Todo assassinato político é inaceitável. É terrorismo político. É a barbárie. Mas o ativista político de extrema direita e influenciador digital Charlie Kirk semeou com discursos de ódio a violência que o abateu com um tiro certeiro em 10 de setembro na Universidade do Vale de Utah.
A violência é uma marca da política dos Estados Unidos, um país onde quatro presidentes foram mortos e muitos outros escaparam de atentados. O Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) de Washington percebe um aumento da violência política nos últimos anos.Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
terça-feira, 16 de setembro de 2025
segunda-feira, 21 de agosto de 2023
Candidato anticorrupção é eleito presidente da Guatemala
O presidente Juan José Arévalo Bermejo (1945-51) foi eleito depois da Revolução Democrática, em 1944. Durante seu governo, houve mais de 30 tentativas de golpe.
Seu sucessor, Jacobo Árbenz Guzmán, foi deposto em 27 de junho de 1954 no primeiro golpe militar articulado pela CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos) na América Latina durante a Guerra Fria, por fazer a reforma agrária em terras da companhia bananeira norte-americana United Fruit.
A Guatemala cai então num período de instabilidade. Em 1960, começa uma das mais sangrentas guerras civis da Guerra Fria na América Latina, que dura 30 anos e mata cerca de 200 mil pessoas até a redemocratização, em 1994, quando o país tinha 9 milhões de habitantes. O presidente eleito hoje nasceu em 7 de outubro de 1958 no Uruguai, onde o pai estava exilado.
A ditadura militar foi responsável por 92% das mortes, a maioria destas (83%) de indígenas de origem maia, uma das três grandes civilizações pré-colombianas, num verdadeiro genocídio.
Em 12 de dezembro de 2006, um acordo com as Nações Unidas cria a Comissão Internacional Contra a Impunidade na Guatemala (CICIG), com os objetivos de investigar atos ilícitos das forças de segurança e de organizações clandestinas, combater a corrupção e o crime organizado.
A CICIG acusou de corrupção em 16 de abril de 2015 vários dirigentes políticos, inclusive Juan Carlos Monzón, secretário particular da vice-presidente Roxana Baldetti. Isso levou à renúncia de Baldetti e do presidente, general Otto Pérez Molina (2012-15).
Com a desmoralização dos políticos, em 2015, foi eleito presidente o ator e comediante Jimmy Morales (2016-20), mas a corrupção não diminuiu. Em janeiro de 2017, foram presos o irmão mais velho, Samuel Morales, e um filho do presidente, José Manuel Morales, por corrupção e lavagem de dinheiro.
Sete meses depois, Jimmy Morales expulsou o presidente da comissão da ONU, que investigava alegações de que seu partido recebera doações de campanha ilegais, inclusive de traficantes de drogas, e pedira ao Congresso que suspendesse a imunidade do presidente. Morales também foi acusado de receber um bônus ilegal de US$ 7,3 mil por mês do Ministério da Defesa e de abuso sexual de funcionárias públicas.
Em 7 de janeiro de 2019, Morales rompeu o acordo com a ONU e extinguiu a comissão, alegando que cometera atos ilegais e inconstitucionais, e abusos de poder. A CICIG desmantelou 70 organizações criminosas e teria evitado 20 a 30 mil homicídios.
Seu sucessor, o atual presidente, Alejandro Giammattei, foi eleito na quarta tentativa, em 2019, e assumiu o cargo em 14 de janeiro de 2020. Em 21 de novembro daquele ano, começou uma onda de protestos contra a adoção de um orçamento com fundos marcados para obras de infraestrutura de empresas privadas e cortes nos gastos de combate à pobreza e à desnutrição infantil, que afeta a metade das crianças até cinco anos de idade.
A resposta do governo é aumentar a repressão, com assassinato de líderes sindicais, indígenas e ambientalistas denunciadas pela Federação Internacional pelos Direitos Humanos e a Organização Mundial contra a Tortura.
Em julho de 2021, a procuradora-geral María Consuelo Porras, demitiu o procurador especial anticorrupção, Juan Francisco Sandoval, por investigar casos de corrupção ligados ao presidente, inclusive financiamento ilegal da campanha eleitoral por empresas da construção civil.
Em 2022, o Congresso aprovou um projeto para aumentar as penas de prisão por aborto, proibir a educação sexual nas escolas e declarar homossexuais "grupos minoritários incompatíveis com a moral cristã". Depois de apoiar a iniciativa, Giammattei ameaçou vetar a lei por violar a Constituição e acordos internacionais. O Congresso recuou e suspendeu a tramitação da proposta.
Neste ano, só 2,9% dos guatemaltecos consideraram o governo bom. Sob Giammattei, aumentou muito a imigração para os EUA.
Num país com tal histórico de violência política e corrupção, o partido derrotado ontem denunciou irregularidades e ainda não reconheceu a vitória de Bernardo Arévalo de León, de 64 anos, mas ele foi cumprimentado pelos presidentes do México, Andrés Manuel López Obrador; de Honduras, Xiomara Castro; e de El Salvador, Nayib Bukele.
O atual presidente da Guatemala reconheceu a vitória e convidou Arévalo para uma reunião no palácio presidencial para iniciar a transição de governo.
segunda-feira, 16 de julho de 2018
Governo Ortega matou 11 manifestantes no fim de semana
Em Manágua, paramilitares atacaram no sábado estudantes entrincheirados na Universidade Nacional Autônoma da Nicarágua (UNAN) e os perseguiram até dentro da Igreja da Divina Misericórdia. Três estudantes foram mortos.
No domingo, a polícia investiu contra estudantes que armaram barricadas da Resistência Cívica de Masaya, a Cidade das Flores, berço da Revolução Sandinista, e também nas cidades de Diriá, Niquinohomo e Catarina, denunciaram o bispo auxiliar da Arquidiocese de Manágua, Silvio José Báez, e grupos de defesa dos direitos humanos.
Embora o Exército da Nicarágua afirme que seu armamento está sob controle, no fim de semana, tanto a polícia quanto os paramilitares usaram armas de guerra como fuzis de assalto, lançadores de granadas e lançadores de foguetes de uso exclusivo das Forças Armadas, noticiou o jornal La Prensa.
“É uma carnificina”, desabafou Álvaro Leiva, porta-voz da Associação de Direitos Humanos da Nicarágua. “Para todos os que estão nestas cidades, en vos imploro que fujam, se protejam e salvem suas vidas”, pediu o bispo auxiliar de Manágua, fazendo um apelo: “Vamos evitar mais mortes.”
Ortega era um dos nove comandantes da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), que derrubou a ditadura de Anastasio Somoza Debayle em 19 de julho de 1979. Foi chefe do governo revolucionário e, em 1984, eleito presidente. Em 1990, perdeu a reeleição para Violeta Chamorro.
Ele voltou ao poder em 2007 em aliança com o ex-presidente corrupto Arnoldo Alemán, que chegou a ser preso, um indigno representante da oligarquia somozista contra a qual lutara como guerrilheiro na juventude. Hoje, Ortega é comparado a Somoza.
Para se eternizar no poder, Ortega mudou a composição da Corte Suprema e alterou a Constituição para permitir a reeleição sem limites. Com a ajuda dos petrodólares do regime chavista da Venezuela, conseguia realizar programas sociais. A crise econômica venezuelana secou a fonte.
A revolta começou em 19 de abril, com protestos de rua contra uma reforma da Previdência Social que aumentava as contribuições e diminuía as aposentadorias e pensões. Diante da brutalidade da repressão, agora o Movimento 19 de Abril exige a saída imediata de Daniel Ortega e da vice-presidente Rosaria Murillo, sua mulher, a antecipação das eleições de 2021 e uma investigação internacional para apurar as responsabilidades por cerca de 370 mortes.
quarta-feira, 13 de junho de 2018
Ortega admite antecipar eleição presidencial na Nicarágua
Com a decisão do Exército de parar de reprimir os manifestantes, o ex-líder guerrilheiro está sendo obrigado a ceder à pressão das ruas. Se Ortega cair, a revolta contra a corrupção e o autoritarismo tende a se intensificar na Guatemala e em Honduras.
A revolta contra Ortega começou em 18 de abril, em protesto contra o aumento das contribuições previdenciárias e a redução nas pensões e aposentadorias. O governo recuou, mas a repressão violenta inflamou a situação, levando a Igreja Católica a pedir a saída do presidente.
Um dos nove comandantes da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), que tomou o poder em Manágua em 17 de julho de 1979, derrubando a ditadura de Anastasio Somoza, Ortega governou a Nicarágua de até 1990, quando perdeu a eleição presidencial para Violeta Chamorro.
Ortega voltou em 2007, em aliança com a oligarquia somozista, manipulou as instituições, mudou a composição do supremo tribunal, censurou a mídia e é acusado de corrupção e enriquecimento ilícito, ao lado da mulher e vice-presidente Rosario Murillo. Hoje, é comparado a Somoza.
quinta-feira, 31 de maio de 2018
Protesto contra Ortega termina com 16 mortes na Nicarágua
A repressão violenta à marcha em homenagem às mães das mortos nos protestos de abril deve ampliar o movimento. Se o presidente Daniel Ortega cair, as oposições de outros países em crise da América Central, Guatemala e Honduras, devem fazer novas manifestações contra seus governos.
Em abril, Ortega propôs cortes de pensões e aumento nas contribuições previdenciárias, deflagrando uma onda de protestos, levando o presidente a recuar e voltar atrás em 23 de abril, depois de 53 mortes atribuídas principalmente às forças de segurança e a paramilitares ligados ao regime.
A Igreja Católica organiza os protestos contra a violência do governo e o Exército relutava em continuar atacando a multidão revoltada. Diante do uso de força mortal pelo governo, os bispos nicaraguenses se negam a retomar o diálogo.
Por causa do aumento nos preços do petróleo, há 20 dias, motoristas de táxi, ônibus e caminhões aderiram ao movimento. Depois de duas semanas de relativa calma, os protestos voltaram com força em 11 de maio nas principais cidades nicaraguenses: Manágua, León, Granada, Chinandega e Masaya.
No dia 12, o Exército pediu diálogo e declarou que não participaria mais da repressão contra os manifestantes. O Conselho Superior da Iniciativa Privada, que representa a elite empresarial, inclusive muitos aliados de Ortega, também defendeu o diálogo.
A dúvida é se Ortega resiste até a eleição presidencial de 2021, quando poderia voltar a ser candidato com base numa reforma que acabou com a limitação dos mandatos.
Um dos nove comandantes da FSLN, que tomou o poder em 17 de julho de 1979, Daniel Ortega governou a Nicarágua até ser derrotado por Violeta Chamorro na eleição presidencial de 1990. Voltou em 2007, em aliança com a oligarquia somozista que um dia combatera e desde então tenta se eternizar no poder.
Em Honduras, houve uma onda de protestos depois da contestada reeleição do presidente Juan Orlando Hernández, em novembro de 2017. A situação se acalmou com a divisão interna da oposição com a disputa pela liderança entre o ex-presidente José Manuel Zelaya e o candidato presidencial no ano passado, Salvador Nasralla. O Exército sustenta o governo conservador.
Na Guatemala, uma onda de manifestações contra a corrupção levou à queda do presidente Otto Pérez Molina, em 2015. O atual presidente, Jimmy Morales, um ex-humorista que chegou ao poder fazendo campanha contra os políticos e partidos tradicionais, também é alvo de investigações da Comissão contra a Impunidade, um órgão criado pelas Nações Unidas que as elites polícias e empresarias guatemaltecas querem desautorizar, na contramão da opinião pública.
Se Ortega cair, talvez o furacão da mudança varra também os governos do norte e nordeste da América Central.
quinta-feira, 16 de novembro de 2017
Ex-procuradora-geral da Venezuela denuncia Maduro à Corte de Haia
A acusação tem como alvos principais o ditador, o ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López, o ministro do Interior e Justiça, Néstor Reverol, e outros altos funcionários ligados às forças de segurança do Estado.
Ortega Díaz afirmou ter apresentado mais de mil elementos de prova dos crimes contra a humanidade cometidos pelo governo na repressão às manifestações de protesto da oposição, em que pelo menos 127 pessoas foram mortas desde abril.
"Temos atestados psiquiátricos, laudos periciais e depoimentos que sustentam a denúncia", declarou a ex-procuradora-geral, acrescentando que Maduro e o governo "devem pagar pela fome e a miséria a que submeteram o povo da Venezuela."
Militante chavista, Luisa Ortega foi nomeada procuradora-geral pelo então presidente Hugo Chávez em 2007. Virou dissidente em protesto contra a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte por Maduro numa manobra para tirar os poderes da Assembleia Nacional eleita em dezembro de 2015, com maioria oposicionista.
Pela Constituição da República Bolivarista da Venezuela, inspirada por Chávez, é necessário um referendo popular para convocar uma nova Constituinte. Ortega considerou a manobra de Maduro um ataque à herança do caudilho, que morreu em 5 de março de 2013, sendo substituído por Maduro por orientação do ditador cubano Fidel Castro. Ela proclamou que a Constituinte de Maduro era ilegal e ilegítima.
Em 5 de agosto de 2017, Ortega Díaz foi demitida pela Constituinte, que assumiu plenos poderes legislativos, atropelando o parlamento eleito democraticamente, num golpe que tornou a Venezuela uma ditadura escancarada, com todo o poder concentrado no Executivo. Quando foi decretada a prisão do marido, ela fugiu do país e desde então viaja pelo mundo denunciando os crimes do regime.
A Venezuela vive sua pior crise econômica da sua história independente. O produto interno bruto deve cair mais de 12% neste ano, caracterizando uma depressão se somado aos resultados negativos dos últimos anos. A inflação pode chegar a 1.200%. Com o desbastecimento, mais de 80% dos produtos básicos estão em falta.
Com reservas cambiais em moedas fortes abaixo de US$ 10 bilhões, no início do mês, Maduro anunciou que o país não tem mais condições de pagar suas dívidas, estimadas em US$ 120 bilhões pelo boletim de notícias Dolar Today.
Madurou chamou os credores para renegociar e nomeou o vice-presidente Tareck El Aissimi e o ministro da Fazenda como principais negociadores. Ambos estão numa lista de sancionados pelo governo dos Estados Unidos. Assim, os americanos não podem negociar com eles, sob as penas da lei.
Na primeira reunião com representantes dos credores, o vice-presidente falou sozinho e não apresentou planos nem propostas. Distribuiu chocolate e café da Venezuela, mas não respondeu a nenhuma pergunta.
terça-feira, 10 de outubro de 2017
FARC se registram como partido para disputar eleições de 2018
"Entregamos toda a documentação, inclusive o certificado de entrega das armas do Mecanismo de Monitoramento das Nações Unidas e os outros documentos exigidos pela legislação", declarou o dirigente Jairo Estrada.
Os ex-guerrilheiros preparam agora lista de candidatos do partido à Câmara e ao Senado. Ainda não decidiram se lançam candidato à Presidência. O subcomandante Iván Márquez, principal negociador das FARC, disse que o grupo está pronto a trabalhar com outros partidos para "superar a ordem social antiga e injusta".
Mais de 500 mil pessoas morreram desde que o assassinato do candidato liberal à Presidência da Colômbia Jorge Eliécer Gaitán foi morto em Bogotá, em 9 de abril de 1948. Mais de 2 mil pessoas foram mortas nos dias seguintes, no chamado Bogotazo, e entra 200 e 300 mil na década seguinte, conhecida na Colômbia como o período de La Violencia.
Naquela época, as oposições liberais e de esquerda foram para a clandestinidade para lutar contra o conservadorismo colombiano. No meio da guerra civil, em 1964, nasceram as FARC, como braço armado do Partido Comunista Colombiano, alinhado à União Soviética.
Com o declínio do comunismo como ideologia e o fim da URSS, em 1991, as FARC acabaram se aliando a máfias do tráfico de drogas para financiar a luta armada. Isso permitiu sua sobrevivência muito além dos outros grupos guerrilheiros de esquerda que tentaram tomar o poder na América Latina.
terça-feira, 15 de agosto de 2017
Trump recua e culpa "ambos os lados" em Charlottesville
Sempre rápido ao atacar inimigos reais ou imaginários e a denunciar terroristas islâmicos, desta vez o presidente justificou a demora de dois dias para culpar os supremacistas brancos com base na cautela: "Antes de fazer uma declaração, preciso saber dos fatos." Ele não chamou o jovem que jogou um carro contra manifestantes antifascistas de terrorista.
No sábado, o presidente afirmou: "Condenamos nos termos mais fortes possíveis esta demonstração escandalosa de ódio, violência e intolerância de muitos lados." E repetiu: "muitos lados".
Desde então, quatro altos dirigentes industriais deixaram o Conselho Manufatureiro Americano, um órgão cosultivo da Casa Branca. Raivoso, Trump disse que eles saíram do governo "porque não estão levando seu trabalho a sério em relação a este país. Estão saindo constrangidos porque fabricam seus produtos no exterior."
Em seguida, o presidente argumentou que muitos manifestantes não eram neonazistas, estavam lá simplesmente protestando contra a remoção da estátua do general Robert Lee, comandante militar dos estados do Sul que lutaram para manter a escravidão e dividir os EUA na Guerra da Secessão (1861-65), o pior conflito armado da história do país, com mais de 600 mil mortes.
"Eu condenei os neonazistas", alegou Trump. "Condenei vários grupos diferentes. Mas nem todas aquelas pessoas eram neonazistas, acreditem em mim. Nem todas aquelas pessoas eram supremacistas brancos, em nenhuma medida. Aquelas pessoas estavam lá porque decidiram protestar contra a retirada da estátua de Robert Lee."
Trump questionou a remoção dos símbolos da Confederação, que lutou contra as forças abolicionistas da União, liderada pelo presidente Abraham Lincoln, dizendo que os presidentes e fundadores dos EUA George Washington e Thomas Jefferon tinham escravos: "George Washington será o próximo? Onde isso vai parar?"
Mais uma vez, o presidente acusou os jornalistas de distorcerem a realidade: "O que dizer da ultraesquerda que chegou atacando o que vocês chamam de ultradireita? O que dizer do fato que eles chegaram atacando com porretes na mão?"
Imediatamente, foi elogiado pelo ex-líder do KKK David Duke, que estava na manifestação neonazista em Charlottesville: "Obrigado, presidente Donald Trump, por sua honestidade e coragem ao dizer a verdade sobre Charlottesville e condenar os terroristas de esquerda."
segunda-feira, 1 de maio de 2017
Maduro anuncia salário mínimo e Constituinte na Venezuela
Hoje Maduro ignorou a Assembleia Nacional, dominada pela oposição, e convocou uma Assembleia Nacional Constituinte para reescrever a Constituição da República Bolivarista da Venezuela. Não seria uma Constituinte eleita diretamente pelo povo, mas uma "Constituinte operária", com membros indicados por entidades.
Para o presidente e cada vez mais ditador venezuelano, é a única saída para o "golpe de Estado" econômico de que se considera vítima: "Assumo todas as consequências e convoco o povo para se preparar para uma grande vitória. Convoco uma Constituinte cidadão, não uma Constituinte de partidos políticos, uma Constituinte de trabalhadores e camponeses."
Dos 500 constituintes, a metade seria indicada por entidades de trabalhadores, jovens, camponeses, pensionistas, indígenas. A decisão pode ser confirmada ainda hoje pelo Conselho de Ministros do regime chavista, encurralado nas ruas.
Desde 6 de abril, pelo menos 29 pessoas foram mortas em manifestações de protesto diárias contra o governo Maduro, mais de 2 mil pessoas foram presas e 50 líderes estudantis sequestrados pelo serviço secreto. A tortura é um método comum de interrogatório.
Um mês de protestos diários e confrontos entre manifestantes que exigem eleições diretas já para superar a crise, a polícia e milícias chavistas agravou ainda mais a situação econômica do país.
A Venezuela teve uma inflação de 800% no ano passado, uma queda de mais de 20% do produto interno bruto sob Maduro e enfrenta desabastecimento de gêneros de primeira necessidade, remédios, alimentos e até papel higiênico.
O regime tenta desviar a atenção do desastre econômico, mas os protestos chegam à periferia das grandes cidades, os redutos tradicionais do chavismo. O aumento do salário mínimo é uma tentativa de acalmar as massas, mas o desabastecimento conspira contra Maduro.
quarta-feira, 12 de outubro de 2016
Câmera do Burúndi aprova saída do Tribunal Penal Internacional
O TPI iniciou uma investigação sobre o Burúndi depois que a manobra para garantir um terceiro mandato consecutivo para o presidente Pierre Nkurunziza deflagrou uma onda de protestos e violência política. Centenas de pessoas morreram, em meio a denúncias de sequestros, tortura, estupros e desaparecimento de pessoas.
Sob pressão internacional, o governo proibiu a entrada no Burúndi de investigadores da ONU depois de um relatório da organização apontou nomes de vários altos funcionários públicos suspeitos de orquestrar a violência.
Para se tornar lei, o projeto precisa agora ser aprovado pelo Senado e receber a sanção do presidente Nkurunziza, o maior interessado em escapar da Justiça internacional.
segunda-feira, 3 de outubro de 2016
Eleição presidencial no Congo deve ser adiada para dezembro de 2018
O anúncio pode deflagrar mais uma onda de violência política depois de morte de cerca de 50 pessoas em protestos e choques com as forças de segurança na capital do antigo Congo Belga, Kinshasa.
Kabila se recusa a deixar o poder, mas nega qualquer manobra, atribuindo o adiamento a problemas logísticos e orçamentários. Uma negociação multipartidária com participação da sociedade tenta chegar a um acordo sobre a data da eleição, mas a maioria da oposição boicota o diálogo que considera um pretexto para Kabila continuar no poder.
segunda-feira, 16 de maio de 2016
Ruanda expulsa mais de 1,3 mil burundeses
Desde que o presidente Pierre Nkurunziza decidiu concorrer a um terceiro mandato, em abril de 2015, centenas de pessoas foram mortas e milhares fugiram do país. Muitos se refugiaram em Uganda, que tem uma composição étnica semelhante, com uma maioria do povo hutu e uma minoria tútsi.
Na semana passada, o governo ruandês mandou os burundeses irem para campos de refugiados ou voltarem para o Burúndi.
Com o aumento da violência, os países vizinhos, especialmente Ruanda, temem o extravasamento do conflito através das fronteiras. Em 1994, quando a Frente Patriótica Ruandesa (FPR) derrubou o governo da maioria hutu, os hutus em fuga cometeram um genocídio, massacrando 800 mil pessoas.
sexta-feira, 29 de abril de 2016
Ataque mata cinco pessoas na capital do Burúndi
Os confrontos entre as forças de segurança e os oposicionistas se intensificaram desde a reeleição de Nkurunziza em julho do ano passado. Ele mudou a Constituição para concorrer a um terceiro mandato.
Nos últimos 12 meses, a violência política no Burúndi causou a morte de cerca de 400 pessoas. Outras 260 mil fugiram do país, marcado pelo conflito étnico entre hutus e túsis, o mesmo que provocou o genocídio dos tútsis na vizinha Ruanda em 1994.
Nkurunziza, um hutu, está no poder desde o fim da guerra civil, em 2005, mas sua insistência em permanecer no cargo ameaça romper a trégua dos últimos dez anos.
sábado, 28 de março de 2015
Boko Haram ataca seções eleitorais no Nordeste da Nigéria
Nos dois primeiros ataques, em Ngalda, no estado de Yobe, e em Woru, no estado de Gombe, pistoleiros abriram fogo contra eleitores que estavam a caminho das seções eleitorais.
Inicialmente previstas para 14 de fevereiro, as eleições foram adiadas para 28 de março de 2015 por causa da violência política. Nesse período, o Exército da Nigéria lançou uma operação contra o Kobo Haram em conjunto com países vizinhos que também foram atacados: Camarões, Chade e Níger.
O grupo Boko Haram, cujo nome significa "não à educação ocidental", quer impor a lei islâmica na África Ocidental. Ao aderir à luta armada, em 2009, deflagrou uma guerra civil onde pelo menos 12 mil pessoas foram mortas.
No Sudeste, a principal região de exploração de petróleo do maior produtor da África, uma bomba escondida em baixo de um carro explodiu junto a uma seção eleitoral da região de Ogui, no estado de Enugu, revelou a agência oficial de notícias chinesa Nova China. Um esquadrão antibombas desarmou quatro bombas na mesma área, onde outros grupos rebeldes não religiosos costumam atuar.
O presidente Goodluck Jonathan, um cristão sulista, tenta a reeleição pelo Partido Democrático Popular (PDP), que está no poder desde a primeira eleição pós-democratização do país, em 1999. É acusado de incompetência no combate à insurgência islamita no Norte do país, majoritariamente muçulmano. A seu favor, tem o forte crescimento econômico que fez da Nigéria o país rico da África.
Com a insurgência, aumentam as chances do candidato da oposição, o ex-ditador Muhamadu Buhari (1983-85), do Congresso de Todos os Progressistas (APC) um muçulmano nortista que deixou o poder odiado por ter tentado impor uma campanha de disciplina e boas maneiras. Desde então, perdeu várias eleições presidenciais e aceitou o resultado democraticamente.
As pesquisas preveem um resultado apertado.
As autoridades eleitorais nigerianas estenderam o prazo de votação até amanhã alegando problemas técnicos em títulos de eleitor com identificação biométrica em algumas zonas eleitorais. Nas últimas eleições parlamentares e presidencial, em 2011, a violência política causou mais de 1,1 mil mortes.
quinta-feira, 10 de abril de 2014
ONU envia missão de paz à República Centro-Africana
Mais de mil pessoas foram mortas desde a queda do regime golpista de François Bozizé. O governo provisório, chefiado pela presidente do Parlamento, Catherine Samba-Panza, é incapaz de controlar a situação mesmo com ajuda internacional.
A ONU estima que 1,3 milhão de pessoas precisem de ajuda no país. A França já tem 2 mil soldados no país e a União Africana, outros 5 mil. A partir de agora, eles têm autorização para "usar todos os meios necessários", a linguagem diplomática para aprovar o uso da força".
Há um colapso da autoridade do Estado na República Centro-Africana. Sem polícia nem sistema prisional, o país está entregue a gangues da bandidos, disse à BBC o embaixador francês na ONU, Gerard Araud.
"Milícias cristãs e muçulmanas deixaram a República Centro-Africana à beira de um desastre", afirmou a embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Samantha Power, que esteve ontem em Bangui, onde agradeceu à França e aos soldados de sete países africanos que formam a força de paz da UA.
quinta-feira, 6 de março de 2014
Venezuela rompe relações com o Panamá
O regime chavista não quer discutir a questão na OEA, uma organização com sede em Washington. Maduro acusou o líder panamenho de conspirar com os Estados Unidos para derrubar o governo venezuelano.
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
Chavismo se apoia nas Forças Armadas
Nas ruas de Kiev, houve uma batalha sobre as fronteiras da Europa, a segurança energética do continente, o domínio da Rússia sobre as ex-repúblicas soviéticas e o futuro do autoritarismo de Vladimir Putin dentro e fora de seu país. Na Venezuela, está em jogo apenas o chavismo e seu mal definido "socialismo do século 21".
Hugo Chávez Frías era aquele tipo de caudilho maior do que o mundo, lúcido e inteligente, mas arrogante e boquirroto. Estabeleceu uma relação direta das massas que lhe permitiu atropelar constantemente as instituições de sua própria revolução bolivarista.
Seu sucessor, Nicolás Maduro, não tem nem de longe nem a inteligência nem o carisma do comandante morto prematuramente por um câncer que tentou esconder da opinião pública.
Desde que Chávez se afastou para fazer tratamento em Cuba, em dezembro de 2012, a Venezuela é governada por um colegiado. Maduro é a face mais visível do regime. Por trás dele, há outras figuras, com destaque para o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, companheiro de armas de Chávez no fracassado golpe de 4 de fevereiro de 1992 contra o presidente Carlos Andrés Pérez.
Foi Cabello quem escoltou o líder oposicionista Leopoldo López até um tribunal militar. É Cabello que tem maior trânsito entre os militares, que são a base de sustentação do chavismo, especialmente depois da cubanização do regime em 2003, em reação ao golpe contra Chávez de 11 de abril de 2002.
Com uma ajuda anual de US$ 5 bilhões em petróleo, equivalente à que Cuba recebia da extinta União Soviética, o chavismo se tornou o principal sustentáculo da ditadura dos irmãos Castro, grandes interessados portanto em manter o regime venezuelano.
Quando era ministro do Exterior sob Chávez, Maduro era a face moderada, diplomática e conciliadora do chavismo, um homem de diálogo. No poder, talvez inseguro por ganhar a eleição de 14 de abril de 2013 por apenas 1,4% dos votos, ele adotou o estilo confrontacionista de Chávez sem ter a mesma eloquência. Quando fala em "burguesia parasitária" ou "oposição nazifascista", soa como uma retórica vazia.
Para o analista político Omar Noria, citado pelo jornal venezuelano El Nacional, é "alguém que não tem luz própria, um personagem que funciona dentro de uma administração caótica e que frente a essas fraquezas apelou para aumentar a repressão e a intolerância". Neste cenário de violência, Noria acredita que o poder de fato esteja com Cabello.
A incompetência de Maduro fica evidente em medidas como a criação de 111 vice-ministérios, inclusive da Suprema Felicidade, que se somam aos 32 ministérios para formar um formidável aparato democrático de duvidosa eficiência administrativa.
Com a onda de protestos iniciada em 12 de fevereiro de 2014, ressurgiu a liderança de López, ex-prefeito de Chacao, na região metropolitana da capital. Líder do partido Vontade Popular, ele rompeu com a estratégia de diálogo adotada pelo governador Henrique Capriles, candidato derrotado nas duas últimas eleições presidenciais, e convocou a população a sair às ruas, sendo logo atendido por estudantes insatisfeitos com a crise econômica.
Antes do golpe de 2002, Chávez criou as Células Bolivaristas, milícias populares para defender sua revolução. Depois da tentativa de derrubá-lo, cercou-se de assessores militares e de segurança cubanos, promoveu expurgos nas Forças Armadas, fortaleceu e ampliou as milícias e os "coletivos", equivalentes aos comitês de defesa da revolução em Cuba.
Maduro aprendeu com Chávez que os militares são ao mesmo tempo a maior garantia e a maior ameaça à revolução bolivarista. "No atual cenário de efervescência social, as Forças Armadas são o principal sustentáculo do governo Maduro. É um governo militarista e pretoriano, que se apoia nos militares, apesar de ser civil."
Nos primeiros nove meses de governo, Maduro nomeou 368 militares para cargos públicos, inclusive oito ministros e 11 governadores. Os ministros da Economia, do Interior, da Defesa e dos Transportes, e o intendente nacional de preços justos são militares.
Além do aumento de 60% nos soldos, Maduro apoiou a criação de um canal de televisão, um banco, uma construtora e uma processadora de alimentos das Forças Armadas. Há um certo descontentamento com a excessiva influência de Cuba, mas qualquer dissidência ideológica é punida com expurgo.
Se na Argentina uma derrota do kirchnerismo nas eleições de 2015 mudará as condições de governabilidade do país, na Venezuela, a militarização do regime chavista torna qualquer mudança muito mais difícil. As milícias e os coletivos podem reagir em defesa da revolução que desaba sob o peso de uma crise econômica gerada por seus próprios erros e a tentativa de ressuscitar o marxismo no século 21.
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
Venezuela reduz acusações a líder da oposição preso
López rompeu nos últimos dias com a estratégia de dialogar com o governo chavista adotada pelo candidato derrotado nas duas últimas duas eleições presidenciais, Henrique Capriles.
A Venezuela vive uma crise econômica sem precedentes para um país riquíssimo em petróleo, com inflação de 56% ao ano, desabastecimento de um quarto dos produtos normalmente encontrados em supermercados, inclusive açúcar, carne, leite e papel higiênico, e um dos maiores índices de homicídios do mundo.
Com as mortes de mais duas mulheres, subiu para seis o total de mortos no conflito nas ruas da Venezuela. Ontem, a Miss Turismo do estado de Carabobo, Génesis Carmona, foi baleada por milicianos chavistas que passaram de moto e atiraram contra um protesto da oposição na cidade de Valência. Outra mulher morreu quando a ambulância que a socorria ficou parada no meio de uma manifestação contra o governo.
O maior problema do regime é que Hugo Chávez foi um caudilho tão dominante e avassalador que nenhuma outra liderança floresceu sob seu comando. Nicolás Maduro, o sucessor indicado por Chávez e Fidel Castro, não tem o carisma nem a inteligência nem o talento político do comandante.
Desde o afastamento de Chávez, em dezembro de 2012, e sua morte em 5 de março de 2013, a Venezuela é governada por um colegiado. A rivalidade entre Maduro e o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, companheiro da Chávez no fracasso golpe militar de 1992, é cada vez mais evidente.
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
Missão de paz da UE vai à Ucrânia
Com o aumento da violência e a radicalização das posições, o objetivo maior da UE é evitar uma guerra civil. O governo começa a chamar os manifestantes de terroristas, numa tentativa de deslegitimar o movimento para esmagá-lo.
Os Estados Unidos e a UE ameaçam impor sanções se a repressão aumentar. Durante uma reunião de cúpula da América do Norte com o presidente do México e o primeiro-ministro do Canadá, o presidente Barack Obama fez um pelo ao Exército da Ucrânia para que não saia às ruas.
A oposição exige a queda de Yanukovitch desde novembro, quando ele abandonou, sob pressão da Rússia, negociações para associar a Ucrânia à UE. Nos últimos dias, o conflito se tornou especialmente violento.
Ontem a polícia de choque tentou desalojar manifestantes acampados há meses na Praça da Independência, no centro de Kiev. Foi o pior confronto desde que Ucrânia se tornou independente da União Soviética, em dezembro de 1991.
Cada vez mais autoritária sob o governo de Vladimir Putin, a Rússia tenta recriar o chamado império interior soviético, submetendo as antigas repúblicas da URSS ao controle do Kremlin.
No fundo, a luta é para libertar a Ucrânia do jugo imperialista da Rússia. Se os ucranianos tiverem sucesso, serão um bom exemplo para os russos se livrarem de seu "homem-forte", outra herança maldita do comunismo soviético.
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
Venezuela prende líder da oposição após três mortes
Mais cedo, um porta-voz do partido Vontade Popular disse que López não havia sido notificado e estava examinando a situação com seus advogados.
Pelo menos outras 23 pessoas saíram feridas e 25 foram presas nas manifestações contra e a favor do governo. Maduro repudiou a violência e acusou grupos "nazifascistas" de articular um golpe para derrubá-lo.
O presidente venezuelano também proibiu manifestações de protesto, levando os líderes oposicionistas López, María Corina Machado e o prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, a denunciar uma violação da Constituição e dos direitos políticos, informa o jornal Latin American Herald.
A situação econômica da Venezuela, falida pelas políticas do "socialismo do século 21" do falecido presidente Hugo Chávez, se agrava a cada dia sem que o governo mostre condições de reverter o quadro.
Hoje, a companhia japonesa Toyota, maior fabricante de automóveis do mundo, anunciou a redução de sua produção por não conseguir importar autopeças no ritmo necessário para manter sua fábrica operando normalmente. O dólar no câmbio negro vale 13 vezes mais do que a cotação oficial, e as empresas não conseguem a moeda americana para pagar pelas importações.

