes para ser general precisava ter quatro gerações de nobreza.

General aos 24 anos, depois da campanha do Egito, em 1798, Napoleão é nomeado cônsul em 1799 e acaba com a revolução na França, enquanto seu exército cidadão luta contra as monarquias europeias. Em 1804, Napoleão se coroa imperador.

Ele não consegue invadir a Inglaterra por causa das derrotas para o almirante Horácio Nelson em Abukir (1799) e Trafalgar (1805). Mas controla maioria do continente, inclusive a Península Ibérica, o que provoca a fuga da família real portuguesa para o Brasil e a independência da América Latina.

Seu maior erro é a invasão da Rússia em 24 de junho de 1812 com o Grande Exército, de 600 mil homens. Depois de uma vitória francesa com enormes perdas na Batalha de Borodino, o Exército russo recua e incendeia Moscou, deixando os franceses sem abrigo e sem comida no início do outono no Hemisfério Norte. A fuga termina em 14 de dezembro. Napoleão nunca se recupera da Campanha da Rússia.

Em 1813, a Sexta Coligação contra Napoleão (Áustria, Prússia, Rússia, Reino Unido, Suécia e alguns estados alemães) o derrota na Batalha de Leipzig. No ano seguinte, seus inimigos invadem Paris. Em 11 de abril de 1814, Napoleão abdica e vai para o exílio na Ilha de Elba, no Mar Mediterrâneo.

O general foge de Elba em fevereiro de 1815 e retoma o poder em 20 de março, mas o segundo reinado dura apenas 110 dias. Um exército da Sétima Coligação (Reino Unido, Áustria, Prússia e Rússia), sob o comando do Duque de Wellington, vence Napoleão na Batalha de Waterloo, na Bélgica, em 18 de junho de 1815. Ele abdica em 22 de junho e vai preso para a Ilha de Santa Helena.

IMIGRAÇÃO JAPONESA

    Em 1908, começa a imigração japonesa no Brasil com a chegada de 781 pessoas ao porto de Santos no navio Kasatu-Maru.

Hoje o Brasil tem a maior colônia de descendentes de japoneses do mundo, cerca de 2 milhões de nikkeis.

NASCE PAUL McCARTNEY

    Em 1942, nasce em Liverpool, na Inglaterra, James Paul McCartney, músico, compositor, cantor, multi-instrumentista, empresário, vegetariano e ativista dos direitos dos animais que conquistou a fama como baixista dos Beatles e teve 29 canções em primeiro lugar nas paradas de sucesso nos Estados Unidos.

Paul conheceu John ao assistir a um show da banda Quarrymen, de John. A tia de Lennon teria se oposto à amizade porque Paul vinha da classe operária. Logo, os dois começam a compor juntos. Em 1958, Paul convence John a convidar George Harrison para a banda.

Em 1960, The Beatles vão tocar em Hamburgo, na Alemanha, onde John entrava no palco com um quepe e fazia a saudação nazista: "Heil, Hitler!". Paul e Pete Best, então baterista da banda, são expulsos da Alemanha ao provocar um incêndio no hotel onde estavam hospedados.

The Beatles fazem o primeiro show no Cavern Club, em Liverpool, em 21 de março de 1961. Neste ano, voltam a Hamburgo e conhecem Brian Epstein, o empresário que consegue um contrato com a gravadora EMI. Em 1964, depois do sucesso na Inglaterra, eles estouram nos Estados Unidos.

Paul é o principal autor das músicas românticas dos Beatles. Yesterday é a música mais regravada por outros artistas da história. Em 1979, o Guinness – o Livro dos Recordes o considerou o compositor de maior sucesso da música pop.

Aos 83 anos, Paul continua em atividade. Conseguiu recriar a voz de John Lennon com inteligência artificial para gravar Now and Then, o último sucesso dos Beatles.

GOLPE DA CIA NA GUATEMALA

    Em 1954, com cobertura aérea dos Estados Unidos, 480 homens liderados por Carlos Castillo Armas invadem a Guatemala, no início do segundo golpe de Estado organizado pela CIA (Agência Central de Inteligência) durante a Guerra Fria, depois da queda do primeiro-ministro do Irã, Mohamed Mossadegh, em 1953, que nacionalizara o petróleo.

A Revolução Guatemalteca começa em 1944, quando uma revolta popular derruba o ditador Jorge Ubico. Na primeira eleição democrática da história deste país da América Central, Juan José Arévalo é eleito presidente em 1945 com 86% dos votos. Ele introduz o salário mínimo e programas de alfabetização. Sobrevive a 25 tentativas de golpe e não disputa a reeleição.

Em 1951, é eleito Jacobo Árbenz, que faz uma reforma agrária, nacionaliza das terras da companhia bananeira United Fruit, a distribui a camponeses e legaliza o Partido Comunista. Nacionalista de esquerda, é descrito nos EUA como comunista.

O presidente Harry Truman autoriza o golpe em 1952, mas a mudança de governo, com a eleição de Dwight Eisenhower, o comandante militar aliado na Segunda Guerra Mundial (1939-45), adia a queda de Árbenz, apesar da plataforma anticomunista do novo presidente.

Em agosto de 1953, Eisenhower autoriza a operação da CIA, que financia, arma e treina os 480 soldados de Carlos Castillo. A propaganda anticomunista e uma estação de rádio fomentam o golpe e tentam isolar a Guatemala internacionalmente.

Quando os golpistas invadem, os EUA fazem um bombardeio aéreo e um bloqueio naval. Os mercenários de Castillo fracassam nas primeiras tentativas, mas a guerra psicológica e a ameaça de uma invasão norte-americana intimidam o Exército da Guatemala, que não resiste. Árbenz tenta armar a população civil, mas acaba renunciando em 27 de junho.

Dez dias depois, Carlos Castillo toma o poder, impõe uma ditadura, proíbe os partidos políticos, prende tortura e mata oposicionistas, e anula as reformas sociais da revolução. É o início de uma guerra civil de quatro décadas de guerrilhas de esquerda contra governos apoiados por Washington, uma das mais brutais da Guerra Fria na América Latina, só comparável à da Colômbia, com um genocídio do povo maia e 150 a 200 mil mortes.  

segunda-feira, 8 de julho de 2024

Hoje na História do Mundo: 8 de Julho

CAMINHO DAS ÍNDIAS

    Em 1497, o navegador português Vasco da Gama zarpa de Lisboa com uma frota de quatro navios em busca do caminho marítimo para a Índia contornando o Sul da África.

A frota de Vasco da Gama dá a volta no Cabo da Boa Esperança, no extremo sul da África, dobrado por Bartolomeu Dias, em 1488. Em Malinde, na costa oriental da África, encontra um mercador indiano que a guia até a Índia, onde chega em 20 de maio de 1498. 

Durante a viagem, ao se afastar da costa da África para evitar as calmarias, Vasco da Gama teria visto aves e plantas aquáticas num sinal de que haveria terra por perto e teria dito isto a Pedro Álvares Cabral, que em 1500 descobre o Brasil para os portugueses.

Em Calicute, Vasco da Gama enfrenta a hostilidade de mercadores muçulmanos e tem de lutar para voltar a Portugal, onde chega em setembro de 1499. Ele volta à Índia em 1502 para vingar um massacre de portugueses. Em 1524, é enviado como vice-rei da Índia, onde contrai malária e morre na cidade de Cochim, em 24 de dezembro de 1524.

ALMIRANTE PERRY AMEAÇA O JAPÃO

    Em 1853, o almirante Matthew Perry entra na Baía de Tóquio com uma esquadra de quatro navios e ameaça bombardear a cidade para abrir o Japão ao comércio internacional.


 
Depois de dar um tempo para as autoridades japonesas examinarem o assunto, Perry volta em março de 1854 com nove navios.

Sem condições de reagir, os japoneses aceitam certas exigências do presidente Millard Fillmore (1853-50). Os Estados Unidos se tornam o primeiro país a estabelecer relações com o Japão depois de dois séculos em que o país se fechou para estrangeiros.

Desde 1639, só a China e a Holanda comerciavam com o Japão e apenas da ilha de Dejima, em Nagasaki, a segunda cidade bombardeada com uma bomba atômica, em 9 de agosto de 1945.

Em 31 de março de 1854, o almirante assina o Tratado de Kanagawa, pelo qual o Japão abre os portos de Shimoda e Hakodate, e permite a instalação de um consulado norte-americano no país.

A pressão dos EUA acaba com o xogunato. É o fim da Idade Média japonesa em 1868, com a Restauração Meiji, que restitui os poderes do imperador. 

Para não ser colonizado pelo Ocidente, o Império do Japão se ocidentaliza e se torna uma potência que vence a China na Guerra Sino-Japonesa (1894-95), a Rússia na Guerra do Pacífico (1904-5) e enfrenta o colonialismo ocidental na Ásia durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

MacARTHUR COMANDA GUERRA DA COREIA

    Em 1950, o presidente Harry Truman nomeia o general Douglas MacArthur comandante militar dos Estados Unidos na Guerra da Coreia (1950-53), um dia depois que o Conselho de Segurança das Nações Unidas recomenda que as forças internacionais sejam colocadas sob o comando militar norte-americano.

A Coreia é ocupada pelo Japão em 1910. Com a derrota japonesa na Segunda Guerra Mundial, os EUA ocupam o Sul da Península Coreana. A União Soviética declara guerra ao Japão em 9 de agosto de 1945, dia da explosão da bomba atômica em Nagasaki, e invade o Norte da Coreia.

A península é dividida oficialmente em 1948, quando nascem a Coreia do Norte e a Coreia do Sul. Em 25 de junho de 1950, o Norte, comunista, invade o Sul para tentar reunificar a Coreia. Como a União Soviética estava boicotando a ONU por causa da não admissão da República Popular da China, os EUA obtiveram um mandato do Conselho de Segurança, que têm até hoje, para reunificar a Península Coreana.

A Guerra da Coreia termina em 27 de julho de 1953. Até hoje, não foi assinado um acordo de paz.

GOLPE NA GUATEMALA

    Em 1954, o coronel Carlos Castillo Armas toma o poder na Guatemala no segundo golpe de Estado articulado pela CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA) durante a Guerra Fria, o primeiro na América Latina. 

A história é contada no livro de ficção Weekend in Guatemala, do escritor guatemalteco Miguel Ángel Asturias, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 1967.

O golpe derruba o presidente nacionalista Jacobo Árbenz, que fizera uma reforma agrária e estatizara propriedades da companhia bananeira United Fruit, que muda de nome para Chiquita Brands para tentar apagar a imagem associada a golpes de Estado.

Depois da Colômbia, a Guatemala foi o país com o maior número de mortos na América Latina durante a Guerra Fria, entre 150 e 200 mil. A democracia só é restaurada plenamente no país em 1984, mas a corrupção é endêmica até hoje.

O primeiro golpe militar apoiado pelos EUA na Guerra Fria é em 1953, no Irã, contra o primeiro-ministro Mohamed Mossadegh, que nacionalizara o petróleo iraniano.

Ao falar sobre o golpe militar de 1964 no Brasil num curso sobre a história da política externa brasileira, o embaixador Gélson Fonseca disse acreditar que a principal causa do apoio dos EUA foi econômica. Os EUA temeriam especialmente Leonel Brizola, que havia estatizado empresas transnacionais quando era governador do Rio Grande do Sul.

MORTE DO GRANDE LÍDER

    Em 1994, morre o Grande Líder Kim Il Sung, fundador da Coreia do Norte.


 Kim luta nos anos 1930 contra a ocupação japonesa e é escolhido pela União Soviética, onde faz treinamento político e militar. Ele luta pelo Exército Vermelho na Segunda Guerra Mundial (1939-45), funda a Coreia do Norte em 1948 e inicia a Guerra da Coreia, em 25 de junho de 1950, tentando reunificar o país sob o regime comunista.

Com a intervenção militar dos Estados Unidos e depois a China, a guerra termina num impasse, sem mudar a divisão da Coreia. Nas próximas quatro décadas, Kim isola o país com sua política de autossuficiência (Juche), causando fome e falta de energia, problemas que o país tem até hoje.

Depois da morte, numa sucessão dinástica num regime comunista, é sucedido pelo filho e Querido Líder Kim Jong Il, que explode a primeira bomba atômica do país em 2006. Ao morrer, em 2011, ascende ao poder seu filho Kim Jong Un, neto do Grande Líder, que acelera os programas de mísseis e de armas nucleares - e ameaça bombardear os EUA.

O presidente Donald Trump faz três encontros de cúpula com o jovem Kim. Legitima o ditador na expectativa de desnuclearizar a Península Coreana, mas as negociações não avançam. 

terça-feira, 18 de junho de 2024

Hoje na História do Mundo: 18 de Junho

INÍCIO DA GUERRA DE 1812

    Em 1812, o presidente James Madison declara guerra ao Império Britânico. Começa a Guerra de 1812 ou Guerra Anglo-Americana, uma consequência das guerras napoleônicas na Europa.

Como o Reino Unido é seu grande inimigo, Napoleão decreta o Bloqueio Continental, proibindo os países do continente europeu de negociar com os britânicos. Isto causa a fuga da família real de Portugal, antigo aliado da Inglaterra, para o Brasil.

Nos EUA, os federalistas apoiam o Reino Unido enquanto os republicanos preferem a França Revolucionária. Os britânicos, que dominam os mares, têm relações comerciais com os sulistas e tentam impedir acordos entre os franceses e os nortistas, infringindo os direitos comerciais e de navegação dos EUA. Com a guerra, tentam reconquistar a ex-colônia.

Os EUA invadem o Canadá, tomam várias cidades e tentam convencer os colonos a romper com a coroa britânica e se juntar aos EUA, mas os britânicos mobilizam uma grande quantidade de tropas, obrigam os invasores a recuar, invadem os EUA e incendeiam Washington, inclusive a Casa Branca, em 24 de agosto de 1814.

A guerra termina com o Tratado de Gante, que restaura o status quo anterior à guerra, em 17 de fevereiro de 1815. A reconstrução da capital dos EUA vai até 1819.

BATALHA DE WATERLOO

    Em 1815, a Sétima Coligação (Reino Unido, Áustria, Prússia e Rússia), vence o imperador francês Napoleão Bonaparte e põe fim a 23 anos de guerras entre a França Revolucionária e outras potências europeias.

Napoleão nasce em 15 de agosto de 1769 em Ajácio, a capital da ilha da Córsega, que dois anos antes se torna parte da França. Com a derrocada da aristocracia na Revolução Francesa de 1789, Napoleão ascende rapidamente na hierarquia do Exército, onde antes para ser general precisava ter quatro gerações de nobreza.

General aos 24 anos, depois da campanha do Egito, em 1798, Napoleão é nomeado cônsul em 1799 e acaba com a revolução na França, enquanto seu exército cidadão luta contra as monarquias europeias. Em 1804, Napoleão se coroa imperador.

Ele não consegue invadir a Inglaterra por causa das derrotas para o almirante Horácio Nelson em Abukir (1799) e Trafalgar (1805). Mas controla maioria do continente, inclusive a Península Ibérica, o que provoca a fuga da família real portuguesa para o Brasil e a independência da América Latina.

Seu maior erro é a invasão da Rússia em 24 de junho de 1812 com o Grande Exército, de 600 mil homens. Depois de uma vitória francesa com enormes perdas na Batalha de Borodino, o Exército russo recua e incendeia Moscou, deixando os franceses sem abrigo e sem comida no início do outono no Hemisfério Norte. A fuga termina em 14 de dezembro. Napoleão nunca se recupera da Campanha da Rússia.

Em 1813, a Sexta Coligação contra Napoleão (Áustria, Prússia, Rússia, Reino Unido, Suécia e alguns estados alemães) o derrota na Batalha de Leipzig. No ano seguinte, seus inimigos invadem Paris. Em 11 de abril de 1814, Napoleão abdica e vai para o exílio na Ilha de Elba, no Mar Mediterrâneo.

O general foge de Elba em fevereiro de 1815 e retoma o poder em 20 de março, mas o segundo reinado dura apenas 100 dias. Um exército da Sétima Coligação (Reino Unido, Áustria, Prússia e Rússia), sob o comando do Duque de Wellington, vence Napoleão na Batalha de Waterloo, na Bélgica, em 18 de junho de 1815. Ele abdica em 22 de junho e vai preso para a Ilha de Santa Helena.

IMIGRAÇÃO JAPONESA

    Em 1908, começa a imigração japonesa no Brasil com a chegada de 781 pessoas ao porto de Santos no navio Kasatu-Maru.

Hoje o Brasil tem a maior colônia de descendentes de japoneses do mundo, cerca de 2 milhões de nikkeis.

NASCE PAUL McCARTNEY

    Em 1942, nasce em Liverpool, na Inglaterra, James Paul McCartney, músico, compositor, cantor, multi-instrumentista, empresário, vegetariano e ativista dos direitos dos animais que conquistou a fama como baixista dos Beatles e teve 29 canções em primeiro lugar nas paradas de sucesso nos Estados Unidos.

Paul conheceu John ao assistir a um show da banda Quarrymen, de John. A tia de Lennon teria se oposto à amizade porque Paul vinha da classe operária. Logo, os dois começam a compor juntos. Em 1958, Paul convence John a convidar George Harrison para a banda.

Em 1960, The Beatles vão tocar em Hamburgo, na Alemanha, onde John entrava no palco com um quepe e fazia a saudação nazista: "Heil, Hitler!". Paul e Pete Best, então baterista da banda, são expulsos da Alemanha ao provocar um incêndio no hotel onde estavam hospedados.

The Beatles fazem o primeiro show no Cavern Club, em Liverpool, em 21 de março de 1961. Neste ano, voltam a Hamburgo e conhecem Brian Epstein, o empresário que consegue um contrato com a gravadora EMI. Em 1964, depois do sucesso na Inglaterra, eles estouram nos Estados Unidos.

Paul é o principal autor das músicas românticas dos Beatles. Yesterday é a música mais regravada por outros artistas da história. Em 1979, o Guinness – o Livro dos Recordes o considerou o compositor de maior sucesso da música pop.

Aos 82 anos, Paul continua em atividade. Conseguiu recriar a voz de John Lennon com inteligência artificial para gravar Now and Then, o último sucesso dos Beatles.

GOLPE DA CIA NA GUATEMALA

    Em 1954, com cobertura aérea dos Estados Unidos, 480 homens liderados por Carlos Castillo Armas invadem a Guatemala, no início do segundo golpe de Estado organizado pela CIA (Agência Central de Inteligência) durante a Guerra Fria, depois da queda do primeiro-ministro do Irã, Mohamed Mossadegh, em 1953, que nacionalizara o petróleo.

A Revolução Guatemalteca começa em 1944, quando uma revolta popular derruba o ditador Jorge Ubico. Na primeira eleição democrática da história deste país da América Central, Juan José Arévalo é eleito presidente em 1945 com 86% dos votos. Ele introduz o salário mínimo e programas de alfabetização. Sobrevive a 25 tentativas de golpe e não disputa a reeleição.

Em 1951, é eleito Jacobo Árbenz, que faz uma reforma agrária, nacionaliza das terras da companhia bananeira United Fruit, a distribui a camponeses e legaliza o Partido Comunista. Nacionalista de esquerda, é descrito nos EUA como comunista.

O presidente Harry Truman autoriza o golpe em 1952, mas a mudança de governo, com a eleição de Dwight Eisenhower, o comandante militar aliado na Segunda Guerra Mundial (1939-45), adia a queda de Árbenz, apesar da plataforma anticomunista do novo presidente.

Em agosto de 1953, Eisenhower autoriza a operação da CIA, que financia, arma e treina os 480 soldados de Carlos Castillo. A propaganda anticomunista e uma estação de rádio fomentam o golpe e tentam isolar a Guatemala internacionalmente.

Quando os golpistas invadem, os EUA fazem um bombardeio aéreo e um bloqueio naval. Os mercenários de Castillo fracassam nas primeiras tentativas, mas a guerra psicológica e a ameaça de uma invasão norte-americana intimidam o Exército da Guatemala, que não resiste. Árbenz tenta armar a população civil, mas acaba renunciando em 27 de junho.

Dez dias depois, Carlos Castillo toma o poder, impõe uma ditadura, proíbe os partidos políticos, prende tortura e mata oposicionistas, e anula as reformas sociais da revolução. É o início de uma guerra civil de quatro décadas de guerrilhas de esquerda contra governos apoiados por Washington, uma das mais brutais da Guerra Fria na América Latina, só comparável à da Colômbia, com um genocídio do povo maia e 150 a 200 mil mortes. 

segunda-feira, 21 de agosto de 2023

Candidato anticorrupção é eleito presidente da Guatemala

 Com 58% dos votos, Bernardo Arévalo, do Movimento Semente, filho do primeiro presidente eleito democraticamente da história da Guatemala, conquistou no domingo uma vitória histórica para presidir o país mais rico da América Central. 

Arévalo, de centro-esquerda, venceu no segundo turno a ex-primeira-dama Sandra Torres Casanova, da União Nacional da Esperança (UNE), que teve 37% por cento dos votos. Seu maior desafio será enfrentar a corrupção endêmica.

O presidente Juan José Arévalo Bermejo (1945-51) foi eleito depois da Revolução Democrática, em 1944. Durante seu governo, houve mais de 30 tentativas de golpe.

Seu sucessor, Jacobo Árbenz Guzmán, foi deposto em 27 de junho de 1954 no primeiro golpe militar articulado pela CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos) na América Latina durante a Guerra Fria, por fazer a reforma agrária em terras da companhia bananeira norte-americana United Fruit.

A Guatemala cai então num período de instabilidade. Em 1960, começa uma das mais sangrentas guerras civis da Guerra Fria na América Latina, que dura 30 anos e mata cerca de 200 mil pessoas até a redemocratização, em 1994, quando o país tinha 9 milhões de habitantes. O presidente eleito hoje nasceu em 7 de outubro de 1958 no Uruguai, onde o pai estava exilado.

A ditadura militar foi responsável por 92% das mortes, a maioria destas (83%) de indígenas de origem maia, uma das três grandes civilizações pré-colombianas, num verdadeiro genocídio.

Em 12 de dezembro de 2006, um acordo com as Nações Unidas cria a Comissão Internacional Contra a Impunidade na Guatemala (CICIG), com os objetivos de investigar atos ilícitos das forças de segurança e de organizações clandestinas, combater a corrupção e o crime organizado.

A CICIG acusou de corrupção em 16 de abril de 2015 vários dirigentes políticos, inclusive Juan Carlos Monzón, secretário particular da vice-presidente Roxana Baldetti. Isso levou à renúncia de Baldetti e do presidente, general Otto Pérez Molina (2012-15).

Com a desmoralização dos políticos, em 2015, foi eleito presidente o ator e comediante Jimmy Morales (2016-20), mas a corrupção não diminuiu. Em janeiro de 2017, foram presos o irmão mais velho, Samuel Morales, e um filho do presidente, José Manuel Morales, por corrupção e lavagem de dinheiro.

Sete meses depois, Jimmy Morales expulsou o presidente da comissão da ONU, que investigava alegações de que seu partido recebera doações de campanha ilegais, inclusive de traficantes de drogas, e pedira ao Congresso que suspendesse a imunidade do presidente. Morales também foi acusado de receber um bônus ilegal de US$ 7,3 mil por mês do Ministério da Defesa e de abuso sexual de funcionárias públicas.

Em 7 de janeiro de 2019, Morales rompeu o acordo com a ONU e extinguiu a comissão, alegando que cometera atos ilegais e inconstitucionais, e abusos de poder. A CICIG desmantelou 70 organizações criminosas e teria evitado 20 a 30 mil homicídios.

Seu sucessor, o atual presidente, Alejandro Giammattei, foi eleito na quarta tentativa, em 2019, e assumiu o cargo em 14 de janeiro de 2020. Em 21 de novembro daquele ano, começou uma onda de protestos contra a adoção de um orçamento com fundos marcados para obras de infraestrutura de empresas privadas e cortes nos gastos de combate à pobreza e à desnutrição infantil, que afeta a metade das crianças até cinco anos de idade.

A resposta do governo é aumentar a repressão, com assassinato de líderes sindicais, indígenas e ambientalistas denunciadas pela Federação Internacional pelos Direitos Humanos e a Organização Mundial contra a Tortura. 

Em julho de 2021, a procuradora-geral María Consuelo Porras, demitiu o procurador especial anticorrupção, Juan Francisco Sandoval, por investigar casos de corrupção ligados ao presidente, inclusive financiamento ilegal da campanha eleitoral por empresas da construção civil.

Em 2022, o Congresso aprovou um projeto para aumentar as penas de prisão por aborto, proibir a educação sexual nas escolas e declarar homossexuais "grupos minoritários incompatíveis com a moral cristã". Depois de apoiar a iniciativa, Giammattei ameaçou vetar a lei por violar a Constituição e acordos internacionais. O Congresso recuou e suspendeu a tramitação da proposta.

Neste ano, só 2,9% dos guatemaltecos consideraram o governo bom. Sob Giammattei, aumentou muito a imigração para os EUA.

Num país com tal histórico de violência política e corrupção, o partido derrotado ontem denunciou irregularidades e ainda não reconheceu a vitória de Bernardo Arévalo de León, de 64 anos, mas ele foi cumprimentado pelos presidentes do México, Andrés Manuel López Obrador; de Honduras, Xiomara Castro; e de El Salvador, Nayib Bukele.

O atual presidente da Guatemala reconheceu a vitória e convidou Arévalo para uma reunião no palácio presidencial para iniciar a transição de governo.